29 de mai de 2014

O absurdo conflito de interesses no trabalho de Ronaldo como comentarista da Globo

Eles
“A Copa do Mundo é um grande negócio e irá deixar legado importante. Vamos mostrar isso para essa minoria que é contra o torneio”.

Este era Ronaldo em fevereiro.

“Eu me sinto envergonhado”.

Este é Ronaldo hoje.

O que mudou?

Nada. Ronaldo é o mesmo. Se alguém já saiu ganhando com a Copa, qualquer que seja o resultado, é ele. De apoiador entusiasmado a crítico contumaz do evento, ele sente como o vento sopra e corre atrás.

O que perde com isso? Por enquanto, nada. Pelo contrário, é chancelado. Ronaldo, sabe-se há um tempo, será comentarista da Globo, num conflito de interesses absurdo. Quando, em circunstâncias normais, um membro do Comitê Organizador Local, órgão ligado à CBF e à Fifa, poderia dar pitacos se é parte interessada?

Sua empresa, a 9ine, agencia Neymar. É nula a possibilidade de um acordo para ele se calar a cada vez que Neymar pegar na bola.

A 9ine representa a Marfinite, que forneceu as cadeiras para o Itaquerão, a Fonte Nova e a Arena Grêmio. Os Gêmeos, que pintaram o avião da seleção, também são agenciados.

Estes são alguns dos acordos que se tornaram públicos. Certamente há outros.

Jornalistas da Globo não podem — ao menos em tese –, declarar apoio a políticos. Ronaldo, que avisou que estará com Aécio, não precisou obedecer essa norma. A justificativa é a de que Ronaldo é “convidado”. Convidado, portanto, pode tudo.

Sua pretensa indignação, agora, é como a de Joana Havelange. É como se ambos fossem gandulas e não diretores da Fifa. São casos impressionantes de esperteza às avessas.

Ronaldo é ele mesmo um belo quinhão dos problemas que aponta. O casamento com a Globo é o coroamento dessa estratégia macunaímica de sempre se dar bem. É chamar o torcedor de otário na cara dura.

Como diz aquele velho slogan, eles têm tudo a ver.

Kiko Nogueira
No DCM
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Aprovado, Plano Nacional de Educação é a maior vitória da Educação brasileira


“Hoje, conquistamos a maior vitória da educação brasileira! Aprovado o Plano Nacional de Educação. Isso significa democratização do acesso à universidade, erradicação do analfabetismo, qualidade da educação básica e valorização do professor! O Brasil finalmente tem um projeto transformador para sua Educação, que deverá estar conectada com os desafios maiores de nossa nação! Parabéns, estudantes de todo o Brasil! Essa conquista tem, indiscutivelmente, o carimbo da União Nacional dos Estudantes!”

A declaração acima, da presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Virgínia Barros, dimensiona o significado da aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE), nesta última 4ª feira (28), na Câmara dos Deputados. Uma vitória e tanto do Brasil que garante, na lei, a destinação progressiva de 10% do PIB para a área. Só para vocês terem uma ideia, hoje, 1% do PIB equivale a R$ 48 bi. Ao todo, o PNE estabelece 253 estratégias e 20 metas para a Educação nos próximos 10 anos, orientando todas as ações — federais, estaduais e municipais — relativas aos setor.

Metas e estratégias

Relator do PNE, o deputado Ângelo Vanhoni (PT-PR), também comemorou a aprovação do plano. Em seu site, o parlamentar comemora: “A aprovação do Plano Nacional de Educação consolida a concepção de que os motores do nosso desenvolvimento são o conhecimento, a ciência e a tecnologia. A qualidade do nosso ensino será muito diferente do que é hoje”.

“Com o PNE — complementa Vanhoni — nós vamos consolidar uma política de Estado para a Educação nos próximos 10 anos. Estamos garantindo a Educação integral para pelo menos 1/3 dos alunos do ensino fundamental, o que corresponde a 11 milhões de crianças. Estamos melhorando as condições dos profissionais de educação, com remuneração, em cálculos atuais (em média), na casa dos R$ 3.650″.

As metas contemplam a erradicação do analfabetismo; a  universalização do acesso ao ensino básico; qualificação do ensino médio e profissionalizante; ampliação das matrículas no ensino superior; e aumento de vagas na educação infantil (0 a 3 anos). E, também, valorização dos trabalhadores em Educação, com a  equiparação salarial dos educadores com profissionais de formação equivalente. Garante mais: gestão democrática pública e a criação do custo-aluno-qualidade, para referência nacional.

Progressivamente…

O PNE passa, na próxima semana pela discussão de alguns Destaques e seguirá para a sanção da presidenta Dilma Rousseff. Daqui a uma década — mas isso começa já, progressivamente — teremos a erradicação do analfabetismo absoluto (hoje em 14%). O Plano determina, também, que metade das escolas brasileiras tenham educação em tempo integral e que a média da escolaridade da população entre 18 a 29 anos seja de 12 anos. E que o número de matrículas da educação profissional técnica de nível médio, entre outras, triplique.

Em relação ao ensino universitário, o PNE determina a elevação da taxa bruta de matrícula para 50% e da taxa líquida para 33% da população, garantindo a expansão em 40% do número de novas matrículas na rede pública (3 milhões de novas vagas). Em 2012, o IBGE apontava que o número de matrículas ultrapassava 7 milhões (5,1 milhões nas instituições privadas). As metas para a pós-graduação também aumentam: o Plano estipula a formação de 60 mil mestres e 25 mil doutores por ano.

Além disso, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) ganha uma meta: na escala de 1 a 10, a média será 6. Hoje, do 1º ao 5º ano do ensino fundamental, a média está em 4,6. Já a meta do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) passa a ser 473 pontos — ano passado, a média dos resultados em matemática, leitura e ciências chegou a 402.

No Blog do Zé
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Manter Carone preso é de interesse da cúpula tucana em Minas



Há quatro meses e nove dias preso, o diretor proprietário do blog “Novo Jornal”, Marco Aurélio Carone, teve hoje seu pedido de libertação julgado no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, negado.

Sua advogada, Sandra Moraes Ribeiro, em memorial apresentado ao TJ, sintetizou — de forma equilibrada, porém contundente — o caráter político de seu encarceramento.

Primeiro, porque na peça acusatória apresentada pelo próprio Ministério Público, o caso foi considerado também como de ordem política, como se nota nos trechos destacados pela citada advogada:

“(…)

O caso possui, ademais, um inquestionável viés politico, dado que, pelo que indicam as investigações, a quadrilha também explorava o veio da politica, disseminando documentos falsos com nomes de pessoas conhecidas, tendo sido responsável pela contrafação do que ficou conhecido como Lista de Furnas.

(…)

Trocando em miúdos, a quadrilha poderia vir a prejudicar o PT da mesma maneira indevida como já estava prejudicando o PSDB.

De sorte que, também por tal motivo, se nos afigura conveniente a custódia cautelar, para que sejam prevenidos eventuais desdobramentos políticos ilegítimos, com o uso de informações falsas circulantes acerca caso os quadrilheiros, para tentar beneficiar indevidamente qualquer partido em detrimento de qualquer outro, principalmente por se tratar de ano de eleições presidenciais.

(…)”.

Não resta dúvida que a prisão preventiva não se destinava à apuração e investigação do suposto crime. Mas, “prevenir” ataques políticos!

Ora, se a moda pega, qualquer governante, parlamentar, ou mesmo juiz poderá solicitar a prisão de qualquer desafeto, sob o argumento de se evitar “acusações falsas”. No entanto, se as acusações forem falsas, têm — os acusados — muitos meios para se defender.

Em segundo lugar, argumenta Sandra Ribeiro, existem outras medidas prévias que tolheriam o acusado, de tentar ou perpetrar seus supostos ataques a eventuais desafetos: desde a limitação formal de seus contatos, de seu trânsito por determinados lugares e outras atitudes.

Há rigor não se vê, na conduta de Carone, nenhum potencial ofensivo que não possa ser coibido pelos direitos legais e constitucionais dos supostos ofendidos.

Sexagenário, ele comparece às audiências em ambulâncias, sofre com sua condição de hipertenso, encontra-se debilitado por outras doenças.

Estranho é que, por exemplo, os pilotos que transportavam 400 quilos de cocaína, em aeronave de um deputado e um senador mineiros, foram presos em flagrante, e agora estão livres. Pasmem: tráfico de drogas e prisão em flagrante… . São vários os casos em que sentenciados por crimes de morte ou lesões corporais estão livres em Minas e no Brasil. Centenas de inquéritos que envolvem queixas de calúnias e difamações aguardam anos para serem concluídos e nenhum, repetimos, nenhum acusado está em prisão cautelar. Carone é o único caso no Brasil!

Porém, o caso de Carone teve uma celeridade que comprova a suspeição: sua prisão é de claro interesse da cúpula tucana em Minas Gerais.

A politização do judiciário é uma ameaça à democracia!


Conceição Lemes
No Viomundo
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Ararath, da PF, desvenda mapa de propinas no MP


Operação da Polícia Federal, que teve sua divulgação suspensa por decisão do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pode ter chegado ao coração de um esquema milionário de corrupção no Ministério Público; planilha apreendida por policiais tem 47 nomes de promotores e procuradoras do MP-MT; não por acaso, foi a primeira vez em que a Procuradoria-Geral da República coibiu a divulgação das investigações, o que Janot negou ser "censura"; procurador-geral do Mato Grosso, Paulo Roberto Jorge do Prado, se disse "indignado" com denúncia de procuradora da República; "Ela enlameou 47 pessoas"

A Operação Ararath, da Polícia Federal, pode ter desvendado um esquema milionário de corrupção entre promotores do Ministério Público do Estado do Mato Grosso. Uma planilha, encontrada na casa de Éder de Moraes, ex-secretário da Fazenda do governo do atual senador Blairo Maggi (PR-MT), traz 47 nomes de promotores e procuradores do MP-MT.

Entre os citados no documento, está o procurador-geral de Mato Grosso, Paulo Roberto Jorge do Prado, que se disse "indignado" com a denúncia, apontada pela procuradora da República Vanessa Christina Marconi Zago Ribeiro Scarmagnani. Segundo ela, o documento é de "supostos pagamentos a membros do Ministério Público do Estado de Mato Grosso".

Ao lado do nome de Prado, aparece a quantia de R$ 516,7 mil. "Ela [a procuradora] enlameou 47 pessoas com mais de 30 anos de profissão, são 47 nomes, todos do Ministério Público. Estou indignado com o amadorismo dessa procuradora. Somos promotores e procuradores honrados, mas que da noite para o dia viraram bandidos e corruptos", disse ele ao jornalista Fausto Macedo.

A Operação Ararath teve sua divulgação suspensa por decisão do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Foi a primeira vez que a Procuradoria-Geral da República coibiu a divulgação de informações sobre uma operação da PF. A atitude gerou uma nota da Associação de Delegados da Polícia Federal (ADPF), que chamou Janot de "censor da República". O procurador-geral nega ter praticado censura e diz que a decisão foi tomada em favor das investigações (leia mais).

Clique aqui e leia trechos da manifestação da procuradora e, abaixo, reportagem do portal Midianews, de Mato Grosso, sobre a denúncia:

MPF cita lista com nomes de 47 membros do MPE e valores

Planilha com nomes e valores foi apreendida pela PF na casa de Eder Moraes

Na busca e apreensão realizada na residência do ex-secretário de Estado Eder Moraes, no dia 19 de fevereiro, a Polícia Federal encontrou uma planilha contendo o nome de 47 membros do Ministério Público Estadual (MPE).

Na relação, na frente de cada nome de promotor e procurador de Justiça, há as indicações "valor original", "valor corrigido" e "valor a pagar".

O total dos valores indicados, respectivamente, são: R$ 10.829.027,91 (valor original); R$ 10.660.733,93 (valor corrigido); e 7.995.550,45 (valor a pagar).

A procuradora da República Vanessa Cristhina Marconi Zago Ribeiro Scarmagnani, que atua em Cuiabá, anexou a planilha na denúncia feita pelo MPF à Justiça Federal contra o ex-secretário de Estado Eder Moraes; sua esposa Laura Tereza da Costa Dias; o secretário-adjunto do Tesouro de Mato Grosso, Vivaldo Lopes Dias; e o gerente do Bic Banco em Cuiabá, Luiz Carlos Cuzziol.

A denúncia foi recebida pelo juiz federal Jeferson Schneider no último dia 20 de maio.

Na denúncia, a procuradora da República afirma, sobre a planilha contendo nomes dos membros do MPE.

Nomes

"Neste ponto, é necessário destacar uma planilha apreendida na residência do investigado Eder Moraes, contendo lista indicativa de pagamentos a membros do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (auto de apreensão nº 42/2014 - autos nº 1972-16.2014.4.01.3600", disse.

"A referida planilha foi encontrada no mesmo local e circunstância da apreensão dos documentos que sugerem pagamento de propina a autoridades do Poder Executivo e Legislativo do Estado de Mato Grosso (notas promissórias, cheques, lista contábil de pagamento, operações bancárias e anotações de depósitos)", afirma a procuradora do MPF.

Ela ressalta que não é possível saber do que se trata a planilha. Mas observa os nomes do procurador-geral de Justiça Paulo Prado e do promotor de Justiça Marcos Regenold Fernandes – e os valores relacionados a ambos.

"Não é possível afirmar se ocorreu o pagamento, do que se trata, sua origem e licitude. Apenas que ao Procurador de Justiça Paulo Roberto Jorge do Prado é apontada a quantia de R$ 516.778,92, ao Promotor de Justiça Marcos Regenold Fernandes a quantia de R$ 59.700,54", afirma a procuradora na denúncia.

Outro lado

A reportagem tentou falar com o procurador Paulo Prado, por meio de seu telefone celular. As ligações não foram atendidas. Uma das assessoras do MPE também não atendeu as ligações feitas.
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Aécio mostra sua verdadeira cara; quer acabar com o Bolsa Família

Pedimos aos senadores que ajudem a preservar o Bolsa Família, diz Tereza Campello

Nesta quarta-feira (28), a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Tereza Campello, criticou o projeto de lei do senador Aécio Neves (MG) que altera a norma que rege o Programa Bolsa Família (Lei 10.836/2004). A mudança foi aprovada na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado Federal.

Pela nova proposta, o beneficiário que ultrapassar o limite de renda estabelecido pelo programa poderá permanecer na iniciativa por ainda mais seis meses. Segundo Campello, o projeto aprovado deturpa e desfigura a principal virtude do Bolsa Família que é o foco nos mais pobres.

Ainda de acordo com a ministra, não foram feitos estudos e pesquisas científicas que embasem as alterações.


* * *

Editorial tucano de 2004, intitulado “Bolsa Esmola”, criticou dura e diretamente o programa Bolsa Família.


De amigo navegante profundo conhecedor do "Arrocho Neves" e seu Espírito Santo de orelha:

Arrocho quer agora “melhorar” o Bolsa Família. Isso é sério?

Mas o passado mostra o que eles realmente pensam do programa, considerado pela ONU uma das mais bem sucedidas políticas públicas de transferência de renda do mundo

Em editorial publicado no site do PSDB, intitulado “Bolsa Esmola”, em setembro de 2004, os tucanos reproduzem uma crítica dura e direta ao programa Bolsa Família.

“Para um governo comandado por um partido que historicamente se fortaleceu sob a bandeira da redenção dos pobres de todo o país, o balanço das políticas federais de inclusão social tem sido profundamente desapontador. (…) O programa Fome Zero, eixo central do discurso de campanha do então candidato petista, Luiz Inácio Lula da Silva, sofre de inanição desde a sua festejada criação e atabalhoada execução. (…) Trata-se de um símbolo tristonho da negligência governamental para aquela que seria prioridade absoluta da atual gestão. Os entraves dos programas sociais do governo federal são a evidência clara de uma política embotada pelo apego a números que podem render dividendos políticos musculosos, porém com eficácia social bastante questionável. São 4,5 milhões de famílias beneficiadas, orgulha-se o Palácio do Planalto. O risco é que, ao fim do mandato petista, boa parte delas continue à espera da esmola presidencial”.

Na revista “Agenda 45”, editada pelo PSDB em novembro de 2005, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso critica o Bolsa Família, dizendo que o programa é insuficiente:

“Extirpar os bolsões de miséria, tanto nas grandes cidades como no interior do Brasil, exige outro tipo de medidas complementando as políticas universalizan-tes nos campos da educação e da saúde. As políticas de transferência de renda do tipo Bolsa Escola, agora rebatizada de Bolsa Família, dão um alívio imediato, mas também não são suficientes”.

Na mesma revista, a hoje senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) também atacou a “ausência” de foco do governo Lula nas políticas sociais.

“Quando falamos em política sociais nos referimos a uma saúde de qualidade e a uma educação que seja prioritária. Tratamento a ser dispensado, também, à assistência social. Constrange-nos saber que o governo Lula vai atingir a triste meta de 11 milhões de lares recebendo o Bolsa Família, quando o ideal seria criar 10 milhões de empregos, construindo, assim, uma sociedade autônoma e profissionalmente capaz”.

O então governador da Paraíba, hoje senador Cássio Cunha Lima (PSDB), também foi taxativo ao tratar da iniciativa petista.

“Os programas de bolsas não resolverão as dificuldades às quais os segmentos mais carentes estão submetidos. Esses problemas só deixarão de existir na medida em que for implantado, pelo governo federal, um projeto consistente, de longo prazo”.

A hoje senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO), relatora do projeto de lei que altero o programa na Comissão de Assuntos Sociais do Senado, apontou que o Bolsa Família é uma “iniciativa assistencialista de caráter meramente eleitoreiro”. Na revista Agenda 45, foi taxativa:

“Ao optar pela centralização dos programas, o governo cometeu um grave equívoco. Tão grande quanto apostar em projetos de natureza compensatória, uma estratégia destinada a tentar desconstruir a obra herdada do governo do PSDB para a área social. (…) o governo, com propósitos eleitorais, decidiu centralizar todos os 12 programas da Rede de Proteção Social no Bolsa Família, vendendo a ilusão de que dispunha de um programa original. (…) O que Lula ainda não compreendeu é que o governo Fernando Henrique criou um mecanismo complexo, que funcionava de maneira sincrônica. O objetivo não era distribuir dinheiro para as famílias absolutamente carentes. Dona Ruth Cardoso, com propriedade absoluta, estabeleceu que a preocupação da Rede de Proteção Social era assegurar os direitos individuais”.

O vice-governador de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB), em entrevista à revista IstoÉ, em dezembro de 2005, afirma que o programa é “eleitoreiro”.

“Eles [do PT] contam com a compra de votos via Bolsa Família, que se tornou apenas um programa assistencial. Dão o peixe, mas não ensinam a pescar. As famílias entram nesse sistema assistencialista sem perspectiva de sair. É quase condenar o cidadão a viver o resto da vida na dependência do Estado. Não há controle da criança na escola, como havia no programa Bolsa-Escola do governo FHC. O nosso governo dava condições para as pessoas aprenderem a pescar”.

Em dezembro de 2005, o deputado Bismarck Maia (PSDB-CE) sobe à tribuna da Câmara para acusar o governo Lula de utilizar o Bolsa Família para fazer “politicagem”.

“Infelizmente o Bolsa Família — que é a unificação de programas iniciados no governo Fernando Henrique — virou moeda de troca em períodos eleitorais. Não há nesta gestão o compromisso de manter a criança na escola. Hoje o programa se restringe a uma transferência de renda. (…) Ao contrário do que Lula diz, o programa se concentra em um assistencialismo simplista que não apresenta benefícios concretos. Em vez de aumentar o alcance do programa, como pretende o governo, o Executivo deveria melhorar sua eficácia. Do jeito que está, não passa de esmola”.

Em discurso no plenário do Senado, em junho de 2006, o então senador Arthur Virgílio Neto (AM), líder do PSDB no Senado, lista 14 “mentiras de Lula”. Sobre o Bolsa Família, tratar o programa como “esmola”.

“(O governo) limitou-se a distribuir dinheiro a fundo perdido, sem nenhuma exigência de contrapartida educacional, sem nada, quase que uma esmola eleitoreira.”

O senador Agripino Maia, então líder do PFL (atual Democratas) do Rio Grande do Norte, diz que o presidente Lula usa o programa Bolsa Família como maneira de obter apoio e voto dos cidadãos pobres, mas sem propiciar chance de independência, apontando a estratégia governamental de mantê-la como “eleitorado cativo”.

“Lula diz que governar para pobre não dá trabalho. Não dá quando se é populista. Quando os programas são sérios, dá trabalho, mas o resultado é recompensador. (…) O Executivo criou regras apenas para as famílias aderirem ao Bolsa Família, como a matrícula das crianças em instituições de ensino. No entanto, o programa não estabelece critérios para que as pessoas deixem de receber o benefício. (…) A porta de saída do Bolsa Família ainda é uma desafio que precisa ser encarado”.

Em 5 de março de 2008, o senador Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, critica o que seriam distorções no Bolsa Família, tratando como denúncia o fato de beneficiários do Bolsa Família terem utilizado os recursos repassados pelo governo para comprar eletrodomésticos em vez de alimentos, como apontou o artigo de Ali Kamel, “Bolsa Família agora compra eletrodoméstico”, publicado em 4 de março, no Globo:

“Ninguém é contra isso (três refeições por dia). Mas programas assim devem ser transitórios, porque não garantem o futuro dos beneficiários. (…) Em vez de feijão, arroz e carne, o que tem sido comprado são geladeiras, microondas, lavadoras, liquidificadores, fornos elétricos, televisores e DVDs. (…) O governo Lula é absolutamente inepto e não cria portas de saída desses programas, tornando as pessoas dependentes a vida inteira. Esses programas sociais tiveram origem no governo Fernando Henrique Cardoso, mas todos os benefícios eram vinculados a certas condições. Hoje não ocorre isso”.

Em 2010, o então senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) critica a forma como o governo Lula vinha conduzindo o Bolsa Família e chama o programa de “grande enganação”.

“Vai acabar todo mundo no Bolsa Família e ninguém produz mais nada. Isso é uma grande enganação que está se plantando para o povo brasileiro e para o povo cearense. Nós temos que ter Bolsa Família sim, mas junto com educação de qualidade”.

Para o senador Agripino Maia (DEM-RN), a promessa de aumento do Bolsa Família pelo governo era “uma perversidade”. Segundo ele, fazer demagogia com isso é errado:

“Em tempo de eleição prometer aumento de bolsa família e não cumprir, só para tentar iludir o eleitor é uma perversidade. Mas o eleitor não vai cair nessa. Pode ate ter caído da primeira vez, mas da segunda não cai mais”.

Durante a campanha eleitoral de 2010, a mulher de Serra, a psicóloga Monica Serra, em visita à cidade de Curitiba, diz o que pensa sobre o Bolsa Família:

“As pessoas não querem mais trabalhar, não querem assinar carteira e estão ensinando isso para os filhos”.

É isso leitor. Eles querem que esqueçamos o que disseram? Eles realmente querem melhorar o Bolsa Família?

No Conversa Afiada

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Demagogia de Aécio com Bolsa-Família não dá direitos. Tira direitos dos pobres


A Ministra Tereza Campelo dá no Blog do Planalto uma série de explicações sobre a inconveniência do projeto do senador Aécio Neves que estende por seis meses o benefício do Bolsa-Família aos beneficiários que obtiverem uma fonte de renda, independentemente de seu valor.

Ao final, reproduzo o vídeo da Ministra.

Mas há algo que precisa ser mostrado para que as pessoas entendam como o projeto de Aécio é ruim e tem, apenas, o objetivo de apresentá-lo como “amigo” do Bolsa-Família e dos pobres.

É que receber o Bolsa-Família nada tem a ver com o fato de a pessoa estar ou não desempregada.

Não é um seguro-desemprego.

Tem a ver com a renda por pessoa da família ser inferior a R$ 140 por mês.

Um trabalhador de salário-mínimo com mulher desempregada e três filhos, por exemplo, tem direito ao Bolsa-Família porque a renda da família (R$724) dividida pelos seus membros (5) é R$ 144,80, menos que o limite de R$ 154 per capita do programa.

Mas se aquele cidadão conseguir um emprego de R$ 1.000, perde o benefício?

Não, o beneficio continua por mais dois anos — e não os seis meses previstos no projeto de Aécio.

Hoje, existem1,26 milhão de família que se beneficiam desta regra, chamada de “regra de permanência, como você pode ver no quadro acima) e 80% delas não teriam direito caso a permanência fosse universal, como previsto no projeto, por seis meses apenas.

Agora imaginemos que o mesmo trabalhador conseguisse um emprego de R$ 1,.900.

Aí, sim, ele pararia de receber o Bolsa-Família, porque este salário (com a renda per capita de meio salário mínimo) não é mais considerado dentro de um universo de pobreza no Brasil.

Mas ele não vai ficar com medo de aceitar o emprego, ser demitido pouco tempo depois e ficar sem o Bolsa-Família?

Não, porque existe o Desligamento Voluntário/Retorno Garantido um possibilita que as famílias que tiveram aumento de renda peçam o desligamento voluntário do programa, mas que possa voltar imediatamente, no caso de sua renda coltar a variar para baixo.

Pelo projeto de Aécio, em tese, seria possível uma família ter renda de 3, 4, 5 mil reais ou ainda mais poderiam receber por seis meses ainda o diinheiro do Bolsa-Família, numa situação inconcebível para qualquer um que leve a sério programas de transferência de renda.

Quanto a exigir curso de qualificação profissional para todos os adultos que estiverem recebendo Bolsa-Família, é uma sandice sem tamanho. São 20 milhões de pessoas e onde se vai achar vaga para qualificar tanta gente, perto de suas casas (sem gerar, portanto, gasto de transporte), com combatibilidade de curso e horário. Sem falar nas pessoas que querem os curtos oferecidos agora no Pronatec e que não estão entre os beneficiários do Bolsa-Família, os desempregados que já tem de cursar para manter o seguro desemprego, etc…

Falta seriedade ao Senador, que pratica sua ojeriza aos programas sociais com aquela máxima do tempo da minha avó: o melhor inimigo do bom é o ótimo…


Fernando Brito
No Tijolaço
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Juremir: 'Sem a mídia, não haveria o golpe de 64'


Autor do best-seller "Getúlio", o jornalista Juremir Machado da Silva apresenta sua nova obra: "1964 – Golpe Midiático-Civil-Militar"; escritor afirma que o golpe não teria ocorrido sem os meios de comunicação; "Todas as rádios, jornais como a Folha, O Globo, Tribuna da Imprensa, Estado de Minas e Diários Associados, e a (incipiente) TV contribuíram ativa e apaixonadamente para o golpe", diz Machado, em entrevista ao blog Café na Política; assista

Autor do best-seller Getúlio, o escritor e jornalista Juremir Machado da Silva vem à tona com mais um "livro-bomba": 1964 – Golpe Midiático-Civil-Militar. Ao blog Café na Política, o escritor afirma que o golpe não teria ocorrido sem os meios de comunicação. "Todas rádios, jornais como a Folha, O Globo, Tribuna da Imprensa, Estado de Minas e Diários Associados, e a (incipiente) TV contribuíram ativa e apaixonadamente para o golpe", diz Machado, que também é autor de Vozes de Legalidade, Jango – A vida e a morte no exílio.

Confira, na íntegra, a matéria do blog e, em seguida, a entrevista:

O escritor e jornalista Juremir Machado da Silva, autor do best-seller Getúlio, está na praça com outro livro:1964 – Golpe Midiático-Civil-Militar. Nesta entrevista, pelo Skype, entre Brasília e Porto Alegre, a FC Leite Filho, do blog Café na Política, ele diz que, sem os meios de comunicação, não teria havido o Golpe Militar daquele ano e que hoje é revivido em várias manifestações no país pela passagem de seu 50 anos, juntamente com os 60 do suicídio de Getúlio Vargas, e os 10 da morte de Leonel Brizola. O escritor gaúcho, também autor de Vozes de Legalidade, Jango – A vida e a morte no exílio, relata que, em 64, “todas rádios, jornais como a Folha, O Globo, Tribuna da Imprensa, Estado de Minas e Diários Associados,e a (incipiente) TV contribuíram ativa e apaixonadamente para o golpe”. O papel civl do Golpe, foi protagonizado, como diz, pelos empresários e governadores como Magalhães Pinto, Carlos Lacerda, Adhemar de Barros e Ildo Meneghetti.

O autor ainda faz questão de assinalar o processo conspiratório midiático, que, no seu entender, não se restringiu aos patrões ou empresas donas dos veículos, mas inclusive de ” jornalistas, que ainda estão por aí”. Citou a propósito dois editoriais do antigo jornal Correio da Manhã, intitulados “Basta!” e “Fora!” como decisivos na desqualificação do presidente constitucional João Goulart. Por esta razão, Juremir Machado da Silva, afirma que o 1964 não foi um golpe só militar, mas, midiático-civil-militar”, como expressa seu título de capa.

Abordando a evolução dos levantamentos militares para golpes brandos e de quarta geração, que vem abalando governos populares como os da Argentina e da Venezuela, de certa forma dispensando a atuação dos quartís, Juremir alerta que “a mídia continua golpista e atuando em associação com parceiros de outros países, na sua perspectiva de combater os regimes de centro-esquerda”. Ressalta, porém, que agora, com o advento da internet e as mídias alternativas, além da Lei da Mídia argentina, as sociedades começam a ter pluralidade e a ver o contraditório.

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Por que os neoliberais sentem tanto prazer em vandalizar o argumento histórico?

Após o impacto da obra do economista Thomas Piketty (O Capital no século XXI) e da colossal repercussão em praticamente todo o planeta, os seguidores da seita liberal não tem poupado ataques, golpes mais do que baixos, acusações de que ele é um “marxista” e comentários que só expressam a profunda e incontornável desonestidade intelectual que marca a visão de mundo desses fanáticos fundamentalistas do “pensamento” econômico.

É visível o desequilíbrio dessa gente, parecem estar tontos com tanta comprovação estatística do óbvio, que o capitalismo não passa de um verdadeiro câncer em forma de sistema econômico.

Mas o que mais impressiona num texto como o de Paulo Guedes não é apenas a total e inegável indigência teórica, conceitual e empírica — como de costume, os liberais são incapazes de contestar seus interlocutores com um mínimo de argumentos factíveis e cientificamente comprováveis —, mas também o lastimável deboche, pouco caso e covardia com o argumento histórico.

Em seu “Beco sem saída”, as estripulias contra a verdade já dão o tom nas primeiras linhas de seu canhestro e abominável artigo:

O mito do capitalismo cruel foi sempre muito popular. Afinal, sendo o capital tão velho quanto o diabo, são-lhe atribuídos todos os males do mundo. Floresceu entre os negociantes assírios, nos mercados da Babilônia, com navegantes fenícios, comerciantes atenienses, latifundiários e feirantes medievais, industriais e financistas anglo-saxões e agora até mesmo entre ex-comunistas sino-soviéticos.

Se realmente levarmos a sério alguma coisa desse trecho, logo, podemos concluir que as raízes da crítica ao capitalismo não estão em Morus, em Rousseau ou nos socialistas franceses, mas sim nos reis de Sodoma e Gomorra, nos povos sassânidas e num suposto manifesto comunista da lavra de Nabucodonossor.

E prossegue o historiador em sua insidiosa cruzada. Depois de chamar Marx de um economista “menor do século XIX” — tudo porque o sujeito cometeu o disparate de criticar o capitalismo como um sistema marcado pela desigualdade, imagina…. — o imparcial e equilibrado neoliberal exala todo o seu fanatismo religioso contra o socialismo:

Pouco importa que um apocalipse do regime socialista tenha mergulhado na miséria 3,5 bilhões de eurasianos, que buscam agora, em desespero, sua inclusão nos mercados globais, derrubando salários e aumentando os lucros em todo o mundo. A culpa é sempre do capitalismo.

Não satisfeito em surrar a verdade histórica, Guedes parte com uma fúria hedionda contra a lógica. Vejam: o socialismo? derrubado, é substituído pelo capitalismo neoliberal, lança uma enorme massa humana na mais pura e abjeta miséria, mas a culpa é toda dos socialistas. Mas não é genial o gigante do surrealismo?

Além disso, ele tenta nos fazer crer que o capitalismo paga baixos salários por conta de uma trama diabólica do socialismo, para este ao final, com o dedo em riste, acusar de uma maneira bem deselegante: ” — Tá vendo como o capitalismo é mauzinho??”

Só isso seria suficiente para Guedes parar. Mas não. O bom senso parece não fazer parte do seu dicionário. Ele prossegue em seu empreendimento aterrador. Não sobra pedra sobre pedra. Pior para nossos neurônios:

A culpa pela concentração de riqueza é do capitalismo, que permitiu a acumulação desigual nos tempos em que houve abusos e excessos, ou dos governos, que impediram grandes perdas patrimoniais nas crises decorrentes? Por que não aliviaram hipotecas de classes de baixa renda e dívidas de estudantes, em vez de garantirem grandes fortunas estacionadas em um sistema financeiro quebrado?.

Aqui, Guedes chega ao cúmulo de tratar capitalismo e “governos” como duas entidades distintas e irreconciliáveis. No cúmulo que se tornou a sua análise ele não percebe que em qualquer mente minimamente higienizada, os governos estão imersos, atravessados, contaminados e formatados pelo sistema econômico que constitui o contexto de sua existência material.

A hipótese (vou fazer isso para tentar salvar um pouco a pele do Paulo) do autor é tão esdrúxula e baldia que permitiria pensar que todas as medidas tomadas em prol do capital financeiro durante a crise de 2008 foram na verdade um ardil típico de um Estado liderado por alucinados bolcheviques em conluio com aldeões de sociedades comunais do interior da Mongólia e trotskistas de cavernas do norte da Turquia.

Ou poderíamos imaginar — partindo da ginástica retórica de Guedes e tomando litros de chá de LSD — que os governos agiram para salvar o capitalismo, mas que eles não eram e nunca foram capitalistas. Pois eles na verdade odeiam o capitalismo. (Afinal, é possível que algum psiquiatra possa nos ajudar a compreender tal mentalidade? Pois tá difícil. Ou quem sabe já baste um desentupidor de vaso sanitário…).

Sem mais ter o que inventar — para tentar agredir a lógica, Guedes parte com certa truculência para frases sem sentido:

Isso pode ser coisa do diabo, de financistas e do governo, mas não é coisa do capitalismo, que também destrói privilégios e riquezas todo tempo e em toda parte.

Ora, se o capitalismo é tão bondoso, fofo e cheiroso, por que não cuidou ele mesmo de aliviar as “classes de baixa renda” e os “estudantes”? E por que ao invés de destruir “privilégios e riquezas todo tempo e em toda parte” (juro que esses trechos parecem novenas daqueles alucinados líderes messiânicos…), o capitalismo só cuide de destruir salários, direitos e conquistas dos trabalhadores; de arrazar com aposentadorias, políticas sociais e programas de redistribuição de renda?

E depois de todo esse incrível espetáculo de profunda antipatia pelo debate racional, o economista do credo neoliberal não poderia terminar senão da pior maneira possível:

Poderíamos evitar males como a concentração excessiva de renda e riqueza? Poderíamos reduzir os riscos de uma desestabilização política das democracias liberais? É claro que sim, e de várias maneiras. O único caminho inexorável para o abismo, o verdadeiro beco sem saída lamentavelmente escolhido pelos nossos vizinhos kirchneristas e bolivarianos, é o “socialismo do século XXI”.

Após responder a sua própria pergunta com um pouco convincente “É claro que sim, e de várias maneiras”, o que podemos esperar de um sujeito minimamente comprometido com a correção e a integridade intelectuais? Mesmo em se tratando de um neoliberal, espera-se que ele aponte ao menos uma “maneira” — umazinha que seja. Uma maneira de remediar a avalanche de destruição, caos e opressâo patrocinados pelo regime do capital. Mas não! A falta do menor senso crítico o exime de qualquer compromisso com a seriedade. O sujeito arrota dogmas, chavões e slogans e ainda espera que o chamemos estrela-maior da ideologia do liberalismo-neopetencostal.

E mais lamentável ainda é se servir de espantalhos como o kirchnerismo e o bolivarianismo para tentar “demonstrar” como o capitalismo é justo e decente. Quem com um mínimo de miolo sadio pode acreditar que Argentina e Venezuela são repúblicas socialistas? E quem garante que o suposto abismo no qual se encontram tais países não seja legado ainda do cruel ajuste neoliberal que neles vigoraram até a década de 90?

Triste. É triste ver como os pensadores neoliberais não consigam sair do beco em que se meteram: após o seu projeto econômico só ter causado calamidade, destruição, desigualdade e miséria, eles agora investem de maneira psicótica contra o próprio debate intelectual. Dentro de sua lógica totalitária, qualquer coisa que contrarie os postulados do livre mercado é esconjurada com um fervor ideológico de fazer inveja aos talibãs. Nada que conteste o esmagamento da substância humana em prol do capital é aceitável. Eles apelam a tudo — sobra até para a fé.

Leonardo Soares, historiador e professor da UFF.
No Desacato
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Diretor da Sabesp garante água “de canequinha” para todos




A capacidade de dizer asneiras é uma maravilha.

“O diretor metropolitano da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Paulo Massato, negou nesta quarta-feira, 28, que haja racionamento de água na Grande São Paulo e disse que se a crise de estiagem do Sistema Cantareira se agravar vai “distribuir água com canequinha” aos moradores atendidos pela concessionária.”

O “seo” Massato disse que o fornecimento de água à São Paulo já foi reduzido em 9 mil litros por segundo – o que equivale a 780 milhões de litros – o que, na prática, representa uma redução de 30% no volume de água disponibilizado aos moradores da região metropolitana.

É uma maravilha.

Só falta os tucanos apelarem para que os paulistas não tomem banho todo dia.

É “chic”, dizem que os franceses fazem assim.

E o “seo” Massatoo foi além.

Disse que se faltar água em São Paulo, antes vão faltar luz e comida.

Haverá levas de retirantes de São Paulo para o Nordeste, não é…

“Inté mesmo os tucaninho, “bateu” asa pro sertão”…

Ainda vou me candidatar a redator do José Simão…

Fernando Brito
No Tijolaço
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Advogado que levou PT à derrota no STF é ligado a Gilmar

Embora tenha sido atacado nas redes sociais, por não conceder a medida impetrada pelo PT para conseguir que os presos da AP 470 tenham direito à prisão no semi-aberto, é consenso no STF (Supremo Tribunal Federal) que o Ministro Marco Aurélio de Mello agiu acertadamente.

O advogado do PT, Rodrigo Mudrovitsch valeu-se de um instrumento legal chamado de ADPF (Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental) criado pela Constituição de 1988.

Ocorre que esse tipo de ação vale para causas abstratas, não para resolver um caso concreto. E foi isso o que Marco Aurélio de Mello alegou para rejeitar o pedido.

Antes mesmo da ação ser distribuída, no entanto, o advogado saiu distribuindo entrevistas à mídia. Fez alarde antes, levantou a bola para Mello cortar, fez alarde depois e o resultado final foi visto como uma derrota do PT e uma vitória a mais no jogo de procrastinação de Joaquim Barbosa.

Seria um advogado inexperiente? Não, pelo contrário, é grande especialista em direito constitucional, conforme se conferirá a seguir.

Talvez a surpresa não tivesse sido tão grande — ou possivelmente fosse até maior — se os diligentes líderes petistas que deram a procuração ao advogado buscassem saber quem é ele.

Uma rápida pesquisa no Google revelaria que ele faz parte do corpo docente do IDP (Instituto de Desenvolvimento do Direito Público), de propriedade do Ministro Gilmar Mendes (http://tinyurl.com/l7cdhjp). 

A rigor, não quer dizer muito.

Talvez melhorasse a percepção se soubessem que ele faz parte da menina dos olhos de Gilmar, o grupo de Direito Constitucional, incumbido de reconstruir as circunstancias que levaram à construção da Constituição (http://tinyurl.com/a7sgm8x).


Apenas membro? Muito mais que isso: é o braço direito de Gilmar Mendes, que está liderando os trabalhos do grupo. E é coordenador executivo do curso de pós-graduação em Direito Constitucional do IDP.

É pouco? Então tem mais. Mudrovitsch atua diretamente na política de Mato Grosso, como advogado do deputado estadual José Riva (PSD), em um recurso ao STF visando impedir seu afastamento da presidência da Assembleia Legislativa (http://tinyurl.com/nfxsdap).

Riva não é um deputado qualquer. Ele responde a mais de cem processos por improbidade administrativa e foi preso na Operaçào Araratah, da Polícia Federal, e solto após uma decisão do Ministro Dias Toffoli, do STF (http://tinyurl.com/mr7grvg). O advogado era Mudrovitsch

Está de bom tamanho? Ainda não. Na inauguração do campus da Unemat (Universidade Estadual de Mato Grosso) em Diamantino, as duas principais personalidades presentes foram o Ministro Gilmar, filho da terra, e o deputado Riva, com um discurso consagrador (http://tinyurl.com/lkfrxuy).

Riva é um aliado destemido que assumiu a defesa de Gilmar no episódio em que Joaquim Barbosa mencionou “capangas de Mato Grosso” (http://tinyurl.com/k2qr3co). E convocou a Assembleia estadual a repercutir o fato, para que não fique a impressão de que Mato Grosso “é a terra da impunidade, terra de jagunços" .

Para demonstrar que no Mato Grosso nem tudo é compadrio, Gilmar negou provimento a um recurso de Riva em pedido de suspeição contra um desembargador (http://tinyurl.com/o9ym7sn).

PS - Para quem achou pouco, Rodrigo é advogado de Gilmar nas ações contra a Carta Capital e contra o jornalista Rubens Valente. E o nome de Gilmar aparece 40 vezes em seu currículo.

Luís Nassif
No GGN
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O legado de Joaquim Barbosa, um antibrasileiro

Uma saída que eleva o Brasil
Se for confirmada a aposentadoria de Joaquim Barbosa para junho, chegará ao fim uma das mais trágicas biografias do sistema jurídico brasileiro.

O legado de Barbosa resume-se em duas palavras absolutamente incompatíveis com a posição de juiz e, mais ainda, de presidente da mais alta corte nacional: ódio e vingança. Foi a negação do brasileiro, um tipo cordial, compassivo e tolerante por natureza.

A posteridade dará a ele o merecido espaço, ao lado de personalidades nocivas ao país como Carlos Lacerda e Jânio Quadros.

Barbosa acabou virando herói da classe média mais reacionária do Brasil e do chamado 1%. Ao mesmo tempo, se tornou uma abominação para as parcelas mais progressistas da sociedade.

É uma excelente notícia para a Justiça. Que os jovens juízes olhem para JB e reflitam: eis o que nós não devemos fazer.

O que será dele?

Dificuldades materiais Joaquim Barbosa não haverá de ter. O 1% não falha aos seus.

Você pode imaginá-lo facilmente como um palestrante altamente requisitado, com cachês na casa de 30 000 reais por uma hora, talvez até mais. Com isso poderá passar longas temporadas em Miami.

Na política, seus passos serão necessariamente limitados. Ambições presidenciais só mediante uma descomunal dose de delírio.

Joaquim Barbosa é adorado por aquele tipo de eleitor ultraconservador que não elege presidente nenhum.

Ele foi, na vida pública brasileira, mais um caso de falso novo, de esperanças de renovação destruída, de expectativas miseravelmente frustradas.

Que o STF se refaça depois do trabalho de profunda desagregação de Joaquim Barbosa em sua curta presidência.

Nunca, desde Lacerda, alguém trouxe tamanha carga de raiva insana à sociedade a serviço do reacionarismo mais petrificado.

Que se vá — e não volte a assombrar os brasileiros.

Paulo Nogueira
No DCM
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Loiras

O filme Grace: A Princesa de Mônaco dividiu as opiniões em Cannes. Uns não gostaram e outros odiaram. O correspondente do jornal inglês The Guardian em Cannes chegou a dizer que foi o pior filme jamais mostrado no festival. O filme não é tão ruim assim. Tem as belas vistas de Mônaco e... Bem, tem as belas vistas de Mônaco. Nicole Kidman está bonita como Grace Kelly, mas botaram para atuar ao seu lado como o príncipe Rainier, na pior escolha de elenco desde que Gérard Depardieu foi um Cristóvão Colombo com sotaque francês tão carregado que você ficava esperando que a reação dele ao descobrir um novo mundo fosse "ulalá", Tim Roth, com a sua permanente cara de "alguém deu um pum". Segundo o filme, foi a simpatia de Grace Kelly que impediu a invasão do principado de Mônaco por Charles de Gaulle — que no filme é representado, este sim, por um ator convincente, ou pelo menos com um nariz convincente. Há uma cena em que, participando de um jantar beneficente no principado, de Gaulle sente à sua volta o amor que Grace desperta entre seus súditos e você vê na sua cara toda a política externa da França sendo revisada. Deve ter sido uma das cenas vaiadas em Cannes.

Mas a loira do momento na França não é Grace Kelly, é a Marine le Pen, depois da retumbante vitória da direita nas recentes eleições de representantes franceses no Parlamento Europeu. A vitória da direita só não retumbou mais porque não alterou a composição do parlamento francês, em que a Frente Nacional de le Pen tem escassa representação, não foi acompanhada por uma guinada para a direita tão radical no resto da Europa e todos sabem que a política francesa é ciclotímica, pula da direita para a esquerda e da esquerda para a direita com desenvoltura de macaco. De qualquer maneira, até avaliação eleitoral em contrário, a Frente Nacional é hoje o maior partido do país. Grande parte do seu sucesso se deve a Marine, mais simpática do que seu assustador pai Jean-Marie, e que conseguiu transformar um partido xenófobo, racista e antissemita numa opção política palatável, e vencedora.

Discute-se o que é mais perigoso, uma direita dissimulada com boa cara ou uma direita assumidamente carrancuda. O sucesso da loira Marine deve ser visto num contexto bem maior e menos simpático do que ela, de populismo reacionário, de revolta contra imigrantes e de antiesquerdismo primário. Um contexto que se alastra pela Europa toda e agora tem uma vendedora sorridente.

Luís Fernando Veríssimo
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Ronaldo e Joana Havelange entregam o ouro

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O veneno eletrônico

Com seu alcance, rádio e televisão perpetuam quem já tem maioria e limitam as campanhas de rua
Números de deputados, mesmo que tenham  trocado de legendas por partidos novos, define tempo de tv dos partidos. Quem é grande tende a continuar grande.

A melhor receita para resgatar o caminho democrático pelo qual lutamos é acabar com a propaganda política no rádio e na televisão, que, além do mais, privilegia quem tem maiores bancadas federais, agredindo o direito de oportunidades iguais. À primeira vista, a ideia poderá chocar. Mas, em verdade, entre tantos males da mídia eletrônica como deformadora dos hábitos e costumes do povo, essa transformação do horário eleitoral "gratuito" no grande elemento de comunicação dos candidatos é o maior veneno que a modernidade produziu contra a democracia limpa, uma utopia, eu sei, mas a única que pode ser considerada melhor do que uma ditadura eficiente.

Sei que essa reflexão não se encaixa bem na sua cabeça. Respeito quem pensa nos limites do visível, mas não posso deixar de propor uma reflexão sobre os malefícios de um processo eleitoral que está abolindo os comícios e os debates diretos, substituindo-os pelo "corpo a corpo" de apertos de mão e tapinhas nas costas, deixando para a produção eletrônica a transmissão de eventuais propostas de ação política e de governo.

O uso do rádio e da tv do jeito que é feito serve, em primeiro lugar, para subordinar as escolhas do amanhã ao número de parlamentares filiados a um partido hoje. Os que têm mais deputados federais têm mais tempo no rádio e na tv. Isso para qualquer pleito, inclusive do Executivo, ao contrário do que acontece em países como a França, onde o tempo é dividido por igual entre as legendas habilitadas.

Esse sistema gera todo tipo de distorção, a começar pela formação de coligações com base nos minutos eletrônicos de cada agremiação. São feitos verdadeiros leilões e muitos políticos jogam com isso como moeda de troca. Pela lógica, quem tem mais espaço nesses veículos já entra em vantagem sobre os demais, o que agride princípios elementares de igualdade na disputa.

Essa distorção se aplica até dentro da própria agremiação. Suas direções costumam favorecer alguns candidatos em detrimentos de outros, que são considerados "japoneses" na gíria partidária.
Mas esse não é todo o mal que a propaganda eletrônica causa. O mais grave é o distanciamento cada vez maior das campanhas dos seus eleitores.
Até o advento desse sistema, os candidatos tinham de realizar comícios, debates e reuniões com os eleitores, ouvindo suas opiniões e sugestões. Hoje, até ainda existe quem suba a palanques de periferia. Mas o comum é a panfletagem e as carreatas em que o eleitor se limita a receber um cumprimento, um santinho e um "conto com seu voto".

Você diria que a televisão e o rádio valem por seu alcance. Mesmo sem considerar que muitos cidadãos evitam programas eleitorais, a não ser na boca da urna, o uso de verdadeiras produções cinematográficas acaba inventando um candidato diferente do que ele é na real. Quer dizer: sem o poder de questionar, de perguntar, o eleitor pode ser vítima de propaganda enganosa. E opta mais pela qualidade do programa do que do candidato.
Trocando em miúdos: a propaganda eletrônica, que dá mais espaço a quem já tem maioria na Câmara Federal, tira a campanha do ambiente interativo das ruas e a transforma numa grande pantomima espetaculosa. Os protagonistas esbanjam exibições, os coadjuvantes mal conseguem dizer "meu nome é Enéas".
Como o espectro partidário é uma grande esculhambação cartorial, por que nunca conseguiram criar mecanismos sérios para o reconhecimento de uma legenda como representativa de tendências ou outras referências consistentes, aplicam a lei do mais forte. E o mais forte no rádio e tv só não mantém a maioria se estiver muito desgastado. Nada que uma produção bem bolada pelos marqueteiros não possa superar.
Daí,como primeira sugestão para a tal reforma política, a ideia de dar às campanhas o primado do encontro com os eleitores, quando todos terão oportunidades iguais. Ou próximas de iguais.
Pedro Porfírio
No Blog do Porfírio
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Muito à vontade


A definição de Eduardo Campos contra qualquer mudança na Lei da Anistia, para possível punição legal de criminosos da repressão, divide-se em duas partes bem distintas. Na primeira, o pré-candidato à Presidência adota o chavão dos militares acusados de tortura, assassinatos e desaparecimentos: “Acho que a Lei da Anistia foi para todos os lados. O importante agora não é ter uma visão de revanche”. Na segunda, Eduardo Campos reforça, por um dado pessoal, a sua identificação com aqueles militares: “Falo isso muito à vontade porque a minha família foi vítima do arbítrio”.

Uma das maiores vítimas imediatas do golpe em 1964 foi Miguel Arraes, então governador de Pernambuco. Retirado do palácio sob a mira de armas, Arraes foi preso e, depois dos maus-tratos esperáveis, deportado para a ilha de Fernando Noronha como prisioneiro sem condenação e sem prazo. Quando, afinal, pôde voltar ao continente e à vida civil, a iminência de nova prisão levou-o a asilar-se e daí ao exílio.

Eduardo Campos é neto de Miguel Arraes. Por isso diz estar “muito à vontade” quando subscreve o pretexto da “anistia para os dois lados”. Nas duas condições, está, portanto, desafiado a indicar os crimes de que seu avô foi anistiado. Os crimes cuja anistia justifica, no que lhe cabe, a anistia do lado dos que o prenderam depois de o derrubarem do governo conquistado pelo voto e exercido com o que sempre se achou ser impecável dignidade.

No exterior, residente na Argélia e depois na França, Arraes integrou a oposição ativa à ditadura brasileira. É possível que, do ponto de vista de Eduardo Campos, oposição ao regime dos generais ditadores fosse prática criminosa, como os próprios consideraram. A identificação de Eduardo Campos com o pretexto usado pelos militares reforça tal hipótese. A ser assim, porém, sua pretensão a concorrer à Presidência de um regime democrático não poderia ser vista senão como farsa. Farsa perigosa, como sugerem as identificações que exibe.

Não menos sugestivo é que esse mesmo Eduardo Campos integra, com os seus conceitos, o Partido Socialista Brasileiro. Vê-se que aprecia essa coisa de “para todos os lados”. Mas, se não tem fatos a narrar que justifiquem a anista de Arraes como compensação para a anistia do “outro lado”, então Eduardo Campos está manchando a história de um homem honrado. Da qual e do qual até agora só tirou proveito: sem ambas, não se sabe o que seria, mas por certo não teria sido o que já foi e não seria o que é.

Janio de Freitas
No fAlha
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Jornalista pode ter amigo?

Amizade com o companheiro Roberto Marinho
renderia frutos póstumos a Conti
Encontro por acaso, na internet, um texto que escrevi na Exame quando a dirigia. É um texto do final dos anos 1990. Vi que a discussão central — jornalista pode ter amigo? — continua atual. Por isso, decidi republicá-lo no DCM. Repare que a amizade que cito então — Mário Conti e Roberto Marinho — acabaria muitos anos depois a levar o primeiro para a Globonews, num programa de entrevistas.

"Notícias do Planalto — a imprensa e Fernando Collor", de Mário Sérgio Conti, traz, involuntariamente, uma questão de extrema atualidade para o jornalismo brasileiro: o jornalista pode ter amigo? Conti, ex-diretor de redação da Veja, declara, no livro, a amizade que o une a Roberto Marinho, o dono da Globo. Ele parece respeitar tanto esse amigo que se refere a ele, quando fala ou quando escreve, como “Doutor Roberto”. Até os passeios proporcionados em Angra dos Reis por Roberto Marinho estão registrados por Conti.

Essa amizade teria nascido nos tempos em que Conti supervisionava a cobertura de televisão da revista. É admissível a um só tempo você editar noticiário de televisão e ser amigo de Roberto Marinho? Conti colocaria em risco uma amizade tão especial – e as vantagens vindas dela como os passeios em Angra e as oportunidades (jornalista também é gente) de alardear a intimidade com o “Doutor Roberto” – publicando notícias ou fazendo comentários que desagradassem Roberto Marinho? É possível que sim. Nesse caso, ele seria um mau amigo, e provavelmente seria suprimido da lista de amizades de Roberto Marinho. E também é possível que não. Nesse outro caso, ele seria um mau jornalista.

O fato é que o jornalismo moderno não admite essa dúvida. Cada vez que um jornalista sela uma amizade com alguém que faça parte do universo que ele cobre, a vítima é o leitor. É uma prova inescapável do atraso do jornalismo brasileiro que tantas figuras ilustres tenham amigos importantes nas áreas sobre as quais escrevem ou que editam. É um alpinismo social – feito sob vários pretextos hipocritamente grandiosos cuja conta é sempre entregue ao leitor.

Nos Estados Unidos, esse é um assunto velho. Não, jornalista não pode ter amigo. Grandes jornalistas do passado, como James Reston, são vistos em retrospectiva reserva por causa das amizades com poderosos. Era chique, para um jornalista americano, ser amigo de presidente e freqüentar, socialmente, a Casa Branca. Hoje é um impeditivo para o exercício do jornalismo.

O editor de política do New York Times, por exemplo, simplesmente não pode ser amigo de Bill Clinton. Os leitores não tolerariam. Eles suspeitariam da isenção do noticiário e a credibilidade do NYT se transformaria rapidamente em ruínas. O suposto ganho editorial – eventuais notícias exclusivas do poder – é insignificante comparado aos danos de imagem e à suspeita da informação viciada e interessada. A frase definitiva é de Joe Pulitzer, o grande jornalista americano do começo do século: “Jornalista não tem amigo”.

A cobertura generosa e entusiasmada (pelo menos no princípio) que "Notícias do Planalto" recebeu expõe um outro aspecto desprezível da questão que envolve os jornalistas e suas amizades. Trata-se de outro crime comum contra os leitores no Brasil: as chamadas ações entre amigos jornalistas. Muitos jornalistas brasileiros usam um espaço que deveria ser do interesse do leitor para promover seus amigos jornalistas.

Leviandades e vilanias

Já é um clássico: livros de jornalistas recebem aplausos imediatos de amigos jornalistas oportunamente vestidos de “críticos”. O leitor, – esse consumidor de notícias tão desrespeitado ainda no Brasil – não sabe que os aplausos são de amigo para amigo. Para citar outra vez os Estados Unidos: em revistas como a Newsweek, o leitor imediatamente é informado quando se resenha um livro escrito por alguém da casa. Sobre o texto, há a inscrição: “from our staff”, da nossa equipe. Transparência, integridade.

"Notícias do Planalto" foi recebido com rojões pelos amigos de Mário Sérgio Conti. O jornalista Elio Gaspari, por exemplo, escreveu um texto elogioso em sua coluna sobre o livro. Só não disse a seus leitores que, além de ser amigo de Conti, é tratado como um semideus no livro. (Como os donos das empresas jornalísticas, à exceção das quebradas.)

A revista Época dedicou várias páginas de entusiasmado apoio ao livro. O que também não está dito é que o diretor de redação da Época, Augusto Nunes, é amigo de Conti. (Nunes foi tratado com benevolência e camaradagem no livro. Uma denúncia estrepitosa de suposta tentativa de suborno de que Nunes teria sido vítima é narrada —– absurdo dos absurdos até para um foca — como verdade absoluta no livro de Conti.)

Os jornalistas podem usar seu espaço para promover seus amigos jornalistas? Isso é eticamente aceitável?

O jornalismo brasileiro terá avançado muito quando se cristalizar entre os jornalistas a convicção de que o único amigo que podem ter é o leitor. A despeito de suas leviandades, vilanias e incontáveis demonstrações de mau jornalismo, "Notícias do Planalto" pode ter prestado uma contribuição milionária à imprensa brasileira ao trazer à cena – mesmo que involuntariamente, repito – a discussão vital sobre os jornalistas e suas amizades.

Paulo Nogueira
No DCM
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A parcialidade da Folha em 2006 e 2010. Alguém acha que em 2014 vai ser diferente?

Separamos as capas da Folha durante o mês de setembro dos anos de 2006 e 2010. Elas deixam claro o posicionamento político do jornal.

Em 2006, nos quinze dias que antecederam as eleições, foram doze capas contra o PT:

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Em 2010, nos quinze dias que antecederam as eleições, foram dez capas contra o PT:

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Contra fatos não há argumentos!

Definidos os candidatos da coligação PT-PCdoB-PTB, no RS, para concorrer nas eleições de 2014.

PDT e PSB saíram do governo para correrem em raias próprias. Ao menos, caso haja, no primeiro turno para governador e na direta para senador.

O PSB abandona uma histórica aliança de esquerda para associar-se ao PPS, REDE e um pequeno e inexpressivo PPL (Partido Pátria Livre).

Particularmente, não sei o que se passa na cabeça de algumas pessoas ao nomearem sua agremiação política com a expressão “Pátria Livre”. Cada vez que leio esse nome recordo dos movimentos europeus, principalmente o ETA, que quer dizer, como sabemos, Pátria Basca e Liberdade (Euskadi Ta Askatasuna, em Euskera, língua basca). Será que não somos uma pátria livre? Enfim, confesso que não entendo esse nome.

Outro, de difícil explicação — para mim, é claro — é o tal REDE Sustentabilidade. Marketing? Foco ideológico? Supondo, eu disse supondo, que a tal da sustentabilidade — que até hoje quase ninguém sabe bem o que é – seja o foco ideológico da agremiação política REDE, pergunto:

é possível ser sustentável — seja lá o que isso for, repito — tendo como parceiros uma industria de supérfluos e o supra sumo do modelo capitalista explorador dos recursos da natureza, isto é, um banco? Explico!

Uma indústria de cosméticos fabrica produtos químicos sob um determinado padrão de beleza, um modelo de se apresentar social que é fundamentado no consumismo e, portanto, em uma ideologia capitalista, que é a ideologia que nos trouxe até esse momento de insustentabilidade.

É inerente ao capitalismo a destruição da natureza. Não que as pessoas desejem isso, mas sem exaurir os recursos naturais não existe capitalismo. É também capitalismo o volatizar a natureza transformando-a em ativos financeiros virtuais. É o mundo que vivemos hoje: a natureza circula apenas nos computadores da rede financeira mundial.

E esse capitalismo só existe porque bancos são, desde sempre, o alfa e o ômega das sociedades. Os bancos quebraram a Europa e os EUA na crise que vivem. Desemprego em níveis absurdos, mas os bancos seguem lucrando e movimentando a sustentabilidade financeira.

É isso que está por trás do discurso da sustentabilidade que existe no nome da REDE?

Trata-se, pois, de uma questão anterior à ideologia; trata-se de uma questão de princípios. Ou da falta de…

O modo de ser humanidade depende do princípio que adotamos. E dos princípios derivam as ideologias.

Ora, uma agremiação que tem por princípio compartilhar o apoio do princípio capitalista, é, queiram ou não, profundamente capitalista e, portanto, não sustentável*.

Do PPS não há muito o que falar. Seu atual presidente e líder, com passagem pelo Partido Comunista Brasileiro (quase todo o seu tempo de vida política até transformar o PCB no atual PPS), teve uma carreira política invejável, até que contornou a curva e adentrou na senda da direita. Opõe-se ao governo de esquerda não com um discurso de esquerda, mas com apoio ao PSDB de Serra, por exemplo.

De um homem sensato de esquerda preferiu transformar — a si e ao partido do qual faz parte — em fantoches da direita.

É esta coligação que tem como pré-candidato ao senado Beto Albuquerque, mas que pretende ter o vice na chapa do PMDB ao governo do RS.

Claro que tudo isso só será confirmado depois da Copa…

O PDT, sofreu algo que o PT deveria aprender: quando um partido é apenas um homem, suas ideias e suas lutas, está fadado a ser devorado pelas hienas.

O PDT não soube superar Brizola, assim como não sabemos se o PT saberá superar Lula. O PDT, agora, é o prefeito de Porto Alegre e muitos outros iguais, por esse Brasil afora.

Gente que abandonou os princípios. E, no caso do PDT, até a ideologia.

Para culminar a total reviravolta do partido para a direita, aqui no RS resolveram lançar o supra sumo do sistema capitalista anti democrático, representante do que há de mais destruidor da nacionalidade: um representante da mídia oligárquica. Da mídia que vive do capitalismo consumista (vive de propaganda, inclusive da mesma empresa e do mesmo banco que apoia a REDE) destruidor da natureza, dos empregos e da dignidade.

Não é crível que um ser humano tenha vivido mais de 20 anos “detonando diariamente” a esquerda e seus projetos e agora venha se mostrar por um “partido de esquerda”, como é, infelizmente ainda por definição, o PDT.

Como disse antes, é uma questão de princípios que antecedem as ideologias. O PDT rompeu com os princípios fundadores ao aceitar como candidato alguém que passou a vida sendo contra os princípios do Brizola e dos seus companheiros contemporâneos.

PDT, PSB, REDE, PPS e outros tantos, fizeram o que de mais grave se pode fazer: abandonaram princípios. Podem fazer isso? Claro que podem.

Mas contra fatos não há argumentos. As urnas sempre mostram…

[PS.: basta ver o que até o Papa Francisco anda dizendo: “Estamos em um sistema econômico múltiplo que coloca no centro o dinheiro, e não a pessoa humana. Um verdadeiro sistema econômico deve ter no centro o homem e a mulher. Esse sistema econômico que temos coloca no centro o dinheiro e descarta as pessoas. Agora estão descartando os jovens, e isso é gravíssimo. Na Itália, o desemprego juvenil está por volta de 40%. Na Espanha, é de 50% e na Andaluzia, no sul da Espanha, de 60%. Isso significa que há uma geração de nem-nem, que nem estudam nem trabalham, e isso é gravíssimo. Esse sistema econômico é desumano.” (aqui)]

Luiz Afonso Alencastre Escosteguy
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