26 de mai de 2014

O colunista da Folha e os mensaleiros

Ele
Um dos principais colunistas da Folha, Fernando Rodrigues, escreveu uma coluna extraordinariamente reveladora.

Segundo ele, o PT vai recorrer ao plenário do STF em favor dos “mensaleiros”. Está no título.

É o tal caso: parem as máquinas.

“Mensaleiros”  é uma palavra ofensiva. Está quase na categoria de “petralhas”, “quadrilheiros” ou outras do gênero.

Como no pôquer índio, em que você joga com uma carta na testa sob a vista de todos, é como se Fernando Rodrigues colocasse na sua coluna um cartaz que dissesse: “Amigas e amigos, sou antipetista. Esqueçam essa conversa mole de apartidarismo.”

Os leitores evidentemente respodem aos estímulos. Disse um deles na seção de comentários de Rodrigues: “Minhas passagens estão compradas para ir embora deste país corrupto e ridículo. (…) Que vergonha ter nascido aqui.”

É uma coluna que conta muito sobre Rodrigues e sobre a Folha também. A Folha se coloca como apartidária, e tenta provar isso com seu “saco de gatos” — colunistas de diversas tendências, alegadamente.

Agora, faça as contas: quantos desses colunistas são de direita e quantos de esquerda? Meu chute: de cada dez, oito ou nove são conservadores. Alguns são mais que isso. São ultraconservadores, como Reinaldo de Azevedo, discípulo de Olavo de Carvalho.

Não é fácil para a Folha admitir que é “conservadora”. Todo o seu marketing foi feito em cima de uma suposta iconoclastia e jovialidade de espírito, coisas que não se coadunam com o conservadorismo.

Também não deve ser fácil para os jornalistas da Folha aceitarem que trabalham para um jornal que batalha pelo 1%. É mais chique a imagem do jornalista que quer melhorar o mundo lutando contra a desigualdade etc. etc.

Para os jornalistas da Folha, havia glamour, anos atrás, em contrapor seu jornal ao conservadorismo petrificado do Estadão. Hoje parecem dois mausoléus idênticos.

Rodrigues, para mim, cometeu um ato falho. Ao fazer o título da coluna, não se deu conta de quanto ele mostrava de suas preferências políticas. O episódio não vai mudar em nada a essência da Folha, naturalmente. Mas talvez possa provocar um debate útil em torno do famoso manual do jornal.

Como o jornal deve chamar os acusados do Mensalão? Mensaleiros é como a Veja e o Globo chamam. É isso mesmo?

Nem que seja apenas para proteger a reputação, a Folha deveria estabelecer uma regra sobre este assunto para seu manual.

Nestes dias, no capítulo da proteção à reputação, a Folha tirou a jornalista Vera Magalhães da coluna Painel depois que a blogosfera achou esquisito ela cuidar da principal seção de política do jornal sendo casada com um assessor de Aécio.

Atribuíram ao casamento um furo derradeiro — a tentativa de Aécio de convencer Henrique Meirelles a ser seu vice. Mas depois o jornal parece ter se dado conta de que sua imagem de apartidarismo seria afrontada pelo casal, a despeito de eventuais furos.

O uso da palavra “mensaleiros”, como o casamento da editora do Painel, não faz bem à imagem da Folha. Conta muito mais sobre a alma do jornal do que seus donos gostariam que contasse.

Paulo Nogueira
No DCM
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O papel decisivo de Lula na campanha

O tempo passa e Lula continua sendo uma figura decisiva na política nacional, não só para conquistar votos, mas para empurrar o País na direção da mudança

A última pesquisa Ibope (maio 2014) mostrou que Dilma voltou a crescer, continua tendo chances de vitória no primeiro turno e, se houver segundo turno, enfrentaria um candidato "com o cheiro da derrota" - para usarmos a expressão de Marina Silva que, pelas pesquisas, serve tanto para Aécio quanto para a sua candidatura do PSB, com Eduardo Campos.

O mais significativo resultado foi que Dilma demonstrou ter reagido ao arrastão partidário-midiático que se fez contra ela e interrompeu a tendência de queda que a acompanhava até então.

Sua reação começou com o pronunciamento para o 1° de maio. A defesa da política social como eixo do desenvolvimento voltou a falar mais alto no discurso presidencial do que a pauta reativa. Depois, as aparições no programa partidário do PT e a propaganda dos "Fantasmas do Passado" também ajudaram.

A pauta partidário-midiática está se consolidando em torno de quatro pontos cardeais para a campanha: Copa, inflação, Petrobrás e antipetismo.

De agora até as eleições, além de redirecionar o eixo do debate, o desafio da presidenta é administrar bem os riscos em torno de cada uma dessas questões. Isso equilibraria o jogo.

Com a política, os políticos e os partidos em baixa na visão do eleitorado, a campanha deste ano tende a ser uma disputa entre rejeições — fator que deve pesar em maior medida agora que nas anteriores.

Mais que Dilma, é Lula quem deve partir para o ataque e fazer a diferenciação com os outros candidatos.

O papel de Dilma é o de assumir compromissos com mudanças, apontar rumos e dizer o que e como pretende fazer diferente. Mostrar que pode realizar um governo melhor, como Lula conseguiu, em seu segundo mandato, após superar as dificuldades de seus primeiros quatro anos, é um bom mote para a própria Dilma.

Será de Lula o papel de mostrar quem são os outros. Não necessariamente falar mal dos demais candidatos — isso também —, mas deixar claro quem e o que eles representam.

Em maio, Lula já se mostrou um fator decisivo. O mês marcou o início de uma maior exposição do ex-presidente. Ele viajou mais, falou mais, cutucou mais os adversários. Reforçou que a decisão do PT por Dilma está tomada e não se fala mais nisso. Limpou a área.

A partir do final de junho, quando a candidatura Dilma estiver sacramentada, Lula terá que reeditar quase o mesmo papel que cumpriu em 2010, ou seja, colocar o modo lulista de de fazer política em campo e mostrar que ainda há mais por fazer, e que Dilma é a mais qualificada dentre os candidatos.

É tudo o que Dilma precisa e a oposição não quer: que esta seja, de novo, uma campanha lulista.

A tarefa de Lula não será apenas a de ser o grande puxador de votos de Dilma e dos demais candidatos do PT. Será a de favorecer que a candidatura Dilma adquira um caráter diferente para um segundo mandato.

Diferentemente de 2010, Lula não está no cargo de presidente e o quadro conjuntural é outro, bem mais complicado.

Mesmo assim, o tempo passa, o tempo voa e Lula continua sendo essa figura decisiva na política nacional, não apenas na hora de conquistar votos, mas para empurrar o País na direção de mudanças.

Antonio Lassance, cientista político.
No Carta Maior
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Emissora da Globo já abre espaço para campanha explícita contra Dilma


O telespectador achou o momento pouco usual. Provocado, o entrevistado (aos 27″) declarou explicitamente o voto. Mesmo para uma emissora fechada, é incomum fazer isso numa concessão pública. Instar um entrevistado a explicitar seu voto, especialmente quando se sabe — pelo seu discurso anterior — que ele condena a política econômica em curso.

Para quem você vai votar?

Marcos Troyjo, do laboratório dos BRICs da Universidade de Columbia, respondeu (obviamente, de acordo com a expectativa do mercado financeiro):
Eu não vou votar na presidenta. Eu não vou votar na presidenta. Eu acho que o Brasil não tem boas condições de fazer a transição que ele precisa realizar com a presidente e sua equipe. Eu vou votar num dos candidatos da oposição. O senador Aécio Neves obviamente tem uma equipe extraordinária, tem todo o bom discurso, o governador Eduardo Campos também. Eu acho que na realidade qualquer um destes que venha a ganhar pode fazer de 2015 um ano arco-íris, porque todas as previsões são tão sombrias…
Obviamente que o entrevistado prega a reversão da política comercial e externa do Brasil, além de reformas “estruturantes”, que em geral resultam na destruição de empregos e salários.

É o léxico dos economistas neoliberais.

Estruturante = Destruição do emprego alheio.

Direito à opinião é uma coisa, campanha eleitoral antecipada de maneira tão explícita é outra, notou o telespectador.

Será que a Globo embarcou em nova modalidade de campanha? Em 2006, lembremos — de repente, do nada — o comentarista Alexandre Garcia passou a aparecer no programa da Ana Maria Braga em plena campanha eleitoral! Eram comentários que martelavam a agenda da oposição.

Agora, é possível fazer o mesmo usando a opinião de terceiros. Se for planejado — o que acreditamos ser pouco provável —, uma jogada genial!


Resumo:
Quanto pior, melhor para o tucano. No Ibope, entre abril e maio, Aécio cresceu de 21% para 35% no terço do eleitorado que desaprova o governo Dilma. Agregou 14 pontos. Ao mesmo tempo e no mesmo barril, Campos pegou mais 7 pontos e chegou a 15%. Como ainda há, nesse segmento, 10%  de indecisos e 28% que declaram voto branco/nulo, é o tucano quem mais pode encher seu bornal. Dos 20 pontos de Aécio, 12 vêm de quem acha o governo ruim ou péssimo — o dobro de pontos que o tucano conseguia até abril nesse segmento. Isso significa que quanto mais gente avalia pior o governo, mais eleitores Aécio ganha em proporção a Campos — e, por tabela, maiores suas chances de ir ao segundo turno.
Entenderam, agora?

O mundo vai acabar na mídia brasileira, inclusive no Manhattan Connection, até que Aécio Neves nos traga o arco-íris depois da tempestade, em 2015.

E você achou que já tinha visto de tudo…

No Viomundo
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O povo homenageia Aécio


Isso aconteceu em Belo Horizonte, na Praça Sete, capital de Minas Gerais, Nem todos do país sabem... mas aqui sabemos... Ooooooo Aécio Cheirador é cantado várias vezes em manifestações populares. Pó pará, Aécio!



No Desabafo Brasil
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#4BlogProg — Carta de São Paulo


Carta de São Paulo do IV Encontro Nacional de Blogueiros e Ativistas Digitais

Quando o poder da grande mídia,

Transforma verdades em mentiras

Aliena do campo às cidades,

Na espreita, covarde, ela insidia.

Desleal, desinformada e é perfídia,

Que massacra nosso País inteiro.

Mas esquecem que somos um celeiro.

Combatentes nas redes sociais,

Não tememos a mordida dos chacais,

Me apresento com orgulho, sou Blogueiro!

(Zé do Legnas, blog Notícias de Pentecostes/CE)



“Intensificar a luta pela regulação democrática da mídia e pela liberdade de expressão.”

Com a participação de 399 ativistas digitais de 24 estados da federação, além de milhares de pessoas que assistiram à transmissão do evento online (e ao vivo) pela TVT, realizou-se nos dias 16, 17 e 18 de maio, em São Paulo, o IV Encontro Nacional de Blogueir@s e Ativistas Digitais. O evento confirmou que a blogosfera e as redes sociais ganham musculatura e maior legitimidade no Brasil, apesar de todos os obstáculos à ação desta nova forma de militância digital.

No embate de ideias na sociedade, a blogosfera faz hoje o contraponto ao pensamento único da mídia monopolizada, e abre, assim, espaço para os movimentos sociais. As eleições de 2010 consolidaram essa importante trincheira na disputa pela hegemonia nas comunicações. Não é para menos que os barões da mídia e os setores conservadores, com o seu autoritarismo e seu histórico desrespeito ao contraditório, atacam de forma tão virulenta a blogosfera. O ativismo nas redes sociais também revela sua capacidade de mobilização, como ficou patente — apesar das inúmeras contradições e disputas — nas chamadas “manifestações de junho de 2013”.

Também é preciso denunciar as intenções de usar o ativismo digital como pretexto, em muitas partes do mundo, para operações de ingerência e de intervenções estrangeiras. Não permitiremos que um movimento legítimo, que luta por direitos digitais e de comunicação, seja manipulado por interesses imperialistas que visam desestabilizar governos legítimos.

Além dessa militância, que se realiza em rede, de forma horizontal, a blogosfera brasileira busca caminhos para uma ação mais coesa. Sempre respeitando as diferenças próprias deste universo amplo e plural, o esforço é para construir a unidade na diversidade, encontrando pontos de ação conjunta. Isto explica o fato sui generis de o Brasil já ter organizado quatro encontros nacionais de blogueiros e ativistas, e de ter realizado um evento internacional, em 2011, em Foz do Iguaçu (PR).

Graças a essa ação, e unindo-se a outros setores organizados da sociedade, os ativistas digitais deram sua contribuição para a importante vitória da aprovação do Marco Civil da Internet, que garante os princípios da neutralidade da rede, da privacidade e da liberdade de expressão. A blogosfera também somou forças às entidades que compõem o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) em defesa do Projeto de Lei de Iniciativa Popular (PLIP) da Mídia Democrática.

Essas e outras iniciativas, porém, ainda não garantiram avanços mais significativos na democratização da comunicação. O Brasil ocupa o posto de “vanguarda do atraso” nesse setor. Em todo o mundo, o debate estratégico sobre o tema avança. Aqui, porém, ainda patina. Diante dessa realidade, o IV Encontro Nacional de Blogueiros e Ativistas Digitais aponta os principais desafios do próximo período:

1 — Intensificar a pressão pela regulação democrática da mídia no Brasil, que proíba os monopólios e a propriedade cruzada, garanta a complementariedade dos sistemas privado, estatal e público, estimule a diversidade e a pluralidade informativa, entre outros pontos já inscritos na Constituição Federal. Aproveitar a campanha eleitoral deste ano para multiplicar os debates sobre esse tema, com a realização de um ato nacional, e para exigir o posicionamento dos candidatos. Ampliar a divulgação da campanha Para expressar a liberdade, liderada pelo FNDC, para aprovação do PLIP (Projeto de Lei de Iniciativa Popular) da Mídia Democrática. Promover, nos principais centros das grandes cidades, diversos tipos de ações culturais para conscientizar a população sobre a necessidade da aprovação da nova lei.

2 — Acompanhar o andamento e manter a pressão permanente sobre o Congresso Nacional e o Governo Federal pela imediata regulamentação do Marco Civil da Internet, denunciando as operadoras de telefonia e outros setores empresariais que já tentam anular a conquista da neutralidade da rede. Pressionar, principalmente, pela retirada do artigo 15 do Marco Civil da Internet, com o objetivo de proteger a privacidade dos usuários.

3 — Exigir que o Governo Federal faça a convocação da 2ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), ainda no ano de 2015, sendo a etapa nacional precedida de etapas regionais e estaduais, nas quais serão eleitos delegados representantes da sociedade civil e delegados representantes do poder público.

4 — Criar mecanismos para dar mais visibilidade à participação feminina na blogosfera e no ativismo digital, estimulando o compartilhamento dos conteúdos produzidos pelas mulheres. Incentivar os blogueiros e ativistas digitais a também abordarem temas da pauta feminista, fortalecendo a luta pela emancipação delas na sociedade.

5 — Reforçar as denúncias contra a perseguição à blogosfera e aos ativistas digitais, que cresce no país através de agressões físicas, ameaças e, principalmente, por meio da censura pela via judicial. São incontáveis os processos que visam asfixiar a liberdade de expressão na rede. Estudar mecanismos para amplificar as denúncias, inclusive em fóruns internacionais, e para garantir auxílio jurídico às vítimas dessa violência, contando para isso com o apoio de entidades como a OAB - Ordem dos Advogados do Brasil.

6 — Com base na premissa da unidade na diversidade, e sempre atuando em rede, de forma horizontal, promover esforços para aumentar a organicidade da blogosfera. Inclusive com a realização de cursos de formação do movimento de blogueiros e midialivrista, e compartilhamento de informações sobre o uso de novas tecnologias. Estabelecer 2015 como o ano dos encontros regionais e estaduais de blogueiros e ativistas digitais.

7 — Reforçar as articulações com blogueiros e ativistas digitais da América Latina e Caribe, visando a realização de um seminário regional. A região tem sido vítima de violenta ofensiva dos barões da mídia, que tentam desestabilizar governos democraticamente eleitos e impor projetos de neocolonização dos EUA. A troca de experiências e coordenação entre os ativistas digitais da região é fundamental para fazer o contraponto a essa ofensiva.

8 — Defender a soberania tecnológica, o desenvolvimento e a utilização de plataformas livres e colaborativas, fundamentais para o exercício da liberdade de expressão e a democratização do acesso, produção e distribuição de informação. Numa sociedade onde grandes corporações e potências imperialistas, principalmente EUA e Inglaterra, espionam, vigiam e cerceiam a circulação das informações, isso é fundamental. Estabelecer a defesa da privacidade e da neutralidade da rede, nos moldes do Marco Civil da Internet recentemente aprovado pelo Congresso Nacional — referência mundial de legislação avançada para o setor.

9 — Defender a aprovação, pelo Congresso Nacional, do Projeto de Lei 4.653/2012, que anistia blogueiros e ativistas virtuais em função de multas eleitorais. Defesa esta que deverá ocorrer por meio de ações como campanhas, audiências públicas, entre outras formas de intervenção da sociedade civil.

10 — Criar um grupo de estudos para avaliar a viabilidade de um portal progressista de notícias, alternativo aos grandes portais, com serviço de e-mail, onde seriam hospedados todos os blogs da blogosfera progressista.

11 — Defender a universalização da banda larga de alta qualidade e baixo custo. Para isso é importante que a blogosfera participe e reforce a divulgação da campanha Banda Larga é um Direito Seu, cujo material está disponível no site www.campanhabandalarga.com.br.

12 — Incorporar à pauta do movimento BlogProg a campanha Mostra o DARF, Rede Globo, através das redes e nas ruas. O objetivo é pressionar a TV Globo a provar que pagou os mais de R$ 600 milhões que a empresa é acusada de sonegar à Receita Federal. Trata-se de fato grave, revelado pela blogosfera e com ampla repercussão nas redes sociais, mas praticamente ignorado pela imprensa conservadora. Um exemplo do moralismo seletivo que domina a velha mídia e o Poder Judiciário brasileiros. É preciso exigir que todos os corruptos e sonegadores sejam punidos pela Justiça.

13 — Realizar coleta de assinaturas em favor da Constituinte Exclusiva da Reforma Política, e apoiar o projeto elaborado pela sociedade civil para uma Lei de Reforma Política — que estão sendo propostos nacionalmente pelos movimentos sociais. Além disso, impulsionar debates nas comunidades, universidades e sindicatos, para ressaltar a importância dessa campanha.

14 — Estudar a criação de um observatório sobre tecnologia para aperfeiçoar técnicas e recursos que melhorem a ação nas redes sociais.

15 — Reivindicar, junto ao Conselho da EBC, que a Empresa Brasileira de Comunicação passe a agregar informações produzidas pelos blogs progressistas, e também pelos sindicatos e movimentos sociais, no seu clipping diário. Sugerir que esse material seja disponibilizado para todos os órgãos públicos da administração federal.

16 — Condenar o julgamento político-midiático em que se transformou a AP 470. Apoiar todas as iniciativas (inclusive a produção de material informativo e guia de orientação sobre a referida ação) que ajudem a desmontar a farsa imposta ao país com ajuda da velha mídia e de setores inescrupulosos do poder Judiciário.
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Carta aberta a Ronaldo: “você foi covarde ou oportunista?”


Caro Ronaldinho, Ronaldo ou Fenômeno.

Nem sei como te chamar. Através de sua carreira, os nomes foram mudando. Eu me lembro da primeira vez em que te entrevistei – foram poucas, muito menos do que eu desejaria — no vestiário do Palmeiras, após um jogo contra o Cruzeiro. Você disse que estava pronto para a Copa de 94. E foi convocado. O início de uma carreira que maravilhou o mundo.

Olha, acho melhor chamá-lo de Ronaldo Nazário de Lima, afinal o assunto não é apenas futebol.

Ronaldo, os seus dribles são eternos. Desde aquela série imensa em um jogo contra o Barcelona até aquele que não se completou, em um abril de 2000. Aquele que deixou o mundo triste, calado, sofrendo. Você voltava após cinco meses de paralisação por uma problema no joelho, voltou e, ali pela esquerda do ataque da Inter, gingou diante de Fernando Couto e rompeu novamente o tendão do joelho.

E o seu oportunismo? Não era como Romário, que ficava ali quietinho na área, esperando a bola chegar. Com seu tamanho, não dava para passar despercebido, mas, como o Baixinho, foram muitas alegrias vindas de puro oportunismo, de saber estar no lugar certo na hora certa.

Pois é, Ronaldo Nazário de Lima, drible e oportunismo são fundamentais na vida de um artilheiro. São desprezíveis na vida de um cidadão.

Falo isso por causa de sua declaração de que tem vergonha dos atrasos nas obras da Copa. Que elas passam uma imagem ruim lá fora. Aquele velho papo de quem deseja agradar os de fora.

Ora, Ronaldo, você estava lá, no dia em que o Brasil ganhou o direito de sediar a Copa. Estava com Paulo Coelho, com Lula, com Aécio Neves e Eduardo Campos.

Você ao contrário deles, passou a ser membro do Comitê Organizador Local. Ronaldo, você é um dos responsáveis por tudo que envolve a Copa.

Ronaldo, você ganhou dinheiro com a Copa. Suas publicidades aumentaram. Você alugou sua casa para um figurão da Fifa, nem vou procurar no Google o nome dele, não interessa.

Ronaldo, que coisa feia!!! Depois de ser o responsável, depois de faturar dinheiro, você estica o dedo e diz que “sente vergonha”.

Ah, quer dizer que você não é responsável por nada? Nadica de nada? O que está errado é culpa dos outros? Trabalhou com o governo, diz que está tudo errado e apoia Aécio Neves na eleição. Drible e oportunismo.

Ronaldo, eu não deveria me surpreender com suas idas e vindas.

Em 2009, você disse que não gostaria de ser relacionar com Ricardo Teixeira, uma pessoa de “duplo caráter”. Em 2012, disse que “ele é meu amigo e estou com ele no que precisar”, antes de Ricardo Teixeira ser obrigado a renunciar à CBF.

Você jogou no Barça e Real, na Inter e no Milan, se recuperou no Flamengo e assinou com o Corinthians.

Aliás, Ronaldo, você pensou que ao dizer que “os atrasos te dão vergonha” poderia atingir Andrés Sanchez, que foi seu parceiro na recuperação do Corinthians?

Ronaldo, no caso de Aécio vencer, você terá muitas chances de ser o Ministro dos Esportes. Mas, saiba que o Aécio estará de olho em você. Ele é neto de Tancredo, uma das grandes raposas da política brasileira. Como o avô, ele é desconfiado. Sabe que os que traem uma vez, traem sempre.

É questão de índole. De caráter. Ou, da falta de ambos.

No Blog do Menon
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Fintástico expõe a Saúde (da Globo)

Como diz o Padilha, tomara que o 'Arrocho' leve a Saúde para a campanha.

Na foto, a logomarca da editoria "o Brasil é uma m...", não é, Bessinha?

O Fintástico exibiu neste domingo uma reportagem sobre a Saúde no Brasil.

Saiu da Editoria “o Brasil é uma m…”



Foi uma forma de tentar desconstruir, ao mesmo tempo, a Dilma e o Padilha (que vem aí de jaleco branco).

A propósito, o amigo navegante Álvaro Tadeu enviou ao Conversa Afiada o seguinte comentário:

AlvaroTadeu

Alguém falou na saúde. Peço um pouquinho de paciência para publicar a tabela que saiu num dos blogs sujos. ORÇAMENTO DO MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1995/2014, em bilhões de R$:

1995 – 25,8
1996 – 14,1
1997 – 20,2 * criação da CPMF
1998 – 19,5
1999 – 19,0
2000 – 20,3
2001 – 26,0
2002 – 28,5
2003 – 30,5 **primeiro ano da administração do PT.
2004 – 36,5
2005 – 40,5
2006 – 44,2 ***extinção da CPMF
2007 – 49,7
2008 – 52,5
2009 – 59,5 ****primeiro ano da crise mundial.
2010 – 66,7
2011 – 77,1
2012 – 86,8
2013 – 92,7
2014 – 106

Algum coxinha vai encarar? Cadê os comentaristas do esgoto?
Tomara que o Arrocho – clique aqui para ver as preciosidades do “Tá com saudade dos fantasmas?” — puxe o assunto da Saúde na campanha, não é, Álvaro?

A supracitada “reportagem-denúncia-editorial” deve ter contribuído para o medíocre resultado do Fintástico, neste domingo: 16 pontos de média.

Isso não paga as contas, na Globo.

Com 16 de audiência, a tabela publicitária do Fintástico não se sustenta.

Este ansioso blog já previu que a Globo vai morrer gorda: na liderança.

Uma prévia do retumbante naufrágio será quando acabar o encaixe publicitário da Copa.

Para a Globo, o Brasileirinho vai ser outra F-1: um elefante branquíssimo!

Aí é que os filhos do Roberto Marinho — que não têm nome próprio — vão ver o que é bom para a Saúde.

Em tempo: não deixe de assistir à TV Afiada, onde se contempla importantíssima analise do Faustão.

Em tempo2: por que os filhos do Roberto Marinho não seguem o conselho da D. Luiza: não tá feliz? Vende e vai embora. Quem sabe a Friboi não compra a Globo ? Não deixe de votar na enquete “O que vai virar um elefante branco depois da Copa?”.

Paulo Henrique Amorim
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Filme Fantasmas do Passado em versão muda


O João de Andrade Neto, editor do Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim, deveria cobrar um chope do marqueteiro do PT, João Santana.

É que ele deixou pronto o roteiro de imagens – não é preciso palavras – para um “comercial” do PT que eu gostaria de ver a Ministra Laurita Vaz, do TSE, censurar.

É uma “recortagem” fotográfica da mídia.

Um filme de terror.

Para proibir este, só se o PSDB apelar para a censura etária, exigindo que só seja passado de madrugada, sem as crianças na sala.

Porque, de fato, é imoral.

Esse, sim, deveria exigir o carimbo de “avisado” que tanta polêmica causou.

Carimbado no título eleitoral…

Fernando Brito
Do Tijolaço



PRIVATARIA



QUALIDADE DE VIDA



ESCÂNDALOS


FMI


ECONOMIA

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A Raposa e o Galinheiro

http://www.maurosantayana.com/2014/05/a-raposa-e-o-galinheiro.html


O escritor Hans Christian Andersen, que entendia do assunto, dizia que “os contos de fadas são escritos para que as crianças durmam, e os adultos despertem.”

Em uma das fábulas que envolvem canídeos e galináceos, ambas da tradição lusitana, aprende-se porque não se deve deixar a segurança do galinheiro a cargo desses predadores.

A lembrança vem à tona com a notícia, publicada pelo Valor Econômico, de que a Boeing, norte-americana, está trazendo, para o Brasil, sua divisão de Defesa, Espaço e Segurança, para tentar prestar serviços de segurança cibernética a órgãos como o Ministério da Defesa, o da Ciência e Tecnologia, grandes estatais, bancos e companhias do setor privado.

Justamente algumas das áreas que foram mais visadas, e que, com certeza, continuam a ser espionadas, por agências norte-americanas de informação, como a NSA, no âmbito do vasto “galinheiro cibernético” da rede mundial de computadores.

Embora no site oficial da BDSS — o braço de defesa da Boeing — o link relativo à “defesa nacional” não leve mais a parte alguma, na seção Government Operations fica clara, como não poderia deixar de ser, a estreita ligação da empresa com o seu país de origem, onde tem fábricas e instalações em mais de 50 estados, e conta com 58 mil funcionários, e um faturamento de 33 bilhões de dólares.

No Brasil — mesmo que contem com fortes concorrentes de outras regiões do mundo — basta que empresas sejam norte-americanas, e tenham certa reputação estabelecida, ao longo dos anos, por meio de ações de marketing, para que as portas se abram como em um passe de mágica, muitas vezes, sem que sequer seja obedecida a legislação, do ponto de vista de licitação e contratação de serviços.

Esse está sendo agora o caso da joint-venture assinada pela CEF com a IBM, em 2012, para prestar serviços no montante de mais de 1 bilhão de reais, que está sendo contestada e avaliada pelo TCU — o Tribunal de Contas da União.

Na administração pública, é preciso tomar cuidado com quem se coloca dentro de casa, e se assinam certos convênios, como foi o caso da contratação da Academi, ex-Blackwater — uma empresa privada de mercenários, acusada de crimes em várias regiões do globo — para o treinamento de policiais brasileiros responsáveis pela segurança da Copa do Mundo.

No lugar de contratar empresas estrangeiras, o Governo Federal — e os estaduais — por meio do SERPRO, da TELEBRÁS, de nossas universidades e institutos de pesquisa, precisa investir em software nacional e livre, servidores próprios, e criptografia. E estabelecer parâmetros que proíbam ou desestimulem a compra de soluções externas — principalmente de países que já nos espionaram — nas quais, eventualmente, como a raposa dentro do galinheiro, possam vir “portas” ocultas para dar acesso a empresas e governos de outros países a nossas informações nacionais estratégicas.
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A Copa, o X-Tudo e a lista da Forbes

Brasileiro gosta de futebol e
detesta roubalheira. Pôr tudo no
mesmo saco só faz sentido para
oportunistas

Os movimentos criados em torno de bandeiras como "não vai ter Copa" são, antes de tudo, um atestado de burrice. No Brasil, é mais ou menos como apostar em alguma audiência para um Dia Nacional contra a Feijoada ou o Paulinho da Força organizar uma manifestação contra a venda da tequila no Primeiro de Maio.

Um exemplo disso aconteceu neste sábado (23) na capital paulista. Um desses atos, organizados sabe-se lá por quem, reuniu cerca de 350 manifestantes a pretexto de protestar contra a Copa. Confrontados com a própria insignificância, líderes da "mobilização" passaram a teorizar. "A conjuntura há duas semanas era diferente. A luta contra a Copa mudou de qualidade quando a sociedade organizada iniciou um movimento", afirmou um representante do grupo Território Livre, seja lá o que a declaração quis dizer. Ao fundo, soavam como cântico lemas como "Greve Geral, piquete e ocupação, contra Fifa, a PM e o patrão"; à frente, um bando segurava uma faixa pregando uma "Copa de greves".

A pregação do "X-Tudo" é, novamente, uma tentativa típica de rebeldes sem causas, mas com muitas consequências. Uma delas é lançar trabalhadores contra trabalhadores. Na mesma onda misturam-se provocadores, gente bem intencionada e lideranças espertas. Os eventos em São Paulo são eloquentes.

As paralisações de transportes afetaram a maioria da população. Nelas, havia motoristas e cobradores que recebem uma miséria e têm o direito a melhores condições de vida. Empregados de uma das viações pediam, por exemplo, respeito ao horário de almoço e o fim do desconto do salário nos dias de falta por doença. Reivindicações que, em pleno século 21, remontam a tempos do capitalismo selvagem. Mas havia também uma parcela bastante articulada muito mais interessada em ver o circo pegar fogo.

Como lembrado à exaustão, tais categorias exibem dirigentes com um histórico de banditismo e subserviência patronal indignos dos milhares de trabalhadores que dizem representar. Lideranças parasitárias do imposto sindical aproveitam-se da dispersão profissional da área em que atuam — funcionários de empresas de transportes, por natureza, trabalham isolados, diferentemente do que ocorre numa fábrica — para exercer a manipulação e infiltrar asseclas de objetivos obscuros, às vezes nem tanto.

Isso nada tem a ver com a Copa. Reportagem da Folha prestou um serviço inestimável ao mostrar que os gastos públicos com o torneio são ínfimos se comparados às demais despesas oficiais. Pelos cálculos do jornal, o governo está investindo cerca de R$ 26 bilhões na competição, total que na verdade é menor considerando que haverá reembolso de uma fatia do dinheiro. Pode-se ir mais longe no capítulo proporções. Segundo lista da revista americana Forbes, as quinze famílias mais abastadas do Brasil concentram uma fortuna de R$ 270 bilhões de reais, cerca de 5% do PIB nacional. Ao final da Copa, aliás, estarão ainda mais ricas, pois muitas delas fazem parte de grupos de mídia beneficiários do torneio.

Nada disso anula o fato de que, num território com as enormes carências do Brasil, sempre que o Tesouro deixa de gastar com o básico da sobrevivência, há uma sensação de desperdício. Também é reprovável embarcar num clima de pão e circo e varrer para baixo do tapete as irregularidades na construção de estádios e de outras obras — males que contagiam a vida pública nacional e devem ser investigados sem nenhuma complacência.

Mas daí a tentar criar um clima de não vai ter Copa vai uma distância muito grande. Brasileiro gosta de futebol, assim como detesta roubalheira. Colocar tudo no mesmo saco só faz sentido na cabeça de senhores e oportunistas que conhecem massas apenas quando servidas em cantinas de luxo.

Ricardo Melo
No fAlha
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Quando uma piada vale mais que uma porrada


Em "O Nome da Rosa" vimos como a Igreja Católica escondeu durante séculos o tratado de Aristóteles sobre o riso. Não se podia rir, pois se alguém risse poderia também rir de Deus, o que seria uma blasfêmia.

Gosto muito de Nieztsche quando diz só acreditar num Deus que dance, e mais ainda de Osho ao dizer só crer num Deus que ria.

Em 1972 no auge do ufanismo da Ditadura havia um slogan: "Brasil, ame-o ou deixe-o".

Ziraldo demoliu a campanha com uma frase maravilhosa: "O último a sair apaga a luz do Aeroporto."

As piadas e os chistes sempre serviram na luta contra a colonização portuguesa e mais tarde contra os ingleses e norte americanos na sua ânsia de dominação e neocolonização.

Nas ditaduras os ditadores são ridicularizados pelo humor dos oposicionistas.

A frase debochada, a piada, o chiste bem aplicado não tem resposta, sua função é extamente esta: demolir o rígido, desestabilizar o farsante que se pretenda sério.

Há os comentaristas que escrevem muito e de forma profunda sobre as questões políticas, mas há os que com uma imagem, com uma palavra, derrubam palanques.

Nesta sórdida campanha que já se anuncia devemos ter muito humor. O humor, o deboche, a gargalhada explode na cara do hipócrita. Arranca as máscaras, desnuda os reis.

A julgar pelos termos usados na pré campanha, a julgar até pela deselegância inicial de Eduardo Campos contra Dilma, é para afirmar e crer que a campanha será a de mais baixo nível até hoje no País.

O desespero de quem está fora das maracutaias federais há doze anos e com perspectiva de ficar mais doze é gigantesco. São capazes das maiores baixarias.

Contra isso, contra azia e a má digestão dos coxinhas, melhor que sal de frutas, são os frutos do humor.

Que cada um faça a sua parte na linguagem que melhor comunica.

Bemvindo Sequeira
No Blog do Bemvindo
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Convenções, Encontros, Congressos


O PT foi criado em 1980, durante a ditadura militar, que encerrou-se em 1985.
Seu estatuto inicial obedecia à Lei Orgânica dos Partidos Políticos, editada pela ditadura.

O estatuto previa a realização de Convenções partidárias, para determinas programa e candidaturas. Estas convenções eram compostas de forma não democrática.

O PT então formulou um regimento interno, que não tinha respaldo legal, mas que era obedecido pelo Partido.

Este regimento tinha várias diferenças em relação ao estatuto legal, uma destas diferenças estava na figura dos “encontros partidários”.

Os encontros eram compostos por delegados eleitos pelas bases do partido, num processo piramidal.

Numa cidade de maior porte, por exemplo, poderíamos ter encontros zonais, de que participavam todos os filiados do Partido (desde que estivessem em dia com sua contribuição partidária). Os encontros zonais elegiam delegados ao encontro municipal. Os delegados de todos os encontros zonais reuniam-se no encontro municipal. O encontro municipal, por sua vez, elegia os delegados ao encontro estadual. Os delegados eleitos por todos os encontros municipais compunham o encontro estadual , que por sua vez elegia os delegados ao encontro nacional. Os delegados de todos os encontros estaduais compunham o encontro nacional.

Em cada um destes níveis (zonal, municipal, estadual e nacional), além do debate político e da votação de resoluções, eram eleitos os delegados e as direções.

As decisões do encontro eram obrigatórias, o que significa que quando as convenções reuniam-se, mesmo que a composição da convenção oficial fosse outra, ela tinha simplesmente que homologar o resultado do respectivo encontro.

Tanto os delegados, quanto as direções, eram eleitas através do mesmo método: abria-se um prazo para inscrição de chapas; cada chapa (ou lista) inscrevia seus candidatos, com base numa tese (um documento político); cada filiado (no caso do encontro zonal) ou delegado (no caso dos demais níveis) votava numa chapa; com base na proporcionalidade direta, definia-se o resultado. Portanto, se havia três chapas e cada uma conseguia 33% dos votos, cada chapa ficava com 33% da direção e da delegação.

Cabia à direção eleita, em sua primeira reunião, escolher a executiva e os cargos de cada integrante da executiva, inclusive do Partido, através do voto.

Quem podia apresentar chapas? Qualquer filiado que estivesse em dia com suas obrigações financeiras para com o Partido. As chapas podiam ser inscritas incompletas, ou seja, com um número menor de integrantes do que o número total de vagas em disputa.

Na prática, havia três tipos de chapas: chapas unitárias; chapas apresentadas por filiados; chapas organizadas por tendências do Partido.

É importante saber que no PT sempre houve tendências (em alguns casos partidos dentro do Partido, em alguns casos frações, em alguns casos correntes de opinião mais ou menos permanentes).

Na maioria dos casos são estas tendências que apresentam chapas e teses para discussão, nos processos de encontro.

As tendências foram regulamentadas pelo V Encontro nacional do PT (1987) e pelo Primeiro Congresso (1991).

Portanto, ao longo de seus primeiros 10 anos o organismo máximo do PT era o encontro nacional.

Nos anos 1990 houve duas mudanças importantes. A primeira mudança foi a realização dos congressos. Antes a figura do Congresso não existia. A partir de 1991, passou a existir a figura do Congresso, baseada na ideia de que os encontros debateriam questões táticas e os congressos debateriam questões estratégicas e organizativas mais profundas.

Na prática, não aconteceu isto. Até hoje fizemos 14 encontros nacionais (sem contar os encontros extraordinários, que não foram numerados) e 5 congressos (sendo que o 5º Congresso terá uma segunda etapa, que vai reunir-se em 2015). E muitos destes congressos não debateram apenas nem principalmente questões de fundo.

Uma outra mudança importante, nos anos 1990, foi a criação dos setoriais do partido. Os setoriais agrupam os militantes por área de atuação (juventude, educação, saúde etc.). Assim, o filiado pode participar da votação geral do Partido (elegendo delegados e direção) e também pode votar para escolher a coordenação e a linha do seu setorial.

O sistema anteriormente descrito foi profundamente alterado em 2001, no Segundo Congresso do PT, que aprovou a realização de eleições diretas para direção partidária.

Trata-se de um processo inicialmente muito comemorado pela maioria do Partido, mas hoje muito polêmico dentro do PT, a tal ponto de ter sido aprovado, no 14º encontro (realizado em dezembro de 2013) uma recomendação de revisar ou até mesmo eliminar este método de eleição.

A eleição direta muda o processo anterior de três formas diferentes. Primeiro, introduz no interior do Partido uma dinâmica semelhante a que ocorre nas eleições burguesas. Segundo, o número de pessoas que votam sem ter participado de nenhuma discussão anterior é imenso (em 2013, tivemos 425 mil votantes contra menos de 30 mil que participaram de alguma discussão sobre a eleição nacional. Não temos dados sobre a participação nos debates municipais e estaduais). Terceiro, a eleição direta unifica todo o processo eleitoral (a eleição de delegados e de direções é feita ao mesmo tempo, para todos os níveis, num único dia de votação).

Antes o filiado votava na zonal, depois o delegado zonal votava no encontro municipal, depois o delegado municipal votava no encontro estadual, depois o delegado estadual votava no encontro nacional. Este processo não apenas garantia mais debate, como também permitia que o militante de base, o filiado independente, não ligado a nenhuma tendência, tivesse mais participação no processo.

A criação da eleição direta, na prática, fez com que as tendências nacionais controlassem o processo desde o início, ao inscrever suas chapas e suas teses. Na prática, as chapas e teses estaduais e municipais tendem a ser cada vez mais verticalizadas, ou seja, a tomar como referência as teses e chapas nacionais. O que confere, as tendências, um caráter de fração cada vez mais forte.

Outra mudança muito importante, ocorrida a partir de 2001, foi o enfraquecimento das tendências enquanto correntes de opinião e seu fortalecimento enquanto aparato de disputa do poder interno. O que é agravado por outro processo, simultâneo a este, de transformação das tendências em fachada, cobertura, biombo, de mandatos parlamentares ou de grupos vinculados a detentores de mandatos executivos (prefeitos, governadores).

Finalmente, desde 2003 em diante, ou seja, desde nossa chegada à presidência da República, ocorreu um último fenômeno extremamente deletério, que foi o empobrecimento cultural, teórico e político do debate interno.

Quem se puser a ler as resoluções do PT, desde 1980 até hoje, vai verificar que elas perderam profundidade. Como os redatores das resoluções são mais ou menos os mesmos, há 30 anos, e como o Partido ampliou suas cotas institucionais neste mesmo período, uma conclusão possível é que esta perda de densidade cultural, teórica e política constitui um efeito colateral de nosso sucesso eleitoral.

Falando de outra forma: o Partido tende a tomar cuidado com o que escreve, com o que diz, com o que fala, com o que resolve, com o que delibera, mas este "tomar cuidado" não incide apenas sobre a forma (como dizer), mas também começa a impor silêncios (o que não dizer).

Ao mesmo tempo, a forma das resoluções perde vivacidade literária, perde força plástica, perde vivacidade. Ou seja, uma burocratização estética.

Antes, do conflito entre as diferentes posições, das diferentes tendências, emergia em geral um resultado superior às partes em disputa. Agora, tende a ocorrer o contrário: o resultado é inferior.

Com o objetivo de resolver, ao menos em parte, este problema, nos últimos anos o PT tem adotado cada vez mais o sistema de teses guias elaboradas pela direção, com base na qual o debate ocorre na base, sem prejuízo de teses alternativas e sem prejuízo do debate e votação aberta das emendas nos processos de encontro. Embora do ponto de vista formal este processo tenha sido introduzido com a melhor das intenções, na maioria das vezes o resultado prático não correspondeu aos desejos e os problemas citados anteriormente continuaram se fazendo presentes.

Valter Pomar
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Ditadura é isso aí: – prazer de torturar estudantes!

O meu desprezo pelos que, em pleno século XXI, ainda defendem a ditadura. O mais feroz dos animais seria capaz de regozijar com a tortura de seu semelhante. No caso das ditadura, há um agravante. É o voyeurismo do escroto que só consegue prazer ao saber que outro sofre. Literalmente, goza com o pau dos outros. O pior neste déficit civilizatório, é que a tortura se dá sobre inocentes cujo único crime é pensar diferente. Aí, para corrigir seu crime de ter idéias diferentes, é preso, e, depois de preso, torturado. Por isso que digo, com uma arma na mão, até Fernandinho Beira-Mar se achava general.

Agente da ditadura diz ter torturado mais de 500

Ao Ministério Público, Riscala Corbaje afirmou não ter peso na consciência

Coronel reformado da PM, ‘Nagib’ comandou sessões de pau de arara e de eletrochoque entre 1970 e 1972, no Rio

Em depoimento recente ao Ministério Público Federal, o coronel reformado da Polícia Militar Riscala Corbaje confessou ter torturado mais de 500 presos entre 1970 e 1972, período durante o qual chefiou a equipe de interrogatório do Destacamento de Operações de Informações do 1º Exército, na Tijuca (Rio).

Trechos do depoimento de Corbaje foram publicados ontem pelo jornal "O Globo". Corbaje, que usava o codinome "Nagib", disse que fazia os presos urrarem de dor no pau de arara, com o peso do corpo "em cima dos dois nervos que passam por debaixo da perna".

"Você pega um estudante, bota ele com o peso do corpo numa barra de ferro e deixa ele 15 minutos pendurado no pau de arara. Não precisa dar choque. O cara urra de dor."

O ex-agente, que segundo a reportagem está cego e doente, reclamou da pouca experiência do médico Amílcar Lobo, então um jovem tenente de 23 anos, e de sua incapacidade de avaliar as condições de saúde dos presos para que a tortura pudesse continuar.

Corbaje admitiu ter participado também de sessões de eletrochoque. Ao encerrar seu depoimento, disse não se arrepender: "Não tenho o menor peso na consciência".

Gilmar Crestani
No Ficha Corrida
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As vitórias pouco divulgadas do Brasil

O pessimismo geral do país é um caso clássico de esquizofrenia, alimentado por uma mídia do eixo Rio-São Paulo que perdeu a noção da notícia.

Durante dois anos, martelaram diariamente atrasos em obras da Copa, realçaram detalhes de obras inacabadas, uma campanha diuturna sobre a suposta incapacidade do país em se preparar para a Copa — como se depreciando a engenharia brasileira, os grupos privados envolvidos com as obras, os governos estaduais corresponsáveis pelo processo, a criação do clima de derrotismo se abatesse exclusivamente sobre o governo Dilma Rousseff.

À medida que a Copa se aproxima, que os tapumes das obras são retirados, os usuários descobrem aeroportos de primeiro mundo, arenas esportivas de qualidade invejável, novas estatísticas mostrando o potencial financeiro do jogos.

E os jornais passam a se dar conta que a Copa será a maior vitrine do país em toda sua história, com os 14 mil correspondentes, os recordes de visitantes e da audiência esperada para o televisionamento dos jogos.

Por esse sentimento permanente de baixa autoestima, provavelmente não se dará o devido valor a um feito extraordinariamente superior ao de abrigar a maior Copa do mundo da história (na opinião da Fifa): o atingimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, comprovando que o Brasil entrou em um novo estágio civilizatório.

* * *

O conceito de Metas do Milênio nasceu em 2000, quando líderes mundiais acertaram uma agenda mínima global de compromissos  pela promoção da dignidade humana e de combate à pobreza, à fome, às desigualdades de gênero, às doenças transmissíveis e evitáveis, à destruição do meio ambiente e às condições precárias de vida.

* * *

Conforme os dados do 5º Relatório Nacional de Acompanhamento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, com quatro anos de antecedência, o país conseguiu alcançar a meta de redução de dois terços a mortalidade infantil, que caiu de 53,7 mortes por mil nascidos vivos em 1990, para 17,7 em 2011.

No saneamento, em 1990 70% da população tinham acesso à agua e 53% à rede de esgotos ou fossa séptica. Em 2012, os indicadores saltaram para 85,5% e 77% respectivamente.

* * *

Outro indicador, o da redução da pobreza extrema, caiu para 3,5% da população, próxima à meta de 3%.

Segundo o Ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos Marcelo Nery, um dos principais fatores foi a formalização do mercado de trabalho. No período 2002-2005, a formalização girou em torno de 46% da população ocupada. Em 2012 alcançou 58%.

Entre os ocupados a pobreza extrema é de 1,3%; entre os ocupados com carteira de trabalho, de 0,1%.

* * *

Em que pese os avanços que ainda faltam na qualidade do ensino, a taxa de escolarização no ensino fundamental, para crianças de 7 a 14 anos, está próxima de 100%; assim como a taxa de alfabetização de jovens de 15 a 24 anos.

Apesar do analfabetismo funcional, os estudantes de 9 a 17 cursando a série adequada à sua idade saltaram de 50,3% para 79,6%. Parte do avanço foi devido a distorções, como a aprovação automática.

Luís Nassif
No GGN
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A outra censura no Brasil


A censura do Estado à liberdade de expressão no Brasil é anterior à chegada da máquina impressora e sempre foi muito além dela. No século 17, padre Antônio Vieira já afirmava que “o pior acidente que teve o Brasil em sua enfermidade foi o tolher-se-lhe a fala” e Paulo Freire, três séculos depois, identificou na “cultura do silêncio” uma das características históricas da formação do povo brasileiro.

Em artigo publicado na Comunicação & Educação (Ano XVIII, nº 2, jul/dez 2013), a professora Cristina Costa, da USP, traça um panorama histórico da censura do Estado no Brasil. Afirma ela:

A censura chegou antes da imprensa, do teatro e das bibliotecas. Durante a colonização, a coroa portuguesa proibia que em terras brasileiras fossem publicados livros e jornais, que se fizessem apresentações públicas sem apoio, incentivo e consentimento das ordens religiosas (guardiãs da fé e da hegemonia metropolitana), bem como eram controlados os acervos de livros, até mesmo os particulares. (...) Não foram apenas a imprensa e a publicação de livros proibidas nos tempos coloniais. Controlavam-se crenças, opiniões, linguagens, assim como proibiam-se idiomas nativos, deuses ‘estrangeiros’, instrumentos musicais inconvenientes e danças consideradas indecentes. (...) Com a Independência e a Monarquia (...) livros e jornais (já havia imprensa no Brasil e ela proliferava) também estavam sujeitos à censura, se fossem defensores da República, do fim da escravidão, ou favoráveis à união entre as coroas portuguesa e brasileira. No século 20 (...) os meios de comunicação se desenvolvem — cinema, rádio e indústria fonográfica, além da imprensa escrita. (...) Uma extensa legislação regulamenta toda sorte de fiscalização à produção simbólica. Getúlio Vargas (...) instituiu formas de censura à imprensa e aos meios de comunicação que fariam inveja aos inquisidores medievais. (...) Até mesmo depois do Estado Novo e durante governos considerados democráticos como o de Juscelino Kubitscheck, utilizou-se a censura para conter o pensamento e a crítica política. (...) Durante a ditadura militar (...), completando quase cinco séculos de existência de controle, em diferentes épocas, o abuso do poder chega a colocar em risco a própria sobrevivência da arte e da cultura nacionais.


A Constituição de 1988, finalmente, determina a extinção da censura oficial e reconhece o direito à “manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo”.

Pagamos até hoje um preço alto pelas consequências da presença histórica do Estado como censor na vida cultural do país. Não há nenhuma dúvida sobre isso. Seria, todavia, a censura do Estado a única forma de censura ou até mesmo a forma de censura mais atuante nos nossos dias?

Outra censura


Desde a década de 1970 do século passado há o reconhecimento formal de que a liberdade da imprensa está sujeita a um tipo de “censura” que decorre da própria estrutura do mercado das empresas de mídia.

O conceituado Pica-Index (Press Independence and Critical Ability), que registra a independência e a capacidade crítica da mídia, incluiu entre seus indicadores as "restrições econômicas" entendidas como consequências da concentração da propriedade ou de problemas que decorram da instabilidade econômica das empresas jornalísticas.

O Freedom of the Press, publicado anualmente pela ONG Freedom House, também trabalha com uma definição de liberdade da imprensa que inclui variáveis econômicas. Vale dizer, considera que restrições à liberdade da imprensa podem decorrer de fatores econômicos alheios à interferência do Estado (cf. Cristina Holtz-Bacha; “What is ‘good’ press freedom? — The difficulty of measuring freedom of the press worldwide”, 2004; http://www.kwpw.wiso.uni-erlangen.de/publikationen/docs/good_press_freed...).

Tim Wu, professor da Columbia Law School, afirma em seu premiado livro Impérios da Comunicação — Do Telefone à Internet, da AT&T ao Google (Zahar, 2012):

Nos Estados Unidos, é a estrutura industrial que determina o limite da liberdade de expressão. (...) A maior parte dos que estudam [as indústrias da informação do século 20] é obcecada pelo papel do governo na censura e na difusão de incentivos à inovação. Mas o papel do Estado, embora seja significativo, não pode ser comparado ao poder da indústria para censurar a expressão ou reprimir a criatividade.


Lembra ainda que a famosa Primeira Emenda (à Constituição dos EUA) pode proteger os americanos “de limitações à sua liberdade de expressão impostas pelo governo, mas nada diz sobre o que podemos fazer para nos limitar uns aos outros”.

Teria a forte presença do Estado impedido que se consolidassem no Brasil outros tipos igualmente ou mais poderosos de cerceamento à liberdade de expressão? Em circunstâncias históricas específicas, teria a censura oficial coincidido com o interesse privado de empresários da comunicação? Será que o Pica-Index seria um instrumento válido de avaliação da liberdade da imprensa entre nós? As afirmações de Tim Wu sobre os EUA se aplicariam também à Constituição Federal de 1988 e às normas legais brasileiras?

Um pouco de história


A transformação da imprensa em atividade empresarial, no Brasil, se inicia no Segundo Reinado. Da mesma forma, a radiodifusão — primeiro o rádio e depois a televisão — consolida-se na metade do século 20 dentro do trustsheep model americano, isto é, um serviço público explorado prioritariamente pela iniciativa privada e sustentado pela publicidade comercial. Esta, inicialmente permitida em até 10% da hora de programação em 1932, passa para 20% em 1952 e para 25% em 1962, chegando à situação atual, em que canais da TV paga transmitem “exclusivamente” comerciais.

Ao longo do tempo, foi se consolidando aqui um “sistema privado de mídia” oligopolizado, vinculado às elites políticas regionais e locais e regido por uma legislação assimétrica em relação a outros serviços públicos, desatualizada e omissa.

Apesar da introdução e utilização generalizada das TICs — as novas tecnologias de informação e comunicação —, a estrutura básica do “sistema privado de mídia” prevalente no país não sofreu alteração significativa nas últimas décadas.

O ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República Franklin Martins, falando em evento recente sobre o tema “Comunicação: o desafio do século”, afirmou:

O Brasil se tornou um país democrático nos últimos dez, doze anos, e não cabe mais no cercadinho dos grupos oligopolizados de comunicação. O rádio e a televisão não conseguem acompanhar as transformações no país. (...) Queiram ou não os grandes grupos, terá de haver uma nova pactuação. Seguramente, temos a legislação mais antiquada do mundo (http://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2014/04/avanco-da-democracia-... ).

Nossas leis de radiodifusão têm historicamente protegido os interesses empresariais privados dos concessionários desse serviço público, independentemente de qual é o governo, quais são os partidos ou coligações partidárias no poder ou de qual é o regime político. Ademais, os concessionários do serviço público de radiodifusão têm sido capazes de fazer prevalecer seus interesses, tanto no Poder Executivo quanto na articulação de maiorias parlamentares no Congresso Nacional, que impedem a aprovação de modificações estruturais no “sistema privado de mídia” ou ocasionam a revogação de normas legais que poderiam levar a essas modificações.

Na verdade, uma estrutura oligopolista — em que poucos falam e todos escutam, consolidada e amparada por uma legislação antiquada — tem possibilitado a exclusão sistemática da voz (expressão, opinião) de boa parte da população brasileira no espaço público, dando origem a outro tipo de censura, diferente da censura do Estado, que não encontra proteção direta nas normas legais. Em outra ocasião chamei a essa censura de “censura disfarçada” [http://observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed715_a_censura_disfarca...].

Lições para 2014


Embora persista uma desconcertante confusão entre os conceitos de liberdade de expressão e liberdade da imprensa, é inegável que existe hoje uma ampla consciência coletiva sobre a importância crucial da ausência de censura, qualquer que seja, para o bom funcionamento das instituições democráticas. Organismos multilaterais e ONGs de todos os tipos — nacionais e globais — divulgam pesquisas, documentos, índices, rankings, recomendações e fazem lobby em Parlamentos e governos no sentido de assegurar que não exista censura.

Curiosamente, o conceito de censura com o qual trabalham é apenas o da censura oficial, aquela praticada pelo Estado. São raras, raríssimas, as pesquisas, documentos, índices, rankings ou recomendações que se refiram à censura cuja origem é a ação de entidades alheias ao Estado. Ou que se refiram à censura que decorre da estrutura oligopolizada de controle do “sistema privado de mídia”.

Já não seria hora de voltar os olhos também para essa outra censura e denunciá-la?

Venício Lima
No Blog do Miro
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Rede Globo é rechaçada em protesto dos educadores em greve no Rio


Jornal A Nova Democracia — Na manhã do dia 22 de maio, cerca de dois mil profissionais da educação se reuniram em assembleia no Clube Hebraica zona sul do Rio de Janeiro, para decidir os rumos da greve que já entra em sua segunda semana. A categoria deixou a assembleia e saiu pelas ruas em passeata até o Palácio Guanabara, sede do gerenciamento Pezão/Cabral. Milhares de trabalhadores, estudantes e outros lutadores do povo marcaram presença em apoio aos profissionais da educação. PMs fizeram um cordão humano na Rua Pinheiro para impedir a passagem do ato pelo Palácio e até mesmo os moradores do bairro de Laranjeiras foram impedidos de passar.

A Avenida ficou durante duas horas bloqueada pela PM, virando a cidade de pernas para o ar. Quando o trânsito começou a se espalhar pela cidade, uma equipe da Rede Globo rapidamente apareceu, provavelmente para culpar os trabalhadores. Mas o povo não é bobo e tratou de enxotar os funcionários da mais anti-povo das empresas de jornalismo do Brasil.

Depois que a via foi liberada, o ato seguiu em direção ao Palácio da Cidade, sede do gerenciamento Eduardo Paes. No local, um novo bloqueio impediu a passagem dos trabalhadores e moradores de Botafogo. Mais negociação e mais estresse. No entanto, a categoria não perdeu a calma e se impôs diante das seguidas tentativas da PM de desarticular o ato.

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O clipe da Copa que a Globo não vai exibir



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