23 de mai de 2014

Quando se cai na real, a conversa sobre a Copa é outra


Com anos de atraso, a Folha publica hoje um levantamento feito pelos repórteres Gustavo Patu, Dimmi Amora e Filipe Coutinho que, como e diz nas conversas informais, “baixa a bola” dos “gastos absurdos com a Copa do Mundo”.

É o que dá ter raros momentos de jornalismo correto na mídia brasileira, porque não é nenhum “furo”, mas apenas a compilação de dados que são e sempre foram públicos.

A começar pela abertura do texto escrito pelos três:

Mesmo mais altos hoje do que o previsto inicialmente, os investimentos para a Copa representam parcela diminuta dos orçamentos públicos.

Alvos frequentes das manifestações de rua, os gastos e os empréstimos do governo federal, dos Estados e das prefeituras com a Copa somam R$ 25,8 bilhões, segundo as previsões oficiais.

O valor equivale a, por exemplo, 9% das despesas públicas anuais em educação, de R$ 280 bilhões.

Em outras palavras, é o suficiente para custear aproximadamente um mês de gastos públicos com a área.

E eles próprios se encarregam de dizer que nem sequer é assim, porque estes gastos diluíram-se pelos últimos sete anos e, sobretudo, porque uma parte ( a maior parcela, 32%) é feita com financiamentos de bancos públicos (quase toda do BNDES) e vai retornar.

Adiante falarei dela.

Bem, do gráfico publicado, conclui-se que o Governo Federal gastou R$ 5,8 bi diretamente com a Copa: R$ 2,7 bi na modernização e ampliação dos aeroportos, R$ 1,9 em segurança pública — quase tudo equipando, a fundo perdido, as polícias estaduais —, R$ 600 mil em portos, R$ 400 mil em telecomunicações e R$ 200 milhões em gastos diversos.

Aeroportos e portos, além de serem serviços públicos essenciais ao desenvolvimento econômico, geram receitas de tarifas e concessões.

Nenhum tostão, como você vê, em estádios.

Do dinheiro dos estádios, um total de R$ 8 bilhões, perto da metade veio de financiamentos federais, através do BNDES, de duas formas: debêntures e empréstimos.

Debêntures são “letras” financeiras e, no caso do estádio, seus tomadores pagam 6,2%% de juros mais a inflação do período.

No caso dos empréstimos, os tomadores, além de oferecer garantias, têm de pagar  TJLP (taxa de juros de longo prazo), que de 2009 para cá variou entre 6,25% e 5%, mais  1,4% (taxa  BNDES + intermediação financeira), mais risco de crédito (até 4,18%), além da taxa que o o tomador pagará a o banco operar o crédito. No total, portanto, pagam juros muito semelhantes (em geral um pouco maiores, em alguns momentos frações de centésimo menores) que a taxa de juros com que o Governo capta dinheiro no mercado.

Isso quer dizer que não houve empréstimo subsidiado pelo Governo Federal?

Sim, houve,  maiores. E continuam existindo, independente de Copa.

São os recursos para obras de mobilidade urbana que, só nos empreendimentos ligados à Copa, receberam R$ 4,4 bilhões.

Como é isso: o BNDES financia contrando TJLP + 2% no caso de o empréstimo ser tomado por Estados e Municípios ou por TJLP + 1% + risco de crédito de até 4,18% no caso do financiamento ser feito por empresa privada.

Convenhamos que  é uma forma muito mais adequada de o banco usar seus recursos em favor da população do que, como fez em 2002, aplicar R$ 281 milhões (R$ 1 bilhão, hoje, corrigidos pela taxa Selic) na Net, então propriedade dos Marinho (a família mais rica do Brasil), que estava enforcada de dívidas.

No caso dos Estados e Municípios, a grande maioria, boa parte dos gastos vem  das contrapartidas locais para obras de mobilidade (R$ 2,4 bi, ou 41%) e os restantes R$ 3,3 bilhões em gastos diretamente com obras dos estádios e com as do seu entorno (ruas, praças, pátios, passarelas).

Os números insuspeitos publicados pela Folha vêm na mesma linha daquilo que ontem se comentou aqui.

Tirando os gastos imprevistos de três governos estaduais (Sérgio Cabral , com o Maracanã, Agnelo Queiroz, com o Mané Garrinha e Aécio Neves-Anastasia como Mineirão, que começou as obras ainda na gestão do atual candidato do PSDB à Presidência), os outros dois estádios que custaram muito mais do que o inicialmente previsto, o Beira-Rio e o Itaquerão, foram  tocados pela iniciativa privada.

Há uma hidrofobia de direita implantada na mídia e em parte da classe média que eclipsa qualquer capacidade de exame racional dos fatos.

Se eu fosse um obtuso irracional, que não reconhecesse o direito de uma categoria profissional essencialíssima , como a dos professores, poderia dizer que se gastou muito mais que aquele “um mês” de Educação que a Copa custou com as greves e paralisações (em geral, justas) do magistério.

E isso seria uma apelação, porque eu estaria colocando nos direitos dos professores a “culpa” das nossas históricas carências no setor.

Colocar na Copa a “culpa” pelos problemas da educação, da saúde, da assistência social, da habitação é, igualmente, uma estupidez.

Que só tem um fundamento, embora a maioria dos que fazem isso não o percebam: as eleições.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Como funcionou a Privataria do futebol brasileiro




O Lado Sujo do Futebol, da Editora Planeta, entre outras histórias conta a da privatização do futebol brasileiro. Primeiro por João Havelange, em seguida por Ricardo Teixeira, que Amaury Ribeiro Jr., autor de A Privataria Tucana, define como “o quarto irmão Marinho”. Isso porque, obviamente, a privataria do futebol serviu a gente poderosa: Roberto Marinho e os filhos, por exemplo.

A investigação foi um trabalho coletivo, assinado por Amaury Ribeiro Jr., Leandro Cipoloni, Luiz Carlos Azenha e Tony Chastinet.

Abaixo, um aperitivo, conforme antecipado pelo blog do Juca:

Amigos íntimos

“Esse carro teve um desastre nos Estados Unidos. E faleceu uma pessoa que era muito querida minha.” Ricardo Teixeira

O caminho que nos leva até a fonte do mistério corta os pântanos da Flórida, nos Estados Unidos. Nossa viagem vai de norte a sul, de Orlando a Miami. Paramos para abastecer. O bando de corvos que cerca a lanchonete anexa ao posto de gasolina dá um ar surreal à nossa missão, que faz lembrar os contos cavernosos de Edgar Allan Poe. Mas o nosso objetivo é justamente separar ficção de realidade. Estamos atrás da verdade escondida no acidente que pode ter mudado a história do futebol mundial.

Na saída 193, fazemos o retorno na Florida Turnpike e ajustamos o contador de quilometragem. Após 26 quilômetros, paramos no acostamento, no ponto exato indicado por um boletim de ocorrência em nossas mãos. Um carro da polícia rodoviária para em seguida. Educado, o policial nos adverte que só se pode estacionar ali em casos de emergência. Explicamos o motivo de nossa presença. “Façam o que for preciso e saiam depressa.”

Um de nós já está dentro da mata. Seus gritos fazem mais barulho que o motor da viatura policial que arrancava dali. No meio da lama, peças antigas de um automóvel — um friso de plástico, um pedaço de para‐choque. Coincidência ou não, aqueles pedaços de carro nos enfiam num túnel do tempo. Voltamos a outubro de 1995, uma sexta‐feira 13.

Passava pouco da meia‐noite quando um luxuoso BMW preto cortava em alta velocidade a Turnpike. Com o pé firme no acelerador, uma bela jovem carioca, morena, esguia, cabelos lisos escuros, sobrancelhas arqueadas. Adriane usava colares, pulseiras e anéis dourados. Estava acompanhada por Lorice, a quem havia buscado no Hotel Marriot, em Boca Raton.

Era uma noite típica dos outonos no Estado do Raio de Sol, lema oficial da Flórida: 25 graus, céu limpo. Numa fração de segundos, o carro se desgovernou a mais de 160 km/h. Rodopiou, capotou e caiu em um lago. A jovem morena ficou presa nas ferragens. A amiga, ferida, foi retirada do veículo por motoristas que pararam no local. Adriane de Almeida Cabete, de 23 anos, morreu afogada na madrugada daquela sexta‐feira. O acidente encerrou o conto de fadas que ela começara a viver meses antes no Brasil.

A maior parte desse conto de fadas havia se passado na Flórida, terra dos parques de diversão da Disney, em Orlando. Uma das principais atrações por lá é o Castelo da Cinderela, cópia do original de Neuschwanstein, na Alemanha, cenário da história da moça pobre que uma fada‐madrinha transforma em princesa. Para a estudante Adriane, nascida e criada perto do morro do Alemão, subúrbio do Rio de Janeiro, o condomínio de luxo Clube do Polo, em Delray Beach — de onde ela teria saído pilotando sua carruagem conversível —, era a materialização de um castelo. Na fábula, o encanto de Cinderela se quebra à meia‐noite.

O acidente que transformou em abóbora o mundo de Adriane ocorreu aos seis minutos da madrugada. Na história infantil, o sapato de cristal perdido por Cinderela ao descer correndo a escadaria do palácio do baile real leva até a moça o príncipe do final feliz. Na história de Adriane, o conversível puxa o fio da meada deste livro‐reportagem: o veículo estava em nome de Ricardo Teixeira – à época, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), dono do futebol brasileiro então tetracampeão mundial e casado com Lúcia Havelange, filha do na época todo‐poderoso presidente da Fifa, João Havelange.

Um eventual relacionamento de Ricardo Teixeira com Adriane, 35 anos mais nova que ele, seria uma questão privada se não houvesse no caso detalhes intrigantes. Lorice Sad Abuzaid, a amiga de Adriane, era na data do acidente empregada de Wagner José Abrahão, empresário de turismo, parceiro de negócios de Ricardo Teixeira e beneficiário de contratos suspeitos com a CBF. Desde 1995, as contas bancárias de Lorice, Wagner e Ricardo Teixeira só aumentaram. E, pelas revelações a serem feitas neste livro, vão crescer ainda mais com a Copa do Mundo do Brasil em 2014.

Adriane é apontada como pivô da separação do cartola e Lúcia Havelange e do estremecimento com o sogro que o havia lançado e protegido no futebol. O objetivo desta reportagem é separar boatos da realidade e responder perguntas que o episódio levanta. São questões de interesse público e não de vida privada. A investigação, como se verá, traz à luz uma rede de conexões, irregularidades e indícios que, embora tenham ocorrido na paisagem ensolarada de Miami, são de fato bastante sombrios.

* * *

“Isso é um assunto pessoal. Vocês não têm autorização para falar sobre isso. Minha mãe e doutor Ricardo Teixeira estão afinados para processar vocês”, ameaçou por telefone, aos gritos, a advogada Yolanda, filha de Lorice, ao ser questionada por nós.

No final de 2013, documentos disponíveis na Junta Comercial do Rio de Janeiro, em repartições e cartórios públicos provavam que Yolanda está equivocada. O acidente não é assunto meramente pessoal. Ao contrário: desvenda o envolvimento do ex‐presidente da CBF com Wagner José Abrahão, um dos principais beneficiários dos negócios envolvendo CBF e Fifa em torno da Copa do Mundo no Brasil.

Os documentos mostram que, na época do acidente, Lorice, a sobrevivente, já era funcionária de Abrahão. Foi ela também quem arranjou trabalhos esporádicos para Adriane na agência de viagens contratada pela CBF. Esses primeiros contatos foram fundamentais para que a jovem frequentasse o mundo de Teixeira em Miami.

Com exceção da família de Adriane, que vive ainda no mesmo apartamento humilde na zona norte do Rio, as demais pessoas ligadas ao acidente enriqueceram, e muito, nas últimas duas décadas. Lorice era uma simples funcionária de uma das empresas de Abrahão, dono da agência contratada para organizar as viagens da seleção brasileira e dos dirigentes da CBF (inclusive na Copa de 1994, que acontecera no ano anterior, nos Estados Unidos). Na ocasião, aos 40 anos, morava com o marido, um advogado trabalhista. Os dois dividiam um apartamento de classe média no centro de Niterói.

No ano da Copa no Brasil, Lorice — vítima e testemunha do acidente — é ex‐sócia de Abrahão, que, por sua vez, tem negócios nem sempre claros com Ricardo Teixeira. Abrahão, dono do Grupo Águia, dividiu com outra empresa, a Traffic (de J. Hawilla, amigo pessoal do cartola), o direito de comercialização dos pacotes de “hospitality” (os ingressos VIPs) da Copa de 2014, uma das partes mais lucrativas do evento. A previsão era de que o negócio chegaria a quase R$ 1 bilhão somente com a venda dos 210 mil pacotes para o mercado brasileiro. Não é difícil adivinhar quem ajudou Abrahão na jogada: Ricardo Teixeira.

Divorciada, a hoje gerente de viagens Lorice deixou o apartamento de Niterói e vive com a filha Yolanda em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio. Investe em imóveis no bairro. É fã de Ronaldo Fenômeno, Kaká, Ronaldinho Gaúcho e Neymar. Admiradora da seleção brasileira, tornou‐se vizinha de artistas e jogadores de futebol. Como o círculo de amizades, também a aparência mudou substancialmente.

Aos 60 anos, em lugar da pele pálida da época do acidente, Lorice exibe corpo bronzeado e vestidos de grife. Apesar dos quase 20 anos decorridos da tragédia, aparenta estar mais jovem. “Em terra em que leoa reina, cachorra nenhuma põe a pata”, postou recentemente na rede social Facebook. Ilustra a frase a foto de um sapato de salto alto vermelho e preto, cores do Flamengo — time de seu coração, assim como de Ricardo Teixeira.

O momento que fez Lorice se sentir a rainha da floresta aconteceu em 12 de maio de 1999. Três anos e sete meses após o acidente, ela se tornou sócia e gerente em uma das empresas de turismo de Abrahão no Rio, a RM Freire Viagens e Turismo Ltda.

De acordo com a Junta Comercial do Rio de Janeiro, o empresário recorreu a um artifício para camuflar a sociedade com a ex‐funcionária. Em vez de entrar na companhia como pessoa física, usou duas firmas de sua propriedade para ingressar no quadro societário da RM: a Iron Tour Operadora Turística Ltda. e a Thathithas Empreendimentos e Participações Ltda. Lorice deixou o quadro da empresa em outubro de 2000. A agência passou a ser administrada pelo próprio Abrahão. Mas a agente de viagens continua no Grupo Águia. Despacha diariamente na Barra da Tijuca, onde se tornou uma das principais executivas da empresa.

Quanto a Wagner Abrahão, patrão e ex‐sócio de Lorice, ele se deu muito bem com a Copa de 2014. A expectativa era que ele faturasse cerca de meio bilhão de reais com o torneio. É uma grande fatia do bolo de turismo da Copa — bolo que, de acordo com estimativas talvez um tanto exageradas do Ministério do Esporte, divulgadas em 2010, movimentará R$ 9,4 bilhões durante o Mundial. Mais de 40% trazidos por turistas estrangeiros.

O amigo de Teixeira, no entanto, não se satisfez. Quatro agências de turismo do Grupo Águia foram indicadas pela CBF para operar o contrato de publicidade da entidade com a TAM: a Pallas Operadora de Turismo Ltda., a Top Service Turismo Ltda., a One Travel Turismo Ltda. e a Iron Tour Operadora Turística Ltda. Lembra dessa última? É a mesma agência que foi sócia de Lorice na RM Freire Viagens e Turismo Ltda. De acordo com o contrato assinado por Teixeira antes de deixar a CBF, a TAM pagava US$ 7 milhões por ano para patrocinar a seleção brasileira, uma bolada que era depositada mensalmente na conta de uma das quatro agências. (Em 2013, o sucessor de Ricardo Teixeira na CBF, José Maria Marin, quebrou esse esquema para montar o próprio: assinou com a Gol.)

O sucesso de Abrahão no ramo do turismo é antigo. Nasceu nos anos 70, com a Stella Barros, uma das pioneiras na venda de pacotes de viagens para a Disney. Mas os negócios do grupo aceleraram mesmo foi na relação com o futebol. Paulista, Abrahão, que sempre trabalhou no Rio, firmou‐se no mercado de turismo esportivo na Copa do Mundo da Espanha, em 1982. A trajetória de suas empresas nesses mais de 30 anos foi marcada por denúncias de fraude e polêmicas.

Em 1994, na Copa dos Estados Unidos, a empresa já era a agência oficial da CBF, contratada sem concorrência para organizar as viagens da seleção brasileira e dos dirigentes, sob o nome SBTR Passagens e Turismo Ltda. Na Copa da França, em 1998, o grupo foi acusado de lesar os torcedores. Apesar de comprarem ingressos com meses de antecedência, os clientes de Abrahão tiveram que assistir à final, entre Brasil e a seleção da casa, do lado de fora do Stade de France. O empresário foi processado e teve de pagar fiança para deixar o país.

Na Copa da Alemanha, oito anos depois, foi acusado de outra ilegalidade: obrigar os turistas a comprar ingressos dos jogos casados com pacotes turísticos. Ele e Ricardo Teixeira foram denunciados pelo Ministério Público e processados por crimes contra a ordem econômica e as relações de consumo, pela venda casada. Para os promotores, Teixeira deu vantagens indevidas à Iron Tour, de Abrahão, a única autorizada pela CBF a vender os ingressos. Em janeiro de 2007, porém, a Justiça absolveu a dupla. Alegou‐se que o Ministério Público não apresentou nenhuma prova de que outra empresa havia se interessado pelos pacotes.

Em 2000 e 2001, uma das agências de Abrahão, a Stella Barros, foi investigada pela CPI da Nike. Em apenas dois anos, entre 1998 e 2000, a SBTR recebeu da CBF R$ 31.104.293,89, quase três vezes mais que as 27 federações ligadas à entidade. Segundo o relatório da comissão, a agência, que operava para a CBF, teria montado esquema de lavagem de dinheiro por meio de superfaturamento de passagens aéreas e diárias de hotéis.

À CPI, Ricardo Teixeira tentou minimizar sua relação com Abrahão. Disse que, ao assumir a CBF, apenas manteve uma empresa que já prestava serviços à entidade e que tinha sido uma decisão “da diretoria”. Na ocasião, o deputado Dr. Rosinha pensou alto: “Há uma suspeita minha, pelo menos, que a Stella Barros está servindo como um dos caminhos de desvio de dinheiro da CBF”. Mas a CPI não foi além das suspeitas. O relacionamento seguiu íntimo e lucrativo. Sobrevive até hoje, com as operações milionárias da Copa no Brasil. Os segredos da Flórida, pelo jeito, ainda movimentam muito dinheiro.

Uma parcela desse dinheiro parece esconder‐se em transações imobiliárias favorecendo Ricardo Teixeira. Apesar de ter acumulado um patrimônio considerável nos 23 anos em que esteve no comando da CBF (1989‐2012), o dirigente também recebe agrados do amigo Abrahão. Em 2011, a apuração da série de reportagens sobre a Máfia do Futebol exibida pela TV Record revelou que, em escritura lavrada no 9o Cartório de Registro de Imóveis do Rio de Janeiro, Cláudio Abrahão — irmão e sócio de Wagner Abrahão no Grupo Águia — vendeu para o cartola uma cobertura na Barra da Tijuca, em 2009, por R$ 720 mil. É o mesmo valor que o empresário havia pago pelo imóvel cinco anos antes. Só que, na escritura, Cláudio lançou o valor de R$ 2 milhões para a base de cálculo do imposto. Na época, corretores da região avaliaram o imóvel em pelo menos R$ 4 milhões.

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Amaury com o pedaço de um automóvel encontrado exatamente onde se acidentou a amiga de Ricardo Teixeira, na Flórida. O friso estava enterrado na lama na mata além do acostamento.
(Fotos Luiz Carlos Azenha)
A cobertura mais que subfaturada não é o único rolo imobiliário de Ricardo Teixeira. Situação bem semelhante se repete no contrato do aluguel da mansão do cartola no condomínio Polo Club, em Delray Beach, ao norte de Miami, como revelaremos adiante. O cartola frequentava o lugar até 2013.

Foi desse condomínio que Adriane, a amiga “muito querida” de Teixeira, teria partido para a morte no BMW preto conversível na noite de 12 de outubro de 1995. Estivemos na mansão, em janeiro de 2014, atrás de documentos e indícios do acidente em torno do qual giram as relações nebulosas entre Teixeira, Lorice e os irmãos Abrahão.

Na mesma viagem, conhecemos a State Road 91, ou Florida Turnpike, local da tragédia. Comparada às estradas brasileiras, a Turnpike é bastante segura. Com quatro pistas, duas de cada lado, possui boa drenagem e amplos acostamentos. Não se nota nenhuma falha ou buraco na pista. Vigilantes atentos fazem rondas em todos os trechos da rodovia. Basta um veículo encostar e em menos de cinco minutos um xerife se aproxima em carro oficial ou camuflado, como aconteceu conosco.

Bandos de corvos se amontoam sobre placas de sinalização. Embora tenham penas negras brilhantes e um grasnido muito semelhante ao das gaivotas, nos Estados Unidos esses pássaros são considerados um mau presságio. Mais impressionantes que as aves soturnas são os outdoors com fotos de advogados ao longo do trajeto. Sem nenhum constrangimento, eles se oferecem para processar o Estado da Flórida em caso de acidente na pista da morte.

No trecho em que se acidentou, Adriane enfrentou algumas curvas suaves – e só. O lugar de onde ela saiu da pista é no meio de uma longa reta, tornando improvável que tenha perdido o controle por causa da velocidade. Na noite da tragédia, a pista estava seca. De acordo com o laudo assinado pelo cabo Fredrick Brown, da Polícia Rodoviária da Flórida, encarregado da investigação 795.68.23, Adriane seguia na pista interna, rumo a Orlando, quando freou bruscamente e desviou para a direita, por motivo ignorado. O carro atravessou o acostamento e começou a rodopiar num gramado ao lado da rodovia. Capotou uma vez e meia e caiu de cabeça para baixo dentro de um lago, que hoje está seco. Resta uma imensa poça de lama. No acostamento, brotou um jardim natural de flores amarelas e lilases.

Testemunhas que passavam pelo mesmo trecho da rodovia disseram que o BMW dirigido por Adriane viajava a mais de 160 km/h. Uma delas, Michael Lyons, afirmou ter visto uma pequena nuvem de fumaça ou poeira saindo do lado esquerdo do conversível antes do acidente. Outro motorista, Mike Gonzalez, disse que o carro dirigido pela brasileira viajava em alta velocidade, com as luzes desligadas. Segundo a perícia, a primeira marca de freada no asfalto ficou a cerca de 340 metros de onde o automóvel parou, indício de que Adriane estava acima da velocidade recomendada para o local, de 100 km/h. Mike Gonzalez, o motorista que parou para socorrer, disse à polícia que, ao descer da rodovia para o lago, encontrou a passageira Lorice aos gritos, pedindo socorro.

“Eu e meu amigo corremos em direção ao carro, mas não conseguíamos ver nada. Quando enfiei a mão no carro, senti a mão da outra vítima, e comecei a gritar se ela estava OK. Não houve resposta. Dei a volta e comecei a chutar a porta até ela abrir, tirei a vítima e as outras pessoas ajudaram eu e meu amigo a carregá‐la”, contou no testemunho à polícia.

Adriane foi declarada morta à 1h30 da manhã, no Hospital St. Cloud, pelo serviço de emergência médica do condado de Osceola. Exames demonstraram que ela não tinha consumido álcool, nem drogas. “A motorista do veículo 1 se afogou ao ficar presa pelo solo úmido do fundo do canal”, registrou o cabo Brown. Ele culpou Adriane pela própria morte. Seguindo a recomendação do policial, a promotoria da Flórida não abriu inquérito para apurar homicídio. De acordo com o atestado de óbito, Adriane era estudante de secretariado.

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Pela primeira vez, a mãe de Adriane falou sobre o assunto fora do círculo familiar. Conversamos com Mariza pouco antes do Natal de 2013, uma época que acentua a saudade da família. “Deixem isso quieto. Minha filha é sagrada.” Em entrevista gravada pelo interfone de sua casa, contou um pouco sobre a vida de Adriane. “Minha filha foi para os Estados Unidos por intermédio da Lorice, amiga da família há anos. Ela (Adriane) estudava e trabalhava. Tudo que minha filha tinha era fruto do trabalho dela.” Mariza relata que Adriane prestava serviços para Lorice, que era agente de turismo da CBF. As duas viajavam sempre juntas.

Viúva há três anos e doente, Mariza conta que a família não se conforma até hoje com a perda da filha Adriane. Aos 73 anos, ela diz que nunca havia falado antes no nome do ex‐presidente da CBF. Qualquer insinuação de que a filha possa ter tido um caso com o Ricardo Teixeira provoca indignação em toda a família. “Não conheço esse moço, não sei quem ele é. Só sei que o carro era aquele, em que minha filha morreu”, disse. “Me esqueça, pelo amor de Deus. Eu nunca vou falar sobre isso. Passou. Já foi.”

Além da dor pela perda da filha, Mariza tem outro motivo para desejar ser esquecida pela imprensa. Segundo o jornalista Juca Kfouri, a CBF pagava, pelo menos até junho de 2011, o plano de saúde da mãe de Adriane, que nunca foi funcionária da confederação, no valor de R$ 612 mensais.

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Foi Juca Kfouri quem revelou o acidente que matou a filha de Mariza. Em sua coluna na Folha de S.Paulo de 23 de outubro de 1995, deu a notícia da tragédia e informou que, por causa de Adriane, o casamento entre Ricardo Teixeira e Lúcia Havelange havia entrado em crise.

“A pivô da possível separação — que traria consequências óbvias para o futuro do futebol brasileiro — morreu num acidente de automóvel no último dia 12 de outubro, na estrada que liga Miami a Orlando. Ela teria dormido ao volante, capotado três vezes e caído num lago à beira da estrada. Atendida, faleceu na ambulância”, escreveu.

A informação estava correta no geral, apesar da imprecisão nos detalhes: segundo a polícia da Flórida, o acidente aconteceu na madrugada do dia 13 e o número de capotagens noticiado não corresponde ao que consta na investigação oficial. O parágrafo seguinte deu uma informação nunca confirmada: “O presidente da CBF estava com ela, algo que a família da jovem nega, mas que os amigos íntimos confirmam detalhadamente, ressalvando que Teixeira prestou toda a ajuda necessária, embora buscando não se envolver publicamente com o episódio”.

A coluna, com o título Interesse público, causou um furacão no meio esportivo. Em longa entrevista à revista Playboy, em dezembro de 1999, o presidente da CBF foi questionado pelo repórter Carlos Maranhão se “teria se envolvido em um acidente de carro na Flórida em que morreu uma brasileira que seria sua namorada”. Teixeira respondeu: “Não houve nenhum acidente comigo. Eu não me encontrava na Flórida nem nos Estados Unidos nesse dia. Sabe onde eu estava? Assistindo a um jogo entre Brasil e Uruguai, em Salvador, ao lado de Antônio Carlos Magalhães. Como esse fato podia ser facilmente comprovado, surgiu depois uma nova versão: eu teria ido de Salvador para Miami de jatinho, apanhado um carro e me envolvido no tal acidente. Ora, fui de Salvador para o Rio de Janeiro junto com a delegação, e esse também é um fato público. Trata‐se de uma infâmia. Mas, para alguns, virou verdade”. Nenhum documento oficial sobre o acidente cita a presença de Teixeira no automóvel.

Sobre Adriane, nenhuma palavra. Não negou, nem assumiu que a vítima fosse sua namorada. Kfouri mantém a informação: “Ela era namorada dele. Consta até que ele foi muito correto com os familiares dela e que os atendeu muito bem”, conta o jornalista, que nunca foi desmentido ou processado pela revelação bombástica.

A notícia da morte da “pivô de sua separação” em um jornal de circulação nacional incomodou Teixeira. Pode ter enterrado de vez qualquer chance de reconciliação com Lúcia. Algum relacionamento existia entre Adriane e Teixeira. Ele mesmo admitiu em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada no Congresso Nacional em 2000 – cinco anos após o acidente – para investigar contratos da CBF com a Nike, fabricante de material esportivo e patrocinadora da seleção desde junho de 1996. O cartola falou sobre a jovem ao ser questionado pelo deputado Dr. Rosinha (PT‐PR).

— Tem também um BMW do senhor, que não está declarado no Imposto de Renda. O BMW dos Estados Unidos.

— Excelência, o senhor sabe que um carro ou qualquer propriedade que se tenha, e que ele entre e saia no mesmo ano, você não precisa declarar – respondeu Teixeira.

— Esse carro era do senhor, o senhor era proprietário e vendeu no mesmo ano?

— Excelência, acho que o senhor está querendo chegar a uma coisa que para mim é muito triste.

— Eu não vou chegar a lugar nenhum que seja triste para ninguém – retrucou o parlamentar.

— Esse carro teve um desastre nos Estados Unidos… e faleceu uma pessoa que era muito querida minha.

Era tão querida que, segundo a investigação da polícia norte‐americana, o endereço que constava da carteira de habilitação de Adriane era no mesmo condomínio da casa de Teixeira. No documento da moça, estava registrado: 16881, Knightsbridge Lane, Delray Beach.

O automóvel do presidente da CBF estava registrado no número 16879 da mesma rua. Fomos investigar.

* * *

O condomínio onde morava Ricardo Teixeira, em Delray Beach; de lá, mudou-se para uma casa ainda mais luxuosa, em Miami.
Delray Beach é fruto da tremenda expansão imobiliária ocorrida na Flórida a partir de Miami, ao sul em direção a Homestead e ao norte em direção a West Palm Beach. Na imensa faixa de areia banhada pelo oceano Atlântico se instalaram aposentados vindos de outras partes dos Estados Unidos para fugir do frio e investidores da América Latina, muitos deles trazendo dinheiro sujo para a “Lavanderia Flórida”. Ao contrário da areia branca e fina da maioria das praias do vizinho Caribe, ali a areia é escura e grossa. A paisagem deve muito em beleza se comparada com os destinos turísticos do Nordeste do Brasil. O grande atrativo fica aquém da areia barrenta: as mansões em condomínios oferecidas a preços relativamente acessíveis para quem quer investir dinheiro de forma segura, longe de casa.

Outra vantagem da Flórida é a facilidade de, a partir dali, fazer negócios com os paraísos fiscais, como as ilhas Cayman, no Caribe, e outros. Muita gente tem empresa registrada nas ilhas sem nunca ter estado lá: são meros ancoradouros para dinheiro de origem indefinida. No mundo das transações eletrônicas, o dinheiro gira fisicamente, de fato, nas contas bancárias de Miami. A cidade dispõe de um exército de advogados dispostos a ajudar quem pretende montar empresa ou esconder dinheiro.

Foi nesse cenário que Ricardo Teixeira se instalou. O condomínio Polo Club impressiona. Quem estaciona próximo à portaria assiste a um desfile de carrões: Mercedes, Camaros, Porsches. Um dos seguranças — de farda cáqui e chapéu, à semelhança dos xerifes do policiamento ostensivo norte‐americano – nos informou que o número 16881 da Knightsbridge Lane, que constava da carteira de motorista de Adriane, não corresponde a um imóvel. Mas o número 16879 é, sim, de uma casa: a de Ricardo Teixeira.

O visitante que percorre as ruas do condomínio encontra jardins bem cuidados, no estilo marcante da região: não há muro entre as casas. É um lugar silencioso, sem a violência e o estresse das metrópoles. A Knightsbridge Lane é uma rua circular. No meio dela há um lago artificial. A casa que Teixeira chegou a ocupar ali, a primeira dele na Flórida, é confortável, com 215 metros quadrados, três quartos e piscina integrada a um lago nos fundos, compartilhado com os vizinhos. O imóvel estava em nome de uma empresa, a Globul, com sede no principado de Liechtenstein, micropaís encravado nos Alpes, localizado entre a Áustria e a Suíça. O local é um refúgio fiscal europeu conhecido por garantir sigilo absoluto a quem usa seu sistema bancário.

Mas, no dia 13 de dezembro de 2000, foi autorizada a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Ricardo Teixeira no Brasil pela CPI da Nike, criada para investigar os negócios da CBF. Na declaração do Imposto de Renda do dirigente em 1997, apareceu um depósito de R$ 12.185,55 à Globul. Segundo Teixeira, tratava‐se do pagamento do aluguel da casa de Miami, referente a todo o ano anterior. Perto de R$ 1.000 por mês (R$ 5 mil em valores atuais). Os parlamentares desconfiaram da versão de Teixeira. Cobraram provas. O presidente da CBF enviou um contrato de aluguel, assinado em 15 de março de 1995 — sete meses antes do acidente de Adriane. O custo mensal: US$ 1.500. Mas os membros da CPI foram além: telefonaram para uma corretora de imóveis em Miami, que garantiu que o aluguel de uma casa como essa, naquela região, não sairia por menos de US$ 5 mil por mês.

Em 1996, poucos meses depois do acidente em que morreu Adriane, a casa foi vendida para um casal norte‐americano. Quem intermediou? A Solimare International Inc., empresa de um amigo de Ricardo Teixeira, o empresário paulista Waldemar Verdi Junior. Mas o dirigente não ficaria muito tempo sem ter um teto na região. Logo depois, em abril de 1997, a mesma Solimare intermediou a compra de uma casa no mesmo condomínio. Dessa vez, porém, o tamanho era três vezes maior. Adivinhe para quem! Para a mesma Globul.

Agora, chute quem foi morar lá! Não é preciso ser muito esperto: Ricardo Teixeira. Segundo consulta feita pela CPI junto ao registro de imóveis da Flórida, o valor da transação foi de US$ 924.400. Mais uma vez, Teixeira disse que não era o dono da casa, e que pagava aluguel à Globul pelo imóvel de 600 metros quadrados, no número 5896 da Vintage Oaks. Em 2001, o grand finale: a Globul vendeu a casa a Ricardo Teixeira, por US$ 800 mil. Ou seja, a empresa topou repassar ao cartola a propriedade com uma desvalorização de quase US$ 125 mil! É como se você vendesse sua casa por um valor 14% menor ao que você desembolsou quatro anos antes.

Nas páginas 192 e 193 de seu relatório final, a CPI lançou mais questionamentos sobre as transações de Teixeira: “Em 26 de dezembro de 2000 (a CPI CBF/NIKE acabava de ser instalada), no penúltimo dia útil do ano, numa mesma data, Ricardo Teixeira fez duas remessas de dinheiro para o exterior, transferências internacionais de reais, em seu próprio nome: uma de US$ 602.160,00 e outra de US$ 246.628,44. As duas remessas foram através do Rural International Bank, de Nova York”. São desconhecidos os objetivos dessas remessas.

Era um período em que o cartola estava sob a lupa de investigadores. Se pretendia regularizar a “compra” da casa em Miami, para poder declará‐la ao Imposto de Renda de 2001 no Brasil, livrando‐se de eventuais problemas, esse seria o caminho. Aliás, no seu depoimento à CPI Teixeira manifestou intenção de incluir a casa na próxima declaração de renda. Ainda assim, sempre negou ser dono ou sócio da Globul. Fez isso em relação a outra empresa muito mencionada mais adiante, neste livro: a Sanud. Porém, neste caso, foi desmentido espetacularmente.

* * *

Cartola brasileiro protagonizou um caso digno dos corvos de Edgar Allan Poe
Quando a tragédia da morte de Adriane na Flórida aconteceu, o presidente da CBF tinha 48 anos de idade. Estava casado há 23 com Lúcia, a filha de João Havelange. Ainda saboreava as glórias de uma vitória recente. No ano anterior a seleção brasileira havia conquistado o primeiro título mundial sob o comando de Teixeira – curiosamente, ou não, nos mesmos Estados Unidos. A vitória nos pênaltis contra a Itália veio quando Roberto Baggio, principal craque rival, chutou a bola por cima do travessão defendido pelo goleiro Taffarel. Um chute nas arquibancadas consolidou a imagem do cartola como vencedor!

Enquanto milhões de brasileiros soltavam o grito da vitória entalado na garganta por 24 anos, Teixeira dava o seu grito da independência. Até aquele momento, ele ainda era somente o “genro”. Havia alcançado o cargo mais importante do esporte nacional, em 1989, sem ter dirigido um clube sequer. Fora alçado ao cargo de presidente da confederação de um país apaixonado por futebol pelas mãos de João Havelange.

Quando Dunga levantou a taça no estádio Rose Bowl, Teixeira finalmente começou a sair da sombra do sogro. Com uma distinção clara em relação a Havelange: enquanto este sempre se movimentou discretamente nos bastidores, tendo no jogo político sua principal arma, Teixeira era ousado e arrogante. Ao longo da carreira, o homem que nunca jogou bola trombou com alguns dos maiores ídolos do futebol brasileiro, dentre os quais Pelé, Zico, Romário e Ronaldo.

Na embriaguez da vitória na Copa dos Estados Unidos, Teixeira expôs outro traço de sua personalidade: a crença na impunidade. O cartola bancou o que se tornou conhecido na crônica esportiva como a mãe de todos os voos da muamba: 11 toneladas de bagagem extra de jogadores e cartolas entraram no avião que trouxe a delegação campeã de volta ao Brasil. Quando a Receita Federal interveio, Teixeira mexeu os pauzinhos em Brasília. Conseguiu liberar a bagagem da galera. Mais tarde, a CBF assumiu o pagamento de cerca de R$ 50 mil em impostos, por causa de uma ação na Justiça.

O escândalo nem chamuscou Teixeira. Para ele, o único voo que importava era o que o levaria a Zurique, para o lugar de Havelange. Depois de 20 anos, o presidente da Fifa pensava em aposentadoria — e, claro, em sua sucessão. O projeto era entregar o cargo ao genro e deixar tudo em família.

Tudo caminhava bem, até aquela sexta‐feira 13, em outubro de 1995, quando a morte de Adriane na rodovia dos corvos mudou a sorte de Teixeira. E alterou de forma definitiva sua relação com Havelange, iniciada quase 30 anos antes, sob uma chuva de confetes.

No Viomundo
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Tucanos fazem mapa das linhas do Metrô com estações que 'nô ecxistem'


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Moradores do MS fazem campanha contra a Globo


Em menos de duas semanas, jornalistas da emissora confundiram três vezes o estado com o vizinho Mato Grosso; participantes do movimento prometem entregar camisas com a frase "Mato Grosso do Sul, Por Favor" para William Bonner, âncora do Jornal Nacional, e para Ana Maria Braga, do 'Mais Você'; página da campanha no Facebook tem quase 40 mil pessoas

Moradores do Mato Grosso do Sul se mobilizaram em uma campanha contra a Rede Globo, que, em menos de duas semanas, confundiu o estado com o vizinho, Mato Grosso, ao veicular matéria envolvendo a prisão do governador de MT, Silval Barbosa (PMDB) — já liberado. Os participantes do movimento prometem entregar camisetas com a frase "Mato Grosso do Sul, Por Favor" para William Bonner, âncora do Jornal Nacional, e para Ana Maria Braga, do programa Mais Você.

A página do movimento tem quase 40 mil pessoas no Facebook. "A Globo 'vende' a imagem que seus apresentadores do JN são cultos e respeitáveis, mas os ignorantes não passam de pobres mortais que fugiram das aulas mais simples de Geografia na escola!", escreveu Alex Ferreira da Silva, indignado. "Temos que mostrar para esses repórteres da Globo que eles não conhecem geografia brasileira e vivem praticando este erro", disse Lude Smioli Jr.

Na última terça-feira (20), a jornalista Patrícia Poeta, âncora do Jornal Nacional, informou: "Operação da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, o governador Silval Barbosa, do PMDB, paga fiança para não ser preso". O governador citado é de Mato Grosso, que foi preso por porte ilegal de arma em meio às investigações da quinta fase da Operação Araratah. Após pagar fiança, foi liberado.

Depois da gafe no JN, o editor-chefe e apresentador do programa, William Bonner, corrigiu o erro no bloco seguinte: "O governador de Mato Grosso, e não de Mato Grosso do Sul como eu disse erroneamente na abertura do Jornal Nacional".



No quadro "Rumo à Copa", mais um erro. Na madrugada de segunda-feira (19) para terça, a Globo colocou Mato Grosso e a capital, Cuiabá, no mapa do Mato Grosso do Sul durante a reportagem sobre o percurso de um ciclista inglês nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo.

A apresentadora do programa Mais Você, Ana Maria Braga, disse na edição do dia 13 que Campo Grande ficava no Mato Grosso. A reportagem tinha como objetivo testar a honestidade do brasileiro em várias capitais. A Globo ainda não se pronunciou sobre os equívocos.
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A Justiça e a invisibilidade das pessoas que fizeram piada com uma tragédia no Nordeste


A Justiça Federal do Ceará acatou um pedido do MP para quebrar o sigilo de seis internautas que conseguiram fazer piada com um acidente de ônibus no Ceará, no dia 18, que deixou, até o momento, 18 mortos. O estado em que estavam os corpos dificultou a identificação.

A determinação foi rápida. O Ministério Público coletou dezenas de comentários — dezenas — que podem ser enquadrados como crime de racismo, que prevê de dois a cinco anos de prisão.

(É preciso lembrar que não há ninguém preso por racismo no Brasil, o que não tira o mérito da decisão, evidentemente).

Comentaristas de grandes portais costumam se dividir, basicamente, em três grupos: os intolerantes; os burros; e os que culpam o PT por todos os problemas do universo, da fase gorda de Elvis Presley à falta de água em Marte. Em comum, o ódio.

O G1, entre outros, deu a notícia. Não por acaso, foi ali que a maioria dos comentários surgiu. Coisas do tipo:
“A notícia boa é que esse povo não virá poluir meu RS.”

“Não sabia que existia ônibus no Ceará kkk.”

“Com todo o respeito… 20 eleitores do PT a menos.”

“Nada de valor foi perdido.”

“Será que o acidente poderia ter sido evitado se as pessoas  (cearenses) tivessem sentados um de cada lado? Vai ver o peso da cabeça chata fez o ônibus tombar… eu tinha 2Kg de mandioca para dar a esse povo… o que eu faço agora?”
Ao repercutir a decisão da Justiça, o G1, cinicamente, desabilitou a caixa de comentários.

Há um consenso entre psicólogos de que qualquer pessoa pode virar um monstro na internet. Inclusive seu vizinho gente fina que leva os filhos para a escola às 6 da manhã.

O anonimato torna tudo possível. Só psicóticos dizem num bar que estão contentes com a morte de crianças. No mundo virtual, a sensação de estar sozinho e protegido faz com que a doença aflore.

Platão conta a história do anel de Giges, que deixava seu dono, um pastor, invisível. Uma parábola da impunidade. Com ele, Giges rouba, mata o rei e sobe ao trono. Quem não faria isso, sabendo que era invisível e não seria pego, pergunta Platão.

Tirar a invisibilidade de quem tripudiou sobre o massacre de nordestinos num acidente rodoviário é um avanço.

Kiko Nogueira
No DCM
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A outra vida do sr. Antonio

Dona Julinha desconfiou quando entrou na sala a tempo de ouvir seu marido, o sr. Antonio, dizer "Tchau, amor" e desligar o telefone.

— Com quem você estava falando, Antonio?

— Ninguém.

— Como é possível falar no telefone com ninguém, Antonio?

O sr. Antonio apenas sorriu.

A mesma coisa aconteceu outras vezes depois disto, até que dona Julinha perdeu a paciência e pediu explicações. Com quem o sr. Antonio falava ao telefone tão carinhosamente — e se despedia tão rapidamente, quando a mulher aparecia? O sr. Antonio hesitou, depois falou.

— Está bem, Julinha. Se você quer mesmo saber... Eu tenho outra mulher. Uma amante. Nos conhecemos há 20 anos.

— O quê?!

E, diante do espanto da mulher, o sr. Antonio completou:

— O nome dela é Sulamita.

* * *

Dona Julinha não sabia o que fazer com aquela informação. De repente, uma Sulamita na vida deles! O sr. Antonio tinha outra mulher. Outro lar. Talvez outra família. Outra vida! Logo o sr. Antonio, que um dia declarara "Julinha, eu não sei se gosto mais de você ou dos meus chinelos de camurça". Logo o sr. Antonio, tão caseiro, tão pacato, com uma amante — chamada Sulamita!

Dona Julinha reuniu os filhos para pedir conselhos. O que deveria fazer? Seu primeiro impulso fora o de expulsar o marido de casa. Ele que fosse viver com a outra. Mas os filhos não concordaram. Um divórcio, àquela altura da vida do casal? Seria complicado. E desnecessário. Dona Julinha que aprendesse a viver com a nova realidade. Afinal, o sr. Antonio, apesar de ter uma amante durante 20 anos, escolhera ficar com a mulher. De uma certa maneira, optara pelos chinelos de camurça.

* * *

Durante semanas, dona Julinha não dirigiu uma palavra ao marido. Comiam em silêncio. Viam a novela em silêncio. Até que um dia, levada mais pela curiosidade do que por vontade de brigar, dona Julinha perguntou:

— Como vocês se conheceram?

— Quem?

— Você e essa... Como é o nome dela? Sulamita.

— Nos conhecemos no Cairo.

— No Cairo, Egito?

— É.

— E você alguma vez esteve no Cairo, Antonio?

— Tem muita coisa a meu respeito que você não sabe, Julinha.

E, de repente, dona Julinha se deu conta que o marido nunca estivera nem no Cairo nem em qualquer outro lugar longe dos seus chinelos. Não gostava de viajar e nunca saía de casa. Quando se encontraria com a outra se nunca saía de casa? Os telefonemas eram forjados. Ele realmente estava falando com ninguém.

— Você e a Sulamita têm filhos, Antonio?

E o sr. Antonio, distraidamente, respondeu:

— Isso eu ainda não decidi.

Luís Fernando Veríssimo
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Vazam os nomes do ministério do governo Aécio

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Rádio Gaúcha x Rádio Grenal

Por falta de imagem adequada das ondas das rádios, vejam a capa dos jornais gaúchos no dia em que o contrato da nova ponte do Guaíba foi assinado. As rádios são do mesmo ramo e rumo…

Para quem gosta de futebol.

Está surgindo, no âmbito futebolístico, uma concorrência à Rádio Gaúcha. É a Rádio Grenal.

Uma não fala da outra. Uma não é informação para a outra. O povo gaúcho que só escuta a Gaúcha, não saberia, por esta, da existência da outra.

Então, onde está a liberdade de expressão? Onde mora nosso direito à informação? Afinal, o público que curte futebol tem ou não tem direito à informação de que há uma alternativa, outra emissora de rádio em Porto Alegre que trata de futebol 24 horas por dia.

As duas emissoras de rádio chamam o Atlético Paranaense de “Coréia do Norte” porque impede que a mídia, sem pagar royalties, cubra os eventos do clube. A TV paga ao Clube e pode fazer reportagens e e entrevistas com jogadores. As rádio, não. A Rádio Gaúcha condena. A Rádio Grenal, também. Mas ambas são ainda piores do que o Atlético Paranaense.

A concorrência é legal, mas seria melhor se contassem os bastidores uma da outra. São concorrentes e sabotadoras entre si, e o povo que se dane. Os profissionais de uma e outra se protegem assim como agem membros das máfias. O jornalismo não é notícia para o público porque, se fosse, saberíamos de coisas que são feitas muitas vezes piores do que fazem os políticos.

Então não foi o Grupo RBS, que se diz lutador pela liberdade de expressão, que condena a perseguição venezuelana aos meios de comunicação, que chama o Atlético Paranaense de Coréia do Norte, conseguiu com que a FIFA impedisse a Rádio Grenal de participar da cobertura da Copa do Mundo no Brasil? Por que a RBS impede que a concorrente participe? Será que o povo precisa só de mais postos de saúde, de mais educação? O povo não tem direito de saber destas práticas mafiosas, que deturpam a liberdade de expressão? O poderio econômico da RBS, conseguido como se sabe, durante o período da ditadura militar, da única maneira possível, que era acobertando a perseguição política, a tortura, o assassinato dos opositores. É com o dinheiro conseguido trocando informação por patrocínio que a RBS pode diversificar seu cardápio de investimentos. E com estes investimentos consegue sufocar veículos menores, impedir concorrentes de crescerem.

Nestas horas, foda-se o Fórum da Liberdade!

Mas a situação é hilária, não porque seja, mas porque ambas, rádios Gaúcha e Grenal, são vozes do conservadorismo em termos políticos. Estão ambas a serviço do Establishment.

Em bom português, são instrumentos dos seus financiadores ideológicos. Os mesmos grupos que criticam o Atlético Paranaense negam aos respectivos públicos informações relevantes a respeito de uma e outra. Não dão crédito uma a outra porque ambas são inacreditáveis, no sentido de que não merecem crédito. Os funcionários de ambas as rádios, como diria o Romário, já que estamos no ramo futebolístico, caladas são poetas!

Embora sejam veículos por meio dos quais acompanhamos o desenrolar da história dos nossos clubes, toda vez que seus comentaristas, narradores e repórteres enveredam pelo campo político em nada se distinguem daqueles que criticam. Com a diferença que os políticos dão a cara a bater, se submetem ao voto. Os funcionários da Gaúcha e da Grenal ficam nos dando lição de moral, sem nos proporcionarem contraponto, dizendo-se isentos, e na primeira oportunidade que aparece, lá estão eles atrelados aos partidos que sempre defenderam enquanto se diziam isentos.
Cobram do poder público a conclusão de todas obras e, ao mesmo tempo, condenam o poder público porque investe em obras quando deveria investir em educação e saúde…
Até seria legítimos cobrarem dos Governos Federais, Estaduais e Municipais por melhorias, e condena-los por não terem concluído todas as obras que prometeram. Então, porque não cobram das empresas privadas de telefonia, que foram privatizadas porque, sendo privadas seriam melhores que públicas, que não melhoraram os serviços para a cobertura da Copa. E prometeram que melhorariam os serviços para a Copa. Se não melhoraram para a Copa o que se dirá para o cidadão. E isso que o preço é para lá de escorchante. No entanto nada lerás, ouvirás ou virás pela TV a respeito dos serviços de telefonia da VIVO, OI, CLARO simplesmente porque são estas empresas que mais investem em markenting e, of course, sustentam a velha e carcomida mídia.

Se condenam genericamente o serviço de telefonia é apenas com o intuito de dizerem que “o governo não resolveu o gargalo da telefonia”. Ué, mas não foram privatizadas para que o governo não tivesse que se meter nisso… E são contra a intervenção estatal, porque a privada faz melhor. Como o povo sabe, tem privada que só dando descarga!

Todo dia ocupam espaço nobre do negócio da informação para nos ensinarem ética, educação, bons costumes, liberdade de expressão e para condenarem a política. Constroem um vida posando de moralistas para no dia seguinte vestirem a carapuça dos que passaram os dias acusando de corruptos. Pela quantidade de jornalista que entra para a política significa que eles adoram uma corrupçãozinha…

A lista não é pequena dos que, na véspera, posavam de jornalistas isentos mas que na primeira oportunidade, embarcaram na canoa do oportunismo político:

— Antonio Brito, Yeda Crusius, Sérgio Zambiase, Yeda Crusius, Ana Amélia Lemos, Lasier Martins, Afonso Motta, André Machado… todos saíram da RBS para ocuparem cargos políticos. Será porque, como diziam, a política é o lugar da corrupção?!

Gilmar Crestani
No Ficha Corrida
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Por que o G1 tem que responder pelos comentários criminosos que publica

Tentei, como repórter, entender a política de comentários do G1.

Me chamou a atenção um comentário no qual uma pessoa dizia que já era hora de invadir a casa de Genoino e matar as pessoas.

Escrevi um texto antes de me lançar ao trabalho de repórter. Perguntei o básico: como um site podia permitir uma coisa delas, o que os acionistas da Globo pensavam sobre isso — e como anunciantes colocavam sua marca num produto frequentado por celerados, bárbaros, selvagens.

Este é um ponto que particularmente me intriga: a postura passiva dos anunciantes do G1. Um site, afinal, é os seus leitores, e os leitores do G1 são aqueles.

Num mundo menos imperfeito, os anunciantes rejeitam um portal como o G1 — e qualquer outro site que abrigue e incentive brasileiros desagregadores e, usemos a palavra justa, criminosos.

Não só isso. Neste mundo menos imperfeito, os cidadãos também rejeitam com a melhor arma que existe: o boicote. Cada clique dado ao G1 vai ajudar na venda de anúncios, posteriormente.

E claro, nesta utopia possível de que falo, a justiça já teria identificado e processado — exemplarmente — os meliantes digitais.

Bem, fiz meu papel de repórter.

Procurei o editor chefe do G1, Renato Franzini. Depois de inúmeros telefonemas, e só quem liga para a Globo sabe o caos que é tentar achar alguém lá, encaminharam minha chamada a Franzini.

Ele foi pego de surpresa, notei. Não havia uma secretaria de anteparo.

Me apresentei e disse o que queria saber: qual era a política de comentários do G1.

Franzini me pareceu desconcertado. “Justo pra mim esse cara vai telefonar”, ele deve ter pensado.

Ele titubeou e fugiu da resposta. Disse que só a Central Globo de Comunicação — uma espécie de RP da empresa — poderia dar a resposta.

Tentei.

“Somos jornalistas nós dois. Uma frase é tudo que eu quero. Nem que seja: nós não temos política de comentários.”

Ele estava desconfortável, talvez intimidado por mim — embora eu tenha sido delicado.

Mas nada.

Ele me passou o telefone da Central de Comunicação. Depois de mais uma minimarotona ao telefone, cheguei a  uma das funcionárias do diretor Sérgio Valente.

Expliquei tudo de novo.

Ela não tinha nada a dizer naquele momento, por não saber qual era a política do G1.

Me orientou a escrever a pergunta num email e remeter a ela. Ela se informaria e me responderia.

Evidentemente, jamais recebi resposta.

Dias depois, veio o caso do ônibus, e os comentários assassinos no G1.

Alguma surpresa para mim? Nenhuma.

Fui integrante do Conselho Editorial das Organizações Globo, o Conedit, comandado por João Roberto Marinho. Alguns minutos numa reunião no Conedit e teria sido resolvida a questão dos comentários homicidas.

No DCM, fizemos isso em minutos, tempos atrás. Criamos regras de decência e civilidade. Quem as infringe não é publicado. Quem instila ódio é banido: não queremos leitores assim. Simplesmente não queremos.

Existem sistemas modernos de moderação que tornam a filtragem fácil: o nosso, o Disqus, é usado por grandes sites internacionais.

Vejo agora que a justiça enfim se movimentou, sob a comoção do achincalhe às vítimas do acidente, e decidiu pedir o IP dos internautas canalhas.

É um passo.

Mas outro tem que ser dado: incriminar também quem publica. E exemplarmente.

Imagino, candidamente, o que aconteceria na Inglaterra se a BBC publicasse um e apenas um comentário como os do G1.

Haveria uma comoção imediata na opinião pública.

O roteiro está dado. O cidadão, para exigir mudança, tem que agir com sua maior arma: boicote.

O anunciante tem que rejeitar sites lidos por facínoras.

E a justiça tem que cobrar não só quem produz comentários criminosos — mas quem os publica.

Isto feito, o universo digital brasileiro rapidamente se civilizará.

Paulo Nogueira
No DCM
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Jornal Nacional omite criminosamente a inauguração da ferrovia Norte-Sul


O Jornal Nacional da TV Globo está tão tucano que deu o vexame de censurar a inauguração do trecho da ferrovia Norte-Sul de Palmas (TO) até Anápolis (GO), só porque é uma obra federal do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

O telejornal achou mais importante noticiar que o cartola da Fifa, Jérôme Valcke, "se anima ao visitar Mineirão e Mané Garrincha", do que uma ferrovia que corta o Brasil por 1500 km (por enquanto).

Francamente, perto da Norte-Sul que importância tem um simples elogio de um cartola da Fifa para dois estádios já prontos há um ano e usados desde a Copa das Confederações, no ano passado?

Já a Ferrovia Norte-Sul é um marco para o desenvolvimento de Goiás, Tocantins e Maranhão, passando por dezenas de cidades, com reflexos para a região Norte e parte do Nordeste. Vai beneficiar até a Zona Franca de Manaus, cujos produtos, como motocicletas, passarão a usar a ferrovia para baratear o frete para o Brasil Central e redondezas, por exemplo.

E por chegar até Anápolis, a ferrovia é estratégica para todo o Brasil, pois a cidade tem um porto seco para cargas, que faz um entroncamento rodo-ferroviário, já ligado por antigas ferrovias que cortam o Sudeste, até os portos de Santos, Vitória e Rio de Janeiro. Além de abrir uma nova rota em direção ao Norte, desafogando os portos do Sudeste e reduzindo custos.

Se o Jornal Nacional não quisesse mostrar a presidenta Dilma na cerimônia de inauguração, pelo menos deveria mostrar só a ferrovia, respeitando o povo brasileiro ao dar notícia que é do maior interesse público.

Com esta inauguração, a ferrovia Norte-Sul completou 1.574 quilômetros desde o Maranhão até Goiás.

Dois dias antes, na cidade de Gurupi (TO) foi inaugurado outro Pólo de Cargas na ferrovia. A expectativa na cidade é de gerar pelo menos 3.500 empregos diretos no processo de transporte de cargas. A prefeitura espera também atrair empresas, com as vantagens logísticas que passou a ter.

Outro importante terminal de cargas ao longo da ferrovia é o Pátio de Porto Nacional, situado a 23 quilômetros de Palmas, usado por grandes empresas distribuidoras de combustíveis (BR Distribuidora, Raízen e Norship) e grãos Ceagro.

Esses terminais e o porto seco atendem ao transporte de contêineres, combustíveis, minério e commodities agrícolas, tanto para exportação como para importação de produtos.

Pátios Multimodais de cargas no novo trecho da ferrovia: 
Pátios
Empresas
Sentido importação
Sentido exportação
Porto Nacional/TO
Petrobrás
Diesel e gasolina
Etanol e biodiesel
Raízen
Diesel e gasolina
Etanol e biodiesel
NovaAgri (projeto)
Grãos
Ceagro (em obras)
Grãos
Grãos
Norship (em obras)
Diesel e gasolina
Etanol e biodiesel
Gurupi/TO
Brazil Marítima
Minério de manganês
Anápolis/GO
Granol
Grãos
Farelo de Soja
Porto Seco
Carga geral
Carga geral

Outro trecho desta ferrovia está em construção. Segue até Estrela d’Oeste (SP). O percurso de 682 quilômetros já tem 60% de execução física e previsão de conclusão para 2015.

No Amigos do Presidente Lula
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Marinhos detonam Marinho




Promotores que investigam o envolvimento do ex-chefe da Casa Civil do governo Mário Covas (PSDB), Robson Marinho, em caso de suborno da Alstom para fechar licitações, acreditam que se trata de uma manobra para evitar eventual pedido de bloqueio; Marinho atua no TCE há 17 anos, com ganho mensal de R$ 30 mil; o MP investiga se seu patrimônio, que inclui ainda Ilha de Araçatiba, com 63 mil metros quadrados, em Paraty, no Rio de Janeiro, é compativel com sua renda

Formalmente acusado pela Justiça Suíça de manter conta em paraíso fiscal, abastecida por propina da Alstom, o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Robson Marinho colocou à venda uma casa na praia Domingos Dias, em Ubatuba, litoral Norte de São Paulo, por R$ 7 milhões.

Promotores que investigam o envolvimento do ex-chefe da Casa Civil do governo Mário Covas (PSDB) em caso de suborno da multinacional francesa para fechar licitações, acreditam que se trata de uma manobra para evitar eventual pedido de bloqueio.

Marinho atua no TCE há 17 anos, com ganho mensal de R$ 30 mil. O MP investiga se seu patrimônio, que inclui ainda Ilha de Araçatiba, com 63 mil metros quadrados, em Paraty, no Rio de Janeiro, é compativel com sua renda.

A Suíça também congelou uma conta de US$ 1,1 milhão em nome de Marinho desde 2010, a pedido da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público.

MP quer tucano da propina da Alstom fora do TCE

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Demorou, mas o Ministério Público, enfim, tomou providências em relação a Robson Marinho, que foi secretário da Casa Civil do governo Mario Covas e é acusado de ter recebido propinas de US$ 3 milhões da Alstom; nesta quinta-feira, foi pedido seu afastamento do cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo; Marinho também começou a se desfazer de um patrimônio imobiliário avaliado em alguns milhões, que inclui a Ilha de Araçatiba, em Paraty; até recentemente, ele dizia que não sairia da cadeira no TCE, onde tem poder justamente para investigar as contas públicas do Estado e dos municípios paulistas

O Ministério Público Estadual pediu o afastamento do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo Robson Marinho, acusado de ter recebido propina para favorecer a multinacional Alstom em contrato no setor de energia com o governo paulista. A promotoria fez o pedido à Justiça nesta quinta-feira 22.

A Promotoria do Patrimônio Público e Social, braço do MP-SP que apura casos relacionados a improbidade, aponta que documentos suíços comprovam que Robson Marinho recebeu propina e, por isso, deve deixar o cargo no TCE-SP. Os investigadores lembram que autoridades da Suíça descobriram que ele recebeu cerca de US$ 3 milhões em uma conta no nome da empresa Higgins Finance, que pertence a Marinho e a sua mulher.

Marinho, que foi chefe da Casa Civil no governo do tucano Mario Covas, começou a se desfazer de um patrimônio imobiliário avaliado em alguns milhões. Ele colocou à venda uma casa na praia Domingos Dias, em Ubatuba, litoral Norte de São Paulo, por R$ 7 milhões. Seus bens incluem a Ilha de Araçatiba, com 63 mil metros quadrados, em Paraty, no Rio de Janeiro. O MP investiga se o patrimônio é compatível com sua renda, de pouco mais de R$ 26.500 mil por mês.

Marinho atua no TCE há 17 anos e, recentemente, disse que não sairia da cadeira do TCE, onde tem poder justamente para investigar as contas públicas do Estado e dos municípios paulistas. O conselheiro nega ter recebido propina da Alstom no Brasil e na Suíça.
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No ar a TV Relaxa , a Maldição dos Coxinhas

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Alckmin estaria por trás da greve dos ônibus em São Paulo?

Alckmin estaria por trás da greve dos ônibus em São Paulo?

A foto em destaque é do governador Geraldo Alckmin com o atual presidente do Sindicato dos Condutores de São Paulo, Valdivan Noventa. Durante todo o processo eleitoral do sindicato, o governador recebeu tanto Noventa quanto o ex-presidente e membro da atual diretoria Edvaldo Santiago, que eram candidatos da chapa de oposição. O histórico desses sindicalistas é público e certamente Alckmin sabia a quem emprestava sua imagem. Edivaldo, por exemplo, já foi preso pela Polícia Federal e é acusado de assassinato do ex-presidente do Sindicato dos Condutores de Guarulhos, Maurício Cordeiro.

jornal onibus
Edvaldo Santiago também era o presidente do sindicato quando houve a greve de nove dias que transformou a cidade num caos durante o governo Luiza Erundina. E liderou a resistência contra a implantação do Bilhete Único e da licitação do sistema na gestão Marta Suplicy. É uma liderança acostumada a dinamitar com movimentos supostamente de cunho social administrações progressistas.

Pela conversa que este blogue teve com um observador político que conhece a ação desse grupo, essa atual paralisação combina a revolta contra a direção do sindicato, que prometeu índices bem maiores de reajuste e negociou com os patrões sem ouvir a categoria, com uma manobra de Edvaldo para desestabilizar Noventa, o atual presidente do sindicato.

A Santa Brígida, onde a greve continua, por exemplo, é a garagem de origem de Edvaldo. E ele mantém excelente relação com os donos da empresa. Por isso, não se pode descartar que essa viação e a Gato Preto tenham interesse em desestabilizar o acordo que foi assinado pelo setor empresarial.

O quadro é bem mais complexo do que parece. Não é, como alguns gostariam, uma greve articulada por um grupo de trabalhadores mais indignados e de luta.

Além dessa disputa interna na direção da entidade, há um jogo de empresários e ainda há possibilidade concreta de que interesses político-partidários estejam vitaminando essa ação de desestabilização do governo Haddad. A foto de Alckmin com os sindicalistas que estão no meio dessa história e a sua declaração de que a greve é culpa da prefeitura podem significar muito mais do que a vã filosofia pode explicar.

Renato Rovai
No Blog do Rovai
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Jn frauda o Globope! Omite que Dilma ganha!

“Se não é bom a gente esconde” – Rubens Kamúpero


O jn nacional se recusou a dizer que a Dilma ganha no Globope – leia Globope acerta as contas e Dilma ganha no primeiro turno.

Fez lá uns gráficos irrelevantes sobre aprovação e desaprovação do governo e da Presidenta.

Se não é bom…

Agora se for bom, a gente divulga.

Bom pra ela, a Globo!

Clique aqui para ler “Dilma tem o triplo de tempo na tevê do Arrocho”.

Em tempo: agora imagine como que a Globo Overseas administra o Globope que mede a audiência de televisão. Põe, tira, aumenta, diminui. Margem de erro pra lá, pra cá. Amostra amigável, amostra hostil…

Ah, esse instituto alemão vai fazer um estrago…

Clique aqui para ler “Dilma não vê a Globo nem lê o Valor, porque só estão afim de derrubar ela”.

Em tempo2: Revoltados, moradores do MS fazem campanha contra a Globo:


Em tempo3: para o jn, a Norte-Sul está no mesmo ponto em que o Presidente Sarney deixou. Clique aqui para ler “Dilma realiza um sonho: a Norte-Sul”.

Paulo Henrique Amorim
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