22 de mai de 2014

A oposição só acredita em desemprego

Aécio Neves não se fez de rogado: a saúde da economia depende de medidas impopulares, entre elas, claro, o aumento do desemprego.

Ciclos de recessão e desemprego fazem parte da dieta normal da tristeza capitalista. Isso é história econômica banal. Mas nada triviais são os esforços para evitar, superar e em último caso amenizar as seqüelas que, como já diagnosticara Alexis de Tocquevile, constituem o outro lado da moeda da expansão do mercado.

Em favor da verdade, a necessidade de intervir nesses maléficos processos não foi desde logo reconhecida nem muito menos, mesmo depois de registrada em cartório, aceita como necessária. Para os que, julgando-se Isaac Newton, acreditavam que as leis dos mercados capitalistas copiavam as leis da física clássica, toda intervenção seria inútil, tentativa de emendar a lei da gravidade universal. Pior, seria desastrosa, desajustando as leis da oferta e demanda. Foram precisos muito desemprego e muitas recessões até que surgissem concepções não mecânicas do mundo humano.

No Brasil criou-se o seguro-desemprego em 1986, embora já previsto na Constituição de 1946. O Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), instituído em 1990, foi outro grande marco de defesa do trabalho diante da imprevisibilidade capitalista. Finalmente, durante as três administrações petistas estenderam-se amplamente as políticas pró-trabalho. Não é à toa que organismos internacionais proclamam a excelência do programa Bolsa-Família, entre outros, copiada em vários países.

Mas o seguro-desemprego e equivalentes só compensam relativamente a perda de renda quando o trabalhador já está desempregado. Com o fim da estabilidade no emprego, na década de 80 do século passado, estabeleceu-se um buraco legislativo que a criação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) não preencheu. Trata-se de desenhar medidas que evitem ao ciclo de expulsão do mercado de trabalho sem onerar excessivamente a folha de pagamentos das empresas. É neste sentido que os Ministérios da Fazenda e do Trabalho preparam medida provisória regulamentando a flexibilização da jornada laboral. Por ela, as empresas em comprovada dificuldade financeira cortariam temporariamente em até 30% o salário do trabalhador enquanto o governo ficaria responsável por complementar metade da parcela reduzida. Com a dificuldade financeira conjuntural do FAT (com fundos destinados a outras demandas do crescimento econômico e proteção aos trabalhadores), o governo inclina-se para financiar o programa com recursos do FGTS. Na proposta, o empregado beneficiado continuará a descontar para o Fundo de Garantia do Trabalhador. As centrais sindicais estão de acordo com a futura medida provisória.

Sem nenhuma surpresa, já se ouvem vozes críticas ao financiamento do novo programa, disfarce da real oposição que, no fundo, é à própria medida. Não importa que programas semelhantes tenham sido implantados em um punhado de países, desenvolvidos ou não: Bélgica, Alemanha, Itália, Japão, Nova Zelândia, México, Hungria e República Tcheka. O Brasil, para esses arautos, nunca estará pronto para nenhuma iniciativa contrária ao mito do automatismo mercadista. Se o FAT, conjunturalmente, apresenta débitos em suas contas, o excedente real do FGTS não deveria ser utilizado em seu lugar, tendo em vista possíveis despesas futuras de origem sabida ou não sabida. Ou seja, uma possibilidade, que a seu tempo será administrada, como tudo em qualquer governo, seria motivo para abortar um extraordinário benefício atual, considerando as mais do que previsíveis oscilações do mercado.

O terrorismo fiscal sempre fez parte do embornal conservador. De nada valem os fracassos de suas previsões. Mudam de argumento. Os conservadores brasileiros estão, todavia, exagerando. Além de substituírem as verdadeiras estatísticas nacionais pelos sensacionalismos da mídia estrangeira, apelam para um indicador único para avaliar o “sucesso” de um governo: a taxa de desemprego. Quanto maior, melhor o governo. Deles.

O problema, como se sabe, não faz parte da estratosfera sustentável em que Marina Silva desfila. Eduardo Campos é omisso neste quesito, assim como em vários outros, embora fosse interessante saber como ele faria mais e melhor em matéria de emprego e de proteção ao trabalhador. Aécio Neves não se fez de rogado: a saúde da economia depende de medidas impopulares, entre elas, claro, o aumento do desemprego. Só desemprego estima a saúde de uma economia. Repetindo: para a oposição quanto maior o desemprego, melhor o governo. Cáspite!

Wanderley Guilherme dos Santos
No Carta Maior
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Aécio pode fazer os tucanos sentirem saudade de Serra

Thatcherista com 30 anos de atraso
A última pesquisa Ibope é uma paulada em Aécio. Compare os 20% dados a ele com os quase 24% que o instituto Sensus lhe atribuíra semanas atrás.

Fica agora claro que o que realmente ergueu Aécio foi a decisão do Sensus de usar a ordem alfabética nas cartelas mostradas aos eleitores.

Seu nome vinha em primeiro e isso o elevou artificialmente.

O patamar real de Aécio é, ao que tudo indica, os 20%, e se ele não sair daí a eleição deve ser decidida no primeiro turno, dada a anemia eleitoral de Eduardo Campos.

Temos, aparentemente, “2 and a half” candidatos: Dilma, Aécio e Campos.

Campos perdeu a chance de mostrar que é um político diferente ao não fazer o que as intenções de voto gritavam que fizesse: deixar Marina ser a candidata da coalizão.

Aécio pode crescer a ponto de forçar o segundo turno?

Numa palavra: não. Não com seu discurso thatcherista, atrasado em mais de trinta anos.

Nem os conservadores ingleses ousam repetir as teses de Thatcher, que ajudaram a levar o mundo a uma brutal concentração de renda. Desregulamentar, privatizar, ceifar direitos trabalhistas etc etc.

É incrível que ele faça do thatcherismo a base de sua campanha em 2014.

Isso vai dar a ele um apoio torrencial dos barões da mídia e do chamado 1%. Mas não vai lhe dar votos.

Imagine a seguinte cena num debate: Candidato Aécio, o senhor poderia descrever as medidas impopulares que prometeu tomar? O senhor concorda que o salário mínimo cresceu muito, como diz seu conselheiro econômico, Armínio Fraga?

Nelson Rodrigues dizia que gostava que os atores fossem burros ao interpretar peças suas. Burros para não melhorar, aspas, o texto original de NR.

Se fosse inteligente, Aécio seria burro. Pegaria a essência do discurso do Papa Francisco e a adaptaria a seu discurso. As pessoas iam querer conversar com ele, como querem conversar com Francisco.

Bastava, de cara, falar em desigualdade como o grande mal brasileiro. E falar, e falar, e falar.

Depois, as oportunidades de brilhar se apresentariam. Aécio poderia posar segurando o livro de Piketty sobre desigualdade que é a sensação do mundo econômico e político em nossos dias.

Num gesto surpreendente e que lhe renderia boa publicidade, poderia convidar Piketty para fazer uma palestra no Brasil.

Ele estaria inovando, surpreendendo. E mostrando que está sintonizado com o mundo.

Mas não.

Em vez de Piketty, ele nos oferece Armínio Fraga. Talvez desça ainda mais na escada e fale na Esquerda Caviar de Constantino.

Aécio poderia tornar interessante a eleição.

Mas optou pelo caminho que conduz a um só destino: o fracasso. É possível que os tucanos terminem saudosos de Serra: perdia, mas pelo menos chegava ao segundo turno.

Paulo Nogueira
No DCM
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Projeto Andar de Novo: "Maravilhoso"

Atento, Francis Collins (à esquerda de Nicolelis) acompanha os passos do jovem paraplégico “vestindo” o esqueleto-robô. Ao final, não resiste. “Encantado”, como ele mesmo diz, abre um sorriso enorme e aplaude
No meio científico, todo mundo conhece o médico e geneticista Francis S. Collins.

Pudera. Foi quem coordenou o Projeto Genoma Humano.

Desde 2009, é o diretor do maior agente financiador de pesquisa biomédica do mundo: o National Institutes of Health (NIH), dos EUA.

Ele tem nas mãos um orçamento de US$ 38 bilhões. É o maior gestor de ciência biomédica do planeta.

Pois Francis Collins está em visita oficial ao Brasil e quis conhecer os laboratórios do projeto Andar de Novo, montados na AACD – Associação de Assistência à Criança com Deficiência, em São Paulo.

O projeto é liderado pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, pesquisador e professor da Universidade Duke, nos EUA, e coordenador do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (IINN-ELS), no Brasil. Dele participam 156 pesquisadores de 25 países.

Em 12 de junho, na abertura da Copa do Mundo, no Itaquerão, o mundo assistirá ao vivo uma demonstração do projeto e um salto da ciência: um jovem paraplégico, “vestindo” uma “roupa robótica” (exoesqueleto), dará o chute inaugural na cerimônia.

Collins visitou os laboratórios do Andar de Novo na tarde dessa terça-feira 21.

No primeiro, uma jovem paraplégica, com fisionomia séria, aparentando 25 anos, testava o exoesqueleto. Por razões éticas, o seu rosto não pode ser fotografado pelos jornalistas presentes; apenas ela de costas. Também não podemos conversar com a paciente. O Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), ligado ao Ministério da Saúde, proíbe, para preservar o paciente sujeito da pesquisa.

Aí, Nicolelis começou a descrever a Collins os experimentos que levaram ao resultado atual.

No segundo, apenas o exoesqueleto, sem nenhum paciente. Nicolelis detalhou então o funcionamento dos equipamentos.

No terceiro, o professor Nicolelis convidou-me para entrar junto com o doutor Collins para assistir junto com eles e demais pesquisadores da equipe à demonstração de um jovem usando o exoesqueleto.

Ele ficou paraplégico aos 20 anos (tem 27) devido a acidente de carro.

Foram duas comprovações. A diferença foi a velocidade do andar. A segunda, um pouco mais ligeira.

Ao final da segunda caminhada, o jovem abriu um sorriso imenso de alegria.

Collins não resistiu. Bateu palmas: “Maravilhoso!”

“Estou muito feliz em ver que o investimento de tantos anos resultou nessa aplicação da Ciência”, disse Collins na coletiva de imprensa.

Foi o começo da resposta à pergunta do Viomundo sobre como via uma ideia, cuja pesquisa básica foi financiada pelo NIH, virar realidade clínica. Durante os 25 anos de carreira, veio do NIH mais da metade dos US$ 60 milhões levantados nos EUA por Nicolelis para pesquisas.

Collins prosseguiu:

“Essa é a realidade da Ciência. Você tem de persistir em ideias que, no início, podem até parecer abstratas, sem conexão com alguma doença, mas que, depois de investimentos persistentes durante muito tempo, possam gerar, por exemplo, uma vacina para prevenir a infecção pelo HIV/aids. É algo que esperamos que ocorra rapidamente”.

“No caso deste exemplo, que é o exoesqueleto, estou muito satisfeito pelo fato de o NIH ter participado dessa história. É assim que a Ciência funciona.”

“Quando nos Estados Unidos se defende levar todo o dinheiro do NIH para a pesquisa aplicada, as pessoas às vezes esquecem que é a pesquisa básica que permite que essas ideias floresçam do ponto de vista clínico”.

Perguntamos também o que ele acha da colaboração entre Estados Unidos e Brasil no projeto Andar de Novo. A pesquisa aplicada, envolvendo o desenvolvimento e construção do esqueleto-robô, foi financiada pela Finep, ligada ao Ministério de Ciência e Tecnologia: US$ 14 milhões.

Collins então afirmou:

“A colaboração é essencial. Se você precisa atacar um problema muito difícil, muito complexo, é necessário recrutar os melhores cérebros disponíveis e eles não necessariamente moram no mesmo país. Um grande exemplo é o doutor Nicolelis”.

“Estou muito satisfeito em ver que um investimento que o NIH fez em pesquisa básica nos EUA, durante 25 anos, no laboratório do doutor Nicolelis, deu frutos no Brasil, com a pesquisa clínica financiada pelo governo brasileiro. A Ciência é global”.

“Essa colaboração permitiu que EUA e Brasil estivessem aqui presentes. Possivelmente, essa pesquisa não poderia ter acontecido só nos EUA ou só no Brasil”.

“Admiro muito o espírito de Nicolelis de reunir pesquisadores e trazê-los dos EUA para o Brasil, para congregar todos no mesmo projeto”.

“Estou muito encantado, porque uma quantidade muito grande de gente, num evento esportivo, vai poder ver, pela primeira vez, uma demonstração do que a Ciência é capaz de fazer e dar esperança para milhões de pessoas no mundo todo”.

Sobre a interface cérebro-página, questionada por alguns pesquisadores, Collins disse:

“É uma das áreas de fronteira da neurociência. Nos EUA, atualmente há vários laboratórios trabalhando com ela”.

Nicolelis e seu colega John Chapin, da Universidade Duke (EUA), foram os pioneiros.

Em 1999, comprovaram isso num estudo pioneiro com ratos. Em 2000, demonstraram em macacos. Em 2004, em seres humanos.

O termo interface cérebro-maquina (brain-machine interfase) também foi criado por eles.

“A demonstração de 12 de junho é apenas a primeira etapa do projeto Andar de Novo”, frisa Nicolelis. “O objetivo dessa pesquisa é permitir que mais adiante paraplégicos possam andar novamente. No futuro, esperamos contar com mais laboratórios e mais pesquisadores.”

Oito jovens paraplégicos participam da pesquisa. Um será escolhido para dar o chute inicial da Copa.

“Mas os outros estarão juntos”, avisa Nicolelis. “É uma vitória de todos eles.”

Conceição Lemes
No Viomundo

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Aécio faria viagem de emergência a São Paulo


No SQN
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Ferrovia Norte-Sul permite integração entre o interior e o litoral do Brasil

Presidenta Dilma inaugurou o trecho Anápolis-Palmas da Ferrovia Norte-Sul.
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
A presidenta Dilma Rousseff destacou em discurso a importância de ampliar a infraestrutura de transporte pelo território nacional durante a cerimônia de inauguração de trecho da Ferrovia Norte-Sul. “Aqui se pode conectar todo o Brasil com o sistema ferroviário”, declarou a presidenta.

Dilma entregou o trecho de 855 quilômetros da ferrovia que liga as cidades de Anápolis (GO) e Porto Nacional (TO) na manhã desta quinta-feira (22). Concebida há 27 anos sob o propósito de interligar a malha ferroviária e diminuir custos de transporte, a Norte-Sul terá a extensão de 4.155,6 quilômetros e interligará dez estados do território nacional.
“Essa coluna vertebral permitirá que estados, um estado como é o estado de Goiás, do interior, seja de fato um estado perto do mar, perto dos navios. Ela coloca o litoral aqui. Transforma Goiás num polo logístico, porque ela será crucial particular todos os sistemas de transporte do Brasil, tanto aqueles que se dirigem ao Sul, que são mais tradicionais, quanto àqueles que se destinarão ao Norte, e que serão o futuro do país se olhar a importância das hidrovias no nosso país. Essa ferrovia é uma conquista”, comentou.
A expectativa inicial é a de que um volume de 4 mil toneladas de minério de ferro circule pelo trecho entre Anápolis e Porto Nacional tendo como destino o porto de Itaqui, na região de São Luís (MA).

O trecho de Palmas a Anápolis se interliga com o segmento de Palmas a Açailândia (MA) da Norte-Sul, com 719 km, que está em operação desde 2007. No total, são 1.574km de linha férrea desde Maranhão até Goiás.
“Considero que aquilo que eu vi aqui hoje neste distrito agrícola e industrial de Anápolis é que recuperamos a iniciativa do investimento em ferrovias. Devemos nos orgulhar disso”, disse a presidenta.


Investimentos

A inauguração do trecho marca a nova conjuntura em que está inserido o transporte ferroviário de carga no Brasil, segundo o ministério dos Transportes. Alvo de R$ 4,2 bilhões em investimentos previstos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a Norte-Sul passará a ser ferrovia estruturadora do Sistema Ferroviário Nacional, ao proporcionar acesso de produtores a vários portos e corredores de exportação. Também irá estimular a competitividade intramodal, não só entre os portos, mas também entre os operadores logísticos que realizarão o transporte da carga.
“Dizem que demorou 27 anos. É verdade, mas vou dizer o seguinte: demorava 27 anos. Hoje não demora mais. Quero dizer a vocês, que foi um grande esforço em 2007 dar início ao trecho Araguaína-Palmas, porque o governo federal ainda não tinha os recursos todos disponíveis. E nós fomos fazendo, e fomos também aprendendo enquanto fazíamos, porque o Brasil tinha parado de investir durante muito tempo”, afirmou a presidenta.
Dilma também exaltou o fato de o governo recuperar a iniciativa do investimento em ferrovias ao lembrar que a próxima parte da Norte-Sul, que vai de Goiás até Estrela do Oeste (SP), está em fase adiantada de construção. A presidenta reafirmou que obras como a ferrovia são prova de que o Brasil tem condições de investir em infraestrutura.
“O Brasil tinha deixado várias ferrovias Norte e Sul para trás. Estou falando em relação a outros segmentos. Portanto, considero que o que eu vi aqui hoje, o que podem ver e que vão sentir aqui nesse distrito agrícola e industrial de Anápolis é que recuperamos a iniciativa do investimento em ferrovias. (…) Essa ferrovia é o sonho que tínhamos e agora podemos dizer: está plenamente realizado e comprovado que se fomos capazes de fazer o trecho original, concluiremos o trecho que nós mesmos projetamos. O Brasil tem todas as condições de investir em infraestrutura”, analisou.
Entre os benefícios do empreendimento estão a significativa redução do custo do transporte de carga, do consumo de combustível e do índice de acidentes nas estradas, já que grande parte da carga escoada atualmente pelas rodovias poderá ser transportada pela Ferrovia Norte-Sul.

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Pastor raivoso ataca Xuxa

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Segundo turno?

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Os tais e os banais

A hora é do Judiciário, outra vez. Motivo de manchetes abundantes, as decisões contraditórias do ministro Teori Zavascki, no caso que mistura o doleiro Alberto Youssef, Petrobras e três deputados, resultam em uma denúncia involuntária e pouco ouvida contra a conduta discricionária nas ações judiciais que incluam políticos eleitos. O problema de Zavascki vem desse mal, que precisa de exame urgente.

Afinal de contas, o direito de alguns ao "foro privilegiado" leva à divisão dos réus, ficando estes aos cuidados de um tribunal superior e sendo seus companheiros sem "privilégio" mandados às varas comuns, de primeira instância; ou vão todos, privilegiados e cidadãos banais, para o julgamento único em tribunal superior? Por ora, tanto faz. E ninguém pode ter ideia prévia da alternativa a vigorar.

Dois casos notórios, para ilustrar. No julgamento do mensalão, os destinados ao "foro privilegiado" e a farta quantidade dos cidadãos comuns foram julgados juntos pelo Supremo Tribunal Federal. No chamado mensalão do PSDB, matriz do mensalão do PT, o principal acusado estava destinado por lei ao Supremo, e seus comuns companheiros de processo à Justiça criminal de Minas.

Mas não houve tal divisão. Nem mesmo a junção de todos no Supremo, como no caso equivalente do mensalão do PT. O Supremo decidiu que o (ex) deputado peessedebista Eduardo Azeredo deveria juntar-se ao grupo dos comuns. Doutra modalidade de privilégio, este muito maior, por proporcionar a Azeredo sucessivos recursos e julgamentos em diferentes instâncias. Não foram casos únicos de tratamento diferente.

O ministro Zavascki, por sua vez, chamou ao Supremo o processo em que surgiram parlamentares e soltou os já presos em ato que, desconsiderando o "foro privilegiado" de alguns, estaria irregular (depois, advertido do risco de fugas, manteve as prisões, exceto uma). Mas, vistos os precedentes, ir para o Supremo significa que o processo pode correr ali para todos os réus, ou ser desmembrado, ou, passados meses, senão anos, irem todos para uma vara criminal. Sob que critério? Algo próximo da cara ou coroa.

Se passarmos do discricionário ao imoral, damos com um caso provavelmente único, ao menos na forma. "O Réu e o Rei", que a Companhia das Letras está lançado com a corajosa consciência dos riscos, é a narração feita pelo jornalista Paulo César de Araújo da saga que levou à proibição judicial da sua biografia de Roberto Carlos. O trecho destacado pelo "Globo", na reportagem de lançamento do livro, mostra por que sua leitura será muito proveitosa dentro e fora do Judiciário. O trecho descreve o ato de um juiz-cantor que, depois de sentenciar a censura proibitória de todo o livro, escreve uma dedicatória em seu "primeiro CD" e o entrega ao colega de canto e de censura, o agradecido Roberto Carlos. Pronto, estava feita justiça. Da mais repugnante.

Aprovado na Câmara o fim da censura a biografias, a coluna de Ancelmo Gois, noticiou ontem que o relator, para a votação no Senado, será Ricardo Ferraço. Este parlamentar fez-se notado por uns episódios incomuns, recentemente, como sua participação na fuga de um senador boliviano para o Brasil e a história esquisita e desaparecida de um avião particular e sua carga, no Espírito Santo. Já passou por PSDB, PTB, PPS e está no PMDB. Mas não foi indicado para a relatoria por esses méritos. É que vem de Cachoeiro de Itapemirim, como o cantor, cidade onde um ex-prefeito, seu pai, ergueu um monumento a Roberto Carlos. O Senado não quis ficar atrás do juiz-cantor. 

Janio de Freitas
No  fAlha
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Desemprego é de 4,9% em abril, o menor para o mês desde 2002


Indicador / período ABRIL DE 2014 MARÇO DE 2014 ABRIL DE 2013
Taxa de desocupação
4,9%
5,0%
5,8%
Rendimento real habitual
R$ 2.028,00
R$ 2.040,27
R$ 1.977,24
Valor do rendimento em relação a
-0,6%
2,6%
A taxa de desocupação em abril de 2014 foi estimada em 4,9% para o conjunto das seis regiões metropolitanas investigadas. Frente a março (5,0%), a taxa não apresentou variação significativa. No confronto com abril de 2013 (5,8%), esse indicador declinou 0,9 ponto percentual. A população desocupada (1,2 milhão de pessoas) não apresentou variação frente a março. Em relação a abril de 2013, esse contingente ficou 17,0% menor. A população ocupada (22,9 milhões) indicou estabilidade em relação a março de 2014 e na comparação com abril do ano passado. O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado (11,7 milhões) não variou frente a março e, comparado com abril de 2013, registrou elevação de 2,2%.

O rendimento médio real habitual dos ocupados (R$ 2.028,00) foi 0,6% menor em relação ao de março (R$ 2.040,27) e 2,6% acima do registrado em abril de 2013 (R$ 1.977,24). A massa de rendimento real habitual (R$ 47,2 bilhões) caiu 0,5% em relação a março. Na comparação com abril do ano passado, esta estimativa aumentou 3,6%.A massa de rendimento real efetivo dos ocupados (R$ 47,7 bilhões), estimada em março de 2014, caiu 0,6% no mês e subiu 5,0% no ano.

A Pesquisa Mensal de Emprego é realizada nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. A publicação completa da pesquisa pode ser acessada na página
www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/default.shtm.

Taxa de desocupação (%)
Desocupação fica estável em todas as seis regiões pesquisadas
Regionalmente, a taxa de desocupação ficou estável em todas as regiões pesquisadas. Em relação a abril de 2013, a taxa declinou 1,3 ponto percentual no Rio de Janeiro; 1,5 ponto percentual em São Paulo e 0,8 ponto percentual em Porto Alegre. Em Recife, Salvador e Belo Horizonte o cenário foi de estabilidade.

Taxa de desocupação (%)
Mês/ano
Total
Rec
Sal
BH
RJ
SP
PoA
abr/03
12,5
14,0
16,7
10,5
9,2
14,3
9,8
abr/04
13,1
14,3
16,6
11,4
10,7
14,5
10,7
abr/05
10,8
13,0
17,0
9,5
8,6
11,4
8,0
abr/06
10,4
16,5
13,4
9,1
8,4
10,7
8,3
abr/07
10,2
12,1
14,2
8,1
7,5
11,6
7,9
abr/08
8,5
9,3
11,9
6,9
7,1
9,4
6,7
abr/09
8,9
10,6
12,4
6,8
6,8
10,2
6,2
abr/10
7,3
9,1
11,2
5,8
5,9
7,7
5,4
abr/11
6,4
7,5
10,2
5,3
4,8
7,1
4,6
abr/12
6,0
5,6
8,3
5,0
5,6
6,5
4,7
abr/13
5,8
6,4
7,7
4,2
4,8
6,7
4,0
mar/14
5,0
5,5
9,2
3,6
3,5
5,7
3,2
abr/14
4,9
6,3
9,1
3,6
3,5
5,2
3,2
O contingente de desocupados, em abril de 2014, manteve-se estável em todas as regiões. No confronto com abril de 2013, caiu 16,0% na região metropolitana de Belo Horizonte, 27,9% no Rio de Janeiro, 22,8% em São Paulo e 19,5% em Porto Alegre. Manteve a estabilidade em Recife e Salvador.

Nível da ocupação fica estável em 53,0%

O nível da ocupação (proporção de pessoas ocupadas em relação às pessoas em idade ativa) foi estimado, em abril de 2014, em 53,0% para o total das seis regiões investigadas, revelou estabilidade em relação ao mês anterior. No confronto com abril de 2013 (53,6%), esse indicador reduziu 0,6 ponto percentual. Regionalmente, na comparação mensal, o cenário foi de estabilidade em todas as regiões. No confronto com abril do ano passado, duas regiões apresentaram redução: Recife (1,8 ponto percentual) e Belo Horizonte (1,4 ponto percentual) e as demais regiões mantiveram-se estáveis.

Na análise do contingente de ocupados por grupamentos de atividade para o conjunto das seis regiões, de março para abril de 2014, não foi observada variação significativa em nenhum dos grupamentos de atividade. Em comparação com abril de 2013, esse comportamento se repetiu.

Na comparação anual, rendimento médio sobe em todas as regiões

Regionalmente, em relação a março de 2014, o rendimento dos trabalhadores subiu na região metropolitana de Belo Horizonte (0,9%). Apresentou queda em Salvador (2,4%); Rio de Janeiro (0,8%) e em Porto Alegre (1,9%). Ficou estável em Recife e São Paulo. Na comparação com abril de 2013, o rendimento subiu em: Recife (3,2%); Salvador (4,5%); Belo Horizonte (0,4%); Rio de Janeiro (4,4%); São Paulo (1,3%) e Porto Alegre (4,1%).

A massa de rendimento médio real habitual dos ocupados foi estimada em 47,2 bilhões em abril de 2014, caiu 0,5% em relação a março. Na comparação com abril do ano passado esta estimativa aumentou 3,6%.

Na classificação por grupamentos de atividade, para o total das seis regiões, o maior aumento no rendimento médio real habitualmente recebido em relação a março de 2014 foi na construção (2,3%), e a maior queda no grupamento educação, saúde, serviços sociais, administração pública, defesa e seguridade social (-2,4%). Na comparação anual, observou-se aumento de 10,8% na construção e queda de -1,0%na indústria extrativa, de transformação e distribuição de eletricidade, gás e água.

Rendimento médio real habitualmente recebido
Grupamentos de atividade
abr/13
mar/14
abr/14
%m
%a
População ocupada
1.977,24
2.040,27
2.028,00
-0,6
2,6
Indústria extrativa, de transformação e distribuição de eletricidade, gás e água
2.089,99
2.072,28
2.068,10
-0,2
-1,0
Construção
1.681,89
1.823,21
1.864,30
2,3
10,8
Comércio, reparação de veículos automotores e de objetos pessoais e domésticos e comércio a varejo de combustíveis
1.563,40
1.658,21
1.662,00
0,2
6,3
Serviços prestados à empresa, aluguéis, atividades imobiliárias e intermediação financeira
2.513,06
2.561,86
2.550,20
-0,5
1,5
Educação, saúde, serviços sociais, administração pública, defesa e seguridade social
2.650,02
2.746,09
2.679,50
-2,4
1,1
Serviços domésticos
826,40
869,22
864,60
-0,5
4,6
Outros serviços (alojamento, transporte, limpeza urbana e serviços pessoais)
1.723,82
1.746,60
1.741,30
-0,3
1,0
Já na classificação por categorias de posição na ocupação, o maior aumento no rendimento médio real habitualmente recebido se deu entre os empregados sem carteira no setor privado (1,5%) na comparação mensal, e entre empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado (2,1%) na comparação anual.

Rendimento médio real habitualmente recebido
Categorias de posição na ocupação
abr/13
mar/14
abr/14
%m
%a
Empregados com carteira no setor privado
1.805,99
1.859,05
1.844,50
-0,8
2,1
Empregados sem carteira no setor privado
1.475,92
1.407,83
1.428,40
1,5
-3,2
Militares e funcionários públicos
3.337,76
3.454,24
3.347,40
-3,1
0,3
Pessoas que trabalharam por conta própria
1.730,51
1.781,83
1.749,20
-1,8
1,1

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Contos de fada

Na introdução ao seu livro O Capital no Século 21, que está dando tanto o que falar, o francês Thomas Piketty faz uma espécie de retrospectiva do pensamento econômico até hoje. A uma comparação entre Simon Kuznets (o russo naturalizado americano que ganhou o Nobel de Economia em 1971 pelo seu trabalho sobre distribuição de renda em sociedades industriais) e Karl Marx, Piketty deu o título de Do Apocalipse ao Conto de Fada. Apocalipse era o que Marx prometia, com sua previsão de que a burguesia produziria seus próprios coveiros e só o proletariado sublevado derrotaria o capital espoliador. Conto de fada era a chamada "curva de Kuznets", segundo a qual o capital cumulativo e monopolista eventualmente se autocorrigiria e, para citar uma imagem fluvial ainda em uso hoje, quando as águas subissem ergueriam todos os barcos ao mesmo tempo. Entre parênteses: o economista brasileiro Paulo Gurgel Valente, num texto que circula na internet, fez um ótimo resumo, claro e didático, do trabalho de Kuznets e da crítica de Piketty.

Piketty reconhece a importância de Kuznets, um dos primeiros economistas a recorrer a estatísticas científicas com as quais Marx (e Malthus e Ricardo e outros catastrofistas dos séculos 18 e 19) nem sonhava. Mas as conclusões de Kuznets podem ser chamadas de canções de ninar para capitalista selvagem dormir sem remorso. Piketty perdoa o otimismo de Kuznets porque ele é um reflexo direto do otimismo da época, o período entre o fim da Segunda Guerra Mundial, 1945, e 1975, 30 anos que na França são chamados de "les trente glorieuses", durante os quais todos os barcos subiram juntos e subiram muito. Desde então, de acordo com o estudo das estatísticas a seu dispor (e a dispor de todo o mundo) e as previsões de Piketty, os mitos do mercado autorregulado, da mãozinha invisível de Adam Smith e da eventual superação da desigualdade e da injustiça que virá um dia, é só ter paciência, sobrevivem nos contos de fada com final feliz que o neoliberalismo insiste em nos contar, e defende contra todas as evidências. Um contrapeso teórico à sua tese, do qual Piketty não foge, é que o sonho — ou o pesadelo, dependendo de que lado você estaria quando viesse o cataclismo — previsto por Marx também não aconteceu. O apocalipse marxista também virou conto de fada, pelo menos na sua pretensão escatológica à redenção da humanidade no fim do capitalismo, do Estado e da História.

Piketty propõe medidas contra a desigualdade difíceis de imaginar na prática, como a taxação universal de grandes fortunas herdadas e lucro desmedido. Mas seu livro está sendo considerado tão importante, sobre distribuição de renda no século 21, quanto as teses equivocadas de Kusnets que justificavam a ganância no século 20. Resta saber se terá a mesma influência.

Luís Fernando Veríssimo
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Secadores

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Sabesp entope as torneiras paulistanas de propaganda dizendo que falta d’água é planetária


Um “especial condomínios” bancado pela Sabesp, impresso pelo Diário de S. Paulo e distribuído nos edifícios da cidade sustenta que O mundo pede água:
A crise hídrica é mundial e o Brasil começa a sentir as consequências de um longo período de estiagem.
Logo abaixo, diz o texto:
A água no mundo tornou-se um grande desafio: a Organização das Nações Unidas (ONU) estima que nos próximos 25 anos, dois em cada três habitantes do planeta terão problemas para obter água limpa. Entre as causas, a entidade mundial aponta o crescimento populacional, a poluição das águas, o desperdício na distribuição e as mudanças climáticas.
Em A origem da crise, a empresa fornece dados sobre a falta de chuvas. Todos aparentemente verdadeiros.

Porém, não explica a falta de ação do governo paulista e da própria empresa, embora um dos pontos mencionados como origem da crise é justamente de que “foi o terceiro verão consecutivo em que as chuvas ficaram abaixo da média”.

Se é assim, as autoridades não deveriam ter agido antes?

Além disso, os usuários da Sabesp estão recebendo pelo correio o Relatório Anual de Qualidade de Água 2013. O folheto apresenta a empresa como preocupadíssima com a saúde do usuário, ao qual convida para que se torne “guardião das águas” e economize.

Seria uma “versão líquida” daqueles fiscais que o ex-presidente José Sarney convocou para monitorar o preço da carne no pasto, nos tempos da inflação descontrolada.

Deu para entender agora por que a Sabesp cortou seu orçamento, mas deixou intacto o dinheiro para torrar em propaganda?

PS do Viomundo: Essa “esperteza” dos tucanos quando se trata de propaganda contrasta com a lerdeza do PT. Convidado a dar uma entrevista ao vivo a um programa de TV que liderava a audiência matutina naquele momento de crise — causado pela greve dos motoristas e cobradores de ônibus — o prefeito petista Fernando Haddad não conseguiu rearranjar a agenda!
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Ibope: Dilma tem 40%; Aécio, 20%; e Campos, 11%


De acordo com o levantamento, Dilma conseguiria se reeleger já no primeiro turno porque conta com mais intenções de voto do que a soma dos outros pré-candidatos.

No último levantamento do Ibope, realizado em abril, Dilma estava com 37%; Aécio, com 14%; e Campos, com 6%.

No começo do mês, uma pesquisa do Datafolha mostrou um cenário parecido com o revelado hoje pelo Ibope: Dilma, com 37%; Aécio, com 20%; e Campos, com 11%.

Na pesquisa divulgada nesta quinta, o pastor Everaldo Pereira (PSC) tem 3%. Eduardo Jorge (PV) e José Maria (PSTU) aparecem com 1%. Os demais pré-candidatos não pontuaram. Os que dizem que votarão em branco ou nulo somam 14%. O total de indecisos chega a 10%.

O Ibope entrevistou 2.002 pessoas em 140 municípios entre os dias 15 e 19. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para baixo ou para cima. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número BR-00120/2014.
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Robson Marinho, o tucano intocável

Covas é considerado um símbolo de ética na política
“Covas era detalhista. Uma vez eu estava com ele e, sobre a mesa, havia um monte de processos de concorrência, uma pilha enorme. A gente estava conversando e eu falei: ‘Mario, você está lendo processos de concorrência?’ Ele respondeu: ‘É, isso aqui é importante. São estradas vicinais’.

Eu falei: ‘Não acredito que você esteja lendo um por um’. E ele: ‘Eu vejo todos. Mesmo que tenha que ficar aqui a noite inteira, eu não deixo de ler’.

Ele tinha fixação em acompanhar tudo de perto.”

O depoimento acima é do jornalista Miguel Jorge, e se refere a Mário Covas, fundador e reserva moral do PSDB.

Morto em 2001, aos 71 anos, Covas ainda hoje é chorado. Muitos atribuem à sua ausência a guinada à direita vale tudo do PSDB sob Serra.

Mas agora seu legado está sendo forçado a uma penosa revisão, no rastro do escândalo das propinas pagas a autoridades tucanas por grandes empresas estrangeiras para a conquista de obras multimilionárias no metrô de São Paulo. Duas companhias se destacam no caso, a alemã Siemens e a francesa Alstom.

O problema póstumo de Covas aparece na forma de um nome ao mesmo tempo estreitamente vinculado às propinas e a ele próprio: Robson Marinho.

Marinho, hoje conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, órgão incumbido de investigar as contas do governo de São Paulo, teve uma longa parceria com Covas.

Pertenceu ao grupo de Covas na Constituinte da segunda metade dos anos 1980. Coordenou, depois, a campanha que levaria Covas ao governo paulista. Foi indicado no novo governo para o cargo mais importante entre todos — o de chefe da Casa Civil.

Respeitado pela mídia
Respeitado pela mídia
Depois, Covas ainda o indicou para o TCE. Jornalistas ponderaram a inadequação de Marinho para a função. Como alguém tão ligado a Covas poderia examinar as contas de seu governo?

A esta pergunta, feita por um jornalista, Covas respondeu asperamente. “A ilação é que por ser um amigo meu ele vai me favorecer, é isso?”

Era isso, naturalmente. Mas Covas, talvez pela cultura época de então, não parecia ver conflito ético naquilo.

Considerada a probidade pessoal de Covas, Robson Marinho provavelmente não tenha tido necessidade de fechar os olhos às contas relativas a Covas.

Mas com ele no TCE a bandalheira no metrô de São Paulo acabaria legalmente chancelada. O contribuinte paulista não tinha defesa no TCE. E continua a não ter, a despeito de todas as evidências de corrupção que pesam contra Marinho.

Tão logo Covas chegou ao Palácio dos Bandeirantes, a Alstom logo tratou de estabelecer boas relações com Marinho. Levou-o, tudo pago, para a Copa da França, em 1998.

O caráter da ligação entre a Alstom e Robson Marinho ficaria publicamente claro anos depois.

A justiça suíça, numa investigação sobre as propinas pagas pela empresa (até 1999 a legislação francesa permitia subornos em subsidiárias), descobriu uma conta que atribuiu a Robson Marinho.

A conta, num banco suíço, foi abastecida com subornos da Alstom. Ela acabaria bloqueada, depois que foram identificados movimentos para transferir dinheiro para os Estados Unidos.

Robson continua a ser conselheiro do TCE, a despeito de todas as evidências de corrupção
Robson continua a ser conselheiro do TCE,
a despeito de todas as evidências de corrupção
Robson Marinho recebe cerca de 20 000 reais no TCE. Um secretário de governo em São Paulo ganha 15 000 reais.

Seu patrimônio declarado inclui uma ilha em Paraty, à qual chega em sua lancha, e um prédio comercial de oito andares em São José dos Campos, onde deslanchou para a carreira como prefeito.

Segundo uma imobiliária especializada em luxo, a Sotheby’s Realty, o preço médio de uma ilha no Brasil oscila entre 5 milhões de dólares e 20 milhões de dólares.

Mesmo depois das denúncias emanadas da justiça suíça, Marinho continua com seu cargo no TCE, incumbido de fiscalizar contas do governo de São Paulo.

É esta a ética exemplar, aspas, prepagada pelos neoudenistas do PSDB?

Segundo o testemunho de Miguel Jorge, Mário Covas era obcecado com detalhes. Mesmo assim, os movimentos de seu amigo Robson Marinho lhe escaparam.

E isso hoje cobra um preço amargo em sua imagem póstuma de homem público exemplar.

Paulo Nogueira
No Blog do Miro
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Sim, a bandeira de Cuba aparece no vídeo da música da Copa (oh!). E por que isso não tem qualquer importância?


Deveria ser um evento banal, o lançamento do clipe da música oficial da Copa. Mas, opa!, tem uma bandeira de Cuba ali no vídeo. Pronto, motivo para mais uma tola teoria conspiratória.


Durante o vídeo, a bandeira cubana aparece algumas vezes. Cuba foi uma vez à Copa, em 1938, e não deve voltar a um Mundial tão cedo. Então por que não bolar teoria conspiratória, não é mesmo?

Nesta segunda-feira, na página do senador Alvaro Dias (PSDB-PR) no Facebook, apareceu um frame do vídeo — onde se vê a bandeira cubana. A foto vem com uma pergunta: “Se Cuba não está na Copa… Porque sua bandeira está no clipe da Copa?”. Há um texto assinado por “Eduardo – Assessoria”:

Cuba, uma das piores seleções nas eliminatórias das Américas do Norte e Central (apenas 1 ponto em seis jogos, eliminada em último em seu grupo), aparece com destaque no clipe oficial da Copa, que conta com a cantora brasileira Claudia Leite, além do rapper Pitbull e da americana Jennifer Lopez. A bandeira cubana aparece sendo agitada por torcedores em quatro momentos do clipe.

Não é preciso muito esforço pra entender a relação que se pretende fazer com a postagem, ainda que não seja dito. Ler alguns dos mais de 21 mil comentários ajuda a entender o recado transmitido. Cuba, governo brasileiro, PT.

Acontece que basta olhar com atenção por poucos segundos para a imagem usada na postagem para ver que a bandeira de Cuba não é a única dentre os países que não jogarão a Copa. Ali, é possível identificar pelo menos mais seis: Bahamas, Dinamarca, Finlândia, Guatemala, Israel e Suécia. Em outros momentos do vídeo, há um grande número de bandeiras de países que não jogarão o Mundial: África do Sul, Bolívia, Djibuti, Escócia, Nicarágua, Omã, Panamá, Peru, República Dominicana, Somália, Trinidad e Tobago e Venezuela são alguns deles. Você pode achar vários outros.

É uma homenagem evidente a países que, na visão da Fifa, disputaram a Copa. As Eliminatórias são parte do Mundial. O que o Brasil receberá a partir do dia 12 de junho são as finais da Copa.

Pitbull, que interpreta a música oficial da Copa ao lado da americana Jennifer Lopez e da brasileira Claudia Leitte, nasceu em Miami, mas tem ascendência cubana. Habitualmente usa a bandeira de Cuba em vídeos e apresentações.

E que tal lembrar que a música oficial da Copa (assim como seu vídeo) não tem qualquer ligação com o governo brasileiro? A relação, no máximo, é com a Fifa. Será, então, que a Fifa está planejando um golpe comunista?

Talvez seja um bom tema para a próxima teoria da conspiração. A Fifa é comunista e, como disse no Facebook Ivan Capelli, o presidente da entidade se chama Joseph numa homenagem a Stallin.

Por favor, parem de falar merda.

Rodrigo Borges

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Jornal da Globo ofende catarinenses



Significado de Jaguara

sm (tupi iauára) Zool 1 Nome que alguns naturalistas deram ao jaguar. 2 Reg (Rio Grande do Sul) Cão ordinário; gente vagabunda; animal sem-vergonha, lerdo.
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Para entender a paralisação dos ônibus em São Paulo

SP: Sindicato grevista tem histórico de desvios de verba e assassinatos

O atual presidente do Sindmotoristas, Valdevan Noventa, e o ex, Isao Hosogi – o Jorginho: disputa por poder pode explicar greve em SP

Na linha de frente da greve de ônibus que pegou todos os trabalhadores de São Paulo de surpresa na volta para casa nesta terça-feira (20) — e que continua nesta quarta — o Sindicato dos Motoristas de Ônibus de São Paulo (Sindmotoristas-SP) tem um longo histórico de disputas, desvios de verba e até assassinatos.

Os dois sindicalistas que disputam o poder na entidade têm em comum vários problemas judiciais, como acusações de enriquecimento ilícito, formação de quadrilha e suspeitas de ligação com organizações criminosas.

Valdevan Noventa, o atual presidente, e Isao Hosogi — o Jorginho, que hoje está na oposição, eram aliados até 2003, quando os dois foram presos sob acusação de comandar uma máfia que organizava greves em conluio com empresas de ônibus na cidade.

Os dois faziam parte da mesma diretoria até o ano passado, quando Valdevan Noventa ganhou força para disputar a presidência contra “Jorginho”, que estava no cargo desde 2004.

Acusando o ex-aliado de ser o “Jorginho do Patrão”, Valdevan Noventa ganhou espaço expondo supostos bens de Isao Hosogi durante a campanha. Entre os bens haviam casas de praia e imóveis que somariam, segundo o adversário, um patrimônio de mais de R$ 16 milhões — valor incomum para um sindicalista de uma categoria com salários tão achatados, com piso salarial de R$ 1.955,00 para motoristas e R$ 1.130,0 para cobradores.

Após saírem da cadeira em 2004, Isao Hosogi assumiu a presidência com apoio do ex-presidente Edvaldo Santiago, mesmo com a acusação de conluio com empresários ainda a ser resolvida na Justiça.

Valdevan Noventa, por sua vez, assumiu uma cooperativa de perueiros em Taboão da Serra, onde se tornou vereador pelo PV e, mais tarde, foi investigado pela Polícia Civil por suspeita de lavar dinheiro do tráfico de Paraisópolis nas lotações da cidade, além de ligação com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

Em 2010, o assassinato de três dirigentes do Sindmotoristas-SP levantou suspeitas que até hoje não foram confirmadas pela Justiça de que o então presidente, Isao Hosogi, comandava um esquema interno de desvio de dinheiro nos contratos de planos de saúde da categoria.

A morte dos diretores fez emergir o suposto esquema, que, segundo a Polícia Civil, teria movimentado irregularmente cerca de R$ 500 mil.

Embate eleitoral

Por conta dos assassinatos e dos supostos esquemas de fraude, a eleição que colocou os dois dirigentes sindicalistas em rota de colisão ficou mais acirrada, obrigando a intervenção da Justiça do Trabalho e ficando quase três meses paralisada.

No dia marcado para a eleição da entidade, no fim de julho de 2013, uma confusão relacionada à distribuição das urnas terminou em tiroteio que deixou três pessoas baleadas e obrigou a paralisação do processo eleitoral imediatamente.

Na nova eleição de setembro, a chapa de oposição comandada por Valdevan Noventa venceu o pleito apoiado pela UGT (União Geral dos Trabalhadores) e obteve 57,3% dos votos da categoria.

Já Isao Hosogi, apoiado pela CUT e pela Força Sindical, perdeu o cargo após três mandatos seguidos.

Acordo coletivo

Com esse histórico de disputas, o grupo de Isao Hosogi não teria aceitado o acordo feito entre a Prefeitura de São Paulo e a diretoria de Valdevan Noventa, onde a categoria teria reajuste de 10% nos salários.

O reajuste foi aprovado pela assembleia da categoria composta por de 4 mil trabalhadores, realizada no último dia 19.

Segundo o secretário de Transportes, Jilmar Tatto, os dissidentes não compareceram à reunião e decidiram por iniciativa própria começar uma paralisação surpresa, fechando ruas e avenidas de São Paulo e complicando a volta para casa dos paulistanos.

O presidente nacional da UGT (União Geral dos Trabalhadores), central sindical que o Sindmotoristas-SP está filiado, diz que já está negociando com os grevistas rebeldes para colocar fim à paralisação no transporte da cidade.

Segundo Ricardo Patah, há chances da greve ser interrompida ainda nesta quarta-feira (21).

“A UGT está ouvindo todos os lados e até o final do dia vamos resolver de forma muito democrática esse conflito. Felizmente o grupo grevista representa uma minoria e a grande massa dos trabalhadores está a favor da atual gestão e decidida a voltar ao trabalho. Estamos tentando sensibilizar esse pequeno grupo dissidente de que manter a paralisação só prejudica e coloca o resto da categoria contra eles”, declara o presidente da UGT.




Rodrigo Rodrigues | Terra
No Viomundo
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A retórica do ódio avança


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