16 de mai de 2014

Documentário expõe a verdade sobre o corporativismo da grande mídia


Uma mosca numa garrafa de coca-cola, o documentário espanhol que expõe a verdade sobre o corporativismo da grande mídia internacional

Os governos da Venezuela, Equador, Bolívia e Argentina criaram leis e políticas que afetaram os interesses das multinacionais espanholas: nacionalização e expropriação de empresas de petróleo, elétricas, bancárias… Ao mesmo tempo, introduziram normas que regulam os meios de comunicação para evitar que estejam nas mãos de grandes grupos privados transnacionais. Definitivamente, afetaram o poder econômico, político e midiático de grandes empresas espanholas, incluindo os meios de comunicação.

Quem elege os presidentes? A cidadania ou os meios de comunicação? Alguém disse que nos Estados Unidos, é possível escrever contra o presidente democrata ou contra o presidente republicano, mas nunca poderá ser publicada a notícia de que uma mosca foi descoberta dentro de uma garrafa de coca-cola.

Una mosca en una botella de coca-cola é um documentário espanhol, dirigido por Javier Couso Permuy, que explica com perfeição a influência negativa que os grandes grupos econômicos concentrados exercem sobre as sociedades democráticas, apoiados pelos conglomerados de mídia. Durante 23 minutos, o filme de Javier mostra exemplos concretos de práticas antiéticas e manipulações da grande mídia, unida em um corporativismo internacional, para desacreditar os governos populares da América Latina.

Entre muitas verdades e entrevistas, Olga Rodríguez, ex-funcionária do Grupo Prisa, editor do jornal espanhol El País declara: Em muitas redações existem autênticas ordens sobre como informar sobre determinados países da América Latina. E isso eu vivi dentro da redação do El País.

O cientista político e escritor Juan Carlos Monedero vai mais longe: o sistema tem muito claro que precisa apresentar o Chavez, o Evo Morales, o Rafael Correa como inimigos do povo e da humanidade porque se as pessoas os conhecerem como o que realmente são ou foram, ou seja referentes que estão devolvendo ao povo a possibilidade de controlar seus próprios destinos, as pessoas começarão a dizer que onde está o problema é aqui, nesta Europa caduca que somente se sustenta se não soubermos a verdade.

E a Coca-Cola? O que tem a ver com isso: Se a Coca-Cola é a dona de tudo o que você lê, vê ou escuta, ninguém vai falar das moscas que moram nas suas garrafas. Então você ja sabe: democracia significa… Expropriar!, finaliza o documentário.


No Argentina etc
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#AbsurdoÉseuRacismo


“É um absurdo deixarem trabalhar gente assim aqui!” , disse a madama à uma funcionária negra de uma padaria no Rio de Janeiro no início dessa semana. Tudo começou porque a cliente teria se ofendido pelo modo como foi informada de que ali não era feito “café normal”, apenas café expresso e que ele custava 3 reais. Ela esperava ser prontamente atendida, estava ali para ser servida não importa a que custo. Quando isso não aconteceu, foi o bastante para que se sentisse autorizada a começar a berrar como testemunhou a atriz Aparecida Petrowky que também é negra.

Nesse momento, a PM entrou em cena. A primeira providência foi mandar que a mulher negra pedisse desculpas à cliente. Ela se recusou (yes!!!!) – “Eu estou trabalhando! Não vou pedir desculpas nem sair daqui. Não vou!” Mais uma vez, não era a resposta adequada. Não para a branquitude. O simples fato de ter falado em voz alta fez com os policiais considerassem sua atitude como desacato à autoridade. Após a violência de ser sido humilhada, constrangida e coagida em função de sua cor, tanto pela cliente quanto pela polícia, foi a vítima que saiu algemada do local causando indignação de alguns presentes.

“É um absurdo deixarem trabalhar gente assim aqui?”

Absurdo é o seu racismo.

Absurdo é ser impedida de trabalhar, é a polícia te obrigar a pedir desculpas ao seu agressor, é ser presa porque disse não ao racismo. Queriam que fosse subserviente, baixasse a cabeça, se calasse. Queriam também que não estivesse ali, sua resposta foi insolente demais, sua presença incomodava demais. Gente assim, que não se curva, não interessa. A presença da mulher negra é intolerável a ponto de uma de nós ser barrada na própria instituição onde estuda, na USP. Absurdo é uma estudante negra ser vítima de racismo institucional na PUc Campinas. Absurdo é a universidade dizer que o racismo prejudica aos alunos brancos e seus pais, porque essa mesma aluna denunciou seu racismo ao ser acuada pela universidade que deveria defendê-la.

Absurdo é parir na calçada na frente de um hospital por falta vaga e de cuidados com a saúde da pública, que deveria prestar seus serviços à população pobre e preta. É receber tratamento descuidado no SUS por causa da sua pele. É a cara do médico com nojo de tocar a sua pele, fazendo de tudo para que você saia logo dali. É ser acusada de descaso para com a própria saúde por não ter ido antes a uma consulta, quando se tem de esperar meses entre uma e outra. É você ter de esperar um ano ou mais pra receber tratamento oncológico porque o médico não acredita no que você fala. Absurdo é morrer mais.

Absurdo é a militarização da polícia, o ocupação das comunidades, é a autorização para matar e depois arrastar nossos corpos pela rua como se fossem lixo. É ser acusada pela polícia de se ter envolvimento com o tráfico para justificar nossos assassinatos. Absurda é a limpeza etnica e seus mecanismos que criam espaços onde negras e negros não são benvindos. É morrer linchada pela população por ser confundida com uma “praticante de magia negra”. É o preconceito religioso. Absurdo é andar na rua e ter que ouvir insultos sexistas e racistas e nem sempre poder revidar porque você poderá ser vítima de agressão física. É ser entendida como uma objeto sexual que está sempre disponível.

Absurdo é que nenhum estudante negro esteja entre os aprovados da fuvest nas 3 carreiras mais concorridas do vestibular de 2013. É não estamos nos espaços de poder e prestígio como cargos de chefia nas empresas públicas e privadas, no parlamento, no executivo, na televisão, nas redações. Absurdo é a novela que prega a supremacia escalando com muita sorte “apenas” 90% de atores brancos e relegando atores negros os papéis de serviçais ou “negros fiéis”. Absurdo é ser mantida num gueto midiático através de representações estereotipadas. Ou ser motivo de homenagem, quando fazem “humor” com seu cabelo, seus dentes, sua cor de pele.

Eu sei, você não queria ouvir nada disso.

Mas não iremos nos calar.

Absurdo é o seu racismo.

Participe do tuitaço #Absurdoéoseuracismo que acontece agora, dia 16 à partir de 16 horas.

Use a hashtag e não se deixe calar também.

No Blogueiras Negras
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Família Marinho é a mais rica do Brasil, diz Forbes

José Roberto Marinho, da famiglia
A família Marinho é a mais rica do Brasil, com uma fortuna de US$ 28,9 bilhões, de acordo com ranking da revista Forbes. As Organizações Globo deixou bilionários os irmãos Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto Marinho.

A segunda família mais rica é a dos Safra, cujo banco proveu um patrimônio conjunto de US$ 20,1 bilhões. Três dos parentes são bilionários: Joseph, Moise e Lily Safra.

No terceiro lugar está a família Ermírio de Moraes, que amealhou US$ 15,4 billhões com o grupo Votorantim. De acordo com a Forbes, a família tem seis parentes bilionários:  Antonio Ermírio de Moraes, Ermírio Pereira de Moraes, Maria Helena Moraes Scripilliti, José Roberto Ermírio de Moraes, José Ermírio de Moraes Neto e Neide Helena de Moraes.

A lista da revista traz as 15 famílias com maior patrimônio no país. Veja abaixo a relação completa:  


Famílias mais ricas do Brasil
Fonte: Forbes
Família
Fonte da fortuna
Fortuna somada
Parentes bilionários
Marinho
Organizações Globo
US$ 28,9 bilhões
Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto Marinho
Safra
Banco Safra
US$ 20,1 bilhões
Joseph, Moise e Lily Safra
Ermírio de Moraes
Grupo Votorantim
US$ 15,4 bilhões
Antonio e José Roberto Ermírio de Moraes, Ermírio Pereira de Moraes, Maria Helena Moraes Scripilliti, José Ermírio de Moraes Net
Moreira Salles
Banco (Unibanco)
US$ 12,4 bilhões
Fernando Roberto Moreira Salles, João Moreira Salles, Pedro Moreira Salles e Walter Moreira Salles Junior
Camargo
Camargo Correa
US$ 8 bilhões
Rossana Camargo de Arruda Botelho, Renata de Camargo Nascimento e Regina de Camargo Pires Oliveira Dias
Villela
Banco (Itaúsa)
US$ 5 bilhões
Alfredo Egydio de Arruda Villela Filho e Ana Lucia de Mattos Barretto Villela
Maggi
Soja
US$ 4,9 bilhões
Lucia e Blairo Borges Maggi, Marli Maggi Pissollo, Itamar Locks e Hugo de Carvalho Ribeiro
Aguiar
Banco (Bradesco)
US$ 4,5 bilhões
Lina Maria e Lia Maria Aguiar e Maria Angela Aguiar Bellizia
Batista (sem relação com Eike Batista)
Grupo JBS
US$ 4,3 bilhões
Dez parentes sem bilionários individuais
Odebrecht
Diversificada
US$ 3,9 bilhões
15 parentes sem bilionários individuais
Civita
Grupo Abril
US$ 3,3 bilhões
Giancarlo e Anamaria Civita e Victor Civita Neto
Setúbal
Banco (Itaú)
US$ 3,3 bilhões
25 parentes sem bilionários individuais
Igel
Grupo Ultra (petróleo)
US$ 3,2 bilhões
Daisy Igel
Marcondes Penido
Grupo CCR
US$ 2,8 bilhões
Ana Maria Marcondes Penido Sant’Anna
Feffer
Grupo Suzano
US$ 2,3 bilhões
Cinco irmãos sem
No SQN
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A Petrobras e o futuro


A luta pela criação da empresa foi bela e consagradora. Ela é respeitada internacionalmente, mas ferozmente combatida

Criticada, vilipendiada, atacada desde o início por aqueles que se recusavam a acreditar na capacidade de realização da gente brasileira, e achavam que era melhor entregar nosso subsolo às petroleiras inglesas e norte-americanas, a Petróleo Brasileiro S.A. só foi criada porque milhares foram para a rua em sua defesa. Transformou-se em símbolo e bandeira de um Brasil viável, soberano e forte. Com o tempo, cresceu. Descobriu petróleo nas 200 milhas de nosso mar territorial. Desenvolveu e aprimorou, ao extraí-lo, a mais avançada tecnologia de exploração em oceanos. Tornou-se a mais premiada empresa na disputada Offshore Technology Conference (OTC), o “Oscar” da engenharia de petróleo. É respeitada internacionalmente, e ferozmente combatida. Há, hoje, no mundo inteiro, uma luta surda entre as grandes multinacionais de capital privado e estatais petrolíferas, pelas reservas de óleo e gás do planeta.

Considerando-se isso, seria melhor para as grandes corporações internacionais se pudessem incorporar a seu patrimônio as gigantescas reservas do pré-sal. Ou, que  não tivessem sido obrigadas a aplicar percentual mínimo, no Brasil, em pesquisa e a transformar o país em um dos maiores polos de desenvolvimento de tecnologia nessa área.

Há outros problemas enfrentados pela Petrobras, neste momento, que derivam de equívocos estratégicos cometidos pelo governo nos últimos anos. Antes de incentivar as vendas de automóveis, para diminuir os efeitos da crise sobre a indústria, o país deveria ter atentado para a questão: de onde viria o combustível? Seria possível obter, por meio de incentivo a veículos híbridos e elétricos, e da liberalização e desburocratização total da produção de etanol e biodiesel, fontes nacionais de energia para a movimentação dessa frota?

Se investirmos mais em automóveis e menos em transporte público, não estaremos aumentando, dia a dia, mês a mês, o consumo e a importância relativa de insumos importados — diesel e gasolina — na economia, tendo depois, por conta de inflação, de segurar os preços? O governo recusou-se a aumentar o preço dos combustíveis, afetando o faturamento da companhia, quando poderia tê-los corrigido, homeo­paticamente, ao longo do tempo, sem impactar de uma só vez a inflação, como provavelmente terá de fazer  a qualquer momento. Finalmente, a produção nacional também diminuiu, não por falta de reservas, mas por causa da abundância delas.

Plataformas de petróleo mais antigas tiveram de ser adaptadas ou substituídas por outras mais modernas, especialmente projetadas para trabalhar com o pré-sal, que foram majoritariamente construídas em território brasileiro. Navios gigantescos, como o João Cândido, o Celso Furtado, o José Alencar e o Zumbi dos Palmares, fabricados no Brasil, ajudaram a reerguer a indústria naval, criando milhares de empregos.

Os problemas da Petrobras são transitórios. Tenderão a se resolver, quando novas plataformas forem concluídas e entrarem em funcionamento; as novas refinarias forem inauguradas, diminuindo a importação de diesel e gasolina estrangeiros; e houver uma recomposição paulatina do preço dos combustíveis.

É natural que, com o tempo, suas diretorias e subsidiárias tenham se transformado — para partidos e parlamentares — em alguns dos mais cobiçados cargos da República. Tudo seria diferente, se, na Constituição, fosse vedada a senadores e deputados a ocupação de cargos públicos para os quais não tenham sido efetivamente eleitos. Ou, no limite, houvesse a proibição da indicação, para cargos executivos, de pessoas de fora dos quadros da própria empresa. Isso poderia diminuir, ainda sem evitar totalmente, a ocorrência de desvios e problemas, considerando-se o tamanho da Petrobras e as múltiplas áreas em que atua.

Com todos os problemas que tenha, e que devem ser corrigidos, a Petrobras é trunfo fundamental para o desenvolvimento e o futuro do Brasil, no terceiro milênio. Tudo que se faça, portanto, no âmbito do Congresso, ou da sociedade, pelo aprimoramento da empresa, tem de ser feito não para enfraquecê-la, mas para torná-la mais forte.
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Mídia corporativa deveria abrir mão de publicidade oficial para ver quem é “chapa branca”

Começa nesta sexta-feira, em São Paulo, o 4º Encontro Nacional de Blogueir@s e Ativistas Digitais, promovido pelo Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé, Movimento dos Sem Mídia (MSM) e Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação (Altercom).

A abertura será às 9h, seguindo-se o debate Mídia, poder e contrapoder (abaixo, na íntegra, a programação, local, inscrições).

Às 11h30, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva falará sobre o papel da mídia tradicional, as eleições de 2014 e a importância do ativismo digital.

Nós conversamos com o jornalista e blogueiro Altamiro Borges, presidente do Barão de Itararé, sobre o encontro.

Viomundo – É a segunda vez que o ex-presidente Lula participa de um Encontro Nacional de Blogueiros. A primeiro foi em junho de 2011 no II BlogProg, em Brasília. Ao nos prestigiar o que ele quer dizer? 

Altamiro Borges —  O Lula é vítima de um enorme preconceito das elites, um preconceito de classe. Para as elites, trabalhador é para trabalhar. Não é para pensar e, muito menos, para governar uma nação da importância do Brasil.

A mídia expressa essa visão preconceituosa de classe. Ela é, como já ensinou o intelectual revolucionário italiano Antonio Gramsci, o verdadeiro partido do capital. Ela atacou Lula, sem dó nem piedade, durante seus oito anos de governo. Continua perseguindo-o, de forma implacável.

Lula, o operário, é muito mais sagaz e inteligente do que o “Príncipe da Sorbonne”, do que o intelectual elitista FHC. Ele enxergou rapidamente a importância da internet e apostou na criação do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL).

Ele percebeu a importância do ativismo digital como contraponto ao pensamento único do partido da mídia.

Como ele gosta de dizer, nunca antes na história do país um presidente recebeu um grupo de blogueiros para uma entrevista coletiva exclusiva, em pleno Palácio do Planalto. Os vaidosos “calunistas” da mídia monopolizada espumaram de raiva.

Depois, ele foi ao II BlogProg, em Brasília. Sua presença foi muito importante. Garantiu maior legitimidade a um movimento nascente, que estava apanhando duro da velha imprensa.

Desde o início deste ano, quando fizemos o convite, ele, no ato, sinalizou positivamente e, agora, confirmou sua presença. Lula está disposto a comprar a briga com os barões da mídia e sabe da importância da blogosfera crítica e independente.

Viomundo – Do nome do primeiro encontro, em 2010, para o do quarto, este ano, caiu o “progressistas” e entrou “ativistas digitais”. O que significa essa mudança?

Altamiro Borges O nome progressista surgiu espontaneamente na preparação do primeiro encontro. Não foi algo muito debatido, não houve nem registro em cartório do nome. Ele pintou e foi ficando. Teve gente que propôs blogueiros de esquerda, blogueiros socialistas, blogueiros esquerdistas e outros nomes.

Ficou blogueiros progressistas e a sigla BlogProg. Na minha opinião, a questão do nome não é tão importante para um movimento horizontal, em rede, sem estruturas mais rígidas.

Quanto à inclusão do termo “ativistas digitais”, ele foi definido no terceiro encontro, na Bahia, em 2012. A ideia seria completar toda esta galera, principalmente jovem, que está nas redes sociais. Não tem blog, mas tem um papel decisivo na luta de ideias.

Acho que acertamos. O papel do ativismo digital na jornada de junho de 2013 é prova do aumento da influência do ativismo digital no Brasil e da sua capacidade de mobilização.

Viomundo – Entre o primeiro e o quarto encontro o que mudou?

Altamiro Borges Acho que a blogosfera passou a jogar um peso maior no debate de ideias na sociedade brasileira. Ela hoje tem mais força e legitimidade para fazer o contraponto ao pensamento único emburrecedor da mídia monopolizada. Tanto que a blogosfera incomoda os barões da mídia.

A recente entrevista coletiva com o ex-presidente Lula é prova disso. Jornalões, revistonas e “calunistas” das emissoras de tevê — que mamam nas tetas do Estado, abocanhando fortunas de verbas publicitárias — ficaram histéricos. Atacaram com virulência a blogosfera.

Penso, também, que a blogosfera ajudou no debate sobre a urgência da democratização da comunicação no Brasil.

Os blogs se somaram à luta pela regulação democrática da mídia, que hoje ganhou contornos mais definidos com o projeto de lei de iniciativa popular elaborado pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).

Esse debate hoje envolve diversos setores da sociedade, a esquerda social e política, e conta com a adesão da blogosfera. Pena que o governo Dilma não se alertou para importância estratégica deste tema.

O Brasil, hoje, é a vanguarda do atraso no mundo no debate sobre a regulação democrática da mídia. Até a chavista Rainha Elizabeth II, do Reino Unido, aprovou recentemente uma lei sobre o assunto. A presidente Dilma vai apanhar bastante nas eleições deste ano por sua postura omissa e acovardada sobre o tema.

Viomundo —  Qual o objetivo principal do 4º Encontro Nacional?

Altamiro Borges É reunir os blogueiros e blogueiras para trocar ideias, experiências, e tentar traçar algum plano de ação conjunta.

A blogosfera é muito diversificada e plural — e esta é sua grande virtude.

Cada blogueiro é uma sentença. As opiniões são díspares e até antagônicas. Não dá para pensar em algo centralizado, verticalizado. O grande esforço dos encontros é o de procurar pontos de unidade nesta enorme diversidade.Os três encontros anteriores conseguiram resolver bem esta equação. O desafio está lançado para o IV BlogProg.

Viomundo — Na sexta-feira, o Encontro Nacional promoverá um Seminário Internacional que se propõe a dar continuidade aos debates do 1º Encontro Mundial de Blogueiros realizado em outubro de 2011, em Foz do Iguaçu (PR). Gostaria que falasse um pouco dos temas e dos participantes do seminário.

Altamiro Borges Essa parte será muito rica. Trataremos de uma questão crucial, poder e mídia.  Teremos a presença de importantes especialistas no tema:

Ignacio Ramonet, fundador do jornal Le Monde Diplomatique.

Pascual Serrano, criador do site Rebelion, um dos mais acessados no mundo

Andrés Conteris, integrante do movimento Democracy Now e do Occupy Wall Street (EUA)

Osvaldo Leon, fundador do site América Latina Informações (Alai)

Iroel Sanchéz, blogueiro cubano

Também participarão dois intelectuais brasileiros: o sociólogo e blogueiro Emir Sader e o professor Dennis Moraes, da Universidade Federal Fluminense.

Acho que será possível construir um painel rico sobre o perfil da mídia no mundo e o papel jogado pelo ativismo digital.

Viomundo – A propósito. No artigo que você fez confirmando a presença de Lula no IV BlogProg, teve leitor que, nos comentários do Viomundo, chamou o encontro de petistas, de chapa branca. O que acha? 

Altamiro Borges Com todo o respeito, quem fala isso anda lendo muito a revista Veja, aquele “detrito de maré baixa”, conforme definição do Paulo Henrique Amorim.

É só acompanhar com mais atenção os blogs para ver que há muita diversidade neste campo. Tem gente que bate duro no governo, não perdoa a sua timidez na implantação de reforma estruturais no país e sua ausência de debate político na sociedade.Tem gente que pega mais leve com o governo, que o defende diante dos ataques da direita nativa e da sua mídia venal.

Os próprios encontros dos blogueiros refletem essa realidade. Há gente orgânica, filiada a partidos políticos, e muita gente inorgânica. A virtude deste movimento, como já disse, é conseguir construir a unidade na diversidade, é respeitar as opiniões divergentes, é não confundir polêmica com pugilato.

Quanto ao rótulo de chapa branca, quem recebe bilhões em anúncios dos governos federal, estaduais e municipais são exatamente esses “calunistas” que detestam os blogueiros críticos.
Tenho uma sugestão para esses “calunistas”: vamos suspender todos os anúncios públicos a mídia tradicional para ver quem é chapa branca. Muito jornalista adestrado, que chama o patrão de companheiro, vai perder o emprego sem essa boquinha pública.

* * *

4º Encontro Nacional de Blogueir@s e Ativistas Digitais

Data: 16, 17 e 18 de maio
Local: Hotel Braston, à rua Martins Fontes, 330, Centro.
Inscrição: Pode ser feita no local a partir das 8h30.
Taxa: R$ 50 para o público em geral e R$ 20 para estudantes
Programação
16 de maio, sexta-feira
9h— Abertura
10h — Debate: Mídia, poder e contrapoder
  • Ignácio Ramonet – fundador do jornal Le Monde Diplomatique (França)
  • Pascual Serrano – criador do sítio Rebelion (Espanha)
  • Andrés Conteris – Integrante do movimento Democracy Now (Estados Unidos)
  • Dênis de Moraes – professor da Universidade Federal Fluminense
14h — A mídia na América Latina
  • Osvaldo Leon – integrante da Agência Latina Americana de Informação (Alai-Equador)
  • Damian Loreti – professor (Argentina)*
  • Iroel Sánchez – blogueiro cubano
  • Emir Sader – sociólogo e cientista político
17h  — A luta pela democratização da mídia no Brasil
  • Luiza Erundina – coordenadora da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão (Frentecom)*
  • Rosane Bertoti – coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC)
  • Laurindo Lalo Leal Filho – professor da USP e ex-ouvidor da Empresa Brasil de Comunicação (EBC)
  • Luciana Santos – vice-presidente nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e deputada federal por Pernambuco
17 de maio, sábado
9h — A juventude e a força das novas mídias
  • Pablo Capilé – Fora do Eixo;
  • Renato Rovai – revista Fórum;
  • Beá Tibiriçá – Coletivo Digital
14h — Troca de experiências sobre a blogosfera e o ciberativismo
19h  — Festa de confraternização
18 de maio, domingo
10h — Plano de ação do movimento nacional de blogueir@s
  • Definição do local do V Encontro Nacional, em 2016
  • Aprovação da Carta de São Paulo
  • Eleição da nova comissão nacional organizadora
Convidados para iniciar os debates das desconferências:
Marco Aurélio Weissheimer (RS)
Esmael Morais (PR)
Zé de Abreu (RJ)*
Tarso Cabral (PR)
Leonardo Sakamoto (SP)
Cynara Menezes (DF)
Miguel do Rosário (RJ)
Gilberto Maringoni (SP)
Fernando Brito (RJ)*
Fábio Malini (ES)
Lola Aronovich (CE)
Daniel Pearl (CE)
Altino Machado (AC)
Diógenes “Jimmy” Brandão (PA)
Marcos Vinicius (GO)
Jean Wyllys (RJ)*
Túlio Viana (MG)
Lucio Flávio Pinto (PA)
Claudio Nunes (SE)*
Vito Giannotti (RJ)
Oldack Miranda (BA)*
Douglas Belchior (SP)
Edmilson Costa (SP)
Daniel Menezes (RN)*
Deodato Ramalho (CE)
Beto Mafra (MG)
Cido Araujo (SP)
Bemvindo Siqueira (RJ)
* A confirmar

No Viomundo
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