11 de mai de 2014

Na Nigéria, Lula condena terrorismo do Boko Haram

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou nesta quinta-feira (8), em Abuja, Nigéria, o sequestro de mais de 200 meninas nigerianas pelo grupo terrorista Boko Haram.

Lula está na capital do país para participar do Fórum Econômico Mundial para a África. Em audiência com o presidente Goodluck Jonathan, Lula transmitiu sua solidariedade e a do povo brasileiro ao povo nigeriano, que enfrenta o sequestro de mais de 200 meninas pelo grupo terrorista Boko Haram. Ao final do encontro, Lula se colocou a disposição do presidente Goodluck Jonathan para ajudar no que for possível nesse caso.

Em sessão do Fórum Econômico Mundial para a África na qual foi entrevistado pelo guineense Carlos Lopes, secretário executivo da Comissão Econômica das Nações Unidas para África (UNECA), Lula falou sobre o sequestro e o terrorismo na África:

“É importante que a gente diga de onde surgiu esse terrorismo. Porque depois da primavera árabe, da Guerra do Iraque, da Guerra da Líbia, do Kadafi, gente foi armada e continua armada por aí. Ou seja, soldados sem general. São pessoas bem armadas fazendo terrorismo pelo mundo inteiro. Eu acho primeiro que temos que condenar, porque é abominável alguém sequestrar criança para fazer pressão política. Essas pessoas não merecem perdão, nem de Deus, nem de Alá, nem meu, nem teu. E muito menos de governos. Essas pessoas tem de ser condenadas e pagar o preço de sequestrar uma criança. Se sequestrar adulto já é abominável, sequestrar crianças e ficar ameaçando que vão entregá-las à prostituição, são três crimes em um só. Agora, nós temos que ter cuidado para isso não ser usado contra a África, porque tudo o que acontece na África a gente superdimensiona, e isso gera desconfiança. Nós precisamos lembrar que a maioria dos países da África conseguiram sua independência na década de 1960. Depois, em muitos países veio guerra civil, mais sangrenta e violenta que a guerra pela independência. Então a África tem pouco tempo de aprendizado. E o que precisamos mostrar é que há muitos países da África consolidando a democracia.”

Assista ao vídeo da declaração de Lula sobre o terrorismo na Nigéria:


No Instituto Lula
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Obsoletos

O problema é que de todas as coisas sucateadas com a automatização da indústria, a única que não se adaptou nem se resignou foi a mão de obra. Ela se tornou obsoleta mas não seguiu o caminho dos outros componentes da produção antiga para a extinção. Continua sendo produzida como se ainda tivesse uso. Tem o mesmo formato e o mesmo sistema de funcionamento — pernas, braços, pulmões, coração, circulação sanguínea — que tinha há milhares de anos. Ainda precisa ser alimentada do mesmo jeito, ainda transforma o que ingere em energia e elimina o que não aproveita, poluindo o ambiente, como antigamente.

Não houve mudança significativa no desenho estrutural do ser humano desde o aparecimento do dedão opositor, e isto foi há séculos. Só o pseudocomputador que ele chama de cérebro teve algumas alterações, mas são quase imperceptíveis. Todos os outros instrumentos da produção industrial ultrapassada foram se modificando com o passar dos anos ou simplesmente dando lugar a mecanismos mais eficientes e rentáveis. O homem não se adaptou nem aceitou sua substituição. Continua se reproduzindo, enchendo o mercado de obsoletos iguais a ele.

Estou digitando este texto num computador e pensando que o que meus dedos escrevem serve como metáfora para o que aconteceu com o mundo. Antes, o que eu batia no teclado de uma máquina de escrever — que já era, sozinha, uma metáfora para o século 19 — era rebatido por um operador de linotipo, um híbrido de máquina de escrever e usina metalúrgica de onde saíam as minhas linhas transformadas em chumbo. Depois de uma revisão, as linhas voltavam ao linotipista para serem emendadas, depois eram montadas numa matriz da qual faziam o "flan", um papelão que enchiam de chumbo para fazer a chapa encurvada que montavam na rotativa que imprimia o jornal. A passagem da composição "quente", nas fumegantes linotipos para a composição "a frio", fotográfica, que virava chapa para rotativa em "offset", sem a intermediação do chumbo, simbolizou o fim de um ciclo industrial e o prenúncio do mundo robotizado que viria. A produção com sangue quente dava lugar à produção volatizada. Hoje, o texto pode passar do meu computador para o computador que comanda a rotativa intocado por mãos humanas. A impressão digital sem impressões digitais.

As velhas linotipos, até pelo seu tamanho desajeitado, lembram dinossauros que sobreviveram a sua era, andando por aí, atrasando o progresso do planeta. Seres humanos sem lugar na pós-indústria são como esses monstros hipotéticos. Sua era passou e eles não se flagram. O que fazer com eles? Pode-se limitar seu acesso à alimentação, o que, dado o seu sistema primitivo de metabolismo, os condenaria à extinção em poucas gerações. Mas existiria o perigo de eles começarem a comer qualquer coisa, inclusive nossos computadores e inclusive nós.

Luís Fernando Veríssimo
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Motorista atropela duas pessoas durante protesto em Florianópolis


A manhã de quinta-feira, dia 8 de maio, foi de tumulto em Florianópolis. Trabalhadores do transporte coletivo da capital fizeram uma paralisação pouco antes das oito da manhã, o que causou a revolta de vários usuários que fecharam as duas pistas da avenida em frente ao Terminal Central. Duas mulheres foram atingidas pelo motorista de um carro que tentava sair do bloqueio.


Imagens: Myuraful
MídiaNinja
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Boechat ataca blogueiros, PQP

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Mais sobre o PSDB: um partido blindado e seu moralismo de fachada

Os movimentos da grande mídia, ao longo dos últimos meses, vêm confirmando um fato mais do que previsível: o senador Aécio Neves será, nas próximas eleições presidenciais, a opção preferencial dos banqueiros, dos latifundiários e do alto empresariado em geral, a começar pelas famílias que controlam aquela mesma mídia.  As estratégias empregadas para alavancar o desempenho do presidenciável tucano se estenderão às esferas locais e regionais, ao longo da campanha eleitoral de 2014, em benefício dos candidatos do PSDB e de seus aliados aos governos estaduais, ao Senado e à Câmara.                      

A cúpula do tucanato não desconhece que, decorridos quase doze anos desde seu término, a tendência elitizante das gestões de Fernando Henrique Cardoso, suas privatizações repletas de aspectos escusos, e a compressão salarial acompanhada pela má vontade da Receita Federal em reajustar o limite de isenção do Imposto de Renda, entre outras mazelas, ainda constituem elementos que determinam a impopularidade do partido junto a vastas parcelas do eleitorado.  Os apelos de seus marqueteiros ao passado, portanto, tendem a não ir muito além do reforço do mito de que o PSDB eliminou a inflação e de breves aparições televisivas de um FHC posando de estadista em gravações feitas na sala vip de algum instituto liberal.  

Restará, como principal recurso de uma campanha que, obrigatoriamente, visará a captura dos segmentos mais conservadores da sociedade, a repetição massiva de mensagens centradas no uso responsável do dinheiro público e no combate à corrupção. Isto já é perceptível nos discursos recentes da maioria dos parlamentares tucanos, que em certos casos podem parecer, ao olhar de incautos que se empolgam demais com palavras, verdadeiras vestais.

Desta maneira, nos convém investigar um pouco sobre a correspondência (de existência duvidosa) entre a fachada moralista do tucano médio e a vida real; na verdade, penso que este trabalho seria desnecessário, se removida a enorme complacência dos jornais de maior circulação e das principais emissoras de televisão para com o partido emplumado. Retorno à lista dos senadores em exercício pelo PSDB, que, como assinalei em postagem recente, são onze, incluindo Aécio, cuja administração em Minas Gerais merece matéria à parte. Os nomes de oito de seus companheiros estão ou estiveram associados a graves irregularidades, como se constata, em mais de um episódio, através de  notas esporádicas dos próprios veículos da imprensa burguesa.            

O empresário Flexa Ribeiro, senador pelo estado do Pará, foi preso pela Polícia Federal na Operação Pororoca, deflagrada em novembro de 2004, sob a acusação de ter participado de licitações fraudulentas.  Podemos vê-lo, na primeira imagem abaixo, detido e recorrendo ao ridículo expediente de ocultar as algemas sob uma revista.    

O senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) já chegou ao Senado, dia 11 de janeiro último, com a imagem comprometida. Dias antes, no decorrer da chamada Operação Pororoca, ele foi preso pela Polícia Federal com mais 29 políticos, empresários e servidores públicos, acusados de integrar uma quadrilha envolvida em fraudes em licitações públicas. (Confira aqui)


E sabem quem também foi preso, na condição de dono de uma das empresas que participavam das licitações supostamente fajutas, a Engelplan? O então suplente de senador, e hoje senador pleno pelo PSDB do Pará Flexa Ribeiro. Ele foi algemado, preso e passou 4 dias na cadeia. O inquérito relativo à Operação sumiu no sorvedouro da Justiça. (Leia na Veja, aqui.)

O PSDB paraense também é representado no Congresso pelo ex-bicheiro Mário Couto.  Além de figurar como réu em processos relacionados ao desvio de verbas legislativas, recebeu, em consequência de negócios nebulosos, o caricato apelido de Senador Tapioca. Para arremate da obra, não falta uma evidência de comportamento racista, que chegou à Justiça.   


Couto, recorde-se, quando foi presidente da Alepa teve como auditora geral sua filha, Cilene Lisboa Couto Marques, eleita deputada estadual em 2010. Ela foi substituída no cargo por um irmão, outro dos filhos de Mário Couto, também conhecido como Senador Tapioca. Couto assim ficou conhecido após o escândalo da compra de material elétrico em uma empresa que produzia, unicamente, farinha de tapioca. O escândalo foi cunhado de Tapiocouto. (Leia mais aqui.)

O Ministério Público do Estado do Pará enviou à Procuradoria Geral da República as provas coletadas contra o senador Mário Couto (PSDB) ao longo de mais de um ano de investigação. Couto é acusado de envolvimento em desvio de dinheiro da Assembleia Legislativa no período em que presidiu a casa. Pelo menos onze processos licitatórios teriam sido fraudados entre os anos de 2004 e 2007. Os desvios somam, segundo cálculos do Ministério Público Estadual, R$ 13 milhões. Também está sob análise na Procuradoria Geral da República a denúncia por racismo e abuso de autoridade feita contra o senador pela assistente-administrativa Edisane Gonçalves de Oliveira, 34 anos. Em depoimento no Pará Edisane acusou o senador de tê-la ofendido chamando-a de “preta”, “safada”, “macaca”,“vagabunda” entre outros palavrões. A assistente-administrativa denunciou Couto e a coligação “Reconstruindo Salinas”, alegando violação do Código Eleitoral ( valer-se o servidor público da sua autoridade para coagir alguém a votar ou não votar em determinado candidato ou partido). A agressão teria ocorrido porque Edisane se recusou a fazer propaganda política do candidato a prefeito apoiado por Couto. (Confira aqui.)

Cícero Lucena Filho, da Paraíba, é outro senador tucano que já frequentou o noticiário policial. Ele foi um dos alvos da Operação Confraria, em julho de 2005.

O secretário de Planejamento e Gestão do governo da Paraíba e ex-prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena Filho (PSDB), foi preso ontem na Operação Confraria, da Polícia Federal. Outras seis pessoas foram presas e, até o fechamento desta edição, uma sétima negociava sua entrega à PF.

A operação foi desencadeada a partir das conclusões de auditorias da CGU (Controladoria-Geral da União) sobre 13 contratos de obras da Prefeitura de João Pessoa em convênios com a União no total de R$ 50 milhões, que teriam causado prejuízo de R$ 12,4 milhões ao erário. (Recorde-se aqui.)

O sorridente político que abraça Aécio Neves, à nossa esquerda, é o senador Paulo Bauer, do PSDB de Santa Catarina. Encontramos com facilidade relatos desabonadores de sua conduta como parlamentar.


Uma investigação sigilosa da Câmara apura denúncia de que o secretário de Educação e deputado licenciado, Paulo Bauer (PSDB), teria contratado servidores para o gabinete do suplente Acélio Casagrande (PMDB) e repassado o salário a um colega de partido. Em uma gravação de áudio entregue à Casa por um ex-assessor de Casagrande, Bauer menciona o uso de uma mulher como laranja para repassar o salário ao aliado político Fábio Dalonso, ex-presidente da Câmara de Vereadores de Joinville. (Confirme aqui.)

Gravações obtidas pelo Congresso em Foco mostram que o deputado licenciado Paulo Bauer (PSDB-SC), atual secretário de Educação de Santa Catarina, manteve controle sobre seus créditos de passagens aéreas mesmo depois que deixou o mandato, em fevereiro de 2007. Os áudios mostram que o parlamentar tentou “fazer negociação” sua cota, pedindo até uma consulta ao um funcionário da administração da Câmara. Depois do evento, diz o próprio Bauer, ele autorizou seu chefe de gabinete a avaliar o processo de venda dos créditos de passagens. (Confira aqui.)

Moralista indignada, a ponto de assumir posição de proa em campanhas contra a corrupção, a senadora goiana Lúcia Vânia aparentemente é adepta de algum método de esquecimento seletivo.


A senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO) é investigada no inquérito 2099 no Supremo Tribunal Federal (STF) por crime contra a administração pública. O processo teve origem na Justiça Eleitoral e tramita no Supremo desde 2004. (Leia aqui.)

Seria um Demóstenes de saias? Um inquérito contra a senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO) suspeita de peculato, foi protocolado há nove anos. Houve sucessivas ampliações de prazo, autorizadas pelo MPF, para a Polícia Federal realizar diligências. O inquérito aguardava manifestação da procuradoria desde setembro de 2010. (Confira aqui.)

Que dizer, então, do Sr. Cássio Cunha Lima, da Paraíba?  Como governador de seu estado, foi cassado por comprar votos, e só conseguiu garantir a posse no Senado ao se valer do princípio da não-retroatividade, aplicado à Lei da Ficha Limpa. Nada disto impede que receba o carinho de Aécio Neves e a solidariedade de José Serra.


O governador teve o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) sob a acusação de ter distribuído 35 mil cheques a cidadãos carentes durante a campanha eleitoral de 2006, por meio de programa assistencial da Fundação Ação Comunitária (FAC), vinculada ao governo estadual. Segundo a denúncia, os cheques totalizam cerca de R$ 4 milhões. Em seu voto, nesta noite, o relator do processo, ministro Eros Grau, negou o recurso de Cunha Lima, sugerindo a cassação do diploma do governador. “Houve marcante descontrole na distribuição de valores financeiros na proximidade do pleito”, disse Eros. “Há exemplos expressivos nos autos. Pagamento de plano de saúde, festival de repentistas, que não configuram assistência a pessoa em carência extrema”, completou o relator. Todos os demais ministros da Corte seguiram o voto do relator.(Relembre aqui.)

O ex-governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), tomou posse hoje (9) como senador, após ter sua eleição, em 2010, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal. Cunha Lima teve sua eleição barrada pela Lei da Ficha Limpa, mas diante do entendimento do STF sobre a validade da lei, não atingindo as últimas eleições, foi conduzido ao cargo no lugar de Wilson Santiago (PMDB-PB). Cunha Lima teve uma posse rápida, com a presença de diversos representantes de seu partido, como o ex-governador de São Paulo José Serra. (Leia aqui.)

A respeito de um mestre do moralismo de fachada, o senador Álvaro Dias, eu diria que a amizade com Demóstenes Torres (ver foto) não lhe cai mal. Além da omissão de informações sobre patrimônio que deveriam ser prestadas à Justiça Eleitoral, pesam contra o paranaense antigas ligações com o doleiro Alberto Youssef.


O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) foi pego em um “deslize”. Apesar de ser um dos mais atuantes dentro do Senado, referência na oposição ao governo do presidente Lula e um dos primeiros a cobrar transparência nas ações políticas, Alvaro deixou de informar à Justiça Eleitoral um patrimônio de cerca de R$ 6 milhões, referentes a saldos bancários e investimentos financeiros. O valor é quatro vezes maior que a soma das informações de bens apresentadas antes da eleição de 2006 pelo senador – R$ 1,9 milhão. A notícia foi divulgada nesta semana pela revista Época. (Leia aqui.)

Doleiro Alberto Youssef já havia fretado jatos para o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) em 1998; e, pasme, o serviço foi pago com recursos desviados da prefeitura de Maringá, em 1998, uma investigação na prefeitura de Maringá descobriu que recursos do município foram usados para pagar jatos usados pelo senador Alvaro Dias (PSDB-PR) em sua campanha. O responsável pelo fretamento era justamente Youssef o doleiro preso. (Confira aqui.)

Aloysio Nunes Ferreira, senador pelo estado de São Paulo, também aprecia o papo de pé de ouvido com Aécio. Mas a conversa flagrada pelo fotógrafo, provavelmente, não foi a mais comprometedora do tucano ex-quercista.


O ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer entregou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) um relatório onde mostra “a existência de um forte esquema de corrupção no Estado de São Paulo durante os governos (Mário) Covas, Alckmin e (José) Serra, e que tinha como objetivo principal o abastecimento do caixa 2 do PSDB e do DEM”. Apesar de o relatório ter sido entregue no dia 17 de abril, somente hoje, a informação veio a público, a partir de uma matéria d’O Estado de S. Paulo, dos jornalistas Fernando Gallo, Ricardo Chapola e Fausto Macedo. Rheinheimer diz ter provas e dá nome e sobrenome dos políticos tucanos que receberam propinas das empresas do cartel dos trens. Os “propineiros tucanos” fazem parte da Cúpula do PSDB. E essa é a primeira vez que os políticos são nominalmente citados no esquema de corrupção. O ex-diretor esteve à frente da divisão de Transportes da Siemens até março de 2007, sendo que trabalhou por 22 anos na empresa. Ele é um dos seis denunciantes que topou contar tudo o que sabe em troca de redução de possíveis condenações, no acordo de leniência. O documento trazido por Rheinheimer faz menção ao senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), os secretários estaduais José Aníbal (Energia), também deputado (PSDB-SP), e Jurandir Fernandes (Transportes Metropolitanos). Todos homens fortes do tucanato. Aloysio Nunes estava sendo cotado para ser vice de Aécio. O senador já foi alvo de denúncias em 2010, por sua ligação com Paulo Preto, o homem de confiança dos tucanos paulistas, acusado de sumir com quatro milhões de reais do “caixa 2″ da campanha de Serra. (Confirme aqui.) Leia também: Aloysio Nunes Ferreira desmascarado por blogueiro

O senador Cyro Miranda, tucano de Goiás, não aparece na Internet como pivô de escândalos, salvo a grotesca declaração, proferida em março de 2012, de que tinha pena dos senadores obrigados a viver do salário de dezenove mil reais líquidos. Mas é relevante a circunstância de ter desembarcado em Brasília como suplente de Marconi Perillo (outro amigo de Aécio), eleito para o governo do estado em 2010.


O Jornal Nacional, da Rede Globo, informou na edição de terça, 21, que o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) será indiciado pela CPMI do Cachoeira junto com 45 outros nomes. Segundo a televisão, o relatório do deputado Odair Cunha(PT) o governador goiano teria cometido seis crimes. O documento deve citar "formação de quadrilha" e "corrupção passiva". (Relembre aqui.)

As investigações da Polícia Federal detectaram dois contatos diretos entre Perillo e Cachoeira. Em um deles, o governador fala com o contraventor pelo telefone para lhe desejar parabéns. Era 3 de maio de 2011, aniversário de Cachoeira. Os grampos da Operação Monte Carlo indicam também que Cachoeira controlava indicações políticas no governo de Goiás, do tucano Marconi Perillo. "A Rosana pode ser um salário de 2 000. A Vanessa é gerência, tá? A Renata é um salário de 2 000, não precisa ser gerência, não. O Édson, cargo de gerência", diz Cachoeira, em um dos grampos, ao ex-vereador Wladimir Garcez. Um relatório mostra que um dos pontos de contato de Cachoeira com o governo era a chefe-de-gabinete de Perillo, Eliane Gonçalves Pinheiro, que teria repassado ao contraventor informações sigilosas sobre investigações policiais. Entre outras questões nebulosas que ligam o governador ao contraventor está a venda de uma casa de Perillo em um condomínio de luxo de Goiânia. Foi nesse imóvel que Cachoeira foi preso em 29 de fevereiro na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. (Leia aqui.)

Divulguem exaustivamente, para que cada vez menos brasileiros queiram conversar com eles.

No História & Política
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Roger do Ultraje a Rigor detona o PT durante show em São Paulo


Hoje fui atacado no Twitter pela militância virtual do PT, os chamados MAVs. Gente paga para militar. Gente que, na impossibilidade ou incapacidade de defender suas idéias (sic), ataca a pessoa. Gente baixa, gente escrota, como o ator global José de Abreu, o dublê de jornalista Pedro Alexandre Sanches e gente tão covarde e insegura de suas convicções que se esconde atrás de pseudônimos, como é o caso de Stanley Burburin (sic).

Fui atacado porque segundo a lógica distorcida desses cretinos, eu estaria aceitando dinheiro de um governo que não apoio para tocar hoje aqui, e que isso não seria coerente.

Pois bem, quem está me pagando hoje não é um partido que se considera dono do Brasil. Um governo honesto deve apenas administrar o dinheiro que recolhe do povo e devolvê-lo ao povo em forma de serviços, de acordo com a necessidade desse mesmo povo. Não vou agora discutir se isso está sendo feito ou não, mas o fato é que estou sendo contratado para exercer meu ofício, nesse caso, trazer cultura e diversão para o povo. Quem está me pagando é o povo, do qual eu faço parte, através de um órgão do governo que, repito e enfatizo, não pertence a um partido político, ao contrário do que querem acreditar esses canalhas que me perseguem por eu exercer meu direito de pensar e me expressar livremente. E eu estou com o saco cheio dessa violência indiscriminada, dessa luta de classes cruel e ignorante que vem sendo incentivada de uns tempos pra cá. Somos todos brasileiros.

É esse tipo de miséria que eu gostaria que acabasse no Brasil: a miséria cultural, a pobreza de espírito, a falta de educação de qualidade. Tenho certeza que, bem educados, ninguém precisaria de esmolas do governo, assim como eu nunca precisei.

São Paulo, Vale do Anhangabaú, 10 de maio de 2014


Imagens e texto: Roger Moreira
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Os adversários de Dilma

Empurrados para a radicalização pró-mudanças, eles agradam apenas a quem detesta o lulopetismo

À medida que o tempo passa, mais claro fica o quadro: nenhum dos possíveis adversários de Dilma Rousseff na eleição deste ano demonstra ter fôlego para vencê-la. Não é impossível que algum venha a encontrá-lo, mas o certo é que, até agora, ninguém conseguiu.

A afirmação pode soar estranha a quem presenciou a celebração de nossa “grande imprensa” nos últimos dias, a propósito de pesquisas como MDA, Datafolha e Sensus. Em manchetes às vezes garrafais, a mídia corporativa as apresentou como reveladoras de um quadro novo, desfavorável à presidenta e propício às oposições.

Foram pesquisas a respeito de intenções de voto e avaliação do governo federal. E todas mostraram uma queda na popularidade da presidenta e do governo, acompanhada de uma redução quase idêntica na proporção daqueles que dizem pretender votar em Dilma.

Até aí tudo natural. Se alguém está insatisfeito com o desempenho do governo, se está convencido de que as coisas não vão bem em Brasília, é lógico não desejar a continuidade. O passo seguinte é igualmente lógico: não querer votar em quem a representa.

Eleições são, no entanto, semelhantes àquilo que os economistas chamam jogo de “soma zero”, o que um jogador perde é igual ao que o outro ganha. Neles, é impossível todos lucrarem ou terem prejuízo ao mesmo tempo. Na divisão de um bolo, por exemplo, se alguém aumenta o tamanho de seu pedaço, a parte restante aos outros fica menor. Os votos que um candidato não consegue obter (ou deixar de ter) são repartidos pelos demais.

Desse modo, era de esperar que a queda de Dilma beneficiasse algum ou vários de seus adversários. Mas não foi o que as pesquisas mostraram.

Note-se: esses levantamentos foram feitos logo após o ciclo de propaganda partidária dos oponentes de Dilma. Como sabemos à luz do ocorrido em eleições anteriores, pesquisas feitas nesses momentos costumam provocar “picos” nas intenções de voto, que tendem a desaparecer com o transcurso do tempo.

Primeiro foi a vez de Eduardo Campos, que, no fim de março, usou as inserções e o programa do PSB para se promover. Depois, Aécio Neves, em meados de abril, fez o mesmo com o tempo do PSDB. Até o pastor Everaldo, na segunda quinzena de abril, utilizou o estratagema de dizer que fazia propaganda de seu partido, o PSC, para praticar, de fato, proselitismo a favor de sua candidatura (o que a legislação proíbe, mas ninguém respeita).

Quando se consideram o contexto em que as pesquisas foram realizadas e a queda apontada de Dilma, deveríamos ter resultados favoráveis aos adversários da presidenta. Pelo que vimos nos passado, a expectativa, na verdade, é que fossem muito favoráveis.

Contudo, só o tucano cresceu e em patamar modesto. O pernambucano e o pastor ficaram fundamentalmente iguais, movendo-se dentro da margem de erro. As oposições melhoraram pouco, menos de que deveriam e menos do que precisam para alcançar a candidata do PT.

A esta altura da eleição, os problemas que atingem a imagem da presidenta, do governo e do PT afetam a candidatura, mas pouco benefício trazem às oposições, apesar da ininterrupta campanha de desconstrução movida pela mídia oposicionista. O saldo? Dilma cai (apesar de menos do que seus inimigos gostariam) e ninguém sobe (de maneira significativa).

É sempre bom lembrar que, com números de popularidade e intenção de voto semelhantes aos de Dilma hoje, FHC reelegeu-se no primeiro turno em 1998. Em junho daquele ano, estava empatado com Lula. Na urna, o ultrapassou com folga. E era Lula e não algum candidato pouco conhecido e com imagem problemática.

Vamos fazer neste outubro uma eleição diferente. Não será de pura continuidade, como aquelas de 1994, 1998, 2006 e 2010. Não será tampouco de pura mudança, como as de 1989 e 2002. O eleitorado busca agora uma boa mistura entre as duas possibilidades.

Os adversários de Dilma, empurrados para a radicalização pró-mudança pela fúria do oposicionismo de uma parte da sociedade, do empresariado e da mídia, agradam apenas a quem detesta o lulopetismo. Afastam-se, porém, daqueles que desejam que diversas coisas mudem no País, mas têm certeza de que há muito que deve continuar. E permanecem a léguas da ampla parcela que prefere a continuidade. Talvez por isso não cresçam.

Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
No Carta Maior
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Cientos de personas marchan contra la homofobia en Cuba

La marcha estuvo encabazada por la hija del Comandante Fidel,
Mariela Castro, directora del Centro Nacional de Educación Sexual
(Foto: Reuters)
El objetivo de la movilización, que se realiza por séptima vez en la isla, es colocar el tema de diversidad sexual y el respeto por la misma dentro de la agenda gubernamental, según declaraciones de varios activistas.

Unas 500 personas participaron este sábado en un desfile musical organizado en contra la homofobia; que estuvo encabezado por la activista social e hija del Comandante Fidel, Mariela Castro.

“La sociedad cubana avanza en esta lucha. Son cada vez más las instituciones y los grupos sociales que nos apoyan”, señaló la activista, quien también es directora del Centro Nacional de Educación Sexual (CENESEX por sus siglas).

Los asistentes marcharon al ritmo de la conga cubana mientras portaban carteles con mensajes como “Amar debe ser legal” y “Por una familia libre de homofobia”.

Mariela Castro señaló que CENESEX impulsa una reforma legal al Código de Familia que permitiría la legalización del matrimonio igualitario; propuesta que no contaría con el respaldo pleno del aparato gubernamental.

Esta movilización contó con presencia internacional; como la de Gloria Careaga, cosecretaria general de la Asociación Internacional de Lesbianas, Gays, Bisexuales, Transexuales e Intersexuales (ILGA); organización con sede en Suiza y que reúne a más de mil 200 instituciones de todo el mundo.

"Es realmente maravilloso ver cómo ha crecido esta celebración”, declaró la representante de ILGA en la nación caribeña, quien estuvo presente una congregación realizada durante la semana.

En ese sentido, Careaga destacó las labores de los gobiernos de Argentina y Uruguay que aprobaron en 2010 y 2013, respectivamente, la unión civil entre personas de un mismo género.

No teleSUR
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Não preciso de bananas. Preciso de justiça

O texto abaixo foi escrito por Thiago Ribeiro, que vem travando na justiça uma luta até aqui inglória contra o racismo do comediante Danilo Gentili.


Em 2012, durante semanas, acompanhei os comentários racistas e ofensivos proferidos pelo comediante Danilo Gentili, em redes sociais, programas de televisão e apresentações de stand-up comedy.

Em 2009, Danilo Gentili foi investigado pelo Ministério Público, mas entenderam que não houve racismo,ofensa ou qualquer outra coisa que caracterizasse crime.

Com base nas ofensas proferidas contra pessoas de raça negra, formulei uma carta denunciando o comediante por injúria racial e incitamento de ódio e violência.

Entrei em contato com Gentili, através do Twitter, para solicitar emails de contato, dele da BAND, para enviar cópias da denúncia. Enviei mensagens para ele dizendo que “deste macaco ele nunca mais tiraria sarro”. O que a maioria das pessoas não percebeu é que em momento algum eu disse que era um macaco, mas apenas repeti a forma de tratamento usada por Danilo Gentili ao se referir a negros, desde 2009.

Ele me enviou a seguinte mensagem através do Twitter:

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A mensagem foi apagada logo em seguida, porém recebi uma notificação por email. Isso ocorreu por volta de meia-noite. Então começaram os ataques através do Twitter e Facebook. Centenas de fãs de Danilo Gentili, com o apoio de Marcos Kleine e Roger da banda Ultraje a Rigor, enviaram mensagens racistas, ofensivas, nojentas e quaisquer outros adjetivos nocivos que consigam imaginar. Passei a madrugada inteira, até aproximadamente 6hs da manhã, visualizando e printando todos os comentários.

As ofensas dirigidas a mim poder ser visualizadas aqui.

No dia seguinte entrei em contato com a Secretaria da Justiça de SP para orientação sobre quais providências tomar. Por incrível que pareça, o órgão de combate ao racismo da Secretaria da Justiça já estava ciente da situação, dada a repercussão nas redes sociais.

Me convidaram então para comparecer até o escritório para formalizar a denúncia. Um representante da secretaria me acompanhou até o DECRADI (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância) para prestar queixa e lavrar boletim de ocorrência. O delegado que me atendeu não queria registrar a ocorrência, por entender que não havia crime. Com muita insistência consegui registrar o boletim.

Saindo de lá, enviei a denúncia para o Ministério Público Federal, de São Paulo, SEPPIR (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), SOS Racismo (Assembléia Legislativa de São Paulo), além de grupos e organizações de combate ao racismo ligados ao movimento negro. Por último, apresentei a denúncia à Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de SP e da OAB-SP.

Todas as denúncias foram protocoladas e, em anexo, apresentadas as provas.

De 2012 até agora, continuei a receber ofensas racistas e ameaças de grupos neonazistas, fãs de Danilo Gentili.

No dia 24 de abril de 2014, mais de um ano após a denúncia, soube através de redes sociais que Danilo Gentili havia sido julgado e absolvido de todas as acusações, entendendo o juiz que “…o réu utilizava a rede social como meio de divulgação e de suas piadas. Assim, na maior parte dos casos, parece-me que a abordagem com seus seguidores, ainda que agressiva, tinha a intenção de fazer rir.”

O resto do mundo vai na direção contrária e condena tais atos com rigor. Exemplos:

1. O torcedor que atirou uma banana para o jogador Daniel Alves acabou banido do estádio na Espanha;

2. O dono de um time de basquete americano foi banido da NBA e pagará multa de 2,5 milhões de dólares por conversa de teor racista entre ele e sua namorada.

Posso afirmar, agora, com a mais absoluta certeza, que este país não me representa, como a nenhum negro ou negra. Afirmo também que ONGs de combate ao racismo servem apenas para receber prêmios e participar de eventos, uma vez que não recebi apoio de nenhuma, a não ser do Quilombo Raça e Classe em SP, liderado pelo meu amigo Wilson Honório da Silva.

Após o julgamento, os fãs de Danilo Gentili recomeçaram as ofensas em meu Twitter e Facebook. Protegidos e com o aval da justiça podem agora, sem medo, exteriorizar seu ódio contra negros e negras em redes sociais. E com o apoio de artistas brasileiros, podem chamar, livremente, negros de macacos e oferecer bananas.

Como de costume, a vítima se torna culpada. O comediantes brasileiros estão acima da lei.

Minha luta continua e farei uso de todos os meios necessários para obter justiça.

Agradeço a todas as pessoas que têm me apoiado e enviado mensagens de solidariedade.

Não quero banana alguma e não sou macaco. Só quero justiça.

No DCM
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Dilma sinaliza ser contra jornada de 40h


A presidente Dilma Rousseff deu sinais a cerca de 80 executivos de varejo reunidos em São Paulo de que não apoia a redução da jornada semanal de 44 horas para 40 horas. Ela também teria dito que, no atual momento, não é possível ampliar para outros setores os benefícios da desoneração da folha de pagamentos, mas que aqueles que já o desfrutam devem mantê-lo de maneira definitiva.

Entre os setores que pleiteiam uma fórmula que lhes permita adotar a desoneração estão os de farmácias e de grandes supermercados, com faturamento superior a R$ 15 bilhões. Pelo cálculo atual, as grandes redes supermercadistas acabariam perdendo dinheiro se adotassem a desoneração sobre a folha.

"Ela [Dilma] considera a desoneração uma conquista permanente", disse Flavio Rocha, presidente do IDV.

"Mas para aumentar mais precisa de fôlego, e atualmente não é possível", disse Luiza Trajano, presidente do Magazine Luiza. Dilma participou de encontro promovido pelo Instituto de Desenvolvimento do Varejo (IDV). Na pauta da reunião foram discutidas algumas demandas do setor.

Segundo o diretor da Leo Madeiras, disse Hélio Siebel, a presidente "não vê sentido" em reduzir a jornada semanal.

"[Uma das demandas] é a preocupação com a redução das 44 horas semanais para 40. Ela [Dilma] foi explícita em dizer que não vê sentido em uma redução dessas num momento em que o Brasil está em pleno emprego. E, portanto, onde você arrumaria mão de obra para cumprir as outras horas?", disse Siebel.

Segundo ele, Dilma também ouviu com "simpatia" as demandas em relação à flexibilização da jornada de trabalho que favoreça o trabalho em tempo parcial.

A recepção de Dilma aos temas foi positiva "e até um pouco surpreendente", disse Siebel. Para Flavio Rocha, do IDV, Dilma mostrou sensibilidade para a questão do "custo Brasil", para reinserir o Brasil no comércio mundial.

Mais cedo, em Brasília, o ministro da Educação, Henrique Paim, afastou eventual conotação eleitoral no lançamento, no fim de maio, da segunda fase do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), anunciada ontem por Dilma como "Pronatec 2.0". O anúncio foi feito pela manhã durante interação virtual por meio da página do Palácio do Planalto no Facebook. Na ocasião, Dilma fez nova defesa para que o programa se torne uma "política de Estado".

A educação de jovens aliada à qualificação profissional é uma das principais bandeiras da presidente para a campanha pela reeleição, que terá início oficialmente em junho. Em função disso, Dilma determinou ao ministro que seja apresentado uma "série de aperfeiçoamentos" para o programa. A nova etapa do programa ainda está sendo elaborada pelo ministério, que não estima ainda sequer a meta do "Pronatec 2.0". O governo trabalha com a realização de 8 milhões de matrículas até o fim deste ano, quando o governo terá aplicado um total de R$ 14 bilhões desde 2011.

"Não sabemos ainda [a meta]. Vamos lançar um outro Pronatec, porque a pactuação do Pronatec para 2015 já começa em 2014. Então, precisamos ter o Pronatec 2.0", disse o ministro da Educação. "Como eu preciso fazer a pactuação no ano anterior, porque em janeiro eu começo a ofertar vaga, todo ano eu ano eu tenho uma pactuação. Vai haver um aperfeiçoamento", acrescentou. Paim afirmou que a criação de cursos na nova etapa do programa para melhorar a gestão de microempreendedores individuais e pequenos empresários, conforme antecipou Dilma, "é uma atenção" que o governo terá no "Pronatec 2.0".

Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), entidade parceira do programa, avaliou positivamente o anúncio feito pela presidente, apesar de ainda não ter sido chamado pelo governo para debater a elaboração da nova fase do Pronatec.

Dilma vai lançar Pronatec 2.0, com a inclusão de novos cursos

A presidenta Dilma Rousseff disse que até o final deste mês apresentará o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) 2.0, que vai incluir cursos para melhorar a gestão de microempreendedores individuais e pequenos empresários. A presidenta também informou que o Pronatec vai se tornar uma política de estado.

Dilma respondeu a perguntas de internautas sobre o programa pelo Facebook, em um evento online batizado de Face to Face com Dilma (#FaceToFaceDilma), na página do Palácio do Planalto, na rede social.

“Neste novo Pronatec, devido às demandas que recebemos no primeiro, iremos também incluir cursos para melhorar a gestão de microempreendedores individuais e pequenos empresários”, respondeu a presidenta. “O Pronatec vai se tornar sim uma política de estado, porque este programa é um dos pilares da política educacional de todo e qualquer país desenvolvido”, acrescentou.

Em resposta a internauta, a presidenta disse que os cursos são ofertados de acordo com as necessidades do mercado de trabalho da região, e que está sendo desenvolvida com o Ministério do Trabalho, uma ação de intermediação de mão de obra entre os que querem trabalhar e os que precisam dos trabalhadores.

Dilma escreveu ainda sobre a importância da qualificação profissional para o desenvolvimento do país. "O aumento da produtividade no Brasil requer a adoção de melhorias em processos e produtos. Para isso, a formação profissional é um elemento fundamental", disse.

O Pronatec foi criado em 2011 pelo governo federal com o objetivo de ampliar a oferta de cursos de educação profissional e tecnológica. Até 2014, a meta é oferecer 8 milhões de matrículas em cursos técnicos, de formação inicial e continuada. De acordo com a presidenta, o programa contabiliza atualmente 6,89 milhões de matrículas, e o governo federal investe no Pronatec atual R$ 14 bilhões até o final de 2014. “Portanto, temos a certeza que chegaremos aos 8 milhões, se não a um pouco mais”, registrou.

A conversa online durou cerca de uma hora, teve aproximadamente 470 manifestações entre perguntas e comentários e somou mais de 545 curtidas e 154 compartilhamentos. Os internautas fizeram elogios e críticas ao programa e também manifestações sobre outros assuntos como a qualidade da educação no país e o Programa Luz para Todos.
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O mundo se encontra no Brasil


Quando era presidente da República, trabalhei intensamente para que a Copa do Mundo de 2014 fosse realizada no Brasil. E não o fiz por razões econômicas ou políticas, mas pelo que o futebol representa para todos os povos e, particularmente, para o povo brasileiro. A nossa população apoiou com entusiasmo a ideia, rejeitando o preconceito elitista dos que dizem que um evento desse porte “é coisa de país rico”, e se esquecem de que o Uruguai, o Chile, o México, a Argentina, a África do Sul e o próprio Brasil já o sediaram com sucesso.

O futebol é o único esporte realmente universal, praticado e amado em todos os países, por pessoas das mais diferentes classes, etnias, culturas e religiões.

E talvez nenhum outro país do mundo tenha a sua identidade tão ligada ao futebol quanto o Brasil. Ele não foi  apenas assimilado, mas, de alguma forma, também transfigurado pela ginga  e pela mistura de raças brasileiras. Nos pés de descendentes de africanos ganhou um novo ritmo, beleza e arte. Durante muitos anos, foi um dos poucos espaços, junto com a música popular, em que os negros podiam mostrar o seu talento, enfrentando com alegria libertária a discriminação racial. Não é por outra razão que o futebol e a música são muitas vezes a primeira coisa que um estrangeiro lembra quando se fala do Brasil.

Para nós, o futebol é mais do que um esporte, é uma paixão nacional, que vai muito além dos clubes profissionais. Milhões de pessoas o praticam, amadoristicamente, no seu dia a dia, nos quintais, nos terrenos baldios, nas praias, nos parques, nas praças públicas, nas ruas da periferia, nos pátios das escolas e das fábricas. Onde houver uma área disponível, por menor que seja, ali se improvisa uma partida de futebol. Se não tem bola de couro, joga-se com bola de plástico, de borracha ou de pano. Em último caso, até com uma latinha vazia.

Em 1958, na Suécia, uma seleção espetacular encantou o planeta, ganhando nosso primeiro título mundial. Eu tinha doze anos, e juntei um grupo de amigos para ouvirmos a partida final num campinho de várzea com um pequeno rádio de pilha. Nossa fantasia compensava com sobras a falta de imagens, viajando na voz do locutor. Ela nos transportava como num tapete mágico para dentro do Estádio Rasunda de Estocolmo. E ali não éramos apenas espectadores, mas jogávamos… Eu sonhava em ser jogador de futebol, não presidente do Brasil.

O grande escritor Nelson Rodrigues, nosso maior dramaturgos, disse que com aquela vitória conquistada por gênios da bola como Pelé, Garrincha e Didi o Brasil tinha superado o seu “complexo de vira-lata”. E que complexo  seria esse? “É a inferioridade — dizia ele — em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do mundo”. Atrevendo-se a ser campeão, era como se o Brasil estivesse dizendo a si mesmo e aos demais países: “Sim, nós podemos ser tão bons quanto qualquer um”.

Naquela época, o Brasil estava começando a se industrializar, tinha criado a sua própria empresa de petróleo e o seu banco de desenvolvimento, as classes populares reivindicavam democraticamente melhores condições de vida e maior participação nas decisões do país — mas  os  setores privilegiados diziam que isso era um erro gravíssimo, fruto de “politicagem” ou “esquerdismo”, já que comprovadamente não existia petróleo em nosso território e não tínhamos necessidade alguma de inclusão social e muito menos de uma indústria nacional…

Alguns chegavam a afirmar que uma nação como a nossa, atrasada, mestiça — de povo “ignorante e preguiçoso”, segundo um estereótipo muito difundido dentro e fora do país — devia conformar-se com o seu destino subalterno, sem ficar alimentando sonhos irrealizáveis de progresso econômico e justiça social.

Na verdade, não é fácil superar o “complexo de vira-lata”. Fomos colônia por mais de 320 anos, e a pior herança dessa condição é a persistência da mentalidade colonizada de servidão voluntária…

Entre 1958 e 2010, ganhamos cinco campeonatos mundiais de futebol. Somos até agora a nação com maior número de títulos conquistados. Mas o melhor de tudo é que o saudável atrevimento do povo brasileiro não se limitou ao âmbito esportivo.

O Brasil que o mundo vai conhecer a partir de 12 de junho é um país muito diferente daquele que sediou a Copa de 1950, quando perdeu na final para o Uruguai. Ainda tem problemas e desafios,  alguns bastante complexos, como qualquer outra nação, mas já não é mais o eterno “país do futuro”. O país de hoje é mais próspero e equitativo do que era há seis décadas. Entre outras razões porque a nossa gente — principalmente a que vive no “andar de baixo” da sociedade” — libertou-se dos  preconceitos elitistas e colonialistas e passou a acreditar em si mesma e nas possibilidades do país. Descobriu que, além de vencer competições mundiais de futebol, podia também vencer a fome, a pobreza, o atraso produtivo e a desigualdade social. Que a mestiçagem, longe de ser um obstáculo — pior: um estigma —  é uma das maiores riquezas do nosso país.

É esse novo Brasil que vai sediar a Copa. Um país que já é a sétima economia do planeta e que, em pouco mais de dez anos, tirou 36 milhões  de pessoas da miséria e levou 42 milhões para a classe média. É o país com as taxas de desemprego mais baixas da sua história. Que, segundo a OCDE, entre todos os países do mundo, foi um dos que mais aumentou nos últimos anos o investimento em educação. Um país que se orgulha de todas essas conquistas, mas não esconde os seus problemas, e se empenha em resolvê-los.

Recentemente, a Copa do Mundo tornou-se objeto de feroz luta política e eleitoral no Brasil. Á medida que se aproxima a eleição presidencial de outubro, os ataques ao evento tornam-se cada vez mais sectários e irracionais. As críticas, naturalmente, são parte da vida democrática. Quando feitas com honestidade, ajudam a aperfeiçoar a preparação do país para esse grande acontecimento esportivo. Mas determinados setores parecem desejar o fracasso da Copa, como se disso dependessem as suas chances eleitorais. E não hesitam em disseminar informações falsas que às vezes são reproduzidas pela própria imprensa internacional sem o cuidado de checar a sua veracidade. O país, no entanto, está preparado, dentro e fora de campo, para realizar uma boa Copa do Mundo — e vai fazê-lo.

A nossa seleção foi a única a participar de as 19 edições da Copa do Mundo e sempre fomos muito bem recebidos nos outros países. Chegou a hora de retribuir com hospitalidade e alegria tipicamente brasileiras. A procura de bilhetes tem sido forte, com pedidos de mais de 200 países. Esta é uma oportunidade extraordinária para milhares de visitantes conhecerem mais profundamente o que o Brasil tem de melhor: o seu povo.

A importância da Copa do Mundo não é apenas econômica ou comercial. Na verdade, o mundo vai se encontrar no Brasil a convite do futebol. Vai demonstrar novamente que a ideia de uma comunidade internacional pacifica e fraterna não é uma utopia.

Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil, que agora trabalha em iniciativas globais com Instituto Lula e pode ser seguido em facebook.com/lula.
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Mujica insiste en su intención de darle refugio a niños sirios

En la estancia de la Colina, los menores refugiados
serán atendidos por funcionarios del Estado
El presidente José Mujica envió una petición de autorización al secretario general de la ONU, Ban Ki-Moon para que Acnur tramite el traslado de 50 o 70 niños sirios refugiados a Uruguay, que se alojarán en la estancia de Anchorena.

El presidente José Muijica, solicitó permiso a las Naciones Unidas para alojar en Uruguay entre 50 y 70 niños refugiados de Siria en la estancia presidencial de Anchorena en la Colonia (suroeste) en cuanto lleguen al país.

Mujica envió una petición de autorización al secretario general de la Organización de Naciones Unidas, Ban Ki-Moon, para poder llevar a Uruguay al lote de niños y madres de Siria.

Los niños “se alojarían en las instalaciones del entorno de la escuela agraria de la Estancia de Anchorena, donde pueden quedarse unas 50 personas”, informó la prensa local.

Los trámites se realizarán ante el Alto Comisionado de las Naciones Unidas para los Refugiados (Acnur), puesto que se trata de niños que con estatus de “refugiados”. Es posible que las Naciones Unidas y otras organizaciones internacionales presten ayuda financiera a la iniciativa de Mujica.

El jefe de Estado uruguayo podría pedir a la presidenta de Brasil, Dilma Rousseff, un avión para trasladar a los menores desde Jordania. La solidaridad uruguaya da un ejemplo al mundo ante la difícil situación que vive Siria.

Cuando los infantes estén en la nación suramericana, funcionarios que actualmente trabajan en la residencia agraria de Anchorena, se dedicarán a atenderlos.

El pasado 29 de abril, Mujica planteó la posibilidad de dar asilo a niños refugiados sirios junto a sus madres como muestra de solidaridad con el pueblo árabe, que desde el 2011 está asediado por mercenarios y rebeldes en contra del presidente Bashar al Assad.

No teleSUR
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Manchete: lucro da Petrobras caiu 30%. E em lugar nenhum: o da Shell caiu 44% e o da Chevron, 27%


O ódio da imprensa brasileira à Petrobras não tem tamanho.

O resultado financeiro trimestral divulgado sexta-feira — R$ 5,4 bilhões — só foi inferior ao de 2013 ( R$ 7,7 bi) porque a empresa provisionou R$ 2,4 bilhões para o pagamento de indenizações de um imenso programa de desligamento voluntário de nada menos que 12% de seus empregados.

Basta somar e ver que, sem isso, seria maior.

Tanto que o lucro operacional no 1º trimestre de 2014 foi de R$ 7,6 bilhões, 8% superior ao do último trimestre de 2013.

A tal queda de produção de 2.552 mil barris de óleo equivalente (petróleo e gás) diários para 2.531 mil é menor do que a produção de um único poço posto em operação quinta-feira, no pré-sal do Campo de Lula (26 mil barris/dia) e só ocorreu porque uma plataforma alugada está sendo substituída por uma própria no campo de Roncador e pela paralisação da plataforma P-20 (20 mil barris diários) no campo de Marlim, provocada por um incêndio e já de volta à produção.

Quem entende do negócio sabe que, no lugar de ser decepcionante, o desempenho da Petrobras foi bom e será ótimo nos próximos balanços trimestrais.

Até porque não foi um bom trimestre para as petroleiras.

O lucro trimestral da Shell caiu 44% no trimestre.

O da BP caiu 23%.

Os ganhos no 1° trimestre da Chevron, 27%.

Mas isso não virou manchete lá, porque todos sabem que são oscilações normais na operação de uma empresa petrolífera.

Vira aqui, porque serve à politica eleitoral e, sobretudo para apresentar com um fracasso a mais estratégica empresa brasileira.

Como fazem sempre, seja lá com o que for, com a gasolina barata (ou cara, depende do que convém dizer) e com as operações da empresa.

Fernando Brito
No Tijolaço
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O desabafo da cocaína


Rafucko
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Por que Michelle Obama está preocupada só com as garotas raptadas na Nigéria?


Michelle Obama se engajou numa campanha para libertar as estudantes nigerianas sequestradas pelo grupo islâmico Boko Haram.

No programa de rádio de Barack, ela deu um depoimento duro. “Como milhões de pessoas em todo o mundo, o meu marido e eu estamos chocados e tristes com o sequestro de mais de 200 meninas nigerianas de um dormitório escolar no meio da noite”, disse.

“Este ato irresponsável foi cometido por um grupo terrorista determinado a impedir que essas meninas possam obter uma educação”.

Os EUA estão enviando especialistas para a Nigéria para ajudar nas buscas. Hillary Clinton chegou a chamar o rapto de “ato de terrorismo” e passou um sabão no presidente Goodluck Jonathan. O Pentágono avisou que tropas estavam a caminho do país, embora sem planos de uma operação militar. Elas ajudariam nas áreas de comunicações, logística e inteligência.

E então Michelle entrou no Twitter para deixar seu recado. Postou um retrato de si mesma na Casa Branca segurando um papel com a frase “#BringBackOurGirls”. Assinou o tuíte “- mo”.

Durou uma hora até que uma onda de indignação surgisse no Twitter — desta vez, acusando a primeira-dama de hipocrisia. Não demorou muito e montagens começaram a circular.

A melhor, que acabou viralizando, alterava os dizeres na cartolina: “#Nothing will bring back the children murdered by my husband’s drone strikes” (“Nada vai trazer de volta as crianças assassinadas pelos drones de meu marido”).

Um estudo de 2012 revelou que o uso de drones, que se intensificou sob Obama, “aterroriza homens, mulheres e crianças” no noroeste do Paquistão “24 horas por dia”. Foi elaborado pelas universidades Stanford e New York. Segundo o relatório, pelo menos 176 meninos e meninas pereceram nos ataques.

O autor da homenagem bateu boca com algumas pessoas que defendiam a atitude de Michelle. Para uma moça mais exaltada, escreveu o seguinte: “A primeira dama não dá a mínima para palestinos, afegãos ou paquistaneses, certo? Por que você acha que ela se importaria com você?”

Faz sentido
Faz sentido
Kiko Nogueira
No DCM
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Direito ou errado

Quem tenha interesse, seja para o futuro eleitoral ou por outros propósitos, na permanência do "caso mensalão" como assunto incandescente na opinião pública, a mais recente decisão do ministro Joaquim Barbosa soa como melodia. Não só por manter José Dirceu preso em regime fechado. Sobretudo, isso sim, pelo fundamento invocado, que assegura novos embates de grande repercussão. Aliás, com o próprio ministro Joaquim Barbosa como personagem central.

O início da fermentação não tarda. Joaquim Barbosa entende, contrariamente ao adotado pela Justiça brasileira, que condenados ao regime semiaberto devem cumprir um sexto da pena em prisão fechada. Cassadas por isso as licenças de trabalho externo dadas a Romeu Queiroz e a Rogério Tolentino, e negada a licença a José Dirceu, até para não ser incoerente Joaquim Barbosa deverá cassar todos os outros já com trabalho externo. É uma fileira de nove.

Aí está uma ideia da movimentação de recursos a ocorrer em breve. Já nos próximos dias, porém, um dos mais importantes dentre eles, senão o mais, será encaminhado pelo advogado José Luis Oliveira Lima: com um agravo regimental, ele vai requerer que sejam submetidas ao plenário do Supremo Tribunal Federal a interpretação de Barbosa e as consequentes prisões fechadas de condenados ao semiaberto.

Oliveira Lima não tem motivo para contar com o atendimento à sua providência: o presidente do STF tem negado todos os seus recursos. Mas, de uma parte, desta vez a recusa tenderia a gerar um problema no Supremo. E, de outra parte, caso prevaleça, não há dúvida de que Oliveira Lima leve ao Conselho Nacional de Justiça um recurso com questionamentos amplos.

A divergência suscitada por Joaquim Barbosa precisa mesmo de uma solução definitiva, que não pode ser determinada por ele só. Prevalece em toda a Justiça, seguindo decisão já antiga do Superior Tribunal de Justiça, o entendimento de que a Lei de Execuções Penais se refere aos condenados a regime fechado ao dizer que, para passar ao regime semiaberto, é preciso ter cumprido um sexto da pena (o semiaberto consiste em saída para trabalhar e recolhimento à prisão ao fim do expediente, se atendidas condições como boa conduta, aprovação do emprego, e outras).

Joaquim Barbosa considera que aquela lei determina regime fechado, durante um sexto da pena, mesmo para os condenados ao semiaberto. Parece claro que, se assim quisesse, a lei o diria, entre tantos dos seus pormenores. E não se justifica que seja feita ao condenado a regime semiaberto, mediante as condições explicitadas, a mesma exigência feita ao condenado a regime fechado, de reclusão total durante um sexto da pena para receber o direito ao semiaberto. Sentenças ao regime semiaberto e ao fechado têm pesos diferentes, logo, seus cumprimentos não podem ser idênticos. O Direito não é tão errado.

Quem mais deseje se beneficiar com a reprise fique ao menos prevenido de que, ao final, talvez conclua não ter sido boa ideia.

Janio de Freitas
No fAlha
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Ney Matogrosso expõe toda a sua ignorância em Portugal

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Como a sociedade pode se proteger de futuros Joaquins Barbosas?

Ele
E eis que, tantos anos depois do regime militar, os brasileiros são obrigados a lidar, hoje, com um ditador: Joaquim Barbosa.

A perseguição que JB move contra José Dirceu e José Genoino é típica dos ditadores: ele decide, ele faz sua livre interpretação dos fatos e das leis, ele decide, ele executa.

Não há limites nesta louca cavalgada.

A pergunta mais dramática que emerge disso é a seguinte: como um homem pode enfeixar tamanho poder sem que haja contrapesos que impeçam arbitrariedades, caprichos ou apenas malvadezas?

Importante observar: um homem que não tem votos. Ou melhor: um juiz que teve um voto, o de Lula, no que foi com certeza seu maior erro.

Um presidente do STF simplesmente não pode deter tanto poder. Esta é a maior lição que o caso Joaquim Barbosa traz aos brasileiros.

Situações extraordinárias pedem ações extraordinárias, para usar a grande frase de Guy Fawkes quando o rei Jaime I lhe perguntou por que tentara derrubá-lo de forma tão drástica, em 1605.

Onde estão as ações extraordinárias, no Brasil moderno? Você vê, aqui e ali, juristas se insurgirem contra Barbosa.

Um deles, Christiano Fragoso, professor de Direito Penal da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, disse que é lamentável que os direitos dos presos no Brasil sejam sempre tão desrespeitados. Ele não estava falando apenas da indefensável negação ao direito de Dirceu de trabalhar, mas de um quadro geral de violência do Estado contra os presos.

Mas, tirados os juristas que se cansaram dos absurdos de Barbosa, quem ergue a voz em nome da justiça?

Os companheiros de Joaquim Barbosa não se dão conta de que o silêncio, num momento tão sinistro, é um ato de cumplicidade, ou de endosso?

Não será apenas Joaquim Barbosa que receberá o justo tratamento da posteridade pela sua desastrosa, desvairada passagem pela presidência do STF. Todos os ministros que pertencem ao Supremo serão, merecidamente, cobrados pelos pósteros pela omissão nos descalabros.

Como Lewandowski vai encarar Dirceu no futuro? Vai pedir desculpa pelo nada que fez? E Barroso? E os demais, excetuados aqueles para os quais justiça é uma abstração a serviço de interesses políticos?

E finalmente: e Lula?

O que Lula vai dizer a Dirceu, e o que vai ouvir, quando enfim se reencontrarem? O que terá restado da amizade? Dirceu é um animal político, no sentido aristotélico, mas também é um ser humano. Ele esperaria ao menos uma visita de Lula, pelo efeito simbólico e para elevar sua moral, forçosamente combalida no cárcere?

Entre os homens próximos de Dirceu cresce o sentimento de que Dirceu foi esquecido por Lula e pela cúpula do PT, engajados em coisas mais prioritárias como a governabilidade e as eleições.

E Dirceu, o que pensa disso? A resposta a isso só ele mesmo tem, provavelmente.

Certo, Lula falou algumas vezes de Dirceu, nos últimos meses. Uma delas foi no célebre encontro com blogueiros. Mas, para muitos, é um apoio que chega tarde, e com baixa intensidade dada a agressividade com que Dirceu é tratado por Joaquim Barbosa.

O PT terá — tem — um problema interno por conta da forma como sua cúpula administrou a questão de Dirceu.

Mas o maior problema é o da sociedade brasileira. Como a sociedade pode estar protegida de um presidente do STF que decida agir ditatorialmente, como um Bonaparte desgovernado das leis?

Joaquim Barbosa vai passar, mas se as circunstâncias que lhe permitiram fazer o que faz permanecerem intocadas, corremos todos o risco de novos Joaquins Barbosas nos atazanarem no futuro.

Nos dias em que são rememorados os 50 anos do golpe de 54, uma nova forma de ditadura parece assombrar os brasileiros, em que a farda foi substituída pela toga.

Paulo Nogueira
No DCM
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