9 de mai de 2014

Juiz acolhe ação contra a Globo pelo episódio das crianças de Monte Santo


É provável que sequer passe em segunda instância. Mas a sentença do juiz Sérgio Fernandes (titular da 2a Vara Cível de Indaiatuba) contra a Rede Globo de Televisão e O Boticário, mais dois jornalistas da emissora, é um marco nas discussões sobre os limites da imprensa — especialmente das concessionárias de serviço público.

Shows, programas sensacionalistas, apologia ao crime, apologia à discriminação e ao preconceito, todos esses crimes — previstos no Código Penal — foram colocados debaixo do tapete da liberdade de imprensa. Até classificação indicativa entrou nesse espaço.

Diversos crimes de imprensa, como a falsa entrevista do apresentado Gugu com o PCC, as campanhas da TV Record contra as religiões afro, a apologia ao crime de Rachel Sheherazade, do SBT foram bloqueados na Justiça em nome de falsa interpretação do direito à informação.

No ano passado, provavelmente para alavancar a novela “Salve Jorge” — que versava sobre tráfico de pessoas — a Globo deu início a uma série de reportagens manipuladas sobre a adoção de crianças em Monte Santo (Bahia). Na novela, o personagem principal tem a filha, menor de idade, seqüestrada por uma quadrilha internacional de prostituição.

Famílias foram expostas, crianças foram sacrificadas em nome do show e, pior que isso, estigmatizou-se o instituto da adoção — essencial em um país que mal sabe cuidar das suas crianças. Esse jogo sensacionalista recebeu a adesão imprudente da própria Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, chefiada por Maria do Rosário, parlamentar gaúcha.

O juiz acolheu a ação na qual os autores requerem indenização de R$ 144 milhões pela reportagem veiculada no dia 14 de outubro de 2012 no “Fantástico.”

A ação é por danos morais e coletivos e foi movida por um casal de Indaiatuba que detinha a guarda provisória de uma das cinco crianças.

As crianças viviam em situação de risco e foram colocadas em um lar substituto, por medida de segurança, requerida pelo próprio Ministério Público da Bahia e deferida pelo Juiz de Direito.

O repórter José Raimundo, do “Fantástico” é acusado por quebra de sigilo processual, por ter mostrado em rede nacional o processo de guarda do menor, que é sigiloso.

O casal alega ter sido acusado de forma sensacionalista de traficar crianças, sem receber o espaço proporcional para o direito de resposta, “como assegura a legislação sobre a concessão dos canais de comunicação”.

Segundo os autores, a jornalista Eleonora Ramos, que fez a denúncia, é coordenadora e fundadora do Projeto Proteger, trabalha no CEDECA-BA, que recebe dinheiro do Projeto Criança Esperança, apoiado pela Rede Globo de Televisão.

Além da indenização, é pedida uma multa de R$ 144 milhões destinados à criação e veiculação de campanha publicitária nacional, “visando restabelecer a credibilidade do Instituto da Adoção”.

Faltou incluir na ação a ex-Ministra Maria do Rosário, que ajudou a estimular o linchamento moral contra as famílias e o preconceito contra a adoção.

Leia as matérias produzidas sobre o caso: aqui e aqui.

Luis Nassif
No GGN

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A nova invenção de Barbosa para não deixar Dirceu trabalhar


A decisão do Ministro Joaquim Barbosa, revogando a autorização de que Romeu Queiroz, um dos condenados da Ação Penal 470, tem um significado evidente.

O de que Joaquim Barbosa só concordará com o regime semi-aberto para José Dirceu, não quando este for adequado à razoabilidade, mas obrigatório pela legislação.

Em outras palavras, apenas quando não puder mais deixá-lo encarcerado 24 horas por dia.

Recorda-se você daquela discussão em torno dos embargos infringentes, onde estaria em jogo o direito de os condenados cumprirem a pena em regime semi-aberto, por esta somar menos de oito anos?

Era coisa para “tolinhos”…

O Dr. Barbosa, reduzindo o papel de Ministro do Supremo Tribunal Federal ao de “juiz de porta de cadeia”, à medida que se transforma, de fato, em fiscal da execução penal, decidiu que o regime semiaberto somente pode ser autorizado a trabalhar fora da cadeia se tiver cumprido pelo menos um sexto da pena.

Algo tão claro e límpido que, em oito meses, ninguém o disse.

Será que os juízes de execução não sabiam disso? Será que são ignorantes da lei e cometeram uma transgressão à norma que a mente luminosa de Joaquim domina e aos demais é obscura.

Como é que admitiram que os condenados fossem trabalhar externamente?

Ora, porque diz a lei que o regime semi-aberto admite o trabalho externo, salvo se houver ressalvas de periculosidade.

E ninguém, em sã consciência, dirá que Dirceu ofereça risco à sociedade cuidando de uma biblioteca, com uma legião de repórteres vendo que horas entra e a que horas sai, com quem fala e a vigiar-lhe cada passo.

O que acontece, necessariamente, com um sexto da pena cumprida, exceto se houver perigo ou transgressões disciplinares, é a progressão de regime. Sendo o regime inicial semi-aberto, com um sexto da pena passará ao aberto.

Mas não é assim que pensa o Presidente do Supremo, que já havia dito que a dosimetria da pena tinha visado evitar que Dirceu ficasse em regime semi-aberto.

O Dr. Joaquim Barbosa opera o Direito com fígado, bile, e ódio.

O jurista Celso Bandeira de Mello já havia advertido que o presidente do Supremo “é um homem mau”.

E que manobra decisões e prazos com requintes de sadismo, para, depois de meses, anunciar um entendimento da lei originalíssimo, segundo o qual nenhum preso, fosse qual fosse a ocupação, poderia ter trabalho externo no regime semi-aberto.

Luís XIV, o do “l’État c’est moi”, não faria melhor.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Datafolha não desiste de ter Lula como candidato


Lula já repetiu mil vezes que não será candidato e fará campanha pela reeleição de Dilma. Lula e o PT já fizeram dois encontros nacionais para formalizar apoio à reeleição da presidente. Não tem jeito. A nova pesquisa Datafolha, divulgada nesta sexta-feira, coloca novamente o nome do ex-presidente na lista e praticamente sugere a troca de candidatos do PT. O instituto de pesquisas do jornal Folha de S. Paulo perguntou aos eleitores quem deveria ser o candidato do PT e 58% apontaram o nome de Lula. Entre os petistas, este índice chega a 78%.

Quando a candidata é Dilma, ela tem 37% das intenções de voto contra 38% dos demais candidatos, apontando para uma eleição em segundo turno. Se no lugar dela o candidato do PT fosse Lula, ele teria 52% dos votos e venceria tranquilamente no primeiro turno, contra 19% de Aécio Neves e 11% de Eduardo Campos. Na mesma pesquisa, Lula aparece como "o mais preparado para mudar o Brasil", um desejo manifestado pela maioria absoluta dos eleitores nas últimas pesquisas.

Ao mesmo tempo, o levantamento mostra que parou a sangria de intenções de voto na presidente Dilma, que caiu apenas um ponto de uma pesquisa para outra, enquanto Aécio subia quatro, chegando a 20% e Eduardo Campos oscilava de 10% para 11%. O índice de aprovação do governo Dilma também oscilou apenas um ponto, de 36% para 35%. Tudo dentro da margem de erro. E a expectativa de alta da inflação caiu sete pontos, de 65% para 58%.

Num possível segundo turno, Dilma ganharia de Aécio com 11 pontos de vantagem (47% a 36%) e 17 pontos, se o adversário for Eduardo Campos (49% a 32%). Ou seja, com Dilma ou com Lula, apesar de todo o cenário negativo alimentado pela mídia nas últimas semanas, o PT venceria mais uma vez, se as eleições fossem hoje.

Se olharmos para os índices de rejeição dos três principais candidatos já lançados, há um empate técnico: Dilma tem 35%, Eduardo Campos, 33%, e Aécio Neves, 31%. O menos rejeitado seria Lula, com 17%.

A pesquisa Datafolha serviu também para confirmar um evidente exagero a favor de Aécio Neves nos seus números de intenção de votos apontados pelos institutos mineiros Sensus e MDA, divulgados na semana passada, ambos ligados a Clésio Andrade, dissidente do PMDB, um dos denunciados no mensalão tucano, cujo julgamento o STF já mandou para as calendas.

Como a Folha e o restante da grande mídia nunca morreram de amores por Lula, dá para concluir que a insistência na inclusão do nome do ex-presidente, mostrando que ele teria mais chances do que Dilma de levar a eleição no primeiro turno, nos permite concluir que o objetivo principal da oposição midiático-partidária-empresarial continua sendo jogar um contra o outro para ver se dá um cavalo de pau nas pesquisas, o que até agora não aconteceu.

É de se perguntar por que, então, o Datafolha não incluiu também os nomes de Fernando Henrique Cardoso e José Serra em lugar de Aécio Neves como candidato tucano?

Apesar do interminável tiroteio do noticiário negativo, a maioria da população, segundo o Datafolha, ainda não entrou na onda de pessimismo e mau humor: 43% acreditam que sua situação econômica vai melhorar, contra apenas 12% que esperam uma piora.

E o caro leitor do Balaio o que pensa sobre tudo disso? Acredita que pesquisas como esta do Datafolha ainda podem fazer o PT trocar a candidatura de Dilma pela de Lula? Para promover as mudanças que o país espera, prefere a continuidade do governo do PT ou um candidato da oposição? A vida de vocês está melhorando ou piorando nos últimos anos?

Afinal, se o Datafolha pode fazer tantas perguntas, eu também posso. Mandem respostas: só não vale xingar minha falecida mãe.

Ricardo Kotscho
No Balaio do Kotscho
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Deus só pode ser brasileiro por nos brindar com a Folha de S. Paulo

Perigosíssima
Estou comovido com a coragem da Folha de S. Paulo.

Veja como ela, a serviço do Brasil, enfrenta destemidamente interesses de poderosos. A Globo sonega bilhões, um ato corrupto e criminoso?

Lá está a Folha, para defender os cidadãos da predação tributária, econômica, social da Globo.

A cobertura da Folha sobre o escândalo fiscal da Globo merece mais que o Esso. Tem que levar também o Pulitzer.

Ponho a Folha no mesmo patamar de Snowden, ao desafiar o império americano. Que seríamos de nós sem a Folha?

Mais um capítulo da saga indômita da Globo acaba de ser escrito hoje.

A Folha está se batendo contra ninguém menos que a ultrapoderosa Joana Saragoça, filha de Dirceu. Podemos dormir sossegados, agora.

Joana cometeu o crime inominável de ter furado a fila na visita a seu pai, segundo repórteres da Folha que ficaram de campana para flagrar este ato de superior importância.

Os leitores da Folha reconhecem a grandeza do feito do jornal. Li os comentários no site. “Filho de rato, rato é”, exclamou um deles.

“Filha legítima de Zé Dirceu, mau caráter como o pai”, decidiu outro.

No blog de um colunista da Folha, o tom civilizatório comandava os comentários. Disse um leitor ali: “O terrorista, criminoso, bandido, mensaleiro, chacal famulento goza de regalias, privilégios e mordomias desmesuradas.” Ele desejou a morte a Dirceu, a quem o diabo esperará para “se saciar”.

Um jornal, um site são seus leitores, e são realmente inspiradores os leitores da Folha e de seus colunistas. Magnânimos como Marco Aurélio, generosos como Confúcio, tolerantes como Voltaire, brilhantes como Platão. Devem todas essas virtudes à Folha.

Houve uma transferência imediata do ódio que os leitores progressistas da progressista Folha sentem por Dirceu. Do pai ele jorrou para a filha.

Faço aqui uma pequena pausa para que todos aplaudamos a Folha e seus leitores sensacionais.

Se eu fosse anunciante — privado ou público — me orgulharia de cada centavo colocado na Folha. Porque ela está educando os brasileiros, e nos tornando uma sociedade de filósofos.

Estamos, graças à Folha, protegidos de Dirceu. E agora também estamos protegidos da diabólica Joana.

Mais uma salva de palmas, e de pé, para o magnífico jornal da Barão de Limeira, e para seu dono e editor, Otávio Frias Filho, há mais de trinta anos ajudando a fazer o Brasil esta república escandinava que é.

E aplausos também para Sérgio Dávila, editor executivo do jornal, e para Matheus Leitão, o repórter que flagrou Joana. Sçao os nossos Assanges.

Deus só pode ser brasileiro nos dando tanta gente boa para zelar por nós.

Paulo Nogueira
No DCM
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Dirceu e a tortura moral

Episódio pequeno não pode ser ampliado para esconder violência contra José Dirceu

A notícia de que uma das filhas de José Dirceu furou a fila da Papuda para encontrar-se com seu pai tem a relevância de um episódio menor numa grande tragédia.

Ninguém precisa ter compromisso com erros e deslizes.

Quaisquer que sejam as falhas e faltas cometidas neste caso, que ainda aguarda esclarecimentos maiores, é preciso distinguir o principal do secundário, o que é certo do que é absurdo.

José Dirceu, hoje, é vitima de tortura moral contínua.

Como esse tipo de violência não deixa marcas físicas, muitas pessoas acham fácil conviver com ela. Não sentem culpa nem remorso.

O pai de Joana Saragoça encontra-se preso na Papuda desde novembro de 2013.

Jamais foi condenado a regime fechado mas até hoje lhe negam o direito de sair para trabalhar. Sua privacidade foi invadida e, sem seu consentimento, suas fotografias na prisão chegaram aos meios de comunicação, várias vezes, onde foram exibidas de modo a ferir sua imagem. Nada aconteceu com os responsáveis por isso. Nada.

No esforço para encontrar — de qualquer maneira — o traço de qualquer conversa telefonica indevida, um indício, um ruído, uma procuradora chegou a pedir o monitoramento ilegal das comunicações do Palácio do Planalto, o STF, o Congresso — e nada, absolutamente nada, lhe aconteceu nem vai acontecer, fiquem certos.

Infiltrados numa visita de caráter humanitário, parlamentares da oposição chegaram a divulgar mentiras convenientes para prejudicar Dirceu. Lançaram a lorota do banho quente na cela. Uma deputada que sequer entrou em sua cela deu entrevistas falando dos privilégios. O que ocorreu? Nada. Nada. Nada. Sequer sentiu vergonha. Talvez ganhe votos.

Situações como aquela enfrentada por José Dirceu podem criar situaçoes insuportáveis entre pessoas próximas.

São capazes de provocar reações irracionais, erradas, por parte daqueles que mais sentem a dor da injustiça.

Sem suspiros moralistas, por favor.

Lembrando as reações iniciais ingênuas da família do capitão André Dreiyfus, Hanna Arendt sugere que os parentes — muito ricos — chegaram a pensar em subornar autoridades que poderiam libertá-lo.

Quer um episódio mais chocante? Em 1970, Carlos Eduardo Collen Leite, o Bacuri, militante da luta armada, foi preso e massacrado pela tortura do regime militar. Não custa lembrar que, antes de ser executado, os jornais fizeram sua parte no serviço: noticiaram sua fuga — dando a cobertura para um assassinato impune.

Bacuri foi apanhado num momento em que fazia levantamento para um sequestro no qual pretendia salvar a mulher, a militante Denise Crispim, presa e grávida. Quando seu corpo apareceu, Bacuri tivera as orelhas decepadas, olhos vazados, dentes quebrados, vários tiros no peito.

Claro que estamos falando de situações diferentes. Muito diferentes. Graças a atuação de homens e mulheres no passado mais duro — inclusive José Dirceu — o país tem hoje um regime de liberdade.

Estes casos mostram, contudo, como é difícil reagir diante da injustiça.

Mostram como é pequeno falar em “privilégio” diante de um poder que se arvora o direito de espionar a presidência da República e nada sofre. Que desrespeita a lei, enrola e ganha tempo, apenas para punir e perseguir.

E é errado, muito errado, cobrar de quem está nessa situação, oprimida, injustiçada, comportamentos exemplares, racionais, sem enxergar o conjunto da situação. Até porque nada se compara com outras reações surpreendentes e tão comuns no país, como a de empresários que corrompem politicos, constroem fortunas imensas e, mais tarde, apanhados em flagrante, alegam que foram vítimas de extorsão. Nada disso.

O pai de Joana Saragoça está sendo submetido a um processo continuo de violência moral. Sua base é o silêncio, o escuro, é a cela fechada, o presídio trancafiado, os amigos distantes, o trabalho proibido, tudo para que se transforme numa não pessoa, com a cumplicidade e o silêncio dos mesmos que se mostram muito incomodados com banhos quentes, um papelzinho de uma lanchonete fast-food, uma feijoada em lata...

E se você acha que, talvez, esse negócio de “tortura moral” pode ser invenção deste blogueiro, talvez seja bom desconfiar da natureza de seus próprios principios morais. Eles podem ter-se tornadoi flexíveis ultimamente.

Paulo Moreira Leite
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"Estado de Minas" faz campanha para Aécio Neves na cara-dura

Estado de Minas


O Globo


No Oni Presente
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Da água da bica à Sabesp: a seca em São Paulo é culpa de quem?

Dentre todos os culpados pela falta d’água em São Paulo, São Pedro é o único inocente. As estiagens e as deficiências de abastecimento são tanto antigas quanto previsíveis. Sempre foi assim, desde a chegada dos colonizadores. Os índios, ao contrário, viviam numa fartura da qual só herdamos a memória.

A aparente fartura e a seca recentes têm ambas a mesma origem. Pra quem não sabe, ou não lembra, o sistema Cantareira foi projetado pela antigaComasp — Companhia Metropolitana de Águas de São Paulo, pouco depois do golpe de 1964, em plena ditadura. Naquela época já se previa — novamente — que iria faltar água em São Paulo. E os milicos tinham pressa em fazer grandes obras para impressionar.

Até 1880 só havia água de pipa ou de bica. Em 1881 foi criada a Companhia Cantareira de Águas e Esgotos para o fornecimento de três mil metros cúbicos por dia, equivalentes a 50% da água encanada consumida na capital A empresa privada — veja você! — foi estatizada pelo governo do estado por causa dos péssimos serviços prestados à população. Naquela época o sucateamento das empresas era feito para estatizá-las, e não privatizá-las, como é feito hoje.

A Comasp foi criada em 1968 para a captação e tratamento das águas que abasteciam a Grande São Paulo. E eles previram tudo direitinho. O sistema Cantareira seria um conjunto de cinco reservatórios correspondentes às barragens do rios Jaguari e Jacareí, Cachoeira, Atibainha, Juqueri e Águas Claras que iriam produzir 33 metros cúbicos por segundo, quando todas as represas ficassem prontas. A construção foi feita em duas etapas: Na primeira foram feitas as barragens a jusante do rio Cachoeira, produzindo 11m³/s. Depois foi acrescido o reservatório da barragem dos rios Jaguari e Jacareí, para atingir os 33m³/s previstos para o sistema.

“Reservatório”, como se sabe, foi feito para “reservar” a água dos rios, permitindo regular seu aproveitamento em casos de seca ou chuva. E os reservatórios do sistema Cantareira foram planejados para fornecer água em abundância por bastante tempo, a ponto de fazer os paulistas esquecerem por algum tempo a escassez de água que os milicos pretenderam acabar.

“Volume morto”, o lodo que se acumula nos fundo dos reservatórios e está prestes a ser filtrado para retirar água da lama, passou a ser chamado de “reserva técnica”, como se os reservatórios não fossem uma reserva e um tanque de decantação ao mesmo tempo. E “rodízio” virou um neologismo para “racionamento”. Assim como você deixa seu carro na garagem uma vez por semana, também poderá encostar seu chuveiro, cozinha e máquina de lavar.

Em 1972, os economistas Paulo Roberto Davidoff Cruz e Cláudia dos Passos Claro, da Secretaria de Planejamento do estado previam, com bastante exatidão, que a demanda por água encanada na região metropolitana seria de 68,29 metros cúbicos por segundo em 1990, para uma população estimada de 17 milhões de habitantes. Essa previsão só foi atingida no ano 2.000. Hoje, a população servida pela Sabesp na Grande São Paulo é de 16,3 milhões de pessoas, que receberam 73,2 metros cúbicos por segundo somente no ano passado. Se eles erraram, foi para mais, não para menos.

Quem distribuía a água captada pela Comasp, porém, não era ela própria como faz a Sabesp hoje. Era a Saec — Superintendência de Águas e Esgotos na Capital, sucessora do Departamento de Águas e Esgotos, o DAE. Em 1972 a Saec já admitia uma perda de 30% da água distribuída por causa de vazamentos nas tubulações. Exatamente o mesmo índice da Sabesp hoje, 42 anos depois.

Os estudos conduzidos pela Seplan paulista consideraram apenas a demanda para consumo doméstico. A demanda industrial não foi prevista, pois segundo eles seria improvável garantir o fornecimento dos grandes volumes contínuos exigidos pelas indústrias, além da ausência, naquela época, “de indicadores confiáveis sobre a estimativa de grande consumo industrial”. Os industriais preferem captar a água de que necessitam do que depender do abastecimento público duvidoso, acreditavam os técnicos do Estado desde então.

O engenheiro Haroldo Jenzler, presidente da Comasp, calculou em 1972 a necessidade de investimentos de 100 milhões de dólares ao ano durante 20 anos para realizar as obras projetadas para a Grande São Paulo. E concluiu: “Ou aceitamos as metas que serviram de base para esses investimentos e conseguimos os recursos necessários, ou deveremos modificar as metas.”

Os governos estadual e federal resolveram manter as metas e por isso criou a Sabesp em 1973, pela fusão da Comasp, da Saec — distribuidora da capital — do Fomento Estadual de Saneamento Básico e da Sanevale do Vale do Paraíba, entre outras empresas. Ela “vende” diretamente ao consumidor a água tratada que traz dos rios. E “vende” também para os grandes consumidores industriais urbanos, que não dispõem de fontes próprias de abastecimento, como supunham os planos iniciais.

seca

Para atender a demanda industrial, a Sabesp ampliou em 13 vezes sua produção de água de “reúso”, proveniente do tratamento parcial de esgotos, em sociedade com a Odebrecht. Ainda assim, a produção é de apenas 395 mil metros cúbicos por mês, equivalentes a 0,15 metros por segundo. Se a população cresceu menos do que as previsões iniciais, a falta de previsões sobre o crescimento do consumo industrial fez toda a diferença.

Não são surpreendentes, portanto, os dados dos resultados obtidos pela unidade de negócios Metropolitana Norte da Sabesp, encravada no atual sertão paulista.

Segundo os dados apresentados pela unidade da estatal para concorrer ao Prêmio Nacional da Qualidade em Saneamento 2013, o volume total faturado pela unidade que abastece toda a zona norte da Grande São Paulo de São Paulo, mais os municípios produtores do sistema Cantareira — Bragança Paulista, Joanópolis, Piracaia, Atibaia, Mairiporã e Franco da Rocha —, passou de 350 milhões de metros cúbicos em 2010 para 370 milhões em 2012. Um crescimento de 6% na véspera da seca.

No mesmo período, a rentabilidade expressa em termos do Ebitda — lucro antes de juros e impostos — subiu de 65,9 para 72,6%. A arrecadação da unidade metropolitana norte passou de 863 milhões de reais em 2010 para um bilhão em 2012. O incremento do fornecimento para grandes consumidores — indústrias — saltou de 18 para 35% do volume faturado, incluída ai a incansável e sedenta construção civil.

Esses resultados são bons? Depende pra quem. Desde 2002 a Sabesp passou a negociar ações no Novo Mercado da Bovespa. As ações subiram ininterruptamente de seis para trinta reais entre 2008 e 2012. O crescimento médio do lucro líquido foi de 23% nos últimos cinco anos.

Nos últimos dez anos a companhia distribuiu aproximadamente quatro bilhões de reais em dividendos, dos quais a metade no período de 2010 a 2012, quando a Metropolitana Norte batia recordes de faturamento.

A região metropolitana como um todo responde por 75% do faturamento da companhia.

O rating internacional passou de BB a BB+. Como um desempenho tão fantástico pode ser classificado como classe B?

Para os acionistas foi um bom negócio, pelo menos até recentemente. As previsões de queda no faturamento e aumento das despesas deverão afetar esses resultados no curto prazo.

Sabesp e Petrobrás devem se tornar os troféus em disputa na campanha eleitoral que se aproxima. Ambas são grandes empresas brasileiras de economia mista, sólidas e bem administradas por profissionais competentes. As duas são importantes não só para seus clientes, funcionários e acionistas, mas para o país.

Uma se deu mal na Cantareira e a outra em Pasadena. Nenhum dos dois prejuízos é irreversível para gigantes como elas.

As ações da Petrobrás não ostentam a valorização e o rendimento esfuziantes da Sabesp na última década. Mesmo assim a produção de petróleo bateu novo recorde em março. As ações da empresa dispararam 4% na quarta-feira, dia 7, e a Folha anunciou que o motivo foi a queda nas intenções de voto na presidenta.

Infelizmente não dá pra beber petróleo. Nem engolir essa.

Jura Passos
No DCM
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Datafalha é a mesma pesquisa. Dilma leva no 1º turno!

PiG agora vai ter uma eleição – quer dizer, pesquisa – toda semana!


O 'Datafalha' repete a mesma pesquisa toda semana para dizer o mesmo: a Dilma leva no primeiro turno.

Margem de erro pra cá, margem de erro pra lá, branco, nulos à moda da casa, e ajuste de amostra – é sempre a mesma pesquisa: dois 'Datafalha', um 'Globope' e um Sensus, o ponto fora da curva, pois, ao trabalhar para o PSDB, acusou uma forte aceleração do 'Arrocho', depois que esteve nos eventos do João Dória…

Dessa vez, nesta sexta-feira, o 'Datafalha' diz que a Dilma tem 37% – não trata de “espontâneos” – e a soma do 'Arrocho Neves' com o 'Dudu' 3% tem 31%.

Margem de erro pra lá, margem de erro para cá, o que está certo é o DataCaf, em que 'Arrocho' leva no primeiro turno!

Em tempo: a Big House consegue provisoriamente realizar o sonho da “democracia direta”, ou “platônica: só o Otavinho e o J.A.Montebianco votam.

Além, é claro, dos economistas da bancos e a S&P’s.

E o jornal nacional do 'Gilberto Freire' com “i” reverbera nos seus 24 pontos de audiência.

Já, já, ele chega à casa dos 10 pontos.

Porém, com a mesma eficácia: a imprensa escrita produz o 'Datafalha', o jn lhe dá dimensões apoteóticas, e o Congresso se lambuza com a notícia do jn.

A Imprensa escrita tem cada vez menos leitores, o jn cada menos espectadores e o Congresso cada vez menos representatividade.

Mas, nessa cadeia de elos crescentemente frágeis, o objetivo se atinge, porque visa chegar a poucos: aos agentes do Golpe!

Paulo Henrique Amorim
No Conversa Afiada
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Bolsa Família

O Bolsa Família atende a cerca de 14 milhões de famílias. O benefício médio passará de R$ 150 para R$ 167 mensais.


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Não Vai Ter Alckmin

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Contratos da Labogen com governos tucanos chegam a R$ 164 mi; em São Paulo somam R$ 67 mi


Desde o desencadeamento da operação Lava Jato, em março, as indústrias Medicamentos Labogen e Labogen Química, do doleiro Alberto Youssef, preso na operação, estão na mídia. Ambas foram usadas para lavagem de dinheiro, segundo a denúncia do Ministério Público Federal no (Paraná MPF-PR).

Inicialmente, elas ganharam todos os holofotes, porque o deputado federal paranaense André Vargas (ex-PT, atualmente sem partido), foi flagrado pela Polícia Federal (PF) em troca de mensagens com Youssef. Ele seria suspeito de fazer lobby a favor das organizações Labogen no Ministério da Saúde na gestão de Alexandre Padilha, pré-candidato do PT ao governo de São Paulo. O ex-ministro nega interferências e está interpelando judicialmente Vargas.

O fato é que:

1) Como a denúncia foi feita pelo MPF-PR, a mídia passou a impressão de que o esquema se restringia ao Paraná, até porque Youssef é de Londrina. Omitiu, assim, que as organizações Labogen estão sediadas em São Paulo.

2) Com base no que se sabe até agora,  elas não têm contratos firmados com o Ministério da Saúde, desde o final do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Inclusive, balanço de 2001 da Labogen Química mostra que na época ela recebeu financiamento do Banco do Brasil e da Finep.


3) Em 1999, na gestão José Serra (PSDB), a Medicamentos Labogen fechou contratos no valor de R$ 30,8 milhões com o Ministério da Saúde, revelou o Tijolaço.Em valores corrigidos até março deste ano somam R$ 97,4 milhões.

4) Youssef é um dos doleiros envolvidos no maior escândalo do Brasil, o do Banco Estado do Paraná ou Banestado, que atinge fortemente a mídia e o governo FHC. Entre 1996 e 2002, mais de US$ 84 bilhões foram retirados indevidamente do Brasil via contas CC5 do Banestado.

Curiosamente, à medida que se descobrem ligações das indústrias Labogen com os tucanos, o noticiário sobre elas vai minguando. E talvez diminuam ainda mais.

Além de contratos com o Ministério da Saúde na gestão Serra, a Medicamentos Labogen vendeu diretamente para a Fundação Remédio Popular (Furp), do governo do Estado de São Paulo, de 1999 a 2005.

A Furp também firmou vários contratos com a Piroquímica Comercial, oficialmente de Pedro Argese Júnior. Só que ele é testa de ferro do doleiro Alberto Youssef, segundo o MPF-PR. Os contratos foram entre 1999 e 2007, consequentemente nos governos Covas, Alckmin e Serra.

Esses dados foram obtidos em levantamentos feitos no Sistema de Gerenciamento da Execução Orçamentária (Sigeo) e no Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.

Até agora, pelo que apuramos, os contratos da Furp com a Medicamentos Labogen somam R$ 14 milhões; em valores corrigidos, aproximadamente R$ 28 milhões.

Os com a Piroquímica atingem R$ 20 milhões; em valores corrigidos, cerca de R$ 39 milhões.

Resultado: os contratos das indústrias Labogen e Piroquímica com os governos tucanos de São Paulo chegam a R$ 67 milhões.


Entretanto, eles não aparecem na denúncia do MPF-PR, que estranhamente só quebrou o sigilo das empresas denunciadas na Operação Lava Jato a partir de 2008.

Explico. No pedido ao MPF-PR ao juiz federal, solicitando o indiciamento da “quadrilha”, os promotores argumentam que em “data não precisada nos autos, mas sendo certo, que desde 2008 até 17 de março de 2014”, as pessoas listadas “integraram uma das organizações criminosas comandadas pelo doleiro Alberto Youssef”.


Ou seja, O MPF-PR diz que não foi possível identificar o início do esquema. O que é intrigante por várias razões:

1) Youssef é um velho conhecido do MPF-PR, já que operou no esquema de evasão de divisas no caso Banestado.

2) As empresas investigadas de Youssef já existiam antes de 2009. E se elas lavaram dinheiro depois, por que não teriam lavado antes?

3) Se os promotores não sabiam quando começou, por que não se investigou?

4) A denúncia do MPF-PR menciona a MO Consultoria, de São Paulo, criada em 2004. De 2009 a 2013, foram depositados na conta dessa empresaR$ 89,7 milhões.

Segundo o MPF-PR, a integralidade dos valores recebidos por ela é ilícita e correspondia à parte significativa do montante que foi ocultado pelas operações bancárias pulverizadas para outras empresas como sendo do doleiro Youssef. Entre as quais, Labogen Química, Labogen Medicamento e Piroquímica, que, de 6 de janeiro de 2009 a 20 de junho de 2013, foram abastecidas em R$ 21,3 milhões.



Considerando que o MPF-PR admite que a lavagem de dinheiro do esquema do doleiro Alberto Youssef passava pela MO por que não quebrou o sigilo dessa empresa de 2004 a 2008?

Sem contratos fechados não há corrupção.

Os firmados pelas organizações Labogen com governos tucanos já chegam a R$ 164 milhões: R$ 97,4 milhões (gestão Serra, no Ministério da Saúde) + R$ 67 milhões (Furp, nas administrações Covas, Alckmin e Serra).

Será que a mídia vai investigar esses contratos realmente existentes ou se calará como fez com o propinoduto tucano? Só o tempo dirá.

Conceição Lemes
No Viomundo
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