6 de mai de 2014

Minas de alto teor corrosivo

Dilma passa por uma prova de fogo, enquanto os pregoeiros do retrocesso fazem a festa

"O Partido dos Trabalhadores organizou a máquina eleitoral mais eficiente do país. Já ganhou três das seis eleições presidenciais diretas realizadas desde a ditadura e está no poder há 12 anos. No entanto, se mostra vacilante em carregar a sua candidata, a gerente da herança da era Lula, que transita pelas pesquisas com média de preferência eleitoral muito superior à que possuía a cinco meses da eleição de 2010. Isso é absolutamente incomum".
José Casado, O GLOBO, 6 de maio de 2014


O que é mais corrosivo: o corpo mole de correligionários e aliados ou o jogo baixo e inescrupuloso dos adversários? A candidatura Dilma Rousseff está passando por uma prova de fogo, tão asfixiante que sobreviver a ela é mais difícil do que vencer a eleição em caso de disputa com opositores assanhados e cheios de si.  Uma prova que ganha tons mais denegridos pela deliberada manipulação de uma mídia insaciável e calculista que esbanja minas em seu caminho para retomar a condição de quarto poder, ante o próprio definhamento e a emergência de canais alternativos cada vez mais exuberantes e influentes. 
Engana-se quem pensa que o solapamento caseiro cessou com o encontro nacional do PT em que fizeram juras de amores por ela e formalizaram sua indicação. Tanto quanto também é um ledo engano imaginar que a artilharia reacionária está esgotando o estoque pela repetição enjoada dos mesmos traques, procurando atingi-la por malfeitos de subalternos e de outros tempos, onde rigorosamente ela passa ao largo, numa distância muito maior do que a dos plantadores dos espinafres.

A picaretagem que está na berlinda tem origem e aconteceu de fato em tempos pretéritos: no caso do laboratório do doleiro Youssef ele lavou a burra mesma foi na gestão do então ministro José Serra, quando papou R$ 80 milhões do Ministério da Saúde, segundo levantamento do site "Contas Abertas".   

Se fosse só a baixaria que enche os olhos da direita e da plutocracia o carimbo da origem já a desautorizaria, tão desmoralizadas politicamente estão. Mas o cipoal dos ressentidos das ante-salas, a maioria padrão André Vargas, teima em solapar e joga pesado por que o que lhes interessa é deliciar-se do sumo do poder: fora disso, não vão cumprir os compromissos pecuniários espúrios com seus financiadores.

A esses fisiológicos gulosos e resistentes à dieta pouco importa quem tirará proveito de suas trapalhadas.  Não lhes ocorre abrir a janela para além do seu beco sem saída. Se não fossem pigmeus ocasionalmente bem sucedidos enxergariam logo ali uma articulação transnacional que quer rever o processo que retirou alguns países do vampirismo padrasto da metrópole em crise. Vampirismo que, ao ver dos estrategistas de lá, seria factível se tivéssemos um governo mais alinhado: não fosse pelas posições do governo brasileiro, estimam, Nicolas Maduro já teria sido asfixiado por pressões internacionais e Evo Morales não estaria tão bem na fita.  

Uma tentativa de explorar a vaidade e chantagear

Mais do que ninguém, Luiz Inácio sabe disso. Sua caminhada antes, durante e depois do pódio foi um aprendizado frutífero, doutorando-o nos mistérios da política. Mesmo tocado pelos apelos à sua vaidade campeã e mesmo chantageado por ex-acólitos, ele seria ingênuo se aceitasse entrar num fogo cruzado no meio da conflagração, desconstruindo a própria cidadela, que não se recompõe da noite para o dia. Até por razões de saúde seria uma temeridade envolver-se num processo dinâmico sob impulsos de uma terceirizada paranóia de má fé.   

As hostes partidárias, no entanto, são sacos de gatos ensimesmados. Ninguém pode confiar em ninguém e quanto mais anuviado for o cenário, mais surpreendente pode ser o comportamento de cada um, por que é cada um por si, sem tirar nem por. Na democracia, os manda-chuvas têm empregos por tempo determinado. Isso lhes deforma o caráter no seu curso, essa ânsia de resolver-se no prazo de garantia, que ainda lhes remete desde o primeiro dia para a busca do replay. São profissionais que o sistema infectou de mordomias e glórias, que desfrutam de casa, comida e roupa lavada viciosas às custas do erário.

A quem interessar possa recomendo um filme norte-americano, produzido em 2012, sem maiores pretensões, que passou por aqui sem alarde, com menos de 30 mil ingressos vendidos. Os candidatos (The Campaign) do despretensioso Jay Roach é um retrato caricato, mas emblemático, de uma disputa eleitoral na Carolina do Norte. Expõe a degeneração da decantada "democracia americana", mas reflete a deformação do processo de escolha em todos os países que sustentam como dogma do regime democrático a manifestação das urnas num ambiente plural.

Ver essa comédia talvez ajude a perceber melhor a tragédia em que vivemos, mercê de carreiristas sem escrúpulos, cuja ação deletéria inviabiliza governos paridos na alcova da esperança. Talvez mostre toda a índole lombrosiana da maioria desses que compram eleições a peso de ouro, oferecendo ingredientes para a despolitização, a alienação e o desinteresse da sociedade diante de cada pugna.

Explica por que interesses contrários se somam na hora de rifar quem não reza exatamente pela cartilha da cumplicidade e age como um estorvo na ânsia da malandragem despudorada que tem as cartas na mão. Malandragem que, nestes tempos bicudos, atrela-se às benesses do poder com unhas e dentes, cada qual puxando mais brasa para a sua sardinha.

Dois artigos no mesmo dia e no mesmo jornal são sintomáticos



Os próximos dias são misteriosos. Os pregoeiros do retrocesso estão apostando suas fichas no sucesso dos netos — do Tancredo e do Arraes — como elementos de alto teor corrosivo. E confiam numa implosão que converta Dilma em partículas perdidas no espaço, como escreveu José Casado em O GLOBO de hoje:

"A novidade na praça é o visível isolamento da presidente em plena campanha de reeleição. E o mais insólito é o fato de que a desconstrução da candidata do PT começou no próprio partido — dentro da ala majoritária petista que emerge dessa empreitada unida ao conservadorismo religioso e ao empresariado devoto do capitalismo de laços com os cofres públicos".

Na página ao lado da mesma edição, maior é a euforia de Marco Antônio Vila num artigo triunfalista sob o título Adeus, PT, saudado com um "amém" pelo ultra-direitista Rodrigo Constantino no site da revista VEJA:

"A derrota na eleição presidencial não só vai implodir o bloco político criado no início de 2006, como poderá também levar a um racha no PT. Afinal, o papel de Lula como guia genial sempre esteve ligado às vitórias eleitorais e ao controle do aparelho de Estado. Não tendo nem um, nem outro, sua liderança vai ser questionada. As imposições de “postes”, sempre aceitas obedientemente, serão criticadas. Muitos dos preteridos irão se manifestar, assim como serão recordadas as desastrosas alianças regionais impostas contra a vontade das lideranças locais. E o adeus ao PT também poderá ser o adeus a Lula".

Nenhum desses senhores escreve por diletantismo. É isso que tento fazer ver quem não quer este país de novo nas mãos sujas do que há de pior e mais comprometido com as prosopopéias reacionárias.

Pedro Porfírio
No Blog do Porfírio
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Fabiane, espancada e morta: o Estado também é responsável

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Uma visão holística do socialismo. Ou: zen socialismo

Muitos leitores, sobretudo os jovens, me perguntam o que é o socialismo que defendo. Quando “o comunismo chegar”, como é que vai ser? Os ricos vão ser mortos? O Brasil vai virar uma Cuba ou uma Coreia do Norte? Meu Iphone será confiscado? Enfim, todo tipo de pergunta. Não sou nenhuma teórica, mas vou falar aqui como eu vejo o socialismo à luz do século 21.

Em primeiro lugar, não acredito em revolução, mas em revoluções. Acho que a ideia de que a classe trabalhadora irá se levantar e tomar o poder foi superada, pelo menos em um futuro próximo — não posso falar do que pode acontecer daqui a 300 anos. No entanto, acredito ser possível revolucionar, sob inspiração socialista, vários setores da sociedade: a educação e a saúde, por exemplo. Os socialistas defendem que a educação e a saúde sejam universais. Isso significa que devem ser públicas e gratuitas. Capitalistas acham que não.

Socialistas também defendem que todos tenham acesso à terra para plantar. Por que seria necessário matar alguém para isso, se pode ser feita uma reforma agrária de maneira perfeitamente legal, pelo Congresso, tirando o excesso de terras em mãos de latifundiários e redistribuindo para quem precisa? O mundo mudou e os socialistas mudaram com ele — quem continua a matar gente é o capitalismo. Outra revolução possível no campo seria garantir que a nossa comida não seja alvo de experimentos científicos motivados pela vontade de produzir mais para ganhar mais dinheiro, sem nenhuma preocupação com o bem-estar do ser humano. Capitalistas não estão nem aí para isso. Socialistas, sim.

No socialismo moderno, não enxergo a necessidade de se “eliminar” os ricos ou de “reeducá-los”, como se defendia nos primórdios. O que tem que ser feito com os ricos é fazê-los pagar os impostos que nos devem, proporcionalmente à fortuna que acumularam. Não é possível que gente bilionária pague os mesmos impostos que todo mundo. É claro que esse tipo de distorção precisa ser corrigida. Os ricos do Brasil pagam menos imposto até mesmo que os ricos de outros países. Quem você acha que está interessado em acabar com essa injustiça? Os capitalistas é que não.

Um lado hilário do capitalismo é que eles pregam a menor intervenção possível do Estado na economia, mas é só o sistema entrar em crise que os bancos recorrem ao Estado. Ou seja, o Estado só pode socorrer o capital financeiro, justamente quem precisa de menos ajuda, enquanto os pobres ficam à míngua… No socialismo em que acredito, o Estado continuaria a ter um papel forte e as riquezas do País continuariam a ser públicas. Para que privatizar empresas públicas que estão indo bem? Agora, é possível ser empresário e socialista? Por que não? Tudo depende da forma como você vê seu negócio, como trata seus empregados, o meio ambiente, e se seu único norte é acumular capital. Mais-valia obviamente continua sendo coisa de capitalista.

Não acho que o socialismo um dia vencerá e o capitalismo acabará. Infelizmente. Acredito mais numa convivência (não exatamente pacífica) entre capitalismo e socialismo. Uma hora um estará em cima e o outro embaixo, como o Yin e o Yang do taoísmo. O socialismo surgiu no século 19 como oposição ao massacre que o capitalismo impingia aos trabalhadores, principalmente mulheres e crianças. O que seria do mundo se o socialismo não tivesse aparecido? As pessoas estariam trabalhando de 14 a 16 horas por dia e morrendo antes de chegar aos 40 anos, de exaustão e doenças. A fome, a desigualdade e a miséria seriam muito maiores, porque os capitalistas são incapazes de enxergar falhas em seu sistema brutal. As modificações que vieram são resultado da luta dos socialistas. Se houvesse bons capitalistas, deveriam se sentir até gratos.

Assim como a noite chega após o dia e o dia chega após a noite, essa queda-de-braço nunca terá fim. Para desespero do capitalismo, ainda que não esteja em posição de mando, o socialismo sempre existirá como objeção às vilezas inerentes ao sistema que defendem. Ação e reação. Quem mais apontaria os defeitos do capitalismo senão o socialismo? Ocasionalmente, políticos socialistas ganharão o poder pelo voto em diversas partes do planeta — e cada vez que não se saírem bem no governo, serão derrotados pelo capitalismo. O que não é exatamente negativo: é bom para o socialismo quando ele se submete à autocrítica, coisa que o capitalismo desconhece.

Ser socialista, para mim, não significa necessariamente estar ligado a um partido político que se diz socialista. Nem mesmo alcançar o poder, mas atuar como uma consciência coletiva ainda que fora dele, um contrapeso na busca por mais equilíbrio no mundo. Não é, portanto, um regime de governo, mas uma forma de ver o mundo oposta à sociedade de consumo que tanto os capitalistas endeusam. Oposta à exploração do homem pelo homem para obter lucro. Nenhum muro derrubado é capaz de modificar o fato de que existem injustiças no capitalismo. E, enquanto elas existirem, haverá uma força inversa defendendo que outro mundo é possível, sem se curvar e aceitar as crueldades do sistema como gado. Não somos gado. Rebelar-se contra as injustiças faz parte da natureza humana.

Não acredito em socialismo sem liberdade. Acho que socialismo e liberdade são sinônimos e a principal razão pela qual as experiências de socialismo real fracassaram foi a confusão que fizeram entre socialismo e falta de democracia — os homens, não a ideia em si. Um governo socialista teria, ao contrário, o máximo de participação popular, democracia direta. Acho que a “ditadura do proletariado” (na acepção que o termo ganhou popularmente, porque na teoria não há nada sobre cerceamento de liberdades, pelo contrário) é um conceito que está claramente datado, porque o mundo mostrou não gostar de ditaduras.

Por outro lado, adoro a revolta do proletariado. Acredito nela como força motora de mudanças na sociedade e como conscientizadora do lugar que ocupamos no mundo. De onde você vem? Você quer estar do lado de quem o oprimiu ou dos que foram oprimidos junto com você? A luta de classes, que fazem muitos torcerem o nariz como se fosse a causa da violência, é, na verdade, o que nos impulsiona para evoluir, ascender. A raiva que sinto por tão poucos terem tanto e tantos não terem nada é o que me faz sentir vontade de progredir e desejar que outros progridam. Nisso os capitalistas estão certos: a competição é algo natural. Deveriam entender que a luta de classes também é competição.

Meu socialismo é, digamos, zen. Vou colocando meu grãozinho de areia contra o capitalismo e assim vamos crescendo e ganhando batalhas. Não precisa ser de uma vez como se pensou antes, pode ser aos pouquinhos. Quando disserem a você que o socialismo acabou, tenha a certeza de que fazem isso apenas para atirá-lo no conformismo. Porque sabem que socialistas não se conformam, não perdem a capacidade se indignar e não abandonam nunca a boa luta.

Cynara Menezes
No Socialista Morena
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Sabatina com Alexandre Padilha


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“Farsantes da direita disseminam ódio no País”


Em entrevista ao 247, Alberto Cantalice, vice-presidente do PT, reage aos posicionamentos de Arnaldo Jabor, que diz que o Brasil está "com ódio de si mesmo" e que, por isso, "é preciso tirar do poder esses caras", e de Marco Antonio Villa, que prevê a morte do PT e do ex-presidente Lula; segundo Cantalice, "quem está disseminando ódio não são as forças de esquerda, mas as forças conservadoras, que querem manter seus privilégios"; sobre a teoria do historiador, o petista acredita não ter o "menor cabimento", uma vez que o partido cresce a cada eleição; "Quem está morrendo é a mídia impressa, que usa espaço para esse tipo de colunista pseudo pitbull para poder fidelizar um eleitor que já é conservador por excelência"

As teses de Arnaldo Jabor e Marco Antonio Villa sobre o Brasil e o PT foram rebatidas horas depois nesta terça-feira 6 pelo vice-presidente do Partido dos Trabalhadores, Alberto Cantalice, em entrevista ao 247. Para Cantalice, que é responsável pela área de mídias sociais no partido, o cineasta e comentarista da Globo e o historiador "são dois farsantes". Em artigos na imprensa, Jabor afirma que o País está "com ódio de si mesmo" e que, por isso, "é preciso tirar do poder esses caras" (leia aqui). Já Villa prevê a morte do PT e de Lula nas eleições de outubro (leia aqui).

"Quem está disseminando ódio não são as forças de esquerda, se você acompanha as redes sociais, vê que quem dissemina ódio são as forças conservadoras, que querem manter seus privilégios, que se opõem a tudo o que é popular, contra Bolsa Família, contra Mais Médicos, programas sociais, esses é que são os responsáveis por esse estado de coisas que estão acontecendo", opina Cantalice. Para o petista, os dois colunistas "estão perdendo prestígio, já não são aqueles formadores de opinião", mas sim "deformadores de pensamento da opinião pública".

Em seu manifesto, Arnaldo Jabor, a quem Cantalice chama de "cineasta decadente, que abandonou o ofício para fazer esse tipo de comentário no Jornal da Globo", diz que ônibus queimados, presos decapitados, crianças assassinadas por pais e mães, como o menino Bernardo, são fruto de um mesmo fenômeno, cuja culpa é do Partido dos Trabalhadores. "A chegada do PT ao governo reuniu em frente única os dois desvios: a aliança das oligarquias com o patrimonialismo do Estado petista. Foi o pior cenário para o retrocesso a que assistimos", diz ele.

Sobre a tese de Marco Antonio Villa, o vice-presidente do PT acredita que "não tem o menor cabimento", uma vez que o partido vem crescendo "ano após ano" nas eleições. "O Lula é o maior líder político do País e do PT em particular, tem uma visão de Brasil que ninguém tem. O PT é o único partido no Brasil que tem a preferência de mais de dois dígitos da população, de 25% a 30%. Como é que está morrendo? Quem está morrendo é a mídia impressa, que usa espaço para esse tipo de colunista 'pseudo pitbull' para poder fidelizar um eleitor que já é conservador por excelência".

Em artigo no jornal O Globo, Villa festeja hoje o fracasso do PT em outubro. "A derrota na eleição presidencial não só vai implodir o bloco político criado no início de 2006, como poderá também levar a um racha no PT", antevê. Segundo ele, "as imposições de 'postes', sempre aceitas obedientemente, serão criticadas. Muitos dos preteridos irão se manifestar, assim como serão recordadas as desastrosas alianças regionais impostas contra a vontade das lideranças locais. E o adeus ao PT também poderá ser o adeus a Lula".

Gisele Federicce
No 247
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Padilha: “Falta de ética é cortar água e negar racionamento”


Pré-candidato do PT ao governo do Estado abre baterias contra a Sabesp, estatal de águas paulista; "A gestão foi irresponsável em todos os aspectos", classificou Alexandre Padilha em entrevista ao portal UOL, rede SBT e rádio Jovem Pan; sem citar o nome do adversário Geraldo Alckmin, Padilha afirmou que o racionamento de água já está ocorrendo no Estado, apesar das negativas do governador; "Falta de ética é cortar a água de Campinas, de Osasco e de Guarulhos e dizer que não existe racionamento", desferiu

A gestão da Sabesp foi durante os mandatos do PSDB foi duramente criticada pelo pré-candidato do PT Alexandre Padilha ao governo de São Paulo.

— A gestão da Sabesp foi irresponsável em todos os aspectos. Faltou sinceridade e transparência por parte do governo do Estado", disse ele durante entrevista ao portal UOL, à rede SBT e à rádio Jovem Pan.

— Não foram feitos investimentos necessário, mas só a Sabesp teve lucro de R$ 2 bilhões. Se tivesse investido em obras que precisavam ser feitas, não estaríamos nessa situação de crise", acrescentou.

Ele rebateu acusações de que estaria explorando eleitoralmente os problemas com o abastecimento de água em São Paulo.

— Falta de ética é cortar a água de Campinas, cortar a água de Guarulhos, cortar a água de bairros de Osasco, da capital de São Paulo e falar que não está racionando, respondeu Padilha, referindo-se à interrupção parcial do abastecimento de água nas cidades da Grande São Paulo e do interior.

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Você acredita no que lê nos jornais?


Credibilidade, no dicionário Aurélio, é a “qualidade do que é crível”, isto é, “que se pode crer, acreditável”. É uma construção, tanto para pessoas como para instituições e, claro, tem a ver com compromisso reiterado com a verdade e coerência, no longo prazo.

A palavra escrita (não necessariamente, impressa), no correr dos séculos, carrega com ela uma enorme credibilidade. Os judeus atribuem um valor mágico à escrita. A Palavra (“No princípio era o Verbo”) foi ditada diretamente de Deus a Moisés. Os muçulmanos têm a fórmula “Maktub” ou “Maktoob” (estava escrito) para justificar o destino. Tanto uns quanto os outros usam patuás ou amuletos (pequenas trouxas costuradas de couro ou pano) contendo trechos da Torá ou do Alcorão para proteção divina. Para a escola do positivismo jurídico, desde Bentham até Kelsen, vale a norma que está escrita. Os direitos só se efetivam se estiverem codificados, se forem escritos como leis. Ademais, o que está escrito pode ser mais facilmente confrontado com os fatos e, supõe-se, quem escreve não quer correr o risco de ser flagrado na mentira.

Muitas vezes se ignora que textos escritos que se tornaram referência de credibilidade têm sua origem em tradições orais milenares, anteriores a registros escritos. Além disso, desde que se pode “gravar” o que é dito, a possibilidade de confronto com os fatos inclui também a palavra falada, não só a palavra escrita.

No mundo moderno, os mediadores tecnológicos capazes de tornar as coisas públicas, de forma centralizada, em diferentes plataformas (a mídia oligopolizada), muitas vezes se tornam poderosos mais pelo que omitem — isto é, “deixam” de falar, escrever e/ou mostrar — do que pelo que falam, escrevem (publicam, de publicare, tornar público) ou mostram.

De qualquer maneira, ainda é relativamente comum, sobretudo entre aqueles de gerações anteriores à dominância da mídia eletrônica — cinema, rádio, televisão e, hoje, internet —, usar o argumento da verdade associado ao fato de algo estar escrito e/ou publicado. Assim como na subcultura popular da contravenção, “vale o que está escrito”.

A credibilidade dos jornais

Tudo isso vem a propósito de anúncio de meia página feito publicar pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) no Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, instituído pelas Nações Unidas em 1993 e, este ano, celebrado no dia 3 de maio. O curto texto do anúncio introduz um neologismo:

“Credibiliberdade. Jornal. Onde credibilidade e liberdade andam sempre juntas.”

Para além da carga de credibilidade da palavra escrita (impressa), secularmente impregnada na nossa cultura, aproveito o anúncio da ANJ para algumas observações.

Escola Base de São Paulo

Por uma infeliz coincidência, o anúncio sobre a credibilidade dos jornais aparece apenas um dia após a divulgação da morte de Icushiro Shimada (ocorrida em 16 de abril), um dos donos da Escola Base. Como se sabe, 20 anos atrás, os donos da escola que funcionava na zona sul de São Paulo foram transformados publicamente em pedófilos pela grande mídia, sem oportunidade de defesa. “Kombi era motel na escolinha do sexo”, publicou em manchete o extinto Notícias Populares e “Perua escolar carregava crianças para a orgia”, foi manchete da também extinta Folha da Tarde, ambos jornais do Grupo Folha [cf. Alex Ribeiro; Caso Escola Base – Os Abusos da Imprensa; Editora Ática, 1995].

O triste caso da Escola Base certamente escapa à “credibiliberdade” dos jornais a que se refere o anúncio.

Jornais: preferência de apenas 1,5%

Talvez os criadores da peça publicitária tivessem a intenção de “pegar carona” na divulgação recente (março de 2014) de uma pesquisa de hábitos de mídia da população brasileira pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom-PR). Um dos capítulos do relatório trata exatamente de “confiança na mídia” [capítulo 6, ver relatório completo aqui].

A pesquisa mereceu a devida atenção da grande mídia, em particular dos jornais, que insistiram em dizer que eles são os veículos de maior credibilidade. O jornal O Globo, por exemplo, em matéria sobre a pesquisa publicada no dia 7 de março afirma:

“Entre os entrevistados, 53% dizem confiar sempre ou muitas vezes no que leem nos jornais impressos. 50% confiam nas notícias que ouvem no rádio; 49% confiam nas notícias televisivas; 40% nas publicadas em revistas; 28% nas que saem nos sites; 24% nas divulgadas pelas redes sociais e 22% confiam nos blogs” [ver aqui].

Todavia, não é exatamente isso que revelam os dados. A base para a pergunta “Gostaria de saber quanto o (a) Sr.(a) confia nas notícias que circulam nos diferentes meios de comunicação” foi “apenas entrevistados que usam o meio em questão (TV, rádio, jornal, revista e internet)”. Vale dizer, os 53% que dizem confiar sempre ou muitas vezes nos jornais impressos estão entre os 25% do total de entrevistados que declaram ler jornais pelo menos uma vez por semana ou entre aqueles 1,5% (exatamente, 1,5%) que declaram ter no jornal seu meio de comunicação preferido.

Mesmo levando-se em conta que a avaliação da credibilidade de todos os meios tinha como base “apenas entrevistados que usam o meio em questão (TV, rádio, jornal, revista e internet)”, e que a credibilidade dos “usuários” dos jornais impressos em relação ao jornal é maior do que a dos usuários dos outros meios em relação a eles (TV, 50%; rádio 49%; revistas 40%; sites; 28%; redes sociais, 24% e blogs, 22%), a credibilidade real dos outros meios — à exceção das revistas —, em números absolutos, é muito superior aquela dos jornais porque o número de usuários é muito maior (TV, 97%; rádio, 61%; internet 47%).

Não será por distorções como essa na divulgação dos resultados da pesquisa da Secom-PR que a preferência pela leitura de jornais impressos (1,5%) só não é menor do que a preferência pela leitura de revistas (0,3%)?

Parceria com 80 bi de cigarros/ano

Chama ainda a atenção no anúncio da ANJ o registro da Souza Cruz como “Empresa Parceira”. Será que isso significa que a empresa dogrupo British American Tobacco pagou a veiculação do anúncio?

A Souza Cruz/British American Tobacco é “a líder do mercado nacional, que possui seis das dez marcas mais vendidas no Brasil e produz cerca de 80 bilhões de cigarros por ano e controla (2º semestre de 2012) 60,1% do mercado total brasileiro” [ver aqui]. Ela tem sido a principal parceira da ANJ nas ações de defesa da chamada “liberdade de expressão comercial” [verSobre a ‘liberdade de expressão comercial’“].

Esse curioso conceito que transforma em equivalentes dois tipos totalmente distintos de informação — a jornalística e a publicitária — se ampara na falácia liberal conservadora de que o Estado autoritário pretende “tutelar os consumidores, como se eles não tivessem capacidade de decidir o que querem consumir”, para combater a norma constitucional e a Lei nº 10.167, de 27 de dezembro de 2000, que “dispõe sobre as restrições ao uso e à propaganda de produtos fumígenos, bebidas alcoólicas, medicamentos, terapias e defensivos agrícolas”.

Está no capítulo V (Da Comunicação Social) do Título VIII (Da Ordem Social) da Constituição de 1988:

Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.

(...)

§ 3º – Compete à lei federal:

(...)

II – estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem de programas ou programações de rádio e televisão que contrariem o disposto no art. 221, bem como da propaganda de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente.

§ 4º – A propaganda comercial de tabaco, bebidas alcoólicas, agrotóxicos, medicamentos e terapias estará sujeita a restrições legais, nos termos do inciso II do parágrafo anterior, e conterá, sempre que necessário, advertência sobre os malefícios decorrentes de seu uso.

Nunca é demais lembrar a dimensão social do problema contido no tabagismo. Estudo recente realizado pela Aliança de Controle do Tabagismo (ACT) revela que “o Brasil gasta em torno de R$ 21 bilhões no tratamento de pacientes com doenças relacionadas ao cigarro. O tabagismo é responsável por 13% das mortes no País. São 130 mil óbitos anuais, sendo (350 por dia). Dados do Ministério da Saúde indicam que a fumaça do cigarro reúne cerce de 4.700 substâncias tóxicas diferentes, muitas delas cancerígenas” [ver aqui].

Será que a “credibiliberdade” dos jornais se constrói combatendo normas legais expressas em decisões da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), em restrições a anúncios de cigarros e à propaganda de alimentos e produtos dirigidos a crianças?

“Credibiliberdade”

Por fim resta um breve comentário sobre a afirmação de que nos jornais “credibilidade e liberdade andam sempre juntas”.

Se o conceito de liberdade se refere à liberdade que os dos donos de jornal têm de imprimir o que querem de acordo com seus interesses privados — notícias, entretenimento e anúncios — não poderia haver equívoco maior.

As bases sobre as quais se funda a credibilidade do leitor(a) têm a ver com uma “outra” liberdade. Uma liberdade que é também um direito e atende ao interesse público: ser informado corretamente, sem inverdades, sem omissões e sem distorções.

Venício A. de Lima,  jornalista e sociólogo, professor titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado), pesquisador do Centro de Estudos Republicanos Brasileiros (Cerbras) da UFMG e organizador de Para Garantir o Direito à Comunicação – A lei argentina, o relatório Leveson e o HGL da União Europeia, Perseu Abramo/Maurício Grabois, 2014; entre outros livros
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Advogado de Pizzolato na Itália desmente Globo e Estadão


Nas últimas semanas, saíram em O Globo e no Estadão matérias dizendo que o ex-diretor do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, é investigado na Itália por supostas ligações com um esquema de lavagem de dinheiro comandado por um aliado do ex-primeiro-ministro Sílvio Berlusconi.

“A notícia é totalmente infundada”, afirma Alessandro Sivelli, advogado de Pizzolato na Itália, desmentindo Globo e Estadão.

Pizzolato foi condenado no julgamento da Ação Penal 470 (AP) 470, o chamado mensalão, e se refugiou na Itália, onde foi preso em fevereiro.

Desde que assumiu a defesa de Pizzolato, Alessandro Sivelli nunca se manifestou publicamente sobre o caso do seu cliente — “ele acha que todos os processos, especialmente os que dizem respeito à liberdade individual, devem ser tratados em audiência”.

No entanto, essas matérias o fizeram romper o silêncio e encaminhar, via e-mail, uma nota a vários jornalistas e blogueiros brasileiros.

“A minha intervenção agora se justifica pelo fato de que tive ciência sobre notícias inexatas publicadas na imprensa brasileira, segundo a qual o senhor Henrique Pizzolato teria sido interrogado por autoridade judicial italiana e, em particular, pela Procuradoria da República de Nápoles, pelo crime de lavagem de dinheiro cometido em conjunto com notáveis da política italiana”, justifica o advogado, colocando os pingos nos is.   

Íntegra da Nota
Sou o advogado de defesa do senhor Henrique Pizzolato no processo de extradição, requerido pelo Estado brasileiro, que tramita no Tribunal de Apelação de Bolonha, cuja audiência foi marcada para 5 de junho.

Até agora eu nunca dei qualquer declaração à imprensa, porque acredito que todos os processos, especialmente os que dizem respeito à liberdade individual, devem ser tratados em audiência.

No entanto, a minha intervenção agora se justifica pelo fato de que tive ciência de notícias inexatas publicadas pela imprensa brasileira, segundo a qual o senhor Henrique Pizzolato teria sido interrogado por autoridade judicial italiana e, em particular, pela Procuradoria da República de Nápoles, pelo crime de lavagem de dinheiro cometido em conjunto com notáveis da política italiana.

A notícia é totalmente infundada.

Eu só queria salientar isso.

Alessandro Sivelli

Conceição Lemes
No Viomundo
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Um jogo sujo: para entender a Fifa e o futebol, é preciso ler o novo livro de Andrew Jennings


“Agora que este livro está concluído, vamos aguardar para ver se o FBI vai indiciar os principais membros da família Fifa-Blatter. As investigações do esquadrão do FBI contra o crime organizado, com sede em Nova York, começaram em 2010.”

Assim é o prefácio de “Um jogo cada vez mais sujo”, livro do inglês Andrew Jennings que chegará nas livrarias na próxima segunda-feira (12 de maio).

Jennings investiga a corrupção nas federações desportivas internacionais desde 1988 e, segundo ele próprio, seu acervo de documentos públicos e privados é superior a qualquer entidade do esporte, mídia ou instituição acadêmica.

O livro é uma paulada. Traça as relações incestuosas com a máfia italiana, com a violência carioca e com o jogo do bicho como cenário propício às falcatruas da Fifa. E chega onde quer. Livros-caixa do bicheiro Castor de Andrade apreendidos, continham mais que policiais na lista de propina:

“Havia um nome que todo mundo conhecia. Um homem mundialmente famoso. O generoso Castor de Andrade, o rei do Carnaval, havia presenteado o chefão do futebol mundial com um camarote especial para assistir ao desfile das escolas de samba. Custo: 17.640 dólares. Estava se tornando um estilo de vida para Havelange: receber presentes de figuras duvidosas em troca de favores.”

Se receber presentes não é incriminador em si, Andrew comprova que havia contrapartida. Uma carta datada de 2 de outubro de 1987, momento em que Castor passou a ser alvo de minuciosas investigações dos promotores públicos, foi redigida por Havelange e autorizava Castor de Andrade a utiliza-la da maneira que lhe fosse mais conveniente. O recado era claro: “não mexam com meu amigo, sou o todo poderoso.” E foi por míseros 17 mil dólares lançados numa contabilidade de bicheiro que se iniciou o inferno de Havelange.

Ricardo Teixeira também sai (ainda mais) chamuscado. Seus recebimentos através de empresas-fantasma abertas em Liechtenstein, sobretudo de uma tal Sanud cujo único cliente era o próprio Teixeira, também foram persistentemente investigados.

Um dossiê com uma lista de 175 pagamentos secretos, começando em 1989 e se estendendo pelos 12 anos seguintes demonstra um montante de 100 milhões de dólares em propinas e subornos pagos pela ISL, uma empresa de marketing esportivo parceira da Fifa, em troca da exclusividade em contratos de patrocínio e de direitos de televisão. A ISL foi a responsável pelo primeiro milhão de dólares de Ricardo Teixeira, em agosto de 1992. O ano seguinte foi o ano dos 3 milhões de dólares (em fevereiro, maio e setembro, 1 milhão de dólares de cada vez). E isso quando Teixeira ainda nem era membro do comitê executivo da Fifa.

Descobre-se ainda que Ricardo Teixeira era propritário de vários bares e restaurantes cuja rede só amargava prejuízos “obrigando-o” a tomar dinheiro emprestado por meio de paraísos fiscais no Caribe, que por sua vez recebia da CBF para a realização de eventos ligados aos futebol. Assim uma parte da grana era lavada.

O livro trata também da quase inócua CPI da CBF que pouco ou nada resultou, onde descobriu-se um incêndio no centro de treinamento, a granja Comary, destruindo importantes documentos relativos à história financeira da CBF, incluindo os balancetes e relatórios de contas de 1985 a 1994.

Atira, e acerta, em José Maria Marin, citando o discurso que motivou o assassinato de Vladimir Herzog e como, mesmo com um passado manchado de sangue, e talvez por isso mesmo, Marin tornou-se presidente da CBF. Ivo Herzog levou todo o histórico de Marin em 5 de junho de 2013 ao Comitê de Ética da Fifa, solicitando a Michael Garcia, o ex-procurador de justiça norte-americano contratado pela Fifa para tentar melhorar a imagem de corrupção da entidade. Foi indeferido.

A obra do jornalista explica ainda como funciona o esquema de ingressos no mercado negro gerenciado por gente da própria Fifa (sim, os sorteios são um engodo), as infinitas relações ganha-ganha com diversas empresas, joga dúvidas sobre resultados de partidas e arbitragens em Copas, traz relatos de como a Copa de 2010 na Africa do Sul foi um imenso balcão de negócios escusos e contratos de cartas marcadas. Enfim, leitura obrigatória em tempos atuais.

A Fifa já comunicou a editora que irá processá-la por possível “conteúdo calunioso”. A entidade nunca soube o que é fair play.

Mauro Donato
No DCM
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Outro campo de corrupção

Sejam quais forem os seus propósitos, o projeto de liberação de apostas no futebol pela internet, noticiado por Sérgio Rangel na Folha, é no mínimo um despropósito. Começa por conflitar com a Constituição, que proíbe o chamado jogo de azar (de azar para o apostador, que a banca do jogo, seja entidade ou pessoa, como provam a Caixa, os jóquies clubes e os bicheiros, ficam com a sorte). O que se segue à impropriedade constitucional do projeto é talvez, consideradas as circunstâncias, ainda pior.

A bandalheira no futebol brasileiro é um tabu. Entre os próximos do futebol, é vulgar o conhecimento de dirigentes de clubes, diretores de departamento de futebol, técnicos e dirigentes de entidades que fazem enriquecimentos pessoais em velocidades e montantes só compatíveis aos de que penetra no círculo manipulador das especulações de bolsa de valores.

O exemplo tentador dessa bandalheira já a propagou para outros esportes. Nesse sentido, há pouco um trabalho magnífico e valente do jornalista Lúcio de Castro fez, pela ESPN, revelações estarrecedoras. Com o interesse da publicidade pelo esporte e pelos atletas como "outdoors" ambulantes, foi aberta mais uma via para escoamento da bandalheira, em que importâncias altíssimas se partilham para fins que o anunciante nem imagina. As comissões e extorsões nas compras de jogadores, na venda de direitos de transmissão, e em outros negócios, deixaram de ser reserva natural do futebol.

O projeto do deputado Otávio Leite, do PSDB-RJ, naturalmente destina uns caramingoles do montante de apostas para a "iniciação escolar de atletas". É o chamariz da moda no Brasil: "apoios" à educação, ao esporte e à saúde são a chave atual para todos os cofres por aqui. Mas o que neles entra nunca é o que saiu a eles endereçado. O Ministério do Esporte e o Flamengo de hoje juntam-se em uma demonstração perfeita do que é o verdadeiro interesse pela "formação de atletas".

A quase nova diretoria do clube foi eleita com o compromisso de contratar cinco grandes jogadores para o futebol e renovar as glórias atléticas da história do clube. Entre seus principais atos, dispensou o multicampeão César Cielo (com patrocinador próprio) e acabou com a natação; fechou a ginástica olímpica, em que o Flamengo era referência internacional de formação e de títulos nacionais e mundiais; quebrou o timaço de basquete e, em resumo, acabou com outros esportes olímpicos e suas escolinhas. Só foi impedido de acabar com o campeoníssimo remo porque o nome do inigualável é Clube de Regatas do Flamengo.

Toda essa devastação de esportes olímpicos deu-se há três anos da Olimpíada. E com amparo na omissão absoluta do Ministério dos Esportes e do seu ministro nominal, Aldo Rebelo. Ah, sim, houve contratações no futebol: muitas, só de jogadores que estavam no estaleiro ou na reserva, aqueles que cederiam o que fosse para transferir-se ao Flamengo.

Todos os países onde há jogos de apostas no futebol têm vivido escândalos de roubalheira na formação de resultados e na conduta de atletas e juízes. As coleções de casos na Itália e na Inglaterra dispensam outras más referências. No Brasil, a aspiração da sociedade é de que se detenha a corrupção alastrada pot todo o país. Não é, absolutamente não é, a criação de mais oportunidades de bandalheiras. Ainda mais na extensão nacional do futebol, que já as tem até sufocantes, em vendas de jogadores muitas delas feitas só por corrupção de um lado e do outro.

Janio de Freitas
No fAlha
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Tucano Richa não paga e Correios suspende serviço para polícias do Paraná

Por falta de pagamento aos Correios, policiais civis e militares precisam atuar como carteiros para que os inquéritos e documentos diversos transitem entre os órgãos. Interrupção do serviço já dura duas semanas, e se soma a outras dificuldades enfrentadas pela Segurança Pública no Estado, como o corte nos telefones, falta de combustível e atraso no pagamento de salários e gratificações a policiais e cadetes.

Policiais civis e militares do Paraná não podem usar o serviço de correio por falta de pagamento. O problema tem consequência direta no trabalho das polícias e dificulta a entrega de inquéritos aos departamentos da Polícia Civil, além de outros serviços, como envio de documentos no interior do estado.

“Tudo o que não pode ser feito pessoalmente, a polícia usa o correio. Se for feito, vai acabar tirando policiais de suas atribuições para servir de carteiro”, comenta um policial, que reclamou do problema, mas pediu para não ser identificado. Em alguns casos, os e-mails têm quebrado o galho.

A paralisação do serviço começou há pelo menos duas semanas, mas os policiais ouvidos pela reportagem ainda não sabem quando poderão usá-lo de novo. Eles preferiram ter seus nomes preservados para evitar retaliações.

Histórico negativo

A falta de recursos para os serviços básicos tem sido recorrente desde o final do ano passado, quando a PM e a própria Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) tiveram as linhas telefônicas cortadas. No começo de novembro, também por falta de pagamento, faltou recursos para abastecer viaturas em Curitiba e na região metropolitana.

Os problemas orçamentários incluíram, na época, o atraso no pagamento de salários a cadetes iniciantes do Curso de Formação de Oficiais (CFO) da Academia do Guatupê, que serve à PM.

Além disso, atualmente, policiais militares não têm recebido por aulas na academia, nem o quinquênio [adicional por tempo de serviço] e indenização por remoção.

“Serviço está pago”

A Secretaria da Segurança Pública informou, por meio de nota, que a suspensão do serviço de correio não causa qualquer prejuízo às ações das polícias. “O serviço prestado pelos Correios não impede o andamento das investigações policiais. Portanto, não procede a informação de que os inquéritos estejam parados por este motivo. Da mesma forma, a suspensão do serviço não implica em aumento da criminalidade ou em menos eficácia na prevenção aos crimes”, rebate a nota.

De acordo com a secretaria, todas as faturas foram pagas, mas uma intransigência dos Correios impede que esses pagamentos sejam aceitos. A Sesp informa que está procurando a direção dos Correios para restabelecer o serviço o quanto antes.

No Blog do Esmael
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Em um ano, arrecadação dos pedágios paulistas faria 12 arenas da Copa

As concessionárias que administram os pedágios nas estradas estaduais arrecadaram, em 2013, cerca de R$ 6,891 bilhões, de acordo com o Pedagiômetro – que utiliza os relatórios de arrecadação das concessionárias para estimar o faturamento das praças de pedágio paulistas. Segundo nota da bancada do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo, o valor é apenas R$ 733 milhões mais baixo que os R$ 7,6 bilhões previstos no documento Matriz de Responsabilidades, do Portal Transparência, do governo federal, para a reforma e ou construção dos 12 estádios que sediarão jogos da Copa do Mundo de futebol.

Os cálculos, diz a nota, são de diferentes fontes, incluindo BNDES, Caixa Econômica Federal, além de governos estaduais e municipais, dentre outros, e explicam por que a construção das praças de pedágios no estado saltaram de 40, em 1997, para 246, em 2013.

Em seu site, a bancada lembra que as estradas que foram repassadas à iniciativa privada, principalmente na primeira fase, em 1998, apresentavam boa qualidade, construídas com recursos dos impostos pagos pelos contribuintes estaduais.

"Os tucanos entregaram para a iniciativa privada o melhor, as rodovias duplicadas e com maior fluxo de tráfego", diz o texto.

Ainda segundo a bancada do PT,  67% das concessões de rodovias paulistas usam o IGP-M como indexador para corrigir o valor das tarifas de pedágios anualmente e o restante usa o IPCA. De junho de 1998 até maio de 2013, a variação do IGP-M foi de 248%, enquanto para o IPCA foi de 152%.

Os valores das tarifas de pedágios cobradas no estado de São Paulo serão alvo de investigação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa. O pedido de instalação da comissão foi protocolado em março de 2011, mas só agora passará a ser tema de apuração.

A bancada petista na Assembleia Legislativa – que já indicou os deputados Antonio Mentor e Gerson Bittencourt como membros titulares da CPI – aguarda a indicação dos representantes das demais bancadas, num total de nove parlamentares. Depois disso, deverá ser convocada a primeira reunião da comissão, que elegerá presidente e vice. É de praxe que a presidência ou a relatoria fiquem com o autor do pedido, que foi o deputado Mentor.

No RBA
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Os filhos de Reinaldo Azevedo e Rachel Scheherazade que comentam no G1

Deseduca e deforma
“Alguém tem que matar esse cara!!! Tá na hora de invadir a casa desses políticos e matar todo mundo!!! Eu vou ficar e organizar tudo pela net. Preciso de voluntários para fazer o serviço sujo.”

Este é um comentário que um leitor do G1, da Globo, postou numa reportagem que contava que Genoino decidira recorrer ao plenário do STF contra a decisão de Joaquim Barbosa de devolvê-lo à Papuda.

É um comentário clássico do G1. Há outros parecidos. Ele não é uma aberração no universo do portal da Globo, mas a regra, a norma, o padrão.

Isso oferece material para uma fascinante reflexão.

Primeiro, e antes de tudo, alguém lê os comentários dos leitores no G1? Os acionistas? Os anunciantes? Os editores? O porteiro?

Alguém, enfim?

Sabe-se que, na internet, os comentários fazem parte da discussão, tanto quanto o texto que lhes dá origem.

No DCM, acompanhamos um a um. Em nosso manual de regras, está estipulado que rejeitamos coisas como insultos e incitações à violência. O motivo é simples: isso estraga o debate.

Bom site é aquele que tem boas discussões. É notável que isso seja ignorado pelo G1.

Você pode classificar os autores de comentários como o que abre este artigo como os filhos de Reinaldo Azevedo e Rachel Scheherazade.  São intolerantes, raivosos, agressivos, ignorantes, desinformados, maldosos, desumanos, preconceituosos — e perfeitos para serem manipulados.

É o tipo de gente que, na Idade Média, acendia os troncos de árvores para queimar pessoas e, na Alemanha de Hitler, vibrava com a violência contra as “raças impuras”.

São — repito — os filhos de Azevedo e Sheherazade. Você percorre os comentários e logo descobre quem eles idolatram, além de seus pais espirituais.

Joaquim Barbosa é intensamente admirado, por exemplo. O “menino pobre que mudou” o Brasil acabou conquistando a escória da sociedade brasileira, sua parcela mais repugnante. Trabalhou para isso, é preciso notar. Ninguém conquista o coração — se existe coração no caso — daquele grupo sem se esforçar por isso.

Outro ídolo daquele grupo é Bolsonaro, o exemplo maior de político para eles. Eduardo Campos e Marina são dois perigosos comunistas. Menos que Lula e Dilma, é verdade, mas não muito.

Um jornalismo decente se esforça por elevar seu público. Os filhos de Reinaldo Azevedo e Rachel Scheherazade foram rebaixados à degradação humana por articulistas e publicações interessados em mantê-los na mais completa escuridão mental, porque assim é fácil manobrá-los e perpetuar um Brasil campeão da desigualdade social.

Uma das ironias, em tudo isso, é que o dinheiro público — via Secom — foi (e é) largamente empregado para patrocinar colunistas e publicações que vão dar no leitor do G1 que deseja invadir a casa de políticos como Genoino e matar todo mundo.

Este leitor fez sucesso entre seus pares. O G1 tem uma ferramenta pela qual você pode aplaudir ou vaiar comentários.

Nenhuma pessoa o tinha vaiado no momento em que escrevo. Vinte tinham aplaudido.

Alguém lê os comentários, portanto, para voltar à pergunta que fiz lá para trás.

Mas não são os acionistas, e nem os editores, e nem os anunciantes.

São os leitores do G1.

Um site é o reflexo de seus leitores e de seus comentaristas.

O G1 é uma prova disso.

Paulo Nogueira
No DCM
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