4 de mai de 2014

Entenda porque Pizzolato fugiu

Andrea Hass
Pizzolato veio para a Itália em busca de refúgio e do direito à justiça que lhe foram negados em um julgamento político e de exceção feito na Suprema Corte do Brasil. A carta pública amplamente divulgada no dia 15/11/2013 já deixou isso bem claro. Foi condenado sumariamente por um único tribunal, por uma única decisão. Não teve direito a nenhum recurso, não teve direito a nenhuma revisão da sentença que o condenou a 12 anos e sete meses de prisão mais multa por crimes que não cometeu e que sequer existiram. Foi “selecionado” para justificar a falsa e grave acusação que dinheiro público foi utilizado por integrantes do PT e do governo do PT para comprar apoio político em favor do governo do ex Presidente Lula. Acusação infundada. Uma grande mentira, pois o dinheiro dito público, em verdade pertencia à Visa Internacional. O dinheiro nunca pertenceu ao Banco do Brasil.

O BB Banco de Investimentos S/A era um dos 25 parceiros da Visanet que tinham obrigações de atingir metas estabelecidas pela Visa Internacional. No ano de 2000, a Visa América Latina e Caribe determinou que a Visanet participasse do “Domestic Cooperative Brand Development Fund”, serviço disponibilizado pela Visa aos membros (participantes que mantinham contrato com a Visa) com o objetivo de dar suporte ao crescimento da bandeira (marca Visa). Diante desta determinação, o Fundo de Incentivo (para marketing) Visanet foi constituído em 2001 no Brasil e, a ele, foi destinado a porcentagem de 0,1% do faturamento total da Visa no Brasil. O dinheiro deste Fundo foi disponibilizado aos bancos parceiros da Visa, que participavam da Visanet, para ser utilizado em campanhas publicitárias para promover a marca Visa. A Visanet editou um Regulamento com todas as regras que deviam ser obedecidas pelos bancos parceiros que optassem por utilizar o dinheiro do Fundo. Este Regulamento definia que instâncias diretivas próprias da Visanet tinham exclusivo poder para decidir tudo o que se referia ao dinheiro do Fundo Visanet. Desde o ano de 2001, a Visanet sempre pagou diretamente e em forma de adiantamentos para as agências de publicidade do Banco do Brasil, para que confeccionassem propagandas da marca Visa e confirmou que estas propagandas foram efetivamente realizadas. As provas e documentos que atestam estas afirmações estão no processo e comprovam que o dinheiro não era público e eram outros os funcionários do Banco do Brasil e, não Pizzolato, que tinham responsabilidade para gerir e solicitar que a Visanet efetuasse pagamentos à DNA Propaganda.

Pizzolato foi condenado por receber dinheiro, porque “liberou” dinheiro da Visanet para a agência de publicidade DNA Propaganda. Pizzolato nunca “liberou” dinheiro para a DNA. Isto era impossível. Somente o gestor, funcionário do BB da diretoria de varejo tinha este poder e de fato, todos os documentos encaminhados à Visanet, inclusive as solicitações de pagamento, foram assinados por funcionários da diretoria de varejo. Pizzolato foi acusado por “favorecer” a DNA ao prorrogar o contrato de publicidade. A prorrogação do contrato foi decidida em documento assinado pelo conselho diretor do BB (presidente e sete vice-presidentes) antes de Pizzolato assumir o cargo de diretor de marketing.

O dinheiro dito recebido por Pizzolato, foi para o Diretório do PT do Rio de Janeiro, como constam em depoimentos que estão no processo.

Muitos documentos foram desconsiderados por ministros do STF e ocultados das defesas dos réus da Ação Penal 470. Dentre eles, cito o Laudo 2828/2006 feito pela Polícia Federal que lista 15 dos maiores recebedores do dinheiro pago pela Visanet desde o ano de 2001, entre eles a Tv Globo e Casa Tom Brasil.

Se o Laudo 2828 confirma que muitas empresas foram pagas com o dinheiro da Visanet, como os acusadores podem afirmar que o mesmo dinheiro foi desviado para favorecer o PT?

Se estas empresas receberam dinheiro da Visanet, como afirma o laudo, pela lógica, a investigação deveria ter sido feita para comprovar se estas empresas realizaram efetivamente os serviços ou se desviaram o dinheiro para o “esquema” denunciado pelo Ministério Público.

O Laudo 2828 é emblemático para comprovar os absurdos cometidos neste julgamento, embora existam muitos outros. Foi feito pela Polícia Federal para investigar, contabilmente, a relação entre a Visanet e a DNA Propaganda. Documentos da Visanet e da DNA foram confiscados mediante mandado de busca e apreensão. Este laudo apesar de ter sido feito na fase de investigação, portanto, sem qualquer acompanhamento das defesas, responde quem eram os responsáveis, desde 2001, perante a Visanet e perante o Banco do Brasil para gerir o dinheiro do Fundo Visanet. Nomina quais foram as empresas, ditas “os maiores recebedores” do dinheiro destinado pelo Fundo Visanet. Pizzolato sequer é citado no laudo, pois nos documentos apreendidos não existe nenhum assinado por ele. Todos os documentos enviados pelo Banco do Brasil à Visanet foram encaminhados e assinados por outros funcionários de outra diretoria. O Laudo 2828/2006 foi feito “no interesse do inquérito 2245” como dizem os peritos no primeiro parágrafo, mas nunca constou do inquérito 2245 que investigava o chamado “escândalo do mensalão”. Este laudo apesar de já estar concluído em 20 de dezembro de 2006 — 8 meses antes do julgamento para aceitação da denúncia que ocorreu em agosto de 2007 — nunca fez parte do inquérito 2245, portanto os advogados não tiveram acesso a ele para preparar suas defesas. O laudo foi para outro inquérito de número 2474, também no STF, mas mantido em segredo de justiça pelo mesmo relator do inquérito 2245. A existência do Inquérito 2474 nunca foi informada aos advogados de defesa dos “40” réus da AP 470. O 2474 foi aberto para separar documentos de investigações que não haviam sido concluídas (!). Ora, 40 pessoas foram “eleitas” para serem denunciadas sem que as investigações tivessem sido concluídas?

E, pior, quando o inquérito 2474 foi descoberto, o acesso aos documentos foi negado aos advogados sob o argumento “…os dados constantes do presente inquérito (2474) não serão utilizados na análise dos fatos objeto da AP 470, por tratarem de fatos diversos, não havendo, portanto, qualquer cerceamento do direito de defesa…).

Como dizer que não houve cerceamento de defesa se um documento, um Laudo, que dizia respeito a todos os acusados foi ocultado de suas defesas?

Pizzolato foi acusado criminalmente por “não fiscalizar” o contrato de publicidade entre o BB e a DNA no que se refere aos “bônus de volume”, valor pago por veículos de divulgação para fidelizar (premiar) agências de publicidade e que, no entender dos acusadores, deveria ter sido devolvido ao Banco do Brasil.

Como depôs um alto executivo da Globo, não foi Pizzolato quem criou o “bônus de volume”. Não era responsabilidade dele fiscalizar os contratos do Banco do Brasil com as agências de publicidade. Esta atribuição era de outro funcionário do BB e a conferência de pagamentos e notas fiscais era feita por outra diretoria. O Banco do Brasil nunca cobrou a devolução de “bônus de volume” de nenhuma das tantas agências de publicidade contratadas, porque tal parcela nunca constou em cláusula de contrato e nem poderia constar, por se tratar de uma oferta facultativa (comissão, prêmio) oferecida às agências de publicidade por parte de empresas prestadoras de serviço, depois que as negociações, em que participavam os funcionários representantes de empresas públicas, já estavam concluídas.

Por que Pizzolato foi responsabilizado criminalmente se a permissão para o pagamento de “bônus de volume” consta em lei (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12232.htm) e continua sendo uma relação exclusivamente privada entre as agências de publicidade e fornecedores, da qual nenhum contratante (empresas públicas) participam?

O julgamento da AP 470 foi injusto para todos. Para uns, provas e documentos foram desconsiderados, indícios prevaleceram sobre as provas, para outros, teorias “jurídicas” justificaram a falta de provas. Leis constitucionais e convenções internacionais foram desrespeitadas, o direito à defesa foi negado.

Pergunto: por quê?

Que interesses estão acima e são mais importantes para que o direito de defender a liberdade seja negado?

Para Pizzolato não existiu nenhum direito de recurso e revisão da decisão do julgamento.

Permanecer no Brasil significava sujeitar-se à uma única decisão, tomada por um único tribunal.

Significava sujeitar-se à prisão, à injustiça sem ter mais como e a quem recorrer.

Apesar da enorme tristeza e decepção com a forma como transcorreu o julgamento, enfrentamos com as forças que nos restaram de anos de agonia e lutamos com os meios que estavam ao nosso alcance para informar e denunciar os erros e irregularidades do julgamento, para divulgar as provas e documentos, que foram desconsiderados e ocultados, e que comprovam que não existiu desvio de dinheiro, muito menos de dinheiro público. Uma luta desigual diante do poder do Estado, diante do poder judiciário, que julgou e condenou desrespeitando leis e direitos fundamentais, e que continua massacrando e oprimindo pessoas que foram julgadas e condenadas em um julgamento injusto.

A decisão de vir para a Itália foi difícil e dolorida, pois significou o descrédito. Viemos buscando sobreviver à opressão, não queríamos nos render à injustiça.

Estamos nas mãos de outro Estado. Dependentes de uma decisão que o Estado italiano tomará a respeito do pedido de extradição feito pelo Procurador Geral do Brasil.

Não tenho mais certezas de nada. Gostaria de acreditar que justiça ainda possa existir em algum lugar e que uma decisão daqui pudesse reverter todas as injustiças que foram feitas no Brasil. Gostaria de acreditar que um novo julgamento possa ser feito e que este seja justo.

Mas confesso, temo pelas decisões que são tomadas politicamente que desprezam princípios e direitos e que desconsideram fatos e provas.

Andrea Haas

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Dias decisivos

O 14º Encontro Nacional do PT, neste final de semana, define a estratégia para a mais difícil eleição enfrentada pelo campo progressista, desde 2002, no Brasil.

O 14º Encontro Nacional do PT, realizado em São Paulo, nesta sexta e sábado (2 e 3 de Maio) define a estratégia para a mais difícil eleição enfrentada pelo campo progressista, desde 2002.

Duas agendas se confrontam nesse divisor da vida brasileira.

O conservadorismo cavalga a besta-fera de uma restauração do arrocho neoliberal ainda mais virulenta que a precedente ao colapso de 2008.

A dimensão dos conflitos acirrados pela crise internacional — marcada pela anemia da demanda e a canibalização decorrente da luta por mercados e mais-valia — induz o conservadorismo brasileiro a abraçar uma versão ainda mais radical do seu projeto para o país.

Não importa o que diz a oratória dissimulada de seus candidatos de sorriso fácil e olhos verdes: eles cavalgam uma lógica imiscível com os avanços econômicos e sociais registrados desde 2002 — estes terão que ser eviscerados do metabolismo do país para adequar a economia à taxa de exploração implícita na voragem conservadora.

A continuidade do projeto progressista, no entanto, requer igualmente uma inflexão estratégica de densidade que não pode ser subestimada.

Ela só vingará com uma reforma política que amplie os espaços democráticos — inclusive o da mídia — para a negociação de um novo ciclo de crescimento, ancorado em delicada sintonia entre ganhos de produtividade e justiça social.

Isso não se faz sem um enorme esforço de organização popular e engajamento democrático.

Não é uma operação de natureza contábil.

Trata-se de deslocar a correlação de forças para uma nova hegemonia capaz de definir o rosto de um Brasil onde palavras como igualdade, cidadania e democracia participativa não sejam mais um adorno retórico. Mas a argamassa de um poder de Estado verdadeiramente pautado para servir a um governo do povo, pelo povo e para o povo.

Leia, abaixo, dois textos que ancoram o debate dos 800 delegados presentes ao 14º Encontro Nacional do PT, em São Paulo.

Tática Eleitoral e Política de Alianças

1. O objetivo central do PT em 2014 é dar continuidade ao projeto nacional de desenvolvimento sustentável, iniciado pelo ex-presidente Lula e continuado, com avanços, pela presidenta Dilma Rousseff. A ele se subordinam a reeleição da presidenta Dilma, a disputa eleitoral nos Estados, bem como a política de alianças aprovada no 5º Congresso, no Diretório Nacional e neste Encontro.

2. Por isso, o Encontro Nacional delibera que nossa prioridade no pleito deste ano é a reeleição da companheira Dilma, a ser conquistada com amplo apoio nos movimentos sociais, na juventude, junto às mulheres, aos idosos, aos trabalhadores da cidade e do campo, aos intelectuais, aos empresários comprometidos com o desenvolvimento nacional, aos partidos políticos que dão sustentação política ao nosso governo.

3. É fundamental, também, reeleger nossos governos estaduais e garantir a sucessão dos atuais, ao mesmo tempo em que nos empenharemos para ampliar nossas bancadas parlamentares e as de nossos aliados favoráveis à reforma do sistema político-eleitoral.

4. Compete ao Diretório Nacional dirigir politicamente a campanha eleitoral nacional e articular a ela as campanhas estaduais, imprimindo ao conjunto as diretrizes do Programa de Governo aprovadas neste Encontro, bem como a tática e alianças definidas no 5º Congresso e no atual Encontro. À Direção Nacional, através da CEN, cabe decidir, em última instância, as questões das alianças necessárias à condução vitoriosa da campanha nacional.

5. A disputa eleitoral de 2014 vem sendo marcada (e tenderá a se agravar) por um pesado ataque ao nosso projeto, ao governo e ao PT da parte dos conservadores, de setores da elite e da mídia monopolizada, que funciona como verdadeiro partido de oposição. Nossos adversários representam um projeto oposto ao nosso, muito embora um deles se esforce em transmutar-se em uma suposta terceira via. Guardadas diferenças secundárias e temporais, arregimentam os interesses privatistas, ideológicos, neo-passadistas ou neovelhistas daqueles que pretendem impor um caminho diverso daquele implementado pelos nossos dois governos.

6. Este embate, em que hoje aparecemos como favoritos nas pesquisas, será dos mais duros desde a redemocratização do País — devido à complexidade da conjuntura, ao perfil dos adversários aos reflexos da crise mundial. Por isso mesmo, o enfrentamento exige uma tática política capaz de promover um elevado grau de unidade interna e mobilização, associados à formação e capacitação da militância, a fim de que o debate e a defesa do nosso projeto possa ser feito nas ruas e para que sejamos capazes de superar os padrões de despolitização e os ataques insidiosos que a oposição vem tentando imprimir à sucessão presidencial.

7. A continuidade — e, sobretudo, o avanço — do nosso projeto está vinculada à nossa capacidade de fortalecer um bloco de esquerda e progressista, amparado nos movimento sociais, na intelectualidade e em todos os setores comprometidos com o processo de transformações econômicas, políticas, sociais e culturais implementadas pelos governos Lula e Dilma. Dependerá, também, da capacidade de agregar forças políticas de centro e uma ampla frente de partidos que apóiam ou venham a apoiar o governo da presidenta Dilma.

8. As manifestações de junho e o amplo processo de discussões que o PT vem promovendo demonstram que há um sentimento de urgência por mudanças mais profundas e rápidas. O fato é que, após mais de uma década de melhorias socais relevantes, a população reivindica reformas, muitas das quais contidas em nossas plataformas de luta, como é o caso exemplar da reforma política.

9. Inegável que as condições de vida das pessoas melhoraram sensivelmente na renda, no emprego, no acesso à educação e em diferentes políticas públicas, mas essa melhora fica esmaecida pela mobilidade urbana cada vez mais difícil, pela pouca eficiência dos sistemas de saúde e educação públicas, pela violência, pela insegurança e pela percepção de corrupção no mundo político e no judiciário.

10. Ao apoio à continuidade do nosso projeto pela maioria da população soma-se um manifesto desejo de mudança. É continuidade com mudança ou mudança com continuidade — com o PT, não sem o PT ou contra o PT. Dois pilares sustentam o sentimento de mudança: a. Mudanças nas condições de vida, com um salto de qualidade nos serviços públicos; b. Mudanças na organização e no funcionamento das instituições políticas, de modo a restringir a influência do poder econômico e a dar vez e voz à cidadania.

11. Daí reafirmarmos que não basta reeleger Dilma. É preciso criar condições para fazer um segundo mandato com novas conquistas, novos direitos, novos avanços e reformas estruturais, com prioridade para a reforma política com participação popular, a democratização da mídia e a melhoria dos serviços públicos.

12. Nessa linha, o primeiro desafio político da campanha é articular a defesa das grandes conquistas obtidas pelo povo brasileiro durante os governos Lula e Dilma com a proposta de um novo ciclo de desenvolvimento e inclusão, que amplie e aprofunde os avanços anteriores. Não basta defender o legado, por maior que ele seja. Também é necessário responder às novas demandas da sociedade. Mas quem busca a reeleição não pode apenas apresentar novos programas e falar sobre o futuro. Precisa, igualmente, mostrar o que já fez. Assim, a campanha deverá apontar os desafios que pretendemos vencer no futuro e, simultaneamente, resgatar a bem sucedida solução dos grandes problemas do passado. No essencial, nosso discurso deve unir os dois momentos. Por exemplo: “quem foi capaz de acabar com o desemprego e promoveu a inclusão social vai melhorar a qualidade de vida”.

13. Na medida do possível, devemos buscar a construção de palanques estaduais unitários, respeitando sempre as particularidades de cada Estado. Onde isso se revelar politicamente inviável, devemos firmar acordos de procedimento antes e durante a campanha, que possibilitem a existência de dois ou mais palanques para a candidatura presidencial.

14. As eleições de 2014 são também um momento decisivo para travar o debate de idéias e conquistar hegemonia em torno do nosso projeto de sociedade. Nesse sentido, a proposta de um plebiscito para convocar uma Constituinte Exclusiva pela Reforma Política, proposta pela presidenta Dilma ao Congresso e encampada pelo PT, movimentos sociais, centrais sindicais, partidos políticos, organizações da sociedade, deve envolver a participação da militância e de nossas candidaturas. A luta pela reforma política deve estar no centro de nossa tática eleitoral e dos programas de governo nacional e estaduais.

15. Por fim, relembramos à militância a necessidade de preservar o defender o PT. Como se sabe, os setores conservadores e o conjunto da classe dominante encara o PT como um pesadelo, porque está destruindo o sonho acalentado por eles durante séculos: o sonho de uma “democracia” sem povo.

Diretrizes para o Programa de Governo — Minuta

As Diretrizes, a seguir apresentadas, não se confundem com o Programa de Governo, em elaboração, que nossa candidata Dilma Rousseff defenderá na próxima eleição presidencial. Serão aqui expostos, preliminarmente, um conjunto de questões que, sem o detalhamento próprio de um PG, apontam para objetivos gerais, capazes de mobilizar a maioria da sociedade brasileira e de dar coesão às forças políticas que têm apoiado as mudanças destes últimos 12 anos e que as conduzirão até 2018.

O QUE ESTÁ EM JOGO EM 2014

1. A Grande Transformação, em curso no Brasil desde 2003, mudou de forma radical a cara do país. A profunda reforma econômica e social realizada, nos marcos de uma vigorosa democracia, permitiu o ingresso de dezenas de milhões de homens e mulheres na cena política nacional.

2. As políticas sociais adotadas pelos Governos Lula e Dilma não foram “favores” concedidos aos setores mais postergados da sociedade, como gostam de proclamar vozes das oposições. Tratou-se, antes de tudo, de uma decisão política e do reconhecimento, por parte do Governo, de direitos que vinham sendo, historicamente, subtraídos a dezenas de milhões de compatriotas.

3. Mas a sociedade brasileira não se acomodou com o conquistado.

4. Ao contrário. A mudança das condições de vida de milhões de homens e mulheres permitiu o ingresso na esfera pública de novos contingentes sociais, conscientes do papel central que lhes cabe na transformação do país.

5. Foi a passagem de uma cidadania, apenas formal, a uma cidadania real que impulsionou as grandes mobilizações da sociedade brasileira nos últimos tempos. As manifestações de 2013 e a vontade de mudança que as pesquisas apontam nos dias de hoje são expressões da saudável metamorfose pela qual o país vem passando.

a. Foram as conquistas alcançadas que inspiraram o desejo de mais conquistas.

6. Foram as melhorias econômicas que impulsionaram reivindicações por melhores serviços de saúde, educação de qualidade, condições dignas de habitação e transporte nas cidades brasileiras e as de mais segurança.

7. Foi o acesso à cidadania real que fortaleceu o desejo de mais transparência e de mais democracia.

8. O virtual pleno-emprego logrado nos dias de hoje e o aumento exponencial da renda de dezenas de milhões de brasileiros foram e são fundamentais na busca da igualdade.

9. Mas a desigualdade apresenta também outras caras. E os que a sofrem diretamente sabem reconhecê-las. A luta contra esse problema central da sociedade brasileira, que é o da desigualdade, é assim um processo mais amplo, complexo e de longa duração.

10. Importantes segmentos da sociedade veem suas instituições ainda como muito distantes.

11. Consideram que a Justiça é lenta e classista.

12. Sentem-se cada vez menos representados pelos Legislativos.

13. Manifestam sua impaciência em relação a Executivos, por considera-los prisioneiros da burocracia e de entraves legais que dificultam resolver, com mais rapidez, problemas que se arrastam há muitas décadas. Tendem a atribuir à corrupção — persistente, mas fortemente combatida nos últimos anos — a origem dos males que o país enfrenta.

14. Esse sentimento de urgência da sociedade tem de ser ouvido e respeitado. Por essa razão a Presidenta Dilma reagiu, positiva e rapidamente, às manifestações de 2013, reconhecendo sua legitimidade e propondo os Cinco Pactos que buscaram responder a suas demandas. Isso representou uma clara diferença em relação a governantes de outros países, que reagiram ao clamor das ruas apenas com medidas repressivas.

15. O ataque desenfreado a políticos e instituições deixou perplexa as oposições. Mesmo assim, elas tentam, sem sucesso, instrumentalizá-lo contra o Governo. Devemos combater este aparente apoliticismo, que mal esconde projetos que fracassaram no passado. Há 50 anos do Golpe Militar fica claro que a sociedade brasileira repudia soluções de força. Repudia, da mesma forma, a aventura neoconservadora dos anos 90.

16. Do que precisamos, hoje e sempre, é de mais política. Mais confronto de ideias. Mais participação popular. Mais democracia.

17. Assistimos nos dias atuais aquela que talvez seja a maior ofensiva contra o Governo democrático e popular nestes últimos 12 anos. A explicação é fácil. Apesar dos ataques conduzidos por partidos, especuladores e, sobretudo, por boa parte dos meios de comunicação, mantém-se claramente dominante a opção da sociedade brasileira para reeleger Dilma Rousseff e, com isso, levar adiante, por mais quatro anos, esta extraordinária transformação do país.

18. É verdade que a sociedade quer mudanças, mas não é menos verdade que ela confia que o PT e seus aliados têm as melhores condições para leva-las adiante.

19. Essa confiança se apoia em fatos concretos.

20. O PIB cresceu (em US$) 4,4 vezes em 11 anos. No mesmo período o comércio exterior quadriplicou. A inflação caiu de 12,5 no período FHC para 5,9%, mantendo-se durante os Governos Lula e Dilma sempre dentro da meta. A dívida líquida caiu de 60,4% do PIB para confortáveis 33,8%. A dívida bruta sofreu igualmente redução. O Brasil acumulou 376 bilhões de US$ de reservas cambiais, deixando a eterna condição de devedor para se transformar em credor internacional. Por essas e outras razões o país está entre os três maiores recipientes de investimento estrangeiro direto no mundo.

21. Grandes obras de infraestrutura — portos, aeroportos, estradas, ferrovias e, sobretudo, em petróleo, gás e eletricidade — começam a ser inauguradas e estarão concluídas nos próximos anos, saneando um dos graves déficits de nossa economia e contribuindo para aumentar nossa competitividade global. Basta lembrar que estamos construindo três hidroelétricas que se situam entre as maiores do mundo.

22. Mas a transformação fundamental pela qual o país passou está expressa nos êxitos obtidos na luta contra a pobreza e a miséria e nos avanços na área educacional, reconhecidos internacionalmente. Em dez anos a renda per capita cresceu 78%, em um clima de ampliação e fortalecimento da democracia.

23. As oposições estão estagnadas, sem discurso consistente, sem programa. Sua paralisia é decorrência do caráter regressivo e reacionário das poucas propostas que têm apresentado. Não escondem a disposição de abandonar as políticas de emprego e de renda dos Governos Lula e Dilma. Reivindicam a “autonomia” do Banco Central (autonomia em relação a quem?). Seus ataques a Petrobras ou a Eletrobrás evidenciam uma nostálgica fidelidade às políticas privatistas que aplicaram no passado. Nas críticas à atual política externa está embutida a disposição de abandonar a postura soberana que nos trouxe respeito e prestígio em todo o mundo. Não hesitam em propor o fim do MERCOSUL e uma diplomacia submissa às grandes potências. Não contentes, anunciam “medidas amargas”, “impopulares”, caso venham a ser eleitos. “Amargas” para quem?

24. Claro está que a sociedade brasileira quer mudar, mas pensando no futuro e não em um passado que ela repudiou de forma reiterada e contundente nas 3 últimas eleições presidenciais.

25. Na campanha eleitoral, o Partido dos Trabalhadores e seus aliados terão de enfrentar dois desafios:
a. Em primeiro lugar, defender o extraordinário acervo de realizações que marcaram os Governos Dilma e Lula.

26. Em segundo lugar, demonstrar que a Presidenta Dilma Rousseff e as forças sociais e políticas que a apoiam são as que têm credibilidade para dar mais impulso e velocidade às transformações até agora realizadas e às que se colocarão no futuro.

27. Esta não é a ocasião para auto–complacência, para esconder erros ou dificuldades. É um momento de afirmação de propostas capazes de aprofundar a transformação em curso nos últimos anos.

28. Não é pouco o que está em jogo em 2014. Temos de estar à altura deste desafio. Quando saíamos da longa noite da ditadura, soubemos dizer “nunca mais”! Agora, após mais de uma década de grandes transformações em nosso país, é hora de afirmarmos “nunca menos”!

REFORMA POLÍTICA E DEMOCRACIA

29. A Reforma Política é a mãe de todas as reformas. Sua realização permitirá que a sociedade tome o destino do país em suas mãos, corrigindo as profundas distorções que marcam nosso sistema representativo e o funcionamento equilibrado dos poderes da República.

30. Por meio de uma Constituinte Exclusiva será possível eliminar, ou reduzir ao máximo, o peso do poder econômico nas eleições e no funcionamento das instituições republicanas. Só assim será possível combater efetivamente a corrupção, ao lado dos órgãos que hoje já se encarregam dessa tarefa, como o Ministério Público, o TCU, a Controladoria Geral da República e a Polícia Federal.

31. A Reforma Política é essencial para organizar uma maior participação da sociedade na formulação e controle das políticas públicas e com isso dar mais substância à democracia política. Ela fortalecerá a dimensão republicana e laica do Estado brasileiro.

32. A defesa dos Direitos Humanos — que vêm ganhando cada vez mais peso no atual Governo — continuará a ter relevância nos próximos quatro anos. O desenvolvimento e a conclusão dos trabalhos da Comissão da Verdade permitirão que a sociedade brasileira possa confrontar-se com sua História e impedir que sigam repetindo-se práticas como a tortura, os assassinatos e “desaparecimentos”, a criminalização de movimentos sociais e a discriminação de segmentos da sociedade, minoritários ou não. São os próprios Direitos Humanos que estão em jogo.

33. A democratização da sociedade brasileira exige finalmente que seja garantida, como até agora tem sido, a mais ampla e irrestrita liberdade de expressão, o que passa pela regulação dos meios de comunicação — impedindo práticas monopolistas — sem que isso implique em qualquer forma de censura, limitação ou controle de conteúdos. O Marco Civil da Internet, ao garantir respeito à privacidade, transparência e neutralidade da rede, foi nossa resposta ao desafio de preservar a independência deste meio de comunicação que vem ganhando cada vez mais relevância no país e no exterior. Ele balizará o desenvolvimento de uma política de comunicação nos próximos anos e expressará a postura soberana do Brasil no mundo de hoje.

COMBATE À POBREZA E À DESIGUALDADE — POR UM BRASIL DE OPORTUNIDADES

34. A continuidade, ampliação e aprofundamento das políticas de transferência de renda via Estado no Governo Dilma mostrou o acerto dessas inciativas. Provocou a melhoria das condições de vida de milhões e, igualmente, contribuiu para a constituição e o alargamento de um grande mercado de bens de consumo de massas, essencial para a dinâmica econômica.

a. Essas iniciativas não estão esgotadas, como proclamam alguns. Deverão ter continuidade. Elas exigem, no entanto e ainda mais, mecanismos complementares e inovadores.

35. O Brasil continuará oferecendo oportunidades para seus filhos. É justamente o que proporciona o Plano BRASIL SEM MISÉRIA, entre outras iniciativas.

36. É também o que ocorre com a multiplicação de programas educacionais, desde aqueles relacionados com a qualificação profissional, como o PRONATEC (com mais de 6 milhões de jovens), a ampliação das creches, da rede básica, do ensino em tempo integral, das vagas nas Universidades públicas, do PROUNI e do FIES.

37. Os êxitos da política educacional, fortalecidos no Pacto pela Educação, terão resultados mais efetivos nos próximos anos em função da iniciativa governamental, aprovada pelo Congresso Nacional, de destinar 75% dos royaltes do petróleo e 50% do Fundo Social do Pré Sal para a educação. Estaremos transformando petróleo em conhecimento. Esse será um importante passaporte para um Brasil moderno e competitivo em seu sistema produtivo em um futuro próximo. Junto a essa iniciativa, os 100 mil estudantes do Ciência sem Fronteiras estarão contribuindo para efetiva construção de uma sociedade do conhecimento.

38. Esse exame das políticas educacionais mostra que o combate à desigualdade assume novas dimensões, além daquelas de caráter estritamente sócio–econômico.

39. Apesar dos avanços recentes, milhões de brasileiros ainda enfrentam problemas “da porta de casa para fora”, como foi chamada esta nova etapa do processo de construção de uma sociedade mais coesa e solidária.

40. Para dar conta deste justo reclamo, o Governo brasileiro promoveu um Pacto pela Saúde. Garantiu 25% dos royaltes do Pré Sal para o setor. No imediato, terão continuidade iniciativas como o exitoso Programa MAIS MÉDICOS, a construção de novas UPAS, a disseminação das Farmácias Populares e o SAMU. Tudo isso fortalecerá o SUS e seus mecanismos gestão.

41. A melhoria das condições de habitação, que tem no Minha Casa Minha Vida (1.6 milhão de casas entregues e 1.7 milhão de moradias contratadas) seu carro-chefe, terá seguimento nos próximos anos e vem sendo complementada pelas transformações no transporte público das grandes cidades, materializadas no Pacto pela Mobilidade Urbana, proposto no ano passado e cujos primeiros efeitos já se fazem sentir.
42. O prosseguimento da reforma agrária deve continuar combinando a criação de novos assentamentos com o fortalecimento de programas de apoio técnico e creditício à agricultura familiar, permitindo a consolidação de um campesinato próspero e produtivo.

NÃO À DISCRIMINAÇÃO E À VIOLÊNCIA

43. Durante muito tempo afirmou-se que a violência nos centros urbanos e no campo era centralmente expressão da miséria e da pobreza. Hoje vê-se que ela é um fenômeno mais complexo, resultado de muitos fatores.

44. As polícias, que em função da estrutura federativa do país são essencialmente de responsabilidade estadual, ainda estão fortemente marcadas pelo autoritarismo do período ditatorial. Os muitos casos de despreparo profissional, o corporativismo e a impunidade, explicam a persistência da tortura e de outros mecanismos truculentos. Um sistema penitenciário medieval e uma Justiça lenta e muitas vezes classista agravam o problema. Os avanços logrados não escondem que a criminalidade resiste e se multiplica diante daquele conjunto de fatores.

45. O Governo Federal, que tem feito sua parte dentro deste quadro complexo, aumentará suas iniciativas. Aprofundando sua colaboração com os Estados da União para enfrentar bolsões mais organizados da criminalidade. No combate ao crime organizado, especialmente ao narcotráfico, a PF aumentará a vigilância das fronteiras e seu trabalho de inteligência em todo o país.
a. Mas a violência retrata também a persistência da desigualdade. Não somente da desigualdade de renda, mas daquela que afeta as condições de vida de distintos e expressivos segmentos da sociedade brasileira.

46. O crime proliferou onde o Estado esteve ausente: nas regiões onde não havia habitação digna, saneamento, educação de qualidade, saúde, ou onde faltaram equipamentos de cultura e de lazer. As experiências exitosas do Governo Federal junto a Governos estaduais ao associar a segurança — inclusive com a presença de contingentes federais — a iniciativas sociais profundas, que alteram positivamente as condições de vida das populações, irão multiplicar-se.

47. O combate aos efeitos do narcotráfico, sobretudo no que se refere às drogas pesadas, como o crack, passa também pela construção, já em curso, de uma vasta rede de atenção aos usuários de drogas, particularmente aos jovens.

48. A presença de uma mulher na Presidência da República teve um efeito simbólico positivo e concreto no aumento de sua representação no Ministério e na direção de empresas públicas, assim como na melhoria da condição feminina no Brasil.

49. A persistência de sua discriminação na política, no mundo do trabalho (inclusive sob o aspecto salarial) ou a violência contra as mulheres, sobretudo doméstica, está ancorada em profundos preconceitos que ainda subsistem em partes da sociedade. Somente uma ação continuada, apoiada fortemente por iniciativas do poder público, poderá ir corrigindo esta brutal iniquidade que ainda subsiste no país.

50. O fim da discriminação às mulheres não é um problema “setorial” a ser resolvido, mas uma questão fundamental para a construção da democracia no país.

51. A desigualdade se expressou historicamente no Brasil de forma marcante na persistente discriminação dos negros, fenômeno particularmente grave em se tratando de uma sociedade que se autodeclara majoritariamente como afrodescendente.

52. A luta contra essas formas de discriminação — ecos de uma sociedade que conviveu com a escravidão até fins do século XIX — tem de dar-se no plano das ideias, mas também no plano das iniciativas concretas.

53. Daí a importância das ações afirmativas lançadas por nossos Governos que, combinadas com políticas sociais, alteraram em muito a condição dos negros no Brasil. Essas ações começam a expandir oportunidades, como se pode ver da ampliação considerável de matrículas para negros nas universidades federais. Hoje, 49% dos alunos do PROUNI são negros, da mesma forma que 47% dos beneficiários do FIES e de 65% dos alunos do PRONATEC, ou de 60% dos Micro Empreendedores Individuais (MEI).

54. Esse importante movimento de mobilidade social foi fortalecido também pelos efeitos das políticas sociais sobre o conjunto da população, sobretudo no Bolsa Família e no Brasil sem Miséria.

55. Uma vez mais é relevante destacar que todo esse movimento não foi resultado de “favores” governamentais, mas consequência da mobilização de movimentos sociais e da sensibilidade que Estado e sociedade tiveram para com esta problemática.

56. O Estatuto da Igualdade Racial, da mesma forma que a constituição do Sistema Nacional da Igualdade Racial e a titulação de Quilombolas constituíram-se em importantes passos para eliminar esta mancha que ainda subsiste em nossa sociedade — o racismo.

a. Ele ainda está presente na existência de desigualdades raciais no mundo do trabalho ou no exercício da violência pelos aparatos repressivos do Estado contra os negros, a despeito das muitas iniciativas governamentais para freia-las.

57. O Brasil, por meio de ações afirmativas e de outras iniciativas que envolvem o conjunto do Governo, tem buscado apoiar, e continuará fazendo, às populações indígenas.

58. A violência em nosso país se manifesta, igualmente, nos elevados índices de vítimas de acidentes de trabalho e de trânsito. Essa sangria da sociedade brasileira tem sido objeto específico de políticas públicas não podendo ficar submersas em estatísticas cada vez mais cruéis.

CRESCIMENTO & AUMENTO DA PRODUTIVIDADE

59. A continuidade e sustentabilidade, no segundo mandato de Dilma Rousseff, da GRANDE TRANSFORMAÇÃO iniciada em 2003, com Lula, terá como meta o crescimento mais acelerado da economia brasileira nos próximos anos. Essa expansão está intimamente ligada, entre outros fatores, ao aumento da produtividade, especialmente no setor industrial, que poderá ser favorecido pelo início do novo ciclo de expansão global.

60. A ampliação e qualificação do mercado interno e a expansão das exportações põem no centro da política econômica a questão da produtividade. Seu incremento não se dará, como querem (e anunciam) os conservadores, pela redução dos salários, em especial do Salário Mínimo; pelo aumento do desemprego, que faça pressão sobre a renda dos trabalhadores; ou por uma “reforma trabalhista” que atente contra direitos laborais e produza a precarização do emprego.

61. O incremento da produtividade passa:

62. Pela inovação resultante da aplicação da ciência e da tecnologia aos processos de trabalho. O Governo tem feito sua parte e deverá aumentar seu empenho nessa direção. Mas cabe também à iniciativa privada, sobretudo àqueles setores beneficiados por isenções fiscais e creditícias do Estado, contribuir para esse processo de mudanças dos paradigmas de produção e adensamento das cadeias produtivas de grande escala e fortes efeitos de transbordamentos tecnológicos;

63. Pela capacitação da força de trabalho por meio do aprimoramento que vem sendo feito no sistema educacional brasileiro. Têm papel importante, neste particular, os programas específicos na área do ensino técnico profissionalizante do PRONATEC, Escolas Técnicas federais, estaduais e Sistema S, ampliação das carreiras de engenharia e de ensino superior técnico. É fundamental a mobilização dos estados e municípios nessa direção para atender à valorização salarial e de capacitação dos professores do ensino básico e a ampliação da infraestrutura educacional. Essa mobilização garantirá a necessária regionalização da qualificação profissional e universalização da qualidade do ensino básico público, semelhante ao ocorrido com a universalização da cobertura;

64. Pelo aprofundamento do modelo de retroalimentação consumo-investimento-produtividade baseado no processo redistributivo de renda, que garante simultaneamente inclusão social e ampliação de escala e do mercado doméstico;

65. Pela inovação dos processos de gestão dos empreendimentos públicos e privados;

66. Pela consolidação do vasto processo de reconstrução da infraestrutura energética e logística;

67. Pela extensão e fortalecimento das tecnologias de informação (TI) e a generalização da banda larga na Internet;

68. Por uma consistente redução da burocracia, que entrava a atividade produtiva e o comércio.

69. Por novas medidas de política econômica nas áreas monetária, cambial e fiscal que desonerem — com claras contrapartidas em matéria de produtividade e emprego — a atividade empresarial;

70. Por uma política de comércio exterior que priorize processos equilibrados de integração produtiva regional, a proteção legal de nosso mercado e do sistema produtivo e estimule a abertura de novas fronteiras comerciais globais.

71. Todas essas medidas serão implementadas com a preservação do equilíbrio macroeconômico, combinadas, ao mesmo tempo, com a adoção de políticas monetária, cambial e tributária capazes de priorizar a atividade produtiva, nos marcos do Pacto pela Estabilidade Fiscal e de controle da inflação, enunciado em 2013.

72. O fortalecimento de uma política industrial, em sintonia com o que vem sendo feito nas maiores cadeias produtivas do país — automobilística, petroleira, complexo da saúde, por exemplo, — recolocará a indústria nacional em condições de competitividade. Ao mesmo tempo, a criação de cadeias integradas de valor com países vizinhos, garantirá importantes condições de competitividade, como tem ocorrido na Ásia, por exemplo.

73. Da mesma forma, o apoio técnico, creditício e fiscal à micro, pequena e média empresa, ao lado de medidas de desburocratização, que vem sendo implementadas, deverá ganhar maior impulso nos próximos quatro anos. Devemos continuar estimulando o empreendedorismo dos brasileiros.

INFRAESTRUTURA PARA O BRASIL CRESCER MAIS

74. Um país de dimensões continentais, como o Brasil, tem de garantir sua integração, a redução de suas desigualdades regionais e sua competitividade, por meio da construção de uma importante infraestrutura energética e logística.

75. A construção de novas hidroelétricas, os grandes investimentos da Petrobras e a extensão das linhas de transmissão têm garantido — e seguirão garantindo — ao setor produtivo e aos consumidores em geral o fornecimento de energia requerido.

76. Concessões no setor de transportes têm consequências positivas na construção ou reforma de rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos, pensadas em função das especificidades regionais.

77. O Estado — como agente indutor do desenvolvimento — tem estabelecido, e estabelecerá no futuro, parcerias que permitam sanar os graves déficits que comprometem há décadas a competitividade da economia brasileira. Essa atribuição do Estado pode ser constatada na realização de 82% das metas previstas pelo PAC 2, o que colocou a necessidade de lançar em breve o PAC 3, que irá balizar a continuidade destes objetivos estratégicos fundamentais para o país.

78. Distinto do passado, onde os processos de privatização alienavam o patrimônio do Brasil, duramente amealhado, apenas para “fazer caixa”, as concessões atuais em alguns domínios da infraestrutura têm prazos, estabelecem condições rígidas de funcionamento e asseguram a primazia do interesse nacional.

SUSTENTABILIDADE

79. A construção de um modelo de desenvolvimento que contemple os aspectos econômicos, sociais e ambientais tem sido a marca do Governo Dilma. Nossa ação até agora e no futuro será determinada pelo tripé crescimento, erradicação da pobreza e preservação do meio ambiente.

80. Esse compromisso é válido não só para o Brasil, como foi a mensagem que levamos a RIO 20 e que obteve consenso global.

81. São exemplos internos, que dão suporte a nossas posições internacionais, nosso empenho contra o desmatamento, o incremento de nossa matriz energética renovável, nossas práticas e políticas sustentáveis na agricultura e na indústria.

82. Não existe contradição entre crescer, incluir, proteger e conservar.

SOBERANIA, INTEGRAÇÃO & SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL

83. O novo lugar que o Brasil passou a ocupar no mundo deveu-se essencialmente às transformações econômicas e sociais que Governo e povo foram capazes de realizar na última década. Essas transformações — sobretudo pelo fato de terem ocorrido em um ambiente de plena vigência da democracia — foram essenciais para que a política externa de Lula e Dilma reatassem laços com a melhor tradição de diplomacia brasileira como, por exemplo, a da Política Externa Independente.

84. No cerne desta nova orientação estão a afirmação da soberania e do interesse nacionais, o respeito à autodeterminação dos povos e dos direitos humanos, a luta pela paz e pelo desarmamento, a defesa do multilateralismo e de um mundo multipolar, o combate por uma ordem econômica, social e política global justa e equilibrada.

85. Para alcançar esses objetivos, defendemos no passado, e continuaremos a defender no futuro, uma política de integração sul-americana nos âmbitos econômico e comercial, na sua infraestrutura, no plano da defesa e em todas as esferas que permitam uma coesão da região — respeitadas as diferenças político-ideológicas de cada um de seus Governos. As duas maiores expressões desse propósito integracionista são o MERCOSUL e a UNASUL.

86. Por suas riquezas naturais e potencial energético, pela dimensão e diversidade de seu território, pelo tamanho de sua população e mercado, por ser zona de paz e de democracia, América do Sul, assim como a América Latina e o Caribe são espaços fundamentais de nossa política externa. Essa disposição ficou evidenciada em nossa iniciativa de criar, junto com outros países, a CELAC. O Brasil quer continuar associando seu futuro ao da região, promovendo, em especial, uma integração de cadeias produtivas que, junto à integração logística e energética, transforme todo o continente em um importante ator global.

87. Nossa política de aproximação com o SUL — África, Países Árabes, mas também China e Índia — não se fez em oposição às tradicionais relações que mantemos com os países desenvolvidos: Estados Unidos, União Europeia e Japão, sobretudo.

88. Nos foros globais — nas Nações Unidas, no G20, mas também na OMC, Banco Mundial, FMI ou FAO — temos defendido a democratização das relações econômicas e políticas internacionais, capaz de afastar de nosso horizonte situações de crise que podem engendrar conflitos regionais ou de maior monta. Para lograr esses objetivos é fundamental nossa presença no BRICS.

89. Nossas relações econômicas e comerciais, longe de estarem marcadas por preconceitos ideológicos, respondem essencialmente aos interesses nacional e regional.

90. Um princípio essencial de nossa política externa deve ser o da solidariedade com todos aqueles povos e Governos que, nos cinco continentes, lutam por princípios de convivência internacional semelhantes aos nossos.

CREDIBILIDADE E COMPROMISSO

91. Em meio a mais grave crise econômica e social que se abateu sobre a humanidade desde 1929, temos sido, nos últimos anos, um dos raros países do mundo em que o nível de vida da população não recuou ou entrou em colapso. Muito mais do que isso, aqui ocorreu uma importante melhoria social, com significativos avanços democráticos, impulsionados por uma sociedade dinâmica, crítica e mobilizada.

92. Apesar das dificuldades externas e dos obstáculos de toda a ordem que enfrenta a democracia brasileira, não deixamos em um só momento de lutar em favor de todos os brasileiros. De alguns em especial: dos mais pobres, de nossos jovens, de nossas mulheres, de nossos negros e índios, de nossos idosos, das pessoas com deficiência, enfim, de todos aqueles que, em um passado ainda recente, foram esquecidos pelos governantes.

93. Vivemos hoje um novo desafio histórico.

94. Para enfrentá-lo não haverá soluções mágicas, menos ainda “homens providenciais”.

95. São necessários conhecimento dos reais problemas da sociedade brasileira e determinação para enfrenta-los.

96. Um conhecimento que vem da reflexão acadêmica, das práticas governamentais, mas, sobretudo, do contato cotidiano com o povo brasileiro, que é o principal artífice da grande mudança em curso no país.

97. Uma determinação que possuem aqueles que fizeram da política um compromisso — não um meio de vida — reatando com as grandes tradições que marcaram o progressismo no Brasil.

98. É com essas credenciais que Dilma Rousseff, os partidos e forças sociais que a apoiam, darão continuidade, a partir de 2015, à Grande Transformação iniciada na última década

Saul Leblon
No Carta Maior
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O doutor Cantídio não poderia examinar Genoino por razões éticas e morais

O marajá de jaleco
O ministro Joaquim Barbosa deu um tapa na cara da sociedade ao indicar o médico Cantídio Lima Vieira para integrar a equipe incumbida de fazer um exame em Genoino cujo resultado todos sabiam qual seria.

Assim como você sabe antecipadamente como Barbosa vai votar qualquer coisa relativa ao PT, você pode apostar quanto quiser em que Cantídio vai dar um parecer contrário em qualquer exame que envolva um petista.

Este é o Brasil dos nossos dias: não bastasse a justiça ser política, também a medicina se rege, em muitos casos, por simpatias (ou fobias) partidárias.

É gravíssimo que Cantídio tenha sido escolhido mesmo depois de colocar uma enorme foto, no Facebook, em que se lê que Dilma faz mal à saúde.

Como imaginar que um homem assim agisse com isenção ao examinar Genoino?

Barbosa ou sabia e fez a sociedade de idiota. Ou não sabia e mostrou inépcia fabulosa.

Não é a primeira vez que Cantídio é notícia por maus motivos. Algum tempo atrás, a revista IstoÉ o classificou como “Marajá de Jalecó”.

Isso porque, segundo a revista, Cantídio ganha um bom dinheiro para trabalhar (pouco) num controvertido hospital do Senado. (Aqui o texto.)

Clínicas particulares suas, não bastasse isso, prestam também serviços ao hospital. Há aí uma questão ética complicada, ou insanável.

Com todas essas coisas, Barbosa — um autoproclamado cruzado da ética — escolhe aquele “marajá de jaleco”? Barbosa mostra que sempre pode descer um degrau a mais nos atos que a posteridade, longe da proteção da mídia, haverá de condenar.

Você pode perguntar: existem médicos no Brasil isentos para tratar de casos como o de Genoino?

Se há, não conheço.

Isto não quer dizer que não haja saída.

Dou aqui minha sugestão: defesa e STF indicam um médico estrangeiro de ilibada reputação e reconhecida grandeza.

Eles vêm examinar Genoino. E depois, em conjunto, produzem um laudo.

As vantagens são claras. Estrangeiros, eles estariam longe da pressão de quem seja — mídia, Joaquim Barbosa, colegas médicos ou mesmo o PT.

Por serem médicos de grande nomeada, jamais arriscarão seu prestígio para produzir um laudo politizado, enviesado — ou simplesmente desonesto.

No exterior, você encontra especialistas confiáveis — o que não é o caso do nosso Marajá de Jaleco cujo ódio público e ostensivo ao PT parece ser a maior credencial para integrar a junta que devolveu Genoino à Papuda.

Paulo Nogueira
No DCM

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Como eles agem...

Eduardo Campos paga o Pior Salário Do Brasil aos professores. E o governo do tucano de Minas Gerais também paga um dos menores. É isso que você quer para o Brasil?


No Números e Indicadores - Brasil
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PSDB acha que salário minimo está muito alto


Esse é o Armínio 40% Fraga, guru do FHC, Aécio (e do Dudu Campos):


O consultor econômico de Aécio Neves e "Ministro da Fazenda" caso Aécio seja eleito Armínio Fraga, fala que o salário mínimo atual está "muito alto", que isso "engessa o mercado" e que tem que se pesar "custos e beneficios" e ver outras saídas, o que pode ser entendido como menos aumentos salariais e arrocho salarial, como fez FHC caso o PSDB volte ao poder.
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Volta FHC

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Membros do CNJ atacam JB por mudança de sede


Conselheiros afirmam que o presidente do órgão negou acesso à informação sobre o processo de mudança de sede do Conselho Nacional de Justiça; eles deixarão o edifício do Supremo Tribunal Federal para dois prédios em Brasília que, segundo alegam, não têm condições mínimas de segurança para recebê-los; integrantes do CNJ dizem ainda não ter acesso aos custos da reforma dos espaços, que segundo o CNJ, custará R$ 12 milhões; um deles aponta que Joaquim Barbosa comete "improbidade administrativa" ao rejeitar pedidos de informações

Os membros do Conselho Nacional de Justiça estão irritados com o presidente do órgão, Joaquim Barbosa, que tem rejeitado informações sobre a mudança de sede do CNJ, hoje instalado no edifício do Supremo Tribunal Federal, para outros dois prédios em Brasília.

Os conselheiros alegam que os novos prédios não têm condições mínimas de segurança para receber os funcionários. Mas, ao pedir informações a respeito dos locais, receberam resposta negativa do ministro, que também é presidente do STF. Leia mais detalhes aqui.

Em fevereiro, um memorando pedindo a prorrogação da mudança enviado pela ministra Maria Cristina Peduzzi foi rejeitado por Joaquim Barbosa. Um dos ministros, segundo matéria da Folha de S. Paulo deste domingo, chega a acusá-lo de "ato de improbidade administrativa nos termos da Lei de Acesso à Informação".

Os conselheiros dizem também que não têm acesso aos custos das reformas que estão em andamento nesses prédios. Segundo o CNJ, a obra nos dois edifícios terá um custo de R$ 12 milhões. De outro lado, aliados de Barbosa acusam os críticos de estarem resistentes à mudança por conta da "perda de status" ao deixarem o prédio do STF.
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Nem o Daniel Alves gostou do #SomosTodosMacacos. E agora?

Serginho Groisman entrevistou o lateral Daniel Alves pela internet
Foto: TV Globo/Altas Horas
E o debate sobre a campanha #SomosTodos Macacos continua. Após comer a banana que jogaram para ele em campo, o lateral-direito Daniel Alves se viu parte integrante da campanha publicitária #SomosTodosMacacos, criada pela agência Loducca através do Neymar.

A hashtag cresceu e se transformou em campanha de marketing por Luciano Huck (e sua marca de camisetas). Assim, o apoio da atitude cresceu: várias fotos de artistas e anônimos foram adicionadas às redes sociais, muitas com bananas em riste. E a discussão se prolongou. Militantes do movimento negro rechaçaram a campanha: de acordo com o professor e militante do movimento negro Douglas Belchior, a hashtag “tenta esconder as desigualdades raciais, a violência, o extermínio, e reforça a ideia de que no Brasil se vive uma democracia racial”.

A questão sobre o tema se agravou após entrevista do Daniel Alves na última edição do programa Altas Horas. Em entrevista, o jogador do Barcelona afirmou que não gosta muito do #somostodosmacacos. "Acho que a gente é a evolução disso. Somos humanos e todos iguais. Acho que é isso que devemos defender", afirma o lateral.

O sempre cheio-de-opinião Pelé deu uma declaração polêmica à AFP: tudo não passou de uma tempestade em copo d'água. Para o ex-jogador, "não há racismo no futebol, e sim em todos os setores da sociedade. Aquilo foi uma coisa muito banal. O cara lançou apenas uma banana.". 

E você, o que acha?



No Muda Mais
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A campanha começou


Dilma deixou a mensagem de que o país pode não estar muito bem com ela mas estará muito pior com seus adversários. E agora?

O pronunciamento de Dilma Rousseff, na véspera do 1º de Maio, foi o ato inicial da campanha presidencial de 2014.

Ao defender o aumento de 10% no Bolsa Família, a correção das alíquotas do Imposto de Renda e a política de valorização do Salário Mínimo, Dilma traçou uma linha divisória na campanha presidencial.

Essas medidas pegaram a oposição de surpresa e amarelaram os sorrisos do PSDB e do PSB no palanque da Força Sindical, no dia seguinte, em São Paulo. Em vez de anunciar suas propostas, Aécio Neves e Eduardo Campos tiveram de comentar as propostas de Dilma.

Dormiram na ofensiva e acordaram na defensiva.

Tudo estava pronto para transformar a defesa da lei do Salário Mínimo, obra do governo Lula, em bandeira da oposição.

A Lei vai expirar em 2015 e, de olho no eleitorado trabalhador, o deputado Paulinho da Força já tinha apresentado um projeto de lei no Congresso. Num texto assinado em companhia de um parlamentar do Solidariedade e de outro do PSDB, Paulinho reconhece a atuação do governo Lula-Dilma quando diz, no preâmbulo, que “nesses últimos anos o Brasil vem enfrentando profundas mudanças, sobretudo no âmbito social”. O projeto de lei é favorável a renovação da lei em vigor. 

Era, naquele momento, uma tentativa de  deixar o governo na defensiva. Teria, sem dúvida, apoio popular durante a campanha, não mais do que isso. O pré-Ministro da Fazenda de Aécio Neves, Armínio Fraga, já deixou claro que acha o mínimo alto demais. 

O pronunciamento de Dilma eliminou essa possibilidade.

O mesmo vale para o Bolsa Família, revalorizado em 10%, e a correção do imposto de renda, em 4,5%.

A oposição, que sempre bateu no Bolsa-Preguiça ou mesmo Bolsa-Esmola, agora é obrigada a dizer que os benefícios subiram pouco.

Risos.

Nem é preciso dizer quem ficou perdendo no debate.

Falar em correção integral do IR é uma maravilha para quem está na oposição — como sabem todos aqueles que já tiveram de fechar contas públicas, inclusive reservando dinheiro para os lucros dos bancos e dos especuladores financeiros, e não para a melhoria da vida dos pobres. 

Você sabe a verdade  secreta: ajuda para os pobres é desperdício e demagogia. Pacote de bondades. Eleitoreiro,

Para os bem situados, é investimento e justiça. Pacote de bom senso.

É difícil saber até onde poderia ter ido a correção. Ninguém gosta de pagar imposto.

Mas é bom entender a lição básica: a turma que denuncia a “carga tributária” também adora esconder para quem se destinam os tributos que recolhe. A lógica é simples: Estado mais pobre significa menos dinheiro para os mais pobres — mesmo que uma parte dos recursos continue chegando aos muito ricos. 

A confusão no palanque da Força, mais uma vez, confundiu políticos e jornalistas. Estes descrevem um mundo em que tudo é festa.

Depois que Paulinho causou constrangimento ao falar que Dilma acabaria na Papuda, até Aécio achou melhor procurar outras companhias.

Chegou a dizer para o secretário geral da Força, João Carlos Juruna Gonçalves, que ele deveria entrar para a campanha do PSDB. A Força é uma central que abriga várias correntes políticas.

“Fizemos uma festa democrática, onde os interesses dos trabalhadores estão acima das convicções partidárias,” diz Juruna. “Nosso compromissdo é com os assalariados.” Há dirigentes da Força alinhados com Aécio, como Paulinho. Outro apoiam Eduardo Campos. Juruna fez campanha por Lula em 2006, por Dilma em 2010 e planeja seguir o mesmo caminho em 2014.

Ao defender reivindicações  ligadas aos interesses dos trabalhadores e dos mais pobres, Dilma marca o território e obriga a oposição a buscar votos num terreno desfavorável. O apoio irrestrito de Lula ajuda a reforçar essa situação.

Como já foi dito, estamos assistindo a reconstrução de políticas de classe. 

Muita gente acha isso feio, anacrônico, pré-histórico. É a mesma turma que saiu da esquerda, foi para a direita e agora diz que esquerda e direita não existem mais. 

O condomínio Lula-Dilma encara, em 2014, a eleição mais difícil desde sua chegada ao Planalto, em 2003. Após “profundas mudanças, sobretudo no âmbito social,” como admitia o projeto de lei de Paulinho, a oposição procura todos os atalhos para recuperar o poder de Estado. Os donos de jornais nem precisam mais dizer que resolveram ajudar uma oposição muito fraquinha, como aconteceu em 2010. Está na cara.

Eduardo Campos chega a brigar com Marina Silva porque defende a indepedência do Banco Central, bandeira reacionária que faria corar o avô Miguel Arraes — e, provavelmente, o próprio Eduardo Campos há seis meses atrás. Aécio Neves não teve receio de anunciar sua “coragem” para tomar “medidas impopulares” — qualquer pessoa que entende um pouco de geopolítica social sabe que isso equivale a falar grosso com a Bolívia e afinar a voz diante de Washington.

No 1º de maio, no entanto,  todos queriam mostrar-se preocupadíssimos como o bem-estar do povo.

A mensagem de Dilma é simples. O país pode não estar muito bem com ela. Mas estará muito pior sem ela.

Este é o debate em 2014. 

Paulo Moreira Leite
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A missão

Estamos no mundo como escolta do nosso DNA, entende? Esta é a nossa função. Pense no seu DNA como o presidente da República. A Dilma, pronto. Fazemos parte da sua segurança. Nossa missão é protegê-lo para que ele cumpra a sua, que é reproduzir-se.

— Deixa ver se eu entendi. A missão da presidente Dilma é reproduzir-se?

Esquece a presidente. Pense no seguinte: nós somos o invólucro dos nossos respectivos DNAs. Tudo o mais que somos não tem a menor relevância, tudo o mais é supérfluo. Esse seu sinalzinho, por exemplo. Irrelevante. Nossas vidas, fora do expediente, não têm nenhuma importância. Se o mundo fosse um lugar bem administrado, nasceríamos já na puberdade e morreríamos quando não pudéssemos mais fecundar ou sermos fecundados. Do jeito que está, tem todo aquele aborrecido período de infância, e depois de velhice, quando só ficamos atravancando o planeta e incomodando em casa. Já cumprimos nossa obrigação com o DNA, não temos mais nada a fazer na Terra, mas continuamos por aí, num claro exemplo de mal uso de recursos humanos e de falta de um bom gerente. Gostas do Djavan?

— Tem outra coisa?

Roberto Carlos?

— Pode ser.

*

Um exemplo da falta de racionalidade é o fato de existirem quase tantos homens quanto mulheres no mundo. Como um homem pode fecundar várias mulheres, só seria necessário um homem para cada dez mulheres para manter a mesma taxa de natalidade que existe agora e assegurar a sobrevivência da espécie humana num mundo cada vez mais competitivo. Você não está com calor? Não quer tirar esse...

- Não.

*

A maioria dos homens é dispensável, mesmo os sexualmente ativos. Ao contrário do que se pensa, a monogamia interessa muito mais aos homens do que às mulheres. Mais champanhe?

— Obrigada.

A monogamia garante que homens absolutamente sem serventia, incapazes de seduzir uma única mulher que não seja a sua — enfim, ineficientes como portadores e protetores do DNA —, entulhem o mercado, competindo com agentes experimentados como, modéstia à parte, eu. Chega pra cá um pouquinho.

— Não.

Vem.

— O que você quer?

Só quero convencê-la a não esquecer seu compromisso com a espécie. E cumprir o seu dever. Nós não contamos, não precisamos nem nos ver depois desta noite. Nossos DNAs é que são importantes. A noite é deles! Eles precisam se encontrar para se reproduzir e só nós podemos proporcionar este encontro. É a nossa missão! Não é hora para personalismos.

— Sei não...

E olha: eu trouxe camisinha.

Luís Fernando Veríssimo
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Faustão não sabe o que é Racismo Institucional. Mas nós vamos explicar


O apresentador da TV Globo Fausto Silva se retratou hoje, em seu programa, por ter falado na semana passada que o cabelo crespo, vermelho, estilo black power (e lindo) da dançarina Arielle Macedo parecia uma “vassoura de bruxa”.

Vestiu a carapuça de gente boa, chamou a internet de penico e seguiu o programa. Tá certinho, Faustão. Só que não.

O Faustão não sabe, mas o que ele fez na semana passada foi uma prática de racismo institucional, que está por todo lado e mostra as caras até na televisão. 

Segundo o site Notícias da TV, o apresentador tentou se redimir dizendo que não passou de uma brincadeira. "Brinquei falando que o cabelo era estilo 'vassoura de bruxa' porque era um cabelão vermelho. Algumas pessoas que querem transformar a internet em penico começam a achar que aquilo foi racismo. Absolutamente. Até porque ninguém mais do que eu, ao longo desses últimos 30 anos, fala quase todo domingo que caráter, competência e talento não têm nada a ver com a cor da pele, orientação sexual, opção religiosa, ter ou não ter dinheiro ou partido político", afirmou Faustão.

Arielle
Ah, Fausto Silva, essa não cola. Seu comentário pode até, quem sabe, talvez não caracterizar racismo individual (preconceito propriamente dito que ocorre quando alguém se acha superior ao outro por sua raça), mas é sim, racismo institucional.

O racismo institucional ocorre quando as instituições, públicas ou privadas, tratam com diferença pessoas ou grupos em função de suas características físicas ou culturais. Ou então quando o resultado de suas ações contempla de forma diferenciada determinado grupos.

Resumindo, são as piadinhas e os comentários desconcertantes que atacam os valores ou auto-estima do outro.

Ô, louco, Faustão, vamos começar a pensar na função social que você tem diante da população brasileira e dar o exemplo.

E para que você fique bem esclarecido e não repita o erro,  aqui estão dois documentos que explicam o que é racismo institucional e como combater na prática.


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As duas mortes do japonês da Escola Base

A primeira morte de Ucushiro Shimada ocorreu quando ele, esposa e sócios foram alvo de um crime de imprensa, cruel e generalizado, que liquidou não apenas com os sonhos dos pequenos empreendedores como estraçalhou com sua vida familiar.

A segunda morte foi quando acionados na Justiça, os grupos de mídia apelaram para todas as manobras previstas na sistema legal para postergar o pagamento.

Na série de vídeos abaixo, há o depoimento de uma das jovens sócias na época, hoje ganhando pouco mais de R$ 600,00 e sem dinheiro para pagar as dívidas.

O caso “Escola Base” foi uma das minhas primeiras incursões contra os linchamentos periódicos da mídia que se seguiram à campanha do impeachment de Fernando Collor — episódio que ensinou aos grupos de mídia o poder sem limites da escandalização mais abjeta amparada pela visão vesga de liberdade de imprensa e pelo apoio de uma malta de leitores brutalizados pelo jornalismo-espetáculo.

Em um dos vídeos está o repórter que primeiro levantou o tema de forma escandalosa, explicando as lições que aprendeu com o episódio.


A Escola Base nada ensinou. Depois dela vieram o caso Bar Bodega e uma infinidade de novos linchamentos, sempre obedecendo à sede de escandalização, sem direito à defesa e sem se importar se atacava inocentes ou culpados, desde que o espetáculo não parasse, explicitando o universo de (não) valores midiáticos, mostrando um nível civilizatório que remonta a República Velha.

Foi o início da um estilo generalizado de selvagerias que envergonharia qualquer sistema civilizado de mídia. Como no episódio Vilma (a senhora que sequestrou uma criança e a criou com carinho), com as câmeras do Jornal Nacional invadindo sua casa; ela escondendo-se debaixo de um sofá e a câmera indo atrás, com a mesma gana de um meganha colocando suspeitos em pau-de-arara. Ou no episódio Agroceres, em que policiais e jornalistas inescrupulosos armando uma ação espetacular em Pato Branco, com o helicóptero da Globo filmando todos os detalhes de uma perseguição cinematográfica e inútil contra o filho suspeito de ter matado o pai — e que tinha ido à cidade com passagem de volta para São Paulo já comprada para acompanhar a esposa dando à luz.

Aqui, o texto introdutório do capítulo sobre a Escola Base que constou de meu livro “O jornalismo dos anos 90”.

Escola Base

O caso "Escola Base" foi herdeira direta da campanha do impeachment contra o ex-presidente Fernando Collor. Depois que a campanha se esgotou, criou-se um vácuo nos leitores. Estavam todos viciados em notícias catárticas, no escatológico, do mesmo modo que viciados em morfina. A cada dia a mídia se obrigava a buscar manchetes e temas que substituíssem o lixo da campanha do impeachment.

Foi nesse contexto que surgiu o episódio da Escola Base.

Como todo brasileiro, particularmente como pai, interessei-me vivamente pelo tema, assim que a imprensa passou a divulga-lo No primeiro dia, havia declarações do delegado responsável pelo inquérito sobre supostas orgias com crianças de quatro anos. A imprensa ecoou em cores as acusações. Pouco espaço era dado aos acusados.

Eram eles Icushiro Shimada e Maria Aparecida Shimada , donos da Escola Base; Maria Cristina Franca, professora da escola, acusada de abusar sexualmente de uma criança de 4 anos, coleguinha de seu filho na escola; Saulo e Mara da Costa Nunes, perueiros da escola, acusado de abusar das crianças dentro da Kombi; e Mauricio Alvarenga e sua mulher Paula Milhin, sócia e professora, acusados de participarem do esquema todo.

Uma das poucas experiências que eu tive com cobertura policial foi no início dos anos 80, no rumoroso episódio da corretora Tieppo Na época era proibido investir fora do país, especialmente devido a crise cambial brasileira. A corretora montou um esquema de captação de recursos para aplicar nos novos mercados de derivativos que surgiam. Apostou mal, perdeu dinheiro e explodiu o escândalo.

Todos os jornais cercaram os delegados incumbidos da investigação, entre eles Romeu Tuma. Havia ampla disputa na cobertura, todos os jornais tratando de incensar os delegados, para obter informações. Todos bebendo da mesma fonte.

Como chefe de reportagem de Economia do "Jornal da Tarde", orientei os repórteres a buscarem outras fontes. Em pouco tempo descobrimos uma versão totalmente diferente daquela apregoada pela mídia. O caso era tocado por dois delegados do DOPS, um deles o futuro senador Romeu Tuma.

A imprensa inteira estava atrás do caixa dois da corretora, que revelaria o nome dos investidores que aplicaram no exterior. Um dia Tuma convocou os jornalistas para informar que o caixa dois havia sido descoberto em um pequeno sobrado do bairro do Ipiranga.

Corremos por fora. O repórter Celso Horta foi incumbido de conversar com as telefonistas da corretora. Com elas levantou a informação de que as ligações para clientes especiais tinha umas frases em código, para evitar grampos. E nenhum dos nomes apurados constava da lista do Tuma.

Outro repórter foi despachado para o sobrado do Ipiranga com fotos de Tieppo e Tuma. Localizou testemunhas que afirmaram que ambos se encontraram varias vezes por ano, uma semana antes do anuncio oficial da descoberta do caixa dois.

Com essas informações convidamos o advogado de Tieppo para uma entrevista no "JT", onde, apertado por todos os lados, confirmou o acordo entre Tieppo e Tuma para jogar panos quentes na investigação.

O episódio me deu a certeza de que, a exemplo dos repórteres, delegados e promotores tendem a supervalorizar os casos dos quais se incumbem, obrigando a um cuidado redobrado na análise de suas informações.

No caso Escola Base, o delegado aparecia falando muito, expondo vastas certezas, e não apresentava fatos objetivos. Limitava-se a mencionar testemunho de meninos de quatro anos. Nas poucas vezes em que foi ouvido, o proprietário da escola revelava genuína indignação.

No terceiro ou quarto dia de cobertura, sugeri a chefia de reportagem da TV Bandeirantes que ousasse o caminho oposto: apostar na inocência dos proprietários da escola. Mas o clima, por demais candente, desestimulava qualquer movimento na direção contrária.

No dia seguinte foi anunciada a prisão de três casais da Escola Base. Naquele dia, decidi entrar no assunto. Fazia um comentário diário no "Jornal da Noite", e avisei o editor que falaria sobre o caso.

Para minha surpresa, o editor me informou que o advogado dos acusados tinha entrado em contato com a repórter da Bandeirantes — a emissora menos radical na cobertura — e informado que dispunha de um laudo sobre o caso, segundo o qual havia dilatamento de um por um no anus do menino. Significava que, se houve penetração, não foi de adulto; mas o mais provável e que tivesse sido uma assadura. Em vão o advogado tentava convencer os jornalistas a divulgar o laudo.

Naquela noite fiz um comentário no Jornal da Noite, posteriormente transcrito pelo jornalista Alex Ribeiro no livro "Escola Base - Os Abusos da Imprensa":

"Bom, hoje eu não vou falar de economia, vou falar de um assunto que me deixa doente. Toda a imprensa está há uma semana denunciando donos de escola que presumivelmente teriam cometido abuso sexual contra crianças de quatro anos. Toda a cobertura se funda em opinião da polícia. Está havendo um massacre. Mais que isso, está havendo um linchamento. Se eles foram culpados, não é mais que merecido E se não forem? Uma leitura exaustiva de todos os jornais mostra o seguinte: não há atá agora nenhuma prova conclusiva de que a criança foi violentada por adulto. Não há nenhuma prova conclusiva contra as pessoas que estão sendo acusadas. Tem-se apenas a opinião de policiais que ganharam notoriedade com denúncias e, se eventualmente se descobrir que as denúncias são falsas, vão ter muita dificuldade de admitir. Por isso, a melhor fonte não é a polícia, neste momento. A imprensa deve às pessoas que estão sendo massacradas, no mínimo, um direito de defesa, de procurar versões fora da polícia. Repito: é possível que as pessoas sejam culpadas. Mas é possível que sejam inocentes. E se forem inocentes?"

Na manhã seguinte, aumentei o tom das críticas no programa da rádio Bandeirantes, no qual participava ao lado de Salomão Esper e Jose Paulo de Andrade. Naquele dia, escrevi a coluna na "Folha" sobre o episódio, que saiu publicada no dia posterior. Foi a primeira manifestação denunciando os erros de cobertura.

O massacre do japonês da Aclimação se dava no mesmo momento em que um banqueiro de atividade polêmica se firmava na mídia, particularmente nas colunas sociais, como o novo grande mecenas da cidade. Sua incensação serviu de contraponto ao massacre da Escola Base.

8/04/1994 O japonês da Aclimação e o Mecenas

O japonês da Aclimação vai ajudar a brava sociedade brasileira a purgar seus erros e permissividades. Desconfiou-se que em sua escolinha donos, professores e pais de aluno praticavam abusos sexuais contra pequenos alunos de 4 anos de idade. Um roteiro para Marquês de Sade nenhum botar defeito

Não há nenhuma prova conclusiva para as acusações. Não há sequer laudos que comprovem definitivamente a prática de abusos sexuais. Um exame comprovou dilatamento de um por um no anus de uma das crianças. Pode ser vestígio de penetração, seguramente não por parte de um adulto. Pode ser fruto de uma assadura. Depois disso, há apenas informações arrancadas de crianças de 4 anos por pais desesperados.

Há o quadro já conhecido de policiais que se deslumbram com episódios que podem lhe render popularidade, e de cobertura jornalística burocrática que se vale exclusivamente da versão oficial.

Mas pode haver algo de maior impacto, para policiais e jornalistas, do que a suposição de crianças de 4 anos — que poderiam ser filhos dos próprios leitores — sendo utilizadas em sessões de filmes pornográficos?

Não há nenhuma foto, nenhum filme que comprove a versão, mas o que importa? Como tem-se 50% de possibilidade do japonês da Aclimação ser culpado, está se cometendo apenas 50% de injustiça.

E toca-se a linchar o japonês e os pais de outros alunos de 4 anos, valendo-se dessa grande prerrogativa de sentir-se fortalecido na companhia da unanimidade, para melhor poder exercitar o supremo gozo de participar de um linchamento, sem riscos e sem remorsos — uma espécie de realidade virtual da Disneyworld com vidas alheias, em que se vive a sensação de perigo, sem correr riscos.

Pouco importa se o resultado final dessa investigação vier eventualmente a comprovar a inocência dos acusados. Se errar, terão o álibi de estar errando em ampla companhia.

Lei e ética

O combate a corrupção não se faz em cima de leis, mas de princípios éticos desenvolvidos pela sociedade como um todo. O primeiro círculo a coibir práticas erradas é a família. O segundo, o círculo social. Se houver conivência com desvios, não há aparato legal que resolva.

Em São Paulo, um banqueiro foi acusado de integrar o esquema PC Farias junto a fundos de pensão e ao sistema Telebrás. Um grande empresário carioca, homem de vida pública conhecida, e de boa reputação, acusou-o frontalmente de ter exigido propinas para liberar uma licitação Outro empresário, do setor de telecomunicações, acusou-o de tê-lo procurado em nome do próprio PC Farias.

Nenhuma medida foi tomada pelo Ministério Público Federal para apurar os fatos. Fosse apenas um empresário paulista, o banqueiro provavelmente teria sua vida investigada. Mas é também genro de um senador da Republica.

A brava elite paulista transformou-o em seu mecenas particular, sem se preocupar sequer em cobrar-lhe explicações cabais para as acusações. Ele é personagem ativo das colunas sociais, sua casa e frequentada por personalidades conhecidas da vida intelectual e empresarial, suas festas elogiadíssimas, assim como suas virtudes de enólogo. Tem dinheiro e é grande amante das artes. Um grande praça, sem dúvida.

Não se assuma a presunção da culpa. Pode ser que seja inocente. Pode ser que seja culpado O fato e que em nenhum momento as suspeitas provocaram sequer o constrangimento, que e o sinal mais tênue de existência de princípios éticos regendo relações sociais.

Mas pouco importa. O poderoso japonês da Aclimação esta aí mesmo, para mostrar que com a sociedade brasileira não se brinca.

Nassif
No GGN
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