2 de mai de 2014

Dilma na íntegra: comigo não tem arrocho

Não fui eleita para mendigar no FMI

Eu não fui eleita para vender ou mudar o nome da Petrobras e entregar o Pré-sal!

Discurso da Presidenta Dilma Rousseff, no 14º Encontro Nacional do PT.

Ao Lula Dilma dedicou suas primeiras palavras:

O senhor tem sido o maior líder político que esse país construiu nos últimos anos.

Recebo a missão honrosa e desafiadora de ser a pré-candidata do PT à Presidência.

Meu respeito e carinho a Lula.

Foi o compromisso ao povo brasileiro que nos uniu e esse compromisso é inquebrantável, não se quebra, não se verga.

Mais uma vez, estou aqui diante de vocês e junto com vocês.

É para você, presidente Lula, a quem primeiro me dirijo, e digo-lhe, com todo carinho e respeito, que este ato tem mais do que uma simples coincidência.

Ele é mais uma prova forte e contundente da nossa confiança mútua e dos laços profundos que nos une ao povo brasileiro.

Porque, presidente Lula, foi o compromisso com o povo brasileiro que nos uniu. E esse compromisso é inquebrantável.

Quando você assumiu a presidência, o Brasil era um.

Quando a deixou, o Brasil era outro, completamente diferente e muito melhor.

Assim, quando o sucedi na presidência, tinha a tarefa hercúlea de suceder não um presidente — mas uma verdadeira lenda.

A faixa não pesou em meus ombros porque havíamos trabalhados juntos, anos a fio. Todos os dias, todas as horas, inclusive nas horas mais difíceis, estivemos juntos honrando o nosso compromisso com o povo brasileiro.

Foi isto que me deu ânimo — e experiência — para enfrentar e vencer todo tipo de dificuldades.

A faixa não pesou porque sabia que tinha a meu lado o povo do Brasil, como Lula teve. Dezenas de milhões de brasileiros a tornaram leve.

Tivemos também o apoio imprescindível dos partidos aliados. Essa coalizão foi fundamental para a governabilidade.

E tivemos, sobretudo, essa incrível e corajosa militância do PT, que nunca nos abandonou.

Mas quando assumi o governo, o mundo era um. Pouco tempo depois, o mundo era outro.

A crise econômica e financeira internacional ameaçou não apenas a estabilidade das maiores economias, mas boa parte do sistema político e econômico mundiais.

Porém, o Brasil, dessa vez não se rendeu, não se abateu, nem se ajoelhou!

O Brasil soube defender, como poucos, o mais importante: o emprego e o salário do trabalhador — e foi o país que melhor venceu esta batalha!

Dessa vez, nós nos recusamos a fazer o que se fazia no passado.

Enfrentamos a crise apostando no futuro do Brasil, apostando na força do nosso povo.

Por isso, temos sido o país que mais está vencendo a luta contra a miséria e reduzindo a desigualdade.

O que consolidou o maior programa de habitação popular do nosso continente. O que implantou o maior programa de educação profissional de nossa história. O que levou médicos a todos os municípios brasileiros. O que melhorou a qualidade do ensino em todos os níveis. E acelerou os avanços de nossa infraestrutura física e social.

Fizemos muito, mas precisamos fazer muito mais.

Avançamos bem, mas certos obstáculos reduziram, algumas vezes, a nossa marcha.

Estas dificuldades e obstáculos são inerentes a todo governo de mudanças.

Mas o que nos faz governos de mudança é justamente a capacidade de vencer os obstáculos colocados pela vida e, também, pelas forças do conservadorismo

Companheiras e companheiros,

Porque o Brasil, desta vez, não se rendeu, nem se ajoelhou?

Porque nos recusamos a fazer o que se fazia no passado.

No passado, que a nossa oposição tanto defende, o Brasil se defendia das crises arrochando os salários dos trabalhadores, aumentando as taxas de juros a níveis estratosféricos, aumentando o desemprego, diminuindo o crescimento, vendendo patrimônio público.

E não se contentavam em vender o patrimônio do Brasil.

Alienavam, com essa política desastrosa, o futuro do País.

Alienavam o futuro do nosso povo.

E, o que é mais doloroso, a nossa esperança como Nação.

Desta vez, ampliando o que já fazíamos desde o governo Lula, enfrentamos a crise apostando no futuro do Brasil.

Apostando na força do nosso povo.

Assim, criamos 4,8 milhões de emprego, em meu governo. Juntos com os oito anos de Lula temos o recorde de mais de 20 milhões com carteira assinada.

Enquanto os outros países desempregavam, nós abríamos vagas de trabalho.

Foi por fazer diferente do passado, que também elevamos o poder de compra do trabalhador e da classe média .

Nos últimos 11 anos o salário do trabalhador teve um ganho real acima de 70%.

E essa política, que eles tanto combatem, vai continuar. Tenham certeza!

Foi por isso, que criamos uma nova e gigantesca classe média no Brasil. 42 milhões de brasileiros entraram, pela porta da frente, no mercado de trabalho e de consumo. Foi por isso que, Lula e eu, fizemos uma verdadeira revolução social no Brasil, retirando 36 milhões de brasileiros da extrema pobreza.

Ainda ontem reajustei os valores do Bolsa Família em 10%, de modo a assegurar que todos fiquem acima da linha da extrema pobreza, tal como a define a ONU.

Nos últimos 3 anos e 4 meses, foram implantadas 6 grandes melhorias no Bolsa Família que levaram a um aumento real no benefício de 44,3%.

E fizemos muito mais. Implantamos um amplo programa de investimentos públicos.

O Minha Casa Minha Vida já construiu cerca 1 milhão 650 mil lares para brasileiros pobres, realizando o sonho da casa própria para muita gente.

Com o pacto pela mobilidade urbana, já estamos investindo 143 bilhões que estão melhorando o transporte e o trânsito nas grandes cidades.

Com o pacto pela Saúde e o Mais Médicos estamos levando assistência básica à Saúde a todos os municípios do Brasil.

Em pouco mais de 8 meses, colocamos 14 mil médicos em 3866 municípios, garantindo cobertura de assistência médica para 49 milhões de brasileiros.

E isto, na periferia dos grandes centros, onde moram os trabalhadores e a nova classe média. No Nordeste, no Norte, nos distritos indígenas e nas áreas quilombolas e, no interior de nosso País.

Os médicos formados no exterior, que vieram com os Mais Médicos, falam a linguagem universal da solidariedade. O mais importante é que eles melhoram as vidas dos brasileiros.

Com o pacto pela Educação, o mais estratégico para o país, estamos fazendo um esforço monumental, que garantirá o futuro de cada brasileiro e brasileira e o futuro do País.

Com o Pronatec, o Prouni, o Fies e o Enem construímos, como nunca, um caminho de oportunidades e abrimos as portas da educação para jovens e adultos.

Com o Ciência Sem Fronteiras abrimos o mundo para nossos estudantes se aperfeiçoarem.

Quero reafirmar que, com a nossa decisão histórica de canalizar 75% royalties do pré-sal para a Educação e 50% dos recursos do pré-sal, vamos dar um salto de qualidade decisivo para a Educação pública do Brasil.

Nós também estamos empenhados na construção de um Estado realmente republicano, que seja eficiente e representativo de todos os interesses da população brasileira.

Isso é algo também inédito na história do Brasil.

Nesse ponto, é preciso dizer uma coisa com absoluta clareza e convicção: os governos do PT foram os que mais combateram e combatem a corrupção no Brasil.

Antes de nós, a corrupção era muitas vezes varrida para baixo do tapete. Engavetava-se muito. Investigava-se muito pouco.

Agora, que as gavetas foram abertas, tudo aparece e tudo é investigado.

Os que me conhecem sabem perfeitamente que nunca admitirei nenhum malfeito ou ilícito, venha de onde vier.

Eu sei que o que envergonha um país não é apurar, investigar, mostrar. O que pode envergonhar um país é não combater a corrupção, é varrer tudo pra baixo do tapete.

Companheiras e companheiras,

Não comprometemos o futuro do Brasil e do seu povo, como eles fizeram. Ao contrário, apostamos que o futuro do País está justamente na força do povo brasileiro.

Mas tem gente achando que é melhor voltar ao passado em que os pobres e a classe média nunca tinham vez.

São poucos os que querem isto. Mas tem amigos, que falam muito.

Nós somos muitos e por isso temos de falar muito mais.

Tem gente que acha, por exemplo, que o salário mínimo está muito alto. Que é preciso reduzi-lo.

Tem gente que acha que o desemprego está muito baixo e que é hora de aumentá-lo. Que trabalhador brasileiro está ganhando demais, que é hora de voltar a arrochar os salários.

Tem gente que acha que está na hora do Brasil voltar ter as taxas de juros estratosféricas do passado, para atrair investimento especulativos, facilitar a vida dos rentistas e dificultar o crescimento e a produção do Brasil.

Tem gente que acha que é preciso acabar com o programa de cotas para afrodescendentes nas universidades, como já tentaram acabar com o Prouni.

Com a desculpa de defender a meritocracia, eles defendem, na realidade, uma universidade para ricos e brancos.

Há forças políticas que detestam ainda mais os programas que tiram as pessoas da miséria.

Afinal, eles nunca se preocuparam com os pobres deste país, com a distribuição de renda, com a superação da miséria.

Mas essa é a nossa marca; é a nossa história.

Enfim, minha gente, tem gente que acha que o futuro do Brasil está no passado.

No passado injusto e atrasado (medíocre), o passado do arrocho, do desemprego, do Apagão, do FMI, da universidade para poucos, do rentismo, da venda do patrimônio público.

Não se enganem, essa é a agenda deles. É a agenda do retrocesso. É a volta do Brasil para poucos.

Companheiras e Companheiros,

Eu quero falar para vocês algo que está engasgado na minha garganta. Algo que está guardado no meu peito de cidadã brasileira.

Eu não fui eleita para arrochar salário de trabalhador!

Eu não fui eleita para virar as costas para os pequenos empreendedores do nosso País

Eu não fui eleita para desempregar trabalhadores e trabalhadoras do Brasil!

Eu não fui eleita para vender ou mudar o nome da Petrobras e entregar o Pré-sal!

Eu não fui eleita para mendigar dinheiro no FMI!

Eu não fui eleita para tornar a saúde do Brasil um privilégio de alguns!

Eu não fui eleita para fazer da Educação um caminho estreito!

Eu não fui eleita para varrer a corrupção para debaixo do tapete, como faziam!

Eu não fui eleita para colocar, de novo, o país de joelhos, como eles fizeram!

Eu não fui eleita para trair a confiança do meu povo!

Eu fui eleita para governar de pé e com a cabeça erguida. E é isso que eu vou continuar a fazer, ao lado do povo brasileiro e com a ajuda dessa militância incrível que sempre nos dá forças e inspiração!

​Companheiras e Companheiros,

Minha agenda é outra. É agenda de quem está, de fato, ao lado do povo do Brasil.

Minha agenda é a agenda do futuro. A agenda de quem já fez muito e, por isso, pode fazer muito mais.

Nós podemos fazer isso porque nós, do PT, somos a grande força política inovadora do Brasil.

É hora de avançarmos com as reformas profundas que tanto o Brasil precisa.

Isso começa com a reforma política, porque sem ela não construiremos a sociedade do futuro que o Brasil quer ver nascer.

Os nossos governos estão promovendo uma verdadeira transformação social no país e isso criou as bases cidadãs para a promoção de uma transformação democrática e política no Brasil.

Encaminhei ao Congresso Nacional uma proposta de consulta popular para que o povo brasileiro possa debater e participar ativamente da reforma política. Sempre estive convencida que sem a participação popular não teremos a reforma política que o Brasil exige.

Nossa missão, agora, é realizá-la.

Nessa nova campanha presidencial, colocaremos a reforma política como algo estratégico e decisivo para o futuro da democracia brasileira.

Companheiros e Companheiras,

O rancor que os saudosistas do passado têm de nós provém do nosso êxito, não do fracasso pelo qual eles tanto torceram e tanto torcem.

Nós mostramos que outro mundo é possível, que outro Brasil é possível.

Esse novo Brasil não aceitará retrocessos, mesmo que eles sejam travestidos de aparente novidade. Da estranha novidade de medidas que eles denominam de “impopulares” quando deveriam chamá-las “anti-populares”.

O Brasil não voltará no tempo. Não será conduzido pelo rancor, pelo ódio e o ressentimento.

Sabemos de onde viemos e sabemos para onde vamos. Temos a régua e o compasso das grandes lutas populares. Temos a bússola das eternas utopias libertárias e igualitárias. E, em nosso sangue, o sangue que muitos de nós derramamos, corre a democracia.

O único rumo possível para o Brasil é avançar ainda mais em direção a um futuro de maior igualdade, de mais oportunidades para todos, de maior distribuição da renda, de maiores salários para os trabalhadores, de mais direitos, de mais democracia, de mais educação e inovação. Para nós que sempre queremos e lutamos por mudança toda conquista é apenas um começo.

Quero dar uma palavra sobre a copa. Ela vai ser um sucesso. Quero transmitir a vocês um comentário feito para mim: “É engraçado, a gente adora futebol! Somos o país do futebol, a gente acompanha todas as Copas, torcendo e, se diverte. Agora que é aqui no Brasil não podemos aproveitar… Por quê? Porque a política não deixa… fica todo mundo criticando, falando mal da Copa…”.

O​ rumo do Brasil é o futuro desejado pela generosidade, a solidariedade e o amor do nosso povo, não o passado acalentado pelo rancor ou pelo ressentimento destes que já derrotamos em três eleições presidenciais e que derrotaremos, de novo, nesse próximo pleito.

Tenham certeza disso!

Porque desse novo Brasil que estamos construindo não há volta possível!

Vamos avançar no rumo certo!

Avançar sempre ao lado do povo!

VIVA O PT!

VIVA O BRASIL!

VIVA O POVO BRASILEIRO!
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Como os médicos agiram com JB nas dores nas costas e como agem com Genoino no coração danificado

O rei das licenças
Deu no Estadão em agosto de 2010, antes que Joaquim Barbosa se tornasse herói do jornal por conta de sua conduta no Mensalão.

Aspas e dois pontos.

“O ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, que está de licença por recomendação médica, alegando que tem um “problema crônico na coluna” e, por isso, enfrenta dificuldade para despachar e estar presente aos julgamentos no plenário do STF, não tem problemas para marcar presença em festas de amigos ou se encontrar com eles em um conhecido restaurante-bar de Brasília.”

“Na tarde de sábado (ontem), a reportagem do Estado encontrou o ministro e uns amigos no bar do Mercado Municipal, um point da Asa Sul. Na noite de sexta-feira, ele esteve numa festa de aniversário, no Lago Sul, na presença de advogados e magistrados que vivem em Brasília.”

“Joaquim Barbosa está em licença médica desde 26 abril. Se cumprir todos os dias da mais nova licença, ele vai ficar 127 dias fora do STF, só neste ano. Em 2008, ficou outros 66 dias licenciado. Ano passado pegou mais um mês de licença. Advogados e colegas de tribunal reclamam que os processos estão parados no gabinete do ministro.”

Na mesma ocasião, Reinaldo Azevedo, na Veja, publicou o seguinte.

“Seria o mínimo de consideração com a sociedade, com o erário, com os seus pares, com o Supremo, que o ministro Barbosa viesse a público dar uma explicação”, disse o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante Júnior. “Não há coerência entre a postura de não trabalhar por um problema de saúde, que é natural, qualquer pessoa pode ter, e de ter uma vida social onde isso não é demonstrado.”

Tudo isso para mostrar o seguinte: a extraordinária liberalidade que Joaquim Barbosa sempre demonstrou em relação a si mesmo nas questões médicas se tornou o oposto quando em questão está a saúde de Genoino.

E convenhamos: dores crônicas nas costas — devidas a excesso de peso e falta de alongamento, em geral — são infinitamente menos graves que cardiopatias.

Quais foram os médicos que foram tão generosos com Barbosa? Algum deles foi incumbido de avaliar Genoino?

Se eu fosse advogado de Genoino, averiguaria isso.

Seja como for,  existem duas realidades para JB. Uma, a dele próprio, plena de regalias, e não só médicas, aliás.

JB não hesitou, por exemplo, em apanhar um avião da FAB e enchê-lo de jornalistas que iriam aplaudir uma palestra insignificante que ele daria na Costa Rica. (O Globo estava presente, naturalmente. As Organizações Globo não tinham dinheiro para pagar a viagem de sua jornalista. Pausa para rir, ou chorar.)

Ninguém se indignou com o voo de Joaquim Barbosa, embora o de Renan tenha despertado centenas de artigos moralistas sobre o emprego do dinheiro público.

A segunda realidade, para JB, é a dos outros. Imagine se a cardiopatia fosse dele, e não de Genoino.

Se dores nas costas o levaram a faltar meses e meses, o que ele faria se seu coração estivesse danificado seriamente como o de Genoino?

Este é o presidente da corte surprema. Esta é justiça segundo Joaquim Barbosa.

Paulo Nogueira
No DCM
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Bruna Lombardi toma banho de gato contra o desperdício


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Ao vivo: Lula e Dilma no 14° Encontro Nacional do PT


 Transmissão encerrada 

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Vem mais pesquisa “espontânea” aí…A ordem é manter o fogo incessante.


Sábado sai nova pesquisa eleitoral para Presidente, desta vez da Sensus.

Não foi encomendada por ninguém, oficialmente.

É apenas uma “curiosidade” da empresa, no valor de R$ 110 mil reais.

Antes, a Sensus trabalhava para a Confederação Nacional dos Transportes, que a trocou pela MDA, cuja pesquisa saiu estes dias.

Na qual, aliás, pela primeira vez na história do Universo, desde o Big Bang, Aécio Neves cresceu, parecendo com de quatro a cinco pontos mais do que em qualquer outro levantamento.

Agora, sem contratante, tira do bolso.

Tudo em nome da ciência estatística.

Nada a ver, claro, com o interesse do tucanato e da mídia em manter o fogo permanente sobre Dilma Rousseff.

É que, como se sabe, o Brasil é um país onde a política é “limpinha” e as pesquisas são apenas, como se costuma dizer, “o retrato do momento”.

Algumas vezes com uma boa sessão de Photoshop.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Mais um editorial vazio da Folha


Hoje a Folha divulgou um editorial sobre o discurso de Dilma na televisão. Analisamos que foi dito e percebemos que as críticas são vazias. Aqui vão alguns exemplos:

1) “O conjunto da peça propagandística veicula mensagem clara, mesmo que inadvertida. Reeleita, Dilma Rousseff daria seguimento a programas que desarranjam as bases do crescimento da economia.”

OBS: Otávio Frias Filho se refere principalmente aos reajustes do salário mínimo acima da inflação, quando fala em “programas que desarranjam as bases econômicas do crescimento da economia”. Na visão da Folha, o aumento do salário mínimo acima dos ganhos reais de produtividade da economia estaria gerando inflação, sendo uma política insustentável no longo prazo. Vários economistas discordam dessa tese. O fato é que até agora essa política foi um sucesso, em 2002 o salário mínimo no Brasil era de 200 reais. Isso representava 57 dólares americanos. Hoje o salário mínimo é de 722 reais, que na taxa de câmbio atual, vale 298 dólares, ou seja, quase 6 vezes mais. É bom lembrar que quando Lula iniciou essa fórmula de reajuste do salário mínimo, ele foi bombardeado pela Folha, com as mesmas críticas que são feitas hoje.
O ponto principal que o editorial da Folha esqueceu de mencionar é que Aécio Neves e Eduardo Campos já anunciaram que vão manter essa política caso sejam eleitos. Não saiu no jornal uma linha criticando essa postura de ambos.

2) “Ao empregar de modo indevido um instrumento de comunicação oficial, e de modo agressivo, a presidente em nada colaborou para atenuar o acirramento de ânimos e partidarizou de maneira exacerbada o que deveria ser um meio de esclarecimento e debate públicos.”

OBS: Salta aos olhos o fato de que, quando Aécio Neves e seus aliados utilizaram a CEMIG para fazer campanha antecipada no mês passado, não teve um editorial da Folha criticando o ato. Além disso, a Folha mentiu e distorceu três vezes, só no mês de abril, declarações do ex-presidente Lula. Foi desmascarada com vídeos e audios das falas originais e se retratou na coluna “erramos”, que ninguém lê. Junto com o jornal” Estado de São Paulo”, ajudaram a propagar uma notícia mentirosa, de que a refinaria teria sido vendida à Astra por apenas 45 milhões de dólares, sendo que hoje já se sabe que a venda foi por 360 milhões de dólares. Junto com o jornal “O Globo” ajudou a espalhar um outro factóide, sobre um saque na conta de Pasadena, de 10 milhões de dólares. No mesmo dia já foi desmetida pelo blog da Petrobras, que demonstrou que a operação não passava de uma transferência comum, entre duas contas bancárias da própria Petrobras. A Folha também tem abusado do recurso de “falar em off” (para saber mais sobre as mentiras recentes da Folha,acesse o link: http://desmascarandoglobofolha.wordpress.com/2014/04/28/a-ma-fe-da-folha-com-lula-ja-chegou-ao-banditismo-foi-a-terceira-mentira-contra-ele-em-um-mes/)

Dessa forma, quem iniciou a partidarização de maneira exacerbada do debate político?



No DesmascarandoGloboFolha
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A questão ética do vídeo de Dirceu na prisão

Otavio Frias, diretor hereditário de redação da Folha
O episódio do vídeo de Dirceu na prisão oferece uma excelente reflexão sobre os limites da mídia.

Melhor: sobre a falta de limite.

Na Inglaterra, quando se soube que um tabloide de Murdoch invadira a caixa postal do celular  de uma garotinha sequestrada (e morta) a questão dos limites irrompeu fulminantemente.

Jornais podem tudo? Em nome do quê? De vender mais exemplares e enriquecer seus donos, fingindo que existe interesse público em qualquer coisa?

Na mesma semana em que a opinião pública inglesa ergueu sua voz de repulsa e de condenação à invasão do celular, Murdoch se viu obrigado a simplesmente fechar o jornal, que era o mais velho da Inglaterra.

Pediu desculpas, procurou os pais da menina com um cheque milionário — e mesmo assim virou, a partir dali, um pária entre os ingleses, depois de ser por décadas uma espécie de Roberto Marinho.

Voltou às manchetes apenas recentemente, e isso porque sua mulher o traiu com Tony Blair, de quem num diário que vazou elogiou o corpo “lindo”.

A Folha invadiu a privacidade de Dirceu de uma forma abjeta como se isso fosse absolutamente normal.

Ou os Frias e seus editores são péssimos jornalistas, sem qualquer noção, ou há algo de errado no manual de conduta da imprensa brasileira em geral.

A segunda hipótese é a mais real.

A Veja tentou invadir, algum tempo, um quarto de hotel em que Dirceu — sempre ele — se alojava em Brasília. A revista fez seu repórter se passar por gatuno.

Mais recentemente, a mesma Veja invadiu a privacidade de Dirceu na cadeia com fotos tiradas em condições ilegais e informações de escassa credibilidade.

Pode tudo?

Na Inglaterra, o caso da garotinha desencadeou imediatamente um debate sobre os limites da mídia.

Um juiz de ilibada reputação — não alguém como Gilmar, ou Fux, ou Barbosa — comandou um comitê destinado a rever o que a mídia pode e não pode fazer.

Uma das conclusões foi que a autorregulação fracassou. Fiscal (como a mídia alega ser) sem fiscalização acaba como contraventor.

Os britânicos estudam agora modelos de regulação que possam melhorar os padrões éticos da mídia. Como já escrevi aqui, a regulação dinamarquesa — sempre a Escandinávia — é uma referência nas modificações pelas quais seguramente passarão as regras para a imprensa no Reino Unido.

O Brasil vai ter que passar pelo mesmo, cedo ou tarde. As empresas de jornalismo defenderão seus interesses particulares (e muitas vezes escusos) contra os interesses da sociedade, mas em algum momento a opinião pública exigirá mudanças como aconteceu na Inglaterra.

O caso da Folha é particularmente ilustrativo. Tantos anos de ombudsman e não conseguiu ter uma ideia básica de ética que vede publicar um vídeo como o que mostra Dirceu na cadeia?

Há uma discussão adjacente aí.

O suspeito — suspeitíssimo — de ter passado o vídeo à Folha milita no PPS de Roberto Freire. Ele, o suspeito, é casado com uma apresentadora da CBN, Roseann Kennedy.

Não é o primeiro militante do PPS que aparece vinculado, indiretamente, ao jornalismo. Uma jornalista do Estadão que se notabilizou nos últimos tempos por ataques a Dirceu, Andreza Matais, é também casada com um militante do PPS.

Isso quer dizer que o PPS aparelhou a mídia.

Pior: a mídia gostou de ser aparelhada — ela que tanto fala no aparelhamento do PT.

Um dia, e o DCM batalhará para que isso seja quanto antes, a conduta da imprensa nestes nossos dias será vista com uma mistura de repulsa e surpresa, repulsa por razões óbvias, surpresa porque as pessoas se perguntarão como tanta canalhice pôde ser tolerada.

Paulo Nogueira
No DCM
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Paulinho, da Força, é condenado por mau uso de dinheiro público

 Publicado 09/03/2011 

Deputado e outras nove pessoas são considerados culpados por superavaliação de valor destinado em 2001 a projeto de assentamento no interior paulista

Paulinho é acusado de usar dinheiro público
para um projeto de reforma agrária inviável
Foto: Regina de Grammont
São Paulo – O deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), e outras nove pessoas foram condenados pela Justiça Federal de Ourinhos (SP). A acusação é de que o parlamentar, presidente da Força Sindical, obteve R$ 3 milhões de financiamento público para um projeto de assentamento considerado inviável. Paulinho e a Força Sindical informaram, por meio de sua assessoria, que não vão se pronunciar sobre o assunto.

O assessor de Paulinho João Pedro de Moura, o ex-prefeito de Piraju Maurício de Oliveira Pinterich e ex-subprefeito do Butantã, na capital paulista, também foram condenados. O Ministério Público Federal, responsável pela ação, indica que houve superavaliação de um terreno de 302 hectares em Piraju, no interior paulista, na operação de compra financiada pelo Banco da Terra, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, em 2001. A Fazenda Ceres, segundo avaliação judicial, valia R$ 1,3 milhão, mas foi adquirida por R$ 2,3 milhões.

A Força Sindical tinha assento no conselho do banco, representando-o nas operações em São Paulo, e participava do Programa de Reordenação Fundiária (PRF), motivos que levaram à inclusão de Paulinho na ação. A conclusão das investigações é de que trabalhadores rurais foram induzidos a criar uma associação de agricultores às vésperas do fechamento do negócio. O tamanho total da propriedade é insuficiente para assentar 72 famílias, como constava do projeto inicial, o que é agravado pelo fato de metade da área ser de preservação permanente, impossível de ser ocupada. A perícia indicou que apenas 17% do território era cultivável, e ainda assim com muitas restrições devido à ondulação do terreno.

Pela sentença, Paulinho fica impedido de contratar com o poder público durante cinco anos ou ou receber benefícios fiscais por cinco anos. Por outro lado, não foi atendida a solicitação de que ele perdesse os direitos políticos, uma vez que não atuava na ocasião como deputado, mas como presidente da Força Sindical. Paulinho não foi encontrado pela reportagem para comentar o assunto. O deputado, Pinterich e os peritos que superavaliaram o terreno terão de ratear uma multa de aproximadamente R$ 1 milhão. O ex-proprietário da Fazenda Ceres, que lucrou com a avaliação exagerada de valor, é outro que terá de ressarcir os cofres públicos.

João Peres
No RBA
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Discurso do cambaleante candidato Aécio Neves empolga Força Sindical

Com esse discurso, o cambaleante candidato tucano Aécio Neves conseguiu "palanque" e apoio da Força Sindical do Paulinho.


Stanley Burburinho
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Não somos macacos

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Entrevista com Glenn Greenwald


O Observatório da Imprensa exibe entrevista especial com o jornalista Glenn Greenwald, vencedor do Pulitzer pela reportagem sobre as escutas da Agência de Segurança Americana, NSA.

Durante o ano passado, ele publicou no jornal inglês The Guardian as denúncias do ex-agente da CIA, Edward Snowden. As reportagens contaram os detalhes do programa de espionagem da Agência que recolheu milhões de dados telefônicos e e-mails de cidadãos americanos e de outros países. Este mês, Greenwald recebeu também o prêmio George Polk de Reportagem de Segurança Nacional, junto com Laura Poitras.

Na entrevista ao apresentador Alberto Dines, o jornalista contou como conheceu Edward Snowden e também sobre as possibilidades de um país latinoamericano conceder asilo ao ex-agente, que hoje está na Rússia.

Com entusiasmo, Glenn Greenwald detalhou o seu mais recente empreendimento: o site de notícias The Intercept, uma plataforma do First Look Media, projeto financiado pelo fundador do e-Bay, Pierre Omidyar.

Ao final, ele foi categórico ao afirmar que "no jornalismo sempre existem riscos e, se você não aceitar isso, você não deve ser jornalista".

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A certeza da impunidade

Trecho de uma reportagem publicada pelo Globo na edição de quinta-feira (1/5) esclarece como os operadores de crimes financeiros se sentem seguros e confortáveis em suas atividades. A personagem principal da história é a doleira Nelma Kodama, considerada responsável por uma das quatro maiores centrais de movimentação ilegal de moeda estrangeira no Brasil.

O texto relata que a doleira cansou de ver sua casa de câmbio, em Santo André, na região metropolitana de São Paulo, ser devassada pela polícia, e agora recebe seus clientes num imóvel dissimulado como restaurante chinês. Ali não existe a hipótese de se apreciar os rolinhos primavera, ou, como diz a repórter, “comer sukiyaki é bem difícil”: o que a casa oferece é câmbio de moedas. Segundo o Globo, seus clientes costumam entregar a ela grandes somas, em alguns casos volumes com mais de R$ 100 mil, e circulam em seu esquema pelo menos R$ 4 milhões por mês.

A doleira foi apanhada com 200 mil euros escondidos sob a roupa, durante a Operação Lava-Jato, que trouxe novamente às primeiras páginas o nome de Alberto Youssef, apontado como o articulador da principal quadrilha que se dedica à lavagem de dinheiro em contas no exterior.

A Polícia Federal afirma que, somente entre maio e novembro de 2013, ela remeteu ilegalmente para fora do país um total de US$ 5,2 milhões, usando 91 operações fictícias de importação, para as quais utilizou apenas uma de suas várias empresas de fachada. Foi apanhada em flagrante quando tentava embarcar para a Europa com os 200 mil euros porque, segundo a imprensa, detalhes sobre a Operação Lava-Jato haviam vazado dos inquéritos sigilosos.

O Estado de S.Paulo e a Folha de S.Paulo noticiam, também na quinta-feira (1/5), que Alberto Youssef e Nelma Kodama planejavam fugir porque souberam que a investigação iria resultar na prisão dos dois. Gravações de conversas entre os doleiros revelam, segundo os jornais, que eles tinham um helicóptero preparado para retirá-los de cena.

Material de campanha

Deixemos de lado, por enquanto, o noticiário sobre o suposto vazamento de informações de um inquérito da Polícia Federal, porque não contém qualquer novidade: a longa carreira dos grandes lavadores de dinheiro, sob a mais límpida impunidade, só pode ser explicada pela certeza que eles sempre tiveram de que o esquema está resguardado pela omissão ou a cumplicidade de autoridades. Fiquemos, então, com o relato do Globo sobre o perfil da doleira Nelma Kodama, cuja fonte parece ser a Polícia Federal.

Espanta, nessa reportagem, como ela movimenta tanto dinheiro há tanto tempo, tendo sido investigada já em 2006, durante a CPI dos Bingos, e sendo considerada pela polícia como uma das maiores operadoras do câmbio ilegal no país. Gravações cujo conteúdo é citado pela repórter do jornal carioca mostram que a doleira trata sua situação com ironia: numa das conversas, ela diz que não possui bens em seu nome — o que tem de seu é apenas um chip de telefone celular.

No processo em que aparece como ré, na Justiça Federal do Paraná, busca-se o paradeiro de nada menos do que R$ 103 milhões, que passaram por oito empresas de fachada e seis contas bancárias controladas por ela em nove países. Trata-se, portanto, de um esquema amplo, que, como já foi revelado em outras operações policiais, envolve políticos de vários partidos, empresários, atletas de futebol, artistas, publicitários e muito mais.

O texto do Globo reforça a ideia de que a Operação Lava-Jato levanta apenas uma borda do amplo tapete sob o qual se esconde o dinheiro da corrupção, da sonegação, da evasão de lucros e provavelmente também do tráfico de drogas. No entanto, o que diz o título da reportagem que traça o perfil da acusada? Diz assim: “A doleira que teria trabalhado para o PT”.

Ou seja, usa-se como fonte um inquérito que já virou processo judicial, no qual se revela um amplo e diversificado esquema criminoso, e o jornal joga toda a suspeição num único partido.

Por que não dizer “a doleira que trabalhou para políticos e empresários”? Porque a imprensa não tem interesse em desvendar o grande esquema de lavagem de dinheiro, mas usar uma parcela das informações para apontar o dedo em uma direção específica. Afinal, é desse material jornalístico que se municiam os marqueteiros de campanha.

Luciano Martins Costa
No OI
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“Divulgação é tão ilegítima quanto a própria gravação”


Confiram a carta de Ednilson Machado enviada à Folha de S. Paulo:

A divulgação do vídeo feito clandestinamente no interior de uma ala onde José Dirceu cumpre pena no Complexo da Papuda é mais uma violação legal cometida contra o ex-ministro. A Lei de Execuções Penais é clara ao garantir aos presos “proteção contra qualquer forma de sensacionalismo” (artigo 41, inciso VIII). A divulgação por parte do Grupo Folha é tão ilegítima quanto a própria gravação. A cobertura da Folha sobre a vistoria da comitiva de deputados da Comissão de Direitos Humanos da Câmara foi tendenciosa, tanto na edição impressa quanto na on-line ao privilegiar a versão da oposição sobre as supostas regalias (não há, por exemplo, micro-ondas na cela).

EDNILSON MACHADO, assessor de imprensa do ex-ministro José Dirceu (São Paulo, SP)
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Vacas saltam de alegria ao serem libertadas num campo verdejante


É contagiante a alegria notória destes animais ao serem libertados num campo verdejante após terem estado fechadas entre quatro paredes durante um longo inverno.

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