29 de abr de 2014

Três homens e uma sentença: a absolvição de Gentili no caso em que ofereceu bananas a um negro

1) Na Espanha, o torcedor do Villarreal que atirou uma banana para Daniel Alves foi banido do estádio El Madrigal.

O time liberou um boletim oficial:

“O Villarreal quer comunicar que lamenta e rechaça profundamente o incidente ocorrido ontem (domingo) na partida contra o Barcelona, na qual um torcedor atirou um objeto sobre o campo de jogo. Obrigado à equipe de segurança e à estimável colaboração exemplar da torcida amarela. O clube já localizou o autor e decidiu retirar o carnê e proibir o acesso ao estádio El Madrigal por toda a vida”.

O Villarreal ainda corre o risco de ser punido pela federação espanhola de futebol.

2) Nos EUA, Donald Sterling, dono do Los Angeles Clippers, foi flagrado numa conversa de teor racista com a namorada V. Stiviano.

O empresário lhe dava uma dura por publicar uma foto ao lado de Magic Johnson no Instagram. “Fico muito incomodado em você querer aparecer ao lado de pessoas negras. Por que você faz isso? Você pode dormir [com eles], pode fazer o que quiser. A única coisa que peço é que não divulgue isso. E não os traga aos meus jogos”.

Houve uma onda de indignação parecida com a que se seguiu ao ocorrido com Daniel Alves. Obama se declarou enojado. Os atletas dos Clippers usaram meias pretas e camisas do avesso em protesto.

Sterling foi suspenso para sempre da NBA e terá de pagar uma multa de 2,5 milhões de dólares (em torno de 5,5 milhões de reais). Ele também não poderá frequentar nenhuma quadra da liga de basquete em dias de jogos ou treinos.

3) No Brasil, a 10ª Vara Criminal da Justiça do Estado de São Paulo absolveu Danilo Gentili da acusação de racismo.

Em 2012, após uma troca de posts com o redator Thiago Ribeiro, Gentili escreveu o seguinte: “Quantas bananas você quer para deixar essa história para lá?”. Thiago entrou com um processo.

O juiz Marcelo Matias Pereira não enxergou intenção de ofender. Sua sentença é uma pérola: “Não comprovado este animus, não há que se falar em crime contra a honra”.

“Se a afirmação do réu tivesse sido feita em uma situação completamente descontextualizada, fora do ambiente em que costuma criar piadas com os ‘posts’ de seus seguidores, poderíamos pensar naquele intuito de ofender”.

“Seria necessário algo a mais do que uma piada grosseira e infeliz, vale dizer, um intuito de realmente ofender a vítima, desqualificando-a pela cor de sua pele, o que não ocorreu no caso em questão”.

Como Thiago já se autointitulara “King Kong”, estava tudo liberado. “São pelo menos três mensagens que o ofendido dizia ser um ‘King Kong’, bem como que iria fazer o réu pagar por supostos crimes cometidos”.

O juiz Pereira se permitiu apenas uma chamada paternal no humorista: “O réu tem que entender que há limites para as brincadeiras, ainda mais quando direcionadas a um indivíduo específico”.

* * *

Além da derrota, Thiago Pereira está sendo xingado pelas horas de fãs do comediante. Nas redes sociais, um deles já escreveu que ele merece ser chicoteado. Outro, que, se ele quer aparecer, coloque uma banana no pescoço. E por aí vai.

Thiago avisou que, agora, vai “processar Gentili, Band e o Estado! Sem mais!” Provavelmente, vai ganhar mais uma banana, só que da Justiça brasileira.

Kiko Nogueira
No DCM

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Parlamentares do PPS e PSDB partidarizam vistoria na Papuda, diz Jean Wyllys

Eles: Jordy e Gabrilli
Os cinco deputados da Comissão de Direitos Humanos e Minorias que vistoriaram hoje as condições em que se encontra preso o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu não encontraram nada que pudesse ser considerado regalia em relação aos outros detentos da Penitenciária da Papuda, em Brasília. Dirceu está numa cela comum, possui inclusive menos objetos que outros presos — apenas uma televisão pequena e livros — e faz os mesmos trabalhos que os demais presos, como lavar o pátio do presídio. No entanto, na saída da penitenciária, diante das câmeras de TV, a deputada tucana Mara Gabrilli afirmou o contrário: que a cela de Dirceu é maior que as dos demais e que ele dispõe de várias regalias. O mesmo fez o deputado do PPS, Arnaldo Jordy. Os repórteres, à espera dos parlamentares na saída da Papuda, nem sequer deram a devida atenção aos demais deputados, Jean Wyllys (PSOL), Luiza Erundina (PSB) e Nilmário Miranda (PT), como se só quisessem ouvir o que lhes interessava ouvir.

“Na minha opinião, infelizmente a Mara e o Jordy resolveram partidarizar a questão. A Mara foi enfática ao dizer aos jornalistas que a cela de Dirceu é ‘ampla e iluminada’, sendo que nem pôde entrar no local, porque a cadeira de rodas não permitia a passagem”, disse Wyllys. “Respeito muito a Mara, mas ela não visitou a cela. Acho estranho afirmar categoricamente uma coisa sem ter entrado. Ficou na porta.” Segundo Wyllys, a cela de Dirceu está cheia de infiltrações e é compartilhada com outros presos, que não estavam presentes porque, ao contrário dele, receberam o benefício de sair para trabalhar. “Não tem privilégio algum, aquilo lá é um horror. O próprio Ministério Público apontou isso, é um absurdo dizer o contrário. Eu não tenho relação alguma com Zé Dirceu, meu partido faz oposição ao PT e posso afirmar o que vi com meus próprios olhos: não existem regalias.”

Os deputados puderam checar a veracidade da história divulgada pela imprensa de que José Dirceu teria comido feijoada, o que seria uma “regalia”. Na verdade, Dirceu comprou uma lata de feijoada na cantina do presídio, o que é possível a qualquer detento. Durante as visitas, os presos podem receber dos familiares até 125 reais em dinheiro para gastar dentro da Papuda. Absolutamente todos podem fazer isso, de acordo com a direção da penitenciária, que também explicou aos deputados que as diferenças entre as celas são estabelecidas de acordo com a periculosidade do detento. Por exemplo: se a direção considerar que determinado preso pode queimar um colega, não recebe autorização para possuir um forno em sua cela. “É este o critério”, disse Wyllys. Dirceu está magro, porém com postura “digna”, nas palavras do parlamentar.

No último dia 14, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deu parecer favorável a que Dirceu, preso desde novembro do ano passado, saia para trabalhar durante o dia — direito que possui qualquer condenado ao regime semiaberto, como ele, mas que lhe tem sido negado pelo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, em razão das supostas “regalias” apontadas pela imprensa. O ex-ministro pediu para trabalhar como auxiliar em um escritório de advocacia em Brasília. Resta saber como ficará sua situação agora, com três deputados dizendo que o ex-ministro não possui regalias e dois outros, da oposição, dizendo que sim. Barbosa liberará Dirceu para trabalhar ou atenderá à mídia e à oposição e o manterá encarcerado, ao arrepio da lei?

Cynara Menezes
No Socialista Morena

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Ustra soube antes da morte de Malhães

Site de torturador noticiou 31 minutos ​na frente


Do infatigável Stantley Burburinho:​

Rio – Entre as primeiras pessoas que souberam da morte do coronel reformado do Exército Paulo Malhães na sexta-feira está o também coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-comandante do DOI-Codi de São Paulo (1970-1974). O DIA descobriu no Twitter do site de Ustra “A Verdade Sufocada” uma postagem sobre o assassinato de Malhães às 13h08 — 31 minutos antes da primeira notícia em página de empresa jornalística, às 13h39. O site “A Verdade Sufocada” tem o mesmo nome do livro escrito por Ustra, com sua versão sobre a repressão.

No site de Ustra, a informação sobre a morte do coronel Malhães foi divulgada às 13h08 da sexta-feira Foto: Reprodução Internet

A postagem no Twitter traz um link para a matéria no site do militar. A notícia diz que Malhães foi morto com quatro tiros. Há também uma referência ao assassinato do coronel Júlio Molinas Dias em 2012, e que ele guardava em casa documentos do caso Rubens Paiva.

A polícia informou na sexta-feira que o corpo de Malhães tinha sinais de asfixia. A viúva, Cristina, contou que os bandidos cortaram o telefone da casa. O coronel Ustra mora em Brasília.

O coordenador da Comissão Nacional da Verdade, Pedro Dallari, considerou a informação importante para as investigações. “Esse levantamento vai ser importante. Acredito que vão ter que ouvir pessoas em função disso. É uma informação relevante”, afirmou Dallari, que ressaltou que todas as hipóteses devem ser investigadas.

O assessor da Comissão da Verdade de São Paulo Ivan Seixas disse que o site é uma referência entre os militares. “É a mais importante referência dos torturadores. É altamente suspeito ter essa notícia antes mesmo da própria imprensa. Isso chama a atenção e acho que devíamos exigir que a PF entre no caso”, observou Seixas.

Durante entrevista ao DIA em março deste ano, Malhães contou que ele e Ustra tinham trabalhado juntos em algumas operações. Ustra também prestou depoimento à Comissão da Verdade, em maio de 2013. Na ocasião, negou sua participação em torturas e assassinatos.

Procurado para falar sobre o caso do coronel Paulo Malhães, Brilhante Ustra não retornou até o fechamento da edição.

MPF apreende documentos e computadores

O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro e a Polícia Federal cumpriram ontem mandado de busca e apreensão na casa do coronel reformado Paulo Malhães, em Marapicu, em Nova Iguaçu.

Durante as buscas foram apreendidas três computadores, mídias digitais, agendas e documentos do período da ditadura, inclusive relatórios de missões das quais Malhães participou.

O mandado, feito no sábado por procuradores da República do grupo de trabalho Justiça de Transição, foi concedido pelo juiz federal Anderson Santos da Silva. Segundo o MPF, o objetivo era apreender documentos e possíveis provas que possam contribuir para a elucidação de crimes cometidos por servidores públicos durante a ditadura militar.

Paulo Malhães foi agente do Centro de Informações do Exército na década de 1970. Os procuradores já investigavam o militar devido aos relatos em que confessou ter torturado e assassinado presos políticos.

Em dezembro de 2013 e março de 2014, o MPF tentou, inclusive, intimá-lo a depôr, mas o militar recusou-se a receber a intimação. A recusa foi antes de ele ser ouvido pela Comissão Nacional da Verdade (CNV).

Em março, antes do depoimento à CNV, Malhães admitiu ao DIA que participara de torturas e mortes durante a ditadura e que integrara uma missão em 1973 para desenterrar e ocultar a ossada do ex-deputado federal Rubens Paiva, desaparecido dois anos antes.

/Dica @mariolobato -

http://mariolobato.blogspot.com.br/2014/04/noticia-da-morte-do-coronel-paulo.html?utm_source=dlvr.it&utm_medium=twitter

http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2014-04-29/noticia-da-morte-do-coronel-paulo-malhaes-saiu-primeiro-em-site-de-militar.html

No Conversa Afiada
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Como os grandes grupos de mídia recebem publicidade oficial sem a Certidão Negativa de Débitos

Recebo de um colega que trabalhou como secretário de um município rico no estado de São Paulo um relato que reproduzo aqui.

FLM me contou de sua rica experiência com alguns grandes grupos de mídia e de sua surpresa com um dado: eles não precisam de Certidão Negativa de Débitos, a CND, para receber verbas públicas — no caso, de publicidade. A CND é necessária para qualquer fabricante de, digamos, pregos.

Como isso é possível? Porque eles usam agências com fichas limpas como intermediários.

A seguir, o relato de FLM:

Uma casa de abrigo de idosos na zona leste paulistana, região mais populosa e com carências sociais exacerbadas, corria o sério risco de fechar suas portas. Uma senhora aposentada, que assumiu a presidência da entidade mantenedora do abrigo no final do ano passado após desvios da diretoria passada, descobriu que o repasse mensal da verba ­­— fruto de um convênio com a prefeitura — foi suspenso pela falta da Certidão Negativa de Débitos, popularmente conhecida como CND, para quem recebe pagamentos de órgãos públicos.

Dona Julia contava com a solidariedade e a doação de comerciantes da região para continuar atendendo 70 idosos após constatar que a exigência da CND é uma barreira legal intransponível para receber o repasse mensal da prefeitura. Acórdãos das mais altas cortes e jurisprudência do Tribunal de Contas da União eram inquestionáveis diante do apelo social da senhora aposentada.

Afinal, o texto é claro e direto: o pagamento de verba pública está condicionado à regularidade do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), como, por exemplo, não existir débitos com a Fazenda Federal, Estadual e Municipal.

Dona Julia não perdeu a esperança em recuperar a CND da entidade, cogitando até um empréstimo pessoal para quitar os impostos atrasados. Uma saída financeira a contragosto da família e sem nenhuma projeção de reembolso por parte da diretoria.

Mas o que diriam juízes das mais altas cortes, juristas e representantes do poder público se dona Julia apresentasse sua fatura para receber, mesmo sem a CND, sendo proprietária de um veículo de comunicação? Esqueçam os acórdãos e as jurisprudências, pois o valor seria pago legalmente por intermédio das agências de publicidade contratadas pelos órgãos públicos.

Dona Julia, representando agora uma confessa devedora de impostos, seria beneficiada por uma brecha legal. Os barões da mídia brasileira que fazem fortunas com verbas publicitárias públicas não precisam preocupar-se com a famosa CND para receberem suas gordas fatias.

Lembram-se da barreira legal intransponível? As agências de publicidade são uma espécie de trampolim para os veículos de comunicação. Não é bem um milagre, já que está escrito nos contratos dos órgãos públicos com as agências de publicidade.

A obrigação em manter a regularidade fiscal é da agência de publicidade, pois cabe somente a ela manter sua CND em dia para fazer o repasse milionário das verbas publicitárias públicas aos veículos de comunicação.

A senhora aposentada aprendeu como driblar as instransponíveis barreiras legais ao participar de um evento beneficente com a presença de vários barões da imprensa brasileira. 

Convidada a sentar em uma mesa com desconhecidos, logo reconheceu na figura de um empresário, ao seu lado, um famoso participante de recentes escândalos nacionais. Suspeitas de caixa dois, corrupção, sonegação fiscal e tráfico de influência em negócios com o poder público nunca foram problema para abastecer seu jornal de generosas verbas publicitárias governamentais.

Ao degustar um cálice de vinho do porto após a refeição, o empresário sentiu-se confortável para ensinar Dona Júlia. Direto e didático, como o curto espaço de tempo do homem de negócios exige, explicou que a exigência da CND só era problema para os contratos diretos de suas empresas com o Poder Público. No caso do jornal, só precisava publicar notícias negativas dos governantes que logo negociariam fatias maiores de dinheiro para diminuir a onda negativa.

Fatores técnicos, como tiragem do jornal, número de assinantes ou vendas em bancas ficam excluídos da negociação, já que o repasse de verbas atenderia o critério político, disse a Dona Julia. Mas e a exigência da CND para receber as verbas públicas?, reforçou a senhora, lembrando da sua angústia inicial.

“Não precisa, devo imposto em tudo que é lugar, tenho ações trabalhistas de ex-funcionários”, rebateu o empresário. “A agência de publicidade nos repassa o dinheiro e nossa única preocupação legal é demonstrar a publicação do anúncio com a verba pública”.

Ao chegar do almoço, Dona Julia convocou sua diretoria para anunciar mudanças de planos. Ela pretende, agora, abrir um pequeno jornal, na esperança de que possa receber uma pequena fatia da milionária publicidade pública.

O jornal seria mensal, com poucas páginas e nenhuma preocupação com o leitor ou a audiência. Afinal, a verba da publicidade seria revertida para manter aberto o abrigo de idosos, já que para sua entidade continua sendo impossível receber recurso público sem a famosa CND.

Kiko Nogueira
No DCM
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O discurso de Collor: Resgate da História

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O Globo tem pressa em atacar Dilma e erra até o ano da eleição


Alguém precisa avisar ao pessoal de O Globo que a eleição é agora em 2014, e que na recente Pesquisa CNT, a presidente Dilma continua vencendo a eleição ainda no primeiro turno, sendo portanto, MENTIRA que a atual pesquise aponte segundo turno.

Matéria da Agência Brasil traz a pesquisa sem apresentar falsas Manchetes e interpretações duvidosas

Avaliação do governo Dilma cai 3,5 pontos percentuais entre fevereiro e abril
29/04/2014 - Brasília
Carolina Sarres - Repórter da Agência Brasil Edição: Davi Oliveira

A avaliação do governo da presidenta Dilma Rousseff caiu entre fevereiro e abril deste ano, segundo pesquisa divulgada hoje (29) pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). Há dois meses, 36,4% da população avaliavam positivamente o governo. Em abril, esse percentual caiu para 32,9%. A avaliação negativa do governo, em contraponto, aumentou, alcançando 30,6%, contra os 24,8% da pesquisa anterior. O desempenho pessoal da presidenta também oscilou para baixo, passando de 55% para 47,9%.

Com relação à corrida eleitoral, a presidenta Dilma Rousseff mantém a liderança nas pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais de 2014, com 20,5% nas intenções de voto espontâneas (quando não são sugeridos nomes de candidatos aos entrevistados), segundo a pesquisa. Na sondagem anterior, em fevereiro, Dilma tinha 21,3% das intenções de voto.

De acordo com o documento, nas intenções de voto espontâneas, a presidenta está à frente do senador Aécio Neves (9,3%), do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (6,5%), da ex-senadora Marina Silva (4,5%) e do ex-governador Eduardo Campos (3,6%). Em fevereiro, Aécio tinha 5,6% das intenções; Lula, 5,6%; Marina, 3,5%; e Eduardo Campos, 1,6%.

Os pesquisadores da CNT entendem que o cenário para as eleições deste ano mostram a "arrancada de Aécio Neves e de Eduardo Campos, no momento em que ambos começam a capitalizar votos que a presidente Dilma vem perdendo" e concluem que, "com isso, aumenta-se a possibilidade de segundo turno".

Para a CNT, a deterioração das expectativas da população em relação a índices sociais e a vinculação do governo ao caso da compra da Refinaria de Pasadena pela Petrobras contribuíram para a queda das intenções de voto e a migração para os candidatos da oposição.

Quando a pesquisa pede que o eleitor vote em um cenário em que Dilma concorre com Aécio Neves e Eduardo Campos em primeiro turno, a presidenta alcança 37% das intenções de voto, contra 21,6% e 11,8% dos concorrentes, respectivamente. Em fevereiro, contra os mesmos candidatos, Dilma estava com 43,7% das intenções.

Em um possível segundo turno contra Aécio, Dilma venceria com 39,2% das intenções, contra 29,3% do oponente. Com relação a Eduardo Campos, a presidenta venceria com 41,3%. Caso Aécio Neves e Eduardo Campos se enfrentassem em um segundo turno, Aécio venceria com 31,3% dos votos contra 20,1%.

A pesquisa da CNT ouviu 2.002 pessoas entre os dias 20 e 25 de abril, nas cinco regiões brasileiras, em 137 municípios de 24 unidades da Federação. A margem de erro é 2,2 pontos percentuais.

No 007BONDeblog
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A bananização do racismo


Não gosto muito de escrever textos assim, no calor do momento, mas acho que dessa vez vai com emoção mesmo, porque o caso passou dos limites. Principalmente porque seria melhor esclarecer vários pontos dessa história, que não é tão simples como parece. Por enquanto, o que se sabe é que a ideia partiu do pai do Neymar, que me parece ser também quem gerencia seus negócios: “O pai do Neymar nos telefonou e pediu que criássemos alguma coisa. Surgiu essa ideia de que a melhor maneira de acabar com o preconceito é usar isso”, http://www1.folha.uol.com.br/esporte/folhanacopa/2014/04/1446747-campanha-inciada-por-neymar-contra-o-racismo-foi-criada-por-agencia.shtml disse Guga Ketzer, sócio e vice-presidente de criação da agência Loducca, que é responsável por essa campanha envolvendo Neymar e auxilia o jogador em relação à publicidade.


Campanha que, aliás, Guga Ketzer tenta revestir de outro nome, mais palatável, chamando-a de “movimento”.


Talvez, inclusive, para pegar carona na ideia de movimento negro. Segundo ele, a campanha criada pela agência, junto com o staff de Neymar, não tem teor publicitário, pois não estão vendendo nada. Ora, mas é exatamente esse o princípio das agências de publicidade, que conheci bem trabalhando na área por mais de 13 anos: vender alguma coisa enquanto fingem que estão prestando um favor. É claro que estão vendendo a imagem de seu cliente como o garoto propaganda do antirracismo na Copa, já que tem sido amplamente divulgado que esse seria o mote, “Copa Contra o Racismo e Pela Paz”. Eu, com certeza, aplaudiria a atitude de Neymar e de seu pai se, em vez de procurarem uma agência de publicidade (será que pagaram pela campanha, receberam, ou foi na base de troca de visibilidade?), procurassem instituições ou pessoas que entendem de luta antirracista. Ou usassem o prestígio do jogador para colocar a agência a serviço dessas instituições. Porque o que se viu foi um case de grande alcance, e com um resultado extremamente danoso para quem leva a luta à sério e não apenas na época em que dá visibilidade.

O ativista Douglas Belchior explica: “O racismo é algo muito sério. Vivemos no Brasil uma escalada assombrosa da violência racista. Esse tipo de postura e reação despolitizadas e alienantes de esportistas, artistas, formadores de opinião e governantes tem um objetivo certo: escamotear seu real significado do racismo que gera desde bananas em campo de futebol até o genocídio negro que continua em todo o mundo.”


Pois é. E é essa atitude despolitizada da agência de propaganda de Neymar, comprada por milhares de pessoas a quem o racismo diz muito pouco, porque não os fere diretamente, que gera “conceitos” e certezas assim, ditas por seu sócio e vice-presidente de criação: “Descobrimos que a melhor forma de combater o racismo seria ridicularizar os racistas”. Ou seja: esse bando de negros incompetentes, há séculos tentando achar daqui e dali uma maneira de combater o racismo, ainda não havia descoberto a moderníssima técnica de ridicularização da qual são vítimas quase que diariamente. Ou ainda: “É uma maneira brasileira de lidar com isso. Tem um problema? Então me dá aqui que eu vou comer. (…) É uma coisa bonita.”. É lindo mesmo ver mais um branco dizendo quem é brasileiro e quem não é, porque muitos movimentos negros, nos quais atuam brasileiros, querem mesmo é não ter que engolir mais racismo. Mas esse, de acordo com Guga Ketzer, é mesmo o nosso destino: “Como quando somos crianças e sofremos com um apelido. Se você se incomodar muito ele com certeza vai pegar. Por isso a nossa ideia era de não fugir da briga, de encarar a polêmica e engolir o problema.”


Na boa, fico aqui me perguntando se já tinha sido combinado antes que o próximo jogador que fosse vítima de uma bananas iria comê-la, porque me parece tudo muito orquestrado. Pode ser paranoia minha, claro, mas esse discurso de engolir parecia já estar pronto… E haja garganta e estômago! Que não são os de Guga Ketzer, claro. Porque, para essa campanha, ele apenas empresta o cérebro, para resolver tudo e de uma vez, por nós: “A melhor maneira de acabar com preconceito é tirar a palavra. Disso, veio a ideia de criar um ícone para expressar isso, que é a pessoa comendo a banana” http://www.meioemensagem.com.br/home/comunicacao/noticias/2014/04/28/Todos-somos-macacos-e-acao-da-Loducca.html&utm_content=#ixzz30EhJ0DFl

É isso, pessoal, simples e direto. Leiam novamente: a melhor maneira de acabar com o preconceito é tirar a palavra. Daí a ideia de criar um ícone para expressar isso: a pessoa comendo banana. Não dá nem pra rir desse conceito porque o caso é grave. Milhares, talvez milhões, de pessoas compraram a ideia de que estão fazendo alguma coisa relevante e decisiva para a causa antirracista exibindo suas fotos comendo banana. Será que Ketzer perguntou a seus funcionários negros (sim, eles sempre são chamados para validar uma atitude do patrão branco, numa versão corporativa do “tenho amigos negros”) o que eles achavam da ideia?

Ideias… Recentemente participei de uma reunião com a presidente Dilma. Fomos convocados praticamente de um dia para o outro, através da SEPPIR, sem saber muito bem o motivo. O que nos foi passado é que a presidenta estava convocando uma reunião com ativistas dos movimentos negros. Apenas isso. Sobre o que aconteceu lá, deixo os textos do Douglas Belchior http://negrobelchior.cartacapital.com.br/2014/03/17/na-pratica-dilma-tem-pouca-sensibilidade-as-demandas-do-movimento-negro/ e da Ana Paula Magalhães Pinto.


Na época também pensei em escrever alguma coisa, mas confesso que outras escritas e até mesmo uma esperança de que as coisas tomassem outros caminhos adiaram a ideia. Porque, lá no fundo, realmente queria acreditar que a Copa podia ser uma oportunidade de fazer um trabalho interessante contra o racismo. Houve a promessa de novas reuniões, inclusive, e a de que participaríamos ativamente da elaboração da campanha que estava sendo gestada. Se tais reuniões aconteceram, não sei. E também acho que não iria, porque saí de lá me sentindo mal, pensando nas barbaridades que tem sido feitas para que essa Copa aconteça. Mas essa campanha do Neymar, apoiada pela Dilma, me fez decidir de vez que, se tem “Copa contra o racismo”, estou na oposição. Da Copa e da campanha. Quero deixar claro que continuo dando todo meu apoio à SEPPIR, que vem realizando um excelente trabalho dentro das condições mais desfavoráveis, mas acho um absurdo que seja tratada como mero coadjuvante nessa jogada mercadológica da presidência e do Ministério dos Esportes. Vai ter campanha contra o racismo na Copa? Que a articulação seja da Secretaria para a Promoção da Igualdade Racial, e não do Ministério dos Esportes.

A ideia que ouvimos nessa reunião, da presidenta Dilma, é que o slogan da adotado será “Copa contra o racismo e pela paz”. Fico que perguntando que racismo e que paz, porque pelo jeito a articulação de um e de outro estão nas mãos de jogadores, cartolas e figuras midiáticas oportunistas e alienadas que nunca se interessaram seriamente pelo assunto; e da PM, das Forças Armadas e de mercenários estrangeiros. Atenho-me aqui a falar apenas de racismo, assunto para o qual me sinto melhor informada, e a essa altura do campeonato algumas das figuras que temos em campo são:

— O Ministério dos Esportes, encabeçado por Aldo Rebelo. Segunda a presidenta, foi dele a ideia de combater o racismo e proclamar a paz, através de vídeos com personalidades brasileiras e estrangeiras que seriam exibidos nos estádios, antes dos jogos. Seria dele também a ideia de colocar jogadores em campo, carregando flâmulas e faixas contra o racismo e pela paz. Ou seja: nada de novo no front, nem nada que fuja do padrão “pra inglês ver”. E olha que, em 2012, ele e a ministra Luiza Bairros haviam se reunido para discutir projetos para a Copa: http://www.seppir.gov.br/noticias/ultimas_noticias/2012/09/luiza-bairros-e-aldo-rebelo-discutem-igualdade-racial-em-megaeventos-esportivos

“Destacamos a demanda da criação de oportunidades para empreendedores negros e negras e também da criação de observatórios da discriminação, uma ideia que surgiu na Bahia e que pretendemos espalhar por todas as cidades-sede da Copa 2014”, resumiu Luiza Bairros. (…) “Paralelamente a isso, no caso específico da Copa, o observatório também pode prever a realização de festas populares, de maneira que possamos, em todos esses lugares, aproveitar a inclusão efetiva de artistas e grupos culturais populares”, acrescentou Luiza.

Parece-me que as sugestões da Ministra não foram ouvidas. Inclusive, parece-me que Aldo Rebelo se esqueceu completamente dessa reunião, porque disse à presidenta Dilma que a ideia de fazer algo contra o racismo durante a Copa tinha sido dele. Interesse que soa, no mínimo, contraditório com sua trajetória em relação aos interesses da população negra. Ou em completo acordo com a sua atitude de não nos ouvir. Quando boa parte dos movimentos negros estava combatendo a presença de racismo em Caçadas de Pedrinho, livro infanto-juvenil distribuído pelo governo, Aldo Rebelo foi do contra.


O que denunciávamos ali, inclusive, era o racismo presente em Tia Nastácia ser chamada de macaca de carvão. Veja bem: macaca. Termo no qual, apenas agora, ele passou a ver problema? Aldo Rebelo é ferrenho defensor de Monteiro Lobato, racista que lamentava, entre outras coisas, não termos tido uma Ku Klux Klan no Brasil: “País de mestiços onde o branco não tem força para organizar uma Kux-Klan é país perdido para altos destinos. (…) Um dia se fará justiça ao Kux-Klan; tivéssemos aí uma defesa dessa ordem, que mantém o negro no seu lugar, e estaríamos hoje livres da peste da imprensa carioca – mulatinho fazendo o jogo do galego, e sempre demolidor porque a mestiçagem do negro destroem (sic) a capacidade construtiva”.


É a Lobato que Aldo Rebelo homenageia ao propor o Dia do Saci, http://partidodaimprensagolpista.wordpress.com/2012/03/19/e-noticia-aldo-rebelo/ e era o Saci que Aldo Rebelo gostaria de ter como mascote da Copa.


Ou seja, estamos bem de proponente de ações contra o racismo, né?

— O pai do Neymar, que foi quem encomendou a campanha, e deve tê-la aprovado também. Entendo e me solidarizo com a dor de um pai vendo o filho ser alvo de racismo. Principalmente quando esse filho não se vê como preto, caso de Neymar.


Mas os ataques racistas contra ele já acontecem há algum tempo. Só agora tornou-se importante fazer algo? Fica parecendo sim, oportunismo, ou birra para provar-se certo em outro caso polêmico envolvendo Neymar e Alexandre Pires, no clip dos macacos.


— A presidenta Dilma, de quem gostaríamos de ver muito mais empenho em causas importantes para a população negra, como as descritas no texto do Douglas Belchior, apoia essa campanha da Loducca e ainda escreve um tuíte que perigosamente resvala na retomada da ideia de democracia racial: “Vamos mostrar q nossa força, no futebol e na vida, vem da nossa diversidade étnica e dela nos orgulhamos. ‪#‎CopaSemRacismo‬” .


Não, a Copa não será sem racismo. A não ser que nos surpreendamos todos com as recém-descobertas propriedades antirracistas da banana. O nosso bom e velho racismo continuará durante e depois da Copa, e talvez apenas não se manifeste durante os jogos. Adoraríamos ser ouvidos e respeitados para além das exigências da FIFA. Racismo é crime! É muito sintomático da impunidade desse crime, perigoso e inaceitável — frise-se: inaceitável — que uma chefe de nação apoie uma campanha que, em vez de pedir punição para um crime do qual muitos brasileiros são alvo todos os dias, incentive o consumo de bananas. A digníssima presidenta tem noção do que ela fez? Racismo no Brasil é crime, presidenta. Inafiançável. Imprescritível. Crime! Anos e anos de luta dos movimentos negros para que racismo seja considerado crime, em um país que aos trancos e barrancos vem relutando em se admitir racista, vão por água abaixo quando uma presidenta acha que está tudo bem “punir” criminosos — frise-se: criminosos — com a “resposta ousada e forte” (palavras dela no Twitter) de se comer banana! Que ela desmonte os sistemas judiciário e penal e instale fazendas de bananas pelo país inteiro, oras; de preferência com uns pretos realizando o trabalho de plantar, colher, recolher e comer. Fiscalizados, é claro, pelo Ministério da Agricultura, como era na época da escravidão.

Será que ainda dá tempo de se testar essa estratégia durante a Copa? E exportar a tecnologia inovadora para todos os países participantes que também lutam contra o racismo? Olha aí, Luciano Huck, grande oportunidade de investimento! Porque tem ele também, correndo pelas laterais:

— Luciano Huck, que parece ter sido super importante para a propagação dessa campanha, com seus milhões de seguidores no Twitter. Tentando lucrar em cima da dor alheia, porque ele e sua família loira nunca foi nem será alvo de racismo, descascou rapidinho a banana de Andy Warhol (ou a camiseta já estava pronta também, assim como a campanha, apenas esperando uma “oportunidade”?), apropriou-se do mote da campanha publicitária e vestiu dois modelos brancos para tripudiar da nossa causa e vender camisetas a R$ 69,00. Esse site avisa que a camiseta está sendo vendida em uma seção chamada “Camisetas do Bem” http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2014/04/28/marca-de-luciano-huck-vende-camiseta-apos-caso-de-racismo-contra-dani-alves.htm#fotoNav=37

Eu me arrepio toda quando vejo o termo “do bem” associado a qualquer coisa relacionada ao racismo, porque, se vocês não sabem, “Cidadão do Bem” era o nome do principal jornal publicado pela Ku Klux Klan. Eles que, debaixo dos seus capuzes, se consideravam cidadãos do bem.


Luciano Huck, bem provavelmente, assim como boa parte dos que aderiram a essa campanha que incentiva a impunidade de um crime, deve se considerar um cidadão do bem. Na luta contra o racismo, armados com uma banana justiceira.

Da mesma maneira que qualquer coisa dita depois de “eu não sou racista, mas…” é racista, essa campanha também é, e estão tentando nos empurrá-la garganta abaixo, dizendo que não. Essa campanha é vazia, burra, rasa, oportunista, leviana, desrespeitosa, criminosa. Reforça estereótipos e barra o diálogo, e por isso o seu sucesso, já que ninguém quer mesmo se envolver muito com o assunto. Está se sentindo ofendido ao ler isso aqui, porque aderiu e/ou achou o máximo? Vá brigar com a Loducca, o pai do Neymar, o Neymar, o Luciano Huck, a presidenta Dilma, as pessoas que nunca levaram a sério a tentativa de diálogo que os movimentos negros estão, há décadas, tentando estabelecer. Se a gente tivesse conseguido ter esse diálogo, uma das coisas que daria para perceber é a dificuldade de se esvaziar a simbologia impregnada em um ícone racista. A banana é um ícone racista, usado por racistas para xingar negros de macacos. Não é um publicitário que, de uma hora para outra, vai declarar que ela não é mais e, como num passe de mágica, ela passa a não ser. Esse pensamento mágico já foi tentado durante várias décadas, com a democracia racial. A gente sabe que não funciona, e bananas atiradas em campo, guinchos e trejeitos imitando macacos ainda estão aí para provar. Não para negar. Numa comparação bem baixa e um pouco falha, eu sei, mas necessária porque é preciso colocar as coisas em perspectiva, será que o Luciano Huck teria coragem, por exemplo, de vender camisetas estampadas com a suástica, símbolo impregnado de nazismo/racismo, porque um publicitário e um jogador de futebol dizem que, de uma hora para outra, comer biscoitinhos em forma de suástica, e fotografar-se comendo-os, é a melhor maneira de ressignificar esse símbolo e transformá-lo em seu contrário, apagando sua história e acabando com o racismo contra judeus? Pois é. Queria ver. Bem como queria ver também outro chefe de nação dizendo a seus cidadãos judeus que tenham sido vítimas de um “Heil Hitler” com seu gesto característico e com a intenção de ofender e humilhar, que é ousada e forte a atitude de, em vez de exigir punição, brincar de “engolir” a humilhação?


O que aconteceu em campo, com o Daniel Alves (a quem presto toda a minha solidariedade), poderia ter provocado uma discussão produtiva, se não tivesse sido esvaziada por essa campanha infeliz e tivesse sido seguida, principalmente por parte dele, de um discurso um pouco mais consciente e consistente. Dá para perceber o despreparo da maioria dos nossos atletas ao lidar com o racismo quando ficamos sabendo, por exemplo, da atitude (essa sim) dos jogadores de basquete do Los Angeles Clippers. Os caras protestaram contra declarações racistas do dono do time — sim, do dono, não de um torcedor — reunindo-se antes de uma partida, no centro da quadra, retirando seus uniformes e usando as camisas de aquecimento do lado do avesso, escondendo o logo do time.


Na verdade, dá é vergonha de comparar, e lá racismo nem é crime. E dá mais vergonha ainda quando sabemos da atitude (essa sim) de Obama, que foi a público condenar a atitude incrivelmente ofensiva e racista: “Temos que, constantemente, estarmos atentos às manifestações racistas que nos dividem mais do que salientam nossa diversidade como uma força. Os Estados Unidos continuam a lutar contra o legado da escravidão e da segregação, que ainda está aí, os vestígios da discriminação. (…) E eu acho que temos que ser claros e firmes em denunciá-la, ensinando nossas crianças de uma maneira diferente, mas também permanecendo esperançosos de que parte do motivo pelo qual declarações como essa se sobressaem tanto é porque já houve uma mudança no modo como nos vemos”.


Enquanto isso, temos uma presidenta que se presta ao papel de ficar batendo palma para internautas dançarem sobre nossas dores, involuírem com as nossas lutas e comerem banana. Porque ela acha que salientar a nossa origem comum de primatas vai fazer com que racistas, que nem se assumem e nem se sabem racistas, deixem de ser racistas. Às vésperas de uma Copa na qual quer mostrar ao mundo que somos modelo de combate ao racismo.

Se a gente não quer passar mais vergonha ainda, e nem digo como nação, mas como seres pensantes e atuantes em causas que nos são caras (racismo e paz, além de outras coisinhas mais), está é mais do que na hora de tomarmos as rédeas dessa campanha. Na raça. Porque não dá pra confiar nesse povo que está aí no comando, fingindo que pensa o problema, que planeja, que se preocupa e que resolve, enquanto só o empurra pra baixo do tapetão. Que tal pensarmos juntos numa campanha paralela, realista, denunciatória e que eleve o nível dessa discussão?


Ana Maria Gonçalves
No Blogueiras Negras
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Joaquim Barbosa está certo: Lula tem dificuldades em compreender. Ele é a prova viva disso.


O doutor Joaquim Barbosa divulgou nota ontem para dizer que a “desqualificação do Supremo Tribunal Federal, pilar essencial da democracia brasileira, é um fato grave que merece o mais veemente repúdio”.

Por que, Dr. Joaquim?

Lula não é um chefe de Poder e , quando era, jamais desqualificou qualquer decisão judicial, o que, sim, seria digno de reação do Judiciário.

Não fez como o senhor (e com alguma razão, reconheço) que na presidência de um poder da República, desqualificou os outros dois poderes, ao dizer que “o problema crucial brasileiro, a debilidade mais grave do Congresso brasileiro é que ele é inteiramente dominado pelo Poder Executivo” e que o Legislativo não representava o povo.

Lula é um cidadão comum e um cidadão comum pode criticar duramente e até desqualificar um Supremo Tribunal Federal em que o presidente admite publicamente ter quantificado uma pena só para que o condenado não tivesse acesso ao regime semi-aberto, ou que diz que um de seus pares tem “capangas” e não dá sequencia a esta acusação.

Ou que desmembra um processo, para que determinados fatos não entrem num julgamento, ou que lança suspeitas sobre os que lhe divergem, como foi feito com os ministros Ricardo Lewandowski e Luís Alberto Barroso.

É curioso que o senhor diga que Lula tem “dificuldade em compreender o extraordinário papel reservado a um Judiciário independente em uma democracia verdadeiramente digna desse nome”.

Talvez seja o senhor quem tenha dificuldade em compreender que, numa democracia digna deste nome, poder ou mandatário algum seja incriticável.

Obediência à decisão judicial não obriga a concordar com ela ou elogiar, simples assim.

As cortes supremas, Excelência, são cortes políticas, sem que isso as desobrigue de serem técnicas.

É assim em todo o mundo, uma vez que elas são, inclusive, compostas por indicações políticas dos demais poderes.

Nos próprios EUA os governos assumem claramente que fazem estas indicações para tornar a Suprema Corte politicamente mais liberal ou conservadora.

Aliás, a sua própria indicação para Ministro do Supremo foi política: aquele cidadão que tem “dificuldades em compreender” compreendeu a importância de termos um negro na instância mais alta do Judiciário.

E que evidencia a independência com que tratou este poder no fato de que vários de seus indicados — entre eles o senhor — nunca se sentiram obrigados a julgar por “herança” desta indicação.

Aliás, se desejar, Lula pode usar o senhor como prova de como reconheceu a independência do Judiciário.

Ele poderia perfeitamente dizer, sem faltar em um pingo à verdade:

— Veja só o caso deste Joaquim Barbosa. Não era um jurista conhecido nacionalmente, nem eu tinha relações pessoais com ele, mas achei importante a simbologia de termos um Ministro negro. Uma parcela importante dos brasileiros é negra e achei que seria um avanço que tivéssemos um brasileiro negro no Supremo.

Isto não é político, Dr. Joaquim, no melhor sentido que se possa dar à palavra?

Mas o senhor não se vexa em atacar a inteligência de Lula, falando de sua “dificuldade em compreender”.

Talvez, quem sabe, baseado no fato de ele o ter indicado para o STF.

Pode ser, afinal, que o senhor, Dr. joaquim, tenha razão.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Quem desmoralizou o STF foi o próprio STF

Você pode discordar da porcentagem utilizada por Lula para definir o que foi o julgamento do Mensalão.

Lula falou em 80% de critérios políticos e 20% de critérios jurídicos.

O que não dá, a não ser que você seja um fanático antipetista, um caçador de petralhas, é discordar de que os juízes se pautaram muito mais pela política do que pela justiça em si.

O julgamento foi político do início ao fim. Você começa pelo empenho em juntar quarenta réus com um único propósito. Fornecer à mídia — visceralmente envolvida na politização do julgamento — a oportunidade de usar a expressão “Ali Babá e os quarenta ladrões”.

Outras coisas foram igualmente absurdas. Por que, em situações juridicamente semelhantes, Eduardo Azeredo do PSDB percorreu o caminho jurídico normal e os réus do Mensalão foram direto ao Supremo, sem chance, portanto, de outras instâncias?

E depois, como classificar a Teoria do Domínio do Fato, que dispensou provas para condenar?

E a dosimetria, pela qual, numa matemática jurídica abstrusa, condenados tiveram penas maiores do que o assassino serial da Noruega?

Num gesto cínico bizarro, o ministro Marco Aurélio de Mello disse que o STF é “apartidário” para rebater as afirmações de Lula.

Quem acredita nisso acredita em tudo, como disse Wellington. Um simples olhar para Gilmar Mendes — que até a jornalista Eliane Cantanhede num perfil classificou como tucano demais destroi o “apartidarismo”.

O STF se desmoralizou não porque Lula falou nos 80%, mas pelo comportamento de seus juízes.

Ou eles estavam zelando por sua honra e prestígio ao posar festivos ao lado de jornalistas “apartidários” como Merval Pereira e Reinaldo Azevedo, como se entre mídia e justiça não houvesse um problema de conflito de interesses?

E quando emergiram as condições em que Fux conquistou seu lugar no STF com o famoso “mato no peito” depois de uma louca cavalgada na qual se ajoelhou perante Dirceu?

A completa falta de neutralidade do STF se estenderia para além do julgamento. Como classificar a perseguição de Joaquim Barbosa a Dirceu e a Genoino?

E a tentativa de negar o direito aos chamados recursos infringentes fingindo que a Constiuição não previa isso? Apartidarismo?

Um argumento falacioso que se usa a favor do STF é o seguinte: mas foi o PT quem tinha indicado a maioria dos juízes.

Ora, então indicou mal, a começar por Barbosa, nomeado por Lula. Eles foram antipetistas estridentes a despeito de terem sido nomeados pelo PT.

Seria horrível se agissem como petistas, é claro. Mas foi igualmente horrível terem se comportado como antipetistas.

O que a sociedade queria, ali, era uma coisa chamada neutralidade, uma palavra muito usada hoje por conta do Marco Civil da internet.

Outro argumento desonesto é o que estica os dedos acusatórios para Lewandowski. Ora, Lewandowski não emplacou uma. Foi voto vencido sempre que se contrapôs à manada.

Entre os juízes da primeira leva, foi o único que se salvou, e isto provavelmente vai ficar claro quando a posteridade estudar o Mensalão.

Se pareceu petista foi porque o ar estava viciadamente antipetista. Era como no passado da ditadura: num ambiente tão anticomunista, todo mundo era comunista.

O STF é hoje um arremedo de corte suprema, mas por culpa sua, e apenas sua.

O Mensalão deixou claro, ao jogar luzes sobre o STF, que uma reforma na Justiça é urgente para que o Brasil possa avançar.

Paulo Nogueira
No DCM
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Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço


Apesar do discurso em favor da redução da máquina pública, o senador Aécio Neves emprega 23 funcionários comissionados (sem concurso) em seu gabinete. Se trata de um dos maiores contigentes entre os senadores. As informações podem ser acessadas no site do Senado, páginas 34 e 35, aqui - em pdf.

São 21 comissionados no gabinete e 2 no escritório.

No Gabinete

André da Costa Lima Billafan - Comissionado - Auxiliar Parlamentar Sênior

Edimar Ferreira Paz - Comissionado - Assistente Parlamentar Intermediário

Eduardo Felipe Ohana - Comissionado - Assessor Parlamentar

Fernando Junqueira Ferraz - Comissionado - Assistente Parlamentar Intermediário

Flávio José Barbosa de Alencastro - Comissionado - Chefe de Gabinete Comissionado

José da Silva Varão Neto - Comissionado - Assistente Parlamentar Intermediário

Luiz de Melo Alvarenga Neto - Comissionado - Secretário Parlamentar

Luiz Otávio Caldeira Paiva - Comissionado - Secretário Parlamentar

Luiz Paulo Vellozo Lucas - Comissionado - Assessor Parlamentar

Maria Lucia Gomes - Comissionado - Assistente Parlamentar Intermediário

Marlene Vieira - Comissionado - Secretário Parlamentar

Nelton Dias da Costa - Comissionado - Auxiliar Parlamentar Sênior

Paulo Augusto Oimenta Felício dos Santos - Comissionado - Assistente Parlamentar Intermediário

Pedro Henrique Pessoa Ferreira Boaventura - Comissionado - Assistente Parlamentar Intermediário

Sergio Balaban - Comissionado - Assistente Parlamentar Intermediário

Simone Alves dos Santos - Comissionado - Assistente Parlamentar Intermediário

Tatiane Dantas de Souza Silva - Comissionado - Auxiliar Parlamentar Júnior

Terezinha Vilas Boas Macedo - Comissionado - Assistente Parlamentar Intermediário

Tânia Regina Bispo - Comissionado - Auxiliar Parlamentar Sênior

Walter Rodrigues de Lima Junior - Comissionado - Auxiliar Parlamentar Sênior

Washington Luis dos Santos Viana - Comissionado - Motorista

No Escritório

Maria Aparecida Moreira - Comissionado - Auxiliar Parlamentar Sênior

Maria Heloísa Cardoso Neves - Comissionado - Assessor Parlamentar

No DesmascarandoGloboFolha
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Melhor, mas pior

Com intervalo de quatro dias, dois dos jornalistas que mais respeito pela integridade e aprecio pela qualidade, Vinicius Torres Freire e Ricardo Melo, levam-me a ser mais uma vez desagradável com o meu meio.

Na Folha de ontem, Ricardo Melo relembra a presença de "representantes do 'mercado'" no Conselho de Administração da Petrobras, quando comprada a refinaria de Pasadena, e pergunta: "Pois bem: onde foram parar nessa história toda Fábio Barbosa, Cláudio Haddad, Jorge Gerdau, expoentes do 'empresariado' brasileiro que, com Dilma Rousseff e outros, aprovaram o negócio? Serão convocados a depor, ou deixa pra lá?".

A pergunta não expõe apenas Aécio Neves, Eduardo Campos, Aloysio Nunes Ferreira e seus subsidiários, que se limitam a explorar, na "história toda" de Pasadena, o que lhes pode dar proveito eleitoral. Os empresários citados não serão "deixados pra lá". Já foram deixados. Pela imprensa. Nas práticas simultâneas de repetir, dia a dia, no noticiário e em artigos, a aprovação do negócio pelo "conselho presidido por Dilma Rousseff" e jamais mencionar os outros conselheiros.

Se o negócio foi aprovado pelo conselho, nos termos e condições expostos aos conselheiros, é óbvio que não houve um votante só. Mas os outros não interessam. Nem é apenas por serem empresários que mais conselheiros também estão dispensados de menção na imprensa. É, só pode ser, porque a exclusividade adotada vem do mesmo objetivo de Aécio Neves, Eduardo Campos e outros. Se a imprensa o faz, ou não, para beneficiar esse ou aquele, pouco importa. Mais significativa é a predominância da prática política.

Também na Folha, dia 24 último, Vinicius Torres Freire observa: "O Datafolha registra um nível de insegurança econômica inédito desde os piores dias de FHC, embora a situação econômica e social seja muito melhor agora".

Algo provoca tal contradição. Não pode ser a percepção espontânea e geral, porque a situação "muito melhor" não lhe daria espaço. O que poderia ser, senão os meios de comunicação desejosos de determinado efeito? Se, apesar da situação melhor, o sentimento é pior, claro que se trata de sentimento induzido. Um contrabando ideológico.

Terminaram depressa as rememorações do golpe de 64. O corporativismo apagou a memória da função exercida pela imprensa no preparo do golpe e no apoio à apropriação do poder, de todos os poderes, pelos militares. Não há, nem de longe, semelhança entre aquela imprensa e a atual. Mas o seu estrato mais profundo, econômico, social e político, mudou menos do que a democracia pede. E conduz às recaídas cíclicas dos meios de comunicação em práticas próprias de partidos e movimentos políticos. Estamos entrando em mais uma dessas fases.

Janio de Freitas
No fAlha
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Carta aos amigos do planeta internet

Queridos amigos do planeta internet,

Hoje, eu vi um monte de gente aderindo à “campanha” do somos todos macacos. Já entendi a intenção de todo mundo, ninguém é racista, todo mundo humanista, fã de frase atribuída ao Morgan Freeman e de nosso eterno amigo pacifista (sqn) Nelson Mandela, ou Madiba, para os mais íntimos que tanto choraram sua morte. Entendemos o seu ponto de vista, anotado.

Agora, gostaria de convidar especialmente aqueles que estão chamando o pessoal do movimento negro de radical e tentando calar essas vozes com este argumento, a refletir comigo sobre os pontos abaixo:

1) O racismo é institucional, ou seja, ele está ligado à formação do Estado como conhecemos. E nós aqui embaixo de uma estrutura racista reproduzimos ideologias racistas e perpetuamos formas racistas de dominação. Aconteceu, todo mundo criado aqui nesta sociedade, nesta época, não deu para evitar. Foi assim.

2) Por ser institucional, o racismo mata, porque o Estado democrático liberal não garante cidadania para todos (é, gente. Não. Alguém sempre tem mais direitos). No Brasil, com esta disparidade social absurda, que tem raízes na escravidão, mata o DG, bailarino da Regina Cazé, a Claudia, e todo mundo que aparece todo dia no jornal. Todos pretos e pobres. A coisa mais perigosa hoje neste país é ser homem, preto e pobre. Você corre risco de morte se for os três ao mesmo tempo, apenas por existir.

3) O racismo é uma forma de exploração aviltante do ser humano, porque alguém está ficando mais pobre e alguém mais rico. Aqui entra desde a formação do nosso capitalismo, com o trabalhador escravo, que produziu riqueza, até o apresentador de TV que anda vendendo umas camisetas nonsense às custas do sofrimento alheio. Então, vejam, é muita gente mesmo.

4) A Vila Internet amplia a voz das pessoas. Quando elas falam em uníssono, nem se fala. Na facul de RP (obrigada, Cásper) a gente aprende que comportamento de massa é quando as pessoas são tomadas ideologicamente por uma ideia e tem um comportamento baseado nesta ideologia, sem muita reflexão, apenas fazendo coro. Li inclusive um texto falando sobre comunicação e Nazismo, baseado nesta lógica, mas eu esqueci o autor (se algum colega lembrar, por favor me avise).

5) A palavra “macaco” não é só uma palavra. Ela tem história e significado… para os negros, ela tem um significado de violência, ela representa a animalização, como se não fossemos seres humanos. Os negros, desde sempre, lutaram contra esta animalização e isso continua até os super civilizados dias de hoje. Algumas vitórias nós tivemos, outras estão em curso, e ninguém aqui vai ficar quieto. E quando as pessoas brancas em geral querem ditar os moldes da luta, elas estão exercendo o poder de violência que sempre tiveram. Em suma: pimenta no c* dos outros é refresco.

6) “Somos todos macacos” é o “consciência humana” revisitado. É falar sobre cidadania como consenso, e isso não existe. Por que? Porque somos todos diferentes, ninguém é igual a ninguém, todo mundo faz parte de um grupo específico que reivindica coisas especificas. O Estado, gente, não consegue absorver e apaziguar tudo, então mais fácil fazer a gente acreditar que tudo em paz mesmo na guerra, né não? Cada pessoa tem uma consciência e se coloca politicamente de uma forma no mundo. Então, PLIS, não somos iguais. Mas devemos nos respeitar nas diferenças.

Quando você apoia ser um macaco, você está praticando e justificando a violência institucionalizada deste Estado em que vivemos, contra pretos sem defesa e sem amparo, pela maneira mais primordial de violência: a fala. Tô falando de gente pobre, que morre nas favelas todos os dias, que não tem direitos de cidadão. Você amplia uma voz de consenso que é falsa, opressora, e você faz isso contra outro ser humano.

Eu e os pretos de classe média que eu conheço: cagamos se vocês são macacos. Nossa luta é MUITO maior. Não vamos parar de falar e nem de radicalizar.

E nem vamos entrar na discussão de como tudo isso começou, porque não importa…. sempre tem um jogador de futebol que serve de boi de piranha para toda esta falácia.

Fica aqui um pedido a todos que tem bom senso e humanidade: antes de saírem emitindo “opinião” em coro, reflitam.

Obrigada.

Carol Mendes
No Blogueiras Negras
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#Somos Todos Macacos Coisa Nenhuma

Apimentando a relação
A reação foi rápida. Horas depois de Daniel Alves reagir com maestria a uma provocação racista, Neymar postou no Instagram uma foto segurando uma banana com a hashtag “somostodosmacacos”. O protesto viralizou e ganhou a adesão de famosos:  Luciano Huck e Angélica, Ivete Sangalo,  Alexandre Pires e até Inri Cristo posaram com a banana.

Seria tudo lindo e altruísta não fossem duas coisas.

A primeira é que nós, negros e pardos, não somos e nem gostamos de ser chamados de macacos. Chamar uma pessoa de cor de macaco é um dos xingamentos mais comuns e cruéis. Coloca o negro em uma posição subalterna em relação ao branco, ao aludir a um animal que apesar de semelhante aos humanos está alguns andares abaixo na escala evolutiva. É pesado e cheio de subtextos, diferente de “tição”, por exemplo, que alude só ao tom da pele.

Admitir que “somos todos macacos” é uma defesa equivocada e perigosa. Equivocada porque nenhum racista questiona que os humanos são primatas. Perigosa porque traz o significado implícito de que somos todos iguais, mas para combater o racismo de frente é melhor destacar as diferenças.

O outro problema é que o movimento “Somos todos macacos” não foi tão espontâneo. A sacada de Neymar na verdade já estava planejada por uma agência de publicidade. Até aí tudo bem, porque as ofensas são tão corriqueiras que não surpreende deixar uma resposta pronta.

Só que hoje a grife do Luciano Huck lançou a camisa referente à campanha. Com uma estampa fazendo referência à manjada banana de Andy Warhol, está sendo vendida a 69 reais. A imagem promocional mostra um casal de modelos brancos.

Daniel Alves protestou com espontaneidade e irreverência. Seu ato já pode ser considerado um marco na luta contra o racismo no futebol. Mas não significa que devemos dar de ombros para o racismo e achar que a melhor saída é ignorar a ofensa. Ele fez o melhor que possível naquele momento, em pleno campo e antes de cobrar um escanteio.

Foi notícia no mundo inteiro e o problema do racismo voltou para a agenda de discussão sem a necessidade de hashtags artificiais e famosos forçando semblante indignado no Instagram.

Aí vem a tal campanha e na cola dela uma camisetinha bem oportunista, sem buscar questionamentos mais elaborados sobre a questão racial. Tudo bem superficial, na velocidade das redes sociais, sem se prender a questões mais profundas como defender cotas raciais ou questionar porque morrem mais negros do que brancos por causas violentas.

Talvez porque, como eles dizem, “somos todos macacos”, ou seja, iguais, e racismo é uma coisa de idiotas que estão lá do outro lado do mundo.


Marcos Sacramento
No DCM
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Lula: Grande mídia do Brasil tem lado, e o jogo é pesado


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Lula rebate Joyce e nega ser candidato


"O que vale é a entrevista para a RTP", informou a assessoria do ex-presidente diante da nota da jornalista Joyce Pascowitch, que afirmou nesta segunda-feira (28) que Lula aceitou disputar novamente o Planalto como candidato pelo PT, em substituição à presidente Dilma Rousseff; à RTP, Lula disse que será cabo eleitoral da Dilma; "Vou pra rua fazer campanha pra Dilma. Eu já cumpri com a minha tarefa no Brasil. Dilma é uma mulher de extrema competência. Ela vai ganhar as eleições", afirmou.
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Alexandre Padilha no Roda Viva


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