28 de abr de 2014

Band e Datena deverão indenizar policial militar por danos morais












A Rádio, TV Bandeirantes e o apresentador José Luiz Datena deverão pagar a um oficial da Polícia Militar de São Paulo indenização de 30 salários mínimos por danos morais cometidos durante a apresentação do programa "Brasil Urgente", em 2003.

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Villas Bôas Cueva rejeitou os recursos da emissora e do apresentador, que pretendiam rediscutir o caso na instância especial. Com isso, ficou mantida a decisão da Justiça paulista.

O caso teve origem em 2003, com a exibição no programa "Domingo Legal", do SBT, de uma entrevista com supostos membros da facção criminosa PCC, durante a qual foram feitas ameaças de morte contra Datena.

Na sequência, Datena passou a dar cobertura intensiva às investigações policiais sobre a entrevista, que teria sido forjada pelo SBT como represália por reportagens do "Brasil Urgente" acerca de uma quadrilha de policiais que atuaria dentro da SPTrans, a empresa responsável pela gestão do sistema de ônibus na capital paulista.

De acordo com o "Brasil Urgente", haveria ligação entre a quadrilha e os policiais que trabalhavam como seguranças de Gugu Liberato, apresentador do "Domingo Legal", os quais estariam envolvidos na farsa da entrevista.

"Noticiário ofensivo"

O autor da ação indenizatória, major da Polícia Militar de São Paulo, foi citado várias vezes por Datena como chefe da segurança do apresentador do SBT e homem "ligado ao esquema da SPTrans". Segundo o juiz de primeira instância, que julgou a ação procedente, o envolvimento do autor no caso da SPTrans foi desmentido ao longo das reportagens, mas o apresentador da Bandeirantes continuou se referindo a ele como "o major da SPTrans".

A sentença considerou o noticiário ofensivo à honra do major, afirmando, ainda, que o autor não teve envolvimento na edição da entrevista do "Domingo Legal".

"Houve progressiva narração de fatos mal apurados, cuja divulgação poderia — e deveria — ser evitada. As informações foram prestadas de maneira apressada e excessivamente subjetiva, ultrapassando o direito de informar e o exercício do bom jornalismo", concluiu a sentença. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) confirmou a condenação da Bandeirantes e de Datena, mas reduziu o valor da indenização de R$ 30 mil (à época) para 30 salários mínimos.

No STJ, o ministro Villas Bôas Cueva manteve a decisão do TJSP que não admitiu os recursos especiais dos réus. No caso da Bandeirantes, o recurso não foi admitido porque exigia reexame de provas, o que é impedido pela Súmula 7 do STJ, e o agravo da emissora não impugnou precisamente esse fundamento, razão pela qual nem sequer foi conhecido. Já o agravo de Datena, embora conhecido, não foi provido porque seu recurso especial também pretendia rever as provas do processo.

No STJ
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Confirmado, Barbosa forjou condenações











No exato momento em que o ex-presidente Lula declara à imprensa internacional que o julgamento do 'mensalão' teve "80% de decisão política e 20% jurídica", o blog Megacidadania apresenta documento inédito no qual se comprova que Joaquim Barbosa sabia da existência do Laudo 2828 e que ele serviu de base para o ainda sigiloso inquérito 2474.

Informações Preliminares

No dia 06 de março de 2007 foi aberto no STF o inquérito 2474, que ficou sob a responsabilidade exclusiva de Joaquim Barbosa até o dia 01 de agosto de 2013.

Diversos blogs por toda blogosfera já divulgaram trechos deste sigiloso inquérito 2474, mas, nunca antes se teve acesso a qualquer documento oficial que tratasse publicamente do 2474. Pois agora temos. Trata-se do Voto 3946 de 20 de maio de 2013.

A capa do voto 3946
Voto 3946 de 20 de maio de 2013
Neste importante documento o MPF analisa um conflito de atribuições entre o MPF do DF e o de MG, exatamente sobre quem deva acompanhar o caso do inquérito 2474.

E neste Voto 3946 são feitas afirmações surpreendentes, a saber:

* A estrutura básica do esquema criminoso se erigiu sobre a formação de quadrilha, a corrupção, o peculato e a lavagem de dinheiro;

* O inquérito 2474 decorre do fato de a denúncia que originou a AP 470, não ter incluído outros eventos que não puderam ser, naquela altura, objeto de imputação;

* Investigação realizada pela PF encontrou elementos de prova que confirmam que empresas pertencentes ao grupo Opportunity aderiram ao esquema de Marcos Valério.

Leia a seguir trechos inéditos do Voto 3946/2013 (clique aqui para acessar a íntegra)

A prova do 2828 no 2474
Cronologia demolidora comprova ocultação do Laudo 2828 da PF

Cronologia demolidora comprova ocultação pag 1
Cronologia demolidora comprova ocultação pag 2

Conclusões

Este Voto 3946/2013 é bem curto, são apenas 10 (dez) páginas. E nele estão registrados fatos já superados como a denúncia de Marcos Valério contra o ex presidente Lula. Porém, o surpreendente é que pela primeira vez se pode ler, em um documento oficial da própria PGR/MPF, que o Laudo 2828 foi utilizado como instrumento decisivo para fundamentar os trabalhos do sigiloso inquérito 2474. E isso derruba definitivamente o argumento de Joaquim Barbosa de que o 2474 nada tinha que ver com a AP 470.

Joaquim Barbosa como relator da AP 470 e também do inquérito 2474, sempre soube da existência do Laudo 2828 da Polícia Federal. Este Laudo 2828 ficou pronto em 20 de dezembro de 2006. E tudo confirma que, s.m.j., ao ter ciência de que o Laudo 2828 desmontava o principal argumento da acusação que é o desvio de dinheiro público do Banco do Brasil realizado por um petista, o relator encaminhou este Laudo 2828 para dentro do inquérito 2474, impedindo assim que — antes da aceitação da denúncia — as defesas e os demais ministros tivessem acesso a este vital Laudo 2828.

Links Importantes

Ficção de Barbosa desanda

JB e o sigiloso inquérito 2474

Confirmado, AP 470 foi julgamento político

Barbosa cerceou a defesa na AP 470

A Explosão e a Implosão do Mensalão

No Megacidadania
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Jornais em declínio batem novo recorde negativo: a menor receita publicitária desde 1950, nos EUA












A maioria dos jornais americanos ainda estão em queda livre. A receita de publicidade do impresso é agora a menor desde 1950, quando a Associação de Jornais da América começou a rastrear dados da indústria. As receitas caíram mais de 50 por cento apenas nos últimos cinco anos .

O gráfico pode subestimar o horror das finanças no ano passado. O problema não é simplesmente que a crescente verba de publicidade digital não consegue substituir a do impresso com velocidade suficiente; é que a receita publicitária digital dos jornais não cresce.

Enquanto um punhado de startups concentra a atenção da mídia nos dias de hoje, os velhos jornais estão sangrando receitas e cortando funcionários. E não há muito a ser feito sobre isso.
http://www.taquiprati.com.br/images/Renan%20Top%20top%20top.jpg
No Slate
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A direita levanta a cabeça












Ricardo Mello: Quantos votos teve a ministra Rosa Weber teve?
Os sinais estão à vista. A disposição de enxergá-los depende de cada um.

1 — Numa afronta à democracia, a ministra do Supremo Tribunal Federal Rosa Weber decide que a CPI da Petrobras tem que ser assim, e não assado. Pouco importa a decisão do Senado. A propósito, quantos votos teve a magistrada para imaginar que a opção de milhões de eleitores, que, mal ou bem, escolheram seus representantes no Congresso, vale menos que a dela?

2 — A Petrobras aprovou uma compra mais do que polêmica de uma refinaria em Pasadena, nos EUA. Isso já é sabido de todos. Mas alguns detalhes são interessantes: o conselho que aprovou a operação reunia representantes do “mercado” e do governo. Uma espécie da tal parceria público-privada sonhada e idolatrada por 11 entre 10 teóricos neoliberais. Pois bem: onde foram parar nessa história toda Fábio Barbosa, Cláudio Haddad, Jorge Gerdau, expoentes do “empresariado” brasileiro que, com Dilma Rousseff e outros, aprovaram o negócio? Serão convocados a depor, ou deixa pra lá?

3 — Num atentado às regras mais elementares da Justiça, o Supremo mantém encarcerado o ex-ministro José Dirceu em regime fechado, embora sucessivas sentenças do mesmo tribunal tenham condenado o réu a cumprir regime semiaberto. Aliás, Dirceu vive uma situação “sui generis”: foi condenado como chefe de uma quadrilha que, depois, o próprio Supremo concluiu que não existia.

4 — Uma promotora do Distrito Federal, Márcia Milhomens Sirotheau Corrêa, com a maior sem-cerimônia, pede a quebra de sigilo telefônico não apenas de pessoas determinadas, mas de uma área geográfica que envolve o Palácio do Planalto, o STF etc., ao melhor estilo NSA de Obama. A desculpa oficial: apurar se José Dirceu usou ou não um celular na prisão — na qual, nunca é demais frisar, está detido ilegalmente. Qual a base para o pedido da sra. Corrêa? Denúncias informais, feitas por gente que não quis se identificar ou prestar um depoimento. Está certo que nossas faculdades de direito não são nenhuma maravilha, mas chegar a esse ponto para justificar a arapongagem desavergonhada é fazer pouco do mais ingênuo dos brasileiros.

5 — Depois de anos e anos, o STF absolve o ex-presidente Fernando Collor da montanha de crimes de que era acusado. Detalhe: o processado sofreu um impeachment por causa daquelas acusações, de resto muito mais evidentes e escancaradas do que, por exemplo, as do chamado mensalão. Bem, o “caçador de marajás” foi deposto, lembram-se? Dona Rosa Weber vai querer devolver o cargo a ele?

6 — Pouco tempo depois de confessar as atrocidades cometidas durante a ditadura militar, coronel reformado Paulo Malhães foi assassinado no Rio de Janeiro. Malhães é aquele que ensinou como sumia com vestígios das vítimas na época anterior aos exames de DNA.

Bastava tirar a arcada dentária, cortar os dedos para desaparecer com as digitais e lançar o cadáver, ou o que sobrou, num rio. Diante disso, não é preciso ser nenhum Eliot Ness para saber que a morte de Malhães foi uma queima de arquivo — como, aliás, ele próprio antecipou em seus depoimentos.

Dizem os compêndios: dias antes do golpe militar de 1964, lideranças pró-governo faziam pouco dos que alertavam para o risco de uma quartelada contra Jango Goulart. Uma das frases célebres: “Se a direita levantar a cabeça, ela será cortada”. Deu no que deu. As condições são diferentes, o mundo não é o mesmo, mas, pelo sim, pelo não, é sempre bom ficar esperto. Ou então esperar mais 50 anos para ouvir outra ladainha de “autocríticas”.

Ricardo Melo
No fAlha
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Fantástico muda para ficar mais chato (e passa sufoco no Ibope)











Renata Vasconcellos e Tadeu Schmidt no novo cenário do Fantástico
Em busca de renovação, o quarentão Fantástico estreou neste domingo novo formato. Ficou mais bonito, moderno, informal. Passou a ser apresentado em uma redação-estúdio, com minipalco, microautidório, supertelão, sofá da Hebe, cavalinhos falantes, robô do Sheldon da série The Big Bang Theory e até trilha de The Office.

Muita tecnologia, bastidores das reportagens, sonolentas reuniões de pauta, velha abertura repaginada e logotipo redesenhado compõem o pacote. Novidades todas que vazaram na internet, com a transmissão de um resumo de 45 minutos há três semanas, inclusive "a esperada entrevista" com Luiz Felipe Scolari.

O novo Fantástico se esforçou para ser engraçado, mas ficou mais chato. Tadeu Schmidt está mais humorista do que nunca. Exagera na dose. Alguém precisa avisá-lo que ele apresenta o Fantástico, não o Cidade Alerta. Mais chato e mais interativo. O telespectador do Fantástico pode votar no site do programa e escolher animações que representam seu humor durante a exibição de determinado conteúdo. Empolgante, não?

Mas nada supera a chatice do que o exibicionismo das reuniões de pauta, com direito a convidados famosos. A quem interessam as discussões que levam à produção de uma reportagem além de jornalistas e estudantes de jornalismo? E o material sobre o robô de telepresença, claramente inspirado em The Big Bang Theory, só serviu para mostrar que o departamento de engenharia da Globo só tem fera.

O novo Fantástico passou longe daquilo que mais se espera dele: reportagem. A revista eletrônica agora é muito mais (mais muito mais mesmo) entretenimento (ou infotainment) do que jornalismo. A grande reportagem da semana era uma ótima ideia de pauta, mas não revelava nada. Nela, uma repórter passou 24 horas em um presídio de segurança máxima. Tensão real zero. Conflito nenhum. Tudo muito negociado com a polícia. Tudo extremamente produzido, até no take à la Bruxa de Blair.

No Ibope, as mudanças não surtiram efeito. Nem em seus melhores momentos o Fantástico bateu nos 20 pontos. Na prévia, deu 16,5 pontos, contra 12,1 da Record, 9,0 do SBT e 4,8 da Band. Passou sufoco para vencer o Domingo Espetacular, sua cópia mais popular e apelativa da Record. Às 22h24, a Record marcava 12,7 e a Globo, 13,3 pontos na medição preliminar da Grande SP. Pelos critérios de arredondamento do Ibope, deu empate.

Atualização: a audiência consolidada do Fantástico foi de 17,7 pontos, praticamente a mesma coisa que os 18,2 de duas semanas atrás.

Daniel Castro
No Notícias da TV
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Cidade dos EUA irá prender mendigos que não saírem do centro












Nova lei no Estado da Carolina do Sul prevê criação de um "disque mendigo" para que população denuncie sem-tetos

Foto de sem-teto nas ruas dos EUA: os de Columbia, na Carolina do Sul, terão que sair do centro da cidade

Os mendigos que vivem no centro da cidade de Columbia, no Estado da Carolina do Sul, serão obrigados a saírem do local. Do contrário, irão para a cadeia. Na semana passada, a prefeitura aprovou por unanimidade a lei “Resposta Emergencial aos Sem-Teto”, que vai “remover” do centro da cidade pessoas que não têm moradia fixa. Aqueles que se recusarem a sair vão ser autuados e presos.

A medida, que já está em vigor, tem diretrizes claras: policiais responsáveis pela patrulha terão a missão de expulsar da região central pessoas que estejam "vagando". Os oficiais foram instruídos a fazer cumprir rigorosamente a lei de "qualidade de vida", incluindo a “proibição de vadiagem, urinar no espaço público, e outras violações”. Além disso, será criado em Columbia um “disque mendigo” – linha telefônica para que a população avise os policiais da presença de sem-teto nas ruas do centro.

“É a medida mais incompreensível que eu vi ser aprovada nos últimos 30 anos em qualquer cidade dos EUA”, afirma Michael Stoops, diretor da Coalizão Nacional pelos Sem-Teto em entrevista ao portal Think Progress. Michael compara a nova lei em Columbia com a segregação racial promovida por fazendeiros e empresários no século XX no centro-oeste dos EUA. "Usando um abrigo enorme nos arredores para receber todos os desabrigados de uma cidade é algo que nunca funcionou em qualquer lugar do mundo", argumenta.

Representantes de organizações de direitos humanos irão apresentar uma representação legal na justiça contra a medida, alegando que a lei fere os direito básico de tratamento igualitário entre as pessoas. "A concepção clara dessa lei é que querem que os sem-teto sejam invisíveis no centro de Columbia", disse Susan Dunn, representante da União dos Direitos Civis dos EUA. "Você pode jogá-los em algum lugar ou você pode ir para a cadeia. Isso é, na verdade, um abuso de poder", critica.

Columbia é a capital e maior cidade do estado da Carolina do Sul. São cerca de 130 mil habitantes.

* * *

Os homeless tornaram-se tão invisíveis que essas pessoas não notaram que eram seus parentes

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Novas denúncias de Época: os superlobistas trapalhões



Não dá para entender o novo modelo de denúncias da revista Época. Fica-se sem saber se a revista está com problema de falta de equipe de reportagem, ou a direção de redação padece da falta de conhecimento de negócios, para filtrar as matérias.

Denúncias envolvendo negócios têm sua complexidade. O repórter precisa saber a diferença entre operações habituais e as extravagantes, entender a lógica financeira para separar onde há suspeitas de negociata, onde há operações normais de mercado. Não basta obter um relatório da Polícia Federal se não houver discernimento para entender o tema e identificar o negócio.

Esta semana a matéria de denúncia da Época fala em “Os lobistas e os negócios da Petrobras na África” (clique aqui).

O tom é de denúncia, o texto tem o estilo roteirizado das denúncias, cada episódio é tratado como se fosse uma denúncia. Quando se completa a leitura, não existe uma só denúncia na história.

Poderia ser matéria de negócios, mas não é, dado o tom de denúncia. Poderia ser matéria de denúncia, mas não é, por ter apenas o tom, sem apresentar uma denúncia.

Faz um check-list de tentativas infundadas de lobby, mostrando um superlobista que não consegue um resultado sequer.

Finalmente, joga no papel um conjunto de informações genéricas de negócios – como, por exemplo, o fato público da associação entre Petrobras e BTG na África. E informa, judiciosamente, que consultou os personagens mencionados mas eles não quiseram se manifestar. Manifestar sobre o quê? "Pactual, o que você tem a dizer sobre sua associação com a Petrobras na África?". "Petrobras, o que você tem a dizer sobre sua associação com o Pactual na África?"

Provavelmente o RP de ambas as empresas sugeriu ao repórter consultar os comunicados ao mercado. E com isso não deu as declarações entre aspas que poderiam ser utilizadas no texto. Extrair informações de textos técnicos é bem mais complexo.

A matéria toda tem 12.723 caracteres

Trecho 1 - Viagem de Lula à África.
22% do texto. Todo o texto servindo apenas para informar que dois representantes de empresas estavam na comitiva, José Carlos Bumlai e Fábio Pavan. Legal! Viagens de negócios costumam ser feitas com representantes das empresas interessadas. Mas qual a relevância dos dois?

Restam 77%.

Trecho 2 - Perfil de Bumlai 

Nos 10% seguintes, descobre-se que a razão de Bumlai estar na matéria é o fato de ser amigo de Lula. Menciona-se sua influência para indicar diretores para a Petrobras. E apresenta uma prova irrefutável: o fato de João Augusto Henriques – também chamado de “lobista” (na reportagem todos são lobistas) – ter procurado o apoio de Bumlai para o influente cargo de diretor internacional da Petrobras. E não ter conseguido a indicação. 0 x 1 para o lobista.

Restam 67%.

Trecho 3 – os negócios do lobista em Acra.

27% da reportagem para narrar as aventuras empresariais de Pavan e da Constran em Acra – que não deram certo. E relata o fato do superlobista ter ido atrás do apoio da Petrobras. E nada ter conseguido. 0 x 2 para ele.

Restam 41%.

Trecho 4 – negócios com o grupo Charlot.

18% para informar que os lobistas tentaram vender um poço do grupo Charlot para a Petrobras por US$ 150 milhões, antes de saber se o poço tinha petróleo. Mas sabendo que o Conselho de Administração não aceitaria, propuseram um sinal de US$ 8 milhões e o pagamento dos US$ 150 milhões só se saísse petróleo. Que não saiu. 0 x 3.

Restam 23%

Trecho 5 – o acordo do BTGB e da Petrobras na África

11% para informar que a Petrobras juntou seus ativos africanos e vendeu parte para o BTG Pactual por US$ 1,5 bi. E que os dois lados lucraram com a operação. Informa também que “procurado pela reportagem”, o BTG não se pronunciou. Mas se pronunciar sobre o quê, se não há um dado sequer a ser checado.

Restam 12%.

Trecho 6 – relacionamento Lula-Bumlai

12% finais para mostrar que Bumlai e Pavan assistiram à inauguração do escritório da Embrapa na África, na qual Lula estava presente. E também a relevante informação de que, procurado para falar do relacionamento com Bumlai, o Instituto Lula não quis se pronunciar. E também a relevante informação de que o superlobista Pavan procurou de todas as maneiras um contato com a Petrobras e nada conseguiu. 0 x 4

Não resta mais nada.

Luis Nassif
No GGN
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Não se enganem!!!






Uma alma iluminada bem que tentou salvar a patifaria que foi a “homenagem” que o Esquenta tentou fazer para Douglas GD, dizendo as sábias palavras “nada é mais perigoso do que ser jovem, NEGRO e pobre nesse país” e apresentando dados sobre o genocídio da juventude negra no Brasil. Mas pelo visto nossa querida Regina tem dificuldades com interpretação de texto e mesmo depois desse vislumbre de bom senso por parte da produção, ainda não entendeu que colocar mocinhas louras e ricas, chorosas segurando cartazes “eu não mereço ser assassinada” e cantando pela paz não significa nada, não diz nada para nós que somos assassinados, silenciados e invisibilizados diariamente.

Mas diz sobre eles, diz sobre os objetivos e interesses desse tipo de espaço que estão nos oferecendo nas grandes mídias. Uma moldura negra para a festa branca, nossa dor e o sangue de nossos jovens servindo para justificar o medo dos senhores e incentivar sua busca desesperada pela própria segurança, foi isso que vi naquele espetáculo de sensacionalismo e oportunismo.

Pouco me importa o horror dessa elite estúpida diante da violência, pouco me importa se eles ficaram tristes com a história do Douglas, essa é a história de todos nós que estamos da ponte pra cá e essa história foi escrita por eles com o nosso sangue. Se querem ajudar, mostrem, julguem e condenem os culpados, assumam também sua parcela de culpa em tudo isso, cada vez que reproduzem o discurso do mérito; que chamam violência policial de justiça e tratam a pobreza e os pobres como meros objetos para sua diversão…

Quem não concorda comigo, me responda: em que pode nos interessar as falas sobre a opressão e o genocídio da juventude negra ou as lágrimas de Carolina Dickman, Fernanda Torres e Leandra Leal? Que contribuição as imbecilidades pseudofilosóficas de Pedro Bial podem trazer, seja para a luta contra o racismo seja para confortar a mãe que sofre a perda de seu filho? E fechamos com chave de ouro com os palpites de Fausto Silva, aquele mesmo que certamente chamaria o cabelo de Douglas de vassoura de bruxa. Todos podem nos dizer, de dentro de seus condomínios e carros de luxo, como sofremos, se sofremos, o que é o racismo e a violência, é isso mesmo?!?!?

Eram os nossos que deveriam estar ali. Onde estão os intelectuais e ativistas negros para falar sobre o genocídio de seus jovens?? Onde estão as referências que inspiraram o menino Douglas para começar a dançar?? Onde está o espaço privilegiado para o desabafo da mãe, a presença dos amigos e a vida do jovem antes e fora do Esquenta?!?!? Nada disso estava ali, nós não estamos, nem nunca estivemos ali. Não se enganem!!!

Mariana Assis
No Blogueiras Negras
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Uma eterna lição de antijornalismo: a resenha triunfal da Veja sobre o romance de seu redator-chefe





Um veterano desinspirador: Graieb
Um artigo do jornalista Carlos Graieb, da Veja, dá uma contundente lição de moral em Lula.

Lula criticou o julgamento do Mensalão. Hoje, é amplamente sabido que foi um ato político e não jurídico. Lula disse isso.

Mas, segundo a peculiar lógica de Graieb, Lula teria que elogiar o julgamento do Mensalão.

Graieb. O nome me era familiar. E então lembrei.

Ele entrou para a história da infâmia jornalística ao escrever, na Veja, um panegírico multipáginas de um romance escrito por seu chefe, o então redator-chefe da revista Mario Sabino. O romance se chamava O Dia em que Matei meu Pai.

Foi uma indecência. E um marco no processo de desagregação moral da Veja. Nenhuma publicação civilizada faz resenhas extensas e bajulatórios de chefes de redação, por razões óbvias.

Um trecho de Graieb: “Dois tipos de sedução aguardam o leitor de O Dia em que Matei Meu Pai (Record; 221 páginas; 25,90 reais). Primeiro, a sedução do bom texto literário, à qual ele pode se entregar sem medo. O romance de estreia do jornalista Mario Sabino, editor executivo de VEJA, é daqueles que se devoram rápido, de preferência de uma vez só, porque a história é envolvente e a linguagem, cristalina. Sabino possui atributos fundamentais para um ficcionista, como o poder de criar imagens precisas: em seu texto, ao ser atingido pelas costas um personagem não apenas se curva antes de desabar; ele se curva como se fosse `para amarrar os sapatos´.”

Pausa para rir.

Nas escolas de jornalismo, o episódio poderia ser um exemplo prático, aos jovens estudantes, de coisas que são moralmente inaceitáveis e repulsivas.

Graieb chegou, num arroubo servil, a comparar Sabino a Machado de Assis.

Lembrei disso e fui dar uma pesquisada para reavivar minha memória. Na época, eu pertencia ao Comitê Executivo da Abril.

O Comitê não tinha jurisdição nenhuma sobre a Veja. Roberto Civita monopolizou a Veja até o final de sua ida. O diretor da revista respondia apenas a ele.

Mesmo sem poder nenhum na Veja, o artigo de Graieb sobre o livro de Sabino foi debatido no Comitê. E provocou repulsa.

Fui ver agora, passados alguns anos, o que o mundo real, longe da Veja, de Graieb e de Sabino, falou do prodigioso romance.

No site de compartilhamento de impressões de livros Goodreads, você logo topa com o seguinte depoimento: “Não terminei”.

Em outro site, o Skoob, você lê isso: “Infelizmente o autor foi muito previsível A leitura é rápida e maçante.” Mais um trecho sobre o romance:  ”O livro é muito chato, muitas divagações e cenas mal descritas que me deixaram entediada. Quase desisti de ler e não sei que milagre me fez voltar.”

Graieb bateu a carteira do leitor com uma propaganda enganosa e abjeta. Mesmo assim, consegue se comportar como se fosse Catão, como se vê pelo artigo acusatório sobre Lula.

Bonito isso.

Paulo Nogueira
No DCM
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Consequências diretas de um discurso permissivo





Não, cara…
Um casal de jovens, morador da região do ABC Paulista, na Grande São Paulo, foi pichado por banhistas e moradores da comunidade da Prainha Branca, em Guarujá, no litoral do Estado, após terem pichado a palavra 'ABC' numa grande pedra que fica na entrada da praia. Aparentemente, nenhum boletim de ocorrência foi registrado sobre o caso.

Olha, veja bem. É tentador olhar a cena e pensar: “hummmm, merecido”. Mas, não. Não somos a lei, muito menos a justiça vendada. Veja bem, é semelhante ao caso em que “justiceiros” amarraram um adolescente de 15 anos nu em um poste. Violência é violência. Não apoiamos a atitude. Até porque a garota que publicou a foto dos jovens pichadores no Facebook foi ameaçada de morte.

No Brasileiros
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30 mil posts


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Cláusula Marlim: a partilha da Petrobras no Governo FHC. E a Globo estava lá…


Todo mundo já ouviu falar da tal “Cláusula Marlim”, sobre a qual se diz o diabo nestas denúncias sobre a compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras.

Mas porque ela tem este nome?

Um artigo do engenheiro Pedro Celestino Pereira, no site do Clube de Engenharia, dá pistas para entender a razão e, procurando um pouquinho, contar uma história escabrosa.

A de como pelo menos 30% do petróleo do maior campo de petróleo do Brasil até meados da década passada – uma espécie de Libra do pós-sal – foi colocado á disposição de um grupo de empresários por um acordo, sem leilão ou outra modalidade de licitação, com lucro garantido e apropriação do valor do óleo diretamente na sua comercialização, em caso de não pagamento destes ganhos.

Pelo menos 30% na maior parte do tempo,  porque havia a previsão de em 2002, a Marlim ter o direito de abocanhar até 70% de todo o petróleo de Marlim.

E era muito petróleo…

marlim 
Não são alguns pocinhos mixurucas, mas a maior reserva de petróleo do Brasil àquela época, representando quase a metade de toda a produção da bacia de Campos.

Como você lê no recorte antigo do Estadão, 410 mil barris de petróleo por dia,  que chegaram a 500 mil no auge de sua produção, e que hoje, 14 anos depois, ainda produz 200 mil barris diários, o terceiro maior campo do Brasil.

A obra foi resultado da ação de dois presidentes da Petrobras do período FHC – Joel Mendes Rennó e Henri Philippe Reichstul e de um diretor financeiro da estatal, o senhor Ronnie Vaz Moreira.

Sob a coordenação do ABN Amro Bank – dirigido por Fábio Barbosa, depois membro do Conselho Administrativo da própria Petrobras e agora CEO do Grupo Abril – um grupo de investidores reuniu-se para formar a Companhia Petrolífera Marlim e, a seguir, a Marlim Participações, um truque para permitir que o governo empurrasse para lá dois fundos de pensão, os da Petrobras (Petros) e da Vale (Valia), que a legislação impedia de participarem diretamente.

O objetivo era financiar a complementação do projeto de exploração do campo, onde a Petrobras já tinha gasto US$ 3,5 bilhões, de um total de US$ 5 bilhões previstos.

Entre os acionistas, além do ABN Amro, estavam a Sul América, o Bradesco e o JP Morgan e, claro, o BNDES, que desempenhou um papel muito importante: o de permitir que nenhum deles tirasse sequer um tostão do bolso, oferecendo um empréstimo para a integralização dos primeiros 200 milhões de dólares, a ser pago com os lucros da Marlim.

O resto foi obtido no mercado, com o lançamento de notas promissórias de médio prazo (Medium Term Notes) lançadas pela Marlim no exterior e por debêntures recompráveis e com cláusulas de garantia de lucros.

As debêntures foram compradas por grandes empresas, muitas delas beneficiárias da privatização: Vicunha Siderurgia (Benjamin Steinbruch – CSN), Machadinho Energia (associação entre a Alcoa e a Votorantim), CPFL (Votorantim, Bradesco e Camargo Corrêa), Telemar, Finasa (família Bueno Vidigal, à época) e… Globocabo…

A Globocabo, como se sabe, era a NET, que a Globo acabou vendendo para Carlos Slim, o dono da Claro…

Todo o negócio, que era uma forma de encobrir um endividamento da Petrobras, foi resgatado ao longo de dez anos e se constituiu uma espécie de “partilha” informal do petróleo de Marlim, do qual a Petrobras era concessionária integral e operadora.

Só que, ao contrário da partilha hoje vigente, não foi um processo público de disputa e não havia risco algum para os investidores, porque o petróleo estava penhorado em garantia dos pagamentos.

Por isso o nome Marlim passou a representar rentabilidade garantida.

O negócio era tão bom que seus dois principais operadores na Petrobras, Reichstul e Ronnie Vaz, saíram de lá, em 2002, direto para serem os chefes da Globopar, dedicados à tarefa de captar recursos para evitar a iminente falência da empresa dos Marinho, atolada em dívidas monstruosas.

Reichstul foi expelido alguns meses depois, mas Ronnie Vaz ficou como presidente da Globopar, até ser convocado por Aécio Neves para a direção financeira da Light, quando esta foi comprada pela Cemig. Agora, trabalha para a alemã EON, cuidando de salvar do desastre a Eneva, novo nome da MPX de Eike Batista.

Agora que vai mesmo ter a CPI da Petrobras, é um tema bem adequado a ela, para estabelecer a origem da tal “Cláusula Marlim” de que tanto falam.

Será que, depois disso, o PSDB tem alguma pergunta a fazer sobre esta cláusula que, frise-se, não valeu na compra de Pasadena?

Afinal, o objetivo é investigar o que se fez na Petrobras, não é?

Então que se investigue os pais da “Marlim”.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Datena defende Rachel Sheherazade e desafia PT

Fanfarrão



Circula na internet um vídeo em que Datena declara solidariedade a Sheherazade e desafia, numa bravata assombrosa, o governo a mexer na publicidade que coloca em seu programa na Band.

É um vídeo que mostra o absurdo que Datena é e a situação ainda mais absurda que cerca as bilionárias verbas publicitárias do governo.

Primeiro, há na fanfarronice de Datena uma chantagem, uma intimidação. “Não mexam em mim”, ele está dizendo, na verdade.

Há também uma enorme petulância. Ele fala no direito de Sheherazade de ter suas opiniões — como se o incitamento ao crime fosse aceitável.

Mas e o direito de anunciar onde se queira: não existe? Todo anunciante — público ou privado — examina onde vai parar o dinheiro que coloca em publicidade.

Se o objeto do dinheiro vira um embaraço, como Sheherazade (ou Datena mesmo), o caminho natural para todo anunciante é rever seu investimento.

Tiger Woods perdeu seus patrocinadores depois que eclodiu o escândalo de seus adultérios em série. Mais recentemente, Pistorius viu baterem em retirada seus patrocinadores, depois da morte de sua namorada.

O episódio de Sheherazade deveria propiciar uma discussão ampla. Faz sentido o governo investir tanto dinheiro em publicidade?

Em sociedades mais avançadas, os anúncios essencialmente se restringem a serviços de utilidade pública. Uma campanha de vacinação, por exemplo. Ou uma que estimule os cidadãos a se alimentarem melhor, com mais frutas e verduras.

No Brasil, a publicidade oficial — federal, estadual e municipal — vai muito além.

É uma coisa perniciosa. Historicamente, o dinheiro (público) da propaganda governamental foi usado para carrear recursos para as empresas de mídia.

O resultado disso foi que os donos das empresas jornalísticas ficaram riquíssimos.

Era uma vergonha tão grande que, num momento em que todos os anunciantes obtinham descontos formidáveis sobre os preços de tabela de empresas como Globo e Abril, o governo continuava a pagar o valor integral.

Empresas que à luz do sol viviam denunciando em seus jornais e revistas o “mau trato” do dinheiro público enchiam descaradamente seus cofres, na sombra, com recursos do contribuinte.

Anúncios do governo eram usados também para facilitar a vida de empresas endividadas. No começo dos anos 1980, o falido Jornal do Brasil vivia repleto de anúncios do Banco do Brasil. Era a forma como o jornal “pagava” dívidas.

É evidente que a sociedade se beneficiaria amplamente se uma boa fatia do dinheiro público posto em publicidade se destinasse a projetos sociais.

A Band, de Datena, recebe do governo federal cerca de 100 milhões de reais por ano. Qual o benefício para a sociedade deste dinheiro todo?

Para a família Saad, é uma beleza. São riquíssimos.

Para nosotros, a história é outra.

Que programa da Band você pode dizer que contribui para que o Brasil melhore?

Veja Datena, por exemplo.

Com seus parcos 3 pontos de Ibope, ele é a personificação do mundo cão. Ele semeia medo pânico entre seus espectadores. A cidade, segundo Datena, é um inferno, e os bandidos têm que ser exterminados.

É a mesma pregação de Sheherazade por outras palavras. Bandido bom é bandido morto.

No vídeo em que insulta o governo, ele diz que se tirarem publicidade não faz diferença porque já está ferrado, ou na lona, ou coisa que o valha.

Ora. Para explorar abjetamente uma audiência que ele mantém nas trevas e na ignorância, Datena levanta mensalmente uma quantia calculada em 1 milhão de reais.

Como os pastores evangélicos, fala a pobres, mas enriquece com isso.

Temos eleições em 2014, e é triste não ver nenhum candidato trazer novas ideias em relação ao dinheiro público torrado em propaganda.

Paulo Nogueira
No DCM
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Tião Viana desovou os haitianos

"Para este gênero de gente não há melhor pregação do que a espada e a vara de ferro".

José de Anchieta, santo da igreja católica, falando carinhosamente sobre os índios brasileiros para o governador Mem de Sá - por volta do ano 1590

Na semana em que o Papa Francisco canonizou José de Anchieta, o governo do Acre completou a desova, em São Paulo, de 400 haitianos que se refugiaram no Brasil. É um truque velho, usado até mesmo com brasileiros. Quando um prefeito incomoda-se com a chegada de migrantes, dá-lhes algum dinheiro e passagem de ida para outro lugar, desde que não apareçam mais por lá.

Em São Paulo, os haitianos ficaram sob a proteção da Igreja Católica. No século XVI, quando Anchieta andava pelo Brasil, a cultura européia entendia que os índios nem gente eram. Passaram-se cinco séculos, o governador Tião Viana mandou refugiados haitianos para São Paulo e acusou a "elite paulista" de "preconceito" quando uma secretária do governo estadual classificou seu comportamento como "irresponsável". Foi ele quem exportou os refugiados, sem dar um só telefonema ao prefeito petista Fernando Haddad. O problema que está no seu colo deveria ser tratado com o ministro petista da Justiça, não com a empresa de ônibus. Não é justo que a economia do Acre receba o impacto de 20 mil refugiados, mas a solução de Viana foi demófoba e sua justificativa, demagógica. Salvo a elite petista, nenhuma outra tem algo a ver com isso.

Os haitianos estão amparados pela mesma fé que movia Anchieta, na paróquia de Nossa Senhora da Paz. Faltaram recursos, comida e até mesmo colchões ao padre Paolo Parise, que cuida do lugar. Há dias, voluntários começaram a chegar à paróquia. Alguns foram cozinhar, outros ofereceram empregos. Até quinta-feira, a paróquia não havia recebido qualquer ajuda federal, estadual ou municipal.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, faz o que deve, o comissário Fernando Haddad, também, e Tião Viana diz o que quer. Juntando tudo, nada.

Elio Gaspari
No Blog do Mário

Leia também: Haitianos, Gaspari, Viana e a higienizacão, São Paulo, a terra do dinheiro, rejeita a fraternidade, e assista ainda: Governador avisa Alckmin de chegada de estrangeiro
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São Paulo, a terra do dinheiro, rejeita a fraternidade

Haitianos deixam o Acre em busca  da terra
 da oportunidade:  infelizmente não são louros nem ricos
(Foto: Marcello Casal Jr./ABr)
A reação do governo paulista à chegada dos cerca de 400 haitianos que estavam no Acre é reveladora.

Mostra que o preconceito de cor e de classe está muito mais enraizado na sociedade brasileira do que se supunha.

Como li em alguns artigos: se fossem ricos, loiros, de olhos azuis, será que seriam tão mal recebidos?

Mostra também a que ponto de degradação chegou São Paulo.

Como é que o Estado mais rico da federação, cujo PIB é maior que muitos países da América Latina — e do mundo —, que se intitula a "locomotiva da nação" e que concentra a elite empresarial do país, tem uma reação como essa por causa de 400 imigrantes?

Se fossem 400 mil, mas são apenas 400...

O governador do Acre informou: em seu Estado já chegaram, nos últimos anos, 20 mil imigrantes.

O Acre, comparado com São Paulo, pelo menos economicamente, é uma pulga, um quase nada.

Mas, da forma que pode, tem acolhido esses pobres coitados - eles não são apenas haitianos, mas africanos e sul-americanos, que vêm ao Brasil em busca de melhores oportunidades de vida.

Mas é óbvio que os imigrantes não querem ficar no Acre.

Afinal, o que o Acre, um dos Estados mais pobres da federação, tem a oferecer a eles?

O seu destino é mesmo São Paulo, a terra prometida, a terra onde estão os empregos, onde está o dinheiro.

Isso, São Paulo, a terra do dinheiro.

E só.

Porque, como as autoridades paulistas fazem questão de acentuar neste triste episódio, São Paulo, para a infelicidade de todos, não é a terra da fraternidade, mas sim a do preconceito.

A terra onde os que nela procuram abrigo são selecionados pela cor da pele, pela roupa que vestem, pela língua que falam e pelo tanto de dinheiro que carregam.

Atitudes como essas dos governantes paulistas envergonham qualquer pessoa que acredita na solidariedade como um dos traços que distinguem o ser humano das outras espécies deste planeta.

O que fazem está muito longe da imagem de modernidade que tentam passar. 

Estão mais para senhores feudais e de escravos do que pessoas que vivem no globalizado século 21.

No Crônicas do Motta

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Governador avisa Alckmin de chegada de estrangeiro

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