27 de abr de 2014

João Paulo II versus João XXIII: por que a canonização do papa polonês é um erro

Eles
Francisco canonizou no Vaticano dois de seus antecessores, o Papa João XXIII e João Paulo II, em uma cerimônia histórica de ressonância mundial, não só pela relevância de ambas as figuras na história recente da Igreja Católica, mas também porque são dois personagens claramente opostos, representantes de dois modelos  opostos de igreja. A “santidade” de um deles, o papa polonês, deve ser julgada tendo como pano de fundo a história contemporânea, uma vez que sob seu pontificado ocorreu o maior número de casos de pedofilia clerical na história do catolicismo.

É preciso avisar os milhões de pessoas prontas a elogiar João Paulo II sobre a injustiça tremenda que envolve esta canonização apressada.

O que pode significar no século XXI esta canonização? Como o teólogo José María Castillo afirma, ao longo dos séculos do Cristianismo “os interesses da Igreja mudaram radicalmente a imagem de santidade”, de modo à canonização revelar as reais intenções e projetos da instituição e de seus líderes.

Quer dizer, por trás do interesse espiritual de colocar uma pessoa como modelo, a canonização envolve também política e interesses econômicos.

Este modelo de santidade é em grande parte o resultado do longo pontificado de João Paulo II, que em 1983 estabeleceu as regras desse processo que, entre outras coisas, reduziu a cinco anos o tempo mínimo de post-mortem para iniciar um processo de beatificação ou canonização. Foi o período com mais santos canonizados na história dos papas (quase mais do que todos os papas anteriores combinados), acentuando o modelo pré-Vaticano II do santo tradicional.

Na mesma cerimônia foi também elevado aos altares o Papa João XXIII, cuja simplicidade de vida e abertura eclesial marcou um “antes e depois” para a Igreja Católica do século XX. Por que exatamente se vão canonizar dois personagens que com vida e pensamento tão diferentes? Por que na mesma cerimônia? Isso também parece ser coisa do papa polonês, que tornou moda a canonização em massa. Mas também se entende essa dupla canonização como uma estratégia de Francisco para mitigar o fervor exacerbado a João Paulo II quando vêm à luz as sombras de seu pontificado.

É necessário deter a canonização de Karol Wojtyla. Vozes credenciadas provam isso. Não só as das vítimas de seu pontificado, mas de cardeais jesuítas eminentes como Carlo Maria Martini, que declarou abertamente que não era necessária a canonização de João Paulo II, “era suficiente considerar apenas a evidência histórica de seu sério compromisso com a Igreja e a serviço das almas”.

As razões por que a canonização de João Paulo II é um ato político e não religioso:
  1. Ele lutou contra a liberdade de pensamento e de ensino na Igreja, silenciando ou excomungando mais de 500 teólogos em todo o mundo durante o seu pontificado.
  2. Atacou, sem conhecer, a teologia da libertação através de um processo sistemático de desarticulação da Igreja dos pobres com a condenação dos seus principais representantes, do cancelamento de centros de ensino teológico e da aliança com o poder político conservador na América Latina.
  3. Seu silêncio perante as ditaduras militares da América Latina e do Caribe custou a vida de inúmeros cristãos em nosso continente, incluindo a do arcebispo Oscar Arnulfo Romero, que um ano antes de sua morte visitou Roma e não foi recebido pelo papa.
  4. Ele negou a dignidade das mulheres na igreja, não reconhecendo a participação feminina na tomada de decisões relacionadas aos líderes homens, enfatizando apenas seu papel de mães, esposas e virgens. (Mulieris dignitatem)
  5. Apoiou e protegeu até sua morte Marcial Maciel, sabendo da dor e do abuso infligido a inúmeras vítimas.
  6. Está em causa o seu papel no encobrimento de inúmeros padres pedófilos​(incluindo bispos e cardeais) ao mandar que eles mudassem de residência para se proteger da justiça e, assim, multiplicando os danos às crianças, suas famílias e à própria igreja. Pois, mesmo aceitando que o abuso sexual não é um comportamento generalizado na igreja católica e sim casos individuais (digamos, no mínimo, um sacerdote pederasta em cada uma das cerca de 3.000 dioceses católicas do mundo), estaríamos falando de centenas de milhares de vítimas.
Embora o Vaticano tenha lavado as mãos de João Paulo II, negando o tempo todo que ele sabia de casos de abuso de crianças, é pouco crível que os acobertamentos tenham acontecido sem o consentimento do papa. Um pecado de omissão que e teve e continua a ter consequências terríveis.

Do outro lado da moeda está um papa desconhecido para a maioria das pessoas, dada a distância que nos separa da primavera do Vaticano II. João XXIII, um homem simples, um pastor, alguém que não queria ser reconhecido ou reverenciado. Seu catolicismo abriu as janelas para deixar entrar ar fresco. Um revolucionário, um homem religioso que queria conhecer os anseios, sonhos, preocupações, tristezas, de milhões que nele confiaram. Um homem que proclamou a Igreja para os pobres, tornada realidade por milhões de latino-americanos.

Como podemos avaliar essa contradição? Como reflexo de da profunda crise da igreja, que se debate com lutas internas pelo poder.

Do Observatório Eclesial
No DCM
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Haitianos, Gaspari, Viana e a higienizacão

O que define melhor a elite bandeirante (e seus sabujos): facilitar a viagem ou desovar haitiano?


Quatrocentos haitianos chegaram a São Paulo munidos do direito de ir e vir que a Constituição brasileira assegura a qualquer um que esteja em território nacional, de forma legal.

Chegaram a São Paulo, ao Acre, ponto de chegada, Porto Velho, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre.

Mas, só São Paulo deixou escapar do pré-sal de sua História o que o Governador do Acre Tião Viana chama de racismo e tentativa de higienização da sociedade brasileira.

Fossem americanos do Sul ou membros do Tea Party seriam recebidos pela Folha e seus milhares de 'colonistas' com um tea-party no aprazível solar da Barão (sic) de Limeira.

Para situar o amigo navegante, o ansioso blog sugere ouvir a impecável entrevista do governador Tião Viana à Radio Eldorado, onde os apresentadores Haisem Abaki e Tatiana Ferraz (essa moça vai longe! Um dia o Kamel descobre ela!)



Os implacáveis entrevistadores começam a perguntar se ele tinha avisado ao Alckmin que os haitianos estavam chegando.

A resposta dá o tom do que viria adiante.

Seria a primeira vez na História em que um governador ligaria para outro para avisar que chegavam pessoas a seus Estados.

Chegam a São Paulo, diz ele, todo dia, milhares de estrangeiros e ninguém avisa ao Alckmin: olha, tá chegando aí um americano de Boston!

(Se for de Harvard, possivelmente o colonista dos múltiplos chapéus, irá recebe-lo em Guarulhos.)

Seria uma censura prévia, pergunta Viana à implacável entrevistadora.

(Como diz o Mino, no Brasil os jornalistas são piores que os patrões.)

Os cidadãos em território brasileiro são livres para ir onde quiserem.

(O dos chapéus diz no título de sua enfurecida 'colona', no Globo e na Folha (êpa! Êpa!):

“Tão Viana desovou haitianos” — o que, por si só dava um belo processo na Justiça!

“Desova” — lembra o que, amigo navegante?)

Desde dezembro de 2010, chegaram ao Acre 20 mil haitianos — sem aviso prévio, lembra Viana.

Desses, não há NENHUM sem documento!

Todos tem visto concedido pelo Estado brasileiro, ou CPF, ou Carteira do Trabalho.

E vão para onde querem e bem entendem.

Como qualquer um em território nacional!

“Não impeço ninguém de ir para onde quiser!”

O que está por trás disso, pergunta-se o “desovador” de haitiano: preconceito racial?

Nenhum dos outros estados para onde foram haitianos reclamou.

Para evitar o verbo “desovar”, a Secretaria de Justiça (!) de São Paulo, Eloisa Arruda, chamou Viana de “irresponsável!”.

Consta que chamou também de “coyote”, aqueles criminosos que cobram para traficar mexicanos ilegais para os Estados Unidos.

Viva a "Chuíça"!

Tião Viana respondeu que ela não tem autoridade política para se dirigir a ele — “não tem estatura”.

(Mas, no jornal nacional, ela é superior a ele, governador…)

E Tião Viana trata de responsabilizar a elite paulista que, desde o Século XVIII, se comporta assim.

(“Bandeirante” adorava índio…)

A elite e os imigrantes meridionais que, aqui, incorporam seus vícios.

“Não mando ninguém para São Paulo nem para lugar nenhum!”, diz Viana

Mas, a Patricia Soneto no jornal nacional (essa, o Kamel já descobriu...   assegurou que Tião “facilita a viagem” (só faltou o “desovar”) para São Paulo!



“Os haitianos vão para onde querem!”, disse Viana.

Esses 20 mil haitianos tem uma rede de parentes no Brasil e, desde o Haiti, que se articulam para ir a diferentes pontos do pais.

O Acre é uma porta de entrada.

E a elite de São Paulo que afie as garras da intolerância (que pode ter outro nome), porque, segundo Viana, chegam ao Brasil, agora, também imigrantes do Senegal e da Nigéria.

Sem passar por Boston…

Em tempo: a Folha neste domingo celebra a troca de ombudsman. A Folha dedica mais espaço a 'colonas' como a dos chapéus do que a informação. E o ombudsman não pode ombudsmar 'colonistas'. E querem se levar a sério…

Paulo Henrique Amorim
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“Eu vou ser cabo eleitoral da Dilma, vou pra rua fazer campanha pra Dilma”, Lula, em entrevista à RTP


“Nós não vamos conseguir resolver em 11 anos as mazelas de 5 séculos. O dado concreto é que avançamos de forma extraordinária.” Na última sexta-feira (25), durante sua visita a Lisboa, Lula conversou com a jornalista Cristina Esteves, da RTP. Na entrevista, exibida ontem a noite em Portugal, o ex-presidente falou sobre os 40 anos da Revolução dos Cravos, a crise econômica na Europa, a Copa do Mundo no Brasil, seu trabalho para o combate à pobreza na África e as eleições de 2014. “Dilma vai ganhar as eleições” e completou “Eu vou ser cabo eleitoral da Dilma, vou para a rua fazer campanha para a Dilma”.

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Rafucko: Manequins valem mais do que vidas


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A caminho do fim da propaganda estadunidense

Obama fala bem, mas ele não escreve os discursos. Ele lê os discursos escritos por outros enquanto outros governam.
A propaganda do Império anglo-saxão nos fez acreditar que EUA é o “país da liberdade” e suas guerras não têm outro propósito senão o de defender seus ideais. Mas a crise ucraniana acabou de mudar as regras do jogo: Washington e seus aliados perderam o monopólio da palavra. O governo e a imprensa de outro grande Estado, Rússia, estão refutando abertamente as mentiras que durante um século tem servido de justificativa ao Império anglo-saxão. Nestes tempos de satélites e Internet, a propaganda anglo-saxônica não funciona mais.

Os governantes sempre tentar convencer de que eles estão fazendo a coisa certa, porque as multidões não seguem alguém sabendo que não está com a razão. O século XX foi marcado pelo surgimento de novos métodos de propagação de ideias que nada têm a ver com a verdade. Os ocidentais afirmam que a propaganda moderna começou com o ministro nazista Joseph Goebbels. Assim querem nos fazer esquecer que a arte de distorcer a percepção das coisas foi desenvolvida muito antes pelos anglo-saxões.

Em 1916, o Reino Unido criou em Londres a Wellington House em e mais tarde a Crewe House. Ao mesmo tempo, os EUA criaram o Comittee on Public Information (CPI). Partindo do princípio de que a Primeira Guerra Mundial foi um confronto de massas e não exércitos, aquelas agências tentaram intoxicar seus próprios povos, assim como os de seus aliados e seus inimigos.

A propaganda moderna começa com a publicação, em Londres, do relatório Bryce sobre crimes de guerra na Alemanha, documento que foi traduzido para 30 idiomas. De acordo com o relatório de Bryce, o exército alemão havia estuprado milhares de mulheres na Bélgica, assim que britânicos estavam lutando contra a barbárie. Após a Primeira Guerra Mundial, foi descoberto que todo o relatório era uma mentira inteiramente fabricada com falsos testemunhos e com a ajuda de vários jornalistas.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, George Creel inventou uma história que apresentava a Primeira Guerra Mundial como uma cruzada das democracias pela paz que materializaria os direitos da humanidade.

Os historiadores têm mostrado que a Primeira Guerra Mundial teve causas tão imediatas como profundas, sendo a mais importante entre elas, a rivalidade entre as grandes potências que competiam entre si para estender os seus impérios coloniais.

As agências de propaganda dos EUA e Reino Unido eram organizações secretas que trabalham para o Estado. Elas se diferenciavam da propaganda leninista, que ambicionava “revelar a verdade” para as massas ignorantes, em que os anglo-saxões estavam tentando enganar e manipular. Para conseguir isso, as organizações estaduais anglo-saxônicas tinham que agir de forma solapada e usurpando falsas identidades.

Após o fim da União Soviética, os EUA deram menos importância à propaganda e optaram pelas Relações Públicas. O objetivo já não era mentir, mas levar os jornalistas pelas mãos para que vissem unicamente o que fosse mostrado. Durante a guerra do Kosovo, a OTAN recorreu ao Alastair Campbell, um assessor do primeiro-ministro para contar para a imprensa uma história diferente cada dia. Enquanto os jornalistas se entretinham relatando as histórias de Campbell, a aliança atlântica podia bombardear “em paz”. O objetivo não era tanto mentir, mas sim desviar a atenção.

Mas o que tem sido chamado de story telling [em português, "contar estórias"] conquistou grande força com o 11 de setembro de 2001. O objetivo era concentrar a atenção do público sobre os atentados em Nova Iorque e Washington para que não vissem o golpe de estado militar que ocorreu naquele dia: transferência dos poderes executivos do presidente George W. Bush a uma entidade militar secreta e detenção camuflada de todos os membros do Congresso dos EUA. Essa operação de intoxicação foi a obra de Benjamin Rhodes, atual conselheiro do presidente Barack Obama.

Durante os anos seguintes a Casa Branca criou um sistema de intoxicação com os seus principais aliados (Grã-Bretanha, Canadá, Austrália e, claro, Israel). Esses quatro governos recebiam instruções diárias, até mesmo discursos prontos, enviados pelo Global Media Bureau para justificar a guerra contra o Iraque e caluniar o Irã [1].

Desde 1989, Washington se apoiava na CNN para disseminar rapidamente as suas mentiras. Com o tempo, os EUA foi criando um cartel de redes informativas de televisão via satélite (Al-Arabiya, Al-Jazeera, BBC, CNN, France24, Sky). Em 2011, durante os bombardeios da OTAN em Tripoli, a OTAN conseguiu convencer bruscamente os líbios de que tinham perdido a guerra e que qualquer resistência era inútil.

No entanto, em 2012, a OTAN não conseguiu reeditar a manobra para convencer os sírios que a derrubada de seu governo era inevitável. A repetição daquela manobra falhou porque os sírios tinham conhecimento do que aconteceu na Líbia, onde os canais de televisão internacionais tinham manipulado a situação. Sabendo disso, o Estado sírio teve tempo para se preparar para combater a manipulação que havia sido preparada [2]. Esta falha marcou o fim da hegemonia do cartel da”informação“.

A atual crise entre Washington e Moscou sobre a situação na Ucrânia obrigou à administração Obama a rever o seu sistema. Washington já não é o único que consegue ser ouvido, senão que tem que refutar os argumentos do governo e dos meios de comunicação russos, acessíveis em qualquer lugar do mundo através de transmissões via satélite e internet. O secretário de Estado John Kerry teve de nomear um novo secretário-assistente encarregado da propaganda: o ex-editor chefe da revista Time Magazine, Richard Stengel [3]. Na verdade, Stengel já estava no cargo desde antes do 15 de abril de 2014, data na qual prestou juramento para o cargo. Mas em 15 de março, ele já havia enviado para os principais meios da impressa atlantista uma “Folha Informativa” sobre as “10 falsidade” de Vladimir Putin sobre Ucrânia [4]. O mesmo foi feito em 13 de abril, entregando um segundo documento com “outras 10 falsidades” [5].

A primeira coisa que chama a atenção ao ler o texto é a necedade que o caracteriza. O texto tem como objetivo validar a versão oficial sobre uma revolução em Kiev e desacreditar o discurso russo sobre a presença de nazistas no novo governo ucraniano, quando sabemos que em Kiev não houve uma revolução, mas um golpe de Estado fomentado pela OTAN e executado pela Polônia e Israel com uma mistura de receitas para “revoluções coloridas” e “primaveras árabes” [6].

Os jornalistas que receberam a “folhas informativas” do governo dos EUA e ecoaram o seu conteúdo também conhecem perfeitamente o conteúdo da conversa telefônica da Secretária de Estado, Victoria Nuland, sobre como Washington iria mudar o regime na Ucrânia – em detrimento da União Européia, e a do ministro estonianos dos Negócios Exteriores, Urmas Paets, sobre a verdadeira identidade dos atiradores na Praça Maidan. Eles também já tinham tido conhecimento das revelações semanário polonês Nie sobre o treinamento dos líderes nazistas na Academia de Polícia da Polônia, dois meses antes dos acontecimentos da Praça Maidan. Em relação a negar a presença de nazistas no novo governo ucraniano é como dizer que o sol nasce durante a noite. Não há necessidade de ir a Kiev para verificá-lo, basta ler os escritos dos atuais ministros e ouvir suas declarações [7].

No final das contas, apesar de todos os argumentos que Washington se toma o trabalho de enviar por escrito às redações e que permitem criar a ilusão de que existe um consenso na grande imprensa atlantista, o fato é que eles não têm nenhuma chance de convencer os cidadãos minimamente curiosos. Pelo contrário, é tão fácil descobrir o engano navegando um pouco na internet que esse tipo de manipulação não vai conseguir nada além de reduzir ainda mais a credibilidade de Washington.

O 11 de Setembro de 2001, a unanimidade da imprensa atlantista permitiu convencer a opinião pública internacional. Mas o trabalho que muitos jornalistas e cidadãos -entre os quais tenho a honra de me incluir- têm vindo realizando desde então tem mostrado a impossibilidade material do que é afirmado na versão oficial. Treze anos após o fato, centenas de milhões de pessoas ficaram cientes das mentiras. E serão cada vez mais numerosos… graças ao novo dispositivo estadunidense de propaganda. O resultado final é que aqueles que ecoam a propaganda da Casa Branca, principalmente os governos e os meios de comunicação da OTAN estão destruindo sua própria credibilidade.

Barack Obama e Benjamin Rhodes, John Kerry e Richard Stengel trabalham apenas para o curto prazo. Sua propaganda só convence as pessoas por cerca de algumas semanas. Mas ios deixam indignados quando descobrem a manipulação. Esses personagens estão involuntariamente minando a credibilidade das instituições dos Estados da OTAN que ecoam sua propaganda conscientemente. Eles se esqueceram de que a propaganda do século XX funcionava apenas porque o mundo estava dividido em dois blocos que não se comunicam entre si e que o controle monolítico ao que aspiram é incompatível com as novas mídias.

Embora ainda não concluída, a crise na Ucrânia já mudou profundamente o mundo. Por contradizer publicamente o presidente dos EUA, Vladimir Putin deu um passo à frente para impedir o sucesso da propaganda norte-americana.

Outros meios de comunicação internacionais que estão quebrando a propaganda informativa anglo-saxônica:



______________________________________________________________
[1] «Un réseau militaire d’intoxication», Réseau Voltaire, 8 de diciembre de 2003.
[2] «La OTAN prepara la mayor operación de intoxicación de la Historia», por Thierry Meyssan, Komsomolskaya Pravda, Red Voltaire, 12 de junio de 2012.
[3] «El redactor jefe de Time Magazine, nombrado nuevo jefe de la propaganda estadounidense», Red Voltaire, 16 de abril de 2014.
[4] «Hoja Informativa del Departamento de Estado: 10 falsedades que Rusia alega sobre Ucrania», Red Voltaire, 5 de marzo de 2014.
[5] «Hoja del Departamento de Estado sobre alegaciones de Rusia contra Ucrania», Red Voltaire, 13 de abril de 2014.
[6] «Ucrania: Polonia entrenó a los gopistas 2 meses antes de Maidan», por Thierry Meyssan, Red Voltaire, 18 de abril de 2014.
[7] «¿Quiénes son los nazis en el gobierno ucraniano?», por Thierry Meyssan, Red Voltaire, 3 de marzo de 2014.

Thierry Meyssan
No Rede Voltaire
Tradução Natalia Forcat
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Boletim médico – Sírio Libanês


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve alta do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, na manhã de hoje (27/04/14), onde esteve internado desde ontem, em decorrência de uma crise de labirintite.

O paciente realizou exames que apresentaram resultados dentro da normalidade e foi liberado para a realização de suas atividades normais a partir de hoje.

As equipes médicas que o acompanharam são coordenadas pelos Profs. Drs. Roberto Kalil Filho e Milberto Scaff.

Dr. Antonio Carlos Onofre de Lira              Dr. Paulo Cesar Ayroza Galvão
Superintendente Técnico Hospitalar                                Diretor Clínico
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Dez perguntas e respostas para entender a compra de Pasadena

1 – Qual foi o objetivo da compra da refinaria de Pasadena?

O propósito da Petrobras era capturar as altas margens do petróleo processado nos Estados Unidos na época. Como o petróleo proveniente do campo de Marlim era pesado e valia menos, era necessário processá-lo em uma refinaria mais complexa. Assim, após o refino tradicional, seria possível transformar os derivados pesados em produtos mais leves e mais valorizados.

Foi realizado um mapeamento de oportunidades nos Estados Unidos e duas consultorias de renome apontaram efetivas oportunidades de operação no Golfo do México. Essas informações indicavam a viabilidade da compra da refinaria de Pasadena. Logo em seguida, a planta deveria ser modernizada e ampliada para processar o petróleo de Marlim.

2 – Quanto a Petrobras pagou pela refinaria?

Foram desembolsados US$ 554 milhões com a compra de 100% das ações da PRSI-Refinaria e US$ 341 milhões por 100% das quotas da companhia de trading (comercializadora de petróleo e derivados), totalizando US$ 895 milhões.

Adicionalmente, houve o gasto de US$ 354 milhões com juros, empréstimos e garantias, despesas legais e complemento do acordo com a Astra. Desta forma, o total desembolsado com o negócio Pasadena foi de US$ 1,249 bilhão.

3 – Qual foi o preço pago pela Astra pela refinaria?

A Comissão de Apuração Interna, instaurada em março pela companhia, apurou que a Astra não desembolsou apenas US$ 42,5 milhões pela compra da refinaria. Este suposto valor, a propósito, nunca foi apresentado pela Petrobras.

Até o momento, análises da Petrobras indicam que a Astra desembolsou pelo conjunto de Pasadena aproximadamente US$ 360 milhões. Deste valor, US$ 248 milhões foram pagos à proprietária anterior (Crown) e US$ 112 milhões correspondem a investimentos realizados antes da venda à Petrobras.

Cabe destacar que a operação não envolvia apenas a compra da refinaria, mas sim um negócio bem mais amplo e diversificado. A unidade industrial de refino era parte menor de um complexo empreendimento que envolvia, também, um grande parque de armazenamento, estoques nos tanques, contratos de comercialização com clientes e contratos com a infraestrutura de acessos e escoamento. Envolvia, ainda, conhecimentos sobre o mercado e demais competências para operar no mercado norte-americano, em uma das zonas mais atrativas dos Estados Unidos.

4 - Afinal, a compra foi um bom ou um mau negócio?

Na época da compra, o negócio era muito vantajoso para a Petrobras, considerando as altas margens de refino vigentes e a oportunidade de processar o petróleo pesado do campo de Marlim no exterior e transformá-lo em derivados (produtos de maior valor agregado) para venda no mercado americano.

Posteriormente, houve diversas alterações no cenário econômico e do mercado de petróleo, tanto brasileiro quanto mundial. A crise econômica de 2008 levou à redução do consumo de derivados e, consequentemente, à queda das margens de refino. Além disso, houve a descoberta do pré-sal, anunciada em 2007. Assim, o negócio originalmente concebido transformou-se em um empreendimento de baixo retorno sobre o capital investido.

5 – Como a compra da refinaria foi aprovada?

O Conselho de Administração da Petrobras aprovou em 2006 a compra de 50% de participação em Pasadena, pelo valor de US$ 359 milhões. A operação estava alinhada ao planejamento estratégico vigente, que determinava a expansão internacional da Petrobras, contribuindo para o aumento da comercialização de petróleo e derivados produzidos pela companhia.

6 – As cláusulas “Put Option” e “Marlim” estavam no resumo executivo?

O resumo executivo originado pelo Diretor da Área Internacional e apresentado ao Conselho de Administração sobre a compra da refinaria de Pasadena não citava as cláusulas de “Marlim” e “Put Option”, nem suas condições e preço de exercício.

7 – Por que a Petrobras comprou os outros 50% da refinaria?

A partir de 2007, houve desentendimentos entre a Petrobras e a Astra em relação à gestão e ao projeto de expansão da refinaria. Em dezembro daquele ano, a Astra enviou à Diretoria Internacional da Petrobras uma carta de intenções para a venda dos outros 50%. Em março de 2008, a Diretoria da Petrobras apreciou e submeteu a proposta de compra ao Conselho de Administração, que não a autorizou. A Astra exerceu sua opção de venda (“Put Option”) e a Petrobras assumiu o controle da integralidade da refinaria ainda em 2008, após disputa judicial. Em 2012, tomando por base laudo arbitral confirmado judicialmente, houve uma negociação final entre as partes, considerada completa e definitiva.

8 – Qual foi a razão do desentendimento entre Astra e Petrobras?

A Astra não concordou em fazer investimentos na ampliação e modernização do parque de refino. A intenção era ampliar a capacidade de Pasadena para 200 mil barris por dia, que era a solução desejada pela Petrobras e que se mostrava mais interessante para processar o petróleo de Marlim.

9 – Qual é a situação atual da refinaria?

A refinaria, que tem capacidade de refino de 100 mil barris por dia, está em plena atividade, opera com segurança e vem dando resultado positivo este ano. A unidade tem localização privilegiada, num dos principais centros de petróleo e derivados dos Estados Unidos. Opera com petróleo leve, disponível nos Estados Unidos a partir do crescimento da produção local de óleo não-convencional (tight oil).

A Petrobras já recebeu propostas pela compra de Pasadena, mas decidiu manter a refinaria fora do pacote de desinvestimentos até que sejam concluídas as investigações em curso. Só então decidirá o que fazer, considerando as condições do mercado.

10 – Como o caso está sendo apurado na Petrobras?

No dia 24 de março, foi instaurada uma Comissão Interna de Apuração na Petrobras sobre a aquisição da refinaria de Pasadena para esclarecer todas as questões que vêm sendo discutidas na sociedade. Além disso, a companhia é fiscalizada e colabora com os órgãos de controle como o TCU, a CGU e o Ministério Público. Desde novembro de 2012, foram respondidas 16 solicitações do TCU e cinco da CGU sobre Pasadena.

No Fatos e Dados
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Perfil dos Estados Brasileiros 2013


Dados evidenciam como são governadas as Unidades da Federação e como são definidas e implementadas suas políticas públicas. 

A pesquisa é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Os resultados estão organizados em sete capítulos em que são destacados aspectos relevantes da gestão e da estrutura desses entes federados a partir dos seguintes eixos temáticos: recursos humanos das administrações, saúde, meio ambiente, política de gênero, assistência social, segurança alimentar e nutricional e inclusão produtiva. Esses dados ampliam o conhecimento sobre o papel das instituições estaduais no contexto da democracia, do “novo” federalismo e da descentralização.

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Deu tucano na cabeça no jogo do bicho

PSDB paraense acusado de ligação com o jogo do bicho


Gravações autorizadas judicialmente, feitas pela Polícia Civil do Pará, revelam conversas entre uma das principais lideranças do jogo do bicho no estado, João Monteiro Vidal, conhecido como “Jango”, e o presidente municipal do PSDB em Belém, Fabrício Gama.

Há indícios fortes, confirmados em áudios, de que Jango colaborou com logística, mão-de-obra e dinheiro para a campanha do atual prefeito de Belém, o tucano Zenaldo Coutinho.


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A Onda

Em uma escola da Alemanha, alunos tem de escolher entre duas disciplinas eletivas, uma sobre anarquia e a outra sobre autocracia. O professor Rainer Wenger é colocado para dar aulas sobre autocracia, mesmo sendo contra sua vontade. Após alguns minutos da primeira aula, ele decide, para exemplificar melhor aos alunos, formar um governo fascista dentro da sala de aula. Eles dão o nome de "A Onda" ao movimento, e escolhem um uniforme e até mesmo uma saudação. Só que o professor acaba perdendo o controle da situação, e os alunos começam a propagar "A Onda" pela cidade, tornando o projeto da escola um movimento real. Quando as coisas começam a ficar sérias e fanáticas demais, Wenger tenta acabar com "A Onda", mas aí já é tarde demais.

Título: Die Welle (A Onda)
Baseado no livro homônimo de 1981 do autor americano Todd Strasser.
Direção: Dennis Gansel
Elenco: Jürgen Vogel, Frederick Lau, Max Riemelt
Gênero: Drama
Nacionalidade: Alemanha
Ano de produção: 2008


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Um ato nada informal

Ao repetir, sem necessidade, o seu pedido de investigação de um alegado telefonema de José Dirceu há três meses e 20 dias, a promotora Márcia Milhomens Sirotheau Corrêa comprometeu mais a Promotoria do Distrito Federal com procedimentos impróprios e suspeitos, extensivos ao Judiciário do DF.

No pedido anterior ao juiz da Vara de Execuções Penais e, como etapa seguinte, ao presidente do Supremo Tribunal Federal, a promotora fizera o uso anormal de coordenadas geográficas para indicar as localizações dos celulares a terem seu uso investigado. As coordenadas, como constatou o advogado José Luis de Oliveira e Lima, defensor de José Dirceu, correspondem à prisão da Papuda e ao Palácio do Planalto (viu-se, depois, que permitiriam violar também os celulares do Congresso e do Supremo).

O novo pedido não usa coordenadas geográficas. Refere-se ao Centro de Internamento e Reeducação, setor da Papuda, e "à área objeto das coordenadas geográficas". Logo, além do reconhecimento objetivo da não inconveniência de citação nominal, a promotora confirma o propósito de devassar as ligações feitas e recebidas de todos os celulares do Planalto. E até do Congresso e do Supremo, já conhecida também sua presença na "área objeto das coordenadas mencionadas".

Fica atestada, portanto, a múltipla ilegalidade do recurso a coordenadas: a finalidade inexplícita e enganadora do seu uso, a quebra de sigilos telefônicos indeterminados e generalizados, e as violações de comunicações da Presidência da República — senão também do Congresso e do Supremo.

Não é preciso forçar a imaginação para antever o estado alucinante de "denúncias" e "acusações" que poderiam ser criado com interpretações mal-intencionadas dos números movimentados por celulares no Planalto.

O fundamento invocado pela promotora são "denúncias trazidas ao Ministério Público em caráter informal". Então, empatou. Denúncias em caráter informal dizem que a afirmação é falsa.

Mas se as primeiras satisfazem a promotora, nem por isso o fato de subscrevê-las lhe serve de alguma coisa. Como já disse o ministro José Eduardo Cardozo, "situações de informalidade, de suposições, não permitem uma quebra de sigilo no Estado de Direito". Mas, sobretudo, as alegadas denúncias não justificam o uso de coordenadas capazes de induzir algo tão grave como a violação de comunicações originárias da Presidências da República.

Os escuros

A decisão liminar da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, de que a CPI aprovada no Senado ocupe-se da Petrobras, e não também da corrupção no metrô e nos trens paulistas, corresponde ao que sempre foram as CPIs. O que surpreende é o argumento aparentemente decisivo para a ministra: a preservação de direitos da minoria (no caso, a oposição proponente da CPI da Petrobras). Investigar também os dois assuntos de corrupção em São Paulo não seria impedimento à investigação da Petrobras e, portanto, ao direito da minoria.

Se Renan Calheiros e outros quiserem fazer uma CPI para os casos paulistas, como apregoam, os fatos já conhecidos a respeito mais do que justificam a iniciativa: é indecente que esses dois casos só se tornassem conhecidos no Brasil, e apenas conhecidos, por investigações feitas na Europa.

A exploração política e eleitoreira que a oposição e meios de comunicação fazem do caso Petrobras está prejudicando mais a empresa, patrimônio nacional com imensa importância externa, do que alcançando fatos e respectivas responsabilidades. Registrem-se também certas contribuições sorrateiras da Polícia Federal. Mas nem há o que discutir quanto a necessidade de investigação das longas obscuridades da Petrobras, que não são poucas.

Janio de Freitas
No fAlha
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“Eu vou ser cabo eleitoral da Dilma, vou pra rua fazer campanha pra Dilma”, Lula, em entrevista à RTP


“Nós não vamos conseguir resolver em 11 anos as mazelas de 5 séculos. O dado concreto é que avançamos de forma extraordinária.” Na última sexta-feira (25), durante sua visita a Lisboa, Lula conversou com a jornalista Cristina Esteves, da RTP. Na entrevista, exibida ontem a noite em Portugal, o ex-presidente falou sobre os 40 anos da Revolução dos Cravos, a crise econômica na Europa, a Copa do Mundo no Brasil, seu trabalho para o combate à pobreza na África e as eleições de 2014. “Dilma vai ganhar as eleições” e completou “Eu vou ser cabo eleitoral da Dilma, vou para a rua fazer campanha para a Dilma”.

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Revisitando o documentário "Muito Além do Cidadão Kane"

 Singela homenagem aos 49 anos da Rede Globo 


Aos 50 anos do golpe militar de 1964 é necessário revisitarmos o documentário “Muito Além do Cidadão Kane” (Beyond Citizen Kane, 1993), dirigido por Simon Hartog para o Channel Four da Inglaterra. A Globo venceu na justiça e o filme foi banido do País, mas acabou assistido e debatido nos meios universitário e acadêmico. Tornou-se um documento fundamental para conhecermos o Brasil e a nossa TV. Ficou famoso internacionalmente pelas suas denúncias sobre as manipulações do telejornalismo da Globo e o favorecimento econômico da emissora de Roberto Marinho desde o início do regime militar. Mas o documentário de Hartog diz mais, que só o olhar de um estrangeiro poderia ver: os detalhes que contribuíram para a Globo formar a primeira rede de TV do País, capaz de criar um conteúdo tão genérico que passou por cima da diversidade cultural e regional brasileira. “A estranha combinação” do entretenimento dominical, a TV em cores e o projeto de modernidade e integração nacional dos militares e o condicionamento da vinheta do plim-plim e da linguagem do globês que alterou a identidade idiomática do brasileiro.

Às vésperas dos 50 anos do golpe militar de 1964, é oportuno fazermos uma revisita ao lendário documentário televisivo britânico Muito Além do Cidadão Kane. Produzido e distribuído pelo canal privado Channel Four em 1993 e dirigido por Simon Hartog, o documentário foca as relações entre a grande mídia e o poder no Brasil e detalha a posição monopolista da rede Globo que cresceu à sombra do regime militar. Analisa a figura do proprietário Roberto Marinho, suas relações políticas com o Estado (aproximando-o do personagem Charles Foster Kane, personagem criado por Orson Welles para o filme Cidadão Kane de 1941) e o poder da emissora em formar e manipular a opinião pública.

A ideia da produção do documentário surgiu quando Hartog visitou o Brasil nos anos 80 e ficou impressionado com o império midiático da Globo, Roberto Marinho e o seu pragmatismo político. Hartog fazia parte de um grupo de cineastas de esquerda da London Coop. Antes de produzir Muito Além do Cidadão Kane ele já havia realizado Brazil: Cinema, Sex and the Generals (1985) sobre o papel político das pornochanchadas na época do regime militar. Para os amigos, Hartog confidenciava a surpresa pelos brasileiros até então nunca terem feito um documentário sobre o poder da Globo.


Muito Além do Cidadão Kane ficou famoso nos meios universitários e acadêmicos pelas denúncias de manipulação das notícias (o desprezo pelas “Diretas Já”, a manipulação da edição do debate entre Collor e Lula em 1989 etc.) e por descrever didaticamente as relações simbióticas entre os interesses econômicos da Rede Globo e os políticos da ditadura militar (1964-1985).

Sem falar as batalhas judiciais que envolveram o documentário, começando no Reino Unido que fizeram adiar em um ano o seu lançamento: a Rede Globo contestou a produção do Channel Four devido ao uso de fragmentos da programação da emissora. E o banimento no Brasil com apreensões de cópias no MAM/RJ e no Museu da Imagem e do Som de São Paulo em 1994.

Revisitando Muito Além do Cidadão Kane percebemos que Simon Hartog quis dizer muito mais: seu olhar de um estrangeiro originário do Reino Unido onde a maior emissora (a BBC) possui controle público revela o espanto ao ver um país onde a maior emissora é privada e que não só cresceu fora do controle do Estado como também interferiu em momentos cruciais da história política nacional.

Os fatores determinantes políticos (o acobertamento pelos militares das origens ilegais da emissora com o acordo Globo/Time-Life em 1967 e a liberalidade com que foi tratado os negócios da Globo durante o regime militar), econômicos (a concentração do mercado publicitário na TV) e pessoais (a origem familiar de Roberto Marinho estava no jornalismo) apenas explicam parcialmente o sucesso de uma emissora que entrou na adolescência do mercado televisivo brasileiro e deu-lhe um novo rumo.

As bases imaginárias da construção de uma rede

"Olimpíadas do Faustão" e "Fantástico": a "estranha combinação
no lazer do domingo. Uma das chaves da construção de uma
rede nacional de TV
Tudo isso seria insuficiente se a grade de programação da emissora (que o documentário dá destaque à grade dominical), a sua linguagem e o chamado “padrão Globo de Qualidade”, não tivessem penetrado tão profundamente no psiquismo do brasileiro. A grade formada pelo trinômio Telejornalismo/Novelas/Futebol e a linguagem televisiva que praticamente recriou a língua portuguesa (“do português ao globês”, como fala o publicitário Washington Olivetto a certa altura no documentário) foram as verdadeiras bases imaginárias que ajudaram a consolidar um inédito sistema de comunicação em rede via satélite.

O que caiu como uma luva no projeto do regime militar de integração nacional através da unificação cultural e a construção de um ideal de modernidade onde a televisão colorida teria um papel-chave.

O documentário de Hartog inicia mostrando os números do monopólio da Rede Globo: números de emissoras afiliadas, alcance no território nacional e concentração das verbas publicitárias. Colocados esses números o documentário inicia a investigação do por que desses números impressionantes.

E não é por acaso que dá destaque ao conteúdo da programação dominical com as “olimpíadas bobocas” do Faustão e o “carro-chefe” do Fantástico em um “domingo típico com uma estranha combinação de elementos” — o mix de notícias policiais sobre estupradores, musicais, Disneyworld e matérias sobre as próprias telenovelas da Globo. Ao mesmo tempo mostra como “a Publicidade era melhor que o País” ao oferecer nos intervalos publicitários produtos e serviços que a maioria dos brasileiros não podiam consumir.

Simon Hartog toca no ponto nevrálgico do sucesso da integração nacional por meio da construção gigantesca rede de televisão: em pleno regime de exceção, AI-5 e censura, a popularização da TV dava às pessoas uma impressão de igualdade, uma aparente socialização integral, sem barreiras e liberdade em pleno espaço privado da sala de jantar. E o domingo com o show de variedades numa “estranha combinação” reforçava essa impressão de variedade e liberdade de oferta de conteúdos.
Maria Rita Kehl no documentário: a repetição do
mito do "self made man" nas novelas da Globo

A TV cumpria a importante função de cimento ideológico do domingo que preparava o espírito para enfrentar a semana que se iniciava – como até hoje. E a oferta publicitária de bens e serviços caros só reforçava a ideologia meritocrática que as telenovelas exibiam em horário nobre (como fala a psicanalista Maria Rita Kehl no documentário “a repetição do mito do self made man do princípio do capitalismo”). Os produtos se oferecem para você na tela da TV. Basta você vencer na vida para comprá-los. Ideologia meritocrática que ocuparia papel central na mentalidade da nova classe média que surgiria com o chamado “Milagre Econômico” do início da década de 1970.

Mas essa ilusão de participação através da TV enfrentava duas grandes dificuldades: uma de natureza técnica e outra cultural.

O efeito comportamental do “plim-plim”

Como o documentário destaca, em 1969 a Embratel acabara de inaugurar o sistema de microondas que permitiria à Globo emitir sinais simultâneos para Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Curitiba. Eram as condições técnicas que permitiram a Globo lançar o Jornal Nacional, o primeiro telejornal brasileiro em rede. Mas, ao longo do tempo, a emissora enfrentou o problema técnico de sincronização das afiliadas: todas deveriam sair simultaneamente dos intervalos publicitários para a exibição do sinal emitido da matriz no Rio de Janeiro.

A solução técnica foi a famosa vinheta do “plim-plim” para avisar as afiliadas quando haveriam intervalos, e com isso todas estariam sincronizadas. Em 1971 José Bonifácio, o “Boni”, encomendou a vinheta que foi implantada durante o Festival Internacional da Canção. Boni queria um som que pudesse ser ouvido a quadras de distâncias para fazer a família voltar para diante da TV – o documentário relata que os telespectadores “salivavam” ao ouvir o som do “plim-plim” criado pelo austríaco Hans Donner.

Mas ao longo dos anos 1970 publicitários e profissionais de mídia começaram a perceber que a sonora vinheta, tornada ainda mais marcante com a remodelagem de Hans Donner em 1975, estava dificultando a recepção dos intervalos publicitários do horário mais caro da emissora. Simplesmente o sinal transformou-se num comando comportamental para os espectadores se levantarem, irem para qualquer cômodo da casa para retornarem depois do novo “plimplim”.

Sob um regime militar de censura e repressão política, sabendo-se que a TV Globo e Roberto Marinho tinham ótimas relações com os presidentes generais, tal percepção ficou restrita a boca pequena ajudando a manter os altos valores de inserção no horário nobre, vital para o crescimento da rede.
A vinheta do plim-plim nos anos
1970: efeitos comportamentais

A vinheta do plim-plim nos anos
1970: efeitos comportamentais
O outro fator foi o cultural: a grande extensão territorial do País e diversidade de hábitos, gostos que faziam parte da história da população regional. Como o documentário destaca, ovideotape já havia acabado com as programas ao vivo e a produção local, facilitando a centralização da nova rede. Mas a diversidade cultural brasileira era uma barreira para estabelecer a fusão da identidade nacional com o mercado meritocrático publicitário.

O pesquisador Renato Ortiz dá o exemplo dos estados do tradicionalismo de estados como o Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Por exemplo, o interior gaúcho ainda possuía emissoras locais que se desenvolveram antes da fase da “integração nacional”, mantendo uma cultura tradicionalista que seria uma óbvia barreira de uma programação em rede. A solução foi o “toque” local a partir da construção da figura do “gaúcho”, da “mineiridade” e assim por diante, principalmente por meio dos personagens de telenovelas. As antigas identidades locais (hoje inviáveis em face das transformações sociais e do cosmopolitismo da sociedade de massas) foram como que desmontadas para depois serem reconstruídas por meio da culinária, arquitetura e “tradição” (no sentido museológico do folclore).

Do português ao “globês”

Mas o elemento decisivo da “integração nacional” (identidade nacional + mercado publicitário) foi a criação de uma arquinorma linguística, aquilo que o publicitário Washington Olivetto declara no documentário de que “o brasileiro em certo momento deixou de falar o português para falar o ‘globês’”.
Washington Olivetto: do português ao globês

A linguagem da TV Globo acabou criando uma nova identidade idiomática não tanto por alguma intencionalidade conspiratória, mas pela própria exigência técnica de um sistema de comunicação em rede cujo conteúdo generalista deveria ser compreensível a todas as diferenças regionais. Como criar um conteúdo generalista para um país que na verdade contém diversos países: culturas, tradições, falas etc.?

Muitos pesquisadores na área de Fonética e Fonoaudiologia estudam como a TV Globo criou uma arquinorma televisiva irradiada como, por exemplo, a limitação da pronúncia de vogais pretônicas e neutralizações de traços opositivos vocálicos aberto/fechado. Segundo a pesquisadora Regina Silveira , “as bases da pronúncia da arquinorma televisiva da Globo constroem, para seus telespectadores, representações mentais sonoras-tipo que ficam armazenadas em suas memórias de longo prazo, social” (veja SILVEIRA, Regina Célia P. “A Questão da Identidade Idiomática: a pronúncia da vogais pretônicas na variedadepadrão do português brasileiro”).

Essa arquinorma passou a ser aceita pelo seu prestígio não tanto por ser “norma culta”, mas pela marca do simbolismo da modernidade dentro do projeto ideológico dos militares no qual a necessidade do monopólio Rede Globo estava inserido.

Embora seja uma produção de 1993, Muito Além do Cidadão Kane continua atual: embora o sistema político tenha se democratizado, o sistema midiático continua com a mesma estrutura idealizada pelo regime militar. Quando veremos a produção de Simon Hartog como um documento histórico de uma época que passou?

Ficha Técnica

Título: Muito Além do Cidadão Kane (Beyond Citizen Kane)
Direção: Simon Hartog
Roteiro: Simon Hartog
Elenco: Leonel Brizola, Walter Clark, Chico Buarque de Hollanda, Dias Gomes, Lula, Washington Olivetto, Armando Nogueira
Produção: Channel Four
Distribuição: Channel Four
Ano: 1993
País: Reino Unido



Wilson Roberto Vieira Ferreira
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