25 de abr de 2014

Alexandre Padilha mostra a incompetência tucana


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Como é trabalhar numa empresa apaixonadamente detestada como a Globo?

Bete foi expulsa de um protesto na Maré
Fico aqui me perguntando se já não é hora de a Globo incluir um adicional psicológico para seus jornalistas que saem às ruas.

Isso me ocorreu depois de ver o desconcertante esculacho a que foi submetida a jornalista Bete Lucchese quando fazia uma reportagem sobre um protesto no Rio.

Alguém filmou a cena, e ela rapidamente se espalhou pela internet. Demos o vídeo no DCM, e é uma das coisas mais lidas hoje no site.

Bete tem um problema técnico, e se irrita com a equipe que a filma. Tudo normal. A surpresa foi a reação de um passante. Ele passou uma descompostura em Bete que, pelo sucesso instantâneo do vídeo, reflete o espírito de muitos, muitos brasileiros.

Uma das coisas que ele disse foi: “Vai trabalhar em outro lugar.”

Não é, evidentemente, uma coisa simples. O mercado, para a mídia tradicional, não está nada aquecido. As audiências minguam e, com elas, vão minguando os orçamentos, e o próximo passo é o encolhimento da receita publicitária.

Bete recebeu estoicamente a bofetada moral, e é preciso elogiá-la por isso.

Ela poderia ter respondido, candidamente: “Ótimo. Onde vou trabalhar, então? Na Rede Manchete? Ou você paga as minhas contas?”

O episódio é revelador de uma mudança notável na mentalidade brasileira. Não muito tempo atrás, trabalhar na Globo era motivo de orgulho. Hoje, é um embaraço — e não raro um risco, em situações emocionais como protestos.

Como ficam os jornalistas da casa?

Não é muito simples trabalhar numa empresa que é amplamente detestada. Todos sonhamos em trabalhar em lugares admirados, em que tenhamos a oportunidade de fazer coisas pelo bem público.

Mas e trabalhar num lugar abominado, como é?

Numa reunião social, pode ser um constrangimento. Na rua, como se viu agora com Bete, um pesadelo.

Mesmo repórteres prestigiados como Caco Barcellos foram intensamente hostilizados nos últimos meses, na cobertura de manifestações de protesto.

A sociedade parece cansada de muitas coisas, mas a Globo parece representar um ponto de exaustão. É como se ela fosse o símbolo supremo do atraso nacional, uma espécie de Bastilha que retarda movimentos para tornar menos desigual o Brasil.

Vistas as coisas em retrospectiva, junho de 2013 mudou o Brasil — e para melhor. A sociedade disse chega para a monstruosa exclusão que nos marca.

O Brasil teve um choque de realidade. Acordamos, por exemplo, para a dura realidade de que somos absurdamente racistas.

A última capa da revista Trip diz o seguinte: “Ser preto no Brasil é fxxx!”

Não muito tempo atrás, Ali Kamel, da Globo, escreveu um livro ufanista chamado “Não Somos Racistas”.

Hoje, uma tese destas não poderia ser defendida sem que o autor caísse em profundo e generalizado escárnio. Amarildo, Claudia, Douglas — negros, sempre negros as vítimas da violência policial.

Por precaução, os jornalistas da Globo chegaram a trabalhar sem o logotipo da casa nos microfones, nos protestos.

Isso resolve para desconhecidos. Mas e quando o repórter é um Caco Barcellos? Você faz uma plástica nele?

Na raiva, muita gente toma funcionário da Globo como uma espécie de cúmplice. Isso só complica as coisas.

Não é fácil trabalhar na Globo hoje, ficou claro na desmoralização a que Bete foi submetida. E nem foi a primeira vez. Algum tempo atrás, já a puseram para correr na Maré.

Repito: a empresa deve pensar num adicional psicológico. Você tem que ser muito zen para não se deixar arrasar pela constatação de que pertence a uma organização odiada apaixonadamente.

Paulo Nogueira
No DCM
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As perguntas que não são feitas nas pesquisas eleitorais

Rompendo o tédio da rotina dos questionários elaborados pelos institutos de pesquisa, formulei seis perguntas cujos resultados me interessariam conhecer.

Pesquisas de opinião são orientadas, claro, e as eleitorais não constituem exceção. Se alguém deseja saber quem prefere maçã ou banana deve perguntar justamente isso, sem confundir o pesquisado com as opções de abacaxis e mangas. Muitas pesquisas eleitorais desorientam os entrevistados ao introduzir opções que nada mais são do que abacaxis e mangas, nomes de candidatos sabidamente estéreis no contexto eleitoral efetivo. Obtêm-se antes de tudo uma idéia da dispersão aleatória da preferência eleitoral, não as escolhas sólidas a aparecer com perguntas focadas no que está, de fato, em jogo. Mas nada impede que se investigue se o freguês é mais afeito a frutas ácidas ou cremosas — um tanto mais geral e inespecífica do que a pergunta anterior.

Com maior ou menor generalidade o que importa é que há um mundo de interrogações adequadas ao conjunto das frutas, todas legítimas, respeitadas modestas regras de lógica. Simples, mas esquecido quando os institutos divulgam seus resultados, aceitos com sagrada intimidação. Na verdade, os mesmos tópicos das pesquisas podem ser investigados por inquéritos variados, nada havendo de interdito no terreno do mexerico.

Em pesquisas de opinião são fundamentais a representatividade da amostra dos pesquisados, a correção dos questionários e, concluindo, a leitura dos resultados. É intuitivo que em uma comunidade onde 99% são religiosos o inquérito não pode concentrar-se no 1% restante, exceto se o pesquisador estiver interessado justamente na opinião da extrema minoria de agnósticos que ali vivem. Isto respeitado, tudo bem quanto à representatividade dos números.

Mas a leitura dos resultados pode ser marota. Jogando uma moeda para o ar centenas de vezes, o número de experimentos em que ao cair a moeda mostrará a “cara” tende a ser o mesmo número de “coroas”. Ignorando quando e porque acontece uma ou outra coisa, deduz-se que a probabilidade de dar “cara” ou “coroa” é de 50%, ou seja, metade das vezes uma, metade, a outra. Em certos convescotes essa peculiaridade é chamada de “acaso”.

Mas essa é uma probabilidade diferente da que indica o futuro do clima, por exemplo. As chances de que chova nas próximas 48 horas não é derivada diretamente de uma série de 48 horas do passado, mas das condições em que milhares de 48 horas foram chuvosas: umidade do ar, regime de ventos, formação de nuvens, etc. explicam com relativo grau de precisão (a probabilidade) as variações climáticas. O que justifica o probabilismo é o conhecimento das particularidades associadas ao aparecimento do fenômeno “chuva”, não o mero fato de sua repetição.

Pois a probabilidade derivada de uma série de pesquisas eleitorais não importa quando é análoga à do jogo “cara” ou “coroa”, não à dos prognósticos atmosféricos. De onde se segue serem um tanto marotas as previsões de resultados eleitorais apoiadas em séries históricas, por mais extensas que sejam. A diferença é ontológica: uma eleição não é um jogo de “cara” ou “coroa”. A seguir, uma crítica, digamos, construtiva.

Rompendo o tédio da rotina dos questionários elaborados pelos institutos de pesquisa, formulei seis perguntas cujos resultados me interessariam conhecer. Aí vão:

1 — o Sr(a) prefere:
a) continuar com a presidenta atual (Dilma Roussef)
b) voltar ao governo do PSDB (Aécio Neves)
c) indiferente

2 — o Sr(a) votaria em alguém que:
a) defende a manutenção do emprego de quem trabalha
b) promete medidas impopulares
c) indiferente

3) — o Sr(a) apóia o controle nacional do petróleo do pré-sal?
a) sim
b) não
c) indiferente

4) — A oposição atual representa seu ideal de governo?
a) sim
b) não
c) indiferente

5) — Em relação à distribuição de renda o Sr.(a) é:
a) a favor
b) contra
c) indiferente

6) — Os atrasos na conclusão de aeroportos e estádios demonstram que:
a) a iniciativa privada não é confiável
b) há sempre imprevistos em grandes obras
c) indiferente

Escolhi agregar todos os votos “não sei/prefiro não responder”, brancos e nulos em uma única opção porque estou interessado somente nas escolhas claras. E indiquei o nome de dois candidatos na pergunta 1 porque este é o desenho do questionário e, conforme o manual da boa pesquisa, o entrevistado deve estar de posse das informações relevantes para responder corretamente. Naturalmente, os entrevistados com preferência por outros nomes ou por nenhum estariam representados na resposta c.

O diabo é que ninguém acredita que os questionários dos institutos são apenas uma aproximação do que os eleitores perguntam a si mesmos, na hora do vamos ver. Por isso suas pesquisas ao final de uma corrida eleitoral se tornam mais diretas e econômicas, reduzindo o percentual de erro. Ainda assim, por vezes o palpite estatístico é desastrosamente equivocado. É quando o instituto, ao contrário de tentar replicar o que pensa o eleitor, busca fazer com que o eleitor pense como ele. Não dá certo.

Wanderley Guilherme dos Santos
No Carta Maior
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Nota à Imprensa

O jornal Folha de S.Paulo publicou nesta quarta-feira (23) que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou “estar por fora”, quando perguntado sobre a Petrobras. Na realidade, o ex-presidente diz “eu estou fora”, se referindo sobre estar fora do Brasil. Ouça o áudio completo da entrevista coletiva concedida por Lula, na quarta-feira (23) em Salamanca na Espanha e verifique que ele não falou o que foi publicado pelo jornal e repercutido por outros veículos de comunicação no Brasil:

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Choruminho do Jornalismo Wando



Essa semana esteve especialmente farta na colheita de chorumes. Mesmo assim, tivemos um grande destaque que facilitou o processo de seleção. Navegando pelos mares chorumentos do Facebook, conheci o aguerrido grupo "Pátria Brasileira",  que divulgou uma notícia assustadora:
 

Assustado com mais essa maldade do regime comunista, corri no Twitter para compartillhar a informação. Foi quando o amigo internauta, @filipe_barini, me alertou da possibilidade da notícia ser uma fraude. Duvidei. Meus amigos reaças do Face costumam lançar mão de mentirinhas, mas jamais imaginei que brincariam com algo tão sério. Eu estava errado:
A zoeira e o chorume, de fato, não têm limites. A fabriqueta de mentiras das redes sociais está a todo vapor e promete trabalhar full-time nesse ano de eleição. O rituximabe, um importante medicamento para o tratamento de câncer, não foi retirado da rede pública, muito pelo contrário. No início desse ano, houve um aumento considerável da oferta desse medicamento pelo SUS. Com tanta coisa para se criticar no governo de Dilma, nossos chorumeiros recorrem aos factóides mais inacreditáveis. Portanto, colegas de chorume, coloquem a mão no coração e sejam mais humanos. Vamos inventar mentirinhas mais leves, como aquela que diz que o Maduro derrubou um avião brasileiro que levava ajuda humanitárias aos venezuelanos. Essa, pelo menos, não envolve o câncer da presidenta, nem de milhares de doentes que dependem do SUS.

No Jornalismo Wando
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Queima de arquivo: coronel torturador e assassino da ditadura é morto


Coronel Paulo Malhães é assassinado na Baixada 

RIO - O coronel da reserva Paulo Malhães, que tomou os noticiários ao revelar como funcionava o centro de tortura clandestino da ditadura em Petrópolis e também revelou o destino do corpo do ex-deputado Rubens Paiva, foi encontrado morto na manhã desta sexta-feira dentro de sua casa, num sítio do bairro Marapicu, na zona rural de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

O militar da reserva teve atuação de destaque na repressão política durante a ditadura militar e, no mês passado, em depoimento à Comissão Nacional da Verdade, assumiu ter participado de torturas, mortes e desaparecimentos de presos políticos.

Segundo Carla, uma das filhas de Malhães, três pessoas entraram na casa do coronel reformado na tarde de quinta-feira, prenderam a mulher dele num aposento e mataram o militar por sufocamento. Na ação, o grupo levou todas as armas que ele tinha em casa.

Segundo disseram investigadores da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense, que acabam de realizar uma perícia no local, Malhães ficou em poder dos bandidos de 13h às 22h, segundo o relato de testemunhas.

— Eu fiquei amarrada e trancada no quarto, enquanto os bandidos reviravam a casa toda em busca de armas e munição. Não era segredo que ele era colecionador de armas — disse a viúva Cristina Batista Malhães, enquanto era conduzida para a Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) para prestar depoimento

De acordo com apuração do jornal, o caseiro também foi conduzido para a delegacia. Ele ficou trancado em outro cômoda da casa, amarrado. Segundo disse o delegado Fábio Salvadoretti, da DHBF, não havia marcas de tiros no corpo de Paulo Malhães, apenas sinais de asfixia.

— A princípio, ele foi morto por asfixia. O corpo estava deitado no chão do quarto, de bruços, com o rosto prensado a um travesseiro. Ao que tudo indica ele foi morto com a obstrução das vias aéreas.

Nadine Borges, integrante da Comissão Estadual da Verdade e responsável por tomar o depoimento de Malhães há poucas semanas, cobrou uma investigação célere do assassinato. Segundo ela, este não pode ser tratado como um crime comum.

No SQN

As confissões de Paulo Malhães

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Supremo absolve Collor pelos crimes de peculato e corrupção passiva


Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) inocentaram na quinta-feira (25) o ex-presidente Fernando Collor de Mello pelo crimes de peculato (desvio de dinheiro público), falsidade ideológica e corrupção passiva.

A pergunta que não quer se calar: Porque a teoria Domínio do Fato, usado no ano passado para condenar o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, foi rejeitada pela maioria dos ministros do STF, inclusive Joaquim Barbosa, na acusação por desvio de dinheiro do ex-presidente Fenando Collor de Mello?.

O fato curioso é que a decisão do STF em comparação com a AP 470 é que Collor foi absolvido por falta de provas e José Dirceu foi condenado mesmo sem provas.

Leia abaixo na íntegra a matéria publicada no Brasil 247:

"Mais de 20 anos depois Supremo absolve Collor"

Pela segunda vez, o ex-presidente Fernando Collor (PTB) é inocentado pelo Supremo Tribunal Federal, a mais alta Corte de Justiça do Brasil. Em julgamento realizado na tarde desta quinta-feira (24), os ministros do STF entenderam que não há provas que vinculem Collor a um suposto esquema de recursos advindos de empresas de publicidade que prestavam serviços ao governo federal, na época em que foi presidente da República, como disse o Ministério Público.

Este segundo e último julgamento trata da parte final de um processo já apreciado em outra instância da Justiça Federal, que já absolveu, também por ausência de provas, os demais denunciados pelo Ministério Público. Agora, em relação ao ex-presidente, os ministros do STF praticamente seguiram a sentença da juíza federal Pollyana Medeiros, proferida em abril do ano passado. Em treze páginas, ela desmontou as acusações e não encontrou conexões entre as empresas contratadas e seus supostos beneficiários.

O ex-presidente já havia sido inocentado pelo STF, em julgamento ocorrido em 1994. Na época, o relator da ação penal foi o ministro Ilmar Galvão. Recentemente, Galvão relembrou aquela fase de acusações e emitiu ponto de vista sobre o processo: "O juiz não julga porque acha, pela simpatia. O que eu posso dizer é que não havia prova contra Collor. Seria um absurdo condenar alguém se não havia prova".

Punição política

Inocentado pela Justiça brasileira, em dois julgamentos no Pleno do STF, ainda assim o ex-presidente enfrentou as consequências de uma punição política, imposta em 1992 pelo Congresso Nacional. O impeachment de Collor foi uma decisão dos deputados e senadores, que resolveram afastá-lo por oito anos da vida pública nacional. Todo o episódio também proporcionou discussões acerca da isenção jornalística na cobertura do caso.

Durante o Seminário "Poder Judiciário e Imprensa", promovido pela Escola da Magistratura da Justiça Federal da 3ª Região, ocorrido em São Paulo, em 2011, o jornalista global Caco Barcelos falou sobre a apuração jornalística durante o impeachment do ex-presidente. Na ocasião Barcelos lamentou o fato de, no Brasil, a regra ser a prática do jornalismo declaratório e não o investigativo. "Há uma diferença essencial", disse ele.

Para o jornalista Caco Barcelos, que se consagrou como repórter investigativo, o jornalismo declaratório é, infelizmente, o que mais se pratica na maioria das redações brasileiras. "Collor sofreu uma punição política, mas não se provou nada contra ele. A denúncia judicial e a denúncia de imprensa devem ter sido, portanto, incompetentes", afirmou o profissional no Seminário.

Presidente civil

Jovem, aos 41 anos, Fernando Collor tornou-se, em 1989, o primeiro presidente civil eleito pelo povo, após o regime militar instaurado em 1964, e marcou sua gestão com características de modernização e avanço na industrialização do país. Assumiu a presidência num quadro hiperinflacionário e de estagnação econômica e com produtividade industrial de 1,4% ao ano. No decorrer do governo, a produtividade subiu para 7,6% ao ano.

Até aquele histórico ano eleitoral, o Brasil só possuía cinco empresas com certificação internacional de qualidade ISO 9000. Com a abertura do mercado brasileiro ao sistema financeiro mundial e o fomento aos investidores, mesmo em pouco tempo, Collor deixou o País com 1.341 empresas com ISO 9000.

Dados compilados pela Universidade de São Paulo e constantes nos arquivos do Banco Central atestam muitos outros indicadores positivos da gestão Collor, todos decorrentes do plano de modernização da economia brasileira. Mas há também dados relevantes no campo social e que podem ser confrontados com outras gestões. Na área da saúde, por exemplo, o presidente Collor investiu 14 bilhões de dólares. Para se ter uma ideia, o governo Fernando Henrique Cardoso não passou de 13 bilhões de dólares.

A Organização Mundial da Saúde registrou no Brasil, entre 1990 e 1992, o número mais baixo de doenças em crianças. Em 1991, o governo Collor ganhou do Unicef o prêmio Criança e Paz, pelo programa nacional de imunização. Para os especialistas em saúde, investir na prevenção de doenças é melhorar a qualidade de vida das pessoas e economizar recursos públicos.

Outro setor que acelerou com a reforma foi o automotivo. Em 1989, o Brasil dispunha de quatro montadoras e 26 modelos de veículos. Com a abertura comercial, o País ganhou 40 montadoras e os consumidores passaram a ter 500 modelos como opção. Especialistas reconheceram que o governo Collor marcou a fase em que o Brasil passou a se mostrar ao mundo como parceiro confiável.

Prêmio de "Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita" e "Esso de Jornalismo", em 1986, Luis Nassif, assim referiu-se ao presidente Fernando Collor, em texto publicado na Folha de São Paulo, quatro anos após o ex-presidente ter sofrido a punição política dos congressistas: "Julgamentos políticos não podem se restringir à meia análise das chamadas virtudes éticas comuns - umas devem ser feitas em cima da própria ética do Estado, do compromisso de mudar realidades e construir nações. E, nisso, Collor foi imbatível".

No MobilizaçãoBR
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TV Globo: chefe neurótico, jornalista nervosa


Na tarde da última quinta-feira, (24), os jovens Edilson da Silva e Douglas Rafael foram enterrados no cemitério São João Batista, zona sul do Rio. Eles foram mortos a tiros no Morro do Cantagalo entre a noite do dia 21 e a manhã do dia 22 de abril. Moradores acusaram PMs da UPP pelos assassinatos. A mãe de Douglas, a técnica em enfermagem Maria de Fátima questionou a presença ostensiva da Tropa de Choque da PM no enterro de seu filho e do jovem Edilson.

Nas ruas de Copacabana, a equipe da Rede Globo foi rechaçada pelas massas. Nossa reportagem ainda flagrou um acesso de raiva de uma jornalista da famigerada empresa que encabeça o monopólio dos meios de comunicação.

Na noite do dia 22, moradores também protestaram e foram respondidos com tiros de munição letal. Até então, somente o jovem Douglas, conhecido como DG, havia sido morto. Na repressão ao protesto, Edilson foi baleado na barriga e morreu a caminho do Hospital Miguel Couto. Dessa vez, apesar da chuva e do clima de revolta, o protesto seguiu pacífico até o Cantagalo, quando PMs da UPP, rechaçados pelas massas, atacaram com bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo.

Jornal A Nova Democracia

Assista:

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Complexo portuário no Pará estabelece nova rota de exportação de grãos pelo Norte


A presidenta Dilma Rousseff participa, nesta sexta-feira (25), em Barcarena (PA), da inauguração do complexo portuário Miritituba-Barcarena, da Bunge, que é composto da Estação de Transbordo, em Miritituba, e do Terminal Portuário Fronteira Norte (Terfron), em Barcarena. A nova rota de exportação tem capacidade de escoamento de carga de até 2,5 milhões de toneladas de grãos por ano.

Pedro Parente, presidente e CEO da Bunge Brasil, avalia a inauguração do complexo portuário como sendo um novo paradigma no escoamento da produção de grãos brasileira. Segundo ele, esse investimento permitirá transformar e alavancar o desenvolvimento no norte do país.
“É uma nova alternativa, é um novo paradigma para os produtores brasileiros. Nós vamos estar, ao invés de escoar a produção de Mato Grosso pelo Sudeste do país, nós vamos estar escoando pelo Norte, muito mais próximo dos portos de destino, como Europa e China. Então isso realmente é um marco importantíssimo, é uma nova alternativa, é extremamente relevante para o produtor brasileiro, para o país, mais divisas, mais exportação e, para a nossa empresa também, para a Bunge, que está sendo pioneira nesse movimento”, declarou.
De acordo com o gerente de operações portuárias do Terfron, João Felipe Folquening, o complexo também contribui para a sustentabilidade ao privilegiar o modal hidroviário.
“Esse terminal tem uma capacidade estática de 150 mil toneladas e uma capacidade de expedição para navios de 1.500 toneladas/hora. Também temos o recebimento hidroviário com uma capacidade de 1.500 toneladas/hora. A grande novidade desse projeto é desafogar a logística rodoviária que hoje sai do Mato Grosso até o Sul/Sudeste do país, via rodovia e caminhões, e trazer esses caminhões subindo até Itaituba pela BR-163 e fazendo o transbordo da soja e do milho para as barcaças, descendo o Rio Tapajós até Barcarena. Então, o transporte hidroviário é um transporte muito mais sustentável e eficiente no transporte de grãos”, afirmou.
Pela nova rota criada, os grãos das maiores regiões produtoras seguirão por caminhão pela BR-163 até a estação de transbordo de Miritituba, no oeste do Pará, percorrendo uma distância de 1.100 quilômetros. No terminal, a carga será colocada em barcaças que irão navegar o rio Tapajós , passarão pelo estreito de Breves e chegarão ao Terfron, em Vila do Conde, Barcarena, um percurso de 1.000 quilômetros realizado em aproximadamente três dias. No Terfron, a carga será armazenada para posterior embarque em navios graneleiros rumo ao exterior.
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A 49 dias da Copa, governo tenta melhorar o "clima"

Para secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, insatisfação de parte da sociedade contra o evento é em razão da "falta de informação"

Para Carvalho, há uma percepção de que a Copa do Mundo
no Brasil foi o “paraíso dos ladrões”, o que, segundo ele,
não é verdade  
Elza Fiuza /Agência Brasil
Faltando pouco mais de um mês para o início da Copa do Mundo, e em meio à preocupação de que novos protestos se espalhem pelo País durante os jogos, o secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, fez nesta quinta-feira 24 o que chamou de “autocrítica” da postura do governo federal em relação à sociedade e aos movimentos sociais no que se refere a organização do evento. Antes de entrar para um debate sobre o assunto com ONGs e entidades civis em São Paulo, ele admitiu à imprensa que houve uma “demora” para abrir um diálogo.

“Demoramos. Tenho que reconhecer isso. Não há porque negar e, com isso, de fato nós reconhecemos que sonegamos algumas informações. Infelizmente, nem sempre a cobertura jornalística consegue dar essas informações, não sei por qual razão, mas, por exemplo, esses dados do que se investiu na Copa do Mundo, na saúde, em infraestrutura e educação, as pessoas não têm. Eu lamento isso. Então concordo que demoramos ainda que muitos esforços tenham sido feitos, mas antes tarde do que nunca. Nós vamos seguir até o último dia antes da Copa e também durante o evento com esse debate”, explicou.

Ao reconhecer a falta de comunicação, Carvalho deu a entender qual deve ser o novo discurso do governo a respeito do evento. Isso porque, para o secretário-geral, há uma percepção de que a Copa do Mundo no Brasil foi o “paraíso dos ladrões”, o que, segundo ele, não é verdade. Com isso, o objetivo do governo federal até a chegada dos jogos é “reverter esse clima”.

“Nós estamos determinados a romper a desinformação que permitiu que se formasse a ideia que a Copa foi o paraíso dos ladrões, um paraíso da Fifa que veio aqui e nos impôs. Não é verdade essa imposição da Fifa. Acabei de falar e a Nadia (Campeão, vice-prefeita de São Paulo) vai poder falar agora o que São Paulo negociou adequadamente. A nossa perspectiva é de reverter e tenho certeza que vamos reverter esse clima porque nós sabemos quem é o povo brasileiro. O povo brasileiro que gosta de festa, gosta de ver o dinheiro público bem investido”, contou.

Carvalho também voltou a falar dos protestos em tom conciliador, sem, no entanto, criticar as manifestações violentas que acontecem com alguma frequência nas principais capitais brasileiras desde junho do ano passado. “Na nossa avaliação, nós não teremos grandes atos de violência na Copa. Essa é a nossa perspectiva porque entendemos que a índole do brasileiro é pacifica, de luta democrática pacifica. As 12 cidades estão sendo visitadas por nós exatamente para dialogar, esmo com aqueles que resistem ao diálogo. Nós vamos ser teimosos porque não acreditamos, sinceramente, que as pessoas que têm todas as informações sobre a Copa possam fazer algum tipo de protesto violento”, criticou.

Por fim, ele deu uma prévia dos argumentos que devem ser usados pelo governo para defender a importância da Copa no Brasil e procurou rebater críticas. “Estamos fazendo esse debate com os movimentos sociais com a sociedade porque é importante que as pessoas saibam realmente sobre a Copa do Mundo. A Copa traz investimentos econômicos, de geração e produção de infraestrutura. Queria alertar aqueles que diziam que o brasil é incapaz de ter uma Copa do Mundo que os estádios estão quase todos prontos. Não há um tostão do orçamento geral da União no evento e todo mundo diz que tem. São R$ 8 bilhões que foram investidos no estádios, parte por empréstimo do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) e parte de recursos estaduais, é verdade. Mas não há competição dos recursos com o orçamento da saúde. O Brasil tem um orçamento da saúde de R$ 102 bilhões de reais, portanto, nada a ver com a Copa”, defendeu.

Renan Truffi
No Carta Capital
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Quem fez convênio com a Labogen foi Serra, no Governo FHC


Publico essa informação do título, que você vê retratada na ilustração e que pode ser confirmada no Portal da Transparência do Governo Federal apenas para que se veja como a leviandade pode dar margem à injustiça.

Não significa dizer que estes convênios sejam desonestos ou que, por eles, José Serra tenha recebido qualquer vantagem indevida.

Só uma apuração detalhada poderia dar margem a se pensar algo assim e é exatamente o contrário disso que se está fazendo com o ex-ministro Alexandre Padilha.

Uma acusação irresponsavelmente espalhada, sem um mínimo de checagem e, até, de lógica, se não existirem outros elementos além do quase nada que foi divulgado.

Conheço apenas de vista o ex-Ministro Alexandre Padilha e ele sequer sabe quem eu sou.

Portanto, não posso dar nenhum testemunho sobre ele, mas posso olhar fatos.

Mas esta história do “executivo” que ele teria indicado, segundo os jornais publicam irresponsavelmente,  a uma empresa do tal doleiro Alberto Yousseff não fecha.

O tal “executivo” ocupou um cargo de quinto escalão no Ministério, de fato, mas de sexto escalão (os cargos têm, após o Ministro, os códigos NE, DAS 101.6, 101.5, 101.4 e, depois, o que ele tinha 101.3, na área de eventos).

O tal Marcus foi nomeado Assessor de Eventos em 2011, quando a remuneração não chegava a R$ 4 mil (hoje são R$ 4300), a partir de 17 de maio de 2011. E exonerado no dia 1° de agosto do mesmo ano.

Mesmo neste inexpressivo cargo, portanto, ficou por dois meses e meio ou, como se diz, nem esquentou a cadeira.

O tal documento da PF que os jornais usam como base falam de uma suposta indicação em em 28 de novembro de 2013.

E que André Vargas passa o contato do cidadão a Yousseff dizendo que Padilha o indicou. Indicou a quem, se é que indicaria alguém a quem demitira há mais de dois anos.

Se Padilha indicou, porque é André Vargas passa o contato do cidadão a Yousseff?

Este André Vargas, a quem o próprio Estadão chama de “bocão”, estaria “vendendo” uma indicação?

A única coisa que esta acusação — ou a troca de mensagens — prova é a de que André Vargas não tinha uma simples amizade casual com Yousseff.

Aliás, o comportamento deste deputado, como já se viu, é péssimo. Quem não cuida de sua própria reputação, vai cuidar da alheia?

Fernando Brito
No Tijolaço
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BNDES - Desembolso

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Quando os coxinhas calam-se


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O cerco

A vitoriosa construção do Marco Civil da Internet deveria servir de referência para uma mudança de postura que já tarda. É hora de estender o método.

Replicados com disciplinado zelo pela emissão conservadora, disparos regulares da mídia internacional defendem a rendição inapelável do Brasil aos ditames da restauração neoliberal.

O tom é de ‘basta!’.

Explica-se: a dissidência brasileira na crise afrontou com sucesso o sopro de morte da austeridade optando por políticas contracílicas baseadas em crédito estatal, investimentos públicos (PAC 2), fomento à habitação, valorização do poder de compra do salário mínimo e geração de empregos.

O saldo gerou uma inércia de demanda e geração de empregos que resiste até hoje como uma gigantesca costela de pirarucu entalada na garganta dos mercados.

Se isso funciona, como é que fica a restauração neoliberal aqui e na América Latina?

É preciso desqualificar um passado que pode ser usado para credenciar novas heterodoxias no futuro e, sobretudo, nas urnas.

Chegou a hora de colocar as cordas, os pescoços e as agendas nos devidos lugares, diz o jogral que nunca desafina.

Ponto número um: o Brasil é um grandioso caso de desastre intervencionista.

Ou não é isso o que reafirma o caso da refinaria de Pasadena, agora brindado com a obsequiosa decisão da juíza Rosa Weber de criação de um palanque nacional para a mídia e seus candidatos execrarem a Petrobras em plena campanha sucessória?

Ponto número dois: o país deve aceitar os termos da rendição incondicional que a emissão conservadora local e foranea advoga diuturnamente.

A saber: fim da intervenção estatal na agenda do desenvolvimento; choque de juros ‘para trazer a inflação à meta’ — conduzido por um BC ‘independente’ (das urnas); esvaziamento do BNDES, privatização do pré-sal (tese que ganha agora uma corneta de difusão eleitoral, graças à CPI); cambio livre, arrocho na ‘gastança social’ etc.

O tom imperativo da ofensiva estrangeira remete ao jornalismo da ‘guerra fria’ contra governos não alinhados, nos anos 50/60.

Três exemplos dos últimos quinze dias:

Financial Times: Nova matriz econômica do Brasil ouve anúncio de morte (07/04/2014)

The Economist: Trabalhador do Brasil é gloriosamente improdutivo (17/04/2014)

New York Times: Brasil grandioso se desfaz (21/04/2014)

O denominador comum é a incompatibilidade entre ‘dirigismo’ estatal e ‘gastança fiscal’(assim, vinculados, como xipófagos), e redução do juro para a retomada do investimento.

Como na ‘guerra fria’, o silogismo é ilustrado não raro com exemplos grotescos.

Filas no recente Festival de Música Lollapalooza, em São Paulo, abrem a ‘reportagem’ da Economist, por exemplo, para ilustrar a evidência da improdutividade do trabalhador brasileiro.

Coisas de mercado regulado, naturalmente.

Segundo a bíblia do jornalismo neoliberal, ‘onde o restaurante texano BOS BBQ se destacava pela eficiência, nas outras barracas de comida do evento (as nacionais) as filas se acumulavam de forma ilustrativa.

Isso define um país de ineficientes para a Economist.

“No momento em que você chega ao Brasil você começa a perder tempo”, dispara, na reportagem transcrita pelo jornal Valor Econômico, o dono do restaurante gringo, Blake Watkins.

Ele chegou aqui há três anos, após vender um fast food em Nova York.

Parece ter tomado gosto pela ‘perda de tempo’.

O mesmo gosto que leva o capital estrangeiro a maldizer as interferências excessivas do Estado no mercado local.

E a formar filas para ingressar nesse limbo de anancronismo estatizante, cujo segmento de consumo de massa (53% da população), sozinho, representaria hoje a 16ª maior economia do planeta. Com lugar garantido no G-20.

Um punhado de bancos estrangeiros enquadra-se nessa categoria, dos que aguardam autorização para operar no reduto da improdutividade e do intervencionismo desastrado.

O governo Dilma autorizou o ingresso médio de quase 8 bancos por ano desde 2011.

Mas só autoriza se ficar demonstrado o interesse nacional na operação.

Dilma costuma perguntar, por exemplo, o que o banco fará pelo financiamento de longo prazo, indispensável a um novo ciclo de desenvolvimento.

A Presidenta faz o que determina o interesse público.

E o que determina o interesse público incomoda quem se avoca o direito a uma free-way para entrar e sair do país quando quiser, como quiser e com quanto quiser.

A soberba tem o apoio de um colunismo ignorante no varejo e prestativo no atacado.

Esse gelatinoso ectoplasma de interesses compartilha de um segredo cuidadosamente mantido a sete chaves, fora do alcance da opinião pública brasileira.

Afinal, o que acontece exatamente quando uma economia adota — ou lhe é imposto — o pacote de medidas às quais a teimosia petista resiste em associar o destino nacional?

Se a emissão conservadora dedicasse a essa resposta algum vapor de jornalismo isento, o debate em torno da sucessão presidencial certamente ganharia a densidade adequada a um escrutínio esclarecido sobre o passo seguinte do desenvolvimento do país.

Um ponto de partida poderia ser a dissecação do que se passa em economias europeias, enredadas em desconcertante combinação de ‘recuperação’ e esfarelamento social.

A Grécia, por exemplo.

Mergulhada no sexto ano de recessão, com um PIB 24% inferior ao de antes da crise, o país é saudado como paradigma de sacrifício bem sucedido.

Em 2013, a Grécia conseguiu, de fato, um superávit fiscal de 1,2% do PIB (repita-se, sobre um PIB que perdeu ¼ de sua massa desde 2008).

A que preço?

A taxa de desemprego é de 27%.

Cerca de 2,3 milhões de um total de 2,8 milhões de lares gregos acumulam dívidas tributárias impagáveis, por absoluta insuficiência de renda.

O déficit fiscal não para de crescer e a dívida pública passa de 180% do PIB — bem distante dos 120% que o generoso FMI definiu como a fronteira da sustentabilidade a ser perseguida por Atenas.

Não só.

A taxa de investimento na Grécia despenca linearmente desde 2008 e o déficit fiscal é de 12% do PIB.

O resto é deduzível.

A Grécia é aquele lugar em que as crianças passam fome na rede pública por falta de merenda escolar. E a extrema direita persegue imigrantes pelas ruas, não raro até a morte.

Na semana passada, esse féretro civilizatório foi ao mercado e conseguiu captar empréstimos nos valor de três bilhões de euros, com uma procura por títulos da dívida grega quase sete vezes superior à oferta.

O que leva a festejada racionalidade do mercado a se lambuzar em papéis de uma nação insolvente, colapsada em seus fundamentos, às voltas com uma sintomática deflação de preços e sem tônus para se reerguer a partir de suas próprias forças produtivas e de consumo?

Antes da Grécia, Portugal e Espanha (esse, outro colosso de recuperação assentada em 26% de desemprego, déficit fiscal de 7% do PIB e dívida pública de 94% do PIB) já haviam tido sucesso semelhante em captações no mercado financeiro internacional.

A resposta ao enigma ajuda a entender não apenas o que acontece por lá, mas sobretudo a consistência do cerco aqui, em torno do Brasil.

A recuperação grega é uma experiência de laboratório tanto quanto a tese do Brasil aos cacos é uma construção midiática.

Viabilizar a Grécia ajoelhada aos mercados é tão necessário quanto acuar um Brasil reticente às exigências de um ajuste mais duro preconizado pelo interesse rentista local e internacional.

A captação realizada pela Grécia — a exemplo das demais — na verdade foi um investimento tutelado e garantido por bancos alemães, britânicos e pelo FMI.

Não há vínculo de confiança em relação a Atenas.

Antes, trata-se de uma adesão, sem risco, a uma oferta do sistema financeiro interessado em provar que o austericídio grego deu certo.

A hora escolhida foi cirurgicamente selecionada: há liquidez abundante no mercado internacional. E limitadas são as opções de risco que permitam sair do círculo vicioso de um rentismo que se ergue, cada vez mais perigosamente, pelos próprios cabelos.

Alternativas de canibalização de mais valia, como os investimentos em infraestrutura ensejados pela ampliação do mercado interno brasileiro, são raridade no mundo pós-crise.

Num mercado achatado pela desordem neoliberal, o principal déficit ainda é o déficit de demanda. E o maior desafio: devolver às economias a capacidade de gerar emprego e renda.

Grécia e Brasil ocupam polos opostos nessa tipificação, mas carregam no calendário político uma equação de delicadeza semelhante.

Uma nova vitória do PT no Brasil, em outubro, sancionaria a existência de um dissenso bem sucedido no âmbito da restauração neoliberal em marcha no mundo.

Seus desdobramentos encorajadores na América Latina são óbvios. E daí para as demais nações em desenvolvimento, a progressão seria inevitável.

Na Grécia, ao contrário, a direita no poder, encabeçada pela Nova Democracia, tem um encontro com o desalento social dia 25 de maio, nas eleições municipais.

Se derrotada, engrossa o mesmo recado subjacente à reeleição de Dilma, cinco meses depois.

O partido de esquerda grego, o Syriza, disputa a liderança nas enquetes de intenção de voto.

Uma derrota conservadora em maio abriria uma grande avenida para o Syriza construir alianças que o qualifiquem a disputar como favorito as eleições presidenciais de fevereiro de 2015.

Uma última palavra merece ser dita diante do que aparenta ser uma certa prostração do governo e do PT face ao cerco conservador.

A direita politizou definitivamente o debate econômico espetando nos desafios macroeconômicos sua rotulagem ideológica.

‘Intervencionismo, ineficiência e corrupção’ formam o tripé de um mantra repetido à exaustão pelo dispositivo midiático para qualquer tema ou circunstância.

Será assim também na CPI da Petrobrás.

O tratamento economicista muitas vezes adotado pelo governo nem responde à radicalização do embate, nem elucida a verdadeira natureza dos interesses em conflito.

A vitoriosa construção do Marco Civil da Internet deveria servir de referência para uma mudança de postura que já tarda.

Longe de tecnificar o assunto, o governo neste caso se ancorou em uma ofensiva política interna e externa, democratizou o debate, arregimentou grandes adesões, mobilizou movimentos sociais e tornou indefensável a defesa do lucro corporativo contra o interesse da cidadania.

Sobretudo, o governo exibiu neste caso duas qualidades em falta nos demais: unidade de ação e determinação política de não escamotear a colisão de interesses em jogo.

É hora de estender o método a outras esferas. A começar pela defesa da Petrobrás.

Saul Leblon
No Carta Maior
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Promotora Milhomens inova: em vez de grampo sem áudio usa áudio sem grampo para ferrar Dirceu e bisbilhotar Planalto


Há um ditado que diz "Pense num absurdo. Na Bahia, há precedente".  O mesmo acontece em todo o processo da chamada AP 470, e agora na ilegal prisão de José Dirceu, que deveria estar cumprindo pena em regime semiaberto há cinco meses, e, no entanto, está trancafiado na Papuda.

A promotora do Distrito Federal Márcia Milhomens justificou assim seu pedido de quebra do sigilo telefônico do Palácio do Planalto (destaques em negrito são meus):
"A medida objetiva apurar denúncias trazidas ao Ministério Público, em caráter informal, de que o sentenciado José Dirceu teria estabelecido contato telefônico, nos termos já referidos. Ressalte-se que os detentores das informações recusaram-se, peremptoriamente, a prestar depoimento formal."
Quer dizer que alguém que se recusa PEREMPTORIAMENTE a prestar depoimento formal (ou seja, um Anônimo, como esses que comentam em blogs) faz uma acusação e a promotora quer quebrar o sigilo das principais autoridades do Poder Executivo?

Já tivemos o caso do grampo sem áudio, que envolveu o àquela época presidente do STF Gilmar Mendes e o santinho do pau oco finalmente desmascarado Demóstenes Torres, quando Mendes se achou no direito de chamar o presidente Lula às falas. A transcrição do suposto áudio apareceu na Veja, que ficou de mostrar o áudio, mas nada...

Pois a promotora inova e inventa o áudio sem grampo, pois nem a transcrição da conversa existe.

Pois, promotora, recebi informação de alguém que se recusa peremptoriamente a prestar depoimento formal de que a senhora está agindo em conluio com seu orientador de tese, Gilmar Mendes, e com o presidente do STF, Joaquim Barbosa, com o intuito de desestabilizar o governo e torturar José Dirceu. Baseado nisso, peço a quebra do sigilo telefônico dos três para verificar se não se comunicaram no período com esse objetivo. 

 Fumando, espero.

No Blog do Mello
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Vazou esta noite (24/04) o vídeo de propaganda do governo para a Copa do Mundo


Acabou de sair a propaganda do governo para a Copa do Mundo, que deverá ser divulgada na televisão em breve. Na opinião pessoal do dono do blog (deixo claro que respeito as opiniões contrárias), a propaganda ficou ruim. O governo perdeu a oportunidade de explicar a questão dos gastos da copa. Seria mais útil mostrar que o dinheiro aplicado pelo governo federal foi para os aeroportos e obras de mobilidade urbana (podiam até apresentar algumas dessas obras, como a parte nova do aeroporto de Brasília, o metrô de Fortaleza, o BRT de Belo Horizonte e etc). Também deveriam explicar que o BNDES é um banco e empresta dinheiro cobrando juros. Ele não doa dinheiro para ninguém. Enfim, a propaganda decepcionou, não respondeu aos questionamentos.



Só para exemplificar o que foi dito acima, as redes sociais estão repletas de piadas e questionamentos sobre os gastos da Copa, como esta aqui:

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O governo perdeu a oportunidade de mostrar algumas de suas realizações, que vão beneficiar a população definitivamente:

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O metrô de Fortaleza, inaugurado em julho de 2013
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BRT de Belo Horizonte, inaugurado em março de 2014.
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Nova ala do aeroporto de Brasília, inaugurada em 2014

No DesmascarandoGloboFolha
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