22 de abr de 2014

Barbosa emitiu “resolução” para se tornar carcereiro eterno de Dirceu

No mesmo feriado prolongado em que foi expedida a ordem de prisão de José Dirceu ele se entregou na sede da Polícia Federal em São Paulo. Em 17 de novembro de 2013, por volta das 19 horas, o ex-ministro cruzou os umbrais de uma época de sofrimentos que lhe passariam a ser impostos por alguém que se converteria em uma combinação de carcereiro e verdugo: o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa.

Sem razões pessoais conhecidas para odiar Dirceu, só há uma explicação para a conduta que o presidente do STF tem adotado ao fazer o possível, o improvável e até o impossível para manter esse condenado pela Justiça atrás das grades a despeito de sua condenação lhe facultar o regime semiaberto: Barbosa segue um plano minuciosamente urdido para não apenas gerar efeitos políticos com essas execuções penais,  mas para torturar, acima de qualquer outro, um político que talvez tenha os inimigos mais poderosos que qualquer outro político brasileiro já teve na história recente.

O plano contra os alvos principais da Ação Penal 470, vulgo Julgamento do mensalão, começa a ganhar forma quando se analisa a execução das penas dos condenados do mensalão. O ex-presidente do PT José Genoino figura na documentação como número 1, a execução de Dirceu é a número 2 e a de Delúbio Soares, número 3. Os demais condenados foram identificados em seguida.

Mas a evidência mais clara de que Barbosa planejou cuidar pessoalmente para que as penas desses três fossem o mais duras possível reside em um casuísmo inédito na história da Justiça brasileira. Um dia antes de decretar a prisão de Dirceu e Genoino, entre outros, Barbosa criou uma nova classe processual para executar suas penas.

A norma 514 não estava prevista no Regimento Interno do Supremo um dia antes de Barbosa expedir ordens de prisão de 12 condenados do mensalão. A classe processual inédita foi denominada Execução Penal (EP). Segundo a nova norma, processos penais julgados no STF devem ser distribuídos ao seu relator, que ficará responsável pela execução penal dos condenados até o fim de suas penas.

Confira, abaixo, a resolução casuística determinada por Barbosa exclusivamente para os réus do mensalão e, agora se sabe, mais do que para qualquer outro, para José Dirceu.


Por conta desse impressionante plano de Barbosa de se tornar carcereiro dos três principais alvos do julgamento do mensalão — que, cada vez fica mais claro, foi urdido para gerar efeitos políticos, além de promover uma vendeta —, os advogados dos condenados pretendem esperar que o presidente do Supremo deixe a Corte antes de fazerem qualquer pedido de cumprimento de pena em regime aberto para seus clientes.

Aliás, todas as outras medidas que os advogados deverão interpor em favor de seus clientes estão congeladas, à espera de que Barbosa cumpra a promessa de deixar a Corte, o que pode acontecer já no segundo semestre deste ano.

Entre as medidas que estão sendo postergadas figuram a revisão criminal do processo, agora amparada, por exemplo, pela absolvição de José Dirceu do crime de formação de quadrilha, o que torna praticamente insustentáveis as outras acusações que lhe foram feitas, obviamente desde que respeitado o bom Direito.

Outra medida que os advogados dos condenados pretendem adotar também depende da saída de Barbosa porque depende, também, do julgamento da revisão criminal da Ação Penal 470. Qual seja, a medida de recurso à Corte Interamericana de Direitos Humanos, da OEA, pois só é possível apelar àquela Corte após todos os recursos à Justiça brasileira terem sido esgotados.

O mais impressionante em tudo isso é que o foco de Barbosa, ao assinar a resolução 514 às vésperas de prender os primeiros 12 condenados do mensalão, parece ser exclusivamente José Dirceu.

Delúbio e Genoino conseguiram desfrutar dos benefícios que a lei lhes concede, de uma forma ou de outra. Delúbio, há muito já desfruta do semiaberto apesar de um contratempo que o interrompeu, mas que foi rapidamente solucionado, o que lhe permitiu voltar a trabalhar fora da prisão. Genoino, ou bem ou mal ainda está em prisão domiciliar.

Outros condenados, além dos alvos 1, 2 e 3 de Barbosa, não estão sendo diretamente monitorados pelo presidente do STF e têm tido menos dificuldades para obter benefícios, como o ex-deputado federal Pedro Henry (PP-MT). Desde janeiro, ele faz dupla jornada de trabalho.

Repetindo: Barbosa arrogou para si a execução das penas dos réus do núcleo político do processo do mensalão, exclusivamente. Se ficar no STF até o fim das penas desses condenados, provavelmente fará tudo que puder para que cumpram em regime fechado suas penas, dando relevância a qualquer acusação que lhes for feita.

Dirceu, porém, permanece como objeto principal de um assustador sadismo do presidente do Judiciário brasileiro, quem, para mantê-lo preso e/ou até agravar sua pena, não tem poupado esforços.

Barbosa chegou a mudar o juiz da execução penal dos condenados do mensalão. Trocou por um substituto com histórico de antipetismo explícito. Deu asa a boatos sobre “regalias” para os condenados petistas que após meses de investigação não foram comprovadas e, agora, chegou ao cúmulo de fazer tramitar até um pedido de escutas ilegais envolvendo um outro Poder.

A má notícia para Dirceu, pois, é a de que, com a resolução 514, Barbosa ficará responsável pela execução de sua pena mesmo após deixar de ser presidente do STF, no fim do ano, quando será substituído por Ricardo Lewandowski. Isso porque o atual presidente do STF foi o relator do processo do mensalão e, pela resolução em tela, o relator de uma ação penal cuida até o final da execução das penas que tal ação gere.

Todavia, há uma boa notícia não só para Dirceu, mas para os condenados 1 e 3 da lista negra do presidente do STF (Genoino e Delúbio).

Corre no STF, a boca pequena, que Barbosa não concordaria em ser comandado pelo ministro Ricardo Lewandowski, que assume a presidência do STF em novembro. Portanto, estaria para deixar aquela Corte. Se não para se candidatar nas próximas eleições (o que talvez não faça porque poderá prejudicar sua aposentadoria), para fundar uma ONG que iria “combater a corrupção”.

Sem Barbosa no STF, a execução das penas caberia a Lewandowski. Conhecido por sua postura equilibrada e impessoal, provavelmente delegaria a execução das sentenças dos condenados do mensalão aos juízes comuns. E sem interesses pessoais envolvidos, os advogados dos condenados já dão como certo que seria fácil obter benefícios como a progressão para o regime aberto, do qual Dirceu poderia desfrutar já no começo do ano que vem.

No Blog da Cidadania
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A seca, o aumento da conta d’água e os 10 maiores erros do governo Alckmin na gestão ambiental

Seca na represa Jaguari, que faz parte do Sistema Cantareira
O aumento de 30% na conta de água anunciado por Geraldo Alckmin soou mais como recibo de incompetência do que medida de contenção do consumo na região metropolitana de São Paulo. Se não bastasse a falência do abastecimento do Sistema Cantareira, o governador tenta aplicar factoides para tirar o foco do problema.

Ao assumir o governo em 1994, os tucanos se apoderaram do modelo superficial de gestão ambiental compartilhada com a sociedade. A primeira experiência foi o rodízio de carros para combater a poluição do ar. A partir daí foi uma sucessão de fracassos, erros administrativos com consequências drásticas ao sistema estadual de meio ambiente, flexibilização e desmantelamento da estrutura ambiental paulista.

A gestão ambiental desastrosa do governo Alckmin está explicitada em dez principais ações:

Esvaziamento do corpo técnico da CETESB

Desde 1996, cerca de 400 técnicos da CETESB foram demitidos por diversas razões, sem reposição de mão de obra especializada. Fiscalização, controle e licenciamento ambientais ficaram centralizados num único balcão. Guardas parques terceirizados e ausência de novos concursos para a função fizeram dos parques estaduais território livre para caçadores, palmiteiros e mineração clandestina. Sem controle, a atividade de descarte irregular de resíduos, aterros clandestinos e contaminação de cursos d’água ficaram ao deus-dará.

Rolo compressor no Consema

O Conselho Estadual de Meio Ambiente, órgão deliberativo tripartite de licenciamento de atividades e novos empreendimentos como rodovias, barragens, supressão de vegetação, se transformou em mero “cartório” de concessão de licenças. O exemplo mais contundente é a aprovação do trecho norte do Rodoanel em plena Reserva da Serra da Cantareira.

Privatização de parques

Os parque estaduais, reconhecidos mundialmente pela biodiversidade, foram sucateados. Com reduzido quadro de profissionais para gestão e controle ambientais, o Parque Estadual do Jaraguá desde 1997 tem seu principal lago interditado por contaminação. Já o Parque Estadual da Caverna do Diabo foi interditado pelo IBAMA pela gestão inadequada do patrimônio espeleológico. Ambos estão no topo da lista do projeto de lei do Executivo que privatiza os Parques Estaduais.

Despoluição do rio Tietê

Após o cumprimento da primeira fase do Projeto Tietê, o programa patina com bilionários programas internacionais de financiamento sem resultado satisfatório. A larga malha de coleta de esgotos da primeira fase é insuficiente diante da ausência de efetivas ligações casa a casa. Apostando no gerenciamento macro e tímido na ação do micro, a Bacia do Alto Tietê continua despejando milhões de litros por segundo de esgoto in natura no principal rio do Estado de São Paulo.

Áreas contaminadas 

A leniência nesta matéria foi maior ainda. A CETESB, responsável por acompanhar os processos de saneamento dos passivos ambientais da indústria, simplesmente assiste à morosidade das grandes corporações na reabilitação do solo em suas antigas plantas. Forjadas para lidar com pouca exigência ambiental dos governos, indústrias como a chinesa BANN Química (Ermelino Matarazzo) e a americana Procter & Gamble (Jurubatuba) deixaram gigantesco rastro de contaminação altamente danoso para o ambiente e a saúde pública.

Rodoanel Trecho Norte

Considerada reserva da Biosfera, título conferido pela UNESCO, a Serra da Cantareira foi vítima de Alckmin. Contrariando todas as recomendações de cientistas renomados como o geógrafo Aziz Ab’Saber e com protesto de ambientalistas protocolado no congresso norte americano avalizador da obra, o governador não titubeou e impôs mais uma obra rodoviarista em detrimento do transporte coletivo.

Poluição na represa Billings
Poluição na represa Billings
Crise do Sistema Cantareira

A Outorga do Sistema Cantareira, fixada como marco regulatório da partilha da água entre a região metropolitana e a região de Campinas — Piracicaba, anunciava a necessidade de reduzir a dependência desse sistema, dado o crescimento econômico/ populacional caipira. Relapso com a segurança hídrica da Região Metropolitana de São Paulo, Alckmin demonstrou pouca agilidade com o tema, deixando quase 8 milhões de habitantes em risco de seca. Determinou a busca de água no seu reduto político – Vale do Paraíba —, causando desgaste também com o Estado do Rio de Janeiro.

Crise na gestão do lixo

Em descompasso com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, o governo Alckmin em nada avançou para estimular soluções compartilhadas entre pequenos e médios municípios paulistas para tratamento de lixo. As pequenas cidades paulistas continuam colecionando lixões associados às pressões do Ministério Público Estadual. Enquanto isso, esgotam-se os prazos para apresentação de Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos.

Degradação da qualidade da água na costa marítima

Desprezando a vocação turística, fonte contínua de desenvolvimento econômico e geração de empregos numa extensa faixa litorânea, a CETESB assistiu à ampliação de praias impróprias para banho.

Ocupação de Mananciais

Mesmo com a Nova Lei de Mananciais, a política habitacional do governo Alckmin ficou aquém das demandas, mantendo o quadro degradante do entorno das represas Billings e Guarapiranga. Apesar dos sucessivos prefeitos empreenderem políticas de urbanização de favelas, a ação da SABESP foi pífia quando o assunto foi a recuperação dos mananciais da zona sul paulistana.

Edson Domingues
No DCM
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Da série mentes brilhantes da mídia



F.F. Ferreira
No DCM
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O capital está vencendo. Como a esquerda pode barrá-lo?

O MST deu um belo exemplo ao vincular a Reforma Agrária ao tema da produção de alimentos saudáveis para os cidadãos de todas as classes.

A lenta, mas firme desagregação da esquerda europeia depois da quebra da URSS, está ancorada em fatores “objetivos”, tais como as mudanças no padrão de acumulação capitalista — “pós-industrial” como já analisavam alguns economistas há trinta anos — que atravessaram a sociedade de alto a baixo. Estas mudanças alteraram as expectativas políticas, o modo de vida, as demandas do mundo do trabalho e da constelação de prestadores de serviços, dos técnicos das atividades da inteligência do capital, dos sujeitos dos novos processos do trabalho e de amplos contingentes da juventude. Estes, originários de famílias das classes médias, que perderam o seus “status” social e o seu poder aquisitivo, adquiridos na era de ouro da social-democracia. A social-democracia não se renovou, nem o comunismo, para responder a estas transformações.

A desagregação, todavia, também está ancorada na ausência de respostas — fator “subjetivo” dominante — dos núcleos dirigentes da esquerda comunista e social-democrata. Esta falta de formulação superior pode, parcialmente, ser atribuída a uma ausência de “caráter” — pela “acomodação” teórica e doutrinária dos seus dirigentes — mas este não é, certamente, o fator preponderante: o vazio de respostas de esquerda à nova crise do capital tem outras determinações mais fortes. Mesmo aqueles que se jogaram para uma posição “movimentista” — mais, ou menos, corporativa — aparentemente radical (ou os que se propuseram a enfrentar o retrocesso com práticas de Governo ou com novas elaborações no âmbito acadêmico) não conseguiram — nos seus respectivos espaços de interferência — abrir novos caminhos que se tornassem hegemônicos.

A adesão da social-democracia francesa, italiana, espanhola e portuguesa — para exemplificar — aos remédios exigidos pela União Europeia (leia-se Alemanha), põe por terra as esperanças que algum governo europeu, num futuro próximo, possa inspirar mesmo uma saída social-democrata novo tipo à crise atual. Tudo indica que a recuperação da Europa capitalista virá por um canal “social-liberal”, depois de um longo período de reestruturação das classes em disputa. Teremos perdas significativas para os trabalhadores do setor público e privado, para as micro, pequenas e médias empresas, que são responsáveis pela maior parte da oferta de empregos. A isso se agregará uma forte pressão sobre os imigrantes e a crescente redução dos gastos públicos, destinados à proteção social. Paralelamente a este desmantelamento tudo indica que crescerão as alternativas nacionalistas de direita, de corte autoritário e mesmo neo-fascistas, pois o vazio que gera desesperanças pode fazer renascer o irracionalismo das utopias da direita extrema.

Se isso é verdade, o nosso problema brasileiro é bem maior do que parece. A contra-tendência instituída no Brasil, que criou dez milhões de empregos no mesmo período em que foram destruídos mais de sessenta milhões de postos de trabalho em todo o mundo, está sob assédio. O nome deste assédio é a garantia do pagamento rigoroso — com juros elevados — da dívida pública, para que o sistema financeiro global do capital possa ter reservas destinadas a bancar as reformas e por em funcionamento um novo ciclo de crescimento das economias do núcleo orgânico do capitalismo global.

Cada uma das alternativas que sejam propostas para o próximo período, visando desenvolver o país, combatendo as suas desigualdades sociais e regionais — sejam elas de inspiração neo-keinesiana ou socialista — só poderão ter efetividade e capacidade de implementação política se mostrarem de maneira coerente como elas se comunicam, acordam ou confrontam, com este cenário global. Ou seja: como as alternativas poderão ser efetivas no território, numa situação de domínio integral do capital financeiro sobre os cenários econômicos e políticos do mundo.

O internacionalismo hoje é, conjunturalmente, mais democrático e social do que propriamente “proletário”, naquele sentido clássico que foi proposto pelo filósofo de Trévèrs. As conquistas democráticas e sociais das nações estão bem mais ameaçadas depois da crise que se iniciou com o “sub-prime”, pois os governos são vítimas de uma pressão brutal para reduzir, ainda mais, a sua autonomia política e assim integrar-se, pacificamente, nas contaminações globais da crise. Apresentar soluções internas, portanto, é também apresentar alianças de sustentação destas políticas no cenário internacional, para que as propostas não sejam voluntaristas ou demagógicas

Caso as formações políticas e os governos não consigam apresentar alternativas aceitas pelo senso comum, dificilmente terão apoio popular para governar. O seu fracasso — e o povo sabe disso — terá reflexo imediato como aniquilamento das conquistas de inclusão social, econômica e produtiva, que ocorreram no Brasil nos últimos dez anos. Este é, na verdade — nos dias que correm — o dilema, tanto demo-tucano e marino-campista, como do extremismo corporativista e movimentista: ambos deveriam responder qual é, nos quadros da democracia política, o efeito imediato na vida das famílias — especialmente das chamadas “novas classes médias” e dos trabalhadores — dos seus projetos concretos de Governo, demonstrando como é possível aplicá-los pela via democrática.

Os ataques à Petrobras, que vem sendo modulados, tanto pela direita neoliberal como pelas oposições anti-PT e anti-Lula — de corte direitista e esquerdista — talvez sejam a síntese mais representativa desta dificuldade. O ataque, turbinado pela grande mídia, dá espaço para estes grupos políticos não dizerem, de forma clara (se fossem eleitos), o que fariam com a economia e com as funções públicas do Estado, no próximo período. Unidos, esquerdismo e neoliberalismo, desta vez no ataque ao Estado — não somente ao Governo — ficam absolvidos de fazerem propostas para dizerem como o país deverá operar, gerando emprego e renda, ao mesmo tempo que se defende da tutela do capital financeiro e das pressões da dívida pública.

A desmoralização de um ativo público da dimensão da Petrobras, os ataques ao seu “aparelhismo” político, a crítica aos gastos públicos excessivos (programas sociais, na verdade), os ataques às políticas do BNDES — de forma combinada com um permanente processo de identificação da corrupção com o Estado e com os Partidos em geral — fecham um quadro completo do cerco ao país: liquidem com a Petrobras e teremos o Estado brasileiro pela metade; acabem com os gastos sociais e teremos uma crise social mais profunda do que a das jornadas de junho; restrinjam o BNDES e o crescimento — que já é pífio — se reduzirá ainda mais; desmoralizem os partidos e a política e a técnica neoliberal substituirá o contencioso democrático.

Como os militares estão aferrados às suas funções profissionais e constitucionais e não estão para aventuras, o golpismo pós-moderno vem se constituindo através da direita midiática. Esta, se bem sucedida no convencimento a que está devotada, encarregaria um novo Governo social-liberal da desmontagem do atual Estado Social “moderado”, obtido no Brasil num cenário mundial adverso.

Lido este cenário de refluxo da esquerda e de retomada dos valores do neoliberalismo selvagem, que devasta as conquistas da social-democracia européia, pode-se concluir que o debate verdadeiro no processo eleitoral em curso - momento mais importante da nossa democracia republicana concreta — é o seguinte: ou o projeto lulo-petista se renova, baseado no muito que já fez e conquista novos patamares de confiança popular; ou o refluxo direitista liberal, que assola a Europa, chegará em nosso país pela via eleitoral, legitimado por eleições democráticas.

A semeadura da insegurança, que precede as inflexões para direita, está em curso em todos os níveis e para responder a esta sensação manipulada — que vai da economia à segurança pública — é preciso dizer de maneira bem clara quais os próximos passos contra as desigualdades e contra perversão da política e das funções públicas do Estado. Chegamos a um momento de defesa política de um modelo novo combinado com a velha luta ideológica.

Recentemente o MST, no seu Congresso Nacional, deu uma demonstração de acuidade política e clareza programática. Fez a vinculação da questão agrária do país a um novo conceito de reforma: vinculou as demandas particulares dos deserdados da terra à produção de alimentos sadios para os cidadãos de todas as classes, numa verdadeira rebelião agroecológica, que faz a disputa no terreno da produção e da política. Particularmente ele se reporta àqueles que mais sofrem os efeitos “fast-foods”, turbinados por agrotóxicos e por malabarismos genéticos, cujos efeitos sobre a espécie humana ainda não são avaliáveis na sua plenitude.

Trata-se, na verdade, da superação de uma demanda particular de classe — uma reforma agrária baseada na mera redistribuição da propriedade — para um plano universal de interesse da totalidade do povo, sem a perda das suas raízes classistas. Belo exemplo que vem do povo para ser absorvido e renovar a cultura política da esquerda. O capital financeiro, no mundo, está vencendo, mas pode ser barrado pela imaginação criadora de uma esquerda que seja consciente da grandeza das suas tarefas nos momentos de refluxo. O MST deu um belo exemplo. A esquerda o seguirá?

Tarso Genro
No Carta Maior
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Como a Folha monta o noticiário sob medida…


As eleições municipais de 2012 foram as primeiras em que estava em vigor a “Lei da Ficha Limpa”. A Folha fez uma reportagem sobre os 317 candidatos barrados pela lei em todo o país, mas não deu muito destaque no site e no jornal impresso. O próprio título da reportagem não dizia muita coisa, escondendo um dado importante que ela trazia. Só aqueles curiosos que leram a reportagem até o fim descobriram que o PSDB teve o maior percentual de barrados pela lei, enquanto o PT ficou apenas na oitava posição. Imaginem se fosse o contrário, que o PT tivesse o maior percentual de barrados. Essa notícia certamente teria virado a manchete do jornal, com a seguinte frase: “PT é o partido com maior número de corruptos no país, indica “Lei da Ficha Limpa”.

É assim que vai sendo feita a manipulação diária…

No DesmascarandoGloboFolha
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As cigarras de Brasília

Terminado o longo fim de semana estendido por dois feriados, a imprensa dominante segue oferecendo ao público, na terça-feira (22/4), o cardápio que deve marcar a eleição presidencial de outubro. Nestes dias, o prato principal continua sendo a compra, pela Petrobras, de uma refinaria nos Estados Unidos. Embora as informações essenciais para entender o negócio estejam, há anos, disponíveis no site da empresa, os diários continuam administrando declarações para alimentar a crise.

Como pode constatar o leitor treinado na observação crítica dos jornais, o interesse principal não é o de esclarecer, mas de fomentar determinado estado de espírito. Assim, uma frase de um ex-executivo da Petrobras é deslocada de seu contexto original e, destacada em manchete, passa a impressão de uma troca de farpas com a ex-chefe do conselho de administração da empresa, hoje ocupando a Presidência da República. Paralelamente, aposta-se na criação de uma CPI que, como em todos os anos eleitorais, vai terminar sem conclusões, servindo basicamente como fonte de inspiração para marqueteiros de campanha.

Enquanto isso, começam a aparecer aqui e ali preocupações com o eixo central da investigação que trouxe de volta ao noticiário o caso da refinaria: as operações do doleiro Alberto Youssef e sua preciosa agenda.

Ao correr os olhos pelas reportagens, o leitor vai se dar conta, em algum momento, de que a Polícia Federal apreendeu com o suspeito nada menos do que 34 telefones celulares, e já foi revelado que ele costumava usar um aparelho diferente para cada um de seus contatos mais importantes. Com certeza, em algum momento a imprensa terá que abandonar a coleta e produção de frases e declarações e se concentrar na investigação das relações entre o doleiro e esses 34 interlocutores especiais. Aí, sim, o noticiário estará prestando um verdadeiro serviço de utilidade pública.

Além do deputado federal André Vargas (PT-PR), que já não pode desmentir suas ligações com o personagem acusado de lavar dinheiro e alimentar o caixa de candidatos, a lista de protagonistas do escândalo vai oferecer um manancial precioso para os jornalistas.

Quando setembro vier

Embora a imprensa mantenha o leitor na expectativa de uma decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o pedido de uma CPI exclusiva para analisar o caso da Petrobras, até as cigarras de Brasília sabem que esse tema serve apenas para fazer barulho. O fio da meada para desvendar como se produz a corrupção no sistema político pode estar na rede de relacionamentos que será desvendada quando a Polícia Federal abrir o sigilo das comunicações do doleiro Youssef.

Praticamente tudo que se refere à compra, pela Petrobras, da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, já foi publicado no site da empresa e posto à disposição dos investidores, por meio de boletins periódicos. O prejuízo, calculado em US$ 530 milhões, já foi registrado nos balanços da empresa e absorvido pelo mercado.

O valor da refinaria não se resume a esses números, e se sua compra era importante para o posicionamento da Petrobras no mercado internacional, esse esclarecimento deveria estar sendo cobrado de seus gestores. Essa informação, porém, não aparece nas reportagens, que apenas reproduzem declarações, numa busca de contradições que possam provar uma tese constantemente martelada pela imprensa.

Todo o material jornalístico conduz à leitura dos editoriais, onde os jornais procuram desconstruir a reputação da presidente da República como gestora. É arriscado fazer juízo sobre a presidente com base nesse material suspeito, altamente contaminado pela manipulação de informações, mas pode-se observar como a estratégia de comunicação da Presidência da República é vulnerável a tais manobras.

Como as cigarras que ficam hibernando debaixo da terra, no Planalto Central, e emergem subitamente, aos milhões, no início da primavera, também os escândalos em Brasília têm seus ciclos naturais, saturando o noticiário quando começam as disputas eleitorais.

A questão é: em setembro, quando as cigarras soltarem seu canto estridente, o que estará dizendo a investigação sobre a rede de corrupção que, segundo a polícia, se esconde na agenda do doleiro?

A imprensa ainda manterá o interesse em ver completamente desvendado esse esquema?

Luciano Martins Costa
No OI
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Senado aprova Marco Civil da Internet

O Senado aprovou na noite desta terça-feira (22) o Marco Civil da Internet, que segue agora para sanção presidencial. A votação se deu 28 dias após aprovação na Câmara dos Deputados, onde a proposta do relator Alessandro Molon (PT-RJ) foi debatida por quase três anos e chegou a trancar a pauta por cinco meses.

Após pressão do governo, a aprovação no Senado foi feita a tempo de transformar o texto em lei antes do evento NetMundial, que será realizado em São Paulo a partir de quarta (23). A abertura do encontro internacional será feita pela presidente Dilma Rousseff, que deve levar o Marco Civil ao evento como "marca" de sua gestão no setor.

A pressa da votação do texto, que tramitava em caráter de urgência, gerou diversas críticas por parte dos senadores. Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), Alvaro Dias (PSDB-PR) e Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) estavam entre os opositores da votação nesta terça, pedindo mais tempo para análise e possíveis alterações na proposta.

O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-BA), desistiu de uma mudança que faria na redação. Ela forçaria a volta do projeto à Câmara dos Deputados e impediria a aprovação do Marco Civil a tempo do evento NetMundial.

A emenda de Braga sugeria alteração no artigo 10, que trata do acesso de autoridades a dados pessoais dos internautas. O objetivo era deixar a redação do artigo mais clara com a troca do termo "autoridades administrativas", considerado vago, por "delegado de polícia e o Ministério Público". Porém, o senador afirmou que aceitaria a edição desse trecho por meio de medida provisória.

Aprovações em comissões

Na manhã desta terça, a CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) e a CCT (Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática) do Senado fizeram uma "aprovação relâmpago" do projeto – na CCT, o processo levou menos de dois minutos.

O projeto também tramitava na CMA (Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle), que cancelou a reunião para analisar o texto.

O relator na CCJ, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), rejeitou 40 das 43 emendas apresentadas– os trechos alterados tratavam de mudanças de texto, mas não de conteúdo. Duas foram acatadas na forma de emendas de redação. Outra foi retirada a pedido do autor.

Entenda o Marco Civil

O projeto equivale a uma "Constituição", com os direitos e deveres dos internautas e empresas ligadas à web. No ano passado, depois das denúncias sobre espionagem nos EUA, o governo federal enviou pedido à Câmara para que tramitasse em regime urgência constitucional (sem definição, chegou a trancar a pauta por cinco meses).

O texto foi aprovado na Câmara dos Deputados no dia 25 de março, depois de a votação ser adiada por pelo menos dois anos – o principal motivo eram pontos considerados polêmicos. A questão mais controversa é a chamada neutralidade da rede, que propõe tratamento igual de todo tipo de conteúdo, sem distinção por conteúdo, origem e destino.

De um lado nessa batalha ficaram as empresas de telecomunicações, que reivindicam o direito de vender pacotes fechados de internet (como planos para celular que limitam acesso a redes sociais e sites pré-determinados). Durante os embates, o líder do PMDB, deputado Eduardo Cunha (RJ), chegou a dizer que este princípio poderia encarecer o acesso dos brasileiros à internet.

De outro, estavam os provedores de internet (como UOL, Terra, IG e Globo): eles defendiam que esses planos com conteúdo pré-definido limitam a liberdade do usuário e impedem que novas empresas de conteúdo digital ganhem espaço no mercado.

Por padrão, alguns dados têm prioridade no tráfego: é o caso dos pacotes VoIP (voz sobre IP), que precisam chegar rapidamente em sequência para que a ligação faça sentido. Já no caso de um e-mail, um pequeno atraso não teria impacto tão negativo. Mas a neutralidade quer impedir interferências que limitem a oferta de conteúdo.
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Parar um tanque tem a importância que a mídia dá ao “lado” de quem o para


Quem se lembra do chinês que parou um tanque se postando diante dele na Praça da Paz Celestial, em 1989?

A cena rodou o mundo, repetida à exaustão como ícone da resistência ao regime comunista chinês.


Ocorreu um episódio semelhante, dias atrás, na região de Donetsk, na Ucrânia, uma das áreas que está rebelada contra o governo que se instalou em Kiev, mas por “culpa” de uma mulher que o protagonizou, praticamente não é mostrado.

Se a mulher fosse pró-Kiev e o tanque russo, seria manchete. Mas como ela é pró-Russia e o tanque ucraniano é pró-Ocidente, só no Youtube…

A guerra na propaganda é terrível. Ontem, chegou a ser divulgado que os líderes do movimento pró-Russia estariam fazendo um “cadastramento” de judeus em Donetsk, o que foi desmentido com muito menos ênfase do que foi noticiado.

Assista a cena de Donetsk que não será mostrada na TV.


No Tijolaço
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Piada de Faustão gera revolta em movimentos negros


“Cabelo de vassoura de bruxa”
“Eu, assim como muitas mulheres negras, não vi como uma brincadeira e não aceito piada com esse teor”, afirma Lilian Araújo, da Frente Pretas

No último domingo (20), ao se dirigir à uma das bailarinas que integram o elenco de seu programa, que é negra, o apresentador Faustão disse: “Cabelo de vassoura de bruxa”.



O comentário gerou revolta nos movimentos negros. “Diante desse lamentável comentário racista do apresentador Faustão, eu, assim como muitas mulheres negras, não vi como uma brincadeira e não aceito piada com esse teor, ainda mais vindo de uma emissora elitista e racista que é a TV Globo”, afirmou Lilian Araújo, da Frente Pretas, da UNEafro.

Maria Rita Casagrande, das Blogueiras Negras, também criticou a piada do apresentador global. “É inaceitável o racismo mascarado de piada, de gracinha, o constrangimento em nome do riso fácil. A mídia de maneira geral desvaloriza a beleza negra, reserva a nós os papeis que nos cabem segundo o senso comum, a empregada, a iletrada, a prostituta, o bandido, algo que naturaliza o preconceito e só traz prejuízos”, lamentou a ativista.

O cabelo e a identidade

É ponto comum, entre as entrevistadas, a importância do cabelo para a afirmação da identidade da mulher negra, uma conquista que, segundo Lilian já enfrenta resistência. “Sair dessa bolha não é fácil, não contamos com a aprovação social e isso se deve ao nosso passado, cor e ‘cabelo ruim’, como costumam dizer. E quando eu digo aprovação social, é no sentido que meu cabelo deve ser aceito assim como qualquer outro, tratando as diversidades e belezas que cada um possui.”

Maria Rita explica a importância da estética capilar para as afrodescedentes brasileiras. “O cabelo da mulher negra é parte fundamental de sua identidade, do reconhecer-se negra. Não nos ensinam a amar quem nós somos nas escolas, isto vem de uma construção, vem no meio de muita luta e não podemos aceitar que nossa identidade seja ridicularizada ou diminuída em nome do entretenimento. ”

Imagem: Cacheando em Salvador
Imagem: Cacheando em Salvador
A comunidade Cacheando em Salvador, da Bahia, se manifestou pelo Facebook e repudiou a piada de Faustão. “Não aceitamos mais que nos sejam impostos os padrões eurocêntricos de beleza. Não iremos tolerar que racismo seja reproduzido em nenhum ambiente e em grande mídia então. Não aceitaremos mais que nos ‘eduquem’ para sermos racistas.”

Para Sheila Nascimento, da Rede Afro LGBT, de Jequié, na Bahia, que há um ano e meio mantém seus cabelos crespos “sem químicas e sem alisamentos”,  houve um enrijecimento do preconceito, desde que decidiu usar o cabelo em sua forma natural. “Para muitas têm sido difícil assumir o nosso cabelo, porque é como se ele gritasse pro mundo ‘nós somos negras!’, e por isso os ataques racistas, não direi nem que aumentaram, mas ficaram cada vez mais explícitos.”

A importância do cabelo, vulgarizada por Faustão, passaria por uma conquista mais ampla,de acordo com as ativistas, que é passar a ver a beleza negra como ela é sendo representada na mídia. ”Quando olho para as revistas e programas de TV eu não me vejo, não me reconheço então naturalmente eu vou querer me adequar àquilo que está sendo posto, e assim sucessivamente com nossos cabelos e traços”, afirma Sheila, que vê na resistência midiática um estímulo para o engajamento também estético. “É por isso que se assumir, enegrecer, encrespar, buscar suas raízes, é tão fundamental para que não se perca a força diante do racismo.”

Igor Carvalho
No Revista Fórum
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Charge online - Bessinha - # 2037

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“Denúncia” da Folha desmonta versão da compra de Pasadena por US$ 42 mi pela Astra


São só mesmo a falta de capacidade de raciocínio e a vontade de fazer acusações escandalosas — não necessariamente nesta ordem — o que impede o fim de toda a discussão em torno dos preços pagos pela Petrobras na operação de compra da refinaria de Pasadena.

Bastaria que o repórter ou seu editor lessem com atenção o que eles próprios escrevem sobre os documentos da arbitragem havida entre a Petrobras e a Astra para entender a adequação dos valores, à época, pagos à Astra, ex-dona da planta de refino.

Diz a matéria, textualmente:

Gilles Samyn, então presidente do Conselho de Administração da Astra Transcor, acionista da Astra Oil, contou que, em conversa telefônica com Gabrielli em agosto de 2007, ambos reconheceram as dificuldades em chegar a um consenso sobre os investimentos para dobrar a capacidade da refinaria, como queria a Petrobras.

O custo era de US$ 2,5 bilhões, considerado alto pela Astra. “Para resolver a questão, eu ofereci comprarmos de volta a participação de 50% da Petrobras, mas Gabrielli (José Sérgio, presidente da estatal) insistiu que isso deveria ser resolvido de outra maneira”, afirmou o executivo na arbitragem.

De fato, no mês seguinte, a Petrobras apresentou uma proposta para comprar a metade da Astra por US$ 550 milhões.

A Astra achou pouco:

“Ainda segundo o depoimento, ao fim de setembro, a Petrobras enviou proposta de US$ 550 milhões pelo restante de Pasadena. Samyn, então, teria dito que a Astra esperava receber US$ 1 bilhão.”

Passa pela cabeça de alguém que uma empresa que tenha comprado uma refinaria inteira por US$ 42 milhões recuse-se a vender metade dela por US$ 550 milhões, 13 vezes mais (e em dólar!) e bata pé em quem isso suba para US$ 1 bi, ou 26 vezes mais?

O prezado amigo que me lê, o que faria se comprasse dois carros por 42 e lhe oferecessem 550 por um deles apenas? Será que ia em casa para pensar ou correria para o cartório, louco para assinar a venda e receber a grana?

É óbvio que não houve compra alguma por US$ 42 milhões, e que esse valor se refere apenas ao que foi pago à Crown, antiga proprietária de Pasadena, sem incluir o que a empresa devia ou tinha imobilizado.

Resta saber se a Petrobras negociou bem.

Insistiu em comprar uma refinaria porque havia demanda de refinados no mercado interno brasileiro, que ela pretendeu — e pretende — continuar a abastecer isoladamente.

Ofereceu US$ 550 milhões, a Astra queria US$ 1 bilhão e recusa a oferta. A Petrobras sobe a proposta, para algo em torno de US$ 700 milhões e a Astra continua se recusando a vender algo que no dizer de nossa “competentíssima” oposição teria custado US$ 24 milhões (a metade dos US$ 42 milhões com que se tenta fazer crer que foi o valor da compra de Pasadena.


A Petrobras vai, então, à Justiça para fazer valer o seu direito de compra dos outros 50% por um preço razoável (claro que para aquele momento), ou seja, para exercer a tal  ”put option” do contrato, e não o contrário, como muita gente boa andou repetindo.

Traduzindo: a Astra não queria vender a sua parte por US$ 700 milhões, certamente por achar que isso era menor que o valor de mercado.

Porque era um ativo muito mais valioso então do que agora, quando o mercado mudou.
claim
Quem acionou a corte arbitral, como está aí ao lado, foi a Petrobras, não o contrário.

Mesmo assim, a Folha repete que “a estatal brasileira desembolsou US$ 1,25 bilhão por um negócio comprado pela Astra por apenas US$ 42,5 milhões em 2005.”

Repete, portanto, que a Petrobras precisou ir à Justiça para “obrigar” a Astra a ter um lucro de 30 vezes num negócio.

Será que uma pessoa com um mínimo de honestidade intelectual pode dar crédito a uma versão como esta?

Fernando Brito
No Tijolaço
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Marco civil da internet pode ser aprovado ainda nesta terça pelo Plenário do Senado

Vital do Rêgo, relator na CCJ: marco preserva pluralidade da rede
O projeto que estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para internautas e provedores na rede mundial de computadores pode ser aprovado ainda na tarde desta terça-feira (22) no Plenário do Senado e seguir para sanção da presidente da República, Dilma Rousseff, assim que for publicado. A expectativa do governo é de que, aprovado sem mudanças, o PLC 21/2014 possa ser apresentado como lei até o evento Net Mundial, marcado para ocorrer a partir de amanhã (23) em São Paulo.

De acordo com informação da Secretaria Geral da Mesa, a votação do marco civil da internet em regime de urgência depende da aprovação de um requerimento assinado pelos líderes dos partidos, cujo exame deve ser antecipado de quinta-feira (24) para hoje.

De todo modo, antes de ser apreciada em Plenário, a matéria tem de passar pela Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA). Essa votação, no entanto, pode ocorrer no próprio Plenário com a designação de relator ad hoc encarregado de parecer em substituição ao da CMA. Marcada para a manhã desta terça, a reunião da CMA destinada à votação da marco civil foi cancelada. O  senador Luiz Henrique (PMDB-SC), escolhido relator por sorteio, devolveu a matéria à comissão por defender uma análise mais cuidadosa e o "aperfeiçoamento" do projeto.

Nas outras comissões designadas para apreciar o projeto, o marco civil da internet passou com grande rapidez na manhã de hoje. Em reunião extraordinária, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) aprovou o PLC 21/2014. O texto é o mesmo encaminhado pela Câmara dos Deputados, com ajustes de redação. Além da CCJ, o projeto foi aprovado na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) em decisão instantânea. O texto acolhido foi igualmente o que veio da Câmara, com base em parecer do senador Zezé Perrella (PDT-MG), presidente da comissão.

Na CCJ, o relator, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), optou por rejeitar 40 das 43 emendas apresentadas ao texto. Duas foram acatadas na forma de emendas de redação. Outra foi retirada a pedido do autor.

Para Vital, a proposta está à altura da necessidade de regulamentação jurídica que a era cibernética reivindica.

— Estamos diante de um marco histórico, de uma obra legislativa que não apenas preservará a natureza plural da internet como também contribuirá para o desenvolvimento nacional e de cada um dos nossos brasileiros ao sopro do respeito aos direitos humanos e à dignidade da pessoa humana - disse Vital.

Ajustes

O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), autor de uma das emendas de redação acatadas, reconheceu que a Câmara dos Deputados fez um bom trabalho ao melhorar o texto encaminhado pelo Executivo, mas ponderou que a proposta do marco civil da internet (PLC 21/2014) ainda merece ajustes.

Um deles, segundo o senador, seria a supressão do artigo 31. O texto determina que "até a entrada em vigor de lei específica, a responsabilidade do provedor de aplicações de internet por danos decorrentes de conteúdo gerado por terceiros, quando se tratar de infração a direitos de autor ou a direitos conexos, continuará a ser disciplinada pela legislação autoral vigente".

— Temos um projeto de lei que garante a neutralidade da rede, estabelece regras para o judiciário, um projeto bom, que pode ficar melhor. A supressão do artigo 31 me parece ser imperiosa - disse o senador.

A redação do artigo 10, que trata da guarda e a disponibilização dos registros de conexão e de acesso a aplicações de internet, como de dados pessoais e do conteúdo de comunicações privadas foi motivo de dúvidas durante a votação na CCJ. O texto original dizia que não será impedido o acesso aos dados cadastrais que informem qualificação pessoal, filiação e endereço, na forma da lei, pelas autoridades administrativas que detenham competência legal para a sua requisição. Vital procurou especificar a questão substituindo "autoridades administrativas" por delegado de polícia e o Ministério Público.

Os senadores Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) apresentaram pedido para votação da emenda em separado. Ambos consideraram que a nova redação não modifica apenas o texto, mas também o mérito da proposta. O texto de Vital foi mantido pela CCJ.

Neutralidade

Entre os principais pontos do projeto, está o artigo 9º, que protege a neutralidade de rede. Ou seja, o tratamento isonômico de quaisquer pacotes de dados, sem distinção de preços para a oferta de conteúdo. A regra determina tratamento igual para todos os conteúdos que trafegam na internet.

Assim, os provedores ficam proibidos de discriminarem usuários conforme os serviços ou conteúdos que eles acessam — cobrando mais, por exemplo, de quem acessa vídeos ou aplicações de compartilhamento de arquivos (que exigem maior utilização de banda).

Privacidade

Além da neutralidade de rede, outro pilar da proposta é a garantia do direito à privacidade dos usuários, especialmente à inviolabilidade e ao sigilo de suas comunicações pela internet.

O texto determina que as empresas desenvolvam mecanismos para garantir, por exemplo, que os e-mails só serão lidos pelos emissores e pelos destinatários da mensagem, nos moldes do que já é previsto para as tradicionais cartas de papel.

“A proteção da intimidade foi devidamente contemplada em vários dispositivos, garantindo o sigilo dos dados pessoais dos nossos brasileiros com as flexibilizações já admitidas em outras situações no ordenamento jurídico, como nos casos de investigação criminal”, observou o relator no texto.

Proteção

O projeto também assegura proteção a dados pessoais e registros de conexão e coloca na ilegalidade a cooperação das empresas de internet com departamentos de espionagem de Estado como a NSA, dos Estados Unidos. Sobre a questão Vital observou:

"Tampouco o marco civil da internet negará a soberania nacional ao deixar bem claro que a legislação brasileira deve ser respeitada por todos os provedores de conexão e de aplicações atuantes no país", assinalou o senador paraibano em seu relatório.

Liberdade de expressão

O artigo 19, que delega à Justiça a decisão sobre a retirada de conteúdos também é visto como um dos principais pontos do marco civil. Atualmente, vários provedores tiram do ar textos, imagens e vídeos de páginas que hospedam a partir de simples notificações.

"A proposição não furtou do Poder Judiciário a sua importante condição de instância neutra para decidir os casos envolvendo discussões acerca dos limites da privacidade e da liberdade de expressão", acrescentou Vital do Rêgo.

Tramitação

Encaminhado pela Presidência da República em 2011, o marco civil foi aprovado na Câmara dos Deputados no final de março deste ano, depois de estar em pauta por dois anos. No Senado, o texto já chegou com pedido de urgência constitucional, ou seja, com prazo de 45 dias para análise.

A proposta começou a ser discutida em 2009 e foi elaborada pelo governo tendo como base o documento “Princípios para a governança e o uso da internet”, do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). O texto, que passou por consulta pública entre 2009 e 2010, busca estabelecer uma regulamentação geral sobre o uso da internet.

No Agência Senado
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Blog do Mello aponta outros cenários onde Dilma perde para seus principais adversários


Já que na pesquisa geral Datafolha (e também dos outros institutos de pesquisa) Dilma continua ganhando fácil, disparado e no primeiro turno, colunista da Folha resolveu inovar e separou um nicho da pesquisa Datafolha, onde Dilma perderia, para dar uma força aos opositores... Resumo:
Apenas 17% dos eleitores afirmam conhecer "bem" ou "um pouco" os três principais pré-candidatos a presidente: Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB).

No cenário testado apenas com eleitores que conhecem os três principais candidatos, Campos fica com 28%. É seguido por Dilma, com 26%. Aécio pontua 24%.

Os três estão tecnicamente empatados. É que a margem de erro sobe para cinco pontos percentuais, para mais ou para menos.
O Blog do Mello também selecionou uns nichos favoráveis aos adversários de Dilma, e pede aos leitores colaboração para mais cenários:

Entre moradores do Leblon e adjacências, dá Aécio disparado. O candidato tucano também lidera entre os garçons do Cervantes, os jornais mineiros sob censura da irmã do candidato, os netos de Tancredo Neves, os Perrela (pai, dono da fazenda; filho, dono do helicóptero; e Espírito Santo, dono do pó).

Eduardo Campos lidera no segmento traíra (e olha que a pesquisa foi feita antes da Semana Santa e do Dia de Tiradentes, quando houve farta divulgação dos nomes de Judas e Calabar...). Campos também lidera entre os principais candidatos que têm olhos azuis.

Mande seu cenário que o acrescento aqui. Afinal, dizem os antenados da mídia corporativa, pesquisa e farmácia só de manipulação...

Ah, e espalhe que o Blog do Mello voltou.
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Merval acusa blogueiros

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A reforma do FMI e os Brics


Pataxó
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O Fantástico teve o pior Ibope de sua história: algumas sugestões para tirá-lo da draga


O Fantástico terminou o domingo passado com a pior audiência de sua história. Marcou 13,7 pontos de média no Ibope (a Record fez 10,4 e Silvio Santos, 10).

Foi a última edição com o formato atual. A partir da semana que vem, ele volta reformulado. Imagens dessa renovação vazaram através de um site pirata especializado em TV, o que deixou tensos os executivos que esperavam que poderiam surpreender os telespectadores.

Duas coisas vão acontecer com a reestreia do Fantástico. Primeiro, nada. Depois, nada. Nada vai reverter o destino do programa-símbolo do baixo astral do domingo e da falta de imaginação. São tentativas de ressuscitar um cadáver. O Fantástico é um peixe dourado comprado numa feira livre, fora do aquário, se debatendo em cima da mesa.

O que poderia salvá-lo?

Se estivéssemos num ambiente competitivo e não num monopólio, você poderia apostar numa pressão dos fãs. É algo relativamente comum nos EUA. Fãs de programas canceladas por baixa audiência ou por causa de anunciantes que se recusam a patrocinar um material controvertido se articulam para salvá-las.

Nos anos 70, os admiradores de “Jornada nas Estrelas” organizaram uma campanha para enviar cartas à rede NBC quando souberam do cancelamento após a segunda temporada. Conseguiram esticar uma terceira.

Em 2011, o seriado “Community” estava com a corda no pescoço. Mandaram emails, criaram páginas no Facebook e, finalmente, fizeram um flash mob em frente aos estúdios fantasiados de Papai Noel, cantando a música-tema de um dos episódios iniciais. “Community” está no ar até hoje.

É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que encontrar alguém capaz de amar o Fantástico a esse ponto, um dos maiores casos perdidos da história do entretenimento. Quais as alternativas? Pedir a volta da zebrinha? Sugerir um quadro de humor com o filho de Chico Anysio tentando fazer o que Chico Anysio não fazia, ou seja, arrancar uma risada? Trazer Hélio Costa de onde quer que ele esteja para uma série de reportagens picaretas sobre ciência picareta?

Como nada disso vai acontecer, o Fantástico vai definhar até chegar a 5 pontos e se fundir com o Faustão numa grande orgia televisiva dominical. Vai sumir sem ser notado. Como dizia T.S. Elliot, assim vai expirar: não com uma explosão, mas com um suspiro.

Kiko Nogueira
No DCM

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Documentos do FBI dizem que Hitler fugiu para a Argentina


Com quase 70 anos de atraso o FBI abre seus arquivos secretos que atestam: HITLER foi para a Argentina em vez de cometer suicídio. Outros relatos anteriores a estas provas indicavam já detalhes da vida de Hitler na Argentina e final de sua vida no Brasil.

A 30 de abril de 1945, Adolf Hitler suicida-se num bunker subterrâneo. O corpo foi descoberto mais tarde e identificado pelos soviéticos, envolto em contradições e histórias, antes de ser levado de volta para a Rússia. É realmente possível , que os soviéticos tivessem mentido todo este tempo, propositadamente para a história ser reescrita?

Ninguém pensava assim até a liberação dos documentos do FBI . Parece que é possível, que o homem mais odiado da história escapou da Alemanha devastada pela guerra e viveu uma vida bucólica e tranquila nos maravilhosos sopés da Cordilheira dos Andes ou alegadamente terá terminado a sua senda em algum longínquo lugar no Brasil.

A comunidade secreta sabia!

Registros do FBI divulgados recentemente estão a mostrar que não só Hitler e Eva Braun tiveram suicídios falsificados, mas que a dupla infame pode ter tido a ajuda do diretor suíço dos OSS dos Estados Unidos, Allen Dulles.

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Clique na imagem para ver os documentos do FBI
Num documento do FBI de Los Angeles, é revelado que a agência estava ciente de um misterioso submarino fazendo caminho até a costa argentina levava para fora altos funcionários nazis. O que é mais surpreendente é o fato estranho que o FBI sabia que ele estava de fato a viver no sopé da Cordilheira dos Andes.

Quem é o misterioso informante?

Numa carta ao escritório de Los Angeles , em agosto de 1945, um informante não identificado concordou em trocar informações de asilo político. O que ele disse aos agentes foi impressionante. O informante não só sabia que Hitler estava na Argentina como confirmou ser um dos quatro homens dentro do submarino alemão. Aparentemente, dois submarinos haviam desembarcado na costa argentina: Hitler e Eva Braun estavam a bordo do segundo.

O governo argentino não só se congratulou com o ditador alemão, como objetivamente também auxiliou no seu esconderijo. O informante não só passou a dar instruções detalhadas sobre as aldeias que Hitler e seu partido tinham passado, como também os detalhes físicos credíveis sobre Hitler. Embora por razões óbvias o informante nunca seja citado nos documentos do FBI , ele era confiável o suficiente para ser acreditado por alguns agentes.

Este informante disse ainda que o líder nazista tinha cortado o seu bigode e vivia num rancho fortemente vigiado. “Se forem a um hotel em San Antonio, Argentina, consigo arranjar um homem que se encontre lá com vocês e vos diga onde é o rancho onde está Hitler”, disse o informante.

A informação chegou ao líder do FBI, J. Edgar Hoover, que a reencaminhou para o Departamento de Guerra.

No entanto, num documento de 21 de setembro de 1945, os agentes do FBI concluíram que devido à pouca informação seria impossível continuar a seguir esta pista.

O FBI tentou esconder paradeiro de Hitler

Mesmo com uma descrição física detalhada, o FBI ainda dá indicações sobre como não acompanhar nova tese. Mesmo com evidências que colocaram o submarino alemão U-530 circundando a costa argentina pouco antes de chegar, e uma abundância de testemunhas oculares atestando que o oficial alemão foi deixado, nada nem ninguém foi investigado.

Em 1945, um Adido Naval em Buenos Aires havia informado Washington que havia uma alta probabilidade de que Hitler e Eva Braun tinham acabado de chegar na Argentina. Isso coincidiu com as aparições do submarino U-530. Adicionado à prova estão, sob a forma de artigos de jornais, detalhes da construção de uma mansão em estilo bávaro, no sopé da Cordilheira dos Andes, trabalho do arquiteto Alejandro Bustillo que já escrevera sobre o seu projeto de construção de nova casa de Hitler. Tudo era financiado por ricos imigrantes alemães.

Provas irrefutáveis ​​de que Hitler escapou:

Talvez a evidência mais representativa de que Hitler sobreviveu à queda da Alemanha encontra-se na Rússia. Com a ocupação soviética da Alemanha, o corpo de Hitler deveria ser escondido rapidamente e levado para a Rússia, para nunca mais ser visto. Isso é até 2009, quando um arqueólogo de Connecticut State, Nicholas Bellatoni, foi autorizado a realizar testes de DNA num dos fragmentos do crânio recuperado descobrindo algo que desencadeou uma reação explosiva na comunidade acadêmica. Não só a de que não encontrou nenhuma das amostras de DNA que se pensava ser de Hitler, como elas não correspondem ao DNA de Hitler ou de Eva Braun. Então a questão é, o que os soviéticos descobriram no bunker, e onde estaria Hitler ?

Dwight D. Eisenhower escreveu a Washington estar preocupado com o desaparecimento de Hitler (e não com a morte) e alguns documentos apresentam que não era apenas o general Eisenhower que estava preocupado com o desaparecimento de Hitler, Stalin também expressou essa preocupação.

Jornalista afirma que Hitler morou e morreu na Argentina

 
Muito antes destas certezas ou confirmações já no livro “El Exilio de Hitler” (Ediciones Absalón), do jornalista argentino Abel Basti, de 54 anos, se sustenta que o líder nazi e sua mulher, Eva Braun, não se mataram. “Fugiram” para Barcelona, onde passaram alguns dias, e depois foram para a Argentina de submarino, onde morreu, depois dos anos 60. Dezenas de relatórios mainstream sustentam que a polícia secreta comunista levou os restos mortais (queimados) de Hitler e Eva Braun para a União Soviética. Basti afirma, sem apresentar documentação confiável, que a informação não é verdadeira e que os nazis, como Hitler, o chefe da Gestapo, Heinrich Müller, e Martin Bormann plantaram pistas falsas. Entrevistado pelo jornal “ABC”, em Espanha, sustenta que “existem três documentos” que comprovam que o nazi não se matou: “Do serviço secreto alemão, que dá conta de que chegou a Barcelona, procedente de um voo da Áustria; do FBI, que indica que ‘o exército dos Estados Unidos está gastando a maior parte de seus esforços para localizar Hitler na Espanha’; e um terceiro do serviço secreto inglês, que fala de um comboio de submarinos com líderes nazis e ouro saindo rumo a Argentina, fazendo uma escala nas Ilhas Canárias”.

Um jesuíta nonagenário é apresentado por Basti como uma de suas mais importantes fontes. Ele dispõe de muitas informações sobre a presença de Hitler na Espanha, segundo o jornalista. No livro, porém, não revela nada de sensacional.

Para não ser reconhecido, Hitler cortou o cabelo, ficou quase careca e rapou o bigode. Teria ficado irreconhecível. “O corte do bigode deixou à mostra uma cicatriz, sobre o lábio superior, que não era conhecida por gente comum.”
Basti assegura que “a fuga de Hitler estava prevista em um grande plano de evasão — de homens, capital e tecnologia — preparado pelos nazis. Esse plano, em 1945, recebeu luz verde dos norte-americanos, como resultado de um pacto secreto militar de troca de conhecimento e cientistas. Os milhares de nazis que puderam fugir para o Ocidente — dos quais cerca de 300 mil foram para os Estados Unidos — foram ‘reciclados’ [recrutados] para lutar contra o comunismo. Hitler transformou-se num dinossauro vivo, protegido e refugiado”.

O entrevistador Antonio Astorga menciona documentos secretos britânicos nos quais se revela que Hitler fugiu para a Argentina num submarino, “com escala técnica nas Ilhas Canárias”. A versão de Basti: “Antes que o comboio de submarinos partisse da Espanha, a Armada [Marinha] norte-americana retirou todas as suas unidades navais do Atlântico Sul. Os submarinos nazis ‘trocaram mensagens’ com a frota norte-americana. As mensagens foram interceptadas pelos ingleses”.

Cidadã brasileira afirma que Hitler morreu no Brasil

Adolf Hitler fugiu da Alemanha e depois de viver noutros países da América do Sul, morreu no Brasil aos 95 anos anos. Este é a tese de doutorado em jornalismo de Simoni Renée Guerreiro Dias, cidadã brasileira.

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O ditador recorreu a amigos que tinha no Vaticano e fugiu da Alemanha depois de ter simulado a própria morte, alega a investigadora, que explica que o primeiro destino foi a Argentina após espera por submarino em Barcelona. Já com o apelido alterado para Adolfo Leipzig, Hitler ter-se-á depois mudado para o Paraguai, antes de rumar ao Brasil, onde morreu em 1984, com 95 anos, na cidade de Nossa Senhora do Livramento, no estado de Mato Grosso.

A investigadora, que reside no estado de Mato Grosso, revela que foram os relatos de um alemão idoso com muitas parecenças com Hitler que a levaram a investigar. A mulher encontrou uma fotografia desse homem, datada de 1982, e, segundo o portal Globo, ao manipular a imagem e lhe colocar um bigode, deu aquele que seria o primeiro passo da investigação: aquele homem podia mesmo ser Adolf Hitler.

A tese foi contestada por Cândido Moreira Rodrigues, professor de História Política e Contemporânea da Universidade Federal de Mato Grosso, que acusa a investigação de Simoni de falta de rigor científico.

Sobre o fato de a imagem mostrar um homem e a sua companheira, uma mulher negra, Simoni alega que era parte do disfarce, uma vez que ninguém pensaria que Hitler se envolveria com uma mulher que não fosse caucasiana. Outro dado tido por Simoni como indicação de que era mesmo Hitler aquele «alemão velho», como era chamado no bairro, tem a ver com os relatos de uma freira sobrevivente ao Holocausto que se sentiu mal ao reconhecer Adolfo Leipzig como sendo Hitler, durante uma visita do idoso ao hospital, em 1979.

O caso será desvendado em breve. Simoni conseguiu autorização para exumar o corpo de Adolf Leipzig e recolheu amostras de ADN, que serão comparadas com as de um descendente de Hitler.

Ultramar Sul - A Última Operação Secreta do Terceiro Reich 

Um outro livro, Ultramar Sul — A última operação secreta do Terceiro Reich — de Juan Salinas e Carlos de Napoli – lançado pela Civilização Brasileira – com apoio do Ministério das Relações Exteriores e Cultura da Argentina, relata a misteriosa viagem da Europa à Mar del Plata de dois submarinos alemães, o U-530 e o U-977, após a rendição de 7 de maio de 1945, com grandes conjecturas sobre quais eram os objetivos dessa longa travessia, já depois da rendição alemã. Os submarinos se renderam à Marinha argentina, um Pais simpático ao Terceiro Reich, despertando as maiores desconfianças entre os Aliados, inclusive de que levariam altos dignatários nazistas. Stalin desconfiava que Hitler era um deles.

A calorosa recepção da Marinha em Mar del Plata aos submarinistas alemães aumentou as suspeitas que tinham como pano de fundo as evoluções da politica interna argentina, sob o domínio da dupla Farrell-Peron.

O livro é longo, quase 500 páginas, bem documentado e tem como moldura as complexas condições de rendição dos nazistas aos anglo-americanos e aos soviéticos, duas operações distintas recheadas de desconfianças mútuas, bem como do efêmero Governo do Almirante Doenitz que funcionou entre a anunciada morte do Fuhrer em 30 de abril de 45 e a rendição de 7 de maio.

Trata também das rendições paralelas no Norte da Itália e na Noruega, teatros secundários aonde as forças armadas alemãs não estavam taticamente derrotadas e poderiam resistir ainda se quisessem, bem abastecidas e com equipamento em bom estado.

Na viagem da Alemanha via Noruega para a Argentina, o U-530 torpedeou em 4 de julho, dois meses após a rendição alemã, o cruzador brasileiro BAHIA, que contava com 336 tripulantes, causando grande número de mortes após afundar em 6 minutos.

Esse episódio e outros pouco conhecidos tem um minucioso tratamento nesse livro interessante e surpreendente, mesmo para os que conhecem o tema da Segunda Guerra. Ssão fatos e episódios que se entrelaçam à trama, como a derrota eleitoral de Churchill logo após o fim da Guerra, a Conferência de Potsdam e o encontro de Stálin com Truman pela primeira vez, a primeira deposição e prisão de Peron pela Marinha argentina, o Brasil muito presente na trama, a preparação da grande rota de fuga dos nazistas para a Argentina, que se daria entre 45 e 47. A obra é uma tessitura atraente que prende o leitor, como um bom romance policial e político, todavia trata-se de um livro de história sobre o fechamento da Segunda Guerra com episódios pouco conhecidos, que deixam bem mal a Argentina daquela época.

A Fuga de Hitler


Fonte: Diário de Notícias, RevistaBula e Portugal Mundial
No Nerdices
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A TV Cultura faz propaganda política fingindo fazer jornalismo e a conta é paga pelo contribuinte

Villa (à direita) e um companheiro de bancada do Jornal da Cultura
Não posso dizer que fiquei surpreso.

Mas.

Mesmo sabendo o tipo de jornalismo que a Cultura faz, me chamou a atenção uma reportagem que vi, no acaso de uma zapeada, sobre a Petrobras.

Não era jornalismo. Era política. E política rasteira, manipuladora.

Quem edita?

Pobres espectadores. E o embuste feito com dinheiro público, do contribuinte paulista, o que dói ainda mais.

Já foi absolutamente demonstrado que Pasadena não custou 1 bilhão de dólares para a Petrobras, e nem 42 milhões de dólares para o comprador anterior, a Astra.

Você pode ter muitas dúvidas sobre o negócio, mas estes números que foram tão desonestamente lançados à sociedade já foram triturados pelos fatos.

Mas não foram abandonados pela Cultura, que continua a usá-los sem a menor cerimônia.

Uma entrevista de Gabrielli também foi usada indecentemente.

Gabrielli disse ao Estadão que o negócio foi bom e correto. Numa frase tirada do contexto, afirmou que Dilma tinha que assumir a responsabilidade pelo sua parte no negócio, assim como ele próprio.

Pronto.

Todas as explicações de Gabrielli sobre a compra foram esquecidas e o foco foi inteiramente para a frase em que ele cita Dilma. O embuste começou no próprio Estadão e continuou no Jornal da Cultura.

Gabrielli deve ter aprendido, pelo caminho duro, que não pode dar entrevista para quem quer usá-lo como escada. O controle do conteúdo está no editor, que depois manobra o texto da forma que quer. Lula e Dilma já aprenderam isso, e é assim que se explica seu silêncio em relação à mídia corporativa.

O ponto central da Cultura é aquele que você pode imaginar: o PT acabou com a Petrobras e uma CPI é imprescindível. Com todos os problemas que possam existir, o fato é que em 2003 a Petrobras valia 15 bilhões de dólares e hoje vale 180 bilhões. Já valeu mais, antes principalmente que o governo segurasse o preço da gasolina. Mas na matemática da mídia a conta, naturalmente, jamais começa nos 15 bilhões de 2003.

Tive a oportunidade de rever, por alguns minutos, o professor Villa, que tem uma sinecura no jornalismo da Cultura.

Um bom comentarista joga luz onde existe sombra. Villa faz o oposto. Joga sombra onde existe luz.

Não há nada que Gabrielli, ou quem for, possa dizer que vá fazer Villa enxergar o caso Petrobras de uma forma objetiva e não política.

Faz sentido gastar dinheiro gasto na Cultura se as pessoas que a fazem produzem este tipo de conteúdo?

Não.

Jornalismo é uma coisa. Propaganda política é outra.

A Cultura faz a segunda fingindo fazer o primeiro.

A vítima é o contribuinte, que banca, e o espectador, que ouve mentiras que depois vai repetir por aí, num processo de multiplicação da ignorância e da mistificação.

Paulo Nogueira
No DCM
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Con flores amarillas despiden al Gabo en el Palacio de Bellas Artes - Fotos

Con flores amarillas, alegría e incluso el vallenato, mexicanos y miles de seguidores de Gabriel García Márquez han comenzado a darle el último adiós al nobel colombiano en el Palacio de Bellas Artes (en el D.F. mexicano).

Las cenizas del escritor aracateño recorrieron la tarde de este lunes las calles mexicanas para llegar a este centro cultural, donde desde tempranas horas de la mañana se esperaba por la apertura de las puertas.

Se espera que el mandatario colombiano, Juan Manuel Santos, y su homólogo mexicano, Enrique Peña Nieto, ofrezcan unas palabras a los presentes por espacio de diez minutos cada uno.

Con música llegan colombianos al Palacio de Bellas Artes a decir Adios a García Márquez
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Con música de vallenato también de da el último adiós a Gabriel García Márquez en Mexico
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Los más pequeños también vienen a dar el último adiós a Gabriel García Márquez
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