19 de abr de 2014

Juruna, o índio deputado

Parece incrível, mas em 125 anos de República o Brasil só teve um parlamentar indígena: Mário Juruna (1942-2002). E nunca mais foi Dia do Índio no parlamento desde que ele saiu de lá — em vez disso, multiplicaram-se no Congresso os inimigos da causa indígena. No final da década de 1970, Juruna se tornara conhecido por empunhar um gravador onde registrava as falsas promessas feitas por altos funcionários do governo de devolver as terras dos Xavante. Dizia: “homem branco mente muito”. Acabou eleito deputado federal pelo PDT de Darcy Ribeiro e Leonel Brizola, com mais de 30 mil votos, na eleição de 1982.

Sua passagem pelo Congresso foi marcada pela tentativa de ridicularizá-lo e de transformá-lo num bufão. Jô Soares, em seu programa humorístico na Globo, logo criou um índio que mal sabia falar o português para que os telespectadores rissem dele. O general João Baptista de Figueiredo, último presidente militar, foi o primeiro a rosnar contra Juruna, dizendo que o Rio de Janeiro só tinha eleito “índios e cantores de rádio”. Seu ministro da Aeronáutica, Délio Jardim de Matos, verbalizou a definição inconfessável que estava em todas as cabeças da direita: “aculturado exótico”.

O líder xavante fora convencido a entrar na política por Darcy, que denunciou a campanha contra o índio deputado feita sobretudo pela imprensa. “Este índio novo, tão melhor armado para a sua própria defesa, provoca grandes antipatias. O seu símbolo maior, Mário Juruna, chega a desencadear ódios como se fosse um ser detestável. É profundamente lamentável que até a imprensa mais respeitável do país, a exemplo do Jornal do Brasil, tenha mantido, durante anos, uma campanha sistemática de desinformação contra o deputado Mário Juruna, através dos procedimentos mais antiéticos, indignos da sua tradição jornalística.” Segundo Darcy, foi “graças à mobilização que ele fez de todos os Xavantes e à declaração de guerra que impôs à sociedade brasileira, que recuperou para o seu povo mais da metade do território tribal, roubado com a conivência de funcionários da FUNAI”.

(Darcy Ribeiro e Juruna. Foto: Orlando Brito)
No dia da sua posse como deputado, em março de 1983, Juruna foi aplaudidíssimo, mais até que Ulysses Guimarães. Decidido a só fazer seu primeiro discurso no Dia do Índio, resolveu falar uns dias antes apenas para reclamar das alfinetadas de Figueiredo. “Estou muito revoltado. Este presidente da República tem que fazer serviço para garantir emprego ao povo brasileiro e não para fazer campanha de calúnia contra as pessoas. Eu sou contra a repressão, contra a violência e também contra a mentira e a sujeira. O presidente não pode falar besteira, que é contra a eleição, que é contra mim. Graças a Deus fui eleito pelo Rio de Janeiro. Os cariocas me deram oportunidade para vir a Brasília, onde existe pecado, existe treteiro, existe corrupto, para protestar contra o que está errado. O governo federal quer ganhar eleições em todos os Estados do Brasil, mas ele não vai ganhar a consciência do povo, do homem carecido. O presidente não pode meter o pau em nenhum companheiro, em nenhum deputado. Ele que salve o Brasil.”

No dia 19 de abril, como prometido, subiu à tribuna e voltou à carga, valente, criticando os ministros do governo militar e pedindo sua demissão. Em setembro de 1983, iria além e chamaria os ministros de ladrões. “Todo ministro é a mesma panelinha, é a mesma cabeça. Não tem ministro nenhum que presta. Pra mim todo ministro é corrupto, ladrão, sem vergonha e mau caráter. Não vou dizer que todo ministro é bom, legal e justo. Vou dizer que todo ministro é do mesmo saco que aproveita o suor do povo trabalhador”.

Figueiredo, furioso, chegou a pedir a cassação de Juruna, mas o deputado acabou recebendo apenas uma censura por parte da Mesa. Em 1985, Mário Juruna denunciaria a tentativa de Paulo Maluf de comprar seu voto no colégio eleitoral. Devolveu o dinheiro e votou em Tancredo Neves. Desgostoso com a política após não conseguir se reeleger em 1986, Juruna morreu em 2002, vítima de diabetes. O único índio deputado morreu pobre e esquecido.

Neste Dia do Índio tão pouco lembrado, reproduzo trechos daquele primeiro discurso histórico de Juruna como deputado federal. Triste constatar como muitas das críticas que ele fazia continuam atuais. Quando vai surgir um novo Juruna no Congresso?

***

Por Mário Juruna, 19/04/1983, Congresso Nacional

Eu quero apresentar exemplo com minha candidatura, porque hoje já podia ter deputado índio. Podia ter deputado aqui no Brasil mas nós não somos culpados. Quem é culpado, é responsável, é essas pessoas que não dão oportunidade pra índio. É por isso que nós só aprende, só estuda o primário.

Então primeiro eu quero falar em nome do companheiro trabalhador, porque vocês é a mesma coisa como índio, como posseiro, é a mesma coisa como lavrador e é a mesma coisa como a tribo. Esse pessoal que está lá em cima, que a gente sofre repressão da autoridade, esse pessoal é o filho do empresário, o filho do deputado, o filho do senador. Esse resto que é o pessoal filho de pobre, eu quero considerar mais ainda esse pessoal que leva sacrifício, pessoal que sofre muito mais que a gente que está vivendo muito bem aqui na Câmara Federal.

E muita gente que achava, quando eu entrei na política, muita gente falava contra Juruna, falava: “Imagina como que Juruna vai entrar no plenário, imagina, o índio, o que é que vai resolver no plenário, como é que índio vai representar índio?” E eu quero saber: imagina, o que é que o branco pode? Talvez índio pode representar melhor do que qualquer deputado, qualquer senador e qualquer da República.

Juruna é o primeiro índio que está representando brasileiro, porque o governo brasileiro não dá oporunidade pra índio, porque ele quer continuar tutelar toda vida índio. E nós não somos tutelados, somos responsáveis, nós somos gente, nós somos ser humano.

Quem não tem consciência, me trata como objeto, me trata como boneca. E quando eu passo aqui dentro de plenário e alguns companheiros à frente de mim e diz cara emburrada é ridículo. Eu não vim aqui fuxicar com ninguém, eu vim aqui pra trabalhar, pra defender povo, eu vim aqui pra lutar. Eu quero que gente começa a respeitar nome de Juruna. Eu quero que gente trata índio brasileiro o mais possível dentro do melhor.

Cada um de nós tem consciência e cada um de nós tem capacidade. Ninguém tem menos capacidade. Todos nós tem capacidade e todos nós tem inteligência e todos nós tem a vontade para assumir onde que existe poder. Eu acho esse já é fruto está nascendo aqui dentro do Brasil, esse já é sinal está nascendo aqui dentro do plenário. Único índio que tá falando hoje, único deputado que tá falando hoje: não é terceiro, não é quinto deputado, não é cinquenta deputado. Se tiver ao menos mais cinquenta Juruna, o Juruna já tinha mudado o Brasil.

Governo da República não pode ser indicado por uma pessoa. Presidente da República tem que ser mais votado com povo brasileiro. Até eu me lembro muito bem que antes de 64 Brasil tinha muito ouro, era muito sagrado e hoje Brasil não tem mais muito ouro não. Está estragado. O Brasil não tem mais ouro. Quem está estragando o Brasil é o próprio governo federal, é este presidente da República que está estragando nosso Brasil, junto com Delfim, esse responsável pelo Brasil.

Quero falar problema do Brizola. O Brizola é homem, foi cassado, como acontece com o índio, por isso eu apoio Brizola e por isso quero dar liberdade para Brizola, porque, como acontece com o posseiro, como acontece com o índio, o Brizola foi expulso do Brasil sem necessidade. E por que o governo não expulsa outro agora? Expulsa todo o ministério, tira todo o ministério! Bota na rua todo mundo!

Se o governo federal, ele tem capacidade, ao lado do povo, se o governo federal assume, como homem, tira meia dúzia de ministro que atrapalha o nosso Brasil. Tirava meia dúzia, o presidente da República, qualquer um de nós apoiava ele. Nós apoiamos o presidente da República e nós levava para crescer mais ainda o nome dele. Desse jeito, ninguém vai apoiar o presidente. Ninguém pode apoiar sujeira. Eu mesmo não pode apoiar sujeira porque eu quero que o presidente muda o nosso Brasil. Porque o presidente é responsável da Nação, o presidente é juízo do povo, o presidente é o pai do povo, o pai do Brasil. Agora, como está hoje, o presidente é o pai do povo? Não existe pai do povo, não. Aqui não tem pai do povo, não.

O presidente foi eleito com empresário, presidente foi compromisso com multinacional, com fazendeiro, com empresário e grande empresário. Se presidente pai do Brasil, presidente segurava toda barra que está acontecendo no Brasil. E aqui gente tá morrendo. E por quê? Porque não tem presidente, não tem autoridade. E toda autoridade é comprada, toda autoridade está se vendendo, quer o dinheiro, quer ganhar dinheiro.

Às vezes, presidente é bom e assessor diretor quem engana o presidente, assessor que não leva verdade para presidente. Por isso que presidente passa mal assessorado. Se tiver assessor bom, se tiver diretor bom que levava recomendação do povo, eu acredito que presidente atendia pedido do povo.

Sou homem do povo, sou homem de campo, quando me criei não encontrei nem um branco, não encontrei nem um avião, nem automóvel, nem estrada; onde me criei era sertão, eu só escutava canto do passarinho, e hoje eu encontro muito pressão contra índio, e invasor, e estrada. A gente está recebendo muita pressão.

Quando eu tive na Holanda, é país pequeno, todo holandês vive igual. Aqui Brasil é muito grande e muita gente tá precisando da terra. Aqui eu quero pedir a V.Excia., presidente, vamos pensar juntos, vamos reformar o nosso Brasil, viu? Vamos dividir, terra é para posseiro, é terra para fazendeiro, é terra para índio, vamos dividir a nossa terra.

Abaixo, trailer do documentário Juruna, o Espírito da Floresta, de Armando Lacerda


Cynara Menezes
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Procurador da República vê indícios de farsa na investigação do helicóptero dos Perrellas



Na segunda matéria especial de nossa série sobre o caso da “Helicoca”, Joaquim de Carvalho fala das incongruências, suspeitas e desencontros relativos à investigação e ao processo da apreensão de cocaína no helicóptero dos Perrellas.

A série é resultado de um projeto de crowdfunding do DCM.

O processo que os servidores da Justiça Federal do Espírito Santo apelidaram de “Helicoca” nasceu do inquérito policial número 666/2013, aberto no dia 25 de novembro de 2013 e encerrado em 17 de janeiro de 2014. Em 53 dias, os policiais interrogaram 17 pessoas, entre eles os quatro presos em flagrante, e juntaram 44 documentos.

Mas aquela que é até agora a prova mais interessante do crime não é encontrada no inquérito, mas no YouTube. Trata-se de um vídeo de quase 13 minutos, em que um agente da Polícia Federal registra toda a ação.

O DCM teve acesso ao processo sigiloso em que o Ministério Público Federal diz que a investigação da “Helicoca” começou com uma farsa.

O vídeo da apreensão tem início quando desponta no céu da zona rural de Afonso Cláudio, no interior do Espírito Santo, o helicóptero cor de berinjela com faixa dourada e o prefixo GZP – G de Gustavo, Z de Zezé e P de Perrella, as iniciais de seus proprietários, o deputado estadual Gustavo Perrella, do Solidariedade, e o senador Zezé Perrella, do PDT, pai e filho.

É fim da tarde de domingo, 24 de novembro. A câmera é operada por um homem escondido atrás de um pé de café. O ronco do motor e o barulho da hélice não encobrem a fala do policial, que tem forte sotaque carioca e se comunica por rádio com equipes a postos para o flagrante.

As imagens, feitas de longe, são tremidas, o que mostra a falta de um apoio, um tripé. Aparece um carro branco, com porta-malas aberto, e mais duas pessoas, um de camisa rosa, que mais tarde seria identificado como o empresário Robson Ferreira Dias, do Rio de Janeiro, e outro de camisa verde clara, mais tarde identificado como Everaldo Lopes Souza, um sujeito simples, que se diz jardineiro, ligado a um empresário de Vitória, Élio Rodrigues, dono da propriedade onde a aeronave deveria ter pousado. Na última hora, o helicóptero acabou descendo na propriedade vizinha, que não é cercada.

A três minutos e quarenta segundos, o policial narra:

— Estão tirando a droga. O piloto correu para pegar o combustível e eles estão colocando a droga dentro do carro. O motor não foi cortado, o motor da aeronave não foi cortado. Estão carregando a droga na mala do carro, o motor não foi cortado, o copiloto foi buscar os galões. Cadê o helicóptero da PM?

A câmera volta para o plano aberto e fecha de novo na cena, muito tremida.

— São vários sacos pretos. Tem muita coisa, galera, muita coisa… vários sacos pretos. Eu acho que o piloto cortou… cortou o motor! Um segundo…Negativo, o piloto não cortou o motor… está descarregando a droga, e está começando a abastecer o primeiro galão.

Alguns segundos depois, avisa, triunfante:

— Positivo! Positivo! Cortou o motor, o helicóptero cortou o motor! Vamos lá, galera, pode ir. Quem conseguir pode ir. Vamos lá, tenente! Pode ir, Serra (com a pronúncia fechada, Sêrra). Eles estão abastecendo. Tem que ser rápido, tem que ir rápido!

Já são 7 minutos de gravação, a hélice para. Mais tarde, as imagens mostram três homens carregando a droga para o porta-malas do carro. Um deles está de camisa branca, que não aparece nas imagens anteriores. É Rogério Almeida Antunes, o piloto do senador Zezé Perrella e do deputado Gustavo Perrella. O outro piloto, Alexandre José de Oliveira Júnior, de camisa preta, não aparece nesta imagem. Ele se afastou para pegar mais combustível.

Imagens tremidas mostram a mata. Ouve-se chiado no rádio. Quando a câmera volta para a cena principal, mostra os acusados de tráfico com as mãos na cabeça, se abaixando. Tudo muito tranquilo.

– Positivo, positivo! Estão todos eles dominados. Vamos embora, tenente. Adianta o pessoal para dar apoio lá. Dominados lá os vagabundos. Parabéns, equipe, parabéns. Iurruuuuú. O show tá doido, maluco! DRE te pega, parceiro!

DRE é a sigla de Delegacia de Repressão a Entorpecentes, órgão da Polícia Federal. A câmera é desligada e volta com a imagem da droga no porta-malas e no banco traseiro do carro.

O vídeo foi apresentado à Justiça pelo procurador da República Fernando Amorim Lavieri como indício de crime. Não o de tráfico, demonstrado no inquérito, mas de fraude processual e falso testemunho. Nesse caso, os criminosos seriam os policiais que fizeram a prisão.

Na denúncia que transforma os policiais de caçadores em caça, o procurador Lavieri diz que desde o início desconfiou da versão da polícia para o flagrante. E procurou o responsável pelo inquérito, delegado Leonardo Damasceno, em busca de esclarecimento, quando teria ouvido a versão de que o flagrante era, na verdade, resultante de uma interceptação telefônica realizada em São Paulo.

O procurador também conversou com um agente da PF, Rafael Pacheco, que teria confirmado a versão do delegado Damasceno e acrescentado que, em São Paulo, a Justiça e o Ministério Público, “sensíveis ao flagelo do tráfico”, teriam autorizado interceptações telefônicas abrangentes, criando uma verdadeira “grampolândia”, daí resultando na apreensão da droga no helicóptero de Perrella.

Como os dois negaram na Justiça a versão de Lavieri, o procurador pediu afastamento do caso e se colocou na condição de testemunha do processo. Um testemunho que só serve como argumento para a defesa pedir a anulação do processo, como de fato já pediu.

O advogado Marco Antônio Gomes
O advogado Marco Antônio Gomes
O caso foi parar na mesa de outro procurador, Fábio Bhering Leite Praça, que estranhou a posição do colega Lavieri e recorreu à Procuradoria Geral da República em Brasília, na Câmara de Recursos. Ele não concorda com o afastamento do procurador Lavieri.

Entre seus argumentos, Fábio aponta para a fragilidade da denúncia formulada por ele. Se Lavieri tinha a notícia de uma ilegalidade, deveria ter agido, mandando investigar, como titular de uma instituição que tem a atribuição constitucional de exercer o controle externo da polícia.

A Câmara de Recursos deu razão ao procurador Fábio, e Lavieri, mesmo contrariado, voltou ao processo e participou de uma audiência por teleconferência, no dia 3 de abril.

Lavieiri está na sala de audiência da Justiça Federal em Vitória, ao lado do juiz, e duas testemunhas de defesa do piloto Alexandre José de Oliveira Júnior se encontram no fórum em São Paulo, na região da Paulista. Quase mil quilômetros separam os três, que se veem em monitores de TV.

O juiz dá a palavra ao procurador.

— Só uma pergunta…

A câmera gira na direção de Fernando Lavieri e mostra um homem que veste terno cinza, camisa e gravata de tom azul. Ele está de braços cruzados e arqueado sobre a mesa. Com a câmera apontada para sua direção, se recompõe, ajeita o microfone e questiona a testemunha, instrutor de voo na escola de Alexandre:

— O senhor conhecia o Alexandre em 2006, o senhor falou?

— Afirmativo. Eu tinha uma escola, era proprietário de uma escola. O meu sócio, Marcos Lázaro Luz, cursava o curso de avião civil na Faculdade Anhembi Morumbi, e ele era colega de classe de aula desse meu sócio, e por causa disso ele frequentava a minha escola para visitar o meu ex-sócio.

O procurador da República faz outra pergunta:

— E nessa época em que o senhor conheceu ele (sic), quando ele começou, ele aparentava ser uma pessoa com bastante dinheiro, com muitas posses?

— Não. Não, senhor. Nunca aparentou.

— Está bem, eu agradeço – o procurador diz e afasta o microfone.

O juiz retoma a palavra e pergunta se os réus têm alguma pergunta. Diante do silêncio, determina o encerramento do depoimento.

Com o fim da videoconferência, a câmera é desligada. As testemunhas são dispensadas em São Paulo, juntamente com um dos advogados de Alexandre, Heraldo Mendes de Lima. Mas, em Vitória, a audiência continua. Heraldo deixa o prédio na rua Ministro Rocha Azevedo sem fazer ideia da bomba que o juiz lançaria diante do advogado de Alexandre em Vitória, Marco Antônio Gomes.

Heraldo, parceiro de Marco Antônio na defesa de Alexandre, já foi policial civil e se dedica quase exclusivamente ao Direito Criminal. Ele sabe que, em processos de tráfico, os juízes costumam ser mais rigorosos. A expressão “flagelo do tráfico” é bastante comum nas ações desse tipo.

Meu primeiro contato com Heraldo foi na véspera da audiência por videoconferência. Ele aceitou conversar comigo numa churrascaria da avenida São João, quase esquina com o Largo do Arouche, em São Paulo. Era noite, por volta das 22 horas. Quando cheguei, ele conversava numa mesa com mais seis pessoas, cinco homens e uma mulher. Fiquei numa mesa próxima.

Quinze minutos depois, Heraldo se juntou a mim, com mais dois advogados. Os outros quatro que dividiam a mesa com ele saíram. Heraldo admitiu a dificuldade em que se encontrava seu cliente, diante do flagrante de tráfico.

— O [Alexandre] Júnior se envolveu nesta aventura para salvar a empresa dele, que estava em dificuldade. O Júnior não é traficante, afirmou. Os pais são evangélicos, da Congregação Cristã”, acrescentou, como se a religião da família fosse o argumento definitivo em favor do bom comportamento do piloto.

A audiência por videoconferência no dia seguinte era uma tentativa de confirmar a tese de que a empresa estava em dificuldade: as duas testemunhas são ex-funcionários de Alexandre.

Em Vitória, com a câmera da videoconferência desligada, o juiz se volta para o advogado Marco Antônio Gomes e diz:

— Estou suspendendo o sigilo de um procedimento aberto por conta de um ofício do MPF. A denúncia de Lavieri a respeito da suposta escuta clandestina tinha saído de Vitória e chegado a Brasília, já tinha gerado mais de 150 folhas, mas tudo isso tramitava sem o conhecimento dos advogados. Era um procedimento secreto, que correu paralelamente ao inquérito da Polícia Federal.

Marco Antônio Gomes pergunta:

— Que procedimento?

O juiz explica, então, a denúncia do procurador.

— Vi na hora que o processo todo poderia ser anulado, comenta o advogado. Era o caso de pedir a prisão dos policiais que inventaram a história de que o flagrante foi fruto de uma investigação em Afonso Cláudio, diz Marco Antônio.

Ele ficou ainda mais surpreso quando o procurador, que em tese atua do lado contrário ao da defesa, se aproximou e perguntou se conhecia os advogados dos demais réus.

Marco diz que considerou a conversa do procurador “inusitada”. “O procurador não tem que se preocupar com a defesa. Em geral, eles querem que o advogado perca prazo, não tenha argumentos, enfim, perca no processo”, afirma.

Marco Antônio leva o processo para o escritório, manda imprimir as folhas copiadas em seu pen drive e lê toda a peça. Anota, cuidadosamente, as partes mais pesadas.

— Vi que estava diante de um escândalo.

Na segunda-feira seguinte, 7 de abril, na audiência em que, pela primeira vez, os acusados de tráfico teriam a oportunidade de falar diante do juiz, o procurador Fernando Lavieri não estava presente. A razão é que, entre quinta e sexta-feira, 4 e 5 de abril, obteve uma decisão favorável do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, onde o seu pedido foi parar. Estava oficialmente autorizado a abandonar a ação e se tornar testemunha em potencial dos advogados de defesa dos traficantes.

No seu lugar, deveria comparecer o procurador Fábio Bhering, mas este já tinha um compromisso oficial agendado. O caso foi para as mãos do coordenador do Núcleo Criminal da Procuradoria da República em Vitória, Júlio de Castilhos Oliveira Costa. Mas, na véspera, o filho dele nasceu e, de licença paternidade, determinou à procuradora Nadja Machado Botelho que representasse o Ministério Público Federal.

Nadja chegou à audiência avisando ao juiz que não sabia nada do processo, o que é natural, já que recebeu a missão na véspera. Mas conhecimento não seria mais tão importante naquele momento.

Marcus Vinícius Figueiredo de Oliveira Costa, titular da 1ª Vara Federal Criminal de Vitória, abriu a audiência com a comunicação de que mandaria soltar os réus, pela denúncia de que o processo pode estar contaminado por grampo ilegal. Os réus foram soltos sem prestar depoimento à Justiça. Saíram como entraram: calados.

Em Vitória, procurei Fernando Lavieri, na sede do Ministério Público Federal. Ele estava lá, mas não quis me receber. Enviou a assessora de imprensa, que me entregou a cópia de um jornal local, A Tribuna, em que era publicada uma nota do Ministério Público, muito vaga. Fernando Lavieri havia pedido afastamento do processo por considerar insustentável o grampo ilegal.

Diz o jornal: “Por meio de nota, o MPF/ES informou que não é um órgão meramente acusador, pois a ele ‘interessa um processo justo, baseado em provas lícitas’”.

Falei por telefone com o delegado Leonardo Damasceno, sobre quem recaem as suspeitas do procurador Lavieri. “Não fizemos nada de errado”, disse, recomendando a leitura da nota em que a Superintendência da Polícia Federal no Espírito Santo se diz “orgulhosa” por tirar de circulação quase meia tonelada de cocaína.

Na entrevista, ele voltou a isentar os Perrellas de envolvimento no tráfico internacional de cocaína. “Está tudo nos autos. Quem não quiser acreditar tudo bem. Cada um acredita no que quiser”.

mpf

Leonardo Damasceno é de uma família de funcionários públicos. Seu irmão, auditor fiscal em Minas Gerais, ocuparia um cargo de confiança no governo mineiro. Sobre a hipótese de conflito de interesses, já que Zezé Perrella, dono do helicóptero, é aliado político de Aécio Neves, líder político no Estado, Leonardo diz:

— Não tenho ideia do que fazem meus irmãos. Ilações todo mundo faz. Dizem, por exemplo, que por eu ser Galo (torcedor do Atlético Mineiro) não poderia defender alguém que é do Cruzeiro (Perrella é o manda-chuva do clube).

Leonardo apareceu muito nos dias que se seguiram à apreensão da droga, na maioria das vezes para descartar o envolvimento do senador e do filho de Zezé Perrella, Gustavo, que é deputado estadual.

Parecia empenhado na investigação, mas o fato é que, depois da entrevista em que isenta Perrella, entrou de férias e quem assina o relatório final do inquérito é a delegada Aline Pedrini Cuzzuol.

Sobre o flagrante em Afonso Cláudio, Leonardo não quis entrar em detalhes.

— Está tudo no inquérito.

Há pelo menos uma informação furada no inquérito. O valor da propriedade comprada para o pouso e, talvez, a guarda da cocaína não é alto para os padrões do mercado local. Pelo contrário. Élio Rodrigues, apontado pela PF como o quinto elemento da quadrilha, fechou o negócio por R$ 500 mil. Deu R$ 100 mil de entrada e ficou de pagar o restante quando a propriedade estivesse em condições de ser registrada em seu nome. O proprietário anterior tinha uma dívida com o Banco do Estado do Espírito Santo que impedia a transferência em cartório.

Na região, o preço de uma propriedade como aquela, com quase 14 alqueires, pode ir até R$ 700 mil, segundo consulta que eu fiz junto a outros proprietários de terra. A fazenda tinha ainda 80 cabeças de gado leiteiro, a preço de R$ 2 mil reais cada. Como Élio comprou o sítio com porteira fechada, isto é, animais e benfeitorias ali presentes, a fazenda, a preço de mercado, poderia valer até R$ 860 mil.

— Por 500 mil, foi um negócio mais ou menos, conta um agricultor de Afonso Cláudio.

Não é verdadeira, portanto, a versão assumida pelo serviço reservado da Polícia Militar de que começou a investigar Élio depois que vizinhos desconfiaram do alto preço pago pela fazenda que seria utilizada na operação de tráfico.

Um policial de São Paulo, que tem experiência na investigação de narcóticos, acha que a prisão em Afonso Cláudio foi “serviço dado” ou resultado de grampo. “Sabiam que os caras chegariam naquele helicóptero. E com droga carregada no Paraguai”, afirma.

O procurador apresentou o vídeo do YouTube para mostrar que a polícia sabia previamente do helicóptero e da droga.

É só prestar atenção no que narra o policial que faz os registros com a câmera.

Quem entregou os traficantes? E com que objetivo? Foi mesmo um grampo ilegal?

São perguntas que a Procuradoria da República poderia tentar buscar, mas, analisando o trabalho do procurador relacionado a esse caso, vê-se que ele escreve muito mais a respeito da suspeita de utilização de prova ilícita do que do tráfico em si. Ou seja, o processo que poderia ser mortal para os acusados — os cinco conhecidos e outros que poderiam ser apontados — já nasceu com um antídoto: a investigação sigilosa que, revelada às vésperas do julgamento, colocou todo mundo na rua e pode provocar a nulidade do processo.

Para os acusados de tráfico, independentemente de quais sejam os motivos, a hipótese de anulação do processo é recebida como um milagre. Na tarde em que o juiz decidiu libertar os réus, sem ouvi-los, a mãe do piloto Alexandre José de Oliveira Júnior estava em casa, no bairro de Itaquera, em São Paulo.

Quando o advogado telefonou, descobriu que ela estava orando. A mulher, segundo ele, fez pedido próprio de quem espera pela condenação.

— Cuida do meu filho, doutor.

— A senhora mesmo vai cuidar dele, porque ele vai para casa.

— Milagre! – disse a mulher, entre lágrimas.

Evangélica, a mãe de Alexandre deve saber que 666, o número do inquérito da Polícia Federal, é também a marca da Besta que, segundo a Bíblia, aparecerá gravada nas mãos ou na testa das pessoas antes do juízo final.

No caso do inquérito em Vitória, 666 serviu para expor os demônios do sistema judiciário, em que procurador briga com procurador, delegado inocenta previamente suspeitos, e o juiz, um profissional preparado, com pós-graduação na Sorbonne, dá uma resposta sincera diante da pergunta sobre a impunidade nesse rumoroso caso.

— Eu continuarei juiz, você, jornalista e eles, traficantes.
O procurador Fernando Lavieri
O procurador Fernando Lavieri

Joaquim de Carvalho
No DCM
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Álvaro Dias abre o jogo: ordem é alimentar noticiário ruim


Senador paranaense Alvaro Dias (PSDB-PR), um dos principais líderes da oposição, abriu o jogo numa rápida entrevista ao blog do jornalista Ricardo Noblat; "precisamos desconstruir a imagem do governo, alimentando o noticiário negativo com ação afirmativa", afirmou; "a instalação da CPI da Petrobras vai ajudar nessa desconstrução"; pelo que se lê nos jornais e revistas, tática de guerra tem funcionado

Qual é a principal missão da oposição nos dias atuais? O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), um de seus principais líderes, responde. "Precisamos desconstruir a imagem do governo, alimentando o noticiário negativo com ação afirmativa", disse ele, numa rápida entrevista ao Blog do Noblat. "A instalação da CPI da Petrobras vai ajudar nessa desconstrução."

Ou seja: Dias, praticamente, abriu o jogo. A ordem é alimentar notícias negativas — o que tem dado certo, a julgar pelo que se lê em jornais e revistas — e usar a CPI da Petrobras, cuja instalação será decidida pela ministra Rosa Weber, na próxima terça-feira, para "desconstruir" a imagem do governo.

Leia, abaixo, a íntegra do depoimento de Dias a Gabriel Garcia, publicado no Blog do Noblat:

Três perguntas para... senador Álvaro Dias (PSDB-PR)

A presidente Dilma continua na frente nas pesquisas de intenção de votos. Caiu um pouco, passando de 40%, em março, para 37%, segundo o Ibope. Isso é desanimador para a oposição?

Pelo contrário. Os eleitores só vão se preocupar com eleições após a Copa. E vale verificar o ambiente hoje do país. A insatisfação da população com o governo é grande. Isso tende a trazer votos para a oposição.

Então o importante é que ela continue caindo, ainda que pouco?

Há forte tendência de queda de Dilma, verificada a cada pesquisa. Essa tendência vai se avolumar com o noticiário negativo. São as más notícias que desgastam e derrubam o governo. Temos um tempo de maturação para que esse noticiário reflita nas intenções de voto.

Mas a oposição não tem conseguido usar essa insatisfação a seu favor. O que fazer?

A oposição tem que ter clareza no discurso e ser mais afirmativa. Tem que se apresentar como alternativa real de mudança e convencer o eleitoral. Ao mesmo tempo, precisamos desconstruir a imagem do governo, alimentando o noticiário negativo com ação afirmativa. A instalação da CPI da Petrobras vai ajudar nessa desconstrução.
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Bomba! Folha liga doleiro “amigo de Vargas” a Álvaro Dias


Como tenho repetido por aqui, os jornalões agora só tratam o doleiro Alberto Yousseff como “amigo de Vargas”. As manchetes do Globo tem sido assim: “Doleiro amigo de Vargas…”, etc.

Entretanto, se a mídia fosse minimamente imparcial, teria que mencionar também outro caso. Alberto Yousseff foi pivô de um esquema multimilionário de corrupção investigado pela Procuradoria de Defesa do Patrimônio Público de Maringá. Durante a investigação, as autoridades descobriram que Alberto Yousseff pagou jatinhos para uso do senador Álvaro Dias.

Pelo que entendi, não foi uma só viagem do senador com a família, como aconteceu com André Vargas. O jatinho de Yousseff foi disponibilizado para o senador durante toda a campanha eleitoral de 1998.

Trecho da matéria: Quanto a Dias, o ex-secretário disse que Gianoto determinou o pagamento, “com recursos da prefeitura”, do fretamento de um jatinho do doleiro Alberto Youssef, que teria sido usado pelo senador durante a campanha.

“O prefeito (Gianoto) chamou o Alberto Youssef e pediu para deixar um avião à disposição do senador. E depois, quando acabou a campanha, eu até levei um susto quando veio a conta para pagar. (…) Eu me lembro que paguei, pelo táxi aéreo, duzentos e tantos mil reais na época”, afirmou.

E tudo isso no meio de um esquema cabeludíssimo de corrupção.

Mas Álvaro Dias é tucano e, portanto, membro do time dos “intocáveis”. A mídia jamais vai lembrar essa história, que poderia comprometer a narrativa que tenta construir em torno de André Vargas. O PT, como sempre, foge da luta política, e não corre atrás de quem é, verdadeiramente, Alberto Yousseff, cuja ligação com o tucanato é muito mais perturbadora do que uma viagem de jatinho de Vargas com a família.

A viagem de André Vargas no jatinho do doleiro foi um erro e uma sinalização ética invertida, mas usar jatinho de doleiro durante toda uma campanha eleitoral configura, evidentemente, uma outra escala de degradação moral, infinitamente maior.

* * *

Segundo a Procuradoria de Defesa do Patrimônio Público de Maringá, suposto esquema teria alcance em 11 Estados

Desvio de verba envolve mais de 130 pessoas

Por Ronaldo Soares, da Agência Folha, em Maringá

Os desvios de verbas na Prefeitura de Maringá (norte do PR) revelam um esquema de corrupção cujo alcance se estende por pelo menos 11 Estados e envolvem mais de 130 pessoas, segundo as investigações preliminares da Procuradoria de Defesa do Patrimônio Público do município.

De acordo com a Procuradoria, cheques emitidos pela prefeitura foram parar em contas de políticos, empresários, doleiros, laranjas e até religiosos. O esquema se estende até o Amazonas.

Os nomes, que não foram revelados para não prejudicar as investigações, surgiram a partir da quebra do sigilo dos dados — referentes ao período de 1986 a 2000 — de mais de 50 contas bancárias da Prefeitura de Maringá que estão sendo rastreadas.

O rastreamento das contas já detectou cerca de 10 mil cheques para fins supostamente ilegais emitidos somente na gestão do prefeito Jairo Gianoto (sem partido, ex-PSDB), entre 1997 e 2000.

Auditoria

Somente em uma das contas a Procuradoria já apurou que houve um desfalque de cerca de R$ 30 milhões. Uma auditoria do Tribunal de Contas do Paraná já havia apontado que outros R$ 74 milhões foram desviados da prefeitura entre 1993 e 2000.

Luís Antônio Paolicchi, que está preso e é acusado de desviar R$ 54 milhões, entre 1997 a 2000, era secretário da Fazenda da Prefeitura de Maringá desde 1993.

A Promotoria ainda não tem ideia sobre o total do dinheiro desviado dos cofres públicos de Maringá. O montante agora está em mais de R$ 100 milhões — quase o Orçamento anual da cidade, em torno de R$ 110 milhões.

O promotor José Aparecido Cruz acredita que, do dinheiro desviado, cerca de 30% permaneceram no Paraná, em contas particulares dos envolvidos. O restante foi para outros Estados e há indícios de que uma parte teria sido desviada para contas no exterior, provavelmente na Europa.

A rede de beneficiados pelo esquema de corrupção em Maringá, segundo o órgão, atinge os seguintes Estados: Amazonas, Maranhão, Minas Gerais, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.

Alguns dos nomes sob investigação haviam sido revelados em depoimento prestado à Justiça Federal pelo ex-secretário da Fazenda de Maringá Luís Antônio Paolicchi, apontado como pivô do esquema de corrupção.

Depoimento

No depoimento, ele afirmou que campanhas de políticos do Paraná como o governador Jaime Lerner (PFL) e o senador Álvaro Dias (PSDB) foram beneficiadas com dinheiro desviado dos cofres públicos, em operações que teriam sido comandadas pelo ex-prefeito Gianoto.

A campanha em questão foi a de 1998. “A pessoa que coordenava (o comitê de Lerner em Maringá) era o senhor João Carvalho (Pinto, atual chefe do Núcleo Regional da Secretaria Estadual de Agricultura), que sempre vinha ao meu gabinete e pegava recursos, em dinheiro”, afirmou Paolicchi, que não revelou quanto teria destinado à campanha do governador — o qual não saberia diretamente do esquema, segundo ele.

Quanto a Álvaro Dias, o ex-secretário disse que Gianoto determinou o pagamento, “com recursos da prefeitura”, do fretamento de um jatinho do doleiro Alberto Youssef, que teria sido usado pelo senador durante a campanha.

“O prefeito (Gianoto) chamou o Alberto Youssef e pediu para deixar um avião à disposição do senador. E depois, quando acabou a campanha, eu até levei um susto quando veio a conta para pagar. (…) Eu me lembro que paguei, pelo táxi aéreo, duzentos e tantos mil reais na época”, afirmou.

Paolicchi responde a processo sob acusação de sonegação fiscal, desvio de dinheiro público, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Miguel do Rosário
No Tijolaço
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O Globo, sempre à frente de seu tempo


No SQN
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Para quem trabalha na Abril, a chegada de Falconi é uma má notícia

Falconi
Uma das piores coisas que podem acontecer a alguém, na carreira, é estar numa empresa cujos produtos se tornaram obsoletos.

Você olha para o futuro e não vê nada.

A imagem que costumo usar nestas situações é o pessoal que trabalhava com carruagens quando surgiu o carro.

É esta a situação dos jornalistas e executivos da Abril. (Entrei na Abril em 1980, era de ouro das revistas: na Veja era frequente recusar anúncios por não haver mais espaço. Na Exame, que dirigi nos anos 1990, várias vezes escrevi editoriais para justificar o número extraordinário de páginas publicitárias, que davam à revista o ar de um anuário.)

Revistas hoje são um produto em acentuado processo de obsolescência. Eram um sinal de sofisticação intelectual lê-las. Você parecia mais cerebral que os demais. Hoje, é um fator de atraso. Um leitor de revista parece fora da realidade. Num bar, num restaurante, pessoas em sintonia com seu tempo lêem em tablets ou celulares.

Neste quadro, as notícias para quem está na Abril não são nunca boas. A qualquer momento sua revista pode acabar, ou seu cargo ser extinto.

Grandes notícias como as dos dias dourados somem. Nunca mais um lançamento de revista nova, por exemplo. Nunca mais aumentos fáceis, ou bônus fartos.

Mesmo jornalistas de prestígio na casa se sentem fragilizados. Pode ser que seus salários já não se ajustem às novas receitas. Determinada revista pode simplesmente não comportar mais diretor de redação.

É nessas circunstâncias que aporta na Abril o consultor Vicente Falconi, de grande prestígio na comunidade de negócios — a Exame o chamou de “guru do Brasil”. A fama de Falconi deriva de sua capacidade em cortar custos, vale dizer, demitir pessoas e eliminar cargos.

Não é o tipo de contratação que anime os funcionários, naturalmente.

Na outra ocasião em que um consultor foi contratado para uma missão parecida na Abril, há cerca de 15 anos, centenas de cargos sumiram. Eu estava lá. O Falconi de então era Maurizio Mauro, da Booz Allen.

Maurizio logo viraria presidente executivo da Abril, cargo do qual sairia depois de se indispor com Roberto Civita numa disputa por espaço e por poder. Maurizio jamais digeriu bem o fato de, mesmo com todo o poder executivo, jamais ter voz nenhuma nas questões editoriais da Abril.)

Conheço bem a Abril para saber o básico que Falconi poderia fazer.

O mais simples é sair do caríssimo prédio alugado na Marginal do Pinheiros e voltar ao modesto prédio da Marginal do Tietê.

O aluguel deve girar em torno de 2 milhões de reais por mês, hoje. É uma cifra que não faz sentido quando você fatura cada vez menos, como é o caso.

Com Roberto Civita vivo, isso seria impensável. Mas seus filhos, Gianca e Titi, são menos apegados a demonstrações de poder e riqueza.

Apressar o fechamento de revistas marcadas para morrer — Playboy, National Geographic — é outro passo óbvio, embora mais doído.

Quantas revistas terão algum futuro na Abril nesta era digital? Poucas. Veja, Exame, Claudia, 4 Rodas. Talvez Superinteressante.

Mesmo as publicações que sobrevivam serão muito diferentes: menos páginas, orçamentos menores, equipes magras.

A tarefa mais complicada de Falconi provavelmente resida na Abril Educação, tida como o ramo do negócio dos Civitas capaz de crescer nos próximos anos.

A imagem da Veja é um problema real para este negócio.

A Veja, hoje, está claramente alinhada com o pensamento de direita radical de Olavo de Carvalho. Basta ver os discípulos de Carvalho presentes na revista, de Lobão a Felipe Moura Brasil, de Reinaldo Azevedo a Rodrigo Constantino.

Este direitismo radical tem grandes chances de contaminar a linha pedagógica das escolas da Abril.

Quantos pais querem que seus filhos se tornem olavetes? Que professores, na primeira linha do magistério, estão dispostos a trabalhar numa empresa mentalmente comandada por um arquiconservador como Carvalho?

Falconi não gostaria provavelmente de enfrentar este problema, mas não há como fugir dele.

Paulo Nogueira
No DCM
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Editorial da Folha sobre 50 anos do golpe foi mentiroso e cretino


O editorial, feito no dia 30 de março desse ano, se baseia em duas mentiras para justificar o apoio do jornal ao golpe de 64:

1) O regime militar promoveu avanços econômicos significativos, o que de certa forma justifica o golpe.

Esse argumento parece verdadeiro inicialmente, porém tem falhas graves. Os dados econômicos do período democrático entre 1947 e 1963 mostram que nada do que foi construído no período militar não poderia tê-lo sido em regime democrático. A Folha disse que em vinte anos de ditadura a economia cresceu 3,5 vezes. Isso equivale a 4,89% ao ano. Ora, nos dezesseis anos anteriores – de 1947 a 1964 – a economia cresceu a 6,7% ao ano. Os militares se vangloriam de terem criado a Telebrás, Nuclearbras e outras estatais importantes. Ocorre que no período democrático o país também conseguiu criar grandes estatais, como a Cemig, a Petrobras, a Eletrobrás. É importante destacar que o “milagre econômico” acabou em 1974. Os militares entregaram o país em 1985 com um cenário de hiper-inflação e baixo crescimento, sendo que o processo de favelização das grandes cidades também já estava consolidado.

2) Havia uma guerra armada em andamento, realizada por grupos de esquerda que buscavam implantar uma ditadura comunista no Brasil. Isso justificaria uma intervenção militar, para impedir que o golpe comunista ocorresse.

Esse argumento é falso porque em 1964 ainda não existia luta armada no Brasil. O que aconteceu foi que cinco anos após a instalação do regime militar, ou seja, a partir de 1969, alguns grupos fizeram a opção pela luta armada.

A conclusão que tiramos disso tudo é que a Folha não assume os seus erros passados porque ainda acredita nesses métodos. O que ela fez com o governo eleito democraticamente de João Goulart (que não era comunista) é exatamente o que ela faz hoje com os governos Lula/Dilma. Uma tática de desestabilização constante. Ela exagera e aumenta os casos de corrupção envolvendo o governo federal, dá pouco destaque aos casos de corrupção do PSDB e mente e distorce o noticiário econômico diariamente.

No DesmentindoGloboFolha
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Miguel Nicolelis fala sobre projeto "Andar de Novo"


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou o laboratório do projeto "Andar de Novo", que está desenvolvendo um exoesqueleto robótico movido pelo cérebro, para que pessoas com paralisia possam caminhar. Projeto será testado no dia 12 de junho, durante a abertura da Copa do Mundo, na Arena Corinthians, em São Paulo.

Vídeo: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

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Mensagem a Miruna e seu pai

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Doleiro ligado a Vargas é tiro no pé do PSDB, diz Amaury Ribeiro Jr


Alberto Youssef, ligado ao deputado petista André Vargas, já teria operado para Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor do BB e ex-caixa de campanha do ex-ministro José Serra

A empenho de figuras do PSDB para a criação da CPI da Petrobras pode se transformar em um tiro no pé dos próprios tucanos. A observação é do jornalista Amaury Ribeiro Jr, autor de “A Privataria Tucana”, livro que denuncia irregularidades na privatização das teles e um suposto esquema de evasão de divisas para paraísos fiscais durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

O livro traz uma revelação que parece ter sido esquecida pelos tucanos ávidos pela criação da CPI da Petrobras: o doleiro Alberto Youssef, ligado agora ao deputado André Vargas (PT-PR), já teria operado para Ricardo Sérgio de Oliveira, o ex-diretor internacional do Banco do Brasil e ex-caixa de campanha do ex-ministro José Serra, duas vezes candidato derrotado à Presidência.

“Quem montou o esquema de propinas na Petrobras foi o Youssef, não no governo do PT, mas no do PSDB”, afirma o jornalista. “Ele havia feito a mesma coisa no Caso Banestado”, lembra Amaury. No livro, ele relata que entre 1996 e 1997 o doleiro enviou para Nova York, por meio de uma off-shore, a June International Corporation, US$ 56 milhões descobertos em uma subconta bancária hospedada na Beacon Hill Service Corporation, uma espécie de conta-ônibus no Chase Manhattan (hoje JP Morgan Chase). O dinheiro tinha como destino final uma agência das Ilhas Virgens Britânicas.

O esquema Banestado alimentou a remessa de US$ 30 bilhões que escoaram através de movimentações pelas CC-5 (Carta Circular nº 5, do Banco Central), criadas para permitir saques e depósitos de estrangeiros em trânsito cuja finalidade foi deturpada. Uma das pontas da imensa rede era operada por Youssef, que utilizava laranjas no Paraguai e no Uruguai para despistar o rastreamento bancário.

A conta tinha o sugestivo nome de Tucano e, segundo Amaury, era integralmente administrada pelo advogado americano David Spencer, procurador de Ricardo Sérgio de Oliveira. “Está se repetindo agora o mesmo que ocorreu no mensalão: o PT foi procurar um personagem que já operou para o PSDB”, diz Amaury. Ou seja: o Youssef, segundo o jornalista, é o Marcos Valério da Petrobras, uma segunda herança tucana ao PT na seara de malfeitos.

Pela voracidade com que os tucanos têm investido na criação da CPI da Petrobras, Amaury acha que as informações mais apimentadas de um suposto relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), do Ministério da Justiça, ainda não vieram à tona. Pelos indícios do apurou, ele aposta, no entanto, que há matéria-prima para desgaste nos dois maiores partidos.

“Estou ansioso para ser chamado à CPI”, afirma Amaury, que diz ter guardado alguns documentos não revelados em “A Privataria Tucana”. O livro, já vendeu mais de 150 mil exemplares, traz também uma revelação que está sendo robustecida pelas novas investigações da Polícia Federal: a participação de doleiros em grandes esquemas de financiamento de tráfico de drogas no atacado.

No livro de Amaury, Youssef é apontado como um profissional eclético. O doleiro atuava, ao mesmo tempo, para tucanos de penas reais e traficantes barra pesada, como Fernandinho Beira Mar ou o bicheiro João Arcanjo Ribeiro, conhecido como comendador. Em Foz do Iguaçú, no rastro da Operação Lava Jato, a Polícia Federal descobriu doleiros financiando operações de alta envergadura no tráfico internacional.

O deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) tentou por duas vezes criar a CPI da Privataria. Delegado da Polícia Federal, o deputado investigou o caso e conhece o doleiro ao ponto de prever que ele fará, mais uma vez, acordo de delação privada para escapar de uma pesada sentença. Youssef estaria “no ponto” para ser ouvido numa CPI.

No iG

Veja também: Alberto Youssef delatou os principais doleiros do país em 2003
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Alberto Youssef delatou os principais doleiros do país em 2003


Em 2003, para se livrar de uma condenação na Justiça Federal do Paraná por ter sonegado cerca de 33 milhões de reais, o doleiro Alberto Youssef optou pela assinatura de uma delação premiada. Como parte do acordo, Youssef apontou os caminhos pelos quais o MPF e PF chegariam nos responsáveis pela movimentação de parte dos mais de 30 bilhões de reais enviados para o exterior por meio das contas CC5 do Banco do Estado do Paraná, o Banestado.

O Blog do Serapião teve acesso a uma parte dos depoimentos prestados por Youssef entre o fim de 2003 e início de 2004. Neles, o doleiro conta como começou a atuar no mercado de câmbio e qual foi o caminho até se transformar em um dos quatro maiores doleiros do país.

Interrogado: Bom, na verdade eu comecei a operar no câmbio em 1992, comecinho de 1993. Eu operei muito com o Juan Carlo Garcia, que era o Bobadilla, e o cunhado que era o Victoriano Rivas. Normalmente eles tinham as contas deles lá no Paraguai, lá em Foz do Iguaçu, e nós comprávamos cobertura deles, eles nos entregavam em Foz do Iguaçu e eu direcionava à conta deles que era para que se fizesse o depósito na conta deles. Naquela época era Bamerindus e era HSBC, era Bamerindus e era Banco do Brasil, e tinha alguma coisa de Unibanco também. Depois vieram as famosas contas CC5, porque até então eram contas com CPF normal que eram operadas, dificilmente as pessoas podiam depositar dinheiro direto na conta do Banco Del Paraná ou, naquela época não existia Integracion, mas existia o Banco Sur em Pedro Juan Cabalero, existiam outros bancos.

Youssef informou as autoridades não ser possível chegar aos clientes finais do dinheiro operado nas contas CC5 pelo fato de ser ele um doleiro que prestava serviço no atacado, ou seja, para outros companheiros de profissão. Segundo ele, esses clientes finais, políticos, empresários e afins, tinham contato com outros doleiros do varejo que, muitas vezes, utilizam os serviços prestados por ele, Youssef.

Juiz Federal: O senhor mencionou, quando nós estávamos conversando, que o senhor teria condições de identificar conta, de doleiro, de político, no exterior. O que o senhor tem de informação concreta sobre isso?

Interrogado: Eu disse que tinha como identificar contas de doleiros e que contas de políticos nós teríamos que procurar e vasculhar, mas, com os dados da minha conta, lógico que de cabeça eu não vou lembrar nome de conta uma por uma, mas com meus dados eu vou identificar todas as contas que saíram das minhas empresas, todos os pagamentos lá fora que saíram, eu vou indicar quem é a pessoa, quem é o dono daquela conta e quem foi a pessoa que indicou para ser paga aquela conta.

Juiz Federal: Por exemplo, um político que o senhor tenha trabalhado, vendido dólares ou efetuado essa operação de pagamento para lá? Tem algum?

Não, eu, a única operação que realmente eu fiz, que envolveu esse pessoal foi a operação que eu acabei de detalhar ela para o pessoal do Ministério Público Estadual, eu sempre operei com o mercado de câmbio, e, logicamente, o mercado, cada um tem seus clientes, então, por exemplo, se nós pegarmos um dos clientes que operava comigo que é o Mogarabi, você pode ver que tem pagamento da minha conta para a conta dele. Se você pegar você vai ver que ele era um dos doleiros do Pitta, que era o Prefeito de São Paulo. Então é onde a gente pode trabalhar no sentido de organizar isso ‘ó, fulano opera lá, beltrano opera....’

Em outro momento, respondendo a uma pergunta do juiz federal, Youssef dedurou os principais doleiros do país à época que utilizavam as contas do Banestado: “Um era eu, a Tupi Câmbios, a Acaray, Câmbio Real, Sílvio Anspach, o Mecer do Rio, o Rui Leite e o Armando Santoni”. Foi com base nessa afirmação de Youssef que surgiram as principais operações contra doleiros da primeira década dos anos dois mil.

Ministério Público Federal: Sim. Você tem ideia de quantos são esses doleiros que trabalham para doleiros e quem são?

Interrogado: Na minha época tinham poucos.

Ministério Público Federal: Na sua época até 2000?

Interrogado: Não, na minha época que eu falo é a época que eu realmente tinha cobertura para poder vender para o mercado né.

Juiz Federal: E que época que era isso?

Interrogado: Que era de 1995, final de 1995, 1996 até 1999 por exemplo, foi uma época que existia cobertura, meia dúzia, entendeu, que dava cobertura para o mercado, não tinha mais que isso. Não eram mais que 6, 7 pessoas.

Ministério Público Federal:   E quem seriam?

Interrogado: Bom, um era eu, a Tupi Câmbios, a Acaray, Câmbio Real, Sílvio Anspach, o Mecer do Rio, o Rui Leite e o Armando Santoni. O Antônio Pires, eu nunca negociei com ele, então o meu relacionamento com ele era praticamente zero, eu conheço de nome, e sei com quem ele operava, mas nunca assim...

A Tupi Câmbios, dos doleiros José Luiz Costa e Carlos Hugo Souza Palmerola, segundo Youssef, era responsável pela conta “Tucano”. Localizada na gaveta número 310035 do banco JP Morgan Chase, em Nova Iorque, a conta teria sido utilizada por membros do alto escalão do PSDB para enviar dinheiro de caixa dois de campanha e de propina angariada nas privatizações para o exterior. Laudos produzidos por peritos criminais da Polícia Federal, apontavam para uma movimentação de mais de 1 milhão de dólares em apenas dois dias de outubro de 1996. Entre os beneficiários, estavam o ex-diretor do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio, do ex-ministro da Telecomunicações, Sérgio Motta, João Bosco Madeiro da Costa, então diretor da Previ, e do advogado americano David Spencer, este último tido como procurador de Ricardo Sérgio em várias contas no exterior.

Ministério Público Federal: Quem é Tupi Câmbios?

Interrogado:  Bom, Tupi Câmbios é de um grupo de Campinas, chamado ‘Colibri’, dono também da conta ‘Tucano’. Essa é a Tupi Câmbios.

Ministério Público Federal: São aquelas pessoas que nós também já denunciamos, é um grupo de paraguaios?

Interrogado:  Não, você acho que não denunciou um brasileiro que, um brasileiro não, se eu não me engano é chileno, chileno naturalizado paraguaio ou argentino não sei, que mora em Campinas.

Ministério Público Federal: Qual o nome deles?

Interrogado:  Na Tupi Câmbios eu conheço o Carlitos e o Zé Luiz, as outras pessoas eu não conheço.

Juiz Federal: Carlitos quem é? Carlos Palmerola?

Interrogado: Sim.

Outros dois doleiros citados por Youssef, Silvio Anspach e o Mecer (na verdade, Dário Messer), também foram alvos das autoridades brasileiras. Na Operação Farol da Colina, a PF mandou prender Messer e Anspach. O dois doleiros seriam ligados ao banqueiro Daniel Dantas e responsáveis pelo envio de dinheiro brasileiro que alimentou o Opportuniy Fund, responsável pela aquisição de empresas públicas privatizadas pelo governo de Fernando Henrique Cardoso.

Juiz Federal: Quem eram os seus clientes na Beacon Hill?

Interrogado: Eu vou tentar lembrar alguns aqui. Um era o Agnaldo, outro era o Armando Santoni, que também detinha conta lá, o próprio Mecer tinha conta lá, o Mecer que eu falo é Kiko, o Richard tinha conta lá, mantinha conta lá, quem mais mantinha conta lá na Beacon Hill, o senhor Mário Cortez,  que é Gilberto Bezecrin, lá de Manaus, também mantinha conta lá, os que eu me lembre assim vagamente são esses.

Juiz Federal: Só antes de passarmos, o que era exatamente a Beacon Hill?

Interrogado: Beacon Hill era uma casa bancária onde ela administrava várias subcontas de várias Off-Shores da América do Sul, onde ele cobrava por esse serviço, pela administração, em fazer pagamentos e receber pagamentos.

Em um dos depoimentos que integram a delação premiada, Youssef também contou às autoridades o trabalhado desenvolvido pelo doleiro Hélio Laniado. Em 2005, pouco depois de Youssef contar o que sabia, Laniado foi preso como resultado da Operação Zero Absoluto. Conhecido pelas suas belas namoradas, entre elas Daniela Cicarelli e Carolina Ferraz, o doleiro foi considerado como o maior peixe fisgado pela força tarefa CC5. Entre 1995 e 2002, ele teria feitos remessas ilegais de 1,2 bilhão de dólares.

Juiz Federal: E quem era a Split especificamente, quem controlava essa empresa?

Interrogado: Eu não tinha contato com ela, mas se eu não me engano era o Hélinho.

Juiz Federal: Hélinho? Quem é essa pessoa?

Interrogado: Eu ouço falar por Hélinho, eu não tenho o sobrenome dele.

Juiz Federal:  Chegou a ter contato com essa pessoa ou não?

Interrogado: Não, não era meu cliente.

Juiz Federal: O senhor chegou a atuar nesse esquema dos precatórios senhor Alberto?

Interrogado: Não, não atuei.

MPF: O Hélinho operava onde?

Interrogado: São Paulo.

MPF: Esse Hélinho é Hélio Laniado ou não?

Interrogado: Sim, Hélio Laniado.

Juiz Federal: E é sócio do Dario Mecer mesmo?

Interrogado: Pelo meu conhecimento é sócio.

Juiz Federal: O Kiko e o Mecer, o senhor tem conhecimento se eles tinham conta na Beacon Hill?

Interrogado: Tinham conta na Beacon Hill.

Mais trechos da delação de Alberto Youssef:

Sobre Armando Santoni, Rui Leite e Paulo Malta

Delegado Falcão: Ele foi denunciado né. O senhor falou em Paulo Malta, o apelido dele é Frank, lá no Rio de Janeiro, avenida Nilo Peçanha, nº 50. É o que? O que ele tem lá? Uma casa de câmbio? Uma corretora de valores?

Interrogado: É uma empresa de consultoria, mas ele opera no mercado.

Delegado Falcão: O senhor sabe qual é a empresa de consultoria?

Interrogado: Não, não sei te dizer.

Delegado Falcão: É, porque essa Nilo Peçanha, nº 50 é um prédio comercial muito grande ali né. Uma empresa de consultoria. O senhor falou também de Armando Santoni e Rui Leite.

Interrogado: O Armando Santoni e o Rui Leite, eles operavam a conta Pescara, davam bastante cobertura para o mercado e uma das pessoas que eles....

Delegado Falcão: Essa conta Pescara é onde?

Interrogado: No Beacon Hill Service.

Delegado Falcão: No Beacon Hill. E continuam operando ou não? No mercado?

Interrogado: Eles separaram a sociedade e o Rui continua no mesmo endereço, na Assembléia, nº 10, 31º andar, o Armando foi para um outro que, eu acabei perdendo o contato, eu não sei onde é.

Delegado Falcão: O Armando Santoni foi sócio de uma empresa, na Atlantic Tur, há muitos anos não é?

Interrogado: Sim.

Sobre o doleiro Armando Pires:

Juiz Federal: Continuando aqui o depoimento do senhor Alberto, não sei se ficou gravado o final aqui porque tinha acabado a fita, é bom perguntar de novo.

Ministério Público Federal: A quem pertence a Tourist Câmbio?

Interrogado: No meu conhecimento e o que o mercado diz é que a Tourist Câmbio é do senhor Antônio Pires.

Ministério Público Federal: E um filho do senhor Antônio, chamado Paulo ou Paulinho, tem algum envolvimento com a empresa?

Interrogado: Eu nunca operei com o Antônio Pires, então eu não posso dizer, afirmar coisas assim mais consistentes.

Sobre a conta Beacon Hill:

Juiz Federal: Essas contas e subcontas Beacon Hill, e ter essas subcontas operadas por doleiros e tal, como que foi montado isso aí? Como que funcionava isso?

Interrogado: Na verdade essa questão de contas e subcontas no Estados Unidos existe há muito tempo, desde a Casa Piano, vocês já ouviram falar na Casa Piano do Rio de Janeiro, que depois quebrou em Portugal, quebrou e deixou muita gente falando sozinha, então. Na verdade a Casa Piano era uma casa bancária onde ela tinha várias subcontas tá certo, um dia o pessoal levantou acampamento e largou todo mundo falando sozinho. Quebrou e sumiu com o dinheiro.

Juiz Federal: E a Beacon Hill era isso então?

Interrogado: A Beacon Hill, na verdade, era isso. A Beacon Hill não eram uma remitência, era uma casa cambiária, onde ela tinha uma conta mestre e as subcontas e cobrava por esse serviço.

Ministério Público Federal: Mas isso é, qual é então o problema com a conta Beacon Hill que teve a intervenção dos Promotores americanos? O que o mercado diz? O que ela fez de errado?

Interrogado: Na verdade, o mercado, o que eu escutei sobre esse assunto é que a Procuradoria de Nova Iorque entendeu que a Beacon Hill estaria sonegando impostos, no entendimento da Procuradoria de Nova Iorque, mas, na verdade, ele já tinha requisitado a licença para casa cambiária, estava tudo encaminhado, e ele não movimenta contas de americanos dentro da Beacon Hill, e sim só de não residentes, então ele não está sonegando dinheiro nos Estados Unidos, agora eu não sei se o que ele cobrava dos clientes, se ele estava pagando impostos sobre o que ele cobrava dos clientes, eu não sei isso, essa questão de impostos.

Juiz Federal: Quando o senhor fala ‘ele’, o senhor sabe quem controlava? Quem era o proprietário daí dessa empresa?

Interrogado: Eu sempre ouvi falar o nome dele, me sumiu da memória, mas é Aníbal (incompreensível). Ele foi companheiro, se eu não me engano, da Carolina Nolasco num (incompreensível) no Big For House, que também quebrou nos Estados Unidos e também era uma casa cambiária, isso há tempos atrás.
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Dirceu na Comissão da Verdade

Brutalidade contra Dirceu é uma tentativa de nos convencer de que não adianta reagir

Num país que levou um mais de 40 anos para constituir uma Comissão da Verdade para apurar os crimes do passado do regime militar, talvez seja o caso de pedir a abertura de um novo item de sua pauta para investigar ataques aos direitos humanos que tem sido cometidos nos dias de hoje. O primeiro nome é José Dirceu.

O caso é exemplar. Embora nunca tenha recebido, em forma definitiva, uma sentença em regime fechado, o esforço para impedir Dirceu de respirar o oxigênio que só se encontra fora de uma prisão foi reforçado. Tudo se move para impedir que ele possa sair à rua, caminhar como uma pessoa durante oito horas por dia, trabalhar como um cidadão, conversar com homens e mulheres que não são nem carcereiros, nem advogados, nem parentes tensos, de olhos úmidos, nas horas tensas de visita.

Como se fosse um delírio, assistimos a um ato de terrorismo que não ousa dizer o seu nome, mas não pode ser definido de outra forma.

Ou como você vai definir um pedido de grampo telefônico que envolve o palácio da Presidência da República, o Congresso? Vamos fingir que não é um ataque à privacidade de Dilma Rousseff, constranger 513 parlamentares, humilhar onze ministros, apenas para maltratar os direitos de Dirceu?

Vamos encarar os fatos. É um esforço — delirante? quem sabe? — para rir do regime democrático, gargalhar sobre a divisão de poderes, atingir um dos poderes emanam do povo e em seu nome são exercidos.

Pensando em nossos prazos históricos, eu me pergunto se vale à pena deixar para homens e mulheres de 2050 a responsabilidade de coletar informações para apurar fatos desconhecidos e definir responsabilidades pelo tratamento abusivo e injusto que tem sido cometido contra Dirceu.

Sim, Dirceu foi um entre tantos combatentes que a maioria de nós não pode conhecer pelo nome nem pelo rosto, lutadores corajosos daquele Brasil da ditadura.

Depois de ajudar a liderar um movimento de estudantes que impediu, por exemplo, que o ensino brasileiro fosse administrado por pedagogos do governo norte-americano, Dirceu tomou parte da vitória do país inteiro pela democracia. Sem abandonar jamais uma ternura pelo regime de Fidel Castro que ninguém é obrigado a partilhar, mostrou-se um líder político capaz de negociar com empresários, lideranças da oposição e governantes estrangeiros.

Hoje ele se encontra no presídio da Papuda, impedido de exercer direitos elementares que já foram reconhecidos pelo ministério público e até pelo serviço Psicossocial. Trabalha na biblioteca. Já se ofereceu para ajudar na limpeza.

Sua situação é dramática mas ninguém precisa esperar até 2050 para tentar descobrir que há alguma coisa errada, certo?

Basta caráter. Em situações políticas determinadas, este pode ser o dado decisivo da situação politica. Pode favorecer ou pode prejudicar os direitos das vítimas e também iluminar a formação das novas gerações. Os direitos humanos elementares, as garantias sobre a vida e a liberdade, costumam depender disso com frequência.

Vejam o que aconteceu com o general José Antônio Belham. Em 1971, ele exibia a mais alta patente na repartição militar onde Rubens Paiva foi morto sob torturas.

Quando precisou explicar-se, 43 anos mais tarde, Belham afirmou que não se encontrava ali. Estava de férias. Acabou desmentido de forma vergonhosa. Consultando suas folhas de serviços, a Comissão da Verdade concluiu que o general não era verdade. Ele não só estava lá como recebera os proventos devidos pelo serviço daqueles dias.

Esse é o problema. Ninguém é obrigado a ser herói. Como ensina Hanna Arendt, basta cumprir seu dever. Caso contrário, a pessoa se deixa apanhar numa situação que envergonha a mulher, os filhos, os netos – sem falar nos amigos dos filhos, nos amigos dos netos. Nem sempre é possível livrar-se do vexame de prestar contas pela própria história.

Lembra daquele frase comum em filmes de gangster, quando o herói recebe uma advertência criminosa: “você vai se arrepender de estar vivo?” Isso também pode acontecer com pessoas que não tem caráter.

Imagine como vai ser difícil, para homens e mulheres de 2050, explicar seu silêncio diante de tantos fatos que envolvem o tratamento dispensado a Dirceu. Ele foi cassado em 2005 por “quebra de decoro parlamentar”, essa acusação que, sabemos há mais de meio século, é tão subjetiva que costuma ser empregada para casos de vingança e raramente serviu para fazer justiça — porque dispensa provas e fatos, vale-se apenas de impressões e convenções sociais que, como se sabe, variam em função de tempo e lugar, de pessoa, de geração e até classe social.

Em 2012, não se encontrou nenhuma prova capaz de envolver Dirceu no esquema de arrecadação e distribuição de recursos financeiros para as campanhas do PT. A necessidade de garantir sua punição de qualquer maneira explica a importação da teoria do domínio do fato. Inventaram uma quadrilha porque era preciso condenar Dirceu como seu chefe mas o argumento não durou dois anos. Depois que o STF concluiu que não havia crime de quadrilha, ficou difícil saber qual era a atuação real de Dirceu nessa fantasia.

Pensa que o Estado brasileiro pediu desculpas, numa daquelas solenidades que nunca receberão a atenção merecida, com as vítimas dos torturadores do pós-64? Pelo contrário. O sofrimento imposto a Dirceu aumentou, numa forma perversa de punição.

Numa sequencia da doutrina Luiz Fux, que disse no STF que os acusados devem provar sua inocência, coube-lhe tentar provar o que não falou ao celular com um Secretário de Estado da Bahia.

Foi invadido em sua privacidade, desrespeitado em seus direitos humanos. Para que? É um espetáculo didático.

Como cidadão, tenta-se fazer Dirceu cumprir a função de ser humilhado em publico — ainda que boa parte do público não se dê conta de que ele próprio também está sendo ultrajado. Através desse espetáculo, tenta-se enfraquecer quem reconhece seu papel político, quem reconhece uma injustiça — e precisa ser convencido de que não adianta reagir para tentar modificar essa situação.

Não poderia haver lição mais reacionária, própria daqueles homens que fogem da Comissão da Verdade com mentirinhas e desculpas vergonhosas.

Não se engane: o esforço para inocular um sentimento de fraqueza em cidadãos e homens do povo é próprio das ditaduras. Fazem isso pela força -- e pela demonstração de força, também.

Outra razão é política. Tenta-se demonstrar que o sistema penitenciário do governo do Distrito Federal — cujo governador é do PT, como Dirceu e todos os principais réus políticos dessa história, você sabe — não é capaz de cuidar dele, argumento sob medida para que seja conduzido a uma prisão federal, onde não poderá cumprir o regime semiaberto.

Este é o objetivo. Vai ser alcançado? Não se sabe.

Animal consciente dos estados de opressão, o que distingue os homens dos vegetais — e de alguns animais inferiores — é o reconhecimento da liberdade.

O que se quer é encontrar uma falta disciplinar grave, qualquer uma, que sirva como pretexto para revogar os direitos de Dirceu. Pretende-se obter uma regressão de sua pena e conseguir aquilo que a Justiça não lhe deu, apesar do show — o regime fechado.

Isso acontece porque o projeto, meus amigos, é o ostracismo — punição arcaica, típica dos regimes absolutistas. Você lembra o que disse Joaquim Barbosa:

"Acho que a imprensa brasileira presta um grande desserviço ao país ao abrir suas páginas nobres a pessoas condenadas por corrupção. Pessoas condenadas por corrupção devem ficar no ostracismo. Faz parte da pena".

Imagine a maldade que é deixar tudo isso para os homens e mulheres de 2040. Imagine as páginas nobres da imprensa, dos jornais, das revistas. Pense como vai ser difícil, para os leitores do futuro, entender o que Joaquim Barbosa quis dizer com isso.

Mais uma vez teremos uma página horrenda da história e cidadãos perplexos a perguntar: como foi possível? O que se queria com tudo aquilo?

E, mais uma vez, num sinal de que se perdeu todo limite, vamos pedir desculpas. As futuras gerações merecem um pouco mais, concorda?

Não precisam encarar esta derrota colossal de todos que lutaram com tanta coragem pela democracia.

Paulo Moreira Leite
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Luís Nassif comenta

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Recordar é mal viver

Lembranças de dois momentos vividos como jornalista e como cidadão, a mostrar um Brasil muito complicado

1

Nunca esquecerei aquele dia de 2008, em que o ministro da Justiça, Tarso Genro, me telefonou em estado de graça. “Viu, viu – disse no tom do entusiasmo –, acabamos de prender Daniel Dantas.” Em ótima fé, premiava CartaCapital, que nunca esmoreceu na denúncia das façanhas ilegais do banqueiro do Opportunity. A Operação Satiagraha atingira o alvo. Em vão, como todos sabem.

Com a colaboração inicial de Gilmar Mendes, que ao longo do episódio chegou a “chamar às falas” o presidente Lula e, secundado pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, pediu a cabeça do então diretor da Abin Paulo Lacerda, Dantas foi solto e vive até hoje livre como um passarinho feliz. Melhor, como um pássaro graúdo e de rapina a sobrevoar o País. Lacerda sofreu o ostracismo e foi exilado para a embaixada em Lisboa, enquanto Gilmar Mendes afirmava ter sido grampeado pela Abin juntamente com o então senador Demóstenes Torres, de deplorável memória.

Mais tarde verificou-se que a Abin não tinha condições técnicas para grampear quem quer que seja, nem por isso houve algum gênero de desagravo a Lacerda, honrado delegado de límpida carreira, tampouco para Protógenes Queiroz, que comandara a Satiagraha e de quem pretendeu-se alegar a incompetência.

Também não consigo esquecer um dia do final de 2005, quando Paulo Lacerda, então diretor da própria Polícia Federal, me iluminou, e espantou notavelmente, a respeito do destino do disco rígido do Opportunity, apreendido pela Operação Chacal. Entregue o disco ao Supremo, esperava-se que fosse aberto. Cabia a decisão final à ministra Ellen Gracie, mas o tempo passava e o nihil obstat não vinha.

Perguntei a Lacerda qual seria a razão da demora. Respondeu, rápida e textualmente: “Se abrirem, acaba a República”. A mesma frase eu ouviria mais tarde de outras bocas. O enterro da Chacal e da Satiagraha é um excelente exemplo de quanto move a reportagem de capa desta edição.

2

Aqui e acolá aparecem na mídia nativa referências à possibilidade de que Lula assuma o lugar de Dilma no próximo embate eleitoral. Pergunto aos meus intrigados botões: por que será? Hoje estão loquazes, começam de longe, só faltaria evocarem os sumérios. Felizmente, não é bem assim, mas verdade factual é que do assunto fala-se há tempo, assim como havia gente de boa-fé entre quem aventava a hipótese.

Sim, sim, digo eu, mas por que agora? Sem contar que a boa-fé não é própria da mídia nativa. Ora, dizem os botões, o propósito é claro e óbvio: trata-se de inquietar o ambiente petista e tentar criar fricções entre Dilma e Lula. Semear a cizânia, diria um evangelista. O jornalismo pátrio não prima pela sutileza. Isto é da tradição: afirma isenção, equidistância, pluralidade, enquanto toma partido sempre e sempre a favor da casa-grande. Normal, não é mesmo? Os patrões da mídia nativa são inquilinos estáveis da mansão, além de hipócritas natos e hereditários.

Volto à carga: mas por que Lula haveria de arrancar a candidatura da sua criatura? Pois é, dizem os botões, não há razão alguma, conveniência política que seja. Sim, caiu um pouco a popularidade da presidenta, as pesquisas, entretanto, teimam em apontar sua vitória no primeiro turno. E se ganha Dilma, o PT fica no poder por 16 anos e, quem sabe, Lula venha a ser o candidato, isto sim, em 2018. A tigrada, observam os botões, ficou animada com a entrevista do ex-presidente aos blogueiros confiáveis porque ali não deixou de chamar a atenção da criatura quanto a algo evidente: cabe a ela, em primeiro lugar, expor as razões de sua reeleição.

De fato, os papéis de cada qual mudaram. Em 2010, era dever de Lula expor os motivos de sua escolha. Agora, o dever de defender o governo, o seu governo, fica para Dilma. A qual não errou ao dizer que a campanha desencadeada pelo affair Pasadena (mau e nebuloso negócio) visa à destruição da Petrobras. Trata-se, parece-me, de uma visão a médio, ou longo, prazo, caso se encerre o reinado petista. A presidenta poderia ter lembrado que, com o tucanato no poder, cogitou-se da privatização da estatal com o apoio dos jornalões, em delírio. Em outros tempos, a isto se chamava de entreguismo.

Mino Carta
No Carta Capital
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