18 de abr de 2014

Liderança resiliente


A vantagem de Dilma Rousseff manteve-se a
mesma daquela registrada em meados de fevereiro
A nova rodada da pesquisa CartaCapital/Vox Populi, realizada entre 6 e 8 de abril, revela uma estabilidade na corrida eleitoral deste ano, o que chega a ser um resultado extraordinário, dados os acontecimentos das últimas semanas.

A vantagem de Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, manteve-se a mesma daquela registrada em meados de fevereiro, quando a rodada passada foi realizada. Naquela oportunidade, a presidenta obtinha 41% das preferências, em uma lista com os nomes do tucano Aécio Neves e de Eduardo Campos, do PSB, além de outros cinco possíveis candidatos de partidos menores.

Ao comparar a pesquisa de fevereiro com esta de agora, Dilma permaneceu onde estava: registra 40% das preferências. Aécio variou de 17% para 16% e Campos, de 6% para 8%. Os demais candidatos somavam 2% e alcançaram 3% na mais recente. Em matéria de pesquisa de opinião, sabemos, variações como essas são irrelevantes, o que significa dizer que não houve mudança nas intenções de voto entre fevereiro e abril.

Não haveria nada de surpreendente se Dilma Rousseff tivesse perdido alguns pontos, como sugeriu uma pesquisa do Datafolha recém-divulgada. De acordo com esse instituto, ela teria caído 6 pontos porcentuais: de 44%, em pesquisa realizada em 19 e 20 de fevereiro, para 38%, no levantamento em 2 e 3 de abril. Seus principais adversários teriam ficado imóveis. O tucano parado em 16% e o pernambucano a registrar uma variação dentro da margem de erro, de 9% para 10%.

A queda da petista no Datafolha decorre, no entanto, de o instituto ter-lhe atribuído, na pesquisa de fevereiro, um número mais alto do que o de todos os demais. Em outras palavras, Dilma caiu na mais recente por estar, na anterior, acima de onde provavelmente estaria.

Essas são, porém, questões secundárias. O relevante é o fato de a presidenta ter atravessado os últimos 40 ou 50 dias fundamentalmente num só patamar e o mesmo aconteceu com seus adversários, que tampouco se mexeram. Se as pesquisas disponíveis são boas (e tudo indica que devem ser, pois a performance dos institutos brasileiros é uma das melhores do mundo), ela era e continua a ser a destacada favorita. Quanto a seus concorrentes, tinham e continuam a ter grandes dificuldades para superá-la.

A ausência de mudança é decepcionante para as oposições, na política, na sociedade e, em especial, entre os “formadores de opinião”. Pois, se houve uma opinião que quiseram formar (e fomentar) no período, foi a de rejeição e hostilidade contra Dilma.

Sempre podem fazer mais à medida que a campanha eleitoral avançar, demonstra a nossa experiência nas últimas eleições (o “ataque da bolinha de papel”, a foto do “dinheiro dos aloprados”, os “escândalos” que pipocam na reta final, para lembrar alguns exemplos). Mas houve, entre fevereiro e abril, disso não há dúvidas, um “esforço concentrado” de desconstrução do governo e da presidenta.

A “inflação sem controle”, o apagão elétrico e hídrico, o “escândalo” da refinaria de Pasadena, o rebaixamento da nota atribuída à economia brasileira por uma agência de classificação de risco, os problemas na saúde, educação, segurança e em todo e qualquer setor e as atividades suspeitas de políticos governistas foram (e continuam a ser) apresentados ao País como responsabilidade pessoal de Dilma Rousseff. No mínimo como pecados cometidos por ela em conluio com o “lulopetismo”.

Assistir a tudo sem perder intenções de voto é algo que, para Dilma, só pode ser considerado bom. Sua estabilidade é, ao contrário, uma má notícia para os oponentes. Particularmente para Campos, que utilizou a propaganda partidária do PSB, sua última janela de mídia de massa, sem crescer. O programa e as inserções divididas com Marina Silva não serviram, ao menos até o momento, para melhorar seu prognóstico. Apenas em agosto o ex-governador voltará à grade de programação comercial das emissoras. Pergunta: “Com que tamanho chegará? ”

A queda no voto em candidatos a presidente que disputam a reeleição não é sinal de derrota iminente. Nosso primeiro chefe de governo a buscar um segundo mandato, Fernando Henrique Cardoso, caiu a 31% das preferências em junho de 1998 e ficou empatado com Lula. Três meses depois, ganhou a disputa no primeiro turno.

A vitória do tucano, uma liderança antipatizada pela maioria do eleitorado e ainda obrigado a se explicar pela frase “os aposentados são vagabundos” e que gerenciava uma economia com crescimento de irrisórios 0,13% no ano da eleição, sugere como é difícil derrotar um presidente em exercício.

Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
No CartaCapital
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Evidências do atentado de 11 de setembro


Segundo o Dr. Paul Craig Roberts, ex secretário adjunto do Tesouro dos Estados Unidos, editor associado do Wall Street Journal e colaborador do Global Research onde se publicou seu artigo “Guerra e o fim do dólar dos EUA” do qual aqui foram retirados estes últimos parágrafos sobre o 11 de Setembro:

PS: por diversas vezes distribui o link para o filme ZERO, comentado aqui pelo Dr. Craig. Depois da exibição de ZERO a imprensa brasileira é das únicas do mundo que ainda apontam o 11 de Setembro como atentado de origem islâmica.

Estes tiros no pé refletiram-se na credibilidade de Washington. O pior de todos é a crescente percepção generalizada de que a louca teoria de conspiração de Washington sobre o 11/Set é falsa. Grande número de especialistas independentes, assim como mais de cem prestadores de primeiros socorros contradisseram todos os aspectos da absurda teoria da conspiração de Washington. Nenhuma pessoa esclarecida acredita que meia dúzia de árabes sauditas, que não sabiam pilotar aviões, e a funcionar sem a ajuda de qualquer agência de informações, pudesse iludir todo o estado de Segurança Nacional, não apenas as 16 agências de informações americanas, mas também todas as agências de informações da NATO e de Israel.

Nada funcionou no 11/Set. A segurança do aeroporto falhou quatro vezes numa hora, mais falhas numa hora do que ocorreram durante as 116.232 horas do século XXI, todas juntas. Pela primeira vez na história, a Força Aérea dos EUA não conseguiu interceptar inimigos no chão e nos céus. Pela primeira vez na história, o Controlo de Tráfego Aéreo perdeu aviões comerciais durante mais de uma hora e não o comunicou. Pela primeira vez na história, incêndios de baixas temperaturas, de vida curta, nalguns pisos, provocaram o enfraquecimento e colapso de estruturas de aço maciças. Pela primeira vez na história, três arranha-céus caíram em queda livre acelerada, sem o benefício de demolição controlada que eliminasse a resistência por baixo.

Dois terços dos americanos acreditaram nesta patranha. A esquerda acreditou porque encarou-a como uma história de oprimidos a vingarem-se do império maléfico da América. A direita acreditou na história, porque interpretaram-na como de muçulmanos diabólicos a atacar a boa América. O presidente George W. Bush exprimiu muito bem a visão da direita: "Eles odeiam-nos por causa da nossa liberdade e democracia".

Mas mais ninguém acreditou nela, muito menos os italianos. Os italianos tinham sido informados, anos antes, de incidentes secretos, quando o seu presidente revelou a verdade sobre a secreta Operação Gládio. A Operação Gládio foi chefiada pela CIA e pelos serviços secretos italianos durante a segunda metade do século XX, para colocação de bombas que mataram mulheres e crianças europeias a fim de acusar os comunistas e, a partir daí, minarem o apoio aos partidos comunistas europeus.

Os italianos foram dos primeiros a fazer apresentações em vídeo contestando a história bizantina de Washington sobre o 11/Set. A última desta contestação é o filme "Zero", de 1 h e 45 min, a seguir.


"Zero" foi produzido pela companhia italiana Telemaco como um filme de investigação sobre o 11/Set. Nele aparece muita gente ilustre, juntamente com especialistas independentes. Em conjunto, contestam todas as afirmações feitas pelo governo dos EUA, relativas à sua explicação do 11/Set.

O filme foi exibido no parlamento europeu.

É impossível que alguém que veja este filme acredite numa só palavra da explicação oficial do 11/Set.

A conclusão é que cada vez é mais difícil desmentir que elementos do governo dos EUA tenham feito ir pelos ares três arranha-céus de Nova Iorque a fim de destruir o Iraque, o Afeganistão, a Líbia, a Somália, a Síria, o Irão, e o Hezbollah, e de lançar o programa dos neoconservadores dos EUA para uma hegemonia mundial dos EUA.

A China e a Rússia protestaram mas aceitaram a destruição da Líbia embora tenha sido em seu próprio prejuízo. Mas o Irão é uma linha vermelha. Washington ficou bloqueado, por isso decidiu provocar grandes problemas à Rússia na Ucrânia a fim de desviá-la do programa de Washington noutros locais.

A China tem estado hesitante sobre os compromissos entre os seus excedentes comerciais com os EUA e o crescente cerco de Washington que lhe é feito com as suas bases navais e aéreas. A China chegou à conclusão de que a China e a Rússia têm o mesmo inimigo — Washington.

Pode acontecer uma de duas coisas: ou o dólar americano será posto de lado e o seu valor entra em colapso, acabando assim com a situação de superpotência de Washington e a ameaça de Washington à paz mundial, ou Washington empurrará os seus fantoches para um conflito militar com a Rússia e a China. O resultado duma guerra dessas será muito mais devastador do que o colapso do dólar americano. 

Raul Longo
No Claudicando
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Mais uma tentativa de assassinato de reputação


Os blogueiros sujos resistiram firmemente a mais uma tentativa de assassinato de reputação. Esta, aparentemente coordenada internamente nas Organizações Globo.

Quem é leitor diário da blogosfera pode abandonar a leitura aqui, já que este artigo é para os milhares de novos leitores que nos procuram, segundos estatísticas de nossa audiência, em função de recentes — e falsas — acusações, que envolvem também o nome do Viomundo.

Os que acompanham mais de perto a disputa judicial entre o bravo blogueiro Luís Nassif e a revista Veja, da Editora Abril, da família Civita, sabem exatamente do que estou falando. Nassif teve a coragem de denunciar as falcatruas da revista em sua série sobre os métodos da publicação. O trabalho de Nassif foi confirmado mais tarde, quando a Polícia Federal desmontou a associação entre o bicheiro Carlinhos Cachoeira, o senador Demóstenes Torres e aliados. Eles entregavam suas “produções” jornalísticas de bastidores, contra adversários, para a publicação da Abril.

As armações tinham o objetivo clássico da mídia empresarial brasileira: o “assassinato de reputação” com objetivos políticos, ideológicos ou comerciais. Tirar vantagem enfraquecendo os outros com denúncias falsas ou artificialmente turbinadas.

Ao deixar a TV Globo, mais tarde, em 2006, o hoje blogueiro Rodrigo Vianna, do Escrevinhador, teve a coragem de fazer o mesmo: denunciar publicamente a emissora. Foi dado por alguns como doido. Porém, abriu os olhos de uma pequena parcela da opinião pública e hoje há, sem medo de errar, dezenas de milhares de brasileiros capazes de identificar com clareza os métodos da cobertura política global, que foram modulados para evitar os casos de manipulação mais evidente — hoje rapidamente denunciáveis — e trabalhar a pauta do que é ou, principalmente, não é oferecido aos leitores, ouvintes e telespectadores das Organizações Globo, dando ênfase às notícias que interessam e escondendo as que não interessam.

Este é hoje o principal motivo de os blogueiros terem se tornado, eles próprios, alvos de contínuas tentativas de “assassinato de reputação” ou “destruição de caráter”.

Eles rompem o tabu dos assuntos proibidos, muitos dos quais envolvem as próprias empresas de mídia, o que ficou bem nítido no recente aniversário de 50 anos do golpe de 1964, por exemplo, aqui e aqui.

Se você é um jovem leitor ou chegou recentemente a este espaço, calma! Sabemos que há muitas novidades para você no que escrevo. Despreocupe-se. Vá seguindo os links e acumulando informação. Eventualmente, você vai se dar conta do que lerá, verá e ouvirá repetidamente na blogosfera: a grande mídia tem lado, apesar de se dizer “neutra”, “isenta” e “imparcial”.

O lado dela ficou claro no golpe que instalou a ditadura militar em 1964. Com raríssimas exceções, que pagaram caro por isso, a mídia apoiou os golpistas que agiram com ajuda material dos Estados Unidos e censuraram, torturaram, mataram e sumiram com os corpos de adversários. Alguns dos donos da mídia se envolveram diretamente na articulação golpista; outros deram publicidade ou apoio material a ações específicas da ditadura; muitos lucraram enormemente durante o período.

São, grosseiramente, os mesmos que sempre se opuseram a governos de caráter trabalhista ou popular, que chamam de “populistas”. Os mesmos que apoiam, sempre, governos elitistas voltados acima de tudo para o lucro das elites, sem que uma migalha sequer seja concedida aos de baixo, aos mais pobres, aos assalariados.


Entendeu agora o motivo de nos detonarem?

A ocasião mais recente foi a entrevista do ex-presidente Lula a blogueiros de esquerda, ou “progressistas”, por apoiarem uma série de medidas políticas e econômicas que representariam progresso social e material para os trabalhadores, os assalariados, os mais pobres — como o Bolsa Família, as cotas para negros e sociais nas universidades, o Sistema Único de Saúde.

Como jornalista com mais de 40 anos de experiência, sendo pelo menos 30 em emissoras de televisão, sustento que uma entrevista vale pelas notícias que produz. No caso de que tratamos aqui, a entrevista de Lula produziu numerosas manchetes, inclusive em toda a chamada mídia corporativa, ou seja, ligada ou defensora dos interesses das corporações que a patrocinam.

Lula falou de todos os assuntos relevantes daquele momento: as denúncias contra o deputado André Vargas, contra a Petrobras, a campanha para que ele seja candidato a presidente em 2014, os rumos da economia no governo Dilma, a Copa do Mundo, os protestos na rua do Brasil, a lei antiterrorismo, o financiamento da saúde pública, etc.

Ou seja, os entrevistadores atingiram seu objetivo sem usar grosserias, sem ofensas e sem embarcar no que chamamos de “antipetismo” movido pelo ódio. É um sentimento promovido por adversários políticos do PT, que querem negar direito de existência ao partido de Lula da mesma forma que os golpistas de 1964 negavam existência política a seus adversários. Depois do golpe, mesmo políticos que apoiaram a derrubada de João Goulart foram “extirpados” pelo militares, como o direitista Carlos Lacerda, que perdeu o direito de se candidatar.

Entenderam o paralelo entre os ditadores do passado e os “ditadores” de hoje? De formas distintas, tentam atingir os mesmos objetivos: negar o direito de expressão e organização àqueles dos quais discordam.

É nessa categoria que, em 2014, se encaixam os blogueiros, nove dos quais participaram da entrevista com o ex-presidente Lula. Para a mídia corporativa, são não-pessoas. A eles são negadas a individualidade, as características pessoais, os saberes específicos.

Você já andou por aí na blogosfera? Viu como concordamos em algumas coisas e discordamos em muitas? O Viomundo, por exemplo, apoia todas as manifestações de rua, inclusive as que estão sendo organizadas para o período da Copa do Mundo. O Eduardo Guimarães, do blog da Cidadania – para dar apenas um exemplo, discorda. Isso não nos impede de conviver democraticamente, ainda que expressando posições claramente distintas.

Não concordo com a postura do Eduardo em muitos outros pontos, porém defendo que ele participe, sim, de entrevistas com autoridades e políticos. Desde quando se convenciou que estas atividades devem ser exclusivas de jornalistas? Como representante comercial, exportador de autopeças e fã do Lula, o blogueiro não deixa de expressar o que pensa parte da opinião pública brasileira em relação ao ex-presidente.

Por outro lado, estavam presentes na mesma entrevista jornalistas com grande experiência, como a Conceição Lemes, deste site, com 33 anos de carreira. O que houve de errado com a pergunta que ela fez ao Lula sobre o financiamento da saúde pública? Lula culpou a extinção do imposto de cheque, promovida pelos adversários dele, pela falta de dinheiro para financiar o SUS. Acho que foi uma boa pergunta e que cabe ao leitor/ouvinte/telespectador decidir se concorda ou não com o ex-presidente.

Porém, os que negam direito de existência aos blogueiros no mundo da informação apagam a individualidade de cada um e o pluralismo da blogosfera, apelando para rótulos e acusações infundadas: seriam todos financiados pelo governo, hipnotizados por Lula ou defensores pagos do PT. Em uma palavra, “vendidos”.

Enfatizo: condenar “antipetismo” irracional não é o mesmo que ser petista. Não somos. Quer ler críticas ao PT/governos Lula e Dilma neste site? Comece por aquiaquiaquiaqui ou aqui.

Minha sugestão? Frequente os blogs abaixo citados. Com o tempo, baseando-se na sua leitura e não no que dizem para você, estou certo de que você perceberá as nuances, as diferenças que existem entre todos eles, indistintamente: Blog do Miro, Cafezinho, Sul 21, Carta Maior, Escrevinhador, Tijolaço, Blog da Cidadania, Diário do Centro do Mundo (há muitos outros, mas estes estavam representados na entrevista).

Estou certo de que, ao fazer isso, você vai encontrar uma pluralidade de opiniões que não vê na chamada mídia corporativa!

Quando no título deste texto, falei em “assassinato de reputação”, é por acreditar que as críticas feitas aos blogueiros nas Organizações Globo tinham este objetivo.

Primeiro, na rádio CBN, que pertence às Organizações Globo, em rede nacional, o âncora Carlos Alberto Sardenberg (o mesmo do Jornal da Globo, na TV) e o comentarista Merval Pereira (o mesmo do jornal O Globo, do Rio) sugeriram que os blogueiros que participaram da entrevista com Lula eram “vendidos”.

Depois, o jornal O Globo, do mesmo grupo, onde escreve Merval, pretendeu fazer uma “investigação” sobre quem eram os entrevistadores. Coincidência, não?

O método foi o mesmo utilizado na primeira entrevista de Lula a blogueiros, quando ainda estava na presidência da República, em 2009. Naquela ocasião, o jornal O Globo estampou, junto com uma foto de Lula com os entrevistadores, o título “Lula recebe Cloaca e outros amigos no Planalto”. Cloaca é um blogueiro do Rio Grande do Sul, que não participou da entrevista de 2014 e a cloaca a que ele se refere ao nomear seu blog é a mídia representada pelos grupos Folha-Abril-Globo-Estadão, ou seja, a mídia conservadora, de direita, que faz propaganda dos interesses da elite brasileira.

O Globo negou, então, credibilidade à entrevista. Agora, faz o mesmo usando métodos parecidos. Também usou uma foto dos blogueiros ao lado de Lula. E tascou, baseado em uma única declaração (a que aparece entre aspas), de um dos nove presentes: Café e bolotas de queijo, Conversa de Amigo; ‘Ninguém teve a intenção de ser isento’, Conversa de Camaradas.

É algo comum no jornalismo acusatório: tomar a parte pelo todo. Pega a opinião de um, destaca e com isso tenta desqualificar o todo.

Porém, onde foram publicadas as críticas específicas de O Globo às perguntas feitas pelos blogueiros? Quais as impropriedades jornalísticas cometidas durante a entrevista? Faltou notícia na entrevista de Lula?

A resposta, como as manchetes dos dias subsequentes na mídia corporativa deixaram claro: Não!

O que Lula antecipou aos blogueiros, inclusive, começou a acontecer: Dilma assumiu a defesa da Petrobras e anunciou ajustes futuros na economia brasileira. Tudo isso apenas confirma a relevância da entrevista em si.

Como jornalista com ampla experiência, percebi que O Globo montava uma armadilha para os blogueiros ao ler as perguntas endereçadas à Conceição Lemes. Se a entrevistadora do Viomundo não tivesse formação de jornalista ou não tivesse currículo, a inexperiência para enfrentar uma raposa politica como Lula seria destacada. Se tivesse tido qualquer despesa paga pelo Instituto Lula para ir até a entrevista, seria mencionada por isso. Seriam formas de desqualificar o trabalho de Conceição, já que o Viomundo não recebe propaganda oficial, seja de governos federal, estaduais ou municipais, seja de empresas públicas/estatatais — incluindo aí o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.

Fazemos isso porque batalhamos pela extinção de tais gastos públicos, a não ser em casos de estrita necessidade, como campanhas de vacinação, para que o dinheiro seja aplicado em creches, hospitais e salários de funcionários públicos, não necessariamente nesta ordem. Quando governador do Paraná, o hoje senador Roberto Requião, do PMDB, fez isso e deu muito certo.

Finalmente, acrescento minha própria experiência como vítima de tentativa de assassinato de reputação, obviamente mal sucedida, caso contrário você não teria vindo ler o Viomundo.

Foi na campanha eleitoral de 2010, quando eu já havia pedido a extinção antecipada de meu contrato com a TV Globo.

Na ocasião, o jornal O Globo envolveu meu nome de forma infundada numa falsa denúncia contra a TV Brasil, que havia prorrogado — dentro de todas as normas legais — um contrato com a produtora Baboon, de São Paulo, que produzia o programa Nova África depois de ter ganho uma concorrência pública. Que eu saiba, foi o primeiro e único programa de TV no Brasil que foi resultado de uma concorrência pública!

Eu era empregado da Baboon, assalariado, para cumprir função em minha área de especialidade! No entanto, O Globo juntou meu nome com a cifra milionária de um contrato do qual eu não era parte e não tinha assinado — não sendo dono, nem sócio, nem gerente da Baboon, que pertence aos empresários Henry Ajl e Markus Bruno.

Viu como funciona? O Globo juntou meu nome com um valor milionário que nunca recebi e conseguiu produzir uma falsa denúncia contra um jornalista assalariado de uma produtora que havia ganho uma concorrência pública! No entanto, foi tudo tão transparente que, subsequentemente, a Baboon se classificou para disputar uma segunda concorrência e perdeu, ocasião em que o blogueiro Reinaldo Azevedo voltou a usar meu nome para me acusar… de perder a concorrência!

É assim que a direita age, entendeu?

Se você ficou curioso sobre o programa, clique aqui.

Portanto, expresso aqui minha solidariedade aos nove blogueiros vítimas da tentativa de assassinato de reputação movida pelas Organizações Globo por conta da mais recente entrevista do presidente Lula.

Sugiro a você, finalmente, jovem ou novo leitor do Viomundo, que dê uma olhada na tabela abaixo, publicada por Fernando Rodrigues em seu blog do UOL e na íntegra da entrevista do ex-presidente aos colegas blogueiros:


Agora nos diga: quem é mesmo que embolsa bilhões em dinheiro público?

Luiz Carlos Azenha
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A manipulação da informação por parte da imprensa com fins eleitorais


A manipulação da informação por parte da imprensa com fins eleitorais detonada por professores de direito constitucional em um programa da TV Globo.

A tentativa da grande imprensa para influenciar o resultado as eleições é clara.



Um próprio jornalista de uma das empresas, a rede Globo, critica severamente esta forma de jornalismo:



Neste ano, a leitura enviesada dos dados fornecidos pela Petrobras e a tentativa de colocar Dilma como responsável por supostas irregularidades na empresa é mais uma tentativa da grande mídia influenciar no processo eleitoral....

.... o que é crime....

Nassif abordou essa "ginástica" em:

Começaram as interpretações da fala de Cerveró

É curiosa a ginástica dos bons comentaristas da Globonews.

Parecem em palpos de aranha, entre analisar com isenção a fala de Nestor Cerveró e atender às demandas da casa.

No intervalo da fala de Cerveró, disseram que na época a compra foi um bom negócio, indo totalmente contra a avaliação da presidente da Petrobras Graça Foster que afirmou que foi um mau negócio.

Em seu depoimento, Graça afirmou a mesma coisa: na época a compra foi considerada um bom negócio. Tornou-se mau negócio após a mudança nas condições mundiais do mercado.

Depois, os comentaristas admitem que Cerveró se saiu bem, que a oposição estava mal preparada. No momento seguinte, afirmam não tem como explicar o prejuízo de US$ 500 milhões. Batem na afirmação de Graça Foster, de que foi um mau negócio.

Graça Foster, José Gabrielli e Cerveró falaram a mesmíssima coisa: era um bom negócio antes da mudança de cenário.

A maneira como comentaristas e parlamentares manipulam falas é uma grandiosidade.

Vida difícil!

Na sabatina, com algumas exceções, como Ivan Valente e Rodrigo Maia, o nível dos parlamentares foi baixíssimo. Parlamentares como Roberto Freire e o delegado Franceschini não ajudam a melhorar a imagem do parlamento.

Assis Ribeiro/Luis Nassif
No GGN
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No Poços10
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Quanto valem cinco meses na vida de uma pessoa?

Na caça a ele vale tudo
Quanto valem cinco meses na vida de uma pessoa?

A pergunta me ocorre quando penso em Zé Dirceu, preso exatamente há cinco meses na Papuda.

Alguém já fez essa conta para si mesmo?

Em dinheiro, é difícil calcular. Digamos que dessem a você, diante de uma sentença de cinco meses na cadeia, a opção de pagar para não ir.

Quanto você daria para ficar em casa? Para conviver com seus amigos, seus irmãos, seus pais, seus filhos? Para poder ir à padaria pela manhã tomar uma média com pão e manteiga? Para comer uma pizza domingo?

Eis um caso de complicada precificação.

Do ponto de vista de tempo em si, nada paga, evidentemente, a temporada na cadeia. Nossos dias são limitados e escassos. Os cinco meses na cadeia — ou o que for — não são acrescentados em sua vida a título de compensação.

E se a sentença é injusta, ou absolutamente controversa? E se você acha que de um lado enfrenta algozes para os quais só importa punir e de outro amigos cuja solidariedade e apoio não se manifestam numa hora tão complicada?

Aí entram outras coisas humanas: raiva, sentimento de impotência, revolta.

A conta cresce expressivamente.

Onde, nisso, fica o caso de Dirceu?

Numa recomposição rápida, temos um julgamento que o tempo mostrou ser um circo abjeto, animado e manipulado por uma mídia que repetiu o comportamento de 1954 e 1964.

Depois, temos uma juíza que diz que, embora não existam provas contra Dirceu, se julga no direito de condená-lo.

Juízes de nível baixo, como se veria depois ao conhecê-los em sua pompa vazia, sacramentariam a punição sem provas com uma figura chamada Teoria do Domínio do Fato. (Nem o autor alemão da teoria achou que a adaptação dela para o Mensalão fazia sentido.)

Numa canhestra matemática que levou um réu a ter uma pena maior do que a que os noruegueses aplicaram ao assassino de dezenas de jovens reunidos numa convenção, foram fixadas sentenças estapafúrdias como se se tratasse de ciência exata.

Os réus, no percurso, foram logo para o STF, o que significou a perda de pelo menos uma segunda instância para a revisão dos vereditos.

Depois, num arroubo teatral, em 15 de novembro Joaquim Barbosa, sob os holofotes da mídia que o incensou quando lhe conveio e agora o abandona como se esperava, manda prender alguns, Dirceu entre eles.

E na cadeia a perseguição como se amplia.

Uma proposta de emprego de um hotel vira um escândalo nacional artificialmente.

Aparece na mídia com alarde uma conexão no Panamá para o candidato a empregador de Dirceu e depois ela desaparece quando se vê que não era nada — mas sem que os leitores fiquem sabendo do complemento da história.

Aparece outro emprego, mas um jornal diz que Dirceu conversou com alguém pelo celular, e uma nota jamais provada faz que Dirceu continue na prisão em regime integral.

Esta é a vida brasileira: uma nota basta para deixar alguém na cadeia, ainda que ela não se sustente. Basta que esse alguém seja Dirceu.

Uma revista — a mesma que impunemente tentou invadir criminosamente o quarto de Dirceu num hotel de Brasília — continua em sua caçada insana e publica fotos que mostrariam os “privilégios” de Dirceu na cadeia.

Há, aí, uma dissonância cognitiva. As fotos apresentam um Dirceu abatido, visivelmente mais magro. Não é nada compatível com regalias ou privilégios.

Num dos últimos capítulos da farsa, Barbosa — sem que a mídia lhe cobre nada por isso — diz que as penas dos réus do Mensalão foram artificialmente infladas para que não prescrevessem.

Não é crime isso? Ou é uma inovação da justiça brasileira, algo que poderia fascinar justiças menos sofisticadas como — já que falamos nela — a norueguesa?

Quanto, repito, valem cinco meses na vida de uma pessoa?

Na semana que vem, noticia-se hoje, Barbosa vai se pronunciar sobre o caso Dirceu.

Ainda que ele contrarie os prognósticos e libere Dirceu, quem vai pagar a conta pelo tempo perdido e sofrido na prisão?

Dirceu deveria processar o Estado, até para que coisas assim tenham consequências.

Não sei qual seria a quantia arbitrada, mas não seria pouca.

Ironia suprema, a conta seria paga por um Estado comandado por Dilma Rousseff e pelo partido que Dirceu ajudou a construir, o PT.

Parece o realismo fantástico de Garcia Marquez numa versão de pesadelo, mas para Dirceu é a realidade como ela é.

Paulo Nogueira
No DCM
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A volta do jornalismo mediúnico da fAlha de S.Paulo

Dilma atende Lula e parte para o ataque

NATUZA NERY - Repórter e médium
DE BRASÍLIA

A recente intervenção implícita do ex-presidente Lula no governo já teve resultados. Nas últimas semanas, a presidente Dilma Rousseff acatou algumas recomendações do padrinho político e adotou a tática "bateu, levou".

A ordem agora é não deixar nenhuma crítica sem resposta, falar o máximo possível sobre as realizações do governo, comparar as gestões tucanas com os mandatos do PT e melhorar a divulgação das ações vinculadas diretamente à presidente, como os programas Pronatec e Mais Médicos, por exemplo.

Nos bastidores, o ex-presidente vinha alertando que Dilma precisava fazer a "disputa política" por meio da imprensa e pelos canais oficiais de comunicação, com o uso de propaganda institucional e até mesmo lançando mão de pronunciamentos em cadeia nacional de rádio e TV.

Em uma conversa a sós com Dilma há duas semanas, Lula listou uma série de providências para reverter queda nas pesquisas e melhorar a avaliação do governo. Duas delas: resolver problemas no programa Minha Casa Minha Vida e adotar uma ofensiva para resgatar o apoio da população à Copa.

Segundo interlocutores, o ex-presidente voltou a insistir na necessidade de Dilma ampliar o diálogo com o setor privado e setores da sociedade civil organizada. Ela já abriu sua agenda para empresários, banqueiros e movimento jovem.

Em uma ação exclusiva para reverter percepções negativas sobre a Copa — uma das maiores preocupações do Planalto no período eleitoral —, a presidente decidiu receber jornalistas esportivos, conforme a Folha apurou.

A data ainda não foi marcada, mas a iniciativa parte da avaliação de que a imprensa alimenta um pessimismo em relação ao Mundial.

Sobre a Petrobras, Lula orientou a sucessora a partir para o ataque. Nesta semana, a presidente fez uso da estratégia e afirmou, em Pernambuco, reduto do adversário Eduardo Campos (PSB), que não "admitirá que nada nem ninguém" destrua a estatal.

Foi a primeira vez que Dilma falou publicamente sobre a polêmica em torno da compra de uma refinaria nos EUA, assunto vastamente explorado pela oposição.

Outros exemplos da tática "bateu, levou" são a reclamação disciplinar contra a promotora que pediu quebra de sigilo de celulares do Planalto, a elaboração de uma propaganda oficial contra alegação do governo de Minas de que o governo federal seria responsável pelo aumento da conta de luz no Estado e uma requisição do Planalto ao Facebook para que retire do ar sites ofensivos à presidente.

Sobre a Copa, não há ilusão no governo de que seja possível resgatar o apoio maciço da população à realização do mundial. Uma campanha publicitária entrará em cena, possivelmente no fim deste mês, como mostrou a edição de ontem do jornal "Valor Econômico".

O PT e Lula cobram um discurso que reforce o legado para o povo, não somente para turistas e frequentadores dos estádios. Já uma outra ala do governo prefere uma mensagem que inspire o orgulho pelo futebol.

O marqueteiro João Santana já avisou que deve abandonar a expressão "legado" de suas peças, mas a ideia de uma herança em infraestrutura para beneficiar ricos e pobres tende a persistir.
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As faces do mal

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O melhor teste para descobrir se uma sociedade é justa

O filósofo americano John Rawls investigou a justiça social. E criou uma teoria simplesmente brilhante

Copenhague: a sociedade escandinava é mais igualitária e mais feliz que a americana
O que é uma sociedade justa?

O filósofo americano John Rawls (1921-2002) se debruçou sobre esta pergunta. Em 1971, Rawls publicou um livro aclamado: “A Teoria da Justiça”.

A idéia central de Rawls era a seguinte: uma sociedade justa é aquela na qual, por conhecê-la e confiar nela, você aceitaria ser colocado de maneira randômica, aleatória. Você estaria coberto pelo que Rawls chamou de “véu de ignorância” em relação à posição que lhe dariam, mas isso não seria um problema, uma vez que a sociedade é justa.

Mais de quarenta anos depois do lançamento da obra-prima de Rawls, dois acadêmicos americanos usaram sua fórmula para fazer um estudo. Um deles é Dan Ariely, da Universidade Duke, especializado em comportamento econômico. O outro é Mike Norton, professor da Harvard Business School.

Eles ouviram pessoas de diferentes classes sociais. Pediram a elas que imaginassem uma sociedade dividida em cinco fatias de 20%. E perguntaram qual a fatia de riqueza que elas supunham que estava concentrada em cada pedaço.

“As pessoas erraram completamente”, escreveu num artigo Ariely. “A realidade é que os 40% de baixo têm 0,3% da riqueza. Quase nada. Os 20% de cima têm 84%.”

Em seguida, eles aplicaram o “véu de ignorância de Rawls”. Como deveria ser a divisão da riqueza para que eles se sentissem seguros caso fossem colocados ao acaso na sociedade?

Veio então a maior surpresa dos dois acadêmicos: 94% dos entrevistados descreveram uma divisão que corresponde à escandinava, tão criticada pelos conservadores dos Estados Unidos por seu elevado nível de bem-estar social, e não à americana. Na Escandinávia, os 20% de cima têm 32% da riqueza. (Disse algumas vezes já e vou repetir: o modelo escandinavo é o mais interessante que existe no mundo, um tipo de capitalismo extremamente avançado do ponto de vista social.)

Cena comum nos Estados Unidos de hoje: “tent cities”,
concentração em barracas de gente que perdeu a casa
“Isso me levou a pensar”, escreveu Ariely. “O que fazer quando num estudo você descobre que as pessoas querem um determinado tipo de sociedade, mas ao olhar para a classe política parece que ninguém quer isso?”

Bem, uma das respostas à questão está na eclosão de protestos nos Estados Unidos. Os “99%” do movimento Ocupe Wall Street estão esperneando por uma sociedade mais justa, que se encaixe na tese do “véu de ignorância” de Rawls.

Os 99% não são representados nem pelos democratas e nem, muito menos, pelos republicanos. Barack Obama e Mitt Romney jamais aceitariam ser colocados aleatoriamente na sociedade americana tal como é. As chances de que eles terminassem num lugar bem diferente daquele que ocupam seriam enormes. Talvez eles tivessem que dormir em carros ou em barracas, depois de perder a casa na crise econômica, como acontece hoje com milhões de americanos.

Para usar o método de Rawls, eis aí a demonstração do que é uma sociedade injusta.

Paulo Nogueira
No DCM
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É essa a Petrobras que incomoda os entreguistas


Três poços de petróleo ligados ao navio-plataforma P-58 no campo do Parque das Baleias, na Bacia de Campos, diante do litoral do Espírito Santo, permitiram à Petrobras estabelecer, na terça-feira passada, um novo recorde de produção de petróleo no pré-sal: 428 mil barris diários.

Em 10 meses, desde julho do ano passado, a produção do pré-sal brasileiro aumentou duas vezes e meia, passando do recorde de julho do anos passado – 172 mil barris diários para os agora 428 mil barris de petróleo diários.

Em julho, eram 10 poços. Agora, são 24 poços produtores, 15 na Bacia de Campos e nove na Bacia de Santos, onde o rendimento é maior. A média está em quase 18 mil barris dia por poço, um padrão nos mais elevados do mundo.

Até o final do ano, entram em operação mais 15 poços, 11 na Bacia de Campos e quatro na de Santos.

Mesmo sem considerar que a predominância dos poços situados na Bacia de Santos deve elevar a média, pode-se prever uma produção, só no pré-sal, de cerca de 700 mil barris diários no final do ano.

O suficiente para levar o Brasil para perto da marca de 3,5 milhões de barris diários só de petróleo ou de mais de 4 milhões de barris de óleo equivalente, se considerado o gás natural.

Essa é a empresa “falida, quebrada, aparelhada” que tentam desvalorizar a teus olhos. É disso que, ardilosamente, querem que os brasileiros se desfaçam, desprezem, abandonem.

A Petrobras há de afogar todos eles num mar de petróleo.

Competência não lhes falta, talvez falte acreditar no quanto os brasileiros esperam dela e quanto a admiram e aopoiam.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Aprender com a história

Em 1998 e em 2006, o quadro de opiniões em março/abril captado pelas pesquisas era parecido com o atual

Em 1998, a popularidade do então presidente Fernando
Henrique Cardoso caiu de 38% para 29% em 2 meses
Wilson Dias/Agência Brasil
Boa parte do sistema político e a quase totalidade de nossas elites têm uma relação equivocada com as pesquisas eleitorais. Já vimos o fenômeno em eleições passadas e voltamos a vê-lo agora. Ora torturam os números para eles dizerem o que não conseguem, ora preferem ignorar aquilo que mostram com clareza. Só leem nos resultados o que lhes interessa. Esquecem-se dos acontecimentos do passado e só recorrem a experiências anteriores para, seletivamente, pinçar o que desejam.

Nas últimas duas semanas, tivemos abundantes exemplos dessa mal resolvida relação. As mais recentes pesquisas do Ibope e do Datafolha nada acrescentaram ao que se conhecia dos sentimentos da opinião pública a respeito da situação nacional e do panorama da próxima eleição presidencial. Foram, contudo, objeto de especulações antes da publicação e interpretadas como se trouxessem reviravoltas notáveis.

Está claro que muito dessa marola é ação deliberada de quem sabe ganhar dinheiro ao jogar com as expectativas alheias. Mas ela também nasce da velha torcida, de quem enxerga nas pesquisas aquilo que quer.

Quando se compara o Brasil com os países avançados, chega a ser patético o comportamento de nossos políticos e “formadores de opinião”. Tratar uma pesquisa (feita a distância que estamos da eleição) como algo fundamental, dar-lhe importância suficiente para definir o que fazer na política ou na economia, são sinais de subdesenvolvimento e ignorância. Nas democracias maduras, as pesquisas, de tão habituais, tornaram-se elementos quase imperceptíveis da cultura política. Aqui, ainda vão para as manchetes e causam estardalhaço.

Nosso povo é mais sábio. Ao contrário das elites, o cidadão olha as pesquisas com distância e prudência. Toda vez que se fazem levantamentos qualitativos com eleitores das classes populares, enxerga-se uma atitude de curiosidade cautelosa: sabem que existem, conhecem os resultados e os incorporam em interpretações mais amplas do que está em jogo em uma eleição. A velha e surrada suposição de que “os pobres votam em quem está na frente” é um simples preconceito.

Nada do que acontece agora é novidade. Nas duas eleições anteriores comparáveis a esta (em que o presidente em exercício era candidato), o quadro de opiniões em março/abril não era diferente. Tanto em 1998 quanto em 2006, o cenário era notavelmente parecido com o de hoje.

Em março de 1998, Fernando Henrique Cardoso fazia um governo considerado “ótimo” ou “bom” por 38% da população. Em abril, a proporção caiu para 31%. Em maio, foi a 29%. O que significa dizer que, naquela altura, 71% do eleitorado brasileiro não estava nada encantado com seu desempenho. Para alguns dos analistas de pesquisa que hoje pontificam nos veículos da “grande imprensa”, com números assim, seria carta fora do baralho. Ganhou no primeiro turno.

Na mesma época de 2006, o governo Lula era avaliado positivamente por 37% dos brasileiros. Patamar parecido com o de FHC (que depois cairia) e Dilma Rousseff nestes dias. Venceu a eleição e só não foi no primeiro turno pela intensidade dos ataques contra sua candidatura.

FHC, Lula e Dilma têm, portanto, pontos em comum: no ano em que disputaram a reeleição, mesmo na liderança nas pesquisas, enfrentaram problemas de popularidade e oscilações nos índices de intenções de voto. A razão é fácil de identificar: à medida que chega ao fim o primeiro mandato e começa a disputa pelo segundo, o eleitorado quer ver resultados e não se satisfaz com o que enxerga.

Lula e FHC superaram as dificuldades assim que foi dada a largada da campanha, em especial quando se iniciou a propaganda na televisão e no rádio. Ambos souberam usar a mídia eleitoral para fazer intensa divulgação de suas realizações. Como lembramos, os dois saíram vitoriosos.

São tão evidentes os paralelismos com o que ocorre com Dilma, que é desnecessário explicitá-los. Sua situação atual é em tudo análoga àquela que seus antecessores enfrentaram com sucesso. Está em suas mãos fazer o mesmo. O que não quer dizer que aqueles que torcem pela sua derrota não se alvorocem a cada pesquisa anunciada. Ou se alegrem com o que acham que indicam, à revelia dos fatos.

Marcos Coimbra, sociólogo e diretor do Instituto Vox Populi
No CartaCapital
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Rápido avanço da ultradireita leva judeus a deixar a Europa

A comunidade judaica francesa tem sido alvo de ataques cada vez mais frequentes
O avanço dos partidos de ultradireita, de tendência nazista, tem levado um número cada vez maior de judeus a sair da França e da Ucrânia, principalmente, diante do que a comunidade classifica como uma onda crescente de antissemitismo. Segundo o articulista russo Aleksander Medvedovsky, mesmo na Alemanha — que viveu os horrores dos campos de concentração — tem sido complacente com o neonazismo. “Angela Merkel, que está recebendo críticas no Bundestag (o parlamento alemão) pela inexplicável passividade em relação à ultradireita no país vizinho”, afirmou Medvedovsky.

Segundo dados de uma agência especializada na emigração de judeus para Israel, 3,2 mil pessoas seguiram esta rota em 2013, um aumento de 63% no número registrado em 2012. Muitos afirmam que a crise econômica e o desemprego na França, que chega ao índice de 11%, contribuem para a onda de emigração. O governo de Israel também estimula a mudança, dando ajuda aos que chegam ao país e reconhecimento a diplomas e qualificações conseguidas na França.

Na semana passada, milhares de judeus franceses participaram de uma feira em Paris com informações sobre a mudança para Israel, em meio a um aumento sem precedentes na imigração para o Estado judeu e uma onda de ataques antissemitas. De acordo com a Agência Judaica, a aliá (migração) para Israel, a partir da França, registrou um aumento dramático de três vezes, em janeiro e fevereiro de 2014, em comparação com um ano antes. No total foram 3.280 imigrantes da França que chegaram a Israel, em 2013, em comparação com os 1.917 do ano anterior.

O Bureau Nacional de Vigilância contra o Antissemitismo, um grupo de vigilância conhecido como BNVCA, com base em Drancy, registrou uma série de incidentes antissemitas na França, nas últimas semanas, incluindo um ataque violento contra um professor judeu e um ataque com faca a um rabino e seu filho, em Paris.

Fascismo

Ainda segundo Medvedovsky, “em 1965, 20 anos depois do final da Segunda Guerra Mundial, o cineasta Mikhail Romm produziu o filme chamado Fascismo Ordinário (também conhecido como Fascismo de Todos os Dias), um documentário que conta a história do nascimento do fascismo na Alemanha e suas consequências, e que foi o primeiro filme a ter o objetivo de fazer não esquecer aquilo que a humanidade nunca poderá esquecer”.

Leia, a seguir, os principais trechos do artigo:

Nos anos seguintes, aqui e ali, surgiram alguns movimentos neonazistas, até mesmo nas grandes democracias europeias. Engraçado é que os mais atingidos foram os países que mais sofreram na Segunda Guerra Mundial.

Um dos países onde o fascismo gradualmente começou a ganhar força foi a Ucrânia, devastada durante aquele conflito. Ela foi campo de grandes batalhas contra as forças alemãs, e se transformou numa imensa cova de milhares de soldados que deram suas vidas pela liberdade e pela Pátria.

Passaram-se 69 anos. O ultradireitista Dmitri Yarosh, criminoso procurado por participar da guerrilha chechena, defensor da limpeza étnica, dono de um fortemente armado e treinado exército de paramilitares — base da Guarda Nacional ucraniana, de acordo com as revelações da imprensa internacional —, candidatou-se ao cargo de presidente da Ucrânia.

O Governo da Rússia repassou à Interpol a documentação sobre o mandado de prisão desse criminoso, líder da organização ultranacionalista ucraniana Setor de Direita, que mantém o poder em Kiev. O Comitê de Investigação da Rússia emitiu uma ordem de busca e captura internacional para Yarosh, sob a acusação de incitar o terrorismo através da mídia, depois que o ucraniano requisitou pelas redes sociais o apoio do líder extremista e terrorista checheno Doku Umarov.

O líder ultranacionalista ucraniano anunciou em entrevista a uma agência de notícias de seu país que, no caso de um conflito armado da Ucrânia com a Rússia, a sua organização Setor de Direita iria atacar e danificar a infraestrutura de transporte de petróleo e gás russos para a Europa, cortando assim a fonte de renda de Moscou com estes recursos.

Dias depois, Yarosh foi igualmente acusado pelo Comitê de Investigação russo de ter participado de combates contra soldados russos na Chechênia em 1994 e 1995. A informação foi prestada pelo porta-voz do Comitê, Vladimir Markin. Segundo ele, Yarosh considera que a Rússia é um inimigo eterno da Ucrânia e está convencido da necessidade de uma guerra entre os dois países.

Yarosh exigiu do governo da Ucrânia a imediata formação de um Comando Supremo e a declaração de uma mobilização geral da população. Junto a isso, pediu que os armamentos estocados nas regiões fronteiriças fossem transferidos para o interior do país, e requisitou o fornecimento de novas armas junto aos países da União Europeia. No currículo dele e da sua tropa constam a participação mais do que ativa no golpe de estado do dia 22 de fevereiro e a derrubada do legítimo presidente da Ucrânia.

São bem conhecidos os métodos da turma dele, de convencer os deputados de Parlamento Ucraniano a votar de acordo com os seus desejos. A demissão forçada, inclusive com força física, do diretor do primeiro canal de televisão da Ucrânia, só porque permitiu aos espectadores assistir às palavras do presidente da Rússia Vladimir Putin, foi amplamente divulgada pela mídia internacional.

E como reagiram os novos amigos ocidentais — senadores, membros do Parlamento Europeu e governos da Europa, e consultores de toda espécie do novo governo “pré-democrático” da Ucrânia, apoiado pelas forças de extrema direita? Não reagiram, não perceberam nada, muito pelo contrário, abraçaram o pessoal de direita nas ruas de Kiev e declararam que não existem violência e antissemitismo na Ucrânia, e somente em situações super alarmantes pediram um pouco de calma.

Levando em consideração a prática de violência e terror demonstrada recentemente pelos seus correligionários em Kiev e outras cidades ucranianas, e o descontrole que domina o país, o caminho de Dmitri Yarosh para a presidência pode ser bem mais curto do que muita gente imagina, lembrando a Alemanha dos anos 40 do século passado.

Não seria, portanto, uma boa ideia exibir O Fascismo Ordinário para todos aqueles que por ‘ingenuidade’ ou ‘amnésia’ não lembram ou esqueceram as palavras ‘nazismo’, ‘assassinatos’, ‘violência’, ‘guerra mundial’?

Vamos deixar os conselhos de lado. Essa gente boa não precisa de conselhos. Eles conhecem a história, mas pensam que ela preparou para eles outro desfecho.

Os dirigentes da Polônia, por exemplo. Auschwitz não está tão longe da capital, e o gueto estava na própria Varsóvia, mas não se fala do fascismo no país vizinho. Em compensação, há ameaças a outro vizinho, e doze aviões de caça americanos em sua própria terra.

Angela Merkel, que está recebendo críticas no Bundestag (o parlamento alemão) pela inexplicável passividade em relação à ultradireita no país vizinho, quer ensinar o pai-nosso e boas maneiras aos russos?

A França… A ultradireita já está batendo à sua porta, mas o discurso dos dirigentes continua… Sem comentários…

A subsecretária de Estado dos EUA, Wendy Sherman, depois de visita à praça da Independència, em Kiev, e conversas com seus novos parceiros na luta “pela democracia e a liberdade”, por sua vez deverá estar muito ocupada no próximo Yom Kippur — o dia mais sagrado para os judeus — quando cada um deverá pedir perdão pelas besteiras que cometeu.

Tudo isso é ao mesmo tempo triste, nojento, mas tremendamente ridículo e medíocre como são aqueles que se consideram democratas e os únicos e perpétuos donos da verdade, na sua ganância e interesses mesquinhos, sempre distantes da vontade de seus povos.

E o fascismo de 2014? Horroroso, intragável, abominável, mas continua ordinário como todo fascismo, porque não tem como ser diferente.

Finalmente, três pequenos acréscimos para concluir:

1 — Vazou recentemente para a imprensa a conversa da ex-primeira-ministra e possível candidata à presidência da Ucrânia, Yulia Tymoshenko, na qual ela foi muita clara ao dizer “matar todos os russos”, referindo-se aos oito milhões de russos que moram na Ucrânia.

2 — Em 24 de março completam-se 15 anos do bombardeio da Iugoslávia pela Força Aérea dos Estados Unidos, cuja autorização não foi concedida pelo Conselho de Segurança da ONU.

3 — Poucos dias antes do golpe de Estado em Kiev, nos Jogos Olímpicos de Sochi, a jovem patinadora russa Yulia Lipnitskaya conquistou a medalha de ouro ao dançar a música-tema de “A Lista de Schindler”, numa homenagem a uma famosa cena desse filme de Steven Spielberg.

Que coincidências marcantes.

Como diz a expressão popular, ‘Cada macaco no seu galho”.

No Correio do Brasil
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O G-20, os BRICS e a reforma do FMI


Em seu comunicado final, ao fim da reunião da semana passada, os ministros das finanças e presidentes dos bancos centrais da maioria dos países do G-20, mandaram um recado a Washington, declarando-se “profundamente decepcionados” com os Estados Unidos pela demora na ratificação dos acordos de reforma do FMI, aprovados em 2010.

A reforma do Fundo Monetário internacional pretende dar maior peso aos países emergentes na instituição, diminuindo a importância, as cotas e o poder de decisão de nações europeias cuja economia perdeu importância relativa nos últimos anos.

A reforma, nos moldes em que está, precisa ser aprovada pelo legislativo dos países membros, e se encontra travada no Congresso dos Estados Unidos, há quatro anos, embora já tenha recebido o aval de 144 países, ou 76% do total de votos da organização.

Por causa disso, autoridades como o Presidente do G-20 financeiro, o ministro australiano do Tesouro, Joe Hockey, e o próprio ministro brasileiro da Fazenda, Guido Mantega, disseram que, se nos próximos meses, não se superar o impasse, “alternativas” seriam buscadas, juridicamente, para superar o bloqueio do Congresso dos EUA.

Não é apenas a paciência do G-20 que se está esgotando com a posição norte-americana quanto ao FMI, mas, principalmente a do BRICS, cujos países serão beneficiados com um aumento em seu poder de voto equivalente a 6% das cotas da instituição, fazendo com que chegue a 14,1%, se aproximando do peso dos próprios EUA.

Nos dias 15 e 16 de junho, logo após a Copa, os líderes do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, se reunirão, no Brasil, em Fortaleza, no Ceará, para sua cúpula presidencial de 2014.

No encontro devem ser discutidos dois temas: a criação de um Banco de Desenvolvimento para o BRICS, com um capital inicial de 50 bilhões de dólares; e de um fundo de reservas, que, na verdade, funcionaria como um embrião de um futuro FMI comandado pelos países emergentes, com capital também inicial de 100 bilhões de dólares.

Embora o fim dos BRICS esteja sendo cantado, há anos, em verso e prosa, pela imprensa ocidental — e por países que não tem nenhuma condição de entrar para o grupo, como o México — o fato é que Brasil, Rússia, Índia e África do Sul, crescem na média, mais que os EUA e a Europa; têm, juntos, um PIB de 16,2 trilhões de dólares, superior ao da Zona do Euro; e até 2018, segundo o próprio FMI, a renda per capita de seus 3 bilhões de habitantes deve crescer 37%.

Começando como uma sigla econômica, imaginada por um economista da Goldman Sachs, Jim O´Neill, o BRICS é, hoje, por mais que isso não agrade a alguns, uma aliança estratégica de alcance global, que mudará a história do mundo nos próximos anos.
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Mujica: los pueblos deben mantener su independencia en tiempos de globalización

El presidente uruguayo, José Mujica, invitó a los líderes de Latinoamérica a mantenerse alerta ante los "intereses del mundo" que a su juicio pretenden intervenir en los asuntos de la región.

El presidente uruguayo, José Mujica, instó este jueves a los pueblos de América Latina a mantener su independencia durante la globalización que actualmente vive el mundo entero y la "sutil intervención de los intereses del mundo central en nuestras cosas".

"Cada país, en el acierto o en el error, debe ser responsable de su destino", insistió el mandatario durante su acostumbrada audición radial semanal, en la cual defendió los principios como democracia y autodeterminación de los pueblos de la región.

Tras hablar de "lo bueno y lo malo" de la democracia, mencionó lo peligroso de algunas formas de resistencia civil de las minorías que utilizan métodos violentos para hacer oír sus reclamos, esto en referencia a los actos de violencia que se registran en Venezuela desde hace más de dos meses con el propósito de tumbar — con apoyo del gobierno norteamericano — al presidente legítimamente electo, Nicolás Maduro

“Los problemas de fondo que tienen los sudamericanos solo pueden resolverse si nos entendemos entre nosotros”, dijo el presidente José Mujica, el pasado 27 de febrero al término de la reunión que mantuvo con el canciller de Venezuela, Elías Jaua.

Es por ello que una comisión de cancilleres de la Unión de Naciones Suramericanas (Unasur), se trasladó recientemente a Venezuela para acompañar la Conferencia Nacional por la Paz entre el Gobierno de Maduro y la oposición con el propósito de encontrar acuerdos entre las partes y evitar más muertes.

En este sentido el presidente de Uruguay, José Mujica, aseguró el pasado 13 de abril que el próximo mes, cuando se reúna con el mandatario estadounidense, Barack Obama, marcará los "gruesos errores" que los países ricos cometen contra los de América Latina.

"Humildemente voy a marcar los errores muy gruesos que el mundo rico, empezando por Estados Unidos, comete con nosotros", dijo Mujica.

No teleSUR
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Rombo deixado pela corrupção no governo de SP pode chegar a R$ 232 milhões

Com o dinheiro seria possível construir cerca de 480 UBSs ou 200 creches no Estado de SP

Denúncias vieram à tona na gestão Alckmin
Desde o início da atual gestão do governo tucano no Estado de São Paulo, pelo menos R$ 232 milhões podem ter ido parar nos bolsos de empresários e políticos em negócios suspeitos e sob investigação.

Com a verba seria possível construir cerca de 480 UBSs (Unidades Básicas de Saúde). O dinheiro também seria suficiente para erguer 200 creches (cada uma com capacidade para atender 100 crianças) ou construir 40 escolas (para 700 alunos cada).

O suposto cartel do Metrô e da CPTM, por exemplo, pode ter repassado R$ 197 milhões em propina aos envolvidos, segundo inquérito da PF (Polícia Federal).

O caso veio à tona em maio de 2013, após a empresa alemã Siemens fez uma denúncia ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), o órgão antitruste do governo federal, sobre a formação de um cartel entre multinacionais para superfaturar obras e serviços de trens e do Metrô

O pagamento de propinas a autoridades estaduais e diretores de empresas públicas também está sendo investigado.

Entre os políticos que são alvos da investigação estão importantes secretários de governo do Estado de São Paulo, como Edson Aparecido (chefe da Casa Civil), José Aníbal (Energia), Jurandir Fernandes (Transportes Metropolitanos) e Rodrigo Garcia (Desenvolvimento Econômico).  Todos negam as acusações.

Mas esse é apenas o mais recente escândalo do governo estadual. Em 2011, no início da gestão, o governador Geraldo Alckmin se deparou com um suposto desvio de mais de R$ 30 milhões dos cofres do Detran-SP.

A da Corregedoria da Polícia Civil suspeitou de um contrato para prestação de serviços, firmado entre 2000 e 2007. Segundo as investigações, os salários dos empregados da empresa terceirizada eram, no papel, muito superior ao real. A suspeita era que a diferença ia para o bolso de delegados.

Médicos

Meses depois, surgiu a história de médicos que recebiam dinheiro público, mas não iam trabalhar. O caso pode ter gerado um ônus de R$ 5 milhões ao cofres do governo.

A investigação da polícia e do Ministério Público indicou que os médicos recebiam salários de R$ 15 mil por mês sem trabalhar. O escândalo motivou a demissão do então secretário estadual de Esporte, Lazer e Juventude, o neurocirurgião Jorge Roberto Pagura.

Diante da crise, o governador Geraldo Alckmin determinou a realização de auditorias em todos os hospitais do Estado de São Paulo.

Emendas

Ainda em 2011, um integrante da base aliada do governo Alckmin, o deputado estadual Roque Barbiere (PTB) denuncia a existência de um esquema de venda de emendas parlamentares.

Segundo a denúncia, os deputados tinham uma cota de R$ 2 milhões para emendas ao Orçamento, lei que determina as despesas e receitas do governo do Estado.

Com essa carta na manga, os deputados negociavam com empreiteiras e prefeituras a execução de obras e, em troca, cobravam propina, segundo Barbieri.

A denúncia respingou no secretário estadual de Meio Ambiente do governo de São Paulo, Bruno Covas. O político negou envolvimento. O Conselho de Ética da Assembleia investigou o caso, mas não produziu relatórios.

A última investigação em curso contra a atuação do governo estadual recai sobre os pedágios. Há uma semana, a oposição ao governo atual na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) conseguiu aprovar a instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar as política de preços praticados nos pedágios do Estado.

http://www.r7.com/r7/media/2014/20140417-EscandalosGoverno/20140417-EscandalosGoverno.jpg
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Paulo Cézar Caju diz que Pelé também tem culpa por racismo no futebol

Paulo Cezar Caju posa para foto durante entrevista na Praia do Leblon, no Rio de Janeiro
Pedro Ivo Almeida/UOL
"Isso é coisa muito séria, não vou falar por telefone. Esse assunto precisa ser debatido, conversado". Foi assim que o ex-jogador Paulo Cézar Caju respondeu ao primeiro contato da reportagem do UOL Esporte ao ser questionado sobre a polêmica do racismo no futebol nos últimos meses. E, de fato, o tricampeão do mundo pela seleção brasileira falou bastante sobre o tema que ganhou ainda mais repercussão no Brasil após os casos do árbitro Márcio Chagas, no Rio Grande do Sul, do meia Tinga, no Peru, e do volante Arouca, em Mogi Mirim.

Relaxado nas areias da praia do Leblon, no Rio de Janeiro, Caju analisou com calma o assunto e não poupou ataques àqueles que ele considera os grandes culpados pelo preconceito ainda marcar presença nos campos e estádios. E as críticas mais duras foram para um ex-companheiro bastante conhecido: Pelé.

Segundo o ex-jogador com passagens marcantes por Botafogo, Fluminense, Flamengo, Grêmio e Olympique de Marselha, Pelé não se comporta da melhor maneira em relação ao racismo, se omitindo de uma luta que poderia ser vencida com a participação do maior atleta do século.

"As grandes entidades precisam se posicionar e não fazem. E o que dizer do maior jogador do mundo? Ele é lamentável neste caso, não se posiciona. É um absurdo. O cara é o atleta do século, a figura mais popular do mundo e não usa isso para brigar por causas justas. E sempre que abre a boca para se pronunciar não fala nada correto", atacou Caju.

"A declaração do Pelé nos últimos dias (vídeo abaixo) foi patética, dizendo que mortes em obras de estádios são normais. Pelo amor de Deus, como é ridículo. E fica dizendo que devemos nos preocupar com a Copa. Ele só pode estar brincando. Copa é o car... Cheio de problemas no país, o povo protestando contra corrupção, desordem, brigando por condições melhores e ele só preocupado com Copa. Isso já diz muito sobre a postura dele", analisou.

Paulo Cézar relembrou até grandes líderes mundiais negros para criticar Pelé, aquele que, segundo Caju, "não fez nada de bom fora de campo".

"Se o Pelé tivesse um pouco de noção ou sensibilidade, faria uma revolução neste caso [racismo]. Ele tem mais repercussão que líderes políticos e religiosos. Mas não, prefere ficar falando besteira. E, na boa, nem quero mais falar dele. Não vale. Temos que falar de Muhammad Ali, Martin Luther King, Nelson Mandela... Estes, sim, foram grandes líderes que aproveitaram o espaço que tinham para brigar pelos negros. Abdicaram de suas vidas e compraram brigas sérias, coisa que o Pelé deveria fazer e nunca fez. É brincadeira".

Com vasta experiência no futebol brasileiro e internacional, inúmeros jogos pela seleção ao redor do mundo e passagens marcante pela Europa (futebol francês), Caju diz que a questão do racismo assusta nos dias atuais, visto que em sua época de atleta era uma coisa mais contida.

"Isso choca muito, principalmente porque eu não estava acostumado com isso quando joguei. Nunca ouvi um tom de discriminação, nem na seleção, nem na França. Passei por um caso isolado em 1968, mas não lembro dessas agressões que acompanhamos hoje.  Fiz uma excursão com o Botafogo para Bagé, no interior do Rio Grande do Sul, que era a cidade de um dirigente do clube. Fomos lá no Country Clube da cidade, jogamos, vencemos e depois teria um jantar. Quando chegamos lá à noite, paramos em uma outra porta do clube e tinha a placa 'proibido a entrada de negros'. Voltamos para o hotel na mesma hora, pegamos o ônibus até Porto Alegre e depois embarcamos para o Rio. Nunca mais voltei lá", recordou.

Por fim, Paulo Cézar Caju disse que as entidades precisam aplicar punições mais severas do que simples multas aos autores para que que o preconceito não se faça presente.

"Esse racismo está se tornando uma coisa banal. As punições da Fifa não existem, são uma m... Tudo isso contribui. As pessoas responsáveis seguem sem punir como deveria. Numa boa, tem que tirar do campeonato imediatamente, prender o cara. Se não der o exemplo, não acaba. A Federação Gaúcha não fez m... nenhuma no caso do árbitro. Não dá. No dia seguinte, vão fazer de novo. No caso do Cruzeiro, uma punição ridícula da Conmebol [multa de 12 mil dólares]. Em São Paulo, idem. Assim não dá. Tem que existir uma punição severa. O que mais me preocupa é isso. Daqui a pouco, se não controlarem, a briga tomar uma proporção incontrolável. E imagina se os negros resolvem começar a reagir. Não dá. Tem que haver um grito de basta nisso, não dá para aceitar essa guerra de raças"

A reportagem entrou em contato com a assessoria de Pelé para que o ex-jogador comentasse as declarações de Paulo Cezar Caju, mas não obteve uma resposta até o fechamento da reportagem.

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Senado acaba com doação de empresas em campanhas eleitorais

O Senado aprovou na quarta-feira (16) projeto que veda a doação de empresas ou pessoas jurídicas para campanhas eleitorais, que atualmente são os maiores doadores de políticos e partidos.

A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) já havia aprovado a proposta em primeiro turno há duas semanas, mas hoje confirmou a aprovação em turno suplementar. Como o projeto é terminativo, segue diretamente para votação na Câmara sem passar pelo plenário do Senado — a não ser que um grupo de senadores apresente recurso para ser analisado em plenário.

A decisão do Senado ocorre em meio ao julgamento de ação, no STF (Supremo Tribunal Federal), que veda candidatos e partidos a receberem doações de empresas. Pela proposta, pessoas jurídicas de qualquer natureza ou finalidade ficam proibidas de doar para candidatos ou partidos.

O Supremo interrompeu a análise da ação no dia 2 de abril, mas a maioria dos ministros da corte (seis no total) já votou pelo fim das doações feitas por pessoas jurídicas para campanhas eleitorais.

Com a interrupção do julgamento, as regras atuais que permitem a participação de empresas no financiamento de campanhas devem ser mantidas para as eleições de outubro, uma vez que a retomada do caso no STF ou acontecerá em pleno período eleitoral ou somente após o fim das eleições — e até lá a Câmara também não deve concluir a análise da proposta aprovada hoje no Senado.

Relator do projeto, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) modificou o texto inicial de autoria da senadora Vanessa Graziottin (PCdoB-AM) para vedar integralmente as doações de pessoas jurídicas. Na versão original, a vedação ocorreria apenas em algumas circunstâncias, mas a maioria dos integrantes da CCJ apoiou a mudança.

O PT é favorável à mudança, que tem resistências de membros da oposição. Líder do governo no Congresso, o senador José Pimentel (PT-CE) disse que o atual modelo favorece um "descontrole" da administração dos recursos doados pelos empresários.

Líder do PSDB, o senador Aloysio Nunes Ferreira (SP) argumenta que o financiamento privado das campanhas não tem a corrupção em seu "DNA", por isso não pode ser descartado apenas com mudanças na legislação.

Ação

A ação que tramita no STF foi apresentada em 2011 pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), que vem pressionando Judiciário e Congresso a mudarem as regras eleitorais. A OAB quer que sejam vedadas as doações de empresas, que podem transferir a candidatos e partidos até 2% do seu faturamento, e discutir as alterações no percentual dos valores doados por pessoas físicas, hoje limitado a 10% dos rendimentos.

Cerca de 98% das receitas das campanhas da presidente Dilma Rousseff (PT) e do tucano José Serra em 2010, por exemplo, vieram de pessoas jurídicas. Para a OAB, as doações desse tipo dão margem a abusos econômicos e ferem o direito constitucional da igualdade.

A entidade afirma ainda que a doação de empresas "prejudica a capacidade de sucesso eleitoral dos candidatos que não possuam patrimônio expressivo para suportar a própria campanha e tenham menos acesso aos financiadores privados".

Além das doações de empresas e pessoas físicas, hoje as eleições são bancadas também com dinheiro público, sendo o principal deles a verba rateada entre os partidos políticos (Fundo Partidário).

O julgamento da ação pelo Supremo irritou congressistas e provocou uma troca de farpas entre o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e ministros da corte. O Congresso considera que o assunto é da competência Legislativa. Alves chegou a afirmar que o Supremo estava "extrapolando" as suas funções.
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