17 de abr de 2014

Dilma cai, mas venceria no 1º turno; Aécio e Eduardo emperram, mostra Ibope


Instituto mostra presidente com três pontos a menos do que na pesquisa anterior, mas ainda assim venceria eleição em primeiro turno; Dilma Rousseff apresentou 37% agora, contra 14% para Aécio Neves e 6% para Eduardo Campos; avaliação do governo obteve 34% de "ótimo" e "bom"; candidatos da oposição não subiram, à exceção de Aécio, com um ponto a mais; cenário com Marina Silva apontou 10% para a ex-ministra; antes, pesquisa Vox Populi mostrou 40% para Dilma; em ambos os levantamentos, presidente ganha eleição em primeiro turno; resistência à pressão parece ser maior do que a oposição gostaria
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Cerveró deu uma aula de Pasadena

Tirou as dúvidas que Dilma criou
Ontem houve uma sessão da Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados em que o ex-diretor da área internacional da Petrobrás Nestor Cerveró foi prestar esclarecimentos sobre a compra de uma refinaria de petróleo em Pasadena no Texas em 2006.

O caso se tornou um dos principais temas discutidos pela imprensa nos últimos 30 dias, após divulgarem de maneira massiva que a Petrobrás teria gasto mais de U$1 bilhão para comprar uma refinaria que supostamente valeria apenas 42 milhões. Essa mensagem foi repetida à exaustão pela imprensa, por políticos da oposição e por muitos em postagens nas redes sociais.

Os números mencionados nessas matérias da imprensa estão repletos de informações incompletas, pois a intenção da imprensa não é de informar bem aos leitores e sim provocar um escândalo que prejudique a atual presidente e favoreça outro candidato à presidência de sua preferência.

No dia 19 de março, a presidenta Dilma Roussef, que em 2006 comandava o conselho de administração da Petrobrás, emitiu uma declaração dizendo que na época em que o conselho tomou a decisão, não constavam no resumo executivo (que teria embasado a decisão do conselho) informações sobre duas cláusulas, chamadas Marlim e Put Option. De acordo com Dilma seriam informações essenciais sobre o negócio. Ela disse que se tivesse conhecido essas cláusulas na época, não teria votado pela compra da refinaria.

Segundo Dilma, quem deveria ter inserido essas informações no resumo executivo era Nestor Cerveró, o diretor da área internacional da Petrobrás na época.

A partir daí, uma enorme “batata quente” foi jogada nas mãos de Cerveró, pois ficou no ar uma enorme suspeita de fraude ou negligência, em que ele seria o grande responsável.

Essas suspeitas cresceram bastante ao longo das últimas semanas por duas razões: a primeira foi a Petrobras resolver, bem no meio da chuva de denúncias da imprensa, demitir Nestor Cerveró do cargo de diretor financeiro da BR Distribuidora, cargo que ele ocupava até o mês passado. A segunda foi o fato de Cerveró ter ficado quase 30 dias sem dar qualquer declaração sobre o assunto.

O depoimento de Nestor Cerveró na Câmara

No início da reunião ocorrida ontem na Câmara dos Deputados, Nestor Cerveró falou por um longo período. Explicou todos os detalhes do negócio e defendeu a compra da refinaria. Disse que não enganou Dilma, que as cláusulas Marlim e Put Option não eram essenciais para tomar uma decisão sobre o negócio, que a compra teria sido planejada durante um ano e não 20 dias como a imprensa falava e que a refinaria de Pasadena não teria sido comprada pela antiga dona, a Astra, por apenas U$ 42 milhões e sim U$ 360 milhões.

Após as declarações de Cerveró, os deputados se revezaram em fazer declarações e perguntas para que fossem respondidas por ele.

Vários deputados da oposição elogiaram o trabalho dele, disseram que ele parecia ser um ótimo funcionário da Petrobras, que estava sendo acusado injustamente de algo por que ele não seria o responsável e que a cúpula do PT o estaria colocando como “bode expiatório” nessa história. Ele iria ter sua carreira totalmente destruída para salvar o governo do PT, que logo o abandonaria.

O discurso dos deputados tinha claramente a estratégia de fazê-lo dar qualquer declaração que culpasse alguém da cúpula do governo, principalmente Dilma. Qualquer declaração contra o governo seria prontamente usada nos dias seguintes para ataques da imprensa.

A todo momento diziam que as declarações da Dilma e as dele não combinavam (o que é verdade) e faziam perguntas como: “Quem é que está falando a verdade, você ou a Dilma?” “Quem está mentindo?” “Quem cometeu o erro, você ou ela? Você enganou a presidente?” “Você disse aqui que a compra da refinaria foi um bom negócio, mas o governo diz que foi um mau negócio. A Dilma e a Graça Foster estão equivocadas?”

Mas Nestor Cerveró, que estava acompanhado de seu advogado, certamente se preparou bastante antes de se submeter a essa sessão e percebeu claramente essa intenção dos deputados da oposição. Por isso se esquivou de qualquer resposta do tipo “Dilma mentiu”, “Dilma não leu tal documento” ou “Dilma está enganada”.

Sobre as divergências nas declarações

Creio que a raiz de todo esse barulho criado pela imprensa está na declaração de Dilma feita em 19 de março, quando disse que se soubesse das cláusulas Marlim e Put Option não teria comprado a refinaria de Pasadena. Hoje, após tudo que li sobre o caso, vejo que foi uma das maiores loucuras que alguém poderia ter dito.

Primeiramente porque a cláusula Marlim, que garantia que a Astra, a sócia do negócio com a Petrobrás, teria direito a 6,9% de lucros independentemente das condições de mercado, jamais foi aplicada ao negócio, pois não ocorreu o investimento bilionário que a Petrobras faria para fazerva refinaria processar óleo pesado.

Segundo, porque, pelo que já foi informado pelo ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli e por Nestor Cerveró, a cláusula Put Option é extremamente comum em quaisquer compras de empresas. É uma cláusula em que os sócios estabelecem em contrato como será feita a saída de algum deles do negócio. Como já foi dito, o mesmo Conselho de Administração da época aprovou a compra de uma refinaria em Okinawa, no Japão, que também continha a cláusula Put Option.

Quando Dilma emitiu uma nota dizendo que não teria comprado a refinaria de modo algum se soubesse dessas duas cláusulas, ela deu um grande tiro no pé. Apenas essas cláusulas não seriam justificativas para deixar de comprar a refinaria. Quando começou a demitir alguns diretores da Petrobras por causa do barulho da imprensa, o governo passou mais declarações de culpa. A oposição vibrou. O governo fez uma besteira atrás da outra.

Dilma deveria ter dito o mesmo que Cerveró e Gabrielli, que me parecem muito mais realistas. Deveria ter dito que a decisão da compra na época em 2006 se justificava, que era um negócio muito lucrativo, que a refinaria estava dentro do preço médio de refinarias daquele porte (algo que já comprovei), que era falsa a informação de que Pasadena tinha sido comprada por apenas U$ 42 milhões.

Deveria ter explicado que o negócio se tornou ruim por causa da mudança nos rumos dos investimentos da Petrobras, que passou a se dedicar ao Pré-sal, deixando de fazer o investimento planejado em Pasadena, e que a crise econômica internacional prejudicou muito o negócio.

Dilma deveria ter assumido desde o início que a refinaria deu prejuízo mesmo, mas que era apenas mais um dentre os centenas de negócios nos quais a Petrobras estava envolvida. Deveria ter dito que os 530 milhões de prejuízo que Pasadena teve não eram nada em comparação com os mais de 200 bilhões de lucro líquido da Petrobras obtidos de 2006 até hoje.

Enfim, a Dilma deveria ter partido para o ataque. Ficou somente na defensiva e foi bombardeada sem dó nem piedade pela imprensa. E acho bem feito, para aprender a ser mais esperta.

Às vezes tenho a impressão de que tem alguém ao lado da Dilma aconselhando-a a tomar as piores decisões possíveis e imagináveis, para prejudicá-la. Isso me lembra alguns episódios do seriado americano House of Cards, em que o vice-presidente americano bajula o presidente com frequência e a todo momento dá maus conselhos, com a intenção de prejudicá-lo, para garantir seus interesses. Parece ficção, mas diante de tantas trapalhadas do governo, faz sentido pensar nessa possibilidade.

Fabiano Amorim
No DCM
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Macarthismo comercial: Globo intimida anunciantes da Fórum

Acima, Merval e seus “camaradas”
Repórteres do jornal O Globo procuraram ontem quase todos os anunciantes da Fórum neste momento. Mas teve um que eles não procuraram, porque como são “repórteres” de O Globo não dava pra fazer o serviço completo e corretamente. E as perguntas eram em tom de interrogatório policial. Na linha do “por que vocês anunciam num veículo como este?” e o “o que vocês ganham anunciando num veículo como este?”

O Globo inaugurou dessa forma o macartismo comercial. Como não consegue controlar a internet a ponto de nos tirar do ar, como não consegue impedir que nossos veículos parem de crescer e se tornem cada mais importantes, como só perdem espaço no espectro comunicacional, vão tentar nos sufocar pelo bolso. Eles realmente não nos conhecem…

Tudo isso começou por conta da entrevista com o ex-presidente Lula. Vários blogueiros já trataram do assunto. Se o amigo não conhece a história pode dar uma geral lendo no Escrevinhador, no Viomundo, no BlogdaCidadania, no Tijolaço, no Cafezinho e no Marco Aurélio.

Após uma insinuação de Merval e Sardenberg na Rádio CBN de que os blogueiros (ou “alguns” como prefere a jornalista Barbara Marcolini) que foram a entrevista com Lula são corruptos, O Globo decidiu colocar duas de suas mais “importantes” jornalistas investigativas em campo para apurar mais sobre os “camaradas” que entrevistaram o ex-presidente na semana passada. A matéria foi publicada hoje. E o Edu Guimarães a colocou no seu blogue. Eu prefiro poupar meus leitores…

Na apuração, a imaginativa repórter Thais Lobo descobriu que este blogueiro, por exemplo, é doutorando em Comunicação pela UFABC, mestre pela USP, tem 28 anos de profissão e alguns livros publicados. Que já trabalhou em diversos veículos de comunicação, incluindo as organizações Globo, e que também é professor de Jornalismo na considerada por muitos rankings como a melhor faculdade do Brasil, a Cásper Líbero. Mas eis que na matéria apareço como um sujeito que trabalhou com política no “Diário de São Bernardo”. A imaginativa repórter precisava colocar a palavra São Bernardo em algum momento do texto talvez para me tornar mais “camarada” de Lula. E aí inventou um jornal que eu nunca ouvi falar para dizer que trabalhei nele. Eu trabalhei no Diário do Grande ABC, que existe e não é fruto da imaginação de globetes. Alvissaras. O Globo é mesmo Fantástico….

Mas ela precisava também mostrar que sou um castrista fanático. No meu texto sobre o evento publicado no blogue, referindo-me à quantidade de tempo que o presidente falou, 3h30, disse que ele teria se comportado como um Fidel Castro. Mas a Thais deu um jeito e cortou a frase no meio para parecer outra coisa, ou seja, algo mais revolucionário. Querida Thais, cortar frases ao meio é um recurso tão impressionantemente infantil de manipulação de discurso que nem entre a malandragem jornalística ele é mais aceito.

Mas a Thais me gravou por 22m50s. E eu também a gravei. E a avisei disso antes e também na hora que começamos a conversa. Fiz assim porque prezo minha profissão e não gravo nem malandro e nem jornalista de O Globo clandestinamente. Sempre fiz todas as minhas apurações às claras. Entre outras coisas entreguei a ela os números de audiência do site da Fórum. Ou seja, os 5 milhões de page views ao mês. E fui generoso. Dei a fonte pra ela checar a informação, o ComScore, que é utilizado pelas agências de publicidade para direcionar investimentos no digital.

Essa audiência nos coloca hoje entre os sites mais lidos do Brasil de informação e análise política. E anunciar na Fórum é ótimo, barato e muito melhor do que jogar dinheiro fora em veículos sem credibilidade e reputação. Tanto que a Fórum em pesquisa realizada pela Revista Imprensa ficou em segundo lugar entre as revistas com maior engajamento em redes no Brasil. Anunciar na Fórum é algo defensável sob todos os aspectos técnicos. Nosso CPM (Thais, você sabe o que é isso?) é honestíssimo.

Mas o mais interessante de tudo isso é que O Globo botou a Thais atrás de mim porque o Sardenberg e o Merval podem ser processados pelo Eduardo Guimarães por terem insinuado que os blogueiros que foram entrevistar o Lula são corruptos. O Edu já está processando o Gilmar Mendes, pra ele não custa nada levar o Merval e o Sardenberg às barras de um tribunal. Eu sou menos de judicializar as coisas. Tô querendo que eles parem de colocar repórteres jovens que estão buscando se tornar “confiáveis” na estrutura interna para nos perseguirem e topem um papo de frente. Eu quero debater comunicação pública e jornalismo. Mas se eles preferirem posso discutir financiamento e sonegação na área de comunicação (que tal falar de Darfs?). E topo fazê-lo em qualquer lugar e qualquer hora. Minha formação é democrática. E ao mesmo tempo é de alguém que não se esconde atrás dos ombros dos outros. Se tiver que cutucar o Merval e o Sardenberg, vou eu. Não mando recados e nem recadistas. São os bambambans da balacacheta, então bora lá. Marquem hora e local. E levem a platéia. Eu não tenho medo nem da Globo e nem dos seus assalariados. E a Fórum não vai deixar de fazer seu jornalismo sério e respeitado porque a empresa do Jardim Botânico tá botando gente que paga para ficar ligando para nossos anunciantes e fazendo interrogatório.

PS: Ao dar a entrevista para O Globo sabia que ela seria manipulada, por isso gravei. Mas ao mesmo tempo fiz questão de falar porque não tenho nada a esconder. E sempre gosto de resolver as coisas assim, às claras e na lata. Será que o Merval e o Sardenberg tem coragem de atender um repórter da Fórum? Hein, hein…

PS 2: as entrevistas que realizei com Lula foram todas públicas e transmitidas ao vivo porque as que o jornalista Merval Pereira realiza com o cônsul dos EUA só são reveladas pelo Wikileaks?

Renato Rovai
No Revista Fórum

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Vale a pena ver de novo: o jornalismo macartista e o Manual da Globo da Entrevista Picareta


As repórteres do Globo que interrogaram os blogueiros que participaram da entrevista com Lula usaram uma técnica meio macartista, meio pegadinha do Mallandro. Nunca escreveram uma matéria sobre política, mas isso não vem ao caso porque o que importa é que elas cumpram ordens. Conceição Lemes escreveu suas respostas ao longo questionário no site do Viomundo. Eu recebi três perguntas.

A tentativa patética de querer desqualificar, primeiro, Lula e, depois, as pessoas que com ele estiveram resultou num traque maldoso. Lula não ocupa cargo público e convida quem quiser para seu instituto. Vai quem quer, também.

O episódio é emblemático sob vários aspectos — principalmente na maneira como a Globo continua tratando sua audiência: como idiota. Como se ninguém soubesse do vasto manancial de farsa jornalística produzida no lugar onde trabalham. Riquíssimo, didático, eloquente. Um monumento.

Para ficar apenas num exemplo, deveriam trocar ideias com Carlos Monforte, que declarou que “Lula pegou uns amigos blogueiros para dar esses recados, onde ele não foi questionado”. Monforte é, em si mesmo, um Manual da Globo de Como Fazer Entrevistas Picaretas.

Em 1994, foi co-protagonista do chamado “escândalo da parabólica”. Pouco antes de um bate papo com o então ministro da Fazenda Rubens Ricúpero, câmeras e microfones captaram a conversa entre os dois e o sinal foi enviado, sem intenção, por essas antenas.

A intimidade não era à toa: Monforte era primo da mulher de Ricúpero. As famílias se frequentavam. Avisou o telespectador disso? Evidentemente que não.

Sentindo-se em casa, Ricúpero fala que o IBGE é “um covil do PT”, xinga empresários de “bandidos” e imortaliza sua divisa: “Eu não tenho escrúpulos. O que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde”. Se oferece para participar do Fantástico. “Eu estou disponível. Vou ficar aqui o fim de semana inteiro”.

E afirma que pode ser útil à Globo. “Há inúmeras pessoas que me escrevem e me procuram para dizer que votam nele [FHC] por minha causa. Para a Rede Globo, foi um achado. Em vez de terem que dar apoio ostensivo a ele, botam a mim no ar e ninguém pode dizer nada. Essa é uma solução, digamos, indireta, né?”

Ricúpero pediu demissão a Itamar Franco assim que a história foi divulgada. O Jornal Nacional deu a matéria, omitindo todos os fatos importantes e com o velho Cid Moreira discursando sobre isenção. Monforte ficou onde estava. Em 2011, ele entrevistaria, aí sim, Fernando Henrique Cardoso. O homem que cobrou “questionamentos” foi um doce de coco.

Cito-o literalmente: “Como foi acordar depois de oito anos de poder? Foi mais alívio ou saudade do ambiente palaciano?”; “Por que o senhor resolveu não seguir a vida política parlamentar?”; “É difícil tocar um instituto desse?”; “Depois de oito anos de governo, qual é sua melhor lembrança e a pior recordação?”

São clássicos do jornalismo partidário, sabujo, manipulador. Uma aula à disposição dos jornalistas macartistas desse Brasil varonil. E não é preciso escarafunchar nos arquivos e correr qualquer risco. Está no YouTube. Vale a pena ver de novo.



Kiko Nogueira
No DCM
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Os verdadeiros subversivos

Muitos apontam o Golpe de 64 como resultado da instabilidade institucional e desordem provocadas pelo próprio governo João Goulart.

O Brasil vivia um conflito ideologicamente polarizado. Greves em diversos setores, como a de marinheiros, sublevação de tropas, comícios com bandeiras de partidos então ilegais (PCB) e palavras de ordem radicais assustaram parte da sociedade.

A conspiração se generalizou e atravessou fronteiras.

Mas o único que respeitou as regras estabelecidas foi justamente ele, o desordeiro Jango- latifundiário acusado de ligações com comunistas, que empregou o diplomata Tiago Dantas, o banqueiro Walter Salles (ministro da Fazenda), e o empresário José Ermírio de Moraes (ministro da Agricultura).

Para uma democracia que não tinha completado a maioridade, depois de séculos de poder colonial, monárquico, regimes turbulentos, República Velha e Nova, outra ditadura, que vivia sob regras da Constituição de 1946, a rebelião de sargentos da Marinha e Aeronáutica, inconformados com a decisão do STF de não reconhecer a elegibilidade de sargentos para o Legislativo, e conflitos agrários levantaram o clamou pela intervenção armada.

Como se hoje o estado democrático não sobrevivesse à ocupação de um terreno na M’Boi Mirim, de uma fazenda improdutiva, queima de pneus em estradas, bloqueios de caminhoneiros e índios, greves de professores, taxistas, agentes penitenciários, e a uma manifestação de PMs, com trocas de tiros com seus colegas da Policia Civil, cercados por bandeiras vermelhas de partidos de esquerda e centrais sindicais, a quadras do palácio do governo. Conflitos que aprendemos não temer e negociar democraticamente.

Os EUA encararam o assassinato de um presidente, de líderes de direitos civis e a renúncia de outro, a França ficou em chamas em Maio de 68, a Alemanha confrontou o Baader Meinhof, o Reino Unido, o IRA, a Itália, as Brigadas Vermelhas, a Espanha, o ETA, mas não penhoraram sua joia mais valioso, a democracia.

Por aqui, ela não resistiu ao Comício da Central do Brasil.

Jango pode ser se acusado de frouxo por uns, inábil por outros.

Não resistir e fugir do Brasil no dia 2 de abril decepcionou aliados. Incendiar com palavras e gestos um ambiente já volátil atiçou a conspiração.

Mas, do começo ao fim, ele cumpriu a lei.



Numa época em que se votava separadamente para presidente e vice, Jango foi eleito vice-presidente em 1955 com mais votos do que o presidente eleito, Juscelino Kubitschek. Na eleição de 1960, foi reeleito vice-presidente de Jânio Quadros.

Em 25 de agosto de 1961, Jânio renunciou de surpresa. Jango estava na China. Os ministros militares Sílvio Heck (Marinha), Odílio Denys (Exército) e Gabriel Grün Moss (Aeronáutica) ameaçaram derrubar o avião do novo presidente por direito, caso voltasse. O líder da Câmara, Ranieri Mazzilli, foi empossado presidente.

Começou a “campanha da legalidade”, para fazer cumprir o que a Constituição mandava. Parte do Congresso queria Jango, que esperou em Montevidéu a solução da crise. Militares não cederam. Tentou-se a conciliação: mudar o regime político brasileiro. Em 2 de setembro de 1961, o parlamentarismo foi aprovado. Tancredo Neves se tornou primeiro-ministro.

Em 1962, eleições renovaram o Congresso. Foi convocado um plebiscito em janeiro de 1963, para definir se o país voltaria ao regime anterior. O presidencialismo ganhou de lavada, e Jânio tomou o Poder de fato e direito. Tinha dois anos para governar. A eleição de 1965 estava garantida e seria uma barbada: Juscelino ganharia com folga, voltaria à Presidência.

Jango lançou o Plano Trienal: reformas institucionais para controlar o déficit público, manter a política desenvolvimentista, instaurar a reforma fiscal para aumentar a arrecadação do Estado e limitar a remessa de lucros para o exterior, reforma bancária para ampliar acesso ao crédito de produtores, nacionalização de setores de energia elétrica, refino de petróleo e químico-farmacêutico, direito de voto para analfabetos e militares de patentes subalternas, desapropriação das áreas rurais inexploradas nas margens das rodovias e ferrovias federais, reforma educacional para combater o analfabetismo com Método Paulo Freire, abolição da cátedra vitalícia.

Uma pesquisa feita no período, encontrada recentemente nos arquivos do Ibope, mostra que 59% dos entrevistados eram a favor das medidas anunciadas no Comício da Central do Brasil.

Outra mostra que 49,8% admitiam votar em Jango, se ele pudesse se candidatar à reeleição, contra 41,8%.

Em 20 de março de 1964, o general Castelo Branco informou a oficiais do Exército que aderia ao golpe eminente. Foi a senha de que os conspiradores precisavam.


O embaixador americano Lincoln Gordon recomendou remessa clandestina de armas e petróleo, e sugeriu que o governo americano preparasse uma intervenção.

O presidente Lyndon Johnson autorizou o envio de uma frota ao Brasil. A missão: invadir Pernambuco, para ajudar o golpe, se houvesse resistência.

Seria a primeira vez na História que uma potência estrangeira nos invadiria.

Na madrugada de 31 de março, o general Olímpio Mourão Filho iniciou a movimentação de tropas em MG, incentivado pelo governador Magalhães Pinto. Em 1 de abril de 1964, Jango foi a Brasília e, depois, para o Rio Grande do Sul. No dia 2 de abril, numa manobra da mesa do Congresso, declarou-se a vacância do cargo, já que o presidente, em Porto Alegre, não estaria em território nacional. Mais uma vez, o presidente da Câmara, Mazzilli, assumiu a Presidência.


Brasília foi cercada pelo Exército. A junta que tomou o Poder, general Costa e Silva, tenente-brigadeiro Correia de Melo e vice-almirante Rademaker Grünewald, instaurou o Ato Institucional, cassando o gabinete e políticos aliados do governo Jango.


O resto você já sabe.
Pergunta: Quem realmente subverteu a ordem institucional?


Marcelo Rubens Paiva
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A coqueluche reacionária no SBT


Depois de muitos anos relegado ao ostracismo, o jornalismo do SBT vem sendo revigorado com chorumes polêmicas produzidas por seus jornalistas. Depois das experiências revolucionárias com Aqui e Agora e o Jornal das Pernas — em que jornalistas oriundas da Casa dos Artistas exibiam e cruzavam as pernas de forma sincronizada — , a emissora de Sílvio Santos amadureceu e segue em busca de uma credibilidade nunca antes alcançada.

Com um time destro de matar de orgulho a família #SouReaçaMasTôNaModa, o SBT espalhou pelo Brasil os quadros mais aguerridos do jornalismo opinativo brasileiro. São três os maiores expoentes dessa modalidade: Luis Carlos Prates em Santa Catarina, Paulo Eduardo Martins no Paraná e a diva Rachel Sheherazade, trazida da Paraíba para brilhar em rede nacional.

Shera, a camisa 10 do time, foi escolhida a dedo por Sílvio Santos para apresentar o principal jornal do canal. Suas opiniões fortes e conservadoras foram justamente o que encantaram o empresário. Cheia de confiança com o apoio do patrão, a colega de trabalho se sentiu à vontade para partir para o ataque contra tudo-o-que-está- aí, tornando-se uma das principais porta-vozes do senso comum. No auge do seu reacionarismo, Shera disse considerar compreensível o linchamento como instrumento de combate ao crime, o que causou revolta em uns e conquistou admiração de outros. A jornalista também já polemizou ao defender as loucuras do pastor Marco Feliciano e minimizar os pequenos delitos de Justin Bieber.

O catarinense Luis Carlos Prates também ganhou destaque com seu conservadorismo sessentista. Com uma eloquência e um linguajar rebuscado de fazer inveja ao Professor Gravatinha, Luis é capaz de transformar um telejornal num mural do Facebook das Senhoras de Santana:
"O Brasil nunca cresceu tanto quanto sob a chamada Ditadura Militar. Estradas rasgaram o Brasil, universidades foram multiplicadas. Ciência e tecnologia começaram para valer no país sob a tutela dos militares. (...) Que tipo de progresso veio com a chamada democracia? (...) A imoralidade tomou conta de todos nós. Que Brasil é esse que melhorou? "
Tio Prates brada com tanta firmeza, que quase esqueço os US$102 bilhões de dívida externa deixados pela ditadura, uma quantia equivalente a 53,8% do PIB do país. Isso pra não falar na estagnação econômica e da inflação disparada nos últimos anos do regime, verdadeiras heranças malditas para a democracia. Quase também esqueço do carinho recebido pelos jornalistas críticos aos militares: paus-de-arara, choques elétricos, unhas arrancadas e assassinatos. Prates, usufruindo de uma concessão pública, desmoraliza vigorosamente o mesmo estado de direito que lhe permite criticá-lo. Um show de coerência.

Paulo Eduardo Martins, outra jovem revelação da emissora de Sílvio, também costuma banalizar o termo "ditadura" e lutar quixotescamente contra o fantasma comunista. Adepto do jornalismo-verdade-verdadeira, Paulinho não pensa duas vezes antes de desprezar o povo brasileiro e xingar o telespectador que não concorda como ele:
"O brasileiro não faz nada. O brasileiro merece a ditadura do PT. (...) Só idiota acredita que ditadura se faz com tanque na rua. Não é assim não, ô animal! (...) e o louco sou eu quando falo isso. Então dane-se todo mundo também. Tem que viver com a ditadura do PT mesmo"
E pra se juntar ao trio-de-ferro do jornalismo do SBT, temos o também paranaense Lourival Santos, que ficou famoso essa semana ao ser preso após xingar um jogador de "macaco". Até me lembrou outro integrante da casa, Danilo Gentili, que gentilmente ofereceu bananas para um negro que ousou criticar as piadas racistas do seu programa.

Todas essas estripulias dos colegas de trabalho acabaram tendo um preço. Shera não dará mais opinião no Jornal do SBT, o Jornal da Massa não contará mais com as polêmicas de Paulinho e Lourival foi afastado da emissora pelo ato racista. Enquanto os fãs culpam o regime comunista pela censura, Shera e Paulinho garantem não ter sido esse o motivo. Pressionado pelo Ministério Público, anunciantes e telespectadores, Sílvio se viu obrigado a mudar o formato dos seus jornais e dar menos ênfase à opinião. Mas o SBT é uma emissora gigante e, com certeza, abrigará os reacionários em outros programas da casa, tais como: A Praça É Nossa, The Noite e Programa do Ratinho.

No Jornalismo Wando

O Pensamento Pratético

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A desinformação como estratégia

O cidadão brasileiro que assiste aos telejornais, lê regularmente um diário e ouve os noticiosos do rádio se considera, provavelmente, um indivíduo bem informado. Essa percepção é apanhada em pesquisas — que alguns estatísticos chamariam mais apropriadamente de consultas — feitas rapidamente em cima dos fatos.

É o caso típico do apanhado sobre violência contra mulheres, que tanta polêmica provocou por causa de um erro primário cometido pelo Ipea – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Depois de toda a celeuma, um diretor do instituto vem a público observar que faltam dados no Brasil para a criação de políticas públicas contra a violência sexual, entre outras razões porque não há cruzamento de dados entre as polícias, os institutos de medicina legal e o Ministério da Saúde.

Ora, dirá então o leitor ou a leitora atentos e críticos: se nem as instituições oficiais conhecem a natureza e o tamanho do problema, qual é a base de informação do cidadão anônimo que é interpelado por um pesquisador para dar sua opinião?

Isso posto, poderíamos conversar durante horas sobre o fato evidente de que a maior parte daquilo que é apresentado como “opinião pública” pela imprensa não passa de um retrato instantâneo de certo estado emocional provocado pelo impacto do noticiário. E o noticiário, como sabemos, é definido pelo potencial de espetáculo que cada elemento de informação é capaz de produzir. Assim, um escândalo de R$ 10 milhões no âmbito federal é mais valioso do que um malfeito de R$ 100 milhões na instância do município ou do estado, dependendo, é claro, de quem seja o governante da ocasião.

Uma consulta à opinião média das grandes cidades brasileiras talvez resultasse na percepção de que o Brasil está imerso num turbilhão inflacionário, que o desemprego assombra as famílias e que a Petrobras está à beira da falência. Essa interpretação falsa é induzida diariamente pelas manchetes dos diários e pelas performances dramáticas dos atores que trabalham como âncoras de telejornais.

Onde estaria a verdade?

Um mau negócio

A verdade, ou o ponto da espiral de conceitos que mais se aproxima dela, certamente não se encontra nos textos da mídia hegemônica. Também não é provável que esteja presente, em sua inteireza, naquela outra mídia, chamada alternativa, politicamente engajada, que atua basicamente pela lógica do confronto. É muito possível, portanto, que a sociedade brasileira esteja contaminada pelo perigoso vírus da desinformação, que se torna muito mais nocivo quanto maior for o valor simbólico da opinião.

O escândalo em torno da Petrobras, por exemplo, tem base concreta num fato demonstrado pela Polícia Federal — o envolvimento de pelo menos um ex-diretor com o esquema criminoso cuja chefia é atribuída ao doleiro Alberto Youssef — mas é amplificado por uma ruidosa operação de desinformação. A sucessão de notícias, com depoimentos de protagonistas do caso a um plenário de parlamentares ávidos por publicidade, apenas aumenta a confusão e a desinformação.

Em nota oficial publicada na quinta-feira (17/4) no Globo, mas não disponível online na manhã desse dia, a Petrobras oferece uma série de esclarecimentos que os jornais omitem. O site da empresa já havia divulgado, em junho de 2012, uma resposta a reportagem sobre o mesmo assunto publicada no Estado de S. Paulo (ver aqui), sob o título “Petrobras poderá ter perda milionária nos Estados Unidos”, na qual estão disponíveis os dados apresentados nesta semana à Câmara dos Deputados (ver aqui).

No site da Petrobras (ver aqui) é possível acompanhar toda a história da compra da refinaria, por meio do antigo blog fatosedados e nos comunicados a investidores. Ali o leitor encontra as respostas que a imprensa omite e conclui que foi um mau negócio, que parecia bom na ocasião e se revelou um equívoco com a descoberta do pré-sal — como muitos negócios que grandes e pequenas empresas costumam ter em seus portfólios. Mas percebe também o quanto de desinformação é despejada sobre sua cabeça diariamente pelos jornais.

Essa desinformação não decorre de um erro coletivo da imprensa: é parte de uma estratégia.

Luciano Martins Costa
No OI
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Leituras

Os necrológios do recém-falecido historiador francês Jacques Le Goff destacaram que ele mudou a nossa maneira de ver a Idade Média. Medievalista emérito, Le Goff descobriu no período muito mais significados do que se imaginava e destruiu alguns clichês sacramentados sobre a época. A Idade Média não teria sido apenas uma ponte entre o miasma sulfúrico da Idade das Trevas e a Renascença, mas uma era de transformações importantes, assim na Terra como no Céu. É do Le Goff a tese de que o Purgatório foi inventado para que quem praticasse a usura, que era pecado, não fosse direto para o Inferno, mas tivesse a oportunidade de se regenerar no caminho e escapar da punição, o que representou um grande impulso para o nascente sistema bancário. Assim o capitalismo, que mudaria o mundo, começou mudando a cosmogonia cristã.

O que a gente estranha nessas reavaliações do passado é que a História se preste a tantas releituras. Imagina-se que o acontecido está acontecido e que seja impossível reinterpretar o que já se congelou como fato histórico. Na verdade, tudo é interpretação. O que acontece com o fato histórico é o mesmo que acontece com a lei, que não é uma para todos, mas para cada um de acordo com a sua leitura. Toda vez que, por exemplo, no Supremo há uma votação fragmentada, uma maioria derrotando uma minoria, isto significa que uma leitura da lei subjugou outra leitura. Quando a questão é de constitucionalidade, a estranheza é maior: como pode uma interpretação da Constituição ser diferente de outra se a Constituição é a mesma? Há dias, o ministro Joaquim Barbosa deu o único voto favorável ao julgamento do Azeredo e do mensalão tucano no Supremo — todos os outros ministros votaram contra. Azeredo será julgado pela justiça do seu Estado, se o crime pelo qual é acusado não prescrever antes. O voto do Barbosa foi exageradamente subjetivo, para evitar que acusassem o Supremo — como a Igreja mudando a configuração do Além — de adotar dois jogos de pesos e medidas, um para o PT e outro para os outros, ou sua leitura da lei foi a única correta?

O passado, já disse alguém, é uma terra estranha, cheia de surpresas para quem a visita. Reinterpretá-la é sempre uma aventura intelectual, como foi para Le Goff. A variedade de leituras das leis também pode ser positiva, quando não é assustadora. Todo o sistema de instâncias do judiciário existe para que o subjetivismo não domine e deforme os julgamentos. Mas que a gente estranha, estranha.

Papo vovô

Lucinda, nossa neta de 6 anos, pediu para eu me inspirar — a palavra é dela — e inventar uma história para a qual ela já tem o título: A Batata Assassina. Estou aceitando sugestões.

Luís Fernando Veríssimo
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Político do PSDB é o líder da greve da PM na Bahia

A Bahia vive desde ontem (15) uma nova onda de violência patrocinada por policiais. A categoria protesta contra o que foi proposto no Plano de Modernização da Polícia Militar, apresentado pelo governador Jaques Wagner na semana passada.

À frente do movimento, mais uma vez o presidente da Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra), Marco Prisco, vereador pelo PSDB eleito por 14,8 mil votos.

Prisco chegou a ir para a cadeia em 2012 depois que uma reportagem do Fantástico revelou que ele negociava atos de vandalismo durante aquela paralisação. É um personagem conhecido. Provavelmente se fosse filiado a um partido de esquerda ou de centro-esquerda seria um personagem midiático associado à palavra “vandalismo” ou adjetivos do gênero.

Foi justamente em uma greve, de 2002, que o soldado Prisco despontou para a carreira política. Em 2005, fundou a Associação Nacional dos Praças Policiais e Bombeiros (Anaspra) e começou a participar de greves em outros estados, como no Rio Grande do Norte, em 2007, e Santa Catarina, em 2008. O piso salarial dos PMs na Bahia é de R$ 2.637,20, o décimo melhor do país em comparação aos outros estados.

Prisco corre o Brasil liderando greves de policiais. Mas, em São Paulo e em Minas Gerais, nada de encontros com policiais. Só bate-papos com dirigentes partidários. Curioso, não?

No Revista Fórum
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Receita dos serviços cresce 10,3% em fevereiro


Período
Receita Nominal
Fevereiro 2014 / Fevereiro 2013
10,3%
Acumulado em 2014
9,8%
Acumulado em 12 meses
8,7%
Em fevereiro, o setor de serviços registrou crescimento nominal de 10,3% na comparação com igual mês do ano anterior, a maior variação desde abril de 2013 (11,6%) e superior às taxas de janeiro (9,2% revisado) e dezembro (8,3%). Os serviços prestados às famílias cresceram 13,2%, os serviços de informação e comunicação, 7,5%, os serviços profissionais, administrativos e complementares, 9,3%, transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio, 14,7%, e outros serviços, 6,5%. No ano, a receita dos serviços acumula alta de 9,8%. Em 12 meses, o crescimento foi de 8,7%.

A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), primeiro indicador conjuntural mensal que investiga o setor de serviços no país, abrange as atividades do segmento empresarial não financeiro, exceto os setores da saúde, educação, administração pública e aluguel imputado (valor que os proprietários teriam direito de receber se alugassem os imóveis onde moram). A publicação completa da pesquisa pode ser acessada em www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/servicos/pms.

Tabela 1
Indicadortes de Receita Nominal do Setor de Serviços, Segundo Grupos de Atividades
Brasil - Fevereiro 2014

Atividades Mês/Igual Mês do Ano Anterior Acumulado
Taxa de Variação (%) Taxa de Variação (%)
Dez Jan Fev No Ano 12 Meses
Brasil
8,3
9,2
10,3
9,8
8,7
1 - Serviços prestados às famílias
9,6
13
13,2
13,1
11,1
   1.1 - Serviços de alojamento e alimentação
10,4
13,2
13
13,1
11,6
   1.2 - Outros serviços prestados às famílias
4,4
11,2
15,1
13
8,4
2 - Serviços de informação e comunicação
6,6
8,7
7,5
8,1
7,2
   2.1 - Serviços TIC
5,9
8,7
6
7,3
7,1
   2.2- Serviços audiovisuais, de edição e agências de notícias
10,7
9
18,1
13,4
8,1
3 - Serviços profissionais, administrativos e complementares
6,8
8,9
9,3
9,1
8,1
   3.1 - Serviços técnico-profissionais
0,4
13,6
9,4
11,5
5
   3.2 - Serviços administrativos e complementares
9,8
7,2
9,3
8,2
9,3
4 - Transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio
11,4
9,7
14,7
12,1
10,8
   4.1 - Transporte terrestre
8,5
3,8
11,8
7,7
9,9
   4.2 - Transporte aquaviário
17,3
19,7
22,7
21,2
19,4
   4.3 - Transporte aéreo
11,1
12,2
20,6
16
16,8
   4.4 - Armazenagem, serviços auxiliares dos transportes e correio
16,1
18,9
17,1
18
9,4
5 - Outros serviços
6,6
6,8
6,5
6,6
6,3
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Serviços e Comércio

O crescimento de 14,7% nos transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio (peso de 30,7% na estrutura do setor) contribuiu de forma mais acentuada para o crescimento do setor de serviços em fevereiro, principalmente o transporte terrestre (17,6%). No que se refere à composição relativa da taxa, em comparação com janeiro, a contribuição dos transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio passou de 32,6% para 42,7% em fevereiro e o transporte terrestre teve evolução na composição da taxa de 7,6% para 19,4%. O segmento de serviços de informação e comunicação registrou redução de 32,6% para 25,2% na composição relativa da taxa e os serviços profissionais, administrativos e complementares mantiveram praticamente a mesma contribuição de janeiro (19,4% contra 19,6% em fevereiro).

Tabela 2
Pesos das Atividades na estrutura do Setor de Serviços e Composição Relativa das Taxas
Brasil

Atividades Pesos (%)
(1)
Composição Relativa das Taxas (%)
Janeiro Fevereiro
Brasil
100,0
100,0
100,0
1 - Serviços prestados às famílias
6,4
9,8
8,8
   1.1 - Serviços de alojamento e alimentação
5,5
8,7
7,8
   1.2 - Outros serviços prestados às famílias
0,9
1,1
1,0
2 - Serviços de informação e comunicação
35,7
32,6
25,2
   2.1 - Serviços TIC
30,7
28,3
17,5
   2.2- Serviços audiovisuais, de edição e agências de notícias
5,0
4,3
7,7
3 - Serviços profissionais, administrativos e complementares
20,5
19,6
19,4
   3.1 - Serviços técnico-profissionais
5,8
7,6
4,8
   3.2 - Serviços administrativos e complementares
14,7
12,0
14,6
4 - Transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio
30,7
32,6
42,7
   4.1 - Transporte terrestre
17,5
7,6
19,4
   4.2 - Transporte aquaviário
1,3
2,2
2,9
   4.3 - Transporte aéreo
2,9
4,3
5,8
   4.4 - Armazenagem, serviços auxiliares dos transportes e correio
9,0
18,5
14,6
5 - Outros serviços
6,6
5,4
3,9
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Serviços e Comércio
(1) Base 2011=100

Os serviços prestados às famílias registraram variação de 13,2% em fevereiro sobre igual mês do ano anterior, superior às taxas observadas em janeiro (13,0%) e dezembro (9,6%), representando a maior taxa dos últimos 12 meses nesse tipo de comparação. Destacam-se os serviços de alojamento e alimentação, com crescimento de 13,0%, e outros serviços prestados às famílias, com variação de 15,1%. A série da variação acumulada mantém um movimento de crescimento contínuo ao longo dos últimos 12 meses, acompanhando o crescimento da massa de rendimento médio real habitual da população ocupada, que passou de R$ 44.953 milhões em março de 2013 para R$ 47.084 milhões em fevereiro de 2014, um crescimento de 4,7%.

Os serviços de informação e comunicação cresceram 7,5%, taxa inferior à de janeiro (8,7%) e superior à de dezembro (6,8%). Os serviços de tecnologia da informação e comunicação (TIC), que abrangem atividades de telecomunicações e tecnologia da informação, variaram 6,0%, e os serviços audiovisuais, de edição e agências de notícias cresceram 18,1%. O segmento de serviços de informação e comunicação representou 25,2% em termos de contribuição relativa no mês, contribuindo com 2,6 pontos percentuais (p.p.) para a composição absoluta do índice.

O crescimento dos serviços profissionais, administrativos e complementares ficou em 9,3% na comparação com fevereiro de 2013, contra 8,9% em janeiro e 6,8% em dezembro. Os serviços técnico-profissionais, que abrangem os serviços intensivos em conhecimento, cresceram 9,4% e os serviços administrativos e complementares, que abrangem os serviços intensivos em mão-de-obra, 9,3%. Com uma contribuição relativa de 19,4%, esse segmento contribuiu, em termos absolutos, com 2,0 p.p. para o índice geral.

O segmento de transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio registrou um crescimento nominal de 14,7% em fevereiro na comparação com o mesmo mês do ano anterior, superior ás taxas de janeiro (9,7%) e de dezembro (11,4%). As maiores taxas de crescimento foram registradas no transporte aquaviário (22,7%) e no transporte aéreo (20,6%), sendo que o transporte terrestre cresceu 11,8%. Os serviços de armazenagem, serviços auxiliares dos transportes e correio variaram 17,1%. Esse segmento contribui, em termos relativos, com 42,7% e com 4,4 p.p, em termos absolutos para a composição do índice geral.

O segmento outros serviços apresentou crescimento nominal de 6,5%.

Em fevereiro, todos os estados apresentaram variação positiva

Regionalmente, todos os estados apresentaram variação nominal positiva em fevereiro, cabendo ao Distrito Federal a maior taxa (26,8%), seguido de Mato Grosso (24,0%) e Goiás (22,8%). As menores taxas ocorreram em Alagoas (2,6%), Sergipe (3,4%) e Tocantins (4,3%). Analisando-se a composição absoluta e relativa do índice de serviços, destacam-se São Paulo com 33,0% de contribuição relativa e 3,4 p.p. de contribuição absoluta, seguido do Rio de Janeiro (19,4% e 2,0 p.p.), Minas Gerais (6,8% e 0,7 p.p.) e Distrito Federal (5,7% e 0,6 p.p.).

No segmento serviços prestados às famílias, as maiores taxas ocorreram no Ceará (23,5%), Rio Grande do Sul (19,8%) e São Paulo (17,8%). As menores foram registradas em Goiás (3,9%), Bahia (4,9%) e Santa Catarina (5,9%).

Nos serviços de informação e comunicação, Goiás teve a maior taxa de crescimento (40,1%), seguido do Distrito Federal (27,1%) e Santa Catarina (20,8%). As menores taxas positivas foram observadas no Espírito Santo (0,7%), Minas Gerais (1,3%) e São Paulo (2,6%). Neste segmento, Bahia registrou variação negativa de -1,9%.

Nos serviços profissionais, administrativos e complementares, o Distrito Federal teve a maior taxa de crescimento (24,2%), seguido de Bahia (13,3%) e Santa Catarina (12,8%). As menores variações positivas foram em Pernambuco (0,4%), Ceará (4,7%) e Espírito Santo (5,6%). Rio Grande do Sul apresentou variação negativa de -6,2%.

Nos transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio Distrito Federal (36,8%), Rio de Janeiro (20,5%) e Goiás (16,4%) tiveram as maiores variações. As menores variações foram registradas no Rio Grande do Sul (5,7%), Santa Catarina (7,5%) e Espírito Santo (8,7%).

No segmento outros serviços, os maiores crescimentos foram observados no Ceará (32,4%), Bahia (29,1%) e Distrito Federal (25,5%). As menores taxas foram observadas em São Paulo (2,0%), Santa Catarina (2,6%) e Pernambuco (2,9%).

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Nota fúnebre

O que a inefável porta-voz do PSDB e colonista da Folha, Eliane Cantanhêde, mostrou hoje na Folha, se confirma na forma como a própria Folha aborda o Mensalão do DEM. Quando envolve parceiros históricos da direita e, por óbvio, dos grupos mafiomidiáticos, a abordagem obedece às regras do tempo do telex. Algumas poucas palavras estamos conversados. Não há a mesma adjetivação de quando envolve adversário da d. Judith Brito. Se você ainda não havia notado esta forma diferenciada de tratar situações semelhantes, me desculpe, mas não passa de um asno. Com minhas escusas aos muares.

Nem uma família enlutada resume a notícia do falecimento do ente querido de forma tão simplória. Jornalismo isento é isso aí!


Justiça aceita denúncia contra 19 acusados pelo mensalão do DEM

DE BRASÍLIA – A Justiça do Distrito Federal tornou réus 19 acusados de envolvimento no mensalão do DEM, incluindo o ex-governador do DF José Roberto Arruda, que chegou a ser preso em 2010 e é pré-candidato ao governo neste ano.

Antes desse processo, Arruda já havia sido condenado por improbidade administrativa por sua participação no esquema –que distribuía propina entre membros do seu governo e deputados distritais e foi investigado na Operação Caixa de Pandora.

O caso ficou notório após Arruda ser flagrado, em vídeo, recebendo dinheiro do delator do esquema, Durval Barbosa.

Os advogados de defesa negam as irregularidades.

Ao aceitar a denúncia, o juiz Atalá Correia, da 7ª Vara Criminal, considerou que há indícios mínimos no caso e abriu prazo para a defesa.
No Ficha Corrida
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Dilma rebate comercial mentiroso com vídeo

A CEMIG lançou uma ampla campanha publicitária (rádio e televisão) no estado de Minas Gerais, em que culpa o governo federal pelo aumento de 14,24% no preço da energia elétrica no estado. O comercial da CEMIG é mentiroso, pois foi a própria empresa que pediu ao governo federal um aumento de 29,74% na tarifa. O governo federal não atendeu ao pedido, autorizando um reajuste muito menor, de 14,24%, que é o limite permitido. Diga-se de passagem, a CEMIG não é obrigada a subir as tarifas, podendo manter os preços atuais se quiser.

O comercial mentiroso da CEMIG


A resposta do governo federal


OBS.: A Folha e a Globo não divulgaram a pesquisa feita pelo Vox Populli. Ela foi publicada ontem e mostra um quadro eleitoral estável desde fevereiro. Dilma se mantem na frente, com 40% das intenções de voto.

No DesmascarandoGloboFolha
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Desemprego foi de 5,0%, em março

A taxa de desocupação, em março de 2014, foi estimada em 5,0% para o conjunto das seis regiões metropolitanas investigadas. Frente a fevereiro (5,1%), a taxa não apresentou variação significativa, mas em relação a março de 2013 (5,7%), ela recuou 0,7 ponto percentual. O contingente de desocupados (1,2 milhão de pessoas) ficou estável frente a fevereiro e recuou 11,6% em relação a março de 2013. O número de pessoas ocupadas (22,9 milhões) nas seis localidades investigadas manteve-se estável em ambas as comparações. O número de trabalhadores com carteira de trabalho assinada no setor privado (11,7 milhões) não variou em relação a fevereiro e cresceu 2,0% comparado a março de 2013. O rendimento médio real habitual dos trabalhadores (R$ 2.026,60) não variou significativamente em relação a fevereiro e subiu 3,0% em relação a março de 2013 (R$ 1.967,54).

A massa de rendimento médio real habitual dos ocupados foi estimada em 47,2 bilhões em março de 2014. Houve um recuo de -0,7% em relação a fevereiro e uma alta de 4,0% em relação a março do ano passado. A massa de rendimento médio real efetivo dos ocupados foi estimada em 47,6 bilhões em fevereiro de 2014, recuando -0,9% em relação a janeiro e subindo 5,4% em relação a fevereiro de 2013.

Taxa de desocupação (%)

Regionalmente, a análise mensal mostrou que a taxa de desocupação ficou estável em todas as regiões pesquisadas. Em relação a março de 2013, a taxa aumentou 2,3 pontos percentuais em Salvador. Apresentou retração em Recife (1,3 p.p.); Rio de Janeiro (1,2 p.p.); Belo Horizonte (1,0 p.p.) e Porto Alegre (0,8 p.p.). Em São Paulo o quadro foi de estabilidade. Já o contingente de desocupados, em comparação com fevereiro último, manteve-se estável em todas as regiões. No confronto com março de 2013, subiu 37,6% na Região Metropolitana de Salvador e registrou declínio no Rio de Janeiro (28,2%); Belo Horizonte (23,6%); Porto Alegre (22,8%) e em Recife (22,4%).

Taxa de desocupação (%)

Mês/ano Total Rec Sal BH RJ SP PoA
mar/03
12,1
12,7
16,2
10,3
9,1
13,9
10,0
mar/04
12,8
12,6
17,1
12,1
9,8
14,6
9,6
mar/05
10,9
14,1
15,7
10,7
8,4
11,5
7,9
mar/06
10,4
16,5
13,7
9,3
8,5
10,6
8,3
mar/07
10,2
12,0
14,1
8,6
7,4
11,5
8,2
mar/08
8,6
9,7
12,8
7,2
6,7
9,4
6,9
mar/09
9,0
10,4
11,9
6,6
6,9
10,5
6,4
mar/10
7,6
8,1
11,3
6,3
6,4
8,2
5,9
mar/11
6,5
7,6
10,5
5,3
4,9
6,9
5,0
mar/12
6,2
6,2
8,1
5,1
5,9
6,5
5,2
mar/13
5,7
6,8
6,9
4,6
4,7
6,3
4,0
fev/14
5,1
6,4
9,0
3,9
3,9
5,5
3,3
mar/14
5,0
5,5
9,2
3,6
3,5
5,7
3,2

A população economicamente ativa (ocupados mais desocupados) foi estimada em março de 2014, para o conjunto das seis regiões pesquisadas, em 24,1 milhões de pessoas. Este indicador não apresentou variação estatisticamente significativa tanto na comparação mensal (fevereiro de 2014) quanto na anual (março de 2013).

O contingente de pessoas ocupadas em março de 2014 (22,9 milhões para o conjunto das seis regiões) não assinalou variação significativa em nenhuma das comparações. Regionalmente, essa população também se mostrou estável em ambos os períodos analisados.

Rendimento médio real habitualmente recebido

Grupamentosde atividade mar/13 fev/14 mar/14 %m %a
População ocupada
1.967,54
2.033,26
2.026,60
-0,3
3,0
Indústria extrativa, de transformação e distribuição
de eletricidade, gás e água
2.067,75
2.101,75
2.058,40
-2,1
-0,5
Construção
1.698,72
1.792,57
1.811,00
1,0
6,6
Comércio, reparação de veículosautomotores e de objetos
pessoais e domésticos e comércio a varejo decombustíveis
1.553,44
1.684,33
1.647,10
-2,2
6,0
Serviços prestados à empresa, aluguéis,
atividades imobiliárias e intermediação financeira
2.516,53
2.479,03
2.544,70
2,6
1,1
Educação, saúde, serviços sociais,
administração pública, defesa e seguridade social
2.645,37
2.746,66
2.727,70
-0,7
3,1
Serviços domésticos
823,33
864,51
863,40
-0,1
4,9
Outros serviços (alojamento, transporte,
limpeza urbana e serviços pessoais)
1.712,19
1.763,01
1.734,90
-1,6
1,3

Na análise do contingente de ocupados por grupamentos de atividade, para o conjunto das seis regiões, não foi observada variação significativa em nenhum dos grupamentos de atividade. Em relação a março de 2013, o comportamento se repetiu.

O nível da ocupação (proporção de pessoas ocupadas em relação às pessoas em idade ativa) foi estimado em março de 2014 em 53,0% para o total das seis regiões investigadas, revelou estabilidade em relação ao mês anterior. No confronto com março de 2013 (53,8%), esse indicador reduziu 0,8 ponto percentual. Regionalmente, na comparação mensal, o cenário foi de estabilidade em todas as regiões. No confronto com março do ano passado, duas regiões apresentaram redução: Recife (1,7 ponto percentual) e Belo Horizonte (1,2 ponto percentual). As demais regiões mantiveram-se estáveis.

O número de trabalhadores com carteira de trabalho assinada no setor privado, em março de 2014, foi estimado em 11,7 milhões no conjunto das seis regiões pesquisadas. Este resultado não variou em relação a fevereiro e subiu 2,0% comparado a março de 2013.

Rendimento médio real habitualmente recebido

Categorias de posição na ocupação mar/13 fev/14 mar/14 %m %a
Empregados com carteira no setor privado
1.804,87
1.841,39
1.846,60
0,3
2,3
Empregados sem carteira no setor privado
1.529,37
1.506,89
1.398,40
-7,2
-8,6
Militares e funcionários públicos
3.355,44
3.333,05
3.431,10
2,9
2,3
Pessoas que trabalharam por conta própria
1.672,42
1.795,80
1.769,90
-1,4
5,8

Em março, o rendimento médio real habitual dos trabalhadores, no conjunto das seis regiões pesquisadas, foi estimado em R$ 2.026,60. Houve estabilidade em relação ao mês anterior e alta de 3,0% em relação a março de 2013 (R$ 1.967,54). Regionalmente, no mês, o rendimento dos trabalhadores subiu na Região Metropolitana de Salvador (2,2%), ficou estável em Recife, São Paulo e Porto Alegre e caiu 3,5% em Belo Horizonte e 0,6% no Rio de Janeiro. Na comparação anual, o rendimento subiu em Salvador (6,9%); Rio de Janeiro (6,2%); Porto Alegre (5,6%); Recife (1,3%) e em São Paulo (1,0%), e não variou em Belo Horizonte.

Rendimento domiciliar per capita

Região Metropolitana
mar/13 fev/14 mar/14 %m %a
Total
1.332,69
1.359,73
1.363,54
0,3
2,3
Recife
875,54
856,28
862,92
0,8
-1,4
Salvador
968,74
977,74
1.015,38
3,8
4,8
Belo Horizonte
1.290,09
1.317,04
1.277,17
-3,0
-1,0
Rio de Janeiro
1.392,72
1.495,31
1.491,95
-0,2
7,1
São Paulo
1.466,31
1.459,25
1.465,01
0,4
-0,1
Porto Alegre
1.307,25
1.337,58
1.355,20
1,3
3,7


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OU isso OU aquilo

O embate em torno da criação de uma CPI, ou não, e de que CPI se trataria — só da Petrobras ou também sobre a corrupção do metrô e dos trens paulistas — dá, enfim, a impressão de que existe vida parlamentar no atual Congresso, e não só transações variadas. Ilusório embora, é um serviço de utilidade para o ano eleitoral, quando moradias de áreas ricas já expõem faixas contra o voto. Ou seja, mais agravam, e não por acaso, do que melhoram.

A própria questão em debate é interessante. Não só porque governistas e oposição têm argumentos consideráveis. Os primeiros, para atenuar a fragilidade da Petrobras e seus efeitos eleitorais, os outros, para evitar que a corrupção no seu lado os iguale na CPI ao que atacam. Além desse aspecto do confronto, em que o essencial desaparece, a disputa jurídica projeta-se para CPIs futuras.

A decisão da ministra Rosa Weber, entre os recursos das duas correntes ao Supremo Tribunal Federal, será necessariamente polêmica. Primeiro, porque o STF já reconheceu que não pode interferir em ações típicas do procedimento parlamentar. Definir o alcance temático de uma CPI está em tal caso, como o presidente do Congresso defende no STF, ou não, como sustentam os oposicionistas?

Não adianta buscar auxílio na Constituição. O seu texto ruim alimenta o problema. Diz ele, a propósito da criação de "comissões permanentes e temporárias" do Congresso, que sejam "constituídas na forma e com as atribuições previstas no respectivo regimento OU no ato de que resultar sua criação". "OU": o regimento e o ato de criação da CPI, por aquele texto, têm igual autonomia para determinar a forma e as atribuições de uma CPI.

Para aumentar a discussão, o mesmo artigo diz, mais abaixo, que Câmara e Senado podem criar CPI "para a apuração de fato determinado". Essa expressão "fato determinado", que há décadas provoca discussão inconsequente, no caso significa a Petrobras isoladamente ou pode designar, do mesmo modo, o "fato determinado" da corrupção similar em entidades similares do Estado?

Em uma ou em outra decisão do STF, a CPI, se constituída, incluirá a Petrobras. Não seria mal, então, que em alguma altura fosse lembrada no inquérito a tentativa de mudança do nome Petrobras para Petrobrax, seu pretendido custo fortunoso e a real finalidade da qual seria o primeiro passo. Coisas que o governo Fernando Henrique e o PSDB quiseram e, malsucedidos, não deixaram que uma CPI investigasse. Nem, muito menos, a Polícia Federal.

Em Tempo

Em exame no governo, a ideia de entregar às concessionárias de aeroportos a checagem de passaportes conviria não só a Guarulhos, origem da proposta, mas a todos os outros que servirão à Copa. Anormalidade não seria, porque parte desse serviço já é feito por empresa privada. Resolveria a carência de funcionários e liberaria policiais para atividades mais produtivas.

E, nesta altura, teria o caráter preventivo que tem faltado à "segurança" para a Copa: os agentes da PF informam sua determinação de paralisar a checagem nos aeroportos quando os torcedores estrangeiros comecem a chegar.
Perturbação interessada ou prevenção logo aplicada.

Janio de Freitas
No fAlha
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A CPI do mau negócio e o mau negócio da CPI

No debate sobre Pasadena, o maior destaque fica por conta das repentinas juras de amor da oposição pela Petrobrás

Todos os dias, empresas fazem maus negócios, que dão prejuízos. Todos os dias, firmas vão à falência. Nos períodos de bonança e crescimento, muitas empresas lucram bastante fazendo apostas altas nos mercados. Nos períodos de crise, muitas simplesmente desaparecem para nunca mais serem vistas.

Isto se chama capitalismo. O capitalismo implica riscos. Muitos e graves riscos. Há nele uma “destruição criativa”, como dizia Schumpeter, que torna o ambiente dos negócios algo muito mais próximo ao rio de Heráclito que ao ser imutável e imóvel de Parmênides.

Nos períodos de crescimento, tem-se a impressão que os bons negócios são sólidos e vão durar para sempre, ainda que sejam, muitas vezes, meras bolhas alimentadas por ambição desmedida, conveniente cegueira de longo prazo e ausência de regulação estatal. Já nos períodos de crise, como dizia outro filósofo, tudo que é sólido se desmancha no ar.

Pasadena se desmanchou no ar, não há dúvida. De acordo com Graça Fortes, o negócio teria dado um prejuízo a Petrobras de aproximadamente US$ 500 milhões. É bastante, ainda que seja uma cifra bem inferior aos quase US$ 2 bilhões alegados pelos críticos da Petrobras.

Entretanto, se subirmos corrente acima o rio de Heráclito, chegaremos à conclusão que, em 2006, ano em que foi decidida a compra da refinaria, o negócio era, sim, muito bom. Com efeito, havia na época um “boom” do refino nos EUA. As margens de lucro estavam altíssimas, turbinadas por um consumo doméstico de refinados que chegava a 9,5 milhões de barrias/dia. Muitas empresas, não apenas a Petrobras, estavam de olho nesse gigantesco e lucrativo mercado.

Mas não era apenas a perspectiva de grande lucro que motivava a Petrobras. Em 1999, no governo FHC, a empresa havia traçado uma estratégia de negócios que colocava o refino de nosso óleo pesado no exterior como uma das suas prioridades. Na época, ainda não tínhamos o óleo leve do pré-sal, que é bem mais fácil de processar.

Pasadena, bem situada no corredor de Houston e com uma capacidade instalada de 100 mil barris/dia, era uma boa aposta para processar o óleo pesado do pós-sal, principalmente do poço de Marlim, e vender, com lucro muito alto, os refinados no mercado norte-americano. Com isso, a nossa conta de petróleo tenderia a ficar superavitária, pois venderíamos refinados, de valor agregado bem mais alto, no exterior.

E não era apenas Pasadena. Naquele período, impulsionada pela estratégia traçada no governo tucano, a Petrobras comprou as refinarias de Baia Blanca, e San Lorenzo, na Argentina, e a refinaria de Okinawa, no Japão. Observe-se que, de acordo com o sindicato dos petroleiros, em suas transações com a Repsol, na Argentina, o Brasil entregou 3 bilhões de dólares e recebeu 750 milhões de dólares. Um prejuízo de mais de US$ 2 bilhões, quatro vezes maior que o de Pasadena. Porém, essa transação desastrosa não merece, misteriosamente, nenhum comentário da mídia.

No entanto, coerentemente com aquela estratégia traçada no governo tucano e com as condições do mercado da época, tomou-se a decisão de comprar Pasadena. Mesmo com as cláusulas Put Option e Marlim, inexplicavelmente ocultadas do conselho da empresa e explicavelmente inseridas no contrato com a Astra, já que se destinavam a compensar o fato de que a Petrobras teria efetivo poder de mando na refinaria, o negócio tinha boas perspectivas de dar certo.

As perspectivas eram muito boas não fosse um detalhe: a crise internacional, que tomou todo o mundo de surpresa e derrubou, entre muitas outras coisas, o mercado de refino dos EUA. Assim, o problema essencial de Pasadena não foram as cláusulas Put Option e Marlim ou eventual ato de corrupção de diretor da Petrobras, mas a ausência de uma “cláusula Parmênides”, que assegurasse a imutabilidade das condições da economia mundial.

Caso as condições do mercado de refino tivessem permanecido semelhantes às de 2006, ninguém estaria hoje falando de Pasadena, a não ser para elogiar uma decisão estrategicamente acertada. Pasadena já estaria “no lucro”, a Astra não teria abandonado o negócio e a presença de uma refinaria da Petrobras nos EUA, mesmo após a descoberta do pré-sal e da mudança da estratégia da empresa, não seria questionada.

Ante isso, pode-se questionar para que serviria uma CPI que tem como ponto central o mau negócio de Pasadena? Será que tem alguém beócio o suficiente para acreditar que a compra de Pasadena e o mau negócio que ela se tornou resultaram de meros atos de corrupção? É possível que sim, pois reina no Brasil do denuncismo certo reducionismo moral, que pretende explicar todos os problemas do país com base na corrupção e no malfeito.

Entre os Azande, povo africano estudado pelo famoso antropólogo Evans –Pritchard, todos os infortúnios se explicavam pela bruxaria. No Brasil de hoje, todos os problemas se “explicam” pela corrupção. Até mesmo um negócio mal sucedido.

Não que atos de corrupção e de má-gestão não possam ter ocorrido, no caso ou na empresa. Mas atribuir-lhes, de antemão, centralidade é, no mínimo, um exagero “azandeano”. Além disso, a Petrobras já é objeto de inquéritos internos e da própria Polícia Federal. Quem tiver de ser punido, que seja.

Não obstante, essa metafísica da corrupção, quando aplicada à Petrobras em pleno período eleitoral, talvez esconda interesses mais terrenos e menos moralizantes.

Em primeiro lugar, há o óbvio interesse em desgastar o governo Dilma e a candidatura da presidenta, que permanece à frente das pesquisas. Com seu preciso “timing” eleitoral e sua vaga metafísica, a CPI se tornaria palco de inúmeras ilações e denúncias, devidamente potencializadas pelo maior partido de oposição do país.

Em segundo lugar, e menos óbvio, há também o interesse altruísta de livrar a Petrobras do fardo de ter de explorar o pré-sal. Por isso, crescem na mídia as matérias e reportagens patrioticamente dedicadas a mostrar uma Petrobras à beira da falência, ferida de morte por suposta má-gestão típica de uma estatal assediada pela política. Estratégia antiga e marota, que deu certo na época das privatizações.

Não comove os altruístas e patriotas o fato da Petrobras, como bem demonstrou Graça Foster no Senado, ser empresa sólida, com crédito no mercado, desempenho extraordinário em prospecção, expertise única em águas ultraprofundas e excepcionais perspectivas de médio e longo prazo, já que dispõe do pré-sal, enormes megajazidas de óleo leve, num mundo em que há carência de descobertas de novas jazidas, a não ser as de sujo óleo de xisto.

Talvez aconselhados pelos mesmos gênios que apregoam a volta das medidas impopulares, de saudosa memória, esses abnegados senhores desejem o retorno do modelo de concessão, instituído nos tempos de FHC e substituído pelo modelo de partilha, nos tempos de Lula. Nesse modelo de concessão, as jazidas passariam a pertencer às empresas que vencem os leilões e a Petrobras ficaria alijada da exploração conjunta. Exxon, Chevron, Shell, et caterva, agradeceriam esse gesto de grandeza. A União faria um caixa rápido para ampliar o superávit primário e a Petrobras acabaria transmutando-se na tão sonhada Petrobax.

É claro que, neste cenário, a Petrobras seria, agora sim, ferida de morte. A cadeia do petróleo sustentada pela empresa, inclusive a indústria naval, ressuscitada nos governos Lula e Dilma, também. E a alavancagem do desenvolvimento nacional e da educação brasileira pelo pré-sal seria convenientemente esquecida na névoa do denuncismo metafísico.

Assim, a CPI do mau negócio tende a se transformar num mau negócio para o país.

E não se enganem com as juras de amores à Petrobras por parte daqueles que pretendem imolá-la no altar das disputas eleitorais e achincalhá-la no vórtice das ilações e das denúncias vazias. O depoimento de Graça Fortes no Senado, no qual alguns inquisidores se referiram à empresa como “abismo moral”, “quitanda” e outras elevadas expressões, é somente uma prévia do que vem por aí.

Afinal, no caudaloso rio de Heráclito, há coisas que aqui permanecem tão imutáveis quanto o ser de Parmênides. Duas se destacam: o entreguismo e a cara de pau.

Marcelo Zero, formado em Ciências Sociais pela UnB e assessor legislativo do PT
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