15 de abr de 2014

1964: o artigo que O Globo recusou-se a publicar


Jornal encomenda, e depois veta, texto que expunha aspecto pouco conhecido do golpe: a repressão aos trabalhadores e sindicatos

Sou professor da Escola de Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas (CPDOC/FGV) e historiador especializado em história social do trabalho. Em meados de março, fui procurado pela assistente da direção da instituição na qual trabalho, questionando se eu teria interesse em publicar um artigo sobre o golpe de 64 para O Globo. Como em outros momentos de aniversário de eventos históricos, o jornal solicitava então aos pesquisadores do CPDOC artigos de avaliação e opinativos. Apesar de mergulhado em outras atividades, concordei em fazer um curto artigo sobre o papel dos trabalhadores no golpe e na ditadura, por julgar ser este um tema de grande relevância acadêmica, política e social. Acredito que o texto aborda a questão por um ângulo bem pouco explorado nas análises que estão sendo publicadas nos vários órgãos de imprensa.

Entreguei o artigo em 20 de março. Para minha surpresa, ele não foi publicado. Segundo informou o jornal, a não publicação baseia-se em uma série de decisões editoriais que dizem respeito a espaço, a prioridades temáticas com o surgimento de novas notícias ou contribuições não previstas etc.

Obviamente, O Globo não tem obrigação de publicar texto algum, apesar da indelicadeza de solicitar um artigo e não publicá-lo. No entanto, causa estranheza o fato de que outros artigos de colegas do CPDOC /FGV encomendados sobre a mesma temática, tenham sido publicados e o meu não. Difícil não pensar que um parágrafo inicial crítico ao já famoso editorial onde O Globo reconhece seu erro (de maneira tímida e defensiva, por sinal) no apoio ao golpe de 64 não tenha tido algum papel na decisão editorial de não publicar o artigo. Além disso, parece que discussões sobre movimento sindical e os mundos do trabalho não são muito bem vistas pelo jornal. No mínimo paradoxal para quem diz defender tanto a liberdade de expressão.

Paulo Fontes

O golpe contra os trabalhadores

Em greve por salários, trabalhadores da Rhodia fazem passeata, em 1959. Diante do ascenso operário, elites preferiram ditadura, cinco anos depois

Ditadura foi, sobretudo, reação das elites contra mobilizações trabalhistas no campo e cidade. Sintomaticamente, muitos balanços omitem, hoje, este dado essencial

Em recente editorial no qual reconhece que o apoio ao golpe de 1964 foi um erro, o jornal O Globo justifica de forma reveladora que seu entusiasmo com a queda do governo de João Goulart era devido ao temor da instalação de uma suposta “República Sindical” no país. A retórica anticomunista e a histeria conservadora que contagiavam vastos setores das classes médias e altas tinham um alvo claro: o crescimento da organização de operários e de vastos setores populares nas cidades, bem como a impressionante mobilização de camponeses nas zonas rurais. O inédito espaço político conquistado por lideranças sindicais incomodava e amedrontava. O golpe de 1964 foi, antes de tudo e sobretudo, um golpe contra os trabalhadores e suas organizações.

A presença pública e as lutas por direitos dos trabalhadores brasileiros, intensas desde o final da II Guerra Mundial, atingiriam seu ápice no início da década de 1960. Os sindicatos foram os principais vetores da organização popular naqueles anos. Mas tal mobilização também ocorria através de associações de moradores e espaços informais, como clubes de bairros e instituições culturais. Estudos recentes mostram que, ao contrário do que se supunha, a presença sindical nos locais de trabalho se fortalecia. No campo, a emergência das Ligas Camponesas, e suas demandas por uma Reforma Agrária transformadora, surpreendeu o país e colocou os trabalhadores rurais no centro do cenário político.

Trabalhistas, católicos, comunistas, janistas, entre diversas outras forças políticas, disputavam e formavam alianças no interior deste movimento. Greves, protestos e uma linguagem marcadamente nacionalista e reformista embalavam reivindicações por transformações estruturais e pela conquista de direitos desde sempre negados, como a lei do 13o salário e a sindicalização no campo.

Em um contexto marcado pela Guerra Fria e pelos impactos da Revolução Cubana, esta presença pública dos trabalhadores significava, para muitos, a antesala do comunismo. A desenvoltura com que lideranças camponesas e dirigentes do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) se aproximavam do governo e do presidente Jango (nunca perdoado por cultivar essas “relações perigosas”) era particularmente execrada. A visibilidade desta aliança no famoso comício da Central do Brasil no dia 13 de março foi a gota d’água para os grupos conservadores e golpistas. Apesar da intensa campanha contra o governo, pesquisas de opinião então realizadas, e durante muito tempo ocultadas, mostram que a maioria da população apoiava Jango e suas reformas.

O golpe acabou com tudo aquilo. E surpreendeu muitos dirigentes sindicais, radicalizados e demasiadamente confiantes na sua influência política e poder de mobilização. Para os vitoriosos, era primordial destruir a “hidra comunista e trabalhista”. Sindicatos em todo o país foram invadidos, sofreram intervenções governamentais e tiveram seu patrimônio dilapidado. Suas lideranças foram presas, caçadas e, algumas, assassinadas. A ditadura foi dura desde seu primeiro dia.

Entidades empresarias, como a FIESP, celebraram a nova era. A queda do governo foi a senha para a revanche patronal. Milhares de trabalhadores foram demitidos e, devido à proliferação das infames “listas negras”, tiveram enormes dificuldades para encontrar novos empregos. A aliança entre empresários e o DOPS que, como historiadores já demonstraram, vinha de longe, tornou-se ainda mais sólida e disseminada. Um clima de medo e perseguições passaria a dominar o interior das empresas. No campo, um número ainda não calculado de trabalhadores rurais foi expulso de suas comunidades e muitos foram mortos por milícias privadas e capangas a serviço de latifundiários.

Uma política econômica antitrabalhista proibiu greves, comprimiu salários, acabou com a estabilidade no emprego, facilitando demissões e a rotatividade da mão de obra. Seu impacto foi tão grande que o ditador Castello Branco viu-se obrigado a reiteradamente repetir, em vão, que “a Revolução não era contra os trabalhadores”. O deliberado enfraquecimento dos sindicatos facilitou em muito a superexploração do trabalho, uma das marcas do regime, que faria do país o campeão mundial em acidentes e mortes no trabalho no início dos anos 1970.

A mesma ditadura que tanto reprimiu e controlou os sindicatos e organizações populares chegaria ao fim, em grande medida, pela força e mobilização dos trabalhadores. Fruto de uma persistente resistência cotidiana e de transformações de vulto na sociedade brasileira, as grandes greves que, a partir do ABC paulista, tomaram conta do país, clamaram novamente por justiça e democracia. Ao mesmo tempo revitalizaram o sindicalismo e deixaram marcas presentes até hoje em nossa vida política e social.

No entanto, ainda sabemos pouco sobre a história dos trabalhadores durante a Ditadura Civil-Militar. Boa parte do interesse dos estudiosos sobre o período concentrou-se em outros grupos sociais e temas, o que se reflete na literatura e na programação dos numerosos eventos que analisam os 50 anos do golpe. Felizmente, este quadro começa a mudar. Neste sentido, a abertura dos arquivos governamentais, incluindo o do Ministério do Trabalho, cuja documentação apodrece, sem cuidado algum, em um prédio da periferia de Brasília, é um passo fundamental. E sem dúvida, o relatório final da Comissão Nacional da Verdade poderá ter um papel decisivo neste encontro do Brasil com sua história.

No Outras Palavras
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Como é que muda, né?


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Galeano: “Eu não seria capaz de ler de novo ‘As Veias Abertas…’, cairia desmaiado”

Galeano em Brasília. 
Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Em 1998, entrevistei a escritora Rachel de Queiroz (1910-2003) e ela me confessou sentir “antipatia mortal” por O Quinze, o clássico da literatura brasileira que publicou aos 20 anos, em 1930, e que, desde então, seria sua “obra mais importante e mais popular” (tudo quanto é enciclopédia se refere assim ao livro). O mesmo acontece com As Veias Abertas da América Latina e o escritor uruguaio Eduardo Galeano.  Publicado em 1971, quando Galeano tinha 30 anos, a obra até hoje o persegue. É sempre nomeado como “o autor de As Veias Abertas…“, o que, pelo visto, o incomoda mesmo porque tem mais de 30 livros além dele.

Na entrevista coletiva que deu na sexta-feira 11 em Brasília, onde veio para ser o escritor homenageado da 2ª Bienal do Livro e da Leitura, Galeano ouviu provavelmente a milionésima pergunta sobre Veias Abertas. “Faz 40 anos que você escreveu As Veias Abertas da América Latina. Quais são as veias abertas hoje em dia?” E ele, em um português bastante razoável: “Seria para mim impossível responder a uma pergunta assim, especialmente porque, depois de tantos anos, não me sinto tão ligado a esse livro como quando o escrevi. O tempo passou, comecei a tentar outras coisas, a me aproximar mais à realidade humana em geral e em especial à economia política — porque As Veias Abertas tentou ser um livro de economia política, só que eu ainda não tinha a formação necessária. Não estou arrependido de tê-lo escrito, mas é uma etapa superada. Eu não seria capaz de ler de novo esse livro, cairia desmaiado. Para mim essa prosa de esquerda tradicional é chatíssima. O meu físico não aguentaria. Seria internado no pronto-socorro… ‘Tem alguma cama livre?’, perguntaria.” Risadas.

Aproveito e emendo: mas o que você achou de Chávez dar o livro para o Obama? Obama entenderia As Veias Abertas…? “Nem Obama nem Chávez”, responde Galeano para gargalhada geral. “Claro, porque ele entregou a Obama com a melhor intenção do mundo — Chávez era um santo, cara mais bondoso que esse eu não conheci —, mas deu de presente a Obama um livro em uma língua que ele não conhece. Então, foi um gesto generoso, mas um pouco cruel.”

Eu nunca tinha visto o grande escritor uruguaio de perto. É mais baixo do que imaginava, cerca de 1m70. Bastante frágil, aparenta ter mais do que seus 73 anos. Ele mesmo comenta que a maioria dos escritores é de esquerda e, como tal, chegados a uma boemia e isso não faz bem à saúde… Uma menina pergunta: “A idade não é boa para os jogadores de futebol. E para os escritores?” Galeano discorda. “Depende. Tem velhos muito mais jovens que os velhos velhíssimos e tem velhos que você acha que estão esperando a morte e surpreendentemente acabam ganhando uma partida por 8 a zero. Não depende da biologia nem do prognóstico dos profetas. Não depende de ninguém. O melhor que o futebol tem como esporte — a festa que o futebol é, a festa das pernas que jogam, a festa dos olhos — é a capacidade de surpresa, de assombro. Na verdade ninguém sabe o que vai acontecer. E menos ainda os especialistas. Aqueles doutores do futebol são seres temíveis, perigosíssimos para a sociedade e o mundo em geral.”

Outro jornalista espeta: “Por que a esquerda não deu certo na América Latina?” Galeano não se faz de rogado: “Algumas vezes deu certo, algumas vezes, não. A realidade é mutável, a realidade política e todas as outras — por sorte. Senão seríamos estátuas, estaríamos congelados no tempo. Não é verdade que a esquerda não deu certo. Deu certo e muitas vezes foi demolida por ter dado certo, por ter tido razão, porque o que a esquerda predicou, em certo momento na América Latina, resultou ser a verdade, então foi punida. Punida pelos golpes de Estado, ditaduras militares, períodos prolongadíssimos de terror de Estado, crimes horrorosos cometidos em nome da paz social, do progresso. Da convivência democrática, imaginem! Que democracia e que convivência são essas? Tinham que perguntar: ‘do que está falando, senhor?’ As coisas são muito mais complexas do que parecem. Em alguns períodos, também, a esquerda comete erros gravíssimos e em outros, não, faz o que deve ser feito da melhor maneira, até além do que o próprio movimento de massas estava esperando. A realidade sempre tem esse poder de surpresa. Te surpreende com a resposta que dá a perguntas nunca formuladas. E que são as mais tentadoras. O grande estímulo para a vida está aí, na capacidade de adivinhar possíveis perguntas não formuladas.”

Galeano está cansado, foram muitas horas de viagem para chegar à capital federal, e quer encerrar a entrevista. Eu protesto: “Mas e Mujica? Você não vai falar de Mujica?” Ele não resiste e se senta de novo. “Estou meio cansado, estou fatigado de falar de Mujica, porque todo mundo fala dele! Até em outros planetas se fala de Mujica. Em Marte, Júpiter… É incrível a capacidade de ressonância que Mujica tem. E ele é muito meu amigo, já faz muitos anos. A única coisa que posso fazer para incorporar um grão de areia a esta praia imensa de Mujica caminhando pelo mundo seria contar uma piccola história que dá ideia da qualidade humana do personagem.”

E começou a narrar, saborosamente, como é de seu feitio:

“Faz uns quatro anos — não tenho interesse em lembrar direito a data — fui operado de câncer. Foi um câncer sério, agudo. Tomei uma anestesia muito forte, dessas que não desaparecem rápido. E estava sozinho na cama do hospital, esperando que passasse o efeito da anestesia. Ou seja, mais dormido do que acordado. Sem saber muito o que acontecia, onde estava, delirando. E neste período, estando sozinho em uma cama — sozinho, não, acompanhado pelo câncer, mas o câncer não é um amigo confiável. Não te recomendo. Bem, estava eu ali e volta e meia delirava. Como sou muito futeboleiro, um religioso da bola, tinha delírios futebolistas que me levaram aos anos de infância, quando jogava na rua, com bolas improvisadas, feitas com trapos velhos. E em uma dessas fugas, comecei a bater bola. Como se fosse uma múmia egípcia que tinha errado de domicílio, jogando futebol contra ninguém e sem bola nenhuma, só na imaginação. Chutava a bola e ela voltava, chutava e ela voltava. Tudo debaixo do lençol. E nada, a bola continuava, como se estivesse morta de riso da minha estupidez de achar que podia com ela. ‘Não, você não pode comigo’. Numa dessas, senti um peso em cima dos meus joelhos. Aí começo a recobrar a realidade e vejo alguém que conheço, uma voz que reconheço, de um amigo. E pergunto:

— O que você está fazendo aqui?

E ele:

Isso é maneira de receber um amigo?

Não importa, quero saber o que você faz aqui. Está doente também?

— Que é isso, estou saudabilíssimo. O enfermo é você.

— Estou sabendo. Obrigado pela notícia, mas já estou sabendo.

O doente é você, está fodido, irmão. Eu vim te visitar. Agora, não sabia que se recebia um amigo assim, chutando-o, chutando-o e chutando-o. Não é muito educado.

Continuamos nessa até que eu falei:

— Olhe, chega. Sua função não é estar aqui brincando comigo. Você é o presidente da República e sua função é governar. Mujica, você é o presidente! Vai governar este país já! Estamos precisando de sua participação ativa, desinteressada, importantíssima para o nosso povo. Não perca mais tempo comigo.

— Ah, bela maneira de ser amigo, hein?

Será bela ou será feia, mas é a única maneira para você. Você é o presidente! Além disso, para piorar, todo mundo gosta de você e quer que continue sendo presidente por uns 300 anos mais. Se você não gosta, foda-se.

E aí acabou.”

Na saída, consigo falar a Eduardo Galeano do enorme prazer que sinto em conhecê-lo pessoalmente e lhe conto que adoro O Livro dos Abraços. Ele olha para mim e diz: “Eu também”.

Ufa.

Cynara Menezes
No Socialista Morena
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Gabriel García Márquez se encontra “muito frágil” segundo familiares


Os familiares do escritor colombiano Gabriel García Márquez informaram através de um comunicado que se estado de saúde é “muito frágil”, ainda que permaneça estável em sua casa na Cidade do México (capital).

“Sua condição é estável ainda que se encuentre muito frágil e existam riscos de complicações devid a sua idade“, assinalaram os familiares do ganhador do Nobel de Literatura, de 87 anos de idade.
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A hipocrisia da mídia em relação à entrevista de Lula

Patrocínio da Caixa
Me enviam um vídeo que é o chamado retrato do Brasil.

É da Globonews, e o personagem central é o jornalista Carlos Monforte.

Monforte anuncia calamidades para o Brasil. A inflação, por exemplo, deu um grande salto.

E ele comenta também, cheio de desdém, a entrevista de Lula com “amigos blogueiros”.

Amigos?

Claro que a noção de amizade é subjetiva, mas no caso do DCM não existe nenhuma relação de amizade com Lula, ou com quem quer que seja na esfera pública.

Praticamos — ao contrário dos jornalistas da Globo — a máxima de Pulitzer segundo a qual jornalista não tem amigo porque amizades influenciam o conteúdo.

É engraçado ver jornalistas da Globo — fora Monforte, Merval Pereira também criticou a entrevista de Lula — num acesso estudado de “jornalismo crítico”.

Merval, por exemplo, jamais se constrangeu em se abraçar a integrantes do STF dos quais ele deveria manter distância vital para poder escrever textos não enviesados.

Alguma vez Merval fez perguntas “duras” para seus amigos em entrevistas? Ou melhor: para amigos da Globo?

Estendo. Algum jornalista da Globo fez jornalismo crítico em qualquer ocasião ao entrevistar um amigo da casa?

Joaquim Barbosa foi entrevistado, pelo que me lembre, em pelo menos duas ocasiões por estrelas da Globo. Algum tempo atrás Míriam Leitão o entrevistou. Mais recentemente, Roberto Dávila.

Alguma pergunta sobre o apartamento de Miami? Ou sobre a agressão à primeira mulher?

Não. Apenas sorrisos, abraços e flores.

Então ficamos assim: quando é amigo da Globo, não existe jornalismo crítico. Para os inimigos, sim.

Bonito isso.

Vou estender ainda mais a reflexão. Os aguerridos jornalistas da Folha: quando eles foram duros em relação a algum amigo dos Frias?

Ora, a Folha simplesmente abandonou a cobertura da sonegação milionária da Globo — e mesmo assim se diz de rabo preso com ninguém?

Qualquer pessoa que vá dar uma entrevista, nas condições de Lula, escolhe minuciosamente os entrevistados.

Ninguém convida ninguém que vá chegar à entrevista com intenções assassinas, tanto mais quando se trata de uma pessoa na vida privada, e não pública, como é hoje o caso de Lula.

Por que então o alarido?

Por hipocrisia. Por cinismo. Por desfaçatez.

Suponha que FHC convoque uma entrevista para falar de seu novo livro, ou o que for. Sua lista de convidados não incluirá potenciais litigantes. Ele tem o direito de não querer que o importunem com perguntas como a questão da compra dos votos para a reeleição.

Se todo mundo faz isso, onde está a notícia senão na cabeça de jornalistas que recriminam nos outros o que eles próprios fazem quando se trata de amigos das empresas para as quais trabalham?

Comecei dizendo que o vídeo de Monforte era um retrato do Brasil, e agora completo o raciocínio.

O patrocinador do conteúdo alarmista, catastrofista e francamente negativo era — claro — o próprio governo atacado sem trégua: a Caixa.

A “mídia técnica” — e suponho que Monforte tenha um traço no Ibope — é assombrosamente generosa. Ou idiota.

Paulo Nogueira
No DCM
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Como o tucano Álvaro Dias usava a Petrobras no governo FHC


O senador Álvaro Dias (PSDB) usava a Petrobras assim no governo FHC. Sem boquinha, quer CPI.

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Globo, que não mostrou o DARF, tenta intimidar blogueiros por causa de Lula

“proponho à Redação de “O Globo” uma troca singela: dou entrevista e respondo tudo o que quiserem saber, desde que a família Marinho (que ficou bilionária graças a uma concessão pública) apresente o famoso DARF e esclareça se pagou (ou não) a suposta dívida com a Receita Federal.”
Não devo um tostão em impostos. Não sei se as “Organizações Globo” podem dizer o mesmo. 
Roberto Marinho: braços dados com a ditadura
O fato é que os bilionários da família Marinho estão incomodados, e querem intimidar os blogueiros. É uma batalha descomunal. Eu — que batuco meus textos num escritório improvisado no fundo de casa — de repente virei tema de “reportagem” de um império midiático com centenas de jornalistas Brasil afora?

Vejam só. Na tarde de segunda-feira (14/abril), fui procurado por uma suposta jornalista de “O Globo”, que me enviou a singela mensagem: “Prezado Rodrigo, Sou repórter do jornal O Globo e estou fazendo uma matéria sobre a entrevista coletiva do ex-presidente Lula com blogueiros na semana passada. Nós poderíamos conversar por telefone? Atenciosamente, Barbara Marcolini - Jornal O Globo”.

Curioso que o jornal conservador da zona sul carioca tenha levado uma semana para se interessar pelo tema, não? A entrevista de Lula aos blogueiros foi um sucesso enorme, gerando manchetes Brasil afora. A imprensa velha passou recibo. Ficou furiosa.

Editoriais, comentários na TV e rádio, colunistas conservadores: muitos se mobilizaram para atacar os blogueiros “sujos”. Alguns ataques vieram com acusações graves: fomos acusados de ser “financiados” pelo governo federal. E os mais incomodados parecem ser os colunistas das chamadas “Organizações Globo”.

Nada disso é por acaso. Trabalhei na Globo. Sei como essas coisas são. Quando jornal, TV, internet e rádio da família Marinho começam a bater na mesma tecla — ao mesmo tempo — é porque há uma ordem superior, uma determinação do patrão (ou de seus prepostos) para ir fundo naquele assunto.

Pedi que a repórter Barbara me enviasse as perguntas por escrito. Tenho pela repórter (a quem não conheço) respeito profissional. Mas considero “O Globo” e as “Organizações Globo” adversários. E sei que os prepostos da família Marinho me tratam como inimigo. Pessoa de minha família foi demitida da TV Globo, em 2010, depois que passei a assumir um posicionamento político claro em meu blog. Eles chegam a esse nível. São vingativos. Por isso, não há hipótese de responder nada a “O Globo” — a não ser por escrito.

Até as 21h, as perguntas de Barbara não vieram. Mas eu soube que outros blogueiros também foram procurados por jornalistas de “O Globo” — com a mesma pauta: a entrevista de Lula. Pelo menos 3 repórteres diferentes do jornal foram mobilizados na Operação. Objetivo era estabelecer vinculações “comprometedoras” entre os blogueiros e determinadas empresas, entidades e/ou governo (veja aqui a resposta do Fernando Brito, do Tijolaço, à tentativa de intimidação).

Mas não era só isso. Uma das repórteres globais chegou a perguntar a um blogueiro (a entrevista está gravada) se ele tinha filiação partidária. Sim, o macartismo da Globo avançou até esse ponto.

Trata-se de uma Operação para intimidar aqueles que nos últimos anos — ainda que de forma limitada — criaram um contraponto ao poder da velha mídia. Os barões da imprensa velhaca não se conformam com o fato de meia dúzia de blogueiros “sujos” oferecerem uma outra narrativa ao Brasil. A Globo, a Abril e a Folha seguem a ter imenso poder. Mas já não falam sozinhas.

Seria bom que soubessem: com essa tentativa de cerco, em vez de intimidar, vão mobilizar ainda mais blogueiros e internautas.

A Globo não tem estatura moral para cobrar explicações de ninguém. Vamos relembrar alguns episódios recentes:

— a Globo foi acusada de sonegar impostos (mais de 1 bilhão em valores atualizados – clique aqui para saber mais), e até hoje não esclareceu o episódio;

— o processo fiscal em que a Globo era investigada por bilionária sonegação “sumiu” (na verdade, teria sido roubado) de uma agência da Receita Federal no Rio, e a Globo até hoje não explicou o caso;

— um diretor da Globo, Ali Kamel, processa pelos menos 6 blogueiros (entre eles este escrevinhador), numa tentativa clara de intimidação judicial, de calar as vozes que em 2006 e 2010 ajudaram a desmascarar a tentativa da Globo de interferir no processo eleitoral;

— por fim, a Globo (estou falando só da TV) recebeu quase 6 bilhões do governo federal nos últimos anos — como mostra a tabela abaixo, publicada pelo VioMundo e pelo jornalista Fernando Rodrigues.


E essa mesma Globo de 6 bilhões em recursos públicos (recursos dos seus, dos meus impostos!) quer acusar blogueiros de serem “financiados” pelo governo?!

É piada.

De minha parte, sou jornalista profissional. Vivo do trabalho como repórter de TV. Já vendi minha força de trabalho para a “Folha”, a “TV Cultura”, a “TV Globo” — e hoje sou repórter na “TV Record”. Jamais vendi meu cérebro para nenhum patrão. Tenho posições políticas claras. Públicas. E por conta delas comprei briga com a Globo em 2006 — deixando a emissora.

Não vejo nada de anormal em blogs e sites sem vinculação com a velha mídia pleitearem publicidade. Mas, felizmente, não preciso disso para seguir travando o bom combate. Nunca entrei na SECOM do governo federal para tratar de dinheiro. E nem em qualquer outra secretaria de Comunicação Brasil afora.

Minha questão é política. Encaro o debate de forma aberta – jamais de braços dados com ditadores, ou beneficiado por acordos obscuros com embaixadas e governos estrangeiros. O Escrevinhador não tem em seu currículo: TimeLife, apoio a uma ditadura assassina, escândalo Proconsult contra Brizola em 82, manipulação da cobertura das Diretas-Já, edição criminosa do debate Lula/Collor em 89, combate ao Bolsa-Família, oposição às quotas para negros, tentativa de transformar bolinha de papel num míssil em 2010…

Os gastos mensais para manter meu blog hoje são de aproximadamente 2,5 mil reais. Conto com anúncios do Google (valores irrisórios) e com a colaboração de leitores, e ainda tiro dinheiro do meu bolso para cobrir as despesas. Em 6 anos, devo ter recebido 6 anúncios pontuais de governos ou entidades sindicais. Nenhum deles por mais de um mês. Nenhum deles superior a 2 mil reais (ou seja, no total os anúncios não chegaram a 15 mil reais em quase 6 anos — contra despesas de aproximadamente 150 mil no mesmo período).

Tenho lutado para que os blogueiros se organizem, façam parcerias com empresas ou criem associações para disputar, sim, o direito a participar do bolo publicitário — inclusive as verbas oficiais, que ajudaram a família Marinho a ficar bilionária nos últimos anos.

Aliás, proponho à Redação de “O Globo” uma troca singela: dou entrevista e respondo tudo o que quiserem saber, desde que a família Marinho (que ficou bilionária graças a uma concessão pública) abra suas contas e apresente o famoso DARF — esclarecendo se pagou (ou não) a suposta dívida com a Receita Federal.

Que tal, Bárbara? Passa a sugestão pros seus chefes aí!

Rodrigo Vianna
No Escrevinhador
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Eike Batista canta o “Lepo Lepo”


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Jornalista é detido após chamar jogador do Londrina de macaco


Além do jogo de bola, a final do campeonato paranaense neste domingo (13), entre Londrina e Maringá, também foi marcado por ofensas em campo. No Estádio Willie Davids, na cidade de Maringá, o apresentador Lourival Santos, da Rede Massa, filiada ao SBT, chamou o jogador do Londrinense Maicon Silva, de macaco. A ofensa foi presenciada pela repórter Monique Vilela, da Rádio Banda B, de Curitiba.

A ofensa foi denunciada pela repórter e policiais militares que estavam no estádio detiveram Lourival Santos. O apresentador ainda correu para o vestiário do estádio, onde tentou esconder o colete da imprensa.

Já o jogo, deu Londrina. Com placar de 1X1 nos 90 minutos, o jogo foi para os pênaltis, com vitória de 4 a 3 para o time londrinense. Esse é o primeiro título do Londrina no Campeonato Paranaense após 22 anos. Quase 20 mil torcedores assistiram o clássico entre Maringá e Londrina no Willie Davids.


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Com pena de Sheherazade? Leva pra casa

Voz restrita
Não poderia ter sido mais bizarra a maneira encontrada por Sílvio Santos para lidar com o caso Sheherazade.

Nem mandou embora e nem manteve tudo igual.

Ela continua no SBT, mas para ler apenas o que escrevem, e não para gritar teatralmente suas opiniões arquiconservadoras.

Foi um prêmio de consolação para Sheherazade, que mesmo numa mudez parcial continuará a receber seus 90 mil reais mensais.

Foi, também, uma vitória da civilização, porque houve consequências para a abjeta incitação ao crime feita por Sheherazade ao elogiar os delinquentes que amarraram um jovem negro a um poste.

Sobraram as lamúrias falaciosas de Sheherazade e súditos segundo as quais a liberdade de expressão foi agredida.

Ora, liberdade de expressão absoluta não existe. Ou então poderíamos, por exemplo, dizer que foi injustiçado o apresentador do SBT do Paraná que chamou dias atrás um jogador de macaco.

A melhor definição para os limites da liberdade de expressão veio, no passado, de um juiz americano.

Suponha, disse ele, que numa sessão de cinema lotada alguém irrompesse e gritasse “fogo” no auditório.

Seria um caos com consequências imprevisíveis.

E se o autor do berro invocasse depois a liberdade de expressão? Foi esta a especulação que o juiz fez, para chegar à conclusão de que você não pode dizer tudo que quer.

O arranjo que Sílvio Santos encontrou para Sheherazade é obviamente provisório. Para ela, não é satisfatório, a longo prazo, se limitar ao papel de apresentadora.

E para o SBT, em algum momento, vai ficar claro que é um salário muito alto para alguém que apenas lê o texto do telejornal.

Mas por ora a situação é satisfatória.

Com o silêncio parcial de Sheherazade, ou a voz restrita, Silvio Santos consegue mitigar o risco de ver crescer a discussão em torno dos 150 milhões de reais por ano que o SBT recebe em verbas publicitárias do governo.

Tanto dinheiro assim para promover justiçamentos e crime?

Quanto a Rachel Sheherazade, vale para ela o que ela disse para sobre o jovem acorrentado.

Você que a admira está com pena? Leva pra casa, então. Adota.

Paulo Nogueira
No DCM
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Relativizando Sheherazade

Os jornalistas que atuam nos noticiários do SBT – Sistema Brasileiro de Televisão estão proibidos de emitir opiniões durante os programas. A decisão foi divulgada em nota que os jornais noticiam e comentam na terça-feira (15/4).

Embora alcance todos os profissionais da emissora, a medida tem endereço certo: a apresentadora Rachel Sheherazade, que ancora o SBT Brasil ao lado do veterano Joseval Peixoto, e se envolveu em polêmica, em fevereiro, ao justificar a ação de linchadores que acorrentaram um adolescente a um poste no centro do Rio.

A decisão da emissora é uma resposta a pressões de ativistas dos direitos humanos, de parlamentares e do Sindicato dos Jornalistas do Rio, que podiam acabar afetando suas relações com anunciantes. A questão vinha agitando as redes sociais, e a apresentadora aproveitava a polêmica para se manter no foco das atenções, conseguindo na internet a audiência que lhe faltava na televisão. No começo deste mês, quando saiu de férias, correu o boato de que não voltaria à bancada do telejornal.

Mas o que, afinal, detonou a controvérsia?

Rachel Sheherazade, que antes de se tornar âncora do SBT Brasil havia trabalhado em emissoras da Paraíba, onde nasceu, era vista diariamente emitindo opiniões rasas sobre tudo, ao longo do noticiário, repetindo o que dizem regularmente os mais conservadores entre os apresentadores dos programas de cunho policial na TV.

A frase que produziu a celeuma nada tinha de radical: apenas martelava o ramerrão desses arautos da incivilidade, segundo os quais quem defende os direitos humanos é a favor dos criminosos.

Na noite em que noticiou o incidente no Rio, quando um grupo de pessoas deteve e acorrentou a um poste um adolescente negro acusado de furto, ela produziu a seguinte pérola: “Num país que ostenta incríveis 26 assassinatos a cada 100 mil habitantes, a atitude dos vingadores é até compreensível”.

A frase, em si, não provocaria maiores efeitos, não fosse seu empenho em rivalizar com os colegas que narram diariamente as ações policiais, justificando a violência e o preconceito. Num de seus comentários, disse que os defensores dos direitos humanos deveriam “adotar um bandido”.

Incitação ao crime

A decisão da direção do SBT não significa uma tomada de posição contrária ao conservadorismo de sua apresentadora. Provavelmente, se consultado, o dono da emissora, Silvio Santos, não faria reparos às opiniões de Sheherazade: não consta em sua longa biografia a expressão de considerações mais aprofundadas sobre quaisquer questões.

O que provavelmente determinou a mudança no estilo do telejornal foi a possibilidade de uma representação à Procuradoria Geral da República, de iniciativa da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), resultar em punição para a emissora. Como conclusão da ação da deputada, o SBT corria o risco de perder a verba publicitária do governo.

Mais interessante do que as razões de Silvio Santos, porém, é a questão dos limites da liberdade de expressão nos veículos de massa, principalmente nos serviços públicos de radiodifusão cedidos por concessão a empresas privadas. Não se pode determinar que os concessionários sigam esta ou aquela linha de interpretação dos fatos, como parecem pedir algumas manifestações publicadas nas redes sociais, mas é necessário um padrão de responsabilidade.

O episódio Sheherazade reacende o debate sobre a questão das verbas da publicidade oficial, e há os que condenam qualquer gasto público em propaganda. Mas limitemos a conversa ao fato de que todos os governos precisam manter canais de comunicação com a sociedade e eventualmente pagar por eles.

Nesse caso, não se deve relativizar a predominância de opiniões reacionárias na mídia, uma vez que essa força conservadora tende a se opor aos esforços de educação política sobre direitos civis que supostamente motivam as campanhas de governos que se pretendem progressistas.

Por outro lado, não se pode condenar liminarmente toda manifestação que contraria a orientação que o governo gostaria de ver expressa na mídia. Por isso, faz sentido que, ao lado dos chamados “critérios técnicos” na distribuição das verbas oficiais, seja discutida a conveniência de desestimular a ação de comunicadores que agem contra o interesse da maioria, por exemplo, reforçando preconceitos, incitando ao crime e à desordem social do linchamento.

O problema é: como justificar objetivamente tais escolhas?

Luciano Martins Costa
No OI
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À espera de tragédias

Um dos tumultos incluídos na planejada recepção à Copa é a invasão de prédios e áreas em grande quantidade. O movimento dos sem-teto, sucedâneo urbano do movimento dos sem-terra, já põe em prática ações que reproduzem as táticas do MST quando influenciado por José Rainha: não apenas a invasão, mas fazê-la com a disposição do confronto com a polícia, até mesmo de iniciá-lo. No Rio prolonga-se há cinco dias um episódio assim, prenúncio com aspectos de ensaio.

Ser, a priori, contra esses movimentos é pôr-se contra a verdade de que são, ao longo dos tempos, o mais eficiente e muitas vezes o único meio de forçar governos a alguma política social. Em muitas ocasiões, foi assim que se fizeram as ondas periódicas de reforma agrária. Mas, tal como aconteceu com parte do MST, por exemplo na zona paulista do Pontal do Paranapanema, não é incomum que ações ocorram mais pela exacerbação política, ou só por ela, do que pela finalidade humanitária.

A agitação política é outro objetivo legítimo na democracia. Em casos, porém, como o atual no Rio, parece claro que o chamado às aglomerações resulta em massa de manobra para incitadores, tenham eles, ou não, tal propósito desde o início. Quando é isso, é péssimo. Há aí uma forma de usar as aflições e necessidades de pessoas levadas a esperanças ingênuas. E, se há incitação ao confronto, levadas a atos e riscos que nunca pretenderam.

Na ocupação do prédio e da grande área da Oi, há quase duas semanas no Rio, foram reconhecidos ativadores do movimento dos sem-teto de outros Estados. O movimento não é necessariamente regional. Mas incitadores de fora indicam ação planejada, não apenas os improvisos de um possível teto novo. Plano que incluiu o enfrentamento com a polícia e, prevista a retirada, enfrentamentos posteriores, que agora se dão. É o clima da Copa visto de baixo para cima?

Convém pensar que sim, para pensar em impedir tragédias. Desde a chegada dos primeiros invasores, que demarcavam pequenas áreas para erguer barracos, a invasão foi noticiada e fotografada. O erguimento dos barracos, a chegada de mais e mais invasores, até aos estimados 5 mil, tudo foi exposto na imprensa durante uma tranquila semana. No décimo dia, pela madrugada, chegaram os choques policiais para cumprir a ordem judicial do desalojamento.

A recepção foi com pedras, paus, ferros, coquetéis-molotov, lutas corpo a corpo. Feridos em proporções equivalentes, de um lado e do outro. Nos dias seguintes, ontem ainda, novos enfrentamentos, agora na aglomeração de algumas centenas de sem-teto em frente à prefeitura e em ruas importantes do centro. Hoje, ou em outro dia, pode haver qualquer coisa. Ou nada.

Tudo o que se ouve sobre preparativos de "segurança" para a Copa refere-se a quantidade de tropas, armas, equipamentos. Nada sobre métodos inovadores de ação. Se forem repetidos, por exemplo, os métodos aplicados no atual caso de invasão, o desastre será igual, no mínimo, e provavelmente pior. Por que dez dias de espera, enquanto um punhado de invasores se elevava a milhares? Espera da ordem judicial. Não é verdade. Para impedir início de invasão, a polícia não precisa de tal ordem, trata-se apenas de ação policial comum. Simples e, se praticada, não levaria aos choques violentos, feridos, prisões e mais consequências.

Já se sabe que novas e problemáticas invasões estão em preparo. Não só no Rio, não. Equipes para agir com a presteza demonstrada por repórteres e fotógrafos, ao menos esta, seria um eficiente preventivo de brutalidades e possíveis tragédias. A solução não está em armas especiais, máscaras especiais, equipamentos especiais. Está em cabeça e rapidez para prevenir.

Ou seja, por ora, simplesmente não está.

Janio de Freitas
No fAlha
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