13 de abr de 2014

Mensalão já chegou à OEA

Mensalão: ex-ministros denunciam Brasil e STF em Washington

Os ex-ministros da Justiça Márcio Thomaz Bastos e José Carlos Dias denunciaram o Estado brasileiro e o Supremo Tribunal Federal (STF) na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, em Washington, por causa das condenações no mensalão.

Advogados de três ex-dirigentes do Banco Rural, Bastos e Dias entraram com uma petição na qual pedem “tramitação prioritária” do caso, pois há “vítimas presas”. Eles se referiram a Kátia Rabello, José Roberto Salgado e Vinícius Samarane, que trabalhavam no Rural quando o banco concedeu empréstimos ao PT e autorizou a realização de saques para parlamentares a partir de indicações feitas pelas agências do publicitário Marcos Valério.

Kátia está na Penitenciária Feminina Estevão Pinto, em Belo Horizonte, pois foi considerada culpada pelo STF por lavagem de dinheiro, evasão de divisas, formação de quadrilha e gestão fraudulenta de instituição financeira. Ao todo, Kátia pegou 16 anos e oito meses de prisão. Salgado foi condenado à mesma pena e está na Penitenciária de Nelson Hungria, em Contagem (MG), junto com Samarane, que teve punição fixada em oito anos e nove meses por lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta.

Os advogados lembraram que o STF aceitou os embargos infringentes e derrubou a pena de quadrilha a Kátia e Salgado, razão pela qual a condenação final a eles foi reduzida para 14 anos e cinco meses de prisão. Por outro lado, eles reclamaram que essa decisão foi “considerada definitiva e irrecorrível, uma vez que foram esgotados todos os recursos internos na Suprema Corte brasileira”.

Bastos e Dias questionaram o fato de os réus terem sido julgados em instância única, pois foram colocados ao lado de réus com foro privilegiado e só poderiam ser julgados perante o STF. “Embora não tivessem foro por prerrogativa de função, os peticionários foram julgados em instância única perante a Suprema Corte de modo que lhes foi totalmente suprimido o direito ao duplo grau de jurisdição e, portanto, negado o seu pleno acesso à Justiça”, diz a petição de 56 páginas encaminhada à Comissão Interamericana.

Convenção Americana de Direitos Humanos

No documento, eles lembram que o STF remeteu a ação penal contra o ex-deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG) à primeira instância da Justiça, o que não aconteceu no processo do mensalão com réus que sequer eram deputados ou ministros.

Formalmente, Bastos e Dias alegaram que o STF desrespeitou o artigo 8º da Convenção Americana de Direitos Humanos, que diz que toda a pessoa terá o direito a recorrer de sentença a juiz ou a tribunal superior. Eles questionaram o fato de os réus do Banco Rural terem sido julgados apenas pelo STF, lembrando que o Brasil é signatário da Convenção.

“O que se verifica no feito é o total impedimento, pelo Estado brasileiro por meio de sua legislação, aos peticionários de exercer o seu direito de recorrer de condenações criminais”. Na petição, eles dizem que houve “gritante afronta ao quanto disposto na Convenção Americana de Direitos Humanos”.

Por fim, os advogados também contestaram o fato de o STF determinar a prisão dos três antes do julgamento de seus embargos. Para os advogados, essa situação constituiu uma “anômala e casuística criação jurídica do STF visando ensejar prisões antecipadas nesse caso específico”.

O recurso terá um caminho longo no Sistema Interamericano de Direitos Humanos. Primeiro, ele será analisado pela Comissão, em Washington, que pode aceitar o caso ou não, para remissão à Corte Interamericana, em San José. A Corte é que fará o julgamento final do caso, o que pode demorar pelo menos dois anos.

Confira a íntegra da denúncia dos advogados junto a OEA:

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O declínio do Jornal Nacional é irreversível

Velhos tempos, com audiências de 70%
Nos anos 1980, quando eu era um jovem repórter da Veja, a redação, no sétimo andar do prédio da Abril na marginal do Tietê, se alvoroçava quando eram 8 da noite.

Uma televisão, no fundo da redação, começava a passar o Jornal Nacional. A redação parava, mesmo em dias de fechamento, e só voltava a funcionar quando o JN terminava.

Não era só a Veja que parava. Era o Brasil. O JN tinha então 70% de audiência, em média. Às vezes mais. Ditava a agenda política e econômica do país. Roberto Marinho — que na busca de favores da ditadura dizia que a Globo era “o maior aliado” dos generais na mídia, conforme mostram documentos de Geisel reunidos em livro — teria dito que notícia era o que o JN dava.

Para mim, o JN acabaria com minha saída da Veja rumo à Exame, em 1989. Perdi o hábito de vê-lo e jamais senti falta. Não voltei a ver sequer quando trabalhei na Globo, em meados dos anos 2000. Nas reuniões do Conselho Editorial da Globo, às terças de manhã, eu chegava sem ter a mínima ideia do que o JN dera ou deixara de dar, e tinha uma certa dificuldade em me engajar em algumas conversas.

Muita gente fez o que fiz, por variados motivos. (O meu foi o incômodo em ver tanto foco em desgraças depois de ter visto o JN, na ditadura, mostrar um país paradisíaco aos brasileiros. Também o conteúdo influía bem menos na Exame do que na Veja.)

Todas essas reminiscências me ocorrem ao ler que esta semana o Jornal Nacional bateu seu recorde negativo de audiência ao chegar a 18%.

É uma derrocada notável — e irremediável. Em alguns anos, os 18% parecerão muito diante da audiência que sobrará para o principal telejornal do Brasil.

O que ocorreu?

A tentação é dizer que é a ruindade técnica do JN que afastou o público. Mas, mesmo pobre o jornalismo do JN, não é esta a razão primeira do declínio.

Isto quer dizer que não adiantaria nada — pelo menos no Ibope — trocar o diretor de telejornalismo da Globo, Ali Kamel, por alguém mais criativo e talentoso. Ou tirar Bonner, que já deve ter mais seguidores no Twitter que espectadores no telejornal que apresenta.

A real causa se chama internet.

A internet é uma mídia que os analistas classificam como “disruptora”: ela não se integra às demais, como sempre aconteceu na história do jornalismo. Ela mata.

As demais mídias — tevê aberta incluída — são progressivamente engolidas pela internet.

A situação do JN é análoga à que enfrenta a Veja. A revista definha em circulação, publicidade, influência, importância — em tudo, enfim. Não adianta nada trocar o diretor de redação. Mesmo que a Veja voltasse a ter a qualidade notável da década de 1980, sob o comando dos diretores JR Guzzo e Elio Gaspari, nem assim os leitores retornariam, porque o produto se tornou obsoleto.

O milagre da Globo, hoje, é conseguir faturar como nunca, com audiências em colapso em todas as frentes, dos telejornais às novelas.

Proporcionalmente, a Globo ganha em publicidade mais do que ganhava quando alcançava três ou quatro vezes mais pessoas.

Isso se deve a uma coisa chamada BV, Bônus por Volume, uma espécie de propina que é paga às agências de publicidade para que anunciem na Globo.

Foi uma invenção de Roberto Marinho, depois seguida pelas outras grandes empresas de mídia do país, mas com resultados insignificantes se comparados aos da Globo.

Hoje, muitas agências dependem do BV para sobreviver.

Graças a isso, com cerca de 20% do mercado de mídia, a Globo tem 60% do bolo publicitário, uma bizarrice.

Isso vai mudar quando os anunciantes — que afinal pagam a conta — se recusarem a pagar tabelas cada vez maiores por produtos que alcançam cada vez menos pessoas.

Quanto ao Jornal Nacional, vive em boa parte das audiências passadas.

Políticos que fizeram carreira vendo-o influir tanto, sobretudo nos anos 70 e 80, parecem guardar dele a imagem poderosa de antes.

É a geração que está hoje no poder. “O pessoal morre de medo de 30 segundos do Jornal Nacional”, me disse recentemente um desses políticos.

Ele estava falando da dificuldade em fazer o Congresso discutir a regulação da mídia. Por isso, mesmo com uma audiência raquítica, o JN continua a ser um fator de obstrução de avanços sociais.

Novas gerações de políticos vão ver o JN não pelo que foi, mas pelo que é: um programa cada vez visto por menos gente e, por isso, menos influente a cada dia.

Que venham as novas gerações, até por isso.

Paulo Nogueira
No DCM
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Domingo de Ramos


Waldez
No DodóMacedo
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As medidas impopulares da direita


Cotado para ser ministro da Fazenda num eventual governo Aécio Neves, o economista Armínio Fraga defendeu a proposta colocada pelo presidenciável tucano de adotar rapidamente, ainda no primeiro dia de mandato, o que chamou de "medidas impopulares"; "o custo de tomar as medidas porventura impopulares é muito menor do que o de não tomar", disse Armínio; "as pessoas têm de cair na real"; numa longa entrevista, ele defendeu um teto para o gasto público, a autonomia do Banco Central e disse ainda que o salário mínimo cresceu demais nos últimos anos

Salário mínimo

"É outro tema que precisa ser discutido. O salário mínimo cresceu muito ao longo dos anos. É uma questão de fazer conta. Mesmo as grandes lideranças sindicais reconhecem que, não apenas o salário mínimo, mas o salário em geral, precisa guardar alguma proporção com a produtividade, sob pena de, em algum momento, engessar o mercado de trabalho."

Gasto público

"O Brasil precisa, urgentemente, pensar numa reforma tributária que simplifique o sistema. Isso envolveria, essencialmente num primeiro momento, todo o aparato de tributação indireta. ICMS. IPI. Organizar e simplificar seria muito bom. Cabe mencionar que, ao meu ver, o crescimento da carga tributária precisa ser limitado. Para isso, volto um pouquinho ao lado macro - o Brasil precisa também adotar um limite para relação gasto público e PIB."

Privatizações

"Mas penso que todos os [setores] da infraestrutura se oferecem bem para esse caminho — o que o governo chama de concessões. É a mesma coisa. Eu não tenho medo de usar a palavra que acho correta. Mas praticamente todos da infraestrutura cabem em regimes de concessão, em parcerias público privadas, sem perda de controle do regramento que cabe ao Estado em vários desse setores."

Bancos públicos

"Mas o BNDES vem se agigantando, fazendo empréstimos a taxas muito baixas, sem, ao meu ver, uma análise do impacto social desses programas, até para que se possa decidir se vale a pena continuar ou não. Carece de transparência. Minha impressão é que vai ser preciso fazer essa análise — e o papel do BNDES, a médio prazo, será menor."

Autonomia do Banco Central

"Eu gosto de usar a nomenclatura "autonomia operacional". Ou seja: a definição das metas ficaria com o governo e, claro, deveriam ser metas de longo prazo para não ficarem expostas aos ventos do círculo político. Mas o governo preservaria esse direito. Isso significa ter mandatos para os dirigentes do Banco Central. Claro que se houvesse problemas na atuação, se não estiverem cumprindo os seus objetivos, o governo, no limite, poderia pedir ao Senado a remoção de quem for, inclusive do presidente. Esse é um sistema bem testado e requer um Banco Central transparente."

Política externa

"Toda a política externa do Brasil precisa ser repensada. Essa estranha predileção por parcerias e aproximações com regimes autoritários, como Cuba e outros exóticos, não tem trazido nenhum benefício ao Brasil. Não quero dizer que o Brasil não precisa ter um diálogo com todo mundo, com a Venezuela, por exemplo. Mas o Brasil precisa se engatar nas grandes locomotivas mundiais."
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Por que a Globo intensifica ataque ao governo Dilma

Leandro Mazzini
PT e PCdoB preparam lei para quebra de monopólio da mídia

Num consórcio partidário contra o que chamam de mídia golpista, no bordão entre gabinetes, o PT e PCdoB preparam sem chamar a atenção projeto de lei para a quebra do monopólio de grandes grupos de mídia no Brasil, a exemplo do que fez a presidente argentina Cristina Kirchner.

A decisão passa pela regulamentação do Parágrafo 5º do Artigo 220 da Constituição, do Capítulo V que trata da Comunicação Social.

Para comunistas e petistas que defendem a regulação da mídia, os grandes grupos hoje atuante no País — contam cinco — devem se desfazer de redes de rádio e televisão regionais, além de jornais. ‘A Constituição terá de ser seguida’, diz a vice-presidente do PCdoB, deputada federal Luciana Santos (PE), uma das coordenadoras da ideia.

O Parágrafo 5º cita que ‘Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio’. Falta detalhar, aí está a brecha.

Com o apoio do PT, que não quer chamar a atenção em ano de campanha, o PCdoB tomou as rédeas. Acaba de sair de uma comissão especial na Câmara e será protocolado projeto de lei que tira dinheiro dos grupos e distribui verba publicitária do governo federal equitativamente para mídias regionais.

Outra proposta aprovada na comissão é a de autorizar rádios comunitárias a usar 20% da programação para captar anúncios.

Para os caciques dos dois partidos, é preciso no País uma mídia mais independente e sem controle de grupos com interesses — segundo relatam — nem sempre claros.
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Atenção: a Globo não quer que você vote em Dilma


O encontro fora da agenda entre a presidente Dilma Rousseff e João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo, na semana que passou, alimentou rumores sobre um possível armistício entre o grupo de mídia e o Palácio do Planalto; ledo engano: neste fim de semana, editorial da revista Época, assinado pelo jornalista Helio Gurovitz, compara a situação brasileira à das pragas que se abateram sobre o Egito; só desgraça, tragédia, desalento; a revista pede ainda que o eleitor escolha melhor agora em 2014

Na última terça-feira, um encontro fora da agenda, noticiado em primeira mão pelo 247 (leia aqui), agitou os meios políticos. João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo, empresa recentemente autuada pela Receita Federal, foi recebido pela presidente Dilma Rousseff. Dois dias depois, circulou a versão de que Dilma teria questionado João Roberto sobre o noticiário carregado da emissora, do seu jornal O Globo e também da revista Época, que pertence ao grupo (relembre aqui).


Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania e colunista do 247, foi o primeiro a notar que, se algum pedido aconteceu, ele não foi atendido. E se havia ainda alguma ponta de dúvida sobre a postura da Globo, a resposta veio no editorial da revista Época deste fim de semana, assinado pelo jornalista Helio Gurovitz. Segundo ele, a tragédia que se abate neste momento sobre o Brasil — um país com pleno emprego e mais de US$ 350 bilhões em reservas — é comparável às pragas do Egito.

"Um clima de desencanto se espalhou pelo país com a enxurrada de más notícias que se abatem sobre o país, como as pragas do Egito. Alta na inflação, falta d'água, risco de apagão, atraso nas obras da Copa, intervenção na Olimpíada, corrupção na Petrobras e em tantas outras esferas de governo — a situação realmente não está fácil", diz ele, no mesmo editorial, em que sugere que, com o voto, o eleitor mude os rumos de um país em situação tão trágica e desesperadora.

Provavelmente, o país em que você vive não é o mesmo retratado pela revista. Mas o editorial dos Marinho pode ser resumido de forma mais simples. Atenção, eleitor, a Globo não quer que você vote em Dilma.
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Rachel Sheherazade e SBT conseguiram

Ela
Jovem negro é espancado e apedrejado até a morte no Espírito Santo

jovem negro morto espírito santo

Aos gritos de “mata logo” e de vários xingamentos, jovem negro com problemas mentais é torturado e apedrejado até a morte. “Peçam perdão a Deus pelo que fizeram”, diz mãe do garoto

O corpo negro ensanguentado e o olhar assustado que você vê na foto é do menino Alailton Ferreira, de 17 anos, cercado por um grupo armado com pedras, barras de ferro e pedaços de madeira. Momentos depois, ele seria alvo de um espancamento coletivo. Desacordado, foi levado ao hospital, mas não resistiu e morreu na noite de terça-feira (8).

Aos gritos de “mata logo” e de vários xingamentos, o espancamento aconteceu às margens da BR 101, na tarde do último domingo (6), no bairro de Vista da Serra II, cidade de Serra, há cerca de 30km da capital Vitória, no Espírito Santo. Só depois de duas horas de muita violência, a Polícia Militar chegou ao local, colocou o jovem na viatura e o levou até a Unidade de Pronto Atendimento. “Os policiais militares descreveram no boletim de ocorrência que foi necessário utilizar spray de pimenta para conter os populares” disse o delegado-chefe do DPJ, Ludogério Ralff.

Acusação de Estupro

O motivo do linchamento foi causado por acusações controversas. Alguns disseram que o jovem teria tentado estuprar uma mulher. Outros que ele seria suspeito de tentar roubar uma moto e abusar de uma criança de 10 anos. Tudo ocorreu no domingo (6), mas até esta quarta-feira (9), dia em que Alailton foi enterrado, não havia qualquer denúncia ou relato de testemunhas, segundo a Polícia Civil.

O irmão contesta as acusações e diz que o adolescente sofria de problemas mentais: “Ele chamou a menina, ela se assustou e correu para chamar a família. Os familiares e vizinhos correram atrás dele. Por isso as pessoas falaram que ele era estuprador. Se ele quisesse roubar uma moto, teria feito no próprio bairro, mas ele nem sabe pilotar”. Segundo o tio do jovem, foi um ato de covardia. “Ele estava com uns problemas de saúde e ficava assustado com frequência”.

O morador Uelder Santos, 29, em entrevista para um jornal também colocou as acusações sob suspeita: “Ninguém viu esse tal estupro ou mesmo noticias da suposta vítima”.
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Descoberto o comitê do Aébrio Never!!!

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Prêmio Brasília de Literatura para Jango


Meu livro Jango, a vida e a morte no exílio (L&PM), ganhou o Prêmio Brasília de Literatura.

É bom ganhar um prêmio nacional e ainda embolsar R$ 30 mil.

Já ganhei muitos prêmios sem nunca acreditar muito neles.

Quando Paula, da L&PM, me ligou para avisar, tivemos uma conversa engraçada:

– Leste o e-mail da Fernanda?

– Li. Ela quer me inscrever num prêmio. Evoluí. Decidi ser humilde. Não acredito em prêmio, mas como as editoras acham importante, podem me inscrever, não me importo.

– Mas é um prêmio de $ 30 mil.

– A razão a mais para eu não ganhar. Vão dar para um amigo.

– Mas tu já ganhaste, Juremir.

– Como assim?

– O resultado já saiu e tu ganhaste.

Prêmio bom é assim. Não sabia que estava inscrito, não sei quem julgou e concorri com vários craques, entre os quais Humberto Trezzi, grande repórter do jornal Zero Hora.

Ganhei na categoria reportagem. Podia ter vencido na categoria biografia e até, se existisse, em romance de não ficção.

Um prêmio atribuído a mim, que falo mal dos prêmio, mostra isenção.

Apesar de mim, meu livro Jango merecia.

O personagem merece ainda mais.

Juremir Machado
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Legou uma inflação de 80% ao mês aos brasileiros e virou estrela

Nos anos 80, Maílson da Nóbrega fracassou espetacularmente como ministro. Mas isso não o deteve
Maílson com Sarney, de quem foi ministro: 80% de inflação ao mês,
e mesmo assim requisitado pela mídia

Logo no começo de minha carreira de jornalista a questão da boa escolha das fontes se apresentou.

A primeira aula que tive sobre isso foi na Veja, no começo dos anos 1980. Eu tinha 20 e poucos anos, trabalhava na seção de economia, e Elio Gaspari, o “General”, como era conhecido na redação, era o diretor-adjunto.

Elio muitas vezes se encostava nas divisórias baixas que separavam as editorias e falava sobre jornalismo. Para quem começava na carreira, como eu, era uma oportunidade excepcional de aprendizado.

Uma noite ele falou sobre fontes.

“As fontes são aquelas pessoas que atendem todos os telefonemas dos jornalistas”, ele disse. “Não são as melhores, são as mais fáceis, e isso faz diferença para repórteres preguiçosos.”

Um caso específico Elio citou: o então presidente da Fiesp, Luís Eulávio Vidigal. Ele era onipresente nas reportagens de economia e negócios na mídia brasileira, porque não recusava uma única entrevista.

Mais tarde, quando virei eu mesmo editor, fonte foi um tema sobre o qual me detive longamente nas conversas com os repórteres.

Em meados dos anos 1990, na casa dos 30, eu era diretor de redação da Exame. Jamais esquecera as palavras de Elio, mas acrescentei uma reflexão pessoal: prestar completa atenção na obra, no mérito da fonte.

Foi sob essa lógica que refizemos o time das fontes da revista.

Uma das primeiras eliminações, se não a primeira, foi o ex-ministro Maílson da Nóbrega, obra de Sarney. Por uma razão potente: ele deixara o cargo com uma inflação de 80% ao mês. Depois de um desempenho tão catastrófico, que sentido havia em ouvi-lo mandar fazer as coisas que ele próprio não conseguira fazer?

Maílson pretendia atacar os problemas econômicos com o que ele chamou de “arroz com feijão”. Foi uma das raras vezes em que os brasileiros sofreram violentamente com o arroz com feijão.

A Exame, e não apenas nisso, foi contra a corrente.

Maílson continuou a ser ouvido por repórteres de todas as mídias para tratar de economia. Acabaria por se tornar, também, colunista da Veja. Tudo isso — a presença constante no noticiário — ajudou a empurrar adiante a consultoria que ele montou pós-governo, a Tendências.

Foi como se a celebridade de alguma forma obscuresse sua obra desastrosa como ministro.

Tenho aqui uma pequena confissão. No início dos anos 2000, quando eu era integrante do Comitê Executivo da Abril, dormi em boa parte das duas vezes em que a Tendências fez seus prognósticos econômicos a nós.

Não sou capaz sequer de lembrar se foram acertados ou não, porque não resisti ao tom monocórdio das apresentações. Meu amigo Jairo Mendes Leal, hoje presidente da Abril Mídia, sentava-se em frente de mim, e ria ao me ver dormindo.

Ainda hoje Maílson é presença ubíqua na mídia brasileira. Aos antigos predicados, ele agregou um que é valioso: critica severamente as administrações petistas. Maílson sabe que isso lhe dará os holofotes de jornais e revistas.

É uma troca: ele usa a mídia e é usado por ela. O leitor? Ora, o leitor que se dane.

Do alto do legado hiperinflacionário, Mailson dá lições aos brasileiros sobre tudo aquilo que ele foi incapaz de fazer. No papel, ele resolve os problemas em cujo trato fracassou miseravelmente.

Já foi dito aqui que maus editores são tão nocivos, para a mídia tradicional, quanto a internet.

Maílson é uma pequena prova disso.

Paulo Nogueira
No DCM
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Propaganda da Cemig joga culpa na União por aumento da conta de luz


Distribuidora havia pedido reajuste de 29,74% para a Aneel, agência do governo federal, que autorizou alta de 14,76; em publicidade, Cemig se isenta de qualquer responsabilidade sobre o aumento

Em tempos de pré-campanha, qualquer situação pode virar uma oportunidade para alfinetar o rival. A nova propaganda da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) que entrou no ar na quinta-feira (10) faz questão de dizer que o aumento médio de 14,76% da tarifa de energia (14,24% para o consumidor residencial) é de responsabilidade do governo federal.

Na realidade, o reajuste é pedido pela própria distribuidora (no caso, a Cemig) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) avalia as considerações e aprova um índice. Neste ano, a estatal mineira pediu um reajuste de 29,74% e, no cálculo desse percentual, considerou custos como a compra de energia das termelétrica, efeitos cambiais, remuneração dos acionistas, dentre outros. Na última segunda-feira, a Aneel autorizou os 14,76%, abaixo do que a companhia havia solicitado.


“Você sabia que a tarifa da Cemig não é decidida pela Cemig? Quem define a tarifa de todas as empresas de energia é um órgão do governo federal, a Aneel, que fica lá em Brasília”, diz o locutor. A propaganda não esclarece que a Aneel decide o aumento após pedido de reajuste da própria distribuidora.

A campanha credita os aumentos ao início da operação das termelétricas e diz que o Estado de Minas isenta o ICMS de quem consome até 90 KWH ao mês.

Em nota, a Cemig negou o cunho político e disse que o material é para explicar ao consumidor que desconhece o processo de revisão tarifária. Em um universo de 7,7 milhões de consumidores em Minas Gerais, a Cemig tem cerca de 920 mil famílias cadastradas para obter o desconto da Tarifa Social de Energia Elétrica.

O reajuste deste ano foi o maior desde 2005. Naquele ano a alta foi de 20,74%.

Do Tempo
No Língua de Trapo
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Prisão de Dirceu: José de Abreu exige atitude enérgica do PT e do governo Dilma

“Até que o governo e o PT tomem uma atitude ENÉRGICA contra a prisão POLÍTICA do Zé Dirceu, não contem comigo pra mais nada!”

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Ao vivo - A situação no sudeste da Ucrânia

No sudeste da Ucrânia prosseguem os protestos antigoverno por problemas econômicos e razões étnicas. Donetsk e Járkov se proclamaram Repúblicas Populares. Kiev enviou tropas militares a Lugansk e Donetsk para aplacar as manifestações.


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Cantareira: desenhando, para ajudar a imprensa paulista a perguntar


Fiz um apelo público para que os jornais paulistas se interessassem pela súbita mudança de padrão na operação do Sistema Cantareira, coincidente com a posse de Mauro Arce no comando da Secretaria de Recursos Hídricos do Estado.

Foi inútil, mas pacientemente insisto, agora “desenhando” na imagem aí de cima para ver se as chefias de reportagem entendem o que está acontecendo e procurem saber o que está havendo. 

Todos estes dados são públicos e podem ser consultados, para qualquer data, no site de divulgação detalhado do estado do Sistema Cantareira, se quiserem se dar ao trabalho de saber mais do que olhar o percentual no site da Sabesp que informa apenas a disponibilidade total de água no sistema, que aliás caiu para 12%.

Até o dia 9, a maior parte da água mandada a São Paulo vinha do primeiro e maior reservatório do Sistema, o Jaguari-Jacareí.

Isso aconteceu mesmo quando temporais levaram grande quantidade de água (22 m³ por segundo) ao últimos dos reservatórios , o minúsculo Paiva Castro, no dia 8 de março.

Desde que Mauro Arce tomou posse, há três dias, a retirada de água do Jaguari-Jacareí foi reduzida de valores entre 18 e 21 m³/s para 5 e 3 m³ por segundo, anteontem e ontem.

Pode ser perda de pressão hidráulica na última das saídas de água da tomada d’água do túnel de saída da represa, que está descoberta até a metade. Pode, mas é difícil acreditar que essa perda seja de tal intensidade em um único dia, que representa uma “baixa” de cerca de 8 cm apenas no nível.

Pode, também, ser uma mudança na estratégia de operação, provocada por alguma razão que é do desconhecimento do grande público, porque a imprensa parece desinteressada de acompanhar com detalhes essa questão, embora publique qualquer mudança de 0,1% nas disponibilidades do sistema elétrico, que é federal.

O reservatório Atibainha — o “última esperança”, porque é o que será bombeado — caiu 6% em três dias.

Isso é explicável, por ser menor —  apenas 12% do sistema — mas contraria tudo o que vinha sendo feito nos últimos 30 dias, quando foi deliberadamente “elevado”, à custa da sangria exagerada do Jaguari-Jacareí.

Objetivamente, de 9 a 12 de abril o sistema perdeu 6 bilhões de litros de água e, se usar até a última gota, equivalentes a mais de 5% dos 113 bilhões que possui hoje armazenados.

Não é possível que a imprensa de São Paulo não pergunte o que está acontecendo.

Não é possível que não haja um engenheiro hidráulico independente que possa ser consultado.

As chuvas fortes previstas para este final de semana não vão resolver absolutamente nada, por maiores que sejam — e tomara que sejam. Mas podem criar a ilusão na população, se ela não estiver bem-informada, de que o problema estará menor.

E isso influi negativamente sobre o consumo, que precisa ser controlado para evitar uma catástrofe.

Será que, mastigadinho assim, algum jornal vai apurar o que se passa?

Fernando Brito
No Tijolaço
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Nos passos de Obama

Esperava-se que Barack Obama fizesse escola, conforme a regra histórica de que maus usos do poder encontram seguidores com mais facilidade do que os bons. Esperava-se, mas não que fosse aqui, nem, muito menos, que o poder da Promotoria do Distrito Federal fosse o criador do novo ardil para xeretar as comunicações da Presidência da República, incluída a da própria presidente Dilma Rousseff.

É também interessante que o juiz da Vara de Execuções Penais e o ministro Joaquim Barbosa não dessem sinal algum de estranheza — sem falarmos nas providências legais necessárias — ao deparar-se com coordenadas geográficas de latitude e longitude para pedir quebra de sigilo telefônico de números, endereços e portadores de celulares não citados. A alternativa a essa indiferença seria o conhecimento prévio, por ambos, da artimanha e do alcance da alegada identificação de telefonema no presídio da Papuda.

O fato é que, não fosse a argúcia do advogado José Luis Oliveira Lima, que providenciou um laudo técnico para localizar os dois pontos indicados pelas coordenadas geográficas, nada faz crer que as comunicações de celulares da Presidência escapassem da violação. Um jogo de coordenadas contrabandeava o Planalto na quebra de sigilo e o outro referia-se à Papuda, também citada por coordenadas para manter a lógica do disfarce. Mas o pedido estava em nome da promotora Márcia Milhomens Sirotheau Corrêa, e isso basta para presumir-se o despacho do juiz ou do ministro: ela é a promotora que se ocupa das alegações de regalias, privilégios, telefonema, churrascos e o demais que mantém há cinco meses o regime fechado de prisão de José Dirceu, condenado ao semiaberto.

É possível, mas não provável, que a promotora concursada ignore a proibição legal para quebra de sigilo coletiva, sem indicação de destinatário e objetivo. Também se poderia supor que desejasse verificar se teve procedência palaciana o (negado) telefonema em que James Correia, secretário no governo baiano, teria falado com José Dirceu. Essa motivação razoável não resiste, porém, a outro componente do ardiloso pedido de quebra de sigilo.

O alegado telefonema a José Dirceu tem data precisa: 6 de janeiro. Apesar disso, a pedida quebra de sigilo quer saber dos telefonemas trocados pelos celulares de todos na Presidência entre 1º e 16 de janeiro. Sem dúvida, nesse prazo há uma intenção precisa, embora recôndita. Não seria arbitrária, na transformação de um dia em duas semanas, uma Promotoria tão minuciosa a ponto de se interessar até por saber se os petistas, em seus primeiros dias na Papuda, receberam uma banana, talvez laranja, ausente no café da manhã de outros presos.

Muita coisa no pedido de quebra de sigilo justificaria uma investigação, que não se deve esperar, das suas motivações e da sua autoria. Além das prontas medidas administrativas merecidas pelo objetivo de violar comunicações da Presidência da República e tentá-lo por meio de um ardil.

Muita coisa, aliás, está excessivamente esquisita nos procedimentos do Supremo Tribunal Federal, do Judiciário em Brasília e do Ministério Público do Distrito Federal em relação a condenados petistas e não petistas da ação 470. São prazos desrespeitados, suspeitas marotas, apurações que não andam (o prazo para elucidação do tal telefonema terminou em fevereiro), repórteres usados para publicar inverdades como uma construção luxuosa na Papuda destinada aos petistas, e por aí vai. O conceito da Justiça terminará pagando mais esta conta.

Janio de Freitas
No fAlha
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A Estrela

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Decretan estado de excepción al sureste de Chile tras voraz incendio


La gravedad del incendio en Valparaíso; y que también afecta a Viña del Mar, ocasionó que la presidenta Michelle Bachelet firmase el decreto que permite la colaboración de las Fuerzas Armadas.

El ministro de Interior de Chile, Rodrigo Peñailillo, ofreció información de último momento sobre el incendio que se reportó en Valparaíso, al sureste de esa nación que ha afectado 200 viviendas y tras el cual se declaró el estado de excepción en la región.

“La idea es cuidar y colaborar con la evacuación de personas en Valparaíso, en estos momentos queda a cargo el contra almirante Leiva; me dirijo a la ciudad para ver cuáles medidas se tomarán en las próximas horas”, destacó el funcionario ante medios de comunicación locales.

Penailillo destacó que todos los cuerpos bomberiles se preparan para participar como refuerzos y ayudar a controlar el incendio. “Trabajan para solventar la situación lo más pronto posible”.

En cuanto a los afectados por el incendio en Valparaíso, el titular de Interior informó que “tenemos tres albergues habilitados, han salido camiones con ayuda; vamos a instalar todo lo que sea necesario” , precisó Peñailillo.

De acuerdo con el reporte del corresponsal de teleSUR en Chile, Raúl Martínez, más de 200 viviendas se han visto afectadas por el voraz incendio; ubicada en una zona de difícil acceso.

Por su parte, el Director Regional de la Oficina Nacional de Emergencia del Ministerio del Interior (Onemi), Mario León, informó que “se decretó la alerta roja y el Estado de catástrofe; los trabajos están siendo coordinados por los bomberos; se ha puesto en acción todo el sistema de Protección Civil”.

En relación con la cantidad de afectados, León señaló que por los momentos están realizando labores de catastro para determinar la cantidad heridos y afectados por el incendio. "Todas las instalaciones sanitarias atienden heridos; los próximos comunicados traerán más información”, adelantó.

De igual forma, destacó que el decreto firmado por la presidenta de la nación, Michelle Bachelet, permite la colaboración de las Fuerzas Armadas. “Cualquier otra necesidad será solicitada por el ministro de Defensa”.

Cuatro chilenos fallecidos tras voraz incendio en Valparaíso

Autoridades chilenas confirmaron la muerte de cuatro personas como consecuencia del incontrolable incendio que afecta desde el sábado al puerto de Valparaíso, en el litoral central de Chile, que llevó a decretar estado de excepción en la zona.

Así lo informó el ministro del Interior, Rodrigo Peñailillo, "Tenemos cuatro personas fallecidas, tres hombres y una mujer", al dar un balance provisorio de víctimas del siniestro.

Centenares de bomberos se encuentran en la zona atendiendo el fuego que obligó a la evacuación de unos tres mil habitantes de la ciudad, ubicada a 120 kilómetros al oeste de Santiago (capital).
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O Mercado de Notícias - Ato - I


Primeiro ato da peça "O Mercado de Notícias", produzida e encenada especialmente para a gravação do documentário homônimo, dirigido por Jorge Furtado.

"O Mercado de Notícias" (The Staple of News) é uma das obras do dramaturgo inglês Ben Jonson (1572 - 1637). Escrito em 1625 e inédito no Brasil, o texto da peça foi traduzido para o português por Jorge Furtado e Liziane Kugland.



Os atores do filme "O Mercado de Notícias" — documentário sobre mídia e democracia — falam de seus personagens e também de sua relação com as notícias.

"O Mercado de Notícias" tem direção de Jorge Furtado e produção da Casa de Cinema de Porto Alegre.

Direção de making of: Márcio Schoenardie
Câmera: Giordano Gio
Edição: Texas Wondracek

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Bolinha de papel, a farsa política desmascarada


Na terça-feira houve a primeira exibição, em São Paulo, do documentário “O Mercado de Notícias”, do cineasta gaúcho Jorge Furtado. Ele entrelaça uma peça do século 17, que já abordava o papel da mídia, com depoimentos de jornalistas.

A parte mais interessante do documentário é a reconstituição do episódio da bolinha de papel que atingiu o candidato José Serra na campanha de 2010. [20/10/2010]


Juntaram-se várias cenas..

Uma cena rápida da reportagem da TV Bandeirantes mostra um braço negro, com uma camisa azul, atirando a bolinha de papel. Ao lado, uma pessoa corpulenta com camisa vinho. Não se vêem seus rostos.

Outras cenas gravadas mostram um sujeito negro de óculos escuros e camisa azul, e outro branco, corpulento, de camisa vinho, no mesmo local, pouco antes do arremesso da bolinha. Ambos próximos a Serra, e atuando na sua segurança.

Não é mencionado no documentário, mas provavelmente trata-se de um trabalho de 2010 de autoria de Sérgio Antiqueira, que recebeu apenas 1.639 visualizações no Youtube.


Com essas revelações, fecha-se o ciclo de uma das maiores tentativas de fraude eleitoral da história política recente do país.

O primeiro passo foi a escolha do local, uma região francamente hostil da cidade.

Em 1999, quando Ministro da Saúde, Serra mandou demitir 5.700 mata-mosquitos da Funasa (Fundação Nacional da Saúde) no Rio — técnicos incumbidos de combater os mosquitos da dengue.

Há indícios de que o fim dos mata-mosquitos visou liberar verbas para o governo do Estado, já que a Funasa continuou repassando anualmente os R$ 11 milhões referentes aos salários dos demitidos.

As consequências foram desastrosas, com a gripe da dengue se alastrando por todo o estado. No ano seguinte, a epidemia se abateu sobre 45 mil pacientes infectados, causando dezenas de mortes, mais da metade do total de mortes por dengue no país (http://glurl.co/dG2). Foi o ano com mais registros de dengue da história, a maior parte concentrada no Rio.


Serra acabou inimigo mortal da categoria. Em 2.000, eventos políticos dos quais participava já tinham sido invadidos por mata-mosquitos (http://glurl.co/dG3). O mesmo ocorreu em outubro de 2002 (http://glurl.co/dG5).

O episódio da bolinha de papel ocorreu justamente na região oeste do Rio, onde fica o Sindicato dos mata-mosquitos. Era óbvio que haveria reação, tanto assim que Serra desembarcou cercado por um exército de seguranças, provocando ostensivamente os manifestantes e criando o clima adequado para as cenas seguintes.

As duas bolinhas

Em poucos minutos, explodem duas cenas.

A primeira, o da bolinha de papel que pipoca na cabeça de Serra e cai no chão. Serra leva algum tempo para se dar conta do fato e aparentemente perde a primeira oportunidade de montar o teatro.

A segunda oportunidade é mais à frente. Serra recebe um telefonema. Pouco tempo depois leva a mão à cabeça. Caminha mais um pouco, sem aparentar danos. Uns cinco segundos depois leva a mão à cabeça, caminha em direção ao carro da comitiva. Ainda tem tempo para conversar um pouco com alguns fãs.

Depois entra e segue para um hospital onde é atendido pelo cirurgião médico de cabeça e pescoço Jacob Kligerman — que presidiu o INCA (Instituto Nacional do Câncer) na gestão de Serra na saúde.

Na Justiça existem as provas declaratórias (que dependem apenas de declarações de testemunhas) e as provas documentais (as que têm efetivamente valor).

Klingerman declara à imprensa que Serra chegou ao consultório “com náuseas e tonteira”. Quanto às provas documentais, nada havia. Informa que não havia lesão aparente (externa), e a tomografia nada acusou. Pelo sim, pelo não, recomendou 24 horas de repouso.

Naquela noite, o Jornal Nacional divulgou reportagem onde endossava a versão da agressão com “objeto contundente”. Dizia-se ser um rolo de fita crepe. A reportagem terminava com um Serra nitidamente interpretando o papel de uma pessoa fragilizada, deblaterando contra a guerra política.



Naquela mesma noite, uma reportagem da SBT mostrava a cena da bolinha de papel (mas sem os seguranças), o telefonema recebido por Serra e, em seguida, ele levando a mão à cabeça.

Começou a guerra de versões. O Jornal Nacional chegou a convocar o perito Ricardo Molina para analisar um vídeo gravado por celular que supostamente provaria que houve um segundo objeto lançado contra Serra, um rolo de fita crepe. Não se perguntou ao perito se, mesmo supondo-se ter sido um rolo de fita crepe, qual seu poder de contusão.

Outros técnicos rebateram as análises de Molina, com vídeos colocados na Internet, mostrando que o objeto identificado como fita crepe não passava de uma sombra de algum manifestante, em um vídeo de baixíssima resolução.


No dia seguinte, o então presidente Lula comparou Serra ao goleiro chileno Rojas – que simulou ter sido atingido por um rojão em um jogo no Maracanã.

O vídeo de 2010 — trazido à tona pelo documentário — ao provar que foram os próprios seguranças de Serra que atiraram a primeira bolinha, desnuda de vez a que poderia ter sido uma das grandes fraudes midiáticas-políticas da década. E não foi graças ao contraponto exercido pelas redes sociais.

O resultado final foi a desmoralização do candidato por um partido alto de Tantinho da Mangueira.

“Deixa de ser enganador

Pois bolinha de papel

Não fere e nem causa dor”


Luis Nassif
No GGN
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