9 de abr de 2014

De: Papa Francisco / Para: Rachel Sheherazade

Ela
Rachel Sheherazade continua firme em sua cavalgada para cavar um pênalti no papel de vítima da falta de liberdade de expressão — esse conceito elástico utilizado principalmente para ofender, achincalhar e fingir indignação quando a responsabilidade é cobrada.

Rachel, que diz estar de férias, reclamou que sofre uma “pressão política muito forte” para que “seja calada”. “PSOL e PCdoB entraram com representações contra meu direito de opinião e tentam cercear minha liberdade de expressão chantageando a emissora onde trabalho”, declarou.

“É clara a tentativa de censura por meio de intimidação. Não é possível que, em plena democracia, a mordaça prevaleça”.

Ora, é a plena democracia e o estado de direito que foram postos em xeque com sua defesa de justiceiros. Os dois partidos moveram representações na Procuradora Geral da República para que ela e o SBT respondam por apologia ao crime.

O procurador-geral, Rodrigo Janot, declarou que viu “com muita preocupação” a denúncia. Janot, aliás, conseguiu a proeza de declarar que não assistiu ao vídeo, num caso único de alguém vivo que passou ao largo de uma nova invenção chamada YouTube.

“Volto segunda-feira, se Deus quiser”, disse a apresentadora, que é evangélica.

Há uma inversão de papeis. Quem foi linchado foi o rapaz que depois acabou preso a um poste com uma trava de bicicleta no pescoço. Rachel está em João Pessoa tomando sol e água de coco.

Se sua arrogância não fosse tão grande, teria material para refletir sobre a violência com a ajuda do papa, a quem já definiu como um “sacerdote inspirador, humilde e sem vaidade”, numa das raras vezes em que não semeava o ódio na televisão.

Francisco escreveu uma carta a amigos argentinos em que se referiu ao linchamento, em Rosário, de David Moreira, de 18 anos. David foi morto após um espancamento promovido por dezenas de pessoas. Fora flagrado roubando a bolsa de uma mulher.

A barbaridade acabou gerando outras em diversos locais do país. Lá também há gente defendendo que, na ausência de segurança do governo, os cidadãos tomem uma atitude. Cristina Krichner foi obrigada a fazer um pronunciamento.

“A cena doeu em mim”, escreveu Francisco na carta. “‘Fuenteovejuna’, eu me disse. Sentia os chutes na alma. Não era um marciano, era um rapaz de nosso povo; é verdade, um delinquente. E me lembrei de Jesus. O que ele diria se estivesse de árbitro ali? Quem esteja livre de pecado que dê o primeiro chute”.

(“Fuenteovejuna” é a obra prima do dramaturgo espanhol Lope de Vega, gênio do século 17. Fala de um comendador que é justiçado pelos habitantes da vila com aquele nome. Quando o juiz pergunta quem é o assassino, todos eles combinam de responder “Fuenteovejuna” e assumem coletivamente o assassinato)

“Me doía tudo”, prossegue Francisco. “Me doía o corpo do rapaz, me doía o coração dos que o chutavam. Pensei que esse garoto foi feito por nós, cresceu entre nós, foi educado entre nós. O que falhou? O pior que pode acontecer é que nos esqueçamos da cena. E que o Senhor nos dê a graça de poder chorar… chorar pelo rapaz delinquente, chorar também por nós”.

Rachel Sheherazade chora por si própria em sua martirização canastrona.

Kiko Nogueira
No DCM
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'Mídia requenta Pasadena para acabar com a Petrobras e ajudar na entrega do Pré-Sal’


Não é a primeira vez na sua história que a Petrobras é alvo de uma possível CPI. Foi assim quando houve a mudança da Lei de Concessão, criada por FHC, e que acabou com o monopólio estatal do petróleo, para o modelo de Partilha, sob Lula. E agora, em ano eleitoral, mais uma vez a empresa está sujeita à abertura de um processo de investigação.

Para o engenheiro Fernando Siqueira, ex-presidente e atual vice-presidente da AEPET (a Associação de Engenheiros da Petrobras), não se trata de uma CPI séria. Afinal, “o investigador mais sério e confiável é o Ministério Público, e este já está investigando. CPIs infelizmente foram transformadas em chantagens, holofotes, politicagens e palanques eleitorais”.

O que está de fato em jogo, para o engenheiro, é um acontecimento agora apenas requentado pela mídia, atrelada que está ao jogo do cartel internacional, com o intuito de acabar com a Petrobras, para entregar Pré-Sal, e de “sangrar” a presidente Dilma, presidente do Conselho de Administração à época da compra da refinaria. E bem mais grave do que a polêmica em torno a Pasadena, segundo Siqueira, é o estrangulamento político e financeiro a que tem sido submetida a Petrobras, consequência, dentre outros, da entrega do maior campo do Pré-Sal e do mundo para a Shell/Total (40%) e uma aliada chinesa (20%). “Mas isto a grande mídia defende (...) E não para aí. Há uma campanha para o governo leiloar parte de Franco, que é uma estrutura contígua de Libra”, enfatiza o ex-presidente da AEPET.

“O objetivo do cartel do petróleo é derrubar a Petrobras para ganhar o Pré-Sal. E o da oposição é este, derrubar a Dilma”, diz Siqueira. Mas a atual presidente não sai nem um pouco ilesa das avaliações de Siqueira, muito pelo contrário. “O governo Dilma começou bem, baixando os juros, varrendo a corrupção, mas acabou cedendo às pressões e se submeteu aos banqueiros, elevando os juros, e fundamentalmente ao cartel internacional do petróleo, fazendo três leilões em um único ano: o 11º, que englobou a Margem equatorial (muito promissora), entregou Libra e fez o absurdo leilão do shale gas. Dilma entregou 60% de Libra para o cartel e vai entregar muito mais se o povo brasileiro não se defender”.

A seguir a entrevista completa.

Correio da Cidadania: Acha que os atuais escândalos em torno à Petrobras, associados a alguns outros dados negativos na economia, chegarão a impactar a candidatura Dilma?

Fernando Siqueira: O objetivo da oposição é este, derrubar a Dilma. O do cartel do petróleo é derrubar a Petrobras para ganhar o Pré-Sal. E a Dilma se submete aos dois em detrimento do país. Ela é mais fraca politicamente do que o Lula, e se deixa dominar por interesses antinacionais e eleitoreiros. Por isto acho que a alternância de poder é necessária. O PMDB, que está sempre no poder, se transformou num bando de fisiológicos. O PT está chegando lá.

— Como você vê o fato de o novo escândalo em torno à Petrobras, relacionado à questionada compra da refinaria Pasadena, enquanto a presidente Dilma era parte do Conselho Gestor da empresa, explodir somente agora, em um ano eleitoral, e praticamente 8 anos após os acontecimentos?

— Na verdade, trata-se de um fato requentado pela mídia que faz o jogo do cartel internacional, a fim de acabar com a Petrobras para ficar com o Pré-Sal. Em 2012, como primeiro Conselheiro de Administração da Petrobras eleito pelos empregados, o atual presidente da AEPET, Silvio Sinedino, fez essa denúncia. Como defensores da companhia, somos favoráveis à investigação de qualquer que seja o indício de irregularidade cometida, por quem quer que seja. O mais importante é preservar a Petrobras dos ataques que visam inviabilizá-la.

Infelizmente, o presidente do Conselho na época, Guido Mantega, não levou adiante, como deveria, uma investigação séria. O ex-presidente Gabrielli foi ao Senado e mostrou que o negócio era bom e fazia parte do plano estratégico da companhia. Os conselheiros Jorge Gerdau e Fabio Barbosa também afirmaram que o aprovaram por ser bom negócio. O problema, ao nosso ver, era o preço total pago.

Agora, em ano eleitoral, a mídia citada resolveu requentar o assunto, pois quer sangrar a Petrobras, e a presidente Dilma, presidente do Conselho de Administração na época da compra. Esta, por sua vez, de forma muito irresponsável, emitiu uma nota infeliz e covarde, saindo de fininho para deixar toda a culpa com a Petrobras. E, oito anos depois, demitiu o diretor Cerveró para criar o bode expiatório. Claro que isto não resolve, e até distorce o problema.

— Quanto aos acontecimentos em si, relativos à compra que vem sendo questionada, teria mais detalhes?  Vislumbra alguma correlação entre ele e outros semelhantes na empresa?

— Como eu disse acima, como negócio a compra foi boa. O que se questionou foi o preço pago. Há a nossa preocupação quanto à atual venda de ativos, o tal “desinvestimento”, pois os lobistas que intermediam esses negócios não primam pela integridade. Foi vendido o BMS-65 na Bacia de Campos para a Shell e 40% de um Campo no Rio Grande do Norte para a BP, na iminência de sua descoberta.

Não podemos concordar com isto. Não fosse a obrigação da Petrobras de importar derivados e vender para as concorrentes por preço mais baixo, isto não seria necessário. E a mídia comprometida deita e rola: o Estadão manipulou uma declaração do presidente da Astra, o dono da refinaria, que disse que a compra foi o negócio do século, pois os furacões reduziram a produção das outras refinarias e a demanda por derivados aumentou. O Estadão pegou o final da frase para dizer que a venda para a Petrobras é que foi o negócio do século.

— O que pensa da instalação de uma CPI para averiguar a polêmica aquisição da refinaria pela Petrobras e a que resultados imagina que se possa chegar?

— Eu acho que toda denúncia deve ser investigada. Mas o investigador mais sério e confiável é o Ministério Público, e este já está investigando. CPIs infelizmente foram transformadas em chantagens, holofotes, politicagens e palanques eleitorais. Quando estava em elaboração a lei de partilha que iria mudar o entreguismo da lei de concessão, inventaram a CPI para atrapalhar a recuperação da soberania. No ano eleitoral, inventaram outra. Não é sério.

— O escândalo de Pasadena chega, por sua vez, concomitante a outros acontecimentos que têm colocado a Petrobras no centro dos noticiários, como, por exemplo, uma administração temerária para a saúde da empresa, com o rebaixamento de tarifas como forma de controlar a inflação. O que tem a dizer, nesse sentido, sobre esta política e a condução administrativa da empresa no geral nos últimos anos?

— Como dito acima, isto visa enfraquecer a Petrobras para deixar o Pré-Sal para o cartel do petróleo e os EUA, que, quando o Pré-Sal foi descoberto, reativou a 4ª Frota Naval e a colocou no Atlântico Sul, violando a soberania da Argentina e do Brasil. O objetivo era pressionar o governo pelo Pré-Sal, e funcionou, pois a Dilma entregou 60% de Libra para o cartel e vai entregar muito mais se o povo brasileiro não se defender. A administração da empresa tem sido muito prejudicada pelo aparelhamento político feito pela base do governo. Gerentes nomeados politicamente acabam fazendo o jogo dos partidos em detrimento de uma administração técnica em favor da companhia e do interesse da nação brasileira. Isto é péssimo. A produção vem caindo, os acionistas vêm perdendo e o país perde mais ainda.

— Têm sido divulgados ainda diversos dados sobre a queda na receita e rendimentos da empresa nos últimos meses, impactando de forma negativa o seu valor na Bolsa, que está em evidente queda. O que tem a dizer sobre esses dados e também sobre a divulgação que lhes é dada pela mídia corporativa?

— Muito mais grave do que este negócio de Pasadena, é o fato de se estrangular a Petrobras financeiramente e entregar o maior campo do Pré-Sal e do mundo para a Shell/Total (40%) e uma aliada chinesa (20%). Mas isto a grande mídia defende. A Globo, no Jornal Nacional de terça-feira, 6/11/2013, atropelou a matemática para mostrar uma conta manipulada, na qual o país vai ficar com 85% do campo de Libra. Fiz as contas e, no máximo, o país vai ficar 40,4% de Libra. O edital criminoso levará este valor a decrescer ao longo do tempo. Dá para acreditar que os gringos pagaram 60% e vão levar só 15%? Claro que não. Isto é crime. É manipulação de opinião.

Mas não para aí. Há uma campanha para o governo leiloar parte de Franco, que é uma estrutura contígua de Libra. Ambos foram entregues à Petrobras por conta da sua capitalização via cessão onerosa: a Petrobras comprou sete blocos da União, que deveriam conter 5 bilhões de barris, e pagou por eles R$ 85 bilhões. Perfurou Franco e achou 10 bilhões de barris. Perfurou Libra e achou 15 bilhões. Pela lei, o governo deveria negociar com ela o excedente dos 5 bilhões através de contratos de partilha. Ao invés disto, o governo tomou Libra da Petrobras e fez um leilão fajuto entregando 60% para estrangeiros. Agora quer leiloar o excedente de Franco.

Outro absurdo: em janeiro de 2012, a ANP doou para a Shell uma área da União, de 250km², contígua ao Bloco BMS-54, adquirido pela Shell sob a lei antiga. Dupla ilegalidade: 1) a lei só permite entrega de áreas sem leilão à Petrobras; 2) pela lei a Petrobras é a operadora única do Pré-Sal. Quando estourou o escândalo, a ANP desfez a doação e mandou a Pré-Sal Petróleo SA (PPSA) negociar com a Shell. Os diretores da PPSA são “amigos” da Shell.

— Ou seja, os fatos recentes têm plena associação com o recente leilão do Pré-Sal, que já carreou tantas críticas quanto à entrega de nosso ‘bilhete premiado’.

— Exato. O leilão do campo de Libra, o maior do Pré-Sal e do mundo, foi um crime de lesa pátria, que a grande mídia defendeu de forma torpe, inclusive manipulando contas, como já dito. O campo, pela lei, tinha que ser negociado com a Petrobras, pois é uma área estratégica e a lei nova estabelece isto. Libra tem uma reserva de 15 bilhões de barris ou mais. Ao valor de US$ 100 por barril, chega-se a US$ 1,5 trilhão, dos quais 60% foram entregues ao capital externo. Então, esta campanha visa mesmo é enfraquecer a Petrobras para que seja entregue o resto do Pré-Sal.

— Faria uma comparação entre os governos FHC, Lula e, agora, Dilma, no que se refere à administração da empresa e aos resultados, benéficos e/ou maléficos, a que se chegaram em cada um desses governos?

— O governo FHC foi, a meu ver, o pior da nossa história. As mudanças que ele patrocinou na Constituição, no capítulo da ordem econômica e financeira, foram desastrosas. Quebrou monopólios; escancarou o subsolo e navegação dos nossos rios para empresas estrangeiras; eliminou a diferença entre empresa nacional e empresa estrangeira; emitiu um decreto que isenta do imposto equipamento estrangeiro, matando 5000 empresas fornecedoras de equipamentos do setor petróleo; desnacionalizou estatais estratégicas; e propiciou a venda de 3000 empresas nacionais, privadas, para estrangeiros; abriu o monopólio do petróleo e fez uma lei em que todo o petróleo é de quem o produz. Iniciou o processo de desnacionalização da Petrobras. Sua política na área internacional teve a postura de submissão total aos EUA.

O governo Lula tentou recuperar alguns valores. Embora tenha feito a reforma previdenciária e continuado os leilões de petróleo, mudou a lei de concessão para partilha de produção, que recupera a propriedade da União, colocando a Petrobras como operadora única do Pré-Sal. Fez uma política internacional muito boa, abrindo mercados e se integrando com a América Latina e com a África e prestigiando o Mercosul, a Unasul e o G20.

O governo Dilma começou bem, baixando os juros, varrendo a corrupção, mas acabou cedendo às pressões e se submeteu aos banqueiros, elevando os juros, e fundamentalmente ao cartel internacional do petróleo, fazendo três leilões em um único ano: o 11º, que englobou a Margem equatorial (muito promissora), entregou Libra e fez o absurdo leilão do shale gas.

— Acha que os atuais escândalos em torno à Petrobras, associados a alguns outros dados negativos na economia, chegarão a impactar a candidatura Dilma?

— O objetivo da oposição é este, derrubar a Dilma. O do cartel do petróleo é derrubar a Petrobras para ganhar o Pré-Sal. E a Dilma se submete aos dois em detrimento do país. Ela é mais fraca politicamente do que o Lula, e se deixa dominar por interesses antinacionais e eleitoreiros. Por isto acho que a alternância de poder é necessária. O PMDB, que está sempre no poder, se transformou num bando de fisiológicos. O PT está chegando lá.

Valéria Nader, jornalista e economista, é editora do Correio da Cidadania.

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Comissão do Senado aprova 1ª alteração na Lei da Anistia em 35 anos

Neste ano da passagem dos 50 anos do golpe cívico-militar de 64 e implantação da ditadura, a Comissão de Direitos Humanos do Senado aprovou hoje a revogação do caráter de reciprocidade da Lei de Anistia, que manteve sem julgamento e impunes completamente nos últimos 35 anos — a lei foi editada em 1979 — militares e demais agentes que torturaram e cometeram outros crimes  em nome do Estado durante o regime militar.

O projeto aprovado exclui da anistia concedida pela lei os crimes cometidos por agentes públicos, militares ou civis, contra os que combatiam e resistiam à ditadura, opositores do governo. A proposta também declara extinta, retroativamente, a prescrição desses crimes, o que poderia impedir, quando vierem a ser julgados, punição aos criminosos durante a ditadura.

O texto aprovado é de autoria do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). O autor afirma ser impossível punir crimes cometidos por agentes da repressão na ditadura militar sem que a Lei de Anistia seja modificada. “O caminho obrigatório é a investigação, a responsabilização e a punição dos culpados”, justifica ele.

Para sustentar a lei como está, disseminou-se discurso falso

Esta sua posição foi reforçada pelo relator da proposta, senador João Capiberibe (PSB-AP), para quem a falta de punição a esses crimes é “injusta” porque fere direitos humanos fundamentais. “A anistia aos agentes públicos que tenham cometido crimes políticos ou conexos como estes, contra opositores dos governos de então, fere nosso senso de justiça e nega a primazia dos direitos humanos reconhecida na Constituição”, reforçou Capiberibe.

O relator lembrou, também, que diversos países que viveram regimes ditatoriais já processaram, responsabilizaram, julgaram e condenaram aqueles que cometeram crimes em nome do Estado. “No Brasil, contudo, disseminou-se o discurso de que a anistia seria a condição necessária para que o país pudesse avançar rumo à redemocratização e à reconciliação”, lamentou.

O Brasil é um dos últimos países do mundo que viveu sob uma ditadura e que elabora Lei de Anistia com esse caráter recíproco, a revisá-lo e a demorar tanto tempo a fazê-lo — 35 anos. A revisão da lei aprovada hoje pela Comissão de Direitos Humanos do Senado, para entrar em vigor, ainda precisa passar por outras duas comissões da Casa e pela Câmara.

O 1º passo

A Comissão do Senado dá assim, o primeiro passo para aprovar mudanças na Lei que livrou de julgamento os que praticaram crimes políticos durante o regime militar. Nos 35 anos de sua vigência e mais acentuadamente nos últimos tempos, a Lei sempre esteve envolvida em polêmica exatamente por esse seu caráter de reciprocidade: os que combateram o regime foram processados, julgados e condenados cumpriram penas; os criminosos da ditadura estão completamente impunes até hoje.

Em 2010, o Supremo Tribunal Federal (STF) ao julgar ação movida pela Ordem dos Advogados do Brasil — seção nacional, disse entender de modo diferente dela e considerou a Lei constitucional, dando validade à reciprocidade. A OAB queria a responsabilização de agentes do Estado e militares acusados de crimes de lesa humanidade, como os de tortura, ocorridos durante a ditadura.

Desde 2010 o Brasil está condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) — cuja convenção de formação é assinada pelo Brasil — por omissão nos casos de desaparecimentos forçados na Guerrilha do Araguaia (1972-74), quando cerca de 70 militantes foram mortos (executados, já presos e desarmados).

Esta Corte determinou que o Brasil localize estes desaparecidos políticos,  penalize criminalmente seus assassinos e os que cometeram violações de direitos humanos durante a ditadura. A sentença pede ainda que o Brasil identifique e puna os responsáveis pelas mortes e ressalta que a Lei da Anistia não pode ser usada para impedir a investigação de crimes do período.

No Blog do Zé
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O helicóptero dos Perrellas persegue Aécio


Para usar a linguagem da internet, um texto do DCM viralizou ontem. Foi o que mostrava Aécio sendo interpelado, numa palestra no sul, por um estudante a respeito do helicóptero do pó.

Muitos outros sites reproduziram a nota. Foi o assunto do dia. Apenas no DCM, no momento em que escrevo, 30.000 pessoas já tinham curtido o texto no Facebook.

O que isso quer dizer?

Principalmente o seguinte: mesmo com o absoluto desprezo que a mídia dispensou ao caso, a imagem de Aécio ficou sensivelmente arranhada pelo escândalo.

Ninguém pode dizer, com seriedade, que Aécio tenha alguma coisa a ver com o helicóptero e sua carga.

Mas sua proximidade com os donos dos helicóptero, os Perrellas, expressa em tantas fotos de efusivo companheirismo que circulam na internet, está lhe cobrando seu preço.

Não adianta a mídia engavetar o caso, como se meia tonelada de pasta de cocaína fosse pouca coisa. A voz rouca das ruas não é boba.

Se o PSDB não estivesse tão desconectado dos brasileiros médios, a fama de playboy de Aécio teria sido um fator forte o bastante para que a ideia de sua candidatura fosse afastada, ou pelo menos mais intensamente estudada.

Quanto a fama é justa ou não é um ponto em aberto. Mas fatos como a recusa de Aécio em se submeter a um bafômetro e um vídeo no qual ele parece cambalear num bar no Rio não reforçam o perfil de homem austero que Aécio gostaria de possuir.

É verdade que o PSDB não tem tantos nomes assim, mas este é outro problema. Alguém falou em Serra? Não. Aécio só não é um candidato pior, no âmbito dos tucanos, do que Serra. (Serra é o oposto de Lula. Todos querem Lula candidato e Lula não quer. Ninguém quer Serra candidato e Serra quer.)

O PSDB caminha para o cemitério velozmente. Sua única chance de renascer seria com alguém novo, capaz de dizer coisas que empolguem não a banqueiros ou grandes empresários, mas ao povo.

Quem?

Se a resposta não for encontrada, o PSDB tem sérios problemas no capítulo da sobrevivência.

A Igreja Católica descobriu Francisco para se reinventar. Ou os tucanos acham o seu Francisco ou simplesmente se extinguirão.

Paulo Nogueira
No DCM
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Lula: cadê o DARF ?

“Depois (do mensalão) apareceu uma quantidade de sonegação de impostos que era muito maior que tudo o que se falava”, declarou Lula.

Projeção no prédio da TV Globo de São Paulo
Foto de Maria Frô, realizada no protesto do dia 11 de julho de 2013

Na entrevista a blogueiros realizada ontem, o ex-presidente Lula deu enigmática declaração sobre sonegação de impostos:

“Eu cansei de ver dizerem que aquilo (mensalão) foi a maior história de corrupção que já existiu nesse país. Sem dar os números. Mas depois apareceu uma quantidade de sonegação de impostos que era muito maior que tudo o que se falava. Eu tenho mais idade que vocês, aprendi que a gente não deve ficar nervoso”.



A quem será que Lula se referia?

O amigo navegante tem alguma ideia?
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Policial espanca mulher com criança no colo em ônibus


Mulher com criança no colo é espancada por policial porque supostamente não quis pagar a passagem de ônibus

Um vídeo divulgado no Facebook nesta terça-feira provocou a indignação de internautas. Nas imagens, uma mulher é covardemente espancada por um policial militar, na frente de seu filho, porque supostamente não quis pagar ou não podia pagar a passagem de ônibus. O episódio aconteceu em Recife (PE).

D.N (identidade preservada), autora do vídeo, relata que a mulher apanhou muito mais do que mostram as cenas captadas. “Foi uma baixaria. Pena que não deu para filmar mais e pior ainda para a criança que estava no colo da mãe”, conta.

Internautas exigem que a corregedoria da Polícia Militar investigue imediatamente o caso e que o poder público se manifeste através da Secretaria de Segurança do governo do Estado.

Assista ao vídeo:


No Pragmatismo Político
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"Datafolha falha ao tentar convencer que atua com isenção"


A pesquisa Datafolha resultante do trabalho de campo feito nos dias 2 e 3 de abril de 2014 é um primor de "dirigismo" e deixa várias pontas soltas em seu arrazoado defensivo de que a pesquisa não induz os entrevistados a serem anti-Dilma, anti-PT, anti-Reeleição.

Os próprios resultados mostram discrepâncias internas gritantes.

As pesquisas Datafolha dos últimos meses são quase sempre marcadas por um desejo incontido dos entrevistados por mudanças, sendo este pleito um daqueles "pró-mudança" no Palácio do Planalto;

As mesmas pesquisas Datafolha costumam identificar que o "a mudança desejada" na condução do Brasil não é quanto ao perfil partidário-ideológico do presidente da República, resultando invariavelmente em baixos índices de intenções de voto nos candidatos oposicionistas, Aécio Neves e Eduardo Campos e uma hipotética variação em que Marina Silva assumiria a cabeça da chapa do PSB;

Não precisa ser laureado com um improvável Nobel duplo reunindo Estatística e Ciência Política para perceber que tais fulgurantes inconsistências — qual seja, o brasileiro deseja mudança, mas esta tem que ser com Dilma, Lula e o PT no governo — pode ser muito mais resultado direto da forma como é idealizada os formulários com o conteúdo das questões levadas aos entrevistados. Essas questões pisam e repisam em questões que realçam o mal-estar do brasileiro mediano com a iminência do retorno da inflação, o aumento da criminalidade nos centros urbanos, os protestos populares de junho de 2013 claramente identificados pela grande imprensa como sendo anti-Governo, anti-Dilma, anti-PT, anti-Reeleição;

Premidos contra um cenário onde tudo desmorona, onde o futuro parece ser roubado do Brasil, onde são gritantes os sinais de falência do jeito petista de governar e onde o clima de corrupção e suspeição se alternam no noticiário nacional a cada novas 24 horas, fica evidente as técnicas de indução para "fazer a cabeça" dos entrevistados a tornar o pleito 2014 como francamente de oposição e não de continuidade;

Concluindo, temos diante dos resultados da última pesquisa Datafolha uma sociedade brasileira bipolar, indecisa, incoerente, insurgente e rebelada contra a atual estabilidade institucional que reina no país: quer porque quer mudar o Governo e quer porque quer continuar com o mesmo governo por novos quatro anos.

De duas, uma. O povo, no final das contas, não é bobo: aceita o "encaminhamento" racional levado a ele pelos pesquisadores do Datafolha, rejeita tudo o que é ruim e mal para o Brasil, mas conclui de acordo com suas reais intenções, suas mais sinceras intenções. E estas apontam para um Brasil que vem reescrevendo sua história, fazendo das políticas de inclusão (e justiça) social sua principal bandeira e plataforma política. E tendo na criação de empregos o mais forte contraponto à visão catastrofista há muito esposada pelos mais tradicionais meios de comunicação do país. Por isso, querem desesperadamente mudar tudo para assim manter o mesmíssimo governo, com as mesmas visões, ideais, plataformas e políticas públicas.

Nos últimos dias vemos um esforço do grupo Folha de S.Paulo, à frente o seu Datafolha, para justificar lisura procedimental na aplicação de pesquisas de intenção de votos, avaliação do governo e outros temas de interesse nacional.

Acontece que as explicações oferecidas estão muito longe de convencer.

Como uma pesquisa mostraria isenção se os cenários levados a campo favorecem claramente o Brasil que não dá certo e, por conseguinte, os candidatos da oposição a Dilma Rousseff?

Como fazer de conta que os questionários aplicados pelo Datafolha são nada mais nada menos que um extensão de sua política editorial, seguida à risca por seu noticiário geral e pelos muitos colunistas que — raríssimas exceções — tendem sempre a desgastar a imagem da presidenta, associar seu nome a coisas muito díspares.

Tais associações multidisciplinares associam claramente Rousseff ao ocaso do governo carioca de Sérgio Cabral, à possibilidade de apagões resultantes de escassez de chuvas a abastecer as principais represas do país, à morte de operários na construção do estádio paulista em Itaquera.

E martelam em diversos editoriais que a principal culpada pela compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras, era a presidente, pois em 2006 era a presidente do Conselho de Administração da Petrobras. Deixam de lado, estrategicamente e também corporativamente seus pares no referido Conselho — gente graúda como o peso-pesado da indústria Jorge Gerdau, Fabio Barbosa, presidente do Grupo Abril, que não por acaso edita a revista Veja, antiga ponta-de-lança instrumentalizada pelo conservadorismo para desalojar o Partido dos Trabalhadores do Palácio do Planalto.

A propósito, é sintomático constatar que o jornalismo-embromação continua se "fazendo de morto" ao tomar conhecimento dessas singelas declarações sobre o affair Petrobras-Pasadena e nada fazendo para levar tais declarações ao conhecimento do grande público:

1 — Fábio Barbosa, presidente da Editora Abril, que integrava o Conselho de Administração da Petrobras quando a compra da refinaria no Texas foi aprovada por unanimidade. Disse Barbosa: "A proposta de compra de Pasadena submetida ao Conselho em fevereiro de 2006, da qual eu fazia parte, estava inteiramente alinhada com o plano estratégico vigente para a empresa, e o valor da operação estava dentro dos parâmetros do mercado, conforme atestou então um grande banco americano, contratado para esse fim. A operação foi aprovada naquela reunião nos termos do relatório executivo apresentado."

2 — Cláudio Luiz Haddad, economista e empresário, afirma que a diretoria da estatal fez apresentação consistente do negócio e recomendou sua aprovação. Haddad também lembrou que as negociações foram assessoradas pelo Citibank, que deu aval às condições de compra da refinaria. "O Citibank apresentou um 'fairness opinion' (recomendação de uma instituição financeira) que comparava preços e mostrava que o investimento fazia sentido, além de estar em consonância com os objetivos estratégicos da Petrobras dadas as condições de mercado da época", disse.

3 — Jorge Gerdau Johannpeter, do grupo Gerdau, que ainda mantém cadeira no Conselho de Administração da Petrobras, afirmou que o negócio foi decidido com base em "avaliações técnicas de consultorias com reconhecida experiência internacional, cujos pareceres apontavam para a validade e a oportunidade do negócio." Gerdau assevera que ele, ao aprovar em 2006 a operação de compra e 50% de participação na refinaria Pasadena "não tinha conhecimento, como os demais conselheiros, das cláusulas Put Option e Marlim do contrato". A primeira dessas cláusulas obrigou a Petrobras, posteriormente, a comprar 100% a refinaria, o que trouxe prejuízos à estatal.

Para mostrar independência editorial e apartidarismo político não custava à Folha de S.Paulo abrir suas páginas para abrigar longas entrevistas com o trio Barbosa, Haddad e Gerdau. Seria um gesto condizente com seu discurso de "só ter rabo preso com o leitor", como clamava sua publicidade institucional em décadas passadas.

Depois disso, fica bem mais fácil acreditar no diabo quando declara ser muito chegado no uso diário de água benta que acreditar em um instituto de pesquisa que deixa tantos fios desencapados e espalhados, mas sempre, cuidadosamente, apontando para essa esquisita tendência bipolar da sociedade brasileira.

Daniel Quoist
No 247
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Pessimismo sugerido: como funcionou a pesquisa Datafolha

Na semana passada, o Muda Mais entrevistou o professor da UnB Dioney Moreira Gomes, que nos ofereceu uma análise linguística do questionário Datafolha. Segundo as observações do professor, ficou evidente que as perguntas do instituto de pesquisas dos Frias tinham o objetivo de plantar um clima de pessimismo entre os entrevistados.

Em entrevista concedida esta terça-feira a blogueiros, o ex-presidente Lula chamou atenção para o que considera “uma massa feroz de informações falsas que vão deformando a opinião das pessoas”, e avisou: “Temos que cuidar da percepção da sociedade sobre o que está acontecendo”.

Abaixo, uma comparação entre a análise do professor Dioney e o resultado (do que já foi divulgado até agora) da pesquisa. Na coluna da esquerda, a impressão linguística da tendenciosidade da pergunta, e à direita o resultado das respostas referentes ao assunto.

Copa do Mundo

A pergunta sobre a Copa do Mundo foi apresentada ao entrevistado depois de este ser aproximado de uma realidade de violência em três momentos.A percepção positiva de um evento festivo nem chega perto da associação de ideias. A tendência de resposta vai ser negativa, contrária ao evento A parcela dos que são favoráveis à realização da Copa registrou em abril o índice mais baixo já observado, 48%. (…) O índice dos que acreditam que a Copa trará mais benefícios do que prejuízos aos brasileiros caiu de 48% para 36% no período, enquanto a parcela dos brasileiros que acham que o evento trará mais prejuízos que benefícios aumentou de 44% para 55%.

Petrobras

“Tomar conhecimento” significa estar por dentro dos fatos; “não tomar conhecimento” é estar por fora. A tendência de resposta do entrevistado é de que sim, tomou conhecimento – ainda que nem saiba do que se trata. (…) 57% dos brasileiros tomaram conhecimento da polêmica em torno da compra da refinaria Pasadena(...)


Lembre-se de todas as perguntas anteriores que, além de tomarem boa parte do tempo do entrevistado, o levaram a pensar em caos e confusão. A tendência é que o entrevistado escolha a segunda opção, citando as palavras-chave dela: beneficiar e envolvidos. Com um raciocínio simples: “ainda que eu não tenha ouvido falar em nada, se algo aconteceu de errado tem a ver com maracutaia, corrupção". Para 39%, a compra da refinaria pela Petrobras foi feita por um valor acima do preço para beneficiar as pessoas envolvidas no negócio, para 19%, a compra foi feita por um valor acima do preço porque houve um erro de avaliação sobre as condições do negócio, e para 6%, a compra foi feita pelo preço que era justo na época. Um terço (34%) não soube responder

(Sobre a responsabilidade da presidenta na aquisição da refinaria de Pasadena)

A intenção aqui é imputar a culpa na presidenta, ainda que a Dilma Rousseff envolvida na compra da refinaria não seja a atual presidenta, mas a então ministra chefe da Casa Civil (observe que, para o questionário, é irrelevante se o entrevistado está bem informado ou não a respeito do assunto). Para 40%, a presidente Dilma Rousseff tem muita responsabilidade no caso da compra da refinaria. Entre os que estão bem informados sobre o tema, esse indice sobre para 71% (…)  A maioria dos brasileiros (78%) acredita que existe corrupção na Petrobras.

Aguardemos os próximos resultados da pesquisa. Continuará a análise linguística das respostas acertando os resultados das perguntas?

No Muda Mais
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Senado aprova CPI para apurar Petrobras, cartel do metrô-SP e porto de Suape-PE


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Mais uma covardia da Folha com Lula


Ontem o ex-presidente Lula foi vítima de um ataque covarde por parte da Folha de São Paulo. Na parte da manhã, Lula se reuniu com blogueiros em seu instituto, para uma palestra. Um dos assuntos abordados por Lula foi a situação da Petrobras. O ex-presidente acusou a oposição de só querer a CPI por questões eleitorais. Segundo ele, o PSDB nunca quis criar CPI para nada, nem quando esteve na presidência, muito menos no governo do estado de São Paulo. O ex-presidente estranhou o fato de que “agora, de repente, essas pessoas que nunca deixaram que uma CPI fosse criada, passaram a se interessar pelo assunto”. Lula concluiu o racicínio sugerindo que o PT nesse ponto deveria “ir para cima”, mostrando a hipocrisia e a incoerência dos tucanos.

A Folha de São Paulo fez uma manchete criminosa no site, para mostrar Lula como um corrupto, que não quer investigar a Petrobras. Por volta das 18:00 horas, Lula se manifestou no seu Facebook oficial. Ele disse que a Folha e o Globo distorceram sua declaração e disponibilizou o vídeo orginal com o trecho que gerou a polêmica. No vídeo, fica claro como a fala de Lula foi distorcida pela imprensa.

Infelizmente, os leitores desses dois jornais foram mais uma vez manipulados e nunca saberão da verdade. O vídeo com a fala original de Lula, exatamente no trecho distorcido, está disponível abaixo:



No DesmascarandoGloboFolha
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Franklin Martins: "Todo sistema eleitoral tem problemas, mas nós estamos com o pior"

O ex-ministro de Lula recorda que, há dez anos, todos os jornais eram a favor da reforma política — e explica porque este sentimento mudou.

Ex-ministro de Lula e recentemente encarregado de cuidar da imagem de Dilma na imprensa e redes sociais para a reeleição, Franklin Martins não se ilude com o potencial de mudanças à esquerda dentro dos atuais sistemas eleitoral e político brasileiros.

"De um modo geral, os políticos sempre descobrem uma fórmula que se adeque melhor a eles. Eles não querem mudar. Mas não são os únicos", afirma.

Em entrevista durante debate no Leblon, o jornalista que deixou a Rede Globo em 2006 recorda que, há dez anos, todos os jornais eram a favor da reforma política: "já não há mais este sentimento. Os jornais acham que o 'mingau' do Congresso é eficiente para segurar o executivo. O discurso não é mais contra o sistema político, mas contra a política."

Carta Maior — Por que o sistema eleitoral brasileiro é tão problemático?

Franklin Martins — Todo sistema eleitoral tem problemas, mas nós estamos com o pior. Temos um sistema eficiente na eleição majoritária em dois turnos para presidente, governadores e prefeitos. Ele não impede que o eleitor erre na escolha, mas o eleitor sabe exatamente quem escolheu. Já na eleição proporcional, para senadores, deputados federais, deputados estaduais e vereadores, não há eficácia nem transparência.

O eleitor vota em um candidato, mas o voto dele pode eleger outro e até de outro partido. Três meses depois da eleição ninguém mais lembra em quem votou. O sistema proporcional do Brasil só tem igual na Finlândia. Em todos os outros países o voto é distrital ou em lista fechada. Por isso, aqui, o candidato se elege e acha que não deve nada a ninguém — a não ser a quem financiou a campanha dele. A sensação é de que o Congresso Nacional é dominado pelo poder econômico.

— Por que a reforma política enfrenta tanta resistência?

— De um modo geral, os políticos sempre descobrem uma fórmula que se adeque melhor a eles. Eles não querem mudar. Mas não são os únicos. Há dez anos, todos os jornais eram a favor da reforma política. Já não há mais este sentimento. Os jornais acham que o 'mingau' do Congresso é eficiente para segurar o executivo. O discurso não é mais contra o sistema político, mas contra a política.

— Como vencer as resistências?

— A reforma política depende de um fato diferente. É preciso uma manifestação popular ou o Supremo Tribunal Federal decidir que há limite para o financiamento privado de campanha.

O ideal seria produzir uma maioria política para se aprovar a reformar política. Mas o PT elege o presidente da República há três eleições e não elege 20% dos deputados federais.

Os primeiros passos para uma mudança poderiam ser a limitação do financiamento privado de campanha e a adoção de um sistema eleitoral com lista fechada para as eleições proporcionais. Se não se resolver isso, teremos uma crise permanente e o discurso de que o Brasil não tem mesmo jeito só se fortalecerá.

— A mídia técnica não impediu que veículos de oposição ao governo federal ainda sejam os maiores beneficiários das verbas de propaganda oficial. Por quê?

— O governo federal não faz publicidade para distribuir verba, mas para se comunicar. E também não pode levar em conta se o jornal é a favor ou contra. Se o governo não vai dar verba para o jornal que é contra, então não vai se comunicar. A mídia técnica foi um avanço, mas precisa de outros mecanismos. Ela impôs regras, mas precisa ser complementada. O governo Dilma errou. A internet devia receber 15% da dotação, mas só tinha 5%. Agora equiparou.

— A aprovação do Marco Civil da Internet é um passo para a democratização dos meios de comunicação?

— Se for aprovado também pelo Senado será uma vitória relevante porque estabelece princípios importantes, como a neutralidade (que impede a variação da velocidade de conexão do usuário de acordo com o tipo de página na internet que ele visita ou programa usado), a privacidade (que garante a inviolabilidade e sigilo das comunicações do usuário e o não fornecimento a terceiros sobre registros de conexão à internet) e a inimputabilidade (que define que a responsabilidade por um conteúdo postado em algum aplicativo não é da empresa responsável pela conexão ou pelo acesso a este aplicativo, mas de quem o postou). A lei ficou de ótimo tamanho. Foi importante porque o governo Dilma peitou grandes grupos ao estabelecer regime de urgência constitucional para aprovar o projeto.

Paulo Vasconcellos
No Carta Maior
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O Supremo Tribunal Federal, depois da tempestade

A grande tempestade midiática, do julgamento do "mensalão", deixou sequelas no STF (Supremo Tribunal Federal) e, na época, provocou dúvidas justificadas sobre as intenções democráticas da mais alta corte, especificamente do grupo de cinco Ministros — Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes, Ayres Britto, Marco Aurélio de Mello e Luiz Fux — mais o Procurador Geral da República Roberto Gurgel, o chamado 5 + 1.


Em algumas circunstancias, é de tal ordem o poder de exacerbação da opinião pública, por parte dos grupos de mídia, que qualquer Olimpio Mourão Filho, com um bando de recrutas, pode provocar uma hecatombe política; ou então um aventureiro qualquer com um exército de togados. E o grupo dos 5 + 1 não se pejava de provocar conflitos com o próprio Congresso Nacional.

Os tempos são outros. O fim do julgamento e a mudança da composição do STF, dissolveram o clima anterior.

Hoje em dia, advogados que frequentam o STF dão conta de novos ares por lá.

Fim de namoro

Depois de ser incensado o quanto pode, o presidente do STF Joaquim Barbosa foi descartado pelos grupos de mídia. No "mensalão", seus arroubos eram tratados de forma épica; fora do "mensalão", como manifestação de um sujeito sem verniz no banquete dos veneráveis. 

Resta a Barbosa o esperneio de defender a regulação da mídia — com argumentos consistentes.

Aparentemente, também caiu sua ficha sobre sua falta de condições políticas, inclusive para sair  candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro. Além de enfrentar um candidato competitivo — Marcelo Crivella — Barbosa teria que se sujeitar a práticas impensáveis para que, como ele,  gozou intensamente com os poderes imperiais de que se viu revestido. Depois de tornar-se um deus vingador, como negociar com financiadores de campanha, subir o morro, ser tratado como um igual pelos demais políticos? Teria que demonstrar uma humildade e uma disposição para o trabalho que não bate com sua biografia.

No STF, não é mais dada como certa nem sua aposentadoria a partir de novembro, quando termina seu mandato de presidente da casa. Até lá, continuará praticando arbitrariedades e  enfrentando a ojeriza discreta de todos os segmentos representativos do Judiciário.

Já seu colega Gilmar Mendes permanecerá perseguindo tenazmente a tarefa de desmoralizar a mais alta corte. À sua lista de medidas polêmicas, soma-se mais uma, o pedido de vistas — ou de "perder de vista", como qualificou o Ministro Marco Aurélio de Mello — na votação do financiamento público de campanha, atendendo às demandas do PMDB,  do presidente da Câmara Henrique Alves e do notório Eduardo Cunha.

Mais. O impensável Luiz Fux declarou-se impedido de julgar ações do escritório do notório advogado Sérgio Bermudes, já que sua filha é advogada sócia. Já Gilmar não tem limites. Continua julgando causas milionárias patrocinadas por Bermudes, mesmo tendo sua mulher como sócia do escritório.

Em suas idas ao Rio, o próprio motorista de Bermudes o pega no aeroporto e o leva ao apartamento que o advogado mantém no Rio para visitas ilustres. E O IDP (Instituto Brasiliense de Direito Público) continua sua carreira de sucesso, oferecendo serviços milionários a tribunais sob a mira do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

O fim das alianças

Longe se vão os tempos em que os alarmes de Gilmar influenciavam almas crédulas, como do Ministro Celso de Mello.

Hoje em dia, sua capacidade de influenciar colegas é vista como nula, com exceção da Ministra Carmen Lúcia — talvez a pior surpresa de toda essa lavra de Ministros do STF.

A Ministra tem impressionado pelo despreparo com que atua em vários temas e por alguns aspectos de sua personalidade que têm desapontado enormemente antigos conhecidos.

Quando Gilmar pediu vistas do processo de financiamento de campanha, Marco Aurélio de Mello — que deveria votar após Gilmar — antecipou seu voto, contrário ao financiamento. Carmen Lúcia, que deveria votar antes, preferiu se abster, em uma demonstração de falta de firmeza.

Outra Ministra, Rosa Weber, é considerada ainda como não adequadamente preparada para a função por ter feito carreira exclusivamente na área trabalhista. Mas é vista como séria, estudiosa e com personalidade. É só questão de tempo para se adaptar.

Decano dos Ministros, e referência por seu conhecimento, Celso de Mello desvestiu a toga de centurião, que vergou antes e durante o "mensalão". Depois de ter merecido uma capa da Veja, com uma foto desmoralizadora — algo que nem Ricardo Lewandowski ganhou — parece ter caído sua ficha sobre a capacidade de manipulação da mídia.

Continua a merecer o respeito técnico, assim como Lewandowski — que, além do preparo, tornou-se uma referência inesquecível da fortaleza dos grandes juízes, ao resistir heroicamente ao massacre que lhe foi imposto pelos grupos de mídia.

Teori Zavaski é uma unanimidade de seriedade, discrição e afinco pelos estudos, mesmo de quem discorda de seus votos. Embora mais falante, Luis Roberto Barroso ganhou respeito geral não apenas pelos votos mas pela forma firme e educada com que enfrentou a truculência de Joaquim Barbosa.

Marco Aurélio de Mello continua ele: divertindo-se quando investe contra a maioria e mais calmo, depois da indicação da filha para o Superior Tribunal de Justiça do Rio.

Luiz Fux continua Luiz Fux, um autêntico rebento do Posto 9 do Rio de Janeiro, de uma simpatia contagiante e outros atributos sociais tipicamente cariocas. E só.

Dias Toffoli ainda desperta controvérsias. De um lado, os que criticam sua fraqueza; do outro, os que admitem sua fraqueza, mas ressalvam que passou a estudar mais nos últimos tempos.

Luis Nassif
No GGN
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Candidato tucano em Minas é alvo da Polícia Federal

Ele
O jornal O Estado de São Paulo está atrasado quase um ano na divulgação de notícia contra o tucano Pimenta da Veiga, ex-ministro das Comunicações de FHC, atual coordenador da  campanha de Aécio e candidato  do PSDB ao governo de Minas. Neste post de julho de 2013,  no meu blog na Rede Brasil Atual, os leitores foram informados com muita antecedência  da notícia publicada somente hoje no jornalão.

No Estadão dessa quarta feira (09): Candidato de Aécio em Minas é alvo da PF.
Tucano Pimenta da Veiga é investigado por receber R$ 300 mil de agência de Marcos Valério em 1998.
A imagem a cima é de um post desse blog de 2012 - Clique e leia
O ex-ministro das Comunicações Pimenta da Veiga, candidato do PSDB ao governo de Minas, prestou no fim de março depoimento na Polícia Federal, em Brasília, em um inquérito que apura o repasse de recursos da SMPB, de Marcos Valério Fernandes de Souza, no mensalão mineiro. O tucano admitiu ter recebido R$ 300 mil da agência de publicidade, mas disse que o valor se referia ao pagamento por serviços de advocacia. O tucano, que foi eleito deputado federal em 1998, não apresentou comprovação dos serviços.

Segundo a PF, Pimenta cumpriu carta precatória expedida pela Superintendência da corporação em Minas, que instaurou uma investigação no ano passado. O inquérito é um desdobramento da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República em 2008 e apura outros repasses da SMPB.

Na acusação formal, o Ministério Público Federal apontou que a campanha à reeleição do então governador de Minas, Eduardo Azeredo (PSDB), em 1998, foi abastecida por um esquema de arrecadação ilegal de recursos que envolvia a agência de Valério. Pimenta da Veiga não foi denunciado.

Porém, citado no inquérito original da PF, ele passou à condição de investigado no novo procedimento instaurado em 2013.A PF rastreou depósitos feitos pela agência de Marcos Valério à conta de Pimenta.

Empréstimo

Durante a comissão parlamentar mista de inquérito dos Correios, em 2005, foi encontrado um contrato de empréstimo de R$ 152 mil contraído pelo ex-ministro no Banco BMG de Belo Horizonte no qual figuravam como avalistas Marcos Valério e sua ex-esposa Renilda Santiago.

Em fevereiro, Eduardo Azeredo (PSDB) renunciou ao mandato de deputado federal. Com a perda do foro privilegiado, o Supremo decidiu transferir para a 1.ª Instância, em Minas Gerais, a ação penal contra o ex-governador, acusado dos crimes de peculato e lavagem de dinheiro. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu pena de 22 anos de prisão para o ex-deputado. Azeredo alega inocência e diz que é "bode expiatório" de uma "ação que tem contaminação política".

Foi Pimenta da Veiga quem proporcionou que Azeredo disputasse sua primeira eleição, como candidato a vice-prefeito de Belo Horizonte na chapa vitoriosa em 1988. Um ano e meio depois, ele assumiu a prefeitura da capital mineira após Pimenta renunciar para disputar o governo do Estado. O tucano perdeu a eleição daquele ano - 1990.

Helena
No Amigos do Presidente Lula
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Lula: quem sabe faz a hora

Ao dar uma de suas mais contundentes entrevistas através da rede de blogs e sites progressistas, Lula sinalizou um novo divisor ao PT, ao governo e à campanha.

O presidente da Suprema corte do país mantem um líder político encarcerado há três meses, em ilegal e ostensiva afronta ao desfecho do processo do qual foi o relator e no qual o condenado teve o benefício do regime semiaberto.

A mídia ‘isenta’ trata o escárnio jurídico incomum como um fato da natureza.

A prisão do líder da extrema direita venezuelana, Leopoldo López, acusado de incitar a violência que causou inúmeras mortes no país, ademais de liderar atentados a prédios públicos, incluindo-se a edificante prática de incinerar universidades, ensejou mais indignação nas páginas dos veículos isentos do que o aleijão jurídico a que é submetido o ex-ministro José Dirceu.

A produção industrial cresceu pelo segundo mês consecutivo em fevereiro, mais 0,4%; já havia avançado 3,8% em janeiro. O resultado sopra vento a contrapelo das dificuldades reais e magnificadas do setor manufatureiro.

A mídia especializada trata o fato como um segundo ponto fora da curva granítica do ’Brasil aos cacos’; não concede o benefício sequer da reflexão aos fatos, independente do quanto eles gritem nas estatísticas.

A presidente do Fed norte-americano, Janet Yellen, reafirmou esta semana, pela terceira vez consecutiva, que as fragilidades do sistema produtivo e, sobretudo, as inconsistências de um mercado de trabalho dominado pelo vínculo precário, exigirão a persistência de juros muito baixos nos EUA — mesmo depois de flexibilizada a taxa, e por um longo período.

A mídia dá de ombros e continua a alardear a ‘iminente’ alta do custo do dinheiro nos EUA.

O argumento reitera a lógica da reversão do fluxo de capitais no mundo, em prejuízo das contas externas brasileiras, já pressionadas pelo déficit comercial.

Detalhe: enquanto isso, o dólar derrete no país sob a pressão de ingressos recordes de capitais especulativos, que vem engordar no pasto dos juros altos defendidos pela mesma mídia.

O presidente Nicolas Maduro incorpora a mediação da Unasul e dá seguidas demonstrações de disposição para negociar uma trégua com grupos oposicionistas.

A mídia continua a desdenhar da Unasul — bom é a OEA dominada pelo interesse dos EUA — e a descrever o governo venezuelano como um descendente direto das ditaduras trogloditas latino-americanas que ela nunca hesitou em apoiar.

À líder da extrema direita, María Corina, que recusa o diálogo proposto por Maduro, do qual fará parte Capriles, o dispositivo midiático conservador concede um tratamento de estadista em sua passagem pelo Brasil esta semana.

O metrô de São Paulo comparece dia sim, dia não nas páginas isentas do noticiário conservador como palco de panes e outros evidentes sintomas de saturação estrutural.

Ninguém diz ‘imagina na Copa’ para essa obra ilustrativa do apuro administrativo tucano.

Neste caso também, a anomalia é reportada como evento da natureza.

A dificuldade em associar o colapso operacional do metrô paulista a outro fenômeno sistêmico — a lambança entre carteis e licitações fraudulentas em uma década e meia de administração tucana na empresa — é flagrante.

A longa sedimentação desse condomínio de interesses lesou o cofre público bandeirante com um sobrepreço ora aventado em torno de 30%.

Repita-se: durante década e meia. Período no qual a rede metroviária da capital avançou a passo de tartaruga manca para somar hoje fantásticos 74 km de trilhos: 1/3 da malha mexicana, que começou junto.

Há enorme abismo entre o que o jornalismo conservador relata e a efetiva relação causal entre as paralelas da ineficiência e da corrupção. Ambas sistêmicas e longevas abarcando gestões de Covas, Serra e do atual governador, Geraldo Alckmin — candidato a protagonizar duas décadas do PSDB no comando do metrô.

A mesma dificuldade não acomete o ímpeto investigatório da mídia no caso da polêmica compra da refinaria de Pasadena pela Petrobrás.

As conexões com os habituais doleiros e lavadores de recursos são garimpadas, ou inferidas, com a isenção sabida, e a avidez costumeira.

Note-se, ademais, que no caso da Petrobras o subtexto da ‘estatal controlada pelo petismo’ serve como denuncia subliminar do ‘intervencionismo da Dilma’. Ademais de redimir — indiretamente — a agenda privatista do PSDB contra a empresa.

Uma pergunta argui o colunismo da indignação seletiva: que ilação histórico-ideológica poderíamos extrair da união estável entre cartel privado e governos liberais conservadores do PSDB em São Paulo?

O cartel é a forma de planejamento hegemônica em nosso tempo. Uma forma de planejamento privado da sociedade pelo capital. Ou a serviço do capital.

Cada vez mais, grandes corporações substituem a concorrência pelo rateio clandestino de cotas em uma licitação. O ilícito assegura lucros robustos de oligopólio a cada um dos participantes da operação fraudulenta.

Imperasse a livre concorrência, os custos desabariam.

O lucro seria da sociedade, ao contrário do que ocorre em São Paulo há uma década e meia, em que os cofres públicos pagam o sobrepreço do butim.

Tão ou mais grave, porém, foi o assalto paralelo que a mídia praticou ao longo destes anos, contra o discernimento crítico da sociedade.

O alarido do cartel midiático contra tudo o que exalasse o mais tênue aroma do interesse público e da participação estatal na economia revestia de ares de eficiência — inquestionável — a lambança que os titãs do neoliberalismo nativo e os cartéis privados cometiam contra o interesse público.

No jogral que nunca desafina, em diuturna catequese ‘informativa’, lá estava a turma do choque de gestão; os liquidacionistas da era Vargas; os trovadores do Estado mínimo; o pelotão antigasto público; os áulicos das finanças desreguladas; os vigilantes do ‘superávit cheio’; os algozes do BNDES; os prosadores da desindustrialização virtuosa (concorrência livre); os mariners do ‘custo Brasil’; os porta-vozes da república rentista...

Os mesmos que agora se escandalizam com Pasadena, mas se mostram comedidos quando se trata de responsabilizar os altos escalões da queijaria suíça nas licitações do metrô tucano.

Conceda-se o mérito da coerência ao jornalismo conservador.

É exemplar a forma comedida com que trata personagens como o guarda-livros do rateio do metrô, o impoluto vigilante das contas estaduais tucanas, Robson Marinho, por exemplo.

Estratégico integrante do Tribunal de Contas do estado, do qual já foi presidente, Robson Marinho, teve sua singela vida bancária foi estourada pela justiça suíça.

Nem por isso o Jornal Nacional exibiu as imagens aéreas da ilha e dos dois edifícios de propriedade do tucano detentor de saldo de US$ 1 milhão em casa bancária de Genebra.

O Estado mínimo que tem na mídia isenta um centurião das suas virtudes é o escopo desse enlace de pautas, interesses e ética.

A cansativa rememoração desses paradoxos pinçados a esmo entre as inúmeras demonstrações de isenção do jornalismo conservador remete a certas constatações que, a julgar pela entrevista do ex-presidente Lula nesta 3ª feira, passaram — finalmente — a ordenar a agenda progressista.

A saber: não há a menor hipótese de se contar com uma nesga de imparcialidade na mediação que o dispositivo midiático faz e fará da disputa política sangrenta em curso no país.

O espaço de diálogo do governo e do PT com a sociedade terá que ser urgentemente pavimentado e ampliado através de outros canais.

Ao dar uma de suas mais contundentes entrevistas à rede de blogs e sites progressistas, o ex-presidente Lula sinalizou um precedente às demais instancias do partido, do governo e dos responsáveis pela campanha da reeleição da Presidenta Dilma.

É crucial que o recado seja entendido e incorporado.

Mais que isso. Lula fez um visceral apelo à luta política, aquela que condiciona o passo seguinte do país ao engajamento da sociedade.

O exemplo deve começar por quem tem a responsabilidade de liderar o processo: o próprio PT.

A campanha eleitoral deve servir a isso. Ou não servirá a nada.

Saul Leblon
No Carta Maior
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A canibalização dos porcos e a alimentação dos homens


Os suinocultores brasileiros estão pedindo ao Ministério da Agricultura — que está “estudando” o assunto — a adoção da suspensão da importação de plasma, material genético, e animais reprodutores dos EUA.

Os Estados Unidos estão enfrentando, neste momento, uma epidemia do vírus da DES — Diarréia Epidêmica Suína, que chegou aos EUA no ano passado, e já atingiu outros países americanos, como o México, Canadá, República Dominicana, Colômbia e Peru, nos dois últimos casos, países que fazem fronteira com o Brasil.

Mais que com animais vivos, e com material genético, a preocupação de técnicos e veterinários está voltada para o plasma de sangue de suínos importado dos EUA para completar a ração que é dada aos nossos suínos, o que lembra a velha expressão de que “ do porco só não se aproveita o berro”, e nos revela a existência de práticas de vampirismo dignas de um romance como “Crepúsculo” estreado por porcos, como símbolo do ponto a que chegou o capitalismo na canibalização das espécies em prol da busca desenfreada do lucro.

O uso de proteína derivada da carne, sangue e ossos de mamíferos para a alimentação de animais que não precisam necessariamente disso em sua dieta — principalmente quando derivada da própria espécie - não é boa conselheira.

Primeiro, porque se o plasma fosse bom, os Estados Unidos o estariam usando para completar a alimentação de seus próprios suínos, e não enviando-o para outros países.

E, em segundo lugar, por causa do impactante exemplo da “vaca louca”, doença que levou ao abate de milhões de reses e trouxe centenas de bilhões de dólares em prejuízo a pecuaristas do dito Primeiro Mundo, justamente por causa da utilização de farinha de carne e ossos de mamíferos contaminados com Encefalopatia Espongiforme Bovina, para completar a ração normal de animais da mesma espécie.

A “vaca louca” levou à proibição, na Inglaterra, a partir de 1996, de qualquer proteína animal na alimentação de ruminantes. A essa altura, a doença já havia se espalhado — por meio da exportação de animais para reprodução e de farinha de ossos e carne pela Inglaterra — para várias partes do mundo, causando enorme prejuízo econômico e colocando em risco milhares de vidas, já que ficou provada depois a sua relação com o aparecimento em humanos de uma nova variante da doença de Creutzfeldt-Jakob, que é provocada pelo consumo de produtos bovinos contaminados.

Considerando-se a íntima relação mercadológica e regulatória entre os Estados Unidos e a Inglaterra, é preciso saber se, devido à “vaca louca”, estendeu-se a proibição do uso de proteína de mamíferos vigente na Grã-Bretanha aos EUA, e se a mesma lei vale para suínos. Assim, descobriríamos porque os EUA nos exportam — e não consomem em sua própria ração — o plasma que retiram do sangue de seus porcos.

A vinda à luz desses aspectos, no mínimo, controversos, da Guerra dos Porcos, no contexto da batalha mundial da produção e consumo de proteína animal pelo mercado humano, exige, da parte do Governo Federal, duas atitudes:

Proibir imediatamente — por meio da ANVISA e do Ministério da Agricultura — o uso de proteína animal — ou, ao menos, de mamíferos — na alimentação de porcos, aves e bovinos.

Aceitar o pedido do setor, de imediata imposição de barreiras à entrada de suínos vivos e de seus subprodutos — principalmente o plasma — de fora do país.

Isso tem que ser feito não apenas por uma questão sanitária, mas também de marketing e de geopolítica. O Brasil não pode, justamente agora, que está a ponto de substituir — devido à questão da Crimeia — os Estados Unidos como fornecedor de carne suína, bovina e de aves, para a Rússia, permitir que surja o mínimo empecilho no aproveitamento dessa oportunidade.

Isso, sem falar da possibilidade, que não se deve descartar, do aparecimento — devido à importação de “insumos protéicos” de outros países — de graves doenças que podem afetar a saúde da população brasileira.
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Fux nega anular ação por furto de galinha em Minas


Luiz Fux quer ouvir MPF; decisão final será tomada por turma do STF.
Defensoria Pública tentou anular ação pelo princípio da insignificância.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux negou conceder liminar (decisão provisória) para anular uma ação penal contra homem que responde a processo na Justiça de Minas Gerais por ter tentado roubar um galo e uma galinha, avaliados em R$ 40. A decisão foi tomada na semana passada e publicada na sexta-feira (4).

A 2ª Vara da Comarca de São João Nepomuceno (MG) abriu ação contra Afanásio Maximiniano Guimarães em setembro do ano passado por furto, crime que pode resultar em prisão de um a quatro anos.

A Defensoria Pública recorreu ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais, por meio de um habeas corpus, alegando o princípio da insignificância (quando não há gravidade no crime ou o valor do furto é irrisório). A Sexta Câmara Criminal do TJ negou pedido para trancar a ação penal por entender que só poderia anular o processo por furto se não houvesse indícios de autoria do crime.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) também negou anular a ação por meio de liminar, e o caso chegou ao Supremo.

Segundo a decisão de Fux, no pedido ao STF, o réu "reitera a tese de aplicabilidade do prinípio da bagatela no caso sub examine, tendo em vista o pequeno valor da res furtiva". O acusado afirma ainda que devolveu a galinha e o galo furtados.

Para o ministro do Supremo, a questão relativa à anulação ou não da ação penal contra o homem deverá ser analisada em definitivo pela Primeira Turma do Supremo, e não por meio de uma liminar. Luiz Fux pediu que o Ministério Público Federal se manifeste sobre o tema.
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De Millôr, ao Barão de Itararé


Há um velho dito popular de que uma foto vale mais do que mil palavras, embora o falecido Millor Fernandes costumasse desafiar os que acreditavam nessa citação a traduzir numa foto este dito.

Em todo o caso, a foto de senadores e deputados, na terça-feira, entrando com uma ação no STF para que a CPI do Congresso investigue apenas a Petrobras é altamente reveladora

Lá estão os deputados e senadores do PSDB, PSB e DEM, todos eles interessados em desestabilizar o governo do PT e no meio deles, o senador Pedro Simon, dando uma de político independente, mas certamente já pensando que esta atitude pode ajudá-lo numa nova candidatura a mais oito anos no Senado.

Pelo seu apetite em aparecer nessa questão política do momento, não será dessa vez que seus companheiros do PMDB gaúcho vão poder pensar em renovar sua bancada no Senado.

Simon é certamente o mais longevo das figuras de destaque na política gaúcha. Uma carreira que cresceu, quando a maioria dos dirigentes do seu partido na época, o PTB, foi cassada pelo golpe de 64 e continuou com a democratização, quando se tornou praticamente o dono do PMDB gaúcho, depois de recusar uma aliança com Leonel Brizola para retornar ao velho PTB.

Na semana passada, após a oposição protocolar um pedido de CPI pedindo investigação exclusiva da estatal, senadores governistas apresentaram requerimentos solicitando que, além da Petrobras, também sejam apurados assuntos sensíveis para partidos da oposição, como o escândalo sobre a formação de cartel nos metrôs de São Paulo e do Distrito Federal durante governos comandados pelo PSDB e DEM.

O pedido dos governistas também defende a investigação dos contratos do porto de Suape e da refinaria de Abreu Lima, em Pernambuco, que são do governo do presidenciável Eduardo Campos (PSB).

O senador Aloísio Nunes, (PSDB/SP) cujo nome apareceu nas denúncias sobre corrupção no metrô de São Paulo disse: “Viemos aqui no Supremo em defesa da democracia. Queremos investigar os fatos. É um direito nosso”,

O mesmo tom foi mantido pelo candidato à Presidência Aécio Neves: “Mais do que defender a CPI, estamos aqui para defender o Parlamento brasileiro”.

Para defender a democracia e a liberdade, os dois políticos do PSDB são seletivos. Apenas o caso da Petrobrás interessa. As propinas amplamente comprovadas no caso de São Paulo, isso sem falar nos escândalos da compra de votos para a reeleição de FHC e a privatização das teles, obras do PSDB, não lhes dizem respeito e não afetam nem a democracia e muito menos a imagem do Parlamento.

Pela primeira vez falando publicamente sobre o caso da Petrobras, o ex Presidente Lula disse, esta semana:

“O governo tem de ir para a ofensiva e debater esse assunto com muita força. A gente não pode ficar permitindo que, por omissão nossa, as mentiras continuem prevalecendo. Temos de defender com unhas e dentes aquilo que achamos que é verdadeiro, os fatos concretos”

Lula lembrou como começou o caso do “mensalão: “Como é possível que uma CPI que começou investigando 3 mi reais numa empresa pública (Correios) presidida pelo PMDB, com um cara do PTB investigado, terminou no PT?

Para Lula, a oposição trabalha para enfraquecer a Petrobras de olho nas eleições de outubro.

“Uma das razões pelas quais nascemos era pra combater esses equívocos que o PT muitas vezes comete. A elite nunca foi condescendente com a esquerda, e a esquerda sempre foi condescendente com a elite. Sempre que ela pode, ela foi pra cima. É assim no mundo inteiro”.

Esta semana, a capa da Revista Veja mostra a estrela do PT manchada de óleo e a chamada “Como o PT está afundando a Petrobras”. É uma guerra declarada da mídia contra o Governo Dilma, que ganha as cores mais escandalosas na Veja, mas que está presente em praticamente toda a mídia brasileira.

Em 1964 o Correio da Manhã pregou abertamente o golpe, com duas manchetes sucessivas — Basta e Fora — pedindo a derrubada do Presidente Goulart. Hoje, a exceção da Veja, a grande mídia ainda se mostra comedida, mas a expectativa é a mesma de criar uma imagem de descalabro nas ações governamentais.

Alguns sinais já indicam que ela está novamente em guerra, preparando os espíritos para a disputa eleitoral de outubro, mas quem sabe também sonhando, se uma nova derrota acontecer, num golpe, que pode ser via parlamentar, como no caso do Paraguai, ou com um processo de agitação nas ruas que force uma intervenção militar, como está sendo posto na Venezuela.

De qualquer maneira, mesmo que governo americano esteja hoje mais preocupado com a questão da Ucrânia, não faltará — como nunca faltou — o seu apoio para mais uma quartelada na América Latina, como aconteceu em 64 no Brasil e 73 no Chile.

Como dizia o Barão de Itararé, há muita coisa no ar e não são apenas os aviões de carreira.

Marino Boeira, formado em História pela UFRGS. Jornalista e publicitário. Ex-professor de disciplinas da área de Comunicação na PUCRS e Unisinos. Publicou três livros de ficção: De Quatro, com outros três autores, Raul, Crime na Madrugada e Tudo que você NÃO deve fazer para ganhar dinheiro na propaganda. É um dos participantes dos livros de memória: Nós e a Legalidade, Salimen, uma história escrita em cores e Porto Alegre é assim.
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