8 de abr de 2014

Terra, Marte, "lua de sangue" e os adoradores do fim do mundo


O planeta Marte estará muito mais brilhante neste mês de abril e poderá ser visto a olho nu em todo o país na noite de hoje (8). Ele estará em oposição ao Sol, ou seja, cada um estará de um lado diferente da Terra.

As oposições ocorrem a cada dois anos, aproximadamente, quando Marte fica a uma distância mínima da Terra. O espaço entre os dois planetas na noite de hoje será 93 milhões de quilômetros.

O planeta vermelho vai aparecer ao Leste ao anoitecer. Vai cruzar o céu, próximo à Espiga, a estrela mais brilhante da Constelação de Virgem, e vai se por no Oeste ao nascer do Sol.

Na noite de hoje, olhando para cima, Marte será um ponto laranja.

O astrônomo Jair Barroso, pesquisador do Observatório Nacional, diz que, olhando para o céu todos os dias por uma ou duas semanas, as pessoas vão notar as diferenças. “Marte vai aparecer praticamente com o mesmo brilho, mas irá mudando de posição em relação à estrela Espiga. Por ser um planeta que está mais perto da Terra, aparenta ter um deslocamento mais rápido”, explica o astrônomo.

O fenômeno se dá uma vez a cada 778 dias. Mas o fato que chama a atenção dos que adoram pensar no fim do mundo é que o evento destes dias antecede as "luas de sangue", um fenômeno que poderá ser visto da terra na semana que vem e alguns místicos associam como sinal do fim dos tempos (o que não falta neste mundo são adoradores do fim do mundo...). Trata-se de uma rara sequência de quatro eclipses lunares chamada de tétrade ("luas de sangue"). O ciclo começa na semana que vem, no dia 15 de abril, e terminará apenas no ano que vem: os eventos ocorrem 15 abril/2014, 8 de outubro/2014, 4 de abril/2015 e 28 de setembro de 2015.

De acordo com a Nasa, as "quatro luas de sangue" só foram vistas três vezes em mais de 500 anos:1493, 1949 e 1967.

Os místicos veem nessas datas importantes associações: em 1493 era Idade Média, E na ocasião os judeus foram expulsos da Espanha pela Inquisição; em 1949, nasceu o Estado de Israel na Palestina; e em 1967 ocorreu a Guerra dos Seis Dias entre árabes e israelenses, quando o Egito liderou um ataque a Israel e os árabes foram derrotados em menos de uma semana.

No Fatos Etc.
Leia Mais ►

Magoado, Joaquim Barbosa adere à regulação da mídia


Apoio a gente não recusa, diz um velho mandamento político.

Portanto, mesmo sendo evidentemente provocada pela frustração de que sempre foi paparicado pelos grandes jornais e tevês, e agora que já não serve mais aos seus propósitos políticos é largado ao abandono, seja bem-vinda a adesão do ministro Joaquim Barbosa à ideia de que é necessária uma regulamentação da mídia no Brasil, noticiada pela Folha.

Aliás, o que se passou no processo que deu a Joaquim Barbosa a imagem de “vingador da corrupção” o que foi senão um episódio onde a mídia, com todos os seus abusos, pretendeu conduzir o Judiciário com seu poder?

É impagável a ironia com que pode ser lida a declaração de Barbosa ao jornal:
— ”Precisamos de visões mais plurais e ver isso com mais naturalidade. Vocês não acham que a informação no Brasil não é repetitiva, obsessiva, cansativa às vezes? Todo mundo diz a mesma coisa”.
Nem parece que foi isso o que aconteceu em todo o julgamento do chamado “mensalão”, não é?

Desmentido na Época, processo no Noblat, regulação da mídia…

Parece que o outono está mexendo com o espírito do Dr. Joaquim…

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

STJ bate o martelo: Sport é o único campeão brasileiro de 1987

Superior Tribunal de Justiça concluiu julgamento na tarde desta terça-feira, frustrando pedido do Flamengo. Votação dos ministros teve placar de 4 a 1 a favor dos pernambucanos

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) concluiu julgamento, na tarde desta terça-feira, declarando o Sport o único campeão brasileiro de 1987. A votação frustrou o pedido do Flamengo, que também queria o reconhecimento da conquista da competição daquele ano. O placar da votação dos ministros foi favorável ao time pernambucano em 4 a 1. A decisão impede que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) também declare o Flamengo como campeão da competição de 1987. Cabe recurso do Rubro-Negro.

— A decisão foi tomada nesta terça-feira e temos que aguardar ainda a publicação no Diário Oficial. Após isto iremos analisar o recurso. Dependendo pode ser que haja recurso no STJ ou no STF (Supremo Tribunal Federal). O Flamengo foi declarado pela CBF campeão junto com o Sport, então vamos atrás dos nossos diretos — afirmou o vice-presidente jurídico do Flamengo, Flávio Willeman.

Na semana passada, o julgamento teve início com os votos por parte dos ministros, mas a sessão acabou sendo paralisada com a decisão favorável ao Sport por 2 a 1 devido ausência de quórum. Na ocasião, a ministra relatora Nancy Andrighi votou pela divisão do título entre Sport e Flamengo, com os ministros Sidnei Beneti e João Otavio de Noronha divergindo da opinião da relatora. Já nesta terça-feira os ministros Paulo de Tarso Sanseverino e Villas Bôas Cueva também foram favoráveis ao Sport, terminando assim o julgamento.

Vale lembrar que no início de 2011 a CBF reconheceu que houve dois campeonatos em 1987 e assim, dois campeões: Flamengo e Sport. Porém, a equipe pernambucana não concordou com a decisão e entrou com uma ação no Tribunal Regional Federal (PE) pedindo que a decisão da CBF fosse invalidada, o que aconteceu.
Leia Mais ►

Eles não podem deixar o Lula falar

É por isso que o FHC morre de ódio


A entrevista desta terça-feira do Presidente Lula aos blogueiros sujos é a prova provada de que o PiG não pode deixar o homem falar.

Foi a mais importante entrevista que Lula deu, como ex-presidente.

Defendeu a Ley de Medios e lembrou que cabe ao PT assumir a liderança dessa luta.

Condenou o julgamento do mensalão e reconheceu que Dirceu foi vitima dele.

Que não se arrepende de ter indicado Barbosa — era o melhor currículo de um negro.

Foram três horas e meia de entrevista.

Uma entrevista histórica, que pode ser assistida por todo brasileiro.

Nenhum político brasileiro se comunica melhor com o povo.

Nenhum político brasileiro domina melhor a técnica de enxertar números em argumentos — de forma convincente.

Ele é um mestre na arte de “pôr um rosto atrás de cada número”.

“Se você explica uma vez e o cara não entende, o cara é burro. Se você explica duas vezes e o cara não entende, o cara é burro. Se você explica três vezes e o cara não entende, o burro é você”, disse ele.

Numa pergunta do Fernando Brito, do imperdível Tijolaço Lula deu uma Aula Magna à Dilma e à Graça — sem citá-las — sobre como defender a Petrobras.

E deu um tiro no peito dos tucanos, Urubólogos, economistas de bancos e todos aqueles “socialistas” do Dudu que querem a CPI da Petrobras: o que eles não engolem é o regime de partilha.

Eles queriam entregar!

Sobre Pasadena, a melhor resposta foi a que Gabrielli deu ao Conversa Afiada.

Mas, elas tem que ir a toda inauguração de plataforma, de poço, de centro de pesquisas — de qualquer conquista, novidade, para reforçar a importância da Petrobras.

Como disse o Fernando Brito: botar a Petrobras debaixo do braço.

E — atenção!!!, Palácio do Planalto — não agir precipitadamente.

Como disse o Lula: um dia o presidente da Petrobras vai escolher o Presidente do Brasil.

(Se o Fernando Henrique botou lá o Reichstul e o Francisco Gros por isso, deu com os burros n’água…)

Sobre o Dudu Campriles, o Lula só faltou dizer que “apressadinho come cru”.

Lula contou em detalhes como venceu a crise do gás com o Evo Morales e disse: um metalúrgico do ABC jamais brigaria com um índio.

A resposta do Mandela ao Clinton, que pediu a ele para não ir a uma reunião com o Lula, Arafat e o Kadafi, em Trípoli: eu sei quem me ajudou quando eu estava na cadeia!

No que deu o Iraque?

A Líbia, depois da intervenção americana?

Quem sabia que o Lula pensava assim?

Que o Lula, logo depois de eleito, aguentou uma arenga do George Bush sobre o Iraque, Saddam Hussein e Bin Laden.

Quando chegou a vez de o Lula falar, ele disse: olha, Bush, o Brasil está a 5 mil km do Iraque.

O Bin Laden nunca me fez mal.

O que faz mal aos brasileiros é a fome.

Com quem mais o Lula pode falar, assim, além dos blogueiros?


Já imaginaram uma rede de televisão — aberta ou fechada — que fizesse um programa semanal, no horário nobre ou no pós-nobre, com o título “Palavra do Nunca Dantes”?

E deixava o jornal nacional, cuja audiência afunda como a P-36, botar no ar o Fernando Henrique toda noite.

Ou o 'Cerra' para falar do Câmbio.

Nos bons tempos do Dr Roberto, era proibido deixar o som da voz do Lula “subir” num telejornal (sic) da Globo.

O brasileiro só descobriu que ele falava Português e, não, Javanês, no horário eleitoral.

Agora, e pior ainda.

Nem voz nem cara.

É preciso calar o homem.

Só ele diz na cara do Otavinho que o New York Times publicou o que ele, Otavinho, mais queria: dizer que o Lula era um bêbado.

E o Otavinho pôde dar a manchete na Folha, com a mentira do New Times.

E o cara do New York Times nunca pagou uma cerveja ao Lula, ele reclamou…

Só o Lula tem a coragem de dizer que o mal do Príncipe da Privataria é o complexo de vira-latas.

O Ministro da Educação do Fernando Henrique — que Deus o tenha, Paulo Renato — proibiu o Brasil de fazer escola técnica.

O Lula fez 214 novas escolas federais.

O Lula fez 14 universidades e o Príncipe dos Sociólogos, NENHUMA!!!

Como disse o Lula na abertura da entrevista, sem citá-lo: o Fernando Henrique prefere não fazer os sucessores para poder falar mal dos governantes (trabalhistas).

Porque, como se sabe, o Fernando Henrique quer que o 'Cerra', o Alckmin e o Aécio se explodam — assim como o Brasil.

O Fernando Henrique — que não existe, pois passou a ser um espécime da zoologia fantástica do Borges e só sobrevive no PiG — só está interessado nele.

E quando vê o Lula falar, com essa credibilidade, esse magnetismo, se morde de ódio.

De inveja!

Não podem deixar o Lula abrir a boca!

Paulo Henrique Amorim
No Conversa Afiada
Leia Mais ►

Ministério Público investiga incompetência do tucano Alckmin


Leia Mais ►

Jovem pergunta sobre Perrella e é expulso de palestra de Aécio no "Fórum da Liberdade" em Porto Alegre

Estudante foi retirado do Salão de Atos da PUC-RS pelos seguranças do evento após fazer um questionamento em voz alta ao pré-candidato tucano à Presidência, no Fórum da Liberdade

Aécio Neves durante palestra no Fórum da Liberdade, em Porto Alegre

Uma confusão marcou o discurso do presidente do PSDB, Aécio Neves, na noite de abertura da 27ª edição do Fórum da Liberdade, em Porto Alegre, nesta segunda-feira (7).

Um estudante foi retirado do Salão de Atos da PUCRS pelos seguranças do evento após fazer um questionamento em voz alta ao pré-candidato tucano à Presidência.

O senador de Minas Gerais foi convidado a falar sobre “competitividade” no Fórum da Liberdade. Após fazer críticas ao governo da presidente Dilma Rousseff, Aécio estava prestes a encerrar sua participação no evento quando, do fundo do salão, um estudante gritou alguma pergunta, que pouco deu pra entender. Mencionava “cocaína no helicóptero”.

O tucano deixou o palco sem responder, enquanto o público vaiava o jovem. Em seguida o estudante, que estava sozinho, foi retirado do Salão de Atos por dois seguranças.

A organização do evento confiscou a credencial de identificação dele. Disse que opiniões divergentes são aceitas no fórum, mas que é preciso “educação”.

Na rua, o jovem identificou-se como Marcelo Ximenes, 25 anos, estudante de ciências sociais da PUCRS.

Disse que queria questionar o senador sobre o episódio ocorrido em novembro passado, quando quase 500 quilos de cocaína foram apreendidos em um helicóptero em nome da empresa de propriedade do deputado estadual Gustavo Perrella (SDD-MG), filho do senador Zezé Perrella (PDT-MG), considerado pelo jovem aliado de Aécio.

“Quase me agrediram, foi isso o que aconteceu”, disse o estudante, reclamando dos seguranças. “Eu gritei alto (a pergunta), já que não tinha microfone. Se eu colocasse uma pergunta como essa no papel, ninguém ia ler. Esse não é um espaço democrático, como todo espaço da direita. Que democracia é essa que não se pode fazer uma pergunta? ”, questionou Marcelo.

Em seu discurso, o senador fez críticas ao governo da presidente Dilma Rousseff, como tem sido comum em seus pronunciamentos, e quando saiu do palco, após ficar visivelmente incomodado com o questionamento, ele já estava finalizando a sua participação. O público vaiou o estudante após a pergunta. A organização do evento ainda confiscou a credencial de identificação dele e disse que opiniões divergentes são aceitas no fórum, mas que é preciso “educação”.

Em sua conta no Facebook, Marcelo demonstrou sua indignação em relação ao episódio:
“Hoje, durante a palestra do Senador Aécio Neves no Fórum da Liberdade, fui expulso do evento após perguntar em voz alta no meio da plateia sobre o caso do helicóptero de Zezé Perella, seu aliado encontrado com quatrocentos e cinquenta quilos de cocaína no interior de Minas Gerais. Ora, se ele não tem nada a temer, porque simplesmente não pegou o microfone e respondeu minha pergunta de volta? Admito que ficou um tanto complicado, já que seus partidários psdbistas começaram a me ameaçar e agredir verbalmente. No pretenso Fórum da “ Liberdade ” quem tem opinião divergente ou faz algum tipo de questionamento que incomoda é expulso e achincalhado. Aviso ao senador Aécio Neves e aos organizadores deste fórum, que a Liberdade humana não se realiza na maioridade penal como o candidato a presidente tanta prioriza em seu discurso, muito menos no mercado, mas sim no debate franco e aberto, bem como através das reais potencialidades humanas que estão longe de ser exaltadas na competição.

OBS: Lembrando que é bem contraditório para alguém que defende a maioridade penal de forma tão veemente ser conivente com toda essa quantidade de pó no helicóptero de seu aliado político.”
Procurada pela reportagem, a assessoria do PSDB informou que ainda não irá se manifestar.
Leia Mais ►

Nota à imprensa sobre manchetes da Folha e de O Globo


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu uma entrevista coletiva ao vivo pela internet nesta terça-feira (8), na qual falou, entre outros assuntos sobre a Petrobras. Na capa de seus sites, a Folha de S.Paulo e O Globo alteraram a declaração do ex-presidente sobre o assunto, atribuindo ao ex-presidente algo que ele não disse: “Para Lula, PT ‘tem de ir pra cima’ para impedir a criação da CPI da Petrobras”, no caso da Folha e, no Globo, “Lula pede reação de seu partido contra instalação da CPI: ‘O PT tem que ir para cima’”.

Segue o trecho do áudio com o trecho da fala de Lula sobre a Petrobras e Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs). Ouça e verifique o que Lula realmente disse na entrevista.



No Instituto Lula
Leia Mais ►

Entrevista de Lula aos blogueiros sujos

Em entrevista a blogueiros, ex-presidente reafirmou apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff; "Ela é a melhor pessoa para vencer as eleições e conduzir o governo", disse; "Eu já cumpri minha tarefa"; Lula criticou a mídia familiar e tradicional, que promoveu um "massacre apoteótico" em torno da AP 470; "Os mesmos que defenderam a forca para José Dirceu defendem agora um julgamento tranquilo e civilizado para os outros", disse; sobre a indicação de Joaquim Barbosa para o STF, justificou: "Eu queria um advogado negro na Suprema Corte"; petista citou interesses políticos sobre Petrobras, "de gente que nunca quis CPI para nada"; questionado sobre ligações de Andre Vargas com doleiro, disse que parlamentar "tem de se explicar"; Lula quer o PT e o governo na defesa de Dilma: "falta o Brasil ir para a ofensiva"

Três anos depois de ter saído da Presidência da República, Lula concedeu na manhã desta terça-feira 8 entrevista a blogueiros do País na sede do Instituto Lula, em São Paulo. Em novembro de 2010, ele foi o primeiro presidente a conceder coletiva a blogueiros. Logo de saída, o ex-presidente pediu aos entrevistadores que contribuam para "acabar com essa boataria toda" e cravou apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff: "Ela é disparadamente a melhor pessoa para ganhar as eleições", disse. "Eu já cumpri minha tarefa, já me dou por realizado", acrescentou.

Abaixo, as principais declarações de Lula, sobre diversos temas:

Eleições 2014

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu o fim da “boataria” sobre sua possível candidatura à presidência da república nas eleições deste ano. Lula descartou a hipótese de se lançar como candidato e endossou seu apoio a Dilma Rousseff.

“Não sou candidato. Gostaria que vocês contribuíssem para acabar com essa boataria. A Dilma é a minha candidata”, afirmou o ex-mandatário antes do início de entrevista com os presentes no evento.

Petrobras

Sobre a Petrobras, o petista mencionou interesses políticos de quem quer criar a CPI no Congresso — gente que "nunca quis criar CPI, para nada" — e afirma que "não adianta comparar" o valor que a empresa tem hoje e durante o governo FHC. "Se ela vale R$ 98 bilhões hoje, ela valia R$ 15 bilhões durante o governo FHC", lembrou Lula. "O que as pessoas não aceitam? Que a gente fez o regime de partilha", acrescentou, sobre o modelo de extração de petróleo adotada para o pré-sal. "E muitos desses queriam privatizar a Petrobras há pouco tempo", atacou ainda o ex-presidente.

Lula reclamou mais ações do PT e de setores do governo em defesa da atual gestão. "Tem de levantar a cabeça e enfrentar para valer o debate político", conclamou. "Por exemplo, cadê o blog da Petrobras, que foi tão importante em 2009?", perguntou Lula, referindo-se ao período em que a estatal reproduzia em sua página na internet pedidos de entrevistas de jornalistas. Era a forma, na ocasião, de furar bolhas de especulação feitas por meio da mídia. O ex-presidente comentou sobre a recente queda nas ações da Petrobras: "Bolsa é assim mesmo. Mas ela não pode ser medida só pela bolsa, gente. Ela tem que ser reconhecida por seu conhecimento tecnológico".

Crescimento

"O País não está crescendo ao ritmo de 5% ao ano, mas faz onze anos que esse governo gera empregos e aumenta a massa salarial. Em que lugar do mundo isso está acontecendo?", questionou. Ele recordou seu tempo de sindicalista, "quando a inflação era de 80% ao mês, não era ao ano não", frisou. "Mas agora vejo o mesmo ministro daquele tempo (Maílson da Nóbrega) reclamando que a inflação está indo para o topo da meta. Ora, eu gostaria que a inflação ficasse em 2%, mas prefiro que se crie empregos do que, como pediram alguns, haja desemprego para combater a inflação".

Lula foi além. "Hoje dizem que falta mão de obra qualificada", registrou. "Que ótimo, porque vinte anos atrás engenheiro tinha de trabalhar fora do país, não tinha o que fazer aqui dentro. Agora, precisamos formar engenheiros". Ainda falando sobre a economia brasileira, o petista disse que "a imprensa não sabe o que está acontecendo no País". Ele ressaltou que a economia está aquém do que ele gostaria, e do que Dilma gostaria, e questionou: "mas quem está na frente do Brasil? O que nós fizemos em 11 anos, algumas revoluções não fizeram em 20", declarou.

Campos

"Tenho uma belíssima relação com o [pré-candidato à presidência] Eduardo Campos, e já tinha uma boa relação com o avô dele, Miguel Arraes. Sou agradecido por tudo o que ele fez no meu governo. Eu lamentei que ele tenha se afastado da base para ser candidato da oposição. Eu não entendo por que ele adiantou o processo. A Marina eu entendo, porque me lembro das divergências que havia quando ela fazia parte do meu governo, o Eduardo eu não compreendo".

André Vargas

"Ele tem que explicar para a sociedade, porque não tem sentido. Ele é vice-presidente de uma instituição importante, a Câmara dos Deputados, e eu acho que quando você está num cargo desse, você tem que ser exemplo. Eu espero que ele consiga provar e convencer a sociedade que não tem nada além da viagem [com o doleiro Alberto Youssef], o que já é um erro. Eu espero, eu torço, porque quem paga o pato é o PT".

Saúde

Questionado sobre os problemas na área da saúde, Lula foi firme ao dizer que "não existe possibilidade de dar saúde de qualidade sem recursos". A declaração foi feita depois de uma crítica sobre o fim da CPMF. "A saúde custa caro, o médico custa caro, precisa de equipamentos e laboratórios para que todos tenham acesso. E o SUS é motivo de orgulho para o País", disse o petista. Ele criticou ainda que só são divulgadas "coisas ruins" da saúde. "Só vão atrás de quem está morrendo, ninguém tira foto de quem sai com vida. Mas tem muita coisa boa na saúde também", disse.

Eleições no Rio

Ao responder uma pergunta feita pelo Twitter sobre as eleições no Rio de Janeiro, Lula afirmou, sobre a candidatura do senador Lindbergh Farias (PT) no estado: "Eu acho que é para valer". O ex-presidente, que ressaltou ter uma "profunda relação" com o candidato do PMDB, Luiz Fernando Pezão, acrescentou que Lindbergh "não tem nada a perder, só tem a ganhar". "Ele acha que é o momento dele, e eu acho que ele é um candidato bom, pode tomar cuidado que ele vai crescer e pode até ganhar as eleições", analisou.

Crédito

Lula também comparou o acesso de crédito que o País tem hoje e tinha em 2002, quando ele venceu pela primeira vez as eleições presidenciais. "Em março de 2002, o Brasil só tinha R$ 380 bilhões disponibilizados para crédito em todo o sistema financeiro. Hoje, esse mesmo Brasil tem R$ 2,7 trilhões. Hoje, o pobre consegue chegar no banco e pegar dinheiro sem ser visto como bandido. Esse Brasil nunca ficou tão orgulhoso de si como nos últimos 11 anos", disse.

Reforma Política

O ex-presidente apresentou suas ideias para uma reforma política. "Estou convencido de que só uma Constituinte exclusiva pode fazer a reforma política", cravou ele. "Eu sinceramente acho que não tem outro jeito", acrescentou. "Esse Congresso não fará, não tem condições de fazer, seria contrariar sua natureza", opinou Lula. Para ele, "a reforma política é a mais importante de todas". O petista defendeu que é preciso "mudar o sistema de representação" no País.

Financiamento de Campanha

Lula foi específico em defender o financiamento púbico de campanhas, cláusula de barreira para a criação de partidos — "o que não pode é meia dúzia de pessoas criarem o seu" — e o conceito de um voto por cidadão. Com isso, Estados pequenos perderiam representação na Câmara dos Deputados, mas os maiores como São Paulo e Minas teriam suas bancadas aumentadas. "Isso hoje não passa porque quem está lá está acostumado assim, mas essa regra, vigente até hoje, é do tempo do Geisel", reclamou.

'Mensalão'

"Eu só quero que a verdade venha à tona. A história do mensalão vai ser recontada nesse País, e se eu puder, eu vou ajudar a fazer ela ser recontada. Não vou julgar ninguém, mas não é possível que em mãos de 500 deputados não tenha aparecido nenhuma que recebeu mensalidade", disse Lula. "Como é que uma CPI que começou por conta de R$ 3 mil nos correios terminou no mensalão?", questionou. "Eu acho que nós vamos ter de contar essa história sem pressa.

Indireta para Globo

"Eu cansei de ver dizerem que aquilo foi a maior história de corrupção que já existira nesse País, sem dar os números. Mas depois apareceu uma quantidade de sonegação de impostos quer era muito maior do que tudo o que se falava. Eu tenho mais idade do que vocês, aprendi que a gente não deve ficar nervoso", concluiu o ex-presidente, com ironia. "Mas não vamos abaixar a cabeça. Se você abaixa a cabeça, aprendi isso com a minha mãe, eles colocam uma cangalha em cima".

Conselho para Guido

"Eu falei para o [ministro da Fazenda], Guido Mantega: 'medidas na economia têm de ser explicadas em rede nacional. E a Dilma não tem tempo, vai você. Tem de falar'. Diziam que eu falava demais durante o meu governo, e eu acho isso ótimo. Porque falava mesmo, para mostrar a verdade. Se eu não falasse, quem iria falar por mim?", questionou.

Mídia no Mensalão

No caso do mensalão, o massacre foi apoteótico. Eu não vi essa gritaria no caso de Minas. Então são dois pesos, duas medidas. Os mesmos que defenderam a forca para José Dirceu defendem agora um julgamento tranquilo e civilizado para os outros. Deveria ser assim para todos. Eu acho que o que está acontecendo com o Zé Dirceu é um abuso muito grave, eu acho que ele deveria estar em prisão domiciliar.

Sobre Joaquim e STF

"As pessoas perguntam: você se arrependeu de indicar o [presidente do STF, Joaquim] Barbosa? Eu digo: não. Porque na época não havia o mensalão, não o indiquei pra julgar o mensalão. Eu indiquei porque eu queria um advogado negro na suprema corte. O comportamento dele é de inteira responsabilidade dele. Eu acho que a suprema corte tem que se pronunciar nos autos do processo. Eu não posso ficar falando de você o que vou fazer com você, preciso pegar os autos e decidir. Alguns inclusive mentiram", declarou Lula. Ele também se pronunciou sobre "a teoria do domínio do fato", segundo ele, "um achado extraordinário". "Você é pai daquela criança que fumou maconha, você tinha que saber", exemplificou.

Copa e Olimpíada

"A Copa do Mundo vem ajudar a gente a fazer uma coisa agora que só seria feita no futuro. Os aeroportos estão acontecendo, as obras de infraestrutura estão acontecendo, o Galeão, o Viracopos. Lula definiu: "a Copa do Mundo no Brasil é um encontro de civilização entre nós. É mais do que o dinheiro. Milhares de pessoas virão conhecer esse país, comer a comida desse país. É mais do que futebol, é trazer para cá o mundo esportivo".
Leia Mais ►

Crimes prescritos

Leia Mais ►

Enquete do Senado quer saber se queremos neutralidade da rede

O site do Senado Federal quer saber se somos a favor ou contra que provedores de internet cobrem preços diferenciados de acordo com o tipo de página que acessamos. A enquete é lançada no momento em que cabe ao Senado votar a aprovação do Marco Civil da Internet.

Basicamente, o que a pesquisa (que não influencia diretamente na decisão oficial, mas mostra como parte da sociedade enxerga a questão) quer saber é se somos ou não a favor da neutralidade da rede. Um dos principais pontos do Marco Civil, a neutralidade permite que a internet continue como é hoje, ou seja, com as informações sendo tratadas da mesma forma. Essa proposta foi aprovada na semana passada pelo parlamento europeu e já fora aprovada antes pelos deputados federais brasileiros.

Portanto, quem defende a neutralidade da rede é “contra” a cobrança de “preços diferenciados de acordo com o tipo de página acessada pelo usuário”. Há um tempo, o Projeto freenet? lançou um vídeo que exemplifica o que a enquete do Senado questiona: sem a neutralidade, haveria pacotes exclusivos para redes sociais, vídeos ou sites de busca.

Por mais surreal que nos pareça esse mundo, ele pode acontecer caso o Marco Civil não seja aprovado sem alterações no Senado. E o mais assustador é que a enquete indica um cenário quase dividido: às 14h30min de hoje, 56,9% votavam contra preços diferenciados e 43,1% a favor.


No MudaMais
Leia Mais ►

Estamos esperando a manifestação da Globo e da Folha sobre isso (sentados é claro, porque em pé cansa).


No DesmascarandoGloboFolha
Leia Mais ►

Choque de Gestão Tucana: Repasses feitos à Minas Arena bancariam a saúde em Itabira

Para garantir lucro à concessionária, governo de Minas repassou R$ 44,4 milhões em 2013

Dinheiro. Governo repassou o equivalente a R$ 700 por assento do Mineirão para garantir lucro à concessionária Minas Arena, em 2013
Os torcedores que frequentaram o Mineirão no ano passado podem até não saber, mas o dinheiro repassado pelo governo do Estado à Minas Arena — empresa vencedora da licitação e que gerencia o estádio — daria para custear a saúde pública de um município do tamanho de Itabira, na região Central, ao longo deste ano. O levantamento leva em conta a previsão orçamentária do governo para 2014.

Em 2013, por força de um contrato firmado entre o governo mineiro e a Minas Arena, o Executivo repassou à companhia R$ 44,4 milhões apenas para garantir o lucro mínimo de R$ 3,7 milhões mensais à empresa. A obrigatoriedade de assegurar o lucro da parceira é contratual. O repasse equivale a cerca de R$ 700 por assento do estádio — são ao todo 64 mil. A empresa registrou prejuízos em todos os 12 meses de 2013.

No caso específico da saúde, o Estado separou verba de R$ 7,5 bilhões no orçamento previsto para este ano, o que equivale a um gasto de R$ 376 por cidadão mineiro (levando em conta a população de Minas, de 19,6 milhões, conforme números do IBGE). Isso significa que, com os R$ 44,4 milhões repassados à Minas Arena, seria possível bancar os gastos com o setor em uma cidade de cerca de 118 mil habitantes. É possível afirmar, ainda, que o repasse por cadeira seria suficiente para custear todo o serviço de saúde de duas pessoas durante todo o ano.

Ainda levando em consideração o repasse do governo previsto no contrato com a empresa, daria para arcar com todo o dinheiro que será investido em transporte, neste ano, em um município como Governador Valadares, na região do Vale do Rio Doce, com cerca de 300 mil habitantes, ou em duas cidades com a população de Patos de Minas, no Alto Paranaíba (pouco mais de 112 mil habitantes).

O orçamento do governo do Estado para o setor, neste ano, é de R$ 2,9 bilhões, ou seja, R$ 147 por cidadão. O custo de R$ 700 para uma cadeira do estádio poderia custear o investimento no setor para cinco cidadãos.

Educação

Para a área da educação estão previstos gastos de R$ 9,3 bilhões. Caso os R$ 44,4 milhões repassados para cobrir o prejuízo da Minas Arena em 2013 fossem aplicados exclusivamente na área, o ensino para crianças, jovens e adultos de Lavras, no Sul de Minas, estaria garantido para todo o ano.

Gastos
 
Os gastos com a Minas Arena, se aplicadas em segurança pública, por exemplo – R$ 9,2 bilhões previstos para este ano — poderiam garantir policiamento para 93 mil habitantes.

Custos

A reforma do Mineirão custou R$ 677 milhões. Desse total, R$ 11,3 milhões foram custeados pelo governo de Minas. Outros R$ 400 milhões foram emprestados à Minas Arena pelo BNDES.

Lucas Pavanelli
No O Tempo
Leia Mais ►

Carga Tributária

Leia Mais ►

O começo de um passo

A dificuldade dos partidos de adotar as medidas adequadas quando denúncias atingem um dos seus — como se dá com o PT do deputado André Vargas e com o PSDB da corrupção no metrô e nos trens paulistas — é uma confissão de que, mesmo para os não corruptos, a decência é um valor menor do que a conveniência na política brasileira.

Nesse sentido, a providência do novo líder petista na Câmara, deputado Vicentinho, de convocar a bancada para discutir uma posição relativa a André Vargas, e eventualmente cobrá-la, é um passo com significação ética. Mas só ganhará sentido pleno se levar a um segundo movimento: dispensar o falso pretexto, que ainda se impôs, e criar um princípio. Quem sabe até capaz de inspirar um ou outro partido.

Embora parte da bancada já chegasse a desejar, mais do que a renúncia de André Vargas à vice-presidência da Câmara, sua licença ou mesmo renúncia ao mandato, a reunião foi convocada com o subterfúgio de sugerir-lhe uma "licença da Câmara para cuidar melhor da sua defesa". Para tal sugestão, uma conversinha bastaria, tanto ao deputado como aos seus colegas.

A bancada não incorreria em julgamento precipitado se tivesse a mesma atitude, porém com outra motivação: o princípio de que denúncias a seu ver graves, contra qualquer integrante do partido, devem implicar seu afastamento até a desejada comprovação da inocência. Se comprovada, prestem-se as homenagens reparadoras ao vitimado por acusação injusta e, sendo o caso, que os acusadores respondam na Justiça.

Pois é, uma regra mínima e simples de decência pessoal e partidária, mas tão difícil para os partidos brasileiros e seus governadores e parlamentares. Mas não sem motivo.

Concorrência

A inversão, pela PM do Pará, do seu papel nas interdições de rodovias a título de protesto, eleva o descontrole — ou a impossibilidade de controle — das manifestações exacerbadas que se espalham pelo país. Quando os PMs bloquearam a rodovia federal BR-316, em protesto contra aumento salarial de 110% parcelado até 2018, nem sequer cederam ao pedido do comandante da corporação para devolver os carros da própria polícia usados na manifestação. Nenhum temor do acúmulo de insubordinações.

Tudo no Brasil encontra campo para se alastrar. Logo, em breve será preciso chamar os atuais incendiários de pneus nas estradas para retirarem os bloqueios de PMs manifestantes.

Nisso, talvez descubram, afinal, que um lado e outro não diferem tanto.

Em campanha

O Conselho Federal de Medicina não precisaria fazer campanha publicitária para defender os médicos, como informou nota de Mônica Bergamo, de acusações de "elitismo" por oposição ao programa Mais Médicos. Nem a população ignora "o estado da saúde no Brasil", nem o conceito dos médicos foi diminuído. A oposição ao programa não foi da classe médica.

O conselho está levado a parecer cada vez mais com entidade política, isso sim. E extremada. A conotação eleitoral é a visão que mais se oferece nessa campanha da direção do CFM.

Janio de Freitas
No fAlha
Leia Mais ►

A crucificação de André Vargas versus a preservação de Robson Marinho

O deputado André Vargas está sendo crucificado antes que os fatos sejam, devidamente, apurados.

Seu maior crime, naturalmente, da ótica da mídia que conforme ele bem notou promove um “massacre”, é ser do PT.

Até aqui, o que se sabe de concreto é que ele é amigo de um doleiro preso. Textos absolutamente enviesados tiram conclusões precipitadamente devastadoras de conversas vazadas pela Polícia Federal.

Que se apurem os fatos, claro. Mas a histeria condenatória é fundamentalmente injusta e maldosa.

O que incomoda no episódio para quem faz jornalismo apartidário e independente como o DCM é o tratamento diferente que a mídia dispensa aos suspeitos de corrupção.

Enquanto isso perdurar, o combate à corrupção não vai avançar. Uma prática corrupta não vai resolver nada no capítulo da corrupção.

Compare a estridência deste caso com, por exemplo, o de Robson Marinho, o fundador do PSDB sobre o qual chovem torrencialmente provas de recebimento de propinas no metrô de SP.

Até a Suíça já se movimentou, ao bloquear uma conta milionária de Marinho.

Mas este episódio não comove a mídia, assim como o escândalo do helicóptero da cocaína e tantos outras histórias que não cabem no “interesse público” das companhias de mídia.

Marinho — que não se perca pelo sobrenome — ainda hoje é conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, sinecura pela qual recebe 20.000 reais por mês.

O propósito do TCE é fiscalizar as contas do governo estadual. Pausa para rir. Isto sim é o que se pode chamar de aparelhamento da fiscalização.

Marinho foi indicado por Mário Covas, de quem era amigo pessoal. Um jornalista que questionou Covas sobre a ética de colocar um amigo numa função tão delicada recebeu uma patada como resposta.

Vargas, massacrado, se afastou da vice-presidência da Câmara para se defender.

Marinho, poupado e blindado, permanece no TCE a despeito das provas de corrupção.

É um retrato do Brasil.

Paulo Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Não iremos recuar um milímetro da disputa política quando ela aparecer, afirma Dilma


A presidenta Dilma Rousseff destacou, em Contagem (MG), nesta segunda-feira (7), durante entrega de máquinas para municípios mineiros, o caráter republicano das ações do governo federal, que não levam em conta o partido de prefeitos e governadores. Dilma lembrou que essa prática não era usual na política do país e afirmou que continuará governando, sem recuar da disputa política quando ela aparecer.
“É muito usual durante os períodos de pré-campanha como é o de agora, e os de campanha, que haja a utilização de todos os instrumentos possíveis para desgastar esse ou aquele governo. Temos experiência disso. Por quê? Porque já enfrentamos isso em 2006, na reeleição do Lula, e em 2010 na minha eleição. Podem ter certeza, meu governo continuará governando, mantendo seu caráter republicano, mas nós não iremos recuar um milímetro da disputa política quando ela aparecer”.

No Blog do Planalto
Leia Mais ►

Os Direitos de Dirceu e nosso caráter

Numa injustiça clamorosa que vai além de qualquer opinião sobre as ideias de José Dirceu, seus direitos como prisioneiro não são respeitados


Há momentos em que a vida política deixa de ser um conflito de ideias e projetos para se transformar numa prova de caráter.
Isso é o que acontece com a perseguição a José Dirceu na prisão.
A defesa dos direitos de Dirceu é, hoje, uma linha que define o limite da nossa decência, ajuda a mostrar aonde se encontra a democracia e o abuso, a tolerância diante do ataque aos direitos elementares de uma pessoa.
Ninguém  precisa estar convencido de que Dirceu é inocente sobre as denuncias da AP 470. Nem precisa concordar com qualquer uma de suas ideias políticas para reconhecer que ele enfrenta uma situação  inaceitável.
As questões de caráter envolvem nossos princípios e nossa formação. Definem a  capacidade de homens e mulheres para reagir diante de uma injustiça de acordo com princípios e valores aprendidos em casa, na escola, ao longo da vida, como explica Hanna Arendt em Origens do Totalitarismo. São essas pessoas que, muitas vezes, ajudam a democracia a enfrentar as tentações de uma ditadura.
 
Um desses homens, e nós vamos saber seu nome dentro de alguns parágrafos, “não era herói e certamente não era um mártir. Era apenas aquele tipo de cidadão com interesse normal pelos negócios públicos que, na hora do perigo ( mas não um minuto antes) se ergue para defender o país da mesma forma como cumpre seus deveres diários, sem discutir.”
A mais recente iniciativa contra os direitos de Dirceu criou um situação nova.
O Ministério Público pede uma investigação telefônica-monstro envolvendo todas as ligações de celular — de 6 operadoras — entre a região do presídio da Papuda, em Brasília, onde ele se encontra prisioneiro desde 16 de novembro, e uma região em torno de Salvador, na Bahia. São milhares, quem sabe milhões de ligações que devem ser mapeadas, uma a uma, e transcritas — em formato de texto — para exame do ministério público em Brasília.
Você sabe qual é o motivo alegado dessa investigação: procurar rastros de uma conversa de celular entre Dirceu e um secretário do governo de Jaques Wagner.
Detalhe: supõe-se que o telefonema, caso tenha sido feito, teria ocorrido em 6 de janeiro. Pede-se uma investigação de todas as conversas por um período de 16 dias.
Você sabe qual será seu efeito prático: manter a pressão sobre Dirceu e impedir que ele possa deixar o presídio para trabalhar durante o dia – direito que tem todas as condições legais de cumprir. Não só obteve uma oferta de emprego, como tem parecer Psicossocial favorável e também do Ministério Púbico.
Você pode “achar” — assim como “achamos” tantas coisas a respeito de tantas pessoas, não é mesmo? — que ele cometeu, mesmo, essa falta disciplinar, de natureza grave.
O fato é que desde 6 de janeiro procura-se uma prova desse diálogo  e nada. O secretário de Estado deu uma  entrevista a Folha de S. Paulo, dizendo que havia conversado com Dirceu. Mais tarde, ele se corrigiu e  desmentiu o diálogo. Também confirmou o desmentido  em depoimento oficial. Dirceu sempre negou ter mantido qualquer conversa nestas ocndições.
A conta telefônica do celular do Secretário de Estado não registra nenhuma ligação que, em tese, poderia confirmar a conversa. Uma investigação da policia do Distrito Federal também concluiu que não há o mais leve indício de que o diálogo tenha ocorrido.
Conforme todos os indícios disponíveis, portanto, quem mentiu foi  o  Secretário — não Dirceu.
Você pode continuar duvidando da inocência de Dirceu, claro. Mas não pode aceitar que seus direitos sejam subtraídos sem que sua culpa seja demonstrada. Mesmo na prisão, uma pessoa é inocente até que se prove o contrário.
 
É verdade que, no julgamento da AP 470, o ministro Luiz Fux chegou a dizer que cabe ao acusado provar sua inocência. Mas foi uma colocação tão fora de qualquer princípio jurídico posterior ao iluminismo que, nos acórdãos, a declaração foi suprimida.
O pedido para esse grampo-monstro foi feito pelo Ministério Público  em 26 de fevereiro mas ficou engavetado pelo juiz Bruno Ribeiro por mais de um mês. Quando se retirou do caso, no fim de março, Bruno enviou o pedido  a Joaquim Barbosa, a quem caberá a palavra final sobre o semiaberto de Dirceu. Joaquim pode acolher o pedido.
Mas também pode manter Dirceu em regime fechado enquanto aguarda pelos grampos Papuda-Bahia. Seria uma nova injustiça, mesmo para quem é favorável a uma investigação nessa natureza e acha que toda punição a Dirceu será pouca.
A liberdade de Dirceu não pode ser diminuída  porque os responsáveis pela sua prisão levaram um tempo absurdo — mais de um mês — para decidir se acatavam a solicitação ou não.
Ninguém pode ficar preso indevidamente porque o Justiça está “pensando.”
Quando foi preso, em 15 de novembro, Dirceu tinha direito ao regime semiaberto, provisoriamente. Antes que os embargos infringentes tivessem sido julgados, havia a possiblidade de que o Supremo confirmasse a condenação por formação de quadrilha.
Mas o STF derrubou a condenação, o que confirmou o semiaberto.
Assim, do ponto de vista de seus direitos,  Dirceu perdeu perdeu quatro mees de liberdade.
   
Se o apreço abstrato do caro leitor pela liberdade dos indivíduos não lhe permite avaliar o que isso significa, sugiro uma experiência concreta.
Peça a um amigo trancar a porta de seu quarto por um dia e faça um diário sobre o que fez e viu. Evite ligar a TV, porque ela só é autorizada a quem tem bom comportamento — e ninguém sabe se você merece isso.  Não leia jornais nem revistas. Limite a leitura aos livros mas apague a luz às 22 horas. Desligue o telefone, não atenda a campainha e, se sentir fome, peça um resto de geladeira para aquecer em banho-maria. Pode ser qualquer coisa que sobrou da véspera mas lembre-se de que, comparado com o que se oferece na Papuda, sempre será um privilégio.
E se você achar que é inocente, e não fez nada para merecer o que está acontecendo, só quis passar por uma experiência existencial, lembre-se: esse pensamento só é válido para quem acredita que toda pessoa é inocente até que se prove o contrário. Esse é o princípio que garante nossa liberdade.
Também é o princípio que deveria definir a situação de Dirceu. Ele passou oito anos sendo acusado como chefe de quadrilha e era este ponto — a quadrilha — que poderia manter seu regime fechado.
Depois que a acusação de quadrilha caiu ele é chefe de que mesmo?
E aí podemos falar do personagem a que Hanna Arendt se refere. Ela está falando de George Picquard, major do Exército francês, que teve um papel decisivo no reestabelecimento da verdade no caso do capitão Alfred Dreyfus, condenado em 1894 à prisão perpétua na Ilha do Diabo, na Guiana Francesa, com bom base em provas falsas.
“Embora dotado de uma boa formação católica,” e, como Arendt sublinha para registrar os preconceitos da época, " ‘adequada’ antipatia pelos judeus, ele ainda não havia adotado o princípio de que o fim justifica os meios.” Ela recorda que “esse homem, completamente divorciado do classicismo social e da ambição profissional, espírito simples, calmo e politicamente desinteressado” iria mostrar que havia encontrado provas que apontavam para outro culpado, sugerindo que o caso fosse reaberto.
Picquard acabou processado e perseguido, a ponto de enfrentar uma condenação num tribunal militar e deixar um posto confortável em Paris por um posto sem perspectiva na África colonial. Mas cinco anos depois de condenado, Dreyfus acabou recebendo indulto presidencial, depois de enfrentar um segundo julgamento — que perdeu,  mais uma vez.
A campanha pela libertação de Dreyfus não passou pelo parlamento, que rejeitou seguidos pedidos de um novo exame do caso. Foi fruto de uma movimentação da sociedade civil, a margem dos principais partidos políticos.
Mesmo os socialistas temiam perder votos se colocassem o assunto nos debates eleitorais. Atribui-se uma derrota de um de seus líderes históricos, Jean-Jaurés, hoje nome de boulevard em Paris, ao empenho a favor de Dreyfus. Ninguém recorda o nome dos que se omitiram.
O alto comando militar, responsável pela condenação de Dreyfus e, mais tarde, pela manutenção da farsa, alimentava a imprensa suja de Paris. Numa avaliação  que nos ajuda a entender que a realidade que hoje se vê nos trópicos brasileiros tem muito a dever às asneiras cometidas na capital francesa daquele tempo, Arendt  analisa o mais duro dos jornais contra Dreyfus  para dizer: “direta ou indiretamente, através de seus artigos e da intervenção pessoal de editores, mobilizou estudantes, monarquistas, anarquistas, aventureiros e simples bandidos, e atirou-os nas ruas.” Essa turba espancava defensores de Dreyfus na rua e por várias vezes apedrejou as janelas de Emile Zola depois de seus artigos e conferencias mais contundentes.
Julgado pelo Eu Acuso, Zola recebeu pena máxima. Foi um alivio, pois se fosse absolvido “nenhum de nós sairia vivo do julgamento” recordou Georges Clemenceau, dono do jornal que publicou o artigo, L ‘Aurore.
Em 1975, em São Paulo, o rabino Henry Sobel  deu uma demonstração de caráter semelhante. Ele sequer era o rabino principal da comunidade paulistana. Apenas substituía o rabino principal, que se encontrava em viagem. Norte-americano de nascimento, Sobel admirava John Kennedy e nunca teve simpatias pelo Partido Comunista.
Mas, quando foi informado que o corpo do jornalista Vladimir Herzog apresentava sinais de tortura, como fora percebido pelos funcionários do cemitério judeu que o preparavam para o enterro, Sobel tomou uma decisão de acordo com sua formação e suas convicções.
Impediu que Herzog fosse enterrado na área do cemitério reservada aos suicidas, como seria coerente com a versão oficial para a morte do jornalista — acompanhada até por uma fotografia forjada na cadeia — para lhe dar a dignidade de um enterro comum. O resto é história, feita por um cidadão tão humano, tão comum, que mais tarde seria apanhado num pequeno e desagradável incidente num shopping em Miami, como todos nós sabemos.
Paulo Moreira Leite
Leia Mais ►

Não é a Rússia quem está desestabilizando a Ucrânia

Sergey Lavrov, Ministro das Relações Exteriores da Rússia
A crise profunda e generalizada na Ucrânia é tema de grave preocupação para a Rússia. Entendemos perfeitamente bem a posição de um país que se tornou independente há apenas 20 anos e que ainda tem pela frente tarefas complexas na construção de um estado soberano. Dentre elas, a busca de algum equilíbrio entre os interesses de suas várias regiões, de povos que têm raízes históricas e culturais diferentes, falam línguas diferentes e têm diferentes perspectivas sobre o próprio passado e presente, e sobre o lugar futuro de seu país no mundo.

Dadas essas circunstâncias, o papel de forças externas deve ser ajudar os ucranianos a proteger as fundações da paz civil e do desenvolvimento sustentável, que ainda são frágeis.

A Rússia fez mais que qualquer outro país para apoiar o estado ucraniano independente, incluindo subsidiar por muitos anos a economia ucraniana mediante baixos preços da energia. Em novembro passado, no início da atual crise, apoiamos o desejo de Kiev, de consultas urgentes entre Ucrânia, Rússia e a União Europeia, para discutir a harmonização do processo de integração. Bruxelas rejeitou completamente a ideia. Essa atitude refletiu a linha perigosa e improdutiva já tomada pela União Europeia e pelos EUA, há muito tempo. Tentavam já forçar a Ucrânia a fazer uma dolorosa escolha entre leste e oeste, o que agravou as diferenças internas.
Manifestantes pró-Rússia lotam a Praça Lênin em Donetsk, Ucrânia em 6/4/2014

Sem considerar as realidades na Ucrânia, foi fornecido apoio massivo a movimentos políticos que promoviam a influência ocidental, e isso foi feito em direta violação da Constituição da Ucrânia. Foi o que aconteceu em 2004, quando o presidente Viktor Yushchenko venceu um terceiro turno inconstitucional das eleições, introduzido sob pressão da União Europeia. Agora, o poder em Kiev foi tomado por vias não democráticas, mediante violentas ações de rua das quais participaram diretamente ministros e outros altos funcionários dos EUA e de países da União Europeia.

Afirmativas de que a Rússia tivesse empreendido qualquer esforço para minar parcerias dentro do continente europeu são falsas, não correspondem aos fatos. Ao contrário, nosso país promoveu com constância um sistema de segurança igual e indivisível na área euro-atlântica. Propusemos assinar um tratado para esse efeito, e defendemos a criação de um espaço econômico e humano comum do Atlântico ao Pacífico, que seria também aberto aos países pós-soviéticos.

Simultaneamente, estados ocidentais, apesar de repetidamente garantir que não, promoveram sucessivas ondas de expansão da OTAN, moveram a infraestrutura militar da aliança para o leste e puseram-se a implementar planos de defesa antimísseis. O programa da Parceria Ocidental da União Europeia está desenhado para amarrar fortemente à Europa os chamados estados-foco, vedando-lhes a possibilidade de cooperação com a Rússia.

Os esforços, pelos que encenaram a secessão do Kossovo, hoje separado da Sérvia, e de Mayotte, hoje separado de Comoros, para questionar a livre vontade dos crimeanos só podem ser interpretados como flagrante manifestação de duplicidade de padrões. Não menos estranha é a ação de fingir que não sabe que o principal perigo a ameaçar o futuro da Ucrânia é que o caos gerado por extremistas e neonazistas se espalhe.
Manifestação pró-Russia em Donetsk exige referendo igual ao da Crimeia

A Rússia está fazendo tudo que pode para promover a rápida estabilização na Ucrânia. Estamos firmemente convencidos de que ela pode ser alcançada, mediante, dentre outros passos: uma verdadeira reforma constitucional, que assegure os direitos legítimos de todas as regiões da Ucrânia e responda às demandas da região sudeste, de fazer do idioma russo a segunda língua oficial do estado; firmes garantias de que o status de estado não alinhado da Ucrânia seja consagrado na lei do país, consagrando assim o seu papel de elo de conexão numa arquitetura de segurança indivisível para toda a Europa; e medidas urgentes para pôr fim às formações armadas ilegais do Setor Direita e de outros grupos ultranacionalistas.

Não estamos impondo coisa alguma a ninguém. Apenas vemos que, se isso não for feito, a Ucrânia continuará em espiral rumo à crise, com consequências imprevisíveis. Permanecemos prontos a nos somar aos esforços internacionais que visam a alcançar esses objetivos. Apoiamos o apelo feito pelos ministros de Relações Exteriores de Alemanha, França e Polônia, para que seja implementado o acordo de 21 de fevereiro. A proposta deles — de fazerem-se conversações Rússia-União Europeia, com a participação da Ucrânia e de outros estados da Parceria Ocidental, sobre as consequências de acordos de associação com a União Europeia – corresponde à posição da Rússia.

O mundo de hoje não é escola primitiva, na qual os professores distribuam castigos à vontade. Declarações beligerantes, como as que se ouviram na reunião de ministros da OTAN em Bruxelas, dia 1º de abril, não correspondem a demandas por uma desescalada. A desescalada deve começar por desescalar-se a retórica. É hora de pôr fim ao aumento infundado da tensão, e de voltar ao trabalho conjunto, sério.

Sergey Viktorovich Lavrov (russo : Сергей Викторович Лавров, nasceu em 21 de março de 1950) é diplomata e desde 2004 ocupa o cargo de Ministro das Relações Exteriores da Rússia. Sua nomeação foi aprovada por dois presidentes da Rússia, em 2008 por Dmitry Medvedev e em 2012 por Vladimir Putin. Antes disso, Lavrov atuou na diplomacia como embaixador da Rússia à Organização das Nações Unidas (1994-2004). Além de seu russo nativo, Lavrov fala inglês, francês e cingalês. 

No Redecastorphoto
Leia Mais ►

Para que serve a filosofia na vida prática

Marco Aurélio, o imperador filósofo
A filosofia existe para que as pessoas possam viver melhor. Sofrer menos. Lidar melhor com as adversidades. Enfrentar serenamente o perpétuo vai-e-vem de elevações e quedas, para citar uma grande frase de um filósofo da Antiguidade. A missão essencial da filosofia é tornar viável a busca da felicidade.

Todos os grandes pensadores sublinharam esse ponto. A filosofia que não é útil na vida prática pode ser jogada no lixo. Alguém definiu os filósofos como os amigos eternos da humanidade. Nas noites frias e escuras que enfrentamos no correr dos longos dias, eles podem iluminar e aquecer. A filosofia apóia e consola.

Um aristocrata romano chamado Boécio (480-524) era rico, influente, poderoso. Era dono de uma inteligência colossal: traduziu para o latim toda a obra de Aristóteles e Platão. Tudo ia bem. Até o dia em que foi acusado de traição pelo imperador e condenado à morte. Foi torturado. Recebeu a marca dos condenados à morte de então: a letra grega Theta queimada na carne.

Boécio recorreu à filosofia, em que era mestre, para enfrentar o suplício. Entre a sentença e a morte, escreveu em condições precárias um livro que se tornaria um clássico da literatura ocidental: A Consolação da Filosofia. Tudo de que ele dispunha, para escrevê-lo, eram pequenas tábuas e estiletes. Isso lhe foi passado, para dentro da cela, por amigos. “A felicidade pode entrar em toda parte se suportarmos tudo sem queixas”, escreveu ele.

A filosofia consola, mostrou em situação extrema Boécio. E ensina. E inspira. Sim, os filósofos são os eternos amigos da humanidade. Considere Demócrito, pensador grego do século 5 a.C. Ele escreveu um livro chamado Sobre o Prazer. Primeira frase do livro: “Ocupe-se de pouco para ser feliz”. Gênio. Gênio total. A palavra grega para tranqüilidade da alma é euthymia.

A recomendação básica de Demócrito, sob diferentes enunciados, é encontrada em muitos outros filósofos. Sobrecarregar a agenda equivale a sobrecarregar o espírito, e traz inevitavelmente angústia. Ninguém que tenha muitas tarefas pode ser feliz.

Um sábio da Antiguidade não abria nenhuma correspondência depois das quatro horas da tarde. Era uma forma de não encontrar mais nenhum motivo de inquietação no resto do dia, que ele dedicava a recuperar a calma que perdera ao entregar-se ao seu trabalho. Olhemos para nós, e nos veremos com freqüência abrindo mensagens no computador alta noite, e não raro nos perturbando por seu conteúdo. O único resultado disso é uma noite mal dormida.

Fazemos muitas coisas desnecessárias. Coloque num papel as atividades de um dia. Depois veja o que realmente era preciso fazer e o que não era. A lista das inutilidades suplanta quase sempre a das ações imperiosas. O imperador filósofo romano Marco Aurélio, do começo da Era Cristã, louvou a frase de Demócrito em suas clássicas Meditações. Acrescentou que devemos evitar não apenas os gestos inúteis, mas também os pensamentos desnecessários.

Marco Aurélio recomendava o formidável exercício de conduzir a mente, quando agitada, para pensamentos aquietadores. Isso conseguido, controlamos a mente, esse cavalo selvagem, em vez de sermos controlados por ela.

Sêneca escreveu sobre o assunto com imensa graça e espírito. Sêneca usou as expressões “agitação estéril” e “preguiça agitada” ao tratar dos atos que nos trazem apenas desassossego. “É preciso livrar-se da agitação desregrada, à qual se entrega a maioria dos homens”, escreveu Sêneca. “Eles vagam ao acaso, mendigando ocupações. Suas saídas absurdas e inúteis lembram as idas e vindas das formigas ao longo das árvores, quando elas sobem até o alto do tronco e tornam a descer até embaixo, para nada. Quantas pessoas levam uma existência semelhante, que se chamaria com justiça de preguiça agitada?”

Agimos como formigas quase sempre, subindo e descendo sem razão o tronco das árvores, e pagamos um preço alto por isso: ansiedade, aflição, fadiga física e mental. Nossa agenda costuma estar repleta. É uma forma de fugir de nós mesmos, como escreveu sublimemente um poeta romano. Eliminar ao menos algumas das tantas tarefas inúteis que nos impomos a cada dia é vital para a euthymia da qual falavam os sábios gregos.

Outro ponto essencial recomendado pelos filósofos para a vida feliz é aceitar os tropeços. É o principal ensinamento do filósofo Zenão e seus discípulos. Nascido em 333 a.C. na ilha de Chipre, filho de pais ricos, Zenão fundou em Atenas uma escola de filosofia que dominou o mundo culto por séculos e cujos fundamentos influenciaram a doutrina cristã: o estoicismo.

Tão forte é a filosofia estóica que “estóico” virou sinônimo de bravura na adversidade. Segundo o mais admirado dicionário de inglês, o Oxford, estóico é quem se porta com serenidade diante do revés ou do triunfo. Nem vibra na vitória e nem se deprime na derrota.

Zenão perdeu todo o seu patrimônio num naufrágio. Seu comentário ao receber a informação: “O destino queria que eu filosofasse mais desembaraçadamente”. O nome da escola deriva da palavra grega “stoa”, pórtico. Zenão, alto, magro, o pescoço ligeiramente inclinado, pregava suas idéias num pórtico erguido pelos atenienses para celebrar a vitória na guerra sobre os persas.

Esse pórtico era colorido com imagens de gregos derrotando os bárbaros. Na Atenas de então, era comum discutir filosofia em locais públicos, mas a escolha do pórtico por Zenão parece carregada de simbolismo: o triunfo da sabedoria sobre a brutalidade.

O estoicismo defendia uma vida de acordo com a natureza. Simplicidade no vestuário, na comida, nas palavras, no estilo de vida. E a aceitação de tudo que possa ocorrer de ruim. Agastar-se contra as circunstâncias apenas piora o estado de espírito da pessoa: essa a lógica da aceitação, ou resignação, que viria a ser um dos pilares do cristianismo.

O lema estóico: abstenha-se e aceite. O apreço pela vida de acordo com a natureza Zenão a-prendeu com seu mestre em filosofia, Crates. Crates era da escola cínica. Os cínicos defendiam a simplicidade tanto quanto os estóicos, e não é difícil entender por que a posteridade ignorante lhes atribuiu um sentido pejorativo: é que eles eram extraordinariamente irreverentes. O mais notável filósofo cínico, Diógenes, certa vez se masturbou em público. Explicou aos que o interpelavam: “Gostaria de saciar minha fome esfregando o estômago”.

image

Não sobrou livro nenhum de Zenão. Atribuem-se a ele frases, das quais uma das melhores diz: “A natureza nos deu dois ouvidos e apenas uma boca para que ouvíssemos mais e falássemos menos”. Zenão se matou aos 72 anos.

Para os estóicos, o suicídio – sem lamúrias, sem queixas – era uma retirada digna e honrosa quando a pessoa já não encontrasse razões para viver. Sabe-se de sua morte pelo biógrafo Diógenes Laércio, autor de Vida dos Filósofos. Zenão tropeçou e se machucou, segundo Diógenes Laércio. Em seguida citou um verso de um autor grego chamado Timóteo: “Eis-me aqui: por que me chamas?”

Nascido escravo e só liberto depois de adulto, Epitecto foi uma das vozes mais influentes da filosofia da Antiguidade. Ele viveu nos primórdios da Era Cristã, de 40 a 125. Não escreveu um único livro. Seu pensamento é conhecido graças a um discípulo, o historiador Arriamo.

Arriamo teve o cuidado de anotar as idéias de seu mestre, e depois transformá-las em dois livros, Entretenimentos e Manual. Seu tamanho intelectual é tal que o imperador filósofo Marco Aurélio escreveu que um dos acontecimentos capitais de sua vida foi ter tido acesso às obras de Epitecto.

Para ele, o passo básico da vida feliz é aceitar as coisas como elas são. Revoltar-se contra os fatos não altera os fatos, e ainda traz uma dose de tormento desnecessária. “Não se deve pedir que os acontecimentos ocorram como você quer, mas deve-se querê-los como ocorrem: assim sua vida será feliz”, disse Epitecto. (Séculos depois, o pensador francês Descartes escreveu uma frase que é como um tributo à escola de Epitecto: “É mais fácil mudar seus desejos do que mudar a ordem do mundo”.)

Não adianta se agastar contra as circunstâncias: elas não se importam. Isso se vê nas pequenas coisas da vida. Você está no meio de um congestionamento? Exasperar-se não vai dissolver os carros à sua frente. Caiu uma chuva na hora em que você ia jogar tênis com seu amigo? Amaldiçoar as nuvens não vai secar o piso. Que tal uma seção de cinema em vez do tênis?

Outro ensinamento seu crucial é que só devemos nos ocupar efetivamente daquilo que está sob nosso controle. Você cruza uma manhã com seu chefe no elevador e ele é efusivo. Você ganha o dia. Você o encontra de novo e ele é frio. Você fica arrasado. Daquela vez ele estava bem-humorado, daí o cumprimento caloroso, agora não. O estado de espírito de seu chefe não está sob seu controle. Você não deve nem se entusiasmar com tapas amáveis que ele dê em suas costas e nem se deprimir com um gesto de frieza. Você não pode entregar aos outros o comando de seu estado de espírito.

“Não é aquele que lhe diz injúrias quem ultraja você, mas sim a opinião que você tem dele”, disse Epitecto. Se você ignora quem o insulta, você lhe tira o poder de chateá-lo, seja no trânsito, na arquibancada de um estádio de futebol ou numa reunião corporativa.

Não são exatamente os fatos que moldam nosso estado de espírito, pregou Epitecto, mas sim a maneira como os encaramos. Um dos desafios perenes da humanidade, e as palavras de Epitecto são uma lembrança eterna disso, é evitar que nossa opinião sobre as coisas seja tão ruim como costuma ser. A mente humana parece sempre optar pela infelicidade.

Outra lição essencial dos filósofos é não se inquietar com o futuro. O sábio vive apenas o dia de hoje. Não planeja nada. Não se atormenta com o que pode acontecer amanhã. É, numa palavra, um imprevidente. Eis um conceito comum a quase todas as escolas filosóficas: o descaso pelo dia seguinte. Mesmo em situações extremas. Um filósofo da Antiguidade, ao ver o pânico das pessoas com as quais estava num navio que chacoalhava sob uma tempestade, apontou para um porco impassível. E disse: “Não é possível que aquele animal seja mais sábio que todos nós”.

O futuro é fonte de inquietação permanente para a humanidade. Tememos perder o emprego. Tememos não ter dinheiro para pagar as contas. Tememos ficar doentes. Tememos morrer. O medo do dia de amanhã impede que se desfrute o dia de hoje. “A imprevidência é uma das maiores marcas da sabedoria”, escreveu Epicuro. Nascido em Atenas em 341 AC, Epicuro, como os filósofos cínicos, foi uma vítima da posteridade ignorante. Pregava e praticava a simplicidade, e no entanto seu nome ficou vinculado à busca frívola do prazer.

Somos tanto mais serenos quanto menos pensamos no futuro. Vivemos sob o império dos planos, quer na vida pessoal, quer na vida profissional, e isso traz muito mais desassossego que realizações. O mundo neurótico em que arrastamos nossas pernas trêmulas de receios múltiplos deriva, em grande parte, do foco obsessivo no futuro. Há um sofrimento por antecipação cuja única função é tornar a vida mais áspera do que já é.

Epicuro, numa sentença frequentemente citada, disse que nunca é tarde demais e nem cedo demais para filosofar. Para refletir sobre a arte de viver bem, ele queria dizer. Para buscar a tranqüilidade da alma, sem a qual mesmo tendo tudo nada temos a não ser medo. Também nunca é tarde demais e nem cedo demais para lutar contra a presença descomunal e apavorante do futuro em nossa vida.

O homem sábio cuida do dia de hoje. E basta.

Paulo Nogueira
No DCM
Leia Mais ►