7 de abr de 2014

As perguntas que María Corina não respondeu ao Senado brasileiro

Alckmin recebeu a deputada venezuelana María Corina Machado em 4 de abril
Conheça as perguntas que a ex-deputada venezuelana María Corina Machado não respondeu durante sua recente visita ao Senado brasileiro.

Na última quarta-feira (2/4), a deputada venezuelana cassada María Corina Machado iniciou visita ao Brasil participando de sessão na comissão de relações exteriores do Senado Federal a convite do senador Ricardo Ferraço. (NR: nesta 2ª feira (07/04) estará no programa Roda-Viva , da tucana TV Cultura). Foi recebida com protestos de movimentos sociais que a chamavam de golpista e aclamada por líderes da oposição.

Aécio Neves a saudou como representante da voz das barricadas, legitimando a violência que levou a morte de quase 40 venezuelanos nos últimos dois meses.
Agripino Maia perguntou se o Bairro Adentro (programa massivo de saúde pública que conta com apoio de médicos cubanos) era eleitoreiro, tentando fabricar argumentos para as próximas eleições no Brasil.

Alosyio Nunes Ferreira interrompeu a sessão de debates para que uma militante do PSDB Mulher (entre os 11 senadores do partido há apenas uma mulher, que não estava na sessão) entregasse flores para María Corina.


Álvaro Dias afirmou que esteve em Caracas e viu pessoalmente que a guarda pessoal de Chávez era formada por jovens soldados cubanos vestido com uniforme venezuelano.

A falta de compromisso com a solução pacífica dos impasses do país vizinho e a propagação de desinformação desse grupo de senadores, que reflete a péssima cobertura da imprensa brasileira sobre a Venezuela, não foi suficiente para esconder as perguntas que a ex-deputada María Corina Machado não respondeu.

1 - A senhora pode contestar a lista que eu tenho aqui em que aparece seu nome entre os que apoiaram o golpe de Estado de 2002 e assinaram apoio ao efêmero regime de Pedro Carmona? (Randolfe Rodrigues)

2 - A senhora reconhece os resultados da última eleição presidencial que deu 7.505.338 votos (50,66%) a Nicolás Maduro e 7.270.403 (49,07%) para Henrique Capriles, seu principal concorrente? (Eduardo Suplicy)

3 - Por que universidades são depredadas nos protestos liderados pela senhora? (Vanessa Grazziotin)

4 - Por que vocês querem expulsar os médicos cubanos? (Vanessa Grazziotin, mostrando foto de boneco representando médico cubano sendo enforcado durante protesto defendido por Corina)

5 - Esse filme que a senhora acabou de mostrar é um montagem grotesca, quem financiou o filme? (Vanessa Grazziotin, sobre o filme exibido minutos antes por Corina)

6 - O Art. 149 da Constituição da República Bolivariana da Venezuela impede que cargos estrangeiros sejam assumidos sem autorização da Assembleia Nacional, por que a senhora não cumpriu os requisitos antes de viajar a Washington para representar o Panamá em reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA)? (Eduardo Suplicy)

7 – Os membros da Corte Suprema da Venezuela são, como nós no Brasil ou em outros países, designados pelo Presidente? (Eduardo Suplicy)

8 - A divisão da oposição (entre radicais, representados por Leopoldo López, e moderados, representados por Henrique Capriles) não agrava os problemas no sentido de uma saída pacífica? (Ana Amélia)

9 - Caso seu grupo consiga derrubar o governo Maduro, quais medidas econômicas seriam tomadas? Neoliberalismo à modo do Chile depois da queda de Allende? (Roberto Requião)

10 – Como se cria um mercado próprio, cortando todos os benefícios sociais e levando a Venezuela a um período pré-Chávez? (Roberto Requião)


María Corina apoiou o golpe de 2002 e reconheceu o governo de Pedro Carmona. Não reconheceu o resultado eleitoral de 2013 que a própria oposição e diferentes instituições internacionais validaram. Não condenou os protestos violentos nem mesmo quando os manifestantes atearam fogo a uma creche com crianças dentro e afirma que a violência é exclusiva por parte do governo. Diz que os médicos cubanos tiram espaço dos médicos venezuelanos e roubam a soberania do país.

Não cumpriu as obrigações constitucionais para representar o Panamá em reunião da OEA para forçar a própria cassação e apresentá-la como prova da violência do governo bolivariano. Recebe financiamento sistemático dos EUA para produzir materiais como o vídeo mencionado. Os juízes da suprema corte venezuelana são designados pela assembleia nacional, que ela fazia parte. Sua postura sectária e golpista é o maior obstáculo para a unificação da oposição e para o diálogo necessário entre os diferentes setores da sociedade venezuelana. María Corina criticou as todas as políticas de transferência renda, instrumento fundamental para as políticas distributivas e da redução das desigualdades em toda a América Latina.


Ao não responder as perguntas, preferiu esconder dos brasileiros parte da verdade. Ao colocar-se a fantasia de grande defensora da constituição venezuelana, cria um personagem que convêm à oposição no Brasil, ao uribismo na Colômbia e aos republicanos na Florida. Esses três grupos trabalham menos para solucionar os impasses venezuelanos e mais para que manter a instabilidade no país até as eleições presidenciais de maio na Colômbia e de outubro no Brasil e as eleições regionais e parlamentares de novembro nos Estados Unidos.

María Corina Machado transita entre o golpismo e a atuação institucional há mais de dez anos. Apoiou o golpe de Estado contra Hugo Chávez em 2002 e assinou com outros 351 golpistas o Decreto Carmona, documento que suspendia direitos constitucionais, revogava o mandato de todos os deputados venezuelanos, destituía a suprema corte e aclamava um líder da associação de empresários presidente de fato. Depois Corina alegou que pensava tratar-se de uma lista de presença de quem fora ao palácio do governo comemorar a queda de Chávez.

Ajudou a coletar assinaturas para um referendo revogatório que abreviaria o mandato do presidente Chávez em 2004; mais de 60% dos venezuelanos rejeitaram a proposta. Foi recebida por George W. Bush na Casa Branca em 2005, quando defendia o boicote às eleições parlamentares na Venezuela. A Súmate, ONG que María Corina dirige, era uma das recordistas em repasses do National Endowment for Democracy, instrumento dos EUA para atuar politicamente na América Latina. O próprio Jimmy Carter, ex-presidente dos EUA, criticou as tentativas da Súmate por favorecer a oposição em votações na Venezuela.

Concorreu pela primeira vez a um cargo público em 2010, o sistema eleitoral que ela tanto critica e a forma de voto distrital na Venezuela permitiram que Corina fosse a deputada mais votada do país, com 250 mil eleitores do circuito que representa as regiões mais ricas de Caracas (Chacao, Baruta e El Hatillo) e que hoje concentram os protestos violentos contra o governo.

Dois anos depois disputou a prévia da oposição para ser candidata à presidência. Sofreu uma acachapante derrota. Henrique Capriles teve 1,9 milhão de votos, Pablo Pérez 890 mil e María Corina apenas 110 mil. Menos de 4% dos que participaram a queriam como candidata, quase todos seus votos se limitaram ao seu reduto eleitoral.

Nos últimos dois anos radicalizou ainda mais o seu discurso e a sua ação política. Provoca cirurgicamente ações violentas, sempre tentando vincular a imagem de violência ao governo venezuelano. Seu movimento é seguido pelos jovens que montam barricadas impedindo o livre trânsito em pontos estratégicos de Caracas. Não à toa, em sua volta do Brasil, no sábado (5/4), foi diretamente encontrar um grupo que organizava barricadas em uma das principais avenidas da cidade.

Em 30 de abril de 2013, María Corina foi agredida por uma deputada governista em uma tumultuada sessão na Assembleia Nacional. Conseguiu o pretexto para, poucos dias depois, ter um palanque no Senado colombiano. Na Colômbia disse que a população estava contra o governo, que havia caos econômico na Venezuela, que o governo iria sofrer uma grande derrota eleitoral nas eleições municipais de dezembro. O governo elegeu os prefeitos em 75% dos municípios do país e teve mais de 700 mil votos a mais que a oposição que apresentava as eleições como um plebiscito sobre o governo Maduro.

No mês passado, foi para a OEA em Washington sem ser convidada e representou outro Estado durante o exercício parlamentar na Venezuela sem autorização violando explicitamente sua própria Constituição. Deu argumento para os deputados mais radicais do chavismo apresentarem a sua cassação. Ao mesmo tempo, conseguiu o palanque no Senado brasileiro. As ações dos radicais dos dois lados inibe o diálogo que a Venezuela precisa. A recepção a María Corina promovida pelo governo do estado de São Paulo e por parte dos senadores brasileiros alimenta os radicais na Venezuela.

Por outro lado, a Unasul e o Brasil tem procurado ajudar. Ontem (domingo, 6/4) a Mesa de Unidade Democrática (MUD, articulação ampla das forças de oposição) divulgou comunicado apoiando o diálogo, a missão da Unasul e destacando que “la presencia de gobiernos de naciones hermanas es valiosa”. O comunicado da MUD destoa muito das posições de Corina no Brasil. Hoje (7/4) nove chanceleres sul-americanos participam novamente da Conferência da Paz em Caracas. No fim da tarde se reunirão com a oposição venezuelana. Existe a possibilidade concreta de uma mediação para favorecer o diálogo. María Corina é contra.

No mesmo dia, a TV Cultura de São Paulo vai exibir um programa Roda Viva tendo María Corina como entrevistada (foi gravado na sexta passada, 4/4). Todos os convidados para fazer questionamento são notórios críticos da Venezuela. Um dos entrevistadores, Augusto Nunes, divulgando o programa em seu blog no site da revista Veja escreveu sobre o programa “Todas as perguntas foram feitas. Nenhuma ficou sem resposta convincente”. Ricardo Setti, da mesma revista, postou uma reportagem do Jornal da Cultura sobre a presença de María Corina no Senado brasileiro em que é afirmado que a ex-deputada foi cassada por “viajar ao Panamá”.

A TV Cultura nessa questão parece ser o braço televisivo da Veja. Talvez a serviço do governador Geraldo Alckmin que recebeu a ex-deputada no Palácio dos Bandeirantes horas antes da gravação o Roda Viva. Segundo reportagem no portal do governo estadual, “Alckmin ressaltou que conversaram sobre os valores da democracia”.
Não é possível comentar o programa antes de assisti-lo. Arrisco, porém, que se tratará mais de uma conversa entre amigos do que esclarecimentos sobre o que ela deixou de responder no Senado brasileiro.

Foto 1: Protesto violente apoiado por María Corina AFP em https://twitter.com/felippe_ramos

Foto 2: Policial pegando fogo ao ser atingido por coquetel molotov disparado por manifestante apoiado por María Corina AFP em https://twitter.com/felippe_ramos


Foto 4: Maria Corina e Geraldo Alckmin em 2014 http://www.saopaulo.sp.gov.br/spnoticias/lenoticia.php?id=236489

Pedro Silva Barros
No Carta Maior
Leia Mais ►

Água em São Paulo: já não se pode ocultar a verdade


A semana não termina sem que comece, de fato, o racionamento de água em São Paulo.

Mesmo que a Sabesp adie o anúncio da medida, terá de coloca-la em prática, com mais intensidade que os cortes seletivos que está aplicando agora.

Na quarta-feira estarão sendo testados os temores de que, abaixo dos 5%, a perda de pressão hidráulica possa influir negativamente na vazão de saída do túnel que transfere água do reservatório Jaguari-Jacareí, o maior do sistema, e que hoje tem meros 5,28% de seu volume de água.

O sistema formado pelos quatro reservatórios capaz de, de fato, estocarem água no Cantareira caiu a 12,5%, 3,06% a menos que em 7 de março. Assim mesmo graças ao deliberado esgotamento do seu principal reservatório, que baixou 5,3% no mesmo período.

O “restinho” que a Sabesp arredonda e soma, referente ao reservatório Paiva Castro, só tem volume para operar um dia ou dois.


Seriam quatro meses de água, se o sistema fosse capaz de funcionar até o zero —  mas não é — e se as chuvas seguissem generosas como as do último mês, acima da média.

Nada indica que isso vá acontecer, porém.

Ao contrário.

A meteorologista Josélia Pegorim, do Climatempo, publicou um mapa de previsões de precipitação que indica um cenário muito ruim para a área do Cantareira (que é a área delimitada em roxo): nos próximos 15 dias, só um de chuvas relativamente fortes, nos outros apenas garoa ou nada.

Está reproduzido aí ao lado.

Chegou-se ao limite da irresponsabilidade.

Seguir assim, com uma perda (água afluente – água defluente, que sai do sistema) na ordem de um bilhão de litros diários, que não são suficientes para três meses de consumo, é uma loucura que nenhum objetivo eleitoral do Sr. Geraldo Alckmin tem o direito de justificar.

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

O vazamento do “novo Fantástico” é uma amostra da batalha perdida da Globo contra a internet

O “novo” Fantástico
A AbsurdaTV é um canal por streaming que transmite programas ilegalmente. Fica hospedada em plataformas como Justin.tv. Seus criadores são anônimos. Em sua conta no Facebook, a descrição é a seguinte: “a sua TV especializada em zuera”. Um dos integrantes definiu a si mesmo e a seus colegas como “grupo de jovens inconsequentes que gostam de televisão”. Já foram chamados de hackers e black blocs virtuais.

Seja o que for, a AbsurdaTV tornou-se a mais recente dor de cabeça para a Globo, num retrato revelador de sua luta inglória contra a internet.

Numa espécie de “furo”, a AbsurdaTV transmitiu imagens do novo “Fantástico”, que deve ser relançado pela centésima vez no dia 27 de abril com “formato” diferente. O vazamento teria criado uma crise nos bastidores da velha revista dominical.

Uma nota oficial foi emitida: “O que está sendo chamado de piloto é uma colagem de vários ensaios de dias diferentes. E o que está sendo chamado de vazamento é um crime de furto de conteúdo protegido, com todas as suas consequências legais para quem divulga ou vier a divulgar”.

Entre as “novidades”, uma certa redação-estúdio, em que o espectador acompanha a apuração das notícias, sua checagem e a transformação em matéria. Há também efeitos visuais cabulosos. A probabilidade de esse tipo de coisa reverter a tendência de queda do Ibope, você sabe, é baixíssima.

Uma das responsáveis pela AbsurdaTV deu uma boa entrevista a um site especializado. “Daniela” falou sobre o mito da tecnologia da Globo. “Olha, se realmente a Globo tivesse grande aparato tecnológico que tanto dizem e essas rigorosas medidas de segurança, o Fantástico não tinha chegado nas nossas mãos, e nem teria vazado o logotipo e as aberturas no ano passado”.

Sobre pirataria interna: “Tem funcionário da Globo que tem canal na internet que transmite conteúdo da Globosat em alta definição, inclusive material de pay-per-view, como provas inteiras do Big Brother, festas etc. Além disso, a vulnerabilidade do sistema é o maior dos problemas. Estão procurando onde não há, não foi mídia física que vazou. Se continuar como está, poderá vazar muito mais coisas, não necessariamente nas nossas mãos”.

Sobre as acusações de roubo: “Não furtamos nada, não roubamos nada, eu nem sei onde fica a Globo lá no Jardim Botânico, é muito longe da minha casa, e o Projac é muito longe da civilização. Não aceitamos sermos comparados com criminosos. É uma teoria muito conspiratória achar que uma quadrilha pararia um carro da Globo só pra roubar um DVD ou pendrive com um piloto do Fantástico que, convenhamos, ficou muito ruim. Os maiores problemas da Globo estão dentro dela”.

Não há muito o que a Globo possa fazer. Vai processar a AbsurdaTV e tirá-la do ar. Mas outras iniciativas como essa vão surgir em seu lugar. O futuro não é mais como era antigamente, o poder disruptivo da internet é invencível e a zoeira, ela não tem limites.

Kiko Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Aécio e Campos: passa-se o ponto


Poucos governos foram tão alvejados quanto o de Dilma Rousseff nos últimos meses. Na grande mídia, tudo foi motivo de crítica pesada: Copa do Mundo, inflação, crescimento, Petrobras, relação com empresários, Mais Médicos etc, etc, etc. Subiu ao palco até aquela agência de risco famosa por dar nota azul a bancos que, semanas depois, lideraram a maior crise do capitalismo desde 1929. Chumbo grosso.

Eis que, diante de tudo isso, as pesquisas de opinião mostram, sim, um recuo da popularidade de Dilma. Era esperado, até previsível. Especulador ganhou muito dinheiro com isso. O inesperado, para quem se diz portador do novo, da juventude, da mudança, foi o que aconteceu com o tucano Aécio Neves e o filotucano Eduardo Campos: estacionaram como aquelas caçambas que ocupam vagas preciosas no meio-fio à espera do lixo de condôminos. Considerando a margem de erro do Datafolha, ficaram literalmente empacados.

Isso não quer dizer que o mundo esteja a mil maravilhas para o governo. Há um desejo de mudança, de melhora, de iniciativas corajosas. Mas aí vem o detalhe: entre os que querem novos ares, a maioria considera que o mais apto a fazer isto é Lula, seguido por Marina e, depois por... Dilma! É de provocar vergonha alheia.

A esta altura do campeonato, quem deve, ou deveria, estar em polvorosa é a oposição. Com toda a exposição dos últimos meses, seus candidatos não conseguiram convencer os eleitores de que são os arautos de um Brasil próspero. Não é por menos. Tucanos e filotucanos têm dificuldades conhecidas em lidar com o povo a céu aberto. Preferem a pouca luz de bastidores.

Nos meios tradicionais e jantares selecionados, operam com saliência e desenvoltura: trocam favores relacionados a heliportos pela cabeça de jornalistas, intimidam oposicionistas em seus Estados, mas, quando se trata de Brasília, posam de Catão.

Com a cara mais lambida do mundo, Aécio e Campos pedem agora CPIs sobre a Petrobras; já em suas searas, vestem a roupa do coronelismo mais retrógrado. Nunca é demais recordar: governos tucanos, que há mais de uma década rapinam o Tesouro paulista em conluio com multinacionais, jamais aceitaram a criação de uma mísera CPI estadual para investigar as denúncias de roubalheiras no Metrô e na CPTM. Uma única!

Mas em Brasília o pessoal troca de uniforme, finge-se de vestal e quer (quer mesmo?) uma devassa na Petrobras. Parece não perceber que manobras mesquinhas não são suficientes para colocar água em torneiras à beira de racionamento, melhorar a segurança pública ou resolver a situação vexatória dos transportes públicos sob sua responsabilidade. E ainda nem começou o horário eleitoral, no qual os partidos governistas dispõem de uma larga vantagem sobre os adversários.

Nada disso sugere que o governo dirigido pelo PT ostente uma situação confortável e possa viver da indigência dos rivais. O Planalto tem contas a prestar sobre a série de denúncias indicando que a máquina pública serve de balcão de negócios para interesses privados e partidários. Tão hipócrita quanto dizer que a prática começou nos governos do PT é tentar esconder que certos hábitos infelizmente são multipartidários. O governo Dilma Rousseff tem nas mãos a chance de romper essa inércia.

Anistia

A pressão pela revisão da Lei da Anistia cresceu com as últimas revelações da Comissão da Verdade. Incapaz de contestar as barbaridades que vieram a público, a última trincheira dos obscurantistas é cobrar o julgamento de "todos os lados". Cinismo absoluto.

A oposição ao regime militar foi julgada, exilada, presa, torturada e condenada à morte (por fora da lei) durante o desgoverno dos generais. Quem se safou com a anistia foram os torturadores e seus mandantes. São estes que devem ir ao banco dos réus. Ou será que querem julgar Dilma de novo?

Ricardo Melo
No fAlha
Leia Mais ►

Alckmin deixa Direitos Humanos a cargo do PSC de Feliciano

Todos os apelos feitos à época em que Marco Feliciano foi presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara parecem não ter chegado aos ouvidos do governador Geraldo Alckmin. O tucano nomeou Gilberto Nascimento Silva Junior, filho do presidente estadual do PSC, Gilberto Nascimento, como secretário-adjunto de Justiça e da Defesa da Cidadania.

O correligionário de Feliciano passa a ser o número dois da pasta comandada pela procuradora de Justiça Eloísa Arruda. A secretaria é a responsável pelas políticas de direitos humanos no estado de São Paulo, o que inclui, por exemplo, as ações destinadas à diversidade sexual.

Evidente que a nomeação atende à velha lógica eleitoral. E o objetivo é garantir o PSC  na campanha da reeleição de Alckmin. A turma de Feliciano ocupava a secretaria-adjunta do Desenvolvimento Metropolitano, extinta no início do ano.

Feliciano e sua turma tem a faca e o queijo na mão para impor, em São Paulo, seu fundamentalismo com a benção do padrinho Alckmin. O PSDB perdeu todos os pudores.

No Fórum
Leia Mais ►

Marco Feliciano revela que já usou cocaína e diz que alguns homens têm tara por sexo anal

Feliciano em foto para a publicação: ele foi o segundo político evangélico
com maior número de votos no país e o 12° entre os 70 deputados eleitos
pelo estado de São Paulo
Foto: Joédson Alves / Divulgação/Playboy
O deputado federal e ex-presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara, Marco Feliciano, abre o verbo em entrevista à “Playboy” deste mês. O político e pastor evangélico, que ganhou projeção nacional por causa das controversas opiniões sobre os direitos homossexuais, contou que já usou drogas como cocaína, e voltou a reafirmar que nunca teve uma relação homossexual.

“Conheci a cocaína nos bailinhos, no fim dos 12 anos. Só a cocaína. Eu tentei a maconha, mas engasguei, nunca consegui fumar nem cigarro. Não conseguia tragar. Com a cocaína era fácil”, revelou.

Ele também afirmou que compreende o prazer que homens possam ter com sexo anal. “Com certeza, tem homens que têm tara por ânus, sim. Eu não entendo muito dessa área porque nunca fiz, graças a Deus, e espero nunca fazer, porque parece que quem faz não volta mais. (Risos). Deve ser uma coisa tão estranha...”, encerra.

No Extra
Leia Mais ►

Morte de operário no Itaquerão: Isso é normal, diz Pelé


Leia Mais ►

"La burbuja económica de la Reserva Federal de EE.UU. estallará en 3 años"

Según predice el economista suizo Marc Faber, la burbuja masiva en la que actualmente se encuentra el mercado estadounidense estallará en unos tres años, llevando a la economía del país a un colapso inevitable.

En su entrevista exclusiva con el portal financiero Casey Research, Faber ha revelado que las burbujas económicas existen gracias a los esquemas de impresión de dinero excesivo de la Reserva Federal. El economista señala que desde el comienzo de la Gran Recesión, el Banco Central de EE.UU. ha impreso enormes sumas de dinero y si el proceso se sigue acelerando la burbuja estallará como máximo en tres años.

Faber también destaca que la economía de EE.UU. actualmente se encuentra en un estado muy frágil por la enorme desigualdad de la riqueza, y la inminente inflación afectará de lleno al ciudadano medio estadounidense.

De acuerdo con el economista, el colapso financiero ya está por llegar al país norteamericano y una vez que ocurra, el poder de los bancos centrales se reducirá significativamente, ya que la gente se dará cuenta de que la Reserva Federal está detrás de la gran burbuja de crédito y activos, al igual que ocurrió con la primera burbuja del Nasdaq en 1999 y la burbuja de la vivienda entre 2001 y 2007.

Las unicas alternativas posibles a este colapso y la burbuja gigante de activos, según Faber, son el oro y la plata, que hoy en día son las mejores opciones de compra para los inversores.

No RT
Leia Mais ►

Em que circunstâncias Lula voltaria?

Lula
E então, Lula volta ou não?

É uma especulação que vai se fazer cada vez mais nos próximos dias, por conta dos resultados do último Datafolha.

Racionalmente, a resposta parece ser: volta se for preciso, e apenas neste caso.

Lula será necessário, para o PT, caso fique claro que Dilma pode perder as eleições de outubro.

É melhor para o PT encontrar uma saída honrosa para Dilma — na hipótese ainda remota de as coisas se complicarem — do que arriscar a perda da presidência e correr o risco de se transformar num novo PSDB, com muito passado e pouco futuro.

O problema, para o PT, não está nem em Aécio e nem em Eduardo Campos, dupla com escassas chances de entusiasmar os eleitores.

O risco, para a candidatura Dilma, chama-se Marina.

Ela apareceu no Datafolha, numa simulação, com 27% das intenções, o triplo de Campos.

Campos vai abrir espaço para Marina? Esta é outra questão que torna o debate eleitoral um jogo de xadrez.

Se Marina for a candidata, crescerão as chances de uma troca de Dilma por Lula, porque ela é o único nome na oposição realmente caro ao eleitorado.

Marina não se queimou — ao contrário do mundo político em geral — nos protestos de junho passado.

Isso é uma credencial poderosa para uma candidatura — desde que Campos saia do caminho.

Marina é vaga em seu programa e em seu projeto, mas quem não é entre os candidatos à presidência?

Veja os assuntos realmente relevantes: regulação da mídia, ou reforma tributária que cobre mais impostos dos ricos. Alguém fala nisso?

É curioso. Mas os debates sobre os 50 anos do golpe trouxeram à cena a plataforma que custou o cargo a João Goulart.

A agenda de Jango era muito mais moderna, límpida e rica do que a de qualquer candidato presidencial — e não apenas nestas eleições.

Jango queria uma sociedade menos desigual: planejava estender, por exemplo, o voto aos analfabetos, então uma larga parcela entre os brasileiros. Isso significava inclusão social.

Para fortalecer a economia nacional, queria limitar as remessas de lucros das empresas estrangeiras. Defendia, também, uma política externa independente, não servil aos Estados Unidos.

Isso para não falar na reforma agrária, hoje tão importante quanto antes.

Se algum partido ressuscitasse as propostas de Jango, os brasileiros estariam diante de um programa de governo formidável.

Mas não.

O que mais se vê é um blábláblá cheio de platitudes, fruto, provavelmente, do medo dos candidatos de desagradar as mesmas forças que levaram ao golpe contra Jango.

A falta de clareza de Marina, neste quadro, não pesa tanto contra ela quanto poderia pesar se os demais candidatos fossem mais claros e mais assertivos.

No xadrez da campanha de 2014, é possível que o PT e a oposição esperem agora para ver quem vai fazer o próximo movimento.

Se Marina substituir Campos — uma mudança óbvia, aliás — crescerão substancialmente as chances de Lula voltar mais cedo do que seus opositores gostariam.

Paulo Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

20 anos do genocídio em Ruanda, o maior massacre da humanidade após o fim da 2ª Guerra Mundial


No dia 7 de abril de 1994, começaram os 100 dias mais ferozes da história de Ruanda e, talvez, da humanidade inteira depois do fim da Segunda Guerra Mundial. Por mais de três meses, perpetrou-se um massacre sistemático que o mundo não soube prever nem enfrentar, muito menos parar.

O detonador da explosão de horror que resultou em décadas de conflito entre as etnias hutu e tutsi foi um atentado: no dia anterior, haviam sido mortos o presidente ruandês, Juvénal Habyarimana, e burundês, Cyprien Ntaryamira, quando foi derrubado o seu avião que estava aterrissando no aeroporto da capital ruandesa, Kigali. Com eles morreram dois ministros de Burundi, cinco funcionários de Ruanda e os três membros da tripulação francesa do avião.

Os dois presidentes voltavam de uma cúpula de chefes de Estado da África Central, realizada em Dar-es-Salaam, na Tanzânia, e dedicada justamente à guerra que, há anos, via a contraposição entre os hutu e os tutsi que vivem nos dois países.

Não foram suficientes para parar o conflito nem mesmo os acordos assinados no dia 4 de agosto do ano anterior, em Arusha, também na Tanzânia, que previam um governo de transição na Ruanda, também com expoentes da Frente Patriótica Ruandesa (FPR), o grupo armado dos tutsi, liderado pelo atual presidente Paul Kagame.

Nenhuma investigação internacional jamais determinou quais foram os responsáveis pelo atentado. Mas a violência transbordou imediatamente, antes na capital Kigali e depois no resto da Ruanda, contra os tutsi e os hutu moderados.

Os soldados hutu da guarda presidencial se lançaram contra o bairro de Kigali onde estavam alojadas as milícias da FPR, que consideravam como os autores do atentado. Entre as primeiras vítimas, estavam dez soldados das forças de paz belgas da UNAMIR, a missão da ONU que começou em outubro do ano anterior. Os militares belgas foram capturados quando tentavam proteger a fuga da primeira-ministra, Agathe Uwilingiyimana, também ela morta, assim como outros expoentes do governo.

Por 100 dias, centenas de milhares de mulheres e de homens, de idosos e de crianças, foram trucidados em todas as localidades, durante uma caçada humana aterrorizante. Um ano depois, também foi atroz a vingança dos tutsi que chegaram ao poder. No campo de Kibeho, milhares de hutu foram mortos, incluindo mulheres e crianças, enquanto, em Kigali, o novo governo reivindicava “o direito de separar os refugiados dos autores do genocídio”.

As forças da ONU, depois de terem assistido, impotentes, ao primeiro e aterrorizante ataque, conseguiram resgatar milhares de crianças, muitas vezes encontradas ao lado dos cadáveres das mães. Aquelas horas marcaram para sempre a memória de quem as viveu. Aquelas crianças não falavam, não choravam, algumas estavam enlouquecidas. Também vacilou a razão daqueles que fizeram o máximo para tornar aquele horror, embora minimamente, menos cruel ou daqueles que tiveram que relatá-lo.

Um aspecto do conflito entre hutu e tutsi, populações de grande maioria católica, não pode ser calado: o do envolvimento de muitos religiosos. Desde o início, o sangue marcou a Igreja ruandesa muitas vezes com a cor do martírio, mas às vezes — e é algo que ainda surpreende — manchando mãos culpadas.

Não por acaso, recebendo os bispos ruandeses justamente nessa semana, o Papa Francisco recordou os “tantos sofrimentos e feridas, ainda longes de serem cicatrizadas” e os exortou a “seguir resolutamente em frente, testemunhando incessantemente a verdade”, ressaltando que “a Igreja tem um lugar importante na reconstrução de uma sociedade reconciliada”.

Uma impressão amarga se difundiu nas consciências naquela primavera de 1994. Mas a comunidade internacional não captou imediatamente o assustador porte dos acontecimentos. O Conselho de Segurança da ONU se limitou a solicitar que o então secretário-geral, Boutros Boutros-Ghali, tomasse “as medidas necessárias para assegurar a segurança” dos cidadãos estrangeiros na Ruanda.

Uma década depois, Kofi Annan, o sucessor de Boutros-Ghali, que em 1994 era responsável pelas missões militares da ONU, admitiu, ele mesmo, que tinha subestimado a situação. Assim como, um ano depois, em julho de 1995, as forças de paz francesas da ONU demonstraram ser impotentes diante de outro genocídio, o de Srebrenica, na Bósnia e Herzegovina.

Além disso, nem mesmo a trágica história balcânica realmente envolveu o norte rico e poderoso do mundo, onde se viviam os anos do fim do bipolarismo leste-oeste com um alívio que as décadas posteriores se encarregariam de demonstrar que era infundado.

O que estava sendo preparado e o que depois aconteceu nos Bálcãs e na região dos Grandes Lagos pegou despreparada a comunidade internacional. No entanto, aquelas imagens, aquelas notícias de massacres, de campos de concentração que viam encadeados homens concretos e a própria dignidade do homem, valas comuns onde se enterravam cadáveres e a própria humanidade, não eram novas.

Não eram tão inéditas a ponto de parecerem incríveis. Acontecia de novo, como acontecera 50 anos antes na Europa. A imprensa propunha evidências cruas e ressuscitava memórias dolorosas. Mas essa insistência da memória não soube se tornar compaixão ativa, reflexão atenta, vigilância solícita.

Declinava, entregando os seus horrores ao duro julgamento da posteridade, um século marcado pelas atrocidades, o século que inventara os campos de concentração, as limpezas étnicas, os genocídios sistemáticos, que tinha proposto a epidemia recorrente dos totalitarismos, que devastara a fisiologia das nações com a patologia dos nacionalismos, que havia transformado a identidade étnica na máscara zombeteira do racismo.

Vinte anos depois, nesse início do milênio, aqueles monstros ainda estão presentes e muitas vezes são triunfantes. “Nunca esqueceremos que mais de 800 mil pessoas inocentes foram selvagemente assassinadas. Prestamos homenagem à coragem e à capacidade de recuperação dos sobreviventes”, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que no dia 7 de abril estará em Kigali para a cerimônia de comemoração.

Ban Ki-moon elogiou “a determinação dos ruandeses para regenerar o seu país e lançar as bases para um futuro seguro e próspero”. Porém, acrescentou que a batalha não para por aí, porque é preciso continuar agindo para impedir outros horrores semelhantes, particularmente na região dos Grandes Lagos, “onde o impacto do genocídio ainda é sentido”.

O nosso passado, o nosso ontem mais recente, o nosso hoje são iguais. Imagens idênticas, notícias idênticas servem de testemunhas de acusação para aqueles que usam a identidade das nações como uma espada contra as minorias étnicas, ou sociais, ou religiosas, como um pé de cabra para arrombar os cofres da história e para lhes roubar a memória, para aqueles que mistificam os povos com um chamado progresso sem direitos, com pacificações apenas supostas, por serem sem justiça e sem verdade.

Ban Ki-moon tem razão: um aniversário é importante para fazer memória. Mas uma memória que não ensina é apenas um formalismo inútil.


Do L’Osservatore Romano
No DCM
Leia Mais ►

Ditadura e Zero Hora completam 50 anos juntos

Em 1º de abril de 1964, o golpe militar encerrava o governo do presidente João Goulart. Um mês e três dias depois, nascia o jornal Zero Hora, ocupando o lugar da antiga Última Hora, apoiadora de Jango. No traço de Rafael Balbueno, o registro da festa de aniversário de 50 anos de dois velhos conhecidos.

No Blog do Turquinho
Leia Mais ►

Joaquim Bar bosa foge de escracho

Joaquim Bar bosa
Leia Mais ►

E o cambaleante candidato Aécio continua no páreo...

Leia Mais ►

As burocracias para fazer Arte. Artistas de Rua pedem licença


Já dizia o poeta que a Arte existe porque a vida não basta. Infelizmente não é esse o sentimento da Prefeitura de São Paulo. Recentemente foi promulgado pelo Executivo paulista o Decreto 54.948/14, que legisla sobre apresentação de artistas de rua. Neste Decreto fica estabelecido que é necessária licença, fornecida pelas subprefeituras, para que tais artistas se apresentem.

A licença não é algo que se vai na padaria e pede. É mais complexo do que um simples pedido. A licença envolve, para o pavor da arte, a burocracia. Isto é, para obter esta licença é necessário o cadastramento do artista na subprefeitura que administre a área da apresentação, além de ter que ser fornecido o horário, local e o tipo de equipamento que será utilizado. Esta medida da prefeitura nada mais é do que emperrar a Arte, a qual combina com burocracia tanto quanto a PM combina com manifestações populares.

Algumas das restrições previstas neste Decreto são: a impossibilidade de se apresentar a menos de 5 metros de entradas de metrô, monumentos tombados e orelhões; a menos de 20 metros de feiras de arte, artesanato e antiguidades e a menos de 50 metros de hospitais e zonas residenciais.

A Avenida Paulista, por exemplo, que concentra grande quantidade de artistas, poderá ter este trabalho impedido em quase toda sua extensão diante da existência de várias estações de metrô, pontos de ônibus, hospitais, zonas residenciais, orelhões, enfim. Dentre as aberrações, pobre do artista de Rua que por diversas vezes buscou no seu estilo de vida fugir das burocracias modernas.

A medida, por seu exagero, nos faz refletir a sua constitucionalidade. A Constituição Federal determina, em seu artigo 5º, inciso IX, que:

“é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”.

Aparentemente, o higienismo que foram referências em outras administrações públicas da capital voltam a dar as caras.

Eduardo Galeano conta uma passagem muito oportuna: “na parede de um botequim de Madri, um cartaz avisa: Proibido cantar. Na parede do aeroporto do Rio de Janeiro, um aviso informa: É proibido brincar com os carrinhos de porta-bagagem. Ou seja: ainda existe gente que cante, ainda existe gente que brinca”.

Na Selva de Pedra, ainda existe gente que faz arte. Na Selva de Pedra, ainda tem gente que ama, que emociona, provoca, distrai, alegra. De outro lado, na Selva de Pedra, ainda tem governante que trata a arte como caso de polícia.

AdvogadosAtivistas
No CHEbola
Leia Mais ►

Folha é forte candidata ao Prêmio Pulitzer


*Prêmio Pulitzer — Excelência em jornalismo impresso.
No SQN
Leia Mais ►

Repórter foi levantar a ficha (verdadeira) do Serra

 28/10/2010 

Arquivo Público-SP
Para ditadura, Serra também era “terrorista” e pregava 
a revolução; tucano foi condenado a três anos de prisão
Durante o período eleitoral, o passado de militância política da candidata Dilma Rousseff (PT) foi relembrado em reportagens de jornais, revistas e TV. Dilma recordou em sua propaganda eleitoral o período em que esteve presa e foi torturada, enquanto e-mails e panfletos apócrifos a acusaram de “terrorista”.

Não houve muita gente interessada em levantar como os serviços de segurança e informação do país avaliavam o papel de José Serra (PSDB), que até 31 de março de 1964 presidiu a UNE (União Nacional dos Estudantes). O que dizem os arquivos do regime militar sobre o candidato da oposição?

Consultados por Última Instância, as fichas, prontuários e dossiês compilados pelo Deops (Departamento Estadual de Ordem Política e Social) nos anos 1960 e 1970 — hoje no Arquivo Público do Estado de São Paulo — revelam que, para os órgãos de segurança, Serra também esteve “envolvido em atos de terrorismo” e fazia discursos “extremistas”, conclamando estudantes e trabalhadores para a “revolução”.

Dossiê sobre José Serra no DOPS, contendo resumos de todos os relatórios feitos sobre ele pelos agentes de segurança. (Arquivo Público do Estado de São Paulo)

Serra também foi julgado, à revelia, pela Justiça Militar, e condenado a três anos de prisão por “fazer publicamente propaganda de processos violentos para a subversão da ordem política ou social”.

Os arquivos do Deops indicam que Serra era acompanhado pelos serviços de segurança antes de mesmo do golpe de 1964.

Eleito presidente da UNE em julho de 1963, o tucano participou ativamente do movimento de apoio ao ex-presidente João Goulart e resistência ao golpe militar. Seu dossiê no Deops — um grande resumo dos principais relatórios feitos pelo departamento sobre a sua atuação — mostra como os agentes da inteligência seguiam suas atividades, consideradas “subversivas”.

Os relatórios registraram a participação do líder estudantil em eventos de solidariedade a Cuba: Serra assinou uma carta de apoio à revolução de Fidel e Raúl Castro, dirigida “ao povo paulista” de 23 de outubro de 1962. Também participou, segundo a polícia política, do encontro continental de solidariedade a Cuba em fevereiro do ano seguinte.

Nesta época, os agentes acompanhavam qualquer evento que pudesse sugerir, mesmo que remotamente, apoio ao comunismo internacional. Foi assim no encontro com cosmonautas soviéticos, celebridades mundiais por conta da conquista espacial, no auditório da Biblioteca Municipal em 26 de março de 1963.

O relatório minucioso nota que os cosmonautas chegaram acompanhados pelo embaixador da Rússia, por dirigentes da União Cultural Brasil-União Soviética, e por Serra, então presidente da UEE: “Este dando início à reunião leu um documento que registrava a passagem dos ‘gêmeos’ do espaço por esta cidade (…). José Serra, durante a leitura do referido documento, foi acometido de forte crise nervosa, chegando a chorar convulsivamente.”

Meses antes do golpe, os relatórios sobre Serra sobem de tom. Em 23 de agosto de 1963, recém-empossado na UNE, Serra participou de um comício em homenagem a Getúlio Vargas no Rio, a convite de João Goulart. Seu discurso foi considerado “extremista” pelos agentes de segurança.

“Na oportunidade o marginado orou, atacando o general Amaury Kruel e afirmou que os estudantes, unidos ao comando geral dos trabalhadores, vão percorrer todo o país numa campanha contra o Ibad (Instituto Brasileiro Ação Democrática)”, diz o dossiê do Deops. “Aduz ainda o relatório que José Serra foi um dos elementos que efetuou maiores ataques extremistas, sendo mais aplaudido que o próprio João Goulart”.

Outro relatório citado no dossiê, datado de 10 de dezembro 1963, refere-se a uma assembleia realizada no sindicato dos metalúrgicos de São Paulo: “Esteve presente também o presidente da UNE, José Serra, o qual disse: o momento é para a revolução dos trabalhadores, sargentos e estudantes, que todos unidos não terão a menor dúvida que serão vitoriosos”.

Falar em revolução, na época, era visto como altamente perigoso. Por isso, os militares não gostaram do discurso de Serra no comício que serviu de justificativa para o golpe de 31 de março de 1964, o da Central do Brasil, ocorrido em 13 de março. Segundo o dossiê do Deops, Serra defendeu o governo, elogiou a ampliação das liberdades democráticas e a encampação das refinarias de petróleo. E teria concluído: “Hoje nós já estamos no tempo das marchas em busca da revolução brasileira”.

Condenação

Serra jamais foi acusado formalmente de terrorismo, mesmo porque sua condenação na Justiça Militar ocorreu em 1966, antes do endurecimento da lei para combater os opositores do regime.

Na época, a lei de segurança nacional em vigor era de 1953 e ainda não usava o termo “terrorismo”, como fizeram as posteriores (o decreto-lei nº 314, de 1967 e o decreto-lei nº 898, de 1969).

Mesmo assim, os militares viam as ações do líder estudantil como violentas, subversivas e, pelos menos em uma ocasião, como ações de terrorismo.

No inquérito conduzido pelo delegado-adjunto de ordem política Benedicto Sidney Alcântara em 28 de setembro de 1965, Serra era apontado como “cabeça” do “movimento revolucionário que grassava na classe estudantil” antes do golpe.

Pouco depois do golpe, o estudante exilou-se em Paris, e depois no Chile. Nesse período, foi julgado à revelia e condenado pela Justiça Militar na 2ª Auditoria da 2ª Região Militar, com base na letra “a” do artigo 11 da Lei de Segurança Nacional de 1953, sob acusação de “fazer publicamente propaganda de processos violentos para a subversão da ordem política ou social”.

Três anos depois, em 16 de outubro de 1969, atendendo a uma solicitação do Diretor da Divisão de Identificação Civil e Criminal, a Delegacia Especializada de Ordem Política e Social incluiu José Serra em uma extensa relação de “envolvidos em atos de terrorismo com prisão preventiva decretada”.

O regime já havia endurecido e opositores eram chamados de “terroristas”. O ex-presidente da UNE, então exilado no Chile, não escapou disso.

Monitorado no exílio

Durante o exílio no Chile, Serra uniu-se ao grupo de brasileiros que denunciavam a repressão da ditadura no exterior. Por isso, entre 1969 e 1973, continuou sendo monitorado, mas pelo Ciex (Centro de Informações do Exterior), ligado ao Itamaraty.

Na ficha remissiva do Deops, Serra é chamado de “elemento subversivo” pela atuação a época. Os agentes de inteligência também o acusavam de buscar a “infiltração nos setor estudantil do Brasil”, ao fazer em 1970 “inúmeras viagens entre Santiago e Montevidéu com despesas pagas pelo esquema Miguel Arraes/Almino Affonso” (os dois políticos, exilados, continuavam a articular as forças de oposição).

Em 1972, Serra teve seu mandado de prisão revogado por prescrição da pena, decisão tomada pela 2ª Auditoria do 2º Conselho de Justiça Militar. Por isso, pôde voltar ao Brasil antes da anistia que beneficiou os outros oposicionistas cassados pelo regime.

Mas, quando voltou ao país em 1977, suas atividades continuaram sendo monitoradas pelo governo. Em junho daquele ano, foi chamado a depor sobre sua atuação no Chile. Pela primeira vez, junto à sua ficha aparece a característica foto de frente e de perfil.

No seu dossiê no Deops, há também relatos sobre eventos, debates e reuniões aos quais ele compareceu até o ano de 1980.

Filiado ao MDB (Movimento Democrático Brasileiro), Serra tentou se candidatar à Câmara dos Deputados em 1978, mas sua candidatura foi impugnada pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral). Os juízes entenderam que ele não tinha sido reabilitado criminalmente, já que não cumpriu a pena por estar fora do país.

Serra só voltaria a ter o direito de se candidatar depois da anistia de 1979. Foi eleito deputado federal, senador, prefeito e governador do Estado de São Paulo. Hoje, concorre pela segunda vez à presidência da República. A ex-guerrilheira Dilma Roussef briga para ser a primeira mulher na presidência. Prova de que o país mudou muito desde quando se chamavam os que lutaram contra o regime de “terroristas”.

Natalia Viana
No Viomundo
Leia Mais ►

As margens de um País - Debate com Eliane Brum e Daniela Arbex

Abaixo o vídeo de uma palestra com Daniela Arbex, autora do livro "O Holocausto Brasileiro" e Eliane Brum, jornalista, documentarista e escritora.

A discussão gira em torno do tema do jornalismo e dos direitos humanos. Assisti e gostei muito. Gostaria de compartilhar com vocês.

Uma história muito interessante contada pela Daniela Arbex foi a de dois meninos de 9 e 10 anos que estavam cometendo assaltos. A população que prendeu os dois meninos ameaçavam linchá-los. A polícia chegou antes que isso acontecesse.

Ela pesquisou a história desses dois meninos e descobriu que um deles tinha a mãe presa, a outra se prostituía, ambos viviam uma vida muito pobre e ainda foram aliciados pelo tráfico. Após publicar a história dos dois meninos, os comentários enviados ao jornal mudaram muito em relação aos anteriores, quando havia sido noticiado apenas o assalto cometido pelos meninos.

É longo, mas vale a pena assistir.


No Jornalismo alternativo
Leia Mais ►

55% do eleitorado rico não votariam em candidato apoiado por FHC; 58% com mais escolaridade, também não

O jornal Folha de São Paulo vem tentando ajudar de todas as maneiras o candidato da imprensa Aécio Neves decolar nas pesquisas. Mas, a julgar pela pesquisa divulgada na tarde desse domingo, a tarefa da Folha não vai ser nada fácil.

O Datafolha saiu a campo  com  a pergunta: "Você votaria em um candidato apoiado por Fernando Henrique Cardoso?"

A resposta  foi:
Entre os eleitores ricos, 55% não votariam de jeito nenhum em um candidato apoiado  ou indicado por FHC;

Entre os eleitores com mais escolaridade, 58% não votariam em candidato apoiado ou indicado por Fernando Henrique Cardoso
Como todos sabem, Aécio Neves é o candidato apoiado por FHC.

A pesquisa também perguntou: "Você votaria em um candidato apoiado pelo ministro do STF Joaquim Barbosa?"

A resposta do eleitor foi que, 39% não votaria por alguém indicado por Barbosa.


A influência da senadora Marina Silva (PSB) também está em baixa. Segundo a pesquisa da Datafolha, só 18% votariam em candidatos apoiado por ela.

O índice dos que não votariam em alguém apoiado ou indicado por Marina aumentou. Era 35%  agora, são 41%.

Lula

Já o ex-Presidente Lula continua sendo o político mais influente: 37% dos eleitores votariam em candidatos apoiado ou indicado por Lula.

No nordeste, 55% votariam em candidatos apoiado por Lula.

Entre os eleitores de menor renda (47%)  votariam em que Lula indicasse.

E  49% do povão trabalhador, aquele que acorda cedo para trabalhar, pega ônibus lotado, que a Datafolha classificou como sendo pobre, disse para a pesquisa que votariam em candidatos indicados por Lula

Em 2010, o então candidato José Serra escondeu Fernando Henrique ao longo de toda a campanha eleitoral para presidente.

E Aécio, fará o mesmo?


No Amigos do Presidente Lula
Leia Mais ►

Luis Guillermo Solís gana elecciones en Costa Rica según resultados preliminares

Con un 77,69 por ciento de los votos que se traduce en 1 millón 29 mil 409 votos, el candidato centroizquierdista se convierte en el sucesor de Laura Chinchilla. De acuerdo al primer boletín ofrecido por el TSE, el candidato oficialista pierde con el 22, 12 por ciento de los sufragios que se traducen en 357 mil 496 votos.

El abanderado por el Partido Acción Ciudadana (PAC), Luis Guillermo Solís, salió victorioso este domingo en la segunda vuelta de las elecciones presidenciales que se celebraron en Costa Rica tras vencer a su contendor del Partido Liberación Nacional (PLN), el oficialista Johnny Araya, según resultados preliminares.

Con un 77,88 por ciento de los votos que se traduce en 1 millón 258 mil 715 votos, el candidato centroizquierdista se convierte en el sucesor de Laura Chinchilla. De acuerdo al último boletín ofrecido por el Tribunal Supremo Electoral (TSE), el candidato oficialista pierde con el 22,12 por ciento de los sufragios que se traducen en 357 mil 496 votos.

El presidente del TSE, Luis Antonio Sobrado, indicó que estas elecciones pasan a la historia como las más inusuales de la época moderna.

Como parte de los resultados, Sobrado detalló que se registraron 21 mil 781 votos en blanco y nulos (0,88 por ciento) y el abstencionismo se vio representado con 1 millón 37 mil 648 votos (43,19 por ciento).

En este primer boletín se contabilizaron 6 mil 030 juntas procesadas que representan casi el 80 por ciento de las mesas.

Esta victoria se había esperado según las encuestas y tomando en cuenta que el candidato Johnny Araya se retiró de la contienda al reconocer que no tenía posibilidades de triunfo. Sin embargo, la Constitución Política prohíbe las renuncias a las candidaturas, por lo que el Tribunal Supremo de Elecciones (TSE) estuvo obligado a continuar la segunda vuelta.

Solís había hecho un llamado a las urnas para impulsar el "cambio" en el país y planteó la meta de alcanzar un millón de votos. Aseguró que, de salir victorioso en el balotaje, “no tolerará la impunidad” en los casos de corrupción y adelantó el principal objetivo de su gestión será atacar la desigualdad en la nación centroamericana.

Es importante destacar que en 2005, Solís se sumó al PAC, partido de centro-izquierda y renunció al PLN, de raíz socialdemócrata, con considerar que ese partido perdió el rumbo al girar a la derecha e impulsar un modelo neoliberal que socavó los pilares sociales del país, educación y salud, orgullo de los costarricenses.

Esta sería la primera vez en más de medio siglo que llega a la presidencia una agrupación no tradicional, fundada hace 13 años para quebrar el bipartidismo que se alternaba el poder: el PLN y el conservador Partido Unidad Social Cristiana (PUSC).

Solís aseguró que el bipartidismo se rompió en Costa Rica en el 2002, cuando surge el Partido de Acción Ciudadana (PAC), al cual pertenece desde hace 8 años, “la expresión de este fervor antibipartidista es lo que ha llevado a la condición de nuestra política”.

El proceso de votación comenzó en Costa Rica este domingo a las 06H00 locales (12H00 GMT) y cerró 12 horas después, a las 18H00 locales (00H00 GMT).

Como se recordará, el balotaje se activó en Costa Rica luego que el pasado 2 de febrero, ninguno de los candidatos obtuvo más del 40 por ciento de los votos.

Para este nuevo proceso fueron convocados casi 3,1 millón de personas y fueron dispuestas 5 mil mesas de votación por parte del TSE, organismo que desplegó unos 88 mil fiscales junto a los de los partidos, miembros de mesa y observadores internacionales.

No teleSUR
Leia Mais ►

Pataxó: Datafolha deixa um cheiro estranho no ar

Leia Mais ►

O que explica a alta taxa de rejeição de Eduardo Campos?

Campos e Inocêncio: “novidade”
O pessoal da campanha do candidato do PSB à presidência, Eduardo Campos, tenta analisar sua situação como um caso clássico de copo meio cheio, meio vazio.

Os 10% das intenções de voto no último Datafolha são, para os pessimistas, sinal de que ele não decola; os otimistas acham que há espaço para crescer e que, com Marina Silva, a chapa vai esquentar.

Mas o que deve estar dando dor de cabeça aos marqueteiros de Campos é outro número. Embora ele não saia do lugar nos levantamentos, sua rejeição já atinge níveis quase serrísticos: 33%, o mesmo que Dilma e Aécio.

“Há um vento de mudanças no Brasil”, diz ele, que se vende como uma novidade. “É prioritário superar a velha política do clientelismo, do abuso do poder econômico e das superadas disputas personalistas”.

“O que vai romper é o pacto político velho, que será derrotado pela vontade do povo nas urnas”. É como aquele sujeito que ninguém conhece direito, mas não gosta. E uma das razões é que Campos trata o eleitor como idiota. Não que seja o único, mas em seu caso é flagrante.

Primeiro, Eduardo Campos teve tempo, enquanto aliado do governo, para ao menos discutir tudo o que aponta de errado na economia.

Depois, e principalmente: ele não é novidade nenhuma, ao contrário da papagaiada que não para de repetir. Paradoxalmente, faz questão de mostrar isso.

Já procurou Agripino Maia e Roberto Freire, o homem que dá má reputação ao oportunismo. E em seu palanque quando se despediu do cargo de governador de Pernambuco conseguiu reunir algumas das maiores múmias paralíticas da nossa história recente: Severino Cavalcanti, Inocêncio Oliveira e Jarbas Vasconcelos. Faltou ali o imortal Jorge “vamos acabar com essa raça” Bornhausen.

Para refrescar a memória: Severino, udenista desde criancinha, renunciou ao mandato de deputado federal em 2005 por causa do “mensalinho” (o dono de um restaurante da Câmara acusou-o de cobrar dele 10 mil por mês); Inocêncio, no nono mandato consecutivo, foi condenado por manter trabalho escravo em sua fazenda no Maranhão; Jarbas, 71 anos, é aquele que declarou em 2009 que “o PMDB é um partido corrupto”.

Esse é o time renovador de Eduardo Campos, com o qual ele pretende “romper com o pacto político velho”. Ao chamar o eleitor de bobo, não é de admirar que na próxima pesquisa a rejeição fure o teto e ele encontre Serra no fim do caminho.

Kiko Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Uma entrevista com o filho de João Goulart

Auro: Datilógrafo de Washington?
Esta é a íntegra de uma entrevista feita pelo repórter Luiz Carlos Azenha com o filho do ex-presidente João Goulart, João Vicente Goulart.

Ele diz, entre outras coisas:

1. Auro de Moura Andrade, o senador que depois do golpe de 64 declarou vaga a presidência da República — apesar dos protestos dos que o lembraram que João Goulart ainda estava em território brasileiro — figura na lista dos candidatos financiados nas eleições parlamentares de 62 por dinheiro do IBAD, provavelmente originário dos Estados Unidos;

2. Que a cooperativa de terror que foi a Operação Condor teve participação decisiva do Brasil, o que fortalece a ideia de que o golpe cumpriu objetivo estratégico do Pentágono pelo controle da América Latina;

3. Que Jango será eventualmente reconhecido por ter preservado a unidade territorial do país, uma vez que os norte-americanos estavam dispostos a rachar o Brasil se houvesse reação ao golpe.

Vale a pena ouvir!



Luis Carlos Azenha
No Viomundo

Assista também:

Leia Mais ►