6 de abr de 2014

Um manifestante nada pacífico na Venezuela


A foto acima foi feita por um fotógrafo da Agência de notícias francesa France Press, durante protestos na Venezuela ocorridos nesta sexta-feira, 04/04. A foto foi publicada no site deles ontem.
Grupos de manifestantes protagonizaram novos incidentes com unidades anti-motim nesta sexta à noite a leste de Caracas, o que resultou no lançamento de pedras e gás lacrimogêneo.

Pouco antes do incidente, um civil não identificado, com o rosto coberto e carregando algo semelhante a um rifle com mira telescópica, foi visto na companhia de manifestantes por um fotojornalista da AFP. [...]

Protestos estudantis noturnos regularmente têm resultado em violentos confrontos entre grupos radicais armados com bombas incendiárias e pedras, unidades anti-motim e civis armados, geralmente identificados com o governo. Maduro denunciou repetidamente a existência de atiradores em fileiras de manifestantes radicais.
(Notícia extraída do site da Agência France Press)
France Press - Nuevos incidentes nocturnos en Caracas

Isso me faz lembrar que alguns dos manifestantes mortos, levaram um tiro na cabeça. É o mesmo que aconteceu na onda de protestos de 2002, que resultaram no golpe de Estado contra o Hugo Chávez. Até este momento já existem 39 mortos nos dois lados do conflito. Não dá para saber ao certo quem é o responsável por cada uma das mortes, mas a foto mostrada, aponta que algumas das mortes podem sim ter origem nos manifestantes.

No Jornalismo alternativo
Leia Mais ►

André Vargas, jatinhos e um punhado de mentiras


Não ponho a mão no fogo por André Vargas. Andar de carona no jatinho de Alberto Yousseff, depois de tudo que esse doleiro já fez, me parece o fim da picada. Só explicável pelo notório provincianismo do deputado; e isso para ser generoso.

As gravações da PF, vazadas este final de semana para a Veja, com diálogos suspeitos entre ele e o doleiro, falando em “independência financeira”, merecem ser investigadas a fundo, embora o Ministério da Saúde já tenha esclarecido que nenhum pagamento chegou a ser realizado para a empresa para a qual Yousseff praticava lobby, e que o contrato seria cancelado.

Esses diálogos não podem ser vazados seletivamente para a mídia. A PF tinha que ser republicana e, assim que houvesse um vazamento, disponibilizasse a íntegra do áudio na internet, sobretudo quando os investigados são figuras públicas. Aliás, o certo é que, concluídas as investigações, todo o material fosse disponibilizado na internet, para que a sociedade pudesse ajudar a polícia a esclarecer o caso.

Também não defendo Vargas politicamente, porque sempre o achei um desastre, representante de um PT esvaziado de bons quadros intelectuais.

Lembro-me até hoje que tomei um susto quando descobri que ele era secretário nacional de comunicação do PT. Eu o tinha na conta de um político extremamente mau educado, de linguagem sempre deselegante. Um Joaquim Barbosa com estrelinha no peito.

Recentemente ele ganhou certa notoriedade quando ergueu o punho esquerdo fechado, ao lado de Joaquim Barbosa. Jogada de puro oportunismo, porque Vargas jamais participou ou contribuiu para as críticas que fazíamos à Ação Penal 470. Jamais subiu a tribuna para denunciar as barbaridades antidemocráticas ditas pelos ministros do Supremo. Jamais usou o nobre espaço que o povo lhe deu, no Congresso, para mostrar ao país os documentos que provam as mentiras da mídia e do STF no caso do mensalão. Não queremos os deputados erguendo os braços para protestar contra JB, e sim articulando o seu impeachment, ou ao menos fazendo críticas verbais consistentes ao presidente do STF.

Vamos ver se agora, que se tornou alvo de uma dessas apavorantes campanhas coletivas da mídia para destruir uma reputação, ele mostra alguma dignidade e, além de explicar porque andou no jatinho de um doleiro, encontra em si mesmo um pouco de coragem para mostrar as entranhas podres da nossa imprensa corporativa.

O problema da mídia é que ela não se contenta em acompanhar o andamento das investigações oficiais sobre uma pessoa. Quando o investigado é um desafeto, a mídia se investe do papel de “Juiz Dredd”, aquele personagem de ficção que é policial, juiz e executor da pena.

Essa matéria do Globo é exemplar do jornalismo do nosso tempo:

ScreenHunter_3609 Apr. 06 18.39

Tem que ter muito sangue frio para analisar a mídia, porque suas astúcias contaminam facilmente as melhores inteligências.

O título é ótimo, embora sem criatividade. “Patrimônio de Vargas cresce 50 vezes em 10 anos”. Se lermos a matéria com espírito desarmado, porém, o que só é possível para especialistas altamente treinados, veremos que ela não prova absolutamente nada contra o deputado.

Em 2000, André Vargas era um petista duro que tinha um monza 93 e devia R$ 1.275,87 a um banco.

Em 2014, ele é um parlamentar eleito sucessivamente desde 2002. O patrimônio aumentado em 50 vezes se explica porque ele há 12 anos ganha salário de deputado federal, que é próximo de 30 mil reais, além de décimo terceiro e décimo quarto.

E o que tem Vargas hoje: quatro imóveis e três carros. Um dos carros é uma caminhonete usada que comprou entre 2002 e 2006, descrita como uma das “pickups de luxo” na matéria. Patrimônio total: R$ 572.050,54. Que evolução espetacular, após 12 anos como deputado, o patrimônio de Vargas dá para comprar uma quitinete em Copacabana.

Se comparassem meu patrimônio de 12 anos atrás, quando eu vivia de aluguel num muquifo qualquer da Lapa, com o de hoje, que sou proprietário de um Clio preto 2001 e um quarto e sala também na Lapa, o Globo poderia dar uma manchete ainda mais bombástica: patrimônio de blogueiro aumenta duas mil vezes em apenas 12 anos!

Voltando ao caso Vargas, ele me inspirou um profundo insight sociológico: os petistas voam em jatinhos emprestados. Os tucanos são os donos dos jatinhos.

Os petistas ocupam às vezes a direção de algumas estatais. Os tucanos comandam as empresas que ganham milhões fornecendo serviços e equipamentos para as estatais. Diante dessa disparidade, o fato do PT ser o partido hegemônico no Congresso e ocupar a Presidência é uma espécie de anomalia só explicável pela democracia. Os tucanos têm dinheiro, mídia e apoio dos EUA. Mas quem tem mais votos é o PT.

* * *

Peço licença aos leitores para rebater uma baixaria de Reinaldo Azevedo, publicada há dois dias, que só li hoje:

No PT, Vargas é grande. Já foi o poderoso secretário de Comunicação do partido, uma espécie de maestro dos blogs sujos, a rede financiada por dinheiro público para difamar as oposições, setores do Judiciário e a imprensa independente. Vargas foi um dos articuladores da queda de Helena Chagas da Secretaria de Comunicação Social. Motivo: ela não era tão generosa — não no nível desejado ao menos — com a turma do subjornalismo do nariz marrom. Ela tinha a ambição de operar com um mínimo de critérios técnicos. É demais pra eles.

Em apenas um parágrafo, Azevedo conseguiu produzir trezentos e cinquenta mentiras. Listo algumas:

1) “Poderoso secretário de comunicação”? Reinaldo finge ignorar que, na hierarquia dos partidos brasileiros, as secretarias de comunicação não valem quase nada. São um titulozinho nobiliárquico desimportante. O que é uma infelicidade e revela a burrice dos partidos. Deveria ser o núcleo central de qualquer partido, porque é a partir da comunicação que a legenda irá fazer o debate político e ideológico com a população.

2) Vargas nunca foi nenhum “maestro dos blogs sujos”. Até porque não existe nenhum “maestro” da blogosfera, composta por pessoas de inúmeras tendências ideológicas e partidárias. Reinaldo fala qualquer coisa.

3) Blogs sujos não são “rede financiada com dinheiro público para difamar as oposições, setores do Judiciário e a imprensa independente”. Blogs sujos são uma rede que faz um contraponto à grande mídia. Demonstrando seu amor pela liberdade e pela democracia, Reinaldo não suporta que haja quem critique a mídi e as oposições. “Setores do judiciário” não podem ser criticados? O Judiciário é uma instância acima da crítica? Agora fazer jornalismo de opinião é criticar o PT e ponto final?

4) Dinheiro público quem amealhou foi nossa grande mídia. Décadas e décadas amealhando dinheiro público, do governo federal, estados, municípios, estatais, legislativo, judiciário, ministério público. Apoiou a ditadura para ganhar dinheiro, e ganhou. Se a blogosfera um dia começar a ganhar algum dinheiro público, o que será difícil a depender do PT, que prefere dar dinheiro para Veja e Globo, serão necessários uns dez mil anos para receber um valor parecido ao que a grande mídia recebeu do Estado desde 1964.

5) “Imprensa independente”… Sim, tão independente que suas matérias são escritas independentemente de fatos verídicos, como revela o próprio texto de Reinaldo. O conceito é ridículo. Desde Cidadão Kane, de Orson Welles, que o mundo conhece bem a falácia da “independência” da mídia, que na verdade acaba se tornando uma espécie de tirania das informações.

A única independência confiável na mídia é a pluralidade, o que é exatamente o que não existe no país. Jornais, tvs, revistas falam exatamente a mesma coisa, tem exatamente o mesmo discurso. Os blogs fazem um contraponto e a única coisa que recebem em troca é a indiferença do governo e o escárnio agressivo da grande mídia, além da perseguição judicial covarde de Ali Kamel.

6) Vargas não foi articulador da queda de Helena Chagas. Reinaldo não sabe nada do governo. Chagas estava enfraquecida há tempos. A gota d’água foi a lambança em Portugal. Imaginar que Vargas teria qualquer influência sobre a decisão da presidente de mudar um ministro é ofender a inteligência de seus leitores.

7) “Subjornalismo marrom”? Ué, se os blogs são o “subjornalismo marrom”, então a grande imprensa seria o jornalismo marrom principal?

8) É incrível a campanha que a grande mídia vem fazendo contra os blogs. Eles, os barões, são espertos. Tem pavor que o governo tenha a coragem de negar-lhes o seio farto e promova uma distribuição mais democrática dos recursos federais, sobretudo no setor do jornalismo de opinião, onde Globo, Folha, Estadão e Abril detêm um monopólio total. Então fazem uma pressão violentíssima sobre a Secom e o governo federal.

9) De qualquer forma, é uma honra para a blogosfera que a grande mídia cite os “blogs sujos” com cada vez mais frequência. Isso me lembra uma frase de Ghandi que já andei citando aqui no blog:

“Primeiro eles te ignoram, depois caçoam de ti, depois tentam te sabotar. E então você ganha”.

Há pouco tempos, a mídia jamais se dignaria a nos citar. Até hoje o fazem de má vontade. Quando a Folha noticiou o caso da sonegação da Globo, com atraso de mais de uma semana, ele informou que o furo viera de “um blog”. Imagine se eu falasse o seguinte: que o furo do Watergate fora dado por “um jornal”?

Depois eles passaram a caçoar da gente. Lembro que os trolls atacavam a área de comentários do blog para dizer que o espaço estava às moscas.

Agora eles estão na fase da sabotagem. Por isso a insistência na acusação, falsa, de que os blogs sujos recebem verba pública. Tudo isso é pressão para que o governo não mude nada, apenas continue dando dinheiro para os Marinho, que hoje são a família mais rica do país, com fortuna de quase R$ 60 bilhões, segundo a Forbes; e, jamais, jamais! ouse ajudar os blogs políticos que fazem o contraponto à mídia.

O que lhes aterroriza é que, se os blogs fazem tanto estrago sem nenhum recurso, sem apoio de parte alguma, imagine quando tiverem?

Quanto ao jatinho do doleiro, a mídia deveria sempre lembrar, quando tocasse no assunto, que o seu Catão dos motéis, o seu paladino da ética e do contrabando de vibradores, Álvaro Dias, também voou no jatinho do doleiro Alberto Yousseff, e em condições muito mais suspeitas.

Miguel do Rosário
No Cafezinho
Leia Mais ►

Revelan guía para conocer los métodos que usa la NSA para espiar

La NSA tiene formas de lo más originales de vigilar de cerca
a ciudadanos y gobiernos del mundo entero.
Las formas de espiar a ciudadanos y Gobiernos del mundo entero utilizadas por la NSA son muchas, algunas no se conocen, pero parte de sus métodos se han filtrado a la opinión pública. La revelación fue hecha esta semana por la revista Bloomberg Business Week.

Una conocida revista estadounidense reveló esta semana una guía interactiva mediante la cual se pueden conocer los métodos utilizados por la Agencia Nacional de Seguridad (NSA, por su sigla en inglés) de Estados Unidos (EE.UU.) para realizar actividades de espionaje.

Aunque son muchas y hasta retorcidas las formas de espiar a ciudadanos y Gobiernos del mundo entero, algunos de sus métodos se han filtrado a la opinión pública. La revelación fue hecha esta semana por la revista Bloomberg Business Week.

Uno de los métodos utilizados por la NSA, es la intercepción de llamadas telefónicas de un país extranjero para lo cual utiliza grabadoras que almacenan los audios durante un mes.

De igual modo, utiliza teléfonos-clones a través de los cuales las personas que son objetos de vigilancia pueden ser engañados al cambiarle su teléfono por uno idéntico, pero con funciones que permiten escuchar conversaciones y recoger datos.

Asimismo, existen otras formas, como cibercafés falsos, en los que se les engaña a diplomáticos para que envíen datos a la inteligencia británica, pero los mismos pueden ser interceptados.

Los viajes de diplomáticos también son rastreados, ya que la NSA, tiene maneras de detectarlos desde que se bajan del avión o atraviesan alguna frontera. Para ello, utilizan geolocalizadores instalados en teléfonos móviles.

Las computadoras que son compradas en línea y se entregan a domicilio también sirven para el espionaje, ya que a las mismas se les instalan instrumentos para lograr conseguir datos. Mediante las ondas de un radar también pueden detectar lo que se escribe en un teclado o lo que muestra una pantalla de ordenador.

Estas no son todas las formas, existen otras más, tales como las tarjetas de crédito para recabar base de datos financieros y para rastrear los flujos de dinero. Los satélites de Alemania han sido utilizados para vigilar comunicaciones al igual que antenas falsas de telefonía móvil, submarinos y rocas falsas.

No teleSUR
Leia Mais ►

Discurso de posse do Presidente Goulart e primeira entrevista


Discurso de posse do Presidente João Goulart, em 7 de setembro de 1961, após a renúncia de Jânio Quadros em 25 de agosto e a aprovação pelo Congresso do regime parlamentarista em 2 de setembro.


Leia Mais ►

Sobre pesquisas...

Pesquisa rima com eleição, redação e especulação

Por falar em especulação, economia e coleguinhas, está ficando cada vez maior e mais esquisita essa ligação entre a cobertura política — mais especificamente a da campanha eleitoral — e a de economia. Claro que isso não é novidade, mas, ao que tudo indica, está a atingir um novo patamar esse ano.

Na semana que passou, houve claro vazamento de parte da pesquisa da Datafolha, divulgada hoje, que apontava uma queda da aprovação do governo de Dilmão (já apontada pela CNI/Ibope há duas semanas) e também a de intenção de voto na corrida presidencial. A consequência foi uma grande valorização das ações das estatais, que serão privatizadas caso Aécio ou Dudu Campos sejam eleitos.

Esse vazamento já seria ruim o suficiente, só que, ainda por cima, ele foi seletivo – falou da queda de Dilma, mas não se disse que os seus dois adversários se mantêm estacionados e a atual presidente continua a vencê-los em primeiro turno, com facilidade. A única hipótese de segundo turno, no momento, só com Marina na cabeça de chapa, algo que, a princípio, não parece estar nas cogitações de Dudu e do PSB (nas de Marina e seus pessoal não tenho tanta certeza).

E os coleguinhas com isso? É que foram eles os veículos da disseminação do vazamento, sempre apresentando o salvo-conduto de que era o “mercado” que estava falando sobre a pesquisa, levando à especulação. Mas — quer saber? — depois de tantas eleições já estou começando a duvidar da honestidade das intenções dos coleguinhas. Começo a ter sérias suspeitas de que há gente nas redações lucrando com esse sobre-e-desce de ações na Bolsa provocadas pelas pesquisas eleitorais. Claro que os coleguinhas da Folha ficam mais sob suspeita — afinal, os Frias são também donos do Datafolha e, nesse caso específico, a fonte dos dados usados para a manipulação —, no entanto, é bom nós, leitores, abrirmos bem o olho, pois desconfio que a especulação (financeira) está comendo solta em muitas outras redações.

O Globo não se emenda


Por falar em pesquisas, o que foi aquela manchete de ontem (sábado, 5 de abril)  do Globo tentando politizar — no sentido eleitoral — o erro grotesco do Ipea na pesquisa sobre violência contra a mulher? O jornal informa que “especialistas” dizem que o instituto perdeu o foco. Só que os tais “especialistas” são apenas dois e ambos presidiram o Ipea na Era Tucana, mas você precisa estar atento às datas para escavar essa informação, pois, a depender do jornal, não vai saber.

No Coleguinhas, uni-vos!
Leia Mais ►

A Vale e Simandou — Poder e matérias-primas no século XXI


O advento de novas tecnologias não foi suficiente pra diminuir o apetite do mundo pelas matérias-primas, que continuam, hoje, tão estratégicas como eram no final do século XIX e no início do século XX.

Como ocorria nos anos da Belle Époque, e da divisão da África pelas potências coloniais europeias, na Conferência de Berlim de 1884, a disputa de países e empresas por minério de ferro e outros insumos é ferrenha, e envolve lances, obstáculos e desafios que lembram, em tabuleiro gigantesco, uma complicada partida de xadrez.

Na última semana, após longas negociações, a Vale reconheceu, finalmente, que pode vir a ter que assumir um prejuízo de 507 milhões de dólares, aplicados na compra de parte dos direitos de exploração da jazida de minério de ferro de Simandou, na Guiné, uma das maiores do mundo.

O imbróglio envolve a anglo-australiana Rio Tinto, a Vale e a BSGR, pertencente ao israelense Benny Steinmetz. A Rio Tinto, segunda maior produtora global de minério de ferro, adquiriu os direitos de exploração de Simandou em 1997.

Em 2008, o governo guineense alegou que a empresa estava atrasando o desenvolvimento do projeto e passou metade desses direitos ao empresário israelense Benny Steinmetz.

Steinmetz, por sua vez, vendeu metade do negócio à Vale, em 2010, pelo valor de pouco mais de 2.5 bilhões de dólares, dos quais 507 milhões já foram pagos. Para tocar o negócio, as duas partes montaram uma joint venture chamada VBG, com 51% de capital brasileiro e 49% da contraparte israelense.

No final de 2010, um novo governo, o de Alpha Condé, assumiu o poder na Guiné, e surgiram denúncias de corrupção no processo de concessão dos direitos minerários à BSGR, que levaram um comitê investigativo a recomendar ao governo a suspensão dos direitos de exploração concedidos a Steinmetz, e, por extensão, aos seus sócios brasileiros, que, agora, provavelmente terão que arcar com o prejuízo.

A instabilidade política na África afeta investidores de todos os quadrantes. Até mesmo a China, cujo apetite por recursos naturais no continente foi extremamente aguçado nos últimos anos está revendo sua estratégia na região.

O Presidente do Conselho de Administração da China National Petroleum Corporation, Zhou Jiping, anunciou em entrevista, recentemente, o fim da era dos investimentos pesados.

Em 2012, a CNPC — uma estatal pertencente ao governo chinês — aplicou mais de 50 bilhões de dólares no exterior, e essa quantia deve cair, paulatinamente, nos próximos anos.

Para isso, foram determinantes os percalços sofridos por Pequim no continente africano. Se a Vale se arrisca a perder 507 milhões de dólares em Simandou, os chineses perderam 20 bilhões de dólares em projetos de exploração de petróleo na fronteira entre o Sudão do Sul e o Sudão, que tiveram que ser abandonados devido a combates na região.

Isso, sem falar de bilhões de dólares perdidos no Irã, e em projetos de exploração de petróleo na Líbia, que se esfumaçaram com a destruição do país após a intervenção ocidental e a derrubada de Khadaffi, em 2011.

A relutância chinesa em continuar a expansão da compra de ativos em algumas regiões, diminuindo sua exposição na África, pode ajudar exportadores de minério mais tradicionais, como a Austrália e o Brasil. Por um lado, os chineses podem vir a adquirir participações por aqui. Por outro, a interrupção de vários projetos em andamento, garante a continuidade da aquisição de minério de ferro no exterior. Nos dois casos, ajudaria se a participação do governo na Vale fosse maior, e seu lucro ajudasse não apenas a seus acionistas, mas a todos os brasileiros. As ações da empresa estão subvalorizadas, e o BNDES poderia aproveitar para comprar parte delas agora, para ajudar a recuperar seu valor em bolsa, e, eventualmente, vender parte delas mais tarde, quando a “crise” passar.

A verdade é eu, apesar de tudo, ainda há quem aposte na África. O gigante anglo-suiço Glencore Xtrata, anunciou nesta semana importantes avanços na sua negociação com a estatal SNIM – Societé Nationale Industriélle et Miniére, da Mauritânia, para ter acesso a ferrovias e portos que permitirão o transporte e a exportação do minério de ferro das jazidas de Askaf, extraídas em parceria com o governo mauritano.

As commodities, no entanto, não bastam para assegurar o desenvolvimento.

O corte, pela ALCOA, de 147 mil toneladas na produção de alumínio primário em suas usinas de Poços de Caldas, Minas Gerais, e São Luís, no Maranhão, anunciada também esta semana, mostra que existem certos setores que não podem ficar apenas em mãos da iniciativa privada, principalmente quando se trata de capital estrangeiro.

Países podem adotar medidas que tenham a ver com os interesses de seus povos. Empresas fazem a mesma coisa, levando em conta, prioritariamente, os interesses de seus acionistas.

Com a decisão tomada pela ALCOA, mesmo sendo o terceiro maior produtor de bauxita do mundo, o Brasil voltará a importar alumínio, produzindo, neste ano, apenas 1.1 milhão de toneladas das 1.5 milhões de toneladas que consome.
Leia Mais ►

Delfim Netto fala a Roberto D'Avila


Leia Mais ►

Joaquim e Gilmar e o ensino didático da chicana

Nos últimos anos, os Ministros Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa se tornaram o espelho do Judiciário. Graças ao seu fascínio por factoides e por holofotes, à capacidade de atender às demandas ds grupos de mídia, Gilmar mais, Barbosa menos, tornaram-se a vitrine de um poder, em geral, discreto e impessoal. São os magistrados que mais aparecem, que mais se expõem, que mais tem o amparo da mídia. Por consequência, tornaram-se a cara do Judiciário.

As prerrogativas da magistratura são um dos pilares do funcionamento do Judiciário. E a independência de que dispõe o Juiz, uma garantia para o funcionamento da democracia.

Esse poder superior, no entanto, é utilizado de maneira abusiva por juízes inferiores. E quando personalidades mesquinhas, pequenas ganham poder, os maus exemplos espraiam-se sobre a imagem de todo o Judiciário.

Uma das piores práticas é a chicana, o uso de expedientes visando postergar decisões — contra ou a favor de réus. Quem é do meio conhece. A opinião pública — que acredita no Judiciário como o último espaço de defesa dos direitos — está sendo apresentada agora.

Tome-se o caso de José Dirceu. Foi condenado pelo STF. A condenação liquidou com sua carreira política, abortou sua atividade partidária, humilhou-o, derrubou-o, jogou-o ao chão. Perto dos 70 anos, é um inimigo caído no campo de batalha. Mas não basta.

A sentença que liquidou com sua carreira política preservou-lhe pequenos direitos: o de cumprir a pena em regime semiaberto, trabalhando. Barbosa tem impedido esse direito pequeno meramente como demonstração de poder e vingança, um sujeito menor, atrabiliário, com uma postura indecente valendo-se exclusivamente de um poder pontual, o de presidente do STF. Para tanto, instrumentalizou-se com um lugar-tenente pequeno, esse juiz Bruno Ribeiro, da Vara de Execuções, inventando argumentos para não conceder o direito. Passarão os tempos, e a imagem atual de Bruno o acompanhará por toda sua carreira, como exemplo do desrespeito à imagem de um poder que cabia a ele — como juiz — defender e preservar.

Com suas arbitrariedades, Barbosa conseguiu o impensável: vitimizou o outrora poderoso José Dirceu; e comprovou que todo o lero-lero dos grupos de mídia contra a ditadura e a favor do estado democrático de direito não vale para os adversários.

Já Gilmar Mendes pede vistas em um julgamento já decidido pela maioria do STF: 6 dos 11 votos a favor do fim do financiamento privado de campanha eleitoral. Seu voto em nada mudará o resultado final. Mas, pedindo vistas, impedirá que a decisão seja aplicada nas próximas eleições.

Luis Nassif
No GGN
Leia Mais ►

A tentativa de ser víbora

A pergunta é a seguinte: por que alguns recalcados insistem em me caluniar?

Afirmo com absoluta tranquilidade que procurar deslizes morais na minha carreira de jornalista é como se Moisés pretendesse separar as águas do Mar Vermelho com uma britadeira. Muitos cometi, e se quiserem pecados, como indivíduo, e me perseguem até hoje. Como profissional de imprensa, não.

Há, porém, pretensos colegas que não desistem dessa busca, obsessivamente, por razões insondáveis. E nem falemos dos esforços despendidos para apontar em CartaCapital uma publicação que sobrevive por obra da publicidade governista. A preocupação dos porta-vozes da casa-grande em relação a este semanário nos valoriza, está claro, mas falo aqui das aleivosias assacadas contra a minha modesta pessoa.

Foram inúmeras. Recordo, entre 1970 e 1974, Amaral Neto, no vídeo da Globo, e Lenildo Tabosa Pessoa, em matéria paga no Estadão, unidos na acusação que me situava como agente, ao mesmo tempo, do Kremlin e da Máfia siciliana. É apenas um exemplo, embora retumbante. Não faz muito tempo, um dos meus acusadores contumazes soletrou que, em 1964, quando eu dirigia a revista Quatro Rodas, organizei uma festa na redação para celebrar o golpe civil e militar. Entre atônito e perplexo, encaro a revelação como sinal de uma forte vocação ficcional, de resto nada incomum nos domínios da mídia nativa.

A redação de Quatro Rodas, pequena e valente, contava com repórteres da competência de José Hamilton Ribeiro e Paulo Patarra, e, como diretor de Arte, com George Duque Estrada. Não se tratava de empedernidos reacionários. À tal festa, além do mais, faltaria quórum. O redator-chefe, Vitor Antonio Gouveia, este sim, tinha pendores direitistas, e eu não tive maior dificuldade em sentir que, a depender dele, perpetrado o golpe, assistiríamos a uma caçada às bruxas.

Procurei o patrão, Victor Civita, e disse a ele que qualquer gênero de ação punitiva teria de passar sobre o meu cadáver. Mais, que a ação seria a minha, preventiva. Foi Gouveia o primeiro jornalista que despedi, depois dele só foram mais três ao longo de toda a minha vida de diretor de redações.

O último dos detratores escreveu faz escassos dias, ao retomar as acusações de outro do mesmo naipe, que ninguém, senão eu, deitou loas tão desbragadas a favor do ditador Garrastazu Médici e da famigerada Oban, que mais tarde se tornaria DOI-Codi, masmorra dos torturadores. Deve ser por causa disso que Veja, o semanário que dirigia naquela quadra plúmbea, mereceu a censura feroz da ditadura, bem ao contrário do jornal onde assina suas bobagens o acusador em questão.

Deve ser por causa disso que Ernesto Geisel, por intermédio de Armando Falcão, seu ministro da Justiça (justiça?), exigiu minha cabeça para autorizar um empréstimo de 50 milhões de dólares, pela Caixa Econômica Federal, à Editora Abril. Karlos Rischbieter, então presidente da CEF, contou essa história no seu livro de memórias, publicado há poucos anos, sem omitir a menção ao ódio que o ditador me devotava. Muita honra para um modesto escriba.

Antes de repetir o fim de São João Batista, eu me demiti: não queria um único centavo dos donos da Abril, o que se daria se fosse demitido. Houve quem sugerisse que fazia jus a uma justa comissão sobre o empréstimo enfim recebido pela Editora. Com a devida e exaltante ironia. Mandei-me, e se foi também a censura, obviamente. Sobrou um belo enredo para impressionar meus netos. Óbvio, também, que nunca escrevi a favor da Oban.

Quanto a Garrastazu Médici, convém relembrar que algumas vezes, em anos de Veja, pareceu conveniente adotar a retórica golpista para ludibriar seus autores e censores. Explico com um exemplo. Quando o terceiro ditador foi empossado, saiu-se com um discurso pretensamente poético, em que se declarava vindo do minuano, o indomável vento dos Pampas. Ghost-writer, o coronel Otavio Costa, que sete anos após, promovido a general, proibiria minha participação em um debate sobre jornalismo organizado por Ruth Escobar no seu teatro paulistano.

Geisel mandava e havia quem executasse a ordem suprema. Estávamos em 1976. Três meses antes do debate, Armando Falcão proibira um programa de televisão que na Tupi me escalava como âncora, programa quinzenal razoavelmente anódino, do qual já haviam sido gravados dois capítulos. No dia da estreia, Falcão bicou seu niet.

Volto a 1969, quando em Veja decidimos cometer uma ousadia. O plural não é majestático. Havia um colegiado para reunir os dois redatores-chefes, os editores e o chefe de reportagem, e debater abertamente os rumos a serem tomados. Muitos dos participantes estão vivos, felizmente. Uma equipe de oito repórteres, incluído o chefe Raimundo Pereira, desenvolvera um trabalho capilar sobre tortura. Tratava-se do levantamento completo, detalhadíssimo, de três casos de assassínio, e de mais 150, arrolados um a um, juntamente com as informações principais. Trabalho encerrado, pareceu-nos ter chegado a hora de tentar publicá-lo nas barbas “do homem que veio do minuano”.

Tratado, porém, de forma que pretendíamos astuta, o terceiro ditador. Baseados no tom moderado do seu pronunciamento de recém-empossado, logo saímos com uma capa de chamada positiva, “O presidente não admite tortura”. Antes que uma informação, era ilação audaciosa. Feliz, no entanto, estranhamente: a mídia desta feita veio atrás da gente, os jornais falaram de tortura dias a fio.

Cresceu nosso ânimo. Graças a uma condição apresentada por mim para aceitar a direção da redação de Veja, eu gozava de notável autonomia: os donos da casa não tinham acesso à pauta e saberiam de cada edição depois da publicação, na manhã das segundas. Na noite de sexta-feira daquela semana agitada, recebemos a informação de que estava proibida qualquer referência às torturas. O fechamento então dava-se aos sábados.

Já passara das 22 horas, mandei a telefonista cortar de vez as comunicações da Abril para impedir que um chamado repentino obstasse nosso plano. A revista foi às bancas, e lá foi apreendida em todo o País. Não era um fato novo, repetira-se várias vezes desde uma edição de outubro de 1968, a de número 5, que trazia na capa a prisão das centenas de participantes do congresso da UNE em Ibiúna. Acrescento que, como diretor de Veja, tive de prestar cerca de 40 depoimentos aos esbirros da Polícia Federal e dois anos após a publicação da capa sobre tortura passei mais de uma hora à frente de um inquisidor de luxo e mestre em tortura, o delegado Sérgio Paranhos Fleury.

Encerrado o capítulo Veja, para levar adiante minha vida de jornalista tive de inventar meus empregos, dos 42 aos atuais 80 anos. Não me queixo, pelo contrário, agradeço aos fados. O último detrator conta com espaço nas páginas de um jornal que no momento faz mea-culpa por ter apoiado o golpe e o regime de exceção por algum tempo para assumir, alega, postura oposta ao meio do período ditatorial. Será por causa desta destemida guinada que em setembro de 1977 Claudio Abramo, finalmente chamado três anos antes a dirigir o jornal para lhe conferir a qualidade até então letra morta, foi afastado da direção?

Valia na ocasião agradar ao general Silvio Frota, candidato à sucessão de Geisel, e seu cabo eleitoral, Hugo Abreu. Queriam uma Folha mais submissa. Octavio Frias de Oliveira, com quem sempre mantive ótimas relações e para quem trabalhei como colaborador em duas diversas oportunidades, apostava na ascensão de Frota, o qual foi demitido de ministro do Exército exatos 26 dias após o afastamento de Abramo. Quanto ao filho do fundador, Otavinho, em data recente defendeu a ideia de que foi ditabranda um regime disposto a assassinar e torturar.

De minha parte, estou farto de ataques: a partir de agora, processarei os caluniadores. Ao cabo, evoco o mito empolgante de Perseu, aquele que enfrentou a Górgona, com sua cabeleira de serpentes, víboras creio eu. Bastava encarar o monstro para ficar de pedra. Perseu, coberto pelo escudo, voltou-lhe a outra face sabiamente polida na direção da Górgona, e esta, espelhada inexoravelmente, padeceu os efeitos de sua própria maldição. Não pretendo ser Perseu, e os meus detratores não me parecem qualificados para a tarefa de petrificar quem quer que seja. Mas às víboras da Górgona talvez se assemelhem. Sugiro, de todo o modo, que se mirem no espelho de suas próprias medíocres vidas de recalcados.

Mino Carta
No CartaCapital
Leia Mais ►

SP é governado por elite corrupta e incompetente, diz pré-candidato do PSOL

"O paradigma de segurança é um equivoco completo", criticou Vladimir Safatle em sabatina

Pré-candidato do PSOL ao governo de São Paulo, o professor de Filosofia da USP Vladimir Safatle dá nota zero à gestão de Geraldo Alckmin no Palácio dos Bandeirantes. Sabatinado pelo portal R7 e pela Record News nesta quinta-feira (4), Safatle disse que muito pouco se salva após 20 anos de PSDB no governo.

— O Estado de São Paulo está sendo governador por uma elite corrupta e incompetente. Boa parte de seus membros está sendo processada na Suíça e da França. Não é possível tentar continuar esse paradigma de governo imposto ao Estado de São Paulo.

Segundo o pré-candidato, mesmo as ações positivas do Palácio dos Bandeirantes “estão dentro de uma noção de experiência de governo completamente equivocada”. Para o socialista, a situação é ainda pior na segurança pública.

— O paradigma de segurança é um equivoco completo. O índice de letalidade da Polícia Militar é maior do que todo a polícia dos Estados Unidos. E, mesmo assim, os índices de criminalidade são altíssimos. Temos 550 mil pessoas encarceradas no Brasil e, mesmo assim, temos esse tipo de problema. É necessário repensar esse modelo desde o início.

Educação

Para Safatle, “só um programa de esquerda é capaz de dar respostas efetivas” às demandas das manifestações de junho do ano passado. Entre as principais propostas que devem ser apresentada pelo PSOL na eleição deste ano está a de melhorar o tratamento dado aos professores, nas esperança de melhorar a educação no Estado.

— A carreira de professor foi destroçada. A coisa é muito simples: enquanto não tiver boa carreia de professor, não há solução para o ensino de São Paulo. Isso custa dinheiro, mas tem de fazer.

Mencionando pesquisa recente do Pisa, Safatle destacou que “nossos alunos estão entre os últimos em matemática”: “como formar bons engenheiros, arquitetos? Depois, vamos precisar de gente de fora para extrair petróleo... Esse um preço muito mais claro”.

Leia Mais ►

Minha Casa Minha Vida

Minha Casa Minha Vida faz girar a economia

Em meio a uma grande crise econômica mundial, o governo federal lançou, em julho de 2009, o maior programa habitacional do Brasil: Minha Casa Minha Vida (MCMV) chegou com o objetivo de criar mecanismos de incentivo à produção e aquisição de um milhão de novas unidades habitacionais. O programa previa forte subsídio do governo em habitação.

Mas, e a crise? Foi driblada enquanto pessoas que tinham vivido décadas sem ter moradia segura passavam a concretizar o sonho da casa própria. Afinal, a movimentação da economia em um programa como o Minha Casa Minha Vida vai além do cimento e dos blocos de tijolos. “O governo acerta quando remete à construção civil o foco da tarefa pois ela cria demandas para trás (ferro, vidro, cerâmica, cimento, areia, etc) e para a frente (eletrodomésticos, mobiliários, para as novas moradias) e, consequentemente muito emprego”, afirmou a urbanista Ermínia Maricato, em artigo do site Carta Maior

Além de contribuir com o setor das construtoras no Brasil, o programa também prevê a modalidade de financiamento para grupos sem fins lucrativos, de entidades representativas de movimentos populares. Evaniza Rodrigues, militante da União Nacional por Moradia Popular, observa que, quando o projeto é desenhado neste modelo, as casas acabam atendendo mais ainda aos interesses dos moradores, porque, da escolha do terreno ao acabamento, tudo é decidido pelos moradores e os recursos são 100% investidos no empreendimento.

Por essas questões, os projetos feitos pelo Minha Casa Minha Vida – Entidades consegue contemplar mais as famílias em questões como aquisição de terrenos em valores um pouco mais altos e mais próximos dos centros urbanos, onde as pessoas trabalham.

MCMV atende demanda histórica por moradia

Em julho de 2009, o governo federal lançou o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), para criar um milhão de novas unidades habitacionais. De acordo com pesquisa da Fundação João Pinheiro divulgada em 2010, o déficit habitacional no Brasil estava em 6,49 milhões de unidades. Cerca de 65% desse déficit concentrava-se entre a população com rendimento de até três salários mínimos.

Em 2014, já foram contratadas mais de 3,3 milhões de unidades pelo programa MCMV. Uma recuperação histórica no déficit habitacional brasileiro. Ou seja, metade da necessidade apontada no último censo está sendo atendida. Das unidades contratadas, já foram entregues mais de 1,5 milhão.

No Muda Mais
Leia Mais ►

Sheherazade teve o que mereceu

Ela
Rachel Sheherazade pode se juntar a Heisenberg e cantar com ele a música que fecha gloriosamente Breaking Bad: guess I got what I deserved. Tive o que mereci.

Se for confirmado que ela está fora do SBT, ela terá o que mereceu.

Sheherazade rompeu um limite no comentário em que aplaudiu justiceiros. Se mesmo depois ela não se deu conta de que estava aplaudindo um crime, é porque ela é sem noção.

O que ela não imaginava provavelmente, em sua arrogância cega, era a reação de indignação que suas palavras despertariam entre todas aquelas pessoas que não podem ser caracterizadas como direitistas raivosos.

Ela poderia ter suavizado o problema se tivesse, nem que fingidamente, pedido desculpas pelo que disse. Não. Ela acelerou na curva, e o precipício era a consequência inevitável.

O SBT — mais uma vez, caso se confirme seu afastamento — demorou para agir. Aparentemente Sílvio Santos só se comoveu quando começaram a circular rumores segundo os quais o governo estaria estudando a verba anual de 150 milhões de reais que coloca em publicidade oficial no SBT.

Ela está fora do ar. A justificativa oficial da emissora é que se trata de férias, mas Sheherazade teria que sair de férias mês sim, mês não para esta explicação fazer sentido. Alguém lembrou que ela tirou férias recentemente.

Há aspectos cômicos num episódio essencialmente dramático. Dias atrás, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse numa entrevista que achava o caso grave.

Janot disse que liberdade de expressão não pode ser confundida com incitamento ao crime. O engraçado é que ele afirmou que não tinha visto o vídeo ainda.

Ou ele vive num planeta paralelo, dada a repercussão formidável do comentário, ou estava fugindo do jornalista. Qualquer que seja a alternativa, foi um momento de comédia na história.

Sheherazade parecia assustada nas últimas semanas. Em sua conta no Twitter, ela pediu aos admiradores que assinassem uma petição virtual pela sua permanência no SBT.

O tom do pedido mostrou que ela não aprendeu nada com o episódio. Ela se apresenta, numa brutal inversão de papeis, como vítima.

As viúvas e os viúvos dela não devem chorar. A plutocracia cuidará bem de Sheherazade. Todos os jornalistas que defendem os interesses do 1% estão a salvo dos problemas econômicos que podem afligir os demais em caso de perda de emprego. Até o “historiador” Marco Antonio Villa, com seus constantes e bizarros erros de avaliação, continua a aparecer com destaque na mídia.

O caso ensina muita coisa. Demonstra como é falaciosa a tese da “mídia técnica” que, até recentemente, governou as administrações do PT.

Colocar dinheiro público com base apenas em audiência pode fazer com que o governo, indiretamente, estimule o crime.

O mais interessante, em tudo, foi a força da opinião pública. A sociedade rejeitou o incentivo à violência feito por Sheherazade.

Por isso, e só por isso, ela teve o que mereceu.

Paulo Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Em rede nacional, professora desconstrói Aloysio Nunes e sua redução da maioridade penal


Beatriz Vargas, da UnB, derrubou as teses do senador, que pede mais rigor ao jovens infratores, ao alertá-lo que no Brasil a Justiça ainda tem um olhar estigmatizado

Foi ao ar na quarta-feira (19/3) mais uma edição do programa “Alexandre Garcia”, no canal a cabo Globo News, cujo tema era o Projeto de Lei Suplementar 23/2012 de autoria do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP). Além do propositor da pauta, marcou presença no programa a pesquisadora em criminologia pela Universidade de Brasília (UNB) Beatriz Vargas.

Como de praxe, Alexandre Garcia iniciou o programa perguntando por que tantos jovens estão no crime (sem dizer quantos) e, num tom crítico, lembrou que o governo federal declarou que a alteração da idade penal é cláusula pétrea e que só vai ocorrer mediante reforma constitucional. O senador tucano abriu a roda de conversa relatando o caso de uma mãe que o procurou, pois, a sua filha foi assassinada pelo namorado, que depois do crime comemorou o fato na rede e indo a um jogo de futebol.

“O jovem que tinha 17 anos, um dia antes do crime, vendou um rádio e uma bicicleta pra comprar a arma e matar antes completar 18… Isso é o depoimento dele (…) Ele merece uma punição com mais rigor, daqui três anos ele vai estar solto com a ficha limpa e pode ser contratado pra ser segurança de uma creche”, disse o senador, ressaltando o fato dele ser menor de idade.

Ao ser questionada sobre a lei, Beatriz Vargas comentou sobre legislações de alguns estados norte-americanos que punem jovens desde os 12 anos. “Os Estados Unidos é um dos poucos países que permite a pena de morte aos 12 anos (…) isso é possível nos EUA por que eles submetem os jovens a uma junta de médicos que faz uma bateria de exames pra descobrir se ele reage como um adulto (…) eu não concordo com esse mecanismo, a regra que deve prevalecer deve ser menos uma pesquisa pra capacidade dele de evolução e compreensão cognitiva (…) a questão não é saber se estamos tratando com alguém que já introjetou a norma, mas o tipo de tratamento que nós, sociedade, queremos dar a um ser especial, que é o adolescente, e aí eu tiraria a centralidade da punição”, disse a pesquisadora.

“A minha divergência com a professora é que ela relativiza muito, subestimando o papel da punição como fator de inibição da criminalidade e da violência. A punição tem lugar sim”, defendeu o senador tucano que contou com o apoio do apresentador que defendeu uma separação entre “jovens perigosos” e do bem. Na sequência, a professora desconstrói os argumentos apresentados por Garcia e Ferreira.

“Eu acredito na responsabilização, não estou defendendo a sua ausência. A responsabilização nos ensina a viver em sociedade. A responsabilização também entra na responsabilidade que o pai dá aos filhos em casa (…) não podemos transformar a punição na lógica irradiadora (…) há 22 anos que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) não é cumprido, é com isso que nós temos que nos preocupar. Nós aparecemos com a polícia antes de aparecer com a saúde e com a escola”, criticou Beatriz Vargas.

Próximo ao fim do programa, Alexandre Garcia e Aloysio Nunes Ferreira citam mais um caso de um jovem que aos 16 anos já tinha matado seis pessoas e voltam a defender mais rigor para com os jovens infratores. “Nós temos que tomar cuidado para não generalizar, não podemos tomar um caso individual para fazer uma modificação legislativa que vai atingir um contingente de adolescentes (…) a sua proposta tenta dar um tratamento diferenciado, mas ela, ainda, no meu modo de ver, ela peca por que parte de uma crença que a punição mais rigorosa é o grande modelo de redução desse tipo de violência”, disse a professora ao senador.

Garcia e Ferreira voltaram a defender maior rigor punitivo e encarceramento aos jovens, no que a professora chama atenção de que, em um ano com a maioridade penal reduzida não existirá cadeia que de conta de tantos jovens presos e que os negros e pobres serão as principais vítimas, no que ela é ironizada pelo apresentador que diz estar vendo “muito loirinho de olho azul” sendo preso.

“Nós temos um estatuto que não foi implementado naquilo que ele deveria ser implementado e que diz respeito a um tratamento diferenciado a esses jovens. Boa parte desses meninos são vulneráveis socialmente, são os meninos pobres, são os meninos negros desse país que respondem perante a justiça (…) se nós abrirmos a possibilidade mais rigor penal em pouco tempo nós vamos ter mais estabelecimento penal capaz de conter o número absurdo de população carcerária que nós vamos gerar (…) há um olhar da justiça criminal que é estigmatizado. O criminoso no Brasil, aquele que paga o pato ele tem um rosto”, finalizou Beatriz Vargas, que também lembrou do ator negro que foi preso no Rio de Janeiro sem provas, dizendo que, fosse um “loiro de olho azul” não seria preso.

Assista ao programa na íntegra



Redução da maioridade penal é rejeitada pelo Senado

Com 11 votos contra e 8 a favor, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado rejeitou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que visava diminuir a maioridade penal de 18 para 16 anos em casos específicos. A maioria da comissão considerou a mudança proposta como inconstitucional, além de violar os direitos das crianças e dos adolescentes.

O texto, que é de autoria do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), foi derrubado com cinco votos de senadores do PT, dois do PMDB, um do PSOL, um do PSDB, PCdoB e do PSB. Os debates se prolongaram por horas e o auditório foi ocupado por ativistas dos Direitos Humanos que comemoraram a derrubada do Projeto de Lei.

Quando foi fazer a defesa do texto, o senador Aloysio chegou a bater boca com um manifestante, que o chamou de “fascista”, no que o parlamentar respondeu que “quem grita e interrompe é que é fascista”.

Segundo a proposta do senador tucano, responderiam criminalmente como adultos adolescentes acusados de praticar delitos inafiançáveis, tais como crimes hediondos, tráfico de drogas, tortura e terrorismo. Os reincidentes em lesões corporais ou roubo qualificado também seriam criminalizados caso houvesse parecer favorável de um promotor da Vara da Infância e autorização da justiça.

Mas a maioria da CCJ considerou inconstitucional a PEC e seguiu o voto do senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP). “Essa pretensa solução aqui apresentada, ao contrário de resolver o problema, só irá trazer outros problemas, encher as penitenciárias do falido sistema penitenciário brasileiro de mais filhos da pobreza deste país e agravar ainda mais um problema deste país”, disse Randolfe.

O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), declarou que diminuir a idade penal não “inibe a criminalidade entre os adolescentes”. “A responsabilização penal no Brasil começa aos 12 anos, por meio de medidas socioeducativas”, disse o peemedebista, referindo-se à idade prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Quem saiu em defesa do projeto de Aloysio Nunes Ferreira foi o senador Magno Malta (PR-ES), que possui um PL que reduz a maioridade penal para 13 anos e defendeu que “qualquer criança ou adolescente que cometa crime hediondo seja julgado com adulto”.

A seguir, confira quem votou contra e a favor:

Contra a redução da maioridade penal:
Angela Portela (PT-RR)
Aníbal Diniz (PT-AC)
Antônio Carlos Valadares (PSB-PE)
Eduardo Braga (PMDB-AM)
Eduardo Suplicy (PT-SP)
Gleisi Hofmann (PT-PR)
Inácio Arruda (PCdoB-CE)
José Pimentel (PT-CE)
Lúcia Vânia (PSDB-GO)
Randolfe Rodrigues (Psol-AP) – autor do voto em separado que derrubou o relatório oficial
Roberto Requião (PMDB-PR)

A favor da redução da maioridade penal:
Aloysio Nunes (PSDB-SP) – autor da PEC rejeitada
Armando Monteiro (PTB-PE)
Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)
Cyro Miranda (PSDB-GO)
Magno Malta (PR-ES)
Pedro Taques (PDT-MT)
Ricardo Ferraço (PMDB-ES) – relator da PEC rejeitada (não estava presente, mas seu voto foi computado)
Romero Jucá (PMDB-RR)

No Fórum
Leia Mais ►

Mayoría de estadounidenses quiere que su país se mantenga fuera de Ucrania

Cuando se les preguntó qué les gustaría hacer con respecto
a la tensión entre Rusia y Ucrania, el 58% preferirían que
EE.UU. permanezca completamente al margen de ese conflicto.
Un reciente sondeo reveló que los propios ciudadanos estadounidenses se oponen a que el país se involucre en otro conflicto en el extranjero, mientras que sus autoridades pretenden emprender más acciones con respecto a Ucrania.

El senador conservador John McCain opina que Estados Unidos no hace suficiente frente la crisis en Ucrania y quiere que Washington promueva la incorporación de Ucrania a la OTAN, algo que obligaría a los estadounidenses a intervenir en cualquier conflicto que surgiera en la región.

Por su parte, el senador Rand Paul, hijo del excongresista republicano Jon Paul, se mostró crítico con estas posturas, diciendo que algunos de sus colegas "están demasiado atrapados en la era de la Guerra Fría" y no cree "que sea una buena idea".

Los propios estadounidenses están en desacuerdo con que su país se involucre en la crisis ucraniana, según la encuesta de la Fundación Reason-Rupe.

Ante la pregunta ¿qué les gustaría hacer con respecto a la tensión entre Rusia y Ucrania?, el 58 por ciento preferiría que Estados Unidos permanezca completamente al margen de ese conflicto.

El 32 por ciento de los encuestados se pronunció a favor de la continuación de la imposición de sanciones económicas contra Moscú y solo el 8 por ciento abogó por enviar tropas estadounidenses a la zona.

Solo un tercio de los participantes en el sondeo de Reason-Rupe piensa que el presidente Obama es mejor, mientras que otro tercio opina que incluso es peor.

En cuanto a Ucrania, casi una cuarta parte de los estadounidenses no saben lo suficiente acerca de la situación para evaluar las acciones de Obama, mientras que el 37 por ciento las aprueban y el 40 por ciento las desaprueban.

No teleSUR
Leia Mais ►

Datafolha e a queda mal explicada de Dilma Rousseff

Saiu o Datafolha e para surpresa geral mentira todo mundo já esperava isso as intenções de voto na presidenta Dilma Rousseff caíram seis pontos percentuais - quatro fora da margem de erro. A queda das intenções de voto na presidente não é tão questionável. Os motivos apresentados pelo Datafolha para tal queda, estes sim são questionáveis.

Como dizem a Folha e o UOL, a queda de Dilma é resultado de um "ambiente dominado por crescente pessimismo com a economia", mais a "disparada do sentimento de frustração com as realizações da presidenta".

Mas esse ambiente de pessimismo, como ele vem sendo gerado surgiu?

Tomemos por um lado a grande mídia bombardeando os noticiários com notícias negativas. Há quem sugira que a editoria de economia dos jornais deva mudar de nome para "apesar do fraco desempenho da economia", de tantas vezes que essa frase aparece nos textos da editoria.  Mas esse desempenho é realmente fraco? Uma economia com reajustes salariais acima da inflação em todas as regiões, cenários de pleno emprego, aumento de renda per capita e consumo em alta é uma economia para gerar uma percepção pessimista, ou esse pessimismo é trabalhado?

É curioso perceber que o Datafolha reconhece que "apesar disso", os principais adversários da presidenta não cresceram - ainda que Marina Silva seja a única com fôlego para levar o pleito para segundo turno, e Eduardo Campos seja desconhecido de 42% dos entrevistados.

Também chama a atenção o fato de que a queda de Dilma Rousseff ainda lhe dá a vitória em primeiro turno, a se considerarem os votos válidos.

A percepção do eleitorado sobre o candidato com mais possibilidade de mudar o país também é deliciosamente curiosa. Nesse quesito, Eduardo Campos ficou com meros 7%, Aécio Neves com 13%, a própria presidenta Dilma Rousseff com 16% e o ex-presidente Lula com 32%.

Aparentemente, o vencedor dessas eleições será aquele candidato capaz de mostrar ao eleitor quem vai mudar mais. E. para o eleitor brasileiro, a oposição não tem cara de mudança.

No Muda Mais
Leia Mais ►

Impopulares e amargos em 2014

O espantoso, na campanha, é que candidatos falam em medidas que prejudicam a maioria dos eleitores e nada acontece

Só pode haver algo muito errado numa campanha eleitoral na qual um candidatos de oposição diz que não tem medo de tomar “medidas impopulares” e nada acontece.

Assessores de outro candidato de oposição, informa o Pedro Venceslau no Estado de S. Paulo de hoje, admitem em voz baixa que apoiam “medidas amargas.”

Vamos combinar.

Até por uma questão de respeito por cada um de nossos 100 milhões de eleitores, em especial a imensa maioria que é alvo de medidas impopulares e amargas, seria bom saber o que se quer dizer com isso.

Fazendo uma imagem para facilitar o entendimento, vou colocar a coisa em termos bem populares.

É como um sujeito que chega para jantar de luxo, avisa que dentro de alguns minutos pretendem passar na cozinha para bater a carteira dos empregados e nenhum convidado pergunta: como assim? Eles vão deixar?

Na lata? E ainda manda aviso prévio?

Quantos reais podem ser extraídos do bolso de cada brasileiro quando um governante pretende tomar medidas “impopulares?”

Quanto valem os “amargos?”

Este é o debate que importa, não?

Em situações normais, nossos New York Times, Guardian, CNN, El País, Le Monde não deixariam passar uma notícia dessas. Na disputa pelo olhar do público, teriam transformado uma afirmação dessas num escândalo.

Tenho certeza de que Adam Prezeworski, o brilhante cientista político que o PSDB adorava ler quando se considerava social-democrata, iria questionar: estamos abandonando a frágil mas necessária relação entre capitalismo e democracia?

Até por uma questão de etiqueta, no mundo inteiro políticos que defendem medidas “não-populares” gostam de disfarçar, dizendo que são na verdade “populares.”

Não é sincero mas é menos arrogante do que entrar numa campanha eleitoral dizendo que se pretende prejudicar a maioria.

Igual a isso é falar em medidas amargas quando faltam poucas semanas para a criançada ganhar os ovos de Pascoa, não é mesmo? No fundo, não espanta.

Um sorridente filósofo-economista em campanha já disse — longe, muito longe dos palanques — que acha que o país não pode conviver com um povo que come bife todo dia. É ruim para o meio ambiente, pretextou, pois gado solta gases para a camada de ozônio.

O cidadão comum — o “popular” que não estava naquele jantar de “impopulares”, agora você começa a entender a coisa, tem direito a fazer perguntas. Diga rápido o que são medidas “impopulares” para 2015? Por exemplo:

a) o plano é acabar com a lei do salario mínimo?

b) revogar a CLT e informalizar o mercado de trabalho?

c) cortar gastos sociais, o que inclui, você sabe, o Bolsa Família?

d) cortar repasses a bancos oficiais que permitem manter crédito barato para investimentos e emprego?

O debate de política econômica na eleição de 2014 é este. O país vive o menor desemprego de sua história. A economia cresce. Sim. Não tivemos recessão — apesar da torcida impopular.

É preciso ser muito “não-popular” para encher a boca e dizer que “deu errado”, vamos combinar.

Qual a prioridade, para a maioria dos “populares”, num país onde a lei diz que um homem vale 1 voto?

É preciso devotar um desprezo impopular irresistível pela inteligência popular para querer apresentar uma boa folha corrida do PSDB na luta contra a inflação.

A média da inflação no governo FHC foi de 9,2% — depois da moeda nova. A de Lula, que recebeu uma inflação de 12,5%, foi de 5,7%. A de Dilma se encontra em 6,1%.

Em 1995, 1996, 1999 e 2002, a inflação atingiu sob FHC, um patamar que jamais seria repetido, em momento algum, após a chegada de Lula ao Planalto. Ocorreram perdas salariais, que não se verificaram a partir de 2002. Deu errado?

Esse debate distorcido acontece porque estamos em 2002, mais uma vez. Terror eleitoral programado, com ajuda de nossos News of the World. O terror deles funciona com a língua de significados invertidos, onde a verdade é seu oposto.

Você lembra. Em 2002 um economista do Goldman Sachs lançou o “lulômetro”, uma peça de marketing eleitoral disfarçada de cálculo econômico, que pretendia aterrorizar o eleitor com projeções sobre o futuro do país caso Luiz Inácio Lula da Silva chegasse a presidência. Ajudou a criar pânico nas bolsas, deixou a classe média amedrontada, criando uma situação política que forçou Lula a fazer concessões além da conta para garantir o início de seu governo. Já vimos este filme. Dez anos depois do lulômetro, o economista-chefe do mesmo Goldman Sachs, disse para a revista Época Negócios que Lula foi o mais competente presidente dos países do G-20.

Os mais espertos impopulares-amargos de 2014 apostam em todas as canoas — não podem se dar ao luxo da imprudência por motivos ideológicos — mas não deixam de notar que uma delas anda na frente. Podem até ter suas preferências profundas mas querem ganhar o jogo de qualquer maneira, não importa o vitorioso. Em caso de derrota, querem colocar uma faca no pescoço de Dilma. Este é o ponto. Por isso falam tanto em mudar o “modelo.” A crítica se concentra em 2009, quando o país enfrentou a maior crise do capitalismo desde 1929 sem desemprego nem recessão. Dizem que o erro foi cometido ali e agora é preciso arrumar a casa. Não perdoam o esforço para resistir a austeridade, as demissões em massa, aos cortes que jogaram a Velha Europa no atoleiro de hoje.

Em 2014, o condomínio Lula-Dilma disputa — como favorito — o quarto mandato consecutivo no Planalto, um feito sem igual na história de nossa República. Não teve ajuda “impopular” de ninguém.

Em momentos de delírio, os adversários sonharam até com um impeachment auxiliado por um barítono da Baixada Fluminense, não é mesmo? A base é o reconhecimento pelas conquistas que os “populares” obtiveram até aqui. O que se pretende é revogar, uma a uma, aquelas conquistas alinhavadas nos ítens “a” a “d.”

Foi assim há 50 anos, não custa lembrar. Num gesto de grande dignidade, o avô das medidas impopulares chamou de “canalhas” aqueles que pretendiam derrubar, pelas baionetas, um governo que não tomava medidas “impopulares.”

O avô do amargo recusou-se a entregar o cargo, foi para a cadeia depois discursar no rádio em defesa da “revolução pernambucana.”

Está na hora de garantir transparência política na campanha, concorda?

Paulo Moreira Leite
Leia Mais ►

O poder de presente

Legais, sim; legítimos, não. Assim serão os governos do Rio e de Minas, e de mais cinco Estados, cujos governadores eleitos passaram seus cargos aos vices, como condição para se candidatarem a outros cargos.

Os que vão governar integraram chapas e tornaram-se vices por indicações originárias de conchavos políticos ou, não propriamente raros, financeiros. Tornam-se, durante nove meses, os mais altos mandatários em seus Estados graças a votos dados a outros, os cabeças de chapa.

A mesma incoerência que gerou os suplentes de senadores, no regime em que a representatividade é concedida ao Executivo e ao Legislativo por eleição direta, vai ainda mais longe no caso dos governadores sem voto. Quem lhes passou os cargos precisou renunciar para concorrer a outra função, mas os governadores sem voto podem candidatar-se, nas mesmas eleições, sem sair do cargo.

Candidato a governador já instalado nos poderes de governador significa, sempre, um desequilíbrio nas condições dos concorrentes. E completa a perda da legitimidade democrática da eleição. A depender do resultado, também a do governo.

Rio que corre

A afirmação de que Sérgio Cabral deixou o governo para concorrer ao Senado é uma falsa certeza. O provável, por ora, é que não se candidate. Cabral há bastante tempo mostra-se entediado da política. E as sondagens eleitorais e avaliações políticas não o estimulam. É impossível saber qual dos fatores, entre o pessoal e as circunstâncias, é mais forte na sua provável desistência.

O governo de Cabral é pouco conhecido. Foi quase nenhuma a propaganda de suas obras e demais realizações. Com isso, está transferida ao governo a imagem que Cabral se fabricou, na conduta de desprezo pela opinião pública. Mas o PMDB é forte no Estado do Rio e o governo terá o que mostrar na campanha eleitoral, além dos êxitos, só negáveis por má-fé, da política de segurança pública desenvolvida por José Mariano Beltrame com o apoio absoluto de Cabral.

Daí a perspectiva de uma disputa interessante. Agora governador, o pouco conhecido Luiz Fernando Pezão, gestor das obras do governo, encontra condições partidárias e administrativas para uma campanha eficiente. De outra parte, pela primeira vez em muitas eleições o PT, com o senador Lindbergh Farias, parece capaz de mobilizar parte expressiva do eleitorado, sobretudo se Lula e Dilma Rousseff fizerem presença na duas campanhas, PMDB e PT. Entre um lado e outro, a multidão ainda dividida dos evangélicos.

Dois livros

Lançado no 31 de março, posso recomendar ainda sem o ter lido: "1964 na Visão do Ministro do Trabalho de João Goulart". Seu autor, Almino Affonso, foi um dos mais originais participantes daquele período. Inteligência brilhante, firmeza nas convicções e nas atitudes, não se deixou levar pela política fácil oferecida no Ministério do Trabalho, nem aceitou a atração do poder pelo poder.

Volta "Todos os Homens do Presidente", relato da "investigação jornalística mais famosa da história". Os repórteres Carl Bernstein e Bob Woodward merecem o reconhecimento recebido, mas, a meu ver, o grande espetáculo que o caso oferece é a batalha, no "Washington Post", pela aliança do jornalismo destemido com o rigor sem concessão a meias informações e às formas fáceis de sedução do leitor.

Janio de Freitas
No fAlha
Leia Mais ►

BOMBA!!! Agora temos certeza, Datafolha ou Ibope está mentindo nas pesquisas eleitorais


Realizadas em um intervalo de apenas duas semanas, as pesquisas mostram uma diferença de 230% na intenção de voto em Marina Silva, em um mesmo cenário!!! (com Dilma, Aécio e Marina na disputa). No Ibope ela tem 12% e no Datafolha ela tem 27%. É bom lembrar que nada de muito relevante aconteceu para justificar essa mudança, em um período tão curto de tempo. Além disso, as variações de Marina Silva desde fevereiro nas duas pesquisas não coincidem, ficando muito acima da margem de erro de ambas. Ou seja, alguém está mentindo.

Deixamos aqui o link para as duas pesquisas. A do Ibope foi realizada entre os dias 13 e 17 de março. A do Datafolha foi realizada entre os dias 2 e 3 de abril. Já adiantamos que em ambas as enquetes foram excluídos os candidatos “nanicos”, ou seja, só estão na disputa Dilma, Aécio e Marina Silva.



No DesmascarandoGloboFolha
Leia Mais ►

SBT cede a pressão e afasta Rachel Sheherazade do ar

Pressionado por comissões parlamentares e pela ameaça de perder mais de R$ 150 milhões em verbas publicitárias governamentais, o SBT decidiu retirar — ao menos temporariamente — a âncora e comentarista Rachel Sheherazade do ar.

A desculpa oficial da emissora é de que a jornalista está em férias, mas isso não é verdade. Sheherazade já havia tirado suas férias em janeiro, quando viajou a Paris.

O SBT também está sob investigação pela Procuradoria Geral da República, por suposta apologia ao crime.

Rachel ficou na berlinda em fevereiro, quando justificou a ação de uma milícia no Rio que acorrentou um suposto infrator a um poste. Embora boa parte dos comentários tenham sido favoráveis à jornalista, a opinião caiu pessimamente entre grupos de direitos humanos.

Oficialmente, o SBT afirma que ela voltará ao trabalho no próximo dia 14 de abril. No entanto, no final de março, a própria jornalista comentou que seus dias na TV "estão contados".

Ricardo Feltrin
No Uol
Leia Mais ►

Pataxó: O que há por trás da mancha de Veja

Leia Mais ►

O escracho do homem que gostava de humilhar presas políticas



No Justiceira de Esquerda
Leia Mais ►