5 de abr de 2014

Brizola derrota mais uma vez a Globo no Sambódromo


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Que falta faz a ocupação de território de Brizola, Oscar e Darcy!


Dias antes do carnaval de 1984, o império das organizações Globo colocou todo seu aparato midiático bélico para detonar, ao mesmo tempo, a coragem de Leonel Brizola, a genialidade de Niemeyer e a visão anos luz à frente de Darcy Ribeiro.

Como sempre acontece, a ação midiática ecoa seus tentáculos pelo Poder e, somando-se à campanha virulenta da Globo contra os três, o porta-voz do General João Figueiredo, Carlos Átila, ao ser indagado sobre a inauguração do sambódromo na Sapucaí, cravou sem pudor algum: “tomara que chova três dias sem parar”.

A Rede Globo abriu mão dos direitos de transmissão [1]. O Carnaval do Rio não ia passar na TV. Diante desta ofensiva, Brizola contra-atacou e convocou todos os secretários, presidentes de empresas públicas para uma reunião, no auditório do Instituto de Educação, na Tijuca, e determinou que todos venderiam ingressos. A TV Manchete assumiu a transmissão.

O desejo das Organizações Globo e do General Figueiredo não só não se concretizou como o projeto de Niemeyer, Brizola e Darcy foi, e até hoje é, um espetáculo admirado no mundo inteiro.

E o que despertava tanto ódio das classes dominantes e do império Global? Embaixo das escadas em que todo ano se vê o público cantar sambas enredos que se tornam clássicos da música popular brasileira, havia escolas públicas que funcionariam em período integral. Só mesmo a genialidade e o compromisso de Darcy Ribeiro com a construção de uma nação, para pensar em casar o lúdico do carnaval, com educação pública de qualidade durante o ano todo.

Junto com o sambódromo funcionariam 2 CIEPs de Educação Infantil, uma creche e uma escola de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Um bom exemplo para se pensar na utilidade de estádios depois da Copa.

Os CIEPS foram, de longe, o mais audacioso projeto educacional do Brasil. Representam, também, a recuperação do ideal do educador Anísio Teixeira e um sopro democrático, depois de décadas de abandono pelo regime ditatorial de uma proposta educacional pública séria para o País.

Interessante, neste ponto, o texto da Doutora Ana Maria Villela Cavalieri [2], da UFRJ:

A concepção básica, apresentada nos documentos oficiais, especialmente no “Livro dos CIEPs” (Ribeiro/1986) articulava, pelo regime de turno único, linhas de ação nas áreas de instrução, saúde e cultura, que pretendiam resultar numa escola democrática, com funções sociais e pedagógicas ampliadas. O projeto, criado e coordenado por Darcy Ribeiro, era fortemente influenciado pela obra teórica e prática de Anísio Teixeira.

Sobre os CIEPS [3]:

Os CIEPs, tal como projetados por Darcy Ribeiro, são unidades escolares onde os alunos permanecem das 8 da manhã às 5 da tarde. Cada CIEP possui três blocos. No bloco principal ficam as salas de aula, centro médico, cozinha, refeitório e um grande pátio coberto. No segundo bloco fica o ginásio com vestiário e quadra polivalente (pode ser utilizada também para apresentações teatrais, shows, etc.). No terceiro bloco fica a biblioteca e sobre ela as moradias para alunos residentes. Ainda segundo o projeto original, os CIEPs contariam com professores de educação física, artes, estudo dirigido, teleducação e animadores culturais.

Ao todo foram construídos 500 CIEPS e 400 CIACs (adaptação da proposta pelo governo Collor).

A proposta não se restringia, por óbvio a um governo, mas exigia que fosse incorporada como política de Estado. Como alguns governos não deram continuidade ao sonho do trio, se perdeu uma grande oportunidade de ação social nas periferias das grandes cidades.

A objeção das elites à escola pública de qualidade é antiga e visceral. No caso da Rede Globo, vem desde quando deu sustentação ao regime ditatorial e abriu seu capital para o grupo norte-americano Time-Life.

O regime militar de 1964 destruiu a educação como proposta de emancipação e transformação ao aceitar o acordo Mec-Usaid.

Sobre este acordo, vale resgatarmos a denúncia do inesquecível deputado Márcio Moreira Alves [4]:

A transformação das universidades brasileiras em fundações não representa apenas uma tentativa de se restringir ainda mais as já quase nulas possibilidades de acesso dos filhos da pequena classe média e do operariado ao ensino superior, o que lhes proporcionaria ascensão social. Vai muito além. É a colocação de todo o sistema universitário brasileiro na dependência do interesse direito e imediato do poder econômico norte-americano no Brasil.

Luiz Antônio Cunha [5] relata a ação nefasta no campo educacional praticada pelo novo regime político:

Assim, reitores foram demitidos, programas educacionais e sistemas educativos foram atingidos. Alguns casos dramáticos exemplificarão isso. Anísio Teixeira, que ocupava a reitoria da Universidade de Brasília, foi sumariamente demitido, logo nos primeiros dias do golpe. O Programa Nacional de Alfabetização, que utilizava o método Paulo Freire, que o dirigia, foi liquidado, até mesmo em termos financeiros. (…) O Movimento de Educação de Base, desenvolvido pela Igreja Católica, principalmente no Nordeste, foi contido por todos os lados, tendo seu material educativo apreendido, monitores perseguidos e verbas cortadas.

Pois bem, esse acordo (todos sabem) foi o estopim de uma série de atos públicos de repúdio por parte daqueles que acreditavam em um País melhor e, que para tanto, indispensável se fazia atenção e prioridade para a educação. O regime militar que se iniciava, contou com a complacência da Rede Globo para impor este duro golpe na educação brasileira.

Vê-se, portanto, que o flerte da emissora com o autoritarismo e contra os interesses de construção deste Brasil que se pretendia altivo e soberano, vem de longe. E, também, foi esta uma das causas da própria construção do império Global. Basta ler Chatô, o Rei do Brasil, de Fernando Morais, para se ter mais claro como isto se deu.

O apoio da Rede Globo à recente intervenção militar na favela da Maré

Este retrospecto histórico que tivemos que fazer visa fornecer elementos para explicar o porque de todo ódio da emissora desferido contra Brizola, Darcy e Niemeyer. Explica, também, a razão de toda a rejeição à proposta dos CIEPS e ao sambódromo.

É senso comum que para resolver os problemas de criminalidade e violência ao qual se vêem envolvidos uma parcela de nossos jovens, se faz necessário educação de qualidade e em tempo integral. No entanto, esta ação conflita historicamente com interesses poderosos que fazem com que este sonho se torne distante.

Recentemente, assistimos a “ocupação” de uma favela no Rio de Janeiro pelas Forças Armadas. Leio, no jornal O Globo [6] que 3 mil (!) crianças não tiveram aulas em razão das ações do Exército e do Bope no Complexo da Maré. A foto estampada na reportagem é simbólica: ao fundo um CIEP fechado, na frente soldados das Forças Armadas.

Nenhum País no mundo se fez grande, verdadeiramente, sem educação pública integral e de qualidade. Da mesma forma, intervenções repressoras não libertam territórios. Cria-se um círculo vicioso: suprimem-se liberdades individuais e se sufoca para impor uma ordem à qual aquelas pessoas nunca pretenderam. É a ordem dos de cima se impondo contra a dos de baixo. Tremendo contra-senso.

Os ilegais e arbitrários mandados coletivos de busca e apreensão nas casas dos moradores atentam contra a Democracia e nos remete a períodos sombrios de exercício do poder sem peias.

Sintomático que a Rede Globo apóie a intervenção pelo exército nas favelas do Rio de Janeiro. Nada estranho nisso, dado o histórico da emissora. Coerente, portanto, pois sempre se colocou contra a educação pública de qualidade e favorável ao autoritarismo pela repressão das liberdades. É o medo da emancipação cidadã e de um projeto libertador voltado para os pobres.

O governador Leonel Brizola apresentou ao Brasil uma outra proposta de ação estatal na periferia que se dava através do investimento em escola pública de qualidade. Neste caso, o verbo ocupar está empregado corretamente. Foi trucidado pelo maior império de comunicação deste País.

Incorreto, portanto, o verbo empregado pelo Secretário de Segurança quando diz: ocupamos mais um território. Quando uma ação se dá através das armas e pela força bruta, pode se falar em invadir, vilipendiar, usurpar ou violentar. Nunca em ocupar.

50 anos passados do Golpe Militar, ainda nos vemos às voltas com ideais autoritários. Caiu o regime militar com a redemocratização. Sim, é verdade. No entanto, aquele pensamento que serviu de base para sua sustentação ainda está por aí, como espectros a nos rondar.

Que falta nos faz a coragem de Brizola, a genialidade de Niemeyer e a inquietude criativa de Darcy Ribeiro. E bons tempos aqueles em que se ocupava território com educação, cultura, esporte e, porque não, com o carnaval.

[1] A história pode ser melhor apreciada no texto de Fernando Brito: http://tijolaco.com.br/blog/?p=14704

[2] http://www.sbhe.org.br/novo/congressos/cbhe1/anais/017_ana_maria_vilella.pdf Acesso em 31.03.2014.

[3] idem.

[4] ALVES, MARCIO MOREIRA. Beabá dos MEC-USAID, Ed. Gernasa, Rio de Janeiro, 1968, pg. 24.

[5] CUNHA, Luiz Antônio. O Golpe na Educação – Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985, p.36.

[6] http://oglobo.globo.com/rio/exercito-faz-buscas-por-armas-em-terreno-de-ciep-na-mare-11988315 Acesso em 29.03.2014.

Patrick Mariano
No Viomundo
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A pesquisa do Datafolha é mesmo esquisita


Sabemos todo que pesquisa boa é pesquisa que traz bons números para nosso candidato, e então seria natural que os simpatizantes de Dilma ficassem incomodados com os resultados do último levantamento do Datafolha.

Mas ainda assim, dado este desconto, é realmente esquisita a metodologia da pesquisa.

Se o encaminhamento das questões influenciou ou não na queda de 6 pontos de Dilma é difícil dizer. Mas que as perguntas são passíveis de suspeição certamente são.

(Aqui, você pode ver o quadro completo.)

Durante toda a semana a internet ficou agitada primeiro com a notícia de que vinha uma pesquisa ruim para Dilma e, depois, com a onda de desconfiança sobre o Datafolha.

O site 247 afirmou que a pesquisa foi feita para derrubar Dilma. O 247 reivindicou o furo de ter tido acesso ao questionário.

O Datafolha parece ter acusado o golpe. Tanto que o site da Folha trouxe uma resposta do Datafolha, na qual foi dito que o procedimento foi o costumeiro e que as perguntas estavam, como de hábito, à disposição de quem quisesse vê-las, na internet.

Quando menos, o episódio vai servir para que se discuta o trabalho dos institutos de pesquisa. Se você pensa que simplesmente os respondentes dizem em quem vai votar não poderia estar mais enganado — pelo menos segundo esta pesquisa específica.

O episódio Petrobras-Pasadena é fortemente lembrado no questionário. Faz sentido? Mesmo que fosse para avaliar Dilma soa estranho.

Uma das perguntas era sobre o grau de responsabilidade de Dilma no negócio. Mas havia mais: a palavra corrupção aparecia, numa questão, vinculada à Petrobras.

O leitor tinha que dizer se a Petrobras é mais ou menos corrupta que outras empresas públicas.

Empresas públicas são, portanto, corruptas por natureza, segundo o Datafolha. Bonito isso. A Folha sonega impostos há décadas com seus PJs, cedeu carros à ditadura para a perseguição de militantes — e corruptos são os outros.

Quanto o caso Petrobras induziu o cidadão a fugir de Dilma na resposta é uma pergunta complexa, naturalmente.

Pessoalmente, acho que o questionário teve a independência e o apartidarismo da Folha, aspas e pausa para rir.

Também assuntos ruins, ou potencialmente ruins, para Dilma apareceram entre as perguntas, como os protestos e a Copa do Mundo.

É sempre assim, como afirmou o Datafolha?

Vale a pena fazer um trabalho de arqueologia, agora, e verificar a metodologia de outras pesquisas, e não apenas do Datafolha.

Pesquisas presidenciais são muito importantes como fator de indução para serem deixadas ao arbítrio de institutos cujos interesses podem não atender exatamente o bem público.

Este o mérito desta pesquisa: mostrar que a sociedade tem que saber muito mais sobre como são feitos os levantamentos. É preciso um choque de transparência sobre eles. Já.

Paulo Nogueira
No DCM
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Nos EUA, a confirmação da mão de Roberto Marinho nos bastidores da ditadura

Em telegrama ao Departamento de Estado norte-americano, embaixador Lincoln Gordon relata interlocução do dono da Globo com cérebros do golpe em decisões sobre sucessão e endurecimento do regime

Embaixador Gordon descreve em detalhes
ao Departamento de Estado dos EUA a influência de Marinho
LBJ Library/USA
No dia 14 de agosto do 1965, ano seguinte ao golpe, o então embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Lincoln Gordon, enviou a seus superiores um telegrama então classificado como altamente confidencial — agora já aberto a consulta pública. A correspondência narra encontro mantido na embaixada entre Gordon e Roberto Marinho, o então dono das Organizações Globo. A conversa era sobre a sucessão golpista.

Segundo relato do embaixador, Marinho estava “trabalhando silenciosamente” junto a um grupo composto, entre outras lideranças, pelo general Ernesto Geisel, chefe da Casa Militar; o general Golbery do Couto e Silva, chefe do Serviço Nacional de Informação (SNI); Luis Vianna, chefe da Casa Civil, pela prorrogação ou renovação do mandato do ditador Castelo Branco.

No início de julho de 1965, a pedido do grupo, Roberto Marinho teve um encontro com Castelo para persuadi-lo a prorrogar ou renovar o mandato. O general mostrou-se resistente à ideia, de acordo com Gordon.

No encontro, o dono da Globo também sondou a disposição de trazer o então embaixador em Washington, Juracy Magalhães, para ser ministro da Justiça. Castelo, aceitou a indicação, que acabou acontecendo depois das eleições para governador em outubro. O objetivo era ter Magalhães por perto como alternativa a suceder o ditador, e para endurecer o regime, já que o ministro Milton Campos era considerado dócil demais para a pasta, como descreve o telegrama. De fato, Magalhães foi para a Justiça, apertou a censura aos meios de comunicação e pediu a cabeça de jornalistas de esquerda aos donos de jornais.

No dia 31 de julho do mesmo ano houve um novo encontro. Roberto Marinho explica que, se Castelo Branco restaurasse eleições diretas para sua sucessão, os políticos com mais chances seriam os da oposição. E novamente age para persuadir o general-presidente a prorrogar seu mandato ou reeleger-se sem o risco do voto direto. Marinho disse ter saído satisfeito do encontro, pois o ditador foi mais receptivo. Na conversa, o dono da Globo também disse que o grupo que frequentava defendia um emenda constitucional para permitir a reeleição de Castelo com voto indireto, já que a composição do Congresso não oferecia riscos. Debateu também as pretensões do general Costa e Silva à sucessão.

Lincoln Gordon escreveu ainda ao Departamento de Estado de seu país que o sigilo da fonte era essencial, ou seja, era para manter segredo sobre o interlocutor tanto do embaixador quanto do general: Roberto Marinho.

Telegrama 1
E seu relato, Gordon menciona Marinho entre os cérebros da continuidade do golpe. E cita Milton Campos como muito respeitável, mas um "gentleman"
Telegrama 2
Eleições diretas poderiam das margens para "esquerdistas" como o marechal Lott; regime criaria eleição indireta
Telegrama 3
Marinho discutiu com Caslelo Branco a possibilidade de Costa e Silva vir a sucedê-lo
O histórico de apoio das Organizações Globo à ditadura não dá margens para surpresas. A diferença, agora, é confirmação documental.

No Blog da Helena
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Moralismo a serviço da imoralidade

Na iminência do debate eleitoral, a canalhocracia se esforça para grudar em Dilma Rousseff a mancha da corrupção

Certa feita, fui à sala do presidente da República comunicar que iria romper com ele e com seu partido. Denunciei, entre outras razões, a corrupção sistêmica instalada em seu governo. Na data era o Ministério dos Transportes. O responsável, um quadro do PMDB, claro. A resposta me frustrou muito, mas nunca esqueci. “Ciro, um dia você vai sentar nesta cadeira”, me disse, em tom acadêmico e apontando para a cadeira presidencial. “E aí vai ver que o presidente que não contemporizou com o patrimonialismo, caiu.”

Essa memória me voltou por esses dias com muita força a propósito do esforço que a picaretagem tupiniquim faz para imputar em Dilma Rousseff a tisna da corrupção. É, sem dúvida, a agitação moralista a serviço da genuína imoralidade. Ou, em termos mais populares, são os corruptos na tentativa de arrastar para o seu universo podre uma pessoa clara e insofismavelmente decente.

Quem me acompanha sabe que não sou o maior entusiasta do atual governo. O leitor mais atento conhece minha opinião sobre o grande despudor com que o condomínio PT-PMDB — sejamos justos, partes grandes dele — se entranha nas tetas públicas. Mas não é possível calar diante do despudor com que a canalhocracia assesta suas baterias contra Dilma Rousseff na iminência do debate eleitoral.

E a resposta dos governistas mais apressados apenas provará ao povo brasileiro, especialmente aos jovens, aquilo que o preconceito generalizado afirma para gozo dos plutocratas: não há vida limpa na política brasileira. Vamos investigar também, além da roubalheira na Petrobras, a roubalheira no metrô de São Paulo e a roubalheira no porto de Suape, em Pernambuco. Teríamos assim, das duas uma: ou todos os três grupos que se preparam para disputar a Presidência da República são igualmente sujos e corruptos, ou, o mais provável, “vamos deixar disso” e arquivar tudo. Em um caso e noutro, irresponsáveis, o que os senhores estão fazendo é enterrar a jovem democracia brasileira.

Essa absurda compra de uma refinaria sucateada nos Estados Unidos foi feita em 2006. Por que a mídia só trata desse assunto agora? Aqui mesmo, neste espaço, em outubro do ano passado, falei mal desse absurdo pela enésima vez sem que ninguém desse a menor bola. Por que agora? Explico. Dilma resolveu confrontar o centro da máfia congressual na Câmara dos Deputados, que eu conheço bastante bem e já denunciei mil vezes sem a menor repercussão.

Em Brasília vive-se em uma ilha da fantasia em que a ladroeira é segredo de polichinelo. Todo mundo sabe, por exemplo, como a Petrobras contrata empresas de prestação de serviços e a quem elas pertencem. E todo mundo sabia que Dilma Rousseff demitiu o grande “operador” petista Sergio Gabrielli e por quê. Todo mundo sabia que foi ele quem comprou a tal refinaria no Texas e que a minuta do “negócio” tinha sido levada ao Conselho de Administração sem as cláusulas aberrantes. Todo mundo sabia que em 2008 Dilma revelara toda sua indignação com o que se processara e, mesmo contra outra cláusula aberrante, levou o Conselho a vetar a compra da outra banda superfaturada, que, enfim, só se consumou por ordem da Justiça arbitral americana. Por que só agora o escândalo em horário nobre da (sempre ela) Globo? Por que não se esclarece com a ênfase devida que tudo aconteceu muito antes do governo Dilma?

Atenção, Eduardo Campos e Aécio Neves, saiam dessa armadilha. Ela comerá seus corações e fígados como comeu os de Fernando Henrique Cardoso e os de Lula.

Ou... chega de intermediários! Eduardo Cunha para presidente!

Ciro Gomes
No CartaCapital
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Eles conseguiram: Dilma cai, mas os outros não sobem

Deixando a modestia um pouco de lado, os novos números divulgados na tarde deste sabado pelo Datafolha sobre a corrida presidencial confirmam as previsões feitas esta semana aqui mesmo e no Jornal da Record News: Dilma caiu (de 44 para 38%), mas seus adversários não subiram e, se as eleições fossem hoje, a presidente seria reeleita no primeiro turno.

Os seis pontos perdidos por Dilma são atribuidos pelo instituto ao "pessimismo econômico", resultado de uma blietzkrieg desfechada pela oposição e a mídia aliada nas últimas semanas, colocando o país e a Petrobras à beira de um colapso econômico e administrativo, a tal da crise do fim do mundo anunciada pelos seus principais adversários.

Eles conseguiram atingir um dos seus objetivos, que era o de abalar o franco favoritismo de Dilma, até agora dando um passeio nas pesquisas, mas não foram capazes de transferir os votos perdidos por ela para os oposicionistas Aécio Neves, do PSDB, e Eduardo Campos, do PSB. Com ampla exposição dos dois na mídia nos últimos dias, o senador mineiro continua com os mesmos 16% da pesquisa anterior e o ex-governador de Pernambuco subiu apenas um ponto, indo de 9 para 10%.

A própria pesquisa acabou induzindo este resultado, ao colocar no questionário várias questões relacionadas a fatos negativos na área econômica antes de perguntar em quem o eleitor pretende votar. Como escrevi aqui, voce pode fazer campanha detonando o adversário ou conquistando votos com suas propostas para fazer um país melhor — desta segunda parte, os candidatos da oposição até agora não foram capazes.

Mais do que a perda destes seis pontos, que já era esperada, há outros motivos para os estrategistas do Palácio do Planalto acenderem o farol amarelo: para 65% dos eleitores, a inflação vai subir e 63% estão frustrados com a presidente, achando que ela fez menos do que esperavam (um ano atrás eram 34%).

O resultado mais curioso da pesquisa, mostrando que 72% dos entrevistados querem mudanças no governo, revela que o mais indicado para fazê-las é o principal cabo eleitoral de Dilma, o ex-presidente Lula, com 32%. Em segundo lugar, com 17%, vem Marina Silva, que também não é candidata e deve ser vice de Eduardo Campos. A própria Dilma é a preferida de 16% para fazer estas mudanças e seus adversários não conseguem conquistar os descontentes: Aécio tem 13% e Eduardo vem com 7%.

Bem abaixo dos índices de José Serra, quando faltavam, como agora, seis meses para as eleições, em 2010, Aécio mantem a liderança tucana nos mesmos nichos do eleitorado: os mais ricos e os que têm nível de ensino superior.

Como o Ibope já havia mostrado na semana passada, o Datafolha dá claros sinais de que a presidente Dilma saiu da sua zona de conforto e não pode só continuar jogando na defesa. Por mais fracos que sejam os adversários, Dilma está perdendo terreno para ela mesma, sem que o seu governo reaja, tanto no plano político como no econômico.

O cenário eleitoral agora é absolutamente imprevisível e não aposto um tostão do meu bolso em quem vai ganhar. Qual é a aposta do caro leitor do Balaio?

Ricardo Kotscho
No Balaio do Kotscho
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Pesquisa viciada mostra vitória de Dilma em 1º turno

Intenção de voto para presidente da República

Como se observa, apesar de a petista enfrentar um desgaste no momento, os 6% dos eleitores que se desgarraram de Dilma parecem apenas estar fazendo um “pit stop” na categoria do “não voto” — ou distribuindo-se de maneira pulverizada até entre nanicos. A oposição se beneficia pouco da atual conjuntura.

O fato mais alarmante para os adversários do PT é protagonizado pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG): ele tem o pior desempenho de um segundo colocado desde 2002. O tucano continua com uma pontuação nesta época da campanha inferior à que tiveram outros colegas de seu partido em pleitos anteriores num mês de abril do ano eleitoral.

Em 2002, José Serra tinha 22% no Datafolha de abril daquele ano (Lula, do PT, liderava com 32%). Em 2006, Geraldo Alckmin neste mês estava com 23%. E em 2010, Serra estava ainda liderando as pesquisas, com 40%.

Eduardo Campos (PSB) está em terceiro lugar, com uma pontuação modesta de 10%. Mas esse desempenho é compatível com outros que estiveram como terceiros colocados em disputas passadas. E o político pernambucano é o menos conhecido entre os que estão na corrida pelo Planalto: 42% dizem ainda não conhecê-lo.

Aécio Neves e outros políticos de oposição costumam falar que no momento é muito difícil crescer nas pesquisas porque 1) os eleitores não estão pensando nesse assunto e 2) a presidente Dilma Rousseff está diariamente exposta (de forma direta) no noticiário televisivo ou (indiretamente) com obras do governo sendo mostradas em propagandas.

Tudo isso é verdade. Mas esse tipo de cenário também existia em eleições anteriores. Mesmo assim, os segundos colocados nas eleições passadas sempre estiveram mais bem posicionados do que Aécio Neves está hoje.
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Senador tucano Álvaro Dias é expulso de conferência sobre "ética"


Álvaro Dias teve que empreender fuga nesta sexta-feira (4) à noite depois de palestra sobre “ética” na Universidade Estadual do Centro-Oeste, em Guarapuava, a 250 km de Curitiba; senador atribuiu protesto a “grupelhos do PCdoB e PT despreparados para o debate de ideias afrontaram a democracia”; acadêmicos devolveram acusando o parlamentar de ser uma espécie de Demóstenes Torres (falso moralista) do Paraná; “Cavalaria, abaixo o choque! Cavalaria, abaixo o choque!”, gritavam os estudantes, em referência ao confronto da PM com professores em 1988, quando o tucano era governador do Paraná; assista ao vídeo com as vaias, a fuga e todo o quiproquó.

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) foi literalmente expulso ontem à noite da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), no município de Guarapuava, a 250 km de Curitiba, na região Centro do Paraná. O tucano falou à comunidade acadêmica sobre “Ética na vida pública”.

“Cavalaria, abaixo o choque! Cavalaria, abaixo o choque!”, gritavam os estudantes nos corredores da Unicentro em perseguição à comitiva do senador, que teve de deixar às pressas o prédio da Universidade, após a conferência. As vaias e o quiproquó todo foram registrados em vídeo (assista logo abaixo).

Em 30 de agosto de 1988, quando Álvaro era governador do Paraná, o Batalhão de Choque e Cavalaria da PM foram utilizados para dispersar professores em greve que protestavam em frente ao Palácio Iguaçu (sede do governo estadual). A partir desse confronto, todos os anos, profissionais da educação fazem eventos para relembrar o “massacre” atribuído ao tucano.

Em seu perfil no Facebook (clique aqui), o senador acusou “grupelhos do PCdoB e PT” de tumultuar o evento de ontem na Unicentro. Segundo ele, “despreparados para o debate de ideias afrontaram a democracia”.

“Revelaram o medo que começa a ganhar corpo, de que os detentores do poder, estão em fim de festa com a aproximação das eleições”, observou o parlamentar do PSDB.

Não foi somente Álvaro Dias que teve problemas com estudantes nesta sexta-feira (4). Em Umuarama, na região Noroeste do estado, a 563 km da capital paranaense, o governador Beto Richa (PSDB) bateu boca com o estudante de agronomia Luan Ferro, do campus da UEM, cujo vídeo segue a seguir.

Assista ao vídeo com as vaias contra Álvaro:


Assista ao vídeo com o bate-boca:


No Blog do Esmael
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Almino Affonso dá aula de História a Villa

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Eles querem afundar a Petrobras


No O PIG Imprensa Golpista
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A entrevista impublicável de Fernando Morais


Na semana passada o portal Terra me fez uma breve entrevista sobre o golpe de 64. Acho que não gostaram, porque não publicaram. Aqui vai:

Onde você estava e o que fazia no dia 1º de abril de 1964?

Eu morava com meus pais em Belo Horizonte em um prédio de quatro andares, no bairro do Sion. Das janelas da frente víamos o Colégio Sion, onde estudava (ou estudara) uma jovem de cabelos negros chamada Dilma Vana Rousseff. Das janelas dos quartos era possível ver, a duas ou três centenas de metros, a Avenida Nossa Senhora do Carmo, que na verdade era o começo da BR-3, rodovia federal que ligava a capital mineira ao Rio de Janeiro, passando por Juiz de Fora. Na madrugada de 1º de abril fui despertado por um barulho forte, ritmado, vindo da rodovia. Abri a janela e vi uma coluna de tanques do 12º Regimento de Infantaria, sediado em Belo Horizonte, avançando rumo a Juiz de Fora para aderir ao levante militar liderado pelo general Olímpio Mourão Filho. Adolescente alienado, fechei a janela e voltei a dormir. Só um ano depois do golpe é que percebi o inferno em que estávamos metidos.

Que lição você acha que o Brasil deve tirar do período ditatorial?

Essas duas décadas negras nos ensinaram que a liberdade é um valor universal, por cuja defesa devemos dar tudo, até a vida, se necessário. A ditadura me pegou quando eu tinha 17 anos e só me largou aos 39. Não quero isso para minha filha e para as minhas netas.

Na sua opinião, que marcas o período militar deixou no jornalismo brasileiro?

A pior de todas, a da censura. Convivi com a censura em suas diversas fases: censor na redação, censor nas oficinas, censor que ficava em casa, e o jornal (ou revista) tinha que enviar os originais para que ele lesse o que podia ou não podia ser publicado. E até com a exigência inacreditável de que os originais fossem enviados a Brasília (fisicamente, porque ainda não existia internet), onde eram lidos, censurados e devolvidos a São Paulo. Peguei a censura desde a noite em que ela foi implantada, 13 de dezembro de 1968, quando eu trabalhava no Jornal da Tarde, até o dia 2 de junho de 1976, quando os censores foram retirados do último veículo da grande imprensa, a revista Veja, onde eu era editor assistente. A censura não visava atingir nenhum jornalista. Seu objetivo era impedir a sociedade de conhecer os crimes e desmandos que a ditadura cometia.

Hoje a censura ainda é uma realidade no Brasil ou apenas um fantasma?

É preciso ter clara uma questão: em qualquer lugar do planeta – de Washington a Beijing, de Paris a Havana - a imprensa está a serviço dos interesses e da ideologia de quem paga as contas no fim do mês. Há duas frases do magnata Assis Chateaubriand que resumem isso muito bem. A primeira foi quando o presidente Eurico Dutra reclamou de uma reportagem publicada no Jornal do Comércio do Rio, um dos veículos do império Associado. Chatô respondeu ao mensageiro da insatisfação: “Diga ao seu Dutra que para dar palpite nos meus jornais tem que se responsabilizar pela folha de pagamento, no fim do mês. Se ele quiser, eu topo”. A segunda foi quando o jornalista David Nasser, a principal estrela da revista O Cruzeiro, queixou-se com o patrão de que um artigo seu tinha sido cortado por ordem dele. Chatô devolveu: “Seu David, se o senhor quer defender a sua opinião, compre uma revista. Na minha revista o senhor defende a minha opinião”. Continua assim e assim permanecerá per omnia secula seculorum...

50 anos depois, reeditaram a "Marcha da Família com Deus e pela Liberdade", marcha que deu apoio ao governo militar. O que você acha dessa atitude de querer reviver aqueles anos de terror?

Parece que ali havia dois grupos: o de gente muito nova, que não faz a mais pálida ideia do que seja uma ditadura militar, e o de gente mais velha, que estava lá sabendo o que é uma ditadura militar. O fracasso da marcha mostrou que algum grau de consciência a população está adquirindo... Inschallah!

Fernando Morais
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Dilma lamenta morte de José Wilker

*20 de agosto de 1947, Juazeiro do Norte; +5 de abril de 2014, Rio de Janeiro
A presidenta Dilma Rousseff divulgou neste sábado (5) nota de pesar pela morte de José Wilker. Leia abaixo a íntegra da nota:

Foi com tristeza que tomei conhecimento da morte de José Wilker. Ator, crítico de cinema e exemplo de dedicação à arte, José Wilker nos presenteou com interpretações que se tornaram ícones do cinema e da TV. À sua família, amigos, colegas de trabalho e milhões de fãs por todo o Brasil, me solidarizo neste momento de dor.

Dilma Rousseff
Presidenta da República Federativa do Brasil
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1964: golpe contra a maioria

Ibopes de 1961 e 1963 mostram que o povo via em Jango o seu líder


A farsa montada pela reação conservadora para esconder os reais objetivos do golpe de 1964 foi, e ainda é, sustentada pela propaganda massacrante da mídia ao longo de duas décadas e, hoje, camuflada vergonhosamente por editoriais hipócritas.

O golpe, com a bênção e, caso fosse preciso, apoio bélico dos Estados Unidos, teve como lema no estandarte o fantasma do comunismo. O presidente João Goulart comandaria essa guinada revolucionária no contexto da Guerra Fria. Era o grito de alerta repetido com certa histeria.

A resistência a Jango derivava da renúncia do presidente Jânio Quadros, em 1961. Goulart visitava a China naquele momento. Parecia fácil ligar o vice-presidente ao movimento comunista.

A maioria não se deixou levar pela propaganda ardilosa. Pesquisa resgatada nos anais do Ibope (tabela), de 1961, quando os chefes militares, Exército, Marinha e Aeronáutica, tentavam bloquear a posse do vice-presidente, mostra que apenas 10% admitiam a modificação na Constituição para a adoção do sistema parlamentarista, que amputaria os poderes de João Goulart. A minoria de 9%, contra a posse, venceu a maioria de 81% a favor da posse sem qualquer concessão. Os políticos conservadores negociaram a saída com a emenda parlamentarista.

A direita ergueu um biombo para conter os avanços sociais, as Reformas de Base, propostas pelo novo governo e sustentadas pela maioria da opinião pública.

Valiam-se, de certa forma, setores da esquerda guiados pelos ideais de uma revolução ora inspirada em Lenin, ora em Mao. Em qualquer dos casos uma aventura.

Encurralado por parte da esquerda, Jango, pelas melhores razões, era um político estigmatizado pela direita. Tanto pela sua afinidade com Vargas quanto pela sua fidelidade aos trabalhadores. Um exemplo disso é o episódio vivido por ele quando ministro do Trabalho por oito meses (junho de 1953 a fevereiro de 1954). Propôs 100% de aumento do salário mínimo, em vigor desde 1940, mas inteiramente defasado naquela ocasião. A reação foi forte. Jango caiu.

Logo depois se elegeria vice-presidente, na Presidência de JK. Em 1959, na eleição de Jânio, venceria novamente a disputa independente pela vice. Assumiu por circunstâncias da renúncia do presidente, em 1961.

Cresceu a campanha pela reforma agrária que fazia parte do programa de Reformas de Base do governo Jango. Renegada pela sovina elite brasileira, essa tinha, entretanto, apoio da grande maioria dos brasileiros, conforme mostra pesquisa de 1963 (tabela), também tirada do baú do Ibope.

Os números mostram um apoio da maioria à reforma agrária, mas aponta um número expressivo de entrevistados indecisos: 29% não souberam responder. Novamente, a maioria de 61% foi derrotada pela minoria de 11% dos que estavam contra.

Os projetos políticos e sociais de Jango não iam além do objetivo de minimizar as distorções sociais no Brasil. Isso explica o golpe. O resto é mentira.

Maurício Dias
No CartaCapital
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Pataxó: Justiça mãe e madrasta

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Capa da Veja dessa semana deveria ser: Como o PT e o nosso chefe quebraram a Petrobras


Fabio Barbosa, presidente da Editora Abril, que edita Veja, foi conselheiro da Petrobras entre 2003 e 2011; ou seja, esteve lá durante a maior parte do tempo em que o Partido dos Trabalhadores, segundo a revista, levou a Petrobras à ruína.

Observação: Em 2013 a Petrobras teve um lucro de 23,6 bilhões. O valor é muito superior aos 8 bilhões de lucro gerados em 2002 (último ano do PSDB na presidência). Mesmo se corrigido pela inflação acumulada no período 2003-2013 (86,8%), o lucro de 2002 equivaleria apenas a R$15 bilhões em valores atuais.

No DesmascarandoGolboFolha
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Por que Delfim Netto mente

Delfim com Boilesen, o chefão da Oban
Delfim Netto é, provavelmente, um dos maiores casos de blindagem da história e um exemplo de sobrevivência política impressionante.

Levou tempo para ele aceitar depor na Comissão da Verdade. Esteve lá no ano passado. Na versão paulista da comissão, repetiu seu velho refrão quando perguntado sobre os abusos do regime: não sabia de nada.

“Havia a mais absoluta separação. No meu gabinete nunca entrou um oficial fardado”, disse. “Não existia nenhum vínculo entre as administrações”.

Delfim não era um contínuo. Assinou o AI-5 quando era ministro da Fazenda de Costa e Silva. “Direi mesmo que creio que não é suficiente”, afirmou naqueles tempos. Ao chancelar o ato, estava ajudando a suspender o habeas corpus para crimes políticos e contra a segurança nacional, o que foi fundamental para a indústria da repressão.

Ocupou esse mesmo cargo entre 1969 e 1974, sob Médici. Depois foi ministro da Agricultura e do Planejamento com Figueiredo. Sobre seu legado, declarou que “Geisel quebrou o Brasil”. Não ele.

Nos anos Figueiredo, tornou-se uma figura meio pop. Jô Soares tinha um quadro em que metia uns óculos de lentes de fundo de garrafa, um terno apertado e o imitava. Num depoimento para o documentário “Muito Além do Cidadão Kane”, Roberto Civita, da Abril, contava que, em 1980, quando o grupo tentou uma concessão de TV, a empresa tinha a seu lado “Golbery e Delfim, os dois homens mais importantes do governo naquela época”.

Declara não ter conhecimento da OBAN, apesar de sua proximidade com gente como Henning Boilesen, o dinamarquês que presidiu a Ultragás e financiou a tortura. Mesmo sob censura, o cidadão medianamente informado tinha noção do que acontecia. Delfim, repito, não era um contínuo. Depois da redemocratização, foi cinco vezes deputado federal, virou colunista de jornais e revistas, conselheiro de Lula e absolvido sem julgamento.

Delfim Netto mente. E impede que se conheça melhor um período importante da história do Brasil.

Albert Speer era conhecido como “o bom nazista”. Arquiteto do Terceiro Reich, depois ministro do Armamento, querido de Hitler, sempre negou ter ideia do extermínio em massa dos judeus. Foi julgado em Nuremberg e preso em Spandau. Publicou uma autobiografia reveladora e doou parte dos lucros para instituições judaicas de caridade.

Trinta anos após sua morte em 1981, documentos revelaram não apenas que ele conhecia os campos de concentração como participou de roubos de obras de arte de judeus.

Não há, hoje, um único edifício ou viaduto de Speer de pé em Berlim. A obra de Delfim está aí.

Kiko Nogueira
No DCM
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Lula faz a lista do “compare e comprove”. Irrespondível


Em artigo publicado no site do Instituto Lula, o ex-presidente faz comparações irrespondíveis entre o Brasil de hoje e aquele que ele encontrou ao assumir o Governo.

Reproduzo o texto ao final, mas tomo a liberdade de fazer uma lista, simplificada e mais fácil de absorver, das comparações feitas por ele.

É isso o que deve ser mostrado ao eleitor, para sua decisão de votar, porque é a realidade, não a espuma batida e misturada pelo “liquidificador” da mídia.

Porque é isso que define o vigor econômico do país e, com ele, a renda, o emprego, os recursos para investimentos sociais, para a modernização do serviço público.

Aos dados econômicos de Lula, portanto:
  • O Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas no país, era,e em 2003,  era o equivalente a 550 bilhões de dólares, hoje  supera os 2.1 trilhões. Quatro vezes maior, portanto;
  • O comércio exterior  passou de 119 bilhões de dólares anuais em 2003 para 480 bilhões em 2013, também quatro vezes maior;
  • O investimento estrangeiro direto, que foi de 63 bilhões de dólares, contra os 16,6 bilhões de dólares de 2002, quando já não havia quase nada mais a ser vendido na quitanda de Fernando Henrique Cardoso. Ou seja, quase quatro vezes mais;
  • Inflação de 12.5 por cento em 2002 para 5.9 por cento em 2013, reduzida a menos da metade;
  • Divida pública líquida diminuída praticamente à metade; de 60.4 por cento do PIB para 33.8 por cento;
  • Reservas cambiais de 376 bilhões de dólares em reservas, quase dez vezes maiores  do que os 38,8 bilhões de 2002.
  • Geração de empregos:  até fevereiro, foram 20,2  milhões de empregos (15, 4 milhões com Lula e 4,8 milhões com Dilma), o que dá uma média anual 1,8 milhão de empregos, enquanto nos  oito anos de Fernando Henrique Cardoso, que criou 5,02 milhões de vagas, a média era de  627,5 mil vagas anuais. Quase triplicou, portanto, mesmo com uma crise internacional que destruiu 62 milhões de empregos, segundo a OIT;
E Lula poderia ter acrescentado ainda:
  • Em dólar, o salário mínimo passou de 56,33 em dezembro de 2002  ( R$ 200 para o dólar a R$ 3,55), para 321,77 em março deste ano (RS 724, para o dólar a R$ 2,25). Ou, para corrigir pela inflação interna, aumento real de 86,7% desde aquela data, usando o INPC como indexador.
Será que dá, Aécio, sequer para conversar?

Leiam o artigo de Lula:

A saúde das economias emergentes

Luiz Inácio Lula da Silva

Nos últimos meses têm surgido na mídia internacional alguns juízos apressados e superficiais sobre um inevitável declínio econômico dos chamados países emergentes e a sua suposta “fragilidade”.

Os que pensam assim não compreendem o alcance das transformações que o mundo viveu nas últimas décadas e o verdadeiro significado do salto histórico que deram países como a China, a Índia, o Brasil, a Turquia e a África do Sul, entre vários outros. Não percebem que a economia desses países, além de crescer de modo extraordinário, passou também por uma mudança de qualidade. Tornou-se  mais diversificada, eficiente e profissional. E muito mais rigorosa e prudente do ponto de vista macroeconômico, sobretudo no que se refere às políticas fiscal e monetária. Não levam em conta que os países emergentes, com tremendo esforço e determinação, reduziram sistematicamente a sua vulnerabilidade interna e externa e agora estão muito mais aptos a enfrentar as oscilações econômicas globais. Por isso, quem os avalia por critérios superados, de décadas atrás — os estereótipos sobre as eternas mazelas do “terceiro mundo” — acaba subestimando a sua solidez e o seu potencial de crescimento.

Até pelos erros de avaliação cometidos na véspera da crise de 2008, quando grandes empresas norte-americanas e europeias à beira da falência eram consideradas por muitos analistas como modelo de solidez e competência, penso que seria recomendável maior objetividade nos diagnósticos e, principalmente, nos prognósticos.

Um dos principais ensinamentos a tirar da crise, que não surgiu nas nações em desenvolvimento, mas nos países mais ricos do planeta, é que as opiniões sobre as economias e o destino dos países devem evitar tanto o elogio inconsistente quanto o alarmismo sem fundamento. A busca equilibrada da verdade é sempre o melhor caminho. E isso supõe examinar de perto, meticulosamente, sem preconceitos nem velhos clichês, a economia real de cada país.

Os países emergentes, obviamente, não estão nem nunca estiveram isentos de desafios. Integrados ao mercado mundial, tem que lidar com as consequências de um maior ou menor dinamismo da economia global. Mas hoje não dependem exclusivamente das exportações que, apesar da crise, mantiveram um volume muito expressivo. Os países emergentes criaram fortes mercados internos, ainda com enorme horizonte de expansão. A retomada dos Estados Unidos e da Europa não torna essas economias menos atrativas para o investimento estrangeiro, que continua a chegar em grande quantidade. As economias desenvolvidas precisam, mais do que nunca, de mercados ainda elásticos para a sua produção, e esses mercados estão principalmente na Ásia, na América Latina e na África. Sem falar que o crescimento norte-americano e europeu tende a favorecer o conjunto do comércio mundial.

A queda no ritmo de crescimento dos emergentes costuma ser exemplificada com a situação da China, que chegou a crescer 14 por cento ao ano e hoje cresce em torno de 7%. É evidente que, com a desaceleração dos países ricos, a China não poderia manter a mesma velocidade de expansão. O que se esquece, porém, é que 10 anos atrás o PIB da China era de cerca de 1.6 trilhão de dólares e hoje é de quase 9 trilhões de dólares. A taxa de crescimento é menor, mas sobre uma base muitíssimo maior. Além disso, deixou de ser um país quase que exclusivamente exportador, para desenvolver também o seu mercado interno, o que demanda novas importações. Por outro lado, graças à imensa poupança e acúmulo de reservas, a China passou a ser uma importante fonte de investimentos externos na Ásia, na África e na América Latina.

Embora sejam economias menores do que a China, os outros emergentes, com diferentes ritmos de crescimento — mas sempre crescendo — também apresentam boas perspectivas.

É o caso do Brasil, que está sabendo ajustar-se ao novo cenário internacional e tem condições concretas não só de manter as suas conquistas econômicas e sociais, mas de continuar avançando.

Os dados da economia brasileira falam por si. No último decênio, o Brasil conseguiu tornar-se em vários aspectos um novo país. O PIB, que em 2003 era de 550 bilhões de dólares, hoje supera os 2.1 trilhões. Somos hoje a sétima economia do mundo. O comércio externo passou de 119 bilhões de dólares anuais em 2003 para 480 bilhões em 2013. O país tornou-se um dos seis maiores destinos de investimento externo direto, recebendo 63 bilhões de dólares só no ano passado, de acordo com as Nações Unidas. É grande produtor de automóveis, máquinas agrícolas, celulose, alumínio, aviões; e líder mundial em carnes, soja, café, açúcar, laranja e etanol.

Baixamos a inflação de 12.5 por cento em 2002 para 5.9 por cento em 2013. Há dez anos consecutivos ela permanece dentro dos limites estabelecidos pela autoridade monetária, mesmo com a aceleração do crescimento. Reduzimos a divida pública líquida praticamente à metade; de 60.4 por cento do PIB para 33.8 por cento. Desde 2008, o país fez superávit primário médio anual de 2.5 por cento, o melhor desempenho entre as grandes economias. E a Presidenta Dilma Rousseff anunciou o esforço fiscal necessário para manter a trajetória de redução da divida em 2014.

Com 376 bilhões de dólares em reservas, dez vezes mais do que em 2002. Diferentemente do passado, hoje o Brasil pode lidar com flutuações externas ajustando o câmbio sem turbulências nem artifícios.

Esses resultados poderiam ter sido ainda melhores, não fossem os impactos da crise sobre o crédito, o câmbio e o comércio global. A recuperação dos Estados Unidos é uma excelente notícia, mas neste momento a economia mundial reflete a retirada dos estímulos do FED. E, mesmo nessa conjuntura adversa, o Brasil cresceu 2.3 por cento no ano passado, um dos melhores resultados dentre os países do G-20 que já divulgaram os indicadores de 2013.

O mais notável é que, desde 2008, enquanto o mundo, segundo a OIT, destruiu 62 milhões de empregos, o Brasil criou 10.5 milhões de novos postos de trabalho. A taxa de desemprego é a menor da nossa história. Não vejo indicador mais robusto da saúde de uma economia.

Há uma década o país trabalha ativamente para ampliar e modernizar a sua infraestrutura. Aumentamos a capacidade energética de 80 mil MW para 122 mil MW e estamos construindo três hidrelétricas de grande porte. Além disso, o governo lançou um vasto programa de concessões de portos, aeroportos, rodovias, hidrovias e distribuição e geração de energia no valor de mais de 170 bilhões de dólares.

Recentemente estive com investidores globais, em Nova Iorque, mostrando como o Brasil se prepara para dar passos ainda maiores na nova etapa da economia mundial. Pude comprovar que eles  tem uma visão ao mesmo tempo realista e positiva do país e do seu potencial de crescimento. Seguirão investindo no Brasil e, com certeza, terão bons resultados, crescendo junto com o nosso povo.

O novo papel que os países emergentes assumiram na economia global não é algo efêmero, transitório. Eles vieram para ficar. A sua força evitou que o mundo mergulhasse, a partir de 2008, numa recessão generalizada. E não será menos importante para que a economia global volte a ter um ciclo de crescimento sustentado.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Nota à Imprensa

Em novo capítulo de protelação para manter o ex-ministro José Dirceu preso em regime fechado no presídio da Papuda, o juiz da Vara de Execuções Penais de Brasília Bruno Ribeiro toma uma decisão contraditória e encaminha ao presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, com quase um mês de atraso, o pedido do Ministério Público do DF para que se quebre indiscriminadamente sigilos telefônicos ainda com o propósito de investigar o suposto telefonema recebido por José Dirceu no presídio.

Além de uma clara contradição com o encerramento das investigações conduzidas pela própria Vara, o pedido é extremamente genérico e sem a fundamentação exigida por lei, pleiteando que todas as ligações — de cinco operadoras de telefonia móvel — feitas/recebidas da região da Papuda para a Bahia, de 1 a 16 de janeiro, sejam encaminhadas ao Ministério Público.

O intuito de protelar a regularização do regime semiaberto de José Dirceu torna-se indisfarçável: o pedido pouco razoável do MPDF foi apresentado à VEP em 26 de fevereiro, porém o juiz Bruno Ribeiro só o despachou em 28 de março, quando já havia se declarado impedido de decidir o caso, repassando a decisão para o presidente do Supremo, Joaquim Barbosa.

O encaminhamento ocorre depois que a própria VEP encerrou sua investigação sobre a suposta ‘falta disciplinar’, chegando à mesma conclusão emitida ainda em janeiro pela Secretaria de Segurança Pública do DF: o ex-ministro nunca fez qualquer telefonema de dentro da Papuda.

No dia 11 de março, o juiz Bruno Ribeiro, na presença de um representante do MP, interrogou José Dirceu por videoconferência e ouviu dele a mesma resposta: em nenhum momento fez uso de celular nas dependências do presídio. O ex-ministro também negou o recebimento de qualquer tipo de regalia. Após o interrogatório, a Vara de Execuções Penais encerrou o caso sem objeção por parte do Ministério Público.

No último dia 2, diante do silêncio e demora para se cumprir um direito assegurado ao nosso cliente pela Constituição e pela Lei de Execuções Penais, encaminhamos ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, pedido de prioridade na análise do caso por se tratar de um cidadão idoso. A petição reitera que o pedido de trabalho externo foi apresentado em 19 de dezembro do ano passado e já obteve parecer favorável da Seção Psicossocial e do Ministério Público do Distrito Federal. Diz ainda que a investigação sobre a suposta falta disciplinar está cabalmente encerrada e que a Procuradoria-Geral da República, ciente da apuração, não solicitou diligências nem tampouco apresentou argumentos contrários ao pedido de trabalho externo.

José Luis Oliveira Lima
Rodrigo Dall’Acqua
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Imagens impressionantes de circuito interno do tsunami que atingiu o Japão


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