4 de abr de 2014

O legado do tucanato Aécio Anastasia em Minas

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Na Globo Participações a democracia passa longe

Datena é convidado e desconvidado do Jô

O apresentador Datena em entrevista ao programa "UOL Vê TV" (24/10/12)
Um fato altamente constrangedor acaba de ser revelado, envolvendo duas das nossas mais importantes emissoras, Globo e Bandeirantes.

Segundo a direção da Band, "há semanas, a produção do programa do Jô, da TV Globo, convidou o Datena para ser entrevistado no programa. Na 2a feira chegou o pedido oficial e liberamos. A entrevista seria dia 08 de abril para ser exibida na semana próxima.

Hoje, há poucas horas, Datena recebeu uma ligação da produção do programa pedindo desculpas e dizendo que o convite teria que ser cancelado porque o nome dele estava vetado. "Tudo isso depois dele dar uma pré entrevista e tudo mais".

Datena, que falou sobre o assunto em seu programa, sem revelar o nome Globo ou do Jô, procurado disse o seguinte: "sinto pena que num país democrático, uma emissora como a Globo, que se diz ao lado da liberdade, vete a participação de um jornalista ou de qualquer pessoa na sua programação. Fico chateado de não participar do 'Programa do Jô'. Chego à conclusão que a coisa vai continuar como sempre foi. Mas eu continuarei sendo o que sempre fui".

A Comunicação da Globo foi consultada sobre o assunto, e respondeu que "o convite foi feito diretamente ao apresentador, mas como está fora da política da casa, não foi autorizado".

Flávio Ricco
No Aposentado Invocado
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Segregação urbana adotada na ditadura militar segue sendo o padrão no Brasil


A arquiteta Raquel Rolnik, professora da Faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo (FAU), está encerrando seus seis anos de mandato como Relatora Internacional do Direito à Moradia Adequada do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Durante este período, ela fez 12 missões internacionais avaliando as condições de moradia no mundo.

No Brasil, ela diz que pouco mudou desde que a ditadura militar promoveu a urbanização segregacionista, que reservou as melhores áreas urbanas aos ricos e jogou os pobres na periferia, distantes dos serviços públicos. Embora tenha havido avanços na Constituição de 1988, pouco saiu do papel. O direito à posse, previsto na Carta, é atropelado sempre que o Estado precisa de espaços para novas obras, como se viu no caso da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016. A reforma urbana foi abandonada.

O Minha Casa, Minha Vida, tocado com dinheiro da Caixa Econômica Federal, paga às construtoras o mesmo valor pelos imóveis, independentemente de onde sejam construídos. Para aumentar a lucratividade, as construtoras optam por construir em áreas distantes dos serviços, embora tenham de atender a certas condicionalidades.

Raquel diz que, hoje em dia, por causa da globalização, os capitais internacionais passaram a disputar a localização com os mais pobres. Ou seja, um investidor árabe interessado em construir no Recife disputa o terreno com o morador pobre que ocupa imóvel no centro da cidade! Sem que haja proteção aos mais pobres, segue a gentrificação.

Na entrevista abaixo, a arquiteta fala também do fracasso das ideias de Hernando de Soto, o economista que pregava dar títulos de propriedade aos pobres como panaceia para todos os males. Em tese, esses títulos permitiram aos novos proprietários ter acesso ao sistema financeiro e sair da pobreza. Nada disso aconteceu. Aliás, as ideias neoliberais do economista permitiram a paises desenvolvidos o desmonte de seus programas habitacionais. Nos Estados Unidos e na Espanha, quando o mercado imobiliário bombado artificialmente implodiu, em 2008, os bancos foram salvos pelo Estado e os pobres perderam suas casas!

Sobre a crise urbana no Brasil, Rolnik diz que sempre existiu para os mais pobres, mas ganhou relevância agora por ter tocado na classe média que não consegue mais se deslocar de automóvel.

Ouçam a esclarecedora entrevista:



Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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Mídia entra em campanha contra revogação ou revisão da Lei de Anistia

A maior parte da população brasileira quer a revogação ou a revisão da Lei da Anistia recíproca — 46%, segundo o Datafolha, contra 37% que se opõem — o ex-ministro José Dirceu defende há tempos um plebiscito para deliberação a respeito, proposta que nós de sua equipe publicamos aqui no blog, e a mídia vai na contramão mais uma vez.

Aproveita a passagem dos 50 anos do golpe cívico-militar de 1964 e da implantação da ditadura para, na esteira do material de análise e memória que publica a respeito, entrar em aberta campanha contra qualquer revisão da Lei — revogação, então, não quer nem ouvir falar. Os jornalões vêm com tudo nessa linha editorial contra. O Globo até já publicou um editorial combatendo qualquer alteração.

E vocês estão vendo o argumento a que se apegam, em que se fundamentam? Dizem que a Lei de Anistia foi negociada e pactuada pela nação para abrir caminho à redemocratização. Dizer isso é faltar com a verdade, é manipular, a lei não resulta de pacto nenhum. Foi imposta pela ditadura sob pressão, mas isso não elimina o fato de que foi promulgada por representantes de um regime que não permitia alternância no Poder, controle civil sobre os militares e as decisões governamentais, direito amplo do brasileiro votar e ser eleito e de se associar livremente.

Anistia foi baixada com o Brasil ainda amordaçado

Veio no bojo de uma situação política em que manifestações e passeatas pró-anistia eram violentamente reprimidas, e as entidades da sociedade civil e a própria sociedade, como um todo, eram ameaçadas. Tanto que depois do advento da Lei, continuaram os atentados à bomba — e incêndios — contra bancas de jornais, a entidades que batalhavam pela redemocratização como à OAB nacional, e o atentado do Riocentro.

O Congresso que aprovou a Anistia ainda vivia sob o bipartidarismo artificial imposto pela ditadura e um 1/3 do Senado era biônico, senadores nomeados pelo presidente Geisel, figura criada pelo-general presidente quando fechou Câmara e o Senado em 1977 e decretou o Pacote de Abril. Era, ainda, um Congresso mutilado em seu poderes pelas cassações e pressões que haviam se iniciado no começo da ditadura, a partir de 9 de abril de 1964, quando foi baixado o primeiro dos 17 atos institucionais e 104 atos complementares assinados pelos generais-ditadores.

Como é que essa lei foi pactuada, e com quem, se um lado detinha a força, o poder e o porrete, e o outro era obrigado a dizer amém? Negociada com quem, se contingente numeroso da oposição estava cassado, banido, exilado, nas prisões ou silenciado pelo medo, por pressões, pela tortura, por assassinatos e desaparecimentos políticos?

Argumento de que a Lei foi pactuada é furado

A Lei de Anistia em vigor no país há 35 anos pode ser chamada de tudo, menos de democrática porque não foi negociada coisa nenhuma, não teve o apoio da totalidade da sociedade civil — esta nem pôde opinar. Foi imposta por um ditador e teve, mais que tudo, com essa história do caráter recíproco,  propósito primeiro de anistiar  criminosos e  torturadores agentes da repressão que em nome do Estado agiram como foras da lei, e ainda que a política de repressão tenha sido guindada a uma política de Estado.

É furado, portanto, o principal argumento invocado pelos jornalões, de que não se deve nem se pode mexer na Lei da Anistia e retirar esse seu caráter de benefício recíproco porque ela resulta de um pacto da sociedade para redemocratizar o país. Arrumem outro.

E as Forças Armadas?

Agora, já que estamos falando em anistia, golpe e ditadura, não faz nenhum mal a equipe deste blog perguntar: quem compõe as comissões de sindicância e investigação constituídas pelas Forças Armadas e anunciadas por elas para apurar a tortura e outros crimes, assassinatos inclusive, cometidos em sete quarteis e outras instalações delas em São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Recife?

E por que os militares não constituem comissões de sindicância e investigação mistas, com representantes de entidades que cobram essa apuração, da Comissão Nacional da Verdade, familiares das vítimas torturadas e assassinadas nesses locais? Estas comissões não ficariam mais isentas e imparciais e seus resultados — prometidos pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, para daqui a um mês — com maior credibilidade?

No Blog do Zé
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Agnelo desafia Barbosa: tem que provar acusações


Governador do DF, Agnelo Queiroz, disse nesta sexta (4) que afirmação do presidente do STF, Joaquim Barbosa, sobre supostas regalias a condenados na AP 470 é "grave e despida de qualquer amparo na realidade dos fatos"; "Vossa Excelência tem a obrigação em declinar com precisão quais são os fatos caracterizadores de suposta irregularidade, cuja apuração é suscitada. Vossa Excelência tem a obrigação de informar onde essas supostas irregularidades foram noticiadas", diz Agnelo em ofício enviado a Barbosa

O governador do Distrito Federal (DF), Agnelo Queiroz, considerou hoje (4) "afirmação grave e despida de qualquer amparo na realidade dos fatos" a declaração do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, sobre as apurações de supostas regalias concedidas aos condenados na Ação Penal 470, o processo do mensalão, que cumprem pena no Distrito Federal. Agnelo respondeu a ofício solicitado por Barbosa.

No documento, o governador diz que nem a Vara de Execuções Penais (VEP) nem Joaquim Barbosa esclareceram quais as supostas regalias que os presos receberam. Segundo o governador, as afirmações do presidente foram levantadas com base em "ilações infundadas" sobre falta de disposição para apurar os fatos.

"Vossa Excelência [Barbosa], como relator das execuções penais decorrentes das condenações julgadas na Ação Penal 470, em tramitação no Supremo Tribunal Federal, como o juiz de direito que tenha recebido delegação para implementar a execução penal correspondente têm a obrigação em declinar com precisão quais são os fatos caracterizadores de suposta irregularidade, cuja apuração é suscitada. Vossa Excelência tem a obrigação de informar onde essas supostas irregularidades foram noticiadas", disse o governador.

No ofício, Agnelo também afirmou que nenhuma autoridade do governo deixou de prestar informações ao Judiciário. Para o governador, Barbosa concluiu "equivocadamente" que governo do DF contribuiu para que ilegalidades continuem. "Os fatos sobre os quais se pretende [ter] informações esclarecedoras precisam ser apresentados, ou indicados onde foram noticiados, para que a correta e devida apuração seja feita. Portanto, repilo a afirmação caracterizadora de ato de improbidade administrativa, no sentido de que 'o governo do Distrito Federal contribui para que as ilegalidades se perpetuem', rebateu Agnelo.

Desde o ano passado, quando os condenados no mensalão começaram a cumprir pena nos presídios do Distrito Federal, o Ministério Público tem denunciado a existência de regalias, como alimentação diferenciada e dias de visitas fora do período permitido.

Na terça-feira (1º), Barbosa determinou que as autoridades do Distrito Federal acabem com regalias concedidas a condenados na Ação Penal 470 que estão presos em Brasília. Na decisão, o ministro afirmou que o governador Agnelo Queiroz não tem "disposição para determinar a apuração dos fatos narrados".

"Em atitude de claro desdém para com a autoridade judicial, e desconsiderando o fato de as irregularidades terem sido divulgadas amplamente e comunicadas pelos órgãos do Ministério Público e da Defensoria Pública em atuação junto à VEP, o governador do Distrito Federal deu indicação clara da sua falta de disposição para determinar a apuração dos fatos narrados e oferecer solução para problema posto", disse Barbosa.
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No 1º de abril, roubaram uma estátua de bronze com dois metros. E acreditaram.

Fazia 50 anos do Golpe Militar e a principal colunista de política do Rio Grande do Sul tinha sua página para relembrar a necessidade de que jamais esqueçamos da Ditadura para que ela nunca mais se repita. O espaço estava ali, mas a opção foi outra. Decidiu descontar sua indignação, #chatiada que estava por ter caído na pegadinha de primeiro de abril.

A brincadeira em questão foi feita pelo Gabinete Digital do Governo do Rio Grande do Sul, que há tempos tem apostado numa linguagem institucional mais diferente e condizente com os tempos atuais. Pois no Dia dos Tolos, resolveram dizer que a estátua do ex-governador Leonel Brizola, inaugurada neste ano em Porto Alegre, havia sumido — fizeram até montagem para postar no Facebook. Sim, disseram que uma estátua de bronze com dois metros, sustentada por um pedestal, havia sumido à luz do dia, no Centro da cidade. E houve quem acreditasse.


A redação do principal jornal do estado se agitou e ligou para o Palácio Piratini em busca de informações. “É pegadinha de primeiro de abril”, ouviram. E o próprio Gabinete Digital esclareceu, meia hora depois pelo Facebook que não passava de uma piada.

Rosane de Oliveira, a colunista em questão se mordeu e pôs-se a digitar:

“Está faltando trabalho no Gabinete Digital do Palácio Piratini. […] Podem dizer que está me faltando senso de humor. E está: Não tenho paciência com esse tipo de bobagem”.

Só faltou a ela a compreensão de como se faz comunicação — e comunicação política — hoje em dia. A linguagem institucional cada vez mais permite esse tipo de abordagem, em especial, nas redes sociais (mais ainda no primeiro de abril!). No final, a mensagem da pegadinha era bem interessante. Fazia parte da campanha “Democarcia: Que nunca mais desapareça” e homenageava um dos líderes da resistência democrática no Rio Grande do Sul, Brizola:

“A estátua permanece no mesmo lugar e esperamos que tudo o que ela representa para a memória da resistência democrática do povo brasileiro jamais seja esquecido. Para que nunca mais aconteça. Para que a democracia jamais desapareça. Para que a liberdade seja um valor a ser reafirmado a cada dia pelas próximas gerações.

Leonel Brizola, ex-Governador do RS, liderou a resistência democrática aqui no Rio Grande, desde a histórica campanha da legalidade e entrou para a história como um dos símbolos da luta contra a ditadura militar no Brasil.”

No Muda Mais
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Maria Corina Machado: a golpista venezuelana

Maria Corina Machado se encontra com o ex-presidente George Bush, em 2005
Foto: Wikicommons
Maria Corina Machado se orgulha de ter apertado a mão do ex-presidente estadunidense Geoge W. Bush. O mesmo que Hugo Chávez chamara de demônio na ONU em 2006. Engenheira industrial, mãe de três filhos, Corina é líder da extrema direita venezuelana e está à frente do processo de desestabilização, ou golpe, contra o governo de Nicolás Maduro. Nesta quarta (2), ela veio ao Brasil dizer “verdades” sobre o governo bolivariano.

Com o mandato de deputada cassado por ter aceitado a oferta feita pelo governo panamenho para discursar — utilizando a cadeira do Panamá na Organização dos Estados Americanos (OEA) — a respeito da situação em seu país, ato considerado inconstitucional pela justiça venezuelana, Corina deu ao Senado brasileiro sua versão para os fatos ocorridos na Venezuela. Na próxima semana, os senadores escutarão a deputada governista Blanca Eekhout, uma das maiores liderança do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). Para o governo venezuelano, tanto Corina, quanto Leopoldo López estão envolvidos com os atos violentos praticados no país nos últimos meses.

Em sua exposição na Comissão de Relações Exteriores no Senado, Maria Corina recebeu os cumprimentos do senador tucano Aécio Neves, a solidariedade da senadora Ana Amélia (PP-RS), flores do senador Ricardo Ferraço (PMDB) e os protestos da esquerda comandada por militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que a chamaram de golpista. A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) desmascarou o vídeo sobre a crise na Venezuela exposto pela deputada, dizendo que o material é "uma montagem que até uma criança poderia ver". Já o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) apresentou documento no qual comprova que a deputada apoiou a tentativa de golpe contra Hugo Chávez em 2002.

Maria Corina Machado e o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES)

Trajetória

Em 2002, Maria Corina figurou entre os que assinaram o decreto de Pedro Carmona Estanga que aboliu a Constituição aprovada por voto popular em 1999 e todas as instituições do Estado, enquanto Chávez era mantido em prisão militar na ilha La Orchila.

No mesmo ano, Corina, juntamente com Alejandro Plaz fundou o Súmate, “organização não governamental dedicada à promoção e defesa dos direitos políticos dos cidadãos”. Na prática, tanto a ONG como Corina ganharam notoriedade com a realização do referendo revogatório de 2004 que consultou a população a respeito da continuidade do governo do presidente Chávez. O mandatário venceu a consulta com ampla maioria, apesar das manipulações realizadas pela ONG.

A credibilidade do Súmate é contestada por muitos venezuelanos visto que um de seus principais financiadores é a NED (Fundação Nacional para a Democracia, por sua sigla em inglês). Segundo porta-vozes da entidade, até 2004, o aporte da NED ao Súmare foi de meio milhão de dólares. Tal mecanismo autodenominado um “projeto pró-democracia”, foi criado, segundo o New York Times “há 15 anos para levar a cabo publicamente o que a Agência Central de Inteligência (CIA) fez ocultamente durante décadas. Gasta 30 milhões de dólares por ano para apoiar partidos políticos, sindicatos, movimentos dissidentes e meios informativos em dezenas de países”, como esclareceu o professor e jornalista francês Salim Lamrani, na Opera Mundi. (1)

A respeito de sua participação no processo de desestabilização que a Venezuela vem vivendo desde a morte de Chávez em 5 de março de 2013 e que se agravou em fevereiro de 2014, o dirigente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) Jorge Rodríguez divulgou uma conversa entre a deputada e o historiador Germán Carrera Damas sobre as ações da oposição diante dos resultados das eleições de 14 de abril de 2013 na Venezuela, nas quais Maduro venceu o opositor Henrique Capriles por uma pequena diferença de votos. Na ocasião, Capriles tentou não reconhecer a vitória de Maduro, mas diante do isolamento internacional de sua posição, teve que recuar. Posicionamento criticado por Corina. Assista ao vídeo abaixo:

Ela também menciona que o secretário geral da Mesa da Unidade Democrática (MUD), Ramón Guillermo Aveledo, expôs, diante do Departamento de Estado dos Estados Unidos que o objetivo era provocar uma crise no país. O que, após certo empenho, conseguiram diante das “guarimbas”, barricadas violentas que provocaram a morte de mais de 30 pessoas no país.

De acordo com a transcrição do áudio feita pelo jornal Correo del Orinoco, na ocasião, Corina afirma que “Aveledo disse ao Departamento de Estado que a única maneira de sair disto [de um governo chavista], é provocar e acentuar uma crise. Um Golpe de Estado, um autogolpe, ou um processo de pressão e domesticação onde se gere um sistema de controle social total”. E segue em sua explanação: “temos que elevar o custo político destes vagabundos (SIC), começando pelos gringos e seguindo pelos colombianos e os brasileiros”.

Após o escândalo do áudio, ela confirmou suas intenções: “o que se escuta nesta gravação não revela mais do que já temos defendido em público. O áudio revela as bases desta Unidade Democrática”, argumentou Corina, que foi ao Peru e veio ao Brasil defender a democracia e denunciar atitudes “ditatoriais” do governo Maduro, bem como criticar a posição brasileira e da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) na crise.


Vanessa Martina Silva
No Vermelho
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Barrigada do estupro provoca demissão no Ipea


Levantamento causou polêmica ao apontar que 65,1% dos brasileiros apoiam ataque a mulheres que usam roupa curta; em nota, instituto diz que percentual de quem concorda é, na verdade, 26%; presidente Dilma chegou a comentar a mostra: "pesquisa do Ipea mostrou que a sociedade brasileira ainda tem muito o que avançar no combate à violência contra a mulher"; diretor do Ipea pediu exoneração quando o erro foi detectado

Um levantamento que chocou o País ao mostrar que 65,1% dos brasileiros apoiavam que mulheres que usam roupa curta sejam violentadas foi corrigido hoje pelo Ipea. Em nota, o instituto esclareceu que o apoio vem, na verdade, de 26% dos brasileiros, enquanto 70% discordam total ou parcialmente e 3,4% se dizem neutros.

Por causa da pesquisa, a jornalista Nana Queiroz criou a campanha "Eu não mereço ser estuprada", que teve grande repercussão nas redes sociais. Até a presidente Dilma Rousseff comentou o levantamento: "pesquisa do Ipea mostrou que a sociedade brasileira ainda tem muito o que avançar no combate à violência contra a mulher".

Leia abaixo a nota do Ipea:

Errata da pesquisa “Tolerância social à violência contra as mulheres”

Vimos a público pedir desculpas e corrigir dois erros nos resultados de nossa pesquisa Tolerância social à violência contra as mulheres, divulgada em 27/03/2014. O erro relevante foi causado pela troca dos gráficos relativos aos percentuais das respostas às frases Mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar e Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas. Entre os 3.810 entrevistados, os percentuais corretos destas duas questões são os seguintes: 

Mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar (Em %)

Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas
(Em %)


Corrigida a troca, constata-se que a concordância parcial ou total foi bem maior com a primeira frase (65%) e bem menor com a segunda (26%). Com a inversão de resultados entre as duas questões, relatamos equivocadamente, na semana passada, resultados extremos para a concordância com a segunda frase, que, justamente por seu valor inesperado, recebeu maior destaque nos meios de comunicação e motivou amplas manifestações e debates na sociedade ao longo dos últimos dias.

O outro par de questões cujos resultados foram invertidos refere-se a frases de sentido mais próximo, com percentuais de concordância mais semelhantes e que não geraram tanta surpresa, nem tiveram a mesma repercussão. Desfeita a troca, os resultados corretos são os que seguem. Apresentados à frase O que acontece com o casal em casa não interessa aos outros, 13,1% dos entrevistados discordaram totalmente, 5,9% discordaram parcialmente, 1,9% ficou neutro (não concordou nem discordou), 31,5% concordaram parcialmente e 47,2% concordaram totalmente. Diante da sentença Em briga de marido e mulher, não se mete a colher, 11,1% discordaram totalmente, 5,3% discordaram parcialmente, 1,4% ficaram neutros, 23,5% concordaram parcialmente e 58,4% concordaram totalmente.

A correção da inversão dos números entre duas das 41 questões da pesquisa enfatizadas acima reduz a dimensão do problema anteriormente diagnosticado no item que mais despertou a atenção da opinião pública. Contudo, os demais resultados se mantêm, como a concordância de 58,5% dos entrevistados com a ideia de que se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros. As conclusões gerais da pesquisa continuam válidas, ensejando o aprofundamento das reflexões e debates da sociedade sobre seus preconceitos. Pedimos desculpas novamente pelos transtornos causados e registramos nossa solidariedade a todos os que se sensibilizaram contra a violência e o preconceito e em defesa da liberdade e da segurança das mulheres.

Rafael Guerreiro Osorio* e Natália Fontoura
Pesquisadores da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc/Ipea) e autores do estudo
* O diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea pediu sua exoneração assim que o erro foi detectado.

No 247
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Por que a mídia não está procurando Fabio Barbosa para falar da compra da refinaria de Pasadena?

Ninguém quer ouvir o que Barbosa tem a dizer
Queria entender uma coisa. Por que a mídia não entrevista o presidente da Abril, Fabio Barbosa, sobre o caso Petrobras?

Ele ocupava uma posição privilegiada quando a refinaria de Pasadena foi comprada. Era integrante do Conselho de Administração da empresa.

E é um executivo respeitado.

Isso não é suficiente para ouvi-lo?

Seria, se não fosse uma coisa: Barbosa está dizendo uma coisa que a mídia não quer publicar.

Disse Barbosa: “A proposta de compra de Pasadena submetida ao Conselho em fevereiro de 2006, do qual eu fazia parte, estava inteiramente alinhada com o plano estratégico vigente para a empresa, e o valor da operação estava dentro dos parâmetros do mercado, conforme atestou então um grande banco americano, contratado para esse fim. A operação foi aprovada naquela reunião nos termos do relatório executivo apresentado.”

Não repercutiu nada esta declaração na mídia tradicional. Ela apareceu no site da Veja. Provavelmente Barbosa recorreu aos filhos de Roberto Civita para que sua versão sobre a compra fosse publicada antes que a informação de que ele a chancelara ganhasse o noticiário em circunstâncias penosas para ele. Raras vezes, e isto é batata, como dizia Nelson Rodrigues, a Veja terá publicado algo tão contrariada.

Outra ausência notável entre os entrevistados na interminávek cobertura do caso é a de Claudio Haddad, também ex-conselheiro da Petrobras. Aqui é ainda mais revelador, dado que Haddad é um dos economistas mais procurados pela mídia para falar de questões macroeconômicas.

Mas ninguém quer saber de seu testemunho sobre a Petrobras.

Bem, no mesmo texto do site da Veja em que Barbosa fala do negócio, Haddad lembrou que as negociações foram assessoradas pelo Citibank, que deu aval à compra.

“O Citibank apresentou um ‘fairness opinion’ (recomendação de uma instituição financeira) que comparava preços e mostrava que o investimento fazia sentido, além de estar em consonância com os objetivos estratégicos da Petrobras dadas as condições de mercado da época.”

Algum jornalista, a propósito, foi atrás do Citi?

Não. Porque o interesse, no caso, não é levar luz onde há sombra, como manda o bom jornalismo, mas o oposto: levar sombra há luz.

Pobres leitores. Pobre interesse público.

Paulo Nogueira
No DCM
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Criado o “manipulômetro” da Folha de São Paulo

Hoje criamos o “manipulômetro” da Folha de São Paulo, esperamos que vocês gostem da novidade.

Ontem a Folha divulgou no caderno “mercado” uma reportagem nojenta. Infelizmente, essa matéria teve mais de 10 mil compartilhamentos no Facebook. Ela falava sobre um ranking, em que o Brasil aparece em último lugar. O critério desse ranking era a relação entre tributos pagos e o retorno que esses tributos geram na melhoria da vida da população.

Para ser didático, não vamos prolongar o texto explicando muitos conceitos. Vamos direto ao ponto.

A matéria tem um grau de manipulação “alto” porque:

1) O mundo tem 191 países. O Brasil ocupa a posição n° 85º no ranking que mede o desenvolvimento humano dos países (IDH). Isso significa que o Brasil está na frente de 106 nações e atrás de 84.

2) Evidentemente, se qualquer dado do Brasil for comparado ao dos países mais ricos e desenvolvidos do mundo, nós certamente vamos ficar atrás. Da mesma forma, se qualquer dado do Brasil for comparado ao dos países mais pobres e atrasados do mundo, nós provavelmente vamos ficar bem posicionados. Isso é uma questão óbvia!

3) O ranking trazido pela reportagem da Folha é uma fraude, porque lista 29 países sendo que 26 deles estão entre os mais ricos do mundo! Aparecem países como Suíça, Alemanha, Noruega, Suécia, França, Inglaterra, Dinamarca, Áustria e etc. Não há nenhum país africano, ou qualquer país pobre de outras partes do mundo. É uma comparação desleal. Seria a mesma coisa de criar um ranking para avaliar o desenvolvimento dos países, colocando na disputa o Brasil contra nações pobres como Somália, Etiópia e Uganda. É óbvio que Brasil ficaria em primeiro lugar. O Uruguai e a Argentina são os únicos países “não ricos” que aparecem no ranking. Mesmo assim, os dois tem históricamente um Índice de Desenvolvimento Humano maior que o brasileiro (sempre tiveram um analfabetismo menor, maior expectativa de vida e etc).

4) Por fim, o ranking também é ridículo porque faz uma comparação simplista entre a carga tributária (em relação ao PIB) e o IDH. Um país como a Alemanha tem uma carga tributária próxima de 40% do PIB, algo bem semelhante aos 36% que são cobrados no Brasil. No entanto, ocorre que a renda por habitante (renda per capita) na Alemanha é 5 vezes a renda por habitante do Brasil. Ou seja, apesar dos dois países terem uma carga tributária semelhante, na casa dos 40% do PIB, o governo alemão ainda arrecada cinco vezes mais recursos para investir por habitante do que o governo brasileiro. Portanto, a comparação feita pela Folha não passa de um absurdo.

5) Para ser mais sério e preciso, esse ranking deveria ter comparado o Brasil aos países com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) semelhante, como a Turquia, Colômbia, Rússia, China e México.

No DesmascarandoGloboFolha
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As 1001 Sherazades da mídia argentina - o comunicado de Adolfo Pérez Esquivel

A globalização da violência vem globalizando também o absurdo contra-ataque de linchamentos. Vários casos estão ocorrendo aqui na Argentina com enorme repercussao na mídia local.

A Justiça com as próprias maos não é um tema de debate, como muitos tentam instalar, mas apenas outro tipo de crime.

O debate é outro: exclusão, desigualdade, sistema penal corrupto, mídia...

Raquel Sheherazade foi uma voz quase dissonante da mídia brasileira, mas pode-se dizer que sua canalha defesa da barbárie teve uma virtude do ponto de vista da chamada honestidade intelectual. Ela disse o que pensava e ponto.

O problema aqui é que a mídia não se limita a dar voz à honestidade intelectual de suas 1001 Sheherazades. Aproveita os casos isolados de linchamento para incitar mais linchamentos e o que é pior, convalidar essa prática como reação normal de uma sociedade que está cansada da violência e da impunidade.

O programa Duro de Domar realizou uma excelente reportagem sobre o assunto, mostrando a canalhice dos grandes meios de comunicação e seu esforço por instalar (fogonear, como se diz aqui) medo e caos, e o tão perigoso efeito contágio.

O melhor da reportagem são as declarações do Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel e sua entrevista ao jornalista Jorge Lanata do Grupo Clarín. Em um comunicado, além de condenar os linchamentos, Esquivel analisa o papel da mídia argentina:

"Não é certo que nós argentinos somos uma sociedade violenta. É importante que de uma vez por todas existam auditorias sobre os conteúdos dos meios de comunicação para que não se permita promover o pânico social e a vingança. Quando um só delito é repetido durante 24 horas em todos os canais centenas de vezes, significa que cresceu o delito ou vai crescer o medo?"

Leia o comunicado de Adolfo Perez Esquivel aqui.

Deliciosa é a sátira da revista Barcelona acima.

Veja a reportagem sobre a Linchelândia do programa Duro de Domar.


Daniel Oiticica
No Argentina etc
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O caso Bolsonaro: dar as costas ou jogar o cinzeiro?

O jornalista Eustáquio Gomes, que deploravelmente nos deixou há poucas semanas, conta em O Mandarim que alguns dias depois da publicação do AI 5, em dezembro de 1968, José Fonseca Valverde, general da reserva, físico com PhD em Stanford e chefe das Engenharias da Unicamp, compareceu a uma reunião da comissão de ensino carregando um revólver dentro da valise. “Abriu a valise, colocou o revólver na mesa e disse: ‘Agora tem lei neste país. Vou botar todos esses comunistas na cadeia.’”

Só que César Lattes estava lá. O físico, que em 1947, com 23 anos de idade, havia confirmado experimentalmente a existência do meson pi, partícula responsável pela coesão dos componentes do núcleo do átomo — e que tinha um cachorro chamado Costa e Silva — , jogou na direção de Valverde um “pesado cinzeiro de vidro”, que passou raspando pela cabeça do general. “Pois eu mijo nesse revólver.”

Na terça-feira (1º de abril), parlamentares deram as costas a Bolsonaro, um ex-militar sem PhD, bufão reacionário, apologista da repressão, em protesto contra seu discurso pró ditadura. Não o impediram de falar, não colocaram revólver na Mesa Diretora nem jogaram cinzeiro, já que não se pode mais fumar no Plenário. Que falasse, muito embora para mim este falastrão já devesse ter sido cassado por falta de decoro parlamentar há muito tempo.

Ainda que, se fosse eu obrigado a escolher, optasse pela reação de Lattes, o dar as costas a Bolsonaro ilustra bem um ensinamento de Norberto Bobbio: em A Era dos Direitos, o filósofo político italiano afirma que só a “tolerância negativa” (a indiferença) é ilimitada, e “por isso mesmo, termina por desacreditar a própria ideia de tolerância”. Mas a tolerância deve ter limites, e o único critério razoável é o seguinte: “deve ser estendida a todos, salvo àqueles que negam o princípio da tolerância; todos devem ser tolerados, salvo os intolerantes”.

Aliás, nossa Constituição e nosso Código Penal têm normas claríssimas a respeito: “Constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático” (artigo 5º, incisco XLIV). Você dirá: Bolsonaro não é membro de grupo armado. Fato, até onde sei. Mas o código pune claramente a incitação e a apologia de crime (artigos 286 e 287). Não é o que Bolsonaro vive fazendo?

Como era seu hábito, logo em seguida Bobbio problematiza o princípio geral que formula. “Responder ao intolerante com a intolerância pode ser formalmente irreprochável, mas é certamente algo eticamente pobre e talvez também politicamente inoportuno. Não estamos afirmando que o intolerante, acolhido no recinto da liberdade, compreenda necessariamente o valor ético do respeito às ideias alheias [...] Mas é melhor uma liberdade sempre em perigo, mas expansiva, do que uma liberdade protegida, mas incapaz de se desenvolver.”

O que fazer com Bolsonaro, então? Como não seria recomendável acertar-lhe um cinzeiro bem no meio da testa, o mínimo é virar as costas, mas sempre! Aliás, não só para ele, como também para certos jornais, âncoras de TV e institutos de pesquisa cuja sem-vergonhice na mal-disfarçada apologia de tudo que não presta chegou aos limites do criminoso.

Ricardo Muniz
No DCM
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O silêncio da censura


O golpe de 1964 abriu caminho para um tempo de tortura, assassinatos, cassações arbitrárias de mandato e cerceamento da democracia. A ditadura foi impondo o silêncio até que, com o AI-5, de 13 de dezembro de 1968, calou jornalistas e tentou ficar sozinha como dona da voz. O regime militar marcou a liberdade com uma tarja preta. Aqueles que tentaram gritar foram presos, espancados, internados em hospícios, mortos e enterrados em valas comuns.

O Brasil viveu de luto durante mais de duas décadas. Por toda parte, como diz a música, choravam Marias e Clarices. Ficou um rastro de sangue e cadáveres.

Ainda esperamos que as forças armadas peçam desculpas pelos crimes que cometeram. Também esperamos que a imprensa se desculpe pelo apoio que deu ao golpe e também, em grande parte, à ditadura. Grandes jornais se opuseram à censura, mas não deixaram de louvar os feitos do regime. Vivemos um tempo de palavra cassada, colocando termos nas entrelinhas dos textos para enganar os censores instalados nas redações, broncos que confundiam Groucho Marx com Karl Marx e desconfiavam do comunismo de livros como O Vermelho e o Negro, de um certo Stendhal.

Triste é ver que alguns ainda apoiam a barbárie de 1964 cujos torturadores e ditadores nunca foram punidos. Os cínicos falam em punição aos dois lados. Não fosse um discurso estratégico, seria apenas burrice e má-fé. Um lado foi preso, torturado, morto, exilado, cassado, julgado pelo Superior Tribunal Militar, condenado e punido. O outro, o dos torturadores, nunca foi incomodado. A censura mandou apagar a corrupção dos jornais durante a ditadura, criando a falsa ideia de uma época de moralidade absoluta. Os incultos acreditam.

Foi preciso engolir palavras, falar baixinho, inventar metáforas, driblar os energúmenos, debochar dos censores e das suas “vacas fardadas”, como se definiu o deflagrador do golpe, o general Mourão. Como silenciar?

– “Você não gosta de mim, mas a sua filha gosta”.

Como censurar este saldo mortal contabilizado por jornalistas como Luiz Cláudio Cunha: 500 mil investigados pelos órgãos de segurança; 200 mil detidos por subversão; 50 mil presos nos primeiros meses da ditadura, 11 mil acusados, cinco mil condenados, dez mil torturados, dez mil exilados; 4.862 mandatos cassados, 1.148 funcionários aposentados ou demitidos, 707 processos políticos na Justiça Militar; 49 juízes mandados embora; três ministros do Supremo Tribunal Federal demitidos; o Congresso Nacional lacrado três vezes; sete assembleias estaduais postas em recesso, 400 mortos pela repressão; 144 deles desaparecidos até hoje”. Horror de Estado.

O tempo do silêncio passou. A guerra é agora. Guerra contra a impunidade. Pelo fim da Lei da Anistia para que torturadores e censores possam ser punidos. O último vestígio da censura, que amordaçou jornalistas, resistentes e artistas, é a Lei da Anistia. Ela impede que sejam discutidos e julgados nos tribunais os crimes cometidos pelos militares. É preciso escancarar a caixa preta da repressão para acabar com a impunidade.

Juremir Machado
No Correio do Povo
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Deputado Padre João denuncia o exército de fakes de Aécio na rede

Os cavaleiros do apocalipse
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Conheça os residenciais Lealdade e Amizade do Minha Casa Minha Vida




A presidenta Dilma Rousseff entrega nesta sexta-feira (4), em São José do Rio Preto (SP), 2.508 unidades do Minha Casa Minha Vida nos empreendimentos Parque Residencial da Lealdade I, II, III e IV e Parque Residencial da Amizade I e II. Com investimento de R$ 172,8 milhões, todas as unidades têm dois quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviço externa, com piso cerâmico em todos os ambientes.

Os moradores também terão quadras de esportes, áreas de lazer, posto de saúde, creche, escolas de educação infantil e fundamental, sistema viário de acesso com drenagem de águas pluviais e rede de iluminação pública.
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Estudo mostra que cocaína comercializada em Minas é a mais "batizada" do Brasil


Exames mostra que pó apreendido em Minas tem giz, bicarbonato e talco, causando mais danos à saúde

A cocaína mineira é mais “batizada”, como se diz na gíria do tráfico de drogas, em relação à média nacional. Pesquisa do laboratório do Departamento de Química da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com o Instituto de Criminalística (IC) de Minas Gerais, demonstrou que mais de 70% das amostras da droga apreendidas pela polícia e encaminhadas à análise do instituto levam menos de 20% de cocaína pura em sua composição. O resultado é inferior ao patamar de 15% a 36% da concentração de cloridrato de cocaína registrado no Brasil pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc).

Pó de giz, talco, bicarbonato e até pó de mármore são alguns dos diluentes usados pelos traficantes para fazer ‘render’ a droga em Minas. Segundo o estudo, como forma de ludibriar os usuários de cocaína, são ainda acrescentados à mistura adulterantes como a cafeína, encontrada em 76% das amostras analisadas. A cafeína garante aos usuários a desejada sensação de ‘estar ligado’. Da mesma maneira, 66,7% das amostras contêm o anestésico lidocaína, que tem o efeito de anestesiar as mãos.

As análises foram feitas em um estudo comparativo, observando os componentes de amostras recolhidas em Minas Gerais e no Amazonas. A primeira conclusão é a de que a cocaína no estado do Norte do Brasil apresenta pureza superior à apreendida em Minas. Em Minas, a quantidade de cocaína presente na maior parte das amostras não ultrapassa 50%, enquanto nas amostras amazônicas a concentração atinge até 70%. “O Amazonas faz divisa com países que são produtores primários, ou seja, plantam a folha de coca, extraem, purificam e revendem a droga. No processo de transporte, cada laboratório ou traficante vai aumentando o volume da droga, o que reduz a concentração de cocaína e aumenta o lucro”, explica a professora de química da UFMG Clésia Nascentes .

Para o psiquiatra e homeopata Aloísio Andrade, presidente do Conselho Estadual Antidrogas, a ínfima concentração de cocaína encontrada nas amostras mineiras pela UFMG é surpreendente. Segundo ele, o que se espera é que a mistura atinja de 25% a 60%. “Socialmente falando, é bom que a cocaína não seja pura, porque o pó aumenta muito a agressividade dos usuários. Agora, quando se fala do usuário, as misturas trazem prejuízo individual, ocasionando malefícios definitivos à saúde”, afirma. Ele alerta que o acréscimo do pó de mármore à mistura é criminoso, podendo provocar graves lesões pulmonares, como a silicose.

Testes

Em algumas da amostras analisadas em Minas, a concentração de cloridrato de cocaína é tão insignificante que impede a identificação da substância por meio do teste de colorimetria, que costuma ser feito diretamente nas delegacias, pelos técnicos das divisões de tóxicos e entorpecentes. “Geralmente o resultado dá negativo, e o traficante é solto por falta de provas. Em seguida, por lei, as amostras são encaminhadas ao instituto, que repete o teste com técnicas mais apuradas. Em 100% dos casos, reverte-se o resultado. No entanto, já se perdeu o flagrante, e a polícia terá de fazer novas investigações para chegar ao traficante”, alerta o perito criminal Rogério Lordeiro, do IC.
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STF acaba com a farra de Aécio

STF manda demitir 71 mil servidores não concursados em Minas

Ministros consideram inconstitucional lei estadual de 2007 que efetivou 98 mil servidores sem concurso público. Decisão, no entanto, preserva os funcionários que já se aposentaram

Sete anos depois da efetivação, sem concurso público, de cerca de 98 mil contratados do estado de Minas Gerais, a grande maioria deles lotados na Educação, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucional a legislação por unanimidade. Os ministros preservaram apenas os já aposentados ou que preencham os requisitos para adquirir o benefício até a data da publicação do julgamento — de acordo com a Secretaria de Educação, são pelo menos 16 mil pessoas. Desse grupo, também não ficarão sem emprego os 11,2 mil aprovados no concurso feito pelo estado em 2012. Os 71 mil restantes, pouco menos de um quinto dos 367 mil servidores na ativa no estado, deverão ser demitidos.

O governo de Minas, autor da lei, e a Assembleia Legislativa, que a aprovou, tentaram, sem sucesso, pedir que o Supremo desconhecesse a ação por erro formal, mesmo argumento que constava do parecer da Advocacia Geral da União (AGU). A segunda estratégia foi tentar juntar a ação contra os designados a duas outras que tratam da função pública, paradas há anos no STF. O relatório do ministro Dias Toffoli, porém, acompanhado pelos demais ministros, descartou os pedidos preliminares e opinou pela inconstitucionalidade da regra, alegando que a única forma de ingresso no serviço público é por concurso. Toffoli manteve apenas um grupo de efetivados na Assembleia Legislativa.

A polêmica ficou por conta da modulação dos efeitos. Toffoli reconheceu que muitos dos servidores beneficiados pela lei mineira já haviam se aposentado e propôs que estes fossem mantidos na Previdência estadual. O ministro Teori Zawascki foi além: pediu que se levasse em conta também aqueles que já tenham tempo para se aposentar mas optaram por continuar na ativa. Opinião que foi aceita pelo relator e pelos demais ministros, desde que o requerimento de aposentadoria seja apresentado por esses funcionários imediatamente.

Segundo o ministro Ricardo Lewandoviski, há os aposentados de “boa-fé”, que prestaram o serviço como se efetivos fossem. “Esses, a meu ver, merecem a proteção do STF. Se não, vamos criar um pandemônio em situações consolidadas”, afirmou Lewandoviski. O ministro Luiz Fux alertou que tirar o direito dos aposentados iria gerar uma “instabilidade social”.

O voto discordante ficou por conta do ministro Marco Aurélio Mello. Ele defendeu a inconstitucionalidade total da regra, ressalvando apenas os estabilizados por já terem pelo menos cinco anos de serviços prestados ao estado em 1988 — ano em que a Constituição Federal foi promulgada. Ainda na modulação aprovada, ficou decidido que, no caso dos cargos para os quais haja aprovados em concurso público, os funcionários deverão sair de imediato das vagas. Os demais terão um ano de sobrevida. A decisão também não atinge os estabilizados por terem no mínimo cinco anos de serviços prestados ao estado quando foi promulgada a Constituição de 1988.

Críticas

Durante a sessão, apesar das modulações, foram feitas várias críticas à legislação, classificada pelos ministros como uma forma de beneficiar funcionários que não prestaram concurso para chegar aos cargos. “Precisamos de um banho de ética, de homens públicos que observem a lei”, afirmou Marco Aurélio Mello. “Fico perplexo quando me deparo com uma situação dessas”, completou. Cármen Lúcia reclamou ainda da própria redação das leis, feita de forma que não pode ser compreendida pelo cidadão comum e que gera várias interpretações, uma das causas de várias ações judiciais.

De acordo com a Secretaria de Educação, na folha de janeiro constavam, entre os efetivados, 8.661 aposentados e 7.066 em afastamento preliminar. Em entrevista recente ao Estado de Minas, a secretária Ana Lúcia Gazzola disse que era interesse do estado prorrogar o concurso. Em nota, o governo mineiro informou ontem que os concursados, ainda não nomeados, serão convocados para assumir os respectivos cargos vagos. Em relação às demais vagas, “enquanto houver necessidade”, os servidores poderão ser designados na condição de contribuintes do regime geral da Previdência (INSS).

 (Arte/Soraia Piva)
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A estranha unanimidade

A leitura diária dos jornais pode produzir um efeito anestesiante sobre a percepção do valor simbólico dos fatos narrados. Na chamada imprensa genérica, detalhes sobre a profissão, idade, gênero ou status social de uma vítima de homicídio, por exemplo, podem alterar os sentimentos produzidos pela notícia: se o morto é um ajudante de pedreiro, ou se é um empresário, se é homem ou mulher, se é branco ou não, se é um jovem de classe média ou morador de favela, são inúmeros os signos que podem definir o efeito sobre o público típico dos jornais, e, portanto, o interesse da imprensa em explorar o acontecido.

Essas são características inerentes a qualquer fato que venha a público através da mídia tradicional. Assim, pode-se imaginar a seguinte situação na rotina dos diários: um menino sai da favela empinando sua pipa e morre atropelado na rodovia; no mesmo dia, o cachorro de uma celebridade escapa da guia e é morto ao atravessar a Avenida Paulista.

Qual dos dois fatos tem mais possibilidade de sair no jornal?

O primeiro acontecimento só vai virar notícia se os moradores da favela decidirem bloquear a rodovia em protesto contra a falta de segurança, vertendo o evento fúnebre em fato social e econômico. Essa característica se repete na política e no noticiário econômico, mas a decisão editorial, nestes casos, não se prende ao interesse de satisfazer a curiosidade ou as preferências dos leitores, mas de influenciar seus valores.

No eixo principal do jornalismo praticado pelos veículos de maior prestígio, o processo decisório se inverte, e a imprensa procura impor ao leitor uma visão pré-elaborada. Na política e na economia, os fatos têm que se adequar à opinião.

Observe-se, sob esse critério, a convergência entre o noticiário político e o econômico nas edições dos três principais diários de circulação nacional de quinta-feira (3/4). Além dos fatos do dia, como a proposta de mais uma CPI no Congresso e a crônica das costumeiras rebeliões nas bases parlamentares em época eleitoral, os jornais jogam com a expectativa de uma pesquisa de intenção de voto que está sendo elaborada pelo Datafolha, e certos fatos econômicos são imediatamente atrelados aos resultados que nem foram anunciados.

Os humores do mercado

Parece claro, para quem ler os jornais do dia, que os editores já estão informados de que a pesquisa irá apontar no dia seguinte uma queda na vantagem que a atual presidente da República, Dilma Rousseff, mantém sobre seus potenciais adversários desde as primeiras consultas.

Numa conexão interessante, a imprensa noticia uma melhora no desempenho da Bolsa de Valores, afirmando que, sondando o mercado, foi detectado um aumento do otimismo por conta de boatos sobre a possibilidade de a atual presidente ter perdido pontos com os eleitores. O fato concreto é que a Bolsa foi impulsionada por um forte ingresso de recursos estrangeiros, subindo 2,85%, com o volume de negócios recuperando as perdas do início do ano.

Há muitos elementos nos próprios jornais a indicar outras razões para otimismo, entre as quais se pode apontar o aumento do investimento estrangeiro direto — dinheiro que compra participação em empresas nacionais ou em infraestrutura — que favorece o movimento de negócios com ações e títulos.

Também se pode afirmar que a Bolsa é influenciada por muitos fatos positivos noticiados pela imprensa no mesmo dia. Por exemplo, o número de famílias paulistanas endividadas é o menor dos últimos quinze meses. Outro exemplo: a produção da indústria cresceu, em fevereiro, pelo segundo mês consecutivo, apontando para um aumento do Produto Interno Bruto no primeiro trimestre. Um terceiro exemplo: dados do Dieese publicados na mesma quinta-feira (3/4) informam que a recuperação do poder de compra dos salários segue em plena força: em 2013, nada menos do que 87% dos reajustes salariais superaram a inflação.

Há outros elementos positivos, como o recuo no preço dos imóveis, abaixo do índice inflacionário do setor. Além disso, embora o IPC aponte um aumento da inflação acumulada para o ano, a expectativa ficou abaixo das previsões da imprensa, mesmo considerando o aumento do preço dos combustíveis e os efeitos da estiagem ou das chuvas excessivas sobre os alimentos.

Mas a imprensa credita o otimismo da Bolsa de Valores unicamente à suposição de que o “humor” do mercado melhorou com boatos em torno da pesquisa Datafolha sobre intenção de voto.

Não seria o caso de investigar esse possível vazamento de informações?

Luciano Martins Costa
No OI
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A CPI da Petrobras é o novo Mensalão


Já está claro: a CPI da Petrobras é o novo Mensalão.

Joaquim Barbosa e companheiros estão de fora desta vez, mas o propósito é exatamente o mesmo: tirar o PT do poder.

Como no Mensalão, a mídia dá um espaço desmedido ao assunto, e mostra vontade zero em esclarecer as coisas.

Ao contrário, o esforço é claramente manipular dados que se ajustem a um quadro em que Dilma e a Petrobras apareçam em situação francamente desfavorável.

Num vídeo, Jabor parecia apoplético. Vomitava números e pedia prisão. Um deputado tucano anda falando em impeachment de Dilma.

Quanto mais as coisas mudam, menos mudam, como se observa ao comparar o Mensalão com a CPI. É o mesmo desespero inescrupuloso da oposição: na falta de votos e de ideias capazes de entusiasmar os eleitores, cede à tentação de um escândalo salvador.

É o caminho mais fácil, mas o menos eficiente, como o Mensalão mostrou.

A voz rouca das ruas, no Mensalão, não acompanhou os magníficos votos dos senhores ministros do STF.

Na verdade, os brasileiros mais simples ficaram com a sensação de que, por trás dos discursos empolados dos juízes, havia uma tentativa de lhes bater a carteira.

Imaginar que com a Petrobras o desfecho possa ser diferente é o triunfo da esperança.

Dilma é uma mulher de sorte. Ela poderia ser atacada pela oposição com base na desconcertante desigualdade que ainda reina no Brasil. Poderiam brandir contra ela a paralisia em relação à regulação da mídia ou a uma reforma tributária que corrija o peso avassalador que pesa sobre os mais pobres pelo foco nos impostos indiretos.

Mas não.

Preferem o circo, a pantomima, o engodo.

Não enganam o povo. Enganam a si mesmos. O povo mudou. Eles continuam iguais. Sorte de Dilma.

Paulo Nogueira
No DCM
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