1 de abr de 2014

Jair Bolsonaro não discursa e xinga repórter da RedeTV!



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Erupción solar de 35 veces el tamaño de la Tierra causa apagones de radio


Los científicos consiguieron grabar el 29 de marzo una gran llamarada solar, que causó un apagón de radio durante varios minutos en la Tierra. Los expertos dicen que no fue todo y recomiendan prepararse para la gran tormenta solar del 2 de abril.

Esta llamarada de clase X1 surgió de la mancha solar AR2017, que ahora está en decadencia, pero todavía puede producir más erupciones solares en los próximos días. Los astrónomos del Observatorio de Dinámica Solar de la NASA han conseguido grabar la enorme llamarada solar, de 35 veces el tamaño de la Tierra, informa 'The Daily Mail'.


Es muy importante, porque se trata de la primera llamarada primaveral de este tamaño. Las últimas de la clase X fueron registradas a principios de enero y en febrero.

De acuerdo con la Administración Nacional Oceánica y Atmosférica, la llamarada del pasado fin de semana y varias erupciones recientes de plasma solar (eyecciones de masa coronal) podrían desencadenar una tormenta geomagnética el 2 de abril. Los efectos de estas erupciones en general solo se sienten un par de días después de la llamarada, cuando el plasma llega a la Tierra e interrumpe su campo magnético.

Por ahora, la llamarada ya enmudeció durante varios minutos a los receptores de radio de onda corta el sábado pasado. Además, las potentes llamaradas solares pueden constituir una amenaza para los astronautas, satélites y otras naves espaciales en órbita.

No RT
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'Forças Armadas devem pedido formal de desculpas ao País', diz Franklin Martins


Ex-ministro de Lula, protagonista do sequestro do embaixador Elbrick, diz que erro de avaliação levou Jango a não resistir ao golpe, na esperança de que se tratava de um movimento efêmero

Protagonista de um dos episódios mais marcantes da resistência à ditadura — o sequestro do embaixador norte-americano, Charles Burke Elbrick —, o jornalista Franklin Martins tinha apenas 15 anos quando se engajou na luta contra o regime militar. Ex-ministro da Secretaria de Comunicação do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele foi obrigado na época a se exilar em Cuba, Chile e França. Passou períodos na clandestinidade e articulou movimentos de esquerda contrários ao regime ditatorial instalado pelos militares com apoio da direita conservadora.

Passados 50 anos do golpe que na noite do dia 31 de março de 1964 mudaria os rumos políticos do Brasil, Franklin cobra um gesto contundente do Exército: “As Forças Armadas devem um pedido formal de desculpas ao país.”

O ex-ministro defende uma mudança profunda na formação dos militares brasileiros para que eles passem a enxergar que o que ocorreu no Brasil foi um golpe e não uma revolução. Desta forma, defende o jornalista, as Forças Armadas se tornariam mais integradas à sociedade, atuando permanentemente subordinadas ao poder civil. “As Forças Armadas não podem continuar nas academias com currículos que tratam o golpe de 64 como uma revolução libertadora”, critica ele. “Instituições de Estado não podem ir contra a democracia”, disse em entrevista ao iG.

Franklin ponderou ainda que as Forças Armadas “foram manipuladas por comandos que as colocaram contra o País”. “Para colocá-las contra o País tiveram de fazer um expurgo nas Forças Armadas de dimensões gigantescas. Não houve só golpistas nas Forças Armadas. Tinha gente que era contra o golpe”, afirma.

Erro de avaliação

Franklin lembrou o contexto de “efervescência” na política, na cultura e na economia brasileira no início da década de 1960 no Brasil e, apesar disso, a falta de um movimento de resistência ao golpe. Segundo ele, a maioria do País apoiava o cronograma de reformas apresentado e defendido pelo então presidente João Goulart e esse segmento acabou, entretanto, carente de apoio quando buscou um baluarte de resistência. “Quem tentou resistir procurou as lideranças políticas e as lideranças políticas não sabiam o que fazer”, contextualiza o ex-ministro.

Para Franklin, um “erro de avaliação” levou o ex-presidente João Goulart a não resistir ao golpe. “Ele não tinha um esquema militar preparado, o que demonstra a falácia das teses de que ele estaria preparando um golpe de Estado. Não tinha golpe de Estado coisa nenhuma”, diz ele. “Acho que havia da parte do Jango um certo erro de avaliação semelhante ao que havia por parte de vários dirigentes políticos do País, inclusive dirigentes da direita que apoiaram o golpe, que é o seguinte: o golpe vem, ele durará seis meses, um ano, depois se convoca eleição e aí se retoma a normalidade democrática”.

Para Franklin, o golpe foi a realização de uma empreitada que visava impedir que demandas populares entrassem na pauta política do País. “O golpe, no fundamental, é uma tentativa de evitar que os trabalhadores, as forças populares, os camponeses, a intelectualidade, tudo isso, pudessem formar uma nova agenda do País, com modernização do País baseada na justiça social”, resume ele.

O ex-ministro falou brevemente sobre as reedições das passeatas que em 1964 canalizaram apoio ao golpe, como a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, ressuscitada recentemente e que aconteceu em São Paulo no sábado (22/3). “Acho isso uma bobagem sem tamanho”, dispara. “Tem um pessoalzinho no Brasil que vive dentro de um cápsula, uma bolha. Nem as Forças Armadas irão para uma coisa dessas”, emendou, ao defender que o Brasil não abandonará a democracia. “Quem pensar em algo diferente será isolado e não terá influência na vida política do país”.

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Forças Armadas devem desculpas à nação


Neste 1º de abril, 50 anos depois do golpe de 1964, só há uma verdade a dizer: as Forças Armadas devem desculpas ao Brasil. A coragem, a honradez e a transparência exigem um pedido de desculpas à nação brasileira.

Em 1964, o Brasil não estava à beira do comunismo.

Não havia guerrilha de esquerda atuando no país.

As reformas de base propostas por Jango dinamizariam o capitalismo fortalecendo o mercado interno.

As Forças Armadas traíram a nação em nome dos interesses dos Estados Unidos.

O regime reprimiu e torturou desde o primeiro dia.

A luta armada de esquerda só se tornou possível como reação ao arbítrio implantando pelos militares.

É uma questão cronológica.

Os resistentes à ditadura foram presos, cassados, exilados, mortos ou julgados pelo Superior Tribunal Militar.

E muito torturados. Fanaticamente torturados. Perversamente torturados por psicopatas.

Desde 1964.

Os torturadores, como Ustra, Ibiapina e Paulo Malhães, nunca foram punidos.

Conheci ontem, em Três Passos, um senhor, Alberi, que foi torturado por Malhães.

Conheci também a filha de um torturado por Malhães.

Esse animal nunca será punido?

Carlos Lamarca e Carlos Marighella foram executados.

Os torturadores, que cometeram crimes contra a humanidade a serviço dos ditadores que se apossaram do Estado, não foram julgados. A Lei da Anistia serve-lhes de cobertura. Essa é a raiz da impunidade no Brasil.

As Forças Armadas precisam pedir desculpas pelo erro de avaliação em 1964 e pelas torturas, mortes e desaparecimentos ao longo do regime militar. Devem desculpas pelos anos sem eleições diretas, pelas cassações arbitrárias, pela censura, pelas demissões injustificadas e pelos fechamentos do Congresso Nacional.

Jornais como O Estado de S. Paulo e a Folha de S. Paulo devem desculpas ao país pela desinformação, pela covardia, pelo conservadorismo, pelo apoio descarado à ditadura e pela desfaçatez em continuar justificando o golpe.

Devem desculpas ao Brasil todos aqueles que desavergonhadamente continuam invertendo a cronologia dos fatos e comemorando o período mais triste e obscurantista da nossa história recente. Uma vergonha. Um horror.

Avante, Forças Armadas, é hora de pedir desculpa.

Juremir Machado
No Correio do Povo
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Do arquivo secreto do Dops: no rádio, Brizola alertou sobre golpe em 1964




Muitas semanas antes da deposição de seu correligionário e cunhado João Goulart, o deputado federal Leonel Brizola alertou para a possibilidade de um golpe de Estado no Brasil.

É o que mostra gravação feita pela polícia política carioca, que monitorava os pronunciamentos que o ex-governador do Rio Grande do Sul fazia todas as noites por meio de modesta cadeia radiofônica encabeçada pela Rádio Mayrink Veiga.

O áudio foi guardado no arquivo secreto do antigo Departamento de Ordem Política e Social da Guanabara, o Estado que então equivalia ao atual município do Rio. Hoje integra o acervo do Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro.

Tem meia hora de duração e não registra nem o início nem o encerramento de um discurso de Brizola ocorrido provavelmente em fevereiro de 1964.

O deputado do Partido Trabalhista Brasileiro falava a uma plateia em local não informado, e as emissoras transmitiam ao vivo. Ele tinha 42 anos.

Aos 39, havia sido o principal líder da resistência contra a tentativa de golpe de agosto-setembro de 1961. O presidente Jânio Quadros renunciara, e golpistas capitaneados pelos comandantes das três Forças Armadas tentaram impedir a posse do vice, Jango. Governador do Rio Grande do Sul, Brizola foi decisivo para que Goulart assumisse, ainda que com menos poderes que o antecessor.

A semanas da derrubada de Jango, em 1964, Brizola clamava pela formação de comandos nacionalistas ou grupos de 11 pessoas. O nome não havia sido decidido. As organizações ficariam conhecidas como “grupos dos 11″, o mesmo número de jogadores dos times de futebol. Deveriam se dedicar, entre outros objetivos, a impedir o golpe.

Brizola advertiu para a possibilidade de “golpe'' e de “ditadura'': “Caminhamos para um desfecho desta crise''.

Prometeu: “Vai ter luta''.

Não teve, pois Jango, temendo derramamento de sangue, preferiu não resistir em 1º de abril.

Devido ao parentesco, Brizola não poderia concorrer a presidente em 1965. Seus partidários protestavam: “Cunhado não é parente, Brizola pra presidente!''.

Jango também não poderia participar do pleito, pois a reeleição era vetada.

A ditadura cancelou a eleição, e somente em 1989 os brasileiros votaram de novo para presidente.

Um aspecto curioso da manifestação de Brizola são as referências às mazelas nacionais. Mais à esquerda do que o cunhado, ele pregava que o governo realizasse de fato as reformas estruturais prometidas. Em março, Jango começaria a implementá-las com mais decisão.

No Blog do Mário Magalhães

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PS. Os grupos de Onze nada tinham de clandestinos ou ilegais. Havia até um documento para ser firmado e dirigido ao registro civil. Depois do golpe – contou-me Cibilis Vianna, colaborador de Brizola – uma das maiores dificuldades foi “sumir”, num sítio do interior do Rio de Jameiro, com as montanhas de listas enviadas com os nomes dos integrantes dos grupos. 
Fernando Brito, no Tijolaço

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PROPOSTA DE ORGANIZAÇÃO DE LEONEL BRIZOLA DOS “GRUPOS DE 11 COMPANHEIROS” OU “COMANDOS NACIONALISTAS”

“Grupos de 11 companheiros”: foi dentro deste pensamento que se tomou a iniciativa, através da rádio Mayrink Veiga e das demais emissoras da rede, de esclarecimento da organização dos “Grupos de 11 Companheiros”. Que é reunir, em uma organização simples, ao alcance de todos, mesmo nas áreas ou localidades mais isoladas ou distantes. Através da organização de pequenas unidades teremos como articular e reunir imensos contingentes do povo brasileiro às organizações existentes, ou seja a FMP (Frente de Mobilização Popular), CGT (Comando Geral dos Trabalhadores), sindicatos, UNE (União Nacional do Estudantes) e suas organizações, FPN (Frente Parlamentar Nacionalista), Organização dos Sem-terras e Ligas Camponesas, entre os partidos políticos, o PTB e o PSB e outras organizações populares, locais ou regionais, dentro do objetivo de consolidar e cimentar a unidade das forças populares e progressistas de nacionalistas, civis e militares, de todos os getulistas e trabalhistas que se consideram convocados pela carta de Vargas.

A idéia da organização dos “Grupos de 11 Companheiros” inspira-se justamente em uma realidade existente em nosso país e, nestas condições, me empenho em colocar o problema da organização popular ao alcance e compreensão das possibilidades de nossa gente. Essa realidade é o conhecimento e a experiência adquiridos pelo nosso povo em matéria de organização de equipes humanas para a prática do esporte popular, o futebol. Hoje difundido e praticado, sem exceção, em todas as partes do território nacional. Todos sabem que um time de futebol é composto de 11 integrantes, cada um com suas funções específicas e, dentre eles, um é escolhido para capitão ou comandante da equipe. A força e a expressão da equipe vale muito mais por sua coesão, pelo trabalho de conjunto perfeitamente distribuído de seus integrantes e, muito menos, quase nada, pela ação isolada de cada um. E, assim, até agora, quase todos nós falamos, pensamos ou agimos individualmente, no máximo atuamos em reuniões e movimento individuais, sem estrutura e distribuição de tarefas, sem unidade, sem firmeza de objetivos e sem responsabilidades permanentes, e assim mesmo em círculos distribuídos em todo o território nacional, sem a indispensável ligação entre si. Agora, passamos a viver uma fase que se compara aos momentos em que uma equipe esportiva tem de entrar em campo para enfrentar o adversário, organizada.

Daqui por diante, indispensavelmente, precisamos agir, pensar e atuar organizados em equipes, cada um com suas tarefas e atribuições. Um grupo de 11 companheiros pode parecer pequeno, dado o número de milhões e milhões de patriotas existentes em nosso país. Nos dispomos a cumprir as tarefas que a Pátria está exigindo de nós. Pode parecer pequeno, no entanto pequeno é um simples tijolo e é exatamente com pequenos tijolos reunidos, somados, interligados, cada um com sua função e adequadamente dispostos, que se fazem as construções e se completam os grandes edifícios de concreto armado. Assim, qualquer brasileiro que tenha a sua consciência de patriota, queimando de inconformidade com os sofrimento e injustiças que aí estão esmagando o nosso povo, aonde quer que se encontre, pode e deve tomar iniciativas junto aos seus companheiros e amigos de sua vizinhança, da fábrica, de seu escritório, da sua classe, do rincão aonde vive, pelas lavouras e pelos campos para a organização de um grupo de 11, reunir e fundar a organização.
Os objetivos desses grupos são organizar-se em defesa das conquistas democráticas de nosso povo e fazer resistência a qualquer tentativa de golpe, venha de onde vier. Pela instituição de uma democracia autêntica e nacionalista, pela imediata concretização das reformas, em especial das reformas agrária e urbana, e sagrada determinação de luta pela libertação de nossa Pátria da espoliação internacional.

Os companheiros devem mandar as suas sugestões sobre a denominação definitiva destas unidades de base, desta organização popular brasileira. O maior número de sugestões até agora recebidas indica a denominação “Comandos Nacionalistas”. Aguardamos as sugestões dos companheiros.

Os coordenadores nacionais da organização tratam de seu registro como entidade civil. Novas instruções serão remetidas oportunamente aos companheiros.

Assinado: Deputado Leonel Brizola
Rio de Janeiro, 29 de novembro de 1963.
Endereço: Deputado Leonel Brizola, aos cuidados da Rádio Mayrink Veiga.
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O exótico professor da USP que tomou um esculacho por elogiar o Golpe

Maravilhoso o esculacho dirigido por alunos ao professor Carlos Gualazi, da Faculdade de Direito da USP. (aqui, o vídeo.)

É o melhor fecho para as lembranças e os debates em torno dos 50 anos do Golpe de 64. Felizmente, a cena foi gravada num vídeo que se tornou viral na internet.

Gualazi pediu para ser esculachado ao fazer, ou tentar fazer, o elogio da “Revolução”. Estava vestido a rigor para a ocasião, com uma vistosa gravata borboleta.

Ele já tinha avisado os alunos. E estes se prepararam adequadamente. Ele começa a ser apupado pelos presentes à sala de aula. Logo em seguida, estudantes invadem a sala, alguns encapuzados, e todos cantando um clássico da resistência. “Podem me prender, podem me bater, que eu não mudo de opinião.”

A reação de Gualazi foi cômica. Ele ainda buscou, num triunfo da esperança, colocar ordem na classe. Tirou o capuz de uma aluna, ficou num empurra-empurra com um aluno e opôs sua voz francamente minoritária à da turma em ampla maioria.

Gualazi, 67 anos, é uma figura singular. Ele tem um verbete na Wikipedia escrito evidentemente por ele mesmo. Nele está registrada, com visível orgulho, sua segunda carreira: a de músico profissional. Você vê ali até a foto de um cd do professor.

Mas um aviso na Wikipedia alerta o leitor de que, por “consenso”, foi pedida a “eliminação” do verbete.

Não sei exatamente o que é este consenso, mas coisa boa para Gualazi não é.

O esculacho deu duvidosa notoriedade a ele. A fama poderia vir antes, se alguém prestasse atenção a um livro de história que ele escreveu em parceria com Jânio Quadros.

Nele, Jânio explica com clareza torrencial o que o levou à renúncia de 1961. Ainda hoje, historiadores e jornalistas tentam decifrar um gesto que, num livro coescrito por Gualazi, é objeto de justificativa minuciosa.

A história, nas palavras do próprio Jânio:
“Quando assumi a Presidência, eu não sabia da verdadeira situação político-econômica do país. A minha renúncia era para ter sido uma articulação: nunca imaginei que ela seria de fato aceita e executada. Renunciei à minha candidatura à Presidência, em 1960. A renúncia não foi aceita. Voltei com mais fôlego e força. Meu ato de 25 de agosto de 1961 foi uma estratégia política que não deu certo, uma tentativa de governabilidade.

Também foi o maior fracasso político da História republicana do país, o maior erro que cometi (…). Tudo foi muito bem planejado e organizado. Eu mandei João Goulart (vice-presidente) em missão oficial à China, no lugar mais longe possível. Assim, ele não estaria no Brasil para assumir ou fazer articulações políticas.

Escrevi a carta da renúncia no dia 19 de agosto e entreguei ao ministro da Justiça, Oscar Pedroso Horta, no dia 22. Eu acreditava que não haveria ninguém para assumir a Presidência. Pensei que os militares, os governadores e, principalmente, o povo nunca aceitariam a minha renúncia e exigiriam que eu ficasse no poder. Jango era, na época, semelhante a Lula: completamente inaceitável para a elite. Achei que era impossível que ele assumisse, porque todos iriam implorar para que eu ficasse (…). Renunciei no Dia do Soldado, porque quis sensibilizar os militares e conseguir o apoio deles.

Era para ter criado um certo clima político. Imaginei que, em primeiro lugar, o povo iria às ruas, seguido pelos militares. Os dois me chamariam de volta. Fiquei com a faixa presidencial até o dia 26. Achei que voltaria de Santos para Brasília na glória. Ao renunciar, pedi um voto de confiança à minha permanência no poder. Isso é feito freqüentemente pelos primeiros-ministros na Inglaterra. Fui reprovado. O país pagou um preço muito alto. Deu tudo errado”.
Era para ser um furo histórico e nacional, mas ninguém leu. Ter participado ativamente da confissão de Jânio não tirou Gualazi da obscuridade.

Ele parecia condenado à sombra, até que decidiu fazer o elogio do golpe.

O resto é um vídeo que vai ficar para a história do Brasil nos 50 anos do golpe.

Paulo Nogueira
No DCM
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A peleja de Mujica contra a violência nos estádios

Mujica com jogadores da seleção uruguaia
José Mujica volta a atacar.

Mujica está no centro de uma polêmica envolvendo o futebol uruguaio, que, como o brasileiro, apenas em menor escala, é repleto daquilo que conhecemos: corrupção, desmandos, relações incestuosas com o poder, violência etc. A diferença é que Mujica não assiste a tudo da tribuna.

Ele proibiu a presença da polícia nos estádios em Montevidéu dos principais times do país, Peñarol e Nacional. Isso aconteceu depois de uma pancadaria que deixou 28 policiais feridos e levou à prisão mais de 40 torcedores no jogo entre Nacional e Newell’s Old Boys pela Libertadores. Mujica exige providências contras as torcidas organizada, conhecidas como “barra bravas”. Não foi a primeira vez em que um episódio desses acontece.

“Estou disposto a parar o futebol se for necessário” afirmou. “Ou cortamos isso pela raiz ou não poderemos continuar aproveitando os espetáculos esportivos”.

Depois de uma reunião, o presidente da Associação Uruguaia de Futebol, Sebastián Bauzá, renunciou, juntamente com outros três dirigentes. A Fifa está investigando se houve “ingerência” do governo em seus assuntos, o que contraria seu estatuto e poderia causar até a eliminação da seleção da Copa do Mundo.

Não há “intervenção” de Mujica. Há uma preocupação e uma tomada de atitude relacionada à segurança pública. Veja o que acontece aqui diuturnamente. Veja a pressão de Sepp Blatter e Jerôme Valcke, presidente e secretário-geral da Fifa, que agem como se não só o evento, mas o país-sede fizesse parte de seu domínio.

A lista de problemas não se restringe à violência. Há denúncias com relação aos direitos de transmissão e, segundo a Conmebol, sete clubes são suspeitos de malversação de fundos. A condição que o governo impõe é que os times financiem a compra de equipamentos que permitam o reconhecimento facial dos torcedores e, assim, afastar os arruaceiros.

Sobre a possibilidade do Uruguai não disputar o Mundial, Mujica chamou de “fogos de artifício” (boatos).

“Na vida você não pode viver com medo de tudo, senão estaremos um dia numa esquina e morreremos de um ataque de caspa”, disse. “Mas eu não acho que a Fifa tenha nada a ver com isso porque não nos metemos com o futebol, mas com as arquibancadas”.

Si, por supuesto.

Kiko Nogueira
No DCM
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Pepe Mujica no Canal Livre










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Por que a data do golpe é 1º de abril de 1964, e não 31 de março

Forte de Copacabana, que foi tomado pelos golpistas em 1º de abril
Foto de Evandro Teixeira
Ninguém deveria perder fios de cabelos, colecionar mais rugas e encrencar por conta uma controvérsia que não altera o essencial: em 31 de março ou 1º de abril de 1964, o presidente constitucional João Belchior Marques Goulart foi deposto por um golpe de Estado que fuzilou a democracia e pariu uma ditadura.

A controvérsia não altera o essencial, mas existe.

Algumas versões difundidas recentemente, com o propósito ou não de referendar o dia 31 (terça-feira) como “a data”, não encontram lastro nos fatos.

Um historiador afirma que as tropas golpistas do Exército começaram a descer de Minas rumo ao Rio ainda no dia 30 de março de 1964. Falso.

Um jornal sustenta que a queda de Jango ocorreu em 31 de março. Se a data do golpe permite legítimas interpretações, constitui equívoco grave estabelecer o dia 31 como o da saída do presidente.

Um líder estudantil daqueles tempos escreve que a polícia política atacou dirigentes sindicais, reunidos no Rio, na sede de uma entidade de estivadores, ainda em 30 de março. Errado: foi na tarde de 31.

Os três relatos mencionados conspiram para sacramentar 31 de março como o dia do golpe.

Como se sabe, os golpistas sempre defenderam essa, digamos, tese.

Os opositores da ditadura costumam (ou costumavam) preferir 1º de abril, o Dia da Mentira: os golpistas alegaram que apeavam Goulart do poder para salvar a democracia; acabaram por asfixiar as liberdades por 21 anos.

Ignoremos os interesses dos contendores e nos submetamos aos fatos.

As tropas começaram a se mover de Minas só com o dia claro, em 31 de março.

O general Olímpio Mourão Filho narrou que se recolheu aos seus aposentos, em Juiz de Fora, na noite de 30 de março, enquanto Jango discursava no Automóvel Club do Brasil, no Rio.

Comandante da 4ª Região Militar e da 4ª Divisão de Infantaria, Mourão desencadeou o movimento, junto com o general Carlos Luís Guedes. Seu plano era dar a largada na marcha entre 4h e 5h do dia 31.

De manhã, as tropas ainda estavam em Juiz de Fora. Lá, às 7h de 31 de março, o tenente Reynaldo de Biasi Silva Rocha ministrou instrução de combate à baioneta. “Quem quer passar fogo nos comunistas levante o fuzil!”, gritou.

Às 11h30, o chefe do Estado-Maior do Exército, Humberto de Alencar Castello Branco, disse por telefone ao general Guedes, que permanecia em Minas: “A solução é vocês voltarem, porque senão vão ser massacrados”. O general Castello em breve se tornaria marechal e presidente da República.

Ao meio-dia de 31 de março, Jango estava no Rio. No Palácio Laranjeiras, disse que havia “muito boato”, mas nada de concreto, sobre rebelião militar.

Só por volta das 16h15 doze carros do Departamento de Ordem Política e Social pararam em frente ao edifício da Federação Nacional dos Estivadores. Tentaram prender os dirigentes do Comando Geral dos Trabalhadores, mas estes foram socorridos por soldados da Aeronáutica fiéis a Jango.

Até pouco depois do meio-dia de 1º de abril, João Goulart não arredava pé do Palácio Laranjeiras, local dos despachos presidenciais no Rio (a capital já se transferira para Brasília). Como poderia ter sido derrubado na véspera, 31 de março? Por volta das 13h, na 3ª Zona Aérea, Jango embarcou para Brasília.

Só na madrugada de 1º de abril as tropas que decidiriam a parada, as do II Exército, de São Paulo, começaram a se preparar para marchar sobre o Rio. Mas ainda esperavam, como escreveu Elio Gaspari em “A ditadura envergonhada”: “Ao amanhecer do dia 1º de abril Kruel persistia na posição de emparedar Jango sem depô-lo”. O general Amaury Kruel comandava o II Exército.

Sem a adesão de Kruel a deposição do presidente não prosperaria.

Em 1º de abril, prosseguiam em seus postos no Rio oficiais legalistas, submetidos ao comandante-supremo das Forças Armadas, o presidente Jango. Era o caso do general Oromar Osório, comandante da 1ª Região Militar (logo ele voaria para Porto Alegre) e do brigadeiro Francisco Teixeira, comandante da 3ª Zona Aérea.

Só em 1º de abril o Forte de Copacabana passou às mãos dos golpistas. Ao seu lado, o QG da Artilharia de Costa foi tomado às 11h30.

Preocupados com o fato de que golpearam no 1º de abril, oficiais mentiram sobre a data da virada de mesa no Forte de Copacabana, datando 31 num relatório. Assinalou Gaspari: “Na realidade, os acontecimentos se passaram exatamente um dia depois, 27 horas depois de Mourão e sete depois de Kruel”.

Em Minas, muitos golpistas cascateavam ter marchado no dia 31, observou Gaspari: “Com o tempo tanto a adesão do coronel Raymundo [Ferreira de Souza] como a dos oficiais do 1º BC passaram a ser assinaladas como estandartes de uma marcha triunfal e a ser antecipada para a noite do dia 31 pela historiografia do êxito. Apesar das conversas na noite anterior, [o general Antonio Carlos] Muricy só recebeu os pelotões do 1º BC por volta de meia-noite, e a adesão do comandante do 1º RI só se consumou às sete horas da manhã seguinte [1º de abril]”.

Na Cinelândia, à qual uma multidão acorreu para protestar a favor de Jango e da Constituição, a batalha ocorreu na tarde de 1º de abril, e não na véspera. Do prédio do Clube Militar, golpistas abriram fogo, ferindo e matando manifestantes.

O marco da queda de João Goulart é sua partida de Brasília, na noite de 1º de abril de 1964. Ele aterrissou em Porto Alegre de madrugada do dia 2 e resolveu não resistir. Na mesma madrugada, era empossado presidente o deputado golpista Ranieri Mazzilli, que presidia a Câmara.

Fonte insuspeita, o velho general Cordeiro de Farias anotou: “A verdade — é triste dizer — é que o Exército dormiu janguista no dia 31. E acordou revolucionário no dia 1º”.

Os movimentos em Minas iniciaram mesmo no dia 31 de março. E só. Como o Exército que dormira janguista poderia ter golpeado antes de o sono chegar?

No Rio, onde se concentravam os contingentes das três Forças Armadas, pode-se considerar que o golpe se consumou pelas 16h de 1º de abril. Mais ou menos naquele horário, os tanques do Exército que protegiam o Palácio Laranjeiras o abandonaram e estacionaram centenas de metros além. Passaram a defender o Palácio Guanabara, onde estava o governador golpista Carlos Lacerda.

A data do golpe é 1º de abril de 1964. Os fatos são claros.

Mas, reitero, não valem desinteligências acaloradas.

Na véspera ou no dia seguinte, aconteceu o que, para o bem do Brasil, seria melhor não ter acontecido.

No Blog do Mário Magalhães
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Jornalismo de esgoto: Caso Escola Base completa 20 anos

UReproduçãoma denúncia de abuso sexual contra crianças de quatro anos numa escola da capital paulista mobilizou pais de alunos, jornalistas, a Justiça e boa parte da população brasileira em 1994. O caso que ficou conhecido como Escola Base completa 20 anos neste mês de março e, mesmo duas décadas depois, ainda não houve chance de reconstrução efetiva da vida dos acusados, processos por danos morais ainda aguardam decisão judicial e o fato continua figurando como referência de má apuração por parte da Polícia e da imprensa.

O caso histórico começou quando duas mães denunciaram os donos de uma escola infantil no bairro da Aclimação, em São Paulo, um motorista do transporte escolar e um casal de pais de um aluno por abuso sexual. A acusação foi aceita pelo delegado de polícia Edélcio Lemos e noticiado como furo de reportagem pela TV Globo. A imprensa passou, então, a cobrir a história em que os protagonistas eram crianças de apenas quatro anos de idade. O delegado passou do anonimato às manchetes dos jornais e a divulgação do suposto crime gerou uma repercussão violenta.

A escola e a casa de uma das professoras, sócia da instituição de ensino, foram invadidas e depredadas. Quando foram à delegacia para obter os detalhes da acusação, os donos da escola sofreram com o abuso das autoridades, que exerceram assédio moral e sexual sobre os acusados. Insuflada por um julgamento antecipado dos acusados por parte do Estado e dos meios de comunicação, toda uma mobilização da opinião pública foi construída em torno do caso, instalando um ambiente de hostilidade e retaliação moral contra os envolvidos.

Além dos donos da escola, Icushiro e Aparecida Shimada, e dos sócios Maurício Alvarenga e Paula Milhin, a Polícia também acusou os pais de um aluno da Escola Base de que haveriam recebido as crianças na casa deles para fotografar supostos momentos de envolvimento sexual.

Chegou-se a noticiar que, antes de praticar ações perversas, os quatro sócios cuidavam de drogar as crianças e fotografá-las nuas. "Kombi era motel na escolinha do sexo”, estampou o extinto jornal Notícias Populares, editado pelo Grupo Folha. "Perua escolar carregava crianças para a orgia”, manchetou a também extinta Folha da Tarde.

No entanto, as acusações logo ruíram e todos os indícios foram apontados como inverídicos e infundados. Sem provas, o inquérito policial foi arquivado. O que houve foi uma demonstração de ampla indução das mães das crianças e de todos os profissionais envolvidos no caso. Mesmo assim, a história nunca foi desmentida. A vida dos seis acusados nunca mais foi a mesma.

Irresponsabilidade da imprensa

Reprodução

Em entrevista à Adital, o presidente da Federação Nacional do Jornalistas, Celso Schröder, evita generalizar, mas aponta que o caso representa uma rotina constrangedora, tecnicamente frouxa e eticamente descompromissada a qual hoje está submersa a imprensa massiva. "Ela é a prova de uma grande irresponsabilidade, de alinhamento ideológico com a forma com que as autoridades atuam”, avalia.

Ressaltando que não fora um caso pontual, Schröder destaca que outros casos semelhantes e recentes evidenciam a tendência adotada pela imprensa de pré-julgamento e indução da opinião pública, como o caso do assassinato da menina Isabella Nardoni, em que uma grade mobilização nacional pedia a condenação dos então acusados pelo crime. Além disso, cita a jornalista Rachel Sheherazade, do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), que, frequentemente, propaga comentários preconceituosos em rede nacional, como quando defendeu agressores de um jovem que fora preso sem roupas num poste nas ruas do Rio de Janeiro.

Como hoje vivem os envolvidos

Icushiro Shimada continua vivendo em São Paulo. Sua mulher, Aparecida, já é falecida. Eles nunca recuperaram a liberdade do anonimato, muito menos a vida profissional que haviam construído. "O que eu construí em 35 anos, eu perdi em cinco dias”, lamentou o ex-sócio da Escola Base em reportagem da TV Brasil. Ele prefere não manter contato com a imprensa.

Paula Milhim, que era coordenadora pedagógica da escola, hoje acumula dívidas em um emprego instável como auxiliar administrativa. "Eu queria uma chance de recomeçar tudo. Não sei como, mas uma chance de, pelo menos, tentar ter um pouco de paz. De não ficar dormindo e pensando: ‘nossa, amanhã eu tenho que pagar isso, pagar aquilo’. Eu estou para perder a casa. Voltar a ter sonhos”, lamenta. O antigo motorista da escola, agora ex-marido de Paula, Maurício Alvarenga, mora numa cidade do interior paulista.

Já o delegado responsável por disseminar acusações sem provas contra as seis pessoas, Edélcio Lemos, hoje trabalha num posto do Centro de Integração da Cidadania, em São Paulo, fazendo o papel de conciliador em brigas de família ou de vizinhos. Se a queixa não for resolvida, é encaminhada para um Distrito Policial, sob a responsabilidade de outro delegado.

Indenização por danos morais

Há dois anos, 18 após o fato, a Rede Globo de Televisão foi condenada a pagar R$ 1,35 milhão para reparar os danos morais sofridos pelos donos e pelo motorista da Escola Base. A cada um foi destinado o valor de R$ 450 mil. Já o SBT foi condenado a pagar indenização de R$ 100 mil a cada um dos acusados no caso também por danos morais. A Justiça entendeu que os ex-donos da escola tiveram a honra atingida pelas reportagens que continham acusações sem provas. Paula ainda tenta receber indenização de R$ 250 mil que ganhou na Justiça paulista.

Marcela Belchior - Adital
No Limpinho & Cheiroso
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Entrevista de Nicolás Maduro no fAlha

Extrema direita provoca o caos para derrubar o governo, afirma Maduro

Quase dois meses após o início dos protestos que já deixaram 39 mortos na Venezuela, dois deles no sábado (29), o presidente Nicolás Maduro recebeu a Folha para uma entrevista exclusiva em Caracas. Foi a primeira conversa do dirigente com um jornal desde a onda de violência.

A conversa ocorreu na sexta (28), dois dias depois que chanceleres de países da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) visitaram a Venezuela para se reunir com o governo e com representantes da oposição, que acusaram Maduro de reprimir os protestos com prisões e torturas — coisa que ele nega.

Uma das recomendações da Unasul depois de visitar a Venezuela foi a de que se modere a linguagem para viabilizar o diálogo entre governo e oposição. Como o senhor recebeu este conselho?

A visita da Unasul foi solicitada por nós. E foi organizada em tempo recorde. A Unasul está dando a máxima prioridade à defesa da democracia na Venezuela, ao governo constitucional e contra o golpe de Estado. Os chanceleres se reuniram com todos os setores. E puderam constatar as dificuldades que existem para o diálogo político com um setor da direita que, apesar de chamado, não quer dialogar. E que tenta tapar o golpe dizendo que são apenas protestos. Não são. É um golpe que assumiu uma modalidade perversa de violência na rua. Agora, está bem: se ajuda que esse setor se sente numa mesa para falar de paz, baixemos um pouco o tom da linguagem.

Mas o senhor ainda não baixou.

Na Venezuela há um debate muito quente, permanente. E nós, venezuelanos, temos uma virtude: dizemos as coisas como é preciso dizer.

Vocês propõem mudanças profundas no país e uma parte da população é contra. A polarização, portanto, deve seguir.

Em todos os países democráticos há polarização. Na Venezuela, ela é histórica, entre um projeto de pátria e outro, de antipátria. As mudanças que promovemos foram debatidas em 19 eleições, e nós vencemos 18. O nosso socialismo democrático, bolivariano e cristão foi referendado por uma sociedade que baixou a pobreza de 70% para menos de 20%, que reduziu a miséria extrema de 30% para menos de 7%, o desemprego, de 25% para 5,6%. Esse modelo encontrou uma oligarquia, uma direita que se opôs antidemocraticamente, que deu golpes. Que entra no canal eleitoral e constitucional por alguns momentos, mas que sai dele muito rápido. E que agora retornou ao caminho golpista.

Os estudantes de oposição apresentaram à Unasul relatos de repressão e de tortura.

Falso. Mentem descaradamente. A tortura acabou na Venezuela como política de Estado. Ainda há 5.000 desaparecidos no país das décadas de 60 e 70, época em que milhares de estudantes e trabalhadores foram torturados e assassinados e não se dizia nada. A tortura acabou com a vitória da revolução bolivariana.

E as prisões de manifestantes?

Dirigentes da oposição se comunicaram com nosso vice-presidente no início das manifestações violentas para dizer que havia abuso policial e tortura. Eu falei: tragam-me as denúncias. Tem cinco semanas que estou esperando. Se aqui há algum tipo de abuso policial, imediatamente [os agentes de segurança] são capturados e sentenciados. Estão apresentando um mundo ao contrário. Primeiro, há um chamado para derrubar um governo legítimo. Ele é acompanhado de queima de universidades, de ônibus, de metrô, de serviços elétricos, de ataques e de assassinatos violentos.

A oposição diz que 800 mil saíram as ruas e que só uma minoria é violenta. Mas o governo criminaliza a todos.

Por covardia, a oposição se deixou estigmatizar e levar por uma extrema direita golpista. Guardaram silêncio. Quando queimaram ônibus e universidades, disseram que era um protesto justo.

O senhor define a campanha "A Saída", que prega que deixe o governo, como tentativa de golpe. No Brasil, o PT fez a campanha "Fora FHC" no governo de Fernando Henrique Cardoso. Sempre houve o "Fora Lula". E os governos nunca falaram de golpe.

Qualquer um pode falar. Mas, na Venezuela, não se trata de uma palavra. É um plano político. Aqui se convocam manifestações violentas que provoquem o caos e a ingovernabilidade para derrubar um governo legítimo. Não conseguiram. Nem vão conseguir.

No Brasil houve protestos violentos em 2013, até com tentativa de invasão do Palácio do Planalto. E o governo não falou de golpe. Não há um exagero de retórica?

É incomparável. Na Venezuela, nós temos uma direita que já deu vários golpes de Estado condenados internacionalmente. E que é ligada aos círculos mais conservadores e de tradição golpista dos EUA. Hoje nós temos provas de que toda a organização e a liderança fundamental da direita venezuelana recebe milhares de dólares para impulsionar saídas não constitucionais na Venezuela.

A deputada Maria Corina Machado foi cassada na semana passada de seu cargo de deputada sem um processo em que pudesse se defender. No Brasil, um deputado condenado chegou a ir algemado ao Congresso e teve direito à defesa, tal a gravidade de se cassar, numa democracia, um parlamentar eleito.

Ela abandonou a Assembleia Nacional. Como deputada, estava proibida, pela Constituição, de aceitar outros cargos públicos. Bem, essa ex-deputada aceitou um cargo público de um governo estrangeiro, o panamenho [ela tentou falar na OEA com credencial do Panamá], que é inclusive um governo hostil à Venezuela.

Não seria necessário um processo em que se defendesse?

Como dizem os constitucionalistas, esses casos não admitem provas contrárias, porque são uma violação expressa da Constituição.

Prefeitos também foram destituídos, condenados e presos porque não evitaram barricadas em suas cidades, com direito a julgamento em uma única instância. Também não foi um pouco violento?

A única violência foi o ataque ao povo que os elegeu. Esses prefeitos, com mentalidade fascista, de direita extrema, encabeçaram ataques, usaram seus cargos para atacar seus próprios eleitores. Um deles foi responsável pelo incêndio de uma universidade, levantou barricadas.

Mônica Bergamo| Marlene Bergamo
No fAlha
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Dilma está ficando barata no momento certo

Por que as pesquisas revelam que alguns meses antes das eleições, candidatos vitoriosos experimentavam momentos de baixa aprovação e, no momento seguinte, vencem?
 
Já abordei esse tema algumas vezes aqui.
 
No mercado de opinião, especialmente em algumas áreas específicas — como precificação de ações de empresas ou no mercado eleitoral — não existem bons e maus candidatos ou boas e más empresas: existem empresas e/ou candidatos caros e empresas e/ou candidatos baratos.
 
Esse fenômeno é recorrente.
 
O candidato é caro quando a imagem que projeta está além do seu real valor. Como ocorre isso?
 
Criam-se expectativas favoráveis ao candidato e ele sobe na avaliação popular. Durante algum tempo, todas  suas características positivas são supervalorizadas e as negativas jogadas para segundo plano.
 
Aí o candidato sobe demais. As avaliações positivas passam a ser assimiladas pela opinião pública, perdem o caráter de novidade. Entra-se, então, em um processo de reavaliação, no qual a novidade são as características negativas.  É aquela avaliação popular tipo "fulano não é tudo aquilo, não".
 
Na etapa seguinte, inverte a mão. As avaliações negativas crescem em uma enxurrada e são potencializadas pelos que apostam na "baixa" — no caso das empresas, para adquirir ações por um valor menor; no caso dos governantes, obviamente pelos interesses da oposição.
 
O político e/ou empresa vão caindo, caindo. Especialmente no caso brasileiro — onde há uma guerra aberta entre grandes meios de comunicação e governo — há uma superexposição dos defeitos do governo que provoca o chamado "overshooting" — isto é, uma radicalização do movimento de queda.
 
Nada funciona, tudo é ruim, mal planejado, mal comandado. Enfim, um deserto de ideias e projetos.
 
Obviamente, o mundo real não é assim. 
 
No período eleitoral, rompe-se o controle quase absoluto dos grupos de mídia sobre o mercado de opinião. Há o horário gratuito, as inaugurações, a possibilidade dos governos mostrarem o que fizeram e estão fazendo. 
 
Nesse momento, inverte-se a curva. Cada fato positivo receberá uma avaliação proporcionalmente mais que positiva do público porque partindo de um governo que — segundo a cobertura midiática anterior — nada tinha de bom.
 
É por isso que Lula explodiu em 2006, depois de tido como acabado.
 
Atualmente, Dilma atravessa a fase de maior baixa na sua avaliação — os momentos pós-marchas de junho de 2013 não valem.
 
Tem a seu desfavor os problemas de comunicação da área econômica, o controle de preços de tarifa, o PIB pequeno etc. que continuarão sendo martelados pela mídia.
 
Depois, entra-se no recesso da Copa. Aí haverá poucos meses em que poderá mostrar seu lado positivo — programas de transferência de renda, Pronatec, Luz Para Todos, Brasil Sem Miséria, todas as obras do PAC que foram completadas (a mídia concentra-se exclusivamente nos 15 a 20% que ficaram inconclusas).
 
Reside nesse campanha negativa incessante, exaustiva, diuturna, antecipada, o maior trunfo de Dilma. Quanto pior a imagem de Dilma agora, melhor será a reavaliação na onda seguinte.
 
Luis Nassif
No GGN
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Charge online - Bessinha - # 2035

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Kayser explica 1964

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Alunos impedem professor de homenagear golpe militar em sala de aula

Professor Eduardo Lobo Botelho Gualazzi

Professor tenta homenagear o golpe militar de 1964 em sala de aula mas é surpreendido por alunos

Na Faculdade de Direito do Largo São Francisco (FDUSP), neste 31 de março, dia que representou o orquestramento do golpe de 1964 que culminou com a retirada de João Goulart do poder e a instauração de uma ditadura, um professor tentou prestar uma homenagem aos golpistas com a leitura de uma carta chamada “Ode ao Golpe Militar de 64“.

O docente certamente não contava com o engajamento de alguns estudantes que, mesmo no auge de suas juventudes, são capazes de indignar-se com o capítulo da história brasileira que institucionalizou a tortura, a censura e a desigualdade.

Vídeo de Junia Lemos

“Podem me prender, podem me bater, podem até deixar-me sem comer… que eu não mudo de opinião”

Confira abaixo o depoimento de um estudante da FDUSP sobre o episódio.

Guilherme Rossini

Poderia ser mais um dia de aula, como outro qualquer, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Quando, de repente, um professor começa a ler uma carta de “Ode ao Golpe Militar de 64″.

Por sorte, os alunos não permitiram tamanha ofensa àqueles que foram mortos e torturados pela Ditadura. Episódios como esse me fazem sentir orgulho de estudar naquele local; ao lado de pessoas democráticas e politizadas, ainda que o mesmo não possa ser dito de alguns professores…

Nesse sentido, passados 50 anos do “Golpe da Mentira”, sinto-me na obrigação de bradar pelos seguintes dizeres:

“Pelo Direito à Memória! Pra que nunca ninguém se esqueça! Pra que nunca mais aconteça!”

Assista aqui a um vídeo mais completo do protesto divulgado pela página Canto Geral

No Pragmatismo Político
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O mundo pós-Crimeia


O G-8, que agora volta a ser G-7, “expulsou” na semana passada, a Rússia, depois de suspender a reunião que haveria em Sochi. A reação do chanceler Serguei Lavrov foi a de declarar que, como grupo informal, o G-8 não pode expulsar ninguém, além de lembrar que, para Moscou, comparecer ou não a essas reuniões não muda absolutamente nada.

Pertencer ou não ao G-8 é uma questão irrelevante para os russos, que se sentem muito mais à vontade com os BRICS 0151 —  justamente o grupo que fomentou a criação do G-20, em contraposição ao clubinho que tradicionalmente reunia as maiores – e agora não tão poderosas - economias do Ocidente.

Tanto isso é verdade que os BRICS, reunidos a margem da Cúpula de Desarmamento Nuclear, em Haia, declararam apoio à Rússia, com relação às sanções unilaterais impostas — sem aprovação da ONU — pelos países ocidentais.

Além disso, o Grupo também deixou claro, no comunicado conjunto emitido ao final da reunião, que não aceitará a suspensão — anunciada pela Ministra das Relações Exteriores da Austrália, Julie Bishop — da participação russa na próxima Conferência do G-20, que será realizada no mês de novembro, em Brisbane.

Os BRICS controlam um quarto dos votos do G-20, no qual costumam votar juntos, assim como no Conselho de Segurança da ONU.

Com a “expulsão” da Rússia do G-8, o que muda no mundo pós-anexação da Crimeia?

Longe de isolar Moscou, os EUA e a UE estão conseguindo apenas reforçar os laços que a unem ao resto do mundo, começando por Pequim, Nova Delhi, Brasília e e Johannesburgo.

No dia 18 de março, Dimitri Peskov, o porta-voz do Kremlin, já anunciou o que vem por aí, ao afirmar que, se a UE e os Estados Unidos insistirem nas sanções, a Rússia irá cortar as importações de produtos europeus e norte-americanos.

Com 177 bilhões de dólares em superávit no ano passado, e quase 600 bilhões de dólares em reservas internacionais, a Rússia é um dos maiores importadores de alimentos dos EUA e passaria a comprar os grãos, a carne e o frango de que necessita do Brasil.

Com relação à questão geopolítica, a reação do Ocidente à ocupação, pelos russos, de um território que historicamente lhes pertenceu até a década de 1950, e que só deixou de estar associado à URSS há coisa de 30 anos, alertou e está aproximando Pequim, Moscou e Nova Delhi.

Os três tem interesse em estabelecer uma zona de estabilidade no espaço euroasiático — Rússia e China já fazem parte do Acordo de Xangai — e em manter os países que estão em suas fronteiras longe da interferência ocidental.

A Alemanha — que conhece melhor os russos que os norte-americanos — já entendeu isso.

Der Spiegel divulgou, na semana passada, que a Rússia e a China “se preparam para assinar um acordo de cooperação político-militar” que poderia estabelecer uma plataforma de defesa necessária à geração de um “novo reequilíbrio de forças no âmbito mundial”.

Os chineses se abstiveram oficialmente na votação a propósito da Resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre o referendum da Crimeia. Mas o jornal do Comitê Central do Partido Comunista Chinês, o Renmin Ribao — Diário do Povo, não deixou dúvidas sobre qual é a posição de Pequim, ao afirmar, em editorial, que: “o espírito da Guerra Fria está se debruçando sobre a Ucrânia”, o que transforma “a aproximação estratégica entre a China e a Rússia em um fator-âncora para a estabilidade global” — e que “a Rússia, conduzida por Vladimir Putin, deixou claro para o Ocidente, que em uma Guerra Fria, não há vencedores”.

O que pode mudar nesse novo mundo pós- anexação da Crimeia, para o Brasil?

Segundo maior exportador de commodities agrícolas e o primeiro em carnes, o Brasil tem que aproveitar o momento para se posicionar como um sócio estratégico para o abastecimento dos russos, nesse quesito, mostrando também a chineses e indianos, grandes clientes do agronegócio brasileiro, que é um fornecedor confiável, que pode substituir os Estados Unidos no atendimento ao BRICS, enquanto estes não puderem alimentar seus cidadãos com produção própria.

Fora isso, é preciso também aproveitar a era pós-Criméia para renegociar as parcerias, do ponto de vista tecnológico e comercial, com relação a esse Grupo, que domina mais de 40% da população e da extensão territorial e um quarto do PIB mundial.

Ao contrário do que ocorre com a UE e os EUA, fortemente protecionistas e intervencionistas, que sobretaxam as importações e gastam, em áreas como a agricultura e a defesa, centenas de bilhões de dólares em subsídios, o Brasil tem conseguido aumentar seu superávit com os outros BRICS nos últimos anos, mesmo que ainda não tenha se inserido na cadeia de produção e consumo de bens de maior valor agregado desses grandes mercados.

Parte disso decorre, também, da falta de estratégia e de sobrados preconceitos de parte ponderável de nosso empresariado.

Quantos shoppings centers brasileiros existem na China? E em Moscou ou São Petersburgo? E em regiões de altíssimo poder aquisitivo dessas cidades? Quais são as marcas brasileiras de excelência, nos ramos têxtil, de calçados, de perfumaria, que os chineses e os russos conhecem? Que restaurantes, que franquias?

Pródigo em emprestar bilhões de dólares a multinacionais que operam aqui dentro, o BNDES precisa reunir a APEX e o pessoal da área de varejo de luxo, para estabelecer uma estratégia de inserção do Brasil nos BRICS — e de resto na África e na América Latina — que vá além da realização de feiras e do café, do açúcar, do couro, do minério de ferro, da soja e do suco de laranja.

Precisamos — e o momento é propício para isso — começar a incentivar e dar decidido apoio à internacionalização de empresas brasileiras, para que comecemos a receber algum dinheiro do exterior — ou em breve nos converteremos apenas em uma reserva de mercado para investidores estrangeiros, que sugaram do país, no ano passado, em remessas de lucro, quase 30 bilhões de dólares em reservas internacionais.

O fortalecimento da Rússia, da China e da Índia interessa ao Brasil, não apenas do ponto de vista econômico, mas, principalmente, do geopolítico.

Essas são as únicas nações que podem impedir, em um futuro próximo, a consolidação do projeto anglo-saxão de domínio que promoveu um verdadeiro assalto ao resto do mundo, nos últimos 200 anos.

Os BRICS — incluindo o Brasil — não podem derrotar os Estados Unidos e a União Europeia.

Mas os EUA e a UE também não podem derrotar os BRICS. E para o futuro do mundo, é isso o que importa.
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Pataxó descobre o que fede

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Nunca mais?

Ninguém imaginou que o capitalismo voltasse a imperar na imensidão que perdera, mais de 70 anos antes, para o comunismo da União Soviética e seus domínios posteriores.

Os horrores da chamada Primeira Guerra Mundial, de 1914-18, e as providências para a preservação da paz disseminaram a crença fervorosa de que as nações e a própria humanidade entravam em nova era. Os embates de interesses e poderes só se dariam e se solucionariam em conferências, e nunca mais em campos de batalha. Passados apenas 20 anos, começava a Segunda Guerra Mundial, a das bombas atômicas sobre cidades.

Os exemplos gritantes do mundo alheio, citáveis ao infinito, têm ecos por aqui, para confirmar que a história faz uso de regras universais, não de desarranjos particulares.

O Getúlio ditador foi derrubado em 1945 pelos militares da FEB, lê-se ainda nos livros sobre o período, que voltaram da guerra impregnados das convicções democráticas, absorvidas no convívio com os americanos. Em 1954, Getúlio, presidente por legítima eleição, recusou-se com o suicídio a ser derrubado pelo golpe militar. Eram os mesmos militares guardiães da democracia. Outra vez inspirados pelos americanos, sob o comando do embaixador Berle Jr.

Imposta ao golpismo a posse de Juscelino, eleito com legitimidade, seguiram-se cinco anos em que a dissolução quase pacífica de dois levantes militares consolidara o sentimento de estabilidade institucional e democrática. Não havia mais ambiente para golpes, no país que crescia e se projetava com a pujança sintetizada em sua nova capital. E assim foi — por oito meses. Em agosto de 61, na renúncia de Jânio Quadros, o golpismo militar recusa a posse do vice João Goulart, sendo derrotado pela rebelião gaúcha do governador Brizola.

O golpe de 64 foi a retomada vitoriosa do golpe derrotado em 61, que, por sua vez, tentara continuar o golpe incompleto, em 54, contra o getulismo, suas teses nacionalistas e de menor desigualdade social. Lá estavam, cabelos brancos e barrigudos por trás das armas, aqueles militares jovens e de meia-idade que chegaram da Itália como vanguarda do "Exército pela democracia".

O cinquentenário de 64 mostra-se como um brado uníssono de "ditadura nunca mais". Talvez seja assim. Mas só poderá ser se consumadas duas condições.

O ensino das escolas militares precisaria passar por reformulação total. A do Exército, mais que todas. Nas escolas militares brasileiras não se ensinam apenas as matérias técnicas e acadêmicas apropriadas para os diferentes ramos da carreira militar. Muito acima desse ensino, as escolas militares ocupam-se de forjar mentalidades. Uniformes, planas, intensas à reflexão, e, por aí já está claro, ideológica e politicamente direcionadas. São produtos criados ainda para a Guerra Fria.

É por isso que se vê, há tantos anos, tão igual solidariedade e defesa dos atos e militares que, para a lei e para a democracia, são criminosos, muitos de crimes hediondos e de crimes contra a humanidade.

As escolas militares não preparam militares para a democracia.

Outra condição é que se propague a noção de soberania, tão escassa nos níveis socioeconômicos que influenciam a condução do país. Em seu artigo na Folha de ontem, o embaixador Rubens Ricupero contou de documentos por ele vistos, na Biblioteca Lyndon Johnson, em que os "reformistas" conduzidos por Roberto Campos, no governo Castello Branco, sujeitavam aos americanos até a revisão do currículo escolar. Se a imaginação conseguir projetar a mesma conduta para o sistema financeiro privado, por exemplo, pode-se ter uma ideia dos obstáculos que a construção do desenvolvimento brasileiro enfrenta.

Nunca mais? Pode ser. Ou: depende. O certo é que a história não faz gentilezas.

Janio de Freitas
No fAlha
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Mujica rechaza amenazas de EE.UU. contra Venezuela y exige respeto

El presidente de Uruguay, José “Pepe” Mujica, expresó su indignación por la falta de reflexión por parte del gobierno de los Estados Unidos (EE.UU.) que pretende seguir imponiendo sanciones a países que no se doblegan como Venezuela.

El presidente de Uruguay, José “Pepe” Mujica rechazó este lunes las intenciones de Estados Unidos (EE.UU.) de sancionar al gobierno de Venezuela por los hechos violentos iniciados el pasado 12 de febrero tras un llamado a las calles hecho por la extrema derecha de esa nación suramericana con el fin de derrocar al gobierno electo de Nicolás Maduro; al tiempo que exigió “respeto y cariño” para Venezuela y su gente.

"Cuando el mundo entero le pide a Estados Unidos que archive su política de bloqueo económico a Cuba, surgen desde ese gobierno voces amenazando con sanciones a Venezuela. ¿No se aprende nada de la historia? ¿Acaso esa actitud ha servido para resolver algo que no sea imponer privaciones a los débiles en distintas sociedades?", se preguntó el dignatario uruguayo.

Mujica agregó que en Venezuela “sus contradicciones son también las nuestras y su resolución no debería ser violenta, y menos, azuzada desde afuera" por lo que exhortó a encontrar una solución pacífica para la crisis política que enfrenta el gobierno de Nicolás Maduro y a respetar la Constitución como "un camino necesario" para encontrar una salida, informó la Secretaría de Comunicación de la Presidencia.

El pasado jueves el Gobierno de Venezuela rechazó de manera categórica las declaraciones injerencistas de EE,UU., a través de su subsecretaria de Estado, Roberta Jacobson, quien insistió en amenazar al país suramericano con posibles sanciones de no abrirse al diálogo, desconociendo así la disposición al diálogo para la paz de todos los sectores del país que fue reconocida por la comisión de cancilleres de la Unión de Naciones Suramericanas (Unasur) que visitó el país esta nación.

El canciller venezolano Elías Jaua, recalcó este lunes que el gobierno de los Estados Unidos (EE.UU) hace lo posible por ver a Venezuela convertida en un campo de batalla, donde los venezolanos se enfrenten unos a otros con el fin de derrocar el Gobierno Bolivariano del presidente Nicolás Maduro.

“Los sectores más conservadores del gobierno de los Estados Unidos quieren una Venezuela inmersa en un conflicto. Lamentablemente, unos hasta sueñan con un conflicto armado, con una guerra civil”, dijo.

Sin embargo el canciller venezolano dejó claro que los gobiernos de América Latina no se dejan engañar por las difamaciones de la extrema derecha venezolana sobre el Gobierno revolucionario de su país, pues tienen un compromiso leal con los valores de paz de la región.

No teleSUR
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Adeus, 1964. Bom dia, 2014. Nenhum passado importa mais que o futuro

Quando a gente fica velho, começa a praticar o erro de achar que tudo o que vivemos no passado está perto, porque o passado é presente na memória.

Ainda jovem, aprendi isso no convívio com Brizola conversando comigo, em longas noites em volta da mesa redonda de seu apartamento — eu chamada a saleta onde ela ficava de botequim sem cerveja — , com um “não fazer caso” com os detalhes dos fatos como se eu os tivesse vivido, ainda não nascido ou bebê.

Aquilo me impressionava e diversas vezes tinha de atalhá-lo e lembrá-lo disso, um tanto sem graça de “cortar” suas “viagens” da memória.

Só depois de muitos anos fui perceber que não importava que a minha auto-suficiência juvenil achasse  antigas demais para serem úteis aquelas cenas passadas há 30, 40 ou 50 anos.

Talvez se passe hoje o mesmo com muitos jovens quando se recorda o golpe militar que faz 50 anos na madrugada de segunda para terça-feira.

Meus cinco-seis anos de então não me permitem contar como foi.

Mas posso falar do que foi crescer com ela, a ditadura.

De ser jovem e ter medo. E de ter uma força imensa nos empurrando apesar dele.

Tudo isso, porém, são lembranças, que correm o risco de serem estranhas e algo enfadonhas como as que ouvi, há quase 30 anos, de alguém que viveu tudo numa posição mais central, intensa e dolorosa que a minha.

O que me importa é que compreendi que a história é um rio, que conduz as mesmas água de quilômetros e quilômetros atrás mas cujas águas não são mais as de lá, com todas as águas novas que lhe chegaram e de tudo o que se dissolveu nelas ao longo do trajeto.

Toda esta temporada, que hoje se encerra, de recordações sobre 64, embora seja necessária e útil para que se revejam e se compreendam os fatos, restaure-se o valor de um personagem como João Goulart, para que se compreendam melhor outros líderes, tem um conteúdo muito pouco destacado.

O de que o golpe veio para cortar aquela torrente, desviá-la, represá-la, dissipar sua força.

E a da que, embora por outras terras e passando em outros vales, aquele rio lentamente foi buscando, de novo, voltar ao leito que se pretendera interromper.

O projeto nacional-desenvolvimentista foi assumido por quem, de início, o recusava, dizendo que tudo se resumia a trabalhadores e a patrões, fossem estes de onde fossem.

A importância de líderes que personificassem, traduzissem e simbolizassem justiça e progresso para o povo brasileiro, tão negada entre as forças de esquerda que se reagruparam no PT, transformou-se na maior referência da população para manter o país nesse rumo.

As águas diferem; seu fluxo, não.

Quando, como nesta data sombria, sabemos onde estaríamos no passado, também nos damos conta de que nada começa conosco, nada termina em nós, mas ainda assim somos como a fibra é para a corda: da soma de nossas fragilidades vem nossa imensa força.

E, assim, podemos compreender como nossa pequenez é importante para o espetacular avanço do Brasil à condição que, como poucos países do mundo podem ter, de ser um grande país, dono de seu destino, uma enorme nave com todo seu povo, não com uma casta no convés e uma multidão nas galés.

Eles quiseram decretar o “fim da história”.

E, não obstante, ela retomou seu fio.

Adeus, 1964.

2014 nos aguarda.

Fernando Brito
No Tijolaço
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