28 de mar de 2014

O Brasil não quer ser selvagem. Porque liberdade não é selvageria


Punir a agressão, o preconceito, a injúria racial e  social não é um ato de ódio ao agressor ou ao racista.

É uma tarefa civilizatória, porque é pedagógica.

Ensina aos integrantes de uma sociedade que não se pode incitar ao ódio.

Ontem, todos nos chocamos com a pesquisa do Ipea que revelou que a maioria dos brasileiros acha que a roupa usada por uma mulher poderia justificar ataques sexuais.

É o resultado tanto da falta de punição aos abusos sexuais quanto, também, de uma mídia que estimula a erotização do corpo como a essência das relações humanas.

Não importa, porém, o quanto alguém se sinta provocado, simplesmente não pode atacar outra pessoa e ponto.

Duas boas notícias, entretanto, estão aí para ajudar a mostrar que nem mesmo no campo das palavras se pode aceitar o desrespeito.

O Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, aceitou o pedido da bancada do PC do B para abrir uma investigação sobre Raquel Sheherazade e o SBT por defenderem, num meio de comunicação público, o acorrentamento de um rapaz a um poste.

Não é o caso de discutir se “merecia” ou “não merecia”, como no ataque sexual: não se pode fazer e ponto.

A outra é a demissão do co-piloto da Avianca que xingou o povo nordestino de porco em seu Facebook, por ter sido mal atendido num restaurante. Podia reclamar o quanto quisesse do restaurante, não dizer que os nordestinos são porcos.

Aliás, fez pior, porque quando começaram as reações disse que “O Brasil é outra grande merda em geral”.


É uma pena que tenha perdido o bom emprego, mas não é compatível com a dignidade humana nem com a função que desempenha num país que, finalmente, está a caminho de tornar a aviação comercial um serviço democrático, com um recorde 89 milhões de passageiros transportados ano ano passado, boa parte deles nordestinos.

Este país e seus profissionais, sejam pilotos, sejam médicos, sejam professores como os do “aeroporto perdeu o glamour”, tem de aprender a respeitar todas as pessoas, seja qual for sua etnia, origem ou poder aquisitivo.

Fernando Brito
No Tijolaço

* * *

Piloto abestado da Avianca é demitido após xingar nordestinos no Facebook


Um copiloto da Avianca foi demitido nesta sexta-feira, 28, após ter feito comentários preconceituosos sobre nordestinos em sua página no Facebook na noite de quinta-feira.

Ele reclamou do atendimento em um restaurante em João Pessoa, na Paraíba, porque um prato demorou a chegar. "Para manter o padrão porco, nojento, relaxado, escroto de tudo no Nordeste como sempre". O caso foi divulgado pelo apresentador de um programa local Nilvan Ferreira.

A Avianca afirmou em nota que "repudia veementemente o comentário atribuído a um funcionário seu, veiculado nas redes sociais, de cunho preconceituoso" e que "qualquer ato contrário à ética é desprezado" pela companhia. A empresa reforçou ainda o "seu respeito e admiração por todos os povos, independentemente de sua origem."

No O Estado de S.Paulo/SQN
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"Este país será o que queremos se conseguirmos garantir a democracia", diz Lula sobre golpe militar


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva gravou um vídeo sobre os 50 anos do golpe militar no Brasil. Em sua mensagem, ele lembra que que aquele momento histórico "suspendeu nosso regime democrático, revogou liberdades essenciais, prendeu milhares de militantes políticos e fez com que outros tantos tivessem que sair do país".

Lula ressalta que as lembranças da ditadura devem servir para valorizarmos "ainda mais o período democrático que o Brasil vive hoje". Apenas em períodos de democracia "trabalhadores, mulheres, todos os segmentos sociais podem chegar ao poder pois têm o pleno direito de expressão e manifestação", afirma o ex-presidente.

Vídeo: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

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Onde estão os vorazes indignados com a corrupção no Brasil?


O STF acaba de sepultar o esquema de corrupção tucana montada em MG pelo então governador Eduardo Azeredo. Trata-se, nada mais nada menos, do que grana de dinheiro PÚBLICO no primeiro escalão do poder!

Acabou. Com o desmembramento vão “disputar a partida” em casa, onde Aécio tem a mídia e a justiça nas mãos. Simplesmente o Supremo jogou no ralo hoje a possibilidade de pegar os corruptos graúdos, os criadores “da tecnologia” utilizada desde os tempos da compra de votos em 98.

Aí eu pergunto: Cadê o luto das atrizes da Globo?! Cadê a revolta geral no Facebook com páginas em preto?

Nem uma linha, nada, zero, um ou outro gato pingado aqui e outro acolá. Estatisticamente não existe. Me faz lembrar o que disse ACM uma vez: “se não deu no Jornal Nacional é porque não existiu”.

Mas, fique tranquilo, a sua indignação não é seletiva, você é uma pessoa de bem, quer um país melhor eu sei disso, você quer os políticos encarcerados, deixa pra lá os empresários, os banqueiro, doutores juízes e barões da mídia, que comandam o jogo do capital no tabuleiro lá de cima.

Você fica aqui embaixo espancando as marionetes que a Globo e a Veja vendem, como quem tá malhando o boneco do Judas enquanto a rua inteira é assaltada…E pouco importa que “esses bonecos” sejam apenas os que mídia privada elege para serem odiados até a morte. Você não tem culpa disso, trabalha que nem um condenado, paga as suas contas e não tem culpa de receber o veneno que eles te empurram goela abaixo e que contamina sua alma.

Não tem culpa de “eles” não quererem cidadãos indignados com a corrupção, mas sim cães raivosos, como Jabor, Mainardi, Cantanhede, etc_ para ladrar no face contra quem “eles” elegem enquanto, gritam na telinha e nos jornais.

Não tem culpa de, como dizia Raul Seixas, “ser treinado todo dia como um dobermam do sistema”

Mas, uma coisa eu digo, vale a pena ficar atento, no que esses grupos estão conseguindo fazer com a opinião pública brasileira.

Hoje, em conversa com meu pai, ele, referindo-se a essa questão da manipulação midiática, citou Baudelaire, dizendo que “a maior astúcia do diabo é fazer com que as pessoas pensem que ele não existe”. Eu entendi, mas discordei. Para mim o jogo é ainda mais pesado, muito mais do que o filósofo pudesse supor.

O que acontece por aqui é que as pessoas até conseguem enxergar “o diabo” mas, mesmo assim, não tem mais forças para reagir, pois deixaram ele ocupar a sua mente e se instalar em seu coração.

Sair disso, só com investimento pesado em educação crítica/cidadã e Ley de Medios já. Coisa que esse governo, sem pressão popular, pelo visto não vai fazer.

Adilson Filho
No Viomundo
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Promotores vão investigar mais de 400 empresas envolvidas na máfia do ISS



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Acerto sobre Azeredo desmascara AP 470


O Supremo Tribunal Federal deliberou, por 8 votos a 1, pela remessa do processo contra o ex-deputado Eduardo Azeredo à primeira instância, nas montanhas de sua Minas Gerais, onde responderá pelo mensalão tucano. 

Tal resolução, a bem da verdade, guarda coerência com outra, tomada há algumas semanas, que estabeleceu desmembramento de processos que envolvam cidadãos com e sem foro privilegiado, ainda quando partilhando a mesma denúncia penal. Aqueles que não possuírem alçada federal, serão remetidos para o pé da pirâmide judicial, com direito a dois ou até três graus de apelação.

Pode-se especular que o ex-presidente do PSDB renunciou ao mandato parlamentar por razões maliciosas, apenas para ganhar tempo e aumentar as chances de prescrição para eventuais crimes, além de buscar a tranquilidade de uma comarca na qual exerça maior influência. Mas não há qualquer dúvida que a atitude tomada por Azeredo, trocando sua cadeira na Câmara por maior segurança jurídica, está protegida por direitos constitucionais. Como reconheceu, aliás, a própria corte suprema.

Talvez seja pertinente a crítica moral. Ao contrário de José Dirceu, que recusou abdicar do parlamento para escapar da cassação, preferindo o combate político ao cálculo de oportunidades, o outrora governador mineiro resolveu escapar pela porta dos fundos. Não é bonito, tampouco ilegal. Dirceu tem obrigação histórica e biográfica de ser como é. Azeredo contou com a possibilidade regulamentar de agir como o fez. 

O mais relevante, no entanto, está na jurisprudência que acarretam as novas deliberações do STF. Depois de revisado o crime de quadrilha, caiu a segunda das quatro pilastras sobre as quais se ancorou a AP 470, qual seja, a  unificação de todas as denúncias em um só processo na corte suprema quando qualquer dos réus goza de foro privilegiado. Quando foi analisado o caso contra os petistas, apenas três dos 39 acusados eram parlamentares nacionais, mas todos foram conduzidos a julgamento em instância única.

Este procedimento, considerado fundamental para as condições de espetáculo e resultado contra Dirceu e companheiros, foi devidamente arquivado depois de ajudar o relator Joaquim Barbosa a alcançar seus objetivos. Não é à toa que o único voto contra Azeredo tenha sido o do atual presidente do STF, possivelmente pouco à vontade em corroborar, com sua própria incoerência, o caráter de exceção do encaminhamento anterior.

A mudança de critérios, de toda forma, desmascara parte dos métodos arbitrários do processo precedente, que também se encontram sob acosso da Corte Interamericana de Direitos Humanos, reiteradamente exigindo que todos os signatários do Pacto de San Jose ofereçam julgamento recursal em ações penais, mesmo quando os réus são enquadrados na instância superior do sistema judiciário.

Com o tempo, não irá restar pedra sobre pedra das armações que determinaram a AP 470, cujas operações foram tecidas sob medida, para ocasião única, na alfaiataria dirigida pelo ministro Barbosa. Ainda restam outras duas colunas: o domínio do fato como teoria que dispensa provas materiais concretas para condenação e o fatiamento do suposto crime de suborno em diversos delitos independentes, com a meta de garantir a devida exacerbação penal. Tampouco essas aberrações sobreviverão à via constitucional que o STF está obrigado a retomar.

Quando a normalidade jurídica estiver plenamente recuperada, porém, a corte suprema terá que resolver um dos maiores dilemas de sua história. Como irá corrigir as injustiças e desmandos que levaram à cadeia líderes históricos do PT? Quem irá pagar a conta do circo judicial e midiático montado com a única finalidade de degolá-los por crimes que jamais cometeram?

Breno Altman
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Agência chinesa dá nota 'A' ao Brasil

Para Dagong, situação do País é 'estável'


A milhares de quilômetros de Nova York, uma agência de classificação de risco vê o Brasil em posição muito mais confortável do que a Standard & Poor's, a Moody's e a Fitch. Para a chinesa Dagong Global Credit Rating, o Brasil tem rating "A-". Assim, a agência de classificação de risco estatal da China coloca o Brasil três patamares acima da avaliação anunciada na segunda-feira pela Standard & Poor's.

Ao contrário dos comentários duros contra o governo brasileiro, a Dagong tem avaliação mais amena. A última revisão da nota brasileira ocorreu em janeiro, quando reafirmou a nota "A-" e disse que o ambiente para a dívida brasileira é relativamente estável. "A situação política basicamente estável do Brasil e a vantagem da atual presidente Dilma Rousseff na eleição presidencial são fatores favoráveis para a continuidade e estabilidade das políticas", diz relatório divulgado em Pequim.

Os analistas chineses reconhecem, porém, que nem tudo são flores. "O ambiente político interno complexo constrange as reformas estruturais de longo prazo, que são repletas de grandes dificuldades."

Em um ponto Dagong e S&P concordam: a política fiscal. "O déficit fiscal e a situação da dívida pioraram de forma consistente. Afetados pelo gasto que aumentou significativamente, o déficit público aumentou para o equivalente a 3% do PIB em 2013", diz a Dagong. Economistas da agência preveem que a dívida pública subirá para 68,2% do PIB em 2014.

Criada em 1994 pelo governo, a Dagong é a resposta de Pequim às agências ocidentais. Com critérios diferentes dos usados pelas concorrentes, a agência se gaba de ter sido a primeira a rebaixar a nota soberana dos EUA - movimento seguido por S&P, Moody's e Fitch.

No Estado de S.Paulo
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"O Abraço Corporativo": uma das maiores barrigadas do jornalismo nativo

 Imperdível 

Uma das maiores barrigas da grande mídia passou despercebida para o grande público e na época sua repercussão acabou restrita a veículos especializados em jornalismo e revistas acadêmicas.

O documentário “O Abraço Corporativo” (2009) do jornalista Ricardo Kauffman descreve o passo a passo da criação de uma “pegadinha” sobre um suposto executivo de Recursos Humanos que estaria introduzindo no Brasil uma revolucionária terapia motivacional baseada nos poderes curativos de um simples abraço.

Explorando os vícios de uma imprensa baseada no jornalismo declaratório que está sempre em busca de bons personagens, o suposto representante da chamada “Confraria Britânica do Abraço Corporativo” expôs as mazelas de um jornalismo onde a ambição de ascensão na carreira de jornalistas está na relação direta com a sua precarização profissional.

O filósofo Louis Althusser dizia que ideologia é quando as respostas precedem as questões. Se isso for verdade, então a prática jornalística se tornou a maior indústria de produção ideológica, mais perigosa que o entretenimento porque opera sob a chancela da informação e da realidade. Raramente o jornalista “descobre”. Na maioria dos casos ele sempre encontra o que procura: tenta confirmar uma ideia, uma hipótese ou, então, encaixar acontecimentos a um certo script que já tem em mente.

E para mostrar que não está enganado, a melhor forma é produzindo um personagem por meio de uma calculada busca de “desconhecidos”. Seus rostos na tela podem ser desconhecidos, mas seus personagens são familiares. Um atentado? Procure um bombeiro heroico e uma pessoa que por um lapso do destino não estava no local da explosão porque acordou naquela manhã cinco minutos mais tarde. Uma manifestação? Procure o líder (mesmo que ele não exista) ou aquele manifestante que saiu às ruas pela primeira vez. Greve de ônibus? Procure uma mulher simples e ofegante, desesperada porque seu patrão pode despedi-la caso não chegue ao trabalho.

Foi pensando nisso que o jornalista Ricardo Kauffman investiu cinco anos na produção de um documentário que provocou uma das maiores “barrigas” (gíria jornalística para designar uma grave bobeada de um jornalista que pensa estar publicando um “furo” quando não passa de engano ou má fé do próprio repórter) da imprensa brasileira. Convidou o ator Leonardo Camillo e criou um personagem que seria irresistível para os jornalistas: Ary Itnem Whitaker (um anagrama para a palavra “mentira”) que desempenharia o papel de um executivo de Relações Humanas que estaria no Brasil representando uma suposta Confraria Britânica do Abraço Corporativo (CBAC).

Kauffman montou esse personagem a partir de um pastiche de ideias da bibliografia motivacional corporativa (criou uma tal de “Teoria do Abraço” como técnica de cura para a “inércia do afastamento” provocado pelas novas tecnologias) e de vídeos que anos antes circularam na Internet mostrando pessoas que ofereciam “abraços grátis” em cidades americanas e europeias como terapia para humanizar as metrópoles aproximando as pessoas.

Criou um evento público para divulgar a Teoria do Abraço Corporativo e postou o ator na Avenida Paulista em São Paulo com um cartaz no qual pedia abraços e fornecia o endereço na Internet do site da CBAC.


Não sem antes registrar em um cartório em Barueri/SP um documento no qual descreve a CBAC como “uma invenção que visa demonstrar à sociedade que, muitas vezes, ideias inconsistentes e/ou inverídicas ganham espaço na mídia. (...) criamos o personagem Ary Itnem, a Teoria do Abraço Corporativo, a CBAC e o documentário ‘O Abraço Corporativo’”. Ou seja, a ironia dessa barriga é que a verdade da razão social da CBAC estava disponível para consulta pública, assim como o próprio anagrama do nome do personagem. E nenhum repórter pensou em checar a procedência da tal Confraria e sequer da própria teoria.


Através do marketing viral, o vídeo de Itnem transformou-se em grande sucesso, fazendo o factoide chegar nas redações da grande mídia. Com o sucesso viral no Youtube, Ary Itnem se transformou em um personagem, uma isca perfeita para o jornalismo declaratório sempre em busca de tipos perfeitos que se encaixem nos scripts pré-estabelecidos pelas editorias.

A grande mídia mordeu a isca de um personagem que se
encaixava nos scripts pré-estabelecidos pelas editorias
O documentário mostra passo a passo como Ary Itnem e sua Teoria do Abraço Corporativo chegaram a programas de rádio e TV e nas entrevistas concedidas a jornais, revistas e portais de Internet. Depois disso o próximo passo: a “teoria” inventada passou a ser aplicada como prática motivacional por departamentos de recursos humanos e Ary Itnem passou a ser convidado a dar palestras em empresas que terminavam com todos trocando abraços, sempre ovacionado pelas plateias.

“O Abraço Corporativo” foi apresentado na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2010. As imagens do efeito dominó midiático produzido pelo personagem foi um vexame geral. Por razões óbvias, a imprensa fez pouco alarde, mantendo a discussão sobre o documentário em veículos especializados consumidos apenas por profissionais do Jornalismo e publicações acadêmicas.

Precarização do Jornalismo

No documentário vemos entrevistas com profissionais e acadêmicos que se dividem em duas posições opostas: de um lado nomes como o jornalista Bob Fernandes e o consultor de empresas Thomas Wood que denunciam a barrigada como o resultado de uma evolução perversa das empresas jornalísticas e as relações promiscuas entre mídia e ambiente corporativo; e do outro lado nomes como os professores da ECA-USP Manuel Chaparro e Eugenio Bucci e o jornalista Heródoto Barbeiro (uma das vítimas da “pegadinha”) que tentam recolher os pedaços e salvar a dignidade da grande mídia.

Para Bob Fernandes as razões da barrigada do Abraço Corporativo estariam na década de 1990: “a mídia estranhamente acreditava no que escrevia nos anos 1990, nos anos Fernando Henrique Cardoso. Por isso, se endividaram para se lançarem em aventuras como TV a cabo, companhias telefônicas e satélites. Quando se caiu na real com a maxidesvalorização da moeda, a mídia se viu quebrada”. Resultado: perda de qualidade nas redações jornalísticas convivendo com as novas tecnologias em tempo real, aceleração dos processos de produção de notícia, precarização profissional e afrouxamento dos controles dos critérios jornalísticos.

Ao contrário, Chaparro e Bucci tentam justificar que a “barriga” do abraço corporativo se deve a um jornalismo ainda em crescimento em uma democracia que ainda se desenvolve após um longo período de regimes autoritários.

O personagem em cena

O que impressiona nos primeiros contatos dos repórteres e produtores com Ary Itnem é a forma como tentam moldar seu personagem através de recursos ficcionais nas captações de imagens para as matérias jornalísticas. Repórteres se transformam em diretores de cena orientando gestos, simulando exercícios de relaxamento em um parque, repetindo tomadas até que vídeos e fotografias ficassem perfeitos e encaixassem na pauta pré-estabelecida pelos editores etc.

Há momentos impagáveis em que Ary Itnem posa abraçado em árvores para fotógrafos, fazendo pseudoposes de Yoga, meditando e olhando para o céu ao som dos cliques da máquina fotográfica. Além do desaparecimento do conceito de fotojornalismo (cada vez mais as fotos são posadas e produzidas) há uma bizarra situação nesses momentos do documentário. Uma estranha metaficção: a ficção do abraço corporativo sendo encaixando em narrativas ficcionais inventadas pelas redações dos jornais e revistas.

O jornalista Ricardo Kaufmann ofereceu ao jornalismo declaratório um personagem estereotipado perfeito, pronto para ser encaixado nas metanarrativas do clichê do executivo estressado que descobre os valores zen da filosofia oriental e do empreendedorismo ocidental ao supostamente criar um serviço para os RHs de empresas. O abraço zen-corporativo.

Após ter uma conversa pelo telefone com uma jornalista representando o personagem Ary Itnem, a certa altura o ator Leonardo Camillo desabafa: “sabe o que eu senti nas perguntas dela? Ela queria uma reposta minha pra ver se encaixava na matéria dela!”.

O Jornalismo está perdendo a credibilidade?

Após assistirmos ao documentário, podemos chegar a seguinte projeção em relação ao futuro: a grande mídia está perdendo progressivamente o capital da credibilidade acumulado em tempos heroicos do chamado “jornalismo literário”, gênero de resistência à censura dos governos militares de veículos como Realidade, O Pasquim e Jornal da Tarde.

O jornalismo literário brasileiro foi inspirado no chamado New Journalism dos EUA surgido na década de 1960 que misturava a narrativa jornalística com a literária como em publicações como a New Yorker – Tom Wolfe, Norman Mailer, Truman Capote foram os principais expoentes. Narrativas imaginativas onde eram privilegiados personagens utilizando citações e o ponto de vista subjetivo desses protagonistas dos fatos.  Matérias eram lidas como ficção, mas não eram ficção: as vezes a apuração das fontes e pesquisas duravam cinco anos, como no caso de “A Sangue Frio” de Truman Capote.

É exatamente isso que entra em declínio com as novas tecnologias que comprimem o tempo entre a coleta dos dados, redação, edição e publicação: não há tempo para apurações como destaca o jornalista Juca Kfouri no documentário.

As experiências inspiradas no New Journalism fizeram a imprensa brasileira acumular um capital de credibilidade com matérias críticas e algumas de importância histórica, textos que procuravam colocar personagens importantes em destaque como contraponto a um período de censura. A busca de personagens acabou se transformando em clichê e se deteriorou em jornalismo declaratório sem checagem de fontes ou pesquisa.

Além do mais há um fator subjetivo do jornalista em meio a um ambiente de trabalho cada vez mais precarizado: a ambição do jornalista parece estabelecer relação direta com a sua insegurança profissional. A busca de um bom personagem (e não mais de uma boa história) muitas vezes é vista como um veículo para a projeção profissional.

Mais do que isso, muitas vezes os jornalistas ficam fascinados pelos personagens, principalmente por aqueles poderosos e bem sucedidos. Admiração e até inveja pelo personagem corrói qualquer tipo de isenção resultando em perigosas relações turbinadas ainda pela falta de malícia e má formação de jovens profissionais.

Ficha Técnica


Título: O Abraço Corporativo
Diretor: Ricardo Kauffman
Roteiro: Ricardo Kauffman
Elenco: Leonardo Camillo, Heródoto Barbeiro, Prof. Dr. Manuel Chaparro, Prof. Dr. Mauro Wilton, Juca Kfouri, Bob Fernandes, entre outros
Ano: 2009
País: Brasil

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Quem ganha e quem perde com as CPIs

Primeiro passo é rasgar a fantasia. A CPI proposta, para apurar o caso Pasadena, tem duas ameaças objetivas e um propósito  subjacente.

As ameaças:
  1. Deixar Dilma Rousseff sangrando durante as eleições.
  2. No limite, batalhar por um impeachment.
O propósito: barganhar.


O governo Dilma conseguiu juntar um conjunto de fatores desfavoráveis — mas que, dependendo do ângulo que se olhe, podem ser vistos como positivos.

Barganhou pouco com o Congresso e com os grupos de mídia, mesmo pecado de Fernando Collor.

Apesar da visão desenvolvimentista, do esforço e dos mimos às federações empresariais, não é vista como um deles. Também não é vista como representativa dos movimentos sociais e  sindicais.

Por outro lado, mantém imagem de seriedade, terá o que mostrar na campanha eleitoral — daí a pressa da oposição. E tem o trunfo de ser conhecida por todos. Portanto, é garantia de previsibilidade — ainda que de uma previsibilidade desanimada —, ao contrário dessa maluquice de abrir a Caixa de Pandora de uma CPI.

Também tem a seu favor todos os grupos que não acreditam no potencial dos candidatos da oposição. Além, obviamente, da imensa massa de seguidores de Lula.

A aventura da CPI é um coquetel fantástico, que, quase sempre, mistura conspiradores, oposicionistas, políticos negocistas, meios de comunicação com interesses variados, de políticos a comerciais — em suma, a elite do subdesenvolvimento político-empresarial brasileiro. Vale para todos os tempos, inclusive para os tempos de PT oposição.

Assim como na crise de Vargas em 1954, como em 1964, na campanha do impeachment de Collor, papel central é ocupado pelos grupos de mídia e por sua capacidade de insuflar a opinião pública. Cabe a eles criar o clima, soltando matérias em cima de matérias, fundamentadas ou mesmo sem fundamento visando gerar a catarse.

Por aqui, uma notícia falsa — a de que Dilma fora conivente com a cláusula put (absolutamente usual em contratos dessa natureza) alimentou por quatro dias o denuncismo da imprensa. Mas ainda houve pausas e fôlego para esclarecer a informação.

Em uma CPI, será literalmente impossível. Serão uma denúncia e dez factoides por semana. Daí essa atração perigosa por CPIs.

Na campanha do impeachment de Collor, durante dias falou-se que ele movimentava milhões em sua conta pessoal, sacando e aplicando diariamente. E era apenas uma conta comum dos bancos, de reaplicação diária do saldo, o chamado overnight.

Criado o clima irracional, abre-se a Caixa de Pandora e os desdobramentos posteriores serão imprevisíveis, com a possibilidade de aparecer novos protagonistas não previstos inicialmente — como o grupo militar da Sorbonne em 1964.

Por aí se entendem dois movimentos prévios da mídia, procurando afastar dois atores potenciais:
  1. As críticas surpreendentes da Globo à intervenção militar de 1964 — inclusive através do Jornal Nacional.
  2. A operação desmonte Joaquim Barbosa. Como todo movimento que junta interesses variados, há a necessidade de um avalista moral. O candidato natural seria Joaquim Barbosa. Por imprevisível e incontrolável, foi descartado. Agora, tratam de trazer a cena a imagem simbólica de El Cid, o Campeador, esse  Varão de Plutarco de nome Fernando Henrique Cardoso.
Quem ganha com a CPI

Imagine-se que a Operação CPI seja bem sucedida.

Todos os atores envolvidos terão ganhos expressivos:

1. Grupos de mídia.

Voltarão a ter a imensa influência que obtiveram pós-impeachment e certamente acesso a facilidades para essa dura travessia para o mundo de competição da era digital.

2. Aécio e Eduardo Campos.

Já se apresentaram como os novos líderes da oposição e já ensaiaram pactos que assegurariam uma governabilidade, caso a crise se agrave.

3. Senadores e parlamentares em geral.

A CPI não sendo bem sucedida, todas as emendas parlamentares — que os grupos de mídia vivem apregoando como o veneno da democracia — serão liberadas, graças a essa parceria grupos de mídia-baixo clero. Sendo bem sucedida, estarão bem situados na próxima orquestração política.

O que não se combinou com os russos

É evidente que trata-se de uma aposta de alto risco, na qual os grupos podem sair vitoriosos... ou derrotado.

Então, se houver bons estrategistas de seu lado, terão que ponderar os seguintes fatores fora de controle:
  • Em 1964 havia um partido rachado, o PTB, sem uma liderança única, e com baixa ascendência sobre os novos incluídos. Agora, tem-se um partido orgânico, o PT, sob a liderança de um político, Lula, com fôlego para levantar o país.
  • Se fosse em 2010, ter-se-ia um STF maioritariamente partidarizado e um Procurador Geral da República engrossando o coro. Agora, não, há um STF legalista.
  • Em 1964 havia o tenentismo ainda uma voz influente nas Forças Armadas, organizando a reação e sendo fortalecido pela quebra de hierarquia militar. Agora, não mais, embora as comissões da verdade incomodem.
  • Em 1964, tinha-se a guerra fria e o fantasma presente de golpe dos dois lados — ainda que para um dos lados fosse apenas uma miragem.
  • Tinha-se também uma situação econômica difícil, com inflação e estagnação econômica. Agora tem-se uma economia andando de lado, mas com os menores índices de desemprego da história. E, em que pesem os erros cometidos, muito longe do caos econômico de 64.
  • Finalmente, teve o Comício da Central e a assembleia dos marinheiros, liberando forças incontroláveis. Agora, há cuidados.
Mais ainda. Uma radicalização do quadro político agravará sensivelmente o quadro econômico, produzirá uma guerra política sem quartel.

Quem quer bancar?

Quem perde com a CPI

Não sendo bem sucedida a operação, como ficarão os grupos?

1. Grupos de mídia.

Será a derradeira cartada. Cada demonstração excessiva de poder provoca desgastes consideráveis e aumenta os anticorpos daqueles que denunciam a cartelização da mídia. Os impactos sobre a economia terão efeitos pesados sobre a publicidade e sobre a situação financeira já combalida de muitos grupos.

2. Aécio e Campos.

Abrem mão da imagem de bom mocismo e apostarão firmemente na radicalização. Se derrotados, são varridos do mapa político; vitoriosos, se tornarão reféns dos grupos de mídia e da radicalização política brasileira.

3. Senadores e parlamentares em geral.

Os espertos saberão como barganhar e pular para o barco mais sólido. Mas arcarão com o desgaste pelas turbulências econômicas que vierem a provocar.

As saídas óbvias

Há dois tipos de impaciência alimentando a crise.

A da oposição é conhecida: a perspectiva de não apenas perder as eleições para a presidência da República mas para dois estados chaves, São Paulo e Rio.

Mas o combustível maior é de outra natureza.

Há tempos as pesquisas vinham apontando que o eleitor quer mudanças com Dilma Rousseff.

Quando a presidente não acena com nenhum sinal de mudança, persiste em uma teimosia férrea, não acata nenhuma crítica, nem as fundamentadas, alimenta a marola que, persistindo a teimosia, transforma-se em inundação.

Luis Nassif
No GGN
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Deputado ligado a Serra articulou denúncias contra Petrobras

Em 2012, o deputado baiano Antônio Imbassahy — estreitamente ligado a José Serra — foi autor de quase vinte requerimentos de pedidos de informações à Petrobras.

Recebeu informações inéditas sobre as refinarias Pasadena, Okinawa, Abreu de Lima e SBM Offshore, contratos para encomendas de navios e plataformas pelo estaleiro Atlântico Sul, e também sobre reformas de refinarias, como a Repar, do Paraná.

Os documentos foram preservados, aguardando o período eleitoral.

Jutahi Magalhaes, José Serra e Imbassahy


Foram justamente esses documentos — secretos — que serviram de base para as reportagens dos últimos dias que deram pretexto para a criação da CPI.

Informações reservadas, fornecidas pela Petrobras ao Congresso, estão sendo utilizadas eleitoralmente, expondo a companhia à execração pública.

Ontem, a Folha publicou a matéria “Documento sobre Pasadena enviado ao Congresso foi violado” (leia abaixo)

Dizia que documento reservado encaminhado em dezembro de 2012 pela Petrobras — com informações sobre a compra da refinaria Pasadena — teria chegado violado ao seu destino.

A denúncia partiu do próprio deputado Imbassahy em 18 de dezembro daquele ano. Ontem — segundo o jornal — Imbassahy foi procurado, confirmou o episódio “mas não quis dar detalhes”.

Luis Nassif
No GGN

* * *

Como vazaram documentos secretos da Petrobras?


Em 2012, o líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Antonio Imbassahy (PSDB-BA), requereu informações à Petrobras e recebeu um lote de documentos altamente confidenciais, com dados, inclusive, sobre a compra da refinaria de Pasadena, no Texas; havia o compromisso de manter tudo em sigilo, mas, nos últimos dias, informações ali contidas alimentaram denúncias na imprensa contra a empresa; além disso, num movimento altamente heterodoxo, o deputado tucano informou à Câmara que recebeu aquele lote de informações num envelope sem lacre; será que Imbassahy se vacinou?

Em 2012, o líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Antonio Imbassahy (PSDB-BA) requereu várias informações à Petrobras. A estatal decidiu enviá-las, desde que fosse mantido o compromisso da confidencialidade, uma vez que ali constavam documentos altamente secretos da companhia.

Adversário do PT na Bahia, desde então Imbassahy se tornou um dos mais aguerridos críticos da compra da refinaria de Pasadena, no Texas. Naquele momento, especulava-se que o ex-presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli seria candidato à sucessão do governador baiano Jaques Wagner.

Pasadena era, portanto, um caso local, que só agora ganhou repercussão nacional. Por isso mesmo, nos últimos dias várias informações confidenciais que ali estavam passaram a vazar para os jornais. Qual foi a fonte? Jamais se saberá, uma vez que a Constituição assegura aos jornalistas o sigilo da fonte.

No entanto, Imbassahy cometeu um ato falho. Já em 2012, ele enviou um ofício à primeira-secretaria da Câmara dos Deputados, informando que o envelope com documentos secretos da Petrobras chegou à Câmara sem lacre. Será que foi uma vacina?

Ontem, o site do jornal Folha de S. Paulo publicou matéria a respeito. Leia abaixo:

Documento sobre Pasadena enviado ao Congresso foi violado

ANDRÉIA SADI
DE BRASÍLIA

Documento elaborado pela Petrobras com informações sobre a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, e encaminhado em dezembro de 2012 em caráter reservado à Câmara dos Deputados, chegou violado ao seu destinatário.

Além de chegar sem qualquer lacre, faltavam duas páginas que, soube-se depois, diziam respeito exatamente ao negócio do Texas.

A primeira-secretaria da Câmara, então controlada pelo ex-tucano Eduardo Gomes (TO), hoje no partido Solidariedade, recebeu um ofício do deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA) no dia 18 de dezembro de 2012 comunicando que o conteúdo de caráter "reservado'' das respostas prestadas pela Petrobras (e encaminhadas pelo Ministério de Minas e Energia) a um requerimento de informações chegaram ao seu gabinete "totalmente aberto", sem identificação do grau de sigilo.

Ao tomar conhecimento do teor do documento, o deputado constatou, segundo ofício da primeira-secretaria a que a Folha teve acesso, "a ausência das folhas 3 e 4, coincidentemente, essas folhas continham respostas aos questionamentos sobre a operação de aquisição, pela Petrobras, da refinaria situada em Pasadena".

Gomes, então, abriu uma apuração administrativa à época para apurar a "violação do citado sigilo".

A assessoria de Gomes disse à reportagem que, conforme apuração, "houve uma falha nas cópias enviadas ao parlamentar" pois os originais ficam arquivados e que desconhecia o conteúdo das páginas "pois não foi dado acesso de seu teor a ninguém''.

O serviço administrativo da seção diz ter constatado que os documentos foram enviados pelo Ministério das Minas e Energia "sem envelope" e sem os procedimentos que regulamentam o tratamento de informação classificada em grau de sigilo.

O ministério foi, então, comunicado para corrigir o documento para o nível reservado. A primeira-secretaria nega que tenham vazado informações do documento.

Procurado pela Folha, Imbassahy confirma o episódio, mas não quis comentar os detalhes.

A assessoria do ministério também foi procurada pela reportagem, mas não retornou até a publicação da reportagem.
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Os cabelos da Coreia do Norte e a falência do jornalismo global


Receita prática e rápida de jornalismo barato: pegue uma notícia esdrúxula numa agência de notícias qualquer, adicione uma dose generosa de pimenta sensacionalista, bata tudo no liquidificador e sirva, sem filtrar, para que os desavisados saiam por aí papagaiando para ajudar a mídia a vender mais notícia barata. A última foi o que a mídia nacional noticiou, ou, ecoou: “homens são obrigados a usar o mesmo corte de cabelo na Coréia do Norte”. Quando vi tal notícia no telejornal mais visto do Brasil, eu, escaldado pela gloriosa velha mídia, comentei com quem assistia comigo: quer apostar que essa notícia é falsa? Fui à internet e não deu outra: não há confirmação alguma sobre a veracidade da notícia, que partiu da BBC.

O curioso é que a senha para o desmonte do factoide está na própria notícia disponível no site da BBC, na base da malandragem da “uma fonte ouvida”; ou: “há relatos conflitantes”. Bom, essa coisa de “fonte”, a vaca sagrada do jornalismo (para o bem ou para o mal), é tão confiável como aquela fofoca que você ouviu a respeito do seu chefe a partir do relato do seu colega, que ouviu do vizinho, que ouviu do amigo de um primo que é muito amigo do irmão do chefe. Tudo fonte fidedigna, claro, não importa que você não tenha entendido bulhufas sobre a engenharia da rede de informação do colega.

Voltemos aos cabelos da Coréia do Norte. Pesquisando um pouco mais, você descobre que alguns poucos — porém criteriosos —  informativos desconfiam da tal notícia. O jornal israelense Haaretz, por exemplo, lembra que as extravagâncias do líder norte-coreano Kim Jong-un e mais as dificuldades de se verificar a veracidade da notícia num regime fechado como a Coréia do Norte, dá margem a toda sorte de “criatividade jornalística”. O que existiria de fato — segundo relatos, frise-se — seria uma campanha na Coréia do Norte para que os homens não usem cabelos compridos. E só. Tal informação teria surgido em 2008 quando o jornal japonês (epa!) Mainichi Shimbun, sem citar fontes críveis, teria noticiado que Kim Jong-il (pai de Kim Jong-un), que adorava basquete, teria torcido o nariz ao ver jogadores de um time norte-coreano de cabelos compridos. “Isso é time de homens ou de mulheres?” — teria comentado o ex-líder norte-coreano, falecido em 2011. Logo após aquele jogo de basquete, o governo teria espalhado avisos (ninguém sabe informar se é proibição ou orientação) em locais de trabalho para que homens evitassem usar cabelos compridos. Em seguida, um viral na internet passou a espalhar a “notícia” que a Coréia do Norte havia liberado apenas 28 tipos de cortes de cabelos — 14 para homens e 14 para mulheres; a “Radio Free Ásia”, que é bancada pelos EUA (epa! epa!), fala em 10 cortes para homens e 18 para mulheres. Uma pequena divergência ante um contexto tão idôneo, criterioso e relevante com que o jornalismo ocidental presenteia a humanidade, não?!

Moral da história: com dez minutos de pesquisa na internet, foi fácil para um usuário de computador verificar o contraditório que afronta o factoide. Se a velha mídia — com toda sua estrutura (financeira, humana, estrutural e técnica) — é incapaz, ou melhor, não faz questão alguma de verificar isto, é sinal que, para a indústria da informação, a verdade factual se tornou, há um bom tempo, subproduto descartável ante a facilidade de se inventar, manipular e vender uma notícia turbinada para ficar atraente. E se o jornalismo irresponsável tem tal facilidade é porque sabe que, na outra ponta, a maioria das pessoas acatará como verdade — esmagando a minoria com senso crítico que ainda teima em prezar o bom jornalismo e gritar por ele.

Fontes:
Matéria na BBC:
http://www.bbc.com/news/blogs-news-from-elsewhere-26747649

Matéria ecoada pelo Jornal Nacional, da Globo:



Haaretz questiona a notícia:

http://www.haaretz.com/news/features/1.582231

Michel Arbache
No GGN
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Entre a Justiça e a farsa


Depois da vitória correta de Azeredo no STF cabe perguntar por que os réus da AP 470 não tiveram o mesmo direito

Ao decidir, por 8 votos a 1, que Eduardo Azeredo deve ser julgado em Minas Gerais pelas denúncias ligadas ao mensalão tucano, o Supremo fez a opção correta entre a farsa e a justiça.

A farsa, como se sabe, consistia em negar a Azeredo o direito de ser julgado em primeira instancia — e depois pedir um segundo julgamento em caso de condenação, como a lei assegura a todo cidadão sem prerrogativa de foro — apenas para manter um teatrinho coerente com a AP 470.

Eduardo Azeredo teve seu direito reconhecido pacificamente, por 8 votos 1, placar tão folgado que desta vez não se ouvirá o coralzinho de quem culpa os “dois ministros da Dilma” por qualquer resultado que não lhe agrada.

Em nome da mitologia em torno do “maior julgamento da história” se poderia querer repetir uma injustiça por toda a história.

Assim: já que nenhum réu ligado ao PT teve direito a um julgamento em primeira instância, o que permite a todo condenado entrar com um recurso para obter um segundo julgamento, era preciso dar o mesmo tratamento a pelo menos um dos réus ligados ao PSDB.

Para esconder um erro, era preciso cometer um segundo — quando todo mundo sabe que isso não produz um acerto, mas apenas dois erros.

Com decisão de ontem ficou um pouquinho mais fácil reconhecer um fato que já é reconhecido por um número crescente de estudiosos, de que a AP 470 foi resolvida como um julgamento de exceção.

Nas fases iniciais das duas ações penais, não custa lembrar, o STF deu sentenças diferentes para situações iguais, o que sempre pareceu escandaloso.

Desmembrou o julgamento dos tucanos. Apenas réus com mandato parlamentar — Azeredo e o senador Clésio Andrade — ficaram no Supremo.

O mesmo tribunal, no entanto, fez o contrário na AP 470. Todos — parlamentares ou não — foram julgados num processo único, num tribunal único.

Mesmo quem não tinha mandato parlamentar foi mantido no STF, onde as decisões não têm direito a recurso e, apenas em casos muito especiais, é possível, entrar com os embargos infringentes.

Mesmo assim, na AP 470 havia até o risco, como se viu, de negar embargos, não é mesmo?

Ao decidir que o ex-deputado mineiro deve ser julgado nas regras que a Constituição e a jurisprudência sempre asseguraram a todos os réus em situação semelhante — a única exceção foi o notório Natan Donadon, com várias particularidades — o STF coloca outro debate em questão.

Se Eduardo Azeredo terá direito — corretamente — a um segundo julgamento, caso venha a ser condenado, por que os réus da AP 470 não podem fazer o mesmo?

Essa é a pergunta, desde ontem. Se os réus da AP 470 não tiveram direito a um novo julgamento — seja através de uma revisão criminal, seja na Corte Interamericana de Direitos Humanos — teremos a confirmação da farsa dentro da farsa, a exceção dentro da exceção. Tudo para os amigos, nem a lei para os adversários.

Paulo Moreira Leite
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Supremo salva o PSDB. Grotesco!


Por oito votos a um, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta quinta-feira (27), que o ex-governador Eduardo Azeredo, envolvido no "mensalão tucano", deverá ser julgado pela primeira instância da Justiça Federal, em Minas Gerais. A decisão comprova, uma vez mais, que o STF é um tribunal eminentemente político e que não tem nada de imparcial. Para atingir as forças de esquerda, ele promoveu um show midiático no julgamento do "mensalão petista", com direito a transmissão diária pela televisão. Agora, ele libera o grão-tucano Eduardo Azeredo, que inclusive foi presidente nacional do PSDB, e dá sua mãozinha para a oposição de direita nas eleições de outubro próximo.

O argumento utilizado pelos ministros do STF para salvar o PSDB é grotesco. Os juízes alegam que o tucano mineiro renunciou ao mandato de deputado federal e, com isso, perdeu a prerrogativa de foro privilegiado. Mas, então, porque o Supremo cometeu a notória ilegalidade de julgar José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares? No caso dos petistas, tudo foi feito para atrair os holofotes da mídia, num evidente tribunal de exceção com motivação política. Já no caso de Eduardo Azeredo, que renunciou há poucos dias, o STF alegou motivo "técnico" para remeter o caso à primeira instância.

Com base em farta documentação, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, acusou o tucano pelos crimes de desvio de dinheiro público durante a campanha pela reeleição ao governo mineiro, em 1998, e pediu a condenação do ex-deputado a 22 anos de prisão. Temendo a cassação e cedendo à pressão da cúpula do PSDB, preocupada com o desgaste da imagem do partido num ano de eleições, Eduardo Azeredo renunciou em fevereiro. "É evidente que ele renunciou pra não ser julgado no STF", disse o ministro José Antonio Dias Toffoli em sua exposição na sessão desta quinta-feira.

Mesmo assim, o Supremo optou por remeter o processo à primeira instância. A decisão pode resultar, inclusive, na prescrição da pena. O caso do "mensalão tucano", que se arrasta há 11 anos, não tem prazo para começar a ser julgado na Justiça de Minas Gerais. A tendência é que Eduardo Azeredo fique em liberdade — diferentemente dos "mensaleiros petistas" — e que a mídia tucana simplesmente abafe o escândalo. Não haverá transmissão ao vivo pela tevê, nem manchetes nos jornalões e nem capas nas revistonas. O "mensalão mineiro", como a mídia insiste em chamar a sujeira tucana, acabará no esquecimento e terá pouca interferência na batalha eleitoral deste ano. Haja Justiça!

Altamiro Borges
No Blog do Miro
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Como o PT pode responder à CPI


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Juristas aumentam críticas contra o projeto de novo Código Penal


Assim nos preparamos para produzir uma fábrica de Pedrinhas

O que já estava ruim ficou ainda pior.

Não bastassem as avalanches de críticas formuladas ao projeto de novo Código Penal quando da comissão designada pelo senador José Sarney (PMDB-AP), outras agora se somam ao texto compilado pelo senador Pedro Taques (PDT-MT), produzido em ritmo também acelerado.

O fato de o nosso Código Penal ter a sua base de 1940 pode parecer que a mudança já vem tarde e não pode esperar.

Mas não é bem assim.

Parte considerável das leis penais foram produzidas em anos recentes e o mais inusitado é perceber que foram justamente as novas leis as que mudaram mais rapidamente, como, por exemplo, a legislação dos entorpecentes. Justamente porque foram produzidas com mais apelo publicitário do que técnico.

Juristas, professores e diversos profissionais do direito lançaram nesta semana um manifesto (leia aqui) em que expõem inúmeras objeções ao projeto que, diferentemente do prometido, não dialogou com as críticas anteriormente formuladas.

O cipoal de restrições técnicas do documento capitaneado pelo renomado professor Juarez Tavares, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, dá conta da indigência jurídica do projeto.

Mas a questão maior ainda é política.

O projeto é mais um passo do populismo penal que promete uma segurança que jamais entrega e, como consequência, deve produzir um sensível aumento na população carcerária, que, no Brasil, já cresceu 400% nos últimos vinte anos.

Enfim, nos preparamos para produzir mais uma fábrica de Pedrinhas e Carandirus.

No momento em que mais se discute no mundo a inconveniência e os malefícios da guerra às drogas, o projeto a mantém intacta e avaliza a seletividade penal ao limitar-se a descriminalizar o porte não ostensivo de entorpecente. Afinal, a droga pode estar nos escaninhos mais altos da sociedade, mas é só a das vielas que provoca punição.

Todos os pequenos avanços são compensados com aplicações draconianas de penas e extinção de institutos consagrados (como o sursis e o livramento condicional), numa sanha punitiva que pretende, ainda, esvaziar o tradicional sistema progressivo.

Como já se supunha desde a entrega do relatório da comissão Sarney, as mudanças de vanguarda foram abandonadas, como ampliação de casos de descriminalização do aborto, da eutanásia e a tipificação da homofobia, temas que a bancada religiosa jamais permite avançar.

De outra parte, para parecer moderno, o projeto contempla a criação de crimes que mal conhece e define pior ainda, como o stalking e o bullying, que servirão no máximo para desviar a atenção, dado o contumaz apego midiático ao dito inovador.

Já se disse ser necessário mudar o Código Penal para nele incluir o terrorismo, já se pregou a aprovação imediata antes da Copa do Mundo, como se um documento de fonte tão duradoura pudesse ser planejado para um evento, e até mesmo que o presidente do Senado lutaria por sua aprovação no último ano de seu derradeiro mandato.

Mas um Código Penal não pode servir nem à demagogia nem a vaidades — pois o que ele regula, em última instância, são vidas humanas.

Não faz muito, o Congresso aprovou mudanças na lei processual tentando reduzir o expressivo volume de presos provisórios nas cadeias brasileiras.

As mudanças exageradamente tímidas não surtiram o efeito desejado e o encarceramento segue crescendo sem qualquer impacto sensível na redução da criminalidade. Da última vez que endurecemos fortemente as penas, com a Lei de Crimes Hediondos, herdamos mais presos, mais crimes e as facções criminosas.

Aumentar tempo de prisões, por intermédio das progressões ou limitar os regimes mais brandos só tende a tornar o quadro ainda mais caótico.

Relegar a pena de prisão apenas a crimes graves, concentrar a ação da justiça nos fatos relevantes, aumentar a capacidade de investigação da polícia são medidas que têm resultado mais profundo do que um novo Código produzido de afogadilho, para lustrar reputações.

Marcelo Semer
No Sem Juízo
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Para o brasileiro, "se a mulher soubesse se comportar haveria menos estupros"

Estudo do Ipea mostra que a população não tolera violência doméstica, mas aceita discurso de que a vítima é quem provoca a agressão

Abertura da Campanha de Enfrentamento da Violência contra
a Mulher, em Porto Alegre
Cristine Rochol/ PMPA
“Se as mulheres soubessem se comportar haveria menos estupros”. “Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”. “Tem mulher que é pra casar, tem mulher que é pra cama”. “Em briga de marido e mulher não se mete a colher”.

Frases como essa são aceitas, parcial ou totalmente, pela maioria dos brasileiros em pleno 2014. A conclusão, divulgada nesta quinta-feira 27, faz parte de uma pesquisa sobre tolerância social à violência contra mulheres realizada com 3.810 pessoas pelo Sistema de Indicadores de Percepção Social (Sips) do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Segundo o mesmo estudo, ao menos um terço dos brasileiros aceita, total ou parcialmente, ideias como a de que a mulher casada deve satisfazer o marido na cama, mesmo sem vontade, ou que casos de violência dentro de casa devem ser discutidos somente entre os integrantes da família.

O resultado mostra alguns pontos aparentemente contraditórios no discurso sobre violência doméstica no Brasil. Por exemplo: a grande maioria dos entrevistados (78%) concorda "totalmente" com a prisão de maridos que batem em suas mulheres e refuta a ideia de que a violência é apenas uma manifestação da natureza masculina (75%).

O paradoxo, segundo os pesquisadores, é apenas aparente. A começar pela dificuldade em desmascarar os perigos de considerar essas agressões uma questão privada a ser resolvida na intimidade dos lares. Para 82% dos entrevistados, o que acontece com o casal em casa não interessa aos outros — portanto, tem menos possibilidades de ser verbalizado e tratado como crime. É aí que mora o perigo.

No discurso, o brasileiro tende a condenar veementemente a violência, física ou psicológica, mas ainda tem dificuldades em dissociar essa violência de um conjunto de normas socialmente aceitas. Essa dificuldade se revela sobretudo quando o tema é violência sexual. A diferença de postura de tolerância/intolerância à violência doméstica e à violência sexual, dizem os pesquisadores, reafirma a dificuldade de se estabelecer no Brasil uma agenda de direitos sexuais.

“Por maiores que tenham sido as transformações sociais nas últimas décadas, com as mulheres ocupando os espaços públicos, o ordenamento patriarcal permanece muito presente em nossa cultura e é cotidianamente reforçado na desvalorização de todas as características ligadas ao feminino, na violência doméstica, na aceitação da violência sexual”, conclui o estudo.

Segundo os pesquisadores, a culpabilização da mulher pela violência sexual fica evidente quando, por exemplo, 58% dos entrevistados dizem concordar "totalmente" com a afirmação de que ela só é vítima de agressão sexual por não se comportar de maneira adequada. “Por trás da afirmação está a noção de que os homens não conseguem controlar seus apetites sexuais; então, as mulheres, que os provocam, é que deveriam saber se comportar, e não os estupradores. A violência parece surgir como uma correção: ela merece e deve ser estuprada para aprender a se comportar. O acesso dos homens aos corpos das mulheres é livre se elas não impuserem barreiras, como se comportar e se vestir ‘adequadamente’”.

Toda mulher quer se casar

Esse retrato não surge do nada. Tem como base a aceitação de um modelo que coloca o homem omo “referência” em todos os espaços sociais. Nesse modelo, são os homens que detêm o poder público e o mando sobre o espaço doméstico - e sobre os corpos e vontades das mulheres.

Essa ideia fica evidente, por exemplo, quando 64% dos entrevistados dizem que “os homens devem ser a cabeça do lar” ou quando 79% afirmam que “toda mulher sonha em casar”.

Parecem frases inofensivas, mas não são. Por trás das afirmações, apontam os pesquisadores, está a ideia de que a mulher somente pode encontrar a plenitude em uma relação estável com um homem — ou que deve ser recatada sem almejar uma vida de solteira com muitos parceiros. Essa ideia, segundo o estudo, tem influência marcante da religião: católicos têm chances 1,5 vez maior de concordar com a afirmação de que toda mulher sonha em casar, e os evangélicos, 1,8. O índice cai, no entanto, entre grupos mais escolarizados. “Aqueles que consideram o homem como 'cabeça do lar' têm propensão maior a achar que a mulher é responsável pela violência sexual”, escrevem os autores.

Há uma tendência, no entanto, de discordar da ideia de que a mulher deve satisfazer as vontades do marido — o índice dos que refutam essa ideia (65%) é maior do que o de quem a aceita total ou parcialmente (41%). “Essa afirmação coloca subliminarmente a delicada questão do estupro no âmbito do casamento, um tabu resultante do confronto entre os comportamentos e desejos sexuais femininos e masculinos.”

A conclusão dos pesquisadores é que, de maneira geral, há hoje uma dificuldade em admitir posturas mais toleráveis à violência de gênero. "Resta saber se as práticas também seguem esse movimento, e os indícios parecem apontar que não."

Matheus Pichonelli
No CartaCapital
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Venezuela es la nación menos desigual de América Latina

Las políticas sociales implementadas por la Revolución Bolivariana están dirigidas a masificar la educación y los planes alimentarios, principalmente, hacia los sectores populares. Éstas son parte de una inversión social de 623 mil 580 millones de dólares en los últimos 15 años.

Unasur participó en el Seminario Suramericano sobre Inclusión
Social en Caracas
El vicepresidente venezolano para el Área Social, Héctor Rodríguez, destacó que su país es el menos desigual de América Latina, de acuerdo con su posición en el índice de GINI, método utilizado para medir la desigualdad en la distribución de los ingresos, y gracias al proyecto de nación que ideó el líder de la Revolución Bolivariana, Hugo Chávez.

“Con un índice de GINI de 0,390, el cual oscila entre 0 para el país con mayor igualdad y 1 para el de más desigualdad, Venezuela es un país cada vez menos desigual”, precisó Rodríguez, durante su alocución en el Seminario Suramericano sobre Inclusión Social que se realizó este jueves en Caracas.

En la cita participaron representantes de la Unión de Naciones Suramericana (Unasur), a quienes Rodríguez recordó que antes de la llegada del Comandante Hugo Chávez al poder, en el año 1998, el índice GINI se ubicaba en 0,486.
En ese sentido, el también ministro de Educación afirmó que el indicador que ubica a Venezuela más cerca de la igualdad social es “consecuencia directa de la redistribución de la riqueza y del poder al pueblo”, uno de los principios fundamentales del Gobierno Bolivariano.

"Chávez creó un sistema de redistribución de riqueza, de redistribución del poder para el pueblo, impulsando que sea el mismo pueblo quien se apropie del poder para trasformar su realidad, la de su comunidad, e incidir en la transformación de la vida de la Patria", explicó el funcionario.

Además, destacó el éxito de las políticas sociales implementadas por la Revolución, dirigidas a masificar la educación y los planes alimentarios, principalmente, hacia los sectores populares, así como una inversión social de 623 mil 580 millones de dólares en los últimos 15 años.

De igual manera, resaltó que Venezuela cuenta con un Índice de Desarrollo Humano (IDH) mediano-alto de 0,748. Éste es un indicador elaborado por el Programa de las Naciones Unidas para el Desarrollo (PNUD), que se mide de forma creciente de 0 a 1.

Añadió que en América Latina el IDH se ubica en 0,741 y respecto al orden mundial es de 0,694. Además, precisó que el índice de satisfacción con calidad de vida es de 6,5 en Venezuela, mientras que el promedio mundial es de apenas 5,3 en una escala del 1 al 10 que realiza la Organización de Naciones Unidas.

No teleSUR
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Arrecadação bate recorde e quebra argumento da S&P


Principal justificativa para rebaixamento de rating do Brasil foi o do chamado risco fiscal; mas menos de 24 horas após a Standard & Poor´s divulgar a queda da nota de BBB para BBB-, Receita Federal informa que arrecadação de impostos em fevereiro bateu recorde histórico para este mês do ano; R$ 83,17 bilhões entraram para os cofres do governo; S&P alegou que País deixa dúvidas sobre pagar seus compromissos, porém, entrada de impostos mostra que economia está robusta e País apto a enfrentar seus vencimentos; rebaixamento um dia antes da nova informação da Receita foi apenas coincidência ou incompetência da equipe chefiada por Lisa Schineller?; a propósito: Bolsa de São Paulo abriu o dia subindo 0,77%

O risco fiscal foi apontado pela agência de classificação de risco Standard & Poor´s, dos Estados Unidos, como principal justificativa para rebaixar, ontem, o rating do Brasil de BBB para BBB-. Mas, menos de 24 horas após a decisão, a economia brasileira acaba de apresentar mais um dado de crescimento – e justamente no quesito fiscal.

A arrecadação de impostos no mês de fevereiro ficou em R$ 83, 17 bilhões, batendo o recorde da Receita Federal para o segundo mês do ano. Em relação a fevereiro de 2013, a alta foi de 3,44%. No bimestre janeiro-fevereiro também houve alta na entrada de recursos de impostos nos cofres do governo de 1, 91% acima da inflação em relação ao mesmo período do ano anterior.

O resultado da arrecadação em fevereiro mostra uma economia que cumpre suas obrigações. Uma economia que está gerando recursos suficientes para quebrar um novo recorde de arrecadação.

No mercado financeiro, as projeções de economistas ouvidos pelo jornal Valor Econômico, das famílias Frias e Marinho, apontavam para uma "deterioração" na arrecadação de fevereiro, mas o que houve, na realidade, foi o contrário. Trabalhando com este tipo de expectativa, a S&P procurou atingir o Brasil, mas a resposta foi imediata.

É claro, porém, que agora isso não importa mais para a S&P. O serviço encomendado à equipe chefiada por Lisa Schineller foi feito. A ponto de, agora, a mesma S&P informar que não pretende fazer novo rebaixamento da nota brasileira.

A propósito: de olho nos números, a Bolsa de Valores de São Paulo abriu o dia em alta de 0,77% sobre a véspera. 

Abaixo, notícia da Agência Brasil a respeito e, em seguida, informação da Agência Reuters sobre a garantia da S&P de que não irá rebaixar o País novamente (ao menos não tão cedo):

Arrecadação de impostos federais fica em R$ 83 bi e bate recorde para o mês

Brasília
Daniel Lima - Repórter da Agência Brasil 

A arrecadação de impostos e contribuições federais em fevereiro ficou em R$ 83,137 bilhões, resultado recorde para o mês. Corrigida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a alta é de 3,44% ante fevereiro de 2013.

No bimestre, a arrecadação teve crescimento real [corrigido pela inflação] de 1,91% na comparação com o mesmo período do ano passado, com R$ 206,804 bilhões, resultado recorde também para o período.

De acordo com a Receita Federal, o resultado decorreu da redução do recolhimento de impostos apurados com base na estimativa mensal – Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, ocorrida em fevereiro de um pequeno grupo de empresas.Houve ainda efeito das desonerações tributárias adotadas pelo governo para combater a crise econômica, em especial, folha de pagamento, Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) dos combustíveis, Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) dos automóveis e Imposto sobre Operação Financeira (IOF) para crédito à pessoa física.

A arrecadação sofreu impacto também de indicadores macroeconômicos como a produção industrial, com queda de 2,44% em comparação a fevereiro do ano passado. Por outro lado e na mesma base de comparação, houve aumento na venda de bens e serviços (3,46%), na massa salarial (9,33%) e no valor em dólar das exportações (13,16%).

S&P diz que não contempla novo rebaixamento do Brasil

RIO DE JANEIRO, 25 Mar (Reuters) - A agência de classificação de risco Standard & Poor's indicou nesta terça-feira que não vê novo rebaixamento para o Brasil, destacando que isso só acontecerá se os indicadores externos tiverem forte deterioração e se o governo romper seu compromisso com políticas pragmáticas.

"Reduzir os ratings de novo é realmente um cenário que nós não estamos contemplando", disse a analista da agência Lisa Schineller em uma conferência telefônica com analistas e jornalistas.

A S&P disse que, apesar de ter identificado uma certa deterioração nas políticas fiscal e monetária brasileiras, o governo continua comprometido com o combate à inflação e com o cumprimento de metas de superávit primário.

Na segunda-feira, a S&P cortou o rating soberano do Brasil para "BBB-", a faixa mais baixa da categoria de grau de investimento, ante "BBB", com perspectiva estável.

Apesar disso, não havia grande impacto sobre os mercados brasileiros nesta terça-feira, uma vez que o movimento já era esperado pelos investidores e, por isso, já havia tinha precificado. Assim, o dólar tinha leve queda ante o real, assim como os juros futuros, enquanto a Bovespa subia.

Reportagem de Walter Brandimarte
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