21 de mar de 2014

O caso Petrobras-Pasadena à luz da economia mundial em 2006


Havia na época foi um boom inédito de commodities e uma abundância extraordinária de financiamentos. Foi o período em que as multinacionais brasileira lançaram-se no mundo

Ao se dizer não suficientemente informada sobre a compra da refinaria Pasadena, a presidente Dilma Rousseff atiçou uma fogueira que estava sob controle. Especialmente pelo desconhecimento de algumas cláusulas comuns a operações de fusões e aquisições.

Nos próximos dias será uma atoarda de denuncismo, misturando temas técnicos com escandalizações primárias.

É literalmente impossível armar uma operação dessa envergadura em cima de dados falsos e com aval do Conselho da companhia. Para uma empresa como a Petrobras, com acionistas no mundo inteiro, há uma fiscalização ampla que passa por agências de risco, por departamentos econômicos de grandes bancos de investimento.

A precificação de uma refinaria obedece a padrões internacionais, que envolve poucas variáveis — a mais volátil das quais é o preço do petróleo em bolsas internacionais.

Na exploração é muito mais difícil a precificação de bacias, pela dificuldade na mensuração exata do potencial e dos custos de exploração, antes de iniciados. Para as refinarias, não.

O que se tinha na época foi um boom inédito de commodities e uma abundância extraordinária de financiamentos. Ora, era a bolha que explodiria pouco depois e que, até a véspera, não fora prevista pelos maiores experts de mercado. E foi um período em que as multinacionais brasileira lançaram-se no mundo.

Em 2006 a Vale adquiriu a canadense Inco pagando US$ 18 bilhões por 75,66% das ações da companhia. Em 2009, com a queda geral nos preços de commodities, foi obrigada a realizar uma baixa contábil de US$ 2,9 bi no valor da Inco. Ou a compra das minas de ferro de Eike Baptista pela Anglo American por US$ 5,5 bi

Ou seja, os maiores gestores mundiais e brasileiros lançaram-se no mercado aproveitando a excepcional liquidez da época. Esse quadro se inverte radicalmente após a crise de 2008. Na história do capitalismo do século apenas em 1929 houve uma reversão tão expressiva nos preços dos ativos.

Conselho de Administração

Quando ao Conselho de Administração da companhia, era formado por grandes executivos do país, acostumados com práticas consagradas internacionalmente, de fusões e aquisições.

Cláudio Haddad foi sócio do Banco Garantia, um dos pioneiros da fase de fusões dos anos 90. Diz ele: A gente achou que seria um bom negócio para a Petrobras. Eu me lembro que teve uma 'fairness opinion' (recomendação de uma instituição financeira), que foi do Citibank, que comparou preços, recomendou e mostrou que estava perfeitamente dentro, até abaixo dos preços praticados na época. Como o investimento fazia sentido, o preço estava ok, não havia por que o conselho não aprovar”. “Se teve (apresentação das cláusulas Marlim e de Put Option), realmente, não me lembro. Procurei até ver se eu tinha a apresentação do 'management' nessa reunião, mas não achei, porque era tudo papel na época”.

Jorge Gerdau Johannpeter comandou um amplo processo de aquisições internacionais da sua siderúrgica. Diz ele: "O Conselho de Administração da Petrobras baseou-se em avaliações técnicas de consultorias com reconhecida experiência internacional, cujos pareceres apontavam para a validade e a oportunidade do negócio, considerando as boas perspectivas de mercado para os anos seguintes. Entretanto, a crise global de 2008 alterou drasticamente o potencial de crescimento do mercado nos anos subsequentes".

Atual presidente da Abril, Fábio Barbosa presidia o ABN Amro e a Febraban: Diz ele: " A proposta de compra de Pasadena submetida ao Conselho em fevereiro de 2006, da qual eu fazia parte, estava inteiramente alinhada com o plano estratégico vigente para a empresa, e o valor da operação estava dentro dos parâmetros do mercado, conforme atestou então um grande banco americano, contratado para esse fim. A operação foi aprovada naquela reunião nos termos do relatório executivo apresentado."

Luis Nassif
No CartaCapital
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Israel promove ‘colonialismo’, ‘apartheid’ e ‘limpeza étnica’ na Palestina, diz relator da ONU

Pai e filho, ambos palestinos, entre os seus pertences após demolição de sua casa promovida pelo governo de Israel, em Jerusalém Oriental, pouco antes do Natal do ano passado. Segundo relator da ONU, Israel mantém milhares de presos políticos palestinos, incluindo crianças, com muitos sendo submetidos a maus-tratos e tortura. Foto: UNRWA
Um especialista independente das Nações Unidas em direitos humanos pediu nesta sexta-feira (21) uma avaliação, por parte da Corte Internacional de Justiça (CIJ), sobre o estatuto jurídico da ocupação prolongada de Israel no território da Palestina.

“Devem ser tomadas medidas especiais para assegurar que os direitos humanos do povo palestino seja protegido e o Estado de Direito estabelecido em uma ocupação que já dura mais de 45 anos”, disse Richard Falk, relator especial da ONU sobre a Palestina ocupada, em um comunicado de imprensa pouco antes da apresentação do seu relatório final ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, na segunda-feira (24).

Pedindo que a Corte — principal órgão jurídico da ONU — avalie as acusações de que a ocupação tem características legalmente inaceitáveis de “colonialismo, apartheid e limpeza étnica”, o especialista também apelou ao Conselho de Direitos Humanos da Organização para que examine as implicações legais da ocupação, pedindo que a comunidade internacional aja de forma decisiva para defender os direitos humanos da população da Palestina.

“A expansão dos assentamentos em andamento continua a ser um obstáculo grave e que compromete as perspectivas de autodeterminação da Palestina”, disse ele, observando que o número de assentamentos construídos na Cisjordânia duplicou em 2013, de acordo com dados oficiais israelenses.

“Até agora, não houve sinais de mudança nesta tendência para 2014 e Israel já aprovou desafiadoramente a construção de centenas de novas casas nos primeiros três meses do ano, apesar das negociações de paz em curso.”

Falk também reiterou as preocupações sobre o muro de segregação, lembrando que, em 2004, a Corte Internacional de Justiça declarou a construção da barreira ilegal no território ocupado. Cerca de 85% da rota prevista do Muro encontra-se dentro da Cisjordânia, e mais de 60% de um total de 708 quilômetros de muro já foi concluído, com a construção em andamento.

“Tal ação prejudica o respeito ao direito internacional e deve ser desafiada”, ressaltou Falk.

O relator especial pediu atenção urgente à deterioração da situação em Jerusalém Oriental, que o seu relatório descreve como um “microcosmo da fragmentação do território ocorrendo em toda a Cisjordânia”. Ele observou que “mais de 11 mil palestinos perderam o direito de viver em Jerusalém desde 1996, sob as regras impostas por Israel”.

Empresas que lucram com ilegalidades têm responsabilidade, diz relator

A responsabilidade potencial das empresas que lucram com os assentamentos também é analisado no relatório. “A comunidade internacional está começando a reagir de forma responsável em relação às questões de responsabilidade social corporativa”, disse Falk.

“Algumas empresas e países estão cada vez mais se afastando de envolvimento com os assentamentos com base em sua ilegalidade sob o direito internacional. Estes exemplos são elogiáveis e devem ser seguidos por outros.”

O especialista em direitos humanos também expressou preocupação sobre a situação humanitária em Gaza — também ocupada —, observando que “os efeitos do bloqueio, juntamente com os desenvolvimentos regionais, estão tendo um grave impacto sobre a população civil de Gaza”.

“Não devemos esquecer que milhares de presos políticos palestinos, incluindo crianças, permanecem em prisões israelenses. Entre elas estão mais de 100 detentos administrativos. Muitos deles são submetidos a maus-tratos e tortura a partir do momento da sua detenção para interrogatório na prisão”, disse Falk.

Os peritos independentes ou relatores especiais são nomeados pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, cuja sede é em Genebra (Suíça), para examinar e informar sobre a situação do país ou um tema específico de direitos humanos.

Falk, que falará diante do Conselho de Direitos Humanos na segunda-feira (24), destacou a importância do mandato para testemunhar as graves violações dos direitos humanos que continuam a afligir o povo palestino, após mais de quatro décadas e meia de ocupação.

“Em face da contínua recusa de Israel em cooperar com este mandato, acentuada por ataques difamatórios por organizações não governamentais políticas com a intenção de miná-lo, é de extrema importância que o meu sucessor seja apoiado e habilitado pelas Nações Unidas e por seu Conselho de Direitos Humanos para informar objetivamente sobre as violações dos direitos humanos sofridos pelo povo palestino”, frisou.


No ONUBR
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A entrevista de Gabrielli que a Globo editou


Na entrevista que foi levada ao ar pela equipe do Jornal Nacional na noite de ontem, apenas a fala que cria certo atrito com a presidente Dilma Rousseff, sobre uma cláusula que obrigava a Petrobras a adquirir 50% da belga Astra na refinaria de Pasadena, foi destacada; entrevista integral ressalta aspectos da operação que não foram apontados pela Globo; "a refinaria está em pleno funcionamento e dando lucro", disse Gabrielli; edição alimentou intriga

Presidente da Petrobras na época em que a estatal adquiriu a refinaria de Pasadena, no Texas (Estados Unidos), em 2006, José Sérgio Gabrielli defendeu a negociação na noite desta quinta-feira, em entrevista ao Jornal Nacional. O trecho de sua fala que foi ao ar na Globo, porém, dá a impressão de que ele foi contrário ao que defendeu a presidente Dilma Rousseff sobre o caso.

Gabrielli disse na entrevista que a compra foi "adequada" se for analisado o cenário da época, quando o mercado brasileiro estava "estagnado em termos de crescimento de consumo". Olhando de hoje, ou até mesmo do ano passado, a situação mudou para algo que não podia ser previsto em 2005, explica ele. "A refinaria está em pleno funcionamento e está dando lucro", chegou a defender Gabrielli.

O ex-dirigente da petroleira também negou que tenha havido "um grande impacto na vida financeira da Petrobras" com o negócio, como menciona a jornalista. "Olha, não há como um valor desse (a estatal gastou quase US$ 1,2 bilhão na compra da refinaria) comprometer uma empresa que vale o valor que a Petrobras vale", disse Gabrielli.

Segundo ele, "não há dúvida que há um impacto importante", mas "é preciso levar em conta o que este ativo produziu durante esse período. Esse ativo produziu derivados, que foram vendidos no mercado tradicional. Hoje, continuam sendo vendidos e pertencem ao patrimônio da Petrobras", acrescentou.

Na entrevista que foi levada ao ar pela equipe do Jornal Nacional, foi destacada apenas a fala que cria certo atrito com a presidente Dilma, sobre uma cláusula que obrigava a Petrobras a adquirir 50% da belga Astra na refinaria de Pasadena. Em nota divulgada na última quarta-feira, a presidente afirmou que desconhecia a cláusula. Gabrielli afirmou na entrevista que esta é uma prática comum no mercado. Assista a íntegra abaixo:



O que o Jornal Nacional mostrou:

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Por que a Petrobrás não é bala de prata contra Dilma

Não é a bala de prata contra Dilma
A oposição vai explorar o caso Petrobras ao máximo para ver se consegue abalar o que parece ser uma segura caminhada de Dilma rumo ao segundo mandato.

É do jogo. O PT faria o mesmo se as posições estivessem invertidas. A única diferença, aqui, é que a mídia pouparia seus amigos, se fosse o PSDB no poder.

Mas quem acredita que o caso pode ser a bala de prata contra Dilma acredita, como disse Wellington, em tudo.

Dilma balançou em junho, quando as ruas gritaram sua insatisfação. Mas em sua extrema fraqueza a oposição não conseguiu capitalizar nada.

Quase um ano depois, Dilma, como mostram as pesquisas, andou para a frente. Os candidatos da oposição, em compensação, se movimentaram como caranguejos.

O último Ibope mostra isso. Aécio, depois de implorar um papo com os brasileiros, teve um choque de realidade: ninguém está interessado em sua conversa mole.

Eduardo Campos saiu do nada, quando se declarou candidato, para chegar a menos que nada, às vésperas da campanha.

Pelos últimos resultados, será difícil ele evitar a pressão para que a cabeça de chapa do PSB seja Marina.

Uma votação vergonhosa em 2014 pode comprometer seu futuro, e ele é relativamente jovem.

Marina 2014 é menos interessante que a versão de 2010. A aura verde e moderna de então foi, em parte, substituída pela carolagem evangélica retrógrada de agora.

Fora isso, Marina continua com uma extrema dificuldade em se manifestar com clareza, e isso vai virando motivo de piada. Seu programatismo é anedótico, confrontado com o pragmatismo que ela — acertadamente — atribui ao PT.

Se havia em junho alguma expectativa de que ela poderia sair realmente forte e competitiva dos protestos, nove meses depois sabe-se que isso simplesmente não ocorreu.

Marina, para os manifestantes, é mais do mesmo.

Tudo isso considerado, é vital que o episódio da Petrobras seja cabalmente esclarecido.

O Brasil precisa, no Congresso e não só nele, de um choque de transparência.

A falta de transparência leva as informações relevantes a ficarem em poucas mãos no Congresso, e isso facilita chantagens como a promovida pelo Blocão.

É triste constatar isso, mas se os desejos dos integrantes do Blocão tivessem sido saciados, não saberíamos que a Petrobras fez uma compra tão desastrada em Pasadena, Texas.

Alguma coisa funcionou terrivelmente mal na análise do negócio, e a sociedade tem que saber, nos detalhes, o que foi.

Mas imaginar que o caso vai ressuscitar candidaturas mortas em vida, como a de Aécio e a de Campos, pertence, definitivamente, à categoria de coisas consagrada por Wellington. Quem acredita nelas acredita em tudo.

Paulo Nogueira
No DCM
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O paradigma José Dirceu


O Supremo Tribunal Federal fez a opção de se televisionar para o povo nas tais quartas feiras nobres. Chama isso de transparência. Pode até ser. Sempre há quem acredite em tudo. O processo da AP 470 apelidado de ‘mensalão’ virou bafafá society. Foi apropriado mundanamente como partidas de futebol em botequins, entre uma linguicinha e um chop. Isto sem se falar nas futricas ministeriais oficialíssimas mantidas na imprensa. Foi pernada para tudo que é lado. Para ajudar, Joaquim Barbosa assinou ponto em roda de samba. É o Supremo-Pop.

Ao largo de tudo isso, um detalhe continua a chamar atenção, não cala. Por que a perseguição, mês após mês, com José Dirceu? Será  que o Ministério Público e o Judiciário se acham tão acima da lei que pensam que nenhuma imagem negativa pode lhes afetar?

Independentemente de quem tenha sido ou seja José Dirceu, o fato concreto é que ele foi condenado judicialmente a regime semi aberto. E a pergunta que não cala: por que está há meses em regime fechado, tendo se apresentado espontaneamente?

Haver um (1) equívoco burocrático no processo é uma coisa, totalmente compreensível. Mas passarem-se meses e um ‘erro’ que piora a condição humana de um condenado ser mantido e repetido autoriza a construção de que há, sim, uma vontade de perseguição a este sentenciado.

A ‘perseguição’ judicial ou a parcialidade são, tecnicamente, o pior insulto que se pode fazer a um magistrado. É nível de xingamento profissional pior de o que xingar a mãe. O juiz perde credibilidade. É a infâmia — ou desgraça — profissional máxima.

Profissionais do Direito, juristas seniores e mesmo jornalistas tarimbados relutaram em carimbar perseguição judicial ao caso de José Dirceu. Mas os fatos, a leniência processual na execução penal, a manutenção da piora no tratamento prisional de Dirceu por parte do Judiciário é das coisas mais suspeitas que há.

Se há um princípio in dubio pro reu, ligado à forma de julgar, no sentido de que quando haja dúvida entre condenar e absolver se deve absolver, isso se aplica ao tratamento penitenciário. Principalmente com o princípio da Dignidade da Pessoa Humana, imposto pela Constituição da República de 1988, chegando a toda estrutura legal e judicial. Qualquer preso ou condenado, que fique bem claro, que não puder estar classificado fisicamente em seu regime prisional correto por defeito do Estado, merece tratamento mais favorável. Simples assim.

Não há como se manter num regime piorado um preso que tem direito a um regime mais brando. Se querem ver erro, agora, na pena de Dirceu, que vejam na sentença condenatória. O fato é que ele foi condenado em regime mais brando. Ou que se busque o erro na própria lei que estipulou o regime prisional que foi aplicado.

Não é possível que pessoas de bem do Ministério Público e do Judiciário não estejam incomodadas com isso.

E que fique bem claro, o problema não recai apenas em Dirceu, mas em toda a população carcerária que é composta dos 3 Ps: preto, pobre e prostituta. Estas indignações deveriam ganhar as ruas. Mas quem se importa?

Enquanto a sociedade brasileira não perceber que a visão reacionária e vingativa sobre o condenado em geral, seja ele quem for, não contribui em nada para uma ressocialização fraterna do sistema, não se construirá uma sociedade amplamente respeitosa.

O caso José Dirceu poderia virar um ótimo paradigma para se rever o sistema prisional brasileiro, até porque o preso é ilustre. Inúmeros presos passam pela mesma mazela e não têm a potência de mídia de Dirceu. Um amplo diálogo precisa ser aberto.

No Observatório Geral
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O que explica a ação retardada de JB contra Noblat?


A conhecida morosidade da justiça se manifestou mais uma vez no movimento de Joaquim Barbosa contra o jornalista Ricardo Noblat.

Foi uma ação retardada.

Passaram-se sete meses desde que Noblat escreveu, no Globo, um artigo que JB considerou racista e nocivo à sua honra.

No artigo, para muitos um dos raros acertos de Noblat, está dito que JB chegou ao STF por sua cor.

Esta é uma verdade.

Frei Betto já contou o que ocorreu. Lula queria um negro no STF. JB sabia, e um dia viu Betto no aeroporto de Brasília e o abordou.

O resto é história.

Noblat afirmou que JB não é exatamente uma sumidade jurídica. Os especialistas podem falar disso com mais propriedade.

Para nós, leigos, o palavreado titubeante e pouco claro de JB sugere que Noblat está certo – embora os demais magníficos integrantes do STF, salvo exceções, também não provoquem entusiasmo e muito menos admiração.

A coisa que melhor os define me foi contada por um amigo jornalista. Ele estava numa padaria, ao lado de populares que acompanhavam o julgamento do Mensalão.

Um juiz falou, e falou, e falou, e enfim votou. No final, um dos homens que viam o julgamento na padaria perguntou aos que o rodeavam: “Condenou ou absolveu?”

De concreto, o que se sabe é que JB não tem obra relevante sobre direito — nem livros e nem artigos que sejam citados e reconhecidos.

A parte mais complicada do artigo de Noblat diz respeito à raça.

Minha visão é que, por não ser branco, Noblat se permitiu falar coisas que em geral ninguém quer falar.

É mais ou menos como piada de judeu. Só aceitamos que judeus as contem, ou ficamos horrorizados com o que entendemos ser preconceito.

Noblat afirmou que certos negros, em posição de mando, são mais duros do que seria necessário, para se afirmarem.

Não tenho a menor ideia sobre se esta tese faz sentido, mas suspeito que não. Joaquim Barbosa não faz nada que colegas seus brancos como Gilmar Mendes não façam.

A mim, pessoalmente, me parece um mau juiz, pelo instinto de algoz, mas isso nada tem a ver com a cor.

O que a iniciativa tardia de Joaquim Barbosa pode revelar é o fim da lua de mel dele com as Organizações Globo.

Dias atrás, circulou na internet uma foto na qual JB dormia profundamente numa sessão de um órgão que não era o STF.

O que se dizia era que tinha sido publicada pelo Globo, com a informação de que JB recebia jetom pela participação na reunião.

JB teria se vingado?

Noblat não é a Globo, mas é o nome da Globo mais vinculado a uma área estratégica para o futuro (ameaçado) da emissora: a internet.

Isso explicaria a ação retardada?

Talvez sim, talvez não.

O fato é que JB, no final de sua jornada como presidente do STF, já percebeu que nos últimos meses até o cafezinho que servem a quem se vai está frio.

O “menino pobre que mudou o Brasil”, como escreveu a Veja no auge de sua bajulação interessada, não vingou.

Não virou um novo Collor, não virou um anti-Lula e nem mesmo um anti-Dilma.

Não virou nada, na verdade.

Voltou a ser o que era antes do encontro com Frei Betto no aeroporto, com a diferença de que parece ter ficado encantado com os holofotes que vão sumindo.

Paulo Nogueira
No DCM
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O próximo golpe


Acionado o botão de “start” da balcanização e do esfacelamento da Ucrânia — criando um novo problema para a Rússia em suas fronteiras que Putin está enfrentando resolutamente — as atenções da direita fundamentalista e do “establishment” militar e de “inteligência” dos Estados Unidos voltam-se agora para a Venezuela.

Na semana passada, o general John Kelly — não confundir com o Secretário de Estado, John Kerry — a maior autoridade do Comando Sul das Forças Armadas dos Estados Unidos, que abarca a América do Sul, Central e do Caribe — compareceu ao Comitê de Assuntos Bélicos do Senado, em Washington, para falar da crise na Venezuela.

Kelly reconheceu que “não tem contato” com as Forças Armadas venezuelanas, assegurou que “por hora” elas seguem fiéis ao governo Nicolás Maduro, e sugeriu que, “provavelmente haja pressões, discussões e divergências dentro das forças armadas da Venezuela sobre a situação do país”.

Além disso, lembrou que até agora Maduro usou a polícia e não o exército para controlar as manifestações, querendo dar a entender que o Presidente da Venezuela não teria confiança em seus soldados — o que não quer dizer absolutamente nada, já que, na Venezuela, como no Brasil, a atribuição precípua das Forças Armadas é dedicar-se à defesa do país contra seus inimigos externos.

O fato de um general, e não um especialista civil, ou um diplomata, comparecer ao Congresso, para opinar — como um vice-rei — a propósito da situação na Venezuela, é indicativo de que a reativação da Quarta Frota norte-americana corresponde, de fato, à retomada do comportamento neocolonial dos EUA na América Latina.

Até mesmo um site, em espanhol e em português — instrumento que o Ministério da Defesa brasileiro ou o Conselho de Defesa da UNASUL já deveriam ter implementado há tempos, voltados para o público militar — já foi colocado no ar pelo Comando Sul, veiculando notícias elogiosas sobre operações de polícias, exércitos e forças de segurança da América Latina, como tentativa de aproximação e cooptação.

Ao colocar um general para falar no Congresso, os golpistas da direita norte-americana estão jogando verde para colher — e derrubar — Maduro, dirigindo-se mais à Venezuela do que ao Legislativo dos EUA.

Ao colocar em dúvida a confiança do presidente venezuelano nas suas forças armadas, sua intenção é forçar Maduro a envolvê-las com o controle das manifestações, para eventualmente provar sua lealdade — coisa que ele só fará se for néscio ou em caso derradeiro.

Ao informar que “até agora” as forças armadas venezuelanas são leais ao presidente eleito, ele quer, telegraficamente, sugerir que, se houver golpistas tentados a sublevar uma unidade, ou região, eles poderão contar com a simpatia e o apoio dos EUA.

Os Estados Unidos apostam, e torcem, há semanas — investindo firme em mídia — por rápida “maidanização” de Caracas, que possa derrubar o governo eleito e promover o caos e fragmentação do país, exatamente como ocorreu na Ucrânia.

Uma virtual guerra civil na Venezuela, com a mobilização dos mais pobres na defesa das conquistas sociais alcançadas por Chavez nos últimos anos, atrairia o envolvimento das vizinhas FARC, e indiretamente, até mesmo de Cuba, no conflito.

O governo colombiano mobilizaria suas forças armadas para lutar contra as FARC em território da Venezuela, com o apoio dos soldados e “instrutores” que se encontram instalados, hoje, nas bases dos EUA na Colômbia.

Isso abriria caminho para uma intervenção direta — e eventualmente temporária — dos EUA na região, por meio da Quarta Frota, recentemente reativada, e do próprio Comando Sul, comandado pelo próprio John Kelli.

Alguns podem achar que Washington não estaria preparado política e economicamente para entrar em um novo conflito. Para a direita fundamentalista dos EUA isso é o que menos importa.

Depois de afastar a ameaça chavista, destruindo e balcanizando — como fez com o Iraque — a Venezuela, os EUA poderiam se “retirar” do teatro de operações, tendo atingido três grandes objetivos geopolíticos:

Enfraquecer ainda mais a economia de Cuba, que dependeria do apoio russo caso quisesse apoiar Maduro; evitar que o petróleo venezuelano continue a ser usado, no futuro, no apoio a países que não rezam pela cartilha dos EUA; e inviabilizar ou atrasar, por décadas, o processo de união e de integração do continente sul-americano, que tem sido — como se viu na votação dos países da CELAC na última reunião da OEA — firme e competentemente conduzido.

Os EUA, no entanto, se enganam. Os estudantes venezuelanos querem reformas de Maduro, mas não entregar seu país a uma oposição teleguiada pró-norte-americana.

Não dá para aproveitar as condições da Venezuela para jogar etnia contra etnia, como está ocorrendo na Ucrânia, com os tártaros, os russos e ucranianos — ou em outros países recém “democratizados” pelos EUA, como o Iraque, com sunitas, xiitas e curdos; ou no Egito, com cristãos, cooptas e muçulmanos, por exemplo.

No golpe na Ucrânia, existem indícios de que franco-atiradores armados, contratados pelos próprios manifestantes de extrema-direita, atiraram contra a multidão, para colocar a culpa no governo, e levar à derrubada de Yanukovitch.

A mesma tática foi usada no último golpe na Venezuela, em 2002, quando se tentou derrubar Chavez pela primeira vez, acusando falsamente chavistas de terem atirado contra opositores.

O povo foi para a rua, Chavez, que tinha sido preso, foi libertado, e os integrantes do novo governo, em plena cerimônia de posse, pálidos de medo, tiveram que sair correndo do Palácio Miraflores.

Sobre isso foi feito, por jornalistas irlandeses, um magnífico documentário, que pode ser visto a seguir:


É um trabalho extremamente didático sobre o que ocorreu com a Venezuela no passado. E sobre o que — para o bem e para o mal — pode vir a acontecer no futuro.
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Deputados neonazistas agridem diretor de TV e o forçam a renunciar na Ucrânia

TV estatal da Ucrânia interrompeu transmissões em sinal de protesto
Deputados de um partido de extrema direita ucraniano invadiram os escritórios da televisão estatal do país, agrediram o diretor interino do canal e o forçaram a renunciar ao cargo.

Oleksandr Panteleymonov foi agredido pelo fato de a TV estatal ter transmitido, na terça-feira, uma cerimônia direto de Moscou na qual o presidente russo, Vladimir Putin, assinou a lei que anexava a Crimeia à Rússia.

Os membros do partido de extrema direita Svoboda (Liberdade, em português) invadiram a sala onde estava o diretor.

Um dos políticos, o parlamentar Igor Miroshnynchenko, iniciou as agressões, agarrando Panteleymonovo pelo pescoço.

O diretor interino foi empurrado e arrastado até sua mesa. O vídeo não mostra o momento em que ele assina uma carta de renúncia.

As cenas geraram críticas na Ucrânia, e o Ministério do Interior afirmou que vai investigar o incidente.

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Brasil deixou de ser vulnerável há muito tempo, diz Paul Krugman


Na contramão de avaliações recentes, o Nobel de Economia defende que as preocupações com a economia brasileira não se justificam

O prêmio Nobel de Economia, Paul Krugman, afirmou que a economia do Brasil é resistente e "não é mais vulnerável" há muito tempo. "O Brasil saiu da crise mundial muito bem e não se justificam preocupações com sua economia", destacou. Seus comentários são uma espécie de contraponto às avaliações de especialistas internacionais de que o País faz parte de um grupo de nações frágeis, avaliação que foi reforçada pelo Federal Reserve (o banco central americano), num estudo recentemente divulgado.

"O Brasil tem um desempenho muito bom da economia, em meio à crise internacional", destacou Krugman. "Há maior confiança no País e que política fiscal será mais responsável", apontou. Ele destacou que a dívida externa do País, "perto de US$ 300 bilhões", não é mais um fator importante no caso do País, pois seu PIB é bem maior, pouco acima de US$ 2 trilhões, e possui reservas próximas de US$ 370 bilhões.

"Além disso, o País tem hoje uma menor exposição em dívida denominada em moeda estrangeira", ponderou. Nem mesmo o câmbio apreciado, que foi objeto das mais fortes críticas de Krugman em outras visitas ao País, foi mencionado como um problema durante a palestra nesta terça-feira, 18, promovido pela revista Carta Capital.

China. Krugman afirmou que é possível que a China, o principal parceiro comercial do Brasil, passe por um movimento de desaceleração do nível de atividade, o que ele classificou com um "choque", embora ressalte que esse não é o principal cenário com o qual trabalha para o país asiático no curto prazo. "E o Brasil sofreria com um choque na China, por causa das exportações de commodities."

"Estou preocupado com um choque na economia chinesa, mas não seria catástrofe", comentou Krugman. "Como proporção do PIB no país, os investimentos atingem 50% e o consumo das famílias chega a 30%. Essa proporção precisa inverter", destacou, para que o nível de atividade na China tenha uma estratégia de expansão mais equilibrada.

Krugman também manifestou que os números da economia da China são os que apresentam "o maior nível de ficção" entre o chamado grupo Brics. "Aliás, o conceito Brics é muito peculiar. Ele representa um conjunto de países que não têm semelhanças", ponderou. Ele se referiu ao acrônimo criado por Jim O'Neill, ex-executivo do Goldman Sachs, que se referia a um grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China. Hoje, a sigla foi expandida e ganhou um "S", relativo à África do Sul (South Africa, em inglês).

Fed. O Nobel de Economia afirmou que o Fed, presidido agora por Janet Yellen, tem uma preocupação bem maior com a fraqueza da recuperação da demanda agregada nos Estados Unidos, o que não está sendo ainda registrado por investidores internacionais. "Yellen quer manter a taxa de juros bem baixas por muito tempo. Os mercados estão errados", comentou, referindo-se a avaliação que de um segmento de analistas em países avançados, para quem aquele banco central poderia voltar a elevar os juros em 2015. "A política de afrouxamento quantitativo foi uma decepção como política monetária", disse, ressaltando que ela não ajudou a fortalecer o consumo norte-americano nos últimos anos.

Para Krugman, a economia americana está em processo de retomada, mas continua fraca. "Talvez os EUA tenham risco de enfrentar deflação", comentou, numa referência à fraca realidade de variação média de preços naquele país, um reflexo direto da dificuldade do PIB voltar a expandir no ritmo de seu potencial. Ele citou que uma indicação disso é que a taxa de juros de curto prazo está muito próxima de zero, fato que só aconteceu na história do país em outra ocasião: durante a Grande Depressão dos anos 1930. "Em função dessa realidade, os retornos de investimentos financeiros estão também muito fracos", destacou.

Para ele, a fraca recuperação da atividade nos EUA não é um fenômeno isolado, pois é um fato que está sendo registrado em todos os países avançados, que tem um "novo padrão econômico", de crescimento mais baixo do que o registrado antes da crise internacional ser deflagrada em setembro de 2008. "As economias estão fracas de forma persistentes e há dificuldades para ajustar", destacou. "Uma indicação disso é que a crise atual mantém um crescimento pequeno no mundo. A Europa, por outro lado, parece que não tem catástrofe, mas também está sem recuperação econômica", afirmou. Segundo ele, contudo, um contraponto a essa realidade é que os países da América Latina estão mais "resilientes" do que no passado e destacou o Brasil.

Na avaliação de Krugman, se o mundo está apresentando um ritmo pífio de recuperação, no entanto, há um fator positivo: "as autoridades de países avançados pelo menos evitaram a destruição do sistema financeiro mundial", ponderou. E isso aconteceu sobretudo com ações coordenadas dos bancos centrais dos EUA, zona do euro, Japão e Inglaterra, ao injetar grande liquidez nos mercados, a fim de diminuir o potencial de quebra de diversos bancos e ajudar a normalizar o fluxo global de capitais, especialmente no final de 2008.
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Superstar

Têm havido protestos de grupos religiosos contra a reencenação de Jesus Cristo Superstar, em São Paulo. Pensei que essa guerra já tivesse terminado, na ingênua suposição de que até as mentes mais obscuras, com o tempo, se iluminam — ou, pelo menos, se dão conta do seu ridículo. A ópera-rock do Andrew Lloyd Webber e do Tim Rice já tem quase 50 anos. Deu um belo filme de Norman Jewison, e é um relato emocionante dos últimos dias de Jesus Cristo que deve ter motivado mais jovens a se interessar pela sua história do que qualquer catecismo da Igreja. Quem se horroriza com a versão roqueira de Cristo ignora a tradição da arte renascentista de atualizar as cenas da Paixão, representando-as com roupas e interiores da época dos artistas, sem que isto fosse considerado blasfêmia e provocasse protestos. Há alguns anos, a Igreja conseguiu que fosse proibida a exibição no Brasil do filme Je Vous Salue, Marie, do Jean-Luc Godard. Motivo: uma versão moderna da Virgem Maria aparecia com os seios nus. Ignorada pelos ignorantes, no caso, foi outra tradição da arte religiosa, a das Virgens lactantes, que aparecem em várias pinturas com os seios à mostra amamentando o Menino Jesus. No seu filme, Godard humanizava a figura de Maria e trazia para atualidade, e para uma reflexão intelectual adulta, o mistério de dogmas como o da Anunciação e o da Concepção Imaculada. De novo, uma expressão da experiência religiosa muito mais consequente e inspiradora do que a retrógrada instrução das Igrejas.

Injustiça

Andrew Lloyd Webber e seu colaborador Tim Rice são figuras curiosas. As letras de Rice são consideradas melhores do que as músicas de Lloyd Webber, mas são as melodias deste que colam na memória. Os dois revolucionaram o teatro musical com espetáculos como Jesus Cristo Superstar e O Fantasma da Ópera, mas não eram muito considerados no meio. Era até prova de mau gosto musical revelar uma admiração por Lloyd Webber, e quanto mais sucesso ele fazia, mais crescia a resistência. Desde que acabou a parceria com Rice, Lloyd Webber anda meio por baixo. Seu último musical foi um fracasso, em Londres. Mas acho injusta a crítica que lhe fazem, de pouca sofisticação, em contraste, por exemplo, com um Stephen Sondheim. Ele fez pelo menos dois musicais extraordinários, o acima citado Superstar e Evita, que é teatro político quase ao nível de um Brecht. E o que Alan Parker fez da peça no cinema, com a Madonna no papel de uma convincente Evita, está na minha lista dos filmes mais sub-apreciados da História.

Luís Fernando Veríssimo
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Globo e Folha de São Paulo entram no clima eleitoral

Ontem o dia foi repleto de manipulações. Por volta das 19:30 o ibope divulgou mais uma pesquisa que mostra um cenário favorável à reeleição da presidente Dilma. O Jornal Nacional não divulgou. A Folha de São Paulo também escondeu a pesquisa, como mostra a capa do jornal de hoje.

Quando as manifestações de rua derrubaram a popularidade da presidente em 29 de junho do ano passado, as pesquisas eleitorais ganharam a manchete da Folha e uma reportagem no JN.


No DesmascarandoGloboFolha
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Lula desmente a fAlha de S.Paulo


Hoje, mais uma vez, o jornal Folha de S.Paulo atribuiu ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarações que não foram feitas por ele em público ou em privado.  É lamentável a reincidência do jornal em invencionices. Apenas desinforma seus leitores e conspira contra a verdade.

Assessoria de Imprensa do Instituto Lula
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Programa da NSA grava todas ligações telefônicas feitas num país

Mystic foi desenvolvido em 2009 e atingiu sua capacidade plena em 2011, tendo sido usado contra um país cujo nome não foi revelado pelo jornal "Washington Post".


A Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) dos EUA desenvolveu um programa de espionagem capaz de gravar todas as ligações telefônicas feitas num determinado país, podendo recuperar mensagens de até 30 dias atrás.

A revelação foi feita na noite da terça-feira (18/03) pelo jornal Washington Post e teve como fonte pessoas ligadas diretamente ao sistema e novos documentos fornecidos pelo ex-colaborador da NSA Edward Snowden.

O programa, batizado de Mystic, foi desenvolvido em 2009 e atingiu sua capacidade plena em 2011, sendo desde então usado contra um país não revelado — a pedido das autoridades dos EUA, o jornal não revelou informações que permitissem a identificação deste país ou dos países onde se pretende usar o programa.

De acordo com a reportagem, o programa desenvolvido pode gravar todos os telefonemas feitos num país, armazenando bilhões de conversas num servidor. As ligações podem ser ouvidas até 30 dias depois de terem sido feitas.

A Casa Branca evitou comentar o conteúdo da reportagem. Uma porta-voz da NSA, no entanto, disse ao jornal que a divulgação das técnicas e ferramentas utilizadas para atividades de inteligência dos EUA é altamente prejudicial para a segurança do país e de seus aliados.

No DW
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Barbosa processa Noblat por crime racial


Presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, acusou o jornalista Ricardo Noblat por crimes de injúria, difamação e preconceito racial, em representação enviada ao MPF. segundo o ministro, Noblat atacou sua honra e praticou o crime de racismo num texto publicado em seu blog e no jornal "O Globo" em agosto do ano passado; o MPF concordou com Barbosa e enviou à Justiça Federal do Rio de Janeiro, na quarta-feira (19), uma denúncia criminal contra o jornalista

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, acusou o jornalista Ricardo Noblat por crimes de injúria, difamação e preconceito racial, em representação enviada ao Ministério Público Federal. Segundo o ministro, Noblat atacou sua honra e praticou o crime de racismo num texto publicado em seu blog e no jornal "O Globo" em agosto do ano passado. O MPF concordou com Barbosa e enviou à Justiça Federal do Rio de Janeiro, na quarta-feira (19), uma denúncia criminal contra o jornalista. No processo, o MPF pede que Noblat seja condenado por crimes contra a honra do ministro e pelo delito racial. Somadas, as penas podem chegar a 10 anos e 4 meses de prisão.

O texto de Noblat foi publicado em 19 de agosto, quatro dias depois de Barbosa protagonizar um bate-boca com o ministro Ricardo Lewandowski, durante o julgamento de recursos do processo do mensalão. Na ocasião, Barbosa acusou Lewandowski de estar fazendo chicanas no mensalão –o que, no jargão jurídico, significa uma manobra para atrapalhar o andamento de processos.

Em seu texto, intitulado "Quem o ministro Joaquim Barbosa pensa que é?", Noblat diz que o presidente do STF, devido a seu cargo e às suas decisões no processo do mensalão, não tem o direito "tratar mal seus semelhantes, a debochar deles" e a "humilhá-los". Além disso, cita que "para entender melhor Joaquim" é preciso acrescentar "a sua cor". "Há negros que padecem do complexo de inferioridade. Outros assumem uma postura radicalmente oposta para enfrentar a discriminação", diz trecho do texto.

Noblat também destacou que Barbosa não teria sido escolhido ministro do STF pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apenas por seus conhecimentos jurídicos, mas por sua "cor". "Joaquim foi descoberto por um caça-talentos de Lula, incumbido de caçar um jurista talentoso e... negro", escreveu o jornalista. Devido a isso, o MPF entendeu que, além de difamar e injuriar especificamente Barbosa, Noblat praticou um crime contra toda a raça negra.

Abaixo o texto de Noblat na íntegra:
Joaquim Barbosa: Fora do eixo, por Ricardo Noblat

Quem o ministro Joaquim Barbosa pensa que é?

Que poderes acredita dispor só por estar sentado na cadeira de presidente do Supremo Tribunal Federal?

Imagina que o país lhe será grato para sempre pelo modo como procedeu no Caso do Mensalão?

Ora, se foi honesto e agiu orientado unicamente por sua consciência, nada mais fez do que deveria. A maioria dos brasileiros o admira por isso. Mas é só, ministro.

Em geral, admiração costuma ser um sentimento de vida curta. Apaga-se com a passagem do tempo.

Mas enquanto sobrevive não autoriza ninguém a tratar mal seus semelhantes, a debochar deles, a humilhá-los, a agir como se a efêmera superioridade que o cargo lhe confere não fosse de fato efêmera. E não decorresse tão somente do cargo que se ocupa por obra e graça do sistema de revezamento.

Joaquim preside a mais alta corte de justiça do país porque chegara sua hora de presidi-la. Porque antes dele outros dos atuais ministros a presidiram. E porque depois dele outros tantos a presidirão.

O mandato é de dois anos. No momento em que uma estrela do mundo jurídico é nomeada ministro de tribunal superior, passa a ter suas virtudes e conhecimentos exaltados para muito além da conta. Ou do razoável.

Compreensível, pois não.

Quem podendo se aproximar de um juiz e conquistar-lhe a simpatia, prefere se distanciar dele?

Por mais inocente que seja quem não receia ser alvo um dia de uma falsa acusação? Ao fim e ao cabo, quem não teme o que emana da autoridade da toga?

Joaquim faz questão de exercê-la na fronteira do autoritarismo. E por causa disso, vez por outra derrapa e ultrapassa a fronteira, provocando barulho.

Não é uma questão de maus modos. Ou da educação que o berço lhe negou, pois não lhe negou. No caso dele, tem a ver com o entendimento jurássico de que para fazer justiça não se pode fazer qualquer concessão à afabilidade.

Para entender melhor Joaquim acrescente-se a cor – sua cor. Há negros que padecem do complexo de inferioridade. Outros assumem uma postura radicalmente oposta para enfrentar a discriminação.

Joaquim é assim se lhe parece. Sua promoção a ministro do STF em nada serviu para suavizar-lhe a soberba. Pelo contrário.

Joaquim foi descoberto por um caça talentos de Lula, incumbido de caçar um jurista talentoso e... negro.

“Jurista é pessoa versada nas ciências jurídicas, com grande conhecimento de assuntos de direito”, segundo o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa.

Falta a Joaquim “grande conhecimento de assuntos de direito”, atesta a opinião quase unânime de juristas de primeira linha que preferem não se identificar. Mas ele é negro.

Havia poucos negros que atendessem às exigências requeridas para vestir a toga de maior prestígio. E entre eles, disparado, Joaquim era o que tinha o melhor currículo.

Não entrou no STF enganado. E não se incomodou por ter entrado como entrou.

Quando Lula bateu o martelo em torno do nome dele, falou meio de brincadeira, meio a sério: “Não vá sair por aí dizendo que deve sua promoção aos seus vastos conhecimentos. Você deve à sua cor”.

Joaquim não se sentiu ofendido. Orgulha-se de sua cor. E sentia-se apto a cumprir a nova função. Não faz um tipo ao destacar-se por sua independência. É um ministro independente. Ninguém ousa cabalar seu voto.

Que não perca a vida por excesso de elegância. (Esse perigo ele não corre.) Mas que também não ponha a perder tudo o que conseguiu até aqui.

Julgue e deixe os outros julgarem.
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Uma campanha sobre a ‘normalidade’ das crianças emociona o mundo


Uma organização italiana de apoio a crianças com Síndrome de Down recebeu um email de uma grávida com um questionamento. “Que tipo de vida o meu filho vai ter?”, perguntou ela, amedrontada pois havia acabado de descobrir que seu filho iria nascer com a alteração genética.

A instituição repassou o email à sua agência de publicidade que utilizou a dúvida da mulher como mote em um vídeo feito para o dia mundial da síndrome (21 de março).

São dois minutos e meio de respostas sobre o “tipo” de vida que a criança irá enfrentar. Uma vida com escola, trabalho, alegrias, com viagens, com recompensas mas também com desafios, dificuldades, tristezas. Enfim, vida normal, vida real. Conhece?

Em tempos como os atuais, em que até filhos são programados, agendados e formatados como se fossem produtos, e em que toda e qualquer deficiência é indesejada e rejeitada (“quero que me entreguem como imaginei”), os depoimentos de 15 crianças portadoras de down é um tapa na cara. Um filme de sinceridade explícita. Meninos e meninas em papo reto e desconcertante.

Crianças muitas vezes são vistas como propriedades por alguns pais, portanto a pergunta, mais do que emocionar, deveria chocar. Como assim que tipo de vida? A vida dele, oras.

O filme prima por tocar o espectador diante de seres humanos sem censura. Diante da vida, que é sublime exatamente pela diversidade.

Nestes tempos em que o amor parece obedecer apenas a argumentos racionais e diferenças são – ainda – incompreendidas, chega ser curioso que exista a possibilidade deste artigo ser criticado por mencionar o termo “deficiência” pelas mesmas pessoas que considerariam a hipótese de abortar um filho sabidamente portador de uma síndrome. Falar não pode, mas querer ninguém quer.

É o paradoxo do momento atual, da patrulha do politicamente correto, de gente que pelo bem estar e felicidade geral da nação utiliza o termo “afrodescendente” mas não tem um único amigo negro.

“Todo mundo tem o direito de ser feliz”, é o conceito da campanha italiana.

Seu filho pode ser feliz, e você também. Essa é a resposta para a mãe insegura.

O que um filho pode nos proporcionar, só sabe quem os tem.


Mauro Donato
No DCM
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Ouça áudio exclusivo em que Rubens Paiva defende governo Jango no dia do Golpe de 64

Na madrugada do dia 1º de abril de 1964 (com o Golpe Militar em andamento desde o dia anterior), Rubens Paiva, deputado federal por São Paulo, fez um apelo ao vivo pela Rádio Nacional em defesa da legalidade do presidente João Goulart. O áudio está disponibilizado com exclusividade no Portal EBC.

Ouça o áudio histórico de Rubens Paiva no dia 1º de abril de 1964 na íntegra:


Durante a declaração, o deputado criticou abertamente o então governador de São Paulo, Ademar de Barros, um dos apoiadores do Golpe. "Me dirijo especialmente a todos os trabalhadores, a todos os estudantes, e a todo o povo de São Paulo tão infelicitado por este governo fascista e golpista que neste momento vem traindo seu mandato e se pondo ao lado das forças da reação".

O deputado convocou estudantes e trabalhadores a acompanharem as transmissões da Rádio Nacional, que formava uma rede em defesa da legalidade junto a outras emissoras. "Estejam atentos às palavras de ordem que emanarem aqui da Rádio Nacional e de todas as outras rádios que estejam integradas nesta cadeia da legalidade. Julgamos indispensável que todo o povo se mobilize tranquila e ordeiramente em defesa da legalidade prestigiando a ação reformista do presidente João Goulart que neste momento está com o seu governo empenhado em atender todas as legítimas reivindicações de nosso povo".

Comissão da Verdade reúne documentos sobre 
a morte de Rubens Paiva
(Secretaria de Estado da Cultura /
"Está lançada inteiramente para todo o país o desafio: de um lado, a maioria do povo brasileiro desejando as reformas e desejando que a riqueza se distribua, os outros são os golpistas que devem ser repelidos e desta vez, definitivamente para que o nosso país veja realmente o momento da sua libertação raiar". Foi dessa maneira que Paiva concluía a sua intervenção pela rádio, em que convocava a resistência pacífica contra o Golpe.

Na madrugada do dia 03 de abril, Paiva ainda providenciou um avião para levar o ministro da Casa Civil, Darcy Ribeiro, e o Procurador-Geral da República, Waldir Pires - que tentavam a resistência em Brasília - para o Rio Grande do Sul, onde Jango tentava ainda articular forças para resistir ao Golpe. No meio do trajeto eles souberam pelo rádio que não haveria resistência e, assim como o presidente, rumaram para o exílio no Uruguai.

No dia 10 de abril, com os militares já no poder, Rubens Paiva teve seu mandato cassado após a edição do primeiro Ato Institucional (AI-1). Eleito em 1962 para o mandato parlamentar, Rubens Paiva teve papel de protagonismo na CPI que investigou o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática), cuja conclusão apontava a intervenção da entidade “no processo de escolha de representantes políticos do povo brasileiro para a tomada do poder através da corrupção eleitoral”.

Em 1971, entre os dias 20 e 22 de janeiro, o deputado entrou para a lista dos mortos e desaparecidos políticos da ditadura militar brasileira (1964-1985).

Leandro Melito
No Portal EBC
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Poços de silêncio

A resposta de Dilma Rousseff não está sujeita a contestações, até agora e, tudo sugere, também no futuro: a aprovação da compra, que se revelou catastrófica e suspeitíssima, de uma refinaria nos Estados Unidos foi aprovada pelo Conselho de Administração da Petrobras, presidido pela então ministra, em razão de relatórios incorretos, produzidos na própria estatal. Mas a resposta suscita outras perguntas.

O comando do conselho por Dilma, na época do negócio, recebeu relevo agora apesar de ter sido público e objeto de notícias em diferentes ocasiões. Por aí, nada de novo. Já a menção a relatórios ilusórios vem expor uma conduta inaceitável do governo e da Petrobras: por que o silêncio, até aqui, sobre esse e sobre os demais aspectos já constatados do negócio, não importa se negativos ou positivos? O que houve não foi a compra e não foi a perda de uns quantos milhões, em um negócio infeliz, mas uma aquisição bilionária com perda idem. Não é assunto para silêncio algum.

O que consta sobre a autoria dos relatórios perturbadores é o inverso do esperável em casos do gênero: elevação na hierarquia da estatal. Se é assim, por que é? O presidente da Petrobras à época, o Sérgio Gabrielli de presunçosos ares, obteve um tipo de corroboração muito sugestivo, na Bahia, para o desprezo com que tem tratado sua dívida de explicações públicas: ganhou o cargo de secretário de Planejamento do governo petista de Jaques Wagner. E, claro, inclui-se nos pretensos aspirantes a tornar-se governador. Aliás, em se tratando das eleições baianas, Salve a Bahia, Senhor.

O recente caso do suborno de funcionários da Petrobras, ora investigado na Holanda, recebe da estatal tratamento também impróprio quanto aos seus deveres públicos. Só mandou um funcionário à Holanda porque convidada a fazê-lo pela própria empresa SBM, que investiga a denúncia de subornos feita por um ex-funcionário. A SBM proporcionou todas as informações já disponíveis, sobre a destinação de US$ 136 milhões para facilitar sete grandes contratos, mas nada foi explicado pela Petrobras sobre o material recebido.

Nos dois casos, a conveniência de sigilo é falsa. Os participantes das ações questionadas não têm mais como manobrar com possíveis pistas e provas.

Não eleitoral

Sem ser jornalista profissional, o economista Paul Krugman, Nobel de 2008, há anos é a palavra mais importante no jornalismo americano. Tanto no que se refere à política interna como à internacional, a numerosos países e, claro, à economia em todos os sentidos. A proporção de acerto das suas percepções e ponderações impressiona, e é única hoje em dia.

Por alguma razão, ou, mais provável, por várias, sua participação no "Fórum Brasil: diálogos para o futuro", realizado pela "Carta Capital", não provocou nos jornais, tevês e rádios o desejo de dar-lhe o destaque das coisas importantes ou interessantes. Por exemplo:

"Há um bom tempo o Brasil não é mais um país tão vulnerável, e o que aconteceu (ao real) foi uma depreciação benigna. Sim, houve um aumento da inflação, mas não há descontrole. E disciplina fiscal e dívida externa não são mais fatores importantes, como no passado".

Ou: "Desta vez, a América Latina e o Brasil conduziram-se muito bem na crise [da economia americana e dos efeitos que os problemas americanos produziam na América Latina, e desta vez produziram na Europa].

Parece com a multidão de opiniões que jornais, rádios e tevês lançam sobre o país todos os dias, em todas as horas, por seus comentaristas de economia? Calma, não generalizo. Há ressalva: uma.

Janio de Freitas
No fAlha
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