20 de mar de 2014

Três documentos, uma diretriz


Apresentação de Para Garantir o Direito à Comunicação – A Lei Argentina o Relatório Leveson e o HLG da União Europeia, de Venício A. de Lima (org.), prefácio de Franklin Martins, coedição da Fundação Perseu Abramo e Fundação Maurício Grabois, 2014

Três documentos de origem e natureza diversas – uma lei, o resultado de uma ampla investigação presidida por um Juiz e um relatório produzido por grupo de especialistas de alto nível, estão reunidos neste livro. Todos, no entanto, além de serem atuais, têm em comum uma única preocupação: assegurar as condições mínimas para o exercício do direito à comunicação por parte das cidadãs e dos cidadãos de seus respectivos países.

A Lei de Meios da Argentina

O primeiro deles é a Lei de Meios da Argentina. Depois de um longo processo de formulação que mobilizou os mais diversos setores da sociedade civil e do governo [para uma descrição detalhada desse processo ver Busso e Jaimes (orgs.), 2011] e depois de tramitar e receber mais de duzentas emendas no Congresso Nacional, a lei foi finalmente aprovada por ampla maioria e sancionada pela presidente da República em outubro de 2009, substituindo um decreto-lei da ditadura militar (1981).

A Lei de Meios busca democratizar o mercado de mídia argentino e, para isso, estabelece quem pode ser concessionário de emissoras de rádio e de televisão e quais os limites – em nível nacional e local – para o número de concessões controlado por um mesmo grupo.

Na prática, nenhum dos três setores prestadores dos serviços de comunicação audiovisual – de gestão estatal, de gestão privada com fins lucrativos e de gestão privada sem fins lucrativos – poderá controlar mais de um terço das concessões que serão outorgadas por um prazo máximo de dez anos. Impede-se assim a concentração da propriedade e garante-se a liberdade de expressão de setores até aqui excluídos do “espaço público da mídia” – povos originários, sindicatos, associações, fundações, universidades, isto é, entidades privadas sem fins lucrativos.

São também garantidas cotas de exibição para o cinema argentino, para a produção independente nacional, o fomento à produção de conteúdos educativos e para a infância e o acesso universal à transmissão de eventos esportivos. As novas concessões e as renovações de concessões terão que passar por audiências públicas e foi criada uma Autoridade Federal de sete membros e um Conselho Federal de quinze membros, ambos colegiados plurais e representativos, que zelarão pelo cumprimento da lei.

Uma das inovações da lei é que foram nela didaticamente incluídas trinta e sete (37) “Notas Explicativas” (NE) sobre a origem e/ou as razões para a adoção de princípios e normas. Essas NE são descrições que não só especificam os documentos de organismos multilaterais (ONU, UNESCO, União Europeia, OEA, CEPAL, UIT, dentre outros) que recomendam a adoção das normas e princípios, como também oferecem uma análise comparada de regulações sendo praticadas em outras democracias representativas (Estados Unidos, Canadá, França, Espanha, Reino Unido, Austrália, dentre outros). Além disso, a lei traz quase uma centena de “notas de rodapé” que remete para entidades, pessoas, referencias bibliográficas e/ou propostas que estão na origem e fundamentam vários artigos. [Para facilitar a leitura linear e a apreensão do sentido geral da lei, optamos por deslocar as NE para o final do texto, sempre com a indicação “cf. NE”, além de incorporar a elas as respectivas notas de rodapé (quatorze). Por outro lado, foram mantidas as noventa e cinco (95) notas de rodapé especificas da lei.]

Apesar de todo esse cuidado e do processo transparente e democrático de formulação e aprovação do texto legal, alguns artigos da lei ainda estão sendo questionados na Justiça pelos principais grupos de mídia privada na Argentina. Especificamente, o Grupo Clarin, alega na Corte Suprema a inconstitucionalidade dos artigos 41, 45, do § 2º do artigo 48 e do artigo 161. Não por coincidência são os artigos que tratam da transferência de concessões; da multiplicidade de concessões; da impossibilidade de se evocar o “regime de multiplicidade de concessões” previsto na lei como direito adquirido e a obrigatoriedade de adequação à lei, em prazo de um ano a partir da definição dos mecanismos de transição, por parte de grupos já detentores de concessões.

Em 29 de outubro de 2013, todavia, a Suprema Corte argentina declarou a constitucionalidade de todos os artigos questionados.

O Relatório Leveson

O segundo documento é o Sumário Executivo do Inquérito Leveson, divulgado no Reino Unido em novembro de 2012 [o Sumário Executivo faz referência ao texto completo do Relatório que está disponível aqui (quatro volumes)].

Revelações de práticas “jornalísticas” criminosas desenvolvidas rotineiramente pelo tabloide News of the World, do grupo global “News Corporation”, tornadas públicas originalmente pelo jornal The Guardian, no início de 2011, desencadearam uma série de reações por parte do governo britânico, de instituições privadas e de cidadãos [para uma descrição detalhada do envolvimento da News Corporation em atividades ilegais e criminosas consultar Watson e Hickman (2012)]. Uma investigação foi concluída no Comitê de Cultura, Mídia e Esporte da Câmara dos Comuns e seu relatório divulgado em abril de 2012. Pelo menos outras três investigações foram abertas no âmbito da polícia (Weeting, Eldeven e Tutela) e várias ações civis foram impetradas por cidadãos que se consideram vítimas de invasão de privacidade.

O inquérito mais importante de todos, todavia, foi mandado instalar pelo primeiro-ministro britânico e presidido pelo Lord Justice Leveson, com o objetivo de esclarecer “o papel da mídia e da polícia no escândalo de escutas telefônicas ilegais”, em julho de 2011. É o Sumário Executivo dos resultados desse Inquérito – o Relatório Leveson – que publicamos aqui.

Não fosse por outra razão, a Inglaterra constitui a referência moderna obrigatória para o entendimento da liberdade de expressão republicana centrada na vida activa e no autogoverno. A terra de John Milton e Tom Paine tem sido um dos palcos fundamentais do debate entre republicanos e liberais em torno da ideia de liberdade, ao mesmo tempo em que lá se constituíram modelos importantes de prestação do serviço público de radiodifusão (BBC), de regulamentação (OfCom) e de autorregulamentação (PCC) das atividades da mídia.

Depois de dezesseis meses de investigação que ouviu desde o primeiro ministro, passando por editores, jornalistas e alguns barões da grande mídia, comprovaram-se práticas criminosas de oligopólios privados protegidos pela retórica da liberdade da imprensa, com a cumplicidade da Polícia e, em alguns casos, com o conhecimento e envolvimento direto ou indireto de políticos nos mais altos escalões do poder. Comprovou-se também que a agencia autorreguladora (PCC), formada por membros da própria imprensa, não havia sido capaz de coibir os crimes e, na verdade, funcionava como um lobby dela mesma, a imprensa.

A principal recomendação do Relatório Leveson foi, então, criar uma agencia reguladora independente, tanto da indústria de comunicação quanto do governo, amparada por lei, com adesão voluntária e financiada pela própria imprensa privada. Apesar da insistência do próprio Juiz Leveson em nomeá-la de autorreguladora, trata-se de uma agencia pública autônoma e independente de regulação.

Quatro meses depois da publicação do Relatório (março 2013), os três principais partidos ingleses – Conservadores, Trabalhistas e Liberais Democratas – anunciaram a conclusão de um acordo para regulação da imprensa (jornais, revistas e internet) no Reino Unido. A nova instância, independente do governo e das empresas de mídia, substituirá a agência autorreguladora Press Complaints Commission.

A nova agência terá poderes de um órgão fiscalizador, poderá aplicar multas de até um milhão de libras (cerca de três milhões de reais) ou de até 1% do faturamento das empresas de mídia, adotará medidas gerais para proteção do cidadão comum, além de poder obrigar jornais, revistas e sites de internet com conteúdo jornalístico a publicar correções de matérias e pedidos de desculpas. Mais importante: o novo órgão regulador será amparado legalmente por uma Carta Real (Royal Charter), assinada pela Rainha Elizabeth II, da qual constará uma cláusula rezando que “não pode ser adulterada pelos ministros”, mas apenas pela maioria de dois terços nas duas Câmaras do Parlamento britânico.

A adesão das empresas de mídia ao órgão será voluntária, mas a não adesão implicará no risco de punições ainda maiores caso elas sejam enquadradas nas novas normas. Registre-se que se trata de um novo órgão regulador para a mídia impressa e sites jornalísticos na internet. O rádio e a televisão, no Reino Unido, já são regulados pelo OfCom.

Apesar de previsíveis reações contrárias, de um modo geral, o acordo produzido no Parlamento Britânico contou com o apoio de empresas do porte e da importância do The Guardian, do Financial Times e do The Independent, além de obter a aprovação do Conselho Consultivo da Rainha, que assinou a Royal Charter em 31 de outubro de 2013.

O Relatório do HLG da Comissão Europeia

O terceiro documento é um relatório comissionado pela União Europeia em outubro de 2011 com o objetivo de “apresentar um conjunto de recomendações para a observância, a proteção, o apoio e a promoção do pluralismo e da liberdade da mídia na Europa” e concluído em janeiro de 2013.

O relatório “Uma mídia livre e plural para apoiar a democracia Europeia”, foi preparado por um grupo de alto nível (HLG) presidido pela ex-presidente da Letônia, Vaira Vike-Freiberga, e do qual faziam parte Herta Däubler-Gmelin, ex-ministra da Justiça alemã; Luís Miguel Poiares Pessoa Maduro, ex-advogado geral na Corte de Justiça Europeia; e Ben Hammersley, jornalista inglês especializado em tecnologia.

O relatório começa com um sumário de suas principais conclusões e recomendações e, na parte substantiva, está dividido em cinco capítulos que apresentam e discutem as bases conceituais e jurídicas que justificam suas recomendações: (1) Importância da liberdade e do pluralismo da mídia; (2) O papel da União Europeia; (3) A mudança do cenário midiático; (4) Proteção da liberdade do jornalista e (5) Pluralismo na mídia.

Há ainda um alentado anexo que lista as dezenas de autoridades ouvidas, as várias contribuições escritas recebidas e os inúmeros documentos consultados [praticamente todo esse material está disponível on line].

Vale registrar os dois conceitos – liberdade de mídia e pluralismo da mídia – que fundamentam todo o Relatório.

> > O conceito de liberdade da mídia está intimamente relacionado à noção de liberdade de expressão, mas não é idêntico a ela. Essa última é parte integrante dos valores e direitos fundamentais da Europa: “Qualquer pessoa tem direito à liberdade de expressão. Este direito compreende a liberdade de opinião e a liberdade de receber e de transmitir informações ou ideias, sem que possa haver ingerência de quaisquer poderes públicos e sem consideração de fronteiras”.

> > Pluralismo da mídia é um conceito que vai muito além da propriedade da mídia... contempla muitos aspectos, das regras para controle de fusões, por exemplo, até exigências de conteúdo para concessões de sistemas de radiodifusão, estabelecimento de liberdade editorial, independência e status dos veículos de radiodifusão, situação profissional dos jornalistas, relacionamento entre a mídia e os atores políticos, etc. Abarca todas as medidas que garantam acesso dos cidadãos a uma variedade de fontes de informações e vozes, para permitir que eles possam formar opiniões isentas de influências indevidas de um poder dominante formador de opinião.

Entre as trinta Recomendações especificas que constam do Relatório encontram-se: (1) a introdução da educação para a leitura crítica da mídia nas escolas secundárias; (2) o monitoramento permanente do conteúdo da mídia por parte de organismo oficial ou, alternativamente, por um centro independente ligado à academia, e a publicação regular de relatórios que seriam encaminhados ao Parlamento para eventuais medidas que assegurem a liberdade e o pluralismo; (3) a total neutralidade de rede na internet; (4) a provisão de fundos estatais para o financiamento da mídia alternativa que seja inviável comercialmente, mas essencial ao pluralismo; (5) a existência de mecanismos que garantam a identificação dos responsáveis por calúnias e a garantia da resposta e da retratação de acusações indevidas e (6) a necessidade de que todos os países da EU tenham “conselhos de mídia independentes” com “poderes legais, tais como a imposição de multas, determinar a publicação de justificativas (apologies) em veículos impressos ou eletrônicos, e cassação do status jornalístico.”.

Lições para o Brasil

O que se pretende com esta publicação é possibilitar o acesso direto aos documentos – independentemente até mesmo de que estejam ou não sendo aplicados. Dessa forma, autoridades públicas, atores em posição de formulação de políticas, legisladores, estudantes e professores de comunicação e políticas públicas, militantes que lutam pela universalização da liberdade de expressão e qualquer brasileiro interessado, poderão fazer um debate cada vez mais sério e informado em torno da regulamentação democrática da mídia.

Os três documentos, na sua diversidade de origem e natureza, testemunham como a regulamentação da mídia é central no mundo contemporâneo, não importa se se trata de um país Latino-americano, de uma democracia consolidada ou da união de países de diferentes histórias e tradições culturais e políticas. O direito à comunicação constitui hoje uma demanda universal da cidadania. [Brasília, Primavera de 2013]

Referências

Busso, Néstor e Jaimes, Diego (orgs.); La Cocina de la Ley. El Processo de Incidencia em la elaboración de la ley de servicios de comunicación audiovisual em Argentina; Buenos Aires, Argentina: Foro Argentino de Radios Comunitárias; 2011.

Watson, Tom e Hickman, Martin; Dial M for Murdoch – News Corporation and the Corruption of Britain; New York: Blue Rider Press; 2012.

Venício A. de Lima, jornalista e sociólogo, professor titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado), pesquisador do Centro de Estudos Republicanos Brasileiros (Cerbras) da UFMG e organizador de Para Garantir o Direito à Comunicação – A lei argentina, o relatório Leveson e o HGL da União Europeia, Perseu Abramo/Maurício Grabois, 2014; entre outros livros
No OI
Leia Mais ►

Governo enviará ao Congresso proposta para baratear passagens aéreas regionais


Objetivo é permitir que mais brasileiros tenham acesso à aviação. Recursos virão do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac)

O governo federal vai elaborar uma proposta legislativa para que o Tesouro Nacional dê subsídios para ampliar o mercado e baratear os preços das passagens aéreas. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (19), pelo ministro Moreira Franco, da Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República (SAC-PR).

Segundo a SAC, a subvenção foi uma determinação da presidenta Dilma e está prevista em lei, já que os recursos virão do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac). O ministro disse que se reuniria na noite desta quarta-feira com representantes do Tesouro, para discutir mais detalhes da proposta – projeto de lei ou medida provisória – que deve ser encaminhada ao Congresso Nacional.

“Nosso objetivo é permitir que qualquer brasileiro tenha acesso à aviação. Precisávamos melhorar as estruturas físicas, mas também a administração dos aeroportos, para que a regulamentação seja inovadora, contemporânea e que permita que esse modal seja um instrumento para o crescimento econômico do Brasil”, afirmou Moreira Franco.

Para isso, a secretaria colherá a partir desta quinta-feira (20), por meio de consulta pública, sugestões para proposta de portaria que aprova o Plano Geral de Outorgas. As contribuições serão recebidas até o dia 17 de abril

“Vamos permitir um ambiente de concorrência entre modais e, consequentemente abrir alternativas aos brasileiros para fazer sua opção”, disse o ministro. Segundo ele, os recursos previstos para o Fnac neste ano é de R$ 3,5 bilhões.

“Esses recursos, que vão servir tanto para as obras físicas dos aeroportos regionais como para os subsídios, estão definidos em lei, e obrigatoriamente terão que ser gastos nisso”, acrescentou.

Para democratizar o acesso da população a aeroportos, o governo vai fazer obras de ampliação e adequação em 270 aeródromos do País, a fim de integrar esses terminais à aviação regular. A medida faz parte do Plano de Aviação Regional, anunciado no final do ano passado, que prevê investimento total de R$ 7,3 bilhões em reformas e ampliações de terminais.

Hoje, dos 720 aeroportos existentes no País, apenas 120 estão habilitados para operar com aviação regular. A meta é que 95% da população brasileira tenha acesso a um aeroporto em um raio de 100 quilômetros de onde mora.

No Portal Brasil
Leia Mais ►

Como o Jornal Nacional noticiou a nova pesquisa Ibope


Leia Mais ►

O abraço do afogado de Alckmin. E afogado sem água


A Folha de S. Paulo vai ao ponto central da “estratégia política” de Geraldo Alckmin diante do gravíssimo risco de falta d’água em São Paulo:

“Aliados de Alckmin avaliam que, no momento em que ele explicita o pedido de apoio ao governo federal, passa a poder compartilhar com a presidente a responsabilidade por um eventual insucesso na empreitada.

Se não receber o aval da ANA (Agência Nacional de Águas) para a transposição das águas da bacia do rio Paraíba do Sul para o sistema Cantareira, Alckmin poderá dividir com o PT as críticas resultantes da crise hídrica.

Se a permissão vier, ganham os dois: Dilma terá sido solidária com o Estado, e o governador aparecerá como figura pró-ativa, ainda que estudos sobre o tema estivessem disponíveis há anos.”

Como se disse ontem, o problema do Dr. Alckmin é achar-se um esperto em meio a otários, embora otários não faltem.

O “plano” genial esbarra em um único problema: é preciso equacionar o abastecimento de água para São Paulo para daqui a meses, não apenas para daqui a dois anos, como requereriam, no mínimo, os estudos técnicos, as negociações políticas – com o Rio e com os municípios abastecidos pelo Paraíba do Sul, no Rio e no próprio Vale paulista – e por obras de grande envergadura.

O plano de captação de água do Paraíba do Sul, nas condições anunciadas – só funcionará quando o volume do Cantareira baixar a menos de 35% e o nível do rio estiver alto o suficiente para que isso não prejudique os municípios à jusante nem mesmo é “estruturante”, é para emergências.

E a emergência é agora, não daqui a dois anos.

Jaguari-Jacareí, o  principal conjunto de reservatórios do Cantareira – quase 83% do total – baixou hoje a 8,13% de seu volume útil, o que está acima (hoje, 2,92 m ) da linha das duas últimas comportas ainda submersas, o que são menos de 66 bilhões de litros, consumidos num ritmo pouco acima de 1,5 bilhão de litros por dia.

Até a semana passada, o nível caía 6 cm por dia. Agora, cai 8 cm diários. Logo serão mais, porque diminui a área e começa a haver empoçamentos.  No ritmo atual, se o reservatório pudesse chegar a 0% do volume – e dificilmente poderá, porque há problemas de pressão e preenchimento sem ar do túnel que leva suas águas – seriam 43 dias mais.  Prazo que é mais esperança do que estimativa.

Daí em diante, restam os 70 milhões de litros do Cachoeira e do Atibainha, o reservatório que começa a ser bombeado dentro de dois meses, segundo os planos da Sabesp.

Você já pode calcular sozinho o quanto isso dura.

Este é o problema que tem que ser enfrentado. Pode ser mais ou menos grave, dependendo das chuvas na cabeceira dos rios que alimentam as represas, para as quais, felizmente, até há boa previsão no final desta semana.

Mas que não vão reverter o quadro que, hoje, é gravíssimo.

E é isso que tem de se dizer à população, se tivermos governantes minimamente responsáveis.

Sejam os estaduais, sejam os federais.

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

Coronel afirma que desenterrou corpo do desaparecido Rubens Paiva em 1973

Ex-deputado federal Rubens Paiva, cassado em 1964 e assassinado em 1971
O coronel Paulo Malhães, oficial reformado do Exército e legendário membro do aparato repressivo da ditadura(1964-85), afirmou ter participado de operação para desenterrar o ossada do deputado federal cassado Rubens Paiva, desaparecido em 1971 depois de ter sido morto na tortura em dependências militares. Até hoje seu corpo não foi encontrado.

“Recebi a missão para resolver o problema, que não seria enterrar de novo'', disse o coronel à repórter Juliana Dal Piva. “Procuramos até que se achou, levou algum tempo. Foi um sufoco para achar (o cadáver). Aí, seguiu o destino normal.''

O “destino normal'' seria ocultar o corpo para sempre.

A missão teria ocorrido em 1973, na praia carioca do Recreio dos Bandeirantes. Malhães disse que sabia de quem eram os restos mortais: “Eu podia negar, dizer que não sabia, mas eu sabia quem era sim. Não sabia por que tinha morrido, nem quem matou. Mas sabia que ele era um deputado federal, que era correio de alguém”.

Malhães foi apontado por numerosos presos políticos como autor de violências. Integra listas de torturadores. Militou em órgãos como o Centro de Informações do Exército (CIE). Cuidava de alguns dos serviços mais sujos da ditadura.

Sua identificação, com declarações de relevância histórica, estão na edição de hoje do jornal “O Dia''. A matéria nomeia outros militares que teriam atuado com Malhães para desenterrar e desaparecer com o corpo. O coronel disse ignorar o destino dos restos mortais. E que o CIE resolveu dar ao caso uma “solução final''.

De acordo com o oficial, a operação foi necessária porque alguns agentes do Destacamento de Operações de Informações (DOI) do I Exército ameaçavam divulgar onde estava a ossada.

Para onde foi levado o corpo? “Pode ser que tenha ido para o mar. Pode ser que tenha ido para um rio.”

Malhães disse que a ordem para desenterrar Rubens Paiva veio do gabinete do ministro do Exército. À época, o ministro do Exército era o general Orlando Geisel, irmão do futuro ditador Ernesto Geisel. O presidente da República (igualmente ditador) era o general Emílio Garrastazu Médici.

No Blog do Mário Magalhães
Leia Mais ►

Discurso histórico de Putin sobre volta da Criméia à Rússia




Membros do Conselho Federal, representantes da Duma Estatal, boa tarde. Representantes da República da Crimeia e Sevastopol estão aqui conosco, cidadãos da Rússia, residentes da Crimea e de Sevastopol!

Caros amigos, o motivo de estarmos reunidos aqui hoje tem a ver com um assunto de importância vital e histórica para todos nós. Realizou-se um referendo na Crimeia em 16 de março em pleno cumprimento dos procedimentos democráticos e normas internacionais.

Mais de 82% do eleitorado participou da votação. Mais de 96% dos eleitores se posicionaram a favor da reunificação com a Rússia. Os números falam por si mesmos.

Para compreender as razões por trás de tal escolha, basta conhecer a história da Crimeia e o que a Rússia e a Crimeia sempre significaram uma para a outra.

Tudo na Crimeia fala da nossa história e orgulhos compartilhados. Essa é a região dos antigos Khersones, onde o príncipe Vladimir foi batizado. Seu feito espiritual de adotar a ortodoxia pré-determinou a base geral da cultura, civilização e dos valores humanos que unem os povos da Rússia, Ucrânia e Bielorrússia. As sepulturas dos soldados russos cuja valentia levou a Crimeia para o império russo também estão na Crimeia. Assim é também Sevastopol – uma cidade lendária com uma história extraordinária, uma fortaleza que serve como ponto da Frota do Mar Negro da Rússia. A Crimeia é Balaklava e Kerch, Malakhov Kurgan e Sapun Ridge. Cada um desses locais nos é querido, símbolos da glória militar e da notável coragem russas.

A Crimeia é uma fusão ímpar de culturas e tradições de diferentes povos. Isso a torna semelhante à Rússia como um todo, onde nenhum grupo étnico foi perdido ao longo dos séculos. Russos e ucranianos, crimeios e tártaros e povos de outros grupos étnicos conviveram na Crimeia, preservando a própria identidade, as tradições, idiomas e crenças.

Curiosamente, a atual população total da península da Crimeia é de 2,2 milhões de pessoas, das quais cerca de 1,5 milhão são russos, 350 mil são ucranianos que consideram o russo predominantemente como idioma nativo e cerca de 290 mil a 300 mil são tártaros da Crimeia que, como mostrou o referendo, inclinam-se a favor da Rússia.

É bem verdade que houve um tempo em que os tártaros da Crimeia foram tratados injustamente, assim como outros povos da URSS. Quanto a isso, há apenas uma coisa a dizer: milhões de pessoas de diversas etnias sofreram durante aquelas repressões, sobretudo os russos.

Os tártaros da Crimeia retornaram à terra natal. Creio que devemos tomar todas as decisões políticas e legislativas necessárias para concluir a reabilitação dos tártaros da Crimeia, restaurá-los em seus direitos e limpar sua boa reputação.

Temos respeito por todos os povos de todos os grupos étnicos que vivem na Crimeia. Trata-se de seu lar comum, sua terra natal, e seria correto – sei que a população local apoia isso – para a Crimeia ter três idiomas nacionais: russo, ucraniano e tártaro.

Colegas, na mente e no coração do povo, a Crimeia sempre foi uma porção inseparável da Rússia. Essa firme convicção se baseia na verdade e na justiça e foi passada de geração em geração, ao longo do tempo, sob quaisquer circunstâncias, apesar de todas as drásticas mudanças que nosso país atravessou durante todo o século XX.

Após a revolução, os bolcheviques, por diversos motivos – que Deus os julgue – agregaram grandes partes do histórico sul da Rússia à República da Ucrânia. Isso foi feito sem nenhuma consideração pela restauração étnica da população e atualmente essas áreas compõem o sudeste da Ucrânia. Em seguida, em 1954, foi tomada a decisão de transferir a região da Crimeia para a Ucrânia, junto com Sevastopol, embora fosse uma cidade federal. Essa foi a iniciativa pessoal do líder do Partido Comunista, Nikita Khrushchev. O que havia por trás da decisão dele – um desejo de ganhar apoio do estabelecimento político ucraniano ou se redimir pelas repressões em massa dos anos 1930 na Ucrânia – fica a cargo dos historiadores descobrir.

O que importa agora é que essa decisão foi tomada em nítida violação das normas constitucionais em vigor à época. A decisão foi tomada por baixo dos panos. Claro que em um Estado totalitário ninguém se importou em consultar os cidadãos da Crimeia e de Sevastopol. Estes tiveram de aceitar o fato. As pessoas, obviamente, perguntavam-se por que de repente a Crimeia se tornou parte da Ucrânia. Mas em suma – e devemos afirmar isso claramente, como todos sabem – essa decisão foi tratada como uma formalidade inferior porque o território foi transferido dentro das fronteiras de um único Estado. Na época, era impossível imaginar que Ucrânia e Rússia pudessem se dividir e se tornar dois Estados separados. Contudo, foi o que aconteceu.

Infelizmente, o que parecia impossível virou realidade. A URSS se desintegrou. As coisas aconteceram tão rapidamente que pouca gente percebeu o quanto foram drásticos aqueles eventos e suas consequências. Muitas pessoas na Rússia e na Ucrânia, assim como em outras repúblicas esperavam que a Comunidade de Estados Independentes que fora criada na época se tornaria a nova forma comum de Estado. Foram informados de que haveria uma única moeda, um único âmbito econômico e forças armadas unificadas; entretanto, não passaram de promessas vazias, enquanto o grande país havia deixado de existir. Apenas quando a Crimeia acabou se tornando parte de outro país que a Rússia se deu conta de que não havia sido simplesmente roubada, mas saqueada.

Ao mesmo tempo, devemos admitir que ao lançar a demonstração de soberania, a própria Rússia colaborou para o colapso da União Soviética. E à medida que esse colapso foi legalizado, todos se esqueceram da Crimeia e de Sevastopol – a principal base da Frota do Mar Negro da Rússia. Milhões de pessoas dormiram em um país e acordaram em outro, tornando-se, da noite para o dia, minorias étnicas nas antigas repúblicas da União, enquanto a nação russa se tornou um dos maiores, se não o maior, grupo étnico do mundo dividido por fronteiras.

Hoje, muitos anos depois, escuto residentes da Crimeia dizerem que em 1991 foram transferidos como um saco de batatas. Difícil discordar. E quanto ao Estado russo? E a Rússia? Humildemente aceitou a situação. Este país passava por dificuldades que, realisticamente, era incapaz de proteger seus interesses. Entretanto, o povo não conseguiu se conformar com essa revoltante injustiça histórica. Todos esses anos, cidadãos e diversas figuras públicas retomaram a questão, afirmando que a Crimeia é historicamente um território russo e que Sevastopol é uma cidade russa. Sim, todos nós sabíamos disso no coração e na mente, mas tínhamos de seguir a partir da realidade vigente e construir nossas relações de boa vizinhança com a Ucrânia independente em um novo patamar. Enquanto isso, nossas relações com a Ucrânia, com o fraterno povo ucraniano, sempre foi e sempre será da mais alta importância para nós.

Hoje podemos falar sobre isso abertamente, e eu gostaria de compartilhar com vocês alguns detalhes das negociações que aconteceram no início dos anos 2000. Kuchma, presidente da Ucrânia na época, pediu que eu acelerasse o processo de delimitação da fronteira russo-ucraniana. Na época, o processo estava praticamente parado. Aparentemente a Rússia havia reconhecido a Crimeia como parte da Ucrânia, mas não havia negociações sobre a delimitação de fronteiras. Apesar da complexidade da situação, eu imediatamente emiti instruções aos órgãos governamentais russos para acelerar o trabalho de documentação das fronteiras, para que todos tivessem uma nítida compreensão de que concordando em delimitar a fronteira, admitíamos de facto e de jure que a Crimeia era território ucraniano, encerrando assim a questão.

Acomodamos a Ucrânia não só quanto à Crimeia, mas também quanto à complicada questão da fronteira marítima no Mar de Azov e no Estreito de Kerch. A continuidade de lá para cá foi que boas relações com a Ucrânia eram de extrema relevância para nós e eles não deveriam ficar reféns de disputas territoriais sem saída. No entanto, esperávamos que a Ucrânia permanecesse como nossa boa vizinha, esperávamos que os cidadãos russos e os falantes de russo na Ucrânia, principalmente no sudeste e na Crimeia, vivessem em um estado amistoso, democrático e civilizado que protegeria seus direitos de acordo com as normas da legislação internacional.

Mas não foi assim que a situação se desdobrou. Foram inúmeras as tentativas de privar os russos de sua memória histórica, até mesmo de seu idioma, e sujeitá-los à assimilação forçada. Além disso, os russos, assim como outros cidadãos da Ucrânia, estão sofrendo com as constantes crises políticas e de Estado que rondam o país por mais de 20 anos.

Entendo porque o povo ucraniano queria mudanças. Estavam fartos das autoridades no poder durante os anos de independência da Ucrânia. Presidentes, primeiros-ministros e parlamentaristas mudaram, mas a sua atitude em relação ao país e ao povo continuava a mesma. Extorquiram o país, brigaram entre si por poder, recursos e caixa e não ligavam para o povo. Não lhes passava pela cabeça questionar por que milhões de cidadãos ucranianos não tinham perspectivas no próprio país e migravam para outros países para trabalhar por jornadas diárias em mão-de-obra não especializada. Gostaria de ressaltar o seguinte: não era para o Vale do Silício que migravam, mas para se tornarem assalariados não especializados. Somente no ano passado, cerca de 3 milhões de pessoas aderiram a esse tipo de emprego na Rússia. Segundo algumas fontes, em 2013 sua renda na Rússia totalizou mais de US$ 20 bilhões, o que representa cerca de 12% do PIB da Ucrânia.

Gostaria de reiterar que compreendo aqueles que foram até Maidan com slogans pacíficos contra corrupção, má administração do estado e pobreza. O direito a protestos pacíficos, procedimentos democráticos e eleições existe pelo único objetivo de substituir as autoridades que estão aquém dos desejos da população. No entanto, aqueles que estavam por trás dos mais recentes acontecimentos na Ucrânia tinham outra proposta: eles estavam preparando outra tomada de governo; queriam tomar o poder e nada era capaz de detê-los. Partiram para o terror, assassinato e tumultos. Nacionalistas, neonazistas, russófobos e antissemitas executaram o golpe. Continuam dando as cartas na Ucrânia até hoje. As novas supostas autoridades começaram introduzindo um projeto-de-lei para rever a política de idiomas, que foi uma infração direta aos direitos das minorias étnicas. Contudo, eles foram imediatamente “disciplinados” por aliados estrangeiros desses ditos políticos. É preciso admitir que os mentores das autoridades atuais são inteligentes e sabem muito bem em que essas tentativas de construir um estado puramente ucraniano podem resultar. O projeto de lei foi deixado de lado por ora, mas sem dúvida será retomado futuramente. Quase não se ouve falar dessa tentativa agora, provavelmente confiando na ideia de que a população tem memória curta. Entretanto, todos nós somos capazes de enxergar as intenções desses herdeiros ideológicos de Bandera, cúmplice de Hitler durante a II Guerra Mundial.

Também é óbvio que não há uma autoridade executiva legítima na Ucrânia hoje, ninguém com quem falar. Diversos órgãos governamentais foram tomados pelos impostores, mas eles não possuem nenhum controle no país já que eles mesmos – e quero enfatizar isto – são muitas vezes controlados por radicais. Em alguns casos, é preciso ter permissão especial dos militantes de Maidan para encontrar determinados ministros do atual governo. Não se trata de uma piada – a realidade é essa.

Os que se opuseram ao golpe foram imediatamente ameaçados com repressão. Naturalmente, a primeira da fila era a Crimeia, a Crimeia de falantes de russo. Assim sendo, os habitantes da Crimeia e de Sevastopol recorreram à Rússia para obter ajuda para defenderem seus direitos e a vida, para evitar que os acontecimentos que se desdobravam e ainda estão em andamento em Kiev, Donetsk, Kharkov e outras cidades ucranianas.

Naturalmente não poderíamos fazer vista grossa a esse pedido; não poderíamos abandonar a Crimeia e deixar seus habitantes em perigo. Isso seria traição de nossa parte.

Primeiro, tínhamos de ajudar a criar condições para que os habitantes da Crimeia, pela primeira vez na história, pudessem expressar pacificamente a sua vontade própria em relação ao próprio futuro. Mas o que escutamos de nossos colegas do oeste da Europa e América do Norte? Eles dizem que estamos violando as normas da legislação internacional. Em primeiro lugar, é bom que eles pelo menos lembrem que existe algo chamado legislação internacional – antes tarde do que nunca.

Em segundo lugar e mais importante – o que exatamente estamos violando? É verdade, o presidente da federação russa recebeu permissão da Câmara Alta do Parlamento para fazer uso das Forças Armadas na Ucrânia. No entanto, falando cruamente, ninguém se valeu dessa permissão ainda. As Forças Armadas da Rússia nunca entraram na Crimeia; elas já estavam lá em conformidade com um acordo internacional. É verdade que reforçamos a presença na região; porém – isto é algo que quero que todos escutem e saibam – não excedemos o limite de contingente de nossas Forças Armadas na Crimeia, limitado a 25 mil, porque não houve necessidade de fazê-lo.

Continuando. Como declarou independência e decidiu realizar um referendo, o Conselho Supremo da Crimeia recorreu à Carta das Nações Unidas, que fala dos direitos dos países à autodeterminação. Aliás, gostaria de lembrá-los que quando a Ucrânia se separou da URSS ela fez exatamente a mesma coisa, quase literalmente. A Ucrânia se valeu de seu direito, mas aos habitantes da Crimeia ele é negado. Por quê?

Além disso, as autoridades da Crimeia citaram o conhecido precedente de Kosovo – um precedente que nossos colegas ocidentais criaram com as próprias mãos em uma situação muito similar, quando concordaram que a separação unilateral de Kosovo da Sérvia, exatamente o que a Crimeia faz agora, era legítima e não exigia permissão das autoridades centrais do país. De acordo com o Artigo 2, Capítulo 1 da Carta das Nações Unidas, a Corte Internacional da ONU concordou com essa abordagem e fez o seguinte comentário no regulamento de 22 de julho de 2010 e que cito agora: “Nenhuma proibição geral pode ser deduzida da prática do Conselho de Segurança com relação às declarações de independência” e “a legislação internacional geral não contém nenhuma proibição nas declarações de independência”. Claro como água, como dizem.

Não gosto de recorrer a citações, mas neste caso, é impossível evitá-las. Vejamos agora uma citação de outro documento oficial: a Declaração Escrita dos Estados Unidos da América de 17 de abril de 2009, enviada à mesma Corte Internacional da ONU com relação às audiências em Kosovo. Mais uma vez, abre aspas: “As declarações de independência podem, e muitas vezes é isso que acontece, violar a legislação interna. No entanto, isso não faz delas violações da legislação internacional.” Fecha aspas. Eles escreveram isso, espalharam isso pelo mundo inteiro, fizeram com que todos concordassem e agora estão indignados. Com o que? As ações do povo da Crimeia estão em pleno acordo com essas instruções, como foram feitas. Por algum motivo, coisas que os albaneses de Kosovo (e nutrimos total respeito por eles) tinham permissão para fazer, os russos, ucranianos e tártaros da Crimeia não podem fazer. Mais uma vez, pergunto-me por que.

Sempre ouvimos dos Estados Unidos e da Europa Ocidental que Kosovo é um caso especial. O que o torna tão especial aos olhos de nossos colegas? A conclusão é que isso se deve ao fato de o conflito em Kosovo ter resultado em tantas mortes. Esse é um argumento legal? O regulamento da Corte Internacional não menciona nada sobre isso. Não se trata nem de dois pesos e duas medidas; isso é um cinismo indescritível, primitivo e descarado. Não se deve tentar tão grosseiramente fazer com que tudo satisfaça aos seus interesses, chamando uma coisa de branco hoje e amanhã de preto. Segundo essa lógica, teríamos de assegurar que todo conflito resultasse em baixas.

Afirmo categoricamente – se as unidades de autodefesa locais da Crimeia não tivessem controlado a situação, também poderia ter havido baixas. Felizmente isso não aconteceu.

Não houve sequer um confronto armado na Crimeia e nenhuma morte. Por que vocês acham que isso se deu dessa forma? A resposta é simples: porque é muito difícil, praticamente impossível, lutar contra a vontade do povo. Aqui eu gostaria de agradecer ao exército ucraniano – e estamos falando de 22 mil homens totalmente armados. Gostaria de agradecer aos membros do serviço ucraniano que evitaram o derramamento de sangue e não mancharam o uniforme com sangue.

Outros pensamentos me vêm à tona. Eles ficam falando de alguma intervenção russa na Crimeia, algum tipo de agressão. Isso soa estranho aos meus ouvidos. Não consigo me lembrar de um único caso na história de uma intervenção sem que pelo menos um tiro fosse disparado e sem mortes.

Colegas, como um espelho, a situação na Ucrânia reflete o que está acontecendo e o que aconteceu no mundo nas últimas décadas. Após a dissolução da bipolaridade do planeta, não temos mais estabilidade. As principais instituições internacionais são estão se fortalecendo; pelo contrário, em muitos casos, infelizmente estão degenerando. Nossos parceiros ocidentais, liderados pelos Estados Unidos da América, preferem não ser guiados pela legislação internacional em suas políticas práticas, mas pela lei da pistola. Passaram a acreditar em sua exclusividade e excepcionalidade, de que podem decidir o destino do mundo, que apenas eles estão certos. Agem como bem lhes apraz: aqui e ali, usam a força contra estados soberanos, criando coalisões baseando-se no seguinte princípio: “Se você não está conosco, está contra nós”. Para legitimar essa agressão, forçam as resoluções necessárias de organizações internacionais e, se por algum motivo isso não dá certo, simplesmente ignoram o Conselho de Segurança da ONU e a ONU como um todo.

Foi o que aconteceu na Iugoslávia; lembramos de 1999 muito bem. Foi difícil acreditar, mesmo vendo com meus próprios olhos, que em pleno final do século XX, uma das capitais da Europa, Belgrado, ficou sob o ataque de mísseis durante semanas e então se iniciou a intervenção real. Havia uma resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre isso, permitindo essas ações? Nada disso. E depois, atacaram o Afeganistão, o Iraque e violaram abertamente a resolução do Conselho de Segurança da ONU na Líbia, quando em vez de impor a chamada zona de exclusão aérea na região, começaram a bombardeá-la também.

Houve toda uma série de revoluções controladas por “cor”. Claramente, as pessoas nesses países, onde esses eventos aconteceram, estavam fartas de tirania e pobreza, da falta de perspectivas; mas houve quem cinicamente tirasse proveito desses sentimentos. Foram impostos padrões para esses países que de nenhuma forma correspondem ao modo de vida, às tradições ou culturas desses povos. Como resultado, em vez de democracia e liberdade, houve caos, surtos de violência e uma série de levantes. A Primavera Árabe se transformou no Inverno Árabe.

Uma situação similar se desdobrou na Ucrânia. Em 2004, para aprovar o candidato necessário às eleições presidenciais, eles bolaram um tipo de terceiro round que não fora estipulado por lei. Foi absurdo e uma gozação com a constituição. E agora, subsidiaram um exército de militantes organizados e bem equipados.

Entendemos o que está acontecendo; entendemos que essas ações tinham como alvo a Ucrânia e a Rússia e a integração euroasiática. E tudo isso enquanto a Rússia tentava um diálogo com nossos colegas no ocidente. Estamos continuamente propondo a cooperação em todos os assuntos-chave; queremos fortalecer nosso nível de confiança e que nossas relações sejam igualitárias, abertas e justas. Mas vemos que a recíproca não é verdadeira.

Pelo contrário, mentiram para nós diversas vezes, tomaram decisões pelas nossas costas, fizeram com que aceitássemos algo que já estava decidido. Isso aconteceu com a expansão da OTAN no Oriente, assim como a preparação de infraestrutura militar em nossas fronteiras. Eles ficavam repetindo a mesma coisa: “Bem, isso não lhe diz respeito.” Isso é fácil de dizer.

Aconteceu com a organização de um sistema de defesa de mísseis. Apesar do estado de apreensão, o projeto está em andamento e segue adiante. Aconteceu com a infinita procrastinação nas conversas sobre questões de visto, promessas de concorrência leal e acesso livre aos mercados globais.

Hoje somos ameaçados com sanções, mas já vivenciamos muitas limitações, algumas bastante significativas para nós, nossa economia e país. Por exemplo, ainda durante a época da Guerra Fria, os EUA e posteriormente outros países restringiram uma grande lista de tecnologias e equipamentos comercializados na URSS, criando a lista de Comitê de Coordenação para os Controles Multilaterais de Exportações. Atualmente, foram oficialmente eliminados, mas apenas oficialmente; e na realidade, muitas limitações ainda estão em vigor.
Em suma, tudo nos leva a deduzir que a famigerada política de contenção, realizada nos séculos XVIII, XIX e XX, continua hoje. Eles estão constantemente tentando nos arrastar para um canto porque temos uma posição independente, porque a mantemos e porque chamamos as coisas pelo nome delas e não cedemos à hipocrisia. Mas para tudo há um limite. E com a Ucrânia, nossos parceiros ocidentais passaram do limite, fazendo o papel do predador e agindo de maneira irresponsável e amadora.

Afinal de contas, eles estavam totalmente cientes de que há milhões de russos vivendo na Ucrânia e na Crimeia. Eles realmente devem ter perdido o instinto político e o bom senso para não antever todas as consequências de suas ações. A Rússia se viu em uma posição da qual era impossível recuar. Se você comprime uma mola até o limite máximo, ela voltará com força na direção contrária. Lembrem-se sempre disso.

Hoje é imperativo acabar com essa histeria, refutar a retórica da Guerra Fria e aceitar o fato óbvio: a Rússia é um participante independente e ativo dos assuntos internacionais; assim como outros países, possui seus próprios interesses nacionais que precisam ser levados em consideração e respeitados.

Ao mesmo tempo, somos gratos a todos que entenderam as nossas ações na Crimeia; somos gratos ao povo da China, cujos líderes sempre analisaram a situação na Ucrânia e na Crimeia levando em consideração o contexto histórico e político completo e agradecemos imensamente a discrição e a objetividade da Índia.

Hoje eu gostaria de me dirigir ao povo dos Estados Unidos da América, as pessoas que, desde a fundação de seu país e a adoção da Declaração de Independência, orgulham-se de manterem a liberdade acima de tudo. Não é o desejo dos habitantes da Crimeia escolherem livremente o seu destino? Por favor, compreendam-nos.

Creio que os europeus, sobretudo os alemães, também me entenderão. Permitam-me lembrá-los de que durante as consultas políticas sobre a unificação das Alemanhas Oriental e Ocidental, em escopo especializado, embora de alto nível, alguns países que na época e hoje são aliados da Alemanha não apoiaram a ideia da unificação. Nosso país, porém, acertadamente apoiou o sincero e irrefreável desejo dos alemães pela unidade nacional. Tenho certeza de que não se esqueceram disso e espero que os cidadãos da Alemanha também apoiem a aspiração dos russos, da histórica Rússia, de restaurar a unidade.

Quero ainda me dirigir ao povo da Ucrânia. Sinceramente quero que nos entendam: não queremos prejudicá-los de forma alguma, ou ferir seu orgulho nacional. Sempre respeitamos a integridade territorial do estado ucraniano, aliás, ao contrário daqueles que sacrificaram a unidade da Ucrânia e, favor de suas ambições políticas. Eles exibem slogans sobre a grandeza da Ucrânia, mas são eles que fizeram de tudo para dividir o país. O impasse civil fica totalmente na consciência deles. Quero que me escutem, meus caros amigos. Não acreditem naqueles que querem que temam a Rússia, alardeando que outras regiões seguirão o exemplo da Crimeia. Não queremos dividir a Ucrânia; não precisamos disso. Quanto à Crimeia, ela foi e continua sendo uma terra russa, ucraniana e tártara.
Repito, assim como foi durante séculos, será o lar de todos os povos que lá viverem. O que nunca será e fará é seguir os passos de Bandera!

A Crimeia é nosso legado histórico comum e um fator muito importante na estabilidade regional. E esse território estratégico deve ser parte de uma soberania forte e estável, que hoje só pode ser russa. Caso contrário, caros amigos (dirijo-me aqui à Ucrânia e à Rússia), vocês e nós – os russos e os ucranianos – poderiam perder a Crimeia completamente, e isso poderia acontecer em uma perspectiva histórica próxima. Por favor, reflitam sobre isso.
Permitam-se observar também que já ouvimos declarações de Kiev dizendo que a Ucrânia em breve fará parte da OTAN. O que isso terá significado para a Crimeia e para Sevastopol no futuro? Terá significado que a marinha da OTAN estaria bem ali nessa cidade de glória militar russa, e isso criaria uma ameaça não ilusória, mas perfeitamente real para todo o sul da Rússia. Essas são coisas que poderiam ter se tornado realidade não fosse a escolha feita pelo povo da Crimeia, e quero agradecê-los por isso.

Mas quero dizer também que não somos contra a cooperação com a OTAN, mas este certamente não é o caso. Para todos os processos internos dentro da organização, a OTAN continua sendo uma aliança militar, e somos contra uma aliança militar ficando à vontade bem no nosso quintal ou em nosso território histórico. Simplesmente não consigo imaginar que viajaríamos para Sevastopol para visitar os marinheiros da OTAN. Claro, a maioria são bons rapazes, mas seria melhor que eles viessem nos visitar, como nossos convidados, e não o contrário.

Deixem-me ser bastante franco quando digo que sofremos ao ver o que está acontecendo na Ucrânia neste momento, ver o sofrimento da população e a sua incerteza sobre como atravessar o dia de hoje e o que os espera amanhã. Nossas preocupações são compreensíveis porque não somos simplesmente vizinhos próximos mas, como já disse tantas vezes antes, somos um povo. Kiev é a mãe das cidades russas. A Rus antiga é nossa origem comum e uma não vive sem a outra.

Outra coisa. Milhões de russos e falantes de russo vivem na Ucrânia e continuarão vivendo lá. A Rússia sempre defenderá seus interesses usando meios políticos, diplomáticos e legais. Mas deve estar acima de tudo no próprio interesse da Ucrânia assegurar que os direitos e interesses desse povo sejam totalmente protegidos. Essa é a garantia de estabilidade e integridade territorial do estado ucraniano.

Queremos ser amigos da Ucrânia e queremos que a Ucrânia seja um país forte, soberano e autossuficiente. Afinal, a Ucrânia é um de nossos maiores parceiros. Temos muitos projetos em parceria e acredito em seu sucesso sejam quais forem as dificuldades atuais. Acima de tudo, queremos paz e harmonia para governar na Ucrânia, e estamos prontos para trabalharmos juntos com outros países para fazer tudo que for possível para facilitar e apoiar isso. Mas como eu disse, apenas o próprio povo da Ucrânia pode arrumar a própria casa.

Habitantes da Crimeia e da cidade de Sevastopol, toda a Rússia admirou a sua coragem, dignidade e valentia. Foram vocês que decidiram o futuro da Crimeia. Nunca estivemos tão próximos nesses dias, apoiando-nos mutuamente. Foram sentimentos sinceros de solidariedade. São em momentos decisivos da história como esses que um país demonstra maturidade e presença de espírito. O povo russo demonstrou essa maturidade e força por meio do apoio unido aos seus compatriotas.

A posição da política estrangeira da Rússia nessa questão encontrou essa solidez na vontade de milhões de pessoas do nosso povo, nossa unidade nacional e o apoio das principais forças políticas e públicas de nosso país. Quero agradecer a todos por esse espírito patriótico, todos sem exceção. Agora precisamos continuar e manter esse nível de consolidação a fim de solucionar as tarefas que nosso país enfrentará no caminho que tem pela frente.

Obviamente enfrentaremos oposições externas, mas essa é uma decisão que precisamos tomar para nós mesmos. Estamos prontos para defender consistentemente nossos interesses nacionais ou sempre cederemos, recuando para quem sabe onde? Alguns políticos ocidentais já estão nos ameaçando não só com sanções mas também com a perspectiva de problemas cada vez mais graves no fronte interno. Gostaria de saber o que exatamente eles têm em mente: a quinta coluna em ação, esse monte de “traidores nacionais” sem nexo ou será que esperam nos colocar em uma situação de degradação social e econômica a fim de causar descontentamento público? Consideramos essas declarações irresponsáveis e de tom nitidamente agressivo, e responderemos à altura. Ao mesmo tempo, jamais buscaremos confronto com nossos parceiros, sejam eles do Ocidente ou do Oriente, pelo contrário, faremos de tudo para construir relações civilizadas e de boa-vizinhança como deve ser no mundo moderno.

Colegas, entendo o povo da Crimeia, que coloca a questão nos termos mais claros possíveis no referendo: a Crimeia deve ficar com a Ucrânia ou com a Rússia? Podemos seguramente afirmar que as autoridades da Crimeia e de Sevastopol, as autoridades legislativas, ao formularem a pergunta, deixaram de lado os interesses políticos e partidários e fizeram com que apenas os interesses fundamentais do povo fossem o alicerce daquela missão. As singulares circunstâncias históricas, populacionais, políticas e econômicas da Crimeia poderiam ter feito optado por qualquer outra proposta – não importa o quanto tentador possa ter sido em um primeiro momento – apenas temporária e frágil e teriam inevitavelmente levado a uma degradação ainda maior da situação por lá, o que teria gerado efeitos desastrosos na vida das pessoas. A população da Crimeia decidiu assim colocar a questão de forma firme e desimpedida, sem pontos cegos. O referendo foi justo e transparente e o povo da Crimeia expressou a sua vontade clara e convincentemente e afirmou que querem estar com a Rússia.

A Rússia agora também terá de tomar uma difícil decisão, levando em conta as diversas considerações internas e externas. O que as pessoas aqui na Rússia acham? Aqui, como em qualquer país democrático, as pessoas têm diferentes pontos de vista, mas afirmo que a maioria absoluta de nosso povo apoia abertamente o que está acontecendo.

As pesquisas de opinião mais recentes realizadas aqui na Rússia mostram que 95% das pessoas acham que a Rússia deve proteger os interesses dos russos e membros de outros grupos étnicos que vivem na Crimeia – 95% de nossos cidadãos. Mais de 83% acham que a Rússia deve fazer isso, mesmo que isso complique nossas relações com alguns países. Um total de 86% do nosso povo enxerga a Crimeia como território ainda russo e parte das terras de nosso país. E um número particularmente importante, que corresponde exatamente ao resultado do referendo na Crimeia: quase 92% do nosso povo apoia a reunificação da Crimeia com a Rússia.

Assim sendo, vemos que a maioria esmagadora de pessoas na Crimeia e a maioria absoluta da população da federação russa apoia a reunificação da República da Crimeia e da cidade de Sevastopol com a Rússia.

Agora se trata de uma questão de decisão política da própria Rússia e qualquer decisão aqui só pode estar embasada na vontade do povo, porque do povo emana a autoridade.

Membros do Conselho Federal, representantes da Duma Estatal, cidadãos da Rússia, habitantes da Crimeia e de Sevastopol, hoje, de acordo com a vontade do povo, envio à Assembleia Federal uma solicitação para que considerem uma Lei Constitucional para a criação de duas novas entidades constituintes na federação russa: a República da Crimeia e a cidade de Sevastopol, e ratificação do tratado sobre a admissão à federação russa da Crimeia e de Sevastopol, que está pronta para assinar. Certo de vosso apoio.”

Tradução de Claudia Freire
Leia Mais ►

Ibope: Dilma tem 43%, Aécio 15% e Campos 7%



O Ibope divulgou nesta quinta-feira sua mais recente pesquisa sobre a sucessão presidencial. Ela aponta a presidente Dilma Rousseff com 43%, contra 15% de Aécio Neves e 7% para Eduardo Campos.

Assim, ela venceria no primeiro turno, com folga.

A nova pesquisa Ibope gerou uma forte onda de especulação no mercado financeiro, provocando fortes altas de ações do setor elétrico e também da Petrobras. Só nesta quinta-feira, a Petrobras subiu mais de 4%, depois de ter subido mais de 3% nos dois pregões anteriores. Especuladores apostavam numa queda da presidente Dilma, que não se confirmou.

O Ibope também pesquisou um cenário com Marina Silva no lugar de Eduardo Campos, o que não geraria grandes alterações. Dilma teria 41%, contra 14% de Aécio e 12% de Marina.

Nas simulações de segundo turno, Dilma supera com folga todos os adversários. Contra Marina, o placar seria de 45% a 21%. Contra Aécio, de 47% a 22%. Contra Campos, de 47% a 16%.

A pesquisa sobre rejeição também foi boa para a presidente. Enquanto Dilma tem uma taxa de 38%, Aécio tem 41%, Campos 39% e Marina, idem.

Ao que tudo indica, especuladores que tentaram manipular o mercado financeiro em razão da pesquisa eleitoral terão ressaca nesta noite.

Pesquisa Ibope para presidente 2014 / 20.03.2014 / VAE ESTA (Foto: Editoria de Arte / G1)


Ibope mostra estabilidade e Dilma mantém expectativa de vitória no 1º turno

Na primeira pesquisa feita pelo instituto em 2014, presidente obtém até 43% das intenções de voto; Aécio e Campos registram 15% e 7%

A primeira pesquisa Ibope deste ano revela um quadro de estabilidade: Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, tem 43% das intenções de voto, o mesmo índice que foi registrado em novembro de 2013, data do levantamento anterior. O tucano Aécio Neves oscilou um ponto porcentual para cima, de 14% para 15%, e Eduardo Campos (PSB) se manteve com 7%.

Em outro cenário analisado pelo Ibope, em que os nomes de cinco “nanicos” são incluídos na lista apresentada aos entrevistados, Dilma, Aécio e Campos aparecem, respectivamente, com 40%, 13% e 6%. Somados, os demais candidatos ficam com 4%. Ou seja, mesmo assim, a representante do PT tem mais eleitores que a soma dos adversários (40% a 23%) – condição necessária para vencer no primeiro turno.

Em um eventual segundo turno, Dilma também seria vitoriosa. Contra Aécio, sua vantagem seria de 27 pontos porcentuais (47% a 20%). Em uma disputa direta com Campos, a distância chegaria a 31 pontos (47% a 16%).

Apesar do favoritismo da candidata do governo, a maioria (64%) do eleitorado afirma esperar que o próximo presidente “mude totalmente” ou “muita coisa” na próxima gestão.

Apenas 32% esperam continuidade “total” ou de “muita coisa”.

O Ibope perguntou somente aos entrevistados que desejam mudanças se estas devem ser promovidas com Dilma ou com outra pessoa na Presidência. Nesse caso, a presidente tem apoio de apenas 27%. Outros 63% afirmam que querem mudar o País com outro governante.

Quando todo o universo de entrevistados é consultado, o resultado é diferente. Diante da pergunta “quem tem mais condições de promover as mudanças de que o País ainda necessita?”, Dilma aparece com 41%, com larga vantagem sobre Aécio (14%) e Campos (6%).

O Ibope também testou cenários em que Marina Silva é listada como candidata, no lugar de Eduardo Campos – apesar da possibilidade remota de que a chapa do PSB seja alterada até a eleição. Em uma eventual disputa entre Dilma, Aécio e Marina, as intenções de voto são de 41%, 14% e 12%, respectivamente. Marina vem perdendo terreno nas simulações desde outubro, época em que era a preferida de 21% do eleitorado.

Em um eventual segundo turno entre a atual presidente e a ex-ministra do Meio Ambiente e ex-candidata a presidente pelo PV, Dilma venceria por 45% a 21%.

O Ibope ouviu 2.002 pessoas em 140 municípios. As entrevistas foram realizadas entre os dias 13 e 17 de março. A margem de erro do levantamento é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número 31/2014.

O nível de confiança utilizado para calcular o tamanho da amostra e a margem de erro é de 95%. A pesquisa foi feita por iniciativa do próprio Ibope – o instituto aparece como contratante na documentação entregue à Justiça Eleitoral.

Daniel Bramatti e José Roberto de Toledo
No Estadão
Leia Mais ►

TV Folha e a Marcha da Família com Deus e Contra o Comunismo, ou o facepalm na cara da sociedade inteligente


(Pra quem não sabe, facepalm é o nome daquele tapa que você dá na sua cara com a parte de dentro da mão, quando pensa “Ai, meu Deus, que burrice!”

Véi, sei nem por onde começar. Apenas digo pra você estourar umas pipocas porque o papo vai ser longo (traz um guaraná pra acompanhar, também, por favor…)


(Clique por sua conta e risco. Não aceitamos reclamações.)

A TV Folha fez um vídeo sobre os líderes da Marcha da Família com Deus e Contra o Comunismo, edição 2014 (que doravante chamarei MFDCC, tá? Quero colocar essa marcha em pé de igualdade com eventos tipo Fashion Week). Daí que tem muita gente que não consegue ver o vídeo até o final por sentir repugnância. Então, eu resolvi ser bem legalzinha com vocês e descrever o vídeo. Porque o conteúdo é tão ruim, mas tão ruim, que beira a tragicomédia.

Mas ó: total apoio a quem não conseguiu ver o vídeo até o fim. Nunca minha vergonha alheia atingiu níveis tão altos. A primeira vez que eu vi o vídeo acabei horrorizada, embaixo da mesa, com um saco de papel na cara porque OLHA… vamos contar o número de facepalms que eu fiz em cinco minutos de vídeo?

#Facepalm nº 1: Aos dezoito SEGUNDOS, com o primeiro personagem do vídeo, o Historiador Equivocado. O moço diz que “o povo foi às ruas” no dia 19 de março de 1964.

Aí, fera, fala uma coisa dessas não que pega supermal pra você… pra começo de conversa, vamos definir “povo” na frase do tio aí de cima. Segundo a Fundação Getúlio Vargas, as Marchas de 1964 foram “organizadas principalmente por setores do clero e por entidades femininas”. Então, pra ficarmos dentro dos parâmetros de honestidade, devemos dizer que a Marcha das Famílias com Deus pela Liberdade foi organizada por setores da sociedade. Povo, não. Povo, povão, mesmo é a parte da sociedade que ou tá ocupada demais ralando o dia inteiro, ou tá enfrentando trânsito no transporte público a caminho de casa/trabalho ou tá fazendo faculdade à noite.

che-facepalm#Facepalm nº 2: Aos 32 segundos ele fala em contrarrevolução. Porque, né? Eles estavam se pelando de medo de um (favor ler com voz fantasmagórica) goooooolpe comuniiiiiiiistaaa…

Cara, em 1964, por mais insólita que a sugestão já parecesse (Jango Goulart, fazendeiro E comunista? Não rola, é contradição entre termos…), ainda fazia algum sentido no contexto do fla X flu da Guerra Fria, disputado a ferro e fogo entre Estados Unidos e União Soviética.

Mas em 2014?!?!?! Golpe comunista em andamento? Naonde que tem golpe comunista? Vivemos a mais capitalista das eras do Brasil, estamos a pleno consumo e a pleno emprego! Tá em dúvida? Pergunte a um banqueiro o que ele acha de golpe comunista em 2014…

#Facepalm nº 3: Entra em cena o segundo personagem do vídeo, o Esclarecido do Agronegócio. Fala em “setores esclarecidos da sociedade”. Tá. São esclarecidos. Mas me digam, por favor: que tipo de esclarecimento eles têm? A respeito de quê? O que eles sabem que a gente não sabe? Conta tudo pra gente, por favor…. (e até o fim do vídeo ele conta tudo, uma coisa….)

Aí, mais adiante, o Esclarecido do Agronegócio vai e diz que “A sociedade vem sendo imbecilizada há 50 anos, por todos os governos do crime repetidos” #Facepalm nº 4: mas meu tio, pelo amor de Santa Genoveva, juntou tudo no mesmo balaio? Militar, não-militar, PT, PSDB… esclarecidão o senhor, hein?

Mas espere… se o governo militar há 40, 50 anos era um “governo do crime”, como o senhor mesmo disse, por que o senhor quer voltar com os militares? Então o senhor apoia o crime? Cejura? Mas cejura mesmo? É impressão minha ou o senhor, do alto do seu esclarecimento, caiu em contradição?

dog_facepalmE a Mãezona de Família, preocupada em educar a filha de 17 anos, é a nossa terceira personagem. Gente, alguém avisa que a filha dela não terá problemas com os estudos, pelo contrário? Ela pode se valer do Ciência sem Fronteiras para ir estudar no exterior, e ainda volta doutora! Fique à vontade pra confiar na Dilma, dona Mãezona! Tá, parei.

A Mãezona de Família nos traz o #Facepalm nº 5: o Brasil vai virar uma Venezuela e uma Cuba, e teremos quilômetros de filas pra comprar papel higiênico ou frango. Mas minha tia, com tanto empresário de comércio varejista salivando porque as vendas estão em franca expansão, onde já se viu esperar desabastecimento, falta de comida?

Quarto personagem do vídeo, batizado por um amigo do Facebook de “o Politizado em Download”. Que diz que é politizado a 85%. (O download falhou, coitado, cês tão vendo como é importante votar logo o Marco Civil da Internet, gente?) Só essa do politizado a 85% já renderia o sexto facepalm, mas minha cara tá doendo de tanto tapa que eu tô me dando. Vou dar um desconto.

Voltamos ao Esclarecido do Agronegócio, que nos diz agora que “os anseios da presidenta das república não representam os anseios da maioria da sociedade”. OK, aqui não dá pra economizar.

dilma-rousseff-facepalm#Facepalm nº 6: [suspiro] Tio, é assim: de-mo-cra-ci-a. Aquele lance que diz que todo poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido. Esse lance é corroborado por um troço chamado e-lei-ção. Um megaevento, com megacobertura da imprensa, onde as pessoas vão e contam pra um troço chamado urna quem elas querem que seja o representante delas. Daí, ao final do dia, a urna é aberta e descobre-se quem teve mais votos. Esse carinha mais votado é o eleito. No caso, Dilma Rousseff foi escolhida em 2010 como a pessoa que a maioria da sociedade quer que seja a representante máxima do país.

Em democracia não rola esse lance de “setor esclarecido o voto vale mais; setor menos esclarecido o voto vale menos”. É tudo um para um. E se ela não corresponde aos anseios da sociedade mais esclarecida, corresponde aos anseios de todo o restante da sociedade. “Ah, Dilma Rousseff não me representa!” Ótimo! Direito democrático seu achar isso! Vamos pras urnas, escolher um candidato que te represente? Daí, fale com os seus e peça que eles também votem nesse candidato. Quem tiver mais votos, leva. Combinado?

Voltamos à Mãezona que diz que morre de vergonha dos políticos. Tia, aceite umas pipoquinhas aqui do meu balde, e vamos conversar. O que tem de mané que não me representa não tá no gibi. Mas o que fazer se eles representam outros setores da sociedade? Pedir divórcio do resto da sociedade? Num rola, né?

scully_facepalmEis que retorna à telinha o Historiador Equivocado, dizendo que “não votaria num candidato com menos preparo do que eu!”. Ele, por exemplo, não teria problemas em achar um candidato em quem votar, porque eu listo vários com mais preparo do que ele. A começar pelos professores de história que sabem o que realmente significou a marcha das famílias em 1964. Aí ele diz que não vota em quem fala português errado. Querido, se for assim, você vai limar todo mundo! Pode começar com os que se dizem os “melhor(es) preparados”, porque o superlativo de locuções adjetivas é feito com mais. Então, o superlativo de “bem preparado” é “o mais bem preparado”. Mas isso aqui não é aula de português, e sim exercício de masoquismo. Voltemos aos facepalms.

O #Facepalm nº 7 é um oferecimento do Politizado a 85%, que nos fala em “intervenção militar provisória”. Bom, eu vou evitar o caminho mais fácil de mandar o tio acabar o download de politização dele. Também vou evitar chamar a atenção de vocês pro tanto que o sujeito gaguejou antes de falar esse troço. Vamos lá. [longo suspiro].

Zuckerberg_FacepalmExiste um calhamaço de texto chamado Constituição da República Federativa do Brasil. Troço mó legal, levou um bom tempo pra ser feito, e foi resultado de muito esforço e muito consenso de vários setores da sociedade, representados por Parlamentares Constituintes.

Daí que essa Constituição prevê intervenções militares. Em casos extremíssimos. Falha no download do seu app iPolitizado 2.0 não é um deles, OK? E por provisório, entende-se um troço com prazo final. Quem, como e por quê vai determinar o fim desse prazo? Da última vez, imaginava-se que seriam alguns meses, e foram 21 anos. Ou seja: não rola, esquece.

Voltamos ao Esclarecidão do Agronegócio que nos diz que o grupo dele almeja seis objetivos nacionais permanentes. Bora conferir?

1- Democracia – check

2- Progresso – check

3- paz social e ordem pública – ah, tem sempre uns doidos que querem a volta da ditadura, mas nada que seja a transubstanciação do caos, né? Oops!

4- Soberania – check

5- Integração nacional – check

6- Integridade nacional – check

Isto posto, qual é mesmo o motivo da sua manif?

jesus-facepalmE mais uma vez a Mãezona dizendo que acha um absurdo não poder andar armada. Olha, gente, mó alívio saber que as famílias de Deus adoram andar armadas. É uma forma doce e singela de espalhar a mensagem de amor de Deus, né? Certeza que Deus tá morrendo de orgulho da tradicional família armada brasileira.

Mas espere! O #Facepalm nº 8 traz o Historiador Equivocado com a grave denúncia de que estão tentando implantar um bloco socialista na América Latina! Gente, alguém aperta o F5 desse pessoal, pelamor? Avisem que quem nasceu quando acabou a Guerra Fria já completou meio quarto de século? E que a Agenda Mundial já virou um bocado de página?

Não existe mais isso de “implantar o socialismo” ou “implantar o bolchevismo”, fazfavor! O que todos temos, salvo esta ou aquela nação, são regimes 100% democráticos com políticas de governo mais à esquerda ou mais à direita. Noves fora, os direitos individuais das pessoas permanecem I-NAL-TE-RA-DOS!

Godzilla-FacepalmE se você pensa que o #Facepalm nº8 foi o auge do vídeo, você ainda não viu o #Facepalm nº9: o Teorema das Ferraris. Foi o Equivocadão quem desenvolveu o conceito (pára de rir, coisa! Tô falando sério!): “Imagina eu tendo uma Ferrari, tu tendo (o Equivocadão não vota em si mesmo, isso é fato!) uma Ferrari, todos aqui tendo uma Ferrari. Imagine todo mundo tendo condições de viver num mundo igualitário. Não existe isso!” Aí não agrega mais valor ao camarote, tem que ver issaê! Traz a bebida que pisca! No que a Mãezona completa: “Isso é uma coisa nítida! Só quem mora no Morumbi já sabe!”

Ou seja: se você ralou pra caramba pra fazer a sua faculdade, se trabalhou até não poder mais pra comprar um carro, ou a casa própria, isso não pode! Você é pobre e tem que saber do seu lugar e se contentar com seu reles papel de serviçal na sociedade! Tudo isso explicado com o Teorema da Igualdade das Ferraris.

Não foi à toa que esse moço recebeu a alcunha de Equivocadão…

(Ah, sim: só pra lembrar, o #Facepalm nº 1 foi o Equivocadão falando em povo, tá? Volta lá em cima pra conferir que eu espero…)

Chegamos àquele que é o meu #facepalm preferido, o #Facepalm nº10. O Esclarecidão e o Equivocadão chegaram nos Illuminatti! Gente, agora tudo faz sentido! “Quem manda no Brasil não mora no Brasil, quem governa o Brasil é o Dono do Mundo”, diz o Equivocadão. Não sei se penso em Antônio Fagundes como protagonista daquela novela de mesmo nome do Gilberto Braga, ou se me lembro daquela música infantil dos anos 1980: “Vê qual é o nome do dono da terra, inventor do céu e do mar”. Acho que fico com o Fagundes…

Mas o melhor mesmo é quando o Equivocadão diz que o nome do Dono do Mundo é o Barão de Rotixíude.

terceirizado_facepalmGeeemt… Rothschild (lê-se róts-tcháudi) mudou pronúncia e ninguém me contou? Afff… (voltando lá no meio do vídeo, o mesmo cara que diz que não vota em quem não fala português direito tenta pagar de sabido e não sabe pronunciar Rothschild corretame… melhor eu parar, daqui a pouco vão dizer que eu tenho parte com os Iluminati!

Neste momento você vai dizer: “Ai, você é muito implicante! Ele não tem obrigação de falar inglês fluentemente!”, e eu serei obrigada a concordar contigo. Então, me empreste seu rosto para o #facepalm nº 11: Equivocadão dizendo que o Collor foi impitimado.

O Esclarecidão do Agronegócio convida a todos a entrarem no Google pra procurar se informar a respeito (Já dizia o ET Bilu: Busque conhecimento !). Olha, tio, devo confessar que eu joguei “Rothschild iluminati” e… ah, puxa! Acabaram-se as pipocas!

Deixemos de lado o Google só um pouquinho, e voltemos à Mãezona contando que o que tá acontecendo agora é o mesmo que aconteceu em 1964, e que, naquela época, “dentro do contexto, era o que melhor podia ter acontecido”. Nessa hora eu tive a impressão de que o Historiador Equivocado tinha ido ao banheiro e deixou a Mãezona dando entrevista, mas ele entrou em seguida pra fechar o vídeo de maneira brilhante: com um nariz de palhaço.

Escuta… Vai ter transmissão da Marcha na TV? Com narração de locutor de futebol? Ah, eu quero ver… Cadê meu balde de pipocas?

sextuplo_facepalm

No Objetivando Disponibilizar
Leia Mais ►

Folha tenta distorcer prisão de ex-diretor da Petrobrás, misturando casos distintos


Hoje foi preso Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras que deixou o cargo no começo de 2012. Costa era ligado ao ex-deputado José Janene (PP-PR), já falecido. Foi mais uma prisão efetuada pela operação da polícia federal chamada “lava-jato”. A operação não é para investigar a petrobrás e não tem nada a ver com a empresa.

Apesar disso, a Folha forçou a barra e tentou ligar a prisão ao caso da refinaria de Pasadena, nos EUA. Existem apenas boatos de que o diretor teria algum envolvimento com o caso, o que ainda é só uma suspeita, sem nenhuma confirmação. A idéia é continuar explorando o caso da refinaria, como uma forma de atingir a imagem da presidete Dilma Roussef. Para quem não sabe, aqui vai um breve resumo do caso, baseado em dados de uma reportagem do “Estadão”:

1) Em 2006 a Petrobrás comprou 50% das ações de uma refinaria em Pasadena, nos Texas. As ações eram de uma empresa chama Astra-Oil. A valor da compra foi 360 milhões de dólares, sendo que houve o aval da presidente Dilma Roussef para o negócio, uma vez que ela era a Ministra de Minas e Energia, além de fazer parte do conselho de administração da Petrobras.

2)Em 2007 a Petrobras recebeu uma oferta para comprar os outros 50% da refinaria e não quis realizar a compra. A empresa Astra-Oil entrou na justiça dos EUA, alegando que a petrobras tinha obrigação contratual de comprar os 50% restantes.

3)Em 2010, um juiz federal do Texas ordena que a Petrobrás America Inc., braço americano da estatal, pague US$ 639 milhões à Astra Oil. De acordo com a decisão, a quantia é devida pelos 50% restantes da refinaria de Pasadena.A partir dessas decisão, o caso começa a ganhar contornos dramáticos.

4)Em 2012 o caso chega ao final na justiça americana. A Petrobrás paga US$ 820,5 milhões à Astra pela outra metade da refinaria. O valor refere-se à sentença original, honorários de advogados e outras despesas.

5)Ainda em 2012, surge uma denúncia de que sete anos antes, a refinaria teria sido comprada por somente US$ 42,5 milhões pela Astra-Oil. Não se sabe em quais cisrcunstâncias essa compra foi feita, se o valor do negócio era realmente esse, nem qual eram os termos reais da negóciação. A partir dessa denúncia, o TCU, a polícia federal, o MPU e uma comissão na Câmara dos Deputados passam a investigar o caso, para saber o que de fato aconteceu.

6) Em 2013 a nova presidente da Petrobras, Graça Foster, diz que a refinaria foi um mau negócio para a compania. Ontem, dia 19/03/2014, a presidente Dilma confirmou que assinou o aval para a compra da refinaria em 2006, mas disse que o conselho se baseou em um parecer falho que indicava que a compra era um bom negócio. O diretor da área responsável pela elaboração do parecer, Nestor Ceveró, viajou para a Europa no mesmo dia da declaração de Dilma.

7) A prisão do ex-diretor hoje não tem até agora nenhuma relação com o caso descrito acima, sendo efetuada por uma operação da polícia federal que investigou outros delitos, ao contrário do que a Folha tenta sugerir.

No DesmascarandoGloboFolha
Leia Mais ►