18 de mar de 2014

Os segredos internacionais por trás da “Revolução do Ódio” no Brasil

 Texto de 20-10-2010 

O PSDB, o partido neoliberal de José Chirico Serra e Fernando Henrique Cardoso, montou ainda em outubro de 2009 um eficiente sistema capaz de disparar diariamente mais de 152 milhões de e-mails para brasileiros de todas as regiões.

Esse sistema é preferencialmente utilizado para disseminar peças de calúnia e difamação contra Dilma Rousseff, Luiz Inácio Lula da Silva e qualquer figura pública que ouse tomar partido do projeto da esquerda no Brasil. Funcionando também nas redes sociais, essa é uma das principais frentes da "Revolução do Ódio" em curso no país.

Até o primeiro turno da eleição presidencial, havia mais de 650 militantes, quase todos bem remunerados, para difundir material venenoso contra o governo federal. Neste segundo turno, essa super tropa de terrorismo virtual, recrutada por Eduardo Graeff, conta com mais de 1.000 militantes.

Esse, no entanto, é apenas um braço do movimento de golpismo midiático financiado por entidades ultra-conservadoras, sobretudo norte-americanas, empenhadas em desestabilizar movimentos de esquerda pelo mundo e assumir o controle das fontes de riqueza nos países emergentes.

O enigma das “revoluções coloridas”

Há 15 anos, a Internet vem sendo utilizada como ferramenta de sabotagem por esses grupos. Dentre eles, destacam-se o poderoso National Endowment for Democracy (NED), a United States Agency for International Development (USAID) e inúmeras entidades parceiras, como a Fundação Soros.

O NED, por exemplo, financia várias organizações-satélite, como o World Movement for Democracy, o International Fórum for Democratic Studies e o Reagan-Fascell Fellowship Program, que atuam direta ou indiretamente em todos os continentes.

Grupos ligados ao NED, por exemplo, tiveram comprovada atuação nos episódios políticos que desestabilizaram a coalizão de centro-esquerda na Itália, em 2007 e 2008. Acabaram derrubando o primeiro-ministro Romano Prodi e, em seguida, reconduziram ao poder o magnata Silvio Berlusconi.

A ação envolveu treinamento de jornalistas, divulgação massiva de boatos na Internet, dirigidos sobretudo aos jovens, e distribuição seletiva de caríssimos “estímulos” a senadores de centro.

Mas, afinal, o que é o NED?

Criada em 1983, por iniciativa do presidente estadunidense Ronald Reagan, trata-se oficialmente de uma entidade privada, mas abastecida de forma majoritária por fundos públicos.

Ainda que seus dirigentes a qualifiquem como um centro de incentivo à democracia, trabalha sempre no apoio a movimentos de direita, com forte ênfase no liberalismo, no individualismo, no privatismo e no pressuposto de que os interesses do mercado devem prevalecer sobre os interesses sociais.

Segundo o conceituado escritor e ativista norte-americano Bill Berkowitz, do movimento Working for Change, o objetivo do NED tem sido “desestabilizar movimentos progressistas pelo mundo, principalmente aqueles de viés socialista ou socialista democrático”.

O NED e suas entidades parceiras figuram na origem das chamadas “Revoluções Coloridas” que se espalharam pelo mundo nesta década.

A primeira operação virtual-midiática de grandes proporções foi a chamada Revolução Bulldozer, em 2000, no que ainda restava da Iugoslávia.

O nome do movimento se deve ao ato violento de um certo “Joe” (na verdade, Ljubisav Dokic) que atacou uma emissora de rádio e TV com uma escavadeira. Logo, foi transformado num emblema da sedição.

Na época, especialistas em mobilização de entidades financiadas pelo NED concederam apoio técnico e treinamento intensivo aos membros do Otpor, grupo estudantil se tornaria fundamental na campanha de desestabilização do governo central.

Talvez o melhor exemplo desse trabalho de corrosão política tenha ocorrido em 2003, na Geórgia, na chamada Revolução das Rosas, que culminou com a derrubada do presidente Eduard Shevardnadze.

Novamente, havia uma organização juvenil envolvida na disseminação de boatos, denúncias e incitações, a Kmara (Basta!), além de várias ONGs multinacionais como o Liberty Institute.

A Revolução das Rosas não teria ocorrido sem o apoio das associações ligadas ao bilionário húngaro-americano George Soros. A Foundation for the Defense of Democracies, instituto neoconservador com sede em Washington D.C., revelou que Soros investiu cerca de US$ 42 milhões nas operações para derrubar Shevardnadze.

O roteiro se repetiu em vários outros movimentos, como a Revolução Laranja, na Ucrânia, em 2004, e a Revolução das Tulipas, no Quirguistão, no ano seguinte.

Levantes dessa natureza ainda têm sido estimulados por esses grupos e seus agentes, que visitam os países-alvo em épocas de crise ou durante processos eleitorais.

Observadores internacionais estimam, por exemplo, que NED e USAID investiram US$ 50 milhões anuais no suporte às entidades que desestabilizaram e derrubaram o governo de Manuel Zelaya, em Honduras.

Nem sempre, porém, as “revoluções“ patrocinadas por essas entidades são coroadas de pleno êxito. É o caso da chamada “Revolução Twitter”, ocorrida na Moldávia, em 2009, e das frequentes operações de terrorismo midiático e virtual desenvolvidas pela oposição venezuelana.

Em todos esses episódios, há um procedimento estratégico que vem sendo seguido pelos grupos de sabotagem. Podemos sintetizá-lo em dez mandamentos operativos:

1) Difunda o ódio. Ele é mais rápido que o amor.

2) Comece pela juventude. Ela esta multiconectada e pode ser mais facilmente mobilizada para destruir do que para construir.

3) Perceba que destruir é “divertido”, ao passo que “construir” pode ser cansativo e chato.

4) A veracidade do conteúdo é menos relevante do que o potencial impacto de uma mensagem construída a partir da aparência ou do senso comum.

5) Trabalhe em sintonia com a mídia tradicional, mas simule distanciamento dos partidos tradicionais.

6) Utilize âncoras “morais” para as campanhas. Criminalize diariamente o adversário. Faça-o com vigor e intensidade, de forma a reduzir as chances de defesa.

7) Gere vítimas do oponente. Questões como carga tributária, tráfico de drogas e violência urbana servem para mobilizar e indignar a classe média.

8) Eleja sempre um vilão-referência em cada atividade. Cole nele todos os vícios e defeitos morais possíveis.

9) Utilize referências sensoriais para a campanha. Escolha uma cor ou um objeto que sirva de convergência sígnica para a operação.

10) Trabalhe ativamente para incompatibilizar o político-alvo com os grupos religiosos locais.

Várias dessas agências internacionais de desestabilização enviaram emissários ao Brasil, especialmente a partir do ano passado.

A ação-teste no Brasil foi desencadeada por meio do movimento “Fora Sarney”, organizado pelo movimento denominado “Rir para Não Chorar”, ou simplesmente RPNC.

Os "indignados moralistas" de direita escolheram o político maranhense como alvo, mesmo depois de tolerá-lo durante 45 anos em instâncias decisórias do país.

O líder da vez era um certo Sérgio Morisson, que se dizia consultor de ONGs e “fashionista”. Na época, vivia na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), atuando no Comitê de Jovens Executivos.

Na verdade, Sarney serviu apenas como um pretexto de ensaio golpista. O objetivo do grupo era canalizar o ódio da jovem classe média contra o governo Lula.

Distribuíram 50 mil narizes de palhaço, seguindo disciplinadamente a cartilha de simbologia dos movimentos patrocinados pelo NED.

Na verdade, muitos dos “palhacentos” já tinham atuado em outro levante do tipo, o famigerado “Cansei”, que dois anos antes tentara se aproveitar do acidente com o avião da TAM para fomentar uma revolta popular contra o governo federal.

Na presente eleição presidencial brasileira, todo o receituário estratégico e simbólico das revoluções coloridas foi empregado no fortalecimento da candidatura da ex-petista Marina Silva.

A chamada “onda verde”, que impediu a vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno, foi vigorosamente apoiada por expressivos setores da direita brasileira, inclusive com suporte mal disfarçado de parte da militância oficial do PSDB.

A direita estrangeira e o golpe em curso no Brasil

A principal entidade articuladora da “Revolução do Ódio” no Brasil é o Instituto Millenium (IM), que dispensa apresentações ao leitor da blogosfera.

O IM tem uma fixação especial por Ayn Rand, uma escritora, roteirista e pseudo-filósofa russa que viveu a maior parte da vida nos Estados Unidos.

Rand defendia fanaticamente o uso de uma suposta razão objetiva, o individualismo, o egoísmo e o capitalismo. Segundo a base de sua “filosofia”, o homem deve viver por amor a si próprio, sem se sacrificar pelos demais e sem deles esperar qualquer solidariedade.

Para os seguidores de Rand, o espírito altruísta cooperativo é visto como fraqueza e como destruidor da energia humana empreendedora.

Rezam pela cartilha de Rand, por exemplo, o articulista de Veja Reinaldo Azevedo e o economista Rodrigo Constantino, membro do Conselho de Fundadores e Curadores do IM, autor de livros barra-pesada como “Estrela Cadente: As Contradições e Trapalhadas do PT” e “Egoísmo Racional – o Individualismo de Ayn Rand”.

O conselho editorial do instituto é liderado por Eurípedes Alcântara, diretor da revista Veja, tão conhecido pela barriguda matéria do Boimate (o anúncio da fusão genética do boi com o tomate) quanto por sua devoção fanática pelos Estados Unidos e pelo neoliberalismo radical.

Participante ativo de programas de entidades financiadas pelo NED, Alcântara frequenta simpósios e atividades de treinamento destinadas a impor na América Latina o pensamento da direita corporativa norte-americana.

A Internet ainda exibe uma conversa tão estranha quanto reveladora entre o executivo da Editora Abril e Donald “Tamiflu” Rumsfeld, ex-secretário do Departamento de Defesa dos EUA. Segue aqui uma fala entusiasmada do entrevistador.

QUESTION (Alcântara): Yeah, that would be my pleasure. I have been watching close your role in the United States and I must say that I admire you. You are so firm since the beginning. When they said they were going there for the oil and then they said you were going there for your own interests, and then, well, we see democracy spreading throughout the Arab world. This is not a small thing, right?

As relações entre o Millenium e entidades estrangeiras seguem diversas rotas de financiamentos e apadrinhamentos, mas um pouco dessa complexa malha de articulações pode ser visualizada aqui:


Hoje, os apoiadores estrangeiros do Instituto Millenium e dos partidos da direita brasileira têm um olho ansioso na eleição e outro faminto na compensação exigida. O principal balconista desse negócio é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que recentemente, em Foz do Iguaçu (PR), tentou acalmar sua inquieta freguesia.

Caso José Serra vença o pleito em 31 de Outubro, o pagamento prometido está garantido: a entrega do Banco do Brasil, da Petrobrás e de Itaipu aos patrocinadores da “Revolução do Ódio”. Mais estarrecedor que esse acordo é o silêncio até agora das forças progressistas.

Mauro Carrara
No Nova-E
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Mercado, Concorrência e Estado no Brasil



O professor Delfim Netto abordou outro dia, em interessante artigo, o papel do Estado e do Mercado, e a importância de cada um na construção da prosperidade humana.

Do nosso ponto de vista, o Estado precisa ser não apenas um agente indutivo e fiscalizador da atividade econômica, mas eventualmente, participar diretamente dela, na produção, distribuição e vendas, sempre que isso for necessário para evitar a espoliação pura e simples do consumidor pela voracidade — muitas vezes incontrolável — do mercado.

Nos países mais desenvolvidos, grandes empresas nacionais, estatais ou privadas, são consideradas ativos estratégicos, e parte integrante do projeto de desenvolvimento econômico e social da nação.

No Brasil, depois da nefasta equiparação, ocorrida nos anos 1990, de empresa de capital estrangeiro a empresa de capital nacional, bastando para isso abrir um escritoriozinho qualquer dentro do país, abandonou-se qualquer diferenciação nesse sentido.

Enquanto isso, nos Estados Unidos o Estado não compra sequer um prego — principalmente na área bélica — se não houver uma empresa majoritariamente norte-americana envolvida na transação.

Quando da crise, que ameaçava quebrar grandes bancos e empresas norte-americanas, o governo daquele país não hesitou um instante em injetar dinheiro nos bancos. Comprou ações de grandes grupos industriais locais, estimulou o consumo. Estabeleceu leis como a Buy American Act e a Employ American, a primeira exigindo que todo aço, ferro e manufaturados usados nos projetos de infraestrutura inscritos no plano fossem oriundos de norte-americanos. A segunda discriminava estrangeiros portadores de visto de mão-de-obra qualificada, em contratações de instituições financeiras auxiliadas pelo governo americano.

No Brasil, o que aconteceria se o Governo resolvesse, de repente — já que, alega-se, estamos entrando em uma crise sem precedentes - comprar bilhões em ações da Vale ou da Petrobras neste momento, para aumentar seu valor de mercado e ajudar, com isso, na recuperação da Bolsa de São Paulo?

Certamente, o mundo viria abaixo. Teríamos uma crise institucional, e o Brasil seria crucificado, aqui e lá fora, como já está ocorrendo, por excesso de “intervencionismo”.

Se é praticamente impossível falar em aumentar o papel das estatais brasileiras na concorrência — saudável — com o capital privado nacional, e, principalmente, com o multinacional, no atendimento das necessidades do consumidor, a situação fica pior ainda quando se trata, meramente, de preservar as condições de competição de empresas brasileiras com o capital estrangeiro.

Um exemplo é o que está ocorrendo agora no setor de cimento, composto majoritariamente por capitais nacionais.

O CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica resolveu multar seis empresas cimenteiras em mais de 3.1 bilhões de reais e exigir a venda de ativos que chegam a 25% da participação de mercado de algumas delas.

Essa é uma decisão que pode vir a desestruturar a cadeia produtiva do cimento no país, e abrir eventualmente caminho para a entrada de novas empresas estrangeiras no setor.

Ninguém é contra o combate à cartelização de nenhum setor da economia. Mas é preciso evitar desmembrar grandes grupos, que poderiam ter um papel estratégico a cumprir, dentro e fora do país. E acabar, como resultado disso, beneficiando seus concorrentes internacionais, que muitas vezes não estão sujeitos, em seus países de origem, às mesmas leis que existem em nosso país.

O CADE, e as agências reguladoras, não agem da mesma forma, por exemplo, com relação à área de telecomunicações, amplamente dominada pelo capital estrangeiro.

Esse é o caso da compra de parte da Telecom Itália, dona da TIM, pela Telefónica da Espanha, dona da VIVO, que transforma, na prática, para efeito de administração, essas duas empresas em uma só.

O CADE proibiu a Telefónica de aumentar a sua participação na TELCO, que controla a TIM. Mas isso não muda o fato de que as duas operam, debaixo de um mesmo “guarda-chuva” europeu no Brasil.

Enquanto isso, depois de 43.000 reclamações contra a qualidade do Sistema 3G, que não deram absolutamente em nada, os consumidores, cansados de esperar pela ANATEL, entraram anteontem por meio da PROTESTE, em Brasília, com ações coletivas contra as principais operadoras que atuam no país.

A intenção é obriga-las a fornecer a conexão na velocidade contratada — em caso contrário incorreriam em multas pesadas — e exigir indenização coletiva por danos morais, com descontos nas contas a serem pagas pelos usuários, pelo período mínimo de um ano.

Tudo isso ocorre no mesmo momento em que a ANVISA está sendo investigada pela aprovação fraudulenta de licenças para a venda de agrotóxicos proibidos no Brasil. E que o escritório da ANAC em São Paulo está sendo acusado da venda, a 64 candidatos a piloto, de habilitações ilegais para voar dentro e fora do país.
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Novo surto de vale-tudo

Porcalistas da Veja podem ser processados por formação de quadrilha
Na tarde de 12 de abril de 2011, em aula da primeira edição do Curso de Pós-Graduação em Jornalismo, da ESPM-SP, Eurípedes Alcântara, diretor de Redação da Veja, na condição de professor-convidado, declarou, para espanto dos 35 alunos presentes: “Tratamos o governo Lula como um governo de exceção”. Na capa da última edição do semanário (nº 2365, de 19/3/2014), o jornalista ofereceu trepidante exemplo da sua doutrina.

Para comprovar a ilegalidade das regalias que gozaria o ex-ministro José Dirceu no Complexo da Papuda, Veja cometeu ilegalidade ainda maior. Detentos não podem ser fotografados ou constrangidos, o ato configura abuso de poder, invasão da privacidade e, principalmente, um torpe atentado ao pudor e à ética jornalística. Um bom advogado poderia até incriminar os responsáveis por formação de quadrilha ao confirmar-se que o autor da peça (o editor Rodrigo Rangel) não entrou na penitenciária e que alguém pagou uma boa grana aos funcionários pelas fotos e as, digamos, “informações”.

“Exclusivo – José Dirceu, a Vida na Cadeia” não é reportagem, é pura cascata: altas doses de rancor combinadas a igual quantidade de velhacaria em oito páginas artificialmente esticadas e marombadas. As duas únicas fotos de Dirceu (na capa e na abertura), feitas certamente com microcâmera, não comprovam regalia alguma.

Ao contrário: magro, rosto vincado, fortes olheiras, cabelo aparado, de branco como exige o regulamento carcerário, não parece um privilegiado. Se as picanhas, peixadas e hambúrgueres do McDonald’s supostamente servidos ao detento foram reais, Dirceu estaria reluzente, redondo, corado. Um preso em regime semiaberto pode frequentar a biblioteca do presídio, não há crime algum.

Agentes provocadores

A grande imprensa desta vez não deu cobertura ao semanário como era habitual. Constrangido, o Estado de S.Paulo foi na direção contrária e já no domingo (16/3) relatava, com chamada na primeira página, as providências das autoridades brasilienses para descobrir os cúmplices do vazamento (ver “Dirceu teria mais regalias na cadeia; DF nega“). Na segunda-feira, na Folha de S.Paulo, Ricardo Melo lavou a alma dos jornalistas que repudiam este jornalismo marrom-escuro (ver “O linchamento de José Dirceu”).

O objetivo da cascata não era linchar Dirceu, o que se pretendia era acirrar os ânimos, insuflar indignações contra uma suposta impunidade, alimentar a agenda dos black-blocks (ou green-blocks?).

Os agitadores e agentes provocadores estão excitadíssimos às vésperas dos 50 anos do golpe militar. O violento quebra-quebra na sexta-feira (14/3), na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) — o maior do gênero na América Latina — não foi provocado pelos caminhoneiros que passariam a pagar pelo estacionamento. Foi obra de profissionais do ramo da agitação política com a inestimável ajuda da PM, que demorou três horas para chegar ao campo de batalha.

As convocações para atos e passeatas destinadas a homenagear o golpe de 1964 não falam na derrubada de Jango, falam em derrotar o PT. Convém lembrar que a rede Ceagesp é, desde 1997, federalizada, ligada ao Ministério da Agricultura.

Num governo de exceção vale tudo. Também no jornalismo de exceção.

* * *

Depois de três edições e três turmas de valentes profissionais, o Curso de Pós-Graduação em Jornalismo com Ênfase em Direção Editorial, parceria da Editora Abril com a ESPM, foi suspenso. Na véspera do primeiro aniversário da morte de Roberto Civita, está desativada uma de suas mais lindas façanhas no campo da formação profissional. Não merecia. 

Alberto Dines
Do OI
No SQN
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Mapa da Europa: 1000 DC até hoje


Usando técnicas de edição timelapse, este vídeo mostra o mapa do continente europeu dando-nos uma ideia de como as fronteiras e territórios mudaram tão drasticamente a partir de 1000 DC até hoje.


No Portugal glorioso
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Reservas-ouro da Ucrânia evacuadas secretamente

– Confiscadas pelo New York Federal Reserve?

– Como os ucranianos foram "libertados" do seu ouro pelo governo fantoche

– Um governo de banqueiros, fascistas e oligarcas imposto pelo golpe orquestrado pelos EUA

Um sítio internet russo de notícias, o Iskra (Fagulha) com base em Zaporozhye, na Ucrânia do Leste, informou em 7 de Março que "as reservas de ouro da Ucrânia haviam sido apressadamente transportadas por via aérea para os Estados Unidos a partir do Aeroporto de Borispol, a Leste de Kiev.

Esta alegada remoção aérea e confisco das reservas ouro da Ucrânia pelo New York Federal Reserve não foi confirmada pelos media ocidentais.

Segundo o Iskra News:
Às 2 horas da manhã [7 de Março] um avião de transporte não identificado estava na pista do Aeroporto de Borispol. Segundo a equipe do aeroporto, antes da vinda do avião chegaram ao local quatro camiões e dois minibuses Volkwagen, todos eles sem matrícula de identificação.

Quinze pessoas com uniformes negros, máscaras e armadura corporal saíram, alguns armados com metralhadoras. Eles carregaram o avião com mais de 40 caixas pesadas.

Depois disso chegou um homem misterioso que entrou no avião.

Todo o carregamento foi feito às pressas.

O avião decolou numa base de emergência (emergency basis).

Aqueles que assistiram esta misteriosa operação especial imediatamente notificaram os responsáveis do aeroporto, os quais lhes disseram para não se meterem nos assuntos dos outros.

Posteriormente um telefonema de resposta de um alto responsável do antigo Ministério das Receitas Fiscais (Ministry of Revenue) informou esta noite que, por ordens de um dos novos líderes da Ucrânia, os Estados Unidos haviam tomado a custódia de todas as reservas ouro na Ucrânia. iskra-news.info. Zaporozhye, Ukraine, March 7, 2014, traduzido do russo pelo Gold Anti-Trust Action Committee Inc (GATA) , ênfase acrescentada)
A seguir a esta revelação, o secretário tesoureiro do GATA, Chris Powell, requereu ao New Federal Reserve e ao Departamento de Estado dos EUA que indicasse se o NY Fed havia "tomado a custódia" do ouro da Ucrânia.
Um porta-voz do New York Fed disse simplesmente: "Qualquer indagação respeitante a contas ouro deveria ser dirigida ao possuidor da conta. Você pode contactar o Banco Nacional da Ucrânia para discutir esta informação".

Uma indagação semelhante do GATA, na noite passada, ao Departamento de Estado dos EUA ainda não teve qualquer resposta.

Na noite passada o GATA chamou a atenção sobre este assunto a cerca de 30 jornalistas financeiros e redactores de newsletters "de referência" (mainstream) na esperança confessadamente bizarra de que pudessem também colocar a questão.

1) A primeira regra do jornalismo financeiro "de referência" e particularmente do jornalismo financeiro acerca do ouro é nunca apresentar uma pergunta específica acerca do metal monetário a qualquer dos participantes primários no mercado do ouro, os bancos centrais. Ou seja, quase toda a informação sobre o mercado do ouro é, intencionalmente, na melhor das hipóteses distracção irrelevante e na pior desinformação.

2) A verdadeira localização e disposição das reservas ouro nacionais são segredos muito mais sensíveis do que a localização e disposição de armas nucleares. Chris Powell, Secretary/Treasurer
Apesar da informação não confirmada respeitante às reservas ouro da Ucrânia não ter sido objecto de cobertura pelos noticiários financeiros "de referência", a história no entanto foi levantada pelo Shanghai Metals Market, em Metal.com, o qual declara, citando uma informação do governo ucraniano, que reservas ouro da Ucrânia haviam sido "removidas num avião ... de Kiev para os Estados Unidos... em 40 caixas seladas" carregadas numa aeronave não identificada.

A fonte não confirmada citada pelo Metal.com diz que a operação de remoção aérea do ouro da Ucrânia foi ordenada pelo primeiro-ministro interino Arseny Yatsenyuk tendo em vista manter seguras no NY Fed as reservas ouro da Ucrânia, prevenindo uma possível invasão russa a qual levaria ao confisco das mesmas.

No dia 10 de Março, o kingworldnews, um importante blog financeiro online publicou uma entrevista incisiva de William Kaye , administrador do hedge fund Pacific Group Ltd., com sede em Hong Kong, o qual anteriormente trabalhou para a Goldman Sachs em fusões e aquisições.

Os despojos de guerra e a mudança de regime

É significativa nesta entrevista com William Kaye a analogia entre a Ucrânia, o Iraque e a Líbia. Não se deve esquecer: tanto o Iraque como a Líbia tiveram as suas reservas ouro confiscadas pelos EUA.

Kaye: Há agora informações vindas da Ucrânia de que todo o ouro ucraniano foi removido por via aérea, às 2 horas da madrugada, a partir do aeroporto principal, Borispil, em Kiev, e está a ser transportado para Nova York – sendo o presumível destino o New York Fed...

Verifica-se que estas 33 toneladas de ouro valem algo entre US$1,5 e US$2,0 mil milhões. Essa quantia seria um pagamento inicial (down payment) muito lindo para os US$5 mil milhões que a secretária de Estado Assistente Victor Nuland gabou-se de os Estados Unidos terem gasto nos seus esforços para desestabilizar a Ucrânia e instalar ali o seu próprio governo não eleito.

Eric King: "Se os Estados Unidos derrubam Saddam Hussein no Iraque ou Muamar Kadafi na Líbia, parece que há sempre ouro no fim do arco-íris, do qual então os EUA apropriam-se".

Kaye: "Essa é uma boa observação, Eric. Os Estados Unidos instalaram um antigo banqueiro na Ucrânia o qual é muito amistoso para com o ocidente. Ele é também um rapaz com experiência de banco central. Esta teria sido a sua primeira grande decisão: transportar aquele ouro para fora da Ucrânia, para os Estados Unidos.

Você pode recordar que exigências alegadamente logísticas impediram o New York Fed de devolver à Alemanha as 300 toneladas de ouro que os Estados Unidos armazenam. Após um ano de espera, o New York Fed devolveu apenas 5 toneladas de ouro à Alemanha. Só 5 toneladas de ouro foram enviadas do Fed para a Alemanha e não eram as mesmas 5 toneladas que haviam sido originalmente armazenadas no Fed.

Mesmo o Bundesbank admitiu que o ouro que lhes fora enviada pelo New York Fed tinha de ser fundido e testado quanto à pureza porque não eram as barras originais da Alemanha. Se isso é assim, uma vez que exigências logísticas supostamente são uma questão tão grande, como é que num voo, assumindo que esta informação é correcta, todo o ouro que a Ucrânia possuía no seu cofre foi retirado do país e entregue ao New York Fed?

Penso que qualquer um com células cerebrais activas sabe que tal como a Alemanha, a Ucrânia terá de esperar um tempo muito longo e provavelmente nunca verá aquele ouro outra vez. Significa que o ouro se foi". (KingsWorldNews, March 10, 2014, ênfase acrescentada)

Ver no sítio web oficial do Banco Nacional da Ucrânia a omissão da informação quanto à entrega das suas reservas-ouro: www.bank.gov.ua/control/en/index

Michel Chossudovsky
No Resistir.info
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Os passos incertos das eleições 2014

Em toda eleição presidencial, há dois tipos de derrotados: aqueles que jogam tudo na eleição e matam as chances em eleições futuras; e aqueles que, mesmo sabendo que serão derrotados, preparam o campo para as eleições seguintes.

Lula representa o segundo caso. Perdeu várias eleições, mas insistiu nos temas do combate à pobreza, extirpou o excesso de agressividade da retórica petista e teve paciência para aguardar o fim do apelo do combate à inflação — a bandeira central da candidatura de Fernando Henrique Cardoso em 1994 e 1998.

José Serra é o primeiro caso típico. Em 2010 assumiu a radicalização, empalmou bandeiras moralistas, montou factoides, como o episódio da bolinha de papel, e não cuidou de plantar uma semente qualquer, um discurso propositivo sequer. Foi derrotado e varrido do mapa da política.

* * *

O quadro atual é pouco claro.

Desde 1994, o PT e o PSDB se revezaram como os partidos hegemônicos.

Havia a promessa vaga de Lula de, em caso de vitória de Dilma, apostar no governador pernambucano Eduardo Campos para as eleições seguintes. Sabe que mandatos longos envelhecem e acomodam partidos.

* * *

Esse quadro se rompeu por falta de tato do governo e por precipitação de Campos, que julgou que as manifestações de junho passado teriam trazido danos irreversíveis à candidatura Dilma Dilma. Errou no cálculo.

A ideia de Campos era se apresentar como a terceira via, uma continuidade com aprimoramento do governo Dilma. Sem dispor de um partido com abrangência nacional, como Aécio, conseguiu um bom lance na parceria com Marina Silva. Mas não logrou ganhar dimensão.

Para conquistar espaço, Campos passou a radicalizar o discurso contra Dilma, na prática abrindo mão da ideia de terceira via. E, assim como qualquer partido que ambiciona o poder, está sendo obrigado a montar alianças esdrúxulas — que ele critica no PT, que o PT criticava no PSDB, que o PSDB criticava no PMDB etc.

* * *

Por seu turno, Aécio também não logrou desenvolver um discurso político eficiente. Continua preso à síndrome de Fernando Henrique Cardoso. Em 1994 o PSDB conseguiu congregar um batalhão de intelectuais de peso. A fase FHC empobreceu o partido; a campanha de Serra promoveu a debandada final.

Em vez de investir em novos quadros, novas ideias, novos conceitos, o partido continua preso à simbologia e falta de ideias de FHC.

* * *

Recentemente, FHC conseguiu desenvolver algumas críticas consistentes contra o governo Dilma, a principal delas em relação ao estilo autárquico da presidente, de insistir em medidas de gabinete sem ouvir ninguém. Ótimo! Mas o que o PSDB tem a oferecer? Nem no governo FHC, nem nos anos posteriores, logrou desenvolver ferramentas de gestão participativa.

As manifestações de junho deram o mote: a próxima etapa política será a do aprofundamento da democracia. Mas o PSDB parece não ter a menor ideia sobre o que fazer com esse mote.

Possivelmente, com o governador mineiro Antonio Anastasia assumindo a coordenação do programa de governo, consiga-se avançar além das generalidades.

* * *

Mesmo assim, a falta de ideias alternativas eficazes fará com que a campanha — especialmente do lado da mídia — repita em parte 2010, com o ódio ao PT se constituindo no principal argumento.

Luis Nassif
No GGN
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Futebol e a corrupção na mídia

O jornalista Bob Fernandes publicou na sexta-feira (14), no sítio "Terra Magazine", uma bombástica entrevista com o atual presidente do Esporte Clube Bahia, Fernando Schmidt. Entre outros temas, o cartola aborda um verdadeiro tabu: o das relações promíscuas entre os clubes, as empresas de mídia e os repórteres esportivos. Ele não dá nome aos bois, mas confirma que a sujeira neste campo é pesada. Num país em que a Rede Globo comanda esta paixão nacional, inclusive impondo os horários das partidas, a entrevista até que poderia servir para investigar mais a fundo estas sinistras relações.

Segundo o jornalista, a nova direção do Esporte Clube Bahia tem promovido uma devassa nas contas da gestão anterior, presidida por Marcelo Guimarães Filho. "A investigação inicial foi consequência da intervenção decretada pela Justiça em 2013, ação esta acompanhada pelo ministério público federal e estadual. Já a divulgação de uma lista com 21 radialistas que teriam sido beneficiados, em gastos com 'marketing' e despesas várias, se deu, segundo o atual presidente, porque assim determinam 'o Estatuto do Bahia, a lei de acesso à informação e a Constituição'".

Na entrevista, Fernando Schmidt fala sobre as mutretas existentes entre o antigo presidente e a mídia. "Um dos gastos, pagos pelo Bahia, é com a 'transmissão de jogos'… Ora, me poupem! É função do Bahia pagar pela 'transmissão de jogos'?". Ele também fala sobre "passagens aéreas, hospedagens, despesas como, por exemplo, R$ 16 mil num único jantar com amigos numa churrascaria", sempre envolvendo cronistas de futebol. Schmidt ainda relata suas tentativas infrutíferas para renegociar os direitos de transmissão dos jogos do Bahia com a TV Globo.

"Hoje, no futebol brasileiro, o que há é uma bagunça, vários atores mexendo nisso e em tudo ao mesmo tempo, e não há confluência para um mesmo objetivo. A Globo mexe, a CBF mexe, as federações, o Bom Senso, o ministério mexe, as arenas… uma bagunça". Segundo a reportagem, ao abrir suas contas na semana passada, a direção do Esporte Clube Bahia exibiu "gastos de R$ 865 mil com comunicação, crônica esportiva, radialistas". "Há despesas com gente de empresas de comunicação, mas não apenas: também há aluguel de automóvel com parente, tem os amigos etc. Em relação a radialistas, ao jornalismo esportivo propriamente, há absurdos", relata Schmidt.

Altamiro Borges
No Blog do Miro
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O time do Bahêêêa comprava jornalistas — mas a relação promíscua entre futebol e mídia não para ali


O time do Bahia está passando por uma limpa e, com isso, expondo um mundo sujo na relação do jornalismo com a indústria do futebol. O Conselho Deliberativo do clube divulgou documentos mostrando que mais de 800 mil reais foram utilizados em “comunicação”, contemplando uma enorme lista de jornalistas locais, além de emissoras de rádio e TV. O radialista Jailson Barauna, por exemplo, aparece em duas situações. Pela “divulgação e promoção da marca Bahia e despesas com jogos” recebeu R$ 45.300. E mais cerca de R$ 40 mil em “passagens”.

Outro radialista, Edson Marinho, teria recebido R$ 14 mil reais também em passagens, assim como Jéssica Senra, apresentadora do programa “Bahia no Ar”, da TV Record, beneficiada com um valor superior a 9 mil reais. A lista contempla também empresas de prestação de serviços em comunicação, como a Sport Gol, responsável pela veiculação de publicidade na Rádio Itapoan FM e produção de material ilustrativo — pelos quais teria recebido cerca de R$ 180 mil. E até mesmo familiares do ex-presidente Marcelo Guimarães Filho, como o primo e cunhado Helio de Oliveira, que recebeu R$ 112 mil para aluguel de “veículos”.

As contas se referem ao período de 2006 a 2013 em que Marcelo Guimarães Filho presidia o clube — uma gestão polêmica com suspeitas de contratações abusivas, sonegação de impostos e briga com a torcida. O clube acabou sofrendo intervenção e, no ano passado, elegeu, pela primeira vez com a participação dos sócios, o então secretário de Relações Internacionais do Governo do Estado, Fernando Schmidt, que tirou licença para exercer a presidência.

Schmidt promoveu a “transparência” no Bahia e as contas apareceram. “Um dos gastos, pagos pelo Bahia, é com a ‘transmissão de jogos’… ora, me poupem! É função do Bahia pagar pela ‘transmissão de jogos’?”, disse ele.

Os jornalistas envolvidos alegam que os valores são para publicidade, o que não seria ilegal, apenas “antiético”.  Além disso, as passagens seriam doadas para a cobertura dos jogos do time. Não parece ser uma conduta “normal” times populares como o Bahia pagar por publicidade em programas de rádio. O mesmo pode-se dizer sobre passagens para jornalistas cobrirem jogos. Muitas instituições fazem esse tipo de oferta, mas dificilmente são clubes. Em geral, envolvem eventos ou torneios de esportes com mídia especializada que nem sempre tem recursos para bancar seus jornalistas em viagens deste tipo. Essa relação promíscua é o velho “jabá” — ou seja, presentes, facilidades ou até mesmo dinheiro oferecidos a jornalistas em troca de matérias publicadas.

No caso das contas do Bahia, os jabás se proliferam de maneira constrangedora. Garrafas de uísque, contas astronômicas em restaurantes e até escândalos de alcova — Jéssica Senra foi citada no relatório de auditoria do clube por ter se hospedado em um quarto duplo com o ex-presidente, no Marriott Hotel, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Benedito Lopes, por exemplo, contemplado com R$ 5700 para “despesas com jogos e transmissões” e mais 54 passagens com valor superior a 32 mil reais explicou, em entrevista à mídia local, que se tratava de “acordos comerciais”: “Era o complemento do comercial com o esporte da rádio. Como eu era o setorista, eu ia lá e pegava. Por isso que meu nome físico está ali. Eu tinha que assinar, senão o Bahia não liberava. Se fosse jabá, eu iria assinar recibo com meu nome? Era uma parceria de todos os jogos”.

O futebol é um grande negócio que depende da mídia. Muitos dos programas e coberturas esportivas que você assiste na TV, por exemplo, são pagos regiamente por federações ou empresas promotoras dos eventos. E a relação do Bahia com a mídia não é um caso único. Jornalistas e empresas de jornalismo fazem acordos das mais variadas naturezas. O Bahia, com sua política de transparência, é provavelmente apenas a ponta do iceberg — um exemplo de esforço para limpar a casa antes que ela desabe.

Roberto Amado
No DCM
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Quatro mil famílias conquistam autonomia e abrem mão do Bolsa Família e RS Mais Igual

O secretário Carlos Pestana apresentou os dados do programa no Palácio Piratini
Foto: Caco Argemi/Palácio Piratini
O Salão Negrinho Pastoreio, no Palácio Piratini, ficou lotado nesta segunda-feira (17) ao receber 300 beneficiários do programa RS Mais Igual, representando as milhares de famílias que recebem a complementação de renda. Dentre eles, estavam Aline Araújo, Raquel dos Santos e Eva da Rosa Martins, que abriram mão de seus cartões do programa por terem saído da situação de extrema pobreza. Em todo o estado, são 4 mil famílias que se emanciparam do programa após alcançarem renda suficiente.

O programa é coordenado pela Casa Civil e tem como objetivo retirar as 306 mil pessoas que vivem em situação de miséria no estado. O RS Mais Igual funciona junto com o Plano Nacional Brasil Sem Miséria, como complementação ao Bolsa Família. O programa, que existe desde 2011, atua a partir da transferência de renda, da qualificação profissional e do acesso aos serviços públicos.  Nesta segunda-feira, foi apresentado um balanço dos três anos e a entrega simbólica do cartão de três beneficiárias — agora emancipadas — para o governador Tarso Genro.

“Essas 4 mil famílias que abriram mão do programa acessaram as políticas sociais e conseguiram, através da qualificação profissional e da inclusão produtiva no campo, não precisar mais do benefício do RS Mais Igual”, destacou a coordenadora executiva do RS Mais Igual, Paola Carvalho. O secretário-chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, falou na mesma linha, afirmando que “dificilmente haverá uma ação mais nobre por parte do governo do que ajudar famílias a sair da extrema pobreza”.

Ele apresentou resultados estatísticos, explicando que a expectativa é alcançar 98 mil famílias até o fim de 2014. São 287 municípios incluídos atualmente, e 90% dos recursos destinados ao RS Mais Renda – parte econômica do RS Mais Igual – são gastos em alimentos pelas famílias. Pestana também destacou que 93% dos beneficiários são mulheres chefes de família, o que foi exemplificado pelas três mulheres, mães solteiras, que entregaram seus cartões.

Foto: Caco Argemi/Palácio Piratini
Foto: Caco Argemi/Palácio Piratini
O governador Tarso Genro foi o último a falar e, visivelmente emocionado, apenas agradeceu a presença dos beneficiários e afirmou que “coisas como essas é que fazem nosso governo valer a pena”.

“Eu venci, vocês também podem”

Aline Araújo mora em Ijuí com sua filha de três anos. Solteira, ela conheceu o Bolsa Família e o RS Mais Igual enquanto grávida, se inscreveu no programa e recebeu o benefício a partir dos quatro meses da bebê. “Fiquei feliz porque ia poder comprar leite e fralda”, contou. Agora, ela cursa Nutrição, o que foi possível a partir do PROUNI, e passou em um concurso municipal que possibilitou que ela trabalhe em uma creche. “Hoje eu consigo ver um futuro melhor para a minha filha, melhor do que a infância que eu tive. E para mim também”, comemorou. Ela foi a primeira a devolver o cartão ao governador.

Outra emancipada do RS Mais Igual é Raquel dos Santos, também de Ijuí, que obteve os recursos por sete anos. Ela trabalhava como faxineira e tinha dois filhos pequenos na época que se inscreveu para o benefício, e não conseguia outro emprego por não ter experiência. Com o sonho de aprender a cozinhar, fez o curso do PRONATEC de auxiliar de cozinha por três meses. “Quando eu estava terminando, fui chamada para trabalhar no hospital da cidade, e hoje sou cozinheira de lá”, relatou, arrancando aplausos do público. “As pessoas que precisam não ficam sentadas. Eu digo para todas as mulheres que estão aqui que nós vamos vencer na vida. Eu venci, vocês também podem”, afirmou.

Abandonada pelo marido há cerca de dois anos, Eva da Rosa Martins é agricultora no município de Pinheirinho do Vale. Ela tem um filho de 13 anos, e contou que o RS Mais Renda mudou sua vida: “consegui comprar materiais escolares para o meu filho, comprar minha casa. Montei minha horta”, relatou. Ela também abriu mão do cartão, garantindo que o projeto é “uma coisa muito boa”.

Débora Fogliatto
Do Sul21
NoNa Ilharga
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Negacionismo

"Há quase 50 anos, o Brasil assistiu a um golpe militar que impôs a pior ditadura de sua história, responsável por crimes contra a humanidade, terrorismo de Estado, censura e arbítrio."

Essa frase deveria ser atualmente a descrição de fatos históricos, aceitos como evidências. Fatos que, por si só, teriam a força de provocar a indignação coletiva e o rechaço dos restos dessa época que ainda permanecem entre nós.

No entanto, para setores expressivos, tanto da população quanto daquilo que um dia foi chamado de "formadores de opinião", a frase "não é bem assim". Ela deve ser nuançada e colocada melhor em seu contexto.

O resultado da ausência de uma política forte baseada na justiça de transição e no dever de memória fez com que o Brasil fosse obrigado a ver, no limiar dos 50 anos do golpe militar, análises que procuram nos levar a crer que a ditadura não foi tão ditadura assim, que no fundo ela começou mesmo em 1969, com o Ato Institucional nº 5, e que não faz muito sentido processar torturadores, exigir mea culpa das Forças Armadas e das empresas que financiaram o regime. Não faz muito sentido exigir o reconhecimento da culpa e o pedido de perdão.

Tais análises são dignas do puro e simples negacionismo. Pois será sempre negacionista toda historiografia que visa minimizar crimes contra a humanidade, servindo-se de leituras tortas para dirimir o ímpeto social por punição e justiça contra os que se serviram do Estado para impor um regime assentado na violência bruta e na eliminação de setores descontentes da população.

Sim, agora temos uma literatura negacionista "made in Brazil". Ela se traveste de argumentos do tipo "os dois lados tiveram excessos" para fazer o pior de todos os exercícios: a relativização do governo ilegal e criminoso que tomou de assalto o Brasil por duas décadas.

Assim, já faz algum tempo que os interessados na história brasileira alertam para a repetição a qual as sociedades estão submetidas quando são incapazes de elaborar seu passado. Essa lei é tão forte quanto a lei da gravidade.

Não é de se estranhar que, dos esgotos do conservadorismo nacional, apareça novamente esse cortejo de fetichistas de quarteis, apolíticos amantes de políticos de di- reita, defensores da família brasileira com sua produção em série de neuróticos e membros do Grupo Armado do Menino Jesus.

Sim, para aqueles que diziam que a reconciliação já tinha sido alcançada milagrosamente no Brasil, a história apresenta a mais nova edição da "Marcha da Família com Deus pela Liberdade".

Um agradecimento especial aos negacionistas por esse desrecalque.

Vladimir Safatle
No fAlha
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Estudos desmentem o mito do “Bolsa Preguiça”


Três estudos incluídos num livro que faz o balanço dos dez anos do Bolsa Família desmentem o mito, espalhado por críticos do programa de transferência de renda, de que ele cria dependência e estimula a preguiça.

Programa Bolsa Família: uma década de inclusão e cidadania inclui 33 artigos de 66 técnicos. Segundo a ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, gente qualificada e independente do governo federal.

Os estudos mencionados por ela demonstram que a taxa de ocupação dos que recebem o Bolsa Família é praticamente idêntico ao da população em geral: 75%.

Ou seja, trabalham tanto quanto os demais brasileiros.

Recentemente, o Viomundo publicou duas entrevistas de críticos à esquerda do Bolsa Família.

A professora Lena Lavinas, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, analisou os programas de transferência de renda da América Latina.


Dentre outras coisas, Lavinas afirmou:
Aparentemente, há coisas muito estruturais faltando. A política fiscal, por exemplo, não tem nenhum impacto distributivo. O crescimento recente foi em grande parte lastreado em cima dos preços das commodities, o que facilitou muito certo tipo de gasto, que é a questão que eu coloco no artigo que você leu (da New Left Review). Outro fator de desenvolvimento da demanda interna foi a expansão do crédito. Acesso a crédito e tudo isso não é algo que no médio e longo prazo garanta uma sociedade mais igualitária. O dinheiro no Brasil continua muito caro. A taxa média de juros para as pessoas pobres, quando pegam crédito, é de 80% ao ano, um assalto! E ainda assim as pessoas pegam. Quando você vai comprar um carro à vista ou um carro a prazo, o preço é o mesmo. É uma vergonha.
Publicamos, também, uma entrevista com um dos mais importantes especialistas em trabalho no Brasil, o professor Ricardo Antunes, da Unicamp paulista.

Antunes disse que, ao contrário do que muitos dizem, ainda não acabou o gás do lulismo e que isso se deve ao Bolsa Família, que concorda ser “necessário”.

Mas Antunes cutucou:
O Bolsa Família pra mim é uma política assistencialista. Mais e pior do que assistencial. Não toca em nenhum elemento estrutural. Seria imprescindível fazer o Bolsa Família junto com questões estruturais da questão brasileira. Uma delas é vital, a questão da propriedade da terra. Reforma urbana! O Bolsa Família acabou se tornando um projeto assistencialista que minimiza uma tragédia, não enfrenta, tem consequências nefastas porque beneficia entre aspas quem não tem trabalho incentivando o não-trabalho e fazendo com que o que deveria ser um ponto de partida para enfrentar uma questão estrutural se tornasse o grande cabo eleitoral do PT. Ele não elimina a miséria! Não paga o custo dos cachorros das nossas classes médias, da classe dominante. Como ele é insuficiente e não resolve, o PT quer eternizá-lo. Tendo sempre o Bolsa Família a população olha o PT e diz “é ruim, mas nos dá o Bolsa Família”; olha o tucanato e diz “é insensível e vai acabar com o Bolsa Família”.
Por conta disso, abrimos espaço para que a ministra Tereza Campello polemizasse.

Segundo a titular do MDS, além de desmontar a tese do Bolsa Preguiça os estudos demonstraram também que não é verdade que quem recebe o Bolsa Família procura a informalidade. Na verdade, sustenta a ministra, as pessoas ficam na informalidade por causo do despreparo para ingressar no mercado de trabalho formal.

Campello disse que só há duas explicações para o fato de pessoas bem informadas repetirem as acusações desmontadas pelos estudos: motivos ideológicos dos que fazem oposição ao governo e “preconceito [contra os pobres], infelizmente”.

Na entrevista ao Viomundo [íntegra gravada, abaixo], Campello disse que nunca, nem no governo Lula, nem no governo Dilma, se afirmou que o Bolsa Família era a panaceia para todos os males do Brasil.

Porém, é o que tem impacto de forma mais rápida na qualidade de vida dos pobres. A partir dele, criou-se um cadastro único que permite o desenvolvimento de outros programas. Tereza Campello diz que há “dezenas” de iniciativas acopladas ao Bolsa Família.

Por exemplo, há alguns dias o governo Dilma cumpriu a meta de matricular um milhão de pessoas no Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), que oferece cursos profissionalizantes de 400 horas que preparam de pedreiros a cuidadores de idosos. Ao todo, são ofertados 530 cursos.

Além disso, no atual governo foram construídas 500 mil cisternas, garantindo acesso à água de milhares de pessoas — dentre as quais há muitas cadastradas no Bolsa Família.

Segundo a ministra, o Brasil se tornou referência mundial.

Na semana passada, 40 técnicos de países africanos estavam no país para conhecer detalhes sobre o Bolsa Família. Nesta semana, o Banco Mundial promove no Brasil um seminário Sul-Sul sobre “seguridade social” com representantes de 50 países.

“Uma das coisas que eles falaram é isso, que o Brasil hoje não é mais um laboratório de políticas sociais, o Brasil é hoje uma universidade. Quem quiser aprender sobre políticas sociais tem que vir ao Brasil e aprender com a gente”, afirmou a ministra, que ouviu isso em Washington, quando esteve no Banco Mundial para comemorar os 10 anos do Bolsa Família.

Esta semana será inaugurada uma plataforma digital que tem o objetivo de ser espaço de troca de informações sobre programas de transferência de renda, World Without Poverty, parceria do MDS com Ipea, PNUD e Banco Mundial.

Aqui abro parênteses para dar testemunho pessoal sobre aspectos pouco considerados do Bolsa Família e de outras mudanças relativamente recentes no Brasil.

Em Cabrobó, Pernambuco, vi com meus próprios olhos a dinamização da economia local, que tem impacto especialmente no comércio. Por conta do Bolsa Família e de investimentos federais na região, dispararam as vendas de celulares e produtos de consumo da linha branca. Chegaram agências bancárias. A feira local se ampliou. Novos empregos foram criados.

O segundo aspecto, provavelmente relacionado ao aumento do poder de compra do salário mínimo, é mais difícil de mensurar. Nas minhas viagens pelo interior do Piauí e do Maranhão, vi muita gente que havia trocado a bicicleta e o jegue pela moto e se aventurava, tarde na vida, a conhecer a região. Uma guia que me atendeu em São Raimundo Nonato, no Piauí, tinha mais de 40 anos e pela primeira vez saia da cidade para viajar. Essa mobilidade geográfica simultânea de milhões de pessoas certamente tem impacto social e econômico ainda pouco avaliado.

Voltando à ministra, também perguntei a Tereza Campello sobre uma crítica consistente da direita, que fala sempre na necessidade de ampliar a “porta de saída” do Bolsa Família.

Clique abaixo para ouvir a resposta e toda a argumentação da ministra:


Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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A marcha da família e o aniversário de 50 anos do golpe que mergulhou o Brasil na escuridão de 21 anos

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Charge online - Bessinha - # 2034

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A fonte da rebelião

As objeções das telefônicas e as de
Eduardo Cunha ao projeto do Marco
Civil da Internet são idênticas

Na hostilidade dos deputados do PMDB ao governo há um impulso maior do que a "insatisfação com o tratamento injusto" dispensado ao partido por Dilma Rousseff. A própria bancada não precisou, porém, de mais do que esse argumento para rebelar-se, porque nele estava implícito o objetivo principal, quando não único, da maioria dos seus integrantes: receber mais nomeações e verbas federais.

Líder e inspirador da bancada, o deputado Eduardo Cunha deu sentido prático à rebelião alinhando poucas mas suficientes recusas a projetos apoiados pelo governo. Para todos os efeitos, esta atitude é um desdobramento da rebelião, e não a sua causa. Mesmo para a bancada, é assim que se explica. Mas não é assim na realidade.

A força por trás da rebelião são as empresas de telefonia. As suas objeções e as do deputado Eduardo Cunha ao projeto do Marco Civil da Internet são idênticas. Incidem sobre as mesmas partes que desejam ver retiradas, umas, e outras modificadas no projeto. Motivo que levou a rebelião a exigir o adiamento da votação e a reabertura das discussões. Contra a posição do governo, que defendeu o projeto aprovado tal como está e tão depressa quanto possível.

A falta do Marco Civil da Internet é um atraso brasileiro. Há inúmeros manifestos por sua aprovação. O deputado e relator Alessandro Molon trabalhou com seriedade e minúcia na formulação final do projeto. Argumenta que as modificações de interesse das empresas de telefonia e defendidas por Eduardo Cunha resultariam na "exclusão digital de milhões de usuários brasileiros da internet, beneficiando só os mais ricos".

Rebelião do PMDB é pseudônimo de manobra das telefônicas. Mas a esperteza que a propôs não é delas, não.

Silêncios

No Sul, trabalhadores do Uruguai são importados para suprir a carência de mão de obra em várias atividades. O Paraná, informou a Folha de domingo, está importando caminhoneiros da Colômbia.

Mas, que estranho, não se ouvem os discursos patrióticos do PSDB sobre a entrega a estrangeiros de oportunidades de emprego, em detrimento de brasileiros — como esbravejaram discursos na Câmara e no Senado e escreveram vários jornalistas a propósito dos médicos cubanos.

Se há intermediação, também nessas novas importações há perda de remuneração do trabalhador, em favor dos intermediários. Mas nem essa alegada exploração leva aos indignados de antes. Se o ser humano não for cubano, nem com rima os move ou comove.

Infrutífero

O governador Eduardo Campos deixou mal explicada sua declaração de que o governo Dilma "dá cargos como se fossem bananas". A que tipo de banana se refere, à fruta ou àquela outra? Se for a fruta, pode-se interpretar também como uma referência maldosa demais a quem recebe cargos. Se for a outra banana, convenhamos, em muitos casos Dilma faz muito bem.

Janio de Freitas
No fAlha
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Fotos y vídeos de la violencia en Venezuela para comprender muchas cosas

Durante un mes muchos medios no han cesado de presentar la violencia en Venezuela como el choque entre manifestantes que protestan contra el gobierno exigiendo democracia y unas fuerzas del orden que respondían con represión. Los muertos ya son 26, algunos de ellos por acciones policiales. Tras la manifestación del pasado 12 de febrero, el diario Últimas Noticias y las redes sociales divulgaron fotos y vídeos de funcionarios del Sebin (Servicio Bolivariano de Inteligencia Nacional, el cuerpo policial venezolano de inteligencia y contrainteligencia) disparando.

El presidente Maduro informó en rueda de prensa que cesó al director de ese departamento y que esos agentes están detenidos y bajo investigación por los hechos ocurridos ese día, debido a que desobedecieron las órdenes del director del Sebin de estricto acuartelamiento. La fiscal general de la República, Luisa Ortega Díaz, junto con la Defensora del Pueblo, Gabriela Ramírez, dieron explicaciones en el XXV Consejo de Derechos Humanos de la Organización de Naciones Unidas (ONU) en Ginebra.

Sin embargo, es necesario conocer la violencia procedente de los grupos manifestantes, sólo de esta forma se podrá desmontar el argumento de que se trata de estudiantes o ciudadanos que, espontáneamente, protestan contra el gobierno de Nicolás Maduro. Mientras instituciones como el Parlamento español o acontecimientos como la gala de los Oscar piden democracia y paz al gobierno venezolano, algunas de las siguientes fotografías y vídeos resultan elocuentes para deducir que sus opositores no son meros manifestantes pacíficos. No es difícil deducir qué les pasaría en España a los protagonistas de esta violencia cuando en nuestro país se han impuesto multas en 2012 y 2013 por valor de 587.000 euros a personas que participaron en manifestaciones.

El 22 de febrero los opositores venezolanos incendiaron en el estado de Carabobo un almacén público desde el que se distribuían alimentos y quemaron dos de los camiones que el ministerio utiliza para ello.

Almacén destrozado en Venezuela.
Almacén destrozado en Venezuela. / Felix Osorio (@FelixOsorioG)

Camiones incendiados.
Camiones incendiados.

El 9 de marzo prendieron fuego a una pista atlética que iba a ser instalada en un complejo deportivo púbico en Ciudad Bolívar.
Incendio de pista de atletismo.
Incendio de pista de atletismo. Foto: @rangelgomez

Incendio pista olímpica. Foto: Prensa Gobernación del Estado Bolívar
Incendio pista olímpica. Foto: Prensa Gobernación del Estado Bolívar


Aquí se les puede ver secuestrando un camión cisterna de agua potable en la ciudad de Pampatar, en isla Margarita.

En Isla Margarita.
En Isla Margarita.
Estas otras imágenes muestran cómo embisten una cabina de control de Metrobús adyacente a la estación del Metro de Altamira, en Caracas. Se trata de un puesto utilizado para la interconexión entre el Metro y el sistema de Metrobuses. Una vez incendiado se pusieron a jugar a las cartas

Caseta volcada. Foto: Albaciudad
Caseta volcada. Foto: Albaciudad

Jugando a las cartas.
Jugando a las cartas.

En Táchira.
En Táchira.

Estas fotos de agencia muestran el vandalismo y saqueo durante el pasado miércoles 12 de marzo en la Torre Británica de Altamira, donde funcionan algunos organismos gubernamentales, en el municipio Chacao.

Igualmente los siguientes vídeos recogidos en informativos venezolanos públicos:


El día anterior el vandalismo se cebó en el Ministerio del Poder Popular para Vivienda y Hábitat, cuya fachada también incendiaron.
Incendio del ministerio de Vivienda
Incendio del ministerio de Vivienda

En el siguiente vídeo, grabado por las cámaras del ministerio, y emitido en la televisión pública venezolana, al margen de los comentarios del presentador, se aprecia que los violentos son apenas dos decenas y el resto de la ciudadanía se limita a huir atemorizada. Logran incendiar la fachada, con empleados y usuarios dentro, incluidos niños porque algunas personas han ido con sus hijos a hacer gestiones al ministerio de la vivienda.


También incendiaron la fachada del Tribunal Supremo

Incendio.
Incendio.

Así dejaron la radio de la Universidad de Los Andes en Táchira, tras entrar los violentos en el recinto universitario, algo que nunca hace la policía venezolana.
Radio ULA.
Radio ULA.

O un vehículo de Corpoelec, la empresa pública de electricidad, en la ciudad de Puerto Ordaz

Vehículo de Corpoelec.
Vehículo de Corpoelec.

El siguiente vídeo muestra a los humildes vecinos de una barriada de Mérida retirando las barricadas que los opositores han instalado durante la noche y que les impiden ir a su trabajo y a sus actividades cotidianas. La mujer que habla al principio, Gisella Rubilar Figueroa, murió poco después por las balas de los opositores violentos. En el minuto 4:30 del vídeo se puede apreciar cuándo disparan.


Alguna foto muestra de forma clara que los manifestantes no están precisamente intimidados ni amenazados por las fuerzas del orden venezolanas

Manifestante contra policía.
Manifestante contra policía.

Con los escudos.
Con los escudos.

Incluso se permiten utilizar los escudos que han arrebatado a la policía
Con los escudos.
Con los escudos.

De ahí que celebren su violencia
Celebrando.
Celebrando.

Un estudio de las causas de muerte durante la violencia muestra que de los 26 fallecidos, cuatro mueren por acciones de los cuerpos de seguridad, pero seis murieron por barricadas o trampas colocadas por los violentos y otros seis cuando intentaron retirar las barricadas levantadas por los opositores.

No ISLAmía
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"Marcha da Família Alienada" é ópera bufa


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