17 de mar de 2014

Mais gente com educação superior usa diariamente a internet do que a TV no Brasil


Eis um dado interessante da pesquisa nacional de mídia feita pela Secretaria da Comunicação brasileira e publicada esta semana: entre as pessoas com nível de educação superior, há mais usuários diários da internet do que da TV.

Isso é novidade. O Brasil foi dominado pela TV desde sua criação. Outros países também passaram por isso, mas nos países desenvolvidos o uso dos dois meios são equivalentes. Em países como Islândia, Noruega, Dinamarca (sempre eles, os escandinavos), a internet passa a TV, e por uma boa margem.

O uso da internet está sempre ligado à educação.

O Brasil é uma tartaruga, no bom e o mau sentido. É estável e obstinado. Mas é extremamente lento. Nossa educação não foi adequadamente reformada desde que os militares deixaram o Planalto, e o resultado é que o nosso povo continua assistindo muita TV.

Não se sabe exatamente o por quê disso, mas pode-se presumir. Pessoas com mais discernimento questionam os modelos televisivos; preferem um meio onde possam observar diversos pontos de vista e, com isso, formar o seu; preferem um meio que lhes dá controle sobre o noticiário e a linha de raciocínio de seu interesse.

Pessoas com mais discernimento também sabem a importância de não permitir que haja um monopólio da informação. E a internet é um meio fabuloso para a desconcentrarão. Enquanto um país generoso com a quantidade de Tvs abertas tem meia centena de canais, quantos milhões de sites esse mesmo país não tem?

Uma última presunção que se pode fazer ainda sobre o assunto – mas desta vez sobre as Tvs e não os usuários – é que, para elas, é mais interessante que as pessoas fiquem sem educação. Assim, sua freguesia estará assegurada. Se elas têm ação efetiva no sentido de emperrar o avanço da educação, não dá para afirmar. Mas que elas se beneficiam disso, é claro.

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No DCM
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Cunha afunda o PMDB ao comprar briga com internautas no Marco Civil

Caso insista em derrubar projeto formulado com participação social, líder da bancada na Câmara conduzirá seu partido a um tiro no próprio pé. Dilma tem motivos para estar tranquila

Cunha articulou um "blocão" de partidos na Câmara para
pressionar o governo. Mal foi criado e já desintegrou
Luis Macedo/Câmara dos Deputados
O líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), promete arrumar outra crise para seu partido nesta semana com a votação do Marco Civil da Internet. Já declarou que pretende derrubar o projeto "do governo". Se não conseguir, apresentará substitutivo para acabar com a neutralidade da rede.

Acontece que o Marco Civil não é um projeto "do governo", e sim da sociedade. Foi desenvolvido de forma colaborativa em debates abertos, onde o governo ouviu a sociedade e atendeu às demandas dos internautas encaminhando-as ao Congresso. Tanto é que a ameaça de acabar com a neutralidade mobilizou mais de 300 mil assinaturas, em menos de dois dias, em um abaixo-assinado lançado pelo ex-ministro da Cultura Gilberto Gil.

Cunha está querendo atirar contra o governo, mas está acertando no próprio PMDB, ao jogar seu partido contra mais de cem milhões de internautas. Não por acaso, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, também do PMDB, está receoso de colocar a proposta em votação, com medo de desgastes.

A presidenta Dilma Rousseff tem motivos para estar tranquila. Se a bancada do PMDB introduzir emendas que acabem com a neutralidade, ela tem o poder de veto, continuando popular entre os internautas, enquanto o ônus ficará com o PMDB. Será que a bancada peemedebista dará esse tiro no pé?

A bem da verdade, neste caso, o deputado Eduardo Cunha não quer apenas aplicar uma derrota no governo. Ele tem de fato uma posição contrária aos usuários da internet e a favor das grandes empresas de telecomunicações. O próprio deputado já foi presidente da antiga Telerj durante o governo Fernando Collor, tendo uma visão mais dos interesses empresariais do que dos direitos do cidadão usuário.

A atuação de Cunha nos últimos dias mostrou-se ruinosa para o PMDB. Em vez de mostrar força, acabou expondo uma situação de disputa interna dentro do partido, enfraquecendo-o. Cunha articulou um "blocão" de partidos na Câmara para pressionar o governo. Mal foi criado e já desintegrou. Outros partidos da base governista que ensaiaram participar deste blocão como o PP, Pros e PR aproveitaram-se do vácuo momentâneo deixado pelo PMDB para ocupar mais espaço no governo.

A atuação atrapalhada de Eduardo Cunha produziu resultados contrários aos pretendidos pelos peemedebistas, a ponto de perder a presidência da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), para um quadro do PP durante essa queda-de-braço com o governo federal. Como se não bastasse, tudo isso ainda gerou uma imagem negativa do partido perante a opinião pública e o associou à agenda negativa da oposição que não empolga eleitores.

Ao ver que a cartada de Cunha falhou, lideranças do PMDB correram ao Palácio do Planalto para recompor suas posições antes que queimassem mais pontes. O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, seu vice, Luiz Fernando de Souza, o Pezão, e o prefeito carioca, Eduardo Paes, todos do mesmo PMDB fluminense de Eduardo Cunha, almoçaram com a presidenta na quinta-feira (13). Do encontro saíram reiterando o apoio do diretório fluminense à aliança nacional, após Cunha ameaçar rompimento.

Mas não conseguiram o apoio da presidenta para o PT retirar a candidatura própria do senador Lindberg Farias ao governo do estado, um dos objetivos da ação de Eduardo Cunha. A presidenta Dilma Rousseff teria dito que a candidatura de Lindberg era "invenção de Lula", nas palavras dos peemedebistas. Para o bom entendedor, não precisa dizer mais nada. Aliás, naquele mesmo dia as TVs e rádios do Rio veiculavam a propaganda partidária do PT estrelada por Lindberg e demarcando diferenças em relação ao governo de Cabral. Outra demonstração de que a candidatura do senador petista é irreversível.

Com um cenário como este, a neutralidade da rede no Marco Civil da Internet está menos ameaçada hoje do que esteve na semana passada, mas ainda há o risco de boa parte dos deputados se submeterem à pressão das empresas operadoras de telecomunicações contra os direitos dos internautas. O deputado Roberto Freire (PPS-SP) é um deles, declarando que votará contra a carta de direitos fundamentais do internauta, dizendo que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) é suficiente para resolver tudo. É o mesmo que dizem os advogados das teles.

Helena Sthephanowitz
No RBA

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Marco Civil: se disserem que a lei é para censurar e espionar, não acredite

Estão circulando mensagens pela rede acusando o projeto do Marco Civil de querer implantar a censura e o controle do governo sobre a internet no Brasil.

Peraí, de que trem você tá falando, japonês? Vamos recapitular: a Câmara dos Deputados, novamente, está para votar esse projeto de lei que tende a ser um divisor de águas entre a internet que hoje conhecemos e o que querem fazer dela as operadoras de telecomunicações no Brasil. O documento é uma espécie de “Constituição'' da internet, uma carta de princípios que prevê os direitos dos usuários e deveres das prestadoras de serviço e do Estado.

Dizer que o Marco Civil vai implantar a censura e o controle do governo na internet é do mesmo naipe — guardadas as devidas proporções, pelamordedeus — de dizer que a Lei Áurea veio para tirar direitos das pessoas escravizadas. É uma inversão total, seja por desconhecimento ou má fé.

É claro que ninguém quer o Estado metendo o bedelho onde não é chamado e interferindo em nossa vida. Mas, várias vezes, ele é necessário para garantir que a vida de todos seja um pouco mais justa.

Por exemplo: se não houvessem leis e normas, eu, que tenho 1,83 m de altura, poderia chegar com meu tacape e levar a merenda de colegas menores e franzinos (#sakaboladão). Mas aceitamos abrir mão do cada-um-por-si-e-o-Sobrenatural-por-todos para garantir uma convivência pacífica.

Em outras palavras, se não houvesse nada, seria a Lei da Selva.

Outro exemplo: do ponto de vista trabalhista, muita gente reclama que a CLT engessa e atrapalha o desenvolvimento econômico. O que, pasmem, eu concordo. Mas imagine como a vida seria mais difícil sem férias remuneradas, 13o salário, adicional insalubridade, licença-maternidade, auxílio-doença, limite de jornada de trabalho, regras para operários não cozinharem em siderúrgicas ou congelarem em frigoríficos? A corda iria estourar para o lado mais fraco, ou seja, você trabalhador.

Seria tão mais legal que as empresas e governos olhassem para os trabalhadores e dissessem: puxa, isso é sacanagem contigo! Trabalhe menos se não você vai morrer. Mas também seria ótimo se o meu Palmeiras tivesse um time competitivo. Como não dá para viver em um mundo de ficção, é aquela coisa: ruim com algumas regras e leis, mas muito pior sem elas.

Isso não se aplica, claro, a você que nasceu em berço de ouro e trabalha por hobby. Mas aí eu me pergunto: por que está lendo este blog mala neste dia tão bonito e não dando a volta ao mundo em um catamarã?

Enfim, nem todo mundo nasce com tudo à disposição. Para algumas pessoas, principalmente as mais pobres, a sociedade pode ser bem sacana. Então, a necessidade de equilibrar um pouco as coisas, com o Estado, esse opressor de uma figa, sendo forçado a garantir direitos mínimos. Porque ao contrário de alguns que vêm comunistas e unicórnios em todos os lugares, se deixar, o Estado favorece quem já tem.

Tem gente que discorda, diz que é só o Estado sair de cena que as coisas se resolvem sozinhas, pois todo mundo quer o bem de todo mundo. Ahã, senta lá, Claudia – e leva os seus Ursinhos Carinhosos junto com você.

Pois bem, muitas vezes não é um Sakamoto de tacape que vai roubar sua merenda a fonte de preocupação, mas sim uma grande empresa que quer tungar você. Como topamos viver em sociedade, aceitando abrir mão de entrar no prédio da empresa e encher de tabefe os gênios que querem implantar consumidores de primeira e segunda classes, o jeito é apelar para que o Estado faça essa mediação.

Como? Aprovando leis no Poder Legislativo, julgando ações com base nelas no Poder Judiciário, fiscalizando o seu cumprimento no Poder Executivo.

Agora imagine se não houvesse leis que defendem os interesses dos consumidores. Que você comprasse aquela geladeira linda e, ao chegar em casa, descobrisse que ela esquenta ao invés de esfriar? Ou que encontrasse um rato, bêbado e morto, dentro da sua cerveja? Ou que o carro que você comprou amputasse seu dedo na hora de mexer no porta-malas? E não pudesse reclamar porque não a vida é assim mesmo e mais sorte da próxima vez?

O Marco Civil protege o consumidor da sanha das empresas que querem oferecer serviços de internet do jeito que elas querem e não necessariamente do jeito que o consumidor ache mais justo. Mas também protege o cidadão do autoritarismo de quaisquer governos de plantão.

O artigo 9o do projeto do Marco Civil garante a neutralidade da rede. Sem isso, as operadoras poderão vender pacotes diferenciados aos usuários em função do tipo de serviço acessado na rede. Mais ou menos assim: hoje você contrata o acesso à internet por uma operadora pagando mais em função da velocidade do acesso (500 KB, 1 MB, 2 MB etc).

No entanto, dentro da velocidade contratada (que é uma peça de ficção, claro) não há diferença em função do conteúdo ou das aplicações que trafegam nos cabos ou pelo ar. Ou seja, você, em tese, conta com a mesma velocidade independentemente se estiver mandando um e-mail ou vendo vídeo pornô. E pode exigir isso.

O que as teles querem fazer? Ter o direito de bisbilhotar na sua navegação, ou seja, checar o que se passa na sua vida, para saber que tipo de conteúdo e/ou serviço você está acessando a fim de criar pacotes diferenciados de acesso. Assim, se quiser baixar ou subir vídeos, por exemplo, terá que contratar um plano “plus-master-blaster”. Se ficar só no pacote básico (bem no estilo TVs por assinatura), só vai poder mandar e-mail e usar o Facebook. E lembre-se: parece que não, mas existe vida na internet além da TL do Facebook.

Já o artigo 7º define uma série de garantias à nossa privacidade. Ou seja, regras para que o governo não fique bisbilhotando a vida dos outros (Obama, lê eu aqui!). É justamente o contrário de um controle governamental da internet, pois hoje — pasmem — não há nada que nos proteja da sanha das empresas de telecomunicaçoes, que querem lucrar com a venda dos nossos dados, e da espionagem de mandatários autoritários. Por isso o Marco Civil é tao importante.

Diferentemente do que andam espalhando por ai, o projeto de lei reconhece o direito do usuário à inviolabilidade de suas comunicações e ao sigilo de seus registros na Internet. Ou seja, deixa claro que nenhum fuinha tem direito de ficar xeretando na nossa vida.

Qualquer acesso a esses registros, tanto por terceiros quanto por autoridades, só ocorrera mediante decisão judicial. E, para que o pedido à Justiça seja válido, o Marco Civil exige que o interessado comprove sua utilidade, pertinência e que haja indícios concretos da prática ilícita.

Sem o Marco Civil, aliás, a censura poderá continuar acontecendo através de uma simples notificação aos provedores de conteúdo. E ela pode ser política (um deputado pode ameaçar um provedor por difamação e forçar um blog a sair do ar — e, não raro, muitos provedores se borram de medo e sacam fora para não terem problemas) ou comercial (apesar de ser permitida a reprodução de pequenos trechos de conteúdo sem o pagamento de direitos autorais, canais de TV acionam o Youtube, que tira tudo de lá mesmo sem ordem judicial, por receio de problemas maiores).

Ou seja, aquele vídeo legal pacas em que o humorista tirou um barato do apresentador que falou uma besteira sem tamanho, hoje vai pro saco por conta de uma situação de “insegurança jurídica''. Em outras palavras, você não pode nem usar a imagem para criticar ou tirar um sarro porque a lei não é clara quanto ao uso desse conteúdo. O artigo 20 do novo Marco Civil tira a responsabilidade dos provedores de conteúdos postados por terceiros, justamente para garantir a liberdade de expressão dos internautas!

Uns vão dizer que é dor de cotovelo minha por conta dos memes contra a minha pessoa circulando loucamente pela rede enquanto os vídeos-meme do William Bonner são rapidamente derrubados. Sim, confesso, é inveja.

“Ah, mas o projeto é o governo tentando censurar tudo e a todos'' [sobe som, tambores ritmados ao fundo, uma corneta do exército faz-se ouvir com o toque de alvorada, sons de botas e tropas marchando].

Né, não…

O Marco Civil é uma ideia tão democrática que ela não viria da cabeça de nenhum governo. Pelo contrário, foi uma construção coletiva, feita durante quatro cansativos anos de debates com ajuda de organizações da sociedade civil, entidades que defendem a liberdade de expressão e os direitos dos consumidores, enfim, uma pá de gente). Ou seja, é uma proposta da sociedade, que acabou encampada pelo governo por que a espionagem do Tio Sam vazou via Edward Snowden e o Brasil tinha que dar uma resposta à altura para não ficar chato. Daí, encampou o Marco Civil que já estava por aí.

Se fosse o oposto, o inventor da internet, Tim Berners-Lee (é… caro leitor com menos de 18 anos, a internet não esteve sempre aí, não), não teria declarado esta semana, no dia em que a web completou um quarto de século, que o mundo precisa de uma constituição universal para a internet, a fim de proteger os interesses dos usuários. Ou seja, o mundo precisa do que estamos fazendo agora com o Marco Civil.

Enfim, este texto, é claro, simplifica muito a coisa porque seria um porre ler mais do que isso. Mas se informem mais! Procurem na internet organizações que lidam com esse tema há anos e leiam os textos e discussões sobre esse assunto. No site www.marcocivil.org.br tem muita informação para vocês que querem, de fato, entender o que esta rolando. Não confiem em informação sem fonte circulando por aí, não formem sua opinião por memes (putz, isso é tão deprimente) ou por correntes sem dono que nascem em gabinetes de parlamentares que defendem pesados interesses econômicos.

Como já disse aqui, dependendo do que ocorrer com a votação do projeto (que, agora, está no meio do fogo cruzado da briguinha entre governo e PMDB e base “aliada'') poderá ser criado um apartheid digital, com usuários de duas classes distintas: os que podem pagar para ter acesso à internet “completa” e os que, mais uma vez, terão seu direito de acesso à informação e liberdade de expressão na rede cerceado por seu limitado poder de compra. Traduzindo: os mais pobres vão rodar de novo.

E a justificativa, como sempre, é aquele blablablá de que empresas irão quebrar, investimentos no desenvolvimento da internet não serão feitos, continuaremos na idade da pedra digital, a internet ficará mais cara. Mas não, não vai. Sem a neutralidade da rede é que as operadoras vão poder cobrar mais para que tenhamos acesso a conteúdos diferentes.

No Blog do Sakamoto
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A nova marcha e a nova farsa


Setores conservadores preparam uma nova Marcha da Família com Deus pela Liberdade.

O clima anterior ao golpe de 1964 se repete como farsa.

As razões e os atores são os mesmos: medo do comunismo, suposta cubanização do país, combate à corrupção, mídia, parte da classe média manipulada, setores militares e fanáticos de extrema-direita oportunistas e radicais.

Os culpados por esse tipo de radicalização ideológica farsante são lacerdinhas como Lobão, Rodrigo Constantino, Reinaldo Azevedo, Olavo de Carvalho, Merval Pereira, Demétrio Magnoli, Veja, O Globo, o quebrado O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, Época e outros veículos menores. A tragédia se repete como comédia. Agora, só faz rir.

Um riso que não deixa de arrepiar.

A principal farsa dos novos golpistas é dizer que nunca houve tanta corrupção como atualmente.

Besteira. Há muita corrupção e ela deve ser combatida duramente. Mas o buraco é noutro lugar.

Corrupção?

É o que a direita sempre diz quando tem um pouco de esquerda no poder. Nesses casos, a direita torna-se honesta e faz crer que nos seus séculos de poder reinaram a transparência, a lisura, a honestidade e os valores republicanos.

O argumento da corrupção é um artifício para dissimular o verdadeiro problema, que é ideológico. A direita não combate a corrupção dos governos petistas, pois encontra o equivalente nos governos tucanos e outros. Combate é a política social de Lula e Dilma. A nova marcha será contra o Bolsa-Família, o ProUni, as cotas, o Minha Casa Minha Vida, as novas liberdades comportamentais, o afrouxamento da cultura repressiva e discriminatória a gays e outras minorias.

Nunca a ideologia esteve tão viva.

As marchas de 1964 voltam como quadros do Pânico na TV.

Juremir Machado
No Correio do Povo

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O que a Folha não deu sobre os organizadores da nova Marcha da Família

Há cinquenta anos, a Folha de São Paulo assumia-se francamente em favor da derrubada do presidente eleito, João Goulart. Para isso, o jornal, assim como quase todos os grandes meios de comunicação da época, se valiam de uma verdadeira alquimia verbal: os golpistas eram chamados de democratas e o golpe foi chamado de movimento de retorno à democracia.

Foi o maior engodo da história do Brasil. E foi preparado meticulosamente, ao longo de muitos anos, contando com gordo financiamento dos Estados Unidos.

Agora sabemos que a cúpula militar foi subornada. Há relatos de generais recebendo “malas de dólares” pouco antes do golpe.

É curioso que a Folha, que jamais se desculpou pelo apoio ao golpe, agora dê tanto espaço (http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/03/1426137-grupo-organiza-nova-edicao-de-passeata-anticomunista-de-64.shtml) a Bruno Toscano, um dos organizadores da Marcha da Família, a qual defende, entre outras coisas, justamente uma nova “intervenção militar”.

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Entretanto, o problema maior não é dar atenção à Marcha, já que é um evento bizarro o bastante para despertar o interesse público e jornalístico. O problema é não dar ao leitor um mínimo de informação sobre o entrevistado, o senhor Bruno Toscano.

Os internautas nos ajudaram a fazê-lo, embora me pedindo que não divulgue seus nomes, porque, segundo eles, Toscano já os ameaçou de morte várias vezes. Já foi montado inclusive um “Dossier Kipedia” (http://dossierkipedia.blogspot.com.br/2013/06/desmascarando-o-nazista-homofobico.html) com fotografias sobre o comportamento de Toscano nas redes.

São ameaças de morte à presidente da república e militantes de esquerda de forma geral, incitações ao terrorismo político, homofobia descarada.

Vou reproduzir apenas uma dessas coisas:

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Por que a Folha não pesquisa sobre o personagem antes de jogar tantas luzes sobre ele?

A reportagem diz ainda que um dos apoiadores da marcha no Rio é Maycon Freitas, “técnico em segurança do trabalho”. A Folha já foi mais profissional. Maycon Freitas trabalha para Globo, como dublê, conforme descobriu este blog. (http://www.viomundo.com.br/humor/tijolaco-nas-ruas-o-duble-da-globo-com-video.html) Freitas ganhou notoriedade ano passado, ao aparecer nas Páginas Amarelas da Veja, como a “nova voz que emergiu das ruas”. A matéria compunha uma das tentativas da mídia de manipular as manifestações em favor da direita e contra o governo federal.

maycon-freitas-veja

Um dos nossos amigos da blogosfera fez até um videozinho com a figura. Vale a pena ver de novo:


Tem mais: as mesmas figuras foram identificadas como os agressores de pessoas (http://blackhunter55.wordpress.com/2013/08/06/alguns-dos-skinheads-neonazistas-que-agrediam-membros-do-foro-de-sao-paulo/) que participavam do Foro de São Paulo, no ano passado.

A nossa mídia agora se degenerou a tal ponto que vai promover terroristas?

PS do Fernando Brito: Miguel, a Folha poderia aproveitar o ensejo e perguntar sobre o que é a queixa-crime apresentada contra o Bruno Toscano Franco na 1a. Vara Criminal de São Paulo, (http://wsconsultas.tjpa.jus.br/consultaprocessoportal/consulta/principal?detalhada=true) no processo 00006262820148140401 do Tribunal de Justiça do Pará.

Miguel do Rosário
No Tijolaço
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O linchamento de José Dirceu


É difícil encarar com naturalidade a 
cobertura dispensada a presos do 
chamado mensalão

Irritados com o que consideram manipulação da mídia, vários interlocutores afirmam ter deixado de ler a publicação x ou y. Trata-se de um luxo vedado a jornalistas. Concordando ou discordando, somos permanentemente obrigados a passar os olhos, que seja, pelo maior número possível de publicações. Até para poder comentar, criticar, elogiar ou simplesmente nos informar.

Ainda assim, é difícil encarar com naturalidade a cobertura dispensada a presos do chamado mensalão. Sim, é dela mesma que eu falo: da reportagem de capa da revista de maior circulação nacional sobre a vida na cadeia do ex-ministro José Dirceu e outros condenados.

Com um tom acusatório, a revista brinda os seus leitores com frases do tipo: "Lá ele [José Dirceu] gasta o tempo em animadas conversas, especialmente com seus companheiros do mensalão [....] só interrompe as sessões de leitura para receber visitas, muitas delas fora do horário regulamentar e sem registro oficial algum, e para fazer suas refeições, especialmente preparadas para ele e os comparsas. "O cardápio? Aqui já teve até picanha e peixada feitas exclusivamente para eles', conta um servidor".

A lista de pretensas mordomias não tem fim, bem como o ridículo da reportagem. "Como o lugar fica longe dos olhos dos presos comuns, os mensaleiros podem desfrutar o tratamento especial sem que seus colegas de prisão reclamem. Dentro da cela, já foram recolhidos restos de lanche do McDonald's". Não, não escrevi errado. A transcrição está exata. Prova do tratamento diferenciado, especial, transgressor, ilegal dos presos estão "restos de lanche do McDonald's"!

A coisa não fica por aí. "No banheiro, em vez da latrina encravada no chão, que os detentos chamam de boi', há um civilizado vaso sanitário." A reportagem não esclarece se entre os privilégios está o uso de papel higiênico. Mas Dirceu não é o único alvo. Sobra também para o ex-deputado petista José Genoino. "Numa conversa entreouvida por um servidor, um médico que atendia Genoino revelou ter escutado do próprio petista a admissão de que deixara de tomar alguns remédios para provocar uma arritmia cardíaca e, assim, poder pleitear a prisão domiciliar."

O sigilo de fontes é salvaguarda crucial para o trabalho dos jornalistas e geralmente é usado como ponto de partida de uma investigação. Deve ser defendido incondicionalmente. Isso não isenta o autor de medir a gravidade do que escreve. O malabarismo verbal costuma ser uma defesa antecipada de quem faz denúncias impactantes sem ter como prová-las. Exemplo: "Uma conversa entreouvida por um servidor" serve de base para acusar um preso de arriscar a própria vida para ter acesso a benefícios aos quais, por sua vez, já teria direito.

Tão espantoso quanto tudo isso é o fato de, em nenhum momento, a reportagem lembrar ao distinto público que José Dirceu está preso ilegalmente. Mérito do julgamento à parte, queira-se ou não, concorde-se ou não, o ex-ministro foi condenado ao regime semiaberto. Pois bem: desde que a sentença foi promulgada, Dirceu vive em regime fechado ao arrepio da lei. "Ah, mas ele come McDonald's"...

Cinquenta anos depois do golpe de 1º de abril de 1964, paralelos surgem de todos os lados. Um governo com rótulo de popular, lideranças conservadoras insatisfeitas com tanto tempo longe do Planalto, uma nova derrota eleitoral se desenhando no horizonte. Há diferenças importantes, contudo. Algumas: no momento presente, não se fala da estatização de empresas, reforma agrária radical e ampliação de mecanismos de poder da população. Os donos do dinheiro não têm muito do que reclamar. Agora, ficar esperto não atrapalha ninguém. Nunca é bom dar sopa para o azar.

Ricardo Melo
No fAlha

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A fábrica de "Supostas Irregularidades Noticiadas"

Servidores da Papuda acusam Ministério Público de promover insegurança no presídio e pedem afastamento de seis procuradoras

A reportagem da VEJA sobre a vida de José Dirceu na Papuda, sem apresentar um fato concreto, sem conferir um boato junto a quem poderia confirmar ou desmentir o que se pretendia publicar, é aquilo que todos nós sabemos. Não é séria nem respeitável.

Não passa de um esforço redundante para acrescentar uma nova camada de boatos (no juridiquês da Papuda eles se chamam “supostas irregularidades noticiadas”) para prejudicar os réus da AP 470, esforço redobrado depois que eles conseguiram vitórias importantes, como o reconhecimento do erro no crime de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

Quem está sendo chamado a dar explicações e prestar esclarecimentos, na verdade, é o Ministério Público do Distrito Federal.

Num documento assinado pela Associação de Servidores do Sistema Penitenciário do Distrito Federal, seis integrantes do MP — todas são mulheres, por concidência — são acusadas de atuar contra a ordem na sistema prisional.

O pedido foi encaminhado ao Conselho Nacional do Ministério Público, o órgão responsável por examinar, julgar e punir desvios de comportamento por parte dos procuradores.

A acusação diz que elas estimulam a “publicação de fatos ou atos” que perturbam a “paz prisional ”.

A base é o artigo 198 da lei de execução penal, que diz que “é proibido ao integrante dos órgãos de execução penal e ao servidor, a divulgaçao de ocorrência que perturbe a segurança e a disciplina dos estabelecimentos…”

Conforme o documento, as procuradoras ajudam a promover a desordem entre os presos e suas famílias através da reproducão, no site do próprio Ministério Publico, de rumores e boatos que não foram comprovados nem confirmados. Através disso, conclui-se pela leitura do documento, cria-se um ambiente artificial de agitaçao e descontentamento entre a população encarcerada.

Sabemos como isso começa. Sem cometer a deselegância de perguntar quem assopra essas coisas (Fatos? Hipóteses? Delírios?) para jornalistas, estamos falando de suspeitas e hipóteses divulgadas por jornais e revistas com a técnica marota de sempre.

A partir de depoimentos anônimos, verbos no tempo condicional, fontes desconhecidas e outros recursos típicos de quem sabe que pode estar embarcando numa fria, publica-se uma reportagens recheada de (Fatos? Hipóteses? Fantasias? Delírios?) que seriam graves se fosse demonstrado que são verdadeiros.

Em seguida, essa reportagem é reproduzida no site do ministério publico do DF — mais uma vez, sem qualquer checagem para confirmar sua veracidade.

Numa terceira etapa, estes “fatos” — imaginários ou não — aterrisam em documentos oficiais e são usados para prejudicar os réus e pressionar as autoridades do sistema prisional.

Em suas petições, o juiz Bruno Ribeiro, da Vara de Execuções Penais, cobra investigações para apurar “supostas irregularidades noticiadas”, definição cujo sentido desafia os estudiosos do direito e da língua portuguesa.

Convém não esquecer uma realidade elementar. Tudo o que é um suposto ser também é um suposto não-ser, ensina-se no jardim de infancia da filosofia.

Se as irregularidades são apenas supostas, podemos supor, pela simples lógica, que elas também podem ser “regularidades” — e, talvez, nada de errado esteja acontecendo, como se poderia pensar, supostamente.

O único elemento consistente no pedido de investigação reside no fato de as “supostas irregularidades”, terem sido “noticiadas”.

Uma notícia, como se sabe, pode ser produzida a partir de uma apuração cuidadosa e responsável. Mas também pode ir para o papel sómente porque lá pelas 19 horas um editor de jornal clicou “salvar” e depois “enviar” antes de mandar um texto para o leitor. O que isso tem a ver com Direito, com a Justiça, com a Liberdade de cada um? Nada.

Jornais e revistas erram todos os dias. Erram sem querer e erram por querer. Podem ter interesse na verdade, mas também ganhar com a mentira. São empresas comerciais e também atuam politicamente.

Têm interesses privados nem sempre transparentes, agendas ocultas e um padrão cada vez mais frágil de proteger.

Também contam com a proteção de um regime legal que não estimula posturas responsaveis. As vítimas de seus erros — e também falsidades — não tem direito de resposta. Empresas de faturamento bilionário são levadas a pagar — quando isso acontece — multas irrisórias.

Um exemplo recente. Depois de fugir durante oito anos de suas responsabilidades pela divulgação de uma denúncia irresponsável sobre contas de ministros no exterior, a mesma VEJA que agora denuncia Dirceu está sendo chamada a pagar uma multa de R$ 100.000 para a família de uma das vítimas, Luiz Gushiken.

Lê-se na sentença assinada pelo desembargador Antonio Velinils que a revista “não tinha prova consistente” para dizer o que disse. Fez uma reportagem sem oferecer “um único indício de confiança”. Em vez de assumir uma postura prudente, como a situação recomendava, preferiu “insinuar que as informações eram, sim, verdadeiras.”

Mais tarde, quando o caso chegou à Justiça, a revista tentou justificar-se sem conseguir apresentar um único argumento aceitável para explicar o que fez, Usando de subterfúgios e truques de linguagem, construiu uma “falácia de doer na retina”, acusa o desembargador, que ainda concluiu que VEJA “abusou da liberdade de imprensa”.

É disso que estamos falando. Abusos. Os presos não constestam, na Papuda, as penas que receberam. Querem cumprir o que a lei determina. Lutam por este direito — o que dá uma ideia do absurdo que enfrentam.

Mas não é isso o que acontece. A repetição de pedidos de investigação das “supostas irregularidades noticiadas” está longe de configurar um esforço para se cumprir a obrigação de apurar e investigar todo indício de crime, o que seria natural.

O que se faz é criar um círculo vicioso. Lembra o fatiamento que Joaquim Barbosa inventou para apresentar a denúncia da AP 470?

Cada suposição leva a outra, que leva a seguinte, depois a próxima, e mais uma… num caldeirão de “irregulardades noticiadas” que não precisam ser provadas. Basta que em seu conjunto formem uma nuvem política, uma conviccão maligna que pode levar muita gente acreditar que a Papuda é um presídio inseguro, instável, perigoso — e que o jeito é mandar os réus da AP 470 para um presídio federal, como um deputado do Solidariedade pretende fazer.

Claro que não seria uma medida fácil. Como recorda a Associação dos Servidores, a Papuda encontra-se entre os melhores presídios do país:

“Há mais de uma década não temos rebelião; nunca tivemos decapitação de seres humanos; há mais de seis anos não há homicídios intramuros; há inexistência de faccões criminosas…”

A verdade, porém, é que tudo tornou-se perigosamente possível depois que Joaquim Barbosa confessou que havia manipulado as penas da AP 470 para conseguir condenações mais duras, em regime fechado. Assim, sem retratar-se.

Não importam os fatos, nem mesmo a lei. Importa a vontade do juiz.

Lembra da frase “A constituição é aquilo que o Supremo diz que ela é”?

Quando uma “suposta irregularidade noticiada” não chega aonde se imagina que deveriam chegar, encontra-se um atalho para manter a pressão.

Foi assim com o telefonema de Dirceu. Nada indica que tenha ocorrido. Não se provou.

Em vez de se questionar a denúncia, o que se questiona é a investigação. A tese, agora, é que foi “atípica”. Por que não admitir uma “suposta denúncia” ou mesmo uma “denúncia suposta”?

O que está claro é que as “supostas irregulariades noticiadas” foram investigadas, apuradas — e só tinham valia como cortina de fumaça para estigmatizar os presos, reduzir seus direitos e impedir a progressão de suas penas.

As primeiras foram as célebres visitas em dias especiais. Elas não são uma raridade na Papuda, mas uma tradição, oferecida a todo preso considerado “vulnerável”. Foi assim que, por oito anos, os familiares dos jovens de classe media que assassinaram o índio Galdino, em Brasília, visitavam seus filhos numa data diferente daquela reservada aos parentes de outros internos. Isso porque havia, entre eles, não só ministros de Estado, mas também um juiz federal, motivo para se tentar prevenir reações imprevistas por parte da massa carcerária.

Em nome do “combate ao privilégio” todas as visitas em caráter especial da Papuda foram suspensas no final de 2013. Em função disso, “muitos pais e familiares não se arriscam a visitar seus entes, junto a massa carcerária”, diz o documento dos servidores. “Fato lamentável!”, dizem os servidores.

Outro privilégio “suposto” foi a feijoada em lata que Deludio e duas dezenas de colegas de sua ala no Centro de Progressão de Pena comeram. Num local onde há um fogareiro, panelas e uma cantina que vende até costelinha, o que se gostaria que presioneiros fizessem? Pedissem para serem algemados?

O que se vê, aqui, é um fato analisado e resolvido através de uma sentença do Superior Tribunal de Justiça:

“Foge ao limite do controle jurisdicional o juizo de valoração sobre a oportunidade e conviência do ato administrativo, porque ao judiciário cabe unicamente analisar a legalidade do ato, sendo vedado substituir o Administrador Público”.

O que se diz aí é que mesmo cidadãos condenados a viver atrás das grades tem direitos que devem ser respeitados, o que inclui, inclusive, o respeito pela divisão de poderes que caracteriza o regime democrático.

Não é preciso acrescentar mais nada, certo?

Num país que assiste a passagem dos 50 anos do golpe de 64, é bom refletir sobre o que acontece com seus prisioneiros. Não custa recordar que a face mais horrenda da ditadura foi construída em seus cárceres.

Paulo Moreira Leite

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Armação de Veja avança e pode atingir seu objetivo


Deputado federal Fernando Francischini, líder do Solidariedade na Câmara, anunciou que vai apresentar um requerimento junto à Vara de Execuções Penais do Distrito Federal que pede a imediata transferência dos condenados do chamado "mensalão", especialimente José Dirceu, para presídios federais; decisão foi tomada após reportagem da revista da Abril que parte de um crime: a foto de um presidiário, numa clara violação de direitos humanos; processo cairá nas mãos do juiz Bruno Ribeiro, que tem sido o braço-direito do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, na perseguição implacável a Dirceu; no passado, Francischini participou de outra armação em parceria com Veja e os arapongas de Carlos Cachoeira, numa tentativa para derrubar o governo de Agnelo Queiroz

Uma reportagem de Veja em "off" e sem provas, que partiu de um crime, o registro fotográfico de um presidiário — no caso, José Dirceu —, servirá de pretexto para que o deputado Fernando Francischini (SDD-PR) peça a transferência dos réus da Ação Penal 470 para um presídio de segurança máxima.

Era esse o objetivo da capa de Veja deste fim de semana, que tem feito campanha implacável contra o ex-ministro da Casa Civil. Para entender o caso, leia mais em "Sem provas e em off, Veja aponta regalia de Dirceu" (http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/133288/Sem-provas-e-em-off-Veja-aponta-regalia-de-Dirceu.htm) e "Fruto de um crime, foto de Veja será investigada" (http://www.brasil247.com/pt/247/brasilia247/133352/Fruto-de-um-crime-foto-de-Veja-ser%C3%A1-investigada.htm) .

Como se sabe, Dirceu está preso há mais de 120 dias em regime fechado, embora tenha sido condenado ao semiaberto. É uma flagrante ilegalidade, que vem sendo liderada justamente pelo chefe do Poder Judiciário, o ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, com o apoio do juiz da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, Bruno Ribeiro.

Dirceu ainda não teve seu pedido de trabalho externo avaliado em razão de uma outra nota de jornal, já desmentida por sindicância interna, sobre suposto uso de celular na Papuda. Agora, uma reportagem que pode ser qualificada como criminosa — uma vez que presidiários também têm direito à preservação da intimidade — será o pretexto para mais uma arbitrariedade. Detalhe: o pedido de trabalho de José Dirceu conta com parecer favorável do Ministério Público.

No passado recente, o deputado Francischini foi flagrado em outra parceria sinistra com Veja e os arapongas do bicheiro Carlos Cachoeira. Dizendo-se grampeado, era Francischini quem participava de um esquema de arapongagem contra o governo do Distrito Federal. Ele, que chegou até a pedir a prisão do governador Agnelo Queiroz, planejava transferir seu título de eleitor para o DF, onde concorreria a governador.

* * *

Quebra de segurança expõe José Dirceu e será investigada

Foto de José Dirceu, mais magro, é publicada na edição de uma revista semanal de ultradireita
Preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, quando deveria cumprir pena em regime semiaberto, o ex-ministro José Dirceu foi novamente alvo de uma ilegalidade, já em fase de investigação por parte do governo do Distrito Federal. Por ordem do governador Agnelo Queiroz, o Judiciário iniciou uma sindicância para apurar como é possível o ingresso de uma pessoa não autorizada em um presídio de alta periculosidade, que tanto serviu para fotografar um dos internos quanto pode significar um risco à sua integridade física. As fotos foram publicadas nas páginas da revista semanal de ultradireita Veja e demonstraram o nível de risco que corre o ex-ministro da Casa Civil.

“O que a revista Veja faz, esta semana, não tem outro nome senão o de crime”, afirmou o jornalista Fernando Brito, editor do site O Tijolaço.

A legislação brasileira, que protege a intimidade dos presos e impede que sejam fotografados, foi violada.

— Alguém cometeu um crime aí que precisa ser investigado. O governo investiga toda denúncia sobre o sistema penitenciário – disse o secretário de Comunicação do Distrito Federal, André Duda.

A sindicância, aberta nesta segunda-feira, visa apurar como as imagens de José Dirceu chegaram à reportagem de Veja. O acesso do fotógrafo, que poderia ser ainda um risco à segurança do interno, segundo fontes policiais, foi facilitado por servidores da Papuda, sem que o fato tenha sido observado pela segurança.

Ainda segundo Brito, “publicar fotos tiradas clandestinamente por servidores do presídio, possivelmente pagas a peso de ouro, para dar credibilidade a uma história de privilégios supostamente gozados por José Dirceu na prisão, sem um prova sequer, equivale a se publicar que a redação da revista da Abril é sede de bacanais, regadas a champagne, com mulheres agenciadas por Carlinhos Cachoeira, com base em informações de um contínuo que pediu para não ser identificado”.

Leia, adiante, a íntegra do texto publicado:

Obvio que é pura invenção esta cena, mas o que impede, com o ódio que a revista tem a Dirceu e com um histórico de roubar imagens de câmara de segurança de um hotel para bisbilhotar quem falava ou deixava de falar com o ex-ministro, antes de sua condenação, que a revista invente o que quiser sobre sua vida na Papuda?

A ética?

Ora, por favor, vamos evitar as piadas, não é?

Mas é preciso dizer o que é a verdade.

A Veja age como uma mosca varejeira na situação que foi criada pelo absurdo que está sendo promovido pelo Sr. Joaquim Barbosa, ao deixar durante cinco meses um condenado ao regime semi-aberto em clausura absoluta, usando de mil formas para evitar que ele exerça a pena da maneira que a lei e o tribunal determinaram: trabalhar durante o dia e recolher-se ao presídio à noite.

E o que está sendo “motivo” desta procrastinação são justamente “reporcagens” como estas, baseadas – se é que são – em fontes anônimas.

Joaquim Barbosa fez o que pôde para tornar adequada às suas vontades a Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, agora entregue a um juiz filho de um deputado do PSDB.

Em relação a Dirceu, revogou a decisão tomada pelo presidente interino do STF, Ricardo Lewandowski, que mandava traitar a análise do pedido de autorização de trabalho do ex-ministro.

Pior, confessou, de público, ter conduzido a dosimetria da pena atribuída a ele e a outros réus com o fim de evitar que ficassem em regime semi-aberto.

Joaquim Barbosa, a esta altura, não apenas deixa de agir com o equilíbrio de um juiz, mas se assemelha àquela postura descrita por Roberto Jefferson diante do mesmo Dirceu, de quem disse despertar “os seus instintos mais primitivos”.
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Luiz Zini Pires, um funcionário exemplar para sonegadores


O funcionário da RBS traz informação importante a respeito do cidadão alemão, Uli Hoeness. O ex-jogador foi pego pelo fisco e resolveu cumprir a pena. Pena que a Rede Globo, a quem o patrão do Zeni se filia, não cumpre. Aliás, no final zombeiteiro, esqueceu-se providencialmente do patrão, e do patrão do patrão. Há anos circula a informação de que a RBS possui empresas em paraísos fiscais. No auge da CPI contra Olívio, veio a informação de que a RBS tinha uma empresa nas Ilhas Cayman… A RBS não negou, apenas disse que se tratava de algo legal. É legal, tri-legal… (http://fichacorrida.wordpress.com/2014/02/06/rbs-no-tri-nem-legal/) Tenho guardado um exemplar da Folha de São Paulo, imagem acima, do tempo em que a Folha ainda não havia formado consórcio com a Globo para lançar o jornal Valor Econômico, que traz a informação de como a parceria da Globo com a RBS envolvia sonegação fiscal em paraíso fiscal.

Aliás, nem Globo, nem Maluf (Sentença judicial diz que Maluf tratou de dinheiro no exterior) nem RBS seria alguém sem um paraíso fiscal à mão. Há uma campanha na internet para a Globo apresentar o darf de recolhimento dos mais de 650 milhões de sonegação. Zini ainda não passou o Pires pra recolher da Globo…

É por essas e outras que é até engraçado ler o celetista da RBS jogando a culpa da sonegação fiscal do patrão, do patrão do patrão, e dos amigos do patrão, no Governo Federal. Ele recebe um mensalinho, religiosamente, todos os meses para perpetrar isso!

Uli Hoeness, um presidente alemão fora da lei

15uliNa terça-feira, acomodado na tribuna de honra da Allianz Arena, Uli Hoeness (foto ao lado, AFP, BD), 62 anos, presidente do Bayern de Munique, bateu palmas para o time no final da decisão contra o Arsenal londrino. O empate classificou a superesquadra alemã para disputar as quartas de final da Copa dos Campeões, em abril. Na noite gelada da Baviera, no mais exclusivo dos lugares do portentoso estádio da Copa do Mundo de 2006, quase todos estavam felizes.

Na próxima partida do campeão europeu e mundial da temporada passada, Hoeness precisará ligar a TV da cadeia. Ele foi condenado a 41 meses de cárcere por sonegação fiscal. A dívida tributária atinge R$ 88,4 milhões. Os compromissos financeiros com o fisco alemão são resultado de lucros por especulação em bolsas de valores, obtidos através de uma conta secreta em bancos suíços.

Ontem, ele renunciou ao estratégico posto no clube que arrecadou R$ 1,3 bilhão em 2013 – atrás só de outros gigantes, Real Madrid e Barcelona.

Em um comunicado breve, ele explicou:

– Depois de conversar com minha família, decidi aceitar a decisão do tribunal. Pedi a meus advogados que não recorram. Isto corresponde ao meu conceito de decência. Esta fraude fiscal é o erro da minha vida. Enfrento as consequências deste erro.

Uli Hoeness é um nome popular no país. Começou de chuteiras, atacante do grande Bayern dos anos 1970. Foi campeão com a seleção no Mundial de 1974, destruindo a mítica Holanda, de Cruyff, na decisão, e ganhou três edições da atual Copa dos Campeões.

No final da carreira, trocou de posição. De terno e gravata ajudou a inovar a Bundesliga. Ganhou o prêmio de executivo do ano em diferentes momentos. Sua foto, só sorrisos, está no “hall of fame” do futebol alemão, como atacante, depois como gerente geral do Bayern (1979 e 2009) e então presidente.

Paralelo a vida de quarta e sábado nos estádios lotados, Hoeness construiu uma sólida empresa no ramo dos alimentos. Ganhou milhões de euros. Sua proximidade com a chanceler Angela Merkel estava em capas de revistas, em páginas de jornais e em encontros privados. Atuava como consultor informal da maior autoridade política do país. Merkel se disse chocada ao descobrir que seu aliado era um especulador financeiro com contras secretas no Exterior.

Quando percebia um jornalista nas redondezas, antes de fuzilar sua imagem no maior escândalo do esporte alemão do século 21, Hoeness insistia em criticar os gastos sem fronteira dos dirigentes europeus, especialmente de ingleses e de espanhóis, com jogadores, a má gestão financeira, as dívidas astronômicas dos clubes e a deslealdade com o fisco dos países. No interior do seu luxuoso escritório em Munique, se transformava. Atuava como um fora da lei.

A boa vida do cidadão alemão se sustenta numa pesada carga de impostos, mas, quando um milionário é descoberto fraudando o Leão, a condenação da sociedade é imediata. Antes mesmo do julgamento, ele já havia sido sentenciado pela mídia e pelas redes sociais. Sua queda não demorou, nem a torcida, que o idolatrava, ficou em silêncio.

A Justiça tem sido severa com os dirigentes do futebol europeu em 2014. O espanhol Sandro Rosell pediu demissão da presidência do Barcelona por irregularidades na contratação de Neymar. Jose María Del Nido, ex-Sevilla, passará sete anos preso por sonegação.

O governo federal do Brasil e seus diferentes braços, que não conseguem fazer com que os grandes clubes paguem os R$ 2,31 bilhões que devem em impostos, ainda não alcançaram alguns obscuros gabinetes do nosso futebol.

Ninguém sabe se um dia irão escalar os postos mais altos. A torcida, mesmo cansada, confia no time da Justiça.

No Ficha Corrida
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O velho se fingindo de novo

O Brasil precisa de novidade na política, mas Marina e Eduardo Campos são o velho se fingindo de novo

Mais do mesmo

Será que Marina e Eduardo Campos imaginam que vão conseguir alguma coisa com frases ocas destinadas a ganhar algum eco no noticiário?

Será que eles não aprenderam nada com o Papa Francisco, que conquistou o coração do mundo com a estratégia oposta e correta — falar coisas honestas, reais, profundas ?

As frases que ficam para as pessoas são aquelas que pertencem à categoria franciscana, por mais que Marina, Eduardo Campos — e Aécio também — se iludam com a repercussão de suas tolices grandiloquentes.

No final de semana, Marina e Campos capricharam. Marina afirmou que o governo Dilma é  “a denúncia mais contundente do fracasso do sistema político”.

Campos foi para o campo das frutas, e disse que Dilma distribui cargos como quem distribui bananas, ou algo do gênero.

A quem eles querem comover, exceto editores ansiosos por declarações “bombásticas” contra Dilma?

Se os dois têm alguma pretensão, o combate real é no campo das ideias.

Francisco fez isso. Desde a primeira hora condenou o mal maior do mundo moderno, a desigualdade.

Alguém tem dúvida de que este é, ainda mais que no mundo, o maior mal brasileiro?

Então o que Marina e Eduardo Campos têm a dizer sobre isso? Ou eles temem descontentar a mídia se tocarem num ponto que é um anátema para ela?

Que proposta eles têm a respeito do sistema tributário, um dos pilares da desigualdade, como mostrou tão bem um levantamento da BBC na semana passada?

Ou Marina, amiga do Itaú, com um pendência bilionária na Receita, não pode falar nisso?

São os pobres, conforme o estudo da BBC, quem mais contribui para as receitas públicas.

O peso maior da arrecadação brasileira, e isso é uma barbaridade, repousa nos tributos indiretos, que não distingue ricos e pobres. Eis aí um fator poderoso de iniquidade.

Marina: o que você diz? Campos: e você? Aproveitemos a oportunidade e façamos a pergunta a mais um candidato: e você, Aécio?

Você, atiladamente, pode perguntar: e a Dilma, o que tem a dizer?

Resposta: nada. Lamentavelmente, nada. Nem nisso e nem em outros assuntos que deveriam estar na plataforma eleitoral dos candidatos, a regulamentação da mídia.

É uma pena, e isso mostra quanto tem sido limitado o voo do PT se você pensa em reformar, verdadeiramente, o Brasil e derrubar os muros que perpetuam privilégios e estimulam a desigualdade.

Agora: Dilma está no poder, e com boa vantagem das pesquisas. Mesmo sem uma plataforma que entusiasme, ela é ampla favorita.

O que desafia a compreensão é os que estão na rabeira não aproveitarem o vazio que Dilma deixa ao não adotar um discurso francamente antidesigualdade, como o de Francisco. Em Nova York, para ficar num só caso, Bill de Blasio fez isso e se elegeu prefeito.

O Brasil precisa, desesperadamente, de um fato novo na política que livre a sociedade de coisas como as chantagens como a que neste exato momento o Blocão vem impondo ao governo.

Mas Marina, Campos — e Aécio, com sua guerra às notícias na internet que narram coisas como sua recusa a fazer o bafômetro — são a pior combinação possível. São o velho se fingindo de novo.

Paulo Nogueira
No DCM
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Viatura da PM arrasta mulher por rua da Zona Norte do Rio. Veja o vídeo




Eram cerca de 9h desse domingo, quando uma viatura do 9º BPM (Rocha Miranda) descia a Estrada Intendente Magalhães, no sentido Marechal Hermes, na Zona Norte do Rio, com o porta-malas aberto. Depois de rolar lá de dentro e ficar pendurado no para-choque do veículo apenas por um pedaço de roupa, o corpo de uma mulher foi arrastado por cerca de 250 metros, batendo contra o asfalto conforme o veículo fazia ultrapassagens. Apesar de alertados por pedestres e motoristas, os PMs não pararam. Um cinegrafista amador que passava pelo local registrou a cena num vídeo.

A mulher arrastada era Claudia Silva Ferreira, de 38 anos, baleada durante uma troca de tiros entre policiais do 9º BPM e traficantes do Morro da Congonha, em Madureira. Em depoimento à Polícia Civil, os PMs disseram que a mulher foi socorrida por eles ainda com vida, e levada para o Hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes, mas não resistiu. Já a secretaria Estadual de Saúde informou que a paciente já chegou à unidade morta. Ela levou um iro no pescoço e outro nas costas.

- Foi revoltante ver aquele corpo pendurado. Eles iam ultrapassando outros carros, e o corpo ia batendo. As pessoas na rua gritavam, tentando avisar os policiais, mas eles não ouviam. Só pararam por causa do sinal e, aí, conseguiram ouvir o que as pessoas diziam. Dois policiais, então, desceram da viatura e puseram o corpo de volta no carro - disse o cinegrafista.


Trajeto de 250 metros

A cena começou a ser registrada próximo ao número 796 da Estrada Intendente de Magalhães, na altura da Rua Boiacá, e foi filmada aproximadamente até o 878, onde fica uma agência da Caixa Econômica Federal. A irmã de Claudia, Jussara Silva Ferreira, de 39 anos, ficou chocada quando viu a imagem do corpo da irmã sendo arrastado. Revoltada, ela quer que os policiais sejam punidos:

- Acham que quem mora na comunidade é bandido. Tratam a gente como se fôssemos uma carne descartável. Isso não vai ficar impune. Esses PMs precisam responder pelo que fizeram.

Claudia tinha quatro filhos e ainda cuidava de outros quatro 

Antes mesmo de saberem o que havia acontecido com Claudia, familiares tinham desconfiado de que algo pudesse ter ocorrido, já que viram o corpo dela em carne viva ao chegarem no hospital.

- Achamos estranho quando vimos o corpo daquele jeito. Desconfiamos de que tinha acontecido no trajeto até o hospital - relatou Diego Gomes, de 30 anos, primo de Claudia.

Thaís Silva, de 18, filha da vítima e a primeira a encontrá-la morta, já tinha reclamado até mesmo da forma com que os policiais do 9º BPM a socorreram:

- Eles arrastaram minha mãe como se fosse um saco e a jogaram para dentro do camburão como um animal - revoltou-se a jovem.

Revoltados, moradores da comunidade protestaram contra a morte da mulher 

Vítima faria 20 anos de casada

Em nota, a assessoria de imprensa da PM afirmou que os policiais do 9º BPM trocaram tiros com criminosos durante uma operação no Morro da Congonha, e um suspeito chegou a ser baleado. Ainda segundo a assessoria, os policiais encontraram a vítima baleada na Rua Joana Resende, ponto mais alto da comunidade. Ela foi levada para o Hospital Carlos Chagas, mas não resistiu. A 29ª DP (Madureira), que investiga o caso, esteve no local para perícia. Dois fuzis usados pelos policiais foram recolhidos para serem periciados.

No Extra
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Casa Blanca oculta al Senado informes sobre torturas de la CIA

La senadora demócrata Dianne Feinstein denunció que la CIA espió un ordenador usado por el Congreso de Estados Unidos para su investigación sobre la tortura y detención de personas, presuntamente vinculadas a actividades terroristas.

La administración de Barack Obama ha ocultado de la justicia, durante los últimos cinco años, más de nueve mil documentos secretos que revelan las prácticas interrogatorias y los programas de tortura y detención ejecutados por la Agencia Central de Inteligencia (CIA, por su sigla en inglés) durante el Gobierno de George W. Bush (2000-2008).

De acuerdo con medios de prensa estadounidenses, la Casa Blanca oculta los informes de una investigación que adelanta el Comité de Inteligencia del Senado, sobre las prácticas de la agencia, tan sólo un día después que la CIA fuera acusada de interferir en la pesquisa.

El hecho evidencia el respaldo de la Administración Obama a la CIA en su disputa contra el Senado, puesto que desde el año 2009 rechaza sistemáticamente peticiones de los senadores para acceder a esos registros.

Los medios reseñan que se trata de documentos que detallan el programa de detención e interrogación de la CIA — ya abolido — durante la presidencia de Bush que actualmente es objeto de una investigación parlamentaria especial.
Respecto a los documentos, se conoció que Obama nunca solicitó el “privilegio ejecutivo”, un poder especial para impedir la investigación. En otras palabras, la prensa explica que el Presidente “no tuvo razones legales para ocultarlos”.

Días atrás, la titular del Comité, la senadora demócrata Dianne Feinstein, denunció que la CIA espió un ordenador usado por el Congreso para su investigación sobre la tortura y detención de personas, presuntamente vinculadas a actividades terroristas.

Agregó que, presuntamente, informes de la CIA fueron colocados por manos desconocidas en el ordenador, para que los miembros del panel pudieran acceder a ellos.

El Comité de Inteligencia aprobó en diciembre de 2012 un proyecto final sobre la investigación de la CIA, que según algunas fuentes coincide en parte con una pesquisa interna de la propia agencia. Sin embargo, hasta ahora no se han publicado resultados.

No teleSUR
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