16 de mar de 2014

PM: números sobre protestos de junho são secretos

Em resposta a um pedido de acesso à informação, polícia omite dados e contradiz fatos. PM quer sigilo de 15 anos para dados sobre "armamentos não letais"

Manifestantes na ponte estaiada na segunda-feira 17 de junho
A quantidade de bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha, spray de pimenta e de bombas de “efeito moral” disparadas nos protestos de junho do ano passado em São Paulo são uma informação secreta de acordo com a Polícia Militar do estado.

Em resposta a um pedido de acesso à informação feito pelo sociólogo Pablo Ortellado, a PM afirmou que elas foram usadas “em número necessário e suficiente” para cada protesto. “Revelar tais quantidades, ou o quanto de sua carga foi utilizada em determinada ação de controle de distúrbios civis, implica, necessariamente, em expor estratégias de segurança, capacidade de ação e reação (…) que acabariam por descortinar questões diretamente ligadas à capacidade da instituição para cumprir sua missão constitucional e prover segurança aos cidadãos,” diz a corporação. (Leia a íntegra da reposta clicando aqui)

Para a PM, estes dados devem ficar restritos por 15 anos. A corporação entende que os números tratam de informação relativa ao “planejamento e execução de operações de inteligência policial” que, segundo uma portaria da própria PM, se encaixam no maior prazo de sigilo da lei de acesso à informação.

Em sua resposta, a polícia ainda afirma que “tal cuidado no trato com a guarda dessas informações não deve ser confundido com a intenção de ocultar condutas de policias militares durante as ações”. Segundo a PM, todos os casos de abusos dos oficias estão sendo feito com uma “apuração interna por meio de inquérito policial militar”.

Respostas da PM contradizem depoimentos

A PM não respondeu outros questionamentos de Ortellado, como a quantidade de manifestantes feridos e a tipificação dos delitos. Ela alega que não é sua competência fazê-lo.

A policia também não especificou o custo da operação, sob o argumento de que “isso envolve complicados cálculos, pois há que se levar em conta inúmeras variáveis como salários, DPI, uniformes, armamento, munição, etc, todos já previstos nos investimentos e no custeio de segurança pública”.

A resposta da Polícia Militar também contradiz depoimentos e a ação de policiais. Na resposta, a PM diz que “não houve detenção para averiguação” e que “todos os detidos praticaram fatos imputados como crimes e/ou contravenções”. Mas manifestantes foram presos por portar máscaras, bandeiras e vinagre, sem ter tido nenhum crime ou contravenção imputada.

Falas de policias na época também contradizem a resposta da PM. Em depoimento gravado pela defensora pública Daniela Skrumov naquele dia, o tenente-coronel Ben Hur Junqueira Neto disse que estava efetuando “prisões por averiguação".
Este tipo de prisão não existe na Constituição. De acordo com seu artigo quinto, "ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente".

As estimativas da PM da quantidade de manifestantes também são alvo de questionamento. O maior protesto do ano passado, na segunda-feira 17 de junho, teve 30 mil pessoas segundo a PM. As contagens dos órgãos de imprensa chegavam a centenas de milhares de manifestantes e algumas foram consideradas subestimadas por movimentos sociais. O efetivo policial variou entre 102 policiais militares, no primeiro protesto, até 663 naquela segunda-feira, ainda de acordo com a resposta da PM.

Ortellado fez seu pedido em 4 de julho do ano passado, pelo sistema de acesso à informação do governo do estado. Seu pedido consistia em nove perguntas objetivas sobre os protestos contra o aumento da passagem de ônibus em São Paulo.
Apesar do prazo para atendimento de pedidos de acesso à informação ser de 20 dias, prorrogáveis por mais 10, Ortellado só começou a receber informações em dezembro.

Neste período, fez uma série de recursos diante das suas perguntas sem respostas, recebendo mensagens como “TENHA PACIÊNCIA E ENTENDA QUE A POLÍCIA MILITAR  ESTÁ SEMPRE ABERTA AO DIÁLOGO, DESDE QUE FRANCO E ISENTO DE TENDÊNCIAS E PRECONCEITOS”. (A caixa alta da mensagem original foi mantida).

No dia 3 de dezembro, a CGA (Corregedoria Geral da Administração) pediu que a PM se manifestasse novamente em 48 horas, mas a resposta chegou quase duas semanas depois, de forma parcial. Nela, a PM disse que utilizou 938 bombas e 506 balas de borracha no dia de maior repressão (leia reportagem aqui), mostrando que a instituição reviu o que considera uma informação secreta.

A resposta mais recente só veio após uma série de determinações da CGA para que a PM respondesse o recurso e sucessivos atrasos. Os novos números são diferentes dos entregues nas respostas anteriores.  Segundo a PM, a demora aconteceu porque “ocorreu uma movimentação de responsáveis pelo sistema SIC [sistema de atendimento ao cidadão] da Polícia Militar, o que ocasionou a demora na remessa da resposta”.

Piero Locatelli
No CartaCapital
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Manter o público na ignorância é o nome do jogo para os Estados Unidos


Um princípio orientador da teoria das relações internacionais é o de que a maior prioridade do estado é garantir a segurança. Como estrategista da Guerra Fria, George F. Kennan formulou que o governo é criado “para garantir a ordem e a justiça internas e para prover a defesa comum.”

A proposição parece plausível, quase evidente, até que um olhar mais atento pergunta: Segurança para quem? Para a população em geral? O poder do estado por si só? Para setores domésticos dominantes?

Dependendo do que queremos dizer, a credibilidade da proposta varia de desprezível a muito alta.

A segurança do poder do estado é extremamente alta, como ilustram os esforços que os estados exercem para se proteger do escrutínio de suas próprias populações.

Em uma entrevista na TV alemã, Edward J. Snowden disse que o seu “ponto de ruptura” foi “ver o diretor de Inteligência Nacional, James Clapper, diretamente sob juramento do Congresso”, negando a existência de um programa de espionagem interna conduzida pela Agência de Segurança Nacional.

Snowden afirmou que “o público tinha o direito de saber desses programas. O público tinha o direito de saber o que o governo está fazendo em seu nome, e que o governo está fazendo contra o público”.

O mesmo poderia ser dito por Daniel Ellsberg, Chelsea Manning e outras figuras corajosas que atuaram segundo o mesmo princípio democrático.

A posição do governo é bem diferente: o público não tem o direito de saber porque a segurança é prejudicada severamente, como afirmam.

Existem várias boas razões para ser cético sobre tal resposta. A primeiro é quase totalmente previsível: quando o ato de um governo é exposto, o governo reflexivamente declara motivos de segurança. Por conseguinte, a resposta previsível é pouca informação.

Uma segunda razão para o ceticismo é a natureza das provas apresentadas. O estudioso de relações internacionais John Mearsheimer escreveu que “a administração Obama, previsivelmente, inicialmente alegou que a espionagem da NSA teve um papel fundamental em frustrar 54 planos terroristas contra os estados Unidos, o que implica que violou a Quarta Emenda por uma boa razão”.

Isso era mentira, no entanto. O general Keith Alexander, diretor da NSA, admitiu ao Congresso que poderia reivindicar apenas um sucesso, o que envolveu a captura de um imigrante somali e um grupo que vive em San Diego e que tinha enviado 8 500 dólares a um grupo terrorista na Somália.

A visão básica foi bem expressa pelo cientista político Samuel P. Huntington, de Harvard: “Os arquitetos do poder nos estados Unidos devem criar uma força que pode ser sentida, mas não se vê. A potência permanece forte quando permanece no escuro; exposta à luz do sol, começa a evaporar”.

Nos estados Unidos, como em outros lugares, os arquitetos do poder compreendem isso muito bem. Aqueles que trabalharam com a enorme massa de documentos confidenciais na história oficial das “Relações Exteriores dos estados Unidos, por exemplo, dificilmente podem deixar de notar a freqüência com que a segurança do poder do estado é a principal preocupação, não a segurança nacional em qualquer sentido.

Muitas vezes, a tentativa de manter o sigilo é motivada pela necessidade de garantir a segurança dos poderosos setores domésticos. Um exemplo são os “acordos de livre comércio”, rotulados de forma errada porque não são sobre o comércio como um todo e sim sobre os direitos dos investidores.

Estes instrumentos são regularmente negociados em segredo, como a atual Trans-Pacific Partnership – mas não totalmente em segredo, é claro. Eles não são segredo para as centenas de lobistas corporativos e advogados que estão escrevendo as disposições detalhadas, com um impacto revelado para o público através do WikiLeaks.

Como o economista Joseph E. Stiglitz concluiu, o escritório de Representantes do Comércio dos os EUA “representam os interesses corporativos”, não os do público : “A probabilidade de que o que emergir das próximas negociações servirão aos interesses dos americanos comuns é baixa e as perspectivas para os cidadãos comuns em outros países são ainda mais sombrias.”

Em contraste, há provas substanciais de que a “segurança nacional” doméstica como o termo deve ser entendido não é uma alta prioridade para a política do estado.

Por exemplo, o programa de assassinato mundial através de drones do presidente Obama é, de longe, a maior campanha terrorista do mundo. O general Stanley A. McChrystal, comandante das forças dos EUA e da OTAN no Afeganistão, falou em “matemática insurgente”: para cada pessoa inocente que você matar, você cria 10 novos inimigos.

Esse conceito de “pessoa inocente” diz-nos o quão longe nós estamos da Magna Carta, que estabelece o princípio da presunção de inocência que já foi pensado para ser o fundamento do direito anglo-americano.
Hoje, a palavra “culpado” significa “alvo de assassinato por Obama” e “inocente” significa que “ainda não foi atribuído esse estatuto”.

A Brookings Institution acaba de publicar um estudo antropológico altamente elogiado de sociedades tribais por Akbar Ahmed, com o subtítulo “Como a guerra dos EUA contra o terror se tornou uma guerra global contra o Islã Tribal”.

A guerra, Ahmed adverte, pode lrvar algumas tribos “à extinção”, com custos graves para as próprias sociedades, como se vê agora no Afeganistão, Paquistão, Somália e Iêmen. E, finalmente, para os americanos.

As culturas tribais, Ahmed aponta, baseiam-se em honra e vingança: “Todo ato de violência nessas sociedades tribais provocam um contra-ataque. Quanto mais difíceis os ataques contra os homens da tribo, mais cruéis e sangrentos os contra-ataques”.

O terror pode bater em casa. Na revista britânica Foreign Affairs, David Hastings Dunn descreve como os cada vez mais sofisticados drones são uma arma perfeita para grupos terroristas. Drones são baratos, facilmente adquiridos e “possuem muitas qualidades que, quando combinadas, tornam-se potencialmente o meio ideal para o ataque terrorista no século 21″, explica Dunn.

O senador Adlai Stevenson, referindo-se a seus muitos anos de serviço no Comitê de Inteligência do Senado dos EUA, escreve que “a vigilância cibernética e a coleta de metadados fazem parte da reação contínua ao 11/9. Os EUA são amplamente percebidos como em guerra contra o Islã, contra os xiitas, bem como os sunitas, no chão, com drones, e por procuração na Palestina, desde o Golfo Pérsico até a Ásia Central. Alemanha e Brasil se ressentem de nossas invasões, e o que elas causaram?”

A resposta é que elas causaram uma ameaça crescente e o isolamento internacional.

As campanhas de drones são um dispositivo pelo qual a política do estado põe em risco a segurança com conhecimento de causa. O mesmo é verdadeiro com relação a forças especiais de operações de assassinos. A invasão do Iraque aumentou acentuadamente o terror no Ocidente, confirmando as previsões da inteligência britânica e americana.

Estes atos de agressão foram, mais uma vez, uma questão que pouco interesse despertou em seus planejadores, orientados por diferentes conceitos de segurança. Mesmo a destruição instantânea através de armas nucleares nunca esteve em alta conta para as autoridades.

Noam Chomsky
No DCM
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E se Roberto Irineu Marinho agisse como o presidente do Bayern?

Marinho e o ministro Gilmar Mendes
“Sonegar impostos foi o maior erro da minha vida e agora assumo as consequências.”

Esta foi uma das mais notáveis frases da semana que passou. Foi pronunciada pelo presidente do Bayern de Munique, Uli Hoeness.

Ele estava avisando que desistira de recorrer da sentença que o condenara a 3,5 anos de cadeia por sonegar o equivalente a cerca de 60 milhões de reais.

Também avisava que renunciava à presidência do Bayern.

Era um ato de redenção, uma coisa que me é particularmente cara. Meu romancista favorito, Graham Greene, era um mestre na arte de oferecer a personagens canalhas a chance de um ato final redentor.

O maior desses personagens é o padre covarde de O Poder e a Glória, que foge da perseguição aos sacerdotes movida por radicais mexicanos numa de suas revoluções. Recomendo vivamente O Poder e a Glória.

Hoeness, que sempre foi um modelo de comportamento entre os alemães até ceder à tentação de sonegar, encontrou sua redenção ao abdicar, corajosamente, do recurso jurídico.

Na Alemanha, sonegar é coisa séria. Na cultura do país está alicerçada a noção de que é com o dinheiro dos impostos que você constrói estradas, hospitais, portos, escolas — e oferece à sociedade, como um todo, um padrão digno de vida.

Por isso a punição é exemplar.

No Brasil, infelizmente, não. A mídia se incumbiu de criar uma imagem segundo a qual os impostos brasileiros são extorsivos, o que é uma mentira absoluta, como demonstra o precioso levantamento que a BBC publicou.

Essa imagem distorcida – somos “oprimidos pelos impostos” – dá a justificativa para que muita gente sonegue sem se sentir moralmente corrupta, a começar pelos donos das empresas de mídia.

Num exercício especulativo, imagino um Brasil mudado, mais alemão. Sabemos que impostos servem à sociedade, e não para “sustentar políticos vagabundos”.

Neste Brasil avançado, imagino Roberto Irineu Marinho, presidente das Organizações Globo, tendo seu momento de redenção, a exemplo de Hoeness.

Vejo-o à minha frente, sorridente como de hábito, vestido com simplicidade, a camisa fora da calça para não apertar a barriga extensa.

Ele só não estaria com o Darf nas mãos, como manifestantes tanto pedem, porque não existe Darf quando você não paga imposto.

Já que é dono da Globo, poderia falar em cadeia nacional, no Jornal Nacional, sob os olhares embevecidos de Bonner e depois de cuidadosa edição de Ali Kamel: “Sonegar impostos foi o maior erro da minha vida e agora assumo as consequências.”

Bem, imaginar que ele se dirigisse em seu jato voluntariamente para a Papuda seria demais como consequência.

Calma.

Talvez ele pudesse anunciar a contratação de Joaquim Barbosa para ser seu conselheiro pessoal, com despachos diários.

JB se desligaria do STF, no qual de resto já não ganhará nenhuma votação importante, mas para o novo cargo na Globo manteria a toga ritual.

Todos os dias, até que a natureza se incumbisse de pôr fim à situação, Roberto Irineu despacharia com JB togado.

Esta seria a consequência.

Paulo Nogueira
No DCM
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A boa vida de suspeito


O conselheiro tucano do Tribunal de Contas de São Paulo Robson Marinho, mesmo acusado de receber propina no escândalo da Alstom e ter conta bloqueada na Suíça, mantém intacto seu cotidiano de trabalho e padrão de vida altíssimo

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O Ano Quatorze



Desde a criação do calendário, pelos sumérios, há quatro mil anos, o desenrolar dos acontecimentos deixou de depender exclusivamente do acaso, para incluir feriados e eventos religiosos e políticos que passaram a datar e servir de palco para a história.

O Brasil, neste décimo quarto ano do milênio, contará com dois grandes marcos desse tipo: a Copa do Mundo e as eleições de 2014.

Eles contribuirão para chamar ainda mais a atenção da população mundial para um país que já é importante, por si só, globalmente. Com todos os nossos problemas, e o complexo de vira-lata de amplos setores da sociedade brasileira, somos o quinto maior país em território e população, o segundo maior exportador de alimentos, a sétima economia e o terceiro maior credor individual externo dos Estados Unidos.

Tudo isso obriga não apenas a que o Brasil não possa ser ignorado, mas faz, também, com que nosso país seja cobiçado, e esteja sendo ferrenhamente disputado, nos mais variados aspectos da economia e da geopolítica, pelos principais blocos, nações e empresas do mundo.

O crescimento da dimensão política e econômica da Nação, nestes primeiros anos do século XXI, transformou o Brasil na bola da vez de uma permanente batalha, entre espoliação e independência, o modelo que prevaleceu nos últimos 200 anos — e outras visões de mundo, voltadas para a busca de caminhos alternativos para a construção do desenvolvimento econômico e social da humanidade.

As antigas potências coloniais e neocoloniais, que lutam para manter nosso país, ou amplos setores dele, sob sua influência, sabem que esse embate se dará, na economia, na política, na comunicação, e tem plena consciência do que esta em jogo, no Brasil, neste ano.

Na economia, e de se esperar, que elas reforcem, nos próximos meses - sempre com a dedicada ajuda da grande mídia — o discurso de esvaziamento da importância econômica do Mercosul; de valorização de mitos neoliberais como o da Aliança do Pacífico; de fragilidade dos fundamentos de nossa macro economia; da existência de um suposto protecionismo brasileiro, teoricamente responsável pela diminuição de nosso percentual de participação no comércio mundial - para o qual só haveria um remédio — estabelecer rapidamente acordos de livre comércio com os países mais ricos.

Essa é a estratégia que deverá ser aprofundada nos próximos meses. Pressionar o país permanentemente, apresentando cada eventual percalço como fruto de um suposto afastamento, no sentido econômico e político, do Brasil com relação aos países “ocidentais”.

Assim, enquanto a mídia — nacional e internacional — distrai determinadas parcelas da opinião publica, com alertas sobre a Argentina, Nicolás Maduro e a “bolivarianização” do Brasil e do Mercosul, os EUA e a Europa aproveitam para avançar sobre nosso mercado interno, aumentando, como fizeram em 2013, seus superávits em 50% e 1.000%, respectivamente, para 11,4 e 5,4 bilhões de dólares.

As potencias ocidentais e aos seus prepostos não interessa divulgar que elas diminuíram quase que na mesma proporção suas importações de produtos brasileiros no ano passado.

Como não é conveniente ressaltar, também, o fato de que, no comércio com países “bolivarianos”, como a Venezuela e a Argentina, tivemos um superávit somado de mais de 10 bilhões de dólares em 2013, sem o qual teríamos tido um enorme deficit balança comercial.

O mesmo esforço, de distorção e manipulação, continuará ocorrendo, neste ano, com a “glamourização”, da Aliança do Pacífico, pseudo organização fomentada pelo México com a ajuda dos EUA e a Espanha, como a última limonada do deserto em termos de associação comercial. A situação real da AP é tão boa, que seu maior expoente — justamente o país de Zapata — teve um crescimento de 1,2% no ano passado, menos da metade dos 2,5% estimados, no mesmo período, para o Brasil.

Obedecendo a mesma estrategia, os meios de comunicação europeus e norte-americanos — secundados pela mídia conservadora brasileira e latino-americana — subirão o tom de sua campanha contra os BRICS, aproveitando momento em que o Brasil ocupa a Presidência de turno, e organiza, como anfitrião, a Cúpula Presidencial que reunirá os lideres do Brasil, Índia, China e Africa do Sul, em Brasilia, em junho deste ano.

Naturalmente, como ocorre com o nosso comércio com países como a Venezuela, a grande mídia devera ocultar ou relativizar a informação de que, nos últimos 12 meses, além do Mercosul, foi também para a China, e não para os países ocidentais, que aumentamos fortemente nossas exportações, em 10,4%, e nosso superávit, para quase 9 bilhões de dólares.

Considerando-se o que estão ganhando por aqui, e natural que aumentem, também neste ano, as pressões favoráveis a uma rápida assinatura de um Acordo Comercial entre o Brasil — com ou sem Mercosul — e a União Européia, o que abriria as portas para futuro entendimento desse tipo com os próprios EUA.

Essa é uma hipótese que o Brasil terá que analisar sem pressa e com todo o cuidado. Somadas as remessas de lucro, estimadas em 24 bilhões de dólares em 2013, e o déficit de 26 bilhões no comércio exterior, apenas com a Europa e os EUA, já estamos contribuindo — sem ter assinado ainda esse acordo de livre comércio — com uma sangria de meia centenas de bilhões de dólares por ano para ajudar as potências ocidentais a enfrentar a crise em que se encontram.

Se compararmos esses 50 bilhões de dólares, com um ganho quase equivalente obtido pelo Brasil no comércio com países emergentes — principalmente América Latina, Caribe, BRICS e Mercosul — fica fácil perceber quem está nos espoliando, e com que tipo de parceiros é interessante nos associarmos, prioritariamente, no futuro.

Como está ficando difícil, para quem não abdica de continuar explorando, do jeito que puder, nossos recursos e mercado, colocar no poder governos direta e assumidamente alinhados com seus interesses, o objetivo, em 2014, continuará sendo sabotar institucionalmente o Brasil, mesmo que ele esteja gerando extraordinários ganhos.

A estratégia, nesse caso, passa não apenas pelo desmantelamento da imagem da nação do ponto de vista econômico, mas também pela promoção do caos, para dificultar a governabilidade, e colocar em questão, dentro e fora de território brasileiro, nossa capacidade de gestão e de realização. È essa linha de ação que alimenta a tese de que não estamos preparados para organizar grande eventos, como a Copa e as Olimpíadas, mesmo que, para fazer a omelete, quebrem-se alguns ovos, prejudicando também a imagem e a situação politico-administrativa de estados e municípios governados pela oposição, que estão envolvidos com a Copa do Mundo.

Não será de estranhar, portanto, se houver, nos próximos meses, infiltração, aproveitamento ou criação de novos “movimentos”, nos moldes dos rolézinhos, passíveis de se espraiar para as ruas, e eventuais ações voltadas para a intimidação do público turístico que nos visitará este ano, como a sabotagem dos sistemas de transporte e de hospedagem, o cerco a estádios, incêndios e fechamentos de ruas, etc.

A tudo isso, se soma a percepção, pelo cidadão comum, da ausência de um debate politico de melhor nível, que possa levar a discussão de propostas para a formatação de um novo projeto nacional.

Ate que ponto isso poderá influenciar a posição do eleitorado nas eleições de novembro?

O governo tem realizado avanços, mas, decide, cada vez, mais, sob pressão das circunstancias, dos meios de comunicação, do Congresso, da aproximação das eleições e de uma base aliada fragmentada, cada vez mais preocupada com seus próprios interesses do que com a situação do pais.

E a criminalização da politica — tema preferencial da grande mídia — ajuda a distorcer ainda mais esse quadro, aos olhos do eleitor, nivelando todos os homens públicos por baixo e facilitando o trabalho de uma minoria radical, cada vez mais atuante, que odeia a democracia e sonha com a volta da ditadura e a derrocada do Estado de Direito.
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Joaquim Barbosa é responsável pelos crimes da Veja


O que a revista Veja faz, esta semana, não tem outro nome senão o de crime.

Publicar fotos tiradas clandestinamente por servidores do presídio, possivelmente pagas a peso de ouro,  para dar credibilidade a uma história de privilégios supostamente gozados por José Dirceu na prisão, sem um prova sequer, equivale a se publicar que a redação da revista da Abril é sede de bacanais, regadas a champagne,  com mulheres agenciadas por Carlinhos Cachoeira, com base em informações de um contínuo que pediu para não ser identificado.

Obvio que é pura invenção esta cena, mas o que impede, com o ódio que a revista tem a Dirceu e com um histórico de roubar imagens de câmara de segurança de um hotel  para bisbilhotar quem falava ou deixava de falar com o ex-ministro, antes de sua condenação, que a revista invente o que quiser sobre sua vida na Papuda?

A ética?

Ora, por favor, vamos evitar as piadas, não é?

Mas é preciso dizer o que é a verdade.

A Veja age como uma mosca varejeira na situação que foi criada pelo absurdo que está sendo promovido pelo Sr. Joaquim Barbosa, ao deixar durante cinco meses um condenado ao regime semi-aberto em clausura absoluta, usando de mil formas para evitar que ele exerça a pena da maneira que a lei e o tribunal determinaram: trabalhar durante o dia e recolher-se ao presídio à noite.

E o que está sendo “motivo” desta procrastinação são justamente “reporcagens” como estas, baseadas — se é que são — em fontes anônimas.


Em relação a Dirceu, revogou a decisão tomada pelo presidente interino do STF, Ricardo Lewandowski, que mandava traitar a análise do pedido de autorização de trabalho do ex-ministro.

Pior, confessou, de público, ter conduzido a dosimetria da pena atribuída a ele e a outros réus com o fim de evitar que ficassem em regime semi-aberto.

Joaquim Barbosa, a esta altura, não apenas deixa de agir com o equilíbrio de um juiz, mas se assemelha àquela postura descrita por Roberto Jefferson diante do mesmo Dirceu, de quem disse despertar “os seus instintos mais primitivos”.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Em ritmo de tango, Tarso Genro é aclamado para disputar reeleição

Festa de aniversário do governador teve um presente surpresa com forte carga emocional: um show com o músico Hique Gomez, o primeiro desde a morte de seu parceiro de Tangos e Tragédias, Nico Nicolaiewsky.
(Fotos: Ramiro Furquim/Sul21)

Não era surpresa para ninguém que a festa de aniversário do governador Tarso Genro seria também um ato político em defesa da reeleição do atual governo. O que pouca gente sabia é que a festa seria marcada por um momento de alta carga emocional. Logo após o jantar que lotou as dependências da Casa do Gaúcho, no Parque Harmonia, a secretária-geral do PT gaúcho, Eliane Silveira, anunciou um presente para Tarso Genro: um show com o músico Hique Gomez, o primeiro desde a morte de seu parceiro de Tangos e Tragédias, Nico Nicolaiewsky. Hique Gomez subiu ao palco com sua banda, vestindo um terno verde e claro e, visivelmente emocionado, falou:

“É uma honra estar aqui hoje brindando à saúde do governador Tarso Genro, a quem agradeço a atenção dada pela morte de meu companheiro, dedicando três dias de luto no Estado. É o primeiro show depois da morte do Nico. É um show para o governador em homenagem à memória do meu companheiro”.

Foi um show de aproximadamente 40 minutos, marcado pela mistura de estilos das culturas do sul da América do Sul e embalado, principalmente, pelo ritmo do tango. Moacir Scliar também foi homenageado com uma música inspirada no centauro do jardim, personagem de um dos principais livros do escritor gaúcho. “Me identifiquei com esse animal”, disse Hique Gomez ao anunciar a música em homenagem a Scliar. O tango também esteve presente na adaptação de um clássico dos Beatles, uma música para superar uma “lacuna” na carreira da banda inglesa: “os Beatles nunca gravaram um tango. Ninguém se deu conta disso”, brincou. Agora já tem uma versão capitaneada por um músico de Porto Alegre.

“Saiu a tragédia e ficou o tango”, resumiu um jornalista, apontando a qualidade e a elegância carregada de emoção na apresentação de Hique Gomez e seus músicos. Ao final do show, Tarso Genro subiu ao palco e deu um abraço demorado no músico e nos demais integrantes da banda. “Agora o governador vai cantar um tango”, brincou Hique, deixando o palco. O show eletrizou os dois pisos lotados da Casa do Gaúcho. O público participou, cantou junto, aplaudiu e tirou muitas fotos que eram imediatamente postadas nas redes sociais.

Em seguida, foi exibido um vídeo de três minutos sobre a trajetória de vida de Tarso Genro, que começou a militar na política aos 14 anos. Aí iniciou a parte propriamente política da festa com a subida ao palco de alguns convidados e convidadas especiais: Olívio Dutra, Manuela D’Ávila (PCdoB), Maria do Rosário, Pepe Vargas, Miguel Rossetto, Paulo Paim, Ary Vanazzi, Luis Augusto Lara (PTB), Mari Perusso (PPL) e Coronel Bonetti (PR). O grupo expressa a composição de partidos que deve apoiar a campanha à reeleição do atual governo: PT, PCdoB, PTB, PPL e PR.

Ovacionado pelo público, Olívio Dutra fez uma saudação especial ao “militante, pensador e governador Tarso Genro".
Ovacionado pelo público, Olívio Dutra fez uma saudação especial ao “militante,
pensador e governador Tarso Genro”.
Olívio: “Tenho certeza que o Tarso vai estar conosco nesta caminhada”

Ovacionado pelo público, Olívio Dutra fez uma saudação especial ao “militante, pensador e governador Tarso Genro. “A vida para nós é permanentemente um ato político e o companheiro Tarso é um ser político. Temos muita coisa pela frente em 2014. Queremos continuar governando o Rio Grande do Sul e governando o Brasil com a companheira Dilma. Tenho certeza que o Tarso vai estar conosco nesta caminhada”.

Representante do Partido da República, o coronel Bonetti disse que seu partido se sentia honrado em trabalhar para alcançar os mesmos objetivos que o atual governo busca. Entusiasmado e também aniversariante, o senador Paulo Paim deixou as mediações de lado e falou abertamente da candidatura de Tarso à reeleição: “Vai ser muito viajar pelo Rio Grande do Sul falando das conquistas do governo Tarso e do governo Dilma. É Dilma lá e Tarso aqui”, bradou. Na mesma linha, Mari Perusso garantiu: “estaremos ao seu lado para reeleger esse projeto e seguir fazendo um Rio Grande para todos”.

Luís Augusto Lara, do PTB, revelou uma conversa recente que teve com o ex-senador Sério Zambiasi e anunciou qual seria o presente para o aniversariante. “Conversei com o Zambiasi e ele falou o seguinte: diz pro Tarso que o presente que o PTB vai dar para ele é o mesmo que o Rio Grande do Sul vai dar em outubro, a reeleição do atual projeto”. O presidente do PT gaúcho, Ary Vanazzi, seguiu na mesma toada: “O presente que queremos lhe dar, governador, é reeleger o nosso projeto no dia 7 de outubro”.

Falando em nome próprio e do PCdoB, Manuela D’Ávila saudou o aniversariante, defendeu a reeleição do atual projeto que governa o Estado e lembrou a qualidade do trabalho desenvolvido por Tarso Genro no governo federal, destacando em especial dois projetos, o Prouni e o Pronasci, “duas revoluções que o Brasil viveu e que foram coordenadas pelo senhor”.

Em sua fala, Tarso Genro valorizou aliados e defendeu importância dos partidos e da política para a democracia.
Em sua fala, Tarso Genro valorizou aliados e defendeu
importância dos partidos e da política para a democracia.
Defesa dos partidos e da política

Principal atração da noite, o governador Tarso Genro iniciou sua fala chamando para o seu lado os representantes de todos os partidos que estavam ali presentes. E fez uma defesa enfática da importância da política e dos partidos: “Vivemos uma época em que a grande manipulação neoliberal operada pela mídia quer reduzir a política à impostura e quer desmoralizar os partidos, submetendo o Estado ao controle do capital especulativo. Por isso, a obrigação de qualquer militante de esquerda ou progressista hoje é defender a política e os partidos”.

Tarso falou sobre os 67 anos completados, lembrando que iniciou sua trajetória política aos 14 anos. “O tempo passa muito rápido. Mas essa pressa do tempo também é pontuada por grandes momentos e são esses momentos que nos constroem como políticos e seres humanos”. Um desses momentos, apontou, é governar o Rio Grande do Sul. Antecipando aqueles que devem ser os eixos estruturantes de sua campanha à reeleição, Tarso relacionou três pontos que considera fundamentais em 2014:

1. “Estamos construindo as condições de unidade, com os partidos que estão presentes aqui hoje para que o nosso projeto continue. Precisamos examinar o nosso programa de governo, ver o que conseguimos cumprir e identificar aquilo que precisamos aperfeiçoar”.

2. “Vamos reafirmar um compromisso total com a ética e de nenhuma tolerância com a corrupção”.

3. “É fundamental também que vinculemos o nosso projeto ao projeto nacional representado pelo governo da presidenta Dilma”.

Tarso: “Ainda tenho muita energia e muita juventude para dar e continuar lutando junto com todos vocês"
Tarso: “Ainda tenho muita energia e muita juventude para dar
e continuar lutando junto com todos vocês”
No mesmo dia em que o PMDB escolheu o ex-prefeito de Caxias do Sul, José Ivo Sartori, como candidato ao Piratini, Tarso Genro aproveitou para se referir aos adversários históricos do PT no Estado. Ao se referir as dificuldades que Dilma vem enfrentando com o PMDB em nível nacional, Tarso afirmou: “nós conhecemos bem esse partido aqui. Eles participaram dos dois governos anteriores ao nosso e entregaram um Estado quebrado e enfraquecido em suas funções públicas”.

Por fim, Tarso falou em reafirmar um compromisso com a utopia, apontada por ele não como um horizonte onde vai se chegar de fato, mas sim como um rumo para a caminhada. E garantiu: “ainda tenho muita energia e muita juventude para dar e continuar lutando junto com todos vocês”. Se alguém ainda tinha alguma dúvida quanto à candidatura do governador à reeleição, deixou a Casa do Gaúcho com essa dúvida dirimida.

Marco Weissheimer
No Sul21
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Nota de Esclarecimento


A Secretaria de Imprensa da Presidência da República (SIP) vem a público prestar os seguintes esclarecimentos:

1. Não é verdadeira a afirmação de que a Presidenta da República tenha responsabilizado a Bolívia pelas cheias que estão castigando os estados do Acre e de Rondônia;

2. Durante a visita que fez sábado (16) a Porto Velho para verificar de perto os estragos causados pelas chuvas e onde anunciou medidas Federais de ajuda àqueles dois estados, a Presidenta foi muita clara ao dizer que as cheias são resultados de um fenômeno climático que elevou, em muito, a quantidade de chuvas nas cabeceiras dos rios que cortam a região;

3. Em sua fala, a Presidenta disse: “ A avaliação nossa é que houve, de dezembro a fevereiro, um fenômeno em cima da Bolívia… mas o que ocorreu ali? Ocorreu uma imensa concentração de chuvas. Nós temos dados de 30 anos. Nesses 30 anos, não houve nenhum momento, nenhuma situação tão grave quanto essa, em termos de precipitação pluviométrica num só lugar”;

4.Para deixar mais clara a sua fala, a Presidenta recorreu à uma fábula: “..E aí eu até disse aqui uma fábula, que vocês conhecem, a fábula do lobo e do cordeiro. O lobo, na parte de cima do rio, olhou para o cordeiro e disse: “Você está sujando a minha água”. O cordeiro respondeu: “Não estou, não, eu estou abaixo de você, no rio”. A mesma coisa é a Bolívia em relação ao Brasil. A Bolívia está acima do Brasil, em relação à água. Nós não temos essa quantidade de água devido a nós, mas devido ao fato que os rios que formam o Madeira se formam nos Andes, ou em regiões altas, se eu não me engano, o Madre de Dios e o Beni”;

5.Como se vê, a fala da Presidenta se ateve a fenômenos climáticos e não geopolíticos.

Secretaria de Imprensa da Presidência da República
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Entenda como funciona a oposição "extraoficial" de Eduardo Cunha


Oficialmente, lidera o PMDB para aprovar os projetos de interesse do governo. Extraoficialmente trabalha para que esses projetos não sejam aprovados

Qualquer pessoa minimamente interessada em política sabe o poder de destruição que tem uma personalidade beligerante quando assume uma função, digamos, de liderança.   

É o caso do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Oficialmente é o líder da bancada do PMDB na Câmara dos Deputados, o segundo maior partido da base aliada que dá sustentação ao governo Dilma no Congresso.

Extraoficialmente é o criador de problemas por excelência: está em contínua queda de braço com a presidenta ou com seus prepostos da mesma base aliada.

Oficialmente deveria liderar a bancada do PMDB para aprovar os projetos de interesse do governo.

Extraoficialmente trabalha exatamente para que esses projetos sejam derrotados e, sempre que possível, que sejam derrotas clamorosas, ruinosas, barulhentas.

Oficialmente deveria estar alinhado com a principal figura do PMDB na atualidade, o vice-presidente Michel Temer.

Extraoficialmente é quem mais cria problemas para o nº 2 da República que, vira e mexe, tem que ir se explicar perante a presidenta Dilma, e gastar imensa energia para apagar os sucessivos focos de incêndio criado pelo correligionário carioca.

Oficialmente deveria manter um mínimo de cooperação e de urbanidade com o partido da presidenta, o PT, e somar esforços com este para produzir matéria legislativa que traduza em ações concretas o plano de governo oferecido à população nas eleições de 2010.

Extraoficialmente comporta-se como macaco em loja de louças, fustigando o presidente do PT, Rui Falcão, infernizando a vida do vice-presidente da Câmara, André Vargas, ironizando e desqualificando os diversos ministros de Estado que, por acaso, sejam petistas de carteirinha.           

Oficialmente deveria trabalhar para abater no nascedouro os escândalos ‘fakes’, artificiais, forjados por uma Oposição capenga para desgastar a imagem do governo junto à população e que sempre contam com a extrema boa vontade de uma mídia tradicional empenhada ela mesma em ter incontestável protagonismo de oposição ao governo.

Extraoficialmente é incansável em fazer articulações para desmobilizar a bancada do PMDB em defesa do governo e em promover factóides que coloquem água no moinho para a criação de Comissões Parlamentares de Inquéritos (CPI), que tanto podem ser sobre a Copa 2014, a Petrobrás, o papel do Itamaraty na crise da Venezuela, as brechas no Mais Médicos, os riscos de apagão, o descontrole da inflação, os empréstimos a Cuba, o uso de aviões da FAB. Ou seja, tudo que poderia ser rapidamente esclarecido acionando as instituições competentes e que existem exatamente para isso, como a Advocacia-Geral da União, a Controladoria Geral da União, a Procuradoria Geral da República, o Ministério da Justiça, a Polícia Federal, o Itamaraty, o Ministério da Saúde, o Ministério da Fazenda, o BNDES, o Ministério das Minas e Energia.

Oficialmente deveria defender dos ataques de uma oposição — sem bandeiras e sem discurso — o governo em que seu partido ocupa a vice-presidência, mantêm em sua órbita de atuação 5 ministérios e milhares de cargos de segundo, terceiro e quarto escalões, incluindo vistosas diretorias em estatais do porte do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES, Petrobras, CHESF, DNIT.

Extraoficialmente se entrega de corpo e alma a apoiar convocação de ministros de Estado, propostas pelo consórcio PSDB-DEM-PPS, com o objetivo básico de gerar desgaste para o governo, que tanto pode ser político, quando de imagem, midiático.

Oficialmente deveria ter uma atuação de líder nos tradicionais moldes que privilegiam a transparência, a sinceridade, o senso de agregação em torno de um ideário ou de uma causa e que prefira a proatividade ao invés do desmesurado reacionarismo.

Extraoficialmente faz questão de atuar nos bastidores, nas articulações que minem, avariem e enfraqueçam a capacidade do governo federal de apresentar iniciativas legislativas condizentes com o anseio da maioria dos brasileiros que elegeu o PT para lhe governar desde as eleições de 2010.

Oficialmente deveria encorajar o surgimento (e fortalecimento) de crescentes pontos de convergência entre os lideres (e suas respectivas bancadas) que integram o imenso arco de partidos que apoiam o governo.

Extraoficialmente trabalha para potencializar as insatisfações individuais dos deputados, exigir de maneira truculenta o pagamento de emendas parlamentares, ridicularizar (sempre que possível) presidentes de partidos que dão suporte ao governo, criar as condições para criar facções, blocos e similares que atravanquem de vez a ação do governo no Congresso.

Oficialmente deveria buscar interlocução preferencial com o governo a que serve e para o qual foi designado líder de bancada, a começar com o azeitamento das comunicações com a presidenta da República e o alinhamento consensual com o vice-presidente da República, fomentar diálogo fácil com demais lideranças do PT e do PMDB, abrir canais de conciliação com lideranças oposicionistas.

Extraoficialmente é imbatível em torpedear esses canais de comunicação, utilizando as redes sociais para mostrar contrariedade, desaprovação, desaforos e frustrações com os rumos do governo, de seu partido e do partido do governo.

Oficialmente deveria blindar o governo de crises artificiais, crises que têm como objetivo prioritário diminuir o imenso apoio político que a presidenta angariou para se lançar a uma campanha reeleitoral com todos os ingredientes para ser vitoriosa ainda no primeiro turno das eleições majoritárias de outubro de 2014.

Extraoficialmente se comporta mais oposicionista que os líderes de bancadas oposicionistas como Antonio Imbassahy (PSDB), Mendonça Filho (DEM), Beto Albuquerque (PSB) e Rubens Bueno (PPS).

Feitas estas considerações, algumas perguntas que exigem urgentes respostas:

1. Além dele próprio, a quem mais serve o líder peemedebista Eduardo Cunha?

2. Quem, nos bastidores, mantêm o deputado Cunha na liderança do PMDB?

3. Será que o PMDB nacional é incapaz de ver o que o Brasil todo vê: Eduardo Cunha é a pessoa menos indicada para as funções de líder de bancada governista?

4. Qual é a pauta de reivindicações do deputado carioca pendente de aprovação do Planalto?

5. Ter um ministério ‘para chamar de seu’?

6. Conseguir a nomeação de meia dúzia de afilhados para ocupar diretorias de importantes empresas estatais?

7. Apoio do governo para voos eleitorais de maior envergadura em sua base política no Rio de Janeiro?

8. Sentimento de frustração com a atuação política de lideranças de seu próprio partido (Michel Temer – Henrique Eduardo Alves – Valdir Raupp – José Sarney - Renan Calheiros)?

9. Ter protagonismo de líder oposicionista visando concorrer como vice de Aécio Neves ou em caso de rompimento de Marina Silva com o PSB, fazer dobradinha com seu xará Eduardo Campos?

10. Por que é tão difícil para o PMDB destituí-lo da liderança de sua bancada na Câmara?

Daniel Quoist
No Carta Maior
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20 anos do dia em que Brizola venceu a Globo

O milagre em que nem a gente acreditava


Hoje, se completam 20 anos do dia em que Cid Moreira, com seu ar afetado e seus cabelos brancos (nem os muito velhos se lembram dele de cabelos pretos…), começou a ler o histórico direito de resposta de Leonel Brizola no Jornal Nacional.

Foi  a penúltima vitória do guri que saiu de Carazinho para enfrentar o mundo, um quixote gaúcho, do tempo em que os gaúchos eram quixotes e provocavam os versos geniais do pernambucano Ascenso Ferreira: Riscando os cavalos!/Tinindo as esporas!/Través das cochilhas!/Sai de meus pagos em louca arrancada!/— Para que?/— Pra nada!

Durante 22, 23 anos, convivi com ele, 19 dos quais diariamente.

Praticamente formei, com ele, a minha vida adulta, pois era um garoto de 22 anos quando esse contato começou, numa reunião num apartamento na Rua Cabuçu, no Lins de Vasconcellos, subúrbio da Zona Norte carioca.

Deste convívio, de muita coisa mantenho reserva.  Sei que estava ao lado de um mito — e via o mito nos raros instantes em que ele conseguia se despir do personagem que poucos minutos lhe deixava viver de outra maneira.

Mas chega a hora em que estes detalhes, que antes serviriam para a intriga e o desmerecimento político, só fazem enriquecer a trajetória de quem era, como ele próprio dizia, “o rei do improviso”.

Porque era assim: se tinha visão estratégica, Brizola não era um calculista, muito menos frio.

As coisas iam acontecendo e ele, certo ou errado, farejava os caminhos, alguns exatos, outros não, mas todos coerentes.

O impacto daquele texto — minto, não do texto, mas de Brizola obrigar a Globo a ler uma mensagem sua — também não teve nada de planejado, mas resultou do inconformismo que ele, com seu exemplo, injetou em alguns de seus companheiros.

Um pouco antes de sua segunda eleição, Brizola passou a ser atacado, sistematicamente, com artigos em O Globo, escritos — ou apenas assinados — por um certo Alcides Fonseca, um ex-deputado estadual eleito do nada pelo PDT e que se bandeou para a oposição a Brizola e, daí, para a poeira da história.

Por orientação do querido amigo Nilo Batista, Brizola passou a pedir, um por um, direito de resposta em O Globo. E, ao pedir, tinha-se já de oferecer o texto, e a tarefa me cabia, porque os anos e anos escrevendo com ele os “tijolaços” me fizeram absorver um pouco do estilo e da alma inconfundíveis.

Dr. Nilo começou a vencer as causas, alguns artigos foram publicados e o “Fonsequinha”, como era chamado,  foi despachado do jornal.

Já no Governo, em 1992, Brizola dá uma entrevista, dizendo que por toda a sabotagem que a Globo fizera à Passarela do Samba, o prefeito da cidade, Marcello Alencar deveria negar à emissora a exclusividade da transmissão do Carnaval.

Foi o que bastou para que o jornal O Globo publicasse um editorial violentíssimo contra Brizola — o título era ”Para Entender a Fúria de Brizola”, acusando-o  de senilidade, “declínio da saúde mental”, e por suas relações, sempre institucionais, com o Presidente da República, Fernando Collor.

À noite, o Jornal Nacional reproduziu, na voz de Moreira, o texto insultuoso.

Naquela noite, Brizola conversou com dois advogados: Arthur Lavigne e Carlos Roberto Siqueira Castro, seu chefe da Casa Civil no governo estadual.

No dia seguinte, Siqueira me chamou e disse que Brizola tinha me encarregado de fazer o texto de resposta, que teria de ser apresentado ainda naquela tarde. Falei com ele, que se mostrou completamente cético em relação ao resultado do pedido judicial e, como fazia quando se sentia assim, despachava o auxiliar: “olha, Brito, você fala com o Dr. Siqueira e façam como acharem melhor.”

Lá fui eu fazer o texto: tinha que ter três minutos, não podia ter “compensação de injúria” — isto é, devolver na mesma moeda os impropérios — e tinha de sair rápido, porque era uma sexta-feira (7 de fevereiro) e havia prazo judicial.

Chamei dois companheiros de velha cepa, que  me auxiliavam na Assessoria de Comunicação do Governo, o Luiz Augusto Erthal e o Ápio Gomes, para cumprirem um dupla função: anotar o que eu ditava e “segurar” a minha “viagem”.

Porque — começo aqui as difíceis confissões, que não são um segredo porque uma boa meia-dúzia de companheiros sabem disso — quando eu tinha de escrever pelo Brizola, eu não escrevia, “incorporava”. Parece coisa de doido? Não, e ele próprio sempre dizia: o bem escrito é o bem falado. E, na hora destes textos carregados, era assim que eu fazia, ditando, falando no ritmo dele, com o milhar de vírgulas e os períodos longos com que se expressava.

Era um exercício extenuante, massacrante, do qual não raro eu saía às lágrimas, mal conseguindo falar, de tão embargada a voz.

Qualquer redator publicitário jogaria fora o que saía disto, e com razão.

Porque não era um texto jornalístico ou publicitário.

Era o Brizola, não eu.

Feito o primeiro texto, mandamos ao Dr. Siqueira que fez algumas correções de bom-senso e um veto.

Eu não podia devolver o “senil” com que Marinho brindara Brizola. Mas isso eu tinha de devolver, ah, tinha.

E aí saiu uma obra de engenharia redacional.

“Quinta-feira, neste mesmo Jornal Nacional, a pretexto de citar editorial de ‘O Globo’, fui acusado na minha honra e, pior, apontado como alguém de mente senil. Ora, tenho 70 anos, 16 a menos que o meu difamador Roberto Marinho, que tem 86 anos. Se é esse o conceito que tem sobre os homens de cabelos brancos, que os use para si.”

Na verdade, eu tinha escrito “encanecidos”, mas o bom-senso do Erthal me travou: pô, Brito, ninguém mais sabe o que é encanecido. É verdade, mas é o que o velho teria dito.

Bem, o texto foi para o Tribunal sem que Brizola lesse o que ele estava “dizendo” na resposta.

Foram dois anos e um mês de espera pela Justiça.

Brizola levantava a sobrancelha, cético, quando Lavigne e Siqueira Castro, teimosos e dedicados,  diziam que íamos ganhar.

Passou tanto tempo que, dos 70, Brizola já tinha 72 anos e Marinho, 88.

No final do dia 9 de março chega a notícia da vitória no Superior Tribunal de Justiça, mas ainda havia um recurso possível e um “notificaram a Globo ou não notificaram?” O ceticismo, confesso, era maior que a ansiedade.

No próprio dia 15, terça da semana seguinte, quando o texto foi ao ar, não críamos — nem eu, nem Brizola — que aquilo iria acontecer.

Tanto que nem montamos esquema algum para gravar o Jornal Nacional, senão o de um videocassete doméstico.

E foi o que se viu e que ficou na história.

Termina o texto, toca o telefone: ‘Olha, Brito, que maravilha. Nós acertamos o tiro no cu de um mosquito”.

E assim foi. Não fiquei aborrecido, ao contrário. Porque era nós, mesmo: era o Brizola introjetado em mim que escrevera.

Elogio mesmo — e maior não poderia haver — foi o de Roberto Marinho, falando ao querido amigo Neri Victor Eich, da Folha, por telefone, no mesmo dia do terremoto:

“Que nunca mais se reproduza isso. O direito de resposta teve o tom de Brizola.”

Teve sim.

Foi a última vitória de Brizola, em vida e em memória, despertando consciências que não se acovardam, não se ajoelham e não gaguejam, como a dele, a minha e a sua.

Até hoje, a não ser pelos testemunhos dos personagens desta história, a ninguém tinha revelado estes detalhes. Faço-o agora, porque já são história e porque só aumentam o tamanho de um homem a quem eu devo grande parte do que sou.

Um homem que era tão grande que  estar à sua sombra foi também — e é para sempre —  estar sob sua luz.


Direito de Resposta

‘Todos sabem que eu, Leonel Brizola, só posso ocupar espaço na Globo quando amparado pela Justiça. Aqui citam o meu nome para ser intrigado, desmerecido e achincalhado perante o povo brasileiro.

Quinta-feira, neste mesmo Jornal Nacional, a pretexto de citar editorial de ‘O Globo’, fui acusado na minha honra e, pior, apontado como alguém de mente senil.

Ora, tenho 70 anos, 16 a menos que o meu difamador Roberto Marinho, que tem 86 anos. Se é esse o conceito que tem sobre os homens de cabelos brancos, que o use para si.

Não reconheço à Globo autoridade em matéria de liberdade de imprensa, e basta para isso olhar a sua longa e cordial convivência com os regimes autoritários e com a ditadura de 20 anos, que dominou o nosso país.
Todos sabem que critico há muito tempo a TV Globo, seu poder imperial e suas manipulações. Mas a ira da Globo, que se manifestou na quinta-feira, não tem nenhuma relação com posições éticas ou de princípios. É apenas o temor de perder o negócio bilionário, que para ela representa a transmissão do Carnaval.

Dinheiro, acima de tudo.

Em 83, quando construí a passarela, a Globo sabotou, boicotou, não quis transmitir e tentou inviabilizar de todas as formas o ponto alto do Carnaval carioca. Também aí não tem autoridade moral para questionar. E mais, reagi contra a Globo em defesa do Estado do Rio de Janeiro que por duas vezes, contra a vontade da Globo, elegeu-me como seu representante maior.

E isso é que não perdoarão nunca.

Até mesmo a pesquisa mostrada na quinta-feira revela como tudo na Globo é tendencioso e manipulado. Ninguém questiona o direito da Globo mostrar os problemas da cidade. Seria antes um dever para qualquer órgão de imprensa, dever que a Globo jamais cumpriu quando se encontravam no Palácio Guanabara governantes de sua predileção.

Quando ela diz que denuncia os maus administradores deveria dizer, sim, que ataca e tenta desmoralizar os homens públicos que não se vergam diante do seu poder.

Se eu tivesse as pretensões eleitoreiras, de que tentam me acusar, não estaria aqui lutando contra um gigante como a Rede Globo.

Faço-o porque não cheguei aos 70 anos de idade para ser um acomodado.

Quando me insulta por nossas relações de cooperação administrativa com o governo federal, a Globo remorde-se de inveja e rancor e só vê nisso bajulação e servilismo. É compreensível: quem sempre viveu de concessões e favores do Poder Público não é capaz de ver nos outros senão os vícios que carrega em si mesma.

Que o povo brasileiro faça o seu julgamento e na sua consciência lúcida e honrada separe os que são dignos e coerentes daqueles que sempre foram servis, gananciosos e interesseiros.’

Leonel Brizola

Fernando Brito
No Tijolaço
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As reeleições de Lula e Dilma

Poucos se lembram, mas o ex-presidente enfrentou maiores dificuldades em 2006

Em 2006, Lula sempre liderou as pesquisas, mas a reeleição
só se tornou uma ideia sólida no final da campanha 
Renato Araujo / ABr
Existem muitas diferenças e algumas semelhanças entre os primeiros mandatos de Lula e Dilma Rousseff. No plano eleitoral, essas são especialmente visíveis no modo como chegaram ao quarto ano e ao início do processo sucessório.

A vitória de Lula em 2006 foi tão significativa e o segundo mandato tão consagrador que tendemos a esquecer as dificuldades que o ex-presidente atravessou naquele ano. Ele sempre liderou as pesquisas, é verdade, e o governo manteve-se majoritariamente aprovado ao longo do período, mas sua posição só se tornou confortável nos últimos meses.

Se tomássemos como estava no fim de fevereiro, constataríamos um quadro nada tranquilizador. O governo tinha uma avaliação positiva de 37%, maior que a negativa, de 22%, mas menor que a soma daqueles que o consideravam “regular”, 39%, segundo dados do Datafolha.

Essa falta de entusiasmo em relação ao governo se manifestava nas intenções de voto: na mesma pesquisa, Lula obtinha 39% na lista em que José Serra, com 31%, aparecia então como a opção do PSDB. Os demais candidatos totalizavam 16%. A chance de o petista vencer no primeiro turno era quase nula.

Nos levantamentos subsequentes, a vantagem de Lula sobre os concorrentes ampliou-se, mas muito pelo fato de Geraldo Alckmin ter sido o escolhido para representar os tucanos. Em março, o ex-presidente tinha 42% e o paulista alcançava 23%. No mês seguinte, a diferença entre os dois permaneceu idêntica. Lula só chegou à marca de 45% em maio, quando deixaram de ser pesquisados os nomes de possíveis candidatos do PMDB, após o partido decidir não lançar um nome.

Como se vê, foi lenta a ascensão de Lula, e deveu-se mais a movimentos internos do sistema político do que ao crescimento do apoio popular à candidatura.

A razão, provavelmente, era a avaliação do governo. Pois, se é fato que os números de fevereiro (embora não fossem maravilhosos) mostrassem expressiva recuperação em relação a dezembro, os meses seguintes foram de interrupção da tendência de melhora.

No fim de 2005, o governo Lula havia chegado a seu pior momento: apenas 28% dos entrevistados o avaliavam positivamente, abaixo dos 29% que o reprovavam. Recompôs-se e foi a 37% em fevereiro. Mas lá empacou: 38% em março, 37% em abril, 39% em maio, 38% em julho. Parecia incapaz de voltar ao patamar de 45%, onde estivera em dezembro de 2004.

Quem acompanha as pesquisas atuais percebe a semelhança com o momento atual. As quatro fases pelas quais Lula passou entre meados de 2005 e a pré-campanha de 2006 repetem-se com Dilma. A presidenta estava em seu máximo no começo de 2013, perdeu boa parte da popularidade entre junho e julho, recuperou-se em agosto, mas sem voltar aos níveis anteriores ao “derretimento”, e parou de melhorar de lá para cá. Sua avaliação e intenção de voto estão “congeladas” desde setembro. O mesmo padrão do ocorrido com Lula.

Em 2006, houve, porém, uma nova fase, inaugurada quando foi dada a largada efetiva da campanha. Mais especificamente, a partir de agosto, ao começar a propaganda eleitoral na televisão e no rádio. Foi somente quando Lula teve acesso aos meios de comunicação de massa, para mostrar seu trabalho e defender o governo, que as condições de competição se tornaram menos desequilibradas. A intensa campanha da mídia antipetista contra ele e o governo não cessou, mas outro discurso pôde ser exposto aos eleitores.

A avaliação positiva foi a 45% em agosto, 46% no início e 49% no fim de setembro. Continuou a crescer em outubro e chegou a 53%, superior à alcançada por qualquer presidente que o antecedeu, em qualquer momento (dados sempre do Datafolha).

E Lula venceu a eleição.

A lembrança do acontecido em 2006 serve para deixar menos ansiosos aqueles que apoiam a reeleição de Dilma. Tudo considerado, o fato de ela “ter parado de subir” desde agosto de 2013 não parece ser problema grave.

Inversamente, serve para diminuir as esperanças da oposição. Não são apenas Aécio Neves e Eduardo Campos que podem se beneficiar da propaganda eleitoral. Na verdade, como vimos nas disputas pela reeleição, tanto com Fernando Henrique Cardoso em 1998 quanto com Lula em 2006, quem está no governo tende a crescer, pois possui obras a apresentar e argumentos concretos para convencer os eleitores.

Ainda mais quando, como Dilma neste ano, lidera uma coalizão que lhe assegura abundante tempo de televisão.

Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
No CartaCapital
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Desmemórias

Minha geração e suas vizinhas, de baixo e de cima, têm dado provas agudas de falta de memória histórica. Os 50 anos do golpe de 64 solicitam de suas restantes testemunhas o que, pelo já visto a outros propósitos, tais gerações parecem não dispor no volume e na qualidade devidos, senão obrigatórios.

Mas, com pesar pela má palavra, a efeméride provoca um agravamento que assombra: às torções de memória, em uns, junta-se o não sei o quê de inúmeros historiadores, cientistas políticos, antropólogos e outros. O resultado, pelo que li e ouvi em parte de mesas redondas, é uma ininteligível balbúrdia de ficção, imprecisões e, se há acadêmicos, presunção.

Vivi e convivi intensamente aqueles anos, talvez moço demais para viver por dentro muitas das situações extraordinárias, até por dirigir um jornal da importância incomparável do "Correio da Manhã" então. Quando do golpe, estava montando, já bem adiantado, um novo e inovador jornal, cujo acionista majoritário era Mario Wallace Simonsen, dono da TV Excelsior que revirou a TV no Brasil e coproprietário da grande Panair, usurpada por uma transa de militares e golpistas civis, e dividida entre a Varig e a própria FAB. Contra muitas opiniões, inclusive a de Simonsen, sustei de imediato a montagem do jornal, convencido de que os militares, daquela vez, vinham para dominar por bastante tempo e a qualquer custo. Muitas de nossas vidas se puseram de cabeça para baixo.

Agora, nos 50 anos, preferi a posição de leitor/ouvinte. As montagens picotadas do que se diz, entremeadas das falas de outros, predominam aqui com uma ligeireza que embaralha o relato factual ou impede a exposição de uma linha de pensamento. Escrever neste espaço (há também um livrinho em estado fetal) seria lógico, não fora o fato de que a ocasião estimula uma profusão de articulistas e a discussão agressiva, em vez do debate, vem a ser inevitável. Estou sem oxigênio para esse clima.

Pode ser difícil esperar que a onda passe para tentar uma contribuição contra o mais impróprio. Já nestes dias, uma tal "guinada de Jango com o comício do dia 13", em texto baseado no trabalho de um professor/historiador, deforma os fatos históricos. O comício foi um ato a mais no processo que se desenvolveu sem guinada alguma de Jango e de suas forças sindicais e partidárias. Se não se entender os processos retilíneos e paralelos, nada se entenderá da formação e da execução do golpe. E da sua instituição como poder.

O Derrotado

Dilma Rousseff jamais desejaria uma comissão da Câmara para investigar a Petrobras, nem a convocação de ministros para depor aos deputados. Mas derrota, mesmo, quem sofreu com essas decisões propostas e efetivadas pelo PMDB foi o vice-presidente Michel Temer.

Ele era o PMDB no segundo cargo da hierarquia governamental. Tomaram-lhe o controle da bancada na Câmara e lhe impuseram duas medidas a que se opôs, com o que seria sua autoridade partidária, mais do que Dilma Rousseff. Se a atitude da bancada prosperasse, até mesmo a presença de Michel Temer na chapa de reeleição presidencial perderia razão de ser.

Em Falta

O ex-deputado Plínio de Arruda Sampaio, em entrevista à coluna Mônica Bergamo, disse sobre José Dirceu: "Este roubou mesmo". Plínio tem belo passado parlamentar e toda uma história de seriedade. Nunca se soube, porém, que José Dirceu, mesmo sendo o alvo predileto que é, pudesse ser acusado de roubo. No STF, que Plínio depois invocou, foi acusado de corrupção ativa, sendo-lhe atribuída a política de aquisição de apoios parlamentares. Não peculato, nem lavagem de dinheiro ou qualquer apropriação.

Plínio Sampaio recomenda ao candidato do seu PSOL à Presidência que seja moralmente agressivo. À orientação polêmica, falta acrescentar o exemplo de quem fundamenta ou explica a acusação feita, o que é dívida também com todos que o têm respeitado.

Janio de Freitas
No fAlha
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Um guia para entender o referendo na Crimeia

Votação na Crimeia

Os cidadãos da Crimeia vão votar neste domingo se querem que a república autônoma se separe da Ucrânia e se junte à Rússia.

O correspondente da BBC Ben Brown, que está na capital da Crimeia, Simferopol, presenciou um alto comparecimento às urnas, com 100 pessoas chegando nos primeiros dez minutos após após a abertura dos locais de votação.

A votação começou às 8h (horário local; 3h de Brasília) e deve ser encerrada 12 horas depois.

Cerca de 1,5 milhão de pessoas estão aptas para votar, e os primeiros resultados devem ser conhecidos pouco tempo depois do término do referendo.

A Ucrânia e o Ocidente classificaram o referendo de “ilegal” e afirmaram que ele está sendo realizado sob “ameaças”, mas a Rússia o apóia.

Conheça abaixo as principais questões relacionadas ao referendo nesta lista de perguntas e respostas preparadas pela BBC:

Por que o referendo vai acontecer?

O Parlamento da Crimeia tem um primeiro-ministro aliado da Rússia e aprovou a separação da Ucrânia, após a derrubada do presidente ucraniano Viktor Yanukovych por manifestantes pró-Ocidente e nacionalistas neonazistas. O referendo foi planejado para mostrar o apoio público à decisão.

O Parlamento diz que precisa proteger os cidadãos da Crimeia dos “extremistas” que chegaram ao poder no governo central em Kiev e agora ameaçariam seu estilo de vida e seu direito de falar a língua russa.

Mas o novo governo em Kiev diz que o referendo está sendo realizado para legitimar a presença das tropas russas na Crimeia e a anexação da república pela Rússia.

O que as pessoas verão nas cédulas de votação?

Há duas questões sendo colocadas em votação: 1. Você é favorável a que a República Autônoma da Crimeia se una novamente à Rússia como parte constituinte da Federação Russa? 2. Você é favorável a restaurar a Constituição da República da Crimeia de 1992 e a condição da Crimeia como parte da Ucrânia?

Entretanto, as regras do referendo não estabelecem se há um número mínimo de votos necessários para que o resultado seja implementado.

O que diz a Ucrânia?

A Ucrânia defendeu o boicote à votação e disse que o referendo é ilegal.

O presidente interino da Ucrânia, Oleksandr Turchynov, anulou a decisão do Parlamento da Crimeia de realizar a votação e o Parlamento da capital dissolveu o legislativo da península.

As autoridades ucranianas emitiram ordens de prisão contra o presidente do Parlamento da Crimeia, Volodymyr Konstantynov, e o primeiro-ministro, Sergei Aksyonov, sob a acusação de tentar tomar o poder do Estado. Mas como as forças russas controlam a Crimeia, a Ucrânia não está em condições de impedir a realização do referendo.

O que o resto do mundo pensa?

Líderes ocidentais classificaram o referendo de ilegal. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chamou a votação de “apressada” e disse que ela “ignora” a Constituição.

Os líderes do G7, o grupo das sete nações mais industrializadas do mundo, disseram que não reconhecerão o resultado da votação. Mas o presidente da Rússia, Vladimir Putin, diz que o referendo está “baseado na lei internacional”.

O Parlamento russo diz que vai respeitar o resultado da votação e está considerando um projeto para permitir a admissão de partes de um Estado estrangeiro à Rússia.

Moscou vetou a adoção pelo Conselho de Segurança da ONU de uma resolução criticando o referendo, mas acabou isolada no organismo.

Quem pode votar?

De acordo com as regras provisórias aprovadas pelo Parlamento da Crimeia, os cidadãos ucranianos com 18 anos ou mais e registrados como residentes na Crimeia podem votar.

Eles precisam mostrar um passaporte ucraniano ou outra forma de documento de identificação emitido pelo serviço de imigração.

As regras do referendo não fazem menção aos passaportes russos. Alguns moradores da Crimeia teriam tanto passaportes ucranianos quanto russos, em desacordo com a lei ucraniana.

Mas a Ucrânia impediu o acesso das autoridades da Crimeia aos registros de eleitores, então as listas terão que ser compiladas pelos governos regionais da Crimeia.

Que tipo de campanha foi feita?

Os cidadãos da Ucrânia registrados na Crimeia são “livres para discutir as questões do referendo” e para fazer campanha em público, de acordo com as regras.

Mas a campanha tem sido quase que inteiramente do lado pró-Rússia, comumente mostrando suásticas para se referir às autoridades em Kiev como neonazistas.

Pouco após a convocação do referendo, os canais de TV ucranianos foram removidos tanto das redes de TV a cabo quanto da TV aberta na Crimeia. Alguns deles foram substituídos por estações russas.

Também há relatos de violência contra ativistas pró-Ucrânia.

Haverá observadores internacionais?

O Parlamento da Crimeia convidou formalmente monitores da OSCE (Organização para Segurança e Cooperação na Europa), mas a entidade não tem planos de enviar nenhum observador por considerar a votação ilegal.

Observadores militares da OSCE já foram impedidos de entrar na Crimeia – no dia 8 de março, soldados pró-Rússia dispararam tiros de advertência ante à aproximação dos observadores de um posto de checagem.

A Rússia pretende enviar 24 deputados para observar o referendo, além de oito funcionários do órgão eleitoral para acompanhar a votação.

Qual deve ser o resultado?

Com as forças pró-Rússia controlando firmemente a Crimeia politicamente e militarmente, os resultados parecem destinados a aprovar a incorporação da Crimeia à Rússia.

O presidente do Parlamento da Crimeia, Volodymyr Konstantynov, diz que é meramente uma questão de “legalizar” a opinião que já é conhecida. “Não haverá surpresas. Nem tenham esperança”, disse ele à TV ucraniana.

A população de origem étnica russa compõe a maioria da população da Crimeia (58%), de acordo com o último censo, que foi feito há 13 anos. Os ucranianos são 24%, e os tártaros compõem 12% da população.

A comissão do referendo deve anunciar o resultado em até dez dias após a votação.
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Veja prepara mais um assassinato de reputação


Recebo telefonema do promotor Roberto Tardelli. Foi o mesmo que atuou no caso Suzane Richthofen. Seu filho está prestes a se tornar mais uma vítima de assassinato de reputação pela revista Veja.

Tardelli conhece os métodos da revista. No caso Suzane, foi o único veículo que colocou em sua boca declarações que jamais deu, frases que jamais proferiu. Na época, foi informado por jornalistas da própria revista que a culpa não foi do repórter, mas do editor que jogou as frases para dar mais molho à matéria.

O filho tornou-se alvo por fazer parte dos Advogados Ativistas, um grupo de jovens advogados que decidiu dar apoio jurídico a manifestantes (www.advogadosativistas.com).

Na última manifestação em São Paulo, apoiaram inclusive 15 jornalistas detidos. E encaminharam a um hospital uma repórter de O Globo que teve o braço quebrado — fato não noticiado pela mídia.

São jovens idealistas, conta Tardelli, empenhados em melhorar o mundo, como todo jovem. Andam de ônibus, comem sanduíches, enquanto atravessam a fase mais bonita da vida, a do idealismo de jovens.

Por sua atuação nas manifestações, entraram na mira da Veja. Tardelli foi alertado por outros jornalistas sobre os telefonemas que a repórter da revista deu a colegas, para buscar informações. Foi entrevistado inclusive um advogado, policial aposentado, que faz parte de uma das comissões da OAB-SP e foi desautorizado pelo próprio presidente da Ordem.

Pelo relato dos jornalistas, virá matéria pesada, criminalizando a atuação dos jovens advogados, colocando-os como integrantes dos Black Blocs e — pior — expondo-os a direitistas fanáticos que hoje pululam nas redes sociais.

A família inteira aguarda com o coração na mão o que virá amanhã da revista. Para Tardelli, não há dúvida de que a Veja há muito ultrapassou as fronteiras que limitam a atuação jornalística.

Luis Nassif

A reposta dos advogados ativistas

Nassif, segue a resposta dos Advogados Ativistas, postado no perfil deles no facebook:

A revista Veja entrou em contato com os Advogados Ativistas para que fosse concedida uma entrevista. Apesar de ter sido avisado que não falamos com este veículo de comunicação, a publicação insistiu e nos mandou algumas perguntas, deixando claro que a matéria sairá com ou sem as nossas respostas.

Os jornalistas que realizam um trabalho sério têm a nossa admiração e respeito, o que se traduz na ótima relação do grupo com eles. Porém, é intolerável que publicações mal intencionadas queiram, mais uma vez, desinformar, mentir e difamar aqueles que realizam trabalhos relevantes.

Portanto, achamos por bem responder publicamente as perguntas que nos foram enviadas, para que uma possível matéria que cite o Advogados Ativistas já tenha seu contraponto. Segue abaixo:

Veja: Como surgiram os Advogados Ativistas?

AA: Advogados Ativistas sempre existiram, apenas uma parte deles se uniu.

Veja: Há lideranças?

AA: Não.

Veja: Quais são as causas mais emblemáticas pelas quais o movimento já lutou desde junho de 2013?

AA: Principalmente a defesa da Democracia e da Constituição, as quais vêm sendo incessantemente violadas.

Veja: Quais são suas bandeiras?

AA: Não carregamos bandeiras.

Veja: O que é necessário fazer para participar? 

AA: Não ser leitor da Veja é um bom começo.

Veja: Hoje há quantos advogados ativistas?

AA: O suficiente.

Veja: Os senhores atuam apenas em São Paulo ou em outras cidades brasileiras? Se sim, em quais?

AA: Através da internet somos capazes de levar informação para qualquer lugar.

Veja: Em redes sociais do grupo há publicações, como fotos de protestos em cidades como o Rio de Janeiro. Vocês viajam para atuar em causas fora da cidade?

AA: Advogados Ativistas possuem amigos em muitos lugares. Se for preciso viajar, viajaremos.

Veja: Como vocês se mantém?

AA: Somos advogados, ora.

Veja: Quanto tempo do dia se dedicam ao ativismo?

AA: Não o quanto gostaríamos, mas quando o fazemos a dedicação é total.

Veja: Pode definir o conceito de advocacia “pro bono”?

AA: É a advocacia gratuita para o bem do povo. Bastava jogar no Google, essa foi fácil. 

Veja: Quais os obstáculos que enfrentam para garantir o direito de ampla defesa dos manifestantes?

AA: A Veja, por exemplo, é um dos obstáculos, pois criminaliza qualquer forma de pensamento diferente do seu. 

Veja: Os senhores declararam que sofreram intimidação na OAB-SP no último protesto em São Paulo, de que forma isso aconteceu?

AA: Sofremos intimidação de um grupo inexpressivo, o qual falou indevidamente em nome da classe. Como explicado pelo Presidente da Ordem, a atitude destes não reflete o pensamento da entidade. Assunto superado.

Veja: Advogados ativistas já deram declarações de que a OAB-SP não está cooperando com o trabalho de vocês e se portando de maneira governista. Como é a relação entre os senhores e a entidade? Os senhores publicaram um artigo afirmando que a entidade criminaliza a ação de vocês. De que maneira isso acontece?

AA: A política de relação com outros grupos ou entidades é discutida internamente. No entanto, informamos que o Presidente da OAB/SP, em conjunto com o Presidente da Comissão de Prerrogativas, apresentaram nota pública em defesa de nosso trabalho, disponibilizando, inclusive, amparo emergencial caso cada um de nós tivesse seu ofício prejudicado.

Veja: Os senhores já receberam honorário de algum cliente que atenderam nas manifestações?

AA: Não visamos lucro algum, mas podemos começar a receber quando a Veja informar quem paga a tal "Bolsa Manifestação".

Veja: Quais são as principais orientações do Manual do Manifestante? Por quais mudanças ele já passou desde a primeira versão?

AA: O Manual está disponível na página do Advogados Ativistas e é de fácil compreensão. Recomendamos a leitura.

Veja: Os senhores declararam que já sofreram ameaças de morte. Pode descrever em quais situações e como essas ameaças se deram?

AA: A investigação está em andamento. É um trabalho para a polícia.

Veja: Os senhores foram apontados como advogados de Humberto Caporalli e Fabricio Proteus, apontados pela policia como adeptos à tática black bloc. Qual a posição dos senhores sobre os black blocs?

AA: Não generalizamos estereótipos e tão pouco criamos inimigos fictícios, isso é trabalho da Veja.

Veja: Na confusão das manifestações e porta de delegacias, é possível distinguir os manifestantes adeptos e não adeptos da tática black blocs?

AA: Não entendemos no que se aplica ao grupo esta pergunta.

Veja: Os senhores prezam pelo direito de se manifestar e defendem todos sem restrições?

AA: Ao contrário do que algumas pessoas (e a Veja) pregam, de acordo com a Constituição todos tem Direito a Defesa. Veja só que coisa (com o perdão do trocadilho).

Veja: Já se recusaram a defender algum manifestante?

AA: Nunca, inclusive se algum repórter da Veja for preso em alguma manifestação pode nos contatar que iremos defendê-lo, já que o direito de defesa é para todos, mesmo que este veículo propague o contrário.

Fernando Souto
No GGN
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