9 de mar de 2014

Para julgar se o Google paga o imposto justo no Brasil é preciso saber o quanto a Globo paga

O Brasil demorou a se mexer para cobrar satisfações do Google — um dos casos mais notórios de sonegação de impostos no mundo moderno.

O DCM escreveu várias vezes sobre os esforços tenazes de governos de países como Estados Unidos, Inglaterra e França para acabar com a farra fiscal do Google.

A França está processando o Google. Pede uma reparação de 1 bilhão de euros.

Calcula-se que o Google fature na França, sobretudo com anúncios, cerca de 1,5 bilhão de euros, uns 4 bilhões de reais.

Em 2012, o Google pagou a miséria de 6,5 milhões de euros em impostos na França. Fez o que faz em toda parte: canalizou o grosso do faturamento para paraísos fiscais.

Importante: o Google não é um delinquente fiscal solitário. Muitas multinacionais fazem exatamente o mesmo, e hoje enfrentam problemas de imagem e de justiça em muitos países por isso. Apple, Starbucks, Microsoft e Amazon são algumas delas.

O que o governo brasileiro está fazendo de errado, fora a eterna falta de transparência quando se trata de imposto: não são fornecidos números que permitam ver o tamanho do suposto golpe que o Google está aplicando.

Ficamos agora sabendo — e pelo próprio Google, o que é uma aberração, uma vez que a informação tinha que vir à luz pela Receita — que o Google pagou 733 milhões de reais em impostos em 2013.

É pouco? É muito? É justo?

Isto só se sabe quando se tem o faturamento da empresa. Pode ser muito, e pode ser nada. Sem referência, é um número jogado no ar, ao acaso.

A indústria da mídia calcula que o Google no Brasil já é o número dois em receita publicitária, atrás apenas da Globo.

Fala-se em 3 bilhões de receita anual para o Google. Se é isso, o Google estaria pagando pouco mais de 20% de imposto no Brasil.

Importante: você só sabe se isso é muito ou pouco se, primeiro, conhece as leis e, dois, tem ciência de quanto os demais pagam.

Por isso, para que este debate não seja uma conversa nas nuvens, os brasileiros têm que saber — é um caso de enorme interesse público — quanto o líder paga.

A Globo bate recorde após recorde em receita de propaganda mesmo com uma audiência que despenca vistosamente.

Em 2013, ela faturou mais de 12 bilhões de publicidade.

Quanto pagou?

Enquanto não se souber isso, não haverá como avaliar a qualidade dos impostos pagos pelo Google.

No Brasil dos privilégios, a questão fiscal é protegida por um sigilo do qual a guardiã é uma velha amiga da Globo, a Justiça.

O governo, se quiser lidar com o caso do Google com seriedade, tem que quebrar este sigilo no caso da Globo.

Terá coragem para isso?

Adoraria dizer que sim, num rasgo de otimismo.

Mas num ano eleitoral, e com o medo que caracteriza a relação do PT com a Globo, fico com Wellington: quem acredita que o imposto pago pela Globo virá à luz acredita em tudo.


PS — Nos sentimos recompensados ao ver, na página da Globo na Wikipédia, que as dúvidas em relação à lisura fiscal da empresa tinham como base um texto do DCM.

Paulo Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Choque de gestão em MG esbarra em endividamento


Jornalista Leandro Mazzini, do blog Coluna Esplanada, do portal UOL, afirma que enquanto o governador Antônio Anastasia (PSDB) tem rodado o país para palestrar sobre eficiência administrativa, o Estado que ele administra, Minas Gerais, acumula atualmente R$ 19 bilhões em empréstimos com bancos de fomento nacionais e internacionais e R$ 67,4 bilhões na dívida com a União, sendo o segundo Estado mais endividado do país; para o colunista, situação financeira complexa pode ser problema para o Estado que é a principal vitrine do presidenciável Aécio Neves

Enquanto o governador Antônio Anastasia (PSDB) tem rodado o país para palestrar sobre eficiência administrativa, o Estado que ele administra, Minas Gerais acumula atualmente R$ 19 bilhões em empréstimos com bancos de fomento nacionais e internacionais e R$ 67,4 bilhões na dívida com a União, sendo o segundo Estado mais endividado. A informação é do jornalista Leandro Mazzini, do blog Coluna Esplanada, do portal UOL (aqui).

Ele afirma que "o chamado choque de gestão, cunhado na administração de Aécio, livrou o Estado da moratória deixada pelo antecessor, Itamar Franco, zerou as contas e dívidas, mas deixou o governo na trilha da armadilha para estas situações: escancarou a maior capacidade de endividamento no Brasil e exterior", diz. Ele ressalta que "com baixa arrecadação, o governo teve de recorrer a empréstimos seguidos". Ano passado, fonte do Tesouro Nacional revelou que Anastasia comentara com o secretário do Tesouro, Arno Augustin, que não sabia como pagaria o 13º. "De algum modo o governo se virou e o benefício saiu", afirma o colunista. Segundo ele, tal situação "pode se tornar risco para a campanha de Aécio Neves a presidente".

No 247
Leia Mais ►

A mula manca

“Sassaricando”, o musical das marchinhas de carnaval reunidas por Rosa Maria Araújo e Sérgio Cabral (rima intencional), continua um sucesso e ainda não entrou em recesso (outra!).

É um espetáculo para ser visto mais de uma vez, que eu mesmo vi três (outra!). Incluindo a versão infantil, linda, com a Lucinda (chega). Além da boa música, bem interpretada, “Sassaricando” é um tratado sociológico involuntário, o retrato de um certo Brasil — o Brasil de antes do duplo sentido.

A não ser para quem vê algum tipo e alusão erótica na perna de pau do pirata — e, claro, no próprio verbo “sassaricar” — todas as marchinhas de antigamente são de uma inocência límpida. O que não falta em muitas delas é o que hoje se chamaria de incorreção política.

Uma declara que a única coisa a fazer com mulher feia é matá-la, uma espécie de eutanásia que, supostamente, qualquer delegado ou juiz da época entenderia. Várias outras fazem a apologia da bebida em excesso e brincam com o vício do alcoolismo, glorificando a danada da cachaça, que ninguém quer que lhe falte.

A homofobia entrou no mundo das marchinhas antes de o termo se tornar conhecido: a cabeleira do Zezé só podia significar uma coisa, visto que ele não era nem bossa nova nem Maomé. Que cortassem o cabelo do veado. E o que dizer da Maria Sapatão, que de dia era Maria e de noite era João? Cantava-se tudo isso sem medo de reprimenda ou revide. Que ninguém, naquele Brasil, entenderia.

Não sei quando a inocência começou a acabar. A Rosa Maria e o Sérgio preferiram não incluir, que eu me lembre, nenhum exemplo da transformação. Talvez ela tenha começado com a “Índio quer apito”, uma anedota musicada sobre o que o índio exigia da madame com incontinência flatulosa.

Não sei se antes ou depois apareceu uma marchinha que dizia “Não importa que a mula manque, o que eu quero é rosetar”. Foi a música mais cantada do carnaval de não me pergunte quando.

O que queria dizer a mula manca? E, especialmente, o que era “rosetar”? Recorrer ao dicionário não adiantava. O Aurélio dizia que “roseta” era um tipo de espora. O “rosetar” da música seria, então, usar as esporas nos flancos, presumivelmente da mula manca, para fazê-la andar.

Uma explicação que não satisfazia. Que estranha ambição seria aquela, de impelir um pobre animal claudicante com esporas? Mas “arrá”, diziam os mais sabidos. Quem não entendia o que era “rosetar” ainda não tinha vivido.

O que a marchinha significava era que nada, nem uma “mula manca” — duplos sentidos à vontade — impediria que a partir de então se rosetasse sem parar no país. Há quem date daí o nascimento do Brasil moderno.

Luis Fernando Veríssimo
Leia Mais ►

O México impõe um golpe histórico à Televisa

A agência reguladora de telecomunicações obriga a empresa a compartilhar sua infraestrutura com outras companhias e a proíbe de transmitir com exclusividade eventos como Copas e Olimpíadas


México licita pela primeira vez duas novas cadeias de televisão

O mais importante grupo de meios de comunicação em língua espanhola, o Grupo Televisa, recebeu um duro golpe em seu país de origem. A agência reguladora mexicana declarou oficialmente a empresa como sendo o agente econômico preponderante do setor televisivo, o que a obriga a adotar várias medidas para reduzir seu poder em prol dos concorrentes. A Televisa controla atualmente 70% do seu mercado.

A decisão foi conhecida no mesmo dia em que o Instituto Federal de Telecomunicações (Ifetel) publicou no Diário Oficial da Federação a licitação de duas novas redes nacionais de TV aberta. Trata-se de uma antiga reivindicação do setor, a qual pode causar uma reviravolta no panorama televisivo do país, até agora nas mãos da Televisa e da TV Azteca (que controla os 30% restantes).

As medidas com as quais a Televisa terá de arcar, informadas pela própria empresa em comunicado à Bolsa mexicana, incluem a proibição de oferecer com exclusividade conteúdos “que no passado geraram altos níveis de audiências”, como torneios nacionais de futebol, finais de Copas do Mundo ou Olimpíadas. A empresa também deverá compartilhar sua infraestrutura com outros concorrentes através de uma tarifa pública e negociada, a qual, caso não haja acordo entre as partes, será fixada em última instância pelo organismo regulador.

O Instituto exigiu que a Televisa ofereça toda a informação que lhe for solicitada, incluindo sobre tarifas publicitárias. Além disso, as operadoras de TV paga da concorrência terão o direito de retransmitir gratuitamente os sinais da televisão aberta do grupo.

“Todas essas resoluções e ações do IFT afetam o Grupo Televisa em muitas áreas relacionadas aos seus negócios de radiodifusão e de pagamento, por isso avaliaremos o alcance e impacto em cada caso, em seus resultados de operação, atividades e negócios”, diz a companhia no comunicado. “Vamos analisar com atenção qualquer ação ou medida (legal, de negócios ou de outra natureza) que o grupo deva tomar”, acrescenta.

O órgão regulador também investiga há meses a empresa América Móvil, propriedade do magnata Carlos Slim, mas até o momento se desconhece a resolução sobre o maior grupo de telefonia móvel da América Latina. Como agente preponderante se entende aquelas empresas que controlam mais de 50% do seu setor ou que por seu peso no mercado impõem suas próprias regras de negócio ao resto dos concorrentes. A América Móvil, através da sua empresa de telefonia fixa e de internet Telmex, tem uma quota de 84% de seu mercado e com a empresa de telefonia celular Telcel controla 70% dessa área, com mais de 70 milhões de clientes.

Tanto a América Móvil como Televisa são de propriedade de dois mexicanos que integram a lista Forbes dos homens mais ricos do planeta. Carlos Slim, até este ano o homem mais rico do mundo, ocupa agora o segundo lugar com uma fortuna de 72 bilhões de dólares (168,54 bilhões de reais). Emilio Azcárraga, proprietário do Grupo Televisa, é o número 663, graças aos seus 2,6 bilhões de dólares (6,06 bilhões de reais)

A ação do Instituto regulador contra ambos os grupos é o primeiro passo da reforma das Telecomunicações e impulsionada no ano passado pelo presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, ao qual seus críticos batizaram durante a campanha eleitoral como “o candidato de Televisa”, pelo suposto apoio que teria recebido dessa emissora de televisão. A lei, que incluiu uma reforma constitucional, foi aprovada em junho de 2013 e contou com o apoio dos principais partidos da oposição, PAN (de direita) e PRD (de esquerda). Entretanto, o andamento da histórica reforma que poderia mudar o panorama das telecomunicações foi mais lento do que o esperado e a reforma continua paralisada, embora tivesse de ser aprovada antes do dia 9 de dezembro.

No El País
Leia Mais ►

Brasileiro de fato só pode gostar da Copa

Uma das maiores dificuldades do brasileiro é aceitar o Brasil como ele é: quente, úmido e tropical, dentre outras coisas. O próprio brasileiro não aceita ser brasileiro. Não são todos assim, graças a Deus. É uma minoria, com certeza, mas que tem uma influência desproporcional na mídia e nas redes sociais. Há aqueles que gostariam que o clima no Brasil fosse frio. Recentemente, uma conhecida minha postou no Facebook uma frase de satisfação ao desembarcar em Nova York: "Eba, que bom voltar a sentir frio novamente". Para muitos, o calor traz para o corpo o suor e para a mente, o subdesenvolvimento. Eles se justificam com as teorias pseudocientíficas que associam o sucesso econômico ao clima temperado. Provavelmente, se acham bem informados, mas nunca leram a prova mais cabal contra essa visão no best-seller mundial de Jared Diamond, "Germes, Armas e Aço".

Quem não gosta do calor que nos faz brasileiros pode também não gostar do Carnaval. As duas coisas não caminham necessariamente juntas, a não ser pelo fato de que, no Brasil, o Carnaval é mais animado nas cidades onde o clima é mais tropical. Creio que uma das coisas que me impedem de me interessar por desfilar em uma escola de samba em São Paulo é que não faz calor no momento do desfile. Desfile de escola de samba vem necessariamente associado a samba, suor e cerveja. A ausência de um desses elementos prejudica o divertimento.


Tenho sobrinhas na faixa dos 15 anos de idade que nunca passaram o Carnaval no Brasil. Acho lamentável. Se, por acaso, seguissem a carreira política, não considero que seria uma boa coisa sermos governados por elas. Para determinado segmento de nossa elite, o Carnaval não passa de um feriado longo que permite esquiar nos Alpes franceses ou em Vail, nos Estados Unidos. Enquanto eles estão no Hemisfério Norte se divertindo ao descer montanhas cobertas de neve, seu país está nas ruas, pulando, cantando, bebendo e fazendo uma demonstração inquestionável de vitalidade. O Carnaval é a comemoração do nada, não há coisa alguma sendo celebrada, como é no Natal, na Páscoa, na festa de São João, nos aniversários, nos casamentos. O Carnaval não tem propósito algum, é a alegria pela alegria. Para um segmento da elite, porém, há um imenso propósito em aproveitar o período para esquiar, tomar vinho e comer fondue.

Recentemente, muitos brasileiros, lamentavelmente, deram repercussão a um artigo de despedida de uma jornalista portuguesa que morou três anos e meio no Rio. Dentre outras coisas ela escreveu, despedindo-se, disse: "A bênção, São Sebastião do Rio de Janeiro, nunca acabarei de agradecer o dom de ficar tão viva, apesar de toda a morte, toda a violência, todo o abandono". Os brasileiros que deram repercussão à crônica crítica da portuguesa disseram que gostariam de, como ela, poder ir embora do Brasil e muitos disseram o mesmo do Rio. Eles podem, eu mesmo deixei o Rio e me mudei para São Paulo.

O que é mais patético é dar repercussão a uma crítica de uma portuguesa ao Brasil, como se o Brasil não fosse o grande legado que Portugal tenha dado ao mundo. Como se o cartório, tal como conhecemos, existisse não somente em Portugal e no Brasil. A infeliz jornalista lusa poderia ter passado os três anos e meio que ficou no Brasil — em Curitiba, Blumenau, Joinville ou em qualquer cidade de colonização alemã do Vale do Itajaí catarinense. Aliás, os portugueses jovens que vivem sob a égide da Comunidade Europeia se adaptam com facilidade à colonização alemã. Como diz um amigo inglês, o Banco Central Europeu conseguiu realizar o sonho de Hitler por meios pacíficos. Portugal melhorou graças à integração europeia. Parabéns, nós, brasileiros, torcemos por Portugal. O Brasil melhorou e melhora sem a eventual muleta que países vizinhos poderiam nos proporcionar. É isso que os brasileiros deveriam reconhecer, antes de pensarem em repercutir críticas portuguesas (sem trocadilhos) a nós.

Rejeitar o clima tropical, o Carnaval, nossas origens ibéricas, nossa cor predominantemente parda, os inúmeros elementos que formam nossa identidade não nos confere vantagem comparativa alguma sobre outras nacionalidades. Pelo contrário, a vantagem está em reconhecer e saber aproveitar a diferença. Não se trata, jamais, de ser patriota ou nacionalista - aliás, esse é um traço formidável de nossa identidade: não somos nem uma coisa nem outra. Ainda bem. Conhecemos detalhadamente, por meio dos livros, as atrocidades perpetradas pelos atualmente civilizados europeus em nome tanto do nacionalismo quanto do patriotismo. Está aí um mal que nunca se abateu nem se abaterá sobre quem vive em clima tropical. Dizia um amigo meu que é impossível ser fascista no calor do Nordeste. Faz sentido.

Há atualmente o senso comum de que nossos políticos não nos representam, que têm uma vida inteiramente diferente da vida da maioria da população. Os críticos afirmam que os serviços públicos são de péssima qualidade justamente porque os políticos não precisam utilizá-los. Eles não andam de ônibus, não utilizam o SUS e seus carros são blindados. Uma elite que prefere o frio do inverno nova-iorquino ao calor do verão brasileiro, que esquia durante o Carnaval e que apoia críticas lusas ao Brasil também não nos representa. Há uma parte de nossa elite que não gosta de futebol, nunca pulou Carnaval ou passou férias em uma praia nordestina. Não sabem o que estão perdendo. Perde também o Brasil.

Nossa incapacidade de aproveitar a Copa do Mundo tem a ver com isso. Tem a ver com a enorme dificuldade que temos em aceitar que somos brasileiros. É muito simples argumentar pragmaticamente em favor da Copa do Mundo no Brasil. Em primeiro lugar, se toda a energia e todos os recursos investidos na Copa tivessem sido direcionados, por exemplo, para a saúde pública, isso não teria melhorado um milímetro sequer o atendimento à população. Tecnicamente, sabe-se que, para melhorar áreas como saúde, transporte e segurança, são necessários muito mais recursos do que os direcionados para a Copa. Feita a ressalva, poderíamos elencar dezenas de motivos para aceitarmos a Copa, defendê-la e fazer o nosso melhor para que ela seja um sucesso retumbante. Afinal, é muito rara a chance de sediar um evento como esse, e os benefícios de longo prazo para a imagem do país e para o fluxo de turistas estão devidamente comprovados.

Como não nos aceitamos como brasileiros, não estamos tirando proveito disso. É lamentável. Quanto mais brasileiro alguém é, mais essa pessoa é otimista em relação à Copa. Uma proxy de ser brasileiro é gostar de futebol. Quanto mais uma pessoa gosta de futebol, mais brasileira ela é. Faço aqui a ressalva importante de que ser tipicamente brasileiro não exige que se goste de futebol, mas que ajuda, ajuda.

O Instituto Análise dividiu os brasileiros em três grupos quando se trata de gostar de futebol: os apaixonados, os que gostam e os indiferentes. São apaixonados por futebol aqueles que: conversam ou fazem brincadeiras sobre futebol com parentes e amigos, torcem para um time de futebol, torcem para a seleção brasileira, assistem a jogos da seleção durante a Copa do Mundo e veem notícias sobre futebol. Nada menos do que 51% fazem essas cinco coisas. Os que apenas gostam de futebol fazem três ou quatro dessas cinco coisas - são 22% do Brasil. E os que fazem duas, uma ou nenhuma dessas cinco coisas são 27% dos brasileiros.

Pois bem, quanto mais alguém gosta de futebol, mais essa pessoa apoia a Copa do Mundo e a valoriza. Podemos dizer que, quanto mais brasileiro alguém é, mais apoia a Copa. Em primeiro lugar, quanto mais apaixonada por futebol uma pessoa é, mais a Copa no Brasil aumenta o orgulho de ser brasileiro: isso ocorre para 76% dos apaixonados, 71% dos que gostam de futebol e somente para 51% dos indiferentes. Além disso, os apaixonados por futebol, em sua maioria, 61%, consideram que a Copa do Mundo é boa porque traz investimentos e gera empregos. Essa proporção despenca para 37% quando a pessoa é indiferente ao futebol.

Há muita coisa ruim e que precisa melhorar no Brasil. Mas isso não nos faz piores do que nenhum outro país. A história nos ensina que todos os países desenvolvidos — todos, sem exceção — passaram por problemas muito parecidos aos que vivemos hoje. Há estágios de desenvolvimento. O Brasil está em um estágio menos avançado. Nosso PIB per capita é bem menor do que o dos países desenvolvidos. Estamos melhorando, fizemos isso durante todo o século XX. O Brasil foi um dos países que mais cresceram no século passado, e não estamos fazendo feio neste início de século XXI.

Não adianta ter pressa, não adianta ficarmos a todo momento nos comparando com Estados Unidos ou Alemanha. É possível alcançar o estágio de desenvolvimento de ambos, mas isso leva tempo e, portanto, exige paciência. No mais, o Carnaval passou e agora vem a Copa. Não vai demorar muito para que ela comece. Para aproveitá-la não é preciso esperar.

Alberto Carlos Almeida, sociólogo, é diretor do Instituto Análise e autor de "A Cabeça do Brasileiro". alberto.almeida@institutoanalise.com www.twitter.com/albertocalmeida
Leia Mais ►

Maradona é melhor que o Pelé


Maradona é melhor que o Pelé. Sei que essa é uma polêmica antiga, em geral, os números dentro das quatro linhas do gramado são amplamente favoráveis ao craque brasileiro. No entanto, quando saímos da comparação futebolística e comparamos a vida pública dos dois atletas fora dos gramados, o placar é amplamente favorável ao Maradona.

É certo que Dom Diego Armando Maradona fez muitas bobagens e trapalhadas com sua própria vida, e envolveu-se em inúmeras polêmicas. No entanto, o Edson Arantes do Nascimento, com seus ares de "bom moço", sempre evitando qualquer polêmica, tornou-se uma figura muito distante do grande e inesquecível craque que foi nos gramados.

Não pretendo aqui fazer um resgate aprofundado da vida "pós-gramados" dos dois craques, apenas registrar a diferença abismal que separa a postura de um e de outro quando se trata de suas opções de "classe".Escolhi duas fotos dos ex-jogadores que são exemplares destas diferenças.

Desde seus tempos como jogador, Pelé nunca se constrangeu em emprestar seu apoio e prestígio internacional para os ricos e poderosos. Na política brasileira, os seus silêncios frente a toda a sorte de arbitrariedades (como por exemplo com a Ditadura Militar brasileira) são notórios. Mais do que seus silêncios, muitas vezes não exitou em adotar posturas de franco apoio público.

No terreno do esporte, jamais Pelé se posicionou de maneira crítica aos descaminhos do futebol brasileiro promovidos por Ricardo Teixeira e cia a frente da CBF. Na foto que ilustra esse post, o abraço afetuoso de Pelé ao então "poderoso chefão" do futebol brasileiro (tendo João Havelange, ex-presidente da Fifa, ao fundo), ilustra exemplarmente esta postura ao lado dos poderosos.

Maradona está longe de ser uma figura coerente, não é difícil encontrar opções e declarações equivocadas, mas sua afinidade e identificação com o povo pobre é inquestionável. O fotógrafo Rafael Andrade da Cruz, então no JB, flagrou Maradona, em sua fase "vida loca", no carnaval de 2006 do Rio. Durante um dos desfiles, ao conversar do jeito que foi possível da beirada do camarote com um gari, o Maradona propôs uma troca de camisetas: ele dava o abadá do camarote da cervejaria e o gari a camisa da Comlurb.

Em 2014, quando uma histórica greve dos garis do Rio colocou a prefeitura de Eduardo Paes de joelhos, esta foto do Maradona tornou-se ainda mais simbólica e relevante das diferenças que envolvem Maradona e Pelé. Nesta greve dos garis, como de praxe, mais uma vez Pelé silenciou. Por essas e por outras que não temos nenhum vacilo em afirmar que Maradona é melhor que o Pelé!

Erick da Silva
No Aldeia Gaulesa
Leia Mais ►

A lição do lixo

Em vez de polícia dissolvendo piquetes, apareceu polícia na proteção à limpeza pelos garis dispostos a trabalhar

As numerosas mas imprecisas centenas de garis que persistiram em greve no Rio tentaram obter, das chamadas autoridades, uma reação daquelas que emporcalham a democracia. Criaram grupos de agressão aos que aceitaram o acordo entre o seu sindicato e a estatal de limpeza urbana, apelaram para passeatas e perturbação do trânsito, e prometeram mais e maiores agitações.

O efeito foi exemplar. Em vez de polícia dissolvendo com armas os piquetes agressores, apareceu polícia na mais pacífica proteção à limpeza da cidade pelos garis dispostos a trabalhar. Até o momento em que escrevo, nem um só dos costumeiros incidentes. Espera-se para hoje a retirada final das toneladas de lixo e sujeira acumuladas, e não é improvável que, até lá, haja algum incidente. Apesar disso, não se diminuirá o valor exemplar do tratamento inteligente dado, afinal, a uma greve perturbadora, por si mesma, e agravada por provocações de grevistas violentos. Uma resposta do poder, suponho, sem precedente em casos semelhantes: resposta democrática.

Não se comprovou que os políticos dados como incitadores dos supragrevistas o fossem de fato, embora não haja dúvida quanto à incitação política. E aí se completa o efeito exemplar da condução compreensiva do problema: a continuação da greve não causou a pretendida corrosão eleitoral do governador Sérgio Cabral e do prefeito Eduardo Paes. Se é que não lhes deu algum ganho, com a derrota política dos que investiram no prejuízo sentido pela cidade.

Pode ser que outros prefeitos e governadores venham a notar o que e como se passou no Rio.

Impunidade

Alguns tipos de violação de direitos humanos recebem, nos meios de comunicação, o tratamento combativo à altura, como se passa com os atos contra gays e lésbicas. O racismo ainda não merece o empenho proporcional à sua gravidade. O futebol o demonstra muito bem.

Os casos se sucedem, as páginas esportivas os noticiam, a cada um seguem-se críticas em partes de colunas, e logo se passa à espera do próximo episódio. Muito cômodo para as consciências, mas também resulta em uma forma de conivência com a continuidade da agressão desumana.

O que houve com o brasileiro Tinga no Peru exigia que a imprensa esportiva se lembrasse de que também ela tem compromissos com a democracia. De sua parte, o mínimo seria movimentar-se para mostrar que, contra o racismo, o futebol brasileiro não poderia voltar ao Peru durante um longo período. Mas a atitude foi transferida para a arapuca chamada Conmebol, quando agredidos foram o futebol brasileiro e os direitos humanos universais.

Agora, no Rio Grande do Sul, o juiz Márcio Chagas da Silva foi vítima de agressões raciais da torcida do Esportivo. Saíram as notícias de praxe em alguns jornais, saem os comentários de praxe em partes das colunas de praxe. No RS, o Ministério Público tomou suas providências para colaborar com a permanência das praxes: propõe que o Esportivo perca os três pontinhos de sua vitória no jogo do incidente.

Se a imprensa esportiva se dedicasse a mostrar a necessidade de medidas eficazes, como seria a proibição de jogo na gaúcha Bento Gonçalves por um ano, ou em cidades paulistas onde alguém sofra o que o santista Arouca sofreu, o futebol deixaria de ser oportunidade, senão incentivo, para o racismo.

A história de mais de cem anos do jornalismo esportivo inclui escassos momentos de contribuição ao desenvolvimento humano e ético do esporte brasileiro.

Janio de Freitas
No fAlha
Leia Mais ►

Racismo

Os recentes episódios de racismo envolvendo o juiz Márcio Chagas, em Bento Gonçalves, e o jogador Arouca, do Santos, tem suscitado um monte de manifestações com o único intuito de desviar o foco.

Até o treinador do Inter, Abel Braga, desfilou um monte de asneiras, culpando o povo brasileiro e sua falta de cultura. Perdeu uma ótima oportunidade de ficar calado. Claro, há atenuante pois Abel é treinador, não sociólogo. Fosse um pouco mais informado, Abel saberia que o racismo existia e existe em sociedade cultas, e principalmente no chamado primeiro mundo.

O que foi o nazismo e o fascismo senão o ápice do racismo de uma elite eurocêntrica.

Mas não precisamos ir longe. O Brasil nos basta para entender.

Nem o jornalista que perguntou nem Abel que respondeu se lembraram do chefe de jornalismo da Grupo Globo, Ali Kamel. Toda vez que alguém abrir a boca para falar de racismo deve lembrar daquele que aparece nos caracteres que correm após o término do Jornal Nacional, Ali Kamel.


O principal responsável pela linha jornalística do maior grupo de comunicação do Brasil, Ali Kamel, escreveu um livro para provar que “Não somos racistas”.


Por que a filiada da Rede Globo, o Grupo RBS, não lembra disso quando trata do assunto? E os demais grupos, como o da Record, que no RS atende por Correio do Povo, também fazem questão de ignorar que a mídia está infestada de racistas?


Aliás, neste sábado, dia da mulher, o Correio do Povo homenageia a mulher… branca!

racismo corrio

Aliás, quando o Governo Federal bancou as cotas, onde foram parar os racistas? No STF, para proibir as cotas! Quem são mesmos quem bate contra as cotas? Em que espectro político se encontram?

E porque as cotas são importantes?

Basta a comparação destas duas imagens: a turma de formatura de Medicina na Universidade Federal da Bahia, bancada com recursos públicos, e da Companhia de Lixo Urbano, também de Salvador.

racismo m

É claro que cotas nem sempre dá certo, que o diga Lula, que bancou Joaquim Barbosa no STF. Se Joaquim Barbosa não se mostrou à altura, que não se pronuncia sobre a importância das cotas, ainda assim o gesto de Lula em colocá-lo lá é muito mais dignificante do de Ali Kamel em sempre colocar uma negra de Globeleza.

No Ficha Corrida
Leia Mais ►

Venezuela e Crimeia provam: o império acabou


Os Estados Unidos já viveram dias melhores; na crise da Ucrânia, o presidente Barack Obama cedeu diante do russo Vladimir Putin e, por mais que o chanceler John Kerry diga que as portas estão se fechando para a diplomacia, o governo americano jamais teria coragem para o passo seguinte, que seria a guerra contra segunda maior potência nuclear do planeta; na Venezuela, governada por Nicolas Maduro, um pedido de intervenção proposto pelos Estados Unidos teve 29 votos contrários, contra apenas três favoráveis, dos americanos, canadenses e panamenhos; Império americano já não vence na força nem na persuasão do "soft power"

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, está entrando para a história como o general da derrocada da diplomacia de esporas e revólver na cintura do império americano. Nas crises paralelas da Ucrânia e da Venezuela, díspares mas com traços comuns, e nas quais em ambas os Estados Unidos de Obama tentam se meter, ficou estabelecido na semana passada que a lei será respeitada antes da força.

Com o parlamento da Crimeia votando por unanimidade a ligação da região à Federação Russa e a OEA marcando 29 votos a três contra a proposta de enviar observadores à Caracas, os americanos tiveram de recuar apenas para bravatas e articulações com seus aliados da União Europeia.Antes, queriam o recuo da Rússia e o início de intervenção na Venezuela. No continente americano, eles se mostraram em completo isolamento, ao lado apenas de Canadá e Panamá. Na Europa do Leste, Putin, como já se demonstrava, falou mais alto. O leão Obama miou.

Obama marcou em sua biografia um momento preciso do processo de declínio do poderio americano nos dois telefonemas que trocou com Vladmir Putin. No último, na quinta-feira 6, ao desligarem depois de uma hora de conversa tensa, ficou claro que a Rússia, com a vontade manifesta nas ruas do povo da Crimeia, o pedido unânime do parlamento local e todas as ligações históricas e culturais existentes com a região tem ao seu lado todas as leis internacionais para promover a aproximação — e consequente cooperação e proteção.

Putin deu sua versão do telefonema, sendo o único a falar a respeito do seu conteúdo. Avisou que não tem como não atender ao pedido da Crimeia e, além disso, nada há na legislação internacional que o impeça de atender ao pedido do parlamento. Obama não teria mesmo muito a dizer em público sobre o conteúdo do telefonema. Ele terá, à luz da correlação de forças e do direito internacional, de fazer seu secretário de Estado, John Kerry, engolir as ameaças de que "está se acabando a fase da diplomacia", prometendo instalar o caos da guerra na região.

Não há nenhuma justificativa legal que permitam aos Estados Unidos, pela via da Otan ou do que quer que seja, de enfiar as botas na Crimeia.

DERROTA NO QUINTAL — Igualmente, não será pelo envio de observadores que os Estados Unidos irão dar sequência, na Venezuela, ao seu apoio crescente ao desmoronamento do governo constitucional de Nicolás Maduro. A votação de 29 a 3 na OEA soou como um soco no estômago de Obama dentro do antigo quintal americano, servindo para mostrar que nem mais nas cercanias de suas fronteiras os EUA mandam como antes. O México não aprovou a proposta americana.

Frente a Putin ou pelas costas de Maduro, Obama perdeu. Se procurar romper com as regras internacionais, e fazer pela via clássica — como no Iraque e no Afeganistão – uma ação de guerra, não apenas atestará seu isolamento como marcará o ponto mais baixo de sua diplomacia conservadora de cunho antiquado e extemporâneo.

Com um tipo diferente da paranóia estelar de Ronald Reagan e da loucura bélica de George W. Bush, Obama vai sair das duas crises em curso como inconsequente e, ao mesmo tempo, acovardado.

Primeiro, ao apostar na crise da Ucrânia como uma oportunidade de ganho de espaço de dominação geopolítica, Obama e sua administração se mostraram amadores e irresponsáveis. Até as estrelas da bandeira americana sabem que qualquer tentativa de mudança de correlação de forças na região irá, sempre e sempre, despertar o urso russo. Misha, então, se torna Putin. Não se brinca com o segundo (ou primeiro) maior arsenal nuclear do planeta.

Na Venezuela, não há indicativos de que o governo de Maduro perdeu a sustentação que sempre teve — de praticamente metade mais um da população do país. Há que se entender que esse vizinho do Brasil é um país dividido politicamente há pelo menos 40 anos, alternando regimes militares com governos pró-americanos, até o advento do chavismo, onze anos atrás.

Nesse quadro, a Venuzuela tem mostrado solidez institucional suficiente para resolver seus próprios problemas, apesar de os EUA de Obama apostarem em todo o tipo de método de desestabilização.

Uma em cada hemisfério do globo, as crises da Ucrânia e da Venezuela marcam o instante histórico em que os Estados Unidos estão perdendo definitivamente sua estrela de xerife do mundo.

Abaixo, notícia da Agência Reuters a respeito:

Kerry pede máxima moderação à Rússia na região ucraniana da Crimeia

WASHINGTON, 8 Mar (Reuters) - O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, disse em telefonema ao chanceler russo, Sergei Lavrov, que qualquer passo da Rússia para anexar a região ucraniana da Crimeia fecharia as portas para a diplomacia, afirmou uma autoridade do Departamento de Estado dos Estados Unidos.

"Ele deixou claro que a continuidade da intensificação militar e da provocação na Crimeia ou em qualquer outra parte da Ucrânia, junto com passos para anexar a Crimeia à Rússia, fecharia qualquer espaço disponível para a diplomacia, e ele apelou pela máxima moderação", disse a autoridade.

No 247
Leia Mais ►

Meu coração bateu mais rápido quando soube que gritaram Brizola na avenida

O que podia ter sido e que não foi
A passagem mais interessante que conheço de política une as figuras opostas de Leonel Brizola e Roberto Marinho na cinematográfica sala de RM na sede da Globo.

Roberto Marinho era Roberto Marinho e Brizola era o governador do Rio, eleito mesmo com a trapaça — o caso Proconsult — que a Globo montou para desrespeitar a escolha do povo pelas urnas.

Batiam-se por mundos diferentes, e se detestavam abertamente. Roberto Marinho convidou um dia Brizola para um almoço, na tentativa de selar uma trégua.

Deu a Brizola — gaúcho — a vista mais linda do Rio e do Brasil, aquela que se tinha de sua sala, e se sentou do outro lado.

Depois de um breve tempo, Roberto Marinho disse: “Está provado que o senhor não gosta mesmo do Rio, governador. Eu lhe dei esta vista e o senhor não se dignou a olhá-la.”

Brizola imediatamente retrucou: “O senhor estraga qualquer vista, Doutor Roberto Marinho.”

Este era Brizola.

Fiquei tocado ao saber que seu nome foi gritado na avenida no Carnaval do Rio por pessoas inconformadas com a bajulação abjeta que a Beija Flor fez em seu desfile a Boni e, por extensão, à Globo.

Brizola venceu, mais uma vez.

A Beija Flor depois de muitos anos ficou fora do desfile das campeãs.

Brizola foi, ao lado de Getúlio Vargas, o maior político da história do Brasil.

Sabia que, para reformar o país, era preciso desmontar o símbolo supremo da iniquidade nacional — a Globo.

“O que é bom para a Globo é ruim para o Brasil”, disse.

Corajoso, Brizola tentou convencer seu cunhado Jango a resistir militarmente ao golpe, a partir do Rio Grande do Sul, estado que ele governava em 1964.

Jango era menos combativo, e entendeu que a causa estava perdida: muitos brasileiros morreriam numa guerra civil, e a presença americana do lado dos golpistas impediria qualquer chance de evitar a queda da democracia.

Mas Brizola não se rendeu. Recebeu, durante algum tempo, recursos de Cuba para montar uma operação de resistência.

Documentos mostram que ele anotava, num papel, como era empregado cada centavo. Não, a direita não teria ali a chance de dizer que ele se apropriava dos fundos cubanos para tachá-lo de corrupto.

Era um brasileiro íntegro, e é uma imensa pena que não tenha, com a redemocratização, chegado à presidência.

Buscaram prejudicá-lo o tempo todo. A sigla que ele simbolizava como ninguém, o PTB, foi entregue a uma filha inexpressiva de Vargas, e ele teve que inventar o PDT para continuar na vida política.

Votei nele em 1989, e foi para mim o fim da era da inocência política. Fiquei arrasado quando, por escassa margem de votos, ele não passou para o segundo turno.

Nunca mais senti o mesmo quando algum candidato em que votei foi batido.

Brizola disputou a segunda colocação, voto a voto, com Lula.

A vitória apertada de Lula como que selou o nome de quem representaria, dali por diante, a esquerda nacional.

Num exercício tolo, às vezes me pergunto o que teria ocorrido se Brizola tivesse vencido, em vez de Lula.

A Globo teria coragem de favorecer Collor e meter medo em Lula, no debate decisivo, com uma mala em que supostamente estavam denúncias contra Lula?

A mala — com denúncias imaginárias — foi vital para que Lula tivesse um desempenho sofrível no debate. Cada vez que Collor se aproximava dela, Lula tremia.

Brizola, presumivelmente, teria denunciado a mala a todos os brasileiros em pleno debate, caso o mesmo golpe baixo fosse tentado contra ele.

A mim parece claro que, para o Brasil, a vitória de Brizola teria sido melhor que a de Lula em 1989.

Brizola teria enfrentado a Globo, para começo de conversa. Não por não gostar das novelas, ou da voz de Cid Moreira, mas por compreender que a Globo é a Bastilha brasileira, o símbolo da desigualdade e dos privilégios.

Enquanto a Globo não for desmontada pouca coisa se fará no avanço social brasileiro, porque a Globo é a guardiã dos privilégios com o esquema de controle que montou para monitorar a Justiça e o mundo político.

Lula fugiu da luta, e isso ficou claro quando compareceu ao enterro de Roberto Marinho — o homem da mala do debate com Collor — e fez ali uma eulogia vergonhosa. Completou o serviço decretanto luto oficial de três dias.

É uma pena que Lula seja pouco cobrado por um gesto pusilânime e oportunista que atrasou tanto o combate à desigualdade social.

Fosse cobrado, teria talvez caído em si, e a sociedade talvez ganhasse o prêmio de uma regulamentação de mídia que impeça uma só empresa de ter tanto poder em tantos meios. (Até o México enquadrou a Televisa, a Globo local.)

Voltei no tempo ao ler que gritaram o nome de Brizola na avenida, em repúdio ao endeusamento da Globo.

Por minutos, era um jovem jornalista de 33 anos, como em 89, e talvez meus olhos míopes tenham ficado marejados com a menção de Brizola, tanto tempo depois.

Detesto Carnaval, mas como eu queria estar naquele momento na avenida para gritar, com o povo, o nome dele, por tudo que podia ter sido e que não foi quando ele perdeu — Brizola, Brizola, Brizola.

Paulo Nogueira
No DCM

Leia Mais ►

Triste sina do PSDB: passar a história como o “partido do racionamento”


Depois de ser o responsável pelo último racionamento de energia elétrica imposto ao país, que os brasileiros sofreram por bem mais de um ano -  1º de julho de 2001 a 27 de setembro de 2002 -, decretado pelo governo tucano do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), o PSDB, agora, está arriscado a ter de decretar racionamento de água em São Paulo.

O principal reservatório do sistema de abastecimento da capital, o Cantareira, está com apenas 16% de sua capacidade, já está recebendo água de outros três, mas também para essa transferência há um limite. O governo Geraldo Alckmin (PSDB) atribui a escassez à longa estiagem e ao fato de que voltou a chover na Capital, mas quase nada na área do grande reservatório.

Técnicos, no entanto, apontam na Folha Online hoje outras causas para o problema, inclusive incompetência e má gestão pública dos tucanos que há 20 anos, com três governadores apenas, Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin, se revezam no poder no Estado – Alckmin é governador agora já pela 3ª vez. Quer ser uma 4ª, é candidato à reeleição.

PSDB, partido dos cartéis, dos apagões, do racionamento…

Só faltava essa! Depois de ter imposto o último racionamento de energia ao país, os tucanos terem de decretar racionamento de água, também na maior cidade do Brasil. Depois de serem os responsáveis pela falência, o caos e os apagões em São Paulo nas áreas de saúde, educação, segurança, transportes públicos – estes, então, além de serem palco dos cartéis tucanos, na capital e Região Metropolitana entram em pane à média de duas a três vezes por semana. Falta de investimento e de manutenção nas redes do sistema.

Não adianta muito transferir a culpa para São Pedro, para a falta de chuvas na Cantareira. Especialistas ouvidos pela Folha Online – está publicado hoje – afirmam que escassez de chuva, mesmo ocorrendo desde o início de 2013, é apenas uma parte da explicação para a pior crise da história do sistema Cantareira.

Eles afirmam que há vários outros gargalos crônicos do sistema de recursos hídricos potencializando a seca que provoca a ameaça de racionamento – crônicos porque não debelados, sequer atacados nos últimos 20 anos, certo?

A solução passa por políticas e ação de governos

A solução, apontam estes técnicos, está na redução das perdas de água provocada por vazamentos e desperdício nas redes da SABESP, na diminuição e uso mais racional do consumo residencial e principalmente industrial, e na preservação ambiental de rios e represas. “Tanto São Paulo quanto Campinas usam muita água para a produção industrial. A solução estaria em reduzir o uso industrial e priorizar o abastecimento humano, no curto prazo”, defende Wagner Ribeiro, geógrafo e pesquisador da USP nesta entrevista à Folha Online.

Ele defende, no médio prazo, o estímulo ao reúso da água pelas indústrias, o que ocorre atualmente em volume reduzido. O fato de 1/4 (25%) da água captada pela SABESP na Grande São Paulo ser perdido por vazamentos entre a represa e a caixa de água das casas também preocupa os especialistas. No Japão e na Alemanha estas perdas ficam próximas de 11% e nos EUA, de 16%.

Outro especialista, Benedito Braga, presidente do Conselho Mundial da Água e professor da Poli/USP, assinala que “em termos de conservação dos mananciais temos o exemplo de Guarapiranga. Há 40 anos existe a lei que proíbe construções na área do reservatório da represa. Mesmo assim, temos 150 mil pessoas lá dentro.” Além desse exemplo “que afeta a produção de água”, existem obras de infraestrutura atrasadas em São Paulo, completa o técnico.

No Blog do Zé
Leia Mais ►

Partido Militar Brasileiro deve concorrer às eleições de 2016

Partido Militar Brasileiro deve concorrer às eleições de 2016
Líderes do PMB já coletaram 320 mil das 492 mil assinaturas necessárias para regulamentação da legenda
As lideranças do Partido Militar Brasileiro (PMB) estão perto de conseguir a regulamentação da sigla. Das 492 mil assinaturas exigidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a criação de novas legendas, 320 mil já foram conquistadas.

Segundo Augusto Rosa, capitão da Polícia Militar de São Paulo e fundador do partido, os militares devem entrar na disputa eleitoral apenas em 2016, nos pleitos municipais. Mesmo assim, a estimativa é que cerca de mil municípios brasileiros já contem com representantes do PMB. O número solicitado ao TSE é 99, “para mostrar que estamos à extrema direita de tudo o que existe na política hoje”, indica Rosa.

Um dos nomes envolvidos com a criação da sigla é o coronel Marcos Pontes, conhecido por ser o primeiro brasileiro a ir ao espaço, em 2006. ”O apoio do coronel Pontes dá credibilidade ao nosso projeto de extrema direita dentro da democracia”, declara o capitão.

O Partido Militar Brasileiro é idealizado, de acordo com seu próprio estatuto, para atender à “necessidade de a sociedade brasileira resgatar a ética, a moral e a honestidade na política nacional”. Seus valores máximos são pátria, honra, moral e ética.

No Fórum
Leia Mais ►

Os truques da edição jornalística da Globo


A verdade é uma só!

Nunca dê entrevista, nunca assista a Globo News e jamais acredite em nada  do que é veiculado neste canal e nem dê audiência para nada que seja vinculado às Organizações Globo. Excetuando o caso do Sportv por uma questão de ser quem transmite eventos esportivos, como o Campeonato Brasileiro, e não temos como fugir da emissora, pela exclusividade da transmissão.

Tudo na Rede Globo é uma enorme farsa. Vou repostar aqui meu texto: Os Truques do Jornalismo da Rede Globo.

Versão atualizada em 17/11/2013.

OS TRUQUES DA EDIÇÃO JORNALÍSTICA NA REDE GLOBO

A seletividade da denúncia e da informação na Rede Globo sempre existiu. (Eu não assisto mais à Rede Globo - desde o final de 2009).

A grande mídia costuma informar sobre qualquer assunto segundo sua ótica (visão política ou interesses políticos) e ainda pode omitir informações, notícias relevantes, conforme o seu interesse.

As Organizações Globo representada pela TV GLOBO, Revista Época, Jornal O Globo, Portal G1, Rádio CBN, etc. faz parte da grande mídia e pode veicular matérias sobre uma notícia importante, por exemplo: o Mensalão. Durante minutos seguidos, pode o seu telejornal, informar sobre os acusados e acusações do Processo e mostrar os detalhes do seu Julgamento pelo STF e ao mesmo tempo, pode negligenciar a informação de que existe outro Mensalão, anterior ao do PT e batizado de Mensalinho ou Mensalão do PSDB, um processo que não está tendo a mesma celeridade no STF.

A emissora veicula desde sempre notícias sobre o Mensalão aos seus telespectadores, ouvintes e leitores, trazendo informações básicas do seu surgimento, dos políticos envolvidos e das acusações. Já sobre o Mensalinho, pouco ou nada noticia, pelo fato dos indiciados serem seus aliados políticos. Veremos que as notícias veiculadas do Mensalão têm um viés mais de denúncias aos seus opositores do que de espaço para o equilíbrio entre a denúncia e o direito de defesa do sujeito que ela coloca como réu. Durante a enumeração dos truques de edição ficará clara esta afirmação.

Conforme a ideologia política um sujeito ou partido está mais a mercê de ser denunciado do que outro sujeito ou partido pela emissora dos “marinhos”.  Mesmo que o primeiro seja honesto e o segundo seja, comprovadamente, corrupto.

É interessante, um Best Sellers como A Privataria Tucana (livro que já vendeu mais de 120 mil exemplares - até 2012), do Jornalista Amaury Ribeiro Júnior, denunciando com provas robustas (vários documentos oficiais anexados) como foi uma parte do processo fraudulento das privatizações de empresas públicas no Governo FHC; e colocando até familiares do político José Serra do PSDB (incluindo sua filha Verônica Serra) em maus-lençóis não mereceu sequer uma reportagem investigativa por parte da emissora ou de seus jornais, revistas, rádios e portal. Nenhuma indignação, nem cobranças para a Justiça apurar se são verdadeiras as denúncias do livro. Nenhuma mudança de comportamento para com seu aliado político.

Somos diariamente levados a compreender o mundo de forma seletiva pela Rede Globo. A informação que for do interesse das Organizações Globo divulgada será, e a que não for do seu interesse será omitida.

Muitas pessoas honestas têm suas reputações manchadas por uma simples necessidade de destruir os inimigos de suas ideias, ou para favorecer políticos que defendam seus interesses. Além é claro de serem as Organizações Globo a porta-voz do Capitalismo e das Grandes Potências mundiais, dos grandes grupos econômicos mundiais no Brasil. Ela defende a ideologia do capitalismo central (o que não seria problema), se na sua defesa não se utilizasse de diferentes métodos ilegais, inclusive o da denúncia sem uma investigação precisa do que se acusa, da omissão de notícias ou da notícia apenas até a primeira página, da destruição de reputações de pessoas honestas e governos e governantes honestos, e até de posicionamentos antinacionalistas, etc. (Leiam na internet sobre a contenda Brasil X EUA sobre os subsídios americanos sobre o algodão e vejam como se posicionou as Organizações Globo).

É interessante observar um exemplo prático da destruição de reputação, o de Erenice Guerra, ex-assessora da Presidenta Dilma Rousseff, para compreender o "Jornalismo" das Organizações Globo.

Erenice Guerra foi acusada de diferentes irregularidades em 2010, no exercício da função de Ministra da Casa Civil, após Dilma sair candidata à Presidenta. Era na época da eleição presidencial, então a Revista Veja criou uma denúncia nem um pouco consistente de lobby e emprego de parentes no serviço público e as Organizações Globo repercutiram a notícia com toda a força, porque era uma maneira de privilegiar o candidato que a emissora simpatizava e ainda simpatiza: José Serra. Um ano e sete meses após as denúncias, o MPF - Ministério Público Federal arquiva o Processo contra a Ex-ministra por total falta de provas! E onde está a retratação pública para com a Ex-ministra Erenice, por parte das Organizações Globo? Caso semelhante ocorreu com o Ex-ministro dos Esportes Orlando Silva que foi, também, absolvido pelo MPF das denúncias que pululavam no noticiário da Rede Globo e associadas no ano retrasado.

A mola mestra das denúncias que fez com que a Presidenta Dilma trocasse Ministros nos seus meses iniciais de Mandato era desestabilizar seu Governo e não uma batalha anticorrupção.

Aliás, a corrupção dos seus aliados políticos é jogada para baixo do pano! Como exemplo temos o escândalo da inspeção veicular, sabem aquele selo que fomos obrigados a colocar no carro? Houve um grande escândalo de corrupção, na realização dessa inspeção, envolvendo políticos do Rio Grande do Norte e de São Paulo, incluindo o subchefe de gabinete da Casa Civil de José Serra, quando ele foi Governador do Estado de São Paulo, chamado João Faustino. O subchefe de gabinete da Casa Civil de José Serra foi até preso junto com outros aliados políticos, na Operação da Polícia Federal Sinal Fechado por causa da “controlar” e foi omitida a informação da íntima ligação do preso com seu aliado político, por parte da TV Globo. (Coloque essas duas palavras e leia mais a respeito: “escândalo controlar”; e muitos outros casos).

Viram a diferença de tratamento dado a Erenice e ao João Faustino pela Rede Globo?

Quem ouviu falar de João Faustino subchefe da casa Civil do Serra? Preso pela Polícia Federal? Se ouviu ou leu o nome dele em algum veículo de mídia das Organizações Globo, soube que era intimamente ligado a José Serra e que coordenou sua campanha para as eleições de 2010 no Nordeste? Sobre a Erenice todo mundo ouviu falar, só que esta foi absolvida por falta de provas. Os dois trabalhavam na Casa Civil, ela no Governo Federal e o João Faustino no Estado de São Paulo.

A informação do “escândalo da controlar” tivemos com detalhes, através da internet, em blogs de Jornalistas, que não mais fazem parte desse círculo fechado, que seleciona as informações a serem noticiadas e que podemos chamar de “grande mídia” ou “velha mídia”, como queiram, da qual as Organizações Globo é a mais forte representante.

Para este processo de ora informar ou ora desinformar, de informar até a primeira página ou de omitir a informação, de acusar uma pessoa sem provas consistentes, manchando sua reputação a emissora dos “marinhos” possui diferentes técnicas (truques jornalísticos).

Acabei listando um conjunto delas, técnicas que fui observando ao longo dos anos, ao assistir seus telejornais, até o final de 2009, quando definitivamente, abandonei quase por completo, a relação com as Organizações Globo em Jornal, Revista, Rádio, TV e Internet, excetuando a área esportiva, quando da falta de outra opção em assistir um evento esportivo; pelo desrespeito dela para com a informação a mais precisa possível, sem a seletividade da informação e pela parcialidade e viés da notícia.

Métodos básicos, que sempre assisti nos seus telejornais (lembrando-me, de memória, do tempo em que assistia com meu pai, já falecido, em locais públicos, onde acabo assistindo porque está a TV ligada no canal e em vídeos, imagens e notícias postadas por críticos da emissora na internet):


1. Seleção. Corrupção no Governo, hospitais públicos com pessoas em leitos nos corredores, obras superfaturadas, etc. existem, quase sempre, nos Governos que ela não apoia; Os telejornais da Rede Globo selecionam os estados ou cidades das matérias. Quanto mais perto das eleições mais evidente fica este modo de agir. Elogios são, na maioria das vezes, para administrações do DEM, PSDB, PPS e demais opositores do Governo Federal. Quase toda reportagem negativa está situada em um Estado ou cidade governado por quem ela não apoia ou na técnica de mostrar problemas em obras ou estabelecimentos “FEDERAIS” no Estado ou cidade oposicionista. Por que nos federais? Porque ela é opositora às ideias do PT e oposição ao(s) seu(s) Governo(s).

Na eleição de 2010, vendo o Jornal Nacional, próximo da época do voto, observei uma reportagem, apontando problemas na separação do lixo hospitalar no Hospital São Paulo da capital paulista, ele é administrado pelo Governo federal, pois, pertence à Unifesp - Universidade Federal de São Paulo. Fica a impressão de que a Rede Globo faz reportagens investigativas, denúncias em todos os estados e que só se encontram erros em obras e estabelecimentos do Governo Federal no Estado de São Paulo. 1***

1.1. Seleção do comentarista. Todo comentarista e especialista defende a mesma posição. A emissora tem um grupo de pessoas, que revezam nos seus microfones. Eles aparecem umas 8, 10 vezes ao ano, para dar uma disfarçada. No Jornal Nacional, de vez em quando via um Economista, homem de estatura média para alta, utilizava óculos, cabelo branco, peso normal e fala mansa. Vinha para dar respaldo a toda tese econômica da emissora.

1.2. Seleção da pergunta. Todo apresentador e repórter tem um tipo de pergunta e de atitude para com o entrevistado. Se for seu aliado, ameniza todas as críticas e faz perguntas para “encher a sua bola”. Se tiver outro pensamento político, aterroriza nas perguntas, não dá trégua ao entrevistado e busca emparedá-lo.

Em 2010. É só lembrar o tratamento dado pelo JN e seus apresentadores, nas entrevistas da campanha eleitoral. A DILMA quase foi fuzilada pelo apresentador e o SERRA parecia íntimo da casa. Ficou célebre a chamada que a Fátima Bernardes deu no Willian Bonner pela indelicadeza no tratamento de Bonner para com Dilma, vi na internet no dia seguinte ao ocorrido - foi quase um fuzilamento da, então, candidata, perante seus telespectadores. 2***

1.3. Seleção do momento de exposição. Alguns políticos, opositores às ideias da emissora, tem vez e voz na Rede Globo, em determinados momentos.

Se surgir uma denúncia contra o Governo Federal, um político da extrema-esquerda pode ser entrevistado, para falar mal do Governo. Não para expor suas ideias, estas não possuem espaço nos microfones da emissora.

Se for útil, em determinado momento, a exposição de um político e suas ideias, de um movimento social contrário às suas ideias, a emissora aceita sua presença diante de seus microfones, e depois, ao bel-prazer a emissora colocará o político ou o movimento social em total descrédito, como é o caso do MST, que do nada ficou, respeitado e conhecido no Brasil todo, por uma novela e foi para as páginas policiais da emissora algum tempo depois.

Como é o caso da Marina Silva e da Heloísa Helena, espécies de “quarentena” da emissora para atacar seus opositores, por terem saído do PT, seus adversários máximos, segundo a lógica da emissora. Quando precisaram delas para atacar o Governo LULA foi só tirá-las da quarentena e colocar na caixa de entrada. Depois, foi só jogá-las na quarentena novamente. Marina Silva, que teve até suas ideias políticas veiculadas, para tirar votos de Dilma Rousseff em 2010 e parece que querem traze-la para a caixa de entrada, por causa das eleições presidenciais de 2014. ***3

1.4. Seleção do entrevistado comum (Dissociação). Este truque consiste em dissociar a matéria dos entrevistados comuns, por motivos ideológicos. Um exemplo típico foi quando morreu o Cazuza. No enterro dele, escolheram senhoras, senhor e até criança para falar sobre a morte do Cazuza. O interessante é que as pessoas escolhidas não pareciam em nada com o espírito contestador e rebelde do cantor e optou-se, apenas em falar da batalha pela vida, por causa da AIDS. Eles foram escolhidos a dedo, porque falar da Rebeldia de Cazuza e de sua homossexualidade, dizendo o que realmente importava sobre o cantor e suas posições político-ideológicas, não se encaixaria nos interesses globais. Nem na vestimenta, nem na fala, nem na intimidade entrevistado e personagem da reportagem se pareciam. 4***

1.5. Seleção das imagens favoráveis e desfavoráveis. É comum, em período eleitoral destaca-se. Ouviram falar do debate para Presidente entre Collor e do Lula em 1989? A emissora editou a matéria sobre o debate. Filtrou cenas favoráveis ao Collor e desfavoráveis ao Lula para exibir no Jornal Nacional, na véspera da eleição. 5***

1.6. Seleção de dados estatísticos desfavoráveis e omissão dos favoráveis. É comum na emissora, diante de informações econômicas, sociais, estatísticas do IBGE, do IPEA, da FGV, do DIEESE, etc. a escolha de índices desfavoráveis no meio de índices favoráveis para divulgar.  A emissora sempre opta por divulgar o índice desfavorável, mesmo no meio de inúmeros índices favoráveis.

Por exemplo: a inflação cai para 0,39% no mês X abaixando quase meio ponto percentual em relação ao mês anterior e com uma tendência de manter a queda nos próximos meses. Quem acompanha, minimamente, as notícias de Economia sabe que o Governo estipula uma meta de inflação anual. Como o índice de 0,39% do mês X, mantêm a inflação anual próxima da meta, a emissora noticia assim: - apesar da queda do percentual no mês X a inflação continua próxima da meta estipulada pelo Governo. A Rede Globo não vai citar/valorizar a tendência de queda dos próximos meses.

Ou ainda: imaginemos dois dados estatísticos associados: criação de emprego com carteira assinada no mês X foi num total de 100 mil batendo o recorde desde que se iniciou a medição no ano Y. O ganho salarial médio do trabalhador no mês X caiu 0,1%. Advinha qual é a manchete do seu telejornal? - O ganho salarial médio do trabalhador caiu 0,1% no mês X.

1.7. Seleção ou omissão da fisionomia de um acusado/ corrupto/ ladrão/ homicida. É uma técnica que consiste em não mostrar o rosto, o corpo, a vestimenta de um acusado ou corrupto ou ladrão, quando este possui um perfil da classe social à qual a emissora representa. Noticiasse uma ocorrência e omitisse a imagem de quem está envolvido.

Observemos que, quase sempre, os acusados ou corruptos ou ladrões que a Rede Globo mostra a imagem/fotografia/ entrevista tem estes estereótipos: não são brancos, têm rosto com espinhas, com marcas outras, barba por fazer, cabelos compridos ou carecas, são magros demais ou gordos, não possuem a aparência e o corpo saudável e não estão bem vestidos, de terno e gravata.

Branco, ascendência europeia a imagem/fotografia, certamente, será omitida e a entrevista do acusado ou corrupto ou ladrão ou homicida se edita a imagem para evitar mostrar o acusado ou corrupto ou ladrão ou homicida.

É claro que se for inimigo político da emissora este truque deixa-se de lado.

Quase sempre os acusados ou corruptos ou ladrões ou homicidas que têm imagem/fotografia revelados ou são entrevistados são de classes sociais menos abastadas, muitos são negros ou mestiços ou orientais ou latinos ou indígenas, etc.

Existe uma predileção por mostrar imagens de pessoas ligadas a pequenos delitos, roubos à mão-armada, a atos de violência física, etc. em detrimento de imagens de pessoas ligadas a crimes de colarinho branco. O corruptor, o que promove delitos financeiros, golpes na praça se for mostrada sua imagem na tela terá o estereótipo de um perfil diferente da classe social a quem a emissora representa. O grande corruptor ligado a bancos, empreiteiras, grandes empresas não vai ter sua imagem/foto revelada e, talvez, nem será notícia, apenas se estiver contrariando seus interesses particulares.

Pobre e negro acabam associados a ilicitudes. Branco com ascendência europeia acaba associado à correção dos atos.

Nesse processo de seleção da imagem de pessoas podemos encontrar um truque interessante.

1.7.1. Seleção de um entre diversos indivíduos. É a escolha entre um grupo de pessoas daquela pessoa que menos se parece com a classe social que a emissora representa e menos se parece com o perfil médio das pessoas que trabalham frente à tela da Rede Globo: apresentadores, jornalistas e artistas, pessoas que ditam a moda, a imagem padronizada de indivíduo que a emissora julga ser a correta para o seu telespectador buscar.  Então, se tenho, por exemplo, vários delegados presos por corrupção, para sacramentar que corrupção é uma anomalia social eu escolho o delegado mais desajeitado e fora do padrão global de tipo físico ideal para mostrar a imagem/fotografia e tentar, conseguindo ou não uma entrevista. Parece que o padrão do acusado/ corrupto/ ladrão é sempre de outra classe social, que a emissora não representa. E que os delegados corruptos, também, não pertencem.

A corrupção é dos outros.

É a criação de estereótipos uma marca registrada da emissora dos “marinhos”.

1.8. Seleção vocabular. É a seleção das palavras para tratar uma notícia a ser veiculada pela Rede Globo. Pode-se utilizar uma linguagem menos polida ou mais polida conforme a situação prática.

Por exemplo: imaginemos que jovens saiam para protestar por Reforma Agrária e ocupem as estradas do País, eles podem ser chamados de “jovens baderneiros”.

Imaginemos agora que jovens de classe média e média alta saiam para protestar nas ruas contra a corrupção, eles serão chamados de “jovens idealistas”.

Conforme a reivindicação de trabalhadores, de empresários, conforme o apoio ou não da emissora, conforme a ideologia e o público do protesto, conforme os políticos que são cobrados no protesto a linguagem alterna entre o não polimento e o polimento da escolha vocabular. Sempre buscando levar a opinião pública a ser favorável a um lado: o lado da TV dos “marinhos”.

Outro valioso exemplo é o escândalo de corrupção envolvendo Governos do PSDB de São Paulo e as licitações do Metrô, fraudes bilionárias e que duram quase 20 anos. Por serem denúncias contra partido aliado e aliados políticos da Rede Globo não se usa o termo corrupção no governo do PSDB, mas sim: cartel de empresas. O Governador não é corrupto e sim, vítima.

2. Omissão. Quando existe uma denúncia grave de corrupção no Governo, seu aliado, diz-se o nome do denunciado, mas se evita falar a sigla partidária; ou simplesmente, ignora-se o fato. E ainda, se acusam envolvidos, o Governante é poupado; já na corrupção dos seus opositores, o Governante opositor, tem partido e é suspeito de prevaricação.

Certo dia no Jornal local da noite, assisti no médico, houve uma reportagem com um Prefeito que recebia propina, o apresentador fez questão de falar o nome do partido do Prefeito: PMDB. PMDB - aliado do Governo Federal; PSDB - oposição. 6***

Obras inauguradas da oposição têm partido, belas imagens, sorrisos e discurso, vide a reportagem de inauguração de trecho do Rodoanel no Jornal Nacional***7; quando é do Governo federal geralmente as Organizações Globo não anunciam, como foi o caso da criação do SAMU 2003, em que mostraram o LULA em uma fábrica automotiva do ABCD paulista discursando, mas não disseram o que ele tinha ido fazer lá: criar o SAMU; ou no caso da inauguração em SUAPE, Pernambuco, do Petroleiro Almirante Negro, um momento histórico de recuperação da Indústria Naval brasileira, que não foi motivo de reportagem para a Rede Globo.

2.1. Ocultação. Quando surge uma denúncia de corrupção contra os aliados políticos da emissora envolvendo diferentes pessoas, dá-se a notícia, mas não se informa o nome de todos os envolvidos, se omite por completo o nome do político, geralmente, o mais famoso do grupo, o que nomeou o chefe da corrupção, ou que a corrupção aconteceu em sua Secretaria/Ministério e até se omite o nome de outras pessoas.

No caso da máfia dos fiscais da Prefeitura de São Paulo descobertos numa fraude praticada contra o ISS paulistano, que pode chegar aos 500 milhões de reais, não foi citado o nome do Político amigo da emissora: José Serra do PSDB (partido mais amigo da emissora), que nomeou Mauro Ricardo para ser Secretário das Finanças em 2005 da cidade de São Paulo e que ficou no cargo até o final do mandato de Kassab em 2012.

Mauro Ricardo que já trabalhou com José Serra em outras administrações, atualmente foi indicado pelo político José Serra para ser Secretário de Finanças da cidade de Salvador, cujo Prefeito eleito em 2012 é o Antonio Carlos Magalhães Neto, outro político aliado da emissora. Interessante é notar que só depois de alguns dias, quando todo mundo está ouvindo falar da pessoa, o nome do Ex-secretário de Finanças Mauro Ricardo aparece no noticiário das Organizações Globo, claro, que preservando o nome de seu aliado Político que o indicou para o cargo.

Não se está dizendo que José Serra tenha ligação com a fraude, mas, ético seria, num Jornalismo com precisão da informação e isento dizer que a nomeação do Secretário de Finanças da cidade de São Paulo, ocupante do cargo de Secretário da pasta, onde ocorre esta enorme fraude, se deu por intermédio de seu aliado Político. Por que ocultar o nome de José Serra e não dizer que o ex-secretário e José Serra trabalharam juntos em outras administrações? Porque José Serra é um dos principais aliados políticos da emissora dos marinhos.

3. Edição. Escolha de imagens para ilustrar um ponto de vista da emissora. Subjetividade e propaganda subliminar. A técnica dessa emissora é apurada.

Lembro-me da eleição de 1989, onde, na véspera da eleição, colocaram a imagem do COLLOR sentado em uma poltrona de couro, dentro de uma biblioteca, lendo um livro; e colocaram a imagem do LULA jogando bola na rua com o filho. Mais editado impossível, aquele era homem culto, preparado, este, um ignorante, que ocupa seu tempo livre jogando bola e pouco preocupado com o cargo que pleiteava de Presidente da República.  8***

Na última eleição presidencial, calhou de estar na padaria comendo Pizza, bem na hora do JN. E era uns três dias antes da eleição. Outra edição. Aparecia a DILMA toda suada em cima de uma caminhonete, de baixo de um sol enorme - parecia uma pessoa desesperada a caça de votos; enquanto isso o SERRA aparecia numa moderna sala de reuniões, discutindo "questões importantes" com uma bela assessora, se não falha a memória, sobre o escândalo da licitação combinada do metrô da cidade de São Paulo. Moral da história, idêntica a de COLLOR e de LULA - o SERRA com a imagem de quem decide as coisas, um homem preparado, sábio e sanando questões de corrupção; a DILMA, em desespero, buscando um último suspiro para ganhar alguns votos, uma candidata derrotada.

4. Divisão. Outro truque da Rede Globo é o truque da divisão. Ela coloca o Brasil, quando não gosta de uma decisão do Governo Federal em âmbito internacional, ao lado dos países que ela considera ser ditaduras, sempre as mesmas: Cuba, Venezuela e Bolívia (principalmente estes) + o Irã e a Coreia do Norte, países da Ásia. Em um assunto que casa as posições desses países e a do Brasil, dá-lhe divisão. De um lado a Europa, os Estados Unidos e o Japão; do outro o Brasil e as supostas ditaduras.

Pense em qualquer tema: o Irã e a bomba atômica. Quando o Brasil, no Governo LULA, defende que o Irã poderia utilizar a energia nuclear para fins pacíficos, fomos colocados no grupo dos países que defendem ditaduras e citaram os três países de sempre, como, também, partidários do direito do Irã utilizar do enriquecimento do urânio para a produção de energia nuclear. Nesse truque existe a omissão inclusa. Países como Israel, já possuem, até a bomba atômica, e são uma ameaça à paz no Oriente Médio, e não existe nenhuma menção do fato e grita para com eles, talvez, porque são aliados dos Estados Unidos.

É clássico o que vou dizer: em Países da África e a da Ásia há ditaduras, se forem aliados os seus Governantes aos Estados Unidos, mesmo que seja uma ditadura sanguinolenta, a Rede Globo não coloca estes Países no grupo seleto das ditaduras, omite ou fica do lado do Ditador.

E a técnica da divisão tem o truque da não citação. Se Países de distintas bandeiras políticas possuem uma posição semelhante em determinado assunto e a Rede Globo tem outra, se calhar de fazer uma reportagem dirá assim: Brasil, Cuba, Venezuela, Grécia (está caindo pelas tabelas, inclui para dar um ar de diversidade) são favoráveis; Japão, EUA, Dinamarca são contrários. Só que no grupo em que se encontra o Brasil, podem estar: França, Alemanha, Canadá e a Rede Globo engambela quem assiste o seu telejornal, omitindo a informação. Fica sempre parecendo que o Governo do PT (seu opositor ideologicamente) está do lado de ditaduras e/ou de países subdesenvolvidos.

5. Acusação. A emissora decide fazer uma acusação grave contra uma pessoa, partido político, etc.

Exemplo: um Ministro de Estado. O acusado se tem direito de resposta, não é o último a falar. Vem depois dele a personalidade que respalda a acusação. Geralmente, colocam um político da oposição. As figuras “carimbadas” - os “supostamente” paladinos da moralidade e incorruptíveis, de sempre, aqueles políticos que vivem dos holofotes da mídia, para referendar a matéria acusativa (até serem desmascarados, como é o caso do Demóstenes Torres). O acusado, por exemplo, de corrupção, está, quase sempre, numa pose desesperada e quem respalda a notícia (o último a falar) muitas vezes aumenta a voz e diz: - são fatos gravíssimos e devemos apurar o mais breve possível! Já parece, de antemão, o julgamento final e a culpabilidade do acusado (hoje, o porta-voz oficial e principal da moralidade é o Senador Álvaro Dias do PSDB).

6. Reputação. É clássico na emissora o derrubar de reputações por interesses escusos. Eles dão aos seus opositores políticos um tratamento desrespeitoso.

Quando quiseram atingir o Governo Dilma, as ONGS e por tabela o PCdoB (Partido comunista do Brasil), dá-lhe atacar o Ministro Orlando Silva por todos os lados, sem nenhuma prova contundente, tanto é que o Ministério Público Federal arquivou o processo contra o Ex-ministro dos Esportes por falta de provas. É interessante, que jogam a reputação da pessoa e até de seus familiares se preciso for, de partido político, País, etc. no chão, sem o menor constrangimento. E qualquer acusado fica marcado como corrupto e mesmo que consiga provar sua inocência e honestidade a Rede Globo não faz nenhuma retratação pública.

No quesito reputação é praxe se dizer: Fidel Castro, Evo Morales, Hugo Cháves (já falecido) são uma ameaça para a Democracia. Insistem, nos mesmos inimigos, dia e noite. E vivem propalando que qualquer tentativa de se buscar uma moralização da Profissão de Jornalista em suas redações, tendo um código de ética e conduta, tendo uma Lei que garanta ao acusado, o direito de resposta às acusações inverídicas; que as reportagens se pautem pela verdade dos fatos e que sejam realizadas de uma maneira correta, sem ilicitudes, com o equilíbrio da informação, não tendendo a mostrar a ilicitude só de seus opositores seria um cerceamento à liberdade de expressão e uma afronta à Democracia.

7. Investigação. Quando um político opositor aos seus interesses é acusado de algo, imediatamente a Rede Globo repercute, investiga e condena de antemão; mas quando se trata de um aliado político ela não condena, de antemão, e coloca alguém para falar: - só ao término do inquérito policial, do Processo na Justiça é que poderemos dizer se o Réu é culpado ou inocente.

Geralmente, a emissora, desqualifica a denúncia e dá toda voz do mundo para o acusado se defender.

8. Postergação. Um fato de relevância pulula no País e investigações e mais investigações acontecem. A população toma partido e fica do lado da oposição às suas convicções e parceiros, a Rede Globo finca o pé nas suas convicções até o instante que não dá mais para segurar, então, ela posa de partícipe da causa defendida pela população, a um bom tempo.

Nas Diretas Já e no impeachment do COLLOR demorou a estar do lado vencedor.  E será assim, em qualquer investigação do Ministério Público e das Policias Federal e da Civil dos Estados, e condenação do STF de seu(s) aliado(s). Quando ela sentir que não dá mais para defender o indefensável, irá posar de defensora da verdade desde o limiar do fato e execrar (fazer de conta que nem conhece) todos os culpados, que até bem pouco tempo, eram defendidos ardorosamente.

Um caso recente de postergação:

No caso da juventude do MPL (Movimento do Passe Livre) a Rede Globo foi de um extremo ao outro em poucos dias. De jovens baderneiros para jovens idealistas. E terminou com repórteres à paisana, sem identificação de trabalharem para a emissora. Terminou com medo dos manifestantes e até com medo de ser pedido que seus repórteres saiam da cobertura do evento ou que a emissora seja hostilizada por quem participa das passeatas. Passou a transmitir de helicópteros e estúdios.

Busca de dividendo político e particular, certamente, é a razão pela mudança repentina de postura. O apoio chegou após mais de uma semana depois das passeatas dos jovens por todo o Brasil.

9. Apropriação e desapropriação. Consiste na repentina mudança de posicionamento diante de um fenômeno que vem das redes sociais para as ruas, que possa nascer, tão somente, das ruas e o Jornalismo da emissora vê na apropriação desse fenômeno e mostra-lo com “suposto” envolvimento uma chance de ter dividendos políticos e benefícios para si e seus aliados.

As passeatas apartidárias do MPL (Movimento do Passe Livre) são um exemplo perfeito. Houve a possibilidade de a emissora mostrar as manifestações de uma juventude lutando pela diminuição das passagens de ônibus trem e metrô. Afinal se o MPL é um movimento apartidário e que não veicula bandeiras de partidos políticos e movimentos sociais, tornam-se, então: valiosas, as imagens para o Jornalismo da emissora. Se tivesse bandeiras de partidos de esquerda e de movimentos sociais a Rede Globo não mostraria as passeatas, induzindo a ideia de calmaria e civismo absoluto como fez, porque os beneficiários das imagens seriam seus inimigos políticos.

Quando a emissora sente que já não cabe mais o apoio às passeatas ela ao bel-prazer recomeça a criticar a quem deu seu apoio repentino, a não mais mostrar as imagens que lhe foram úteis em determinado momento. Lembra um pouco o tópico 1.3. Seleção do momento de exposição e o tópico 10.1. Apartação.

9.1. Editoração, falsificação e inclusão.

9.1.1. Editoração. Consiste em modificar a realidade de um acontecimento, mostrando apenas imagens que lhe são favoráveis e reportando ao seu telespectador uma verdade que é sua, não a verdade dos fatos. Nas passeatas do MPL, por exemplo, as faixas de fora Rede Globo foram omitidas das imagens transmitidas ininterruptamente pela emissora. Lembremos as reinvindicações dessa juventude, apesar do apartidarismo do movimento é pauta de esquerda e a emissora não se deu ao trabalho de informar seu telespectador.


9.1.2. Falsificação. Consiste em transformar a real intenção de um fenômeno social. O MPL nas ruas luta pela revogação do aumento das passagens de ônibus, trem e metrô e pelo passe livre. A emissora, ao se apropriar da manifestação quis passar a imagem que esses jovens estavam indignados com os Governantes, os políticos, os partidos políticos, a Política e bradando palavras de ordem contra a corrupção no País. E, subliminarmente, sobrou para a Presidenta da República, que vira a responsável por tudo o que acontece nessas manifestações pelas ruas do País.


9.1.3. Inclusão. Consiste em inserir novas pautas num movimento social e coloca-las em evidência. O MPL briga pela revogação do preço das passagens de ônibus, trem e metrô e pelo passe livre. De repente, com a apropriação das passeatas pela Rede Globo de Televisão o MPL “supostamente” briga contra a aprovação da PEC - 37, taxada como Lei da Impunidade, porque tira do Ministério Público o poder de investigação criminal, luta contra a corrupção, contra os gastos com a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil e tudo o mais brigaria, na editoração e falsificação do movimento.

Quem viu as imagens e fotos do MPL nas ruas, percebeu que o cartaz contra a PEC 37, empunhado por algum jovem, estava ao fundo, em evidência.


10. Recriação. Consiste em amoldar a imagem do entrevistado. Pelo conteúdo das perguntas o entrevistador vai moldando personalidade outra do entrevistado.

Exemplo prático. Um político vai dar uma entrevista para a emissora e quem o entrevista começa a transformar o entrevistado em um crítico dos aliados políticos do próprio político e a defender os interesses da emissora, inadvertidamente e sem que o entrevistado, muitas das vezes, se dê conta. Isto se dá com o desenrolar da entrevista ou pela edição das imagens – quando não é entrevista ao vivo, das falas do entrevistado ou pelo direcionamento das perguntas, aqui com o interesse de direcionar a fala do entrevistado sempre na direção das respostas que o Jornalismo da emissora quer. Anda meio escassa a recriação, porque a emissora dos marinhos, praticamente não abre mais espaço para vozes dissonantes às ideias (ideologia) que ela defende, em seus programas de entrevista.


10.1. Transmutação. Consiste na mudança de foco repentina de uma entrevista, devido à resposta, opinião do entrevistado. Vale mais para assuntos polêmicos sobre Economia, Sociedade, Política, Brasil e Mundo, etc.

Exemplo prático. Quando a Fátima Bernardes entrevistou em seu programa uma representante do MPL (Movimento do Passe Livre) e a jovem começou a falar que era necessário diminuir o lucro dos empresários das empresas de ônibus de São Paulo, como forma de abaixar os preços da passagem, a entrevistadora cortou logo o assunto e mudou o foco da entrevista. O entrevistador pode transformar a pauta, pedir um comercial, mudar para outra atividade do programa e até continuar o programa de entrevistas e/ou entretenimento com outro convidado.

Por isto, que quase sempre, os programas de entrevista da emissora têm mais de um entrevistado e se for programa de palco, várias atividades em conjunto. Imagina o risco de apenas um entrevistado, é cara a cara, e ele se contrapor a opinião da emissora e não apoiar os interesses da Rede Globo. Às vezes acontece, mas é raro. Para se evitar tal risco promovem programas com entrevistados com no mínimo duas pessoas, mesmo que selecionados a dedo, para não contradizer os interesses, ideologia e nem criticar aliados políticos da emissora.

10.2. Transformação. Este truque consiste na postura diferenciada da opinião, sempre pelo lado negativo, conforme a situação. Muito usual para com os adversários políticos.

Exemplo: se o Governo Federal (atual oposição à Rede Globo de Televisão) abaixa os juros anuais da taxa SELIC a emissora, através de um Jornalista, comentarista, entrevistado ou reportagem, opina que pode gerar inflação, se aumenta os juros anuais da taxa SELIC um Jornalista, comentarista, entrevistado ou reportagem diz que é prejudicial para indústria e o comércio.

Outro exemplo: Se o Governo não aliado propõe uma Reforma Política via Plebiscito e Assembleia Constituinte e a emissora crê que não é benéfico para ela e seus aliados políticos ela desmerece a ideia, mostra a inviabilidade da proposta através de reportagem, de seus jornalistas e analistas e dos entrevistados que mostram a impossibilidade (neste caso, a Inconstitucionalidade da proposta); porém, se o Governo não aliado não propuser uma Reforma Política a Rede Globo de Televisão pode criticá-lo por não realiza-la.

10.3. Indução. Este truque consiste em transformar a opinião pública em favor dos interesses políticos, ideológicos (visão de mundo) e particulares da emissora, quase sempre, contrários ao interesse do seu telespectador.

No exemplo do tópico 10.2. Transformação, que abordo a Reforma Política, fica bem clara esta técnica.

Imaginemos que seja irremediável uma Reforma Política, um Plebiscito e uma Assembleia Constituinte, a emissora que lutou contra a aprovação da Reforma Política e nos moldes que se dará, agora, tentará direcionar as escolhas do eleitor no Plebiscito e pressionará as votações da Reforma Política pelos constituintes, segundo seus interesses políticos, ideológicos (visão de mundo) e particulares. Reputações de pessoas honestas ameaçadas, certamente, nesse processo de pressão para que a Reforma Política vá de encontro aos seus interesses.

Por exemplo: a emissora dos “marinhos” vai mostrar e convencer, através de seus telejornais, jornalistas, comentaristas e entrevistados que o financiamento privado de campanha por empresários é uma medida sensata e que apenas o financiamento público de campanha: não, porque é o dinheiro do contribuinte, arrecado através dos impostos, que financiará as campanhas eleitorais. Tentará a emissora dizer que o Referendo é mais justo que o Plebiscito, dirá que a Reforma Política pode ser feita pelo Congresso Nacional que temos, o mesmo que ela colocou, diariamente, no imaginário do seu telespectador como sendo um Congresso onde a corrupção campeia.

A indução está presente em toda notícia veiculada em programas jornalísticos da Rede Globo. A emissora não busca equilíbrio da informação mostrando os dois ou mais lados possíveis de uma situação concreta. A emissora não prevê em seu jornalismo contrapontos, pontos de vista diferentes dos seus e não tem interesse em fazer o seu telespectador escolher o melhor caminho entre possibilidades. A notícia chega pronta ao seu público, e caminha na estrada do pensamento único, traduzindo, chega a notícia até nós a partir do posicionamento que convém a Rede Globo de Televisão defender em determinado momento.

Todas as notícias, todos os Jornalistas e comentaristas e entrevistados estarão defendendo uma mesma ideia, uma mesma posição. Então, a Reforma Política deverá ser a que os donos da emissora querem e não se terá, será rara, a possibilidade de opiniões diversas nos microfones da emissora, o que se pode definir como: formar o contraditório, o contraponto da notícia, da defesa de uma tese.

Opiniões diversas são caminhos que permitiriam o seu telespectador pensar, refletir entre possibilidades e escolher entre opções. Opinião única é entregar pronta a notícia sem que o telespectador precise pensar, refletir e escolher. E seu telespectador acaba induzido a pensar que a informação ou opinião da emissora é a única correta, afinal só existe um lado para a notícia, o lado que interessa as Organizações Globo.

A Rede Globo diariamente busca o direcionamento da opinião pública para defender suas ideias e denegrir as ideias que não vão de encontro aos seus interesses. Transformação e indução são marcas inseparáveis e caminham juntas no cotidiano jornalístico das Organizações Globo.

11. Interrupção. Consiste na interrupção repentina de uma transmissão por causa do interlocutor falar sobre um assunto que não interessa mais aos interesses da emissora. Pode acontecer, também, ao se dar um aparte para outra pessoa. A fala do interlocutor ou de quem foi concedido o aparte pode ser uma opinião comprometedora à emissora, pode conter uma crítica à emissora e até defender opinião diferente da emissora.

Então, se interrompe a transmissão com a entrada de um repórter ou a volta da transmissão para o Jornalista que está no estúdio.

No “Mensalão” acontecia de ser interrompida a fala de um Ministro no Julgamento, quando este estava dando um parecer favorável aos acusados. Ou seja, o contraditório sumia da emissora. As manifestações favoráveis aos réus não se viam ao vivo. Talvez, editadas depois.

A ideia unificada da condenação sem espaço para uma opinião diversa à condenação é uma marca do Jornalismo da Rede Globo. Jornalismo de mão única e de uma só posição diante dos fatos.

Outro exemplo: Um Senador discursa (aliado político ou defendendo as ideias da emissora) e a emissora Globonews está ao vivo, de repente, um Senador oposicionista da emissora pede um aparte e é concedido; a emissora para não dar oportunidade de veicular a fala contraditória, a opinião diversa, do nada interrompe a transmissão e corta para o estúdio ou o repórter entra na tela e começa a dar uma informação outra. Depois, a emissora volta ao pronunciamento do político aliado que, certamente, lhe é favorável.

12. Criação. Uma ideia, um personagem é criado no decorrer do tempo. Os dois, ideia e personagem caminham juntos.

A. Vai sendo moldada uma ideia: a do Mensalão do PT, do PT criador de dossiês contra a oposição, etc. Ideia - mensalão, personagem - PT.

B. Vai sendo moldado um político: Collor, o caçador de marajás; Serra, o grande gestor, criador dos medicamentos genéricos, etc. Ideia - Caçador de marajás, personagem - Collor. Ideia - grande gestor, personagem - Serra.

12.1.  Apartação. A ideia e o personagem podem ser abandonados no decorrer dos meses, anos.

Exemplos clássicos de apartação: o caso do Ex-senador Demóstenes Torres e do Ex-senador José Roberto Arruda, além do Ex-presidente Fernando Collor, que de Caçador de Marajás virou um sujeito que realiza magia negra. Do nada, a intimidade da emissora com o personagem desaparece e o mesmo some de seus holofotes. Parece que o personagem só serve para garantir os interesses de momento da emissora, são como robôs, descarta-se se tornar obsoleto. E ao haver a apartação, outro personagem ocupa o espaço daquele que não serve mais à emissora.

13. Diferenciação. Tratamento desigual para situações semelhantes. Cai um enorme temporal com várias vítimas fatais, em dois estados distintos, um de seu aliado político outro de um opositor às suas ideias. O tratamento é diferenciado.

Em 2010 choveu uma barbaridade na cidade de São Paulo e na cidade de Niterói. Em São Paulo, o Governador sequer apareceu para dar entrevistas, visitar os locais afetados, após as enormes enchentes nas avenidas marginais e outros locais. A Rede Globo culpou as chuvas torrenciais e a população pelas enchentes, por jogar lixo nas ruas. A emissora não exigiu do Governador, seu aliado, explicações para o ocorrido e nem reclamou de sua conduta, um tanto estranha, de se esquivar de ir aos locais afetados.

Já na cidade de Niterói que fica no Estado do Rio de janeiro, o Governador do Estado, opositor da Rede Globo, foi acusado dos transtornos, das enchentes e das mortes ocorridas, naquele ano, por exemplo, no Morro do Bumba, onde aconteceu grande tragédia. Foram pedidas explicações imediatas para o Governador sobre a tragédia e não se utilizou em defesa do governador do Rio de janeiro, o índice pluviométrico das chuvas e nem o lixo jogado pelos moradores da cidade, bem como a população não foi considerada culpada. O Governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral era aliado de LULA e o Governador SERRA oposição e o candidato preferido da Rede Globo nas eleições de 2010.

No Rio de janeiro parecia um jornalismo policialesco, o fato ocorreu pelo descaso do poder público. Em São Paulo, a culpa foi de São Pedro.

Aqui cabe o tratamento desigual da notícia e do acusado. Os 3 mil reais de propina recebidos pelo ex- funcionário dos Correios Mauricio Marinho, flagrado em um vídeo (hoje já se sabe que o vídeo foi feito por Jairo Martins de Souza um Policial e araponga à mando de, nada mais nada menos que, Carlinhos Cachoeira - o famoso bicheiro preso pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo e entregue para o Diretor da Sucursal da Revista Veja em Brasília, Policarpo Junior, publicar e, claro, a Globo repercutiu o vídeo)***  valem muito mais que os 1,4 bilhões de reais desviados da Sudene no Governo FHC, seu aliado, e o primeiro caso, merece muito mais apuração, mais reportagens da emissora, só pelo fato de ser uma corrupção que pode incriminar e desmoralizar seus opositores.

*** Jairo Martins de Souza foi acusado pelo Ministério Público de ser “funcionário” de Carlinhos Cachoeira e receber um salário mensal de 5 mil reais do contraventor. Esta gravação feita por um araponga a mando de um contraventor e entregue à Revista Veja foi o detonador do “suposto” escândalo do “Mensalão” em 2005.

14. Desqualificação e inversão. Se surge uma notícia (denúncia) que não seja favorável aos seus aliados de momento, a emissora corre logo para desqualificar a denúncia e provar que não é verdade o que está sendo denunciado. A Rede Globo pode até inverter a situação, acusar quem fez a denúncia e provar a inocência do denunciado.

Na Operação Monte Carlo está bem claro este processo. Pegaram o Deputado Protógenes Queiroz e começaram a acusar a pessoa que primeiro quis investigar numa CPI o Cachoeira e suas ilicitudes e tentaram incriminá-lo como parte integrante do grupo do contraventor. O Deputado Protógenes Queiroz foi até processado pelo PSDB, para tirá-lo das investigações da CPMI do Cachoeira, e absolvido por falta de provas, pelo Conselho de Ética da Câmara por 18 votos contra 1.

14.1. Desfocalização e inversão. Um truque onde quem promove a investigação, por exemplo, de uma corrupção é quem a emissora tenta colocar no centro das denúncias, tornando os verdadeiros corruptos personagens menores. Neste caso, o que é essencial da notícia vira secundário e o secundário da notícia vira o carro chefe do noticiário.

O atual Prefeito de São Paulo Fernando Haddad do PT (o partido mais inimigo da emissora dos marinhos) criou a Controladoria Geral do Município (CGM), um Órgão independente e com plenos poderes. Segundo lemos na internet: “o órgão terá status de secretaria e vai auxiliar diretamente o prefeito no controle interno da máquina administrativa e também em prevenção e combate à corrupção no poder público municipal” - retirado do site JusBrasil –. Essa controladoria descobre que havia na administração anterior ao mandato de HADDAD na Prefeitura uma máfia de fiscais ligados à Secretaria de Finanças, onde se fez a cobrança de propina de construtoras em troca da liberação do termo de quitação do ISS, o Imposto Sobre Serviços, com valores muito abaixo do real. Sem esse documento, as construtoras não conseguiriam o Habite-se. A CGM descobriu que os bens declarados desses funcionários (fiscais) concursados da Prefeitura eram incompatíveis com os seus ganhos mensais e desencadeou-se uma quantidade enorme de notícias relacionadas ao assunto. Essa máfia trouxe de prejuízo aos cofres do Município um montante em torno de 500 milhões de reais.

Ronilson Bezerra foi considerado o chefe da máfia dos fiscais do ISS e era subsecretário de Mauro Ricardo, este, indicado Secretário das Finanças do Município por José Serra do PSDB (Partido mais aliado da emissora) em 2005, quando José Serra se elegeu Prefeito da cidade. A máfia atuou no período da gestão SERRA/KASSAB.

Porém, apareceram duas denúncias contra o Secretário das Finanças Antonio Donato, Secretário do atual Prefeito Fernando Haddad, uma através de uma interceptação telefônica, nesta, ele foi acusado por Vanessa Alcântara, que se apresenta como ex-mulher de um dos fiscais da máfia do ISS, de ter recebido em 2008 duzentos mil reais para sua campanha eleitoral; e outra, relatada pelo Fiscal Eduardo Barcellos, da máfia do ISS, através do benefício da delação premiada, de que o Secretário Donato recebia uma mesada de 20 mil reais quando ainda era vereador e cuidava da transição de Governo (de Kassab para Haddad).

Portanto, uma pessoa que se apresenta como ex-mulher de um dos fiscais da máfia do ISS e um dos fiscais da máfia do ISS ajudaram na inversão do foco da notícia: a desfocalização. A questão central: os 500 milhões desviados dos cofres da Prefeitura na gestão passada, que durou 8 anos, perderam a centralidade da notícia, e a palavra da ex-mulher e do fiscal colocaram o Secretário de Haddad e a administração atual (com 10 meses no cargo) no centro da notícia.

O Prefeito atual e a sua administração tornam-se questionados, pelas palavras dos que estão sendo investigados, a corrupção da Secretaria de Finanças da gestão SERRA/KASSAB é colocada em segundo plano, e a administração que cria a Controladoria Geral do Município e que investiga, descobre e denuncia diversas pessoas por esse rombo de 500 milhões nos cofres da Prefeitura paulistana vira notícia e de forma negativa, como, corrupta, também. Ao invés de se valorizar a coragem da investigação e lutar para a elucidação plena das investigações e prisão dos fiscais e funcionários da Prefeitura corruptos, tenta a emissora colocar todos na mesma barca, quem investiga e descobre a roubalheira e quem é ladrão. E, lógico, buscando nenhuma associação com um aliado político da emissora, omite-se o nome de quem indicou o Secretário de Finanças, Secretaria, onde, atuavam os fiscais da prefeitura da máfia do ISS, afinal quem colocou o Ex-Secretário lá foi José Serra, um dos principais aliados políticos da emissora e do partido mais aliado da emissora: o PSDB.

14.2. Desfocalização com exumação. Este truque consiste em tirar do foco de uma denúncia de corrupção, disfarçadamente, os aliados da emissora que ainda estão em atividade na Política e aproveitar o Político afastado ou já falecido, este, não pode nem se defender, para imputar a(s) culpa(s).

No escândalo das licitações fraudulentas do Metrô de São Paulo, que duraram quase 20 anos, três Governadores do PSDB, nesse período, estiveram à frente do Governo Paulista: Mário Covas, Geraldo Alckmin, José Serra. Mário Covas já é falecido. O que faz o noticiário da emissora? Uma corrupção que perpassa três governadores diferentes é desfocada, como sendo praticada, quase que exclusivamente, no primeiro Governo do PSDB; exumasse o corpo de Mário Covas e pronto. E por que, assim? Porque o Ex-Governador Mário Covas, já falecido, não tem como se defender. Imputa-se a culpa em uma administração distante no tempo 20 anos, onde boa parte dos integrantes já está separada da vida política, alguns desses integrantes já falecidos: como é o caso do governante “supostamente corrupto”. E se livra a barra dos políticos aliados da emissora, ainda em atividade. A corrupção que dura 20 anos é tida como algo que seus aliados políticos vivos não sabiam que existia, não perceberam que continuou ocorrendo pós o término do mandato do Governador falecido em 2001, mais de 12 anos atrás.

14.3. Desqualificação com mudança de foco.

Se não tem como envolver seus opositores na denúncia com provas robustas, cria-se outra denúncia explosiva, mesmo sem prova alguma, e centram todas as reportagens nela. Até o esquecimento quase total da denúncia com provas robustas.

Um exemplo foi no período de efervescência da Operação Monte Carlo. A Rede Globo começou com uma série de denúncias contra o Governo do Rio de Janeiro na área de Saúde, por causa de contratos irregulares. O intuito foi para desviar o foco da Operação que prendeu o Carlinhos Cachoeira, pois, as investigações acertavam em cheio seus aliados políticos.

Passou-se um ou dois dias, e se descobre, por exemplo, que uma das Empresas beneficiadas por estes contratos iniciou suas atividades de prestação de serviços públicos com partido político aliado da Rede Globo, então, a emissora e suas as denúncias foram minguando do noticiário. Sem, é claro, dizer que na cidade de São Paulo, por exemplo, quando o seu aliado maior na política atual, José Serra, era Prefeito, a empresa que a emissora utilizou na acusação contra o Governo do Rio de Janeiro, teve, também, contratos.

15. Massificação. É o truque de capturar para si um evento que dê muita audiência que está acontecendo em algum lugar ou até vários lugares do País e do mundo para formar e informar a opinião pública.

A massificação procura cobrir, sem dar tréguas, um evento X, Y, Z, etc. por ser de interesse da emissora dos marinhos que a população se informe exclusivamente pela Rede Globo. E por que se informar exclusivamente pela Rede Globo? Porque as ideias veiculadas e as ações praticadas no evento não vão de encontro com os interesses da emissora e a classe social a que ela defende. Com o público interessado no evento ligado no canal de TV da emissora fica mais fácil editar e manipular a informação.

É claro que uma fala ao vivo é, praticamente, impossível de ser editada.

Vou demonstrar abaixo que o controle da opinião pública pode iniciar-se no momento do evento para se tornar a emissora a suposta “porta-voz oficial” do evento e seus desdobramentos. A intenção principal da Rede Globo com a massificação é controlar o fluxo informação presencial e futura (na futura: editar, negligenciar e manipular informações se torna um simples querer).

Notemos que nos dias de hoje a importância e a audiência possível de um evento é externa à emissora por causa da Internet. Se a emissora dos marinhos chegar atrasada na cobertura de um evento que for contrário aos seus interesses particulares e a classe social que a Rede Globo representa como ela poderá editar e manipular o evento, garantir a audiência para si? Ficará complicado, porque outro meio de informação poderá formar e informar a opinião pública. E dar uma visão distinta da desejada pela emissora e não mais ser possível o controle da opinião pública pela emissora dos marinhos.

Nos tempos antigos, pré-internet acontecia de a emissora negligenciar informações de eventos importantes, porque ela tinha hegemonia plena da informação, quase todo brasileiro se informava sobre o Brasil e o Mundo pela emissora. Assim, aconteceu nas Diretas Já e no impeachment do Ex-presidente Fernando Collor, a História nos conta, de a Rede Globo se render aos dois eventos apenas perto de seus términos.

Hoje se torna preciso participar de tudo o que a emissora possa considerar subversivo, contrário a sua visão de mundo e seus interesses particulares porque o evento com ou sem a sua cobertura será divulgado, assistido, terá grande público e será comentado.

Exemplos práticos de massificação são as passeatas com protestos e a visita do Papa Francisco.

Passeatas.

Quem acompanhou as passeatas de junho de 2013 viu que o MPL, grupo inicial das passeatas, defendia o Passe Livre e discursava para que se diminuísse o lucro das empresas de transporte como forma de diminuir o preço das passagens de ônibus, trem e metrô. Este é um discurso de esquerda (politicamente), então, a Rede Globo se viu obrigada a encampar as passeatas e a passar diariamente e por horas seguidas os jovens nas ruas, até deixando de lado as novelas da emissora para dar a sua versão dos fatos que aconteciam.

E o que fez então? Editou o conteúdo das passeatas, relatando uma realidade, diversa da real (das ruas), incentivando seu telespectador jovem a participar, incluindo então: as reivindicações que eram úteis à emissora, seus aliados políticos e as classes sociais que representa. De repente, PEC 37, corrupção, partidos políticos e políticos eram pautas, segundo a Rede Globo, das passeatas e não apenas a revogação do aumento das passagens de ônibus, metrô e trem e o passe livre.

Massificou na cobertura das passeatas a ideia de que os jovens do País todo foram nas ruas para demonstrar suas insatisfações para com a Política. Pequenas parcelas de jovens de algumas cidades tornaram-se grandes parcelas de jovens do Brasil todo, na massificação da notícia.

É o truque do tostão que vira milhão, se eu disser que é milhão. E do milhão que vira tostão.

Na passeata dos médicos na Avenida Paulista em São Paulo, contra o Programa Mais Médicos e a contratação de médicos estrangeiros para trabalhar no Brasil em cidades e regiões do Brasil onde faltam médicos residentes havia 500 pessoas, na edição global tinha-se 2000 mil pessoas.

Papa Francisco.

Com o Papa aconteceu igual. A Rede Globo ficou horas e horas seguidas televisionando e informando tudo o que o Papa Francisco fez no Brasil e quis controlar a opinião pública.

O Papa Francisco tem um discurso social progressista e mais agradável à esquerda (se pensarmos no espectro político), quando fala de questões sociais: desapego material, simplicidade, humildade, erradicação da pobreza, etc.

A Rede Globo precisou produzir uma quantidade significativa de informação sobre o Papa Francisco e diversificada, para garantir que a audiência ficasse na emissora e ela pudesse, ao máximo, pautar e informar a opinião pública. Tentou assim, controlar os meios de informação sobre as ideias e ações do Papa Francisco no Brasil. E tenta se passar agora, como a “porta-voz oficial” de Sua Santidade.

Tentou capturar para si a visita do Papa Francisco e agora pode, na lógica da emissora, selecionar o que é inofensivo divulgar, o que se deve editar e o que não se deve mostrar das pregações e ações do Sumo Pontífice.

Afinal, a opinião pública, segundo a lógica da emissora dos marinhos, irá buscar informações do Papa em seus meios de comunicação: rádio, TV, jornal, revista e portal da internet por ela passar a ideia de ser a “porta-voz oficial” de Sua Santidade no Brasil.

16. Decantação. É o truque do autoelogio entre os Jornalistas e analistas da própria Rede Globo diante de uma reportagem ou entrevista da própria emissora. Um programa dentro da programação da própria emissora para elogiar a própria emissora.

Na visita do Papa Francisco ao Brasil um Repórter da emissora conseguiu entrevista exclusiva com o Sumo Pontífice. Parte da equipe de profissionais da área de Jornalismo da emissora participou de um programa para elogiar a entrevista do Repórter com o Papa Francisco.

É a decantação. Prática comum na emissora em áreas outras, como a do entretenimento, quando, por exemplo, se mostra a história de vida de um artista contratado da emissora através de outros artistas e funcionários contratados da emissora, sendo de fora dos quadros de contratados da emissora, quase que exclusivamente, familiares e amigos que não sejam contratados de outros canais de televisão.

O truque da decantação é utilizado para valorizar a própria emissora, seu quadro de artistas e sua programação e alavancar a audiência da Rede Globo. Quem vai ser homenageado ou vai falar do artista homenageado pode estar prestes a realizar uma novela, um novo programa na Rede Globo ou pode estar ali porque se quer melhorar a audiência de uma novela ou de um programa da emissora.

17. Associação. Muito comum esta ação. Consiste em combinar ou simplesmente repercutir reportagem da mídia aliada, abrindo uma ótima pauta para atacar os opositores da emissora, o inimigo em comum. Por exemplo, a revista Veja solta uma reportagem, então os meios impressos e sites, as rádios e a TV das Organizações Globo amplificam a reportagem durante o dia, iniciando um processo de chamamento para que nós assistamos seus telejornais, principalmente o Jornal Nacional, onde a audiência é a maior de todas e a notícia surgirá com a maior força possível. Assim, a denúncia fica amplificada e em toda parte se repercute o que foi noticiado.

Pode haver a associação com um político, também, via horário eleitoral. Esta é uma técnica que consiste em jogar uma matéria no Telejornal da emissora e que o político associado à emissora, está pronto para repercutir, seja matéria em seu favor ou contra os adversários da emissora e do político. Na eleição para Presidente de 2010 ocorreu, algumas vezes, em horário nobre. E por que o político está pronto para repercuti-la? Porque a matéria foi feita por ambas as partes: emissora e político associado.

18. Organização. É o truque de como aparecem as reportagens, no decorrer do telejornal. Conforme as notícias vão se sucedendo no telejornal da emissora você observa que existe uma organização precisa do encaixe, numa sequência programada, das notícias X, Y e Z.

As notícias estão divididas em três grupos:

Grupo 1: As favoráveis aos Governos, à ideologia (visão de mundo) e classe(s) social(is) que a Rede Globo apoia;

Grupo 2: As notícias desfavoráveis aos Governos, à ideologia (visão de mundo) e classe(s) social(is) que a Rede Globo não apoia.


Grupo 3: As notícias que aparentemente não precisam de um viés positivo ou negativo. Por exemplo: notícias do futebol e da previsão do tempo.

Ápices, quedas, clímax, anticlímax, última notícia favorável ao lado que apoia ou desfavorável a quem não apoia são observados no decorrer da apresentação do telejornal.  

Todos estes truques abaixo e outros mais sintetizam as técnicas possíveis para a organização dos telejornais diários da Rede Globo de Televisão: 

A) Os temas jornalísticos abordados no dia e as omissões de temática que a internet desmascara;

B) A escolha das notícias positivas e negativas;

C) O tempo de exposição das notícias positivas e negativas de seu inimigo político ou de classe social;

D) O tempo de exposição das notícias positivas e negativas de seu aliado político ou de classe social;

E) O tom da fala e a fisionomia do(s) apresentador(es) e dos repórteres;

F) A escolha vocabular. Linguagem menos polida ou mais polida conforme a situação.

G) A imagem mais clara ou a imagem mais escura de uma reportagem, de uma entrevista, os flashes, os closes, a situação mais alegre ou acuada de uma pessoa que a emissora torna notícia, a omissão, desvalorização ou valorização da imagem dos personagens da notícia;

H) Os elogios escancarados, as críticas veladas;

I) O tom das matérias: mais policialesco, de denúncia, acusatório, mais sério, mais fúnebre ou mais amigável, parceiro e até festivo em determinadas situações conforme a situação (dentro da lógica amigo e inimigo da emissora) seja pelo lado político, ideológico (visão de mundo) ou de classe social;

 J) A maior exposição ou menor exposição do indivíduo A em relação ao B para dar explicações de uma denúncia qualquer conforme a necessidade particular da emissora;

Etc.


18.1. Permutação. É o truque de alternar notícias positivas e notícias negativas de diferentes temas. Positivas de seus aliados políticos e negativas de seus inimigos políticos. Aqui aparecem diferentes notícias de temas distintos num telejornal da emissora no dia X: saúde, educação, transporte, violência. Então se organiza, por exemplo, o Jornal Nacional com uma notícia de saúde desfavorável aos governos que a emissora não apoia e segue na sequência uma notícia favorável sobre um projeto educacional do governo que ela apoia e o telejornal se constrói dessa maneira, entre notícias positivas e negativas, sempre com tudo calculado e termina o Jornal Nacional escolhendo se vai encher a bola do seu aliado político ou rebaixar a credibilidade política de seu inimigo ideológico.

A Rede Globo pode bater por 18 minutos seguidos no inimigo político dela, como aconteceu no auge do Julgamento do “Mensalão” em outubro de 2012 e ainda a seguir, cortar para outra notícia e elogiar uma ação do seu aliado político, com toda a pompa é claro, e terminar o seu telejornal batendo, novamente, no seu adversário político, tudo sem nenhum constrangimento e quase sem nenhuma chance de defesa de quem ela veicula notícias negativas por quase todo o tempo do telejornal. A última notícia com diz a gíria: “é para acabar de chutar cachorro morto”.

A partir da duplicação ou comparação, tópico abaixo, se pode mostrar a organização dos telejornais da Rede Globo de Televisão na prática.

18.2. Duplicação ou comparação. É um truque semelhante à permutação, mas com o ingrediente de duplicar notícias de um mesmo tema no mesmo telejornal, por exemplo: saúde, educação, transporte, segurança, corrupção, etc. e dar enfoques distintos para cada uma. A emissora mostra uma reportagem, por exemplo, sobre segurança, onde seu aliado político aparece realizando ações concretas e benéficas para a população e, depois, coloca outra reportagem sobre segurança, onde busca passar a ideia de que seu inimigo político não age com competência e existem falhas em suas atividades administrativas, mesmo que a reportagem do seu inimigo político não condiga com a verdade, mesmo que seja produzida sem cuidado, apenas para uma confrontação entre políticos, mesmo que seja uma reportagem requentada, tudo posto para a manipulação do seu telespectador. É uma técnica que visa a comparação de ações, dizendo da competência de um e da incompetência de outro.

Em férias viajava pelo Paraná e no almoço a TV estava ligada no Jornal Hoje da afiliada da Rede Globo: RPCTV. Ao assisti-lo ficou bem clara a organização do telejornal Hoje em benefício do Governador Beto Richa, seu aliado político. A Polícia Civil do Governo deste político havia prendido, naquele dia, 18 pessoas, entre elas, dois delegados acusados de extorsão na Operação batizada de Vortex, e a emissora tratou do tema combate à corrupção no telejornal daquele dia com toda a pompa, entrevistou até um dos delegados acusado de corrupção: selecionou o Delegado, por ser meio esquisito o sujeito e fora do padrão, para entrevistar e mostrar imagens: sujeito meio gordinho, espinhas na cara, barbudo e malvestido. O Governador foi entrevistado, também, no começo do telejornal, num iluminado close de sua face, barba feita, terno alinhado e diante das câmeras e dos flashes bradou contra a corrupção. A fala dele creio que seja esta: - se as investigações comprovarem as irregularidades, os policiais envolvidos serão punidos rigorosamente. Busquei a fonte da fala via internet em texto escrito, não encontrei o vídeo de sua fala.

Em seguida outra notícia mostrou grades avariadas na Ponte da Amizade que liga Foz do Iguaçu à Cidad Del Leste no Paraguai. Segundo a notícia as avarias formam buracos onde se jogam muambas pelos vãos com destino ao Brasil.

Uma informação importante. A Polícia Federal estava realizando no dia do telejornal uma grande operação de fiscalização das fronteiras brasileiras para apreensão de armas, drogas, remédios falsificados, etc. e que duraria 45 dias. Todos os ônibus que peguei na viagem próxima à fronteira foram parados para revista da Polícia Federal ou Rodoviária Federal ou Rodoviária Estadual (no total de sete vezes). A emissora não noticia (omite) a Operação da Polícia Federal, apenas disse que as grades da Ponte da Amizade estão avariadas, o que possibilitaria o contrabando, e entrevistou numa sala escura um desconhecido membro do Ministério Público Federal dizendo que o Governo Federal tem um projeto de modernização da Ponte da Amizade, mostrou até uma maquete.

Depois, o que fez a emissora? Voltou com a notícia do Governador e a Operação Vortex que prende “corruptos” (na verdade acusados de corrupção) e dá-lhe valorização do aliado Político. O clássico: - voltamos a falar diretamente... E o telejornal termina com um auge, repetindo a notícia da ação do Governador aliado prendendo “corruptos”.

Assim se deu o Telejornal: clímax: notícia positiva (aliado), anticlímax: notícia negativa (opositor), clímax: notícia positiva (aliado).

O que aconteceu nesta organização do telejornal? Falou-se positivamente de seu aliado político, colocando ele como personagem central do noticiário, alguém que age de prontidão e com eficácia - seu honesto e trabalhador governo prende delegados e outros funcionários ligados à Polícia Civil acusados de corrupção; depois se falou negativamente de seu inimigo político, colocando sua Polícia a Federal (o Governo Federal atual é seu inimigo político) como omissa para com as avarias na Ponte da Amizade e o contrabando e que o Governo inimigo tem um projeto para revigorar a ponte, mas, sabe-se lá quando irá realiza-lo; e volta a falar das prisões de delegados e outras pessoas da Polícia Civil do Paraná, acusadas de corrupção, Polícia Civil comandada pelo Governador paranaense, seu aliado político, e termina o telejornal enchendo a bola do Governador Beto Richa.

Seu aliado político foi tratado com respeito, com luzes claras, como sujeito que age e deram voz para o aliado dizer da ação da Polícia Civil do Estado do Paraná, afirmando que se as irregularidades forem comprovadas haverá a punição imediata dos acusados.

De seu inimigo político foi omitida toda uma Operação na Fronteira contra o contrabando de armas, drogas, remédios falsificados, etc., e entrevistaram, para mostrar imparcialidade, um membro desconhecido do Ministério Público Federal em uma sala escura dizendo que há um projeto de modernização da Ponte da Amizade sem previsão de quando será feita esta modernização. O Governo Federal foi colocado como alguém que não faz as coisas que deveria fazer, através de sua Polícia Federal e vive de projetos e maquetes sem realizá-los.

É muito provável que tudo foi combinado entre a assessoria do Governador e a emissora, para a edição precisa de o telejornal acontecer.  Tudo preparado à perfeição, repórteres na hora exata nos locais exatos, Governador discursando e matéria negativa pronta, do inimigo político com a omissão da significativa Operação da Polícia Federal nas fronteiras que ocorria naquele dia, com uma entrevista gravada de membro do Ministério Público para a notícia negativa se processar. A notícia da ponte pode ter sido reprisada, estava lá para existir o truque da duplicação ou comparação.

A emissora não iria dar valor à Operação da Polícia Federal, esta se omite, e como contraponto coloca a Operação de prisão de membros da Polícia Civil de seu aliado político. Uma Polícia, a Federal, inoperante; outra, a Polícia Civil do Paraná, trabalhando para defenestrar a corrupção de seus quadros.

Um mesmo tema duplicado e comparado com distintas abordagens e se dá a organização do telejornal da emissora. Outras notícias estão presentes no telejornal e são todas coadjuvantes do enredo montado milimetricamente para seu telespectador assistir e ser manipulado. 

Vídeos Demonstrativos:


Nesta matéria existem diferente cidades citadas. Ênfase para duas, maiores. Aracaju - SE, administrada pelo PCdoB até 2012. E São Paulo, onde foram checados 5 hospitais e 1 deles o da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) encontrou-se problemas. O detalhe é para a ênfase de que o hospital é da Unifesp. Moral: termina a reportagem com a valorização da reportagem/denúncia, onde a Prefeitura de Aracaju diz que irá tomar providências.

(Na matéria condensada do Jornal Nacional a ênfase era para o Hospital São Paulo).

2 — Seleção das perguntas para SERRA e para DILMA.


3 — Heloisa Helena no Jornal Nacional.
Seria legal fazer uma retrospectiva das aparições de Heloísa Helena nos Jornais da Rede Globo e ver a quantidade de vezes que ela foi entrevistada, apenas para falar mal do PT e/ou de seus políticos.

4 — É possível fazer uma cobertura da morte do Cazuza sem entrevistar um “fã de carteirinha”? Veja como é possível, no link abaixo:


5 — Debate entre Collor X Lula. (Não encontrei o vídeo)

A edição do Jornal Nacional é um clássico do Jornalismo parcial da emissora.

6 — Vídeos: um com omissão e outro com citação do partido político.

Seria legal observar no dia a dia este detalhe. Será fácil subsidiar a técnica que apontei.

7 — Aqui aparece o SERRA discursando para a plateia. Diz-se que a obra foi inaugurada sem estar totalmente pronta, mas termina a reportagem com um motorista de carro que diz que tem que inaugurar logo o Rodoanel, para diminuir o trânsito de caminhões na cidade. Moral: Mesmo não estando, totalmente pronta, a Rede Globo tenta incutir a ideia de que era vantajoso entregar a obra inconclusa.


Se fosse um político opositor às suas ideias, certamente, a reportagem seria sobre os perigos de se entregar uma obra viária inconclusa, onde carros com pessoas trafegam.

8 — Edição JN 1989 - Lula e Collor e 2010 Dilma e Serra.

Pena não encontrar o vídeo. Mais ilustrativo impossível. 

Alexandre Tambelli
No GGN
Leia Mais ►