7 de mar de 2014

FHC usava Palácio para reeleição: mas aí tudo bem!


A extrema-direita já tem um discurso: repetir a História, implorar por um novo golpe – 50 anos depois. É patético. Mas pelo menos há alguma coerência nessas "marchas com a família, com deus e com os milicos"…

Pior é o que acontece com os tucanos: não conseguem achar um discurso. E por isso perdem-se num labirinto ridículo: criticam a cor do vestido de Dilma, e agora não querem que a presidenta use o Palácio do Alvorada para reuniões políticas. Alô, amigos: Dilma mora no Alvorada! Vai fazer reunião onde? Na churrascaria?


Curioso é que, em 1998, o PSDB (e a velha mídia brasileira — que agora oferece palanque pra essa histeria ridícula dos tucanos) não achava nada demais nas reuniões no Palácio.

Encontrei referências a uma dessas reuniões num livro sobre a vida de Sérgio Motta — o ministro de FHC que “inventou” a reeleição. Vejam esse trecho, nas páginas 221/222 de “Sergio Motta – o trator em ação“:
“Enquanto São Paulo fervia, Fernando Henrique acertava o cronograma da reeleição com o mesmo PFL (…). Luiz Eduardo Magalhães e Heráclito Fortes (PFL-PI) foram jantar com FHC e o ministro Paulo Renato no Alvorada, na noite de 6 de junho (…). Sergio Motta estava na sua nova trincheira. Não participou do jantar no Alvorada. Mas foi dos primeiros a receber a notícia do próprio Fernando Henrique”.
A leitura permite-nos concluir algumas coisas:

1) FHC não se reunia com tucanos e pefelês (atuais demos) em churrascarias de Brasília;

2) nos jantares do Alvorada, eles não trocavam receitas, nem falavam sobre jardinagem; discutiam a campanha da reeleição de FHC;

3) a comida do Alvorada não devia ser boa — do contrário, o glutão Sergio Motta teria ido ao jantar.

Foi essa foto que provocou indigestão nos tucanos em 2014:


O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) disse o seguinte: “Se ela tivesse usado a sua residência oficial no período da noite poderia ser tolerável, mas em horário de expediente é preciso que o TSE analise.” Tolerável?

Em tempo: Lula chegou ao Palácio às 17h30. E a reunião foi até 20h. Isso lá em Barbacena é noite, seu Carlos Sampaio. Em Minas (e Dilma é mineira), o povo janta às 18h. Os tucanos (especialmente o Serra) eu não sei. Mas está aí um debate central para o país: a noite começa às 18h? Às 19h? Muito bom debate… O Serjão acho que atiraria um trator na testa de tucano que viesse com essa conversa mole. Ele queria projeto de país e de poder. Os tucanos querem discutir figurino presidencial e etiqueta para o jantar.

Paulo Renato e Luiz Eduardo (citados no livro, como participantes do tal jantar em 1998 — atenção: no tempo do tucanato estava, sim, autorizado tratar de política no Alvorada!) morreriam alguns anos depois… Sergio Motta também já se foi.

FHC e os tucanos estão vivos? Há controvérsias.

Se pretendem fazer campanha em 2014 usando essa “gritaria” patética contra reuniões no Alvorada, eu diria que o PSDB já morreu.

Que venha uma oposição de verdade! O Brasil precisa dela.

Rodrigo Vianna
No Escrevinhador
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Na bizarra parceria entre Serra e a Globo, quem perdeu foi o contribuinte paulista

Feitos um para o outro
Quando você pensa que não existem mais motivos para você rejeitar ainda mais Serra, eis que ele sempre surpreende.

Agora, um caso relativamente antigo mostra a sorte que os brasileiros tiveram em se livrar da hipótese nefasta de um Serra presidente.

Estamos falando de como Serra lidou com um terreno público que a Globo, sem nenhuma cerimônia, tomou para si ao longo de anos.

O terreno, contíguo à sede da empresa em São Paulo, foi ocupado pela Globo. Você não podia entrar lá, mesmo sendo público. Seguranças da Globo detinham você.

O terreno virou coisa privada da Globo — numa parábola dramática do que a empresa faz com o Brasil.

O tema voltou à discussão agora por conta do paralelo que se faz com um terreno municipal que a justiça de São Paulo negou — acertadamente — ao Instituto Lula.

Kassab fizera a gentileza com aquilo que não é dele, um patrimônio municipal, e a justiça negou.

Num mundo menos imperfeito, Lula não teria aceito uma generosidade tão despropositada, até porque tem meios para bancar seu instituto. É um dos palestrantes mais bem pagos do mundo, e pode perfeitamente alugar uma sede para seu instituto sem tomar um prédio dos paulistanos.

Alguém imagina Mujica fazendo o mesmo em Montevidéu?

Mas este mundo é mesmo incrivelmente imperfeito, tanto que a Globo jamais foi incomodada pelo poder público ao usurpar um terreno público na São Paulo que seus acionistas, como bons cariocas, abominam e invejam ao mesmo tempo.

O furto da Globo só veio à luz porque a Record fez uma excelente reportagem.

O que a Folha — “um jornal a serviço do Brasil”, pausa para rir — fez com o escândalo? Nada. E a Veja, tão combativa, pausa para mais uma risada, fez? Nada.

Apenas para um exercício especulativo, e se São Paulo tivesse acionado a Globo e o processo fosse dar no STF de Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e Ayres Britto? São todos chapas da Globo no famigerado Instituto Innovare, pretensamente destinado a premiar boas práticas jurídicas.

Mais uma pausa, agora para emitir um longo gemido de lamento impotente.

Serra governava São Paulo na época, e interpelado por um repórter da Record sobre o caso reagiu com sua habitual truculência arrogante.

Em vez de explicações, deu patadas. Se tivesse bom trânsito com Edir Macedo, ligaria, como tantas vezes fez, para pedir a cabeça do jornalista.

Denunciado o caso, já não havia como fingir que a Globo era dona do terreno.

A solução foi abjeta. A prevaricadora se associou, sob sorrisos, à vítima — o pobre paulista, representado pelo seu governo.

Montaram ali uma escola técnica, à qual se deu o nome de Roberto Marinho. Melhor: Jornalista Roberto Marinho, que era como o barão iletrado da mídia gostava de ser chamado.

Na escola, os temas estudados estão vinculados a interesses editoriais estratégicos da Globo.

A Globo não pediu desculpas aos paulistas. Não cogitou enfiar a mão no bolso para ressarcir os cofres públicos pelo que sonegou ao não pagar nenhum tipo de aluguel.

Num vídeo, (assista abaixo), você pode ver a cerimônia em São Paulo em que o governador Serra e Roberto Irineu Marinho assinam um contrato que é corrupto em cada vírgula.

Estão felizes. Roberto Irineu provavelmente contava os minutos para retornar à sua cidade, e Serra tinha aquele sorriso que ele reserva para campanhas eleitorais e para homens poderosos.

Paulo Nogueira
No DCM

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Sufocado pela concorrência de O Globo, piauí Herald pede concordata

Olegário Ribamar reuniu a redação para anunciar que a casa caiu

Editorial: O dever de um blog XVII - A missão

O piauí Herald tem um profundo respeito por seus leitores e, ao longo de sua história, jamais se permitiu agir de outra forma. Não será diferente desta vez. 

Faz-se mister reconhecer sem meias palavras que o jornal O Globo vem atuando com descomunal competência no mesmo nicho de mercado deste blog. Ao tratar os mais variados assuntos com as mesmas objetividade, isenção e pluralismo que sempre pautaram este piauí Herald, o poderoso matutino cativou nossos leitores, seduziu nossos anunciantes e contratou nossos estagiários de 150 reais.

Sentimo-nos na obrigação de reconhecer o flagrante, o colossal despreparo deste piauí Herald para lidar com as graves implicações do que dizia à nação o advogado Jonas Tadeu. O Globo, mais uma vez, fez com que nos sentíssemos menores, obsoletos, inúteis, imprestáveis. Seus editoriais em defesa da democracia e da ordem ameaçadas constam dos anais do jornalismo, são como tábuas sagradas da liberdade de expressão. Para piorar, nossa principal fonte, o papagaio de Seu Matias, síndico do prédio onde mora a tia de Gregorio Duvivier, não fala mais conosco.

A pá de cal ainda estaria por vir. Nossa modesta redação, assentada no número 500 da Avenida Brasil, entrou em choque ao abrir a edição do Globo e topar com o furo de reportagem que vínhamos perseguindo há meses. Trabalhamos diuturnamente, sem parar, num esforço inédito de nossos repórteres, mas não logramos desvendar a espetacular notícia que o matutino fluminense ostenta hoje em sua capa: RIO TERÁ ROBOCOP CONTRA BLACK BLOCS. Tal formulação nos moeu de inveja e nos encheu de humilhação. A composição do título com a imagem despertou, em nós, os instintos mais primitivos. O arremate, no rodapé, com a chamada "Protestos não estão acima da crítica, diz filósofa", foi o tiro de misericórdia. Como diriam Lênin e Roberto Marinho: e agora, o que fazer?


Por um defeito de caráter, este piauí Herald prefere não fazer autocríticas. Nos falta o dom da humildade. Cientes de que cumprimos com nosso dever, anunciamos aqui a nossa concordata. Com a ajuda de José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino iniciaremos uma campanha de arrecadação online para pagar o fundo de garantia de nossos funcionários, que, graças a Deus, ganhavam pouco, pelo menos isso.
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O silêncio ensurdecedor de Pelé nos casos escandalosos de racismo no futebol

Arouca, do Santos: “negro como o Rei Pelé”
O gênio de Mário Filho, o maior cronista esportivo do país, produziu em 1947 um clássico chamado “O Negro no Futebol Brasileiro”. Eu já mencionei o livro aqui.

Mário fala da ascensão dos atletas negros, de como eles transformaram o esporte, de como os times, notadamente os cariocas, foram aos poucos tendo de se render ao fato de que aqueles meninos pobres eram melhores que os meninos ricos.

Na edição de 1964, ele acrescentou dois capítulos e num deles cometeu um erro de avaliação — que pode ser creditado ao seu romantismo.

Escreve Mario sobre Pelé: “Dondinho era preto, preta dona Celeste, preta vovó Ambrosina, preto o tio Jorge, pretos Zoca e Maria Lúcia. Como se envergonhar da cor dos pais, da avó que lhe ensinara a rezar, do bom tio Jorge que pegava o ordenado e entregava-o à irmã para inteirar as despesas da casa, dos irmãos que tinha de proteger? A cor dele era igual. Tinha de ser preto. Se não fosse preto não seria Pelé”.

Prossegue: “Se era ‘Rei’, o que eram aqueles pretos admiráveis que o formaram, que o modelaram, que só lhe ensinaram o que era bom? Para isso, ele tinha de ser o que era: um preto. O Preto. O Crioulo”.

Cinquenta anos depois, o apelido Crioulo caiu em desuso e Pelé está calado, e provavelmente continuará assim, diante dos casos de racismo cada vez mais frequentes e absurdos. Torcedores do Mogi Mirim chamaram Arouca, do Santos, de macaco e o mandaram procurar uma “seleção africana para jogar”.

Tinga, do Cruzeiro, ouviu a torcida peruana do Real Garcilaso gritar a mesma ofensa — algo que já ocorrera com ele numa partida do Brasileirão contra o Juventude, em Caxias do Sul, quando atuava pelo Internacional. O árbitro Márcio Chagas da Silva não apenas foi xingado como encontrou bananas espalhadas sobre seu carro na saída de uma partida. O goleiro Felipe, quando no Corinthians, passou por situação do mesmo teor contra o Juventude. Zé Roberto, do Inter, também, num Gre-Nal.

Esses são apenas os casos que tiveram repercussão. A punição, quando há, é irrelevante. O clube paga uma multa e perde dois mandos de campo, se tanto, e vida que segue. Não é muito diferente no exterior, por orientação do presidente da Fifa, Sepp Blatter. O show tem de continuar.

Numa nota, Arouca lamentou: “Como se algumas das páginas mais bonitas da história da nossa seleção não tivessem sido escritas por jogadores como Leônidas, Romário e pelo Rei Pelé, também negros”.

E Pelé? Na idealização de Mário Filho, ele tem orgulho de sua cor e seu exemplo seria suficiente para que o racismo no futebol fosse mitigado. Mas ele é, na verdade, o oposto disso, a face da acomodação.

Não se posiciona, não defende ninguém ou nenhuma causa que não seja a própria, não enfrenta nada, não quer se indispor com quem ele sabe que manda no futebol — aqueles que mandavam no tempo de Mário Filho.

Não que tenha sido poupado na carreira. Pelé já relembrou episódios em que os membros da equipe do Santos foram chamados de “macaquitos” na Argentina e de como “ia lá e arrebentava os adversários” quando escutava coisas que “o chateavam”. Há três anos, porém, afirmou que casos de racismo no futebol eram “coisinhas”.

A democracia racial brasileira é uma peça de ficção e Pelé, de certo modo, também. Mário Filho fala de Robson, do Fluminense, que nos anos 50 deu uma declaração que caberia perfeitamente, hoje, na boca do Rei: “Eu já fui preto e sei o que é isso”.

Kiko Nogueira
No DCM
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Um retrato da mídia no Brasil

Pesquisa divulgada na sexta-feira (7/3) pelo ministro-chefe da Secretaria da Comunicação Social, Thomas Traumann, apresenta um relato inédito dos hábitos de consumo de mídia por parte dos brasileiros [ver aqui]. Trata-se do primeiro levantamento efetivamente nacional sobre o uso dos meios de comunicação, com amostras representativas dos 26 estados e do Distrito Federal, que deverá ser repetido anualmente.

A metodologia tende a dar mais visibilidade aos meios de longo alcance, como a televisão e a internet. Essa é uma grande qualidade do estudo, uma vez que os levantamentos feitos por instituições privadas que representam as próprias empresas de comunicação cobrem apenas os grandes centros e o alcance da mídia mais concentrada. A realidade nacional é diferente daquela que se vê a partir de São Paulo, Rio ou Brasília.

O resultado mostra que assistir televisão é hábito de 97% dos brasileiros de todas as idades, gêneros, nível de renda, escolaridade ou localização geográfica. O rádio ainda tem grande penetração, citado por 61% dos entrevistados, e, tratando-se de uma pesquisa nacional, que inclui os lugares mais remotos do país, surpreende que 47% dos consultados tenham declarado o hábito de acessar a internet.

A leitura de jornais diariamente é hábito de apenas 6% das pessoas (25% dizem ler um jornal por semana) e 7% costumam ler revistas semanais.

Há algumas curiosidades interessantes nos gráficos, como o tempo dedicado por homens e mulheres à televisão, nos dias úteis e nos finais de semana, e a diferença de uso em cidades pequenas e nas regiões urbanas com mais de 500 mil habitantes: em média, a TV fica ligada mais de 3 horas por dia. Durante a semana, predominam os programas jornalísticos ou de notícias, com 80% de citações entre três respostas por ordem de lembrança, seguidos pelas telenovelas, com 48%. Aos sábados e domingos, a preferência muda para programas de auditório, com 79% das preferências; jornalismo passa a 35% e programas de esporte aparecem com 27% das escolhas.

Jornais semanários

O rádio também apresenta um perfil de alta intensidade, com o aparelho ligado cerca de 3 horas por dia, durante toda a semana. Há uma concentração maior de ouvintes na região Sul, enquanto no Centro-Oeste e na região Norte, por exemplo, mais de 50% afirmam nunca ouvir o rádio. Trata-se, também de um meio preferido pelas mulheres, tanto em frequência quanto em intensidade, com uma audiência mais relevante entre os maiores de 65 anos.

A internet aparece como o meio de comunicação que mais cresce entre os brasileiros. Um quarto da população já acessa a rede diariamente: de segunda a sexta-feira, com uma intensidade média de 3h39 minutos, e durante 3h49 nos finais de semana. Os usuários estão concentrados na faixa etária de até 25 anos, com 77% do total de entrevistados e predominância entre moradores das grandes cidades e pessoas com renda mais alta e maior escolaridade. A maioria dos usuários (84%) acessa a internet pelo computador, mas 40% também usam o celular para entrar na rede.

Um aspecto fundamental para o estudo do uso da mídia pode ser observado nos dados referentes ao tempo dedicado a redes sociais, principalmente o Facebook: 68,5% dizem utilizar preferencialmente os sites de relacionamento de segunda a sexta e 70,8% nos finais de semana. Entre os sites noticiosos nacionais, os mais acessados são os portais do grupo Globo, Globo.com e G1.com, seguidos pelo UOL e R7.com.

Sobre a leitura de jornais, a pesquisa não apenas confirma que se trata de um meio pouco usado pelos brasileiros, mas também que, na prática, os diários se transformam em semanários: enquanto 75% afirmaram nunca ler jornais, 6% declaram o hábito de leitura diária e 25% costumam ler jornal uma vez por semana. A primeira escolha dos leitores é por notícias locais (33% das citações), seguida por esportes (25%), notícias policiais (16%) e fofocas sobre novelas e celebridades (16%). Os títulos mais citados são os chamados populares e de baixo custo.

Interessante notar também que 19% dos entrevistados afirmam confiar sempre nas notícias de jornais impressos, enquanto 34% confiam “muitas vezes”, 39% confiam “poucas vezes” e 6% “nunca confiam”.

Dos três jornais considerados de circulação nacional, O Globo é lembrado por apenas 3,8% dos consultados, a Folha de S. Paulo é citada por 2,1% e O Estado de S. Paulo, por 1,3% dos entrevistados.

Luciano Martins Costa
No OI
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Por divergência política, células Anonymous rompem com AnonymousBrasil

Por divergência política, células Anonymous rompem com AnonymousBrasil
Divergentes acusam grupo de desfigurar o ideário original ao se aliar a grupos conservadores de “combate à corrupção”

AnonymousBrasil é acusado de deturpar ideais
originários do grupo
Foto: Linux
Em manifesto publicado no dia 3 de março (segunda-feira), o Anonymous Curitiba declarou rompimento com o Anoymous Brasil, comunidade com mais de um milhão de seguidores. Entre os principais motivos estaria um suposto desvirtuamento da ideia originária do Anon (diminutivo para Anonymous), que é apartidário, antiliberal, contrário ao sistema representativo e a favor do participativo. Outra questão é que a célula em questão se aliou a grupos conservadores de “combate à corrupção”.

No manifesto, os integrantes da célula curitibana afirma que um “grupo que reproduz noticias da grande mídia não pode ser levado a sério” e que apenas “se reproduz e cospe o senso comum”. Outro fator que pesou no rompimento é que, segundo os integrantes do Anon Curitiba, a página do Anonymous Brasil virou “mais um movimento contra a corrupção”, o que contraria o ideário do grupo, que não luta contra a corrupção partidária ou individual, já que estes problemas estariam atrelados a uma questão sistêmica muito mais profunda do que o senso comum prega, de acordo com o ideário.

“Isso quer dizer que nós não repudiamos a corrupção do poder público? Não, de forma alguma. Só entendemos que ‘corrupção’ é um conceito muito vago, além de ser apenas um reflexo de um problema que é muito maior”, diz a nota do Anonymous Curitiba. Na sequência eles atentam que “Anonymous é a hiperdemocracia, tecnocracia e total liberdade de expressão” e chamam a atenção para o fato de que a página Anon BR não faz nenhum destes debates.

Eles também explicam a relação do Anonymous com o sistema democrático e fazem críticas por conta da página do Anon BR apenas criticar o PT. “Não acreditamos no sistema representativo, então, pouco importa qual partido está no poder, ele não nos representa. É importante deixar claro que apartidarismo não é apenas não militar por partido algum, mas também é não militar contra um partido específico. Logo, podemos desconfiar do apartidarismo de algumas páginas apoiadas pela Anonymous Brasil”, critica o manifesto.

A nota de repúdio também é assinada pelo Anonymous FUEL Br, que complementa, em sua página do Facebook: “Na verdade, a FUEL teve início como célula justamente em função desse problema. Para quem não sabe ou não se lembra, mais da metade de nossos membros “fundadores” se retirou da AnonymousBrasil (a.k.a. TV Globinho) por entender que aquele espaço era corrompido e realizava um contra-serviço para a Ideia”.

A reportagem da revista Fórum entrou em contato com o Anonymous Brasil, mas até o fechamento desta matéria não obteve resposta.
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Ponte Llaguno - As chaves de um massacre

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A Arquitetura da Balcanização

http://www.maurosantayana.com/2014/03/a-arquitetura-da-balcanizacao.html


O mundo vive horas perigosas. A Rússia enviou tropas para a Península da Criméia. O governo provisório que está no poder na Ucrânia convoca reservistas, enquanto oficiais e soldados se bandeiam para o lado russo, evidenciando a divisão do país. O G-8 suspende o encontro que estava programado para Sochi, na Rússia. A Alemanha e os Estados Unidos querem montar um “grupo de contato” para promover “negociações”, mas, em gesto de aberta provocação, Washington envia o Secretário de Estado John Kerry a Kiev, para manifestar o apoio dos EUA aos rebeldes que tomaram o poder na capital ucraniana.

Se houver combate entre as tropas que estão entrando na Criméia para defender a população de origem russa que vive na região, e esses confrontos se degenerarem em prolongada guerra civil, a responsabilidade por esse novo massacre será dos Estados Unidos e da União Européia.

Seria inadmissível que Putin enviasse um senador para discursar diretamente aos manifestantes do movimento Occupy Wall Street, en Nova Iorque, como fez John Mcain no centro de Kiev, ou que os russos promovessem em Porto Rico a prolongada campanha de desinformação e provocação que o “Ocidente” está desenvolvendo há meses na Ucrânia, empurrando a parte da população que não é de etnia russa para um conflito contra a segunda maior potência militar do planeta e a maior da região.

A OTAN sabe muito bem que não poderá intervir militarmente — e atacar Moscou, que conta com milhares de ogivas atômicas, que podem atingir em minutos Berlim, Londres e Paris — para defender os manifestantes que ela jogou o tempo todo contra o governo ucraniano.

Sua intenção é levar o país ao caos, pressionando Yanukovitch a tentar recuperar o poder com apoio de Putin, para depois acusá-lo — junto com o líder russo — de déspota e de genocida, e posar de defensora dos direitos humanos, da liberdade e da “democracia”.

Se conseguir alcançar seu objetivo de desestruturar o país, o “Ocidente” poderá somar os milhares de mortos, de estupros, de refugiados, e os bilhões de dólares de prejuízo da destruição da Ucrânia, a uma longa lista de crimes perpetrados nos últimos 12 anos, no contexto de sua Arquitetura da Balcanização.

Inaugurada nos anos 90, essa tática foi testada, primeiro, na eliminação da Iugoslávia e na sangrenta guerra que se seguiu, que acabou dividindo o país de Tito em Eslovênia, Croácia, Bósnia e Herzegovina, Macedônia, Montenegro, Sérvia, e em enclaves menores como o Kosovo.

O mesmo processo de fragmentar, para dividir e dominar, destroçando o destino de milhares, milhões de idosos, mulheres e crianças, foi mais tarde repetido no Iraque e no Afeganistão — jogando etnia contra etnia, cultura contra cultura — no contexto da “Guerra contra o Terror” — montada a partir de mentiras como as “armas de destruição em massa” de Saddam Hussein, que nunca existiram.

O mesmo ocorreu, depois, na Tunísia, Líbia, Egito, Iêmen, Síria, a partir do macabro engodo da “Primavera Árabe” — também insuflada, de fora, em nome da “liberdade” — que, como maior resultado, colocou em poucos meses crianças que antes frequentavam, em condições normais, os bancos escolares, para comer — sob a pena de perecer de fome — a carne de cães putrefatos, recolhida nos escombros.

O objetivo da Arquitetura da Balcanização no entorno russo é gerar condições para a derrubada de regimes simpáticos a Moscou na região, promovendo o caos, a destruição, o ódio entre culturas e famílias que convivem há décadas pacificamente, para obter a sua divisão em pequenos países, que possam ser mais facilmente cooptados pela OTAN, com sua definitiva sujeição ao “Ocidente”.

Sua esperança é a de que, levando Moscou a intervir em antigas repúblicas soviéticas — para proteger seu status geopolítico e suas minorias étnicas — os russos se envolvam em várias guerras de desgaste, que venham a enfraquecer a Federação Russa, ameaçando a união social e territorial do país.

Ao se meter na área de influência de Moscou, insuflando protestos em países que já pertenceram à URSS, a Europa e os EUA estão — como antes já fizeram Hitler e Napoleão — cutucando o Urso com vara curta, e empurrando, insensatamente, o mundo para a beira do abismo.

A Rússia de hoje, com 177 bilhões de dólares de superávit comercial no último ano, e o segundo maior exportador de energia do mundo — o que lhe permitiria congelar virtualmente a Europa se cortasse o fornecimento de gás nos meses de inverno — não é a mesma nação acuada que era no início da guerra de 1990, quando os norte-americanos acreditavam, arrogantes, na fantasia do “Fim da História” e em sua vitória na Guerra Fria.

A Federação Russa tem gasto muito para manter e modernizar sua capacidade de defesa e de dissuasão nuclear nos últimos anos. Putin sabe muito bem o que está em jogo na Ucrânia. E já deu mostras de que, se preciso for, irá enfrentar, pela força, o cerco da Europa e dos Estados Unidos.

Ele já provou que está disposto a levar até o fim, a decisão que tomou de não se deixar confundir, em nenhuma hipótese, com uma espécie de Gorbachev do Terceiro Milênio.
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Internet, ano 1


No SQN
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Censura X Internet Livre

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Quase metade dos brasileiros se informa pela internet, afirma ministro da Comunicação Social



O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Thomas Traumann, apresentou nesta sexta-feira (7) a Pesquisa Brasileira de Mídia, que tem como objetivo mostrar como e onde o brasileiro busca a informação atualmente. O levantamento feito entre 12/10 e 6/11, que entrevistou cerca de 18 mil pessoas em todos os estados do Brasil, mostrou que 47% da população tem o hábito de se informar pela internet, o que mostra a importância desta plataforma, segundo o ministro.
“Todos nós tínhamos ideia clara que a importância da internet na informação vinha crescendo. Como não temos pesquisa anterior do mesmo tamanho, não se pode fazer uma comparação, mas se pode hoje dizer que sim, quase metade dos brasileiros se informa e usa a internet como meio cotidiano e rotineiro da informação. Isso é muito importante tanto para as políticas de comunicação quanto como retrato de como o brasileiro se informa”, afirmou Traumann.
A Pesquisa Brasileira de Mídia ainda aponta que o meio de comunicação mais utilizado para busca de informações no país é a televisão, pois 97% dos entrevistados afirmaram assistir TV. 61% das pessoas afirmaram ter o costume diário de ouvir rádio, que ficou em segundo lugar, seguido pela internet, com 47%.

Veículos públicos e estatais

A pesquisa mostra que a TV Brasil é conhecida por 37% dos brasileiros e a TV NBR por 23% da população. Com relação ao programa A Voz do Brasil, 68% dos entrevistados afirmaram conhecer o programa. As pessoas que afirmaram conhecer A Voz do Brasil também foram chamadas a avaliar o conteúdo do programa. Em termos gerais, 50% dos respondentes avaliaram seu o conteúdo como ótimo ou bom, em contraste, 12% avaliaram esse conteúdo como ruim ou péssimo.

O programa Café com a Presidenta é conhecido por 21% dos brasileiros. Entre os que conhecem o Café com a Presidenta, 39% afirmaram já ter ouvido o programa. Na internet, os resultados mostraram que 24% da população conhece o Portal Brasil, enquanto 18% afirma conhecer o site do Planalto e 12% o Blog do Planalto. Considerando os entrevistados que afirmaram conhecer esses espaços, mesmo que de ouvir falar, 28% afirmaram já ter acessado o Portal Brasil e o percentual dos que já acessaram o site do Planalto e o Blog do Planalto ficou em 24%.


No Blog do Planalto
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Quem ganha e perde na “economia do terror”


Você leu ontem uma série de notícias desastrosas sobre a economia brasileira.

“Rombo” recorde nas contas externas, “país tem maior saída de dólares desde fevereiro de 2002″, elétricas pedindo racionamento de energia, produção de petróleo caindo, BC prevendo inflação resistente, enfim, algo próximo do caos.

Deveríamos estar vivendo um momento do tipo “salve-se quem puder”, com o capital fugindo para portos seguros.

Agora, leia este trecho de uma matéria (exclusiva para assinantes) do Valor, hoje:
A melhora da percepção de risco do investidor estrangeiro em relação ao Brasil, que vem sendo desenhada há alguns dias, deixou marcas mais evidentes no mercado de renda fixa na sessão de ontem. Em resposta à forte demanda verificada em consulta prévia junto aos dealers, o Tesouro ofereceu em seu leilão semanal de títulos públicos o maior lote de NTN-F (papéis prefixados de longo prazo, os preferidos pelos não-residentes) da história. Foram 5 milhões de títulos com vencimento em 2021 – o equivalente a R$ 4,5 bilhões – vendidos a taxas consideradas baixas, o que evidencia o interesse do mercado pelo papel. Na visão de especialistas, o resultado mostra que há uma correção do excesso de pessimismo cometido recentemente, possível em um momento em que o apetite por risco global cresce e algumas boas notícias locais, como o recente anúncio fiscal, tornam os papéis brasileiros atrativos.
Mas então o noticiário é falso? Algumas vezes, sim, mas em geral os fatos são verdadeiros.

São, e aí é que está o terrorismo, descontextualizados.

A reprodução de uma simples busca no Google, aí em cima, mostra como isso pode ser feito com facilidade.

Queda ou recorde, depende do com que se compara.

O mesmo poderia ser feito ao contrário, pela via do ufanismo.

Vejam só:

— A operadora de turismo CVC, uma das maiores vendedoras de pacotes turísticos do Brasil teve recorde de vendas em fevereiro. Foi o melhor mês de fevereiro da história da empresa, que vendeu 35,5% a mais que em fevereiro de 2013. Tirando o efeito do carnaval atrasado, ainda assim o crescimento seria de quase 25%. Foi assim em todo o comércio, diz o Serasa: no primeiro bimestre de 2014, o movimento nas lojas foi 6,0% superior ao registrado no acumulado dos dois primeiros meses de 2013, em valor real, descontada a inflação.

— A inflação, por sua vez, dá sinais de que, mesmo pressionada pela estiagem e seu impacto em alguns produtos (lembrem-se do tomate, que de novo disparou, mas sem tanta companhia como no ano passado), também não está em alta. O IPC da Fipe marcou 0,52%, o que é um índice ainda muito alto, mas que veio caindo semana a semana.

— O déficit comercial brasileiro é totalmente explicado pela crise na Argentina, na Venezuela e na União Europeia. Mas nossas exportações para a China e para os EUA, onde não se afundou a economia, cresceram: 25% e 7,4%, se comparadas ao primeiro bimestre anterior.

— A produção de petróleo caiu apenas por dois fatores: o incêndio na P-20, que volta a operar ainda este mês, e a desativação do FPSO Brasil, antigo desejo da empresa, pois era um contrato caro de afretamento com a SBM e ineficiente, produzindo menos de um terço e sua capacidade, e sua substituição, no Campo de Roncador, pela P-55, fabricada no Brasil, que está sendo progressivamente acionada, desde o dezembro de 2013. Houve também a retirada, meramente estatística, da produção do Parque das Conchas, onde foi vendida a participação da empresa para liberar recursos para investir em áreas mais produtivas.

— Desde o 15 de fevereiro, mesmo com pouca chuva, o nível dos reservatórios do Sudeste parou de cair velozmente. Baixou, em 20 dias, 0,9% (de 35,55, para 34,66%), enquanto nos 20 dias anteriores a queda havia sido de quase 6%. Isso aconteceu porque a demanda caiu, com a queda de temperatura e a quantidade de água que chega às barragens teve uma melhora: passou de 30% de média histórica para 54%. no acumulado mensal até o dia. E com a previsão de chuvas por toda a próxima semana sobre as principais bacias do Sudeste, a previsão de 67% formulada pelo ONS deverá ser superada até o início da semana que vem.

Estas notícias, é claro, não são ótimas, embora sejam também todas verdadeiras.

A falta de equilíbrio, a desinformação, a manipulação política do noticiário econômico é péssima para o país.

Isso, sim, trabalha para reduzir a credibilidade e a previsibilidade da economia.

Enquanto isso, quem sabe ler a economia além dos títulos escandalosos, vai ganhando seu dinheirinho, cada vez maior, com a desinformação alheia.

Porque os grandes temores econômicos, que era uma disparada da inflação no primeiro trimestre (após a alta excessiva registrada em dezembro), uma aceleração na desvalorização do real provocada pelo fim dos subsídios do Tesouro Americano, e um colapso do setor elétrico, vão se dissipando ou, pelo menos, sendo reduzidos às suas proporções reais.

Esse é o Rubicão que a economia brasileira tem de atravessar, o primeiro quadrimestre do ano.

Porque ele é a chave do que vai acontecer à medida em que se aproximam as eleições, quando tudo o que puder ser usado para aterrorizar a população será usado, sem limites.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Fuerza Armada nacional no apoyará un golpe de Estado en Venezuela

Comando Estratégico Operacional de la Fuerza Armada
ratificó su respaldo a Maduro
El jefe de las Fuerza Armada venezolana exigió "respeto para los dignos soldados de nuestra FANB, quienes están empeñados en devolverle al pueblo su tranquilidad y su paz, que es nuestro más preciado tesoro como nación" soberana.

El Comandante Estratégico Operacional (CEO) de la Fuerza Armada Nacional Bolivariana de Venezuela (FANB), general Vladimir Padrino, ratificó este jueves que la institución militar que preside “no se prestará para la barbarie, ni para golpes de Estado y menos para forzar la voluntad popular”.

A través de un comunicado oficial, Padrino recordó que la FANB es una institución que merece respeto, así como “tampoco somos las montoneras del siglo XIX y de principios del siglo pasado (XX)” que actuaban en función de los intereses de la derecha neoliberal, del capital extranjero.

“Somos parte de una institución decente, que obedece a principios y valores, respetuosa de los Derechos Humanos y que tiene un marco de actuación que está señalado en nuestra Constitución de la República Bolivariana de Venezuela”, subrayó.

De esta manera, el General rechazó las acusaciones que pesan contra los efectivos militares, a quienes sectores de la derecha nacional y grupos vandálicos que siembran terror en algunos municipios del país señalan de “represivas” y “violentas”.

“Exijo respeto para los dignos soldados de nuestra FANB, quienes están empeñados en devolverle al pueblo su tranquilidad y su paz, que es nuestro más preciado tesoro como nación”, expresó en el texto.

Asimismo, señaló que la campaña mediática emprendida contra las FANB es “una batalla entre el bien y el mal, entre la verdad y la mentira, y los soldados bolivarianos vamos junto a Dios abriendo caminos de libertad, independencia y progreso para construir la patria de (Simón) Bolívar y (Hugo) Chávez”.

En ese sentido, condenó los hechos de violencia suscitados durante las últimas semanas en municipios con alcaldes de oposición, los cuales presentan un balance preliminar de 21 personas fallecidas y cientos de heridos y detenidos.
"Estas acciones violentas que cercenan los derechos fundamentales de la sociedad buscan un desenlace que rompa con el hilo Constitucional, esos grupos buscan desesperadamente un punto de inflexión en la FANB", señaló.

Por último, Padrino atribuyó esa "arremetida" a "algunos grupos disociados que quieren ver destruida a Venezuela", tal como ya lo pretendieron hacer durante el golpe de Estado del año 2002.

“Está prohibido olvidar, es necesario volcar nuestra mirada al pasado reciente y remitirnos a los aciagos días de abril de 2002 y los años subsiguientes”, puntualizó.

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Travessia de caminhões, na balsa do Rio Madeira, com destino ao Acre via BR-364

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PSDB acionará Dilma por reunião com Lula. Quá, quá, quá !

Enquanto o PSDB se comportar desse jeito…


Bem que o amigo navegante Marcos avisou, através de seu pitaco:

O PSDB já já vai entrar na justiça contra essa foto da Dilma com o Lula. Assim não pode, assim não dá.

Dito e feito!

Saiu no Estadão:

PSDB acionará Dilma por reunião com Lula no Alvorada

Presidente teria discutido campanha em horário e local de expediente, na interpretação do responsável pela área jurídica do partido, o deputado Carlos Sampaio (SP)

Eduardo Bresciani – O Estado de S. Paulo

Brasília – O PSDB vai protocolar uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a aplicação de multa à presidente Dilma Rousseff por ter se encontrado com o antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, e outros integrantes do comando de sua campanha à reeleição no Palácio da Alvorada em horário de expediente. Lula chegou ao Alvorada por volta das 17h30 desta quarta-feira e a reunião se estendeu até às 20h.

Responsável pela área jurídica do PSDB, o deputado Carlos Sampaio (SP) diz que a atitude de Dilma fere a legislação eleitoral. “A lei veda a utilização de prédio público com finalidade eleitoral. Se ela tivesse usado a sua residência oficial no período da noite poderia ser tolerável, mas em horário de expediente é preciso que o TSE analise. O Brasil inteiro voltou a trabalhar na Quarta-feira de Cinzas e a presidente preferiu passar a tarde cuidando de sua campanha demonstrando estar mais preocupada com a eleição do que com a situação do país”, disse Sampaio.

(…)

Em tempo: Enquanto o PSDB se comportar desse jeito, o PT não precisa se preocupar: a Dilma leva no primeiro turno.

No Conversa Afiada
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PMDB esticou a corda demais, avalia governo


Como o Carnaval baiano, o impasse entre o governo, o PT e o PMDB não tem dia para acabar. Na pajelança de quarta-feira no Palácio da Alvorada, que reuniu Dilma e Lula com o comando da campanha da reeleição, a avaliação geral é que "o PMDB esticou a corda demais" nos embates sobre a reforma ministerial e as alianças nas eleições estaduais, tendo ainda como pano de fundo a insatisfação do baixo clero pela demora na liberação das verbas das emendas parlamentares.

"Por acaso o PMDB ficou mais forte de um ano para cá para querer outro ministério?", indagou um dos participantes da reunião para justificar a posição da presidente Dilma de não aumentar o número de ministérios do PMDB, apenas alojando o senador Vital do Rego no lugar de Gastão Vieira no Ministério do Turismo.

A posição do governo é não ceder às chantagens do líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, que entrou em confronto aberto com Rui Falcão, presidente do PT. Dilma vai fazer o que tem que fazer com o PMDB e não há divergências entre Dilma e o ex-presidente Lula sobre este assunto, que será tratado com o vice presidente Michel Temer.

Diante deste quadro, pergunta-se: o que o PMDB pode fazer tendo cinco ministérios no governo e mantendo Temer como vice na chapa da reeleição? Para os petistas, o PMDB tem que decidir se quer ser governo ou ir para a oposição, como ameaça Eduardo Cunha, um obscuro deputado do PMDB carioca com interesses pessoais variados, que conta com o apoio dissimulado de Henrique Alves, o peemedebista que preside a Câmara.

Para Eduardo Campos o PMDB não pode correr, porque Marina Silva não deixaria, em nome da "nova política", e Aécio Neves não parece ser uma alternativa atraente, a julgar pelos seus índices de intenção de votos que há meses não saem do lugar. Como o PMDB não leva muito jeito para ser oposição, o mais provável é que continue tudo como está, com os dois partidos administrando as divergências no varejo, enquanto as anunciadas mudanças no ministério ficam em banho-maria.

Ricardo Kotscho
No Balaio
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Compreendo Joaquim Barbosa

Em mais um incidente envolvendo Joaquim Barbosa e (mais) um de seus colegas ministros (Luis Roberto Barroso), surgiram novas pérolas do Ministro Vingador:

a) “O voto de V. Exa. é político e não tem nada de técnico”.

b) “V. Exa. já chegou com a decisão sob medida”

c) “O voto de V. Exa. é uma afronta a uma decisão do Tribunal”

d) “De onde V. Exa. tirou esses parâmetros discricionários para criticar a apenação do crime de bando ou quadrilha?”.

Tudo isso dito com aquele conhecido semblante de bedel de colégio primário.

Para quem não acompanhou o voto de Barroso, o Ministro criticava o Acórdão do Tribunal, à luz do princípio da proporcionalidade, uma vez que o crime de bando ou quadrilha teve a sua pena-base estabelecida num patamar muito superior (em termos relativos, claro) à pena-base dos outros crimes (lavagem, corrupção etc.), o que acabou (ops!) impedindo que fosse reconhecida a prescrição (pela pena em concreto), em relação a esse crime.

Na defesa do acórdão, Joaquim Barbosa afirmava que isso (a apenação distante do mínimo) era compreensível, em face da gravidade (gravíssima, segundo ele) dos crimes praticados pelo bando.

Três perguntas poderiam ser feitas a Joaquim. Três perguntas que qualquer estudante do primeiro ano de Direito poderia fazer:

a) Ok, Ministro. Mas por que a apenação específica desses crimes ficou proporcionalmente mais branda? Porque ficaram mais próximas do mínimo?;

b) Se os parâmetros propostos pelo Min. Barroso são “arbitrários”, por que não são “arbitrários” os critérios adotados no acórdão?;

c) Se todo voto em Embargos Infringentes pode, em tese, mudar o resultado do julgamento, a previsão regimental da existência do recurso seria, em si, uma “afronta ao Tribunal”?

Se fosse um aluno mais perspicaz, perguntaria: O que V. Exa. Entende por “técnica” e por “política” ? Mas aí seria muita crueldade.

Seria ingênuo esperar resposta razoável de Joaquim a qualquer dessas perguntas, porque, a bem da verdade, ninguém poderia fazer isso. Ninguém que tivesse algum senso de pudor para com a realidade aguentaria o constrangimento e acabaria admitindo que elas são irrespondíveis (para quem não aceita mudar de opinião).

Mas a mente de Joaquim claramente não tem compromisso com a realidade. Lamentavelmente, ela está sequestrada por uma fantasia maniqueísta e messiânica que talvez lhe tenha sido incutida como uma espécie de mecanismo de defesa. Se a realidade objetiva é insuportável, eu crio a minha própria.

As maiores expressões desse tipo de mentalidade talvez sejam justamente o discurso (até certo ponto ingênuo) de defesa das instituições e o argumento de autoridade, que está na raiz de todo tipo de censura, de “cale-se”, de fogueira de livros, tão comuns na Alemanha dos anos 30.

O problema é que gente assim simplesmente não pode exercer o poder. A história mostra que os resultados normalmente são drásticos. Essa, aliás, é uma temática mais do que frequente em qualquer estudo sério sobre o surgimento do nazismo. O efeito catártico que uma liderança carismática desse tipo produz nas grandes massas parece mesmo muito perigoso. A impressão que tenho é de que existe uma certa preguiça de pensar, uma sensação de conforto que faz com que uma grande maioria simplesmente adira, como forma mais rápida e prática de encontrar consolo contra as suas próprias frustrações e ressentimentos mais profundos.

O passo seguinte é o dar corpo e consequência prática a essa visão de mundo que me protege das minhas fragilidades a partir de uma negação da realidade, me permite adaptar o mundo à minha pequenez e me libera para cometer as maiores atrocidades bem intencionadas.

O que fazer diante disso? Luis Roberto Barroso está dando uma aula de sabedoria nesse item. Não adianta bater de frente com o “messias”. Não adianta responder no mesmo tom as suas provocações. Barroso parece ter percebido isso como ninguém, e se limita a repetir o tempo inteiro que “entende e respeita” a opinião de Barbosa.

Vão por mim, isso é tudo que o tirano não suporta: a declaração de “compreensão” para com a sua tirania.

Ele mesmo sabe que compreender não significa ser tolerante com a intolerância. Ao contrário, essa parece ser a chave para desarmá-lo e expor ao grande público o que há de ridículo na sua arrogância, e o quanto há de fragilidade emocional, carência e recalque na sua atitude.

Alguém já disse que Barbosa é um homem mau. Outros já disseram que é um psicopata. Eu digo apenas que…compreendo as suas posições.

Elmir Duclerc
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Na morte, a gente esquece


Pode parecer estranho, mas esse Sérgio Guerra que morreu, homem íntegro, político brioso e leal, tribuno das verdades e amantíssimo brasileiro por ora cantado em loas por colunistas e autores de necrológios da política em geral, nada tem a ver com o outro, que conheci: virulento, vira-casaca, vingativo e truculento.

Será que se trata da mesma pessoa?

Essa reverência post mortem, bem típica do Brasil, me lembra a história do rapaz que foi ao cemitério pela primeira vez e leu nos túmulos: "Pai dedicado", "Marido amantíssimo", "Cidadão de respeito", "Homem de valor", e outras louvações do tipo.

Estranhado de tanta virtude, o rapaz vira-se para o amigo que o levou ao cemitério e pergunta: "E os canalhas, onde estão enterrados?"

Leandro Fortes
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Prefeitura de Porto Alegre sanciona lei que permite atuação de artistas de rua na cidade

Sanção da lei ocorreu no Solar Paraíso, no bairro Santa Tereza, e contou com a presença de vereadores e de artistas de rua
Foto: Ramiro Furquim/Sul21
A prefeitura de Porto Alegre sancionou o projeto de lei 200/2013, que torna menos burocrática e mais livre a atuação de artistas de rua na cidade. A medida foi uma iniciativa de duas comissões da Câmara Municipal — a de Educação, Cultura, Esporte e Juventude e a de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana —, provocadas a partir de uma demanda vinda dos próprios artistas.

Há anos, os artistas de rua denunciam a violação de seus direitos na Capital. O projeto de lei para afrouxar a (re)pressão sobre a categoria começou a ser discutido em 2013, mediante a criação de um grupo de trabalho composto por artistas, pela prefeitura e por vereadores. O texto foi aprovado pelo plenário no dia 16 de dezembro do ano passado. Foram 25 votos favoráveis e apenas quatro contrários — dos vereadores Idenir Cecchim (PMDB), Lourdes Sprenger (PMDB), Professor Garcia (PMDB, atual presidente da Câmara) e Reginaldo Pujol (DEM). Outros três vereadores não votaram e três estavam ausentes naquela sessão.

Pela nova lei, os artistas de rua não terão mais seus espetáculos sujeitos a censura pela ação de fiscais da prefeitura ou de guardas municipais, como costumava acontecer até então. Além disso, os profissionais não precisarão encaminhar pedidos a diversas secretarias municipais para terem seus espetáculos autorizados nos espaços públicos.

Com a medida, os artistas precisarão apenas informar a prefeitura o dia e a hora do espetáculo a ser realizado. Trata-se de uma informação, não de um pedido de licença para realização, como ocorria anteriormente.

Além disso, o texto estabelece que “consideram-se atividades culturais de artistas de rua o teatro, a dança, a capoeira, o folclore; a representação por mímica, inclusive as estátuas vivas; artes circenses em geral, abrangendo a arte dos palhaços, dos mágicos, do malabarismo, dos saltos mortais no chão ou em trapézios; artes plásticas de qualquer natureza; espetáculo ou apresentação de música, erudita ou popular, vocal ou instrumental; literatura, poesia, desafios poéticos, poesia de cordel, improvisação e repentistas; recital, declamação ou cantata de texto”. A norma permite que o artista receba contribuições financeiras espontâneas pelo seu trabalho e veda a existência de patrocínio privado aos espetáculos, evitando a caracterização dos mesmos como “ações de marketing”.

Para Evelise Mendes, artista dos grupos de teatro de rua Povo da Rua e Pindaibanos, a nova lei evitará o constrangimento que a categoria sofre com a interrupção autoritária de seus espetáculos. “Acontecia, às vezes, de algum vigilante ou guarda municipal aparecer no meio do espetáculo e querer interromper, dizer que não tínhamos autorização para nos apresentarmos. Esse profissional se achava no direito de proibir que um espetáculo acontecesse”, recorda.

Ela lembra que os artistas precisavam percorrer diversas secretarias municipais para realizar um ato na rua. “Se íamos em praça, tínhamos que falar com a Secretaria do Meio Ambiente. Se íamos no Largo Glênio Peres, era com a Governança. Todo cidadão é livre para exercer sua arte, essa lei não é para o artista, é para que o poder público não fique mais nos importunando e nos impedindo de fazer nossa arte”, considera.

A presidente do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões (SATED-RS), Rosa Campos Velho, acredita que a nova lei contribui para democratizar o acesso à arte. “Quando nos apresentamos no Largo Glênio Peres, estamos na casa das pessoas, porque tem gente que mora lá. Muita gente nunca vai conseguir entrar num teatro”, frisa.

Vereadoras e prefeito comemoraram aprovação da lei

As vereadoras Sofia Cavedon (PT) e Fernanda Melchionna (PSOL) — duas das principais impulsionadoras do tema na Câmara — estiveram presentes no ato da sanção do texto. Para Sofia, a lei representa “uma reconciliação da cultura com a cidade” e a retomada do espaço público pelos artistas de rua.

Fernanda recordou que a Câmara vem recebendo denúncias de violação do trabalho dos artistas de rua há pelo menos cinco anos. “A lei apenas adapta o que já está previsto pela Constituição”, comentou, em referência ao primeiro capítulo da Carta Magna, que assegura que “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”.

O prefeito José Fortunati (PDT) assinou a nova lei, acompanhado do vice Sebastião Melo (PMDB), do Secretário de Cultura Roque Jacoby (DEM) e de seu adjunto, Vinícius Cáurio (PPS). Para o prefeito, a medida é uma forma de “democratizar o acesso ao espaço urbano” e “permitir que o artista de rua continue iluminando a cidade”.
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A Guerra dos Softwares

http://www.maurosantayana.com/

 

Na reunião da Cúpula Brasil-União Europeia, em Bruxelas, a Presidente Dilma discutiu, entre outros assuntos, a construção de um novo cabo ótico ligando diretamente a América do Sul à Europa, sem passar pelos EUA.

Teoricamente, a intenção é aumentar a segurança das comunicações entre os dois continentes, evitando que os dados sejam facilmente interceptados pelos norte-americanos.

O cabo teria participação da Telebras, pelo lado brasileiro, e da empresa espanhola Islalink. Redes de comunicação de alta velocidade para se conectar com o mundo são, hoje, uma necessidade estratégica.

O Brasil já se associou a outros países sul-americanos, para a construção do Anel Ótico da UNASUL.

E, infelizmente, a Telebras, por falta de recursos — argumento inaceitável quando o BNDES empresta bilhões para multinacionais como a Vivo — acaba de retirar-se de uma parceria com a Angola Cables para construir um cabo ótico entre o Brasil e o continente africano.

O cabo Brasil-Europa pode ser uma boa ideia, mas teria sido melhor se a Telebras tivesse se associado a uma companhia estatal do outro lado do oceano, no lugar de escolher uma empresa privada, e ainda por cima espanhola, país que ficou conhecido nos últimos anos por sua abjeta sujeição aos EUA.

Para dificultar o trabalho dos espiões norte-americanos, no entanto, não basta que cabos como esse deixem de passar pelos EUA.

Dados são interceptados com o uso de vírus e malwares a todo momento, e só se pode vencer um software com o uso de outro software para combatê-lo.

Esse é o caso do Sikur, um sistema desenvolvido por uma empresa gaúcha do mesmo nome, que está sendo usado pelo Ministério da Justiça e que deverá se estender para outros órgãos do governo.

Ele atua como uma plataforma online para escrever e receber recados que avisa por e-mail quando o usuário recebe uma mensagem. Como a mensagem só pode ser lida dentro da plataforma, vírus ou o serviço de e-mail do usuário não conseguem abrir, copiar ou interceptar os dados.

Além dessa plataforma, a empresa criou mais dois programas, o SK Vault, para guarda e intercâmbio de arquivos, e o SK Mobile, disponíveis na PlayStore e na Apple Store.

Se quisermos dar trabalho aos hackers que operam nas agências norte-americanas de inteligência e em instituições similares de outros países, teremos que desenvolver permanentemente nossos próprios programas e aplicativos.

Para que iniciativas como o Sikur se multipliquem, será preciso que o governo faça pesados investimentos em software nacional, desenvolvido por programadores brasileiros que tenham lealdade para com quem encomendou o trabalho e amor pelo Brasil.

O software é o rifle de assalto, o submarino, o caça, o míssil, a ogiva nuclear da Guerra Eletrônica.

Se não pudermos passar à frente de nossos concorrentes, tentemos ao menos nos manter correndo.
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O Manifesto


Programa Mais Médicos. Opinião de Médicos

Há muitos anos existe um consenso mundial de que a ocorrência de doenças está basicamente associada aos estilos de vida. A medicina geral, praticada com recursos adequados, leva em conta a situação sócio-ambiental, para a elaboração correta do diagnóstico clínico, etapa primordial da legítima arte médica.

Até há cerca de quarenta anos essa prática era exercida no Brasil pelos médicos imediatamente após a graduação, principalmente pelos que se instalavam nas cidades do interior de seus Estados — e geralmente de lá oriundos — ou nos bairros periféricos das capitais e grandes cidades. Apoiados por um currículo escolar de grande riqueza prática, esses médicos atendiam e resolviam com a maior qualificação a mais de 80% dos casos, incluídos aí o tratamento e controle das doenças mais freqüentes de todas as especialidades, inúmeras cirurgias, partos, fraturas, qualquer tipo de infecções e ainda situações de urgência e emergência. Eram chamados de médicos de família, clínicos gerais ou — simplesmente — MÉDICOS.

Além de conhecer seus pacientes pelo nome, manter com os mesmos uma relação humanizada e morar muito próximo a eles, ainda realizavam, através de diversos meios, intensa atividade na prevenção de doenças e na promoção da saúde. Já tinham perfeita noção de que essa prática era muito menos custosa do que a assistência médico-hospitalar, com resultados efetivos para a melhoria da qualidade de vida da população.

Esta prática foi mundialmente reconhecida em 1978 na 1ª Conferência Internacional sobre Atenção Primária à Saúde, promovida pela Organização Mundial de Saúde e pela UNICEF, do que resultou a Declaração de Alma-Ata.

Com o passar dos anos muita coisa aconteceu que ocasionou a deficiência na saúde do país. Não se levou em conta o problema da imensidão do país; a população cresceu; o ensino foi se modificando para dar ênfase nos exames complementares e o quase descaso para história clínica e o exame físico dos pacientes, além de investir muito mais tempo ao ensino teórico do que à prática; o custo aumentou em razão dos excessos na investigação, da ausência de prontuário médico, do pagamento por procedimentos e até por mau uso de recursos; o aporte financeiro não acompanhou a evolução das necessidades crescentes do setor. As causas são inúmeras e os agentes causadores também. Nós médicos temos parte da responsabilidade. O povo foi às ruas e manifestou sua indignação e provocou uma reação dos governantes de todos os partidos.

Adquiriu realce o fato de que em mais de 700 municípios não há médico, e que em mais de 1.500 municípios há deficiência de médicos no Programa de Saúde da Família.

Em resposta ao clamor o governo, por intermédio do Ministério da Saúde, lançou o programa “Mais Médicos”, dando prioridade aos médicos brasileiros, e, numa segunda etapa, na existência de vagas, a médicos estrangeiros, de preferência com experiência em Medicina de Família. A exigência de que os estrangeiros deveriam ser obrigados a fazer o exame de revalidação do diploma não cabe, pois os médicos ficarão provisoriamente no país, apenas nos municípios para onde foram designados, na área de Atenção Primária em Saúde. Ademais, pelo parágrafo 2º do artigo 48 da lei 9.394, de Diretrizes e Bases da Educação, são permitidas reciprocidades internacionais.

Houve evidente boicote ao programa, além de dezenas de ações na Justiça contra o mesmo, o que significaria, caso acolhidas, continuar a manter milhões de brasileiros sem qualquer assistência médica em suas comunidades, o que poderia implicar omissão de socorro.

Felizmente, os juízes têm sistematicamente negado as liminares ou ações, como no caso da sentença do Desembargador Federal Luis Alberto Aurvalle, que entendeu “ser de maior gravidade o perigo inverso, visto que mais nocivo ao interesse público vem a ser a falta total de assistência médica da população do que a assistência prestada por médicos estrangeiros”; este despacho foi em razão da tentativa de desqualificação dos médicos cubanos.

Por isso, o grupo de médicos que assina o presente documento, afirma:

1 — a assistência médica é um direito inalienável da cidadania e um dever do Estado como consta na Carta de Direitos Humanos e na Constituição da República Federativa do Brasil;

2 — o “Programa MAIS MÉDICOS” vem, de imediato, satisfazer a necessidade de populações carentes e deprimidas socialmente, colaborando para o seu acesso a melhores condições de cidadania;

3 — o tipo de atendimento, baseado principalmente na Atenção Primária à Saúde, mas também com o incremento financeiro para a medicina secundária e terciária em centros regionais é o passo para a interiorização futura permanente;

4 — estatísticas demonstram que mais de 74% da população brasileira apóia o Programa e agradece o apoio dos médicos estrangeiros aos cidadãos brasileiros desassistidos;

5 — a categoria médica é composta por várias classes e há dezenas de milhares de médicos que batalham diuturnamente em pequenos postos de saúde, em serviços de urgência/emergência, em plantões de unidades de pronto atendimento ou de tratamento intensivo, em bairros periféricos e outras atividades, cujo comportamento é o da mais plena dedicação aos necessitados e sem fazer da medicina um comércio ou uma tentativa de alcançar status social ou econômico. Mas — infelizmente — são esses que correm o risco de serem desprezados pela população que não entende porque é divulgado na imprensa que os médicos em geral não aceitam o Programa. A esses colegas, sem voz na mídia, nossa homenagem e apoio;

6 — nós temos convicção de que progressivamente esse programa irá se consolidar e terá na população seu sustentáculo. A própria categoria médica, ao não se sentir prejudicada pelos colegas que ingressam no sistema, adotará uma postura mais racional e amistosa, e nossas entidades terão que realisticamente atualizar suas posições.

SIGNATÁRIOS

Franklin Cunha — CREMERS 3254 — Jubilado: Ex-Diretor da AMRIGS; Ex-Conselheiro do SIMERS; Ex-Instrutor Chefe do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do HMIPV

Airton Fischmann — CREMERS 3519 — Jubilado: Ex-Consultor da ORGANIZAÇÃO PANAMERICANA DE SAÚDE

Mareu dos Santos Soares — CREMERS 3581 — Jubilado: Ex-Secretário de Serviços Previdenciários do INPS; Ex-Chefe de Gabinete do INAMPS; Ex-Diretor do Instituto Médico Legal

Ruy Germano Nedel — CREMERS 3546 — Jubilado: Deputado Federal Constituinte; Ex-Superintendente Regional do INAMPS; Ex-Coordenador do Conselho Nacional de Saúde; Ex-Membro Titular da Comissão Nacional de Residência Médica

Nelson Carvalho de Nonohay — CREMERS 3092 — Jubilado: Diretor- Secretário da Fundação Universitária de Cardiologia; Ex-Secretário Estadual de Saúde do Estado do Rio Grande do Sul

Júlio Hocsman — CREMERS 4410 — Ex-Secretário Estadual de Saúde do Estado do Rio Grande do Sul

Eduardo de Azeredo Costa — CREMERJ 13993 — Ex-Secretário Estadual de Saúde do Estado do Rio de Janeiro/Gestão Leonel Brizola; Diretor da FUNDACENTRO

Celso Perez Melgaré — CREMERS 3501 — Jubilado: Médico Psicanalista; Membro do Corpo Clínico Do Hospital N S Conceição

Luiz Carlos Lantieri — CREMERS 3314 — Jubilado: Cardiologista; Ex-Coordenador do Exame AMRIGS

Flávio Pinto — CREMERS 3505 — Jubilado: Psiquiatra; Ex-Professor da Faculdade de Medicina da UFCSPA

Humberto Scorza — CREMERS 3236 — Jubilado: Pediatra; Servidor Público

Lúcio Barcelos — CREMERS 6520 — Ex-Secretário de Saúde dos municípios de Cachoeirinha, Gravataí e Porto Alegre; Ex-Diretor do Hosp. Psiquiátrico São Pedro; Ex-Presidente do Conselho Estadual de Saúde

Oswaldo Petracco da Cunha — CREMERS 1146 — Jubilado: Ex-Diretor da AMRIGS; Ex-Diretor da Secretaria Estadual de Saúde do Rio grande do Sul/Gestão Alceu Collares

Álvaro Petracco da Cunha — CREMERS 1571 — Jubilado: Ex-Deputado Estadual; Ex-Diretor da CORAG/Gestão Alceu Collares

Arnaldo da Costa Filho — CREMERS 378 — Jubilado: Ex-Professor de Ensino Superior da UFRGS; Ex-Superintendente de Ed. Física da Secretaria Estadual de Saúde

Sergio Alexandre Goldani — CREMERS 5564 — Jubilado: Médico Psiquiatra; Ex-Professor do DMI, aposentado da Faculdade de Medicina da UFRGS

Luiz Octavio Vieira — CREMERS 4549 — Jubilado: Fellow em Pneumologia do Hospital Monte Sinai, de Nova Iorque; Ex-Auxiliar de Ensino em Medicina Interna na UFRJ e na Escola de Medicina e Cirurgia; Ex-Conselheiro do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Ex-Presidente da FIERGS

Claunara Schilling Mendonça — CREMERS 20714 — Médica de Família e Comunidade; Mestre (e Doutoranda) em Epidemiologia na UFRGS; Professora de Medicina de Família do Departamento de Medicina Social da UFRGS; Gerente do Serviço de Saúde Comunitária do Grupo Hospitalar Conceição.

Heloisa Helena Rousselet de Alencar — CREMERS 10635

Herberto Edson Maia — CREMERS 3579 — Jubilado: Psiquiatra; Professor da Fac. de Medicina da Univ. Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre; Prof. Do Curso de Pós-Graduação em Psiquiatria José de Barros Falcão com sede na Clínica São José e Hosp. Divina Providência

José Joaquim de Lima Guimarães — CREMERS 5600 — Aposentado da Fundação SESP

Liane Maria Focknik — CRM-MT 5907

Ronald Selle Wolff — CREMERS 22305 — Coordenador Médico em Lajeado; Esp. Em Inf. Científica e Tecnológica – FIOCRUZ; Ex-Prof. Do Dep. De Medicina Social da FAMED/UFRGS

Sergio Alberto Puente de Azambuja — CREMERS 284
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