4 de mar de 2014

E o menino conversou com Papai Noel.

— Papai Noel, eu quero de presente um governo que, em 11 anos, acabe com a miséria, faça a reforma agrária, ponha fim na corrupção da política, governe fazendo aliança só com partidos progressistas, confronte ao mesmo tempo banqueiros, mídia corporativa, os Estados Unidos e a União Européia. E, tem mais, bom velhinho. Que com palavras mágicas politize, em questão de segundos, uma sociedade conservadora, para que ela passe a aceitar cotas nas universidades, fim da discriminações de gênero, étnica e de classe. Você me dá isso, Papai Noel?

— Meu filho, eu sou Papai Noel, não gosto de mentir para crianças. Ou você escolhe um presente possível ou encaminhe estes pedidos para o PSOL. Lá, eles dirão que te dão isso em três dias.

— E por que você não faz assim também?

— Porque, ao contrário deles, eu tenho compromisso com a entrega.

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50 anos de Golpe: como o Estadão se afastou dos militares

Castelo Branco (dir) não ouviu o dono do Estadão
Que as relações entre os donos das empresas de jornalismo e os generais da ditadura eram próximas e promíscuas, é um fato de conhecimento geral.

O que é menos conhecido são as circunstâncias em que se deram algumas rupturas.

O afastamento entre os Mesquitas e a ditadura é, sob certos aspectos, cômico. Ele está narrado no livro de memórias de um civil que ocupou cargos importantes na ditadura, Armando Falcão.

O livro ganha nova atualidade agora que se completa meio século do golpe militar que tanto contribuiu para transformar o Brasil num campeão mundial de iniquidade social.

O nome do livro é Tudo a Declarar, uma alusão a uma frase clássica de Falcão em seus dias de poder. Sempre que jornalistas lhe faziam alguma pergunta menos banal, ele dizia: “Nada a declarar”.

No caso do Estadão, a origem da ruptura estava numa coisa que os barões da mídia adoram fazer em governos amigos: indicar nomes de amigos para os ministérios.

(Sabe-se que Roberto Marinho participava diretamente da nomeação dos ministros das Comunicações, o que garantia vida mansa e próspera para a Globo em sucessivos governos.)

O dono do Estadão, Júlio de Mesquita Filho, conta Falcão, tinha sido convidado por Castelo Branco — o primeiro presidente da ditadura — para uma conversa no Rio sobre a montagem do seu ministério.

Antes do encontro com Castelo, Mesquita se avistou com Carlos Lacerda, governador da Guanabara.

Lacerda, o Corvo, foi um homem que conspirou contra vários presidentes na esperança de se tornar ele próprio presidente, o que – num caso de sublime justiça poética — jamais ocorreria.

Mesquita disse a Lacerda a natureza de seu encontro com Castelo Branco. Não quis dizer os nomes que ia indicar, mas Lacerda tanto o espremeu que ele revelou.

Lacerda matou os dois na conversa.

Uma das indicações era o deputado Raul Pila para o ministério da Educação.

Lacerda atalhou: “Doutor Júlio, pelo amor de Deus! O deputado Raul Pila é um grande homem, um apóstolo na luta pelo parlamentarismo. É admirado pelo espírito público, pela coerência, pelo idealismo. Mas, agora, é um homem inadequado para a função. É surdo, quase totalmente surdo. Só escuta com o aparelho. E está caminhando, suponho, para os 80 anos. Como é que o senhor quer colocar um homem assim na Educação?”

Mesquita, como se vê, não era exatamente um bom montador de times. Isso custaria caro para seu jornal.

Mesquita não se deteve com as palavras ferinas de Lacerda: levou seus dois nomes para Castelo Branco. Classificava-os como “irrecusáveis”.

Mas Castelo Branco recusou ambos, e ali começou o afastamento que levaria o Estadão, anos depois, a publicar receitas em textos censurados.

Não demoraria muito e Lacerda também romperia com Castelo Branco. A real motivação é que Lacerda queria apoio de Castelo para ser presidente.

Estavam marcadas eleições presidenciais para 1965 e, como Serra depois de FHC, Lacerda tinha certeza de que chegara sua vez.

Mas o mandato de Castelo foi prorrogado, e eleições presidenciais só haveria dali a 24 anos, em 1989.

A ruptura definitiva entre Lacerda e Castelo veio quando Lacerda definiu Castelo como um homem “mais feio por dentro do que por fora”.

Dada a avassaladora feiúra física de Castelo Branco, um homem atarracado e sem pescoço, era de imaginar o que Lacerda pensava das virtudes morais de Castelo.

Quanto ao Doutor Júlio, voltou a São Paulo humilhado e ofendido, em sua arrogância aristocrática — e logo continuaria a se dedicar à obra magna de sua vida: tornar o Estadão um jornal completamente desconectado do chamado Zeitgeist, o espírito do tempo.

Ficaria fácil para a Folha ultrapassá-lo, na década de 1980.  O  Brasil se transformara. O regime militar se esfacelava. Mas o Estadão achava que seu papel na redemocratização era publicar receitas ridículas.

Como jornal relevante, o Estadão morreria ali. Desde então, é um morto vivo, agora bem mais morto que vivo por conta da internet.

Paulo Nogueira
No DCM
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“A Copa do Medo”, o falsificador e o terrorismo dos brucutus atucanados


Alertado pelo Diário do Centro do Mundo, fui ler no UOL a história da falsificação da reportagem da France Football sobre ”a Copa do Medo” no Brasil.

“O jornalista francês Éric Frosio, de 36 anos, se surpreendeu ao saber que uma reportagem que havia escrito sobre a Copa do Mundo no Brasil para a publicação francesa France Football estava sendo compartilhada por centenas de milhares de brasileiros na internet. Não demorou muito, porém, para Frosio se decepcionar ao notar que o texto que estava sendo compartilhado não tinha nada a ver com aquele que ele tinha produzido.

Uma falsa versão do texto, que cita frases atribuídas de forma errada à revista francesa e que, supostamente, mostram problemas do Brasil, teve mais de 200 mil compartilhamentos no Facebook. “Fiquei surpreso e chateado. Usaram a credibilidade da revista para passar ideias erradas, coisas que não escrevemos”, disse Frosio ao 'UOL Esporte'. “Acredito que tenham feito isso com o objetivo de atacar as políticas da presidente Dilma Rousseff, que tentará a reeleição.”

E foi mesmo, Éric.

O autor da falsificação foi um cidadão chamado Luiz Surianni, que se identifica como jornalista formado em Harvard e presidente de várias entidades, entre elas uma Federação de Centros Espíritas e de Candomblé.

Surianni, um coxinha tardio, é só um exemplo da picaretagem que está tomando conta da rede — patrocinada por uma direita sem perspectiva eleitoral — e, pior, da vida brasileira.

Não passa de um imbecil fanático, espumando ódio e fazendo das suas na periferia das rodas tucanas, que adoram um brucutu sem ética como ele. Uma rápida pesquisa mostra que o cidadão diz dirigir uma “fundação” que leva seu nome para captar dinheiro “para crianças com câncer, uma empresa de lobby, uma “Imprensa Press Brasil” e outras instituições imaginárias.

O melhor da história toda é que o francês Éric faz uma observação muito interessante, que merece nossa reflexão.

“Com relação à percepção que os estrangeiros têm do Brasil, o jornalista acredita que a violência seja o assunto mais lembrado. “Nas outras Copas que cobri, na Alemanha, na França, a gente fica com a ideia de que é só diversão, futebol e alegria. Aqui também vai ter isso, mas a violência estará presente”, afirma o repórter. “Essa é a primeira pergunta que me fazem sobre o Brasil: ‘É violento? É perigoso?’ Achava que isso estava mudando. Mas esse ano, principalmente no Rio, parece ter voltado.”

Sim, Éric, está voltando e a origem, se você pensar um pouco, é o “pacto entre anormais” firmado pela mídia, coxinhas, extrema direita e oposição.

Eles precisam do medo a que se refere a revista, porque não tem outra forma de voltar ao poder, senão assustando de todas as formas e sem nenhuma ética, como você mesmo viu com a falsificação de sua matéria, o povo brasileiro.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Estudantes nas ruas apoiam a direita na Venezuela

Estudantes e jovens de tendência direitista usam bolas de golfe e motocicletas em protestos
Bolas de golfe servem de munição quando acabam as pedras para armar estilingues. Nos capacetes de proteção, micro-câmeras de alta definição registram as ações dos adversários. Motos de alta cilindrada facilitam a rápida locomoção entre os focos de protestos. Telefones inteligentes transmitem ao vivo o confronto com policiais. Walkie-talkies virtuais acompanham e coordenam declarações políticas. Todos esse aparato faz parte do "arsenal" utilizado pelo movimento estudantil que tomou as ruas de Caracas para exigir a renúncia do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

Os jovens venezuelanos que estão nas ruas há mais de três semanas não diferem de seus pares latino-americanos somente pelos recursos utilizados em suas manifestações. A maioria vem de famílias de classe média alta e aposentou a camiseta do guerrilheiro Ernesto Che Guevara, "uniforme tradicional" em manifestações.

"Estamos brigando contra o socialismo, certamente", diz à BBC Brasil a estudante universitária Emily Vera, membro do movimento JAVU (Juventude Ativa Venezuela Unida), um grupo estudantil alinhado à direita radical.

Entre as técnicas de protestos utilizadas pela JAVU está a greve de fome. Emily conta que permaneceu 25 dias sem comer, junto a outros colegas, para exigir a libertação de supostos presos políticos, acusados pelo Ministério Público de assassinatos. A medida de pressão não foi atendida pelo então presidente Hugo Chávez, morto em março de 2013.

Polarização

Na Venezuela polarizada que defende de um lado uma "revolução socialista" e de outro a "erradicação do castro-comunismo", nenhum grupo admite estar à direita do tabuleiro político, ainda que suas ações contrariem essas afirmações.

Emily diz estar nas ruas em busca de um modelo híbrido de sociedade, que mantenha a "igualdade" defendida pelos socialistas, respeitando, no entanto, a liberdade de mercado e consumo.

"Temos direito a consumir e ter o que queremos sem sermos acusados pelo governo de ser burgueses", critica a estudante.

De acordo com especialistas ouvidos pela BBC Brasil, o perfil conservador que caracteriza os jovens que protestam contra o governo reflete um processo de "direitização" do ensino universitário na Venezuela – que se aprofundou a partir dos anos 90.

Acompanhando a onda neoliberal que predominava na região, as universidades, principalmente as privadas, passaram a privilegiar em seus currículos a preparação para o mercado de trabalho, em detrimento das ciências humanas.

Mais universitários

De acordo com um estudo da Universidade de Los Andes (ULA), a educação privada cresceu 115% entre 1990 a 1998. A tendência foi acompanhada por uma migração de 28% da população universitária do setor público para o setor privado.

Quando Hugo Chávez chegou ao poder, em 1998, menos de 500 mil estudantes tinham acesso à universidade pública. Em 2013, o número de matrículas chegou a 2,6 milhões de inscritos.

Assim como ocorre no Brasil, a maioria das vagas nas universidades públicas é ocupada por alunos provenientes de escolas privadas, que chegam melhor preparados para o vestibular que os estudantes da rede pública.

Para reverter a tendência, o governo Chávez criou um sistema educacional paralelo com vistas a incluir — sem exigência do vestibular — jovens de baixa renda provenientes de escolas públicas.

O sistema universitário Missão Sucre mantém, atualmente, quase 500 mil estudantes — em sua maioria, provenientes das classes populares.

"Esses estudantes estão vinculados ao governo pela oportunidade de formação que tiveram", afirmou a historiadora Margarita López Maya.

Nas outras universidades públicas tradicionais, no entanto, ainda é necessário prestar exame para competir a uma vaga. A manutenção do vestibular representa uma das derrotas amargadas pelo chavismo no campo da educação.

Não ao comunismo

O veto à controvertida reforma universitária em 2010 , que incluia o fim do vestibular e a inclusão de disciplinas marxistas no currículo- é uma das vitórias que Emily Vera considera ter conquistado contra o governo chavista.

"A reforma implementava que deveríamos também ter matérias sobre comunismo e socialismo, assim como aconteceu em Cuba e estávamos contra isso", afirmou.

Líder de movimento estudantil opositor na Venezuela
buscou orientação de blogueira Yoani Sanchéz
Emily conta que ela e seus colegas, entre eles o fundador do JAVU, Júlio César Rivas, procuraram ajuda e orientações da blogueira cubana anti-castrita Yoani Sánchez.

"Tivemos uma conversa com Yoani Sanchéz e ela nos disse que assim foi como começou o comunismo dentro das universidades em Cuba".

O vínculo entre Rivas e Sanchéz seria referendado mais tarde, quando o partido conservador norueguês decidiu premiar a ambos, o venezuelano em 2011 e a cubana em 2013, com o prêmio Lindebraekke de Direitos Humanos e Democracia.

Privilégios

Outro elemento que estimula os jovens de classe média a protestar contra o projeto bolivariano é a defesa de privilégios, na opinião da socióloga e psicóloga social Carmen Elena Balbás.

"É uma reação em defesa à classe social e a um estilo de vida", afirmou ela à BBC Brasil.

Dirigente estudantil nos anos 90, Sérgio Sanchéz tem outra explicação para a disputa entre os dois modelos de sociedade.

"Desde que entram na universidade, os estudantes ouvem que devem obter o diploma para serem ricos, trabalham numa multinacional e morar em Miami. A revolução bolivariana está brigada com este modelo e seus objetivos de vida", sentenciou Sanchéz.

"Por essa razão, muitos deles se veem sem futuro. Essa é a raiz do problema", acrescentou.

As preocupações de Emily Vera caminham nesta mesma direção. A jovem universitária considera que o projeto de "revolução" proposto pelo chavismo não preenche as necessidades e anseios de parte da juventude venezuelana.

"Nossos jovens se formam e querem deixar o país porque pensam que terão melhores oportunidades fora daqui", afirmou.

Revolução colorida

Um punho cerrado identifica e inspira os jovens do JAVU. O símbolo é o mesmo do movimiento estudantil Otpor (Resistência) da Sérvia – que ajudou a derrubar o regime de Slobodan Milosevic, em 2000. O Otpor, que contou com ajuda financeira dos EUA, se transformou numa espécie de centro de formação de jovens e sua atuação foi decisiva para o êxito das chamadas "revoluções coloridas" que se espalharam por ex-países da União Soviética a partir do ano 2000.

Protestos na Venezuela | Crédito: Reuters
Estudantes protestam contra polícia
nas imediações da praça Altamira, em Caracas
De olho no que aconteceu no velho continente, Emily Vera diz que ela e seus colegas permanecerão nas ruas até cumprirem seu objetivo final: "Queremos uma mudança de governo".

O enfrentamento no campo de batalha instalado na praça Altamira, centro nervoso dos protestos, permanece vivo. A mesma cena se repete quase todos os dias. Durante horas, os jovens atacam o cordão de isolamento da polícia com seu "arsenal" atípico aliado a coquetéis molotov e uma espécie de escopeta que dispara sinalizadores.

Em seguida, a polícia responde com gás lacrimogêneo e balas de borracha. No último domingo, no entanto, a disputa ideológica esteve marcada com música.

Em meio a escudos e veículos blindados, os policiais instalaram gigantescas caixas de som e fizeram ecoar a todo volume a música do cantor popular venezuelano, Ali Primera — ícone dos bolivarianos.

Enquanto os estudantes se perdiam na fumaça do gás lacrimogêneo, escutavam o refrão: "Não, não basta rezar, faz falta muita coisa para conseguir a paz".

No BBC
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Nos tempos de FHC. Reviver para não esquecer


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No Blog do Saraiva
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Cientistas apontam que origem da vida pode estar no barro

Pesquisa aponta para situação presente em narrativa da Bíblia

A Bíblia afirma no Livro de Gênesis que Deus formou o homem do pó da terra. Este evento pode agora ser confirmado por um estudo realizado por cientistas da Universidade de Cornell, em Nova York.

Liderados pelo professor de engenharia biológica e ambiental Dan Luo, o estudo indica que alguns tipos de argilas facilitaram a formação de moléculas orgânicas que tornam possível a vida no planeta. Essa argila contém uma série de minerais, como alumínio, silício e oxigênio, e sua composição forma uma substância chamada “hidrogel”.

Trata-se de um polímero que forma um conjunto de espaços microscópicos capazes de absorver líquidos, tais como uma esponja, em que são produzidas as reações químicas para a síntese de proteínas, DNA e as células vivas.

O material sugere que “nas origens da história geológica, o hidrogel exerceu a função de contenção de biomoléculas que catalisam reações bioquímicas”. Para testar a sua hipótese, os pesquisadores usaram hidrogéis sintéticos. Ficou comprovado que o material celular formou as proteínas que codificam o DNA.

Hidrogéis de argila poderiam ser um lugar seguro e protegido para as moléculas orgânicas longas, evitando a sua degradação por influência externa, até a membrana que envolve as células vivas foi desenvolvida para criar a chamada “sopa primordial”, onde a vida apareceu, afirmam os pesquisadores.

Esse tipo de barro (argila) mostrou-se um caminho promissor para as biomoléculas, que tendem a aderir à sua superfície, quando ele se comporta como um hidrogel. O professor Luo garante que o hidrogel de argila protege melhor seu conteúdo das enzimas “nucleases” (consideradas prejudiciais) que podem desmantelar o DNA e outras biomoléculas.

Colabora para isso os relatos de eventos geológicos, que coincidiriam com os eventos biológicos. Ainda é preciso estudar como essas máquinas biológicas evoluíram, reconhece Luo.

No Fatos Políticos
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Occidente ha liberado un nacionalismo que podría descontrolarse en Ucrania


Políticos occidentales empiezan a entender que han cometido un error al apoyar el golpe de Estado en Ucrania, que ha puesto en libertad una amenaza nacionalista en el país del Este de Europa, afirmó el analista político Mark Almond.

"Los medios y líderes occidentales se mostraron entusiasmados por el llamado poder popular y hacían la vista gorda a la presencia de grupos armados y neonazis en las calles de Kiev. Pero ahora están preocupados por la situación", dijo el profesor de historia de la Universidad de Oxford en una entrevista concedida a RT.

Almond señaló que se oyen cada vez más críticas hacia el nuevo Gobierno ucraniano por revocar el estatus regional del idioma ruso y levantar la prohibición sobre los símbolos nazis.

"De repente empezaron a hablar de la fuerza altamente desestabilizadora que habían liberado", subrayó.

Según el experto, los políticos se dieron cuenta de que con el derrocamiento de Víktor Yanukóvich en el golpe de Estado la tragedia no había terminado y que eso era solo la primera jornada.

"Todo esto indica el increíble infantilismo e incompetencia de los países miembros de la OTAN. Fomentar esta crisis sin pensar en las consecuencias: la liberación de las fuerzas nacionalistas y el miedo de que puedan quedar fuera de control", concluyó.

No RT
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As semelhanças entre 1964 e 2014


Santos Vahlis, hoje em dia, é mais conhecido pelos edifícios que deixou no Rio de Janeiro e pelas festas que proporcionou nos anos 50. Foi um dos grandes construtores do bairro de Copacabana.

Venezuelano, mudou-se para o Brasil, trabalhou com a importação de gasolina e tentou se engatar nas concessões de refinarias no governo Dutra. Foi derrotado pela maior influência dos grupos cariocas já estabelecidos.

Nos anos seguintes, foi um dos financiadores da campanha do general Estillac Leal para a presidência do Clube Militar, em torno da bandeira do monopólio estatal do petróleo. Torna-se amigo de Leonel Brizola, defensor de Jango.

Provavelmente graças ao fato de ser bom cliente dos jornais, com seus anúncios imobiliários, tinha uma coluna no Correio da Manhã, cujo ghost writer era o grande Franklin de Oliveira.

Tentou adquirir o jornal “A Noite” para fortalecer a imprensa pró-Jango. Foi atropelado pelo pessoal do IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática) que, em vez de comprar o jornal, comprou sua opinião por Cr$ 5 milhões. A CPI que investigou a transação teve como integrante o deputado Ruben Paiva.

Por sua atuação, Vahlis sofreu ataques de toda ordem. Contra ele, levantaram a história de que teria feito uma naturalização ilegal. Em 1961, em pleno inverno, foi preso e jogado nu em uma cela de cadeia, a ponto do detetive que o prendeu temer por sua vida.

Como era possível a perseguição implacável dos IPMs (Inquéritos Policial Militares), de delegados e dos Ministérios Públicos estaduais, contra aliados do próprio governo?

Esse mesmo fenômeno observou-se nos últimos anos, com os abusos cometidos no julgamento da AP 470, envolvendo não um ou dois Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), mas cinco, seis deles, endossando arbitrariedades que escandalizaram juristas conservadores.

Características da democracia

Para tentar entender o fenômeno, andei trabalhando em um estudo que pretendo apresentar no evento “50 anos da ditadura”, que ocorrerá a partir da semana que vem no Recife.

Aqui, um pequeno quadro esquemático que explica porque 2014 é tão semelhante a 1964 — embora torçamos por um desfecho diferente.

1. A democracia é um processo permanente de inclusões sucessivas. Também é o regime de maior instabilidade (e medo) das pessoas. Nos regimes autoritários, na monarquia, nos sistemas de castas, não há ascensão vertical das pessoas — nem sua queda. Na democracia de mercado há a instabilidade permanente, mesmo para os bem situados. Teme-se o dia seguinte, a perda do emprego, das posses, do status.

2. Além disso, há repartição entre os poderes que abre espaço para a montagem de alianças e acordos econômicos, nos quais os grandes grupos econômicos se aliam aos grupos de mídia, através deles infuenciam os diversos poderes de Estado.

3. Cada época de inclusão gera novas classes de incluídos que cumprem seu papel de entrar no mercado de trabalho, ganhar capacidade de consumo e, no momento seguinte, cidadania e capacidade de organização. Gera resistências tanto na classe média (medo da perda de status) quanto nos de cima (perda de influência).

Aí, cria-se uma divisão no mercado de opinião que será explorado a seguir.

O mercado de opinião

Simplificadamente, dividi o mercado de opinião em dois grupos.


O primeiro é o mercado liderado pelos Grupos de Mídia. Por definição, é um mercado que influencia preponderantemente os setores já estabelecidos que já passaram pela fase da inclusão, do emprego, da carreira, integrando-se no mercado de opinião aos estabelecidos da fase anterior.

Por suas características, os grupos mais resistentes ao novo são os estamentos militar, jurídico, alta hierarquia pública e a alta e média classes médias — especialmente os estamentos que trabalham em grandes companhias hierarquizadas. E também a classe média profissional liberal, que depende de redes de relacionamentos.

A razão é simples. Vivem em estruturas burocráticas, hierarquizadas, nas quais cumprem uma carreira, sujeitando-se a promoções ao longo de sua vida útil. Por isso mesmo, a renovação se dá de forma muito lenta, proporcional à lentidão com que mudam os lugares nessas corporações. São os mais apegados ao status quo.

Por todas essas características — da insegurança, da carreira construída passo a passo — esses grupos são extremamente influenciados por movimentos de manada. Por segurança, querem pensar do mesmo modo que a maioria, ou que o status quo do seu grupo (ou de suas chefias).

Esse grupo pode ser denominado conceitualmente de opinião pública midiática. Ele detém o poder, a capacidade de influenciar leis, julgamentos, posições.

Mas não detém voto. Mesmo porque, quem têm votos é a maioria.

O segundo grupo é o dos novos incluídos econômicos e dos incluídos políticos mas que não tem posição de hegemonia. Entram aí sindicatos, organizações sociais, o povão pré-organização etc, enfim, a maioria da população — especialmente em países com tão grandes diferenças de renda. E entra o Congresso Nacional.

Os canais de informação desse público são os sindicatos, organizações sociais e os partidos políticos.

É um público que detém os votos, mas não detém poder.

O conflito entre poder e voto

Em cada período de inclusão, o partido que entende as necessidades dos incluídos ganha as eleições. Foi assim nos EUA com o Partido Republicano no século 19, com o Partido Democrata no século 20.

Processos de inclusão diminuem as diferenças de renda, ampliam a classe média e, quando o país se civiliza, garantem a estabilidade política — porque a maioria se torna classe média.

Mas em países culturalmente atrasados — como o Brasil — qualquer gesto em direção à inclusão sofre enormes resistências dos setores tradicionais. 

Não se trata de viés político, ideológico (no sentido mais amplo), mas de atraso mesmo, um atraso entranhado, anti-civilizatório, que atinge não apenas os hommers simpsons, mas acadêmicos conservadores, magistrados, empresários sem visão. E, especialmente, os grupos de mídia. Os de baixo temem perder status; os de cima, temem perder poder.

O partido que entende os novos movimentos colhe leitor de baciada.

O único fator capaz de derrubá-lo são as crises econômicas (o fenômeno do populismo é o de procurar satisfazer de qualquer maneira as massas descuidando-se da economia) ou o golpe.

A reação através do golpe

Sem perspectivas eleitorais, os segmentos incluídos na chamada opinião pública midiática recorrem ao golpismo puro e simples.

Consiste em fomentar diuturnamente o discurso do ódio e levar a vendetta para o campo jurídico-policial. É o que levou à prisão de Santos Vahlis e aos abusos da AP 470.

O movimento foi bem sucedido em 1964 e consistia no seguinte:

1. Para mobilizar a classe média, a mídia levanta fantasmas capazes de despertar medos ancestrais: o fantasma do comunismo, que destroi famílias e propriedades, do golpe que estaria sendo preparado pelo governo, da corrupção que se alastra etc.

2. A campanha midiática cria o clima de ódio que se torna cada vez mais vociferante quanto menores são as chances de mudar o governo pela via eleitoral.

3. Com a influência sobre o Judiciário e o Ministério Público, além de denúncias concretas, qualquer fato vira denúncia grave e, na ponta, haverá um inquérito para criminaliza-lo.

4. Aí se entra no ponto central: as agressões, os atentados ao direito, as manipulações provocam reações entre aliados do governo. Qualquer reação, por mais insignificante, serve para alimentar a versão de que o governo planeja um golpe. O ponto central do golpe consiste em fomentar reações que materializem as suspeitas de que é o governo que planeja o golpe.

É nesse ponto que o golpismo e o radicalismo de esquerda se dão as mãos.

Confiram esse vídeo aqui do Arnaldo Jabor, sobre uma proposta de um deputado obscuro do PT. O próprio Jabor considera-o obscuro. Mas repare nas conclusões que tira. Foi buscá-las em uma nave do tempo diretamente de 1964


O grande problema de Jango foram os aliados iludidos pela revolução cubana e pela própria campanha da mídia — que superestimava, intencionalmente, os poderes das ligas camponesas e quetais.

O histórico trabalho de Wanderley Guilherme dos Santos, em 1962, expos de forma magistral e trágica  como se dava essa manipulação das reações.

Esse mesmo clima em relação às ligas camponesas, a mídia tentou recriar com as fantasias sobre a influências das Farcs no Brasil, sobre os dólares cubanos transportados em garrafas de rum e um sem-número de artigos de colunistas denunciando o suposto autoritarismo de Lula.

Lula e Dilma fugiram à armadilha, recorrendo ao que chamei, na época, de republicanismo ingênuo, às vezes até com um cuidado excessivo.

Não tomaram nenhuma atitude contra a mídia; não pressionaram o STF; têm sido cautelosos de maneira até exagerada; não permitiram que o PT saísse às ruas em protesto contra os abusos da AP 470.

Apesar de entender esse caminho, Jango não conseguiu segurar os seus. Houve radicalização intensa, conduzida por Leonel Brizola e Darcy Ribeiro, pelo PCB de Luiz Carlos Prestes e por lideranças sindicais, que acabaram proporcionando o álibi de que os golpistas precisavam.

Hoje em dia não há mais a guerra fria, não há uma republiqueta encravada em um continente golpista, não há o descuido com a economia.

No entanto, há um ponto em comum nos dois períodos: o ódio que a campanha midiática provocou em diversos setores de classe média crescerá em razão inversamente proporcional ao crescimento eleitoral da oposição. E o mote central será essa a Copa do Mundo e o mote de que o governo gastou em estádios o dinheiro da saúde.

Há uma guerra de comunicação central.

Luis Nassif
No GGN
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Charge online - Bessinha - # 2033

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Sheherazade convoca “Marcha da Família”

Saiu neste sábado (1) na coluna de fofocas de Felipe Patury, da revista Época: “No próximo dia 22, em São Paulo, sai da Praça da República rumo à Catedral da Sé a segunda edição da Marcha da Família com Deus pela Liberdade. A original fez, em 1964, percurso semelhante dias antes de o ex-presidente João Goulart ser derrubado. Há 50 anos, a organização coube a então primeira-dama do estado, Leonor de Barros, e a mulheres de empresários. A atual foi convocada pelas redes sociais, recebeu apoio de lideranças evangélicas e, pelo Facebook, da apresentadora Rachel Sheherazade, do SBT. O grupo diz contar com a simpatia do filósofo Olavo de Carvalho e até de Denise Abreu, a petista que mandou na aviação civil no governo Lula e ficou famosa por sua predileção por charutos”.

De imediato, dei risada! Pensei que era piada carnavalesca. Mas não é. A patética marcha, que relembra a ação dos golpistas em 1964, está marcada para 22 de março e a âncora do SBT, que explora uma concessão pública de tevê, realmente está metida na sua convocação. Em sua página no Facebook, a nova musa de direita conclama seus seguidores: “Gente boa, sempre vou defender a família. Participe da marcha, divulgue, mostre sua defesa em favor dessa instituição criada por Deus”. E Rachel Sheherazade não é ingênua. Ela sabe que a tal marcha nada tem a ver com Deus ou a família, termos usados para enganar os mais ingênuos e tapados. Num dos sítios que convoca a manifestação ficam explícitos os seus objetivos golpistas e fascistóides.

A marcha tem como principal intento exigir “intervenção militar constitucional já”. Entre outras bandeiras, ela prega: “1 — destituir a presidente Dilma Rousseff e o vice-presidente Michel Temer; 2 — dissolver o Congresso Nacional; 3 — prisão de todos os conspiradores por servirem aos interesses estrangeiros através do Foro de São Paulo, uma invasão sigilosa do território nacional executada pelo regime de Cuba através de agentes infiltrados; 4 — dissolução de todos os partidos e investigação com punição das organizações integrantes do Foro de São Paulo; 5 — Intervenção em todos os governos estaduais e municipais e nos seus respectivos legislativos; 6 — combate à corrupção e à subversão; 7 — intervenção no STF, cuja presença de ministros simpáticos aos conspiradores é clara e evidente”.

Já um folheto distribuído pelas ruas da capital paulista afirma que “há 50 anos, no dia 19 de março de 1964, nossos pais e avós foram às ruas e conseguiram a redenção do povo brasileiro. Eles tiveram coragem. Agora é a nossa vez”. O panfleto prega “intervenção militar constitucional” e rosna: “Fora o comunismo, o marxismo e as doutrinas vermelhas”; “Não seremos uma nova Cuba nem uma nova Venezuela”. Outro texto critica “a contratação de médicos cubanos e os gastos para a realização de grandes eventos esportivos no Brasil” e conclama: “Todos juntos nas ruas dizendo um não à tirania do PT, em apoio aos irmãos venezuelanos e contra a ditadura esquerdista... Todos em defesa da nossa pátria. Nossa bandeira é verde e amarelo e não foice e martelo”.

A apresentadora do SBT se soma a estas mensagens — um misto de fanatismo direitista e maluquice fascista. Em sua página no Facebook, os fiéis seguidores elogiam sua “coragem” e chegam a lançá-la para disputar cargos eletivos. Amilton Augusto, por exemplo, defende “Joaquim Barbosa (presidente) e Rachel Sheherazade (vice-presidente)”. Elias Machado comenta: “Não sei se ela tem vocação política, mas seria uma ótima opção para presidente”. Já Arthur Roque declara: “Eu apoio a intervenção militar. Somente isto para acabar com esta corja de comunistas. Está na hora do pau! Avante general Heleno, avante Jair Bolsonaro”. Só falta a emissora de Silvio Santos estampar uma convocatória para a "Marcha da Família"!

Altamiro Borges
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‘Os Estados Unidos têm que se desintegrar como a União Soviética’

Thomas Naylor pregou apaixonadamente a independência do Estado de Vermont.

Thomas Naylor Wrapped in Flag
Thomas Naylor com a bandeira de sua sonhada república

Morto aos 76 anos no final do ano passado, Thomas Naylor foi um dos mais originais e provocativos intelectuais americanos de seu tempo. Professor emérito de economia da Universidade Duke, autor de trinta livros e libertário por inteiro, Naylor dedicou seus últimos anos à causa da separação do estado em que vivia, Vermont, da federação americana. Ele via nos Estados Unidos semelhanças notáveis com a tirania soviética, encerrada com a desintegração do império russo

A causa de Naylor foi brilhantemente defendida no Manifesto Vermont, que o Diário se orgulha em compartilhar com o público.

Um espectro ronda os Estados Unidos, o tecnofascismo, um sistema em que indivíduos livres permitem ao governo e às grandes empresas controlar  suas vidas através do dinheiro, dos mercados, da mídia e da  tecnologia. O resultado disso tudo é a perda de vontade política, de liberdades civis e da cultura tradicional.

Nós, o povo de Vermont, acreditamos que os Estados Unidos da América se tornaram muito grandes, muito poderosos, muito intrusivos, muito materialistas, muito high tech, muito globalizados, muito imperialistas, muito violentos, muito antidemocráticos e muito ineficazes no atendimento às necessidades dos cidadãos e das pequenas comunidades. Eleições presidenciais e parlamentares são compradas e vendidas pelo maior lance. Governos estaduais e municipais também assumem pouca responsabilidade para a solução de seus problemas sociais, econômicos e políticos, de bom grado abdicando de suas tarefas vitais.

Nossa nação sofre de megalomania — uma obsessão com poder pessoal, influência, grandeza, riqueza. Vivemos sob o culto obsessivo-compulsivo de tudo o que é grande — grande governo, grandes cidades, grandes negócios, grandes escolas, grandes armas, grandes redes de computadores, grande ciência e grandes, grandes partidos políticos.

Megaempresas, que não prestam contas a ninguém, nos dizem o que comprar, quanto pagar e quando devemos substituir o que compramos.Também nos dizem onde trabalhar, quanto receberemos, e quais serão nossas condições de trabalho.

O World Trade Center foi o santuário da globalização, onde os fiéis prestaram homenagem ao sistema internacional de produção em massa, marketing de massa, distribuição de massa, consumo de massa, megainstituições financeiras e sistema global de telecomunicações — um universo que funcionaria melhor se todos nós fôssemos o mesmo. Mas muitas vezes a globalização foi conseguida através de coerção, do coletivismo, da exploração, do monopólio e do poderio militar americano.

A política externa americana é baseada na premissa da infabilidade do poder político, econômico, tecnológico e militar. Nossa história difere pouco da de qualquer outro império. Ela está enraizada no imperialismo diante dos nativos americanos, dos afroamericanos e das nações que se colocam em nosso caminho. Desde o fim da II Guerra Mundial, os EUA intervieram nos assuntos de 22 países, e nenhuma destas intervenções foi precedida por uma declaração de guerra.

Como a guerra contra o terrorismo niilista se expande, é apenas uma questão de tempo antes de o Pentágono restabelecer o serviço militar obrigatório. Quantos habitantes de Vermont estão preparados para morrer ou sacrificar suas crianças para fazer o mundo seguro para o McDonalds, a Wal-Mart, os automóveis beberrões de gasolina, Bill Gates e o resto dos 400 americanos mais ricos da Forbes?

Os EUA correm o risco de exaustão imperial, em que a soma das nossas interferências globais excede o poder de defendê-las todas simultaneamente. Como outros impérios — o romano, o otomano, o espanhol, o napoleônico, o britânico e o soviético —, o império americano pode vir abaixo por uma doença interna e não por uma ameaça externa.

Naylor
Naylor
Pequenos ajustes pouco servirão para nosso país aleijado. Há apenas uma solução: a dissolução pacífica dos Estados Unidos. Muitos habitantes de Vermond vêem o American Way of Life com um olhar de desprezo — afluência, tecnomania, culto corporativo, a militarização do espaço, bajulação dos ricos e poderosos. Eles estão desiludidos com a arrogância e a concupiscência do país, e anseiam por uma vida mais simples, menos materialista, mais gratificante.

Vermont pode cuidar de si mesmo. O estado não tem bases militares, nem grandes cidades, nem grandes instalações governamentais, e praticamente não tem indústrias estratégicas. Como Noruega, Dinamarca, Suécia e Suíça, Vermont não é uma ameaça a ninguém. Por que alguém iria invadir Vermont? O que fariam com Vermont ?

Vermont tem pouco em comum com Boston, Nova York, Houston, Los Angeles ou Chicago. Por que os moradores do estado deveriam ser taxados para pagar a proteção militar de Nova York, o epicentro do capitalismo global e ganância corporativa, ou Washington, a insípida capital do Império? Como é que Vermondt pode evitar uma guerra global entre os que têm e os que não têm?

Não há soluções rápidas para os nossos problemas de grandeza e de falta de conexão. Capacitar, alimentar e apoiar pequenas comunidades é um processo lento e árduo.

Thomas Jefferson disse na Declaração de Independência: “Sempre que qualquer forma de governo se tornar destrutiva, é direito do povo alterá-lo ou aboli-lo, e instituir um novo governo.”

Chegou a hora de todos os cidadãos de Vermont pacificamente se rebelarem contra o Império para (1) recuperar o controle de suas vidas que foi tomado pelo grande governo, pelos grandes negócios, pelas grandes cidades, pelas grandes escolas e pelas grandes redes de computadores; (2) reaprender a cuidar de si mesmos num ambiente descentralizado, menor, desmilitarizado e humanizado; e (3) aprender a ajudar os outros a cuidar de si para que todos nós nos tornemos menos dependente de um grande negócio, de um grande governo e de uma grande tecnologia.

Jefferson
Jefferson
Nós, os cidadãos de Vermont, pacificamente e respeitosamente pedimos aos deputados estaduais democraticamente eleitos para considerar uma e apenas uma questão — a retirada de Vermont dos Estados Unidos da América e o retorno a sua condição de república independente como foi até 1791. Uma vez que a declaração de secessão seja aprovada por uma maioria de dois terços dos deputados, o governador de Vermont terá poderes para negociar um acordo de separação com o secretário de Estado.

No mundo do terrorismo global, qualquer estado pertencente aos EUA está exposto ao risco de ataque terrorista, bem como ao recrutamento militar de sua juventude. Secessão já não é apenas uma causa abstrata libertária, mas um caminho para a sobrevivência. Chegou a hora de enfrentar a realidade de desunir ou morrer.

No DCM
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Publicista ofrece solución a EEUU para poner fin al imperio americano


La política exterior de EE.UU. es agresiva, temeraria e intervencionista y puede causar respuesta similar por parte de otros países. Sin embargo, existe una salida: la era de la hegemonía de EE.UU. debe terminar, según un publicista estadounidense.

Célebre autor norteamericano Laurence M. Vance, en su libro ‘War, Empire, and the Military’ (‘Guerra, Imperio y el Ejército’), acusa a EE.UU. de sancionar la desestabilización y el derrocamiento de los Gobiernos, asesinar a sus líderes, destruir sus industrias e infraestructuras, respaldar los golpes militares, escuadrones de la muerte, tráfico de drogas y el imperialismo con el pretexto del humanitarismo, publica el portal Zerohedge.

Además, Vance afirma que la política exterior norteamericana apoya a los Gobiernos corruptos y tiránicos y las sanciones y embargos brutales, lo que provoca la discordia, el odio y los ataques terroristas en contra de EE.UU.

El autor ofrece una vía de solución para salir de este círculo vicioso: regresar a la política exterior de Thomas Jefferson, uno de los Padres Fundadores de EE.UU., que se guiaba por los siguientes postulados:

• “Ninguna nación tiene derecho a juzgar a otra”.

• “No queremos intervenir en los asuntos internos de ningún país, ni en los asuntos generales de Europa”.

• “Estoy por el libre comercio con todas las naciones, conexión política con ninguna y poco o ningún trato diplomático”.

• “Hemos dado pruebas, de los más ilustrados y aprobados escritores sobre el tema, de que una nación neutral debe, en todo lo relativo a la guerra, observar una exacta imparcialidad hacia las partes”.

El imperio global norteamericano, con sus 1.000 bases militares en el extranjero y medio millón de tropas y mercenarios en tres cuartas partes del mundo, debe desmantelarse, escribe el autor. Junto con los espías estadounidenses, las operaciones clandestinas, colosales presupuestos militares, abuso y perjudicial uso del Ejército, campos de prisioneros, torturas, secuestros, asesinatos, propagación de la democracia a punta de pistola, patrioterismo, cambios de régimen, alianzas militares, garantías de seguridad e injerencia en los asuntos de otros Estados, asevera el escritor.

Vance pone un ejemplo: EE.UU. jamás aceptaría que cualquier otro Estado desplegara una cadena de bases cerca del territorio nacional, localizara sus tropas dentro del país, estableciera una zona aérea sobre el Estado o mandara su Armada a patrullar las costas norteamericanas. Después Vance plantea la pregunta: ¿Hasta cuándo otras naciones aguantarán estas acciones por parte de EE.UU.?

El autor advierte que Norteamérica ya experimentó el estallido de la ira del mundo musulmán, causada por la política exterior estadounidense. Por ello, Vance opina que EE.UU. debe dejar de ser policía, bombero, guardia de seguridad, trabajador social y el metomentodo a escala mundial.

No CubaDebate
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Folião solta palavrão ao vivo: “Globo, vai tomar no c..."

Folião xingou a Globo ao final do desfile da Unidos da Tijuca
A transmissão do Carnaval do Rio de Janeiro terminou com uma gafe da Rede Globo na manhã desta terça-feira. A emissora carioca deixou vazar o xingamento de um folião contra a própria TV, enquanto uma repórter entrevistava participantes da Unidos da Tijuca ao final do último desfile do Grupo Especial.

Ei, Globo, vai tomar no c...”, gritou o folião, assim que o link ao vivo entrou no ar, enquanto outros integrantes da Unidos da Tijuca celebravam o sucesso do desfile que homenageou o piloto Ayrton Senna na Marquês de Sapucaí. Vários internautas repercutiram a gafe no Twitter.

No Terra
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Dilma canta o “Lepo Lepo”


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Não me enche o saco!!!! Chame a Polícia!!!

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Internet é a segunda principal fonte de informação sobre política

Enquanto 55% buscam a TV para se informar, 12% recorrem a sites e 7% a jornais e revistas. Dos entrevistados na consulta, 42% disseram não acessar a internet

A internet é a segunda fonte de informação quando os brasileiros querem saber sobre política, atrás somente da televisão. De acordo com a pesquisa Vox Populi/CartaCapital, 55% buscam noticiários televisivos para se informar sobre os acontecimentos políticos, enquanto 12% procuram em sites especializados na internet notícias e análises sobre os desdobramentos na política.

A utilização de jornais impressos e revistas aparece em terceiro na lista, sendo esta a primeira opção para apenas 7% dos entrevistados. Para 5%, a principal fonte de informação sobre o tema são blogs e redes sociais, enquanto 4% buscam se informar por meio do rádio e 3% com ajuda de amigos, vizinhos ou colegas de trabalho.

De todos os entrevistados para a consulta realizada entre 13 e 15 de fevereiro, 42% disseram não acessar nunca a internet, enquanto 32% disseram acessar todo dia ou quase todo dia. Outros 17% contaram acessar a internet apenas de vez em quando, enquanto 9% disseram acessar raramente.

O instituto ouviu 2.201 eleitores em 161 municípios de todas as regiões do país. A margem de erro é de 2,1 pontos percentuais, para mais ou para menos.
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O Roberto Marinho da Venezuela chamava os chavistas de ‘macacos’

Gustavo Cisneros, bilionário venezuelano, ocupa uma posição semelhante à de Roberto Marinho e de Murdoch.

"Cisneros sempre considerou o seu próprio país demasiado pequeno para os seus talentos e demasiado inseguro para a sua fortuna."
“Cisneros sempre considerou o seu próprio país demasiado pequeno para os seus
talentos e demasiado inseguro para a sua fortuna.”

Com uma fortuna de mais de 4 bilhões de dólares, Gustavo Cisneros gosta de promover-se como o homem mais rico da América Latina e o mais poderoso barão da mídia do continente, um equivalente latino a Murdoch ou a Berlusconi. Desde 1961 a Organización Cisneros possui a Venevisión, o principal canal comercial de TV da Venezuela — mais conhecida no estrangeiro pela sua raivosa oposição a Chávez durante o golpe de 2002 e pela denúncia incessante dos seus apoiadores como ‘arruaceiros’ e ‘macacos’.

A partir dos anos 80 ele estendeu seu império pela América Latina incluindo a Chilevisión do Chile e a TV Caracol da Colômbia, com uma grande participação na DirectTV latino-americana, cujo satélite emite uma programas de esportes, shows de jogos, telenovelas e notícias leves para 20 países latino-americanos. Ele também tem uma participação lucrativa na Univisión, o principal canal em língua castelhana dos Estados Unidos, e uma empresa conjunta latino-americana de conexão de internet com a AOL-TimeWarner.

Tal como muitos latino-americanos ricos, Cisneros é um camaleão no que se refere à nacionalidade. Nominalmente venezuelano — nasceu em Caracas em 1945, de um pai empresário cubano e de uma mãe venezuelana — foi educado e fez sua aprendizagem de mídia nos EUA. Mas também é cidadão da Espanha, a pedido pessoal do rei Juan Carlos, americano em Nova York, cubano em Miami e dominicano na República Dominicana, onde a sua principal base — a Casa Bonita, próxima à estância balneária de La Ramona — está no lugar dos refúgios de outros bilionários de origem cubana, enriquecidos com os lucros do açúcar, do rum e dos negócios imobiliários.

O estilo de vida cosmopolita de Cisneros permite-lhe escapar aos horizontes limitados de um país latino-americano que tradicionalmente joga na segunda divisão. Um venezuelano, de acordo com uma antiga e desrespeitosa piada latino-americana, é um panamenho que pensa que é argentino. Tal como muitos hispano-americanos ricos, Cisneros sempre considerou o seu próprio país demasiado pequeno para os seus talentos e demasiado inseguro para a sua fortuna. Como uma das figuras sombrias que proporcionam aos americanos força local fora dos Estados Unidos, Cisneros está atado de pés e mãos a Washington, e tem sido bem pago por isso.

Sem esquecer a auto-promoção, Cisneros agora pode apregoar uma reluzente biografia escrita por Pablo Bachelet, acrescida deuma introdução panegírica do novelista mexicano Carlos Fuentes, morto em 2012. Os motivos de Bachelet neste projeto — ele é um meio-chileno, jornalista financeiro com base em Washington, ex-Dow Jones, actualmente Reuters — dificilmente podem ficar em dúvida. Bachelet teve acesso privilegiado à família Cisneros, e a maior parte do seu relato — uma leitura não exigente — é retirada literalmente das visões de Gustavo acerca de si próprio.

Gustavo foi o quarto filho de Diego Cisneros, um importante empresário em Caracas. A fortuna dos Cisneros decolou no princípio da Segunda Guerra Mundial quando a família adquiriu o direito de engarrafar e distribuir a Pepsi. Segundo uma lenda local (Bachelet não menciona o episódio), homens de Diego empurraram caminhões da Coca Cola num despenhadeiro, privando assim o seu rival das suas inimitáveis garrafas com saias rodadas, impossíveis de obter até que fosse declarada a paz. A Pepsi moveu-se suavemente para o Número Um e — caso único na América Latina — permaneceu nesta posição na Venezuela nos anos seguintes.

Cisneros e o filho com o companheiro Roberto Marinho numa visita ao Brasil em 1995
Cisneros e o filho com o companheiro Roberto Marinho
numa visita ao Brasil em 1995

Na década de 1950, Diego moveu-se para o rádio e para a embrionária indústria da televisão, e em 1961 fundou um novo canal, a Venevisión, que veio a tornar-se a preocupação especial de Gustavo. A companhia Cisneros das décadas de 1950 e 1960 estava centralmente colocada para atuar como uma representante do capital americano. Como tal, tornou-se parte de uma nova elite na Venezuela que floresceu através da distribuição liberal por meio do estado (mais propriamente, por meio dos partidos políticos) dos rendimentos crescentes do petróleo. A oligarquia agrária diminuía de riqueza e poder desde os princípios do século XX, pois a agricultura principiava um declínio acentuado.

Com a expansão da urbanização e do emprego no setor público, os lucros privados no período do pós-guerra estavam ligados ao crescente comércio em bens — sobretudo americanos — importados. O projeto dos Cisneros, como aqueles de outros empresários de famílias colonizadoras brancas em muitos países latino-americanas, era levar os confortos da civilização anglo-saxã — seus alimentos, sua cultura, suas formas de descanso, seus produtos de beleza — às camadas médias em crescimento na América Latina.

Diego Cisneros era um bom amigo de Rómulo Betancourt, líder fundador da Acción Democrática, partido que o ajudou a lançar a Venevisión. A família manteria contato estreito com os líderes seguintes da Acción Democrática quando eles se revezavam com os do Copei, o outro principal partido, nas rotações que constituíram a democracia venezuelana durante as quatro décadas pós 1958, e em particular com o notoriamente corrupto Carlos Andrés Pérez, presidente tanto nos anos de boom dos meados de 70 e nos de crise dos de 90, quando foi expulso do gabinete por apropriação indébita de fundos.

Outro aliado vital era o poderoso banqueiro da Acción Democrática, Pedro Tinoco, cujo papel era de conselheiro da família Cisneros nos seus negócios com companhias americanas. Tinoco atuaria como ministro das Finanças da Venezuela de 1969 a 1972, e como presidente do Banco Central no governo Pérez de 1989 a 1992. Ele morreu pouco antes da queda do Banco Latino, do qual fora presidente, desencadeada pela crise financeira venezuelana de 1994.

Com 25 anos, em 1970, Gustavo assumiu os negócios da família quando seu pai ficou incapacitado por um derrame cerebral. Ele havia se diplomado no Babson College em 1968, e a seguir passou dois anos trabalhando na ABC Television em Detroit, Chicago, Los Angeles e Nova York. Em 1970, numa ‘cerimônia simples’ na Catedral de St. Patrick, em Manhattan, fez um feliz casamento dinástico com Patty Phelps, cujo pai americano, tal como Diego Cisneros, tinha se estabelecido em Caracas como vendedor da Ford Motors, máquinas de costura Singer e máquinas de escrever Underwood. Os Phelps eram também os proprietários da Rádio Caracas, cujo ramo de TV, a RCTV, era o principal competidor da Venevisión.

Durante a década de 1970 a Venezuela foi inundada de petrodólares. As conexões políticas não podiam garantir suficientemente o ambicioso lance de Cisneros por uma série de fábricas petroquímicas, a serem financiadas parcialmente pelo estado. Bachelet, tristemente, relata que não foi suficiente ter convencido o presidente: apesar do apoio de Carlos Andrés Pérez, o projeto Pentacom de Cisneros foi bloqueado por uma forte oposição de deputados — cujos nomes não foram mencionados no opaco relato de Bachelet — os quais sentiram que isto entregaria uma indústria venezuelana estratégica a companhias transnacionais.

Mas casualmente, em 1976, o império dos supermercados latino-americanos da família Rockfeller foi rompido sob as regras do Pacto Andino. Com a ajuda de Tinoco, a família de Cisneros comprou rapidamente o ramo venezuelano, adquirindo 48 supermercados e uma dúzia de bares de soda de um só golpe. Eles agora era capazes de integrar os vários interesses Cisneros, utilizando um para promover o outro. Produtos disponíveis nos seus supermercados Cada eram logo anunciados na Venevisión, nessa altura o principal canal de TV do país. Estrelas das telenovelas da Venevisión eram mobilizada para beber o champanhe de Cisneros e usar o shampoo de Cisneros.

Os casais Cisneros e Bush: conexões fortes com os Estados Unidos
Os casais Cisneros e Bush: conexões fortes com os Estados Unidos

Sempre moderna e americana, a família Cisneros foi uma das primeiras promotoras da pornografia suave, adquirindo a ‘Organização Miss Venezuela’ que cuidava das modelos aspirantes a competições nacionais e internacionais. As mulheres escassamente vestidas, todas estranhamente brancas num país de índios e negros, não só apareciam regularmente na Venevisión como também eram veículo para promover os produtos dos Cisneros disponíveis nos supermercados Cisneros. Como diria Carlos, sobrinho de Cisneros, ao comprar os direitos da Playboy TV: ‘Nós entendemos que [a Playboy] era o único grande tesouro que não fora levado dos Estados Unidos para a América Latina, porque todo mundo achava que este era um continente muito católico”.

Os maciços rendimentos do petróleo da década de 1970 haviam sustentado uma vasta rede de patrocínios para a elite da Venezuela, bem como a disseminação de projetos infraestruturais de fachada. Quando os preços do petróleo começaram a cair, o governo Pérez e depois o Herrera tomaram empréstimos no exterior. A dívida externa do país subiu dramaticamente após o aumento das taxas de juro americanas em 1979, atingindo 32 bilhões de dólares em 1982 — quase o dobro do número de 1978.

A economia contraiu-se agudamente, a inflação ascendeu e a fuga de capitais acelerou-se, criando pressões que o bolívar supervalorizado não podia aguentar. Os resultados foram os controles de câmbio e a desvalorização de 1983, que Bachelet discute apenas em termos do impacto — ‘um golpe duro’ — sobre as elites, cuja cupidez ajudara a provocar isto. Durante os seis anos em que houve controle de câmbio os salários reais caíram 20 por cento, os gastos públicos entraram em colapso, o desemprego aumentou para dois dígitos e a inflação atingiu 40 por cento. Em 1978 apenas 10 por cento dos venezuelanos viviam na pobreza; em 1998 o número era de 39 por cento.

A resposta de Cisneros foi, naturalmente, a fuga de capital. Citando com energia o lema de Cisneros — ‘as maiores e melhores oportunidades vêm das crises’ — Bachelet pormenoriza os investimentos dele fora do país. Em 1984 comprou a Spalding, a cadeia gigante de esportes, e a seguir as Galerías Preciados em Madri, outra rede importante.

Em 1988 os salários reais haviam caído 40 por cento, e o custo do serviço da dívida havia ascendido a 5 bilhões de dólares por ano. Em dezembro daquele ano Carlos Andrés Pérez foi reeleito presidente após uma campanha concebida para evocar os anos do boom com gastos desenfreados do seu mandato na década de 1970. Contudo, uma vez empossado, Pérez mudou o rumo, comprometeu-se com um Programa de Ajustamento Estrutural ditado pelo FMI e implementou uma série de medidas neoliberais, cortando subsídios a serviços públicos e liquidando os controles de preços.

Um ano depois a economia contraíra-se 8 por cento. A pobreza geral ascendeu dos 44 por cento de 1988 para 67 por cento em 1989, e a pobreza extrema de 14 para 30 por cento no mesmo período. Quando os preços dos carros dispararam a fim de refletir o custo crescente do combustível, em fevereiro de 1989, Caracas explodiu numa festa de saques e tumultos. Quatro dos supermercados de Cisneros foram saqueados. O protesto, conhecido como Caracazo, acabou por ser esmagado pelo exército, com mais de mil mortes.

O povo devolve Chávez ao poder em 2002: a emissora de Cisneros chamava os chavistas de "macacos"
O povo devolve Chávez ao poder em 2002: a emissora de Cisneros
 chamava os chavistas de “macacos”

Defendendo o ‘sóbrio pacote de medidas’ de Pérez, Bachelet admite que ‘a Venezuela não fora preparada durante a campanha eleitoral para confrontar-se com a verdade’. Mas sua principal preocupação é a fortuna do seu herói. O Caracazo foi um ponto de viragem para Cisneros. Aquilo fê-lo perceber que a sua riqueza já não estava segura em Caracas. Seu simples e lucrativo papel como criado do capitalismo americano estava sob séria ameaça. O próprio estado venezuelano estava entrando em colapso. Ele decidiu que teria de mudar o grosso da fortuna da família para fora do país.

Como a terapia de choque continuava, a economia contraía-se novamente e as taxas de pobreza continuavam a piorar. Em fevereiro de 1992 o então coronel Chávez lançou um golpe de estado sem êxito destinado a deter a força destruidora do modelo que Pérez pusera em movimento. Cisneros colocou a Venevisión à disposição de Pérez, e a transmissão do presidente no dia do golpe salvou sua vida política.

Mas era tamanha a impopularidade de Pérez que aquilo desgastou a estação de TV. Os números de audiência afundaram dramaticamente, com uma consequente perda de receita publicitária, e a estação só recuperou a posição dominante quando transmitiu a Copa do Mundo de futebol dos Estados Unidos em 1994.

Na primavera de 1993 o governo Pérez entrou em colapso em meio a acusações de que se havia apropriado indevidamente de 250 milhões de bolívares (2,8 milhões de dólares) de fundos governamentais.

Os movimentos de Cisneros para retirar os seus bens da Venezuela agora estavam à velocidade máxima. Desta liquidação, a Venevisión ficou dispensada. Ela havia provado seu valor através dos êxitos internacionais das suas telenovelas, as quais na decada de 90 escaparam ao limitado mercado latino-americano e encontraram um nicho por todo o globo.

Sua fórmula pegajosa demonstrou-se irresistível: uma história, lágrimas com soluços, drama emocional e blocos de pornografia suave. Com base neste triunfo, Cisneros tinha grandes esperanças de se estabelecer no mercado americano de televisão, com sua audiência de milhões de latinos. Seu amigo Emilio Azcárraga, dono da Televisa do México, já havia feito uma entrada naquele mercado na década 80, montando uma companhia conhecida como Univisión. Quinze anos mais velho que Cisneros, Azcárraga era aliás uma figura semelhante a ele: filho de um magnata local, que consolidou e expandiu o negócio da família numa operação pan-latino-americana. Bachelet menciona as frequentes viagens em iate de Azcárraga para ver Cisneros na República Dominicana.

Cisneros agora propunha uma sociedade entre ele próprio,  Azcárraga e um parceiro americano. O negócio foi rematado em 1992, e a Univisión começou a difundir para latinos nos EUA o cardápio — telenovelas, talk-shows vazios, ‘notícias’ — que se originara na Venezuela e no México.

Isto pode ser considerado imperialismo cultural em reverso, mas na prática a programação já estava altamente americanizada, e agora era simplesmente vomitada sobre uma audiência latina já familiarizada com a receita. Ironicamente, a Venevisión agora era obrigada a introduzir uma dimensão multiétnica nos seus programas — totalmente inabitual na atmosfera racista branca de Caracas, mas uma condição sine qua non na cultura contemporânea dos Estados Unidos.

Em 1996 o governo de Caldera foi forçado a virar-se para o FMI. O brutal ‘Acordo Venezuela’ eliminou controles de preços, entre outras coisas, e a inflação subiu para mais de 100 por cento. No fim do ano a pobreza generalizada era de 86 por cento e a pobreza extrema de 65 por cento. Foram dias de insegurança para Cisneros. Ele logo tomou o comando da Univisión partilhada com Azcarraga e, com os Estados Unidos na cintura, começou a comprar estações de TV na América Latina, nomeadamente a Chilevisión no Chile e a Caracol na Colômbia.

Em 1995 montou a DirectTV como uma joint venture com a Hughes Communications, um ramo da General Motors. Apesar de entrar no mercado ao mesmo tempo que a Sky de Rupert Murdoch, o qual já fizera um acordo com a Televisa e a Globo de Roberto Marinho, no Brasil, dentro de cinco anos a DirectTV tinha mais de uma milhão de assinantes.

No momento das eleições de 1998 a elite política venezuelana já estava totalmente desacreditada. Preso durante dois anos após o golpe fracassado, Chávez havia ganho considerável apoio popular devido à sua rejeição da ortodoxia neoliberal e defesa aberta dos pobres — nessa altura a massa da população. Ele ganhou o poder em dezembro de 1998, com 56 por cento dos votos. Cisneros estava entre os oligarcas financeiros do país com a esperança de que aquele oficial não experimentado pudesse ser curvado à sua vontade. Na noite das eleições eles encontraram-se de modo amistoso nos estúdios da Venevisión, e Bachelet relata conversações posteriores com o novo presidente nas quais Cisneros manifestou seu apego à solidariedade social. Numa reunião que Bachelet não menciona, Cisneros sugeriu que um dos seus homens tomasse conta da Comissão Nacional de Telecomunicações, um organismo regulador do Estado que podia fazer muito para ajudar os esquemas da Organización Cisneros.

Chávez recusou a oferta. Ele planejava impulsionar o seu programa para regenerar o país sem a assistência dos seus tradicionais dominadores, políticos ou financeiros.  Cisneros juntou-se logo à cada vez mais estridente oposição da elite, queixando-se que o país fora tomada por um populista autoritário, e prognosticando desgraças econômicas contínuas — provocadas, muito antes da eleição de Chávez, por uma série de governos que eles haviam apoiado.

Cisneros foi um membro central do grupo que planejou a derrubada de Chávez em abril de 2002. Na noite de 11 de abril, depois de Chávez ter sido removido do Palácio de Miraflores na ponta de armas, os principais conspiradores reuniram-se no apartamento de Cisneros. No princípio da manhã seguinte Pedro Carmona, chefe da confederação de empresários, anunciou na TV que era o novo presidente. Carmona comunicou o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal, bem como a supressão da Constituição.

Cisneros  sugeriu que a estratégia de comunicações do novo governo deveria ser deixada nas suas mãos. Carmona aceitou agradecido. Poucos minutos depois de a delegação de Cisneros deixar o Palácio, contudo, os soldados da Guarda Presidencial retomaram-no, detendo alguns dos líderes do golpe enquanto Carmona escapava.

Cisneros deu ordens aos seus canais para não apresentarem notícias do contra-golpe, nem mostrarem imagens das dezenas de milhares de pessoas a descerem dos morros para assegurar o retorno do ‘seu’ presidente. Durante todo o dia, a programação de Cisneros foi preenchida por velhos filmes e desenhos animados. As notícias dos eventos na capital eram apresentadas só pela CNN.

“Chegará o dia”, declarou Chávez em maio de 2004, “em que teremos juizes sem medo que atuarão de acordo com a Constituição e aprisionarão estes senhores da máfia como Gustavo Cisneros.”  Visto através dos binóculos servis de Fuentes, Cisneros é um modelo de cidadão, um visionário e empreendedor ‘global’. O vendedor de novelas, loiras e shampoo é louvado por criar um negócio cultural na América Latina ‘comparável em profundidade e resiliência’ à estética e tradições literárias do continente. Seus prosaicos negócios imobiliários em Madri ‘aboliram o oceano’. Foi ‘um defensor da língua castelhana no coração da América anglófona’.

Em retrospectiva, o entusiasmo de Fuentes por Cisneros não é de todo surpreendente. Como filho de um diplomata mexicano, Fuentes pertenceu ao mesmo mundo transcultural do empreendedor venezuelano. Sua visão preconceituosa das tradições revolucionárias da América Latina tornou-se mais pronunciada com o passar dos anos e tingiu claramente sua atitude em relação a Chávez, muitas vezes com um toque abertamente racista ou elitista.  Tal antipatia é bastante comum entre a elite americanófica da América Latina e também entre alguns da sua esquerda intelectual.

A ameaça de Chávez sempre repousou na sua capacidade para apresentar uma alternativa ideológica ao Consenso de Washington. Suas medidas redistributivas mal tocaram as fortunas que Cisneros e seus afins colheram dos venezuelanos comuns, através de décadas de corrupção estatal.  Em 2004, Cisneros combinou uma reunião com Chávez por intermédio de Jimmy Carter. Se Chávez organizasse uma entrada para Cisneros junto ao governo Lula no Brasil, a propaganda antigoverno da Venevisión seria acalmada.

Cisneros desde então avançou suas obras de semicaridade na Venezuela. E reduziu a campanha contra o chavismo.

Texto de autoria do jornalista e escritor inglês Robert Gutt, que foi correspondente em Caracas e hoje escreve artigos para jornais como Guardian e Independent.
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