25 de fev de 2014

Deputados federais do RS estão na mira de Janot


O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, está analisando uma representação criminal contra os deputados federais pelo Rio Grande do Sul Luis Carlos Heinze (PP) e Alceu Moreira (PMDB); Segundo a Câmara do MPF, responsável por tratar de questões relacionadas a populações indígenas e comunidades tradicionais, os parlamentares devem ser denunciados ao STF por discriminação, preconceito e incitação à prática de atos criminosos

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, está analisando uma representação criminal contra os deputados federais pelo Rio Grande do Sul Luis Carlos Heinze (PP) e Alceu Moreira (PMDB). Segundo a Câmara do Ministério Público Federal, responsável por tratar de questões relacionadas a populações indígenas e comunidades tradicionais, os parlamentares devem ser denunciados ao Supremo Tribunal Federal (STF) por discriminação, preconceito e incitação à prática de atos criminosos.

A coordenadora da Câmara, Deborah Duprat, diz que as manifestações dos deputados atentam contra os "valores mais caros da sociedade nacional", como o pluralismo social, segurança pública e o Estado de Direito.

"O deputado Luis Heinze os praticou ao desqualificar publicamente índios e quilombolas, afirmando que eles 'não prestam'. A sequência do discurso evidencia que há, ali, um processo de convencimento tendente a fazer com que os ouvintes reajam a esses grupos étnicos, inclusive por meio de segurança privada. Do mesmo modo, o deputado Alceu Moreira, ao chamar índios e quilombolas de 'vigaristas' e sugerir à plateia que se 'vista de guerreira' e os enfrente 'do jeito que for necessário'", diz o texto assinado pela coordenadora.

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Apreensão de carro do presidente da Federação de Futebol de SC gera polêmica em Balneário Camboriú

Delfim Peixoto
Uma apreensão de veículo registrada na noite dessa segunda-feira, 24, gerou polêmica nas redes sociais e imprensa da região. O carro do presidente da Federação Catarinense de Futebol Delfim de Pádua Peixoto Filho, foi apreendido por estar com a documentação atrasada, mas não foi encaminhado ao pátio de carros apreendidos, como acontece com o cidadão comum. Segundo o comando da Polícia Militar, a ordem partiu do supervisor de dia da 3ª RPM, Jefferson Schmidt, atendendo a pedido do presidente da Federação.


Delfim de Pádua Peixoto Filho transitava na sua BMW Z4, MLK placas 0007, quando foi parado em uma blitz na Avenida Martin Luther com a rua Uganda. Ao ser verificada a documentação foi constatada que ela estava atrasada. Ao ser mencionado que o carro seria guinchado e levado ao pátio de carros apreendidos o presidente teria feito uma ligação. Logo depois os policiais empenhados na ocorrência receberram a ordem do alto escalão de que a BMW não seria guinchada e deveria ser encaminhada em comboio para o pátio do 12º Batalhão da PM.

A ação foi feita e gerou muita polêmica. Em nota, Marcello Martinez Hipólito — comandante do 12º Batalhão falou sobre a ocorrência. Disse que não há ilegalidade no ato de levar para o quartel. Perguntado se a determinação não abriria lacuna para outras solicitações, o comandante ressaltou que o presidente não deixará de pagar multa, taxas e serviço de guincho.

O oficial que liberou o carro do presidente, para que não fosse gunichado, além de atuar como oficial da Polícia Militar, é árbitro de futebol da Federação Catarinense de Futebol.
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COPOM: os trabalhadores têm de ser ouvidos

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) iniciou nesta terça-feira (25) a segunda reunião do ano para definir a taxa básica de juros, a SELIC. A decisão será divulgada nesta quarta (26).

Segundo os jornais, o mercado financeiro prevê uma taxa de 11,25% este ano e de 12%, em 2015. No ano passado, depois de centenas de artigos de analistas ligados ao mercado financeiro prevendo o caos econômico, o Copom elevou a SELIC em 2,75% - em janeiro, a taxa subiu 0,5% e ficou em 10,5%.

Para a CUT, a política de elevação das taxas de juros, além de não contribuir para controlar os índices inflacionários, prejudica o desenvolvimento sustentável do País, gerador de emprego e renda, reduz o mercado interno, encarece o crédito e serve apenas aos interesses do capital especulativo.

Só o sistema financeiro ganha com isso. Quanto maior o spread, ou seja, a diferença entre a taxa básica de juros (10,5%) e o índice de inflação (5,9%), maior o lucro dos especuladores. E quem mais ganha são os investidores externos porque, em seus países, o spread é baixo.

E quem mais perde são os/as trabalhadores/as, em especial os/as que ganham menos. Isso porque, junto com os juros sobem todos os preços das mercadorias e serviços. Com isso, cai violentamente o poder de compra da classe trabalhadora.

A CUT não quer inflação nem juros altos. A CUT quer que os/as trabalhadores/as tenham poder aquisitivo para investir na qualidade de vida, moradia, lazer, educação.

É por tudo isso que a CUT entende que o Copom não pode ser formado apenas por economistas do Ministério da Fazenda e outras instâncias do governo. Defendemos a participação da sociedade civil organizada — trabalhadores/as e empresários/as, inclusive do setor produtivo — para que o Copom não tome decisões influenciadas apenas pelo mercado financeiro e, sim, por toda a sociedade brasileira.

Vagner Freitas, presidente nacional da CUT
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A cobertura da mídia na Venezuela

A TV da Venezuela é a favor ou contra o governo?


O New York Times começou sua reportagem sobre a Venezuela na última sexta-feira dizendo que “a única estação de televisão que transmite regularmente vozes críticas ao governo foi vendida no ano passado e os novos proprietários têm suavizado a sua cobertura de notícias”.

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas, CPJ, escreveu na semana passada: “Quase todas as estações de TV na Venezuela ou são controladas ou aliadas do governo de Nicolás Maduro e ignoraram os protestos em todo o país”.

Antes de se entregar às autoridades, o líder da oposição Leopoldo López afirmou: “Nós já não temos qualquer meio de comunicação livre para nos expressar na Venezuela”.

Estas afirmações são verdadeiras ou falsas? Declarações similares são feitas repetidamente nas principais agências de notícias internacionais e geralmente aceitas como verdadeiras. No entanto, esta deve ser uma questão factual, independentemente se alguém simpatiza com a oposição, o governo ou nenhum dos dois.

Os dados publicados pelo Carter Center sobre a cobertura da mídia durante a campanha para as últimas eleições presidenciais, em abril do ano passado, indicam que os dois candidatos foram representados de forma bastante equilibrada na cobertura televisiva.

Nós vamos voltar para o relatório do Carter Center, mas primeiro façamos uma verificação rápida com base em eventos recentes da cobertura. Podemos olhar para as transmissões das maiores emissoras de televisão do país. A maior é a Venevisión, de propriedade do magnata da mídia e bilionário Gustavo Cisneros. Segundo o Carter Center, ela tem cerca de 35% da audiência de notícias durante “eventos de interesse jornalístico-chaves recentes”.

Se olharmos para a sua cobertura desde que os protestos começaram em 12 de fevereiro, podemos encontrar muitas ocasiões em que “vozes críticas ao governo” e líderes da oposição aparecem  “regularmente”. Por exemplo, aqui está uma entrevista da Venevisión com Tomás Guanipa, líder do grupo oposicionista Primero Justicia (Justiça Primeiro) e com um representante do partido na Assembleia Nacional. Ele defende os protestos e acusa o governo de torturar estudantes.

Aqui está uma longa entrevista com María Corina Machado, uma das líderes da oposição mais proeminentes e linha-dura, que procura derrubar Maduro. Ela também acusa o governo de torturar os alunos e defende o aspecto mais controverso dos protestos em curso: argumenta que as pessoas têm o direito de derrubar o governo democraticamente eleito. (Isso é algo que não iria aparecer na TV na maioria dos países do mundo; na Venezuela, as ameaças de derrubar o governo viraram realidade e houve várias tentativas nos últimos 12 anos). Esta entrevista é da Globovisión, a estação que a reportagem do New York Times reclama que tenha “suavizado sua cobertura”.

Os dados acima mostram que a declaração do New York Times é falsa, uma vez que a Venevisión e outras emissoras transmitiram regularmente essas vozes críticas no passado e ainda o fazem. Mas também mostram que a implicação do repórter do Times de que a venda de alguma forma tornou a Globovisión uma TV amiga do governo é altamente enganosa. Sim, ela tem “suavizado sua abordagem”. Saiu de algo comparável à Fox News com esteróides para algo como NBC, CBS ou CNN nos EUA: uma cobertura de notícias que segue a norma jornalística segundo a qual deve haver algum equilíbrio. Agora, para muitos direitistas nos Estados Unidos, se você não é Fox News, você é um apologista da administração Obama.

Os exemplos acima, assim como os links abaixo, mostram que a frase de abertura do New York Times é falsa. Da mesma forma, a declaração CPJ é falsa: as emissoras de TV com maioria de telespectadores na Venezuela não são “controladas ou aliadas de Maduro” e nem têm “ignorado os protestos em todo o país”.

Isso não quer dizer que eles não se envolvam com auto-censura: eles o fazem. Isso é verdade em todo o mundo, inclusive nos Estados Unidos (onde atinge níveis extremos em certas questões). Na Venezuela, há uma história por trás da relutância de alguns canais de TV de mostrar imagens em tempo real de violência em manifestações: em 2002, os principais canais manipularam cenas de tiroteios durante uma manifestação e através de transmissões repetidas convenceram grande parte da país e do mundo que as forças do governo haviam cometido um massacre, o que justificaria um golpe militar. Oito meses mais tarde, a indústria petrolífera controlada pela oposição nacional e empresas de propriedade da oposição entraram em greve, mais uma vez com a intenção declarada de derrubar o governo. As principais emissoras convidaram as pessoas a sair às ruas e derrubar o governo.

Mas, em qualquer caso, as manifestações e os pontos de vista dos manifestantes ainda são bastante visíveis na mídia privada, que tem entre 74 e 92 por cento da audiência televisiva, dependendo do que está acontecendo no país.

Mas, novamente, voltemos para a verificação dos fatos. As estações de televisão privadas são “controladas ou aliadas” do governo? Ao invés de apenas olhar para a cobertura de acontecimentos recentes, podemos usar um estudo mais sistemático do Carter Center sobre cobertura importante da última campanha presidencial, em abril de 2013. Eles descobriram que:

A distribuição por canais mostra que estações privadas dedicaram mais tempo ao candidato Henrique Capriles Radonski, sua campanha e seus eleitores (73%), com uma percentagem muito menor (19%) dedicada ao candidato do partido do governo, Nicolás Maduro, sua campanha e seus eleitores. O desequilíbrio na cobertura no canal estatal, no entanto, foi ainda mais acentuada. Noventa por cento da cobertura esteve focada no candidato do governo, enquanto as atividades de campanha de seu oponente receberam quase 1 por cento de atenção.

E:

Em relação ao tom da cobertura nos meios de comunicação públicos, o monitoramento constatou 91% de cobertura positiva para o candidato Nicolás Maduro. Capriles não tinha cobertura positiva (91% dos registros foram negativos, enquanto os restantes 9% eram neutros). Na mídia privada, Henrique Capriles recebeu 60% de cobertura positiva (23% negativa e 17% neutra), enquanto Maduro teve 28% de cobertura positiva (54% negativa e 18% neutra).

Agora, isso indica um viés mais forte na mídia pública (pró-governo) do que na TV privada (pró-oposição). No entanto, o Carter Center informa que a TV privada tem, para “eventos-chaves de interesse jornalístico” cerca de 74% da audiência, com a participação do estado em apenas 26%.

As declarações segundo as quais toda a TV é “controlada ou aliada do governo” são claramente mentirosas. A TV estatal pode cantar os louvores de Maduro durante todo o dia, mas a mídia privada atinge várias vezes mais pessoas com um viés oposto.

Finalmente, existem as cadeias, em que todas as estações transmitem os discursos do presidente (essa lei é anterior à era Chávez). No entanto, o presidente Maduro não usou cadeias durante o período da campanha, apenas uma antes do lançamento da candidatura. O período de monitoramento do Carter Center é de 28 de março a 16 de abril e o relatório incluiu quatro cadeias nos dois dias após a eleição.

Leopoldo López é um político e ele deve ser perdoado por suas hipérboles (como os críticos de direita do presidente Barack Obama nos Estados Unidos, que o chamam de “ditador socialista”). Mas o New York Times e o CPJ devem ser mais cuidadosos para não apresentar alegações falsas como fato.

Abaixo, alguns links da cobertura da TV privada dos recentes acontecimentos:










María Corina Machado: El pueblo ha salido a la... por Globovision

María Corina Machado: La protesta pacífica es... por Globovision


Mark Weisbrot 

* * *

Âncora da CNN teve que retratar-se por foto falsa da Venezuela


Uno de los anclas de CNN, Carlos Montero tuvo que retractarse por haber publicado una falsa foto haciendola pasar como venezolana cuando en realidad corresponde a Singapur.

El equipo web de la televisión ecuatoriana a través de su cuenta en Twitter @tvecuador, publicó el tuit del recule.

Algunos medios internacionales comienzan por fin a contrastar las imagenes falsas.

En el caso español, al llegar imágenes que ellos saben que son españolas y no venezolanas publican las dos versiones comenzando a tumbar el engaño mediático.

Así le pasó al ancla de CNN cuando le comenzaron a enviar imágenes que él daba como venezolanas.

No Aporrea

Tida como venezuelana, a imagem abaixo foi feita em junho de 2013, no Brasil:

Nesta foto, guardas usando um felpudo chapéu de inverno na Caracas caribenha?

"Eu e você somos venezuelanos, amigo". Mas a frase deveria ter sido escrita em búlgaro:

Era pra ser da repressão na Venezuela, mas o site da Al Jazeera comprova a origem da imagem:

Nesta, a foto de um chavista ferido em abril do ano passado é usada por opositores:

Só não prestaram atenção à data:

Uma procissão religiosa foi retratada como protesto contra o governo:

Imagem de apoio à independência da Catalunha, na Espanha:
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Nova mansão do dono da RedeTV! uma homenagem aos salários atrasados de seus funcionários

A mansão de Dallevo

O presidente da RedeTV!, Amilcare Dallevo Jr, terminou finalmente a construção de sua casa. Ela possui, de acordo com a Veja São Paulo, 17 800 metros quadrados de área construída. Pode ser a maior mansão do país. Deve estar entre as maiores do mundo. “Xanadu”, onde Bill Gates mora, tem 6 100 metros quadrados.

A residência de Dallevo tem 18 quartos, hangar para quatro helicópteros, heliponto em cima da suíte do casal, estacionamento subterrâneo para 50 carros, spa, cinema e um quintal cujo modelo são os Jardins de Luxemburgo. Fica em Alphaville. Segundo o iG, Dallevo e sua mulher, a apresentadora Daniela Albuquerque, recusaram um projeto de Oscar Niemeyer.

Noves fora a cafonália ostensiva — tudo bem, é problema dele, mas quem precisa de 17 mil metros quadrados? —, é um assombro que Dallevo tenha se dado ao luxo de gastar uma bala incalculável num palácio enquanto sua empresa não pagava salários e colecionava pepinos na Justiça.

Abre parêntese: Jordan Belfort, o homem cuja história é contada no filme “O Lobo de Wall Street”, deve 100 milhões de dólares a investidores que caíram em sua lorota quando ele era dono de uma corretora.

Atualmente palestrante motivacional, Belfort prometeu que todo o dinheiro estaria indo para um fundo para saldar suas dívidas com essas pessoas.

Era mentira. O Ministério Público dos EUA acionou a produtora de cinema, bem como as editoras que lançaram seus livros. “Nós estamos fazendo o possível para devolver o que ele deve às suas vítimas”, disse um porta-voz da promotoria do Brooklyn, Robert Nardoza, ao New York Times. “Seja quanto for que ele tiver, nós iremos atrás”. Fecha parêntese.

No ano passado, a RedeTV! teve uma verba de publicidade de 500 mil reais da Bombril bloqueada para que se pagassem 15 meses de salários ao jornalista Berto Filho. O processo durou 12 anos.

O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão no Estado de São Paulo chegou a exigir a suspensão da concessão pública, enviando uma carta para Dilma e os ministros Gilberto Carvalho e Gleisi Hoffmann. A acusação era de que a RedeTV! desrespeitava leis trabalhistas e prejudicava seus funcionários. Sob pressão, a empresa teria quitado esses papagaios.

Até Hebe Camargo teve os honorários atrasados, um dos motivos de sua mudança para o SBT (ela morreu antes de reestrear com Silvio Santos). Os humoristas do Pânico se mandaram para a Band pela mesma razão. Ratinho teria pensado em comprar a emissora, mas recuou por causa do receio com o passivo trabalhista.

Enquanto o pessoal ficava sem receber, Amilcare Dallevo Jr construía seu palacete e dava entrevistas triunfantes para o bobo alegre Amaury Jr, uma das “estrelas” da RedeTV!, e para a revista Caras, obviamente. Numa delas, referindo-se a Daniela, declarou o seguinte: “Quem é da família tem que trabalhar em dobro, provar o dobro de competência. Não tem moleza. Sei separar família e trabalho”. Daniela emendou: “Oportunidades têm [sic] na vida, mas você tem que agarrar”. Amilcare também gosta de falar sobre a “inveja do sucesso”.

A concessão da RedeTV! foi renovada até 2026.

Kiko Nogueira
No DCM
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Barroso transfere caso Azeredo ao plenário do STF


Ministros do Supremo Tribunal Federal é que vão decidir, na semana seguinte à do Carnaval, se o processo do mensalão tucano continuará em tramitação na Corte; antes, decisão seria do relator, ministro Luís Roberto Barroso; com a medida, ele quer que o STF defina um critério para casos semelhantes; quando um parlamentar renuncia ao mandato, como fez o réu Eduardo Azeredo, perde o direito ao foro especial e deixa de ser julgado em última instância; análise, porém, deve considerar se decisão do ex-deputado tucano foi uma manobra para não ser julgado no Supremo e prolongar ainda mais o julgamento

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse hoje (25) que o plenário vai decidir se a Ação Penal 536, o processo do mensalão mineiro, continuará em tramitação nesta Corte. No processo, o ex-deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que renunciou ao mandato na última quarta-feira (19), é investigado por desvio de dinheiro público durante a campanha pela reeleição ao governo de Minas Gerais em 1998. Barroso é o relator da ação.

Ele informou que está com o voto pronto sobre a questão e que vai levar o recurso ao plenário para que os demais ministros tomem uma decisão definitiva. "Eu pretendo levar essa matéria em questão de ordem logo que terminar o julgamento da AP 470 [Ação Penal 470, o processo do mensalão], portanto, logo depois do carnaval. Eu já tenho posição e voto, mas acho que a matéria deve ser decidida institucionalmente pelo plenário, e não pessoalmente pelo relator, para que seja uma decisão que estabeleça critério e não esteja sujeita a idas e vindas", explicou.

Com a renúncia, Azeredo perdeu o foro privilegiado e o processo poderá ser remitido à Justiça de primeira instância, atrasando o julgamento. No entanto, o envio das acusações não é automático. No caso do ex-governador mineiro, o plenário vai avaliar se a renúncia teve a intenção da retardar o fim da ação penal.

Barroso abriu prazo de 15 dias para que o advogado de Azeredo, José Gerardo Grossi, apresente as alegações finais no processo. Na semana passada, Grossi informou que apresentará a defesa, mesmo com a renúncia. O prazo termina quinta-feira (27). Se o processo continuar no STF, esta fase é a última antes do julgamento pelo plenário da Corte. Após a manifestação da defesa, o processo seguirá para o revisor, ministro Celso de Mello, e, em seguida, para Barroso, relator da ação penal.

Nas alegações finais do Ministério Público, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse que Azeredo atuou como "um maestro" no esquema em que recursos públicos foram desviados em benefício próprio para financiar sua campanha política à reeleição ao governo do estado, em 1998. De acordo com o procurador, a prática dos crimes só foi possível por meio do "esquema criminoso" montado pelo publicitário Marcos Valério, condenado na Ação Penal 470, o processo do mensalão.

No documento enviado ao STF, Janot detalha como funcionava o esquema de desvios. Segundo ele, o então governador Eduardo Azeredo autorizava três empresas estatais — as companhias de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e Mineradora de Minas Gerais (Comig) e o Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge) — a liberar o pagamento de patrocínios de R$ 3,5 milhões, valores da época, para três eventos esportivos de motocross. A partir daí, o dinheiro passava pela agência de publicidade de Valério, por contas de empréstimos fraudulentos feitos no Banco Rural, e chegava à campanha do candidato.

André Richter
No Agência Brasil
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É injusto dizer que Roberto Carlos se vendeu para a Friboi porque ele sempre esteve à venda

Quer pagar quanto?
Roberto Carlos é o novo garoto-propaganda da Friboi. Depois de mais de 30 anos se dizendo vegetariano, ele mudou de ideia. Para não parecer que foi movido pelo cachê, a história oficial é que já havia alterado seus hábitos alimentares antes disso.

Em sua página oficial no Facebook, os administradores tiveram de lidar com a reação negativa de parte de seus fãs. Houve quem o xingasse de traidor e mentiroso. Uma lista de regras de conduta teve de ser postada.

No início do mês, Bob Dylan também foi criticado por fazer a narração de um anúncio de carro no Superbowl. Aquela propaganda não foi a primeira de Dylan (ele chegou a vender ligeries da Victoria’s Secret) e não será a última. Ainda assim, Dylan está tendo de explicar até agora o que fez com seu passado na contracultura.

O caso de Roberto é diferente. Ele sempre foi vendido. Não há nada que o faça sair de casa que não seja faturar. Isso inclui passar a comer picanha ou participar de uma farsa como a entrevista em que afirmou que estaria disposto a rever sua postura com relação a biografias não autorizadas.

Ninguém tem o direito de se surpreender com as causas que RC defende em troca de grana. Ele falava das baleias quando o mundo falava das baleias. Fez uma canção sobre isso porque renderia alguns trocados, como rendeu. Roberto é tão preocupado com a ecologia quanto, digamos, Paulo Maluf. Não gosta nem de chuva: não moveu uma palha quando seus conterrâneos foram desabrigados por causa de alagamentos no Espírito Santo.

Existe ainda pureza na arte? Há dois anos, a cantora Adele disse que não queria seu nome “perto de qualquer marca. Não desejo ser maculada ou assombrada e não pretendo me vender. Acho isso vergonhoso”.

Nos anos 90, o comediante Bill Hicks se referiu de maneira pouco gentil a artistas que licenciavam suas músicas. “Vocês viraram prostitutas do bangue bangue capitalista… Tudo o que vocês disserem será suspeito e cada palavra que sair da sua boca será como bosta caindo no meu drinque”.

Esses dias acabaram. Corporações patrocinam grandes festivais e turnês. Com o desaparecimento do CD e a ascensão da pirataria, isso virou uma saída para gravadoras e músicos. Lá fora, além de Dylan, ícones como Iggy Pop, Led Zeppelin (Cadillac) e mais uma dezena de nomes viraram carne de vaca para os anunciantes. Basta pagar.

É raro alguém se recusar a entrar nessa liquidação. A banda Super Furry Animals abriu mão de mais de US$ 1 milhão da Coca-Cola por causa da forma como a empresa tratou trabalhadores sul-americanos num episódio mal-explicado. Win Butler, do Arcade Fire, nunca dá autorização para comerciais: “Eu não quero que as pessoas pensem num Toyota quando ouvem [a faixa] ‘Keep The Car Running’. É triste quando você escuta uma música e ela faz você pensar num produto. Mas nós tivemos sorte. Podemos tomar essas decisões baseados em razões artísticas e não financeiras. Você tem de fazer o que você tem de fazer”.

Faz diferença um artista entregar sua imagem e sua obra para uma empresa de carnes, de cerveja ou de títulos de capitalização? Sim, mas depende da história dele. Em se tratando de Roberto Carlos, é absolutamente coerente com alguém cuja missão tem sido se vender desde os anos 60. Ele está, agora, esperando a proposta de algum laboratório para dizer que se curou do TOC. Até lá, continuará doente.

Kiko Nogueira
No DCM
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Há espaço para jornal diário e de compromisso popular?


Três professores – Venício Lima, Aloysio Castelo de Carvalho e Bernardo Kucinski – e o representante da Telesur no Brasil, Beto Almeida, analisam o tema

Por que segmentos progressistas da população brasileira, em especial os movimentos sociais organizados, jamais conseguiram implantar um jornal diário e alternativo no país? Por que repórteres, de forma cooperativada, também não conseguiram lançar um “jornal de jornalistas”, nos moldes do italiano Il Manifesto ou do francês Le Monde? Mesmo a imprensa partidária brasileira tem história modesta. Nada vicejou por aqui que lembre veículos de prestígio como o L´Humanitè francês ou o L’Unità, da Itália.

Há quem entenda que Última Hora, diário criado por de Samuel Wainer, durante o segundo governo Vargas (1951-1954), com financiamento do Banco do Brasil e participação de alguns empresários (Francisco Matarazzo, Euvaldo Lódi, Ricardo Jaffet, Francisco Peixoto Gomide e Walter Moreira Salles) constituiu instigante e renovadora experiência alternativa ao jornalismo mantido por grandes grupos empresariais. Muitos deles, proprietários, além de jornais impressos, de emissoras de TV, rádio e editoras de livros.

Samuel Wainer (1912-1980) assegura, na página 180 de seu livro de memórias, Minha Razão de Viver, que Última Hora foi o exemplo de “uma imprensa genuinamente popular”. Quando o jornal contava dois anos de existência, ele registrou em uma de suas páginas: “Eis-nos na posse de plena vitalidade criadora. Melhor do que qualquer outro argumento, atestam-no a nossa circulação e publicidade. E estamos apenas no começo. Reivindicamos para nós o dever de criar no Brasil a primeira grande imprensa popular, os primeiros grandes jornais de massas, isentos de pressão de grupos econômicos, nacionais e estrangeiros, vivendo exclusivamente do apoio de seus leitores e anunciantes, podendo sem receios nem hesitações erguer cada vez mais alto a bandeira, cuja legenda constitui a nossa própria razão de ser: emancipação econômica, liberdade política, justiça social para o povo brasileiro”.

No terceiro ano de existência de Última Hora, Samuel Wainer reafirmou o papel do veículo do qual era proprietário e editor: “Iniciamos no Brasil o ciclo da imprensa popular e nacional”. Aloysio Castelo de Carvalho, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e autor de dois livros sobre a imprensa brasileira — O Caso Última Hora e o Cerco da Imprensa ao Governo Vargas e A Rede da Democracia – O Globo, O Jornal e o Jornal do Brasil na Queda do Governo Goulart (1961-1964) — reavalia os propósitos anunciados por Samuel Wainer:

“O Última Hora era um jornal que atingia sobretudo os setores médios, progressistas, de esquerda. Jamais foi um jornal que atingisse os setores populares, ou seja, os trabalhadores da cidade, o proletariado, embora o jornal falasse em seu nome, procurando representar e dar voz a esses setores. Há uma enorme diferença entre falar em nome dos interesses nacionais e populares, ou seja, defender um projeto de Nação que inclua os setores populares e atingir em termos de vendas o público popular, os trabalhadores. Se hoje fosse criado um jornal alternativo, de esquerda, a situação se repetiria. O jornal atingiria, sobretudo, as camadas altas e médias. Talvez pudéssemos observar alguns trabalhadores qualificados lendo o jornal”.  

Em 1964, com o triunfo do golpe militar, Última Hora, que teve edições no Rio, São Paulo, Rio Grande do Sul, entre outros estados, conheceu momentos difíceis.

Seu proprietário e editor exilou-se na Europa. Voltou ao Brasil alguns anos depois, mas não havia mais clima para jornal que assumisse posições ligadas ao ideário da esquerda nacionalista.

Era digital

Se a experiência de Última Hora foi possível no tempo do jornal impresso, que apresentava o complexo e dispendioso desafio da distribuição física — num Brasil de dimensões continentais — um diário semelhante ao de Samuel Wainer seria viável em tempos de suporte digital? Afinal, não há mais necessidade de parque gráfico, nem de grandes quantidades de papel, nem de caminhões para entrega de exemplares às bancas e aos assinantes.

Venício A. de Lima, professor aposentado da Universidade de Brasília (UnB), especialista em mídia e autor de livros como Comunicação e Cultura: As Ideias de Paulo Freire e A Mídia nas Eleições de 2006, destaca que, na verdade, setores importantes da esquerda brasileira, inclusive partidos políticos, sempre trabalharam com a hipótese de “conquistar” o apoio da mídia privada comercial, ao invés de pensar em patrocinar seu próprio veículo. Ele entende que prioritário seria o apoio estatal à mídia pública — caso da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), que engloba TV, rádios e agência de notícia — de forma que ela pudesse se constituir numa alternativa de qualidade. Algo semelhante ao que faz a BBC, na Inglaterra.

O professor, formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com estudos de doutorado e pós-doutorado nos EUA, qualifica de “complexa e difícil” qualquer comparação com a experiência do diário Última Hora, já que os tempos são outros. Tempos em que “os jornais impressos, que ainda sobrevivem, estão migrando para a internet. A nova geração — nossos filhos e netos — não ‘consome’ mais mídia impressa. A questão é nova e as respostas, necessariamente, têm que ser pensadas neste novo contexto”.

O cientista político e professor da USP Bernardo Kucinski, autor do livro Jornalistas e Revolucionários — Nos Tempos da Imprensa Alternativa, define Última Hora como “um jornal de linha política popular e antioligárquica, nisto diferindo e se contrapondo à mídia convencional oligárquica e antipopular”. Mas pondera que Última Hora “nunca foi um jornal alternativo”, pois “era produzido por uma grande empresa”.

Beto Almeida, da junta diretora da TeleSur — emissora de TV, bancada pelo governo da Venezuela em parceria com outros países da América Latina — , é um entusiasta da experiência histórica do jornal Última Hora e defensor apaixonado da possibilidade de criação de um jornal diário, de esquerda. “Penso nisto todos os dias”, confessa. “E acredito na viabilidade de uma Cooperativa Nacional de Jornalistas. Temos mais de 100 mil jornalistas atuando no Brasil: será que não reuniríamos mil deles para este projeto?”

Viabilidade de um diário

O diretor da TeleSur-Brasil tem idéias claras sobre a estruturação do suporte financeiro capaz de viabilizar o diário alternativo e de esquerda. “Montaremos uma cooperativa nacional de jornalistas e apoiadores, com cotas pertencentes a mil jornalistas, além de escritores, ilustradores, pensadores e intelectuais de todas as formações. Luiz Inácio Lula da Silva será o presidente de honra do novo veículo. Que empresário progressista se negaria a atender a uma solicitação do ex-presidente da República para que contássemos, durante seis meses, com anúncios frequentes na fase inicial do jornal?”

Militante do Partido dos Trabalhadores (PT), Beto Almeida lembra que “a criação de um jornal popular foi aprovada em vários congressos do PT, mas nunca implementada”. E que esta questão “perturba o equilíbrio interno do partido, no qual há muita gente interessada apenas em assegurar e manter posições de mando, seja nos estados, no Congresso Nacional ou nas prefeituras”.

Para ele, “um jornal estimula a fruição intelectual e política dos quadros partidários, promove um terremoto, bota a direção para mexer-se, ganhar ritmo”. Isto, porém — lamenta — “contraria muita gente, mas constitui necessidade histórica do Brasil e de seu povo, vai além de uma bandeira partidária”.

No projeto que acalenta a cada dia, Beto Almeida vê “um diário que não seja apenas um jornal petista, mas sim um veículo de todas as forças que apóiam o processo de mudanças iniciado com o governo Lula”.

“Na Argentina, na Venezuela, na Bolívia e no Equador” — defende — “ já foram criados jornais públicos e jornais populares, alguns diretamente estatais , outros com o apoio das forças que sustentam o governo, mas pertencentes a entidades criadas para este fim, lançar um jornal”. E constata: “Para uma democratização das mídias eletrônicas, necessitamos de mudanças constitucionais e de maioria parlamentar. O que é muito difícil”.

Já “no caso de um jornal impresso popular, diário, de massas, tudo depende apenas de nós. Claro que, hoje, este jornal seria também digital, online, com recursos de multimídia”.

Dores do povo

Na compreensão do jornalista da TeleSur-Brasil, “um jornal popular é um veículo que assuma as dores do povo de maneira respeitosa, questionadora, informativa e transformadora”. Cita verso de Chico Buarque, em Gota D´Agua: A dor da gente não sai no jornal . “O povo está em luta, mas isto não aparece no jornal. O povo cria, e isto, apenas eventualmente sai no jornal. Há um amplo apoio popular ao programa Mais Médicos e isso permitiria fazer reportagens criativas sobre como o povão está reagindo ao programa em cada município. Onde estão estas reportagens?”.

Beto sabe que o Le Monde francês, que nasceu como um jornal de jornalistas, já não é mais propriedade de sua Redação. “Sim, eu sei que o Le Monde está, hoje, sob controle majoritário de um banco”. Mesmo assim, não perde as esperanças, nem o humor: “por que os programas sociais podem distribuir camisinha, dentadura, farinha, macarrão e não podem também distribuir jornal?

Na França, a Previdência Social tem um jornal distribuído gratuitamente a todos os segurados. E a publicação não aborda apenas temas ligados à seguridade social. Trata-se de um jornal com informação sobre política, economia, cultura, cinema, esportes, saúde etc”.

O professor Aloysio Castelo de Carvalho também acredita que “um jornal diário e alternativo, de esquerda, pode ser criado desde que tenha suporte financeiro como foi o caso da Última Hora, que divulgava valores democráticos com foco nos temas da justiça e da igualdade social”.

Para tanto — pondera — “seria necessário a união das forças políticas de esquerda, do PT e outros partidos próximos, com suporte de um empresariado disposto a apoiar uma nova visão do Brasil. Seria um passo importante na democratização dos meios de comunicação”.

Certo desalento

Bernardo Kucinski lembra que “já houve jornal diário e alternativo, na época do Partidão (PCB), que tinha uma concepção de jornal organizador e funcionava sob o conceito de ‘centralismo’”.

Hoje, o professor da USP vê com certo desalento a possibilidade de implantação de um jornal de esquerda e de grande alcance, mesmo que no suporte digital. “A nova esquerda (leia-se PT) é constituída de facções que disputam espaço entre si, cada uma com sua imprensa; os poucos projetos de frente entre várias facções logo sucumbem devido à luta interna pelo controle exclusivo.

Pelo mesmo motivo torna-se difícil um veículo digital de grande porte alternativo, capaz de fazer frente a uma UOL, mesmo sem a necessidade de arcar com todos os problemas de custo e distribuição que caracterizavam a imprensa antiga.

No entanto, obviamente tornou-se facílimo produzir, hoje, veículos digitais alternativos, e eles aí estão aos milhares. Na verdade, a comunicação digital é por sua natureza libertária e alternativa.

Maria do Rosário Caetano
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Não vai ter copa?!

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O STF e a parábola sobre a quadrilha


Você pode ter a opinião que quiser sobre os condenados da AP 470. Mas não pode dizer que se uniram para "o fim de cometer crimes"

O Supremo encara na quarta-feira o debate sobre os embargos infringentes contra a condenação de crime de quadrilha contra os réus da Ação Penal 470.

Conforme o artigo 288 do Código Penal, quadrilha é uma associação de “três pessoas, em quadrilha ou bando, para o fim de cometer crimes".

A condenação por este crime é inaceitável.

Você pode ter a opinião que quiser sobre os réus da AP 470. Pode dizer que eles cometeram delitos e mesmo crimes.

Mas não pode dizer que se articularam “para o fim de cometer crimes.”

A menos, claro, que pretenda criminalizar a atividade política.

A atividade dos condenados não era cometer crimes — mas fortalecer e consolidar um projeto político.

É uma diferença que a maioria da população distingue com clareza. Essa distinção explica as três vitórias eleitorais consecutivas obtidas pelo condomínio Lula-Dilma e, a julgar pelas pesquisas eleitorais mais recentes, pode lhe dar a quarta eleição em outubro, feito inédito desde a proclamação da República, em 1889.

A menos que você tenha uma visão preconceituosa sobre os valores do brasileiro, como sugerem tantos antropólogos de botequim e até alguns de nossa academia, irá reconhecer que isso acontece porque a população reconhece os beneficios produzidos pelas mudanças de natureza social e econômica que foram feitas no país. Aprova a distribuição de renda, a queda da desigualdade, o menor desemprego em muitos anos de história.

É disso que estamos falando.

É errado dizer que erros e ilegalidades que podem ser apontados no processo eram o “fim” do projeto.

Embora seja possível concordar com a noção de que mais vantajoso do que assaltar um banco é fundar um, uma instituição financeira que cobra taxas indevidas de seus clientes deve ser punida pelos desvios cometidos mas não vamos dizer que é uma “quadrilha”, certo?

Uma empresa que não paga direitos trabalhistas aos empregados deve ser acionada na Justiça mas não vamos dizer que seus executivos formam uma “quadrilha”, não é mesmo?

Falar em quadrilha, na AP 470, não é correto, quando a melhor prova do “fim” é um Land Roover de um acusado de periculosidade afinal tão relativa que sequer foi incluído entre os 40 réus da AP 470.

Ou quando José Genoíno, um dos principais chefes, conforme a denúncia, reside numa casa modesta na Previdência, em São Paulo, comprada a prestações na Caixa Econômica.

Imagine que até hoje não se falou num único projeto do governo Lula que tenha sido aprovado pela “compra de votos.” Nenhum. Com toda sua retórica, o delator Roberto Jefferson não citou um único caso.

Quem fala da Previdência apenas demonstra que caiu num conto do vigário e desconhece um fato político elementar. Com as mudanças na Previdência o governo Lula aderiu às propostas de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso.

O problema de seu governo, então, não era conquistar votos adversários, que eram fartos, mas resolver o que fazer com os descontentes do próprio PT. A maioria foi enquadrada e disciplinada. Uma pequena parte fundou o PSOL.

Com tudo o que se disse e se escreveu sobre a AP 470 não se produziu nada que se compare, por exemplo, aos R$ 200 000 embolsados pelos parlamentares que venderam seus votos para aprovar a emenda da reeleição em 1997.

“Aquilo sim era compra de votos,” me disse o então deputado Pedro Correa (PP-PE), que testemunhou a presença de banqueiros que, à saída do plenário, entregavam a senha que os deputados convertidos deveriam apresentar a um doleiro.

Olha a verdadeira parábola do mensalão e sua quadrilha.

Dez anos depois da compra de votos da emenda da reeleição, uma parte dos vendidos de 1994 foi atrás das verbas do esquema do PT em 2004. Estavam quebrados. Aquela denúncia da emenda da reeleição virou processo na Justiça e aqueles que foram apanhados precisavam de dinheiro para pagar advogado.

Boa parte era do PP, o partido de Pedro Correa, que era contra a emenda da reeleição. Queria impedir a reeleição porque ela iria atrapalhar uma possível candidatura de Paulo Maluf. Quase dez anos depois, quando Fernando Henrique já havia deixado o Planalto, onde foi reeleito com ajuda daquela turma, o PP precisava de dinheiro para pagar a defesa dos deputados.

Hoje, condenado na AP 470, de onde seu partido tirou recursos para livrar seus colegas da cadeia, Pedro Correa cumpre pena em Pernambuco.

Cadê a quadrilha? Quem faz parte dela?

Isso só acontece porque nossa democracia mantem regras que estimulam o que é clandestino, irregular e pouco transparente. Apesar de falhas, defeitos e imperfeições, a democracia deve ser defendida de modo incondicional.

Não precisa de tutelas nem de salvadores de nenhum tipo.

As principais tentativas sérias de reformar o sistema eleitoral, impedindo relações promíscuas entre o financiamento dos partidos e o setor privado, foram bloqueadas pelos que, agora, emitem suspiros horrorizadas com as falhas e desvios com as quais conviveram alegremente por anos e anos.

Então chegamos a uma segunda parábola. Impedimos toda e qualquer mudança nas regras do jogo mas, quando o adversário está ganhando, fazemos uma seleção sob medida para que sejam julgados e condenados sem que o direito a ampla defesa tenha sido assegurado, como observou o insuspeito jurista Ives Gandra Martins. Não damos dar sequer o direito ao desmembramento, assegurado aos réus do PSDB-MG que não tinham direito ao foro privilegiado — situação de 34 dos 37 réus, entre os quais Dirceu e Delúbio Soares

Repare em quem se opôs com todas as forças ao debate no local adequado — o Congresso — sobre a reforma eleitoral encaminhada depois dos protestos de junho.

Repare em quem dizia que o governo (mas também a OAB, o movimento Ficha Limpa e outros) queria financiamento público exclusivo, com base no desempenho eleitoral de cada legenda, porque o PT iria beneficiar-se com isso. (Não pergunte, é claro, que outro critério, além do apoio popular, deveria ser empregado neste caso).

Repare em quem disse que uma reforma iria fortalecer as burocracias partidárias, fingindo desconhecer que elas são a única forma de resistência aos mercadores que adquirem parlamentares como quem compra automóvel numa concessionária.

Repare em quem se disse indignado com a possibilidade da atividade política ser financiada pelo dinheiro do contribuinte — como se não fosse claro que o dinheiro que financia campanhas é devolvido, com lucros, pelos contratos favorecidos.

Cadê a quadrilha? Quem faz parte dela?

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Brasil grande, rico e soberano. O resto é resto!

Aqui você é cidadão. Palhaço é quem quer negar o Brasil.


O título "Porque me Ufano do Meu País" é de um livro do Conde Afonso Celso, em 1900. E inspirou-me o post de hoje.

Quando o coração fala mais alto que a razão a gente costuma dizer bobagens que depois — pensando bem — melhor teria sido ficar calado.

Porque já diz o ditado: "Um burro calado é doutor!"

É o que acontece com pessoas honestas, que ficam indignadas com a corrupção política, ou com as injustiças do dia a dia e confundem isso com a Nação.

O Brasil não é meia dúzia de crápulas, sequer a meme capciosa feita de encomenda pra te provocar emoções de indignação.

O Brasil é País pra gente se orgulhar.

Pra começar é nossa Pátria. Tem gente que pra ser contra a Copa acaba sendo contra o Brasil.

O Brasil é muito maior que o nosso primeiro olhar.

Temos 36.000 Postos de Saúde, mais de 6.500 hospitais credenciados no SUS. Nosso sistema de saúde é melhor que o dos EEUU. Doentes morrem nas calçadas dos EEUU sem dinheiro para hospitais pagos.

Temos a melhor política para idosos da América. Nem os EEUU tem as leis e institutos para idosos que temos.

Temos uma das menores taxas de desemprego do Mundo. A Europa está ferrada, e os EEUU também, temos mais vagas de empregos que eles.

Temos severas leis de repressão ao racismo e ao nazismo.

Não vendemos armas para que outros povos se matem.

Nossa política externa sempre foi — à exceção de quando na Ditadura — de respeito à autonomia das nações.

Não invadimos países vizinhos ou distantes para subtrair a riqueza deles ou subjugar sua independência.

A fome e a miséria extrema deixaram de existir no País. Estamos melhores que todos os demais países latino americanos.

Somos uma potência regional, e em muitos casos uma potência mundial.

Dos maiores produtores de grãos do mundo. O maior produtor de soja do mundo. Um dos maiores rebanhos do mundo.

A maior bacia hidrográfica; a maior biodiversidade. Um dos maiores produtores de máquinas agrícolas.

E o melhor, como diz Chico Buarque: Não falamos grosso com a Bolívia e fino com os EEUU. Somos soberanos.

Não devemos nada ao FMI, como a Europa e demais países da América Latina. Ao contrário, até emprestamos dinheiro.

Esse ufanismo todo é pra dizer aos emocionais que o Brasil é muito maior que fatos ocasionais. Use sua indignação contra o alvo certo, não contra a Pátria.

Tais fatos, como a corrupção de políticos, falhas na saúde pública, escolas destruídas... é o que não queremos para o Brasil.

E estamos todos, você e eu trabalhando para isso, a começar pelo seu respeito para com o próximo; jogando o lixo no lugar certo, e e sua negativa em dar propina ao policial corrupto que te pegou fechando o cruzamento.

Então, quando se indignar não saia dizendo a bobagem de que isso aqui é uma nação de imbecis, ou um circo onde o palhaço somos nós.

Isso é o Brasil. Grande , soberano, rico e próspero. O resto é resto.

* * *

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Clarín é fatiado e a mídia estrebucha

Na semana passada, o governo argentino aprovou a proposta de fatiamento do Grupo Clarín, o maior conglomerado de mídia do país. A medida, fixada pela ousada “Ley de Medios”, foi festejada pela Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual (Afsca), a agência estatal responsável pela regulação deste setor estratégico. "Com a adequação do Clarín à lei, não acaba seu direito de informar e opinar com liberdade. Acaba sua possibilidade de se impor como um gigante econômico e monopólico para manipular a opinião pública e condicionar a democracia", comemorou Martín Sabbatella, diretor do órgão. No mundo inteiro — principalmente na América Latina —, os barões da mídia lamentaram a derrota parcial.

Pelo plano aprovado por unanimidade pelo conselho da Afsca, o Clarín terá 180 dias para dividir as suas licenças de audiovisual em seis empresas diferentes. A nova lei, recentemente confirmada pela Suprema Corte da Argentina, estabelece um limite de 24 licenças por empresa. Somente no segmento de TV a cabo, o Grupo Clarín possuía 158 outorgas. O império terá agora que constituir empresas independentes, cada uma com um dono, para dividir suas licenças atuais – o que mina o poder do grupo, que ergueu o seu império durante a sangrenta ditadura militar no país.

A primeira empresa reunirá os meios jornalísticos e a operação a cabo da Cablevisión em 24 cidades, com outro nome. A segunda será a Cablevisión, com as 24 licenças permitidas de TV a cabo e a operação da Fibertel, provedora de internet. Outras 20 licenças de TV paga serão transferidas para uma terceira empresa. A quarta congregará outros sinais, como Canal Rural e TyC Sports; a quinta ficará com as rádios FM de Tucumán, Bariloche, Bahía Blanca e Santa Fé, e a sexta terá os canais abertos de Mendoza e Bahía Blanca.

A aprovação do fatiamento do Grupo Clarín não encerra a guerra na Argentina. Mas representa uma importante vitória dos setores que sempre lutaram pela democratização dos meios de comunicação e pelo fim dos impérios midiáticos. Em nota oficial, a empresa lamentou o desfecho da batalha. Para o poderoso grupo, que chora a redução do seu poder, a Ley de Medios visa “a desarticulação das escassas vozes independentes”. Pura bravata de quem no passado defendeu a ditadura e, na fase atual, prega as velhas teses neoliberais e atua como partido da direita. No Brasil, editoriais dos jornalões e comentários na tevê também lamentaram o fatiamento do Grupo Clarín. Temem por seu futuro no país!

Altamiro Borges
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Serra diverge de Aécio. Fogo amigo?

Descartado pelo PSDB, o eterno candidato José Serra surpreendeu na semana passada durante uma palestra para rentistas em São Paulo. Ao analisar o cenário econômico do país, ele discordou do discurso terrorista de Aécio Neves, o cambaleante presidenciável tucano, e da "guerra psicológica" patrocinada pelos urubólogos da mídia. "Eu não vejo que o quadro econômico seja tão calamitoso quanto se divulga", afirmou o rejeitado tucano, segundo relato acanhado do jornal O Globo. Para desencanto da oposição partidária e midiática, ele foi ainda mais taxativo: "Não há o risco de descontrole inflacionário"; "não há perspectiva de descontrole na área fiscal e muito menos de calote".

Para alguns analistas, o inesperado discurso de Serra seria um nítido sinal de "fogo amigo". O político paulista tentaria se afastar da campanha tresloucada do mineiro, que tem explorado o tema econômico para atacar o governo Dilma Rousseff. Em recente artigo, Aécio Neves afirmou que o Brasil enfrenta um "descontrole fiscal generalizado". Ele também afirmou, em entrevistas, que "o governo perdeu o controle sobre a inflação". Na semana passada, em Belo Horizonte, o cambaleante presidenciável do PSDB criticou duramente a "irresponsabilidade do governo federal, que vai nos legar um crescimento pífio, inflação alta e a falta de crescimento do Brasil". O discurso de José Serra, que não dá ponto sem nó e nem é ingênuo, destoa completamente deste diagnóstico apocalíptico.

Ele também vai na contramão das manchetes catastrofistas dos seus amigos da mídia. Como observou Luciano Martins Costa, em artigo no Observatório da Imprensa, ele mostra como "a chamada grande imprensa brasileira largou o jornalismo em algum lugar por aí". "Habituado ao discurso hegemônico dos jornais, sempre reproduzindo a visão catastrofista segundo a qual a política econômica com forte protagonismo do Estado estaria conduzindo o país ao abismo, o leitor atento e crítico do noticiário haverá de produzir aquela pergunta cândida: mudou a economia ou foi Serra que mudou? Tido por muitos como um economista talentoso, José Serra teria, afinal, se despido do discurso de candidato, obrigando-se a elaborar uma análise mais fria e menos partidária da realidade econômica?"

"Essa pergunta só pode ser respondida pelo próprio personagem, e ele terá certamente muitos olhos e ouvidos dispostos a colher suas palavras, uma vez que sempre contou com inteira disponibilidade dos jornalistas — o certo seria usar a expressão subserviência. Mas o pensamento controverso de José Serra e sua surpreendente sinceridade são questões de foro íntimo, possivelmente desbloqueadas por sua condição de não-candidato. Mas o que nos move aqui é a observação da imprensa. Fica, então, o observador diante da seguinte possibilidade: tendo, ao longo das duas últimas décadas, rezado em voz alta pela cartilha econômica do ex-governador, ex-senador e ex-ministro, será que os jornais vão rever sua visão da realidade brasileira?", questiona, com uma ponta de ironia, Luciano Martins Costa.

Os jornalões e os tais "analistas de mercado" — nome fictício dos porta-vozes dos rentistas que lotam a telinha da tevê - até agora não deram destaque ao discurso de José Serra. "Difícil acreditar que nem mesmo os supostamente bem informados colunistas de economia da Folha e do Estadão ignoraram a manifestação surpreendente do ex-governador — é mais provável que os editores dos dois jornais paulistas tenham considerado mais conveniente omitir essa informação de seus leitores", cutuca o atento jornalista do Observatório da Imprensa. O mineiro Aécio Neves também evitou comentar a visão frontalmente divergente. O fato é que há algo de estranho, novamente, no ninho tucano.

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Brasil embrutecido

Um homem espera, sozinho, o ônibus que o levará para casa. Dois carros param diante dele. Os homens que descem o massacram furiosamente com barras de ferro. Até reduzi-lo a um monturo de sangue e carne sem vida. Entram nos carros e vão embora.

A fúria assassina desses agressores está abaixo da mais primitiva desumanidade. Mais uma briga de torcida, como disse a notícia? "Torcedores do São Paulo agrediram um torcedor do Santos, que morreu." Nem como hipótese.

Estamos, no Brasil, em um agravamento da brutalidade que não cabe mais nos largos limites do classificável como violência urbana. E não basta dizer que nada é feito contra tal processo. O que se passa, de fato, é que nem sequer o notamos. Convive-se com o agravamento como uma contingência incômoda, em seus momentos mais gritantes, mas natural, meras desordens da desigualdade social.

Nada a ver com a perversa desigualdade social. O homem massacrado por vestir a camisa do Santos era portador da desigualdade como o são os monstros que vestiam a camisa do São Paulo. Os bandos criminosos que voltaram a digladiar-se em algumas favelas do Rio formaram-se e vivem nas mesmas misérias da desigualdade social.

O agravamento da brutalidade no Brasil é um processo em si mesmo. E não está só nos territórios da pobreza. A própria incapacidade de percebê-lo é um sintoma do embrutecimento sem distinções sociais, econômicas e culturais. Outros sintomas poderiam ser notados — na deseducação, no rebaixamento individual e coletivo dos costumes, em muito do que os meios de comunicação tomam como modernidade, na política. Até onde a elevação do trato entre suas excelências parecia inexaurível — no Supremo.

Um homem espera um ônibus que o levará para casa. Onde nunca mais chegará. E onde o esperavam um filho de meses e a mulher. Mais uma banal tragédia para duas pessoas, às vezes são quatro, podem ser sete nas casas dos Amarildos? Sem interesse político para explorá-lo, será só isso mesmo, "mais uma briga de torcida que acaba em morte". É, no entanto, um gigantesco questionamento ao país e à sua perdição cega e surda, embalada pela degeneração de suas "elites", todas elas.

Briga de torcida? Bandos de criminosos estão agora atacando a polícia, no que assim representa a segunda fase — a da reação — do programa de UPPs, as Unidades de Polícia Pacificadora cuja instalação em cidadelas do crime restaurou muito do Rio. No país todo, qualquer incidente, inclusive se provocado por bandos criminosos em disputa, leva à interrupção de ruas e estradas, incêndios de ônibus e carros, já também de moradias destinadas à própria pobreza. A internet convoca sem cerimônia e sem restrição para violências, não lhe bastando os brasileiros, também contra os estrangeiros que venham à Copa e até contra times.

À espera do ônibus ou dentro do carro, branco, negro, pobre, rico: o Brasil se embrutece. E o Brasil nem sequer se nota.

Janio de Freitas
No fAlha
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Por que o Brasil é o país das oportunidades

Passados cinco anos do início da crise global, o mundo ainda enfrenta suas consequências, mas já se prepara para um novo ciclo de crescimento. As atenções estão voltadas para mercados emergentes como o Brasil. Nosso modelo de desenvolvimento com inclusão social atraiu e continua atraindo investidores de toda parte. É hora de mostrar as grandes oportunidades que o país oferece, num quadro de estabilidade que poucos podem apresentar.

Nos últimos 11 anos, o Brasil deu um grande salto econômico e social. O PIB em dólares cresceu 4,4 vezes e supera US$ 2,2 trilhões. O comércio externo passou de US$ 108 bilhões para US$ 480 bilhões ao ano. O país tornou-se um dos cinco maiores destinos de investimento externo direto. Hoje somos grandes produtores de automóveis, máquinas agrícolas, celulose, alumínio, aviões; líderes mundiais em carnes, soja, café, açúcar, laranja e etanol.

Reduzimos a inflação, de 12,5% em 2002 para 5,9%, e continuamos trabalhando para trazê-la ao centro da meta. Há dez anos consecutivos a inflação está controlada nas margens estabelecidas, num ambiente de crescimento da economia, do consumo e do emprego. Reduzimos a dívida pública líquida praticamente à metade; de 60,4% do PIB para 33,8%. As despesas com pessoal, juros da dívida e financiamento da previdência caíram em relação ao PIB.

Colocamos os mais pobres no centro das políticas econômicas, dinamizando o mercado e reduzindo a desigualdade. Criamos 21 milhões de empregos; 36 milhões de pessoas saíram da extrema pobreza e 42 milhões alcançaram a classe média.

Quantos países conseguiram tanto, em tão pouco tempo, com democracia plena e instituições estáveis?

A novidade é que o Brasil deixou de ser um país vulnerável e tornou-se um competidor global. E isso incomoda; contraria interesses. Não é por outra razão que as contas do país e as ações do governo tornaram-se objeto de avaliações cada vez mais rigorosas e, em certos casos, claramente especulativas. Mas um país robusto não se intimida com as críticas; aprende com elas.

A dívida pública bruta, por exemplo, ganhou relevância nessas análises. Mas em quantos países a dívida bruta se mantém estável em relação ao PIB, com perfil adequado de vencimentos, como ocorre no Brasil? Desde 2008, o país fez superávit primário médio anual de 2,58%, o melhor desempenho entre as grandes economias. E o governo da presidenta Dilma Rousseff acaba de anunciar o esforço fiscal necessário para manter a trajetória de redução da dívida em 2014.

Acumulamos US$ 376 bilhões em reservas: dez vezes mais do que em 2002 e dez vezes maiores que a dívida de curto prazo. Que outro grande país, além da China, tem reservas superiores a 18 meses de importações? Diferentemente do passado, hoje o Brasil pode lidar com flutuações externas, ajustando o câmbio sem artifícios e sem turbulência. Esse ajuste, que é necessário, contribui para fortalecer nosso setor produtivo e vai melhorar o desempenho das contas externas.

O Brasil tem um sistema financeiro sólido e expandiu a oferta de crédito com medidas prudenciais para ampliar a segurança dos empréstimos e o universo de tomadores. Em 11 anos o crédito passou de R$ 380 bilhões para R$ 2,7 trilhões; ou seja, de 24% para 56,5% do PIB. Quantos países fizeram expansão dessa ordem reduzindo a inadimplência?

O investimento do setor público passou de 2,6% do PIB para 4,4%. A taxa de investimento no país cresceu em média 5,7% ao ano. Os depósitos em poupança crescem há 22 meses. É preciso fazer mais: simplificar e desburocratizar a estrutura fiscal, aumentar a competitividade da economia, continuar reduzindo aportes aos bancos públicos, aprofundar a inclusão social que está na base do crescimento. Mas não se pode duvidar de um país que fez tanto em apenas 11 anos.

Que país duplicou a safra e tornou-se uma das economias agrícolas mais modernas e dinâmicas do mundo? Que país duplicou sua produção de veículos? Que país reergueu do zero uma indústria naval que emprega 78 mil pessoas e já é a terceira maior do mundo?

Que país ampliou a capacidade instalada de eletricidade de 80 mil para 126 mil MW, e constrói três das maiores hidrelétricas do mundo? Levou eletricidade a 15 milhões de pessoas no campo? Contratou a construção de 3 milhões de moradias populares e já entregou a metade?

Qual o país no mundo, segundo a OCDE, que mais aumentou o investimento em educação? Que triplicou o orçamento federal do setor; ampliou e financiou o acesso ao ensino superior, com o Prouni, o FIES e as cotas, e duplicou para 7 milhões as matrículas nas universidades? Que levou 60 mil jovens a estudar nas melhores universidades do mundo? Abrimos mais escolas técnicas em 11 anos do que se fez em todo o Século XX. O Pronatec qualificou mais de 5 milhões de trabalhadores. Destinamos 75% dos royalties do petróleo para a educação.

E que país é apontado pela ONU e outros organismos internacionais como exemplo de combate à desigualdade?

O Brasil e outros países poderiam ter alcançado mais, não fossem os impactos da crise sobre o crédito, o câmbio e o comércio global, que se mantém estagnado. A recuperação dos Estados Unidos é uma excelente notícia, mas neste momento a economia mundial reflete a retirada dos estímulos do Fed. E, mesmo nessa conjuntura adversa, o Brasil está entre os oito países do G-20 que tiveram crescimento do PIB maior que 2% em 2013.

O mais notável é que, desde 2008, enquanto o mundo destruía 62 milhões de empregos, segundo a Organização Internacional do Trabalho, o Brasil criava 10,5 milhões de empregos. O desemprego é o menor da nossa história. Não vejo indicador mais robusto da saúde de uma economia.

Que país atravessou a pior crise de todos os tempos promovendo o pleno emprego e aumentando a renda da população?

Cometemos erros, naturalmente, mas a boa notícia é que os reconhecemos e trabalhamos para corrigi-los. O governo ouviu, por exemplo, as críticas ao modelo de concessões e o tornou mais equilibrado. Resultado: concedemos 4,2 mil quilômetros de rodovias com deságio muito acima do esperado. Houve sucesso nos leilões de petróleo, de seis aeroportos e de 2.100 quilômetros de linhas de transmissão de energia.

O Brasil tem um programa de logística de R$ 305 bilhões. A Petrobras investe US$ 236 bilhões para dobrar a produção até 2020, o que vai nos colocar entre os seis maiores produtores mundiais de petróleo. Quantos países oferecem oportunidades como estas?

A classe média brasileira, que consumiu R$ 1,17 trilhão em 2013, de acordo com a Serasa/Data Popular, continuará crescendo. Quantos países têm mercado consumidor em expansão tão vigorosa?

Recentemente estive com investidores globais no Conselho das Américas, em Nova Iorque, para mostrar como o Brasil se prepara para dar saltos ainda maiores na nova etapa da economia global. Voltei convencido de que eles têm uma visão objetiva do país e do nosso potencial, diferente de versões pessimistas. O povo brasileiro está construindo uma nova era — uma era de oportunidades. Quem continuar acreditando e investindo no Brasil vai ganhar ainda mais e vai crescer junto com o nosso país.

Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República e presidente de honra do PT
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Brasil y Europa tenderán cable submarino para evitar espionaje de EE.UU.

Presidenta brasileña se reunió con los titulares de la Comisión
 y del Consejo Europeo
El cable submarino para las comunicaciones entre Brasilia y la Unión Europea permitiría reducir la dependencia en las conexiones con Estados Unidos, luego del escándalo por el espionaje de Washington a Dilma Rousseff y varios líderes europeos.

El Gobierno de Brasil acordó con la unión Europea el tendido de un cable submarino de fibra óptica que recorra todo el océano Atlántico, desde Lisboa (capital de Portugal) a Fortaleza (noreste brasileño) cuyo propósito esencial será garantizar una mayor seguridad en la transmisión de datos, evitando así el espionaje estadounidense.

La presidente brasileña, Dilma Rousseff, se reunió este lunes en Bruselas (capital belga) con los titulares de la Comisión Europea, José Manuel Barroso, y del Consejo Europeo, Herman Van Rompuy, con quienes coincidió en la necesidad de blindar el tráfico de Internet de la vigilancia norteamericana.

"Debemos respetar la privacidad, los derechos humanos y la soberanía de las naciones. No queremos que se espíe a las empresas", enfatizó Rousseff en una rueda de prensa conjunta.

Igualmente, afirmó que “Internet es una de las mejores cosas que el hombre ha inventado. Así que coincidimos en la necesidad de una garantía (...) de neutralidad de la Red, un área democrática donde podamos proteger la libertad de expresión", dijo.

De esta manera, el cable submarino permitiría reducir la dependencia en las conexiones con Estados Unidos, luego del escándalo por el espionaje de Washington a Brasilia y algunos líderes europeos.

El proyecto costará 185 millones de dólares y estará a cargo de una empresa conjunta integrada por la estatal de telecomunicación brasileña Telebras y la española IslaLink Submarine Cables. Asimismo, está previsto que la construcción del cable arranque en julio próximo y dure 18 meses.

Actualmente, Brasil depende de cables submarinos estadounidenses para casi todas sus comunicaciones con Europa. La única conexión directa es vieja y sólo es usada para comunicaciones de voz.

En 2013, las filtraciones del exanalista de la Agencia de Seguridad Nacional estadounidense (NSA, por su sigla en inglés), Edward Snowden, revelaron que Brasil y una serie de países europeos han sido espiados por Washington la NSA.

Desde entonces, Rousseff pospuso el año pasado una visita de Estado a Washington en señal de protesta por el espionaje a su correo electrónico y teléfono, y ahora busca rutas alternativas para internet.

Por su parte, la Unión Europea está amenazando a EE.UU. con suspender acuerdos sobre transferencia de datos, a menos que Washington ofrezca mayores garantías de protección de datos de los ciudadanos europeos.

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