23 de fev de 2014

WikiLeaks reveló contactos de la oposición venezolana con EE.UU.

De acuerdo con documentos filtrados por WikiLeaks, el opositor venezolano, Leopoldo López, responsable de la violencia desatada en algunas partes del país desde hace más de una semana, éste estaría vinculado con Estados Unidos, sobre todos por pugnas internas en la oposición.

Documentos filtrados por el portal WikiLeaks revelaron que el opositor venezolano Leopoldo López, relacionado con la ultraderecha internacional de América Latina, se menciona al menos 77 veces en los cables diplomáticos de Estados Unidos (EE.UU.).

De acuerdo con un informe publicado por el Centro para la Investigación Económica y Política (CERP), muchos de los cables se centran en las disputas internas dentro de la oposición, con López a menudo en conflicto con los demás, tanto dentro de su partido como con otros miembros de la oposición.

En vista de dichas revelaciones expertos señalan que no es de extrañar que las actuales protestas al frente de las cuales ha estado López pidiendo "la salida" del Gobierno del presidente venezolano, Nicolás Maduro, también hayan provocado divisiones internas dentro de la oposición.

El Gobierno de EE.UU. ha estado financiando a la oposición venezolana durante al menos 12 años, incluyendo — como el propio Departamento de Estado estadounidense ha reconocido — algunas de las personas y organizaciones involucradas en el golpe militar del 2002.

El rol más importante que EE.UU. juega en Venezuela, es el de presionar desde el exterior contra la unidad interna, algo que tal como estos cables y la historia de los últimos 15 años muestran, ha sido un grave problema para la oposición venezolana.

Algunos de los cables filtrados que revelan el gran interés de EE.UU. por el papel que López está desempeñando en Venezuela pueden leerse a continuación:

28 de marzo del 2008: El cable informa de una reunión entre el senador EE.UU. Ron Wyden y López, señalando que "el senador y su equipo discutieron posibles estrategias de medios con López y métodos para trasladar de manera eficiente su mensaje al público en EE.UU.".

11 de abril 2008: La embajada de EE.UU. se reunió con una asesora legal de López, quien expuso su estrategia legal para evitar que impidan el acceso al poder (de López). Ella señaló que "cree que hacer a López víctima de las maquinaciones de la RBV (República Bolivariana de Venezuela) está haciendo que su popularidad aumente".

17 de julio 2008: EE.UU. coincide con el análisis de la asesora legal (de López), escribiendo, "Curiosamente, las descalificaciones parecen estar convirtiendo a Leopoldo López en una figura de la oposición a nivel nacional, en lugar de sólo una estrella en ascenso en Caracas".

Leia Mais ►

O que houve na Ucrânia?

No pano de fundo destas confrontações estão as desigualdades do país

Manifestantes lamentam a morte de ucranianos
nos protestos da última semana
Bodo Marks/EFE/EPA
Na Ucrânia houve de tudo, menos uma revolução popular. Tudo começou com uma série de manifestações empilhadas umas sobre as outras: uma juventude ansiosa por se identificar com a União Europeia, uma classe média cansada pelas sucessivas vagas de corrupção dos sucessivos governos, uma insatisfação com o autoritarismo e o fechamento do governo de Viktor Yanukovitch, o desejo de maior ascendência de grupos do oeste do país em detrimento de grupos do leste do país.

A repressão que o governo desencadeou abriu caminho para uma intensificação do descontentamento, açulado pelos partidos de oposição representados no Parlamento e pelo encorajamento internacional — da União Europeia a políticos norte-americanos, republicanos e democratas.  De todos o mais animado foi o senador republicano John McCain, em dezembro, gritando na praça da Independência (Maidan), foco e espaço das concentrações: “O mundo livre está com vocês! A América está com vocês!” Melhor lembrança da Guerra Fria e do dito “A América para os [norte-]americanos” seria impossível. Como nos velhos “bons” tempos, o alvo continua sendo a Rússia.

No pano de fundo destas confrontações estão as desigualdades do país. O leste e o sul — junto à Rússia e ao Mar Negro são mais desenvolvidos e industrializados do que o oeste, mais pobre. O leste, de um modo geral, tem seu foco econômico voltado para a vizinha Rússia, de que depende o abastecimento de gás do país, vital para a indústria e para o aquecimento durante o rigoroso inverno. Se a Rússia endurecer a questão do fornecimento de gás, cortando-o ou simplesmente cobrando o preço de mercado, a Ucrânia literalmente congela — em todos os sentidos. Entretanto para o oeste, mais  próximo da União Europeia, a aproximação com esta significaria em tese uma maior autonomia em relação ao governo central e às demais regiões do país, além de mais oportunidades de colher investimentos. Pelo menos em tese.

Há também a questão do histórico repúdio aos russos, maior no oeste, um repúdio cujas últimas e trágicas edições foram uma relação ambígua — para dizer o mínimo — de movimentos nacionalistas ucranianos com o regime nazista da Alemanha, e um conflito sangrento e frequentemente descrito como “inútil” com o regime soviético. No leste há também um fator étnico: o número de habitantes russos é muito grande, o que mexe com os brios dos movimentos nacionalistas. E é bom lembrar que na Europa, ao contrário da América Latina, nacionalismo é sempre coisa de direita.

Se este é o pano de fundo, deve-se levar em conta o que acontece nos bastidores e também no palco da política ucraniana. Nos bastidores pairam as sombras dos grupos econômicos — assim como na Rússia liderados pelos chamados “oligarcas” — que se formaram depois do desmanche da ex-União Soviética, dos processos de privatização de tudo, feitos a toque de caixa, e da independência. Estes grupos de oligarquias é que dão as cartas — o poder do dinheiro — para os que estão no palco, os políticos e seus partidos.

Entretanto na Ucrânia não houve, pelo menos até o momento, um Vladimir Putin que, na Rússia, digamos, “botou a casa em ordem”, oferecendo aos oligarcas a manutenção de suas fortunas recém-feitas (sobretudo durante o governo de Boris Yeltsin) desde que não se metessem em política. Enfiando os principais desobedientes na cadeia ou mandando-os para o exílio — confortável, na verdade — Putin e seu neoczarismo disfarçado de república impuseram uma espécie de “pax romana” em seu território.

Na Ucrânia não houve este Putin, mas uma guerra de grupos ora antagônicos, ora aliados, pelas benesses dos oligarcas e pelos espaços de poder, o que conduziu todos a uma política onde alianças ocasionais são apenas passos para uma ideal tomada total do poder, no melhor estilo do “para mim e os meus tudo, para os demais, os rigores da lei”. Este foi o conflito que se estabeleceu entre o atualmente já ex-presidente Viktor Yanukovitch e sua maior rival, Yulia Tymoschenko, que já fora primeira-ministra por duas vezes, líder do partido chamado de União de Toda a Ucrânia — Pátria Mãe, diríamos em português, embora em ucraniano seja “Pátria Pai”.

Yanukovitch, chegando à presidência em 2010, ensaiou e pôs em prática uma reforma constitucional para aumentar a concentração de poderes em torno da presidência, alijando os demais partidos — inclusive o do Tymoschenko — até mesmo das suas franjas. E através de denúncias de corrupção e de um julgamento carregado de suspeitas botou Yulia na cadeia. Aqui pode-se ter uma ideia das complicações da política ucraniana. Yanukovitch é visto em geral como próximo da Rússia e Tymoschenko, como aliada da União Europeia. Pois o primeiro processo aberto contra ela acusava a ex-primeira ministra de abuso de poder e superfaturamento no contrato de fornecimento de gás para Gazprom, a principal empresa russa do setor e uma das maiores do mundo que, como a Petrobras, reúne capitais privados, mas tem seu controle acionário e de fundos nas mãos do Estado.

Entrementes, o pró-Rússia Yanucovitch se aproximava da União Europeia e apressava-se a assinar um acordo de livre comercio com ela. Nesta altura, Moscou acendeu a luz vermelha. Para se entender isto precisamos sair do teatro da política ucraniana e olhar o terreno em volta onde ele está localizado. Três grandes jogadores estão assentados neste terreno, como os bispos de um jogo de xadrez, mais um cavalo que joga com dois deles, contra o terceiro. Os jogadores são a Rússia, a União Europeia e os Estados Unidos, e o cavalo é a OTAN, a aliança militar que teve como principal inimiga a antiga União Soviética e que agora, além de policiar o norte da África e áreas próximas, continua, nem que seja por força do hábito, a cercar seu adversário histórico, atraindo para si os ex-satélites deste.

Os interesses dos Estados Unidos e da União Europeia não são coincidentes na região, pois na atual conjuntura interna de Washington não interessa atiçar o confronto — a não ser na retórica — com a Rússia, devido às necessidades de acertos na Síria, no Irã, etc. Já a UE tem interesse em desembarcar seus avatares dentro do teatro ucraniano, ampliando sua área de influência econômica. Outro fator que complica este movimento é o temor histórico dos Estados Unidos de que, mesmo com rivalidades marcantes, a proximidade entre Alemanha e Rússia termine por forjar uma aliança estável e poderosa que desenvolva um outro núcleo regional de poder. Na base de um movimento destes estaria novamente o gás russo, de que a Alemanha já depende e vai depender mais quando — e se — cumprir a promessa de desativar suas usinas nucleares.

De um modo ou de outro, o fato é que a Rússia colocou um sinal de “Pare!” nos movimentos de Yanukovitch: prometeu 15 bilhões de euros em empréstimos quase a fundo perdido — coisa que a UE, às voltas com suas próprias quebradeiras, não tem condições de oferecer à quebrada Ucrânia — baixou ainda mais o preço do gás e pôs à disposição um acordo de livre comércio consigo mesma, mais outros países da região, ex-repúblicas, como a Ucrânia, da antiga União Soviética. Yanukovitch, que já estava com a caneta na mão e embarcando para Bruxelas, tampou aquela e desceu do avião. Junto aos projetos de novos capitalistas e da classe média do oeste ucraniano (onde o desemprego também é grande entre os jovens), que já sentiam o doce odor dos euros ao alcance da mão, este recuo foi a gota d’água.

Voltando ao cenário político, a gota d’água acabou se transformando num mar de sangue. É verdade que as manifestações foram reprimidas duramente pela polícia. Mas rapidamente sua linha de frente e também seu espaço foram ocupados por movimentos de extrema-direita, nacionalistas xenófobos, antirrussos, antidireitos humanos, anti-imigrantes, antissemitas, antietc., tradicionais na Ucrânia. São grupos de combate, armados, que fizeram frente a uma polícia que progressivamente foi se tornando caótica e desorganizada. Estes grupos são ligados, mas não necessariamente subordinados, ao Partido Svoboda, de extrema-direita, que tem representação no Parlamento. Na última semana os confrontos chegaram ao paroxismo.

Na frente de negociação assentaram-se à mesa três ministros de Relações da União Europeia (Alemanha, França e Polônia), Yanukovitch, três partidos de oposição e mais um representante da Rússia. Enquanto isso, na praça em frente, o conflito de agudizou, com armas de fogo de parte a parte, e franco-atiradores que provavelmente eram de ambos os lados, embora a polícia tivesse ainda maior poder de fogo. O resultado foi de centenas de feridos e muitas dezenas de mortos; as cifras destes últimos variavam entre cerca de 50 a mais de 70, com pelo menos 11 policiais. A certa altura o noticiário chegou a informar que 70 policiais tinham sido “sequestrados” pelos “manifestantes”.

Coloquei “manifestantes” agora, logo acima, entre aspas, porque houve um movimento constante por parte da mídia do Ocidente de idealizar o que ocorria na praça principal de Kiev, apresentando os acontecimentos como um confronto desproporcional entre a brutal repressão do governo e os “amantes da liberdade”. Apesar desta cortina de fumaça, logo começaram a vazar as informações de que estes últimos eram na maioria e na realidade verdadeiras gangues neofascistas que não aceitavam nenhuma negociação nem nada, a não ser a queda de Yanukokovitch e o afastamento da arqui-inimiga Rússia.

Na mesa de negociação chegou-se a um acordo, envolvendo um recuo nas reformas constitucionais promovidas pelo presidente, eleições em dezembro deste ano e a formação de um governo provisório de coalizão. Mas na praça a força policial vinha recuando cada vez mais diante dos “manifestantes”, a tal ponto que estes ampliaram os espaço sob seu controle, chegando inclusive a tomar as entradas do palácio presidencial. Sentindo-se sem condições de segurança, Yanukovitch deixou a capital em direção ao nordeste do país.

Seguiu-se nesta altura um verdadeiro golpe de estado no novo estilo “legalizado” corrente em várias ocasiões neste século 21 (Honduras, Paraguai, Grécia, Itália...): o Parlamento declarou que Yanukovitch “abandonara o cargo” e destituiu-o da presidência, com vários ex-membros de seu partido bandeando-se para o lado da oposição, antecipando as eleições para maio e libertando Tymoschenko, que já declarou-se candidata.

Que acontecerá no futuro? É uma boa pergunta. Antes de conjecturar, um parêntese: e as Forças Armadas da Ucrânia? Trata-se mesmo de um parêntese. Depois da independência em relação à ex-União Soviética, as FFAA abriram mão do arsenal nuclear que estava acantonado em seu território, passando-o à nova Rússia emergente, e diminuíram seu contingente de quase 800 mil para pouco mais de 300 mil homens. Estão entre a cruz e a caldeirinha, realizando manobras tanto com a Rússia quanto com a Otan, que já se declarou de braços abertos para receber este novo aliado quando ele quiser aderir. O namoro está no ar, e só não se concretizou por causa da vigilância do chá-de-pera da Rússia. Até o momento, pelo menos, as FFAA ucranianas parecem estar olhando para o lado — pois nem mesmo a segurança do presidente foram capazes de garantir.

O que vai acontecer vai depender das mensagens que estarão neste momento sendo trocadas entre Moscou, Washington, Bruxelas, Berlim, Paris e, em menor grau, outras capitais europeias, como Londres e Varsóvia. Qual será o novo arranjo entre os partidos políticos ucranianos? É uma boa pergunta. Tymoschenko vai mesmo recuperar seu antigo espaço na oposição que liderava, hoje ocupado por Vitali Klitschko, do Partido Democrático Aliança pela Reforma? O Svoboda vai aumentar seu poder de fogo? O que fará Yanukovitch? Os movimentos de trabalhadores, sobretudo no leste, ainda se mantinham a seu favor, embora no momento, com seu enfraquecimento, isso não tenha significado muito no tabuleiro enxadrístico ucraniano. E o que farão os grupos neofascistas que mantêm Kiev sob seu controle?

O que estes farão ainda não se sabe. Mas já se sabe o que estão fazendo. Neste domingo pela manhã (23), enquanto eu redigia esta nota, corria a notícia — em tom discreto, ao lado da retumbância triunfal dada ao discurso de Yulia Tymoschenko na praça da Independência — de que a Embaixada de Israel na Ucrânia emitira um comunicado pedindo que todos os judeus se abstivessem de sair às ruas de Kiev ou até mesmo deixassem a capital, se pudessem, diante dos ataques contra eles que vêm se sucedendo e intensificando nas ruas, com espancamentos, perseguições e outras coisas desse tipo.

Como em velhos mas nada bons tempos, brinca-se com fogo por aqui.

* * *

Rusia: Oposición ucraniana irrespetó los acuerdos

El canciller ruso, Serguei Lavrov, sentenció que la oposición ucraniana no solo incumplió los compromisos pactados, sino que promueve nuevas demandas, colocándose así al lado de los extremistas armados, cuyas acciones amenazan a la soberanía y el orden institucional de Ucrania.

Rusia lamentó que la oposición ucraniana haya irrespetado los acuerdos sucritos el viernes encaminados a una solución pacífica de la crisis política en el país, así lo denunció el canciller Serguei Lavrov.

Las acciones de los extremistas antigubernamentales causa el "deterioro de la situación interna", asevera Lavrov, pues la firma el viernes del presidente Víktor Yanukóvich y los políticos opositores iban dirigido a estabilizar la situación.

Sin embargo, señala que ahora se degrada por la incapacidad o la falta de deseos de las fuerzas opositoras para respetar las disposiciones concertadas.

En una conversación telefónica con el secretario norteamericano de Estado, John Kery, este sábado, Lavrov observó que los grupos extremistas ilegales rehúsan a entregar las armas y prácticamente han tomado el control de Kiev (capital ucraniana), con el amparo de los líderes opositores, que sesionaban y legislaban en el Parlamento.

Recordó Lavrov a Kerry que el citado acuerdo "de paz" fue suscrito además en calidad de testigos internacionales por representantes de Alemania, Francia y Polonia (dos cancilleres y un jefe de la dirección para asuntos de Europa en la Cancillería francesa).

Lavrov sostiene que la oposición ucraniana no solo incumplió los compromisos pactados, sino que promueve nuevas demandas, colocándose así al lado de los extremistas armados y vándalos, cuyas acciones representan una amenaza directa a la soberanía y el orden institucional de Ucrania.

El presidente Víktor Yanukóvich consideró un golpe de Estado el curso de los acontecimientos en su país en las últimas horas, ejecutado por la oposición desde el Parlamento, tras declarar, entre otras disposiciones, la destitución del gobernante ucraniano.

Leia Mais ►

Não penso, logo relincho

Um glossário com a lista dos principais clichês repetidos pelas redes sociais para justificar, no discurso, um mundo de violência e exclusão.

Poste aqui o seu clichê

Dizem que uma mentira repetida à exaustão se transforma em verdade. Pura mentira. Uma mentira repetida à exaustão é só uma mentira, que descamba para o clichê, que descamba para o discurso. E o discurso, quando mal calibrado, é o terreno para legitimar ofensas, preconceitos, perseguições e exclusões ao longo da História. Nem sempre é resultado da má-fé. Por estranho que pareça, é na maioria das vezes fruto da indigência mental — uma indigência mental que assola as escolas, a imprensa, as tribunas, as mesas de bares, as redes sociais. Com os anos, a liberdade dos leitores para se manifestar sobre qualquer assunto e o exercício de moderação de comentários nos levam a reconhecer um clichê pelo cheiro. Listamos alguns deles abaixo com um apelo humanitário: ao replicar, você não está sendo original; está apenas repetindo uma fórmula pronta sem precisar pensar sobre tema algum. E um clichê repetido à exaustão, vale lembrar, não é debate. É apenas relincho*.

“Negros têm preconceitos contra eles mesmos”

Tentativa clássica de terceirizar o próprio racismo, é a frase mais falada das redes sociais durante o Dia da Consciência Negra. É propagada justamente por quem mais precisa colocar a mão na consciência em datas como esta: pessoas que nunca tomaram enquadro na rua nem foram preteridas em entrevistas de emprego sem motivos aparentes. O discurso é recorrente na boca de quem jamais se questionou por que a maioria da população brasileira não circula em ambientes frequentados pela elite financeira e intelectual do País, como universidades, centros culturais, restaurantes, shows e centros de compra. Tem a sua variação homofóbica aplicada durante a Parada Gay. O sujeito tende a imaginar que Dia Branco e Dia Hétero são equivalentes porque ignora os processos históricos de dominação e exclusão de seu próprio país.

“Não precisamos de consciência preta, parda ou branca. Precisamos de consciência humana”

Eis uma verdade fatiada que deixa algumas perguntas no contrapé: o manifestante a exigir direitos iguais não é gente? O que mais se busca, nessas datas, se não a consciência humana? Ou ela seria necessária, com ou sem feriado, caso a cor da pele (ou o gênero ou a sexualidade) não fosse, ainda hoje, fatores de exclusão e agressão?

“Héteros morrem mais do que homossexuais. Portanto, somos mais vulneráveis”

É o mesmo que medir o volume de um açude com uma régua escolar. Crimes como homicídio, latrocínio, roubo ou furto têm causas diversas: rouba-se ou mata-se por uma carteira, por ciúmes, por fome, por motivo fútil, por futebol, mas não necessariamente por causa da orientação sexual da vítima. O argumento é utilizado por quem nunca se perguntou por que ninguém acorda em um belo dia e decide estourar uma barra de ferro na cabeça de alguém só porque este alguém gosta e anda de mãos dadas com alguém do sexo oposto. O crime motivado por ódio contra heterossexuais é tão plausível quanto ser engolido por uma jaguatirica em plena Avenida Paulista.

“Estamos criando uma ditadura gay (ou racial) no Brasil. O que essas pessoas querem é privilégio”

Frase utilizada por quem jamais imaginou a seguinte cena: o sujeito acorda, vê na tevê sempre os mesmos apresentadores, sempre as mesmas pautas, sempre as mesmas gracinhas. No caminho do trabalho, ouve ofensas de pedestres, motoristas e para constantemente em uma mesma blitz que em tese serviria para todos. Mostra documento, RG. Ouve risada às suas costas. Precisa o tempo todo provar que trabalha e paga imposto (além, é claro, de trabalhar e pagar imposto). Chega ao trabalho e é recebido com deferência: “oi boneca”; “oi negão”; “veio sem camisa hoje?”. Quando joga futebol, vê a torcida imitando um macaco, jogando bananas ao campo, ou imitando gazelas. E engasga toda vez que vira as costas e se descobre alvo de algum comentário. Um dia diz: “apenas parem”. E ouve como resposta que ele tem preconceito contra a própria condição ou está em busca de privilégio. Resultado: precisamos de um novo glossário sobre privilégios.

“A mulher deve se dar o valor”

Repetida tanto por homens como por mulheres, é a confissão do recalque, em um caso, e da incompetência, no outro: o homem recorre ao mantra para terceirizar a culpa de não controlar seus próprios instintos; a mulher, por pura assimilação dos mandamentos do pai, do marido e dos irmãos. Nos dois casos o interlocutor acredita que, ao não se dar o valor, a menina assume por sua conta e risco toda e qualquer violência contra sua pretensão. Para se vestir como quer, andar como quer, dizer e fazer o que quer com quem bem quiser, ouvirá, na melhor das hipóteses, que não é a moça certa para casar; na pior, que foi ela quem provocou a agressão.

“Os homens também precisam ser protegidos da violência feminina”

Na Lua, é possível que a violência entre gêneros seja equivalente. Na Terra, ainda está para aparecer o homem que apanhou em casa porque foi chamado de gostoso na rua, levou mão na bunda, ouviu assobios ou ruídos com a língua sem pedir a opinião da mulher. Também não há relevância estatística para os homens que tiveram os corpos rasgados e invadidos por grupos de mulheres que dominam as delegacias do País e minimizam os crimes ao perguntar: “Quem mandou tirar a camisa?”.

“Se ela se deixou ser filmada, é porque quis se exibir”.


Verdade. Mas não leva em conta um detalhe: existe alguém do outro lado da tela, ou da câmera. Este alguém tem um colchão de conforto a seu favor. Se um dia o vídeo vazar, será carregado nos braços como comedor. Ela, enquanto isso, vai ser sempre a exibida. A puta. A idiota que deixou ser flagrada. A vergonha da família. A piada na escola. Parece uma relação bastante equilibrada, não?

“O humor politicamente correto é sacal”

É a mais pura verdade em um mundo no qual o politicamente incorreto serve para manter as posições originais: ricos rindo de pobres, paulistas ridicularizando nordestinos, brancos ricos fazendo troça de mulatos pobres, machões buscando graça na vulnerabilidade de gays e mulheres. As provocações são brincadeiras saudáveis à medida que a plateia não se identifica com elas: a graça de uma piada sobre português é proporcional à distância do primeiro português daquele salão. Via de regra, a frase é usada por quem jura se ofender quando chamado de girafa branca tanto quanto um negro ao ser chamado de macaco. Só não vale perguntar se o interlocutor já foi chamado de “elemento suspeito”, com tapas e humilhações, pelo simples fato de ser alto como o artiodátilo.

“Bolsa Família incentiva a vagabundagem. Pegar na enxada e trabalhar ninguém quer”

Há duas origens para a sentença. Uma advém da bronca — manifestada, ironicamente, por quem jamais pegou em enxada — por não se encontrar hoje em dia uma boa empregada doméstica pelo mesmo preço e a mesma facilidade. A outra origem é da turma do “pegar o jornal e ler além do horóscopo ninguém quer”; se quisesse, o autor da frase saberia que o Bolsa Empreiteiro (que também dispensa a enxada) consome muito mais o orçamento público do que programa de transferência de renda. Ou que a maioria dos beneficiários de Bolsa Família não só trabalha como é obrigada a vacinar os filhos, manter a regularidade na escola e atravessar as portas de saída do programa. Mas a ojeriza sobre números e fatos é a mesma que consagrou a enxada como símbolo do nojo ao trabalho.

“Na ditadura as coisas funcionavam”

Frase geralmente acolhida por pacientes com síndrome de Estocolmo. Entre 1964 e 1985, a economia nacional crescia para poucos, às custas de endividamento externo e da subserviência a Washington; universalização do ensino e da saúde era piada pronta, ninguém podia escolher os seus representantes, a imprensa não podia criticar os generais e a sensação de segurança e honestidade era construída à base da omissão porque ninguém investigava ninguém. Em todo caso, qualquer desvio identificado era prontamente ofuscado com receitas de bolo na primeira página (os bolos eram de fato melhores).

“Você defende direito de presos porque ele não agrediu ninguém da sua família”.

É o sofisma usado geralmente contra quem defende o uso das leis para que a lei seja garantida. Para o sujeito, aplicação de penas e encarceramentos são privilégios bancados às custas dele, o contribuinte. Em sua lógica, o Estado só seria efetivo se garantisse a sua segurança e instituísse a vingança como base constitucional. Assim, a eventual agressão contra um integrante de uma família seria compensada com a agressão a um integrante da família do acusado. O acúmulo de experiência, aperfeiçoamento de leis e instituições, para ele, são papo de intelectual: bons eram os tempos dos linchamentos, dos apedrejamentos públicos, da Lei de Talião. Falta perguntar se o defensor do fuzilamento está disposto a dar a cara a tapa, ou a tiro, quando o filho dirigir bêbado, atropelar, agredir e violentar a família de quem, como ele, defende penas mais duras para crimes inafiançáveis.

“A criminalidade só vai diminuir quando tiver pena de morte no Brasil”

Frase repetida por quem admira o modelo prisional e o corredor da morte dos EUA, o país mais rico do mundo e ao mesmo tempo o mais violento entre as nações desenvolvidas. Lá o crime pode não compensar (em algum lugar compensa?), mas está longe de ser varrido junto com seus meliantes.

“Político deveria ser tratado por médico cubano”

Tradução: “não gosto de política nem de cubano”. Pelo raciocínio, todo paciente tratado por cubanos VAI morrer e todo político que precisa de tratamento médico DEVE morrer. Para o autor da frase, bons eram os tempos em que, na falta de médico brasileiro, deixava-se o paciente morrer — ou quando as leis eram criadas não pelo Legislativo, mas pelo humor de quem governa na canetada.

“Deveriam fazer testes de medicamento em presidiários, não em animais”

Também conhecida como “não aprendemos nada com a parábola do filho Pródigo que tantas vezes rezamos na catequese”. É citada por quem não aceita tratamento desumano contra os bichos, mas não liga para o tratamento desumano contra humanos. É repetida também por quem se imagina livre de todo pecado e das grandes ironias da vida, como um certo fiscal da prefeitura de São Paulo que um certo dia criticou o direito ao indulto de presidiários e, no outro, estava preso acusado de participação na máfia do ISS. É como dizem: teste de laboratório na cela dos outros é refresco.

“Por que você não vai para Cuba?”

Também conhecida como “acabou meu estoque de argumentos. Estou andando na banguela”.

*Este post é permanente: será atualizado conforme outros clichês não contemplados na primeira postagem aparecerem. Todos estão convidados a colaborar.

Matheus Pichonelli
No CartaCapital
Leia Mais ►

Seu Matias acusa Eduardo Azeredo de ter ligação com Freixo

Azeredo renunciou ao mandato com a esperança de ver prescrita sua ligação com Freixo

SUCUPIRA - Seu Matias, síndico do prédio onde mora a tia de Gregorio Duvivier, contou à imprensa que ouviu o papagaio do 303 repetir incansavelmente que Eduardo Azeredo tem ligação com Marcelo Freixo. "Fiquei escandalizado e liguei para o jornal O Globo, que publicou cinco editoriais sobre o assunto", disse Matias, orgulhoso.

Em paralelo, o jornal Furdunço de Minas publicou fotomontagens de Sininho caminhando por Minas Gerais. "Está comprovado que Elisa Quadros traiu Tiradentes", concluiu a reportagem.

Eduardo Azeredo, Elisa Quadros e Marcelo Freixo negaram as acusações.

Leia Mais ►

Jornalistas revelam que durante a ditadura havia centros de tortura próximos ao Palácio do Planalto


A revelação foi feita pelo Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal, em audiência pública na Subcomissão da Memória, Verdade e Justiça, vinculada à Comissão de Direitos Humanos do Senado.

Leia Mais ►

Sobre doações e tagarelices de juiz

Criou indevida controvérsia o fato de os condenados na ação penal 470 estarem recebendo doações de militantes partidários para o pagamento das multas, além das penas de prisão, a que foram condenados.

Logo, vozes se fizeram ouvir bradando contra o ato de solidariedade aos condenados. A mais estridente delas foi a do Dr. Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Em sua verberação afirma que a pena não pode passar da pessoa do condenado e, por isso, as doações seriam ilegais.

O Dr. Gilmar comete erros grosseiros no conteúdo e na forma de seu pronunciamento. Brandir, para esse caso, o princípio de que a pena não pode passar da pessoa do condenado é equívoco rasteiro e para o qual não consigo encontrar justificativa válida, ao menos jurídica.

Ora, o princípio constitucional da intranscendência da pena (art. 5º, XLV ) é uma conquista do Direito Penal dos países civilizados, porque não permite que a condenação penal passe da pessoa do condenado e atinja seus parentes, amigos, etc.

Nem sempre foi assim. Basta lembrar a decisão condenatória de Tiradentes, à luz do Código Filipino: “…declaram o Réu infame, e seus filhos e netos”.

É óbvio – embora não para alguns poucos – que os doadores não estão cumprindo a pena no lugar dos réus. Não estão sendo coagidos a nada. Realizam, de forma espontânea, doações aos réus devedores. Os motivos para o seu gesto dizem respeito tão somente a eles.

A doação é ato previsto no nosso Código Civil (art. 538) e consiste na transferência, por liberalidade, de bens ou vantagens do patrimônio de uma pessoa para o patrimônio de outra pessoa.

A Constituição da República (art. 155,I) estabelece que sobre as doações incide o imposto de transmissão causa mortis e doação, o ITCD, a ser pago pelo donatário (aquele que recebe a doação). O doador é responsável solidário pelo pagamento, em caso de inadimplência do donatário. Se o donatário não for domiciliado no Estado, caberá ao doador o pagamento do imposto.

É simples assim. Não, há, portanto, qualquer razão jurídica para tanta histeria com essas doações.

Cabe aduzir que considero a pena acessória de multa em condenação criminal anacrônica (duas penas pelo mesmo fato) e injusta, pois não leva em consideração a capacidade contributiva do cidadão apenado.

Por último, o juiz deve falar nos autos e não pelos cotovelos.

Wadih Damous, advogado e ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Rio de Janeiro.
No Viomundo

* * *

"Por que colaborei com a vaquinha do Zé Dirceu"


Nunca votei em Zé Dirceu, sequer o conheço pessoalmente, pois só o vi pela televisão e por fotografias, antes de ser, injustamente, preso por ordem do presidente do STF, Joaquim Barbosa, após um processo kafkiano, com viés político, que se comprova a cada dia que passa.

Dirceu está atrás das grades, na Papuda, em Brasília, desde 15 de novembro do ano passado, quando sua condenação, injusta, repito, deveria ser cumprida em regime semiaberto, em São Paulo, onde fica seu domicílio.

Quando o ministro Gilmar (Dantas) Mendes, do STF, afirmou que as doações a Zé Genoino e a Delúbio Soares poderiam ser “lavagem de dinheiro”, ou seja, o dinheiro supostamente desviado pelos petistas estava retornando aos cofres públicos por meio de doações, ofendi-me com tamanha arrogância.

A truculência do presidente da mais alta Corte de Justiça brasileira me incomoda sobremaneira, como incomodou o jurista Celso Bandeira de Mello, seguramente um dos mais importantes deste país, que criticou a forma açodada do julgamento da AP 470, o mensalão petista.

Não se provou, de fato, que houve desvio de recursos públicos. Provas de outros inquéritos, aos quais os réus não tiveram acesso, foram escondidas até recentemente, quando o ministro Ricardo Lewandowski, após sete longos anos, abriu o inquérito 2474 para a defesa de um dos réus do “mensalão”, que agora terão como provar que existiu, sim, caixa dois, mas não desvio de dinheiro público.

A campanha para arrecadar os R$ 971.128,92 da multa, injusta, volto a repetir, imposta a Zé Dirceu, foi lançada dia 12 de fevereiro. Nove dias depois (20/02/14), os 2.783 “lavadores” de dinheiro, entre os quais me incluo, doaram exatos R$ 826.529,40 para a “vaquinha”, ou seja, 85,1% da multa.

Minha modesta contribuição (R$ 100,00) equivale a apenas 0,01% do montante. Até o final da tarde desta sexta-feira (21/02/14), e bem provável que as doações ultrapassem a casa do R$ 1 milhão.

É a resposta de petistas e não petistas, como eu, a um julgamento surreal, que já rendeu um livro (A Outra História do Mensalão, de Paulo Moreira Leite) e foi fulminado por juristas do porte de Celso Bandeira de Mello e do insuspeito Yves Gandra Martins, numerário da Opus Dei no Brasil.

Estou cada dia mais convencido que acertei ao contribuir com a “vaquinha” do Zé Dirceu. Foi a maneira que encontrei de “gritar” contra a injustiça perpetrada pela Suprema Corte Brasileira, que julgou sem dar chance aos réus de se defenderem adequadamente, como é de direito.

As ações de Roberto Freire, presidente nacional do PPS, de criar um factoide para sequestrar o dinheiro arrecadado pela “vaquinha” do Zé Dirceu só demonstram a capacidade que tem o ser humano de se agachar na frente dos poderosos para garantir suas benesses. Ex-comunista é pior que direitista.

O trânsfuga mineiro, deputado Eduardo Azeredo (PSDB), tratou de abandonar sua trincheira na Câmara dos Deputados, renunciando ao cargo, para escapar do julgamento do mensalão tucano pelo STF. A fuga de Azeredo desmoraliza de vez o julgamento kafkiano da ação penal 470, que condenou Zé Dirceu e demais petistas.

Abaixo, extrato da minha modesta contribuição.

Leia Mais ►

Famílias do DF já podem marcar consultas pela TV digital


Um grupo de 60 famílias de Samambaia, região administrativa do Distrito Federal, já pode marcar consultas na rede pública de saúde, ver ofertas de emprego em tempo real e agendar atendimentos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) usando o controle remoto da televisão. O projeto Brasil 4D foi lançado na cidade nesta semana.

Por meio do Brasil 4D, criado e desenvolvido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), as famílias contempladas, beneficiárias dos programas Bolsa Família e DF sem Miséria, também podem fazer a atualização do Cadastro Único e saber os compromissos que precisam cumprir para continuar a ter acesso aos benefícios. Futuramente, elas poderão se inscrever no Programa Minha Casa, Minha Vida  pela televisão.

Até junho, mais 300 casas vão receber o sistema na cidade de Ceilândia, também no DF. A EBC está finalizando o acordo com a prefeitura de São Paulo para instalar o Brasil 4D na cidade. O sistema já tinha sido lançado no ano passado em João Pessoa, para um grupo de 100 famílias.

O coordenador do projeto, André Barbosa, diz que o sistema avançou muito desde a primeira etapa de implantação, com a inclusão de novos aplicativos a cada semana. Além disso, já é possível mudar os conteúdos do sistema pelo ar, sem precisar mexer no leitor instalado na casa das pessoas. "Em vez de mudar fisicamente cada caixinha, podemos mandar um código novo e as pessoas acordam de manhã com uma nova programação no ar".

Para ter acesso ao Brasil 4D, é preciso ter um conversor digital e uma antena UHF, que são fornecidos às famílias selecionadas. Com isso, também é possível receber o sinal digital da TV aberta. "As pessoas vão poder ver a Copa do Mundo em sinal digital já, em qualquer emissora, sem chuviscos nem fantasmas", explica Barbosa. As famílias que participam do projeto são escolhidas por meio de sorteio, em bairros selecionados pelas prefeituras.

Para Barbosa, o diferencial do projeto é a união entre as linguagens da televisão e da internet. "É algo a que as pessoas já estão acostumadas, que é a linguagem de televisão, somando-dr à internet, principalmente para as pessoas que ainda não têm internet em casa", diz.

No Distrito Federal, o projeto será acompanhado pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), que vai avaliar o impacto socioeconômico da televisão digital na vida das famílias participantes. As quatro letras "D" contidas na nomenclatura Brasil 4D representam as palavras digital, desenvolvimento, diversidade e democracia.
Leia Mais ►

Jornalistas que não respeitam jornalistas

Rossi acha que Frias foi um grande jornalista

Um amigo meu, um dos melhores editores que conheço da geração dos 40 anos, me manda um email sobre uma entrevista minha publicada no boletim Jornalistas & Cia, em que Eduardo Ribeiro e equipe mostram as movimentações nas redações.

Falo na entrevista sobre o livro que estou escrevendo sobre jornalismo, chamado Minha Tribo.

O que chama a atenção de meu amigo é meu ponto sobre a pouca importância que se dá, na história do jornalismo brasileiro, aos jornalistas em si. É como se os donos fossem os reais protagonistas, e não os jornalistas.

Uma vez fiz uma comparação. Se você fosse contar a história da literatura russa do século XIX destacaria Tolstoi, Dostoeivski, Turgueniev, Pushkin ou os donos das editoras locais?

O livro Minha Tribo, neste sentido, vai contra a corrente. Os heróis são, essencialmente, jornalistas. (Bem como os anti-heróis.)

Meu amigo quer saber por que o jornalista é subestimado no Brasil. Bem, uma das razões é que há entre nós jornalistas que não cessam de louvar os empresários ao falar da história da imprensa brasileira.

A Folha é um clássico disso.

Um dia, notei um artigo do bom José Geraldo Couto, em que ele atribuía a Seu Frias um clichê de Milton Friedman — “não existe almoço grátis”. Aproveitei este sinal equivocado de idolatria para dizer o quanto Frias é superestimado na Folha e o quanto grandes jornalistas que passaram por lá como José Reis e Mario Mazzei Guimarães são subestimados.

Couto me mandou uma resposta polida. Disse que, no geral, concordava comigo. E afirmou que de tanto ouvir Frias repetir aquele lugar-comum tomou-o como dele.

Clóvis Rossi é o maior propagador das virtudes divinas de Seu Frias como — a quem apelar? — jornalista. Parece que, a cada vez que se fala na Folha e pedem a Rossi um artigo, ele copia e cola suas declarações bajulatórias e absurdamente exageradas sobre Seu Frias.

Sempre é citado um suposto furo de Frias a respeito de um detalhe da doença de Tancredo Neves. Se isso é furo, não sei como definir as ações do WikiLeaks. Era sabido que Tancredo definhava. Era uma agonia pública. Segundo Rossi, Frias disse que era um tumor.

Ora. Isso, se é furo, é um furo de rodapé.

Frias era dono de granja quando comprou a Folha no início dos anos 60 em busca do prestígio que os ovos e as galinhas não lhe davam.

Conseguiu.

O que não dá é para transformá-lo em jornalista, em repórter.

O método mais simples para ver quem é quem é o seguinte: bons jornalistas escreveram e escrevem muitas matérias em que o conteúdo relevante é destacado por uma prosa rica.

O resto é o silêncio.

Que matérias Frias escreveu?

A mesma triagem serve para outro empresário do ramo, o jornalista Roberto Marinho. Existem dúvidas sérias sobre se ele seria capaz de articular um texto pequeno e simples de jornal. Em sua biografia sobre RM, Pedro Bial não desfaz esta dúvida. Roberto Marinho herdou um jornal e, ao ganhar uma concessão de tevê da ditadura em troca de apoio, ergueu um império. Foi um empresário inescrupuloso e, sob sua métrica da acumulação a qualquer preço, bem sucedido.

Mas jornalista?

Quem acredita nisso, como disse Wellington, acredita em tudo.

Paulo Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

10 motivos para que Azeredo seja julgado pelo STF

A única justificativa plausível para o tratamento jurídico tão diverso para o mensalão tucano é o filtro político-partidário dos réus indiciados.


1. O deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG) ao renunciar de forma solerte ao mandato que ocupa na Câmara Federal, nem mesmo se dando ao trabalho de defender pessoalmente a honra que diz ter sido tragicamente enxovalhada, deixa evidente que o moveu tão somente o desejo duplo de (1) impedir a celeridade de um processo que nunca foi célere, ensejando a completa e inequívoca prescrição de praticamente todos os crimes pelos quais fora processado e (2) diminuir drasticamente os estragos que o andamento do julgamento causarão à campanha de Aécio Neves à presidência da República.

2. A ação chegou à corte ainda em 2003, dois anos antes, portanto, das primeiras acusações do chamado mensalão do PT, que abalaram o governo petista e redundaram na Ação Penal 470. E desde essa época tem dormitado longamente nos escaninhos dos ministros. Enquanto isso, o Supremo já condenou 25 réus envolvidos no esquema de desvio de dinheiro montado pelo PT e analisa agora os respectivos recursos finais, os embargos infrigentes. A única justificativa plausível para o tratamento jurídico tão diverso é o filtro político-partidário dos réus indiciados.

3. Curioso que ainda em 2003, o então presidente da corte, Carlos Ayres Britto, chegou a chamar o julgamento do mensalão tucano de ação cível, aquela que permite a recuperação de recursos desviados dos ilícitos penais. Mas por algum motivo que nem Ayres Britto nem os demais ministros sabem explicar, o processo saiu da pauta. E não voltou mais.

4. O esquema de desvio de recursos públicos que abasteceu o caixa de campanha de políticos do PSDB em Minas Gerais também era operado pelo publicitário Marcos Valério. O mesmo Valério que foi julgado pelo STF com as maiores penas atinentes ao mensalão petista: Condenado a 40 anos, 4 meses e 6 dias e multa de R$ 3 milhões por corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e formação de quadrilha. Seria descabido a qualquer observador imparcial entender os motivos que levariam o STF a usar de dois pesos e duas medidas: réus petistas são julgados diretamente pelo Supremo, perdendo o duplo grau de jurisdiço e réus tucanos são julgados diretamente pela Justiça Estadual, ganhando o duplo grau de jurisdição e todas as benesses que favorecem os réus nessa esfera judicial.

5. A Justiça de Minas Gerais decretou em 21/1/2014 extinta a punibilidade de Walfrido dos Mares Guia, acusado de participar de esquema de desvio de dinheiro público em 1998 para a campanha de Eduardo Azeredo (PSDB-MG), então candidato à reeleição ao governo do Estado. A juíza Neide da Silva Martins, da 9ª Vara Criminal de Belo Horizonte, entendeu que as acusações de peculato e formação de quadrilha prescreveram em 2012, quando Mares Guia completou 70 anos.

6. Pela lei, quando o réu completa 70 anos, o prazo para a prescrição dos crimes — de 16 anos entre a ocorrência do fato e a aceitação da denúncia — cai pela metade. No caso do mensalão mineiro foram 12 anos entre os fatos (1998) e o acolhimento da acusação formal (2010). Em abril, Cláudio Mourão, tesoureiro da campanha do PSDB ao governo de Minas em 1998, também vai completar 70 anos e poderá requerer a prescrição dos mesmos crimes.

7. O PSDB, partido beneficiado diretamente com as falcatruas protagonizadas ao longo do mensalão tucano, nunca se eximiu de tripudiar em cima de José Dirceu, ex-presidente do PT, seu adversário figadal, condenado pelo mensalão petista. E sempre desconsiderou por completo a possibilidade mais dias menos dias ter seu próprio ex-presidente do PSDB amargando a mesmíssima condenação no STF.

8. Se o STF decidir acatar o requerimento da defesa de Eduardo Azeredo para que o processo do mensalão mineiro deixe interrompa sua tramitação no Supremo, que teve início dem primórdios de 2003, e comece agora, em 2014, a tramitar na Justiça de Minas Gerais a possibilidade de que todos os crimes prescrevam são imensas. E isso porque é patente e escancarada a contumaz blindagem que os malfeitos tucanos recebem nas instâncias das Minas Gerais, seja a blindagem feita com apuro pela imprensa mineira (nenhuma notícia que deslustre a imagem de Aécio Neves ocupa primeiras páginas, intermediárias páginas ou mesmo páginas finais de seus jornais e tabloides) seja a blindagem tucana no judiciário mineiro (desde 2003 nenhum mísero processo prosperou em que sejam acusado de falcatruas próceres tucanos).

9. Mesmo ministros que tenham anteriormente defendido que processos com as características dos chamados mensalões petista e tucano deveriam ser desmembrados, permanecendo no Supremo apenas aqueles réus com direito a “foro privilegiado” (caso de parlamentares no exercício do mandato por exemplo), estariam incorrendo em grave equívoco ao fazer retroceder qualquer entendimento divergente acerca da matéria e deixando de aplicar o entendimento vigente a casos que já estejam em tramitação no Supremo.

10. Considerando as peculiaridades, idiossincrasias, teorias controvertidas como o “dominío de fato”, excessivo gosto por exposição midiática protagonizado por ministros do Supremo, como o atual presidente Joaquim Barbosa e seus ex-presidentetes Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello, debates acerbos e eivado de insinuações pouco airosas, destemperos verbais e emocionais os mais variados transmitidos exaustivamente pela TV Justiça ao longo de 2013 para todo o país quando do julgamento da AP-470, soaria insustentável qualquer tentativa de considerar justo o julgamento do mensalão petista se colocado como contraponto a falta de zelo pelo Supremo com a administração da justiça para os réus no processo do mensalão tucano.

Remeter o processo que corre contra o ex-presidente do PSDB a Minas Gerais significaria, na prática, diminuir drasticamente o escopo e amplitude dos crimes cometidos — de mensalão tucano passaria a ser não mais que mensalão mineiro e, de quebra, tendo no horizonte apenas a penumbra que obscurece o sol da justiça — a prescrição.

Daniel Quoist
No CartaCapital
Leia Mais ►

La amenaza fascista


La escalada desestabilizadora que actualmente sufre la Venezuela bolivariana tiene un objetivo no negociable: el derrocamiento del gobierno de Nicolás Maduro. No hay un ápice de interpretación en esta afirmación. Fue expresada en reiteradas ocasiones no sólo por los manifestantes de la derecha sino por sus principales líderes e inspiradores locales: Leopoldo López y María Corina Machado. En algunas ocasiones se refirieron a sus planes utilizando la expresión que usa el Departamento de Estado: "Cambio de régimen", forma amable de referirse al "golpe de Estado". Esta feroz campaña en contra del gobierno bolivariano tiene raíces internas y externas, íntimamente imbricadas y solidarias en un objetivo común: poner fin a la pesadilla instaurada por el comandante Hugo Chávez desde que asumiera la presidencia, en 1999.

Para Estados Unidos, la autodeterminación venezolana — afirmada sobre las mayores reservas comprobadas de petróleo del mundo — y sus extraordinarios esfuerzos a favor de la unidad de Nuestra América equivalen a un intolerable e inadmisible desafío. Para la oposición interna, el chavismo significó el fin de su coparticipación en el saqueo y el pillaje organizado por Estados Unidos y que tuvo a los líderes y organizaciones políticas de la Cuarta República como sus socios menores y operadores locales. Esperaban unos y otros la derrota del chavismo una vez muerto el comandante, pero con las presidenciales del 14 de abril del 2013 sus esperanzas se esfumaron, si bien por un porcentaje muy pequeño de votos. La respuesta de estos falsos demócratas fue organizar una serie de disturbios que cobraron la vida de más de una decena de jóvenes bolivarianos, amén de la destrucción de numerosos edificios y propiedades públicas. Se aplacaron porque la respuesta del gobierno fue muy clara y con la ley en la mano y además porque confiaban en que las elecciones municipales del 8 de diciembre, que concibieron como un plebiscito, les permitirían derrotar al chavismo para exigir de inmediato la destitución de Maduro o un referendo revocatorio anticipado. La jugarreta les salió mal porque perdieron por casi un millón de votos y nueve puntos porcentuales de diferencia.

Atónitos ante lo inesperado del resultado — que por primera vez le ofrecía al gobierno bolivariano la posibilidad de gobernar dos años y administrar la economía sin tener que involucrarse en virulentas campañas electorales — peregrinaron a Washington para recibir consejos, dineros y ayudas de todo tipo para seguir llevando adelante el plan. Ahora la prioridad era, como lo exigiera Nixon para el Chile de Allende en 1970, "hacer chirriar la economía". De ahí las campañas de desabastecimientos programados, según recomienda el experto de la CIA Eugene Sharp, la especulación cambiaria, los ataques en la prensa en donde las mentiras y el terrorismo mediático no conocían límites y, luego, "calentar la calle" buscando crear una situación similar a la de Benghazi en Libia que desbaratase por completo la economía y generase una gravísima crisis de gobernabilidad que tornase inevitable la intervención de alguna potencia amiga, que ya sabemos quién es, que acudiese en auxilio para restaurar el orden. Nada de eso ha sucedido, pero no cejarán en sus propósitos sediciosos. López se entregó a la Justicia y es de esperar que ésta le haga caer, a él y a Machado, todo el peso de la ley. Llevan varias muertes sobre sus mochilas y lo peor que le podría pasar a Venezuela sería que el gobierno o la Justicia no advirtieran lo que se oculta dentro del huevo de la serpiente. Un castigo ejemplar, siempre dentro del marco de la legalidad vigente, y la activa movilización de las masas chavistas para sostener a la Revolución Bolivariana es lo único que permitirá aventar el peligro de un asalto fascista al poder que pondría sangriento fin a la gesta bolivariana. Y lo que está en juego es no sólo el futuro de Venezuela sino, indirectamente, el de toda América latina.

Leia Mais ►

O povo pode tudo, seu babaca?

Ao ler que o presidente ucraniano foi deposto, um jovem escreveu em sua página: "o povo pode tudo". Talvez ele não saiba que o que aconteceu na Ucrânia foi um golpe de Estado, contando com milícias fascistas, extremistas chechenos e patrocínio aberto dos EUA para isolar a Rússia.

Tenho lido análises corretíssimas de quadros políticos do PSOL, do PSTU, do PCB, além de outras siglas de pequena base política, sobre o golpe que se está em andamento na Venezuela. Estão certíssimos ao dizer que as manifestações nas ruas são golpistas. E são precisos ao assinalar o papel da mídia privada venezuelana na arquitetura desse retrocesso.

O interessante é que fingem ignorar o que ocorre no Brasil. Aqui, Black Blocs são vistos como tática de um grupo da juventude que vive "uma crise de representação". Os que vão à rua para gritar "não vai ter Copa" apenas expressam sua insatisfação com emprego de verbas públicas que poderiam ir para ensino e educação. Seria fácil desmontar essa falácia, mas não o fazem. Por que? Será que não perceberam que o alvo das articulações estadunidenses não é apenas o governo Maduro, mas a América Latina?

Será que não aprenderam porra nenhuma com 1964? Será que não veem as barbaridades cometidas no julgamento da Ação Penal 470 por um STF tocando a música da grande imprensa? Inocência, esquizofrenia política ou oportunismo? Alguém precisa pegar a capa de "O Globo", de cinco décadas atrás, e recortar a foto de página inteira com milhares de pessoas que participaram da triste "Marcha da Família com Deus e pela Liberdade".

Em seguida, pegar as fotos que o mesmo jornal vem publicando de presos e torturados à época, num regime totalmente apoiado pelas famílias que controlam a grande imprensa no Brasil. Feito isso, esfregar na cara do jovem extasiado com as imagens que são transmitidas da Ucrânia, e perguntar: "o povo pode tudo, seu babaca?" Vamos fazer isso? Ou a indignação de vocês só existe quando a vítima é o Eduardo Freixo?

Minha paciência começa a se esgotar. Se você não gostou do que está escrito, não venha com comentários agressivos. Nunca me manifestei nas barbaridades que você escreve. Deleto sem qualquer problema. Um bom domingo.

Gilson Caroni Filho
Leia Mais ►

Pataxó

Leia Mais ►

Maduro ordena detención de Gral. Ángel Vivas por incitar a la violencia

El militar en situación de retiro incentivó a grupos fascistas a colocar guayas (alambre) en las calles que han ocasionado la muerte de al menos dos personas. Los organismos de seguridad realizan las investigaciones pertinentes para dar con los armamentos y demás objetos que utilizan estos grupos.

El presidente de Venezuela, Nicolás Maduro, solicitó investigar al general del Ejército en situación de retiro, Ángel Vivas, por instigación a la violencia al mandar a colocar guayas de nylon y alambres en las guarimbas, que han ocasionado la muerte de al menos dos personas.

La noche del viernes falleció un joven Santiago Enrique Pedroza, de 29 años de edad, cuando intentó pasar por una barricada y fue sorprendido por una guaya tensada de alambre que no visualizó en la avenida Rómulo Gallegos de Caracas (capital) y murió degollado. Igualmente en el estado Mérida (oeste) falleció una mujer de 37 años por las mismas causas.

Maduro informó que se trataba de un joven caraqueño era un repartidor de un supermercado, líder deportivo en su barrio, chavista y estuvo de cumpleaños un día antes. "Ya tenemos identificados a los que colocaron la guaya. Van a ir presos", sentenció.

Durante la concentración de mujeres revolucionarias a favor de la paz en el Palacio de Miraflores (sede de Gobierno), en Caracas, el mandatario repudió a los grupos violentos que agreden al pueblo.

Por su parte, el ministro de Interior, Justicia y Paz, Miguel Rodríguez Torres, hizo un llamado al gobernador de Miranda, el opositor Henrique Capriles Radonski, y al alcalde de Sucre, Carlos Ocariz, a que asuman con responsabilidad sus cargos y desplieguen los cuerpos de seguridad para restablecer el orden público.

Por tanto, fue anunciada la solicitud de orden de detención del General en situación de retiro, Ángel Vivas, por promover el entrenamiento violento de grupos opositores fascistas.

Leia Mais ►

O PIG Folha joga a toalha


Quem diz é o Datafolha, e o próprio jornalista da Folha que analisa os dados, conforme se vê na imagem acima.

O primeiro dos gráficos abaixo mostra que Lula e Dilma somam 47% dos votos por mudança no país.

Os números não me parecem tão bons para Dilma, porque ela está próxima demais de Joaquim Barbosa, uma figura que representa esse lacerdismo ainda latente em setores significativos da sociedade brasileira.

Para 19%, Dilma é a mais preparada para fazer mudanças no Brasil. Para 14%, é Joaquim Barbosa a pessoa certa para mudar.

O grande trunfo do PT, de qualquer forma, é Lula; 28% dos entrevistados acham que é ele a figura adequada para mudanças.

Interessante também observar o segundo gráfico. A mídia conseguiu reduzir o otimismo dos brasileiros em relação ao país, mas eles continuam confiantes de que sua própria situação irá melhorar. Bom sinal para Dilma, pois esse otimismo se reflete positivamente em votos.

ScreenHunter_3386 Feb. 23 03.01

Miguel do Rosário
No Tijolaço
Leia Mais ►

Os terroristas

A denúncia criminal dos generais e outros autores do ato terrorista do Riocentro, ocorrido em 1981, é suficiente para calar qualquer contestação de autoria e objetivos. Mas os quatro mosqueteiros que retomaram esse caso, como procuradores da República, ainda querem um ou outro complemento. Querem tudo. Podem então incluir em suas buscas adicionais um aspecto bastante ilustrativo de como agiam os terroristas acobertados pela farda, pelos enfeites nos ombros e pelos superiores.

O carro esporte Puma em que explodiu, antes da hora, a bomba levada pelo capitão Wilson Machado (hoje coronel reformado) e o sargento Guilherme Rosário, ferindo o oficial e matando o outro, tinha placa do Rio, OT-0297. Mas não era do Rio. É sempre citado como propriedade de Wilson Machado. E não era dele. Ou não era dele legalmente.

O registrop verdadeiro do Puma era da cidade de São Paulo. Com outros números e letras. Era propriedade da dona de uma butique (como se chamavam, na época, as pequenas lojas da elegância). Foi roubado em São Paul, recebeu no Rio placasenganadoras e se tornou o carro do capitão WilsonMachado.

A pesquisa nos Detrans do Rio e de São Paulo permitiria agora, por meio dos números de identificação colhidos pela perícia depois da explosão, chegar à confirmação do roubo e à dona do Puma, com sua história. Wilson Machado não era só capitão e terrorista.

Pelo menos outros quatro carros foram usados no plano de explodir o Riocentro a ser postoàs escuras por outra bomba, com os 20 mil presentes no show da celebração ao Dia do Trabalho. Todos eram carros roubados. Roubar e apropriar-se de carros alheios foi comum entre militares e agentes do DOI-Codi, do SNI e de outros núcleos da repressão.

Jango

A investigação aberta pelo Ministério Público da Argentina tem mais possibilidades de chegar a uma conclusão sobre a morte de João Goulart do que a investigação brasileira. Exceto quanto ao envenenamento, ou não, como causa pesquisada com a recente exumação.

Além de Jango ter sido vigiado sempre pelos "serviços" de lá, a decência e a coragem dos argentinos para desvendar seus segredos é infinitamente maior que a dos militares e agentes brasileiros. Graças a essa qualidade argentina, decobre-se, por exemplo, como efeito colateral de um velho pedido de vigilância sobre brasileiros em Buenos Aires, que um quartel do Exército no interior do Paraná teve papel relevante na perseguição a exilados brasileiros, inclusive a Jango.

Está com os argentinos a oportunidade de descobrir, afinal, o que é verdadeiro nos fartos relatos de mario Neira Barreiro, ex-agente que se diz participante de uma operação de envenenamento de Jango. Quando dois jornais publicaram aqui, em dezembro, que Neira "vive no Rio Grande do Sul, em liberdade condicional, ele já vivia em Buenos Aires. Até já dera entrevista, explicando por que, posto na condicional, tratou de fugir, mas não para o Uruguai, seu país: "Na Argentina o nosso pessoal pode me dar melhores condições".

Óbvia

Não entendi a tira do Laerte de quarta-feira — e não digo que a culpa seja dele. Mas, antes que se difundam interpretações entre pessoas que não conheceram Millôr, amigos seus lembramos que ele, contrariamente ao que diz um personagem da tira, não era gay, não.

Janio de Freitas
No fAlha
Leia Mais ►

Vurska

Bom dia! Eu sou Mirthes Sayão e este é o programa Cozinhando com Mirthes, nosso encontro gastronômico de todas as manhãs. Ao meu lado, como vocês podem ver, e como todos os dias, a Isaltina , que está comigo desde que eu nasci (praticamente, não é Isaltina?) e que é meu braço direito, minha ajudante, minha... O que é isso, Isaltina?! Você escorregou? Gente, a Isaltina escorregou e caiu no... Dá para se levantar sozinha, Isaltina? Por favor, alguém da produção pode... Isso. Obrigada. Você está bem, Isaltina? Não me assuste dessa maneira outra vez. Então vamos lá.

Gente. Nosso prato de hoje é uma especialidade russa, uma sopa fria chamada vurska. Sim, uma sopa fria. Ela é tomada na Rússia no verão, que, como se sabe, na Rússia dura só uma semana. Aliás, os russos chamam a semana de verão de "vurskaya", justamente: a semana de tomar vurska. Você sabia isso, Isaltina? Isaltina... Preste atenção. Você está bem? Então. Os ingredientes da vurska tradicional são: batata, cebola, nabo, repolho, salsa, alho e...e... Estou esquecendo uma coisa. Ah, leite de cabra azedo. Eu não estou vendo aqui o leite de cabra, Isaltina. Derramou no chão? Foi no leite de cabra que você escorregou, Isaltina? Não? Bom. Depois a gente vê o leite de cabra azedo.

Mas hoje, minhas amigas, nós não vamos fazer a vurska tradicional. Vamos acrescentar um ingrediente especial, que eu só vou revelar qual é mais tarde. Suspense! Isaltina, onde você vai? Fique aqui do meu lado. A Isaltina, hoje, não sei não, hein amigas? O que é que você tem, Isaltina? Acho que ela está namorando, gente. Mas a Isaltina já é avó, não é, Isaltina? Eu já contei que ela está com a nossa família desde que eu era pequititinha, que era como ela me chamava? Deste tamanho? E olha, se há alguém de quem se pode dizer que tem a alma branca é ela, viu? Quando ela casou, minha mãe deixou ela levar o marido para a nossa casa. Infelizmente, ele não era boa coisa. Nos roubou. Nunca ficou provado, mas estava na cara que foi ele que roubou os tacos de golfe da mamãe. Papai forçou a Isaltina a se separar dele.

Mas isso tudo é história antiga. Vamos à vurska. Eu sei que muitas de vocês devem estar se perguntado: será que a vurska não pode ser servida quente, para ser tomada durante todo o ano? Pode, mas há sempre o risco de ela explodir no fogo e queimar suas sobrancelhas. Na Rússia, quem não tem sobrancelhas é chamado de "vurskapupetien", ou, numa tradução livre, "um que brincou com a vurska". Isaltina, aproveite que você já está com a faca na mão e comece a picar a cebola e o alho enquanto eu... Isaltina, essa faca é muito grande. Pegue uma menor. E agora, minhas amigas, atenção. Vou revelar o ingrediente secreto da nossa vurska. É vodka! E aqui está a garrafa de vodka...ué, vazia. Isaltina, onde está a vodka? Você bebeu a vodka toda, Isaltina? E o que você vai fazer com essa faca? Isaltina, pare. Isaltina, nós estamos no ar. Isaltina...EU SOU SUA PEQUITITINHA!

Luís Fernando Veríssimo
Leia Mais ►

O feitiço e o feiticeiro

http://www.maurosantayana.com/2014/02/o-feitico-e-o-feiticeiro_22.html

Talvez o mais europeu dos países da Europa — nos seus cantões convivem as culturas alemã, francesa e italiana — a Suíça acaba de aprovar um referendo sobre “Imigração Maciça” que limitará, a partir de agora, a entrada de cidadãos da Comunidade Europeia, passando a tratá-los da mesma forma, para efeito de residência, vistos de trabalho, e direito sociais, que imigrantes de outras partes do mundo, como a África e a América Latina, por exemplo.

Além disso, a contratação de estrangeiros voltará a necessitar do consentimento prévio das autoridades locais, que terão de dar prioridade, primeiro, a qualquer cidadão suíço que estiver desempregado.

Para a vitória da proposta, apresentada pelo direitista Partido do Povo Suíço (SVP), foi fundamental o crescimento da imigração nos últimos anos — há 1.800.000 estrangeiros vivendo na Suíça, ou 23,3% da população — e outras alegações como “os interesses gerais da economia suíça”; a presença, no mercado, de trabalhadores “transfronteiriços”, que vivem em outros países e trabalham em território suíço, e também — infelizmente — de asilados.

A Confederação Suíça tem uma das mais altas rendas per capita da região, o equivalente a 58.000 mil euros brutos por ano, e uma pequena taxa de desemprego de 3.7%, o que tem atraído trabalhadores de países em crise com altas taxas de desemprego, como a Espanha — com 27% da população desempregada — que tem aproximadamente 100.000 cidadãos vivendo naquele país.

Com a medida, deixam de ter validade os chamados “Acordos Bilaterais” com a União Europeia, em vigor desde 2002, que garantiam a livre circulação e a liberdade de residência de cidadãos “comunitários” e suíços, seu direito de viver em qualquer lugar da UE ou da Suíça, sempre que tivessem emprego ou uma atividade econômica regular.

A partir de agora, o número de novos imigrantes europeus estará regido por quotas e dependerá, também, da prioridade a ser estabelecida para cidadãos locais no mercado de trabalho helvético.

Como um bumerangue, a nova lei suíça está fazendo com que o resto da Europa esteja vivendo a surpresa de ver o feitiço voltar-se contra o feiticeiro, e de experimentar, didaticamente, como um repugnante remédio, um pouco de seu próprio veneno.

Mesmo que levada a isso pela extrema direita, ao tratar cidadãos da União Europeia da mesma forma que os “comunitários”, muitos de países que nos enviaram milhões de emigrantes, como Portugal, Itália e Espanha, sempre trataram os estrangeiros “extracomunitários”, como os da América Latina, a Confederação Suíça está exercendo, de alguma maneira, uma certa espécie de “justiça poética”.

Ela mostra que o racismo, a arrogância e a xenofobia não isentam quem os pratica de ser tratado, também, por outros, do mesmo jeito excludente e humilhante. E ensina que, por mais que acredite no contrário, a ninguém foi dado o direito de estar acima de outros seres humanos.
Leia Mais ►

Nove chaves sobre o fascismo na Venezuela


1 — Hollywood representa o fascismo como uma quadrilha de mal encarados em uniformes, agitando bandeiras e gritando palavras de ordens. A realidade é mais perversa . De acordo com Franz Leopold Neuman, em “Behemoth: Estrutura e prática do nacional-socialismo, 1933-1944”, o fascismo é a cumplicidade absoluta entre as grandes empresas e o Estado. Quando os interesses do grande capital tornar-se a política, o fascismo está próximo. Não é por acaso que surgiu em resposta à Revolução Comunista da União Soviética.

2 — O fascismo nega a luta de classes, mas é o braço armado do capital nesse disputa. Aterroriza a baixa classe média e os segmentos marginalizados, com o medo da crise econômica, dos trabalhadores e da esquerda, alistando paramilitares para enfrentar com a força bruta os socialistas e os movimentos sociais.

Mussolini foi apoiado pela fábrica Ansaldo e pelo Serviço Secreto Inglês; Hitler foi financiado pelas indústrias de armas do Ruhr; Franco teve apoio de latifundiários e industriais; Pinochet teve ajuda dos EUA e da oligarquia chilena.

3 — A crise econômica, filha do capitalismo, é a própria mãe do fascismo. Apesar de estar do lado vencedor na 1ª Guerra Mundial, a Itália foi destruída fora dele, de modo que a classe média ficou em ruínas e participou maciçamente da Marcha sobre Roma de Mussolini.

Nas eleições de maio de 1924, Hitler ganhou apenas 6,5% dos votos. Em dezembro daquele ano, apenas 3%. Mas em 1928, quando a grande crise capitalista explode, teve 2,6%. Ficou com 18,3%, em 1930. Em 1932, teve 37,2 %, chegando ao poder e anulando o restante dos partidos.

Mas o fascismo não remedia a crise, agrava. Durante o governo Mussolini, o custo de vida triplicou, sem qualquer compensação salarial ou social. Hitler empregou os desocupados na fábrica de armas, que levou à Segunda Guerra Mundial, devastando a Europa e causando sessenta milhões morto.

Franco começou uma Guerra Civil que deixou mais de um milhão de mortos e várias décadas de ruína; fascistas argentinos eliminaram trinta mil compatriotas, Pinochet assassinou cerca de três mil chilenos. O remédio é tão ruim quanto a doença.

4 — O fascismo apela para as massas, mas é elitista. Corteja e serve as aristocracias, seus líderes vêm das classes mais altas e estabelecem sistemas hierárquicos e autoritários. Charles Maier, historiador, aponta que, em 1927, 75% dos membros do partido fascista italiano era da classe média e classe média baixa. Apenas 15% eram trabalhadores. 10% era da elite, que ocupava os altos cargos e davam a palavra final sobre seus objetivos e políticas.

Hitler estabeleceu o ”Führer-Prinzip”: cada policial usava seus subordinados para alcançar uma meta e prestava contas apenas aos seus superiores. O caudillo falangista responde apenas a Deus e à história, ou seja, a ninguém.

5 — O fascismo é racista. Hitler postulou a superioridade da “raça ariana”. Mussolini varreu líbios e abissínios e planejou o massacre de meio milhão de eslavos ” bárbaros e inferiores” para atender 50.000 italianos superiores. O fascismo sacrifica por seus propósitos os povos e culturas que despreza.

Os falangistas tomaram a Espanha com as tropas de Melilla. Alber Speer, ministro das Indústrias de Hitler, estendeu a Segunda Guerra Mundial em dois ou três anos para manter a produção de armas aquecida pelas mãos de três milhões de escravos de raças “inferiores” .

6 — O fascismo e o capitalismo têm rostos de ódio que precisam de máscaras. Os fascistas copiam slogans e programas revolucionários. Mussolini foi dito socialista. O nazismo usurpou o nome do socialismo e se proclamava um partido de trabalhadores (Arbeite). Em seu programa, sustentava que não podia tolerar renda que não fosse do trabalho.

Por sua falta de criatividade, os símbolos são roubados de movimentos com o sinal oposto. Bandeiras vermelhas comunistas com a suástica, o símbolo solar que no Oriente representa a vida e a boa sorte, confiscado pelos nazistas para o seu culto à morte.

7 — O fascismo é “abençoado”. Os padres apoiaram os falangistas que saíram para matar colegas e poetas. O Papa abençoou as tropas que Mussolini enviou para a guerra e nunca denunciou as injustiças de Hitler. Franco e Pinochet foram idolatrados pela Igreja.

8 — O fascismo é misógino. A missão da mulher é resumida em “Kirche, Kuchen, Kinder”, ou seja, igreja, cozinha e crianças. Nunca apareceu publicamente uma mulher ao lado dos líderes; aqueles que eram casados, as esconderam e relegaram cuidadosamente. Nunca aceitaram que uma mulher subisse pelo seu próprio mérito ou iniciativa. Hitler as trancou nas fazendas de criação para parir arianos; Mussolini atribuiu às mulheres o papel de barriga para aumentar a demografia italiano; Franco e Pinochet as confinaram nas igrejas e salas de parto.

9 — O fascismo é anti-intelectual. Todas as vanguarda do século passado foram progressistas: a relatividade, o expressionismo, o dadaísmo, o surrealismo, o construtivismo, o cubismo, o existencialismo e a nova figuração. Tratou todas, com exceção do Futurismo, como “arte degenerada”.

O fascismo não inventa nada, mas recicla. Só acredita no ontem, mas um ontem imaginário, que nunca existiu. O fascismo assassinou Matteotti, prendeu Gramsci, fuzilou García Lorca e deixou morrer na prisão Jose Hernandez. Pinochet assassinou Victor Jara.

Quando ouço falar de cultura, puxo minha arma, disse Goering. Quando ouvimos falar sobre o fascismo, vamos sacar a nossa cultura.

Luis Britto García
No Escrevinhador
Leia Mais ►