22 de fev de 2014

Técnicas de Manual


A Venezuela passou por quatro eleições decisivas recentemente: duas votações presidenciais, uma para governos estaduais e uma para prefeituras. Todas foram vencidas pelo bloco da revolução bolivariana. Nenhum dos resultados foi impugnado pelas missões internacionais de observação eleitoral.

A votação mais recente aconteceu apenas dois meses atrás e resultou em clara vitória para os chavistas. Desde que Hugo Chávez assumiu a Presidência, em 1999, todas as eleições demonstram que, sociologicamente, o apoio à revolução bolivariana é majoritário no país.

Na América Latina, Chávez foi o primeiro líder progressista — desde Salvador Allende — a apostar na via democrática para chegar ao poder. Não é possível compreender o que é o chavismo se não for levado em conta o seu caráter profundamente democrático. A aposta de Chávez, ontem, e a de Nicolás Maduro, hoje, é o socialismo democrático. Uma democracia não só eleitoral. Também econômica, social, cultural...

Em 15 anos, o chavismo conferiu a milhões de pessoas que não tinham documentos de identidade por serem pobres a situação de cidadãos e permitiu que votassem. Dedicou mais de 42% do Orçamento do Estado aos investimentos sociais. Tirou 5 milhões de pessoas da pobreza. Reduziu a mortalidade infantil. Erradicou o analfabetismo. Multiplicou por cinco o número de professores nas escolas públicas (de 65 mil a 350 mil). Criou 11 novas universidades. Concedeu aposentadorias a todos os trabalhadores (mesmo os informais). Isso explica o apoio popular de que Chávez sempre desfrutou e as recentes vitórias eleitorais de Nicolás Maduro.

Por que, então, os protestos? Não nos esqueçamos de que a Venezuela chavista — por possuir as maiores reservas mundiais de hidrocarbonetos — sempre foi (e será) objeto de tentativas de desestabilização e de campanhas de mídia sistematicamente hostis.

Apesar de se haver unido sob a liderança de Henrique Capriles, a oposição perdeu quatro eleições consecutivas. Diante desse fracasso, sua facção mais direitista, ligada aos Estados Unidos e liderada pelo golpista Leopoldo López, aposta agora em um "golpe de Estado lento". E aplica as técnicas do manual quanto a isso.

Na primeira fase: 1. Criar descontentamento ao tirar do mercado produtos de primeira necessidade. 2. Fazer crer na "incompetência" do governo. 3. Fomentar manifestações de descontentamento. E 4. Intensificar a perseguição pela mídia.

A partir de 12 de fevereiro, os extremistas ingressaram na segunda fase: 1. Utilizar o descontentamento de um grupo social (uma minoria de estudantes) a fim de provocar protestos violentos e detenções. 2. Montar "manifestações de solidariedade" aos detidos. 3. Introduzir entre os manifestantes pistoleiros com a missão de provocar vítimas de ambos os lados (a análise balística determinou que os disparos que mataram o estudante Bassil Alejandro Dacosta e o chavista Juan Montoya, em 12 de fevereiro, em Caracas, foram feitos com a mesma arma, uma Glock calibre 9 mm). 4. Ampliar os protestos e seu nível de violência. 5. Redobrar a ofensiva da mídia, com apoio das redes sociais, contra a "repressão" do governo. 6. Conseguir que as "grandes instituições humanitárias" condenem o governo por "uso desmedido da violência". 7. Conseguir que "governos amigos" façam "advertências" às autoridades locais.

É nesta etapa que estamos.

Portanto, a democracia venezuelana está ameaçada? Só se for, uma vez mais, pelos golpistas de sempre.

Ignacio Ramonet, diretor do jornal "Le Monde Diplomatique" em sua versão espanhola e autor de "Fidel Castro: Biografia a Duas Vozes" e "Hugo Chávez, Minha Primeira Vida", que será lançado em maio no Brasil

Tradução de Paulo Migliacci
No fAlha
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Mainardi e as Forças Armadas: A quem serve a Guerra Fria?


A DEMOCRACIA TEM QUE DEFENDER A DEMOCRACIA (Apelo às Forças Armadas)

por Enio Mainardi, no Facebook

Não tem “esquerda” no Brasil. O que há é uma Nação sendo manipulada pelo PT, que investe tudo para ganhar cada vez mais poder, arregimentando os miseráveis através das bolsas, aparelhando o Estado com apaniguados protegidos do partido, negociando e traficando as riquezas nacionais com grupos nacionais e países estrangeiros, unicamente voltados para seus próprios interesses.

Estamos mergulhados num regime que perde por hora, por dia as suas características democráticas. Vivemos um limite, a Pátria está em perigo. E neste exato momento, nesta noite de sábado sangrento, a Venezuela, que teve sua democracia destruida pelo bolivarismo, está em guerra civil. O exército venezuelano, apoiado por forças cubanas e eventualmente bolivianas — está abrindo fogo contra a rebelião do povo venezuelano, que configura uma nítida guerra civil.

Maduro, Lula, Dilma, Fidel conspiram para tornar este continente uma ex-Democracia, comandada por líderes comunistas.

Cada ação do governo brasileiro aponta para a liquidação progressiva da liberdade — inclusive a constitucional. Está-se nitidamente preparando um golpe que perpetue a canalha do PT-PMDB no contrôle político do país.

Talvez nem hajam eleições, basta ver o massacre que arrasa a Venezuela. Nestas circunstâncias dramáticas de derrubada e desmoralização do poder civil, sobra o caminho de antecipar a ação deletéria dos que obedecem aos preceitos gramcistas — através da atuação decisiva de nossas Forças Armadas. Contra-revolução, já.

* * *

CUBA, VENEZUELA E BRASIL

Quem quer agitar um velho espantalho da Guerra Fria


Num momento em que o publicitário aposentado Enio Mainardi pede “contrarrevolução já” e apela para golpe militar para impedir que uma aliança formada pelo presidente venezuelano Nicolas Maduro, Lula, Dilma e Fidel Castro transforme nosso Continente numa “ex-Democracia, comandada por líderes comunistas”, convém definir o que pode haver de realidade além do folclore anacrônico e ridículo.

Em 25 minutos imperdíveis, o jornalista Igor Fuser foi a GloboNews para dar uma aula impecável sobre a realidade venezuelana desde a chegada de Hugo Chávez ao poder, uma década e meia atrás. Quem não assistiu não pode perder a oportunidade.

Há mais de uma década que a oposição brasileira procura semelhanças entre o governo Lula-Dilma e Hugo Chávez. Esses paralelos fazem parte daquelas fantasias comuns no período da Guerra Fria que continuam reproduzidas pela turma que não aproveitou a globalização para ler jornais melhores.

Chávez chegou ao poder como um político de formação revolucionária, com um compromisso favorável a mudanças radicais que nunca fizeram parte do horizonte de Lula.

A partir de uma perspectiva diferente, Chávez também teve uma atuação diferente, de quem fazia apostas na mobilização popular para enfrentar e derrotar a elite de seu país — em vez de procurar o consenso e a negociação, que sempre foram instrumentos prediletos de Lula.

No plano internacional, o presidente brasileiro teve uma convivência com o presidente George W Bush que seria considerada inaceitável por Chávez.

O que há de mais parecido nos dois países não são os governos, mas a postura de suas oposições diante do processo de mudança social em curso na Venezuela e no Brasil.

Derrotada nas urnas há 15 anos, sem intervalos, a oposição venezuelana fez diversas tentativas de impedir a consolidação de Hugo Chávez no poder. Deu um golpe de Estado de 72 horas, no início de 2002.

Apesar do apoio incondicional da Embaixada americana, que usou sua influencia para pedir o reconhecimento imediato do novo governo, o repúdio internacional — inclusive do governo Fernando Henrique Cardoso — levou à restauração democrática e permitiu o retorno de Chávez ao poder.

No final daquele mesmo ano, a oposição ensaiou um segundo golpe. Paralisou as refinarias de petróleo — responsáveis por 90% das divisas necessárias a compra de bens de primeira necessidade, inclusive alimentos e roupas — numa tentativa de sufocar a economia e forçar a queda do governo.

Já eleito novo presidente, Lula teve um papel essencial no desarme da crise. Anunciou que no primeiro dia da posse a Petrobras iria enviar um navio de petróleo em direção a Caracas.

Lula também articulou, com presidentes de países vizinhos, o apoio a convocação de um referendo revocatório, pelo qual Chávez consultaria a população sobre sua permanência na presidência. Inicialmente desconfiado, Chávez acabou concordando com a iniciativa. Venceu o referendo sem dificuldade, ampliando sua base política de apoio.

No episódio seguinte, a oposição apostou na criação de uma nova crise a partir de uma decisão suicida. Convencidos de que não teriam chances de obter uma parcela importante das cadeiras na Assembleia Nacional, seus líderes boicotaram as eleições parlamentares. A ideia era retirar a legitimidade de toda decisão que saísse do Legislativo para forçar uma nova paralisia do governo e facilitar novas iniciativas de isolamento internacional.

Mais uma vez, deu errado. Mesmo sem oposição parlamentar, o governo Chávez foi capaz de agir dentro de um quadro coerente com a relação de forças do país. Manteve a iniciativa política, aprovou medidas de acordo com seu programa mas dificilmente será acusado — a sério — de aproveitar-se da retirada de seus adversários para cometer aventuras políticas.

Na prática, era acusado de monopolizar o poder por uma oposição que fora reduzida, por decisão de sua única responsabilidade, a um papel de comentar os atos do governo.

O que se vê, na atitude da oposição venezuelana é uma visão clara e radical da situação política. Não é capaz de aceitar, democraticamente, um prolongado quadro institucional desfavorável, marcado por sucessivas derrotas eleitorais que, de uma forma ou de outra, têm resultado em medidas que a maioria da população aprova.

Seu horizonte é o da ruptura e do golpe de Estado, convencida de que, se fizer sua parte, isto é, demonstrar competência para produzir a queda de Nicolas Maduro, não lhe faltará o necessário apoio dos Estados Unidos para consolidar a nova ordem.

Em 2002, com George W Bush na Casa Branca, a política de combate ao chamado “Eixo do Mal” assegurou um papel ativo de emissários norte-americanos a Caracas, a tal ponto que muitas posições na embaixada americana passaram ao controle de veteranos de operações anti-comunistas na América Central, os contras que atuaram na Nicarágua e El Salvador.

Com Barack Obama, a Casa Branca manteve-se numa posição menos ativa, ainda que, nos últimos dias, com a evolução da crise em Caracas, tenha feito exigências fora do tom diplomático aceitável.

A presença de aliados de Maduro nos principais países vizinhos, a começar pelo governo brasileiro, de longe o Estado mais influente da região, é um elemento poderoso de dissuasão contra um envolvimento maior dos EUA.

A reação firme contra o golpe que derrubou o presidente Lugo, no Paraguay, tem algo a ver com isso.

Os médicos cubanos se tornaram uma obsessão da oposição brasileira depois de terem ocupado o mesmo lugar na estratégia da oposicão venezuelana. Cheguei a visitar centros de saúde da periferia de Caracas e também entrevistei o responsável pela Organização Pan Americana de Saúde, que possui estatísticas capazes de mostrar o progresso ocorrido nas regiões mais pobres do país.

Embora a oposição faça questão de desqualificar médicos cubanos, é difícil negar oferecem aos venezuelanos um cuidado e um tratamento a que eles jamais tiveram acesso. Ganham muito menos do que os rendimentos auferidos pelos médicos do país. Mas é justamente por isso que são capazes de prestar serviços que jamais puderam ser oferecidos aos venezuelanos pobres. Alguma semelhança com o Mais Médicos?

Com uma dependência histórica das exportações de petróleo, um mercado interno relativamente pequeno, a Venezuela pagou um preço mais alto do que o Brasil pela crise internacional iniciada em 2008.

O crescimento econômico caiu, a inflação subiu, o desemprego aumentou. Mas mesmo assim, Chávez conseguiu se eleger — já doente terminal — e seu sucessor nomeado, Nicolas Maduro, foi escolhido como novo presidente, numa prova de que a população resiste na defesa de suas conquistas.

No Brasil, que vive uma situação objetiva mais confortável, a oposição precisa do pessimismo psicológico como uma política permanente. Compreende-se.

Com índices excelentes de emprego e de contínua distribuição de renda, é complicado travar uma discussão eleitoral aberta, a partir de argumentos racionais e propostas objetivas. É necessário alimentar o tumulto, criar a desesperança, forjar o medo.

Publicitários sabem fazer isso.

Em 1962, Juarez Bahia perdeu o emprego de redator chefe do Correio da Manhã, então o mais influente jornal brasileiro, quando se recusou a engajar a publicação numa campanha para obrigar o governo João Goulart a (advinhou!) romper relações com Cuba.

As mais aplicadas partidários da ruptura, nos meios de comunicação, eram as filiais das grandes agencias de publicidade norte-americanas.

Dois anos depois da saída de Juarez Bahia, o Correio fez o editorial “Basta!”, quando deixou o campo da democracia, onde havia firmado uma invejável tradição, para apoiar o golpe militar que derrubou Goulart.

* * *

PS do Viomundo: Eu, Azenha, escrevi sobre o tripé que sustenta a “contrarrevolução”. Em primeiro lugar, a ascensão social que coloca em xeque o status e a ‘superioridade’ da classe média; em segundo, o fato de que a elite econômica é incapaz de eleger seus candidatos puro sangue, por falta de votos; em terceiro, o desejo dos Estados Unidos de reassumir o controle da América Latina, para o qual contam com setores de nossa elite colonizada (aí entra o Mainardi). A mídia desmoraliza os partidos e a política com o objetivo de fortalecer seu papel salvacionista e manter sua relevância. Isso explica a demissão de gente de esquerda das redações e os múltiplos empregos de Reinaldo Azevedo, Arnaldo Jabor e outros. Um golpe judiciário já tivemos. Outra derrota eleitoral do tucanato e podemos enfrentar outros desafios.
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Manda Rusia buque a Venezuela para evitar golpe de estado de EUA


Este viernes a las 10:00 am arribó el buque de guerra ruso Moskva (Moscú) a La Guaira, principal puerto de Venezuela, ubicado a 30 kilómetros de Caracas, la capital. También llegó un antisubmarino, un buque remolcador y un buque sistema. En total son 150 marinos de la Federación Naval Rusa los que arribaron al país, según lo reseñó la Agencia Venezolana de Noticias (AVN).

"Nuestra presencia en Venezuela es para evitar futuros ataques y golpes de estado de EUA"

La visita sirve para estrechar los lazos de cooperación entre ambas naciones. En La Guaira fueron recibidos por el alto mando militar de la Fuerza Armada Nacional Bolivariana (FANB). “Esta visita permite la creación y el mantenimiento de puntos pluripolares de poder para que logremos un mundo más equilibrado”, señaló el almirante Jesús Ortega Hernández, comandante naval de operaciones.

El buque de guerra Moskva es un crucero lanzamisiles. A cargo está el almirante Valeri Vladimírovich Kulikov.

“El barco, de 185 metros de largo, cuenta con radares y armas de todo tipo, entre ellas cohetes de más de 600 kilómetros de alcance y cañones móviles capaces de repeler amenazas en un radio de 60 kilómetros”, explicó el capitán de navío Serguéi Ivánovich, en declaraciones dadas a la prensa comento: “Nuestro buque puede operar en cualquier lugar del mundo de manera autónoma, sin ningún problema, y puede defender cualquier territorio, incluido Venezuela y Cuba”.

Venezuela y Rusia mantienen una intensa agenda de cooperación bilateral. Se han firmado numerosos acuerdos entre ambos países. Rusia es el principal proveedor de armamento de la nación suramericana. Según el informe sobre las 'Tendencias de Transferencia de Armas 2012' del Stockholm International Peace Research Institute, publicado por el diario El Nacional de Caracas, Rusia proveyó 66 % del armamento que compró Venezuela entre 2008 y 2013. El año pasado las órdenes de entrega de armas incluyeron sistemas antiaéreos, helicópteros, tanques, sistemas de misiles, misiles para tanques y aviones. En noviembre de 2008 otro crucero nuclear misilístico ruso, Pedro el Grande, visitó Venezuela. Un destructor, dos navíos de escolta y cinco aeronaves completaron la flotilla que realizó maniobras navales conjuntas con su similar venezolano. En los ejercicios participaron 11 buques de la Marina y ocho aeronaves, según las reseñas periodísticas de la época. Involucraron a 1.150 efectivos militares rusos y 600 venezolanos.

No FAFHOO
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Apoio ZéDirceu


Caros amigos e amigas,

Chegamos hoje ao final da campanha “Eu Apoio Zé Dirceu”. Graças à colaboração de milhares de brasileiros, atingimos o valor da injusta multa imposta pelo Supremo Tribunal Federal ao ex-ministro José Dirceu. Temos certeza que muitos outros também gostariam de colaborar, mas já alcançamos nosso objetivo.

Em nome da transparência e em resposta a todos os ataques daqueles que não compreendem o real significado da palavra ‘solidariedade’, eis os números finais:

A campanha arrecadou R$ 1.083.694,38, valor suficiente para quitar a multa de R$ 971.128,92 e também os impostos que devem ser recolhidos sobre o total das doações. Agradecemos especialmente aos 3.972 doadores espalhados pelos 27 estados brasileiros — uma clara demonstração do alcance nacional do apoio a José Dirceu.

Temos uma dívida imensurável com todos vocês que nos apoiaram — contribuindo, divulgando a campanha ou ainda na linha de frente contra as mentiras e perseguições de que esta campanha foi alvo.

O resultado representa muito mais do que uma cifra. Em pouco mais de uma semana, cidadãos de todo o país demonstraram sua indignação contra o julgamento político ao qual José Dirceu foi submetido.

O sucesso da campanha só demostra que Dirceu não está e nunca esteve só. Confirma também que há uma parcela significativa da sociedade consciente das graves violações feitas durante o julgamento da AP 470. O protesto coletivo se fez ouvir.

Recebemos centenas de depoimentos dos colaboradores em nosso site. É impossível expressar em palavras o que essas mensagens significaram para nós. Elas nos deram ainda mais motivação, mais esperança, mais orgulho de estarmos do lado de quem estamos.

Queremos também estender os nossos agradecimentos a todos os que colaboraram com as campanhas de José Genoino e Delúbio Soares — e a todos os que estavam dispostos a colaborar com João Paulo Cunha.

Juntos, vencemos esta batalha. Ainda há outras por vir, certamente. E, juntos mais uma vez, estamos pontos para enfrentá-las.

Mais uma vez, obrigado a todos. Obrigado Brasil!

Amigos do Zé
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Gravações comprovam rede mafiosa no alto escalão do Exército colombiano


Revista Semana desvenda rede de corrupção composta por generais e inúmeros coronéis e tenentes-coronéis envolvidos com o assassinato em massa de oposicionistas

Centenas de horas de gravação investigadas pela revista Semana, da Colômbia, comprovaram a existência de uma ampla rede de corrupção no Exército do país, composta por vários generais e inúmeros coronéis e tenentes-coronéis envolvidos com o assassinato em massa de oposicionistas.

Pondo em xeque o destino dos 27 bilhões de pesos (aproximadamente 13,35 bilhões de dólares), cerca de 3,7% do PIB do país, as gravações jaziam adormecidas na Comissão de Acusações do Congresso.

Ao virem à tona, destamparam uma quantidade monumental de subornos feitos entre 2012 e 2013 pela alta cúpula militar mais estreitamente vinculada ao governo dos Estados Unidos. Oficialmente, os EUA contam hoje no país com 1.400 homens em sete bases: Palanquero, Malambo, Apiay, Cartagena, Málaga, Larandia e Tolemaida.

Segundo as gravações, mandos militares usavam informações privilegiadas para conhecer de antemão os vencedores das “licitações” de várias unidades do Exército e garantir a liberação de milionários contratos, “indicados a dedo”, nos quais as propinas chegavam a 50%. Entre os altos oficiais beneficiados pelas negociatas estão condenados e indiciados pelo assassinato dos chamados “falsos positivos” – jovens entre 16 e 33 anos, executados pelas tropas que os vestiam de guerrilheiros para receberem promoções, dinheiro e férias estendidas, conforme a política de execução sumária de “esquerdistas” defendida pelo “Plano Colômbia”.

Até 2012, foram registrados quase 3 mil assassinatos de inocentes.

Falsos positivos

Uma das figuras-chave, por meio da qual se começou a desvendar a rede mafiosa, o coronel Róbinson González Del Río é acusado pela morte de dois camponeses apresentados como “guerrilheiros”, em setembro de 2007 — ano em que um em cada cinco mortos em combate era “falso positivo”.

González é acusado de prevaricação por ter comprado com milhões de dólares a decisão do juiz Henry Villarraga, então magistrado do Conselho Superior da Judicatura, para que seu julgamento

saísse de um tribunal ordinário para um militar. Nos áudios obtidos pela revista, González se encarrega de acertar os contratos com generais e coronéis e organiza os pagamentos aos subalternos presos por “falsos positivos” a fi m de manter seu silêncio. Numa das conversações, um interlocutor do coronel acerta um contrato de 7 milhões de dólares com a Divisão de Assalto Aéreo do Exército.

As gravações também comprometem o atual comandante das Forças Armadas, o general Leonardo Barrero — que chegou ao cargo em agosto do ano passado, após os sangrentos “sucessos” obtidos na luta antiguerrilheira como chefe do Comando Conjunto do Sudoeste.

Numa das conversas, a partir da prisão, González telefona para o comandante e conta como vai o seu processo penal e o general lhe sugere que se organizem como “uma máfia para denunciar promotores e todos esses babacas”. Mais claro impossível.

Ficou comprovado que, apesar de se encontrar detido, o coronel González contava com dois soldados à sua disposição e de sua família 24 horas por dia, chegando mesmo a sair da prisão em carro oficial para passar três semanas de férias em dezembro de 2012.

A rede de corrupção vai além das grandes negociatas e alcança os contratos do Exército com as guarnições militares. Com o aval dos comandantes de dez unidades, a máfia assaltava grande parte do orçamento para a gasolina dos veículos militares, desviava e repartia nas contas pessoais de vários oficiais presos. Dinheiro de passagens aéreas destinadas ao uso de militares em vários batalhões, recursos para alojamento e até veículos oficiais, também foram utilizados para o pagamento dos advogados dos detidos por “falsos positivos”.

Repercussão

Em breve comunicado, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, qualificou as gravações como “muito graves”. “Estou indignado com o dano que isso causa às Forças Armadas e ao país”, declarou, solicitando ao Procurador-Geral e à Controladoria que acelerem a investigação, preferindo que seja conduzida pela justiça penal militar. Santos também pediu ao seu ministro da Defesa, Juan Carlos Pinzón, “decisões contundentes e exemplares”.

Para a candidata do Polo Democrático, Clara López, “’sem que o governo tenha respondido política, disciplinar e judicialmente” à acumulação de escândalos nas Forças Armadas, o ministro Pinzón deveria ao menos renunciar.

Há poucos dias, a cúpula da Inteligência militar também foi afastada após ter sido flagrada, também pela revista Semana, grampeando conversas telefônicas das negociações de paz do governo com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

O diretor do Centro de Recursos para a Análise de Conflitos (Cerac), Jorge Restrepo, questionou “por que os condenados e acusados no caso dos ‘falsos positivos’ e de reiteradas violações aos direitos humanos são os que dirigem organizações criminosas de corrupção no Exército?”.

Leonardo Wexell Severo
No Brasil de Fato
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Cemig é responsabilizada por flagrante de 179 trabalhadores em condições análogas às de escravos

Submetidos a jornadas de mais de 11 horas por dia, eles eram funcionários de terceirizada contratada sem licitação, segundo a fiscalização

Trabalhadores flagrados em condições análogas às de escravos realizam reparos e construção de postes da Cemig 
Fotos: Divulgação/SRTE-MG
A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) foi responsabilizada por fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) pela submissão de 179 trabalhadores a condições análogas às de escravos em Belo Horizonte (MG). A primeira fiscalização na empresa aconteceu em julho de 2013 e foi acompanhada também pela Polícia Federal. A caracterização de escravidão foi resultado de intensa investigação que levou mais de seis meses, com análise de documentos e tomada de depoimentos das vítimas. Além de submeter trabalhadores à escravidão, a Cemig — empresa de economia mista controlada pelo governo do Estado de Minas Gerais — é acusada também de terceirização ilegal e contratação de empresas sem licitação. Procurada pela Repórter Brasil, a empresa enviou posicionamento negando as acusações.

O relatório de fiscalização servirá de base para a ação do Ministério Público do Trabalho. Nesta quinta-feira (20), a procuradora Luciana Marques Coutinho destacou, em apreciação prévia, que não é o primeiro problema trabalhista envolvendo a Cemig. “O resultado da ação fiscal realizada em 2013, além de comprovar os fatos narrados nas ações civis públicas já ajuizadas, ou seja, a ilicitude da terceirização e a absurda precarização do trabalho dos terceirizados, revela um incremento ou piora do quadro”, escreveu.

“A submissão dos trabalhadores a situações inadmissíveis de labor, seja em razão da jornada extenuante, não registrada nos controles de jornada e paga ‘por fora’ ou extra-folha, seja em função da inexistência de garantias mínimas e básicas de trabalho, como o fornecimento de água potável e instalações sanitárias nas frentes de trabalho, ou ainda em razão do exercício de atividade altamente perigosa sem treinamento/capacitação adequados, para mencionar apenas algumas das irregularidades afirmadas no relato fiscal, se encaixa no conceito de trabalho análogo à escravidão”.

Cozinha de alojamento dos trabalhadores da Cemig estava em péssimas condições
Cozinha de alojamento dos trabalhadores da Cemig
 estava em péssimas condições
Trabalho escravo urbano

Os 179 empregados trabalhavam no reparo e construção da rede elétrica da Cemig e estavam submetidos a jornadas exaustivas sistemáticas. Segundo o auditor fiscal Marcelo Gonçalves Campos, que coordenou a operação, era comum os trabalhadores passarem mais de onze horas por dia em serviço. Além disso, o descanso entre jornadas era abaixo do permitido na legislação trabalhista e os empregados não tinham nenhum dia de descanso semanal. Quando a carga de trabalho excedia os limites legais, era comum o pagamento de valores “por fora”.

Além de submetidos a jornadas exaustivas, os trabalhadores não tinham água potável, banheiros ou lugar para comer. “Se nós fazemos essas exigências no meio rural, temos também que exigir o cumprimento dessas obrigações no meio urbano”, ressaltou o auditor.

Dentre os 179 trabalhadores, 82 eram migrantes e estavam alojados em condições degradantes. As sete casas onde os que não eram de Belo Horizonte viviam estavam sujas, não dispunham de armários e tinham entulho e lixo acumulados em áreas comuns.

“Quando fomos conversar com os trabalhadores, eles relataram dificuldades de viajar para casa por conta da jornada”Jefferson Leandro Silva,
diretor do Sindieletro
A denúncia da situação a que os trabalhadores estavam submetidos chegou ao MTE através do sindicato da categoria. De acordo com Jefferson Leandro Silva, diretor do Sindieletro, um dos empregados suicidou-se em seu alojamento em fevereiro de 2013. “Quando fomos conversar com os trabalhadores, eles relataram as dificuldades de trabalho e a dificuldade de viajar para casa por conta da jornada”, contou. Segundo ele, os colegas explicaram que esse foi o motivo do suicídio.

Terceirização ilegal

De acordo com o auditor fiscal Marcelo Gonçalves Campos, a Cemig dificultou o resgate dos trabalhadores e se negou a pagar as verbas rescisórias devidas. ”Tentamos até o limite”, afirmou o auditor, que, para tentar garantir o direitos dos empregados, encaminhou farta documentação ao MPT.

Na nota em que nega ter submetido trabalhadores à escravidão, a Cemig afirmou que “prestou todas as informações solicitadas e tomou as medidas cabíveis diante das irregularidades apontadas”, listou um histórico de providências tomadas para tentar solucionar o caso e responsabilizou a CET Engenharia Ltda., empresa terceirizada, pela situação a que o grupo acabou submetido.

Os trabalhadores tinham relação de emprego formalizada com a CET. Em 2009, a empresa já tinha firmado um termo com o MPT se comprometendo a corrigir diversos dos problemas apontados desta vez e a cumprir com a legislação trabalhista, sob pena de multa. De acordo com o Sindieletro, a CET Engenharia anunciou que será fechada depois de ter sido autuada por trabalho escravo, em dezembro de 2013. No entanto, o advogado da empresa, Eduardo Sousa, disse à Repórter Brasil que  “houve redução na prestação de serviço com a Cemig, mas nada ligado com o caso”. Ele disse não saber sobre um possível fechamento da empresa. A informação vai de encontro com uma declaração da Cemig, que disse ter suspendido a CET Engenharia do Cadastro de Fornecedores da empresa.

Tanto os fiscais quanto a procuradora responsável pelo caso consideraram a terceirização destes trabalhadores ilegal com base na súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho e, por isso, responsabilizaram a Cemig pelas infrações. Eles avaliaram que, subordinadas a ordens da administração da companhia, os empregados desempenhavam a mesma atividade-fim da companhia ao trabalharem na reparação e construção da rede elétrica da companhia. A Cemig não se posicionou sobre esta acusação.


A empresa responde a pelo menos dois processos na justiça por terceirização ilegal, ambos iniciados pelo MPT e um deles em tramitação há mais de dez anos. De acordo com a procuradora Luciana Coutinho, a terceirização que a Cemig efetua “vem com uma precarização absurda das condições de trabalho”. Ela relacionada a terceirização ao aumento de riscos para os trabalhadores. “A estrutura que essas empresas contratadas têm não se compara com a que a Cemig tem e muitos acidentes de trabalho foram motivados pela terceirização”, explica.

Desta vez, além de ser responsabilizada por trabalho escravo, a Cemig também foi autuada por não oferecer treinamento aos funcionários, que lidavam diariamente com instalações elétricas. Os empregados diretos da companhia recebem seis meses de formação para realizar esse tipo de serviço, de acordo com o diretor do Sindieletro. Ele avalia que esse é um dos principais motivos, ao lado da jornada exaustiva, que explicam o alto número de acidentes de trabalho entre os funcionários terceirizados pela Cemig.


Público e privado

A equipe do MTE também analisou os contratos com as empresas que a Cemig contrata e concluiu que as terceirizadas prestam serviços diferentes daqueles para os quais foram licitadas. “Como a Cemig não consegue atender a demanda de novas ligações, ela sugere ao consumidor a contratação de uma destas empresas e as obras são revertidas ao patrimônio da companhia”, exemplificou Marcelo Campos, que emendou: “Entendemos que isso é irregular e tem relação periférica com a terceirização ilegal”. Ele encaminhou a denúncia ao Ministério Público Federal.

Uma das maiores empresas do Brasil, a Cemig fornece energia em 96% da área de Minas Gerais e está presente em outras 23 unidades da federação, de acordo com informações do seu site. Controlada pelo governo do Estado de Minas Gerais, a companhia de capital aberto teve receita bruta superior a R$ 26 bilhões em 2012, segundo dados da publicação “Grandes Grupos” de 2013 do jornal Valor Econômico.

Confira como estão conectados os executivos da Cemig no projeto Eles Mandam, da Repórter Brasil

Clique na imagem para acessar o projeto Eles Mandam. Insira o nome da Cemig no campo empresas, amplie a rede e veja as relações dos conselheiros com outras empresas.
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Mauro Ricardo diz que INFELIZMENTE não há mais Pelourinho para cobrar dívidas

Ele
Mauro Ricardo, homem de Serra, e atualmente secretário da Fazenda da Prefeitura de Salvador na gestão ACM Neto, deu uma entrevista, na noite de ontem (21), no programa Se Liga Bocão, da Rádio Itapoã FM da Bahia, para defender o aumento do IPTU na cidade e criticar a inadimplência baiana. Entre outras coisas disse:

“Antigamente se botava as pessoas no pelourinho pra poder pagar as suas dívidas. INFELIZMENTE hoje não é mais assim. Hoje é a Justiça. É a Justiça quem define e o prazo é o prazo estabelecido pela Justiça.”

Você pode ouvir o áudio no pé da matéria.

Segundo a oposição de Salvador, em alguns casos o aumento do IPTU na cidade chega a 1.000%. É o maior aumento do país. A OAB local entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra o aumento.

Para quem não sabe quem é Mauro Ricardo vale uma breve explicação. É homem de carreira em gestões públicas do PSDB e trabalhou nos governos de FHC e Aécio e mais recentemente nas gestões Serra e Kassab na prefeitura de São Paulo. Foi no seu período à frente da Secretaria de Finanças da cidade que a máfia do ISS, desbaratada na gestão Haddad, nadou de braçadas.

Num dos telefonemas grampeados da máfia,  Ronilson Bezerra, um dos fiscais presos por conta do roubo que pode ser de mais de 500 milhões, disse a seguinte frase.

É um absurdo. Paula, tinha que chamar o secretário e o prefeito também, você não acha? Chama o secretário e o prefeito que eu trabalhei. Eles tinham ciência de tudo.”,

Há claros indícios de que ele se referia a Kassab e a Mauro Ricardo.

O pelourinho a que Mauro Ricardo se refere é um poste de madeira ou de pedra, com argolas de ferro,  onde praticamente apenas negros eram amarrados e chicoteados em praça pública.

Pra dizer o mínimo, Mauro Ricardo prefere açoites ao invés de Justiça. E provavelmente principalmente para negros e pobres que devem ser a ampla maioria dos inadimplentes que não têm condições de pagar o abusivo imposto que ele quer impor Salvador com o aval do grande ACM Neto.

Segue o áudio:

  
No Revista Fórum
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Suíça, Maluf e as denúncias que deixam tucanos aloprados

“Depois, os tucanos fritaram Maluf para assumir o eleitorado conservador”, observa o autor deste texto

Todos sabem que durante anos Paulo Maluf  foi acusado com veemência de ser corrupto. Os movimentos populares em várias eleições usaram o símbolo “ratuf“ para vinculá-lo a corrupção.

Maluf resistiu às denúncias o quando pode. Até que um belo dia as contas na Suíça foram abertas por pressão dos judeus que buscavam recuperar seu dinheiro confiscado pelos nazistas. Oficialmente, a Suíça ficou neutra durante a Segunda Guerra, isso favorecia que o dinheiro roubado dos judeus fosse depositado aí.

Foi nessa operação que a conta blue diamond, que seria de Maluf e seus familiares, acabou sendo revelada.

A conta na Suíça combinada ao péssimo governo do ex-prefeito Celso Pitta e às denúncias de sua ex-mulher Nicéa desembocaram na derrocada eleitoral do malufismo, que não teve mais força para eleger prefeito e disputar o governo estadual.

Esses fatos favoreceram o PSDB em São Paulo. Ajudaram tanto que os tucanos se enraizaram na máquina pública e resolveram fritar Maluf para assumir o eleitorado conservador.

Com a oposição enfraquecida, o PSDB só enfrentou dificuldades fortes em 2002, quando por muito pouco José Genoíno, ex-presidente nacional do PT, não se elegeu governador de São Paulo.

Ou seja, o fator Suíça ajudou — e muito — a consolidar a hegemonia tucana.

Agora, ironicamente, o “fator Suíça” começa a ameaçar o governador Geraldo Alckmin, entre outros tucanos.

O engenheiro João Roberto  Zaniboni, velho conhecido do senador Aloysio Nunes, foi condenado por lavar dinheiro de propina  na Suiça. Ele recebeu, via esquema Alstom, R$ 1,9 milhão de reais.

Zaniboni trabalhou na Fepasa (Ferrovia Paulista S/A). Depois, em agosto de 1993, foi trabalhar na CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), sendo indicado em uma reunião presidida por Aloysio Nunes.

Voltou à Fepasa, onde trabalhou até a sua privatização. Em 1999, retornou à CPTM, ficando até 2003. Aí, fundou a Getran junto Oliver Hossepian, que coincidentemente tinha sido, em 1991, adjunto do secretario de Transportes Metropolitanos Aloysio Nunes.

A Getran também recebeu do esquema Alstom, via Procint e Constech, empresas dos lobistas Arthur e Sérgio Teixeira, que faziam a ponte entre dirigentes das empresas estatais e as do cartel da corrupção, que tiveram R$ 40 milhões bloqueados por decisão judicial.

Segundo matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo, Zaniboni e Ademir Venâncio receberam R$ 33 milhões do esquema entre 2008 e 2013.

Zaniboni e Venâncio dirigiam a Focco Engenharia, empresa que assinou mais de R$ 200 milhões de contratos com o governo paulista, segundo O Globo. Em vários deles, o cartel era pago pelo governo paulista para, em tese, vigiar os contratos ganhos por empresas do próprio cartel. Entre eles, um dos lotes de reformas dos trens que causaram R$ 800 milhões de prejuízo ao erário público e a PPP da linha 8 da CPTM, vencida por empresa do cartel por mais de R$ 2 bilhões.

Zaniboni, porém, continua livre no Brasil. Uma situação, no mínimo esdrúxula, que indica a seletividade do Ministério Público e da Justiça brasileira.

Calcula-se que apenas na Suíça existam aproximadamente R$ 160 milhões de recursos bloqueados. Eles fazem parte do propinoduto tucano.

Esses recursos só voltarão ao Brasil quando Zaniboni e outros membros do esquema forem condenados pela justiça brasileira.

Aliás, dois outros tucanos em maus lençóis são Robson Marinho e Jorge Fagali.

Marinho foi chefe da Casa Civil no Mário Covas e atualmente é conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. Tucanos querem as provas produzidas contra ele na Suíça sejam anuladas e ele fique impune.

Felizmente a Justiça derrubou estes recursos. A as provas contra Marinho e Sabino Indelicato só aumentam, uma vez que os dois continuam sócios, apesar de desmentirem isso na Justiça.

Fagali, ex-secretário dos Transportes de São Paulo, é outro tucano com fortes relações com o senador Aloysio Nunes. Ele movimentou, pelo menos, R$ 28 milhões de recursos desviados que foram desviados para a Europa.

Esperamos, com serenidade, que a Justiça brasileira aja com presteza e confirme os crimes detectados pela Justiça da Suíça. Do contrário, mais uma desmoralização para as nossas instituições.

Esperamos também que as instituições sejam eficientes para recuperar, pelo menos, R$ 160 milhões do propinoduto tucano e punam os responsáveis o mais rápido possível. Estes recursos possibilitariam construir 2 mil casas ou três hospitais de 200 leitos.

Antônio de Souza Lopes da Silva
No Viomundo
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A mídia nutre relação esquizofrênica com a Copa do Mundo

Desenha-se um cenário de Copa no qual, se o Brasil vencer, o bônus será dos jogadores. Se perder, o ônus ficará com o governo

Encerrei o artigo publicado na edição de janeiro da Revista do Brasil com a expressão “2014 promete”. Escrito em dezembro, chamava a atenção para o desespero da oposição, representada pela mídia, na busca de um candidato para as eleições presidenciais deste ano, alertando sobre o previsível “vale-tudo”. A previsão, infelizmente, começou a se confirmar antes mesmo do fim do ano, com o jornalista Elio Gaspari pedindo na Folha de S.Paulo a volta das manifestações de rua, seguido na mesma linha por vários outros comunicadores, até pelo Faustão, na Globo.

Passadas as festas, a carga prosseguiu com a GloboNews mostrando um gráfico sobre inflação que irá para os anais da manipulação jornalística brasileira. Por ele ficamos sabendo que a inflação de 2013, de 5,91%, é maior que as de 2010 (5,92%) e 2011 (6,50%). Disseram depois que foi “erro”, para mim só comparável ao célebre “boimate” da Veja de tempos atrás, quando a revista da Abril publicou uma nota científica sobre a descoberta da criação de um híbrido formado por boi e tomate. A diferença entre os dois “erros” está em seus objetivos. O da Veja antiga era mero sensacionalismo. Já o da GloboNews faz parte de ação política orquestrada, tendo como referência ideológica o Instituto Millenium, articulador da mídia brasileira em torno do pensamento único de raiz reacionária.

Curiosa, no entanto, é a esquizofrenia diante da Copa do Mundo. Ao mesmo tempo que a defende de acordo com os seus interesses mercadológicos, procura incentivar manifestações populares em torno dela, contra o governo, por interesses políticos. Mas pede que sejam feitos de forma “pacífica”, repetindo os chavões de junho passado. Creio até que gestores e mentores dessa mídia torçam contra a seleção brasileira, na esperança de que a derrota crie algum alento à oposição. Ainda que custem um período de relativas baixas nas receitas publicitárias advindas do ufanismo futebolístico.

Se for assim, será mesmo o derradeiro ato de desespero. Foi-se o tempo em que política e futebol contaminavam-se reciprocamente. Não estamos mais em 1950, quando candidatos aos mais diferentes cargos circulavam entre os jogadores da seleção, invencível até começar o jogo final, tentando tirar uma casquinha do prestígio por eles conquistado nos gramados até minutos antes da tragédia do Maracanã diante do Uruguai. Ou da ditadura, em seu momento mais sinistro, durante a Copa de 1970, tentando sufocar os gritos das masmorras com marchinhas do tipo “pra frente, Brasil”.

De lá para cá, o país mudou muito. Foi campeão do mundo mais duas vezes, passou dos “90 milhões em ação” para mais de 200 milhões e, na última década, tornou-se uma das mais importantes economias do mundo. Não há futebol que possa contaminar as conquistas populares como o aumento das redes de proteção social, a universalização do acesso ao ensino fundamental, a expansão do ensino superior e, principalmente, a redução do desemprego.

O “complexo de vira-lata” pregado na testa dos brasileiros pelo escritor Nelson Rodrigues, logo após a derrota de 1950, e que se aplicava não só ao futebol, mas a toda a autoestima do país, desapareceu. Mesmo as mazelas que persistem na insegurança das ruas, no trânsito caótico, na prisões medievais, nas habitações precárias deixaram de ser consideradas destinos manifestos da gente brasileira. Ao contrário, mostram-se como desafios a serem enfrentados e superados pela ação política, institucionalizada ou não.

A mídia tentará, uma vez mais, instrumentalizar essas lutas, juntando-as ao futebol, tanto em caso de vitória como de derrota na Copa. Se vencermos, o mérito será da seleção, se perdermos o ônus ficará com o governo. Serão as últimas cartadas oferecidas por ela ao seus candidatos numa tentativa de utilizar esses temas, neste ano, da mesma forma irresponsável como pôs em debate o aborto nas eleições de 2010. Como disse no artigo anterior, “2014 promete”...

Lalo Leal
No RBA
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Pré-Sal está quebrando a Petrobras


Começou o processo que este modesto blog vem anunciando  há tempos.

Foi interligado ao navio-plataforma Cidade de São Paulo o primeiro dos 22 poços que serão postos em produção nos campos de Sapinhoá, Lula e Lula Nordeste.

Em início de operação, quando o volume ainda é “retido” por razões operacionais, está produzindo 33 mil barris de óleo por dia.

É o maior volume de um único poço no Brasil.

Sozinho, aumenta em 1,5% a produção de 2,1 milhões de barris diários gerada pelos 8.994 poços de petróleo brasileiros, dos quais 745 no mar.

É o primeiro dos nove poços que operarão em Sapinhoá este ano.

Fora os outros 11 de Lula, onde a média de produção está na faixa dos 28 mil barris/dia por poço.

Não vou fazer as contas, porque este processo, para ser seguro e não gerar lambanças como a da Chevron, tem de ser conduzido com prudência e segurança máximas.

Mas está plenamente justificada a expectativa, mostrada aqui, de que a produção da Petrobras cresça acima de 20% até o final do ano.

A Petrobras, aquela que está quebrada, falida, endividada, decaída, fracassada na nossa mídia, será a empresa com maior crescimento de produção no mundo, este ano.

E no ano que vem, de novo.

E também em 2016, 2017…

Porque dezenas de poços já perfurados serão ligados aos navios-plataforma lançados ao mar em 2013 e que serão lançados este ano.

Em 2016, vem o primeiro óleo do Campo de Franco, que é do mesmo calibre de Libra, o campo gigante.

E em 2018 é Libra que entra em operação.

Os cupins da Petrobras vão ser exterminados a óleo.

Vão virar, no futuro, algo útil: hidrocarbonetos, como os microorganismos pré-históricos do pré-sal.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Inteligência golpista dos EUA entendeu como atuar no cenário de redes e ruas

Protesto na Ucrânia: exemplo de processo em rede que partiu para as ruas

Há muito tempo os EUA são o país que mais investe em tecnologias. E ao mesmo tempo é o país que mais faz uso das mesmas para segurança e política externa. Em geral, buscando transformar todo o mundo em um grande quintal de seus interesses.

São milhares os exemplos de como a inteligência tecnológica e midiática são os principais instrumentos para planos de desestabilização capitaneados por Washington. E cada vez fica mais claro que os falcões já perceberam como as redes interconectadas digitalmente podem ser mais eficientes.

Manuel Castells, em A Sociedade em Redes, já prenunciou que as novas disputas seriam de redes contra redes. E que essas articulações e disputas não seriam algo apenas virtuais. Das redes para as ruas as disputas teriam grande impacto político e social.

David Ugarte, num texto de 2004, O Poder das Redes, também falou disso de um outro jeito no capítulo onde trata das Ciberturbas.

E o que estamos vendo hoje é a materialização desse fenômeno. Em alguns casos, de redes cidadãs. Que nascem a partir da força da articulações espontâneas. Por outro lado, processos fabricados. Baseados em descontentamentos reais e de forças reais, mas que são instrumentalizados para ações que têm características de um flash mob desestabilizador. Algo como o que está acontecendo na Venezuela e na Ucrânia.

Ações que se iniciam como processos em rede, partem para as ruas e muito rapidamente já se tornam um palco de guerra. Tanto bélico, como midiático. Os países em questão passam a ter seus governos questionados pela diplomacia dos EUA e seus aliados. E a mídia que se diz profissional, age como empregada dos EUA para difundir a tese de que a democracia está sendo violentada nesses lugares.

Imagens falsas contra Maduro estão sendo distribuídas nas redes sociais.
Acima, a foto no Chile foi divulgada como se fosse na Venezuela
O jogo da política ganhou novos contornos com as novas tecnologias. E, como sempre, os EUA perceberam mais cedo como se disputa no novo cenário. Isso não quer dizer que tudo é preto e branco neste novo modelo. Há dezenas de tons de cinza. As manifestações não são todas golpistas e nem tudo que se articula na internet é coisa do Tio Sam.

É preciso ser muito mais cuidadoso para sair carimbando os movimentos neste novo momento. Mas não se pode negar a existência de uma fábrica de desestabilização de processos políticos. Ela existe. E novamente é operada pelo mesmo centro de operações que levou países a ditaduras em outros tempos.

No Blog do Rovai
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Quem está por trás dos protestos na Venezuela?

Envolvido no golpe de 2002 e representante da elite de seu país, "Leopoldo López representa o que há de mais à direita no espectro político venezuelano" 

Os protestos na Venezuela têm sido apresentados pela mídia comercial como manifestações populares massivas contra o governo Maduro; no entanto, não têm sido discutidos os verdadeiros jogos políticos que elas escondem. Transcrevemos abaixo trecho da entrevista do professor George Ciccariello-Maher*, que dá um panorama da história recente venezuelana e das figuras envolvidas nas tentativas de deposição do governo Maduro.

DemocracyNow: O que está acontecendo na Venezuela hoje?

George Ciccariello-Maher: Está acontecendo um grande evento, que será uma tarefa crucial para o governo de Maduro. É nossa obrigação que analisemos a situação dentro de seu contexto histórico, para entendermos quem está agindo. Se acompanhamos o Twitter, observamos que há uma tendência: neste momento “pós-occupy” e sucessor à Primavera Árabe, toda vez que vemos protestos nas ruas, nós começamos a retuitá-los e a sentir uma simpatia pela causa, mesmo sem saber qual é o contexto dela. Uma vez que analisamos o contexto venezuelano, o que vemos é mais uma tentativa, dentro de uma longa história de tentativas, de depor um governo democraticamente eleito, desta vez se aproveitando de uma mobilização estudantil contra a insegurança e as dificuldades econômicas.

DN: George Ciccariello, quem é Leopoldo Lopez? O Washington Post o descreve como um homem de 42 anos, de esquerda, que estudou em Harvard. O que você sabe da sua história?

GC-M: Dizê-lo de esquerda seria forçar a barra. Leopoldo Lopez representa o que há de mais à direita no espectro político venezuelano. Ele foi educado nos Estados Unidos desde o ensino médio até sua graduação na Harvard Kennedy, ele descende do primeiro presidente venezuelano e dizem que até mesmo do próprio Simon Bolívar. Em outras palavras, ele é o representante desta classe política tradicional que deixou o poder após a Revolução Bolivariana. Em termos de sua história política, seu partido, o Primera Justicia, foi formado por uma intersecção entre corrupção e intervenção norte-americana, corrupção por sua mãe, ao arrecadar fundo fraudulentos de uma companhia de petróleo venezuelana para este novo partido, e pelo outro lado fundos do NED, do USAID, e de instituições do governo norte-americano. Assim que Chávez chegou ao poder, os partidos políticos tradicionais entraram em colapso, e tanto a oposição interna quanto o governo do EUA precisavam criar algum outro veículo para fazer oposição ao governo Chávez, e este partido de Leopoldo Lopez é um destes veículos. Neste momento, até mesmo a liderança anterior do partido, Henrique Caprilles, que foi o candidato para as eleições presidenciais, percebeu que a linha de tomar ações nas ruas na tentativa de depor um governo democrático simplesmente não vai funcionar. No entanto, Leopoldo Lopez e outros líderes, como Maria Corina Machado e Antonio Ledesma, continuam tentando depor o governo.

Leopoldo López, líder da oposição venezuelana.
Foto: Renato Araújo / EBC

DN: O presidente Maduro expulsou três diplomatas norte-americanos, alegando que eles estavam envolvidos no apoio à oposição. Você poderia nos falar sobre isso?

GC-M: O governo Obama continua a financiar esta oposição, até mesmo mais abertamente do que Bush fazia: Obama requisitou fundos para estes grupos opositores, mesmo que eles estivessem envolvidos em atividades antidemocráticas no passado e apesar do fato de López e outros estarem envolvidos no golpe de 2002 e terem participado de ações violentas na época. Dizer que López hoje é um representante da democracia só pode ser uma piada. Há uma questão interessante aqui, a de que o governo venezuelano, se ouvimos as palavras da esposa de Leopoldo López em declarações recentes, agiu para proteger a vida de López, que estava sob ameaças. A maneira pela qual López foi preso foi muito generosa, muito mais do que López foi no passado, quando liderou uma caça às bruxas contra os ministros chavistas que foram espancados em público no caminho da prisão. López pode até mesmo falar em um mega-fone no dia em que foi preso. Podemos nos perguntar: por que o governo de Maduro está sendo tão gentil com ele? Na verdade, preferem que ele seja o líder da oposição porque ele simplesmente não seria eleito, pois ele representa a nata das elites venezuelanas.

DN: O que vemos na mídia comercial é uma Venezuela fora de controle, com altos índices de violência, escassez de comida e inflação altíssima. Qual é sua avaliação da situação do país hoje?

GC-M: Para dizer claramente, a escassez de comida tem sido sim um problema, e a segurança pública é um problema gigantesco na Venezuela. Ambos são problemas profundos que tem a ver com falhas do governo para tratá-los, mas também relação com a ação de vários outros atores. No caso da criminalidade, a infiltração de máfias tem sido muito grande nos últimos anos, e no caso da escassez, o papel de capitalistas que estocam bens de consumo e a especulação da moeda tem sido uma força destrutiva que nos lembra muito o Chile de Allende, onde se tentou destruir a economia como uma preparação para o golpe. Mas, na verdade, este dois fatores que os estudantes tem protestado contra não explicam o porquê destes protestos estarem emergindo, pois os índices de criminalidade estão baixando e a escassez de comida não está nem de longe tão ruim quanto estava há um ano. O que explica o que está ocorrendo agora é que, depois das eleições de dezembro, este foi o momento em que a direita disse “já chega, estamos cansados de eleições, nós vamos às ruas tentar derrubar este governo”, mas neste meio tempo, os movimentos revolucionários venezuelanos, as organizações populares, que são no fim das contas a base deste governo, que nunca teve apenas como base Chávez ou Maduro enquanto individuos, mas sim milhões e milhões de venezuelanos que estão construindo uma democracia mais profunda e mais direta, construindo movimentos sociais, organizações, conselhos de trabalhadores, conselhos estudantis, conselhos de camponeses, estas pessoas estão continuando a luta, estão defendendo o governo Maduro, e estes protestos que estão ocorrendo principalmente nas regiões mais ricas de Caracas, a Beverly Hills de Caracas, não as fará desistir desta tarefa.

DN: E o papel dos EUA?

Os EUA continuam a financiar a oposição. Acho que no futuro, como costuma acontecer, nós teremos acesso às informações do grau de envolvimento dos EUA no financiamento à oposição venezuelana. Na realidade, esses protestos são um cálculo errado por parte da oposição, não parece que os EUA teriam dito à oposição para tomarem este caminho, pois ele não parece ser muito estratégico. Sabemos que esta é uma oposição em contato direto com a embaixada norte-americana, que recebe fundos do governo dos EUA, mas este é o movimento de uma oposição venezuelana autônoma que vai, como parece, novamente desmoronar.

Você pode conferir o vídeo da entrevista completa no site do DemocracyNow



(*) Professor da Drextel University e autor do livro  “We Created Chávez: A People’s History of the Venezuelan Revolution” (Nós Criamos Chávez: Uma História do Povo da Revolução Venezuelana)

Tradução de Roberto Brilhante
DemocracyNow
No Carta Maior
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Há um "golpe em gestação" para tomar o petróleo da Venezuela, diz embaixador no Brasil

Diego Molero, ex-ministro da Defesa, diz que grupos de ultra-direita estão sendo financiados pelos EUA para derrubar Maduro

O embaixador da Venezuela no Brasil, Diego Molero, entra em seu escritório, na embaixada venezuelana em Brasília, segurando dezenas de cópias de montagens feitas com fotografias, disseminadas pela web. “Veja: essas fotos não foram tiradas na Venezuela, mas em países como Egito, Chile e até o Brasil”, fala, enquanto passa as páginas, antes de começar a entrevista exclusiva com Opera Mundi.

Veja trechos da entrevista, em espanhol:


Ele lamenta o que o governo venezuelano classifica de “guerra midiática” e critica informações disseminadas por meios de comunicação de seu país e internacionais, que acusam o presidente Nicolás Maduro de reprimir manifestantes e não permitir a liberdade de imprensa. “Se há um país, se há um governo, que realmente respeitou, respeita e continuará respeitando os direitos humanos de sua população, é o venezuelano”, diz.

Molero: "temos uma força armada que não vai permitir, sob nenhum conceito, que o fio constitucional seja rompido" na Venezuela

O diplomata, com uma carreira militar de mais de 35 anos, recebeu Opera Mundi para comentar a atual onda de violência na Venezuela, desatada após três pessoas morrerem e mais de 60 ficarem feridas durante uma manifestação da oposição em Caracas, em 12 de fevereiro. Na conversa, repudiou a ação do que chama de grupos radicais, liderados principalmente pelo dirigente opositor Leopoldo López, do partido Vontade Popular, detido nesta terça-feira (18/02).

Segundo ele, o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe e os Estados Unidos estão por trás dessas ações violentas, sendo que o objetivo principal é a posse do petróleo venezuelano. De acordo com a Opep (Organização do Países Exportadores de Petróleo), a Venezuela tem as maiores reservas de petróleo do mundo, com 296,5 bilhões de barris em seu solo. “Sabemos que temos mais de 120 anos de petróleo e os EUA, 20, e essa é uma realidade que eles visualizam”, salienta.

Ministro da Defesa de outubro de 2012 a julho de 2013, período marcado pelo retorno do presidente Hugo Chávez a Cuba para se tratar de um câncer e, depois, seu falecimento em 5 de março do ano passado, Molero garantiu que as forças armadas da Venezuela estão preparadas para uma eventual situação de quebra da ordem constitucional. “Hoje temos uma força armada humanista, que é do povo, e para o povo, e está estabelecida para apoiar seu povo”, sublinha.

Leia os principais trechos da entrevista e assista ao vídeo. As imagens foram captadas pela equipe do UOL Notícias.

Opera Mundi: Muitos meios de comunicação e a oposição estão acusando o governo venezuelano de reprimir com violência as manifestações no país. O que está acontecendo na Venezuela e quem está por trás dos protestos?

Diego Molero: Se há um país, se há um governo, que realmente respeitou, respeita e continuará respeitando os direitos humanos de sua população, é o venezuelano, dirigido pelo nosso presidente Nicolás Maduro Moros e todos os funcionários lá. Esse é um legado do nosso comandante Hugo Chávez Frías. Eu posso te dizer, como anunciou o presidente, que o que está acontecendo na Venezuela nada mais é do que um golpe de Estado em gestação. Um golpe de Estado liderado por membros radicais da oposição.

Na oposição ao governo venezuelano há pessoas dignas, respeitáveis, que vêm fazendo sua política enquadrados no que está na Constituição, suas leis, regulamentos. Mas há pequenos grupos radicais, entre esses o de Leopoldo López e outros personagens, apoiados por Álvaro Uribe e por outros elementos que querem que a revolução acabe, apoiados principalmente por meios de comunicação internacionais que tergiversam a verdade.

Um grupo de estudantes brasileiros veio até a embaixada pedir que os diretos humanos dos estudantes seja respeitado e, foram embora, além de contentes [com o diálogo], indignados por ver como os meios de comunicação internacional os têm enganado.

Quando os meios fazem montagens, com fotografias, não estão desrespeitando somente o leitor, mas o povo venezuelano. O que esse lacaios do império norte-americano nada mais fazem é usar o dinheiro que lhes dão para alcançar o poder por interesses não humanistas. O interesse, realmente, é o grande potencial energético que a Venezuela tem e, assim como os EUA fizeram em outros países petroleiros do mundo, querem fazer lá.

Quando escutamos um personagem como Leopoldo López, que convoca os manifestantes a provocar ações hostis, até que o governo saia...

Eu quero dizer ao mundo inteiro que o meu país é um país democrático, que se guia pela Constituição. Se o povo venezuelano, e aqueles políticos conscientes, querem chegar ao poder, aí está o jogo político democrático, através das eleições. Quando eu convoco um povo, um grupo muito específico, a que tome ações contra o governo até que ele saia, o que estou pedindo? Ações fora do contexto constitucional, um golpe de Estado.

Esse senhor Leopoldo López nada mais é do que um golpista, um ressentido, que obteve toda essa fortuna por meio de sua família, do que era a empresa petroleira. Hoje ela é uma empresa que utiliza seus dividendos para o povo, para ações sociais. Eles querem pôr as mãos no que já não é deles e, de fato, não estão buscando as vias constitucionais, mas uma via golpista. Esse elemento está sendo apoiado por Álvaro Uribe e pelo governo imperialista dos EUA.

Efe
Membro da Polícia Nacional Bolivariana conversa com manifestantes da oposição venezuelana, durante protesto em Caracas

OM: A oposição também fala de presos políticos.

DM: Quando escutamos o subsecretário adjunto para a América Latina do Departamento de Estado Alex Lee, seus comentarios feitos a nosso embaixador Roy Chaderton [embaixador da Venezuela na OEA], onde ele diz que a Venezuela deve soltar os presos. Quais presos? Esses são presos que foram submetidos à autoridade, à justiça venezuelana, porque assassinaram alguns, são criminosos, assassinos, que destruíram bens dos Estado, da municipalidade e provocaram outros danos. Se é verdade que no dia 12 [de fevereiro] uma grande manifestação de um grupo de estudantes que livremente foram fazer pedidos ao governo, também é verdade que um pequeno grupo, que é pago por esses políticos ultra-radicais de direita, foram chamados a cometer atos violentos. E o que fizeram? Queimaram a Promotoria, destruíram carros. Agora pergunto: realmente a polícia reprimiu um grupo estudantil quando até veículos deles foram queimados? É ilógico. Dos mais de 60 feridos, a maioria é de funcionários da segurança, que dignamente  estavam protegendo os manifestantes e que foram agredidos. Atuaram civicamente e humanisticamente para conter as ações agressivas e criminosas desses grupos fascistas. Não são presos políticos, são delinquentes, que atuaram contra o que estabelecem nossas leis.

E esse Alex Lee ainda pede que o governo dialogue com a oposição. Perdão, mas somos um país digno, livre, e isso fica a critério do governo. Nenhum país pode fazer ingerência sobre nossa política.

OM: O senhor confia nas forças armadas venezuelanas?

DM: Com suficiente base, e suficientes elementos, posso te responder. Eu estive nas forças armadas por 35 anos, onde ocupei cargos como comandante de regiões estratégicas, como comandante geral da armada e ministro da Defesa e posso te dizer que vi muito de perto a transformação levada a cabo por nosso comandante supremo da revolução Hugo Chávez Frías, com nossas forças armadas bolivarianas. As forças armadas de Chávez nem se parecem, nem remotamente, às da Quarta República. Hoje temos uma força armada humanista, que é do povo, e para o povo, e está estabelecida para apoiar seu povo.

Mas também está claro que é uma força armada que não vai permitir, sob nenhum conceito, que o fio constitucional seja rompido e isso já demonstramos. Digo isso porque estive no grupo que resgatou a dignidade, no golpe de Estado de 2002. Quando esses mesmos grupos, com o mesmo roteiro que estão usando hoje em dia, derrubaram o governo de Hugo Chávez. Mas o povo, e esse é um fato inédito, saiu junto com as suas forças armadas, para resgatar sua dignidade.

Hoje em dias as forças armadas estão mais sólidas, firmes e comprometidas com seu povo e a Constituição, do que nunca. Por isso tenho certeza que não só as forças armadas estão capacitadas, fisicamente, mas também moralmente e espiritualmente para defender a Constituição da República.

OM: Não há o risco de que setores se levantem contra o governo, como aconteceu em 2002?

DM: Há uma diferença entre 2002 e agora. Naquela época, ainda restavam redutos da Quarta República. Hoje em dia, todos os generais e almirantes são filhos de Chávez. E há um fenômeno no qual, à medida que a pirâmide vai baixando, quanto mais baixo, maior é a fortaleza de espírito, de compromisso desses soldados, desses sargentos, com seu povo, Constituição e presidente eleito.

Opera Mundi

Molero: mesmo roteiro que está sendo desenvolvido atualmente na Venezuela já foi visto em outros países com petróleo

OM: Nesse contexto de “guerra midiática”, o que deve ser feito pelo governo venezuelano?

DM: A Venezuela mudou sua política de ação comunicacional. Os meios do Estado, nesse caso a VTV, e também a TeleSur, transmitem a verdade constantemente, não somente sobre a Venezuela, mas sobre o mundo.

Hoje o venezuelano não é como o de antes, que quando colocavam uma situação nos meios de comunicação, acreditava cegamente. Hoje em dia, o venezuelano vê, procura, analisa, estuda, verifica essas mentiras estúpidas e brutas, nas quais os meios querem que o mundo acredite.

Há um caso para ser analisado. Existe um grupo juvenil no meu país chamado JAVU (Juventude Ativa Venezuela Unida), financiado pelo império norte-americano. Por aí se diz que receberam mais de 80 milhões de dólares. Inclusive, há elementos e provas que demonstram que a oposição venezuelana – esses grupos radicais – receberam mais de 120 bilhões de bolívares, uma soma impressionante. Quando se vê que esses supostos estudantes, que levam panfletos onde se lê “A Venezuela precisa de você. Mate um chavista”. Mate, assassine um chavista!

Os chavistas e os não chavistas são todos irmãos. Eu amo os chavistas, mas também todos os meus concidadãos venezuelanos. Quem incita, quem inculca em seus seguidores esse sentimento de matança, de ódio, criminoso, são esses elementos da oposição. Um chavista é um venezuelano, um irmão deles. No entanto, jamais verão aqueles que apoiam o governo revolucionário com esse tipo de atividade. Apesar de tergiversarem a verdade, ela sempre será conhecida.

Efe (19/02/2013)

Grupo de pessoas caminha próximo a uma barricada montada em manifestação opositora na avenida Rómulo Gallegos, em Caracas 

OM: Como o senhor qualifica a importância do apoio dos países latino-americanos, especialmente os que estão reunidos em torno da Unasul e Mercosul?

DM: Nós temos alianças com muitos países do continente americano, do Caribe, inclusive com outros países do mundo. Nesse caso, quero que saibam do que está acontecendo. De fato, os governos sabem e se preocupam, são aliados. Vimos uma infinidade de manifestações de governos amigos, do Mercosul, Celac, Alba, seus gestos de solidariedade com a democracia , com a atual situação que vive a Venezuela. É importante também que, além dos governos, isso seja conhecido a nível de povo, que saibam da realidade do que está acontecendo na Venezuela. E que sirva também de exemplo para esses países, para que no futuro sirva de experiência para todos os países, não só da região, mas para todos os países do mundo. Porque esse mesmo roteiro que está sendo desenvolvido atualmente na Venezuela já foi visto em outros países, especialmente naqueles que têm grande quantidade de petróleo e foram invadidos pelos EUA.

OM: O senhor acredita que o que está acontecendo na Venezuela faz parte de um plano global de desestabilização? Vocês têm medo que a situação possa se tornar parecida com a da Ucrânia ou Síria?

DM: Esse roteiro foi utilizado na Ucrânia, na Síria, em outros países, como Iraque, Líbia, onde vimos supostas agressões e ações do governo contra que povo que, depois da invasão da OTAN, ou no Iraque, dos EUA, se mostraram falsas. E a Venezuela não escapa dessa realidade, porque temos petróleo. Quais são os países que foram assediados pelos governos norte-americanos? Os países que têm petróleo. Ou os países que são progressistas, de esquerda, vistos como mau exemplo para a hegemonia que eles realizam no mundo. Nós, não é que temos medo. Nós nos cuidamos para que não aconteçam situações similares às que ocorreram nesses lugares. Como eu, há mutos venezuelanos no mundo mostrando a realidade do que acontece no nosso país. O povo e as forças armadas jamais vão permitir que se caia numa situação que nos afete e nos leve a uma situação adversa. Sabemos que temos mais de 120 anos de petróleo e os EUA, 20, e essa é uma realidade que eles visualizam.

No Ópera Mundi
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Maduro: la derecha internacional quiere dividir a América Latina

Maduro indicó que esta violencia es la misma que corrientes de la derecha están emprendiendo en la región para tratar de dividir a los Gobiernos de América Latina, y a su juicio, lo está logrando.

El jefe de Estado venezolano hizo un llamado a Estados Unidos,
para que abran un diálogo abierto y de altura
Foto: AVN
El presidente venezolano, Nicolás Maduro, indicó este viernes que su Gobierno se está enfrentando a la "tremenda campaña que busca generar la violencia en Venezuela".

En un encuentro con medios internacionales reiteró las denuncias de una campaña mediática en contra de la Revolución Bolivariana, "ha permeado la idea de que grupos de estudiantes están incendiando Venezuela y el país está al borde de una Guerra Civil (...) esto es lo que muestran algunos canales internacionales como CNN, Telemundo, Univisión, Fox New".

Maduro indicó que esta violencia es la misma que corrientes de la derecha están emprendiendo en la región para tratar de dividir a los Gobiernos de América Latina, y a su juicio, lo está logrando. "El presidente Juan Manuel Santos (Colombia), el presidente Sebastián Piñera (Chile) y el presidente Ricardo Martinelli (Panamá) se están dejando llevar por la presión del Departamento de Estado de EE.UU."

"Hay una campaña mundial contra el país; es el acompañamiento para justificar la intervención de alguna fuerza en los asuntos internos de Venezuela”. Alertó al Gobierno de Estados Unidos. “Creen los planificadores en el Pentágono, quienes tienen el poder allá, y no me refiero a Obama; que desde que enfermó el presidente Chávez es el momento”.

“Convoco a un diálogo presidente (Barack) Obama, yo designo al canciller Elías Jaua y usted envíe a John Kerry. Acepte el reto, pues”, exhortó el dignatario venezolano.

Añadió que la conversación podría servir para gestar un cambio, porque “Obama decide qué hace (..) porque Obama tiene la decisión de cambiar la historia en América Latina y el Caribe”.

El mandatario volvió a hacer un llamado a la prensa internacional ante los constantes ataques de la derecha en contra de las instituciones del Estado, se refirió específicamente al caso de la destrucción de las instalaciones del Consulado de Aruba, Curazao y Bonaire. "Estamos esperando la respuesta del Gobierno de Holanda, para que explique por qué no atendió nuestras advertencias del asedio a la que había sido sometido el personal venezolano".

El dignatario expuso una cronología de los hechos violentos suscitados en el país. "Un grupo comenzó el asedio e intento generar violencia desde la Serie del Caribe, cuando atacaron violentamente el hotel donde se alojaba la delegación cubana que participó en el evento deportivo".

Maduro indicó que han sido detenidos parte de los funcionarios que usaron armas en las protestas donde participaron los grupos fascistas. “Los que son funcionarios públicos los entregué inmediatamente. Apenas vi las fotos los mandé a detener. Apenas la Fiscalía me los pidió los entregué con armas y todo”, añadió el Presidente.

Comando antigolpe

El dignatario venezolano comentó además que durante una reunión con el comando antigolpe, evaluaron estrategias para definir como enfrentar a los guarimberos violentos, y acusó al General Carlos Peñaloza, residenciado en Miami (EE.UU.) de financiar la violencia en el país.

“Cobarde es que eres tú Peñaloza, parásito y burgués que eres. De allá es que vienen los dólares para financiar estos grupos”, aseveró Maduro.

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