21 de fev de 2014

Governo do PSDB investe em energia elétrica. Mas é para a Colômbia…


O PSDB caiu de pau sobre o Governo Dilma por fazer empréstimos para a construção do Porto de Mariel, em Cuba.

Empréstimo, para ser pago, e condicionado à compra de serviços e produtos brasileiros.

Segundo os tucanos — ah, não esqueçamos, também na opinião de nossa especialista em economia, Raquel Sheherazade — há muito em que investir aqui, onde estamos cheios de necessidades.

Por isso, é muito interessante que alguém vá perguntar a Aécio Neves, chefe político do Governador Antonio Anastasia. de Minas, porque é que a Cia de Eletricidade mineira, a Cemig, vai comprar parte de uma companhia de geração de energia… na Colômbia.


Será que está sobrando energia no Brasil?

Será que estão sobrando linhas de transmissão, como a que  Cemig está construindo entre as cidades chilenas de Charrúa e  Temuco?

Como todos sabem, o Brasil está vivendo um momento de fartura energética, não é?

A Cemig, há um ano, devolveu a concessão de 18 usinas, por não concordar com as regras do Governo Federal que reduzia o preço para o consumidor.

E o consumidor da Cemig paga uma das energias mais caras do Sudeste, repicadas com o maior ICMS sobre energia do Brasil.

Mas tem dinheiro para investir lá fora.

Não faço considerações sobre as eventuais vantagens comerciais da operação. Pode ser lucrativa para a Cemig e ela, como qualquer empresa brasileira, pode e deve investir onde for interessante.

Mas é evidente a hipocrisia tucana, que pratica tudo aquilo que condena no Governo Federal. E com o imenso agravante de que, com essa operação não  se gere um benefício sequer para o Brasil, como ocorre nos contratos com Cuba.

Fernando Brito
No Tijolaço
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O choro é livre


9º Balanço do PAC2

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Hora de dizer a verdade para Clóvis Rossi


O jornalista Clóvis Rossi, um dos mais respeitados do país, escreveu ontem, na Folha de S.Paulo, artigo intitulado “Hora de dizer a verdade a Maduro”, criticando a posição atual do governo brasileiro acerca da crise venezuelana. Seu texto considera, a partir dos números das últimas eleições presidenciais, que o vizinho ao norte está “rachado ao meio”. E conclui: apoiar o presidente Nicolás Maduro seria “dar às costas à metade da população venezuelana, erro que nenhum país sério pode cometer.”

Traz vício de origem o apelo à neutralidade e a eventual papel moderador que poderia desempenhar a diplomacia brasileira. Rossi, com a elegância de sempre, mas desconhecimento sobre o assunto, parece estar abordando situação normal de conflito. Como se fosse, por exemplo, uma competição eleitoral ou um rally pacífico de setores oposicionistas.

O venerando repórter atropela o próprio registro que encabeça sua coluna, ao lembrar do golpe de Estado que derrubou Hugo Chávez em 2002, para vender versão edulcorada e neutra dos acontecimentos em curso, insinuando que se trata de um choque legítimo entre blocos políticos.

Nem mesmo o governador de Miranda e ex-candidato presidencial da direita, Henrique Capriles, acredita nessa lorota. Faz questão de manter distância regulamentar da aventura extremista apelidada de la salida pelos white blocs do golpismo venezuelano. Ali está em curso, novamente, operação violenta e articulada para apear do poder um presidente constitucional.

Não pode haver hesitação quando está em jogo a democracia. Defender a legalidade e a soberania popular é a tarefa fundamental dos governos da região, a começar pela mais importante de todas essas nações. A presidente Dilma Rousseff, ao subscrever nota incisiva do Mercosul e declaração inequívoca da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), dá demonstração de grandeza e liderança. Contemporizar com o golpismo, como sugere Rossi, seria atitude pusilânime e apequenada.

Os interesses que se movem nas sombras do vandalismo oposicionista são tão perigosos quanto os objetivos dos grupos ensandecidos que fantasiam tomar Miraflores de assalto. A guerra cibernética e midiática, manipulando informações e imagens, sinaliza que o discurso de Barak Obama, alinhado à intentona da direita, não se esgota no palavrório. A Casa Branca dá sinais que considera a derrocada de Maduro, já e agora, um componente fundamental de sua geopolítica para o petróleo e a América Latina.

O silêncio brasileiro, portanto, não seria apenas desfeita à causa democrática que tanto sangue, suor e lágrimas custou ao continente. Nações que desejam construir caminhos autônomos, em aliança com seus parceiros naturais, devem ter na solidariedade uma política de Estado. Fraquejar nessas horas significaria retirar os sapatos diante de quem aspira retornar à época em que esse canto do mundo aceitava ser o quintal de uma potência imperialista.

Por fim, a tese da “divisão ao meio” é falácia para subtrair legitimidade de um governo soberano. Desde quando uma pequena diferença eleitoral torna iguais quem ganhou e quem perdeu na escolha popular? Está correto um jornalista do calibre de Clóvis Rossi omitir que o chavismo venceu 17 das 18 contendas eleitorais que travou desde 1998? Que elegeu 20 dos 23 governadores nas últimas disputas regionais? E 75% dos prefeitos em consulta às urnas há menos de três meses?

O presidente Nicolás Maduro tem reagido com firmeza e equilíbrio para deter a onda de violência e os planos de sublevação. Cumpre obrigação de preservar a democracia e a paz como manda a lei, mas sua aposta principal é convocar às ruas seus compatriotas, em defesa da Constituição. Estende as mãos para quem não compactua com o golpismo, ao mesmo tempo que promete ser implacável contra os que quiserem usurpar o poder pela força.

Não poderia ser outra a atitude do governo que não ombreá-lo na resistência legalista. As correntes reacionárias podem reclamar o quanto quiserem, e Clóvis Rossi pode lhes oferecer consolo, mas a Venezuela não está isolada como o Chile de Allende ou o Brasil de João Goulart, a bel prazer dos que almejam destruir as instituições democráticas.

Breno Altman
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Alô, MP! Vocês não processaram Lula por ter mandado carta a aposentados? E nada pro Aécio no contracheque?


Todo mundo sabe que o Ministério Público, sob a acusação de improbidade administrativa, representou contra o ex-presidente Lula por uma correspondência que que se comunicava aos aposentados que eles tinha direito a contrair crédito consignado em sua folha no INSS.

Por conter o nome, não seria “impessoal”.

Claro que é uma bobagem e o processo foi extinto, sem sequer ter o mérito julgado. O MPF, ao que sei, está recorrendo.

Muito bem, pode ser excesso de zelo, embora seja uma estupidez querer achar que isso é improbidade.

Mas é de indagar porque o valoroso Ministério Público não fez o mesmo com outras autoridades que subscreveram mensagens a servidores.

Um leitor envia-me um contracheque do governo mineiro, em 2003, com uma mensagem muito otimista do então governador, Aécio Neves, relatando as conquistas de sua gestão e prometendo benefícios futuros.

Não havia, como se lê, nenhum fato concreto a anunciar, apenas a autolouvação, certamente que merecida, por se tratar de algo positivo para os servidores, como era o acesso dos aposentados ao crédito consignado.

Não acho nada demais, diga-se logo, porque é legítimo usar as possibilidades de comunicação entre governante e servidores, aposentados, pensionistas, contribuintes ou todos que tenham relação econômica com governos.

Ninguém diria nada se isso fosse feito com um anúncio ou uma nota oficial publicada, a peso de outro, na imprensa.

Mas seria bom que o Ministério Público usasse os mesmos pesos e medidas para todos, não é?

Ou será que as “gavetas erradas” são seletivas?

Fernando Brito
No Tijolaço
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A insidiosa perseguição ao PT e aos movimentos sociais

A perseguição insidiosa da grande mídia sobre o Partido dos Trabalhadores é ideológica. Esses veículos são os mais puros representantes do conservadorismo anti-popular.

Vértice estimuladora dos protestos contra a copa do mundo essa mesma mídia mudou de tom depois do episódio que vitimou tragicamente o cinegrafista da Rede Bandeirantes: Santiago Andrade.

Seguindo a velha toada engendrada pelo status quo, setores atrasados e conservadores do Congresso Nacional, como sempre de afogadilho, tentaram empurrar goela abaixo do país uma marota lei anti-terrorismo.

As forças de esquerda escaldadas pelo passado autoritário e excludente das elites brasileiras não embarcaram nessa. Nascida no intuito de punir as atitudes tresloucadas e criminosas dos Black Blocs, essa lei serviria depois para enquadrar os movimentos sociais, pondo em risco, aí sim, o estado democrático de direito.

Claro que essa forma de atuação, — Black bloc —, cujo objetivo ostensivo é o ataque ao patrimônio público e privado, a promoção do caos e o impedir o ir e vir das pessoas é intolerável. Sem dúvida um ou outro ajuste na legislação penal bastaria para frear a dinâmica operacional desses arruaceiros de ocasião.

O que não se pode é usar da comoção social para que, espertamente, venha a velha mídia e seus arautos criminalizarem os verdadeiros e legítimos movimentos sociais.

Modismo de ocasião, essa tática Black Bloc, que usa de subterfúgios como máscaras para poder depredar e não ser reconhecido tem aparecido em várias partes do mundo, tendo pontificado na América Latina, notadamente, no Brasil, na Venezuela e na Argentina. Sempre se pondo do lado contrário das forças democráticas e populares, sob a roupagem da “negação da política”.

Enquanto pareceu útil e serviu para desgastar os governantes da chamada base aliada, essa tática era tolerada. Quando se percebeu que a imensa maioria da população brasileira não estava nessa, a mídia como comumente se diz “virou a chave”.

Escaldados por anos de lutas contra a tragédia social brasileira e a submissão pela exclusão das camadas mais pobres, a esquerda brasileira não se deixa enganar. Todos sabem que não se resolveria essa imensa disparidade de rendas e riquezas, que coloca o nosso país como uma das economias mais desiguais do planeta, em tão pouco tempo. A estrada é longa, por isso querer anarquizar com a copa do mundo, cavalgando falsos pretextos é jogar contra a imagem e os interesses da nação.

Toda a sorte de intrigas e calúnias é disparada sobre as forças de esquerda. Não se curvar aos ditames desse consórcio das classes dominantes é o que se deve fazer!

O círculo virtuoso do Brasil nos governos Lula e Dilma, nos quais tanto se investiu em políticas públicas de caráter social, está deixando os recalcitrantes em polvorosa. Eles tentam iludir a população e não conseguem. O estigma da derrota já bate à porta e pelo histórico golpista dessas forças todo cuidado é pouco!

Alberto Cantalice, vice-presidente do Partido dos Trabalhadores
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Venezuela, 2014: “EUA apoiaram os opositores violentos”


Filha de família venezuelana, Eva Golinger nasceu em New York em 1973. Premiada várias vezes por suas pesquisas acadêmicas, estuda atualmente a ingerência dos EUA na Venezuela e em outros países da América Latina. É conhecida por seus livros, dentre outros El código Chávez y La agresión permanente, [1] no qual decifra a vinculação das agências norte-americanas USAID e NED com várias tentativas de desestabilizar a Venezuela. Tiempo Argentino (TA) entrevistou-a, com exclusividade, para ouvir sua opinião sobre os eventos recentes na Venezuela, as semelhanças com a tentativa de golpe de estado de 2002, diferenças na oposição, solidariedade continental com o governo de Maduro e a ligação entre esses fatos e o momento econômico pelo qual a Venezuela está passando.

TA – Depois da violência durante uma manifestação da oposição, o oficialismo rapidamente denunciou que Leopoldo López, ex-prefeito de Chacao e que, em 2002, assinou o Decreto Carmona, estava por trás daquilo. O Decreto Carmona suprimiu as garantias constitucionais e “formalizou” o golpe de Estado. Qual sua opinião sobre tudo isso? A senhora vê alguma relação entre o golpe de 2002 e o que houve 4ª-feira passada (12/2/2014)?

Leopoldo López
Eva Golinger – Há semelhança muito contundente entre o que se passa hoje na Venezuela e o golpe de Estado em abril de 2002 contra o presidente Hugo Chávez. Por exemplo, durante o golpe de 2002, os veículos da imprensa-empresa privada tiveram papel protagonista, distorcendo os fatos e “desnoticiando” o que se passava no país, tanto nacional como internacionalmente, para justificar qualquer tipo de ação contra o governo. Usaram franco-atiradores para matar chavistas e opositores nas ruas durante as manifestações, e tudo passou a ser manipulado para responsabilizar o governo pelo massacre.

O governo dos EUA condenou imediatamente o governo de Chávez, condenação que se baseou nas mentiras publicadas, e também imediatamente reconhecer o governo dos golpistas, que só permaneceu dois dias no poder, de 11 a 13 de abril. De fato, Washington havia apoiado o golpe desde o início, inclusive com dinheiro para os grupos envolvidos, e ajuda de equipamentos militares e de estrategistas políticos e de comunicações.

Agora, se vê algo parecido com os veículos da imprensa-empresa privada na Venezuela, e também os meios internacionais, que mentem sem parar sobre a violência, culpando o governo de Nicolás Maduro por tudo que acontece, quando, na realidade, são os manifestantes da oposição que estão provocando toda a violência. Nas manifestações de 12/2/2014 houve três mortos, opositores e chavistas. As autoridades venezuelanas já informaram que dois desses jovens – um chavista e um opositor – foram mortos por tiros que partiram da mesma arma. É claro que isso sugere a presença de um franco-atirador ou de um agente infiltrado para matar gente dos dois lados e, assim, provocar mais violência de um lado contra o outro.
Nicolás Maduro caminha com o povo venezuelano
Já se sabe também que os veículos internacionais estão divulgando imagens de protestos e atos de repressão em outros países (Grécia, Cingapura, Chile, Egito, Argentina – em 2001) e noticiando que seriam imagens da Venezuela, para divulgar uma falsa imagem do governo venezuelano como repressor.

Mas o governo dos EUA apoiou os opositores violentos desde o início – com dinheiro e apoio político. O Departamento de Estado já fez declarações “condenando” o governo de Maduro por uma suposta repressão contra os manifestantes e exortando que “respeite os seus direitos humanos”.

Nada poderia ser mais hipócrita, porque nos EUA o estado jamais permitiu manifestações tão violentas como as que a oposição está fazendo na Venezuela, bloqueando estradas, destruindo edifícios públicos, queimando lixo e pneus nas ruas, lançando coquetéis molotov.

 
Os envolvidos nas atuais manifestações e em abril de 2002 também são os mesmos. Gente como Leopoldo López, radical de extrema direita, que sempre esteve por trás de atos de violência contra o governo Chávez, agora contra o governo de Maduro. Em abril de 2002, López era prefeito de Chacao, em Caracas. Hoje, ele e outra dirigente da extrema direita, María Corina Machado – que também estava ativa no golpe de 2002 e assinou o decreto do ditador Pedro Carmona, que dissolveu todas as instituições do país – são os responsáveis pela “nova” violência. Passaram meses convocando seus seguidores para tomarem as ruas e derrotar o presidente Maduro. Disseram, até, publicamente, que a saída para o governo não é “eleitoral”.

A grande diferença entre 2002 e hoje são os personagens das ações: hoje são grupos de jovens e estudantes; e em 2002 eram os próprios políticos que antes haviam estado no poder. Sim, os jovens opositores vem, principalmente, da classe média e da classe alta. Não estão na rua para lutar por direitos populares. O que querem é tomar o poder do povo para “devolvê-lo” às grandes empresas e às elites ricas. E muitos deles fizeram parte de ONGs que recebem centenas de milhares de dólares das agências de Washington ao longo dos últimos sete anos, com o objetivo de treiná-los e formá-los nas táticas e estratégias de desestabilização, para derrotar o governo e pôr aqui um governo que favoreça os interesses dos EUA.

TA – Depois dos eventos da 4ª-feira (12/2/2014), vê-se que a oposição conservadora parece seguir duas linhas diferentes. Uma, pode-se dizer, “mais dialoguista”, com Capriles e Falcón, que denunciam o governo, mas têm medo de voltar às ruas; e outra, ainda mais de direita, encabeçada por López e Machado, que quer continuar com os protestos e a confrontação. A que se deve essa mudança na tática de alguns setores da oposição, depois da derrota de dezembro passado? Terão escolhido “outra via” para tentar derrotar Maduro?

Eva Golinger – Sempre houve divisões entre os setores da oposição. Eles não são partido unido, nem partilham a mesma ideologia, como é o caso dos chavistas e do chavismo. Há mais de 20 partidos diferentes na oposição, além das ONGs e outros grupos, cada um com agenda própria. A única ideia comum a todos é o desejo de derrubar o chavismo, agora o governo de Nicolás Maduro. Mas daí a apresentar qualquer alternativa de governo ou modo de governar, que reúna todos esses grupos, não, não há, e jamais houve, em 15 anos.

Henrique Capriles
Então vivem a operar táticas diferentes, novos “alinhamentos” para a “luta” política deles. Faz alguns meses, Capriles levou seus seguidores à mais extrema violência, quando foi derrotado nas eleições presidenciais, e Maduro foi eleito, em abril de 2013. Mas quando a ação dele resultou na morte de 11 pessoas e teve alto custo político para ele, Capriles baixou o tom. Outros, como Antonio Ledezma, atual prefeito metropolitano da Grande Caracas, que também já tentou convocar golpes, agora está interessado em não perder o poder que tem hoje, para talvez concorrer à presidência, daqui a alguns anos. Quer dizer: cada um tem sua própria agenda.

López e Machado estão mais desesperados: os dois querem ser presidentes “já”; mas a verdade é que têm poder político muito limitado.

TA – A Chancelaria da Venezuela recebeu inúmeras manifestações de solidariedade com a Revolução Bolivariana, ante os eventos desses dias. Argentina, Brasil, Equador, Bolívia, Nicarágua e Cuba manifestaram seu apoio ao governo de Maduro, contra as tentativas de “desestabilizá-lo”. A senhora acredita que o momento político da América Latina e Caribe, com maioria de governos pós-liberais, torna menos provável um golpe de estado na Venezuela?

Eva Golinger – Acredito que, certamente, a união, a força, a consciência da própria soberania que se vê hoje na América Latina, graças aos esforços e ao impulso que lhes deu o presidente Hugo Chávez, serve como principal anteparo e como proteção para os governos democráticos da região. As mostras de solidariedade e apoio, vindas de países da região, ao governo de Maduro comprovam essa força. E não é a primeira vez que a união e a solidariedade regional impedem um golpe de estado por aqui, contra governo progressista: já aconteceu na Bolívia em 2008 e no Equador em 2010. Agora, o apoio oferecido à Venezuela mostra que a região não aceitará outro golpe ou ruptura constitucional contra governo democrático, e isso é muito importante.

O MERCOSUL repudia a tentativa de golpe

Os Estados-membros do MERCOSUL emitiram comunicado conjunto sobre a situação na Venezuela, no qual
(...) repudiam todo tipo de violência e intolerância que visem a atentar contra a democracia e suas instituições, qualquer que seja a origem. Reiteram seu firme compromisso com a plena vigência das instituições democráticas e repudiam as ações criminosas dos grupos violentos que querem disseminar a intolerância e o ódio como instrumento de luta política. Expressam o mais firme repúdio às ameaças de ruptura da ordem democrática legitimamente constituída pelo voto popular e reiteram sua firme posição na defesa e preservação da institucionalidade democrática. Conclamam a continuar a aprofundar o diálogo sobre os problemas nacionais, no marco da institucionalidade democrática e do estado de direito, como foi promovido pelo presidente Nicolás Maduro com todos os setores da sociedade.
Eva Golinger é advogada, especialista em leis internacionais sobre direitos humanos e imigração. Desde 2003, investiga, analisa e escreve sobre a intervenção dos EUA na Venezuela, recorrendo ao Freedom of Information Act (FOIA) para obter informações sobre os esforços do governo norte-americano para minar os movimentos políticos progressistas da América Latina. Desde 2005, Golinger vive em Caracas, Venezuela. Em 2009, venceu o Prêmio Internacional de Jornalismo no México. “A noiva da Venezuela” como era chamada pelo presidente Hugo Chávez, é autora de vários títulos de sucesso: Bush vs. Chávez: Washington’s War on Venezuela (2007, Monthly Review Press), The Empire’s Web: Encyclopedia of Interventionism and Subversion, La Mirada del Imperio sobre el 4F: Los Documentos Desclasificados de Washington sobre la rebelión militar del 4 de febrero de 1992 e La Agresión Permanente: USAID, NED y CIA.
_______________________

Nota dos tradutores
[1] GOLINGER, Eva. El Código Chávez – Descifrando la intervención de los Estados Unidos en Venezuela, La Habana: Editorial de Ciencias Sociales, 2005. É seu primeiro livro; foi traduzido e publicado em oito idiomas.

No Redecastorphoto
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Ucrânia e Venezuela: lutar com palavras

“Lutar com palavras é a luta mais vã. No entanto lutamos mal rompe a manhã.”
(Drummond)

Não se trata de poesia. Mas de política. A edição da “Folha” desta sexta-feira é mais uma demonstração de que a batalha nas ruas de Kiev ou Caracas não é feita só de coquetéis molotov, bombas e fuzis. A batalha se dá na mídia, na TV, na internet, nas páginas envelhecidas dos jornais. São Paulo, Caracas, Kiev, Moscou e Washington. A batalha é uma só.  

 
Reparemos bem. Ao lado, temos a primeira página do jornal conservador paulistano — o mesmo que apoiou o golpe de 64 e emprestou seus carros para transporte de presos durante a ditadura militar. Na capa da “Folha”, ucranianos escalam uma montanha de entulho no centro de Kiev, e a legenda avisa: “Manifestantes antigoverno usam pneus e entulho para montar barricadas…” Logo abaixo, uma chamada sobre reintegração de posse em São Paulo: “Em SP, invasores destroem imóveis do Minha Casa”. Numa página interna, o jornal informa que esse “invasores resistiram e, até a noite, praticavam atos de vandalismo”. (página C-1)

Ucranianos não praticam “vandalismo”. São tratados de forma heróica. Ainda que se saiba que parte dos manifestantes em Kiev tem um discurso racista, próximo do nazismo. Brasileiros são “vândalos”. Ucranianos são “manifestantes”.

 
Mas sigamos adiante. Nas páginas internas, a “Folha” traz vários textos do enviado especial a Kiev. Num deles, o repórter mostra uma pequena fábrica para produção de coquetéis Molotov, dentro do Metrô de Kiev. O cidadão que produz as bombas é descrito assim: “Sem afiliação a partidos ou uma proposta ideológica clara, o cidadão diz ter sido atraído pela praça e pelas manifestações a partir da ideia de que é necessário mudar o sistema político na Ucrânia.” 

Mudar o sistema político. Hum. Não fica claro se o cidadão quer uma ditadura. A Ucrânia não é uma democracia? O governo não foi eleito pela maioria? Hum… “Sem afiliação a partidos” — essa parece ser a chave para legitimar tudo nos dias que correm. A CIA, os EUA, a CNN, a Folha não tem filiação a partidos. Não. Nem o nobre manifestante de Kiev.

Ao lado da reportagem sobre os molotov, um texto opinativo assinado por Igor Gielow (sobrenome “eslavo”, muito bom! Isso dá credibilidade ao comentário). Basicamente, Gielow diz que a crise na Ucrânia é “reflexo da estratégia de Putin para a região”. Ele não está errado. Pena que esqueça de contar uma parte da história. “O importante não é o que eu publico, mas o que deixo de publicar”, dizia Roberto Marinho.

Gielow e a “Folha” ensinam: Putin é um líder malvado, que pretende manter na Ucrânia “a esfera de poder dos tempos imperiais e soviéticos”. Aprendam: só a Rússia tem interesses imperiais na Ucrânia. Do outro lado, há cidadãos sem afiliação partidária, lutando contra um insano governo pró-Moscou.  Os EUA e a Europa não têm interesses na Ucrânia. Só Putin. A culpa é dos russos.

Na “Folha” luta-se com as palavras muito antes da manhã começar. Luta-se com as palavras em Kiev, em São Paulo, Moscou. Washington fica invisível. E toda a estratégia passa por aí. O poder imperial só existe por parte da Rússia. Washington não tem qualquer projeto imperial: nem na Ucrânia, nem na Síria, nem tampouco na América Latina…

Falando nisso, a cobertura sobre a Venezuela é também grandiosa no diário da família Frias. Declarações de Maduro aparecem entre aspas. Velho truque jornalístico para desqualificar, colocar no gueto da suspeição, qualquer fala dos chavistas. Segundo a Folha, o governo de Maduro afirma que o movimento (golpista? Isso a Folha não diz) é uma armação de “forças de ultradireita da Venezuela e de Miami”. No texto original a expressão está assim, entre aspas. Por que? Para dar a impressão de que Maduro é um lunático, e que não há forças de ultradireita lutando nas ruas. Não. Há só “estudantes” e “manifestantes” (e agora sou eu que coloco entre aspas).

 
A legenda da foto ao lado (também publicada pelo jornal conservador paulistano) diz: “Estudantes queimam lixo em atos contra Nicolás Maduro”. Primeiro, como se sabe que o sujeito é um “estudante”? Depois, reparem que queimar lixo na Venezuela é “ato contra Maduro“. Queimar prédios em desapropriação, em São Paulo, vira “vandalismo”.

Em Caracas não há “vândalos”.

Ao lado da foto, um texto assinado por repórter (que está em São Paulo!!!!!) narra  roubo de equipamento da CNN em Caracas: “o ataque à CNN se assemelha a inúmeros relatos de motociclistas intimidando manifestantes, com tolerância e até respaldo das forças de segurança do governo”. O roubo ocorreu em manifestação da oposição. Mas o roubo certamente é coisa dos chavistas. Claro. Nem é preciso ir até Caracas pra saber (registro a bem da verdade factual que o repórter — a quem conheço, ótima pessoa — foi correspondente em Caracas).

No mesmo texto (assinado, de São Paulo) os grupos que defendem o governo são chamados de “milícias”. Ok. Já estive em Caracas cinco ou seis vezes. E há grupos chavistas que se assemelham mesmo a milícias. Mas do lado da oposição há o que? Não há milícias? A turma de Leopoldo, que deu golpe em 2002, é formada por cidadãos inocentes. E só.

Quem lê a “Folha” aprende que, em Caracas, há de um lado “milícias chavistas”. De outro, só “estudantes” e “manifestantes”.  

Não há neutralidade no uso das palavras. Nunca houve. Nunca haverá. E quanto mais agudas as crises, mais isso fica claro. Há escolhas. A “Folha” faz as suas. A CNN, a Telesur, a VTV — ou esse blogueiro. A diferença é que uns assumem que têm lado. Outros fingem que estão “a serviço do Brasil”.  

Lutemos, com as palavras. Não há saída. O outro lado luta todos os dias, todas horas.

“Palavra, palavra
(digo exasperado),
se me desafias,
aceito o combate” (Drummond).

Rodrigo Vianna
No Escrevinhador
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Agora só falta você: Dirceu é notificado a pagar multa


Estamos na reta final da campanha “Eu apoio Zé Dirceu“. A intensificação de nossos esforços se faz ainda mais necessária agora, já que a Vara de Execuções Penais do Distrito Federal notificou nesta quinta-feira (20) José Dirceu para pagar a injusta multa de R$ 971.128,92.

Sabemos — e somos imensamente gratos — do empenho que todos vocês já fizeram até agora. Até as 12h desta quinta, foram recebidos e conferidos 2.785 comprovantes de doações, atingindo o valor de R$ 825.529,40.

Estamos perto de atingir o total necessário. Contamos com sua ajuda para, nesta reta final, reforçarmos ainda mais esta campanha, chegarmos à nossa meta e concretizarmos o protesto coletivo contra as arbitrariedades de que José Dirceu vem sendo alvo.

Doações

Alertamos para a importância do envio dos comprovantes de doação para o site da campanha. Reiteramos que não poderemos utilizar doações que não tiverem seus respectivos comprovantes.

Os comprovantes de depósito devem ser digitalizados em um scanner ou fotografados e enviados ao site www.apoiozedirceu.com. Basta entrar no site, clicar em Como Doar e no item 2 dessa seção, acessar o “Formulário de Comprovação de Doação”. Preencha ali seus dados, anexe o comprovante e envie.

Seguimos juntos na luta, fortalecendo a corrente solidária ao Zé Dirceu que atesta a dimensão da indignação de todos frente às violações cometidas no julgamento da AP 470.

Amanhã, sexta (21.02), publicaremos mais uma atualização com o saldo de doações e o número de doadores. Qualquer dúvida, mande seu e-mail para apoiozedirceu@gmail.com

Contamos com vocês para finalizar a campanha.

Amigos do Zé

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Veja o que é o “jornalismo imparcial”. A menor taxa da história e “o desemprego avança”!


O IBGE divulgou a taxa de desemprego em janeiro.

4,8%, a menor já registrada em toda a história, disparado.

Mas isso não impediu o 'comatoso' Estadão de manchetear o que você está lendo na ilustração.

É obvio que o período de Festas emprega mais.

Até minha turma de faculdade arranjava bico de vendedor na Sears e na Mesbla para arrumar algum para viajar.

Mas é preciso sustentar a ideia do caos.

Afinal, vai que o pessoal, em vez de acreditar no jornal, acredite mais no cartaz do mercado aqui perto de casa.
“Precisa-se de repositor, deposista e operadora de caixa”.
Deve ser um gerente “comunista” que está fazendo isso.

Do contrário teríamos de achar que se pratica estelionato jornalístico por razões políticas, não é?

Ou que um jornal acredita que seus leitores são burros o suficiente para ser enganados por um título.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Maduro a CNN: Si no cesa propaganda de guerra, deberá irse del país

En una actividad con trabajadores agredidos del Metro, el dignatario venezolano destacó que mientras en el país, el pueblo trabaja de manera pacífica, el fascismo se encarga de destruir el progreso de la nación, y que medios internacionales como el Canal CNN en español se dedican difundir el “odio”.

El presidente de Venezuela, Nicolás Maduro, dio un ultimátum este jueves a la cadena internacional de noticias CNN, a la que pidió cesar la transmisión de propaganda de guerra o sino tendrá que retirar a sus equipos del país.

En una actividad con trabajadores del servicio metrobus que han sido agredidos por grupos fascistas, el dignatario venezolano destacó que mientras en el país, el pueblo trabaja de manera pacífica, los violentos se encargan de destruir el progreso de la nación, y que medios internacionales como el Canal CNN en español se dedican a difundir este “odio”.

“Le he pedido a la ministra de Comunicación e Información, Delcy Rodríguez, que emita un comunicado a CNN en Venezuela para que rectifiquen sobre su programa de guerra, se va CNN de Venezuela si no rectifican, no acepto más guerra mediática”, advirtió el mandatario.

Por su parte la ministra venezolana de Comunicación e Información, Delcy Rodríguez, confirmó la información a través de su red social twitter. "Ha comenzado el procedimiento administrativo a CNN, si no rectifican, se van de Venezuela".

En cuanto a los destrozos causados por los violentos, el mandatario recordó que el impulsor de estos hechos de desestabilización, Leopoldo López, está en la cárcel gracias al Poder Judicial, porque el pueblo lo que demanda es justicia.

El Presidente anunció que este martes las autoridades capturaron a un grupo de motorizados fascistas que pretendieron desestabilizar en la urbanización Altamira (este de Caracas).

“Capturamos 150 motos de los fascistas y los tenemos identificados a uno por uno”, dijo el mandatario venezolano, al reiterar que será detenido todo aquel en su desprecio contra el pueblo, ejerza la violencia.

No teleSUR
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As doações no Paraná para ajudar governo do tucano Beto Richa

Morador de Palmeira, interior do Paraná, faz “vaquinha” com sua força de trabalho [como mecânico] para ajudar o governo de Beto Richa; gestão do tucano se afunda em dívidas que batem a casa dos R$ 2 bi; Richa intensifica calotes em fornecedores; assista ao vídeo que envergonha os paranaenses.

O mecânico Genilson Moreira Lara, do município de Palmeira, a 80 km de Curitiba, na região dos Campos Gerais, voluntariamente, deu início a uma “vaquinha” para ajudar o governo de Beto Richa (PSDB). Em crise financeira, cuja dívida com fornecedores está batendo a casa dos R$ 2 bilhões, a gestão do tucano também tem aplicado calotes em oficinas que fazem reparos em viaturas das polícias militar e civil e de ambulâncias.

A “vaquinha” nos municípios do interior paranaense é um atestado de incompetência ao governo do PSDB, que culpa terceiros pela atual crise financeira que passa. A obsessão de Richa, há meses, é por empréstimos que nunca saem porque não consegue as certidões necessárias para efetivar as operações de crédito.

Assista ao vídeo da RPCTV sobre a “vaquinha”:


Embora seja louvável a iniciativa do mecânico de Palmeira, a “vaquinha” para ajudar Beto Richa envergonha os paranaenses perante o Brasil.

Se o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, ficasse sabendo da “vaquinha” do mecânico, tal qual opinião que tem sobre a vaquinha do PT para ajudar José Dirceu, diria que iniciativa é para “desmoralizar” o governo Beto Richa. Ou seria ao contrário, o tucano é quem desmoraliza o Paraná?

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Quem dá mais?

O que de pior poderia acontecer ao Brasil nesse momento seria reduzir a eleição de outubro a uma gincana para a escolha do melhor amigo dos mercados. Esta semana Eduardo Campos abriu o seu baú e mostrou um pedaço dos dotes que pretende oferecer à praça.

Em troca de apoio e indulgência dos mercados, o neto que envergonharia o avô quer entregar um mandato fixo ao BC, com metas plurianuais de inflação e superávit fiscal.

Uma espécie de outro país dentro do Brasil.

Ao lado de um Presidente da República escolhido pelo voto direto, teríamos um presidente da republica do dinheiro. Com autonomia, e dotado de ferramentas calibradas e com abrangência suficiente para induzir e condicionar o destino do desenvolvimento, os limites da democracia, a sorte da sociedade.

Assessores do tucano Aécio Neves, sendo o economista Edmar Bacha o mais loquaz entre eles, não deixam por menos.

Um revival do PSDB no poder faria tudo isso e muito mais, asseguram pregoeiros de bico longo.

Por exemplo: deflagraria um choque de ‘eficiência’ com a derrubada em série de tarifas sobre importações.

O que sobrasse da indústria local e do emprego seria de primeira linha, garantem.

Outro arquiteto de países paralelos, o tucano Pérsio Arida, acha pouco a independência do BC.

Para ir além, sugere a independência da própria moeda nacional em relação ao governo.

Seu projeto, antigo fetiche do neoliberalismo verde-amarelo, é assegurar a conversibilidade automática do Real em relação ao dólar.

Viraria um anexo do dólar.

Terceirizar a moeda de uma nação é o equivalente econômico a renunciar ao monopólio da força por parte do Estado: abdica-se de um dos instrumentos cruciais na defesa do interesse público para entregar a sua gestão ao apetite privado.

A politica monetária vira uma espécie de Ucrânia nas mãos dos francos atiradores dos mercados.

O governo Dilma, sob as turquesas das agências de risco e da guerra de expectativas da mídia e do capital financeiro, falou a língua que eles entendem na última 5ª feita.

A oito meses das eleições, o governo cortou R$ 44 bi em investimentos, rebaixou a expectativa de crescimento do PIB para 2,5% e fixou o superávit fiscal em 1,9% do PIB.

O monólogo que anuncia ‘tempos difíceis’ vai impondo a sua ordem unida na frente da produção, do dinheiro, do emprego e da própria política.

Por tempos difíceis entenda-se a ampliação da margem de manobra dos capitais especulativos, que passam a ter na cambaleante recuperação das economias ricas um ponto de fuga adicional.

Graças a ele, amplificam seu já robusto poder chantagem sobre nações, governos e candidatos do mundo em desenvolvimento.

Ninguém sabe exatamente qual o fôlego ou a consistência da dita recuperação.

Depois de quase sete anos de colapso da ordem neoliberal, os indicadores mostram um saldo de terra arrasada no emprego e nos índices sociais e saneamento financeiro.

Por exemplo: hoje os fundos de investimento e de pensão tem 31% mais dinheiro do que o saldo anterior à crise. Com uma bolada equivalente a 75% do PIB mundial, eles detém um poder de comando apreciável sobre bolsas, moedas, governos e economias carentes de capitais, de um modo em geral.

A narrativa conservadora faz o resto ao festejar o poder coercitivo adicional dessa alavanca, a cada suspiro na ‘recuperação’ das economias ricas.

O cheiro da virada de ciclo já basta.

Massas monstruosas de capitais se movimentam pelo mercado, ou apenas ameaçam faze-lo, ‘precificando’ hoje um amanhã que ninguém tem a certeza de quando virá nem como será.

Não importa: a incerteza é a água dos cardumes especulativos.

Governos, povos e nações precisam de chão firme: planejamento, regulação, metas de investimento, planos de crescimento de longo prazo.

O dinheiro grosso e os magos da arbitragem, ao contrário, respiram melhor debaixo do oceano da incerteza.

Ao não se confrontar as duas lógicas sanciona-se um esbulho.

O do jornalismo econômico, por exemplo, que mantém intacta a fé nas virtudes do laissez faire, como se 2007/2008 nunca tivessem existido no calendário econômico mundial.

A crítica cerrada ao Brasil por ‘ter abandonado’ as reformas amigáveis abafa uma pergunta básica: 'Onde estaria o país hoje se a sua condução na crise tivesse sido obra dos sábios tucanos, por exemplo?'

O espelho europeu oferece a inquietante pista de que seríamos agora um grande Portugal.

Ou uma dilatada Espanha — um superlativo depósito de desemprego, ruína fiscal e sepultura de direitos sociais, com bancos e acionistas solidamente abrigados na sala VIP do Estado mínimo (para os pobres).

Incorporar os imperativos das agencias de risco, sem abrir uma discussão com a sociedade sobre os desafios da transição em curso no desenvolvimento brasileiro, pode gerar no imaginário social o efeito de uma gigantesca empresa demolidora.

Marretas sabidas golpeiam dia e noite a confiança erigida ao longo de uma década de construção negociada da democracia social no país.

O desafio progressista é fazer o contraponto desse desmonte.

Mesmo ao ceder no varejo — quando inevitável — é crucial reafirmar as linhas de passagem no atacado e distinguir um projeto de desenvolvimento da mera contabilidade pró-mercados.

O quadro latino-americano e mundial sinaliza uma inflexão de tempo histórico.

Não por acaso o site de O Globo desta 5ª feira editava como irmãs siamesas as imagens dos conflitos em Caracas e em Kiev.

A mensagem é nada sutil: afrontar o mainstream leva ao caos.

Não por coincidência, no mesmo dia, Obama emitia ordens imperativas a Maduro e ao governo da Ucrânia.

Mitigada a crise no front interno das nações ricas, cuida-se de restabelecer a ordem nos quintais indóceis.

É nesse ponto que o timming das ações do governo — de qualquer governo — faz enorme diferença na reordenação em marcha da correlação de forças.

Cada gesto, cada decisão, cada anúncio adquire uma dimensão estratégica; a forma como as providências são comunicadas, ademais de sua projeção e escopo mais geral, sobre o qual não pode pairar dúvida, ganha importância decisiva na disputa pelos corações e mentes da sociedade.

Uma crise de incerteza tem um tempo certo para ser abortada, ou derrotará o governo — a produção, o emprego e o imaginário social.

Os tempos são outros; a globalização tornou tudo mais difícil, alega-se.

E é verdade.

Mas é verdade também que a lógica dos mercado não vai resolver os problemas que ela mesma criou.

Não se pode amesquinhar o único espaço no qual esse poder imperial se defronta com um outro de igual para igual: a luta política na democracia.

O governo Dilma disse aos mercados nesta 5ª feira como pretende zelar pelos seus interesses.

É preciso que diga, a partir de agora — e de forma contundente na campanha — como um novo mandato progressista vai construir a sua hegemonia dos interesses sociais mais amplos na travessia para o novo ciclo de desenvolvimento brasileiro.

Saul Leblon
No Carta Maior
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Por que a Globo é contra o governo venezuelano


Noto, nas redes sociais, revolta contra a maneira como a Globo vem cobrindo a crise na Venezuela.

A Globo ataca, ataca e ainda ataca o governo eleito.

Não existe razão para surpresa. Inimaginável seria a Globo apoiar qualquer tipo de causa popular.

O problema começou com Chávez.

Chávez e Globo tinham um história de beligerância explícita. Ambos defendem interesses antagônicos.

Se estivéssemos na França de 1789, a Globo defenderia a Bastilha e Chávez seria um jacobino. Em vez de recitar Bolívar, ele repetiria Rousseau.

Chávez cometeu um crime mortal para a Globo: não renovou a concessão de uma emissora que tramara sua queda. Veja: um grupo empresarial usara algo que ganhara do Estado — a concessão para um canal de tevê — para tentar derrubar o presidente que o povo elegera. Chávez fez o que tinha que fazer. E o que ele fez é o maior pesadelo das Organizações Globo: a ruptura da concessão.

Há uma cena clássica que registra a hostilidade entre Chávez e a Globo. Foi, felizmente, registrada pelas câmaras. É um documento histórico. Você pode vê-la no pé deste artigo.

Chávez está dando uma coletiva, e um repórter ganha a palavra para uma pergunta. É um brasileiro, e trabalha na Globo. Fala num espanhol decente, e depois de se apresentar interroga Chávez sobre supostas agressões à liberdade de expressão.

Toca, especificamente, numa multa aplicada a um jornalista pela justiça venezuelana.

Chávez ouve pacientemente. No meio da longa questão, ele indaga se o jornalista já concluiu a pergunta. E depois diz: “Sei que você veio aqui com uma missão e, se não a cumprir, vai ser demitido. Não adianta eu sugerir a você que visite determinados lugares ou fale com certas pessoas, porque você vai ter que fazer o que esperam que você faça.”

Quem conhece os bastidores do jornalismo sabe que quando um repórter da Globo vai para a Venezuela a pauta já está pronta. É só preencher os brancos. Não existe uma genuína investigação. A condenação da reportagem já está estabelecida antes que a pauta seja passada ao repórter.

Lamento se isso desilude os ingênuos que acreditam em objetividade jornalística brasileira, mas a vida é o que é. Na BBC, o repórter poderia de fato narrar o que viu. Na Globo, vai confirmar o que o seu chefe lhe disse. É uma viagem, a rigor, inútil: serve apenas para chancelar, aspas, a paulada que será dada.

“Como cidadão latino-americano, você é bem-vindo”, diz Chávez ao repórter da Globo. “Como representante da Globo, não.”

Chávez lembrou coisas óbvias: o quanto a Globo esteve envolvida em coisas nocivas ao povo brasileiro, como a derrubada de João Goulart e a instalação de uma ditadura militar em 1964.

Essa ditadura, patrocinada pela Globo, tornou o Brasil um dos campeões mundiais em iniquidade social. Conquistas trabalhistas foram pilhadas, como a estabilidade no emprego, e os trabalhadores ficaram impedidos de reagir porque foi proibida pelos ditadores sua única arma — a greve.

Não vou falar na destruição do ensino público de qualidade pela ditadura, uma obra que ceifou uma das mais eficientes escadas de mobilidade social. Também não vou falar nas torturas e assassinatos dos que se insurgiram contra o golpe.

Chávez, na coletiva, acusou a Globo de servir aos interesses americanos.

Aí tenho para mim que ele errou parcialmente.

A Globo, ao longo de sua história, colocou sempre à frente não os interesses americanos — mas os seus próprios, confundidos, na retórica, com o interesse público, aspas.

Tem sido bem sucedida nisso.

O Brasil tem milhões de favelados, milhões de pessoas atiradas na pobreza porque lhes foi negado ensino digno, milhões de crianças nascidas e crescidas sem coisas como água encanada.

Mas a família Marinho, antes com Roberto Marinho e agora com seus três filhos, está no topo da lista de bilionários do Brasil.

Roberto Marinho se dizia “condenado ao sucesso”. O que ele não disse é que para que isso ocorresse uma quantidade vergonhosa de brasileiros seria condenada à miséria.


Paulo Nogueira
No DCM
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#OsAntiPira: Segundo Sebrae, pequenas empresas faturarão R$500 milhões com a Copa

A Copa do Mundo já rendeu cerca de R$ 280 milhões em negócios para micro e pequenas empresas e até o final do evento a expectativa é que o faturamento chegue a R$ 500 milhões, segundo levantamento realizado pelo Sebrae com base nas rodadas de negociações promovidas nas 12 cidades-sede da Copa.
“Quem mais vai faturar com a Copa são as empresas que se prepararam antes e que estão pensando no pós-evento, no legado que ele vai deixar para a competitividade dos pequenos negócios”, explica o presidente do Sebrae, Luiz Barretto.
É o caso de setores como o da construção civil, que vêm aproveitando as oportunidades geradas em obras nas arenas, ou de madeira e móveis que, além de atender às demandas dos hotéis, têm expandido suas atuações também no exterior.
“Nosso trabalho é mobilizar os empresários para aproveitar as oportunidades, não apenas identificando potenciais mercados, mas também dando todo o suporte para a adequação às exigências desses mercados”, completa Barretto.
A Fantastic Brindes de São Paulo é uma das empresas que têm apostado nessas oportunidades. A empresa aplicou 80% de seus investimentos no Kit Torcedor. Nele, itens como corneta, caneca, apitos, copo, vuvuzela, zumbina e mochila já estão levando aos fãs de futebol um diferencial na hora de torcer pelo Brasil.
Só no início deste ano, a Fantastic Brindes já fechou orçamentos de aproximadamente 100 mil kits para grandes empresas, o que equivale à venda de mais de 400 mil produtos. O faturamento que era de R$150 mil em junho de 2013 saltou para R$380 mil no final do ano passado. O empresário estima triplicar as vendas com a demanda gerada pela Copa.
“Os pequenos negócios que se prepararam e planejaram para aproveitar as oportunidades geradas pela Copa irão aumentar não só o faturamento como poderão se consolidar tanto no mercado interno quanto externo, uma vez que passarão a atender dentro dos padrões internacionais exigidos a todos que atuarem durante o mundial”, ressalta o presidente do Sebrae, Luiz Barretto.
Um exemplo é o escritório de arquitetura de interiores Saad Larcipretti, de São Paulo, que tem como meta atender o público potencial que visitará a capital paulista para assistir aos jogos da Copa do Mundo. O trabalho da Saad já pode ser encontrado nos móveis, pisos, quartos de hotéis que atenderão aos turistas brasileiros e estrangeiros durante o campeonato de futebol. Alguns móveis, contidos nas suítes dos hotéis, localizados em São Paulo e na Ilha de Comandatuba (BA), foram remodelados por meio dos projetos da empresa.
Para a diretora da rede Rosângela Larcipretti, o evento esportivo é uma oportunidade de divulgação das atividades realizadas pelos profissionais das empresas, inclusive para os estrangeiros. Prova disso é que os trabalhos da Saad Larcipretti já alcançaram visibilidade internacional: duas redes hoteleiras estrangeiras já estão em negociação com o escritório.

No Limpinho & Cheiroso
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El "golpe suave" en Venezuela en cinco pasos

Algunos activistas del golpe suave en Venezuela:
Leopoldo López (izq), María Corina Machado y Antonio Ledezma
En noviembre de 2013, el presidente Nicolás Maduro alertó que sectores de la oposición, con financiamiento de Estados Unidos y apoyo de la elite empresarial y de la Agencia Central de Inteligencia norteamericanas, planeaban un golpe blando en Venezuela.

El Gobierno Bolivariano ha denunciado durante la última semana que Venezuela es víctima de una estrategia conocida como “golpe de Estado suave”, a través de acciones desestabilizadoras orquestadas desde el extranjero y enfocadas en aspectos como el boicot económico, la manipulación informativa, la movilización y la infiltración de gente violenta en manifestaciones, entre otras acciones.

El llamado “golpe blando” o “golpe suave” es una estrategia de “acción no violenta” ideada por el politólogo y escritor estadounidense Gene Sharp, a finales del siglo pasado, y ampliamente utiliza en el mundo durante la última década.

En una ocasión, Sharp señaló que "la naturaleza de la guerra en el siglo XXI ha cambiado (...) Nosotros combatimos con armas psicológicas, sociales, económicas y políticas".

En ese sentido, Sharp expone que “en los Gobiernos, si el sujeto no obedece los líderes no tienen poder. Estas son las armas que en la actualidad se usan para derrocar Gobiernos sin tener que recurrir a las armas convencionales”.

Para el norteamericano, actualmente la guerra “cuerpo a cuerpo” no es eficaz y, además, implica enormes costos económicos y de movilización. Ejemplo de ello son las costosas operaciones militares de Estados Unidos en países como Irak y Afganistán que se han extendido por más de una década.

Por ello, Sharp apuesta por una serie de medidas que van desde el debilitamiento gubernamental hasta la fractura institucional, “como sería el caso de lo que está ocurriendo en Venezuela”, de acuerdo con el presidente ecuatoriano Rafael Correa, entre otros expertos.


El autor del polémico ensayo titulado “De la dictadura a la democracia”, que describe 198 métodos para derrocar Gobiernos mediante “golpes suaves”, considera que la estrategia se puede ejecutar en cinco pasos recopilados por la agencia Russia Today (RT):

La primera etapa es promover acciones no violentas para generar y promocionar un clima de malestar en la sociedad, destacando entre ellas denuncias de corrupción, promoción de intrigas o divulgación de falsos rumores.

La segunda etapa consiste en desarrollar intensas campañas en “defensa de la libertad de prensa y de los derechos humanos”, acompañadas de acusaciones de totalitarismo contra el Gobierno en el poder.

La tercera etapa se centra en la lucha activa por reivindicaciones políticas y sociales y en la manipulación del colectivo para que emprenda manifestaciones y protestas violentas, amenazando las instituciones.

La cuarta etapa pasa por ejecutar operaciones de guerra psicológica y desestabilización del Gobierno, creando un clima de "ingobernabilidad".

La quinta y última etapa tiene por objeto forzar la renuncia del Presidente de turno, mediante revueltas callejeras para controlar las instituciones, mientras se mantiene la presión en la calle. Paralelamente, se prepara el terreno para una intervención militar, mientras se desarrolla una guerra civil prolongada y se logra el aislamiento internacional del país.

En noviembre de 2013, el presidente Nicolás Maduro alertó que sectores de la oposición, con financiamiento de Estados Unidos y apoyo de la elite empresarial y la Agencia Central de Inteligencia norteamericanas, planeaban un golpe blando en su país, estrategia que desde el pasado 12 de febrero se implementa activamente en Venezuela.

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