30 de jan de 2014

A Folha e a economia brasileira: Mas, porém, todavia, contudo…

Desemprego no Brasil atinge menor nível da história, mas, porém, contudo…

O desespero da oposição conservadora dá sinais preocupantes e contamina as páginas de economia dos grandes jornais. Hoje, a grande notícia econômica do dia foi a queda do desemprego, registrado pelo IBGE, nas seis principais regiões metropolitanas. E não foi qualquer queda: a taxa fechou dezembro em 4,3%, mínima histórica. Mas isso não foi tudo: no ano, o desemprego nessas cidades ficou em média em 5,4%, valor mais baixo da série histórica.

Boa notícia. Pode? Não pode.

A tarefa de hoje foi, então, particularmente inglória para o jornal Folha de São Paulo, que teve de tirar leite de pedra, buscar pelo em ovo, e, sobretudo, coalhar as manchetes e aberturas de texto (“lead”) com adversativas ou ressaltando algum desastre, real ou imaginário.


Na reprodução acima, vemos a matéria principal (Desemprego chega a menor nível, mas reajuste do salário desacelera) , o exemplo mais bem acabado do desespero: 1) a adversativa na manchete, 2) parágrafo de abertura iniciando com “apesar de [desastre qualquer]” e 3) segundo parágrafo principal com “porém” entre vírgulas, seguido de um desastre qualquer. Um primor. Eu imagino um espanhol ou um grego lendo esse texto.

Em seguida, temos a matéria secundária sobre o perfil do mercado de trabalho (Emprego com carteira assinada já supera 50% dos trabalhadores). A notícia é que a formalização aumentou e hoje representa 50,3% dos trabalhadores empregados nas seis regiões metropolitanas. No ano passado, essa proporção era de 49,2% e, em 2011, 48,5%.

Em 2003, os trabalhadores formais representavam apenas 39,7% do total. Ou seja, um avanço de 10,6 pontos (26,7%) em dez anos.

Quer dizer: não só o desemprego diminuiu, mas a qualidade do emprego aumentou. Boa notícia, não? Pois é, mas a ênfase da reportagem foi outra (embora a informação importante estivesse contrabandeada no texto, mas lá no meio para o final).


Aqui, a manchete não veio com adversativa. Mas logo na abertura reportagem tem um “Mesmo com [desastre, desastre, desastre]”, para só depois concluir a frase com o que é realmente notícia: “o mercado de trabalho intensificou o processo de formalização”.

Por fim, a terceira matéria de apoio versou sobre como variou o rendimento do trabalho (Com inflação alta, rendimento real do trabalhador tem menor avanço desde 2005).

Aqui, de novo, boa notícia: no ano passado, o rendimento médio aumentou em termos reais em 1,8%. Isso é significativo, já que esse ganho já leva em conta a inflação e acontece mesmo depois de três anos de crescimento baixo. Somado à diminuição do desemprego, o resultado foi um aumento da massa salarial de 2,6%, número também positivo.

Aumento real de salário médio e da massa salarial não é uma banalidade que acontece todo o ano em maior ou menor grau.

Quando há crise e aumento do desemprego (como nos anos 1990), tanto a massa salarial quanto o salário médio podem diminuir. Não foi o que aconteceu.

A notícia em 2013 é positiva. Mas quem lê só a manchete e o parágrafo de abertura tem a impressão de que o país está à beira da crise:


“Corroído pela inflação e sem o impacto positivo de um reajuste expressivo do salário mínimo”. Assim é a abertura. “Inflação alta” no título também ajuda, assim como o ambivalente “menor avanço”.

A Folha inaugurou, assim, o primeiro AUMENTO REAL da história corroído pela inflação. Ora, se houve aumento real, não tem nada “corroído pela inflação”.

Poderia ter havido “corrosão” dos rendimentos se o aumento tivesse sido abaixo da inflação.

O viés da cobertura do mercado de trabalho na Folha de hoje não é novo (leia a dissecação da reportagem de dezembro no blog Objetivando Disponibilizar).

E tem muito a ver com um “pessimismo excessivo” da Folha apontado pela Ombudsman do próprio jornal, em sua coluna da semana passada. Mas parece que a crítica não surtiu lá muito efeito.

Cyrus Afshar
Do Novas Cartas Persas
No Viomundo
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O desenho da geopolítica nas Américas

Brasil, EUA e o "hemisfério ocidental"

As terras situadas ao sul do Rio Grande constituem um mundo diferente do Canadá e dos Estados Unidos. E é uma coisa desafortunada que as partes de fala inglesa e latina do continente tenham que ser chamadas igualmente de América, evocando similitudes entre as duas que de fato não existem". N. Spykman, "America's Strategy in World Politics, Harcourt, Brace abd Company, New York, 1942, p: 46

Tudo indica que os Estados Unidos serão o principal contraponto da política externa brasileira, dentro do Hemisfério Ocidental, durante o século XXI. E quase ninguém duvida, também, que os EUA seguirão sendo por muito tempo a principal potência militar e uma das principais economias do mundo. Por isto é fundamental compreender as configurações geopolíticas da região e a estratégia que orienta a política hemisférica americana deste início de século.

Ao norte do continente, o poder americano foi, é e seguirá sendo incontrastável, garantindo-lhe fronteiras continentais absolutamente seguras. Além disto, a assimetria de poder dentro da América do Norte é de tal ordem que o Canadá e o México tendem a convergir cada vez mais, atraídos pela força gravitacional do poder econômico e militar dos EUA. O que não significa, entretanto, que o Canadá e o México ocupem a mesma posição junto aos EUA e dentro do tabuleiro geopolítico e econômico regional, apesar dos três países participarem do "Tratado Norte-Americano de Livre Comercio" (Nafta) desde 1993.

O Canadá ocupa uma posição única, como ex-colônia e ex-domínio britânico, que, depois da sua independência e da Segunda Guerra Mundial, transferiu-se para a órbita de influência direta dos EUA, transformando-se em sócio comercial, aliado estratégico e membro do sistema de defesa e informação militar dos povos de "língua inglesa", comandado pelos EUA, e composto pela Inglaterra, Austrália e a Nova Zelândia. Neste contexto, o México ocupa apenas a posição de enclave militar dos EUA, uma espécie de "primo pobre", de "fala latina", ao lado das potências anglo-saxônicas.

Mais do que isto, o México é hoje um país dividido e conflagrado por uma verdadeira guerra civil que escapa cada vez mais ao controle do seu governo central, mesmo depois do acordo de colaboração militar assinado com os EUA em 2010. E mesmo com relação ao Nafta, a economia mexicana se beneficiou em alguns poucos setores dominados pelo capital americano, como automobilística e eletrônica, mas ao mesmo tempo, nestes últimos vinte anos, o México foi o único dos grandes países latino-americanos em que a pobreza cresceu, atingindo hoje, 51,3% da sua população. Hoje a economia mexicana é inseparável da americana e a política externa do país tem escassíssimos graus de liberdade, atuando quase sempre como ponta de lança da política econômica internacional dos EUA, como no caso explícito da "Aliança do Pacífico".

Do ponto de vista estritamente geográfico, a América do Norte inclui o istmo centro-americano, que Nicholas Spykman coloca ao lado dos países caribenhos, e da Colômbia e Venezuela, dentro de uma mesma zona de influência americana, "onde a supremacia dos EUA não pode ser questionada. Para todos os efeitos trata-se um mar fechado cujas chaves pertencem aos EUA o que significa que ficarão sempre numa posição de absoluta dependência dos EUA" (N.S, p: 60). O que explica as 15 bases militares dos EUA, existentes na América Central e no Caribe. Foi uma região central na 2ªGuerra Fria de Ronald Reagan e será muito difícil que se altere a posição americana nas próximas décadas, muito além da das "dissidências" cubana e venezuelana.

Por último, a política externa americana diferencia claramente os países situados ao sul da Colômbia e da Venezuela, onde seu principal objetivo estratégico foi sempre impedir que surgisse um polo alternativo de poder no Cone Sul do continente, capaz de questionar a sua hegemonia hemisférica. Com relação a estes países, os EUA sempre utilizaram a mesma linguagem, com duas tônicas complementares: a dos acordos militares bilaterais e a das zonas de livre comércio.

Os acordos militares começaram a ser assinados no fim do século XIX e a primeira proposta de uma zona pan-americana de livre comércio foi apresentada pelo presidente Grover Cleveland, em 1887, um século antes da Alca, proposta em 1994 e rejeitada em 2005, pelos principais países sul-americanos. Não existe uma relação mecânica entre os fatos, mas chama atenção que pouco depois desta rejeição os EUA tenham reativado sua IV Frota Naval, com objetivo de proteger seus interesses no Atlântico Sul. A este propósito cabe lembrar o diagnóstico e a proposta de Nicholas Spykman (1893-1943), o teórico geopolítico que exerceu maior influência sobre a política externa dos EUA no século XX: "fora da nossa zona imediata de supremacia americana, os grandes estados da América do Sul (Argentina, Brasil e Chile) podem tentar contrabalançar nosso poder através de uma ação comum[...] e uma ameaça à hegemonia americana nesta região do hemisfério (a região do ABC) terá que ser respondida por meio da guerra" (N.S p: 62 e 64). Estes são os termos da equação, e a posição americana foi sempre muito clara. O mesmo não se pode dizer da política externa brasileira.

José Luís Fiori, professor titular de economia política internacional da UFRJ, é autor do livro "O Poder Global", da Editora Boitempo, e coordenador do grupo de pesquisa do CNPQ/UFRJ "O Poder Global e a Geopolítica do Capitalismo".
No GGN
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O Brasil está se acabando, segundo a mídia. Mas com todo mundo empregado, né?

A tragicomédia da imprensa brasileira, que transforma em “desgraça” todos os problemas econômicos que nosso país tem diante de um mundo abalado, desde 2008, pela crise e pela estagnação da economia, tem um grande inimigo: os fatos.

O dado divulgado hoje pelo IBGE, registrando (mais um) recorde na taxa de ocupação dos brasileiros, com o menor índice já apurado, na história, nas regiões metropolitanas do país é um destes fatos contra os quais só há argumentos se eles forem de má-fé.

Repito, o menor desemprego de toda a história deste país.

Como foi má-fé a exploração de que “o desemprego não era tão baixo assim” quando o IBGE lançou uma nova pesquisa, mais abrangente que aquela que vem sendo feita desde 2002 e que, portanto, é a que pode servir de comparação.

porcordapelO trabalho divulgado pelo IBGE tem outras informações reconfortantes.

Por exemplo a de que não apenas aumentou muito proporção dos trabalhadores com carteira assinada, desde 2003, como a de que isso se deu dentro de um processo de inclusão e justiça social.

De 39,7% de trabalhadores do setor privado, passamos a 50,7% em dezembro passado.

Entre 2003 e 2012, o número de trabalhadores negros ou mestiços com carteira assinada, que era muito inferior ao da população branca praticamente igualou-se, como você observa no gráfico ao lado.

É claro que a economia brasileira tem problemas e terá ainda mais com a crise a conta-gotas que o fim do ciclo de expansão monetária da política norte-americana for sendo encerrado, o que “chupa” de volta para os títulos do Tesouro dos EUA a montanha de dólares espalhados pelo mundo, sacolejando os fluxos de capital dos países emergentes.

escolaridadeMas estamos numa situação que nem de longe pode ser classificada como crise, ainda mais sob a ótica do povo trabalhador, onde crise econômica tem um sinônimo: não conseguir emprego.

Um trabalhador que, a duras penas, vem conseguindo elevar seus níveis de escolaridade, embora a “nata” econômica, que reclama de sua desqualificação não apenas não move uma palha para treiná-lo e educá-lo quanto pratica uma cruel rotatividade, mandando embora todos aqueles que se tornam mais capazes pela experiência e, portanto, começam a ter sonhos “perigosos” de pretender uma remuneração melhor.

Veja abaixo, no gráfico interativo do Estadão, o que veio ocorrendo com o desemprego desde que os “gênios” do tucanato foram tirados do poder.

A desocupação no Brasil

Índices médios anuais, em porcentagem
20032004200520062007200820092010201120122013121086420
Índices mensais, em porcentagem 
JAN/13FEVMARABRMAIJUNJULAGOSETOUTNOVDEZ543210
Fernando Brito
No Tijolaço
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Fascismo à brasileira


Parece crescente e cada vez mais evidente no Brasil que importantes setores da classe média e classe alta simpatizam com ideais semelhantes aos que formaram o caldeirão social do fascismo

Historicamente a adesão inicial ao fascismo foi um fenômeno típico das classes dominantes desesperadas e das classes médias empobrecidas e apenas pontualmente conquistou os estratos mais baixos da sociedade, ideologicamente dominados pelo trabalhismo social-democrata ou pelo comunismo. Nos mais diversos cantos do mundo, dos nazistas na Alemanha e camisas-negras na Itália, aos integralistas brasileiros e caudilhistas espanhóis seguidores de Franco, as classes médias, empobrecidas pelas sucessivas crises do pós-guerra (1921 e especialmente 1929), formaram o núcleo duro dos movimentos fascistas.

Esse alinhamento ao fascismo teve como fundo principal uma profunda descrença na política, no jogo de alianças e negociatas da democracia liberal e na sua incapacidade de solucionar as crises agudas que seguiam ao longo dos anos 1910, 20 e 30. Enquanto as democracias liberais estavam estáveis e em situação econômica favorável, com certo nível de emprego e renda, os movimentos fascistas foram minguados e pontuais, muito fracos em termos de adesão se comparados aos movimentos comunistas da mesma época. Porém, uma vez que a democracia liberal e sua ortodoxia econômica mostraram uma gritante fraqueza e falta de decisão diante do aprofundamento da crise econômica nos anos 1920 e 30, a população se radicalizou e clamou por mudanças e ação.

Lembremos que, quando os nazistas foram eleitos em 1932, a votação foi bastante radical se comparada aos pleitos anteriores; 85% dos votos dos eleitores alemães foram para partidos até então considerados mais radicais, a saber, Socialistas (social-democracia), Comunistas e Nazistas (nacional-socialistas), os dois primeiros à esquerda e o último à direita. Os conservadores ortodoxos, anteriormente no poder, estavam perdidos em seu continuísmo e indecisão, sem saber o que fazer da economia e às vezes até piorando a situação, como foi o caso da Áustria até 1938, completamente estagnada e sem soluções para sair da crise e do desemprego, refém da ortodoxia de pensadores da escola austríaca, tornando-se terreno fértil para o radicalismo nazista (que havia fracassado em 1934).

Além disso, o fascismo se apresentava como profundamente anticomunista, o que, do ponto de vista das classes dominantes mais abastadas e classes médias mais estáveis (proprietárias) menos afetadas pelas crises, era uma salvaguarda ideológica, pois o “Perigo Vermelho”, isto é, o medo de que os comunistas poderiam de fato tomar o poder, era um temor bastante real que a democracia liberal parecia incapaz de “resolver” pelos seus tradicionais métodos, especialmente após a crise de 1929. O fascismo desta maneira se apresentou como último refúgio dos conservadores (sejam de classe média ou da elite) contra o socialismo. Os intelectuais que influenciavam os setores sociais menos simpáticos ao fascismo, o viam como um mal menor “temporário” para proteger a “boa sociedade” das “barbáries socialistas”, como o guru liberal Ludwig von Mises colocou, reconhecendo a fraqueza da democracia liberal face ao “problema comunista”:

Não pode ser negado que o Fascismo e movimentos similares que miram no estabelecimento de ditaduras estão cheios das melhores intenções e que suas intervenções, no momento, salvaram a civilização européia. O mérito que o Fascismo ganhou por isso viverá eternamente na história. Mas apesar de sua política ter trazido salvação para o momento, não é do tipo que pode trazer sucesso contínuo. Fascismo é uma mudança de emergência. Ver como algo mais que isso, seria um erro fatal. (L. von Mises, Liberalism, 1985[1927], Cap. 1, p. 47)

Além da descrença na política tradicional e do temor do perigo vermelho num cenário de crise, houve ainda uma razão fundamental para as classes médias adentrarem as fileiras do fascismo: o medo do empobrecimento e a perda do status social.

Esse sentimento — chamado de declassemént ou declassê no aportuguesado, algo como ”deixar de ser alguém de classe” — remetia ao medo de se proletarizar e viver a vida miserável que os trabalhadores, maior parte da população, viviam naquela época. Geralmente associava-se ao receio de que o prestígio social ou o reconhecimento social por sua posição econômica esmorecessem, mesmo para pequenos proprietários e profissionais liberais sem títulos de nobreza (ver Norbet Elias, Os Alemães). Esse medo entra ainda no contexto de uma evidente rejeição republicana, uma reação conservadora do etos nobiliárquico que dominava as classes altas e parte das classes médias urbanas nos países fascistas, à consolidação dos ideais liberais (mais igualitários) na estrutura social de poder e de privilégios, isto é, na tradição social aristocrática. Não foi por acaso que o fascismo foi uma força política exatamente onde os ideais liberais jamais haviam se arraigado, como Itália, Espanha, Portugal, Alemanha e Brasil.

Por fim, cumpre lembrar que os fascistas apelam à violência como forma de ação política. Como disse Mussolini: “Apenas a guerra eleva a energia humana a sua mais alta tensão e coloca o selo de nobreza nas pessoas que têm a coragem de fazê-la” (Doutrina do Fascismo, 1932, p. 7). A perseguição sem julgamento, campos de trabalho e autoritarismo não só vieram na prática muito antes do genocídio e da guerra, mas também já estavam em suas palavras muito antes de acontecerem. No discurso e na prática, a sociedade é (ou destina-se) apenas para aqueles que o fascista identifica como adequados; há um evidente elitismo e senso de pertencimento “correto” e “verdadeiro”, seja uma concepção de nação ou de identidade de raça ou grupo. E essa identidade “verdadeira” será estabelecida à força se preciso.

Mas porque estamos falando disso?

Parece crescente e cada vez mais evidente no Brasil que importantes setores da classe média e classe alta simpatizam com ideais semelhantes  aos que formaram o caldeirão social do fascismo?

rolezinho shopping facismo brasil

Vimos em texto recente que a sociedade brasileira, em particular a classe média tradicional e a elite, carrega fortes sentimentos anti-republicanos (ou anticonstitucionais), herdados de nossa sucessão de classes dominantes sem conflito e mudança estrutural, sem qualquer alteração substancial de sua posição material e política, perpetuando suas crenças e cultura de Antigo Regime. Privilégios conquistados por herança ou “na amizade”, contatos pessoais, indicações, nepotismos, fiscalização seletiva e personalista; são todas marcas tradicionais de nossa cultura política. A lei aqui “não pega”, do mesmo jeito que para nazistas a palavra pessoal era mais importante que a lei. Há um paralelo assustador entre a teoria do fuhrerprinzip e a prática da pequena autoridade coronelista, à revelia da lei escrita, presente no Brasil.

Talvez por isso, também tenhamos, como a base social do fascismo de antigamente, uma profunda descrença na política e nos políticos. Enojada pelo jogo sujo da política tradicional, das trocas de favores entre empresas e políticos, como o caso do Trensalão ou entre políticos e políticos, como os casos dos mensalões nos mais variados partidos, a classe média tradicional brasileira se ilude com aventuras políticas onde a política parece ausente, como no governo militar ou na tecnocracia de governos de técnicos administrativos neoliberais. Ambos altamente políticos, com sua agenda definida, seus interesses de classe e poder, igualmente corruptos e escusos, mas suficientemente mascarados em discursos apolíticos e propaganda, seja pelo tecnicismo neoliberal ou pelo nacionalismo vazio dos protofascistas de 1964, levando incautos e ingênuos a segui-los como “nova política” messiânica que vai limpar tudo que havia de ruim anteriormente.

Por sua vez, como terceiro ponto em comum, partes das classes médias tradicionais e a elite tem um ódio encarnado de “comunistas”, e basta ler os “bastiões intelectuais” da elite brasileira, como Reinaldo Azevedo, Rodrigo Constantino ou Olavo de Carvalho ou mesmo porta-vozes do soft power do neoconservadorismo brasileiro, como Lobão e Rachel Sherazade. É curioso que o mais radical deles, Olavo de Carvalho, enxergue “marxismo cultural” em gente como George Soros (mega-especulador capitalista), associando-o ao movimento comunista internacional para subjugar o mundo cristão ocidental. Esse argumento em essência é basicamente o mesmo de Adolf Hitler: o marxismo e o capital financeiro internacional estão combinados para destruir a nação alemã (Mein Kampf, 2001[1925], p. 160, 176 e 181).

A violência fascista, por sua vez, é apresentada na escalada de repressão punitivista e repressora do Estado, apesar de — ainda — ser menos brutal que o culto à guerra dos fascistas dos anos 1920 e 30. Antes restritos apenas aos programas sensacionalistas de tv sobre violência urbana e aos apologistas da ditadura como Jair Bolsonaro, o discurso violento proto-fascista “bandido bom é bandido morto”, que clama por uma escalada de repressão punitiva, sai do campo tradicionalmente duro da extrema direita e se alinha ao pensamento de economistas liberais neoconservadores que consideram que “o criminoso faz um cálculo antes de cometer seu crime, então é o caso de elevar constantemente o preço do crime (penas intermináveis, assédio, execuções), na esperança de levar aqueles que sentirem tentados à conclusão de que o crime já não compensa” (Serge Hamili, 2013). Assim, a apologia repressora se alinha à lógica do punitivismo mercantil de apologistas do mercado, mimetizando um Chile de Pinochet onde um duríssimo estado repressor, anticomunista, está alinhado com o discurso  neoliberal mais radical.
Rachel Sheherazade direita classe média
Rachel Sheherazade

E, ainda, somam-se a isso tudo o classismo e o racismo elitista evidentes de nossa “alta” sociedade. Da “gente diferenciada” que não pode frequentar Higienópolis, passando pelo humor rasteiro de um Gentili, ou o explícito e constrangedor classismo de Rachel Sherazade, que se assemelha à “pioneira revolta” de Luiz Carlos Prates ao constatar que “qualquer miserável pode ter um carro”, culminando com o mais vergonhoso atraso de Rodrigo Constantino em sua recente coluna, mostrando que nossos liberais estão mais inspirados por Arthur de Gobineau e Herbert Spencer do que Adam Smith ou Thomas Jefferson. A elite e a classe média tradicional (que segue o etos da primeira), não têm mais vergonha de expor sua crença no direito natural de governar e dominar os pobres, no “mandato histórico” da aristocracia sobre a patuléia brasileira. O darwinismo social vai deixando o submundo envergonhado da extrema direita para entrar nos nossos televisores diariamente.

Assim, com uma profunda descrença na política tradicional e no parlamento, somada a um anti-republicanismo dos privilégios de classe e herança, temperados por um anticomunismo irracional sob auspícios de um darwinismo social histórico e latente, aliado a uma escalada punitivista alinhada a “ciência” econômica neoliberal, temos uma receita perigosa para um neofascismo à brasileira. Porém, antes que corramos para as montanhas, falta um elemento fundamental para que esse caldeirão social desemboque em prática neofascista real: crise econômica profunda.

Apesar do terrorismo midiático, nossa sociedade não está em crise econômica grave que justifique esta radicalização filo-fascista recente. Pela primeira vez em décadas, o país vive certo otimismo econômico e, enquanto no final dos anos 1990, um em cada cinco brasileiros estava abaixo da linha da pobreza, hoje este número é um em cada 11. A Petrobrás não só não vai quebrar como captou bilhões recentemente. A classe média nunca viajou, gastou no exterior e comprou tanto quanto hoje, nem mesmo no auge insano do Real valendo 0,52 centavos de dólar. O otimismo brasileiro está muito acima da média mundial, mesmo que abaixo das taxas dos anos anteriores.

No entanto, apesar de tudo isso, parte das antigas classes médias e elites continuam se radicalizando à extrema direita, dando seguidos exemplos de racismo, intolerância, elitismo, suporte ao punitivismo sanguinário das polícias militares, aplaudindo a repressão a manifestações e indiferentes a pobres sendo presos por serem pobres e negros em shopping centers. Isso tudo com aquela saudade da ditadura permeando todo o discurso. Se não há o evidente declassmént, o empobrecimento econômico, ou mesmo um medo real do mesmo, como explicar esta radicalização protofascista?

Não é possível que apenas o tradicional anti-republicanismo, o conservadorismo anti-esquerdista e o senso de superioridade de nossas elites e classes médias tradicionais sejam suficientes para esta radicalização, pois estes fatores já existiam antes e não desencadeavam tamanha excrescência fascistóide pública.

Não.

O Brasil vive um fenômeno estranho. As classes médias tradicionais e elite estão gradualmente se radicalizando à extrema direita muito mais por uma sensação de declassmént do que por uma proletarização de fato, causada por alguma crise econômica. Esta sensação vem, não do empobrecimento das classes médias tradicionais (longe disso), mas por uma ascensão econômica das classes historicamente subalternas. Uma ascensão visível. Seja quando pobres compram carros com prestações a perder de vista; frequentam universidades antes dominadas majoritariamente por ricos brancos; ou jovens “diferenciados” e barulhentos frequentam shoppings de classe média, mesmo que seja para olhar a “ostentação”; ou ainda famílias antes excluídas lotando aeroportos para visitar parentes em toda parte.

Nossa elite e antiga classe média cultivaram por tanto tempo a sua pretensa superioridade cultural e evidente superioridade econômica, seu sangue-azul e posição social histórica; a sua situação material foi por tanto tão sem paralelo num dos mais desiguais países do mundo, que a mera percepção de que um anteriormente pobre pode ter hábitos de consumo e culturais similares aos dela, gera um asco e uma rejeição tremenda. Estes setores tradicionais, tão conservadores que são, tão elitistas e mal acostumados que são, rejeitam em tal grau as classes historicamente humilhadas e excluídas, “a gente diferenciada” que deveria ter como destino apenas à resignação subalterna (“o seu lugar”), que a ascensão destes “inferiores” faz aflorar todo o ranço elitista que permanecia oculto ou disfarçado em anti-esquerdismo ou em valores familiares conservadores. Não há mais máscara, a elite e a classe média tradicional estão mais e mais fazendo coro com os históricos setores neofascistas, racistas e pró-ditadura. Elas temem não o seu empobrecimento de fato, mas a perda de sua posição social histórica e, talvez no fundo, a antiga classe média teme constatar que sempre foi pobre em relação à elite que bajula, e enquanto havia miseráveis a perder de vista, sua impotência política e vazio social, eram ao menos suportáveis.

Leandro Dias, formado em História pela UFF e editor do blog Rio Revolta. (riorevolta@gmail.com)

Texto revisado por Carolina Dias

REFERÊNCIAS GERAIS:
ELIAS, Norbert. Os Alemães. Rio de Janeiro: Zahar, 1996
HAMILI, Serge. O laissez faire é libertário?. IN: Le Monde Diplomatique Brasil, número 71, 2013.
HITLER, Adolf. Mein Kampf. São Paulo: Centauro, 1925
HOBSBAWM, Eric. A Era dos Extremos. São Paulo: Cia das Letras,1996
MISES, Ludwig von. Liberalism.Irvington.The Foundation for Economic Education, 1985
MUSSOLINI, Benito. Doctrine of Fascism. Online World Future Fund. 1932
POULANTZAS, Nicos. Fascismo e Ditadura. Porto: Portucalense, 1972
SCHMIT, Carl. Teologia Política. Belo Horizonte: Del Rey, 2006


No Pragmatismo Político
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A entrevista coletiva da presidenta Dilma, em Cuba

Uma das melhores entrevistas coletivas de Dilma Rousseff.


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Goldfajn deveria sentir inveja dos mudos

Com Tony Blair, FHC e Clinton

Você é um alto funcionário de um banco. Não um banco qualquer: o maior do Brasil entre os privados.

Seu banco no primeiro semestre de 2013 teve um lucro maior que a economia de 33 países. No terceiro trimestre seu banco teve simplesmente o maior lucro da história financeira do país.

Importante: como executivo desse banco, você ganha bônus por esse desempenho formidável.

O que você deveria fazer? Agradecer o país por ter dado as bases macroeconômicas seria um passo previsível, uma espécie de retribuição diante do aumento do seu patrimônio.

Ilan Goldfajn, economista chefe do Itaú, decidiu inovar. Ele fez exatamente o oposto em Davos no Fórum Econômico Mundial.

Segundo o jornal Financial Times, ele disse que os investidores estão olhando para os países com uma economia “sustentável e estável”, o que o Brasil “não é”. Isso no rastro do esforço que Dilma fez em Davos para atrair investidores estrangeiros.

Goldfajn parece torcer contra o Brasil por razões políticas. Ele foi diretor do Banco Central no governo FHC. Deixou o posto em 2003. Você tem ideia do que vai pela mente dele quando verifica que ele é colunista do Instituto Millennium, um dos redutos mais petrificados da direita brasileira.

Goldfajn é, previsivelmente, um nome sempre presente na mídia brasileira. Escreve artigos regularmente para jornais como o Globo, já foi entrevistado no Roda Viva e está sempre dando suas opiniões na Globonews, CBN e quetais.

Invariavelmente, ele defende soluções conservadoras para os problemas econômicos brasileiros. Para ele o governo deveria aumentar os juros — e com isso o desemprego — para debelar a inflação. E também “melhorar” a situação para os negócios — um eufemismo para cortar direitos trabalhistas. É a anti-Escandinávia, em suma.

Na ditadura militar este receituário ortodoxo foi amplamente utilizado – com resultados catastróficos. O único resultado concreto obtido por economistas da ditadura como Roberto Campos, Delfim Netto e Mário Simonsen foi criar uma engrenagem com a qual o Brasil se tornaria campeão mundial da desigualdade social.

Com sua pregação, Goldfajn vem incomodando todos aqueles que querem um Brasil socialmente justo, um país “escandinavo”, como o DCM gosta de dizer. Mas agora ele exacerbou.

Na pessoa física, ele poderia dizer o que quisesse, mas como alto executivo de um banco que invariavelmente registra lucros bilionários ele tem que controlar a língua.

O que ele fez em Davos é uma propaganda inadmissível não contra o governo petista, que ele naturalmente abomina — mas contra o Brasil. Goldfajn lembrou Diogo Mainardi em sua recente conversa com a empresária Luiza Trajano. Nos dois casos, o que se viu foram palavras que traem a incapacidade de fazer uma distinção entre simpatias políticas e o interesse maior do Brasil.

O caso de Goldfajn é ainda pior que o de Mainardi, sobretudo pela repercussão de suas palavras. Ele criou embaraço não apenas para si, mas para o banco Itaú. Dada a ligação entre o Itaú e Marina Silva, deve-se perguntar: a política econômica conservadora de Goldfajn é o que os brasileiros devem esperar caso Marina se eleja presidente?

Sêneca escreveu que ao lembrar de certas coisas que dissera sentia inveja dos mudos. Goldfajn, se fizer uma reflexão honesta sobre a asneira dita em Davos, sentirá inveja dos mudos.

Paulo Nogueira
No DCM
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A Primeirona

O poeta inglês Rupert Brooke morreu durante a Primeira Guerra Mundial. Era moço, bonito e um poeta passável. Morreu em 1915, um ano depois do começo da guerra. Num dos seus poemas, intitulado O Soldado, ele tinha escrito: "Se eu morrer, pense apenas isto de mim. Que há uma cova num campo estrangeiro que será, para sempre, a Inglaterra". Brooke ficou como uma espécie de símbolo da juventude inglesa dizimada pela guerra de 14, toda uma geração, incluindo os seus poetas, que não voltou das trincheiras. A única coisa errada nesta história convenientemente romântica é que Brooke morreu durante a Primeira Guerra, mas não na Primeira Guerra. Foi vítima de uma infecção causada por uma picada de mosquito, sem nunca ter estado numa trincheira.

Se Rupert Brooke não serve como herói romântico e representante de uma geração destruída, serve como símbolo de todos os enganos que levaram à carnificina da chamada Grande Guerra, quando milhões morreram sem saber bem por quê. Visto em retrospecto, o mais impressionante na Primeira Guerra, cujo centenário se comemora este ano, é o volume de mal-entendidos, mesquinhez e simples burrice que tornou inevitável um conflito, no fim, por nada. Alguns impérios agonizantes ruíram, algumas fronteiras foram redesenhadas, alguns orgulhos nacionais foram servidos — nada que valesse a vida de um só poeta. A Primeirona funcionou como campo de prova de novas tecnologias de guerra (o avião, o tanque, a metralhadora, o gás venenoso) e deixou tantas questões políticas pendentes que tornou inevitável, também, a Segundona. E deixou o novo material bélico pronto para esta outra carnificina.

Já se disse que guerra é uma coisa importante demais para ser confiada a generais, mas no caso da Primeira Guerra Mundial governantes e diplomatas completaram a incompetência mortal dos militares. Foi um mau momento da nossa história como espécie racional, uma apoteose da estupidez humana. Que, com a glorificação literária de sacrifícios como o de Brooke (esquecido o detalhe do mosquito) e outros poetas, também ganhou a bênção de intelectuais, para os quais a guerra, menos do que uma tragédia, foi um ritual de passagem que enriqueceu as letras inglesas e europeias, substituindo o idealismo do século 19 pelo ceticismo moderno. E o mais triste — visto desta distância — é que tudo poderia ter sido evitado.

Brooke, como na previsão do soldado do seu poema, foi enterrado num campo estrangeiro, em Skyros, na Grécia. Mas há uma lápide com seu nome na Westminster Abbey, em Londres. A inscrição na lápide é de outro poeta, Wilfred Owen, este um autêntico sacrificado pela Primeirona: "Eu escrevo sobre a guerra, e o lamento da guerra. A poesia está no lamento".

Luís Fernando Veríssimo
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Desemprego foi de 4,3% em dezembro e fecha 2013 com mínima recorde


A taxa de desocupação de dezembro foi estimada em 4,3%, a menor desde o início da série histórica (março de 2002). A taxa registrou redução de 0,3% ponto percentual frente a novembro de 2013 (4,6%) e não apresentou variação estatisticamente significativa na comparação com dezembro do ano passado (4,6%). Com esse resultado, na média dos 12 meses de 2013, a taxa de desocupação ficou em 5,4%, também a menor média anual, inferior em 0,1 ponto percentual à observada em 2012 (5,5%) e 7,0 pontos percentuais abaixo da média de 2003 (12,4%).

A população desocupada (1,1 milhão de pessoas) caiu 6,2% no confronto com novembro (menos 70 mil pessoas procurando trabalho) e ficou estável frente a dezembro do ano passado.No ano de 2013, os desocupados somaram, em média, 1,3 milhão de pessoas, 0,1% a menos que em 2012, o que representou menos 20 mil desocupados em um ano. Com relação a 2003 (2,6 milhões), o contingente de desocupados caiu 49,5% ou seja, nesse período a redução atingiu 1,3 milhão de pessoas.

A população ocupada (23,3 milhões) ficou estável nas comparações com o mês anterior e com dezembro de 2012.Na média de 2013, os ocupados somaram 23,1 milhões de pessoas, um contingente 0,7% maior que o de 2012 (23,0 milhões) e 24,8% superior a 2003.

O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado (11,8 milhões) não registrou variação na comparação com novembro. Na comparação anual, houve uma elevação de 2,0%, representando um adicional de 236 mil postos de trabalho com carteira assinada. Esses resultados levaram, na média de 2013, a um recorde na proporção de trabalhadores com carteira assinada (11,6 milhões) em relação ao total de ocupados: 50,3%, frente a 49,2% em 2012 e 39,7% em 2003.

O rendimento médio real habitual dos ocupados (R$ 1.966,90) foi 0,7% menor do que o apurado em novembro (R$ 1.981,08) e 3,2% acima do verificado em dezembro de 2012 (R$ 1.905,68).A média anual do rendimento médio mensal habitualmente recebido no trabalho principal foi estimada em R$ 1.929,03, o que correspondeu a um crescimento de 1,8% em relação a 2012 (R$ 1.894,03). Entre 2003 e 2013, o poder de compra do rendimento de trabalho aumentou em 29,6% (em 2003 era de R$ 1.488,48 reais).

A massa de rendimento real habitual (R$ 46,4 bilhões) caiu 0,4% frente a novembro e aumentou 2,9% em relação a dezembro de 2012. A massa de rendimento real efetivo dos ocupados (R$ 49,2 bilhões), estimada em novembro de 2013, subiu 5,7% no mês e 0,9% no ano (massa é a soma dos rendimentos de todos os trabalhos da população ocupada). A massa de rendimento real mensal habitual (média anual) estimada para 2013, em R$ 45,0 bilhões, nas seis regiões metropolitanas, resultou em um aumento de 2,6% em relação a 2012 e 61,1% na comparação com 2003.

A Pesquisa Mensal de Emprego (PME) é realizada nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. A publicação completa da pesquisa pode ser acessada na página
www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/
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A publicação da Retrospectiva do Mercado de Trabalho 2003-2013 está disponível na página
www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/estudos_retrospectiva.shtm
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Taxa média de desocupação de 2013 é inferior à de 2003 em 7,0 pontos percentuais

Em 2013, foi registrado um contingente médio de 1,3 milhão de pessoas desocupadas, 1,5% inferior à média de 2012, o que representou menos 20 mil desocupados em um ano. Em relação a 2003 (2,6 milhões de desocupados), o contingente de desocupados caiu 49,5%, ou seja, nesse período a redução atingiu 1,3 milhão de pessoas.

A taxa de desocupação (proporção de pessoas desocupadas em relação à população economicamente ativa, que é formada pelos contingentes de ocupados e desocupados) de 2013 (média de janeiro a dezembro) foi estimada em 5,4%, 0,1 ponto percentual abaixo da observada em 2012 (5,5%). Na comparação com 2003, quando a taxa foi estimada em 12,4%, a redução foi de 7,0 pontos percentuais.


População ocupada tem aumento de 0,7% de 2012 para 2013

A população ocupada no total das regiões da PME em 2013 (média de janeiro a dezembro) foi de 23,1 milhões de pessoas, 0,7% maior que a de 2012 (23,0 milhões), um incremento de aproximadamente 160 mil de pessoas. Frente às estimativas de 2003, a população ocupada aumentou em 24,8%, o que representou mais 4,6 milhões de ocupados em 10 anos. No mesmo período a população em idade ativa cresceu 15,7%.


O nível da ocupação (proporção de pessoas ocupadas em relação às pessoas em idade ativa) foi de 54,0% em 2013, considerado estável em relação a 2012 (54,2%). Frente a 2003, quando esse indicador era de 50,0%, o aumento foi de 4,0 pontos percentuais.

A população ocupada estava distribuída entre 54,0% de homens (12,5 milhões de pessoas) e 46,0% de mulheres (10,6 milhões de pessoas) em 2013. As mulheres continuam sendo minoria na população ocupada, mas sua participação vem apresentando contínuo crescimento. No início da série anual, em 2003, elas representavam 43,0% da população ocupada, implicando crescimento de 3,0 pontos percentuais desde então.

O comércio, reparação de veículos automotores e de objetos pessoais e domésticos e comércio a varejo de combustíveis continuou sendo o grupamento com a maior proporção de pessoas ocupadas, 18,8%. Em relação a 2012, foram observadas variações mais relevantes na educação, saúde, serviços sociais, administração pública, defesa e seguridade social (de 16,3% para 16,9%) e nos serviços domésticos (de 6,6% para 6,1%). Com relação às estimativas de 2003, o grupamento que apresentou o maior ganho de participação na população ocupada foi o de serviços prestados às empresas, aluguéis, atividades imobiliárias e intermediação financeira (de 13,4% em 2003 para 16,2% em 2013), e os que mais perderam foram a indústria extrativa, de transformação e distribuição de eletricidade, gás e água (de 17,6% para 15,8%); o comércio, reparação de veículos automotores e de objetos pessoais e domésticos e comércio a varejo de combustíveis (de 20,2% para 18,8%) e os serviços domésticos (de 7,6% para 6,1%).

Trabalhadores com carteira são 50,3% dos ocupados

No ano de 2013, 11,6 milhões de trabalhadores eram empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado. O percentual dos trabalhadores com carteira assinada em relação ao total de ocupados passou de 49,2% em 2012 para 50,3% em 2013. Em 2003 eram 39,7% dos ocupados.


O percentual de pessoas ocupadas que contribuíam para a previdência em 2013 atingiu 74,4%, 1,6 ponto percentual maior em relação a 2012 (72,8%) e o mais elevado desde 2003 (61,2%). O percentual de 2013 correspondeu a 17,2 milhões de pessoas. Frente ao ano de 2003, o número de ocupados contribuintes cresceu 51,6%, enquanto no mesmo período, a população ocupada aumentou 24,8%. Ao longo de 10 anos o total de ocupados contribuintes cresceu em 5,9 milhões de pessoas.

Pessoas com 50 anos ou mais de idade representam 23,6% da população ocupada

Segundo os grupos de idade, em 2013 a população ocupada estava distribuída em 0,1% de pessoas de 10 a 14 anos de idade, 1,4% de 15 a 17 anos de idade, 13,0% de 18 a 24 anos de idade, 62,0% de 25 a 49 anos de idade e 23,6% de pessoas com 50 anos ou mais de idade. Ainda que com forte concentração no grupo das pessoas de 25 a 49 anos de idade, a participação dos referidos grupos etários na ocupação vem aumentando somente entre aqueles com 50 anos ou mais de idade (16,7% em 2003).

Trabalhadores com 11 anos ou mais de estudo são 63,8% da população ocupada

De 2012 para 2013, a escolaridade da população com 10 anos ou mais de idade e que tinham 11 anos ou mais de estudo aumentou de 47,2% para 48,5%. Em 2003, o percentual era de 34,3%. Entre os trabalhadores, o avanço da população com 11 anos ou mais de estudo também foi percebido, passando de 62,2%, em 2012, para 63,8%, em 2013. Em 2003, este percentual era 46,7%, ou seja, cresceu 17,1 pontos percentuais comparado com 2003.

Enquanto o contingente de pessoas ocupadas aumentou 0,7% entre 2012 e 2013, o de pessoas ocupadas com nível superior cresceu 6,0%. Frente a 2003, essas variações foram de 24,8% e 86,1%, respectivamente, na população ocupada e na população ocupada com nível superior.

Em 2013, as pessoas ocupadas tinham uma jornada média semanal de 40,1 horas efetivamente trabalhadas, contra 41,3 horas em 2003. São Paulo e Rio de Janeiro apresentaram jornadas (ambas com 40,5 horas) superiores à média das seis regiões.

Rendimento médio de trabalho aumenta, mas disparidades persistem

Em 2013, a média anual do rendimento médio mensal habitualmente recebido no trabalho principal foi estimada em R$ 1.929,03, a mais alta desde 2003, o que correspondeu a um crescimento de 1,8% em relação a 2012 (R$ 1.894,03). Entre 2003 e 2013, o poder de compra do rendimento de trabalho aumentou em 29,6% (em 2003 era de R$ 1.488,48 reais).


A pesquisa apontou disparidades entre os rendimentos de homens e mulheres e, também, entre brancos e pretos ou pardos. Em 2013, em média, as mulheres ganhavam em torno de 73,6% do rendimento recebido pelos homens (R$ 1.614,95 contra R$ 2.195,30). A menor proporção foi a registrada em 2007, de 70,5%.


O rendimento dos trabalhadores de cor preta ou parda, entre 2003 e 2013, teve um acréscimo de 51,4%, enquanto o rendimento dos trabalhadores de cor branca cresceu 27,8%. Mas a pesquisa registrou, também, que os trabalhadores de cor preta ou parda ganhavam, em média, em 2013, pouco mais da metade (57,4%) do rendimento recebido pelos trabalhadores de cor branca - as médias anuais do rendimento foram de R$ 1.374,79 para os trabalhadores de cor preta ou parda, enquanto a dos trabalhadores de cor branca foi de R$ 2.396,74. Em 2012, esta razão era 56,1% e, em 2003, não chegava à metade (48,4%).

De 2012 para 2013, o rendimento aumentou para as seguintes formas de inserção: empregados sem carteira de trabalho assinada no setor privado (2,6%, subindo para R$ 1.430,93), empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado (2,1%, indo para R$ 1.771,44) e trabalhadores por conta própria (1,3%, ficando em R$ 1.659,19). Houve queda para os empregadores (-4,1%, caindo para R$ 4.687,84) e militares e funcionários públicos estatutários (-0,6%, ficando em R$ 3.276,41).

Todos os grupamentos de atividade apresentaram ganho no rendimento do trabalho entre 2012 e 2013: serviços domésticos (6,2%, aumentando para R$ 814,93); construção (3,7%, subindo para R$ 1.658,75); indústria extrativa, de transformação e distribuição de eletricidade, gás e água (2,4%, aumentando para R$ 2.010,79); comércio, reparação de veículos automotores e de objetos pessoais e domésticos e comércio a varejo de combustíveis (1,4%, indo para R$ 1.525,36); serviços prestados às empresas, aluguéis, atividades imobiliárias e intermediação financeira (0,8%, ficando em R$ 2.431,13); outros serviços - alojamento, transporte, limpeza urbana e serviços pessoais (0,6%, indo para R$ 1.676,90); educação, saúde, serviços sociais, administração pública, defesa e seguridade social (0,3%, ficando em R$ 2.628,34). Na comparação de 2003 com 2013, foi verificado nos serviços domésticos o maior aumento entre os grupamentos, 62,6%. Outro grupamento de destaque foi o da construção, com ganho de 48,7% no período.

O rendimento médio real habitual domiciliar per capita aumentou 2,4% de 2012 (R$ 1.278,92) para 2013 (R$ 1.309,85). De 2003 (R$ 897,17) para 2013, o crescimento foi de 46,0%.

A massa de rendimento real mensal habitual (média anual) foi estimada para 2013 em R$ 45,0 bilhões, nas seis regiões metropolitanas, resultando em um aumento de 2,6% em relação a 2012 (R$ 43,9 bilhões). Na comparação com 2003 (R$ 27,9 bilhões), o aumento foi de 61,1%.

Resultados de dezembro de 2013: desocupação cai para 4,3%


A taxa de desocupação (proporção de pessoas desocupadas em relação à população economicamente ativa, que é formada pelos contingentes de ocupados e desocupados) foi estimada em 4,3% para o conjunto das seis regiões metropolitanas. Regionalmente, não registrou movimentação significativa em nenhuma das regiões investigadas. Entretanto observou-se que a taxa atingiu os menores valores de suas respectivas séries históricas em Belo Horizonte (3,4%), Rio de Janeiro (3,7%), São Paulo (4,4%) e Porto Alegre (2,6%). Em relação a dezembro de 2012, a taxa aumentou 2,0 pontos percentuais em Salvador (de 5,7% para 7,7%), em São Paulo apresentou queda de 0,8 ponto percentual (de 5,2% para 4,4%) e em Porto Alegre, embora tenha ficado estável em 2,6%, manteve o mesmo patamar do mês de novembro, quando atingiu o menor valor da série nessa região:


Na análise mensal, o contingente de desocupados (pessoas sem trabalho que estão tentando se inserir no mercado) manteve-se estável nas regiões pesquisadas frente a novembro. No confronto com dezembro de 2012, houve elevação de 42,9% no número de desocupados na Região Metropolitana de Salvador e queda de 17,6% em São Paulo.

O nível da ocupação (proporção de pessoas ocupadas em relação às pessoas em idade ativa) foi estimado em dezembro de 2013 em 54,2% para o total das seis regiões, mesmo percentual verificado nos meses de outubro e novembro de 2013. No confronto com dezembro de 2012 (55,1%), esse indicador teve redução de 0,9 ponto percentual. Regionalmente, na comparação mensal o quadro foi de estabilidade e no confronto com dezembro de 2012, duas regiões apresentaram queda: Belo Horizonte de 1,6 ponto percentual e São Paulo, de 1,4 ponto percentual.

Na análise da ocupação segundo os grupamentos de atividade, não foi observada nenhuma variação significativa na comparação com novembro. Em relação a dezembro de 2012, ocorreu elevação de 3,4% na Educação, Saúde e Serviços Sociais, Administração Pública, Defesa e Seguridade Social; queda de 8,6% nos Serviços domésticos e estabilidade nos demais grupamentos.

Na análise regional, o rendimento médio real habitual dos trabalhadores (R$ 1.966,90 no conjunto das seis regiões), em relação a novembro de 2013, aumentou no Rio de Janeiro (0,6%), não variou em Salvador e apresentou retração em Porto Alegre (2,9%), São Paulo (1,1%), Belo Horizonte (1,0%) e Recife (0,8%). Na comparação com dezembro de 2012, o rendimento teve alta no Rio de Janeiro (7,3%), Porto Alegre (5,9%), São Paulo (3,7%) e Recife (1,7%). Declinou em Salvador (10,5%) e em Belo Horizonte (0,7%):


Na classificação por grupamentos de atividade, o maior aumento no rendimento médio real habitualmente recebido em relação a dezembro de 2012 foi de 8,2%, referente a Serviços domésticos:


Já na classificação por categorias de posição na ocupação, o maior aumento no rendimento médio real habitualmente recebido em comparação com dezembro do último ano foi para os Empregados sem carteira no setor privado (8,6%):


O rendimento médio real habitual é o rendimento bruto ganho pela pessoa em um mês completo de trabalho. É habitual porque desconsidera o que não tem caráter contínuo (como bonificações, horas extras, 13º salário e descontos ocasionais), ao contrário do rendimento efetivo. E é real porque os valores são corrigidos pelo INPC (de cada região ou da média ponderada) a preços do último mês divulgado da série histórica, permitindo comparações desinflacionadas. Os conceitos da PME são explicados na Metodologia da Pesquisa, disponível na página www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/.

No IBGE
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Um pouco de vida

A desordem da ordem pública provoca uma situação curiosa. Nada, nos muitos acontecimentos simultâneos, tem gravidade que indique descontrole das inconvivências de sempre, mas a projeção dos incidentes dissemina a impressão inquietante de que o país avança com rapidez para um estado caótico e de insegurança generalizada.

Os 58 incendiados ou depredados até ontem, só neste janeiro da Grande São Paulo, são um número expressivo, de fato. Mas nada sugere algum desdobramento, do qual essa violência suburbana seja parte planejada e preparatória. Nem, tampouco, sugere que não esteja inscrito na regra brasileira das ondas: os incidentes podem até surpreender no surgimento, mas também surpreenderão no murchar repentino, quando ascendiam com aparência indomável. Ocupações de terras, as diversas modalidades de arrastões entre os praieiros e os rodoviários, sucessão de greves tentadas ou efetivadas, as ondas vêm e vão por aí afora. Mesmo o "black bloc" do ano passado.

Em menor número, que no Rio não nos atreveríamos a comparar-nos com a pujança de São Paulo, os ataques a ônibus fizeram a sua fase de perturbação carioca, e de repente reduziram-se a esporádicas reações à ação policial, quase sempre só por obediência aos bandidos. No momento, por sinal, eles estão criando uma onda, esta contra as unidades de PM instaladas em várias favelas: voltam a infiltrar-se e criam conflitos para restabelecer-se. Sem êxito, ainda bem.

No Rio Grande do Sul, em Minas, Goiás, Santa Catarina, em vários Estados, maiores e menores desordens urbanas sucedem-se com a mesma cara: ataques a ônibus, interrupção de estradas e baderna urbana. E até os rolezinhos promovidos a grande ameaça por duas semanas de previsões na imprensa. Mas, além de tudo isso muito localizado, sempre, o seu grau verdadeiro de reflexos institucionais ou apenas políticos tem sido, por toda parte, nenhum. Nem sequer efeitos administrativos, dependentes só de alguns jamegões, têm sido necessários: bastaram-se nas passagens de ônibus de São Paulo e Rio, como obra do susto de sete meses atrás.

Por ora, a agitação serve apenas, como Caetano Veloso disse à Folha, para mostrar que a sociedade vive. Mas, pode-se acrescentar, não muito.

JÁ CONHECIDO

O pretendido candidato de Eduardo Campos e Marina Silva ao governo do Tocantins, como Ranier Bragon informou na Folha, não é um neófito na política. Como procurador da República, Mário Lúcio Avelar teve papel ativo na denúncia política e policial do que ficou chamado de "escândalo dos aloprados". É um caso até hoje embrulhado em muitas obscuridades e muitos transformismos, nascido em Mato Grosso, mas com incidência nas eleições de 2006 ao governo paulista, quando fez de José Serra a alegada vítima de um complô petista. Mário Lúcio Avelar servia na regional da Procuradoria da República em Mato Grosso.

Marina Silva só pôde sugeri-lo para candidato do PSB porque o PSDB, com muito mais razão para fazê-lo, não o fez.

Janio de Freitas
No fAlha
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Lula fala sobre internet e redes sociais


“Quando temos acesso a um instrumento como a internet, que nos permite ser mais iguais, participar dos meios de comunicação não apenas ouvindo, mas interagindo, dando a nossa opinião, aumenta a nossa responsabilidade”, ressalta o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em vídeo sobre internet e redes sociais. Ele afirma ser contra qualquer veto à utilização da internet, mas lembra que as pessoas precisam ser responsabilizadas pelos seus atos também na rede.

No vídeo, Lula fala das mudanças da comunicação entre sua época sindical e os tempos atuais e ressalta que todo o espaço de liberdade é também de responsabilidade. O ex-presidente afirma que as críticas fazem parte da democracia, mas que devem ser sempre fundamentadas para evitar a disseminação de informações falsas.”A crítica faz parte da democracia que a internet permite a todos nós todos os dias”.

Sobre sua página no Facebook, Lula diz estar “feliz que tenha 500 mil pessoas seguindo” e convoca todos a ajudar com apoio e críticas para que o país avance ainda mais. Ele lembra que na área de internet ainda há muitos desafios, como levar computador e banda larga a toda população e garantir um acesso igual à informação.

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Vídeo e 2474 desmontam a AP470

Observem que fato curioso, quando da acusação pela PGR/MPF e posteriormente durante o julgamento, todo o país ficou hipnotizado diante das transmissões e ninguém nunca viu um único documento divulgado pela velha mídia empresarial e que sustentasse o que lá era apenas verbalizado.

E sabem o porquê de ninguém nunca ter visto um documento ser alardeado pelo PIG, é simples: não existe documento que confirme a acusação.

O mais terrível é se constatar que a PGR/MPF de Antonio Fernando e Gurgel, juntamente com Joaquim Barbosa impediram as defesas de exercerem na plenitude constitucional suas funções. Ocorreu de fato um escandaloso cerceamento de defesa travestido de legalidade.

E JB foi mais longe, pois quando em 2007 ocorreu o julgamento da aceitação da denúncia, ele ocultou dos demais ministros o Laudo 2828, exatamente no inquérito 2474 (vide link ao final). O Laudo 2828 aniquila completamente com a acusação de que o PT desviou dinheiro público do Banco do Brasil.

O FATIAMENTO

Joaquim Barbosa, todos sabem, fatiou o julgamento conforme entendeu conveniente a seus propósitos, mas o que poucas pessoas sabem é que ele aceitou "fatiar" também os acusados entre os que constariam da AP 470 e os que ficariam protegidos no sigiloso 2474. E assim procedeu por que se todos estivessem juntos a acusação não se sustentaria.

2474: VÍDEO ESCLARECEDOR FOI POUCO DIVULGADO

Na sessão do dia 12 de maio de 2011, o plenário do STF, por 4 votos contra 3, não aceitou um recurso contra decisão do relator Joaquim Barbosa, que negou o acesso aos autos do Inquérito 2474, em tramitação sigilosa na Corte e, naquele momento, sob a exclusiva responsabilidade de JB.

No blog Megacidadania sempre disponibilizamos vasto material para comprovar essas afirmações. E aqui vai mais um que é a íntegra da sessão acima mencionada. Neste vídeo fica evidenciado o desconforto e desespero de JB quando questionado acerca do conteúdo do 2474. ASSISTAM E DIVULGUEM.

ASSISTAM AO VÍDEO OFICIAL DAQUELA SESSÃO



LEIAM TAMBÉM: O LAUDO DA PF QUE FOI ESCONDIDO

No Megacidadania
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