29 de jan de 2014

E-mail para o Mainardi


Caro Diego Mainardi,

Chamo sua atenção para esta matéria do Estadão, que trata do microcrédito voltado ao produtor, que teria atingido R$ 4,8 bilhões.

Está bem que é bem pouco perto do crédito total do país — R$ 1,2 bilhões — mas o fundamental é a grave denúncia contida no texto.

Cuidado para não cair da gôndola, aí em Veneza.

Você acredita que uma tal de Beatriz Rocha, de 37 anos, desviou dinheiro do Bolsa-Família para comprar duas vacas de leite e, agora, com este dinheiro subsidiado do microcrédito comprou mais uma e um freezer para guardar o leite que vende?

É uma senhora que, embora loura, faz aquele tipinho ancho da Luiza Trajano, é uma pessoa também humilde e de poucas luzes e não percebeu que o futuro do mercado leiteiro é a Amazon e sua incrível capacidade de entregar o leite através de drones, não é?

É uma mentalidade atrasada, porque você vê na foto que a vaca subsidiada nem mesmo de raça é, apesar de se chamar “Ariana”.

Baixa produtividade, como tudo o que estes criptocomunistas arcaicos tem feito aqui.

O título de “Minha Vaca, Minha Vida” bem se adequa à mansuetude bovina deste povinho, embora a classe média esteja fazendo o possível para — literalmente — incendiar o clima nestas vésperas de Copa do Mundo.

Voltando ao “crédito”, que é como chamam esta esmola eleitoreira: eles, claro, fazem como a D. Luiza e o Serasa: negam que a inadimplência esteja crescendo e afirmam que os pobres são bons pagadores.

De promessas, talvez, porque sabem os que esta gente indolente adora se encostar num subsídio público, financiado com o imposto absurdo que a gente paga no Brasil em troca de nada, não é?

Porque aqui ainda continuamos com nossas valas negas, a anos-luz de distância de chegarmos ao nível dos canais fétidos de Veneza.

Boa sorte aí, quem sabe acontece um milagre nas eleições e você possa voltar à terrinha, tão boa quando o Doge da sociologia nos fazia esquecer que somos este povinho, não é?

PS. Coloco aí embaixo um gráfico para você ver como este absurdo está crescendo, tirando dinheiro do nosso essencial superavit primário.

Saldo da carteira de microcrédito

Em bilhões de reais
TotalDestinado ao consumoDestinado ao microempreendedordez/2007dez/2008dez/2009dez/2010dez/2011dez/2012dez/20136543210
                                                                          FONTE: BANCO CENTRAL
Leia Mais ►

Lewandowski anula punição e pede urgência para trabalho de Dirceu


Presidente interino do Supremo afirma que não há provas de que ex-ministro usou celular na prisão e que pedido deve ser analisado 'observada a urgência das normas constitucionais'

O presidente interino do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, determinou nesta quarta-feira, 29, à Vara de Execuções Penais (VEP) do Distrito Federal que analise com urgência o pedido de trabalho externo feito pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, preso em Brasília desde novembro por causa do envolvimento com o esquema do mensalão.

Com a decisão desta quarta, Lewandowski tornou sem efeito despacho assinado na semana passada pelo juiz Mario José de Assis Pegado que havia ordenado a suspensão por pelo menos 30 dias da análise do pedido de autorização para que José Dirceu comece a trabalhar num escritório de advocacia.

A medida havia sido tomada pelo magistrado com o objetivo de apurar suspeitas de que, mesmo preso, o ex-ministro teria utilizado um aparelho celular na Papuda. De acordo com o magistrado, se o fato fosse verdadeiro, poderia configurar falta disciplinar grave, impossibilitando a concessão de benefícios como o trabalho externo.

No seu despacho, Lewandowski disse que os elementos de prova à disposição da VEP dão conta de que os setores competentes do sistema prisional concluíram que os fatos imputados a Dirceu não existiram.

"Ante o exposto, determino ao Juízo da Vara de Execuções Penais doDistrito Federal que analise, fundamentadamente, o pedido de trabalho externo formulado nestes autos, observada a urgência que as normasconstitucionais e ordinárias aplicáveis à espécie exigem", afirmou Lewandowski.

Lewandowski refuta diárias que JB recebeu


Mais uma diferença ética e de interpretação de direitos separa o presidente em férias do STF, Joaquim Barbosa, do presidente em exercício, ministro Ricardo Lewandowski. Enquanto Barbosa não viu problemas em requisitar e aceitar R$ 14 mil em diárias para 10 dias de passeio pela Europa, nos quais teve dois compromissos oficiais, em Paris e Londres, Lewandowski não recebeu nenhum tipo de gratificação para, também em seu período de férias, receber da Faculdade de Direito de Lisboa uma medalha de honra após proferir palestra.

A honraria contém gravada a expressão em latim Honeste vivere, alterum non laedere, suum cuique tribuere (Viver honestamente para não lesar os outros e dar a cada um o seu próprio). O convite foi feito pela organização do evento, que foi realizado na capital portuguesa no último dia 17.

O site do STF registrou que Barbosa recebeu logo no dia 3 de janeiro o valor das diárias que usaria entre os dias 20 e 30 deste mês. No mesmo setor, porém, não há registro de recebimento de diárias por Lewandowski, que efetivamente não requereu o benefício.

Questionado, em Paris, se considerava adequado receber diárias funcionais mesmo desfrutando de férias, apenas por ter apenas dois compromissos oficiais em 10 dias a Europa, Barbosa afirmou que o debate não passava de "uma tremenda bobagem". Ele garantiu que considera ter direito aos benefícios como "qualquer outro servidor público".

Lewandowski mostrou ser diferente de "qualquer outro". Ao não requisitar diárias, o ministro, que interrompeu suas férias para receber a homenagem em Lisboa em seguida à realização de uma palestra, passou uma mensagem de ética. Se todos fizessem como ele, os cofres públicos seriam poupados e a imagem da Justiça sairia fortalecida.
Leia Mais ►

Relato sobre uma viagem de FHC a Portugal, em 2002


O Conversa Afiada republica artigo de Paulo Moreira Leite, extraído de sua coluna na Istoé.

A respeito da passagem de Dilma por Portugal, PML relembra viagem do Príncipe da Privataria realizada em 2002:

Em nome do bom senso e da memória, transcrevo reportagem de doze anos atrás:

FHC CHEGA A LISBOA SEM COMPROMISSOS OFICIAIS NESTE DOMINGO

10/11/2002 – 9h04

Lisboa, 10/11/2002 (Agência Brasil – ABr) – O presidente Fernando Henrique Cardoso, cumpre agenda privada hoje em Portugal. Durante a manhã ele fará um passeio turístico acompanhado de dona Ruth Cardoso, do embaixador do Brasil em Portugal, José Gregorio, governador de São Paulo, Geraldo Alckmin e do senador eleito pelo Ceará, Tassio Geressaiti (PSDB). Não há compromissos oficiais para o período da tarde, às 18h30 (16h30 horário de Brasília) o presidente participa de lançamento de um livro sobre o trabalho da embaixado do Brasil em Portugal na residência oficial do embaixador.

O presidente Fernando Henrique Cardoso iniciou neste sábado a sua última viagem à Europa, como chefe de Estado. Sua primeira escala está sendo em Lisboa (Portugal), onde permanece até 3a feira (12).

Nesta segunda-feira (11) , às 10h30 (11), Fernando Henrique participa da VI Cimeira Brasil-Portugal, no centro cultural de Belém. Com objetivo de avaliar as relações bilaterais, os chefes de governo dos dois países encontram-se periodicamente nas cimeiras, quando também são assinados acordos que permitam a convivência harmônica entre seus povos. No mesmo dia FHC se encontra com o presidente português, Jorge Sampaio, que o homenageia com um jantar.

Na 3a feira (12), Fernando Henrique participa de reunião da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, a qual preside desde julho último. Após a reunião, ele será homenageado com o prêmio Personalidades do Ano, na Câmara de Comércio Luso-Brasileira. No mesmo dia, Fernando Henrique deve participar da exposição sobre o presidente Juscelino Kubistcheck no Espaço Cultural do Chiado. Ainda há a possibilidade do presidente discursar no encerramento de um seminário sobre investimentos no Brasil.

Durante a viagem a Portugal, o presidente volta a se encontrar com José Gregori, que ocupa a embaixada brasileira naquele país desde que deixou o ministério da Justiça, em outubro do ano passado. Acompanham o presidente na escala portuguesa os ministros Celso Lafer (Relações Exteriores), Francisco Weffort (Cultura) e Sérgio Amaral (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), além do diretor-geral do departamento da Europa do ministério das Relações Exteriores, Marcelo de Andrade de Moraes Jardim.

De Lisboa, o presidente segue para o Reino Unido, onde recebe mais uma homenagem, desta vez da tradicional Universidade de Oxford. Sua chegada à cidade britânica está prevista para o final da manhã de 4a feira (13). Neste dia, o presidente faz uma palestra no Saint Anthony’s College e depois participa de jantar com intelectuais britânicos. No dia seguinte, às 14 horas (horário local), recebe o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Oxford, onde também visita o centro de estudos brasileiros do campus.

Nesta parte da viagem, a única mudança na comitiva presidencial será a presença do embaixador do Brasil no Reino Unido, Celso Luiz Nunes Amorim. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o senador eleito pelo Ceará, Tasso Jereissati, também integram a comitiva.

A segunda fase da viagem será pela América Central. O presidente participa da sua última Cúpula Ibero- Americana na capital da República Dominicana, Santo Domingo. Realizada pela 12a vez, a cúpula tem como tema central o Desenvolvimento Agropecuário, Meio Ambiente e Turismo Sustentáveis. Fernando Henrique e os demais chefes de Estado integrantes da Cúpula ainda concentrarão as discussões em temas específicos como a governabilidade democrática, a segurança regional e cooperação na luta contra o terrorismo e o narcotráfico.

Acompanham o presidente, o ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer; o embaixador do Brasil na República Dominicana, Fernando Fontoura, e o subsecretário de Assuntos Políticos Multilaterais do ministério das Relações Exteriores, embaixador Luiz Augusto Saint-Brisson de Araújo Castro. O retorno do presidente a Brasília está prevista para 17 de novembro, pela manhã.

Em tempo: o Conversa Afiada publica comentário da amiga navegante Mariana:

PHA, acrescente que também em 2002, em dezembro, FHC levou uma comitiva de 30 pessoas para NY, dentre elas, a atriz medrosa Regina Duarte:

FHC gasta US$ 70 mil em viagem

E acho que a Cantanhede também foi junto, pelo tom intimista no qual descreveu a viagem e os diálogos no interior do avião:

Lula não tem “ideia do problema” que vai assumir, diz FHC

Também podemos recordar que, em 2001, numa viagem presidencial a Bali (onde ele foi passar um final de semana de descanso), a comitiva presidencial de FHC era de 100 pessoas, dentre as quais TRINTA eram jornalistas.
Leia Mais ►

PSDB diz que é escândalo emprestar a Cuba. Esqueceram de perguntar por que FHC emprestou

O PSDB não dá para ser levado a sério.

Perdeu completamente qualquer compostura e racionalidade na hora de criticar o governo Dilma.

Só não é exposto ao ridículo porque a mídia brasileira também é ridícula e simplesmente repete o que as “notas oficiais” aecistas publicam no site do partido.

Depois do “mico aéreo” e do “mico da conta do restaurante”, agora o PSDB parte para o “mico cubano”, publicando – com farta reprodução nos jornais — um comunicado em que critica os empréstimos do BNDES às obras do porto de Mariel, em Cuba e diz que  os “recursos que vão para a ilha da ditadura castrista — e também para a Venezuela chavista e para outros países, notadamente os ideologicamente alinhados — são os mesmos que faltam para obras estruturantes no Brasil, em especial as de mobilidade urbana nas nossas metrópoles.”

Ontem eu tratei a sério disso, aqui, mostrando que o dinheiro é emprestado — tem sido pago em dia — para aquisições de mercadorias e serviços no Brasil.

Mas tem limite a cara de pau.

Qualquer dia eu vou começar a imprimir e guardar as notícias das coisas que o governo tucano fazia e a posição “indignada” do PSDB sobre as mesmas coisas no governo petista.

E esta é uma delas.

Fernando Henrique diretamente e o BNDES, sob seu comando fizeram empréstimos a Cuba, aliás muito corretamente.

Aqui está o memorando de entendimento entre Brasil e Cuba para financiar a compra de alimentos com recursos orçamentários — reparem, orçamentários, diretamente da União — através do Proex (leia-se Banco do Brasil) em US$ 15 milhões,  firmado em 1998.

Mas foi comida, aí era humantário? E o que dizem do financiamento a ônibus de turismo para a ilha de Fidel, como está consignado no relatório de atividades do BNDES do ano de 2000?

“(…) o apoio do BNDES a exportações de ônibus de turismo e urbanos para Cuba somou cerca de US$ 28 milhões. Cabe destacar o financiamento concedido para a aquisição de 125 ônibus Busscar com mecânica Volvo, utilizados na dinamização da atividade turística desse país, no valor total de US$ 15 milhões”

Mas teve também para a “Venezuela chavista” de que fala a nota do PSDB:

“Projeto da Linha IV do Metrô de Caracas (Construtora Norberto Odebrecht S.A.) — Construção do primeiro trecho, com extensão de 5,5 km. O investimento total do projeto soma US$ 183 milhões, sendo o financiamento do BNDES de US$ 107,5 milhões, correspondentes a 100% das exportações brasileiras de bens e serviços e ao seguro de crédito às exportações.”

Uai, igualzinho ao Porto de Mariel? E com a mesma empreiteira, a Odebrecht?

É verdade que os tucanos fazem uma ressalva: “Fosse o Brasil um país que esbanjasse dinheiro e com questões de infraestrutura e logística resolvidas, poderia até ser compreensível.”

Fico imaginando a cara de Aécio Neves diante de algum repórter que lhe perguntasse se no governo FHC podia-se emprestar dinheiro à Cuba e à Venezuela porque não existiam problemas de logística e infra-estrutura no Brasil dos tucanos.

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

Propinoduto tucano é mais amplo que o que sai na mídia


Alguns dos primeiros documentos da investigação Suiça revelaram pagamento de propina no setor elétrico por parte da empresa de manutenção Cegelec; são de 1997.


No documento acima, o suposto destino das propinas da Cegelec: “as finanças do partido, o Tribunal de Contas, a Secretaria de Energia”. Na época o secretário era o atual vereador Andrea Matarazzo, que também aparece com destaque no livro Operação Banqueiro e na operação Castelo de Areia, da Polícia Federal.


O líder do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo, Luiz Claudio Marcolino, afirma que o partido está a apenas 4 votos de conseguir abrir uma Comissão de Parlamentar de Inquérito para investigar o escândalo envolvendo as propinas pagas pelas empresas Siemens e Alstom a integrantes de governos paulistas.

O esquema vem sendo denunciado pela bancada petista desde 2008. Foram 15 representações ao Ministério Público Estadual e ao Ministério Público Federal.

Desde então, o governo paulista já fechou outros R$ 16 bilhões em contratos com empresas sob suspeita.

O que você tem lido na imprensa não dá conta da amplitude do esquema que o PT vislumbra nos bastidores da política paulista. Para Marcolino, é um esquema “estruturado”, de longo prazo.

Hoje, existem três investigações da Polícia Federal em andamento que, segundo Marcolino, estão de alguma forma interligadas.

Além da apuração das propinas pagas nas licitações do Metrô e da CPTM — a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos — há as resultantes das operações Fratelli e Castelo de Areia.

A primeira é relativa a deputados que teriam oferecido emendas parlamentares em troca de favores do grupo Scamatti, a chamada Máfia do Asfalto.

A segunda, anulada pelo Superior Tribunal de Justiça, mas que ainda depende de uma decisão do Supremo Tribunal Federal, tratou de um esquema de corrupção envolvendo a empreiteira Camargo Corrêa.

O andamento destas investigações e mais uma CPI, segundo Marcolino, poderiam rever todos os processos licitatórios que, segundo ele, estão sob suspeita no estado de São Paulo, envolvendo contratos na casa de R$ 40 bilhões.


De acordo com o líder do PT, há indícios de que o esquema teve seu embrião ainda no governo de Franco Montoro.

Marcolino rejeita a ideia, recentemente difundida pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de que o propinoduto tenha abastecido apenas funcionários de carreira em cargos importantes. Trata-se, na opinião do líder do PT, de um esquema de financiamento que também beneficiou partidos políticos, como mostra o documento relativo à empresa Cegelec reproduzido logo acima.

O PT defende o afastamento de três secretários do governo Alckmin mencionados em investigações: Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes; Casa Civil, Edson Aparecido; Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Rodrigo Garcia.

“Entendemos ser necessário o afastamento para garantir que as investigações sejam feitas de forma transparente, sem constrangimentos ou risco de extravios de documentos”, explicou Marcolino recentemente, em nota.

O partido também tenta ouvir, na ALESP, doze testemunhas: Gustavo Ungaro, presidente da Corregedoria Geral da Administração; Paulo Itacarambi, vice-Presidente do Instituto Ethos e membro do Movimento Transparência; Edna Flores, ex-secretária de José Fagali Neto; José Fagali Neto, consultor; Luiz Carlos Frayze David, ex-Presidente do Metrô; Decio Tambeli, ex-Diretor do Metrô; Nelson Scaglioni, ex-Gerente de manutenção da CPTM; Ronaldo Moriyana, Diretor da MGE; Eduardo José Bernini, proprietário da Tempo Giusto Consultoria Empresarial Ltda e ex Diretor Presidente da Eletropaulo; Andrea Matarazzo, Vereador da cidade de São Paulo e ex-Presidente da CESP – Companhia Energética de São Paulo; João Roberto Zaniboni, ex-diretor da CPTM; e Henrique Fingermann, ex-presidente da Empresa Paulista de Transmissão de Energia Elétrica.

Para o deputado, é significativo o fato de que as investigações avançaram no Exterior mas não no Brasil. Em consequência disso, o PT pediu a apuração da atuação dos promotores Silvio Marques e Rodrigo De Grandis, respectivamente do MPE e do MPF.

Marcolino lembra que executivos da Siemens e da Alstom já foram punidos na Alemanha e na Itália, mas escaparam da Justiça do Brasil.


A bancada do PT preparou uma apresentação em que fala em até R$ 9 bilhões em propinas, o que daria para construir 20 km de Metrô.

O Viomundo não tem como atestar este número, mas fica claro o potencial eleitoral do tema em 2014.

É chumbo para trocar, especialmente diante das acusações que certamente serão feitas aos petistas por conta das condenações no caso do mensalão.

Marcolino disse que é certo que o governo Alckmin denunciará a convocação de qualquer CPI como “eleitoreira”, mas se defende dizendo que o PT tentou fazê-lo antes, fora de período eleitoral.

Porém, segundo o líder petista, agora estão dadas as condições políticas. É que pelo menos dois partidos da base aliada de Alckmin, o PMDB e o PSD, devem apresentar candidato próprio ao governo do Estado. Com isso, o líder petista vislumbra a possibilidade de conseguir os 4 votos que faltam para convocar a Comissão Parlamentar de Inquérito.

Um dos objetivos seria deixar claro à população paulista os prejuízos gigantescos causados pelo propinoduto tucano aos investimentos públicos.

Abaixo, a entrevista completa de Marcolino.

Nela, o deputado menciona a apuração do CADE, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica; eu falo sobre as suspeitas envolvendo a morte de Manfred von Richthofen, executivo da Dersa — Desenvolvimento Rodoviário — assassinado pelo namorado da filha. Sobre Manfred se especulou que era encarregado de caixa dois tucano, especulações nunca confirmadas.

Em seguida, a apresentação que o PT está difundindo para denunciar o governo tucano.




Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
Leia Mais ►

Lewandowski enquadra tucano no trensalão

Autuação de inquérito acontece por uso de “expressões injuriosas” contra o ministro zé da Justiça.


Saiu na seção “Painel”, da Folha, informação de que o ministro Ricardo Lewandowski autorizou autuação de inquérito contra o tucano José Aníbal no STF por injúria.

O ministro zé da Justiça entrou com a queixa-crime contra Aníbal.

A autuação de inquérito acontece por uso de “expressões injuriosas”, em declaração feita por causa da investigação do trensalão tucano em São Paulo.

Na ocasião, o tucano chamou o zé da Justiça de “vigarista”, além de acusá-lo de falsificação de documentos.

Lewandowski mandou notificar Aníbal para que ele responda a queixa-crime em até 15 dias.

O zé da Justiça já havia informado que processaria o tucano:

“O ministro de Estado da Justiça não pode aceitar ser chamado de ‘vigarista’ e ’sonso’, no sentido de dissimulado. [Não pode] aceitar ser chamado de membro de quadrilha e não reagir, ele não defende seu cargo, porque esse é um cargo de Estado. Acusar um ministro de vigarista é inaceitável e atinge o próprio cargo”, ressaltou, em entrevista coletiva na época.

No Conversa Afiada
Leia Mais ►

Comissão arquiva ação contra viagem de Dilma


O presidente da Comissão de Ética, Américo Lacombe, informou que o colegiado não tem competência para investigar a Presidência da República e, por isso, a representação foi arquivada liminarmente; "Não temos competência para julgar nem o presidente nem vice-presidente, só ministro de Estado pra baixo. Quem fez o regulamento não foi o presidente Lula, foi o presidente Fernando Henrique Cardoso. Se o deputado quiser, que vá se queixar com o líder do partido dele", disse; PSDB entrou com ação por parada de Dilma em Portugal, durante viagem entre Davos, na Suíça, e Havana, em Cuba

A Comissão de Ética da Presidência decidiu arquivar, por unanimidade, um pedido de investigação contra a presidente Dilma Rousseff (PT) por causa de uma escala feita em Portugal no sábado, durante viagem entre Davos, na Suíça, e Havana, em Cuba. O pedido de representação foi feito pelo PSDB ontem, mas no mesmo dia a presidente justificou a parada (que foi feito para reabastecimento do avião e por questões climáticas).

Na ação, o PSDB disse que a presidente infringiu o Código de Conduta da Alta Administração Federal por ter se hospedado em hotel de luxo sem compromissos oficiais e sem a divulgação da agenda oficial. No entanto, o presidente da Comissão de Ética, Américo Lacombe, informou que o colegiado não tem competência para investigar a Presidência da República e, por isso, a representação foi arquivada liminarmente.

"Nós não temos competência para julgar nem o presidente nem vice-presidente, só ministro de Estado pra baixo. Tá na la lei e não tem como [mudar]. Quem fez o regulamento não foi o presidente Lula, foi o [ex-]presidente Fernando Henrique Cardoso. Se o deputado quiser, que vá se queixar com o líder do partido dele", disse Lacombe.

Apesar de poder investigar os ministros que acompanharam a presidente durante a viagem, Lacombe afirmou que só irá determinar qualquer tipo de análise se houver outra representação. "Eu não vejo nenhuma razão para fazer [investigação] de ofício porque, pra começar, eles estavam ali acompanhando a presidente, então eles estavam em auxílio dela. E o problema de ter jantado também não é problema nenhum, desde que eles paguem", afirmou.
Leia Mais ►

Dirceu não usou celular. Vai poder trabalhar?


Denúncia feita pela Folha de que Dirceu usou o celular dentro do Presídio da Papuda para se comunicar com o petista James Correia foi considerada "improcedente", segundo sindicância; com este resultado, o ministro Ricardo Lewandowski deverá dar parecer favorável ao prosseguimento do pedido de trabalho de Dirceu; defesa do ex-ministro recorreu ao STF por causa da decisão do juiz Bruno Ribeiro, que suspendeu, por 30 dias, a análise do pedido de Dirceu até que terminasse a investigação sobre a denúncia; agora, juiz vai liberar Dirceu para trabalhar? outros condenados na AP 470 a regime aberto já tiveram acesso a este direito

"Improcedente". É assim que o documento produzido pela coordenadoria de sindicância do Presídio da Papuda definiu a denúncia feita pelo jornal Folha de S. Paulo de que o ex-ministro José Dirceu, condenado na Ação Penal 470, um dos internos da penitenciária, teria utilizado um celular nas dependências da unidade, o que não é permitido pela lei. Caso desencadeou a suspensão do pedido de trabalho do petista. Com a conclusão de que informação não procede, Justiça irá permitir que ele trabalhe? Dos condenados na AP 470 a regime semiaberto, apenas Dirceu continua sem poder trabalhar.

Até esta sexta-feira (31), o ministro Ricardo Lewandowski deverá dar parecer favorável ao prosseguimento do pedido de trabalho de Dirceu no escritório de advocacia de José Gerardo Grossi, com salário de R$ 2,1 mil por mês. A defesa do ex-ministro recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) na segunda-feira (27), por causa da decisão da Vara de Execuções Penais (sob o comando do juiz Bruno Ribeiro) do Distrito Federal, que suspendeu, por 30 dias, a análise do pedido de Dirceu para trabalhar fora da prisão, até que terminasse a investigação interna sobre denúncias de uso do celular dentro do Presídio da Papuda.

Segundo reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo, no dia 17 de janeiro, Dirceu conversou por celular com o secretário da Indústria, Comércio e Mineração da Bahia, James Correia. De acordo com o texto, a conversa foi possível com a ajuda de uma pessoa que visitou Dirceu. Na ocasião, a defesa do ex-ministro negou que a conversa tenha ocorrido e a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal abriu processo administrativo para investigar o caso.

Segundo a sindicância do presídio, todos que visitam Dirceu "são separados por um vidro". São encontros "sem contato físico", anota o documento, que ressalta que o ex-ministro passa por revistas "com inspeção corporal, antes e depois" de cada visita. Assim como sua cela, onde do mesmo modo não foi encontrado qualquer celular. Denúncia será arquivada.

Dos condenados na AP 470 a regime semiaberto, todos que fizeram pedido já estão trabalhando. É o caso, por exemplo, do ex-deputado Bispo Rodrigues, que teve seu pedido de trabalho autorizado ontem. Antes dele, o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, também já havia começado a trabalhar durante o dia na Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Brasília. O ex-tesoureiro do PL (atual PR) Jacinto Lamas e os ex-deputados Pedro Henry (PP-MT) e Romeu Queiroz (PTB-MG) também já estão trabalhando.

No 247
Leia Mais ►

Sobre a 'parada sigilosa' de Dilma em Lisboa


Desde domingo a mídia tem, em efeito manada, colocado na pauta a chamada “parada sigilosa” do avião presidencial em Lisboa.

Algumas manchetes sobre o assunto:

O Globo: “Após estrear em Davos, Dilma faz escala sigilosa em Lisboa.”

Estadão: “Dilma passa fim de semana em Lisboa em sigilo.”

Folha: “Oposição cobra explicações sobre parada de Dilma em Portugal.”

Veja/ Estado de Minas: “Dilma deixa hotel de Lisboa pela porta dos fundos.”

Talvez pela absoluta falta de sensibilidade jornalística ninguém foi a fundo para saber realmente sobre esta parada em Lisboa.

Graças a comentaristas comprometidos com a verdade dos fatos como junior50 e barbalho podemos demonstrar mais esta barrigada.

O avião presidencial é um Airbus A319. Este avião segue uma regra internacional de aviação chamada ETOPS 180.

O que é a ETOPS? Conforme a  Wikipédia temos:  ETOPS (Extended Twin Engine Operations) é uma sigla para certificações oficiais de autoridades aeronáuticas de vários países, que permitem às aeronaves comerciais bimotoras e aeronaves executivas bimotoras voarem em rotas com trechos que estejam tão distantes de um aeroporto alternativo quanto a distância de voo percorrida em até 60 minutos, ou, em outros casos, até mais...

No caso do A 319 a certificação é a ETOPS 180, ou seja, para 180 minutos (3 horas).

...Numa tradução livre e simplificada, ETOPS significa Operação de Longo Alcance em Bimotores, e, durante o processo de certificação, as autoridades aeronáuticas submetem a aeronave e o seu fabricante a uma série de exigências, entre elas sistemas de segurança redundantes e equipamentos de comunicação e navegação altamente confiáveis...

...A principal exigência das autoridades aeronáuticas para a obtenção dessas certificações é a capacidade da aeronave se manter em voo, caso um dos motores falhe, até uma parada de emergência mais próxima, principalmente pela análise do índice de confiabilidade dos motores....

Como podemos verificar nos links abaixo temos a certificação do Airbus 319 com a ETOPS 180:


E o range para o A319 partindo de Zurique seguindo a ETOPS 180.


Insinuar que foi uma parada tipo “vamos parar em Lisboa que tô com vontade de comer no Eleven” é jornalismo rastaquera.

A parada é um procedimento obrigatório como diz claramente em seu comentário, o junior50: “ O ACJ da PR cumpre a determinação de ETOPS ( extended twin-engine operations) 180, portanto para atravessar o Atlantico para Cuba, pela aerovia preferencial do Atlantico Norte, teria de escalar Lisboa ( Etops nas ilhas atlanticas), ou caso fosse de Zurique para Nova York, escalar Londres ou Luton ( Etops Islandia, Etops Groelandia, Etops Canadá/Baffin) em rota direta Lisboa - Natal ( Etops Ilhas Atlanticas, Etops Noronha, Etops Africa Ocidental).

Junior50 vai mais fundo:” Uma escala técnica para travessia ETOPS 180, não é, como alguém escreve abaixo, passível de ser realizada em apenas 02:00 hs, para aviação comercial o mínimo seria de 04:00/05:00 hs, mas em procedimentos e na doutrina operacional, militar  VIP-P- FAB/USAF/NATO, em menos de 06:00 hs é impossível, mesmo com um ACJ equipado com sistema BITE ( built in test), exige-se até um parcial "sangramento" de alguns fluidos hidráulicos, analise de resíduos e substituições ( travessias marítimas são completamente diferentes de voos sobre a terra, salinidade etc..), além da liberação, pelo Eurocontrol - na saída - e do componente civil do NORAD (Estados Unidos) - em rota e aproximação, que faculta a aeronaves (MilStd/VIP-P), uma aerovia e classificação (número do voo) preferencial.”

- Vamos ao fato da estadia em Lisboa já que no que diz respeito a parada “sigilosa” temos que “Inês está morta!”.

 O que querem tipificar com abuso econômico da comitiva presidencial é de uma comicidade típica da nossa Direita-Miami. Presidentes não se hospedam em qualquer hotel e quando se hospedam existe uma suíte que até no próprio nome, “presidencial”, já diz a quem deve servir.

Disseram que a presidente e comitiva deveriam permanecer a bordo durante o “reabastecimento” (de novo o desconhecimento de procedimentos operacionais imaginando que é tipo “enche o tanque” no posto da esquina).

Como este procedimento dura mais de 6:00 hs e o avião chegou às 17:50 hs local, alguém imagina o vôo partindo depois da meia noite?

Se houve a parada tem que ter hospedagem na cidade e por conseguinte devem jantar em algum lugar. De novo vem o pensamento tupiniquim vira lata de “poderia ter comido no bar da esquina” e esquecem que se trata da Presidente da República e que no mínimo deve ir no melhor restaurante da cidade, ou só a Direita-Miami pode ter este privilégio Sr. Rodrigo Constantino?

Sobre as contas pagas: É de uma sovinidade ímpar, lembra o episódio pirotécnico do Romanné-Conti de Lula.

O que posso dizer? Tentou-se criar um factóide que não se sustenta por razões técnicas e os políticos teleguiados da oposição fazem seus papéis habituais.

Gerações futuras de jornalismos elegeram esta era, que começou em 2005, como a “era das trevas” do jornalismo brasileiro onde a nossa mídia juntou a lenha, jogou o combustível e acendeu o fósforo de sua própria pira mortuária.

Alberto Porem Jr.
No GGN
Leia Mais ►

WandNews – 25

Hoje o seu semanal de futilidades traz: novelas da Globo e a epidemia do homossexualismo; toda complexidade do cenário atual da política brasileira representada numa briga no Rio; o aparelhamento dos céus pelos petistas; e um Wando Responde patrocinado pela Telexfree.


A amostra de chorume dessa semana não veio das nossas costumeiras fontes, as redes sociais. O produtor do melhor chorume da semana vem do ninho tucano, um ex-deputado tucano e ex-integrante do governo Fernando (Henrique), o senhor ADROALDO. O nobre colunista revoltou internautas com a franqueza exposta em seu artigo no jornal O Sul, em que mistura novelas globais, homossexualidade e saúde pública:


Esse trecho foi o que circulou pelas redes sociais, mas outras partes interessantes da mesma coluna merecem nossa apreciação:
"A subserviência do poder concedente, como ocorre no Brasil, é marca registrada do subdesenvolvimento. Informem-se sobre os critérios de geração de sons e imagens na TV em países civilizados. Ninguém com permissão para gerar uma novela, por exemplo, pode tomar o freio nos dentes. Deve respeito à sociedade. Ou perde a concessão"
Ou seja, a presença de gays na novelas, além de representar um foco de disseminação dessa terrível doença, seria também um reflexo do subdesenvolvimento do nosso país, que permite que uma concessão pública propague valores imorais através de patologias sexuais exibidas de forma ostensiva em rede nacional. Mais adiante, o ex-deputado confessa ser um antigo patrulhador dos bons costumes nas novelas, tendo até recebido "carta desaforada" de um diretor da Globo incomodado com suas críticas. Mas toda esse mal-estar parece ter ficado pra trás:
Naquele ano, o dr. Roberto Marinho me mandou uma garrafa de whisky 21 anos, acho que Royal Salut, desejando-me um ano de boas realizações parlamentares. Em um jantar no meu apartamento, com presenças ilustres, contei a FHC que o whisky era presente do dr. Roberto Marinho. FH exclamou: "Então, saudemos ao dr. Roberto".
Nada como um bom whiskynho pra esquecer dos problemas e agregar valor ao camarote com os amigos.


O beijo no coração dessa semana vai para o povo carioca, o único capaz de proporcionar as deliciosas cenas desenroladas na última quarta em frente a um shopping no Leblon.

Num protesto anti-Copa misturado com rolezinho, o Batman do Bem apareceu pra deixar novamente sua marca revolucionária, mas acabou desagradando "esquerdinhas" e "reaças" ao mesmo tempo. O roteiro é caótico e os personagens são complexos. Por isso farei uma breve descrição dos protagonistas, seguida dos melhores momentos de cada um.

Vamos tentar conhecer melhor as estrelas desse curta-metragem da vida real:

1. Batman do Leblon - figurinha carimbada deste blog, o personagem apareceu nas ruas mais uma vez para combater o mal, o ódio, a corrupção, a Copa, a dengue, e tudo-o-que-está-aí. O nosso herói do senso comum nunca nos decepciona.


2. Tiozão Carioca do Leblon - cineasta-ostentação, esquerdista que bebe com os pobres no bar, anti-rolezinho, anti-faishixta e portador de um salário de fazer inveja a qualquer super herói.


3. Fotógrafa-modelo-empresária-vlogger - a reacionária ostentação que concordou o tempo com o cineasta esquerdista, mesmo discordando. Leitora de Olavo de Carvalho e ativista política, Marta mostrou muita fibra ao bater nervosamente na câmera para denunciar o estágio avançado em que o golpe comunista se encontra no Brasil.


4. Equipe de televisão francesa - jovens bem intencionados e empenhados na árdua missão de tentar entender o Brasil a partir daquele complexo quiprocó. Pareciam inocentes ovelhinhas escocesas perdidas na selva amazônica:


E pra responder a pergunta dos colegas franceses e finalizar nossa série, a fotógrafa gritou em alto e bom som:



A imagem de um raio vermelho atingindo a mão do Cristo Redentor chamou a atenção de todos na semana que passou. Um dos maiores agitadores do Golpe Comunista 2014 na internet, o bolivariano golpista Gerson Carneiro, postou uma montagem em minha página do Facebook, seguida de um recadinho intimidador: "Engula essa, Wandeco. Te cuida!" :


Diante dessas cenas chocantes, nossa amiga reaça do Leblon provavelmente diria algo nessa linha: "São Pedro e Iansã foram cooptados pelo PT para executar um plano definitivo de consolidação do golpe comunista: a transformação de Jesus Cristo na imagem e semelhança de Lula"

#AcordaBrazil


No post "Voa, Telexfree!", em que falo sobre como a empresa de Carlos Costa e cia está enganando milhares de pessoas com o golpe da pirâmide de Ponzi, vários "divulgadores" da Telexfree vieram agredir, xingar e ameaçar este colunista. Dentre tantos absurdos, consegui pescar esse mimo um pouco mais civilizado:


No Jornalismo Wando
Leia Mais ►

O junho que nos desafia

A coruja de Minerva alça vôo ao entardecer, dizia Hegel na sua já batida, explorada e  genial sentença sobre o entendimento da História. Proponho que nos esforcemos para “lograr” Hegel e nos esforcemos para apressar nosso entendimento sobre junho de 2013.

Penso que até agora foram insuficientes as análises feitas pela esquerda - de todas as origens, inclusive as anarco-socialistas - sobre os movimentos  de junho do ano passado, como seguramente esta também o será. Uma parte da área acadêmica (e da direita pós-moderna), por outro lado,  com o apoio da “grande mídia”, apressou-se em espasmos de júbilo. Já etiquetavam positivamente os movimentos que estavam “começando um novo Brasil”, reverenciando um possível fracasso do projeto político que vem dirigindo o país desde 2002. Quando as ruas se voltaram também contra eles, passaram a ser mais cautelosos: recolheram a sua clientela de classe média para o recesso dos seus bares e dos seus lares.

Agora, os apoiadores incondicionais de todos os movimentos de rua festejam desde o acampamento na frente da casa do Governador do Rio - como se isso fosse um sintoma de inconformidade com a “dominação do capital” - até a quebra de vitrines de bancos, bancas de jornais, queimação de fuscas ou destruição de carros de pipocas, como “momento de radicalização dos movimentos sociais”.

Pode ser que este júbilo seja meio precipitado, porque se é verdade que é manifestação de revolta contra as carências sociais atuais, também são fatos de manipulação preciosa para que a “opinião pública” exija cada vez mais repressão.

Os “especialistas” ouvidos pelos jornais, ordinariamente de direita, explicam exaustivamente os acontecimentos com aquela conhecida empáfia de quem “já sabia disso há muito tempo” e com a comodidade de quem nunca terá quer responder pela opinião dada, pois sempre são rapidamente utilizados pelas editorias e,  se não servirem aos desígnios de formação de uma opinião   conservadora anti-governo e anti-esquerda, — que a imprensa tradicional  sempre  quer impor — serão rapidamente descartados.

Não é necessário ser “especialista”, sociólogo ou politólogo, muito menos colunista de opinião, para saber que há novas demandas nas ruas. Novos sujeitos sociais em movimento, novos contingentes de jovens,  setores do mundo do trabalho, estudantes, empregados em serviços de baixo rendimento, desempregados e marginalizados que até há pouco não tinham expressão formal nas lutas sociais, que hoje fazem tremer as já enferrujadas estruturas democráticas do país, que se desorganizam por fora dos partidos e dos sindicatos  tradicionais.

Isso tem causas obviamente econômicas e sociais, que vão desde a pobreza cultural e física do modo de vida urbano nas grandes metrópoles até a falta de qualidade dos serviços públicos, passando pelo consumismo propagado e, ao mesmo tempo, negado  dos seus melhores produtos, para a ampla maioria do povo.

O que constituiu e vai dar permanência — em sentido ainda a ser determinado - aos movimentos de junho foi a combinação da objetividade da crise do capitalismo “sentida” por todos em todos os lugares e a possibilidade da socialização do conjunto variado de inconformidades através das novas tecnologias infodigitais em rede. Inconformidades somadas e ainda não sintetizadas numa nova experiência política e programática, que só pode partir de uma nova e clara proposta de Estado.

Antes foi “todo poder aos sovietes”, mas duvido que hoje possa ser “todo poder às redes”. Estas não tem nem corte de orgânico de classe definido nem podem constituir, sem burocracia  novas instituições formais de poder nem uma nova civilidade socialista democrática São, sem qualquer dúvida,  tanto instrumentos indispensáveis para um novo tipo  de controle público do estado, como podem ser fundamentos de um novo  espontaneísmo que, de espasmo em espasmo, poderá se esgotar como incentivo às práticas políticas de natureza revolucionária. E mais, pode tornar-se — o que depende de quem vai ter a hegemonia nas redes — instrumento de um novo tipo de fascismo, que Boaventura Souza Santos chamou de “fascismo societal”.

Gramsci dizia nos seus Cadernos que a teoria ricardiana do valor-trabalho não provocou nenhum escândalo “porque não representava nenhum perigo”, revelava-se apenas como “fato” e que  o seu “valor polêmico e de educação moral e política, mesmo sem perda da objetividade, só iria ser adquirido com a Economia crítica”. Estes movimentos em rede e nas ruas, até agora,  não só não representam nenhum perigo para o capitalismo — independentemente dos objetivos éticos e políticos dos grupos esquerdistas ou de esquerda que dele participam — como só poderão tornar-se parteiros do futuro se  as suas demandas fragmentárias se constituírem como demandas políticas. Demandas de classes e setores de classes que  transformem as maiorias em movimento em hegemonia  política e  cultural de novo tipo, “por fora” da indústria cultural de massas do capitalismo em  crise.

Aquilo que David Harvey chama de “Partido da Wall Street” não é apenas um centro de inteligência política  do capital financeiro, mas é também uma captura do Estado pelo capital financeiro privado através da dívida pública, um “modo de vida” profundamente entranhado em vastos setores da população pelo estímulo ao consumismo predatória e uma redução dura da afetividade comunitária — de sentido público — que veio das lutas operárias de grande parte do século passado.

A  “falta de civilização” que,  segundo Lênin, impedia a Revolução Bolchevique de avançar para  o socialismo, hoje está configurada inclusive na falta de civilização para avançar na questão democrática — que é efetivamente o nosso problema — porque as próprias saídas de crises, dentro do sistema de poder atual,  só podem se dar com mais desigualdade e mais extorsão dos  direitos dos “incluídos”, ou seja, com menos democracia.

A representação política cada vez mais deslegitimada, assim, ajuda a deslegitimar toda a política, inclusive a futura política daqueles que ainda não chegaram ao poder de Estado, porque jamais as demandas sociais, principalmente agora que são cada vez mais variadas e exigentes, serão respondidas no “curtoprazismo” demandado pelas ruas.

A captura dos Estados pelo capital financeiro em escala global — agora já em êxtase definitivo com a rendição completa de Hollande — exige um  olhar mais  acurado sobre as técnicas e táticas do neoliberalismo para tornar o Estado cada vez mais impotente. Este, enfraquecido, promoverá como sucedâneo o enfraquecimento maior da ação política e um estímulo ainda maior à alienação e ao privatismo, radicalizando, não a democracia, mas o potencial autoritário que está contido nele, em qualquer Estado.

Pode ocorrer, assim, no terreno da política, para os movimentos socialistas, o que  já ocorreu no plano da literatura quando já germinava a pós-modernidade: o abandono do Herói-Príncipe (o Partido, seja ele qual for) e o abandono do Caudal de Fatos (o Programa),  que  são constitutivos do enredo dramático da Revolução: Joyce, com Ulysses, instintivamente transformou toda a literatura anterior num fluxo de idéias e associações. Como disse Arnold Hauser, ao invés de protagonismo “uma corrente de consciência interminável, ininterrupto monólogo interior.” No terreno da política, isso significa um movimento que não saia de si mesmo e seja só idêntico a si mesmo, sem transcender para capacitar-se como novo poder democrático a partir de um novo Estado, “um ininterrupto monólogo interior.”

Em 1982 Nicolás Sartorius — quadro do PCE e um dos fundadores das “Comisiones Obreras” — já alarmava-se com a falta de avanços sociais mais significativos na democracia espanhola e com a marginalização da esquerda marxista em curso, segundo Sartorius, pelo PSOE (“Siempre a la izquierda”, Ed. Primeiro de Mayo).

Hoje, dentro da crise espanhola, toda esquerda tradicional está impotente politicamente e surgem novos movimentos em rede, estes conscientemente querendo tornar-se proposta e projeto político para governar o país, justamente desconfiados e  sem qualquer apoio significativo dos partidos tradicionais da esquerda.  Mais de trinta anos após a advertência de Sartorius a Espanha sofre um governo liberal-conservador que vai devastar até a memória social-democrata.

Penso que os partidos tradicionais do campo popular, sejam  social-democratas de esquerda ou comunistas das mais variadas cepas,  devem deixar de agir como espectadores condescendentes ou “infiltrados” com “raro senso de oportunidade”. É preciso ir entendendo a variedade e a riqueza destes movimentos e travando, paralelamente, uma dura batalha ideológica, política e organizativa, pela renovação do projeto socialista, a partir da “democracia real”. Ambos — democracia e socialismo — não cabem mais só no leito futuro a ser preparado pelo movimento operário industrial do século passado. Nem nos desejos consumistas desvairados da classe média alta, auto-exilada nos seus templos de consumo suntuário.

Tarso Genro, governador do Rio Grande do Sul
No Carta Maior
Leia Mais ►

Papa gaio


Em sua turnê de costume aos fiéis na Praça de São Pedro antes da Audiência Geral, o Papa Francisco parou para saudar os 300 artistas de circo que estavam presentes hoje na reunião. Um dos artistas passou ao Papa um papagaio verde e Francisco o manteve por alguns momentos, fazendo amizade com o animal. A maioria dos artistas são de Bergantino na província de Rovigo (AFP / Pizzoli)
Leia Mais ►

Tem um fusquinha no meio do caminho

O fusca de um serralheiro incendiado por manifestantes anti-Copa simboliza o equívoco dos que oferecem destinos redentores à sociedade sem combinar com ela.

Acontecimentos fortuitos muitas vezes sintetizam uma época melhor que as ações deliberadas de seus personagens.

Quando Maria Antonieta — afirma-se — num rasgo de espontaneidade aconselhou a plebe rude a optar por  brioches à falta do pão, revelou-se por inteiro o abismo  entre a rua que acabara de derrubar a Bastilha  e a monarquia agonizante de Luiz XVI.

O general João Figueiredo, ditador entre 1979 e 1985, sintetizou  o apreço do regime pela gente brasileira esponjando-se na língua das estrebarias: ‘Prefiro o cheiro de cavalo ao de povo’.

Na largada da campanha tucana em 2010, Eliane Cantanhêde, colunista da Folha, definiu-se  melhor que seus críticos ao explicar:  "O PSDB é um partido de massa, mas uma massa cheirosa".

O Fusquinha 75 incendiado na avenida  da Consolação, em SP, no  sábado (25/01), revelou  uma incomoda dimensão dos protestos contra a Copa de 2014.

Black blocs que interrompiam a via atribuem o acidente  ao piloto, que teria avançado sobre um bloqueio de fogo com crianças a bordo.

Itamar Santos, serralheiro pobre de 55 anos, rejeita o papel de vilão.

Um colchão em chamas, disse ao blog da Cidadania, foi atirado sobre o seu carro quando avançava para escapar de protestos, teoricamente, em defesa  de brasileiro pobres como ele.

O  Fusquinha no meio do caminho é a pedra no sapato dos que oferecem destinos redentores à sociedade sem combinar com ela — nem dizer como se chega lá.

Contrapor objetivos distintos aos do governo, qualquer governo, é legítimo.

Sem adicionar aos enunciados as linhas de passagem capaz de  materializá-los, porém, rebaixa-se  a política ao plano do bate-boca inconsequente.

Dispersa em vez de organizar.

A oposição conservadora  também é useira e vezeira na atividade exclamativa.

Desprovidos de compromissos com a sorte da nação e de sua gente, seus economistas, egressos em geral do vale tudo financeiro, colecionam receitas de como tocar fogo no país, indiferentes aos ocupantes dos Fusquinhas no meio do caminho.

A instabilidade cambial que ronda as nações em desenvolvimento nesse momento, antes de preocupá-los é vista como um bom aditivo para queimar caravelas.

Move-os a esférica certeza de que o legado recente é incompatível com o  futuro recomendado ao país.

A saber: aquele nascido de uma purga ortodoxa, capaz de limpar o tecido econômico de qualquer vestígio de soberania, interesse público e justiça social.

O problema dessa lógica é o bendito Fusquinha atrapalhando o tráfego das boas causas.

Fortemente ancorada na ampliação do mercado de massa, a economia brasileira avançou nos últimos anos apoiada em ingredientes daquilo que a emissão conservadora denomina ‘Custo país’.

Em tempos de interdições inflamáveis, nunca é demais recordar.

O salário mínimo teve uma elevação do poder de compra da ordem de 70% desde 2003, acima da inflação; 16 milhões de vagas foram abertas  no mercado de trabalho, regidas pela regulação trabalhistas da era Vargas; políticas sociais destinadas a mitigar a fome e a miséria atingem mais de 55 milhões de pessoas atualmente.

No Fórum Social Temático, em Porto Alegre, a ministra Tereza Campello deu um exemplo do que está subjacente a estatísticas para as quais o vocabulário conservador reserva apenas uma palavra: assistencialismo.

Pela primeira vez na história do país,  disse Campello, uma geração de crianças pobres, que  agora completa 12 anos, nasceu e cresceu livre da fome.

O blackboquismo nas suas variadas versões dá de ombros.

O mesmo trejeito merece o cinturão de segurança de US$ 375 bilhões em reservas internacionais acumuladas  no período de fastígio das commodities — ‘ciclo desperdiçado pelo governo do PT’, assevera-se.

Não fosse ele, o Brasil seria presa fácil da volatilidade internacional desse momento, com consequências sabidas e equivalentes às da tripla quebra no ciclo tucano.

Mas a blindagem figura como um retrocesso do ponto de vista de quem acredita  que as conquistas dos últimos 12 anos devem ser corroídas para reduzir  o custo do investimento privado e aliviar o ‘gastança’ fiscal.

Aí sim, sobre os escombros, brotaria uma nova matriz de crescimento ‘mais leve, ágil e competitiva’, temperada por um corte geral de tarifas de importações.

O diabo, de novo, é o Fusquinha  na contramão do schumpeterismo  blanquista.

Dentro dele, 40 milhões de brasileiros saídos da pobreza extrema e outros tantos que ascenderam na pirâmide social formam a vértebra decisiva de um dos mais cobiçados mercados de massa do planeta.

Os jovens da chamada classe C, por exemplo, tornaram-se majoritários no mercado de consumo.

Em 2013 eles realizaram compras no valor de quase R$ 130 bi — R$ 50 bi acima do valor consumido pela juventude dos segmentos A e B (Data Popular).

Juntas, as faixas de renda C, D e E reúnem 155 milhões de pessoas, o que faz da demanda popular brasileira, sozinha, o 16º mercado consumidor do planeta.

É esse o recheio do Fusquinha que avança na contramão da dupla barreira, a incendiária  e a purgativa, que sacode o debate do passo seguinte do país.

Reconheça-se, o tráfego social e econômico brasileiro tornou-se bem menos linear sob a pressão do fluxo de demandas, prazos e requisitos para o seu atendimento.

Cada urgência tem um  custo e quase nunca ele é neutro em relação a outra.

Nenhuma novidade.

Desequilíbrio e desenvolvimento são irmãos siameses — exceto quando se entende por desenvolvimento a mera concentração da riqueza nas mãos dos endinheirados.

O Brasil talvez tenha avançado demais para regredir a essa modalidade de paz do salazarismo social.

As multidões que invadiram a economia dentro do Fusquinha não aceitam dar meia volta na estrada da ascensão experimentada nos últimos anos.

Uma nova macroeconomia do desenvolvimento terá que ser construída em negociação permanente com elas.

Ou contra elas  — correndo-se o risco de ser atropelado por elas.

A contingência não incomoda apenas o blackbloquismo nas suas variantes sabidas.

Significa também que a vitória progressista em 2014 somente será consistente se ancorada na decisão política de promover a mutação do  Brasil que se tornou majoritário na pista do consumo, em um Brasil hegemônico na repactuação de projeto de nação para o século 21.

Carta Maior, propositadamente, insiste em repetir: para isso é preciso — ao contrário do que fazem os shoppings aos sábados — alargar as portas da  democracia e criar os  instrumentos que forem necessários para sustentá-la.

Não adianta interditar o tráfego. Nem tacar fogo no Fusquinha das demandas populares.

A ver

Saul Leblon
No Carta Maior
Leia Mais ►