25 de jan de 2014

Pasta 2474 no futuro da AP 470

Decisão de Lewandovski pode revelar segredos importantes do julgamento

Ao liberar o conteúdo da pasta 2474 para oito advogados que haviam pedido o direito de consultar um imenso conjunto de documentos que tem relação penal 470, mas sempre foram mantidos em segredo, o ministro Ricardo Lewandovski tomou uma decisão que pode ter relevância histórica.

A pasta 2474 era mantida em segredo por Joaquim Barbosa. Envolve provas, fatos e indícios que não foram incorporados aos autos da ação penal.

Quando ele deixou a relatoria da ação penal, em agosto do ano passado, o inquérito sobre foi redistribuído e entregue ao ministro Luiz Roberto Barroso.

No mesmo dia, o advogado de Henrique Pizzolato, Martius Savio Cavalcanti, marcou uma audiência com o ministro. Reapresentou o pedido para ter acesso a pasta. Barroso prometeu uma resposta em três dias. Sua decisão foi abrir mão do caso, alegando razões de “foro íntimo,” que não obrigam o juiz a fundamentar seu pedido em razões objetivas.

O caso foi redistribuído mais uma vez. Acabou nas mãos de Ricardo Lewandovski que decidiu atender ao pedido dos advogados. Aqueles oito que, no passado, tiveram seu pedido negado agora poderão ter conhecimento de seu conteúdo.

É uma decisão importante.

Primeiro, porque permitirá que os réus e seus advogados tenham conhecimento de todos os dados apurados na investigação — e que foram excluídos dos autos sem que se possa saber exatamente por que.

Embora o julgamento já esteja em sua fase final — os réus estão presos, alguns já pagaram multa, falta julgar os pedidos de embargos infringentes — todos só terão a ganhar quando todos os dados forem colocados a mesa.

É absurdo pensar que isso vai acontecer DEPOIS das sentenças mas é disso que estamos falando.

O segundo ponto é que a pasta 2474 oficializa fatos e provas que até agora eram vistos de forma esparsa e informal. O interesse do advogado de Pizzolato sobre o assunto não é casual. O papel de gerentes executivos e diretores do Banco do Brasil que partilharam decisões relativas a Visanet — assinando notas técnicas e definindo pagamentos — nunca foi explicado na ação penal 470. Pode estar bem esclarecido na pasta 2474, que reúne um inquérito sobre outros diretores.

Pizzolato foi condenado como “único responsável” pelo desvio de R$ 73,8 milhões para o esquema de Marcos Valério. Mas sequer era o responsável pelos pagamentos, que tinham como gestor um outro diretor do banco, nomeado, conhecido e identificado — e desaparecido dos autos da AP 470.

Uma das teses mais caras a defesa, a de que, se houve crime, ele não foi cometido isoladamente, pode ganhar maior sustentação a partir daí.

Outros pontos também podem ser esclarecidos. Apesar de seus imensos esforços para se aproximar do esquema Marcos Valério-Delúbio Soares, o banqueiro Daniel Dantas sequer foi citado na ap 470. É curioso, já que sua atuação foi descrita de modo detalhado pela investigação do delegado Luiz Fernando Zampronha, da Polícia Federal.

Os publicitários Ramon Hollerbach e Cristiano Paz, da SMP&B, também podem ter acesso a informações que podem ser úteis.

O que pode ocorrer com isso? Difícil saber agora.

O lote de documentos reunidos na pasta 2474 é imenso. Compreende um total de 78 volumes, que terão de ser estudados e conferidos.

A experiência ensina que documentos mantidos em segredo não fazem bem a Justiça, que pede transparência e lealdade a todos. Não pode haver a menor suspeita de distorção nem de qualquer irregularidade num caso dessa relevância. Não se trata, é claro, de acusar nem denunciar por antecipação.

O Caso Dreyfus, o mais conhecido caso de fraude jurídica da história, levou cinco anos para ser esclarecido, embora o julgamento tenha durado 72 horas.

O erro de sua condenação foi estabelecido um ano depois do julgamento, quando um oficial da área de informações resolveu fazer um novo exame das provas e descobriu que nada havia para incriminar aquele jovem capitão do Exército francês. Estava claro que o verdadeiro espião que todos procuravam era outra pessoa.

Mas isso não adiantou muito. Para evitar uma revisão, começaram a surgir novas provas — fraudadas — para incriminá-lo, o que atrasou o processo por mais tempo. Condenado em 1895, Dreyfus seria liberado, por graça presidencial, pois os tribunais jamais declararam sua inocencia, em setembro de 1899. Um ano antes, o oficial que havia forjado documentos para proteger os superiores foi desmascarado e cometeu suicídio.

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Esquema paranaense


Empresária Ana Cristina Aquino diz que negociatas para abrir filial de sua empresa no Paraná incluíam pagamento de propina para Pepe Richa, irmão do governador do Estado

Em depoimento registrado em cartório sobre os esquemas dos quais participou, a empresária Ana Cristina Aquino envolve a cúpula do governo do Paraná. Em pelo menos quatro páginas desse registro, Ana descreve um emaranhado de ligações de políticos com empresários em torno do interesse em negócios milionários e suspeitos e diz temer pela própria vida desde que decidiu contar o que sabe. Segundo ela, Pepe Richa, hoje secretário de Logística e irmão do governador do Paraná, o tucano Beto Richa, e Amaury Escudero, atual representante do escritório do governo em Brasília, se tornaram seus parceiros no ambicioso plano: o de abrir uma filial da sua empresa no Estado com a finalidade de fechar um contrato com a montadora Renault do Brasil. Um negócio que poderia render milhões por mês.

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MILHÕES EM JOGO
Segundo a empresária, Pepe Richa (abaixo), secretário de Logística
e irmão do governador do Paraná, Beto Richa (acima), queria lucrar com o contrato entre
a AGX Log e a montadora Renault. Acima, cópia da agenda entregue ao MP listando as propinas

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De acordo com o depoimento da empresária, a negociação era intermediada pelo advogado João Graça, que é do PDT e chegou a ser cotado para a vaga de suplente da senadora e ex-ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, em 2010. Segundo Ana Aquino, João Graça se aproximou do poder no Paraná depois de comandar a Superintendência Regional do Trabalho, entre 2007 e 2009. No segundo semestre de 2012, disse a empresária, o advogado marcou uma reunião entre ela e Amaury Escudero. O objetivo era arquitetar como agiriam em grupo para viabilizar o negócio com a Renault. No encontro, segundo a empresária, ficou decidido que o secretário Pepe Richa e Escudero pressionariam a montadora para contratar a transportadora de Ana, usando como instrumento de barganha uma série de isenções ficais concedidas pelo governo a montadoras nos últimos anos. O apoio, entretanto, custaria alto. “Eu perguntei ao Amaury (Escudero): ‘O que o senhor ganha com isso? O senhor vai me botar na Renault de graça, do nada?’ Ele então falou que eles ficariam com 20% da empresa. Mas que colocaria em nome do advogado João Graça. Seriam 10% de um e 10% do outro”, afirmou em entrevista à IstoÉ.

Documento da Junta Comercial referente à empresa AGX Log – criada também por ela – mostra que João Graça se tornou dono de 20% das cotas em julho de 2012. O advogado apresentou duas versões para o fato. Na primeira, disse que nunca foi sócio da Ana Aquino e nem sequer conhecia a empresária. Confrontado com os registros oficiais, admitiu a sociedade. Graça oficializou sua saída em agosto do ano passado, depois de um desentendimento com Ana Cristina. Procurado novamente na quinta-feira 23, disse que não se manifestaria sobre as denúncias até conhecer o teor das escutas. Na sexta-feira 24, Escudero disse que as acusações são falsas e que jamais houve as reuniões citadas pela empresária. Ele afirma que os acessos a seu gabinete são todos registrados e que pode comprovar que a empresária está mentindo. “Não posso aceitar ser objeto de um jogo político que nem sei qual é. Essa pessoa não tem credibilidade para me acusar”, afirma Escudero.

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O depoimento da empresária revela outra faceta do negócio. Em troca do apoio para que o grupo AG Log entrasse no Paraná e conseguisse o contrato da Renault, o irmão do governador também teria recebido propina. “O Pepe Richa recebeu R$ 500 mil. Não foi da minha mão, foi da mão da Suzana Leite, uma lobista. O Gabardo (Sergio) me entregou o dinheiro para eu levar ao Paraná. Dei o dinheiro para ela e fiquei dentro do carro esperando”, diz ela. A entrega teria ocorrido na semana anterior à inauguração da sede da AGX Log no Estado, em 11 de abril de 2013. Segundo Ana, Pepe estaria tão envolvido com os negócios da transportadora que emprestou o seu nome para figurar no convite da festa de inauguração, a pretexto de fazer uma palestra, e ainda se encarregou de distribuí-lo aos políticos. “ Como ele estava ganhando, deu essa ajuda porque eu não era conhecida. Não levaria os políticos para o evento”, disse. Suzana Leite afirmou que as acusações não têm fundamento. Já Pepe Richa classificou as declarações de Ana Cristina de “infundadas, caluniosas e irresponsáveis”. Disse ainda que a AG Log não é prestadora de serviços da Renault no Paraná.

Em encontro no segundo semestre de 2012,
ficou decidido que Pepe Richa pressionaria  a montadora
para contratar a transportadora de Ana Cristina

No documento que registrou em cartório, a empresária confirma que a negociata não deu certo. O contrato não saiu, mas as dívidas da empresa se multiplicaram. Incentivada pelo grupo a buscar dinheiro no mercado para montar a frota exigida pela montadora, Ana Aquino recorreu a agiotas. Para validar os empréstimos, ela diz que apresentava um contrato assinado pelos integrantes do governo e pelo funcionário da Renault Julio Barrinuevo, que também teria recebido propina para facilitar o negócio com a montadora. O contrato não tinha validade jurídica nem veracidade. “Só quem se deu mal fui eu”, disparou.  

“O Pepe Richa recebeu R$ 500 mil. Eu saquei esse dinheiro”

As dívidas acumuladas por Ana Cristina Aquino são, em boa parte, originadas no Paraná. Nas conversas, ela contou que montou uma frota de caminhões para ganhar um contrato com a Renault e que pagou R$ 500 mil para o irmão do governador. A seguir, trechos da entrevista:

A senhora manteve negócios com integrantes da cúpula do governo do Paraná?

Ana Cristina Aquino –
O João Graça me chamou e disse que tinha um negócio para mim. Viajei até Londrina e, chegando lá, ouvi que havia um projeto grandioso com a empresa Renault. A proposta era que eu levasse a AG Log para o Paraná. João Graça disse que não tinha problema porque havia muitos políticos envolvidos nesse negócio.

“Para tratar sobre dinheiro, ela (Suzana Leite) falava: o boss  (Pepe Richa) pediu para você conseguir um agrado  de tantos mil”

Mas quem eram esses políticos?

Ana –
Uma semana depois, foi marcado meu encontro em Curitiba com o João Graça e com o Amaury Escudero. Tivemos uma reunião fechada para discutir esse contrato. Amaury se propôs a pressionar a Renault para colocar a AG Log no negócio. Ele disse que cobraria a conta de uma série de benefícios fiscais que o Estado teria dado à empresa, e que, se a montadora se negasse, ele teria como pressioná-los. Eu disse: e o que o senhor ganha comisso? Ele então explicou que teria 20% da empresa, mas que colocaria em nome do João Graça. Mas seriam 10% de um e 10% do outro. Depois dessa conversa houve mais uns três encontros e aí fui entendendo o negócio. Tinha muita gente do governo do Paraná envolvida. Posso dizer que o Pepe Richa (irmão do governador do Paraná) recebeu R$ 500 mil. Eu saquei esse dinheiro.

Recebeu da sua mão?

Ana –
Não foi da minha mão, foi da mão da Suzana Leite. Ela é uma lobista, uma espécie de Marcos Valério.

A senhora tratou sobre esse assunto com o governador Beto Richa?

Ana –
Cheguei a encontrar com o governador, mas não tratei nada com ele. Era só com o Pepe mesmo. A Suzana Leite chama o Pepe de “boss”. Para tratar sobre dinheiro, ela falava: “O boss pediu para você conseguir um agrado de tantos mil”.

Izabelle Torres
No IstoÉ
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Flagrantes Curso Básico de Jornalismo Manipulativo

Fotos de alguns poucos brasileiros com alto grau de deficiência cognitiva, mas orgulhosos de sua condição.

Não ria. Eles realmente pensam que Copa do Mundo é gasto, e não investimento, e que a realização dela trará menos, e não mais, dinheiro para a Saúde, Educação, Segurança, etc.

A combinação de deficiência cognitiva com onipotência infantil (#NãovaiterCopa, ou seja, “Se eu quero algo, danem-se os desejos de 190 milhões de pessoas”) deve gerar compaixão, e não crítica ou deboche.

Enquanto houver futuro, há esperança de cura.

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“… pediu a destinação desses recursos para saúde, educação e moradia.” Isso. Não ria. Todos temos nossos problemas.

São Paulo
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Curitiba
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Brasília
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Rio de Janeiro
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Porto Alegre
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No CBJM
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CIA usa prisión clandestina en Polonia para torturar reos

Al menos tres cárceles utiliza la CIA en Europa para
torturar a los que consideran terroristas, señala
The Washington Post
(Foto:Reuters)
Dos oficiales de alto rango de la Agencia Central de Inteligencia estadounidense pagaron en 2003 unos 15 millones de dólares por utilizar la prisión secreta exclusiva para fustigar a los prisioneros traídos de la cárcel de Guantánamo, por ejemplo. Se estima que algunos reos murieron tras el castigo.

La Agencia Central de Inteligencia (CIA) ha utilizado desde 2003 una centro de reclusión oculto en territorio polaco para torturar a los sospechosos del atentado del 11 de septiembre de 2001, informó este jueves el diario The Washington Post.

Dos oficiales de alto rango de la agencia estadounidense firmaron ese año un acuerdo con agentes de Inteligencia de Polonia, al cual la CIA tuvo que pagar unos 15 millones de dólares por utilizar la prisión secreta exclusiva para fustigar a los prisioneros traídos de la cárcel de Guantánamo, por ejemplo.

La agencia de Inteligencia comenzó a trasladar reos condenados por sus vinculados con el ataque a las torres gemelas a la prisión ubicada en los alrededores de los lagos de Polonia, antes de pagar el dinero que fue remitido desde Alemania a la embajada de EE.UU. en Varsovia (capital polaca), en un par de cajas de cartón por valija diplomática.

Esta fue la primera de tres cárceles secretas utilizadas por la CIA en Europa para interrogar y torturar a presuntos terroristas.

El diario señala que, Jalid Sheij Mohamad, conocido como el autor material de los atentados del 11 de septiembre, fue torturado en esta cárcel con diferentes técnicas de castigo, desde bofetadas, privación del sueño, hasta la técnica del ahogamiento simulado.

El Comité Selecto sobre Inteligencia del Senado de Estados Unidos tiene previsto publicar parte del informe de 6 mil páginas que expone sorprendentes detalles sobre los programas de detenciones e interrogaciones de la CIA.

Según las Naciones Unidas, el presidente Barack Obama dio por finalizado el programa de prisioneros de la CIA en su primera semana de mandato.

No obstante, en 2005 la organización de derechos humanos Human Rights Watch acusó a Polonia y Rumania, entre otros países de haber permitido que la CIA mantuviera centros de interrogatorio financiados por la Casa Blanca (sede de gobierno de EE.UU.)

El investigador especial del Parlamento Europeo Dick Marty publicó en 2007 en el que probaba la existencia de cárceles secretas en el este de Europa, pero todos los gobiernos polacos rechazaron esta posibilidad.

El principal objetivo actual de la CIA es captar información en el exterior en el marco de la lucha contra el terrorismo internacional. Hace unos años se estimaba que contaba con 17 mil trabajadores y un presupuesto anual de 3 mil millones de dólares.

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Só falta crucificar Dirceu

Na caça a ele vale tudo

Às vezes me pergunto como Dirceu faz para manter o espírito elevado.

Não me lembro de alguém que tenha sido tão continuamente perseguido pelos conservadores depois da ditadura.

Lula, comparativamente, é bem tratado.

Contei já que, no último almoço de final de ano da Abril com Roberto Civita vivo, um grupo de editores da Veja vibrava, no restaurante, com a perspectiva de prisão de Dirceu.

Talvez eles empregassem melhor seu tempo vendo como prolongar a vida da revista na era da internet, mas não. O que importava era ver Dirceu na cadeia.

A mídia não lhe dá trégua. Mais recentemente, na Era JB, a justiça também o caça sem misericórdia.

Sempre há um motivo, um pretexto. É o chamado vale tudo.

Agora, é um alegado telefonema proibido entre Dirceu e um secretário do governo da Bahia na Papuda. A Folha denunciou. Dirceu negou. O secretário negou. A direção do presídio investigou e negou.

Mesmo assim, Dirceu está pagando pela denúncia. A presunção de inocência não existe para ele.

Foi suspenso seu pedido de trabalho por 30 dias, porque a justiça desconfiou de todas as negativas, incluída aí a da direção da cadeia.

A quem apelar?

Joaquim Barbosa colocou na Vara de Execuções Penais de Brasília um juiz que faz o que ele, JB, quer.

E sabemos todos o que JB quer, além de dar rolezinhos na Europa e comprar Prada com um chapéu de parisiense na cabeça.

Que justiça é essa?

Quando JB deixar a presidência do STF, tudo vai mudar, sem que os fatos mudem — o que significa que a justiça no Brasil de hoje é uma questão não de evidências, não de lógica, mas de gosto e capricho pessoais, e de uma subjetividade patética.

No caso específico de Dirceu, alguma coisa está errada quando até um jurista conservador como Ives Gandra Martins afirma que ele foi condenado sem provas.

Ainda assim, ele está preso, enquanto seu algoz passeia pela Europa como um Bonaparte tropical, com diárias pagas pelo contribuinte — mesmo estando em férias.

Já disse e repito: a única coisa boa desse circo que foi o julgamento do Mensalão foi a oportunidade de vermos quanto são ruins e precários o STF e, por extensão, o sistema judiciário brasileiro.

Era uma ruindade escondida. Agora, ela está exposta. O Supremo é um ajuntamento de juízes toscos, solenes, com dificuldade de se expressar em português decente, deslumbrados com os holofotes — e facilmente manipuláveis pela mídia.

Sem reformar o STF e a justiça brasileira o avanço social de que o país precisa urgentemente ficará comprometido porque ali está o atraso do atraso.

Quanto a Dirceu, deveria gritar como Lennon num de seus clássicos da época em que passou a circular com Yoko: “Do jeito que as coisas vão, os caras vão me crucificar.”

Paulo Nogueira
No DCM
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Nota à Imprensa


A decisão da Vara de Execuções Penais (VEP) do Distrito Federal de suspender por 30 dias o pedido de trabalho do ex-ministro José Dirceu e pedir a reabertura da investigação sobre o suposto uso de celular dentro do presídio da Papuda não tem fundamento jurídico e presta-se apenas para protelar a regularização do regime semiaberto.

“A investigação é descabida”, afirma o advogado José Luis Oliveira Lima. “A VEP não tem competência legal para determinar sindicância contra o meu cliente, mas sim o diretor do presídio que determinou a investigação e concluiu pela improcedência dos fatos. Na segunda-feira vou ao STF contra essa decisão desprovida de fundamento jurídico”.

A investigação conduzida pela Secretaria de Segurança Pública do DF concluiu que o suposto telefonema entre o ex-ministro e o secretário da Indústria,  Comércio e Mineração da Bahia, James Correia, nunca ocorreu. De acordo com o diretor do Centro de Internamento e Reeducação (CIR), onde José Dirceu está preso, o fato é “inverídico”.

Na semana passada, a informação já havia sido negada enfaticamente pelo ex-ministro por meio de seu advogado. Em nota, o secretário James Correia também negou o conteúdo da reportagem do jornal Folha de S. Paulo. Segundo Correia, ele foi mal interpretado por um repórter da Bahia enquanto conversava, por telefone, durante um evento público, com um amigo em comum com José Dirceu que planejava visitá-lo no presídio.Em nenhum momento, ressaltou o secretário, ele teve qualquer contato com o ex-ministro depois da prisão em 15 de novembro.

Assessoria de imprensa do ex-ministro José Dirceu
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Jornalista sob pressão para assinar falsa acusação sofre infarto

Rogério Correia, líder do PT na Assembleia Legislativa, e Sávio Souza Cruz, do PMDB e líder da oposição

Delação premiada: M. A. Carone sob pressão para assinar falsa acusação

O diretor proprietário do Novo Jornal, Marco Aurélio Carone, internado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Oeste, Belo Horizonte, solicitou que chegasse aos deputados estaduais Sávio Souza Cruz (PMDB) e Rogério Correia (PT) a seguinte denúncia:

1. Que teria sido oferecida a ele, Marco Aurélio Carone, pelo promotor André Pinho, uma proposta de ”delação premiada”, cujos termos já lhe chegaram prontos, incriminando os deputados Sávio Souza Cruz e Rogério Correia, como responsáveis por matérias supostamente caluniosas veiculadas no Novo Jornal; matérias estas que desagradam politicamente à cúpula do PSDB e do governo mineiro.

2. O proprietário do Novo Jornal acrescenta ainda que o citado promotor teria lhe dito que “sua situação (a de Carone) seria resolvida caso ele concordasse em assinar o texto acusatório” aos deputados mencionados. Carone informou que recusara prontamente a oferta, por ser ela falsa.

3. Essa denúncia foi feita na presença dos profissionais de saúde que lhe prestavam assistência, de familiares, advogados, guardas penitenciários e outros transeuntes que observavam o local, já que sua permanência na UPA Oeste ganhara notoriedade e atraíra a atenção de outras pessoas.

4. Os citados deputados já adotaram medidas em relação a essa possível tentativa de se forjar uma acusação, completamente descabida, contra ambos. Deve se levar em consideração que já existe precedente para tal fato, quando Nilton Monteiro, de sua própria lavra, acusou o delegado Marcio Nabak de tentar negociar com ele o “instituto da delação premiada” em troca da acusação ao deputado Rogério Correia. Na ocasião, insistia o referido delegado na versão de que a Lista de Furnas teria sido elaborada por Monteiro, a pedido de Correia. A tese absurda desse delegado e de outros desafetos de Rogério Correia não prosperou, seja pela recusa de Monteiro a aceitar a proposta, seja pela comprovada autenticidade da afamada “lista”, seja por sua pronta reação frente ao Ministério Público, imprensa, e junto ao seu partido, nacionalmente, que inibiram mais essa tentativa de se forjar provas com claro objetivo de desqualificar a “Lista de Furnas”.

5. Reiteramos nossa preocupação com a integridade física de M. A. Carone. Suas condições de saúde são precárias e, sob pressão de propostas inescrupulosas, seu quadro pode se agravar.

Finalmente, fica cada vez mais claro que a atabalhoada armação para prender Carone e censurar seu “site” tem tudo a ver com o peso que terá o julgamento do chamado “mensalão tucano” e o andamento judicial da “Lista de Furnas”, no contexto das eleições de 2014.

Belo Horizonte, 24 de janeiro de 2014

PS do Viomundo: Na madrugada dessa sexta-feira 24, postamos Médicos dizem que preso em Minas corre risco de vida, diz Rogério Correia.

O preso é o jornalista Marco Aurélio Carone, que sofre de diabetes e hipertensão arterial há mais de dez anos.

Na terça-feira, 21, ele passou mal no presídio e foi levado para a UPA mais próxima. Como ele tem plano de saúde Unimed, conseguiu ser transferido para um hospital da rede. Nesta quinta-feira, 23, teve alta próximo à hora do almoço e voltou para o presídio. Passou mal de novo. Foi levado mais uma vez para a UPA. Só que no início da madrugada desta sexta-feira 24, ele foi transferido para outro setor da UPA, pois o quadro de saúde se agravou.

“O Carone teve infarto nessa madrugada. Neste momento, está a CTI do Hospital Biocor”, nos informou há pouco o deputado estadual Rogério Correia, líder do PT na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. “Além do tratamento e socorro inadequados durante essa semana em que está preso, ele ficou muito nervoso, muito tenso, ontem à noite com a pressão do promotor André Pinho para que ele fizesse acusações contra mim e o Sávio Souza Cruz em troca de ser libertado. Familiares me contaram que ele ficou repetindo, denunciando, para eles e para os profissionais de saúde que estavam na UPA, a pressão que acabara de sofrer.”
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O Brasil de Davos e de Mariel



A presidente Dilma chegou ontem (23) a Davos, na Suíça, para reunir-se, entre outras personalidades, com o presidente do país, Didier Burkhalter, o do grupo Saab (sócio brasileiro no projeto dos caças Gripen NG - Hakan Buskhe), o da Fifa, Joseph Blatter, e CEOs de grandes multinacionais, como a Unilever e a Novartis.

De lá, ela irá para Havana, Cuba, onde se encontrará com líderes do continente, na reunião da Celac (Comunidade de Estados da América Latina e do Caribe), e participará, junto ao presidente Raul Castro, de uma cerimônia emblemática: a inauguração da primeira etapa do terminal de contêineres e da Zona Especial de Desenvolvimento de Mariel, junto ao porto do mesmo nome, financiado com dinheiro brasileiro e construído por empresas nacionais de engenharia, em associação com firmas locais, no valor aproximado de um bilhão de dólares.

O objetivo do Brasil, no Fórum Econômico de Davos, é esclarecer aos investidores que, com relação à economia, por aqui o diabo não está tão feio quanto aparenta ou querem fazer que pareça. Para isso, os representantes brasileiros deverão apresentar dados como a queda da inadimplência, o aumento da arrecadação e a manutenção, no ano que passou, do Investimento Estrangeiro Direto em um patamar acima de 60 bilhões de dólares por ano, quase o mesmo, portanto, que o de 2012.

Já, em Cuba, o papel do Brasil será dar novo exemplo de seu “soft power” regional, exercido também por meio de grandes projetos de infraestrutura, voltados para melhorar as condições de vida de nossos vizinhos e parceiros, e integrar, pelo desenvolvimento, a América Latina.

O que paraguaios, bolivianos, peruanos, equatorianos e mexicanos vão ver, paralelamente à reunião da Celac, quando tomarem conhecimento da dimensão do projeto de Mariel — onde devem se instalar empresas brasileiras a partir do ano que vem, para montar produtos destinados às Américas e ao Pacífico, aproveitando a vizinhança do Canal do Panamá — não é muito diferente do que o Brasil já faz em seus respectivos países.

Basta lembrar o recém-inaugurado linhão elétrico de 500 kV entre Itaipu e Assunção, que permitirá, finalmente, a industrialização do Paraguai; o gasoduto Bolivia-Brasil, que gera, com a exportação de gás, boa parte do PIB boliviano; os corredores ferroviários e rodoviários bioceânicos, em fase de implantação, que nos levarão ao Peru, Bolívia e Chile, e por meio deles ao Oceano Pacífico; as obras do metrô de Quito, no Equador, que também tem participação brasileira; ou o maior projeto petroquímico em construção no México, que está sendo tocado, em associação com empresas locais, pela Braskem.

Para muita gente, o Brasil de Mariel, que tem consciência de sua dimensão geopolítica na América Latina, é incompatível com o Brasil de Davos, que, muita gente também acredita, deveria se sujeitar aos Estados Unidos e à Europa, em troca de capitais, acordos e investimentos.

Essa visão limitada, tacanha — defendida tanto por alguns setores da oposição quanto por gente do próprio governo e da base aliada — já foi ultrapassada pelos fatos, e deveria ser abandonada em benefício de um projeto de nação à altura de nosso destino e possibilidades.

Quanto mais poder tem um país, mais razões ele tem para ser pragmático, múltiplo, universal, no trato com as outras nações. Não podemos fechar as portas para ninguém, nem deixar de ter contato ou de fazer negócios com quem quer que seja, desde que essa relação se faça em igualdade de condições.

O que não deve impedir, nem limitar, nosso direito de eleger, estrategicamente, prioridades e alianças, específicas, no âmbito internacional, que nos permitam alcançar mais rapidamente nossas metas de fortalecimento do Brasil e de melhora das condições de vida da população brasileira.

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O que Dilma foi fazer em Davos

Dilma ter ido a Davos é um fato em si. Ela não iria para lá se não sentisse necessidade de tranquilizar os investidores estrangeiros.

É um encontro anual, este do Fórum Econômico Mundial. Desde que chegou ao Planalto Dilma jamais se interessara em viajar a Davos — uma cidadezinha linda no alto dos Alpes suíços que nesta época do ano fica toda branca de neve, e com temperaturas que podem chegar a menos 20.

Dilma só foi a Davos porque as circunstâncias mudaram. O deslumbramento com os países emergentes fazia com que seus líderes não tivessem que se esforçar muito para atrair investimentos estrangeiros.

Mas agora a empolgação esfriou. Não é um problema específico do Brasil, mas de todos os emergentes. Olhares oblíquos são endereçados até para a China.

O organizador do encontro — dono, na verdade, Klaus Schwab — usou uma expressão que diz muito sobre a mudança de percepção. Ele falou numa “crise da meia idade” dos emergentes.

Curiosamente, Davos também sofre dessa crise. O primeiro encontro foi em 1971. Na década de 1980 Davos foi uma espécie de símbolo da globalização.

Nos anos de ouro atraiu, além da elite mundial dos negócios, celebridades como a jovem Angelina Jolie. Todos os fotógrafos a fotografavam, e isso garantia mídia para Davos em todo o mundo.

Hoje é apenas um evento de negócios entre tantos outros. As celebridades sumiram e se instalaram subcelebridades como Paulo Coelho, sempre presente.

O encanto de Davos foi se esvaindo quando, com o passar dos anos, se percebeu que dali não brotavam soluções capazes de melhorar o mundo.

Ao mesmo tempo, estrelas como Jolie deixaram de ir porque notaram que estavam sendo usadas como escada para elevar o faturamento da empresa que organiza o encontro. (Davos é um negócio privado: as empresas participantes pagam para estar lá.)

Empresários, executivos e líderes políticos se reúnem durante quatro ou cinco dias. São ouvidos e entrevistados por jornalistas de diversas partes. Há, sempre, uma pauta central: a deste ano é a questão da desigualdade.

Cobri duas vezes Davos, na década de 2000, e as coisas que lembro com mais carinho são, primeiro, o trajeto de trem de Zurique a Davos, espantosamente lindo, sobretudo no trecho dos Alpes. Você vê pela janela neve, riachos, esquiadores, e tem vontade que a viagem não termine.

A segunda lembrança forte é o sabor excepcional dos fondues de Zurique. Eu enfrentava com alegria a neve para comer foundue ali no centro da cidade pouco antes que os restaurantes fechassem, às 11 da noite.

Davos é hoje muito menos do que foi. É mais uma boca livre — e uma chance de trocar cartões — do que um encontro de líderes capazes de transformar o mundo em algo melhor.

Nesta reunião de 2014, o fato mais relevante para os brasileiros é, simplesmente, que Dilma achou melhor ir. Numa analogia, você não vai ao dentista se o dente não incomoda.

Isto mostra que o governo sentiu a inquietação dos investidores estrangeiros: esta é a notícia.

Paulo Nogueira
No DCM

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Marginalidade da polícia do governo tucano de Alckmin sabota programa da prefeitura



Policiais civis de SP são suspeitos de comandar tráfico na cracolândia
Folha de S.Paulo

Corregedoria confirma investigação de policiais por achaque na Cracolândia
O Estado de S.Paulo



Nota sobre operação na Cracolândia

A administração municipal foi surpreendida pela ação policial repressiva realizada hoje na região da Cracolândia pelo Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), da Policia Civil.

A Prefeitura repudia esse tipo de intervenção, que fez uso de balas de borracha e bombas de efeito moral contra uma multidão formada por trabalhadores, agentes públicos de saúde e assistência e pessoas em situação de rua, miséria, exclusão social e grave dependência química. A “Operação de Braços Abertos” é uma política pública municipal pactuada com o governo estadual, que preconiza a não-violência e na qual a prisão de traficantes deve ser feita sem uso desproporcional de força.

Agentes da Prefeitura trabalham há seis meses para conquistar a confiança e obter a colaboração das pessoas atendidas. A administração reafirma seu empenho na solução deste problema da cidade e manifesta sua preocupação com este tipo de incidente, que pode comprometer a continuidade do programa. E expressou essa posição diretamente ao Governo do Estado.

Secretaria de Comunicação
Prefeitura de São Paulo

A hora de Alckmin enquadrar o Denarc

Homem é dominado por policiais na Cracolândia - JF Diorio/EstadãoNa gestão Kassab, a Secretaria da Saúde do município tentou um trabalho de convencimento da população da cracolândia, para aderir a tratamentos. Foi atropelada pela ação do Denarc (Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico). Essa interferência foi fundamental para o fracasso posterior das duas operações Cracolândia do governo Alckmin.

Agora, entram de novo em ação, visando boicotar a Operação Cracolândia. Não querem perder a primazia sobre um setor aberto a toda forma de exploração.

É um exemplo acabado da crise das instituições de segurança de São Paulo, especialmente da Polícia Civil e da Polícia Militar.

Ou Alckmin mostra um mínimo de discernimento e comando, e enquadra esses subversivos, ou não haverá Secretário de Segurança com autoridade para enquadrar a marginalidade da polícia.

Luis Nassif
No GGN

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