20 de jan de 2014

Vem prá rua você também


O PSDB não chegou à direita pelas próprias pernas. Teve a ajuda do Partido dos Trabalhadores (PT) que se mudou para o centro, distendeu-o, e tornou praticamente inviável a existência de uma coalizão de centro esquerda. Aécio Neves nunca foi reformista, mas julgá-lo um direitista genético é exercício de ativista dogmático. O centro distendido sob hegemonia do PT empurrou a oposição para a vizinhança da extrema direita, precipitando a derrota intestina de José Serra, agarrado a um reacionarismo impensável em quem discursou no comício da Central do Brasil, em 13 de março de 1964. À oposição restam bandeiras pragmaticamente vazias, tais como a encenada indignação moral e acenos genéricos de eficiência. Sem falar no reacionarismo religioso e a defesa de um livre mercadismo de fachada. Como é notório, só com brutal intervenção do Estado um governo de centro-direita será capaz de subverter a legislação petrolífera, os programas Mais-Médicos e Minha Casa, Minha Vida. Mesmo para fazê-los definhar um governo de centro-direita precisará de boa dose de coação sobre uma burocracia estatal comprometida com o progresso, ademais de extrair enorme boa vontade do Congresso Nacional. Esse mesmo Congresso, aviltado pela imprensa conservadora e pela esquerda caolha, foi a instituição que aprovou o regime de partilha do pré-sal, ainda no governo Lula, e tem apoiado as principais políticas sociais do governo Dilma Roussef. Uma política de liberalismo desenfreado só será possível com a transformação do Estado brasileiro em variante do bismarckismo alemão. O avesso do que o eleitorado conservador deseja.

O centro estendido do PT também trouxe dificuldades para o campo progressista. A mais óbvia transparece na acusação de reacionarismo a qualquer opinião divergente, autônoma em relação à cadeia de comando dos líderes do centro-baleia, a começar pelas palavras de ordem do Partido dos Trabalhadores. Embutida na interdição esconde-se menor probabilidade de que deficiências reais de governança sejam proclamadas por aliados. Avanços sociais estão conectados a manifestações de inconformismo, sem automática identificação com a oposição do momento. Durante os governos Vargas e JK sucederam-se greves e passeatas a favor de políticas nacionalistas e de críticas a medidas específicas. As manifestações não atendiam a nenhuma convocação da direita, do tipo “Vem prá rua você também”, que atualmente apavora a esquerda e o governo. O governo opera com déficit de crítica consistente.

Reflexo do ambiente intoxicado, o sindicalismo operário emudeceu. Limitado a manifestos plenos de estereótipos, copia a genérica pauta direitista – ensino público de qualidade (nunca haverá suficiente, o conhecimento progride), saúde pública, transporte, moradia, segurança. Eligibilidade para os analfabetos, que é bom, nada; participação dos trabalhadores na administração das grandes corporações, nem pensar. Não mais do que dois exemplos de uma pauta latente, ausente da cogitação sindical. Os sindicatos não se recuperaram do choque de haver perdido o controle das ruas. Reescrever ideologicamente a história de junho de 2013 não garante a recuperação de iniciativa crível, seja por decreto, seja por currículo de glórias passadas.

Outra conseqüência da consolidação do centro expandido foi a instauração de um vazio institucional à esquerda, vicariamente ocupada por aglomerado de grupos heterogêneos. A coalizão parlamentar do governo tornou irrelevante o apoio da centro-esquerda. Sem considerar o PMDB, cuja análise não é simples, a coalizão do PT tem como coligados numéricos o PP/PROS, o PSD, o PR/PTdoB/ PRP, seguidos, até recentemente, pelo PSB, em parte pelo PDT e pelo PCdoB. O total de cadeiras deste último grupo (PSB, PDT e PCdoB) não ultrapassava 56 lugares. Só o PP, o PR e o PROS detêm um conjunto de 89 cadeiras na Câmara dos Deputados. A cooperação costurada entre os partidos deixou o PT a vários passos de distância de seu parceiro ideológico adjacente, o PSB (24 cadeiras). O rumo do governo é vigiado pelo núcleo duro da centro-direita. Independente dos motivos do governador Eduardo Campos, cujas alianças provocam resistências entre os socialistas, a saída do PSB do governo só surpreende pelo tempo que demorou a acontecer. Para um partido que busca crescer nas eleições proporcionais pela via ideológica da centro-esquerda, talvez a oportunidade tenha sido perdida. A tentativa de enfiar uma cunha entre o centro expandido do PT e o PSDB sofre das dificuldades diante da coalizão no poder e da incoerência ao aceitar o direitismo do Rede como segundo em comando (e há quem duvide que o Rede seja mesmo o segundo em comando) além das oscilações na conduta do candidato Eduardo Campos.

O vazio à esquerda tem sido ocupado por grupos inconformados com o estado do mundo, em geral. Desde logo, esse burburinho nada tem a ver com os “precariados” de Guy Standing (The Precariat – London, Bloomsbury, 2011), tese recém importada. Ao contrário de desempregados, trabalhadores temporários, classe média empobrecida e com miséria à vista, os manifestantes de junho de 2013 eram na maioria jovens de classe média ou empregados com salários acima de 2 salários mínimos (30,3% deles em 20 de junho de 2013, no Rio de Janeiro, segundo a Plus Marketing consultoria) e segmentos em processo de ascensão social. Outras pesquisas registraram o nível superior de estudos de expressivo número de participantes. Economicamente, o elevado custo do meio utilizado para a mobilização — as redes sociais eletrônicas — exclui os presumidos “precariados” da freqüência a participações. Vale registrar que, ao contrário da Europa, à intensidade das manifestações seguiu-se a rapidez de sua dissolução em números de manifestações, de participantes e de cidades contagiadas.

Além do equívoco da classificação de “precariados”, é simplismo considerar que uma convocação fascista obteria tamanho sucesso. Houve a infiltração fascistóide posterior, que terminou por se apropriar da liderança dos acontecimentos. A fragilidade estratégica desses aglomerados, contudo, revelou-se na velocidade com que os grupos de professores, enfermeiras, a maioria de funcionários públicos, foram abandonando as marchas. Reconhecer as diferenças entre os movimentos de 2013 e os movimentos europeus permite supor que as manifestações não aderiram, aqui, ao precipitado diagnóstico de fracasso da social democracia brasileira. A rejeição atingia todas as formas de participação institucionalizada. O que havia e há é um vácuo desde que a marcha para o centro levou o governo a esconder sob inegáveis vitórias econômicas a pauta de modernização do pluralismo social brasileiro: aborto assistido, relações homo afetivas, regulamentação do uso de drogas recreativas, pesquisas com seres vivos, temas, entre outros, eliminados por imposição da direita do centro. A Presidência tornou-se forte parlamentarmente ao preço de se enfraquecer perante a sociedade em mudança.

Algo de novo existe. Trata-se de inédito tipo de intervenção política. Grosso modo, a análise do capitalismo toma por base as classes, as corporações profissionais e cristalizados grupos de interesse. Entendo que os movimentos recentes são constituídos pelo ajuntamento de atores menos abrangentes do que as classificações preponderantes. Eles proliferam como pequenas coletividades de exígua tolerância e com exigentes critérios de pertencimento Denomino-os, sem ofensa, de “micróbios” (pequena vida), primeiro em razão de seu tamanho, e pelo fato de que não possuem denominador comum. Nem todos são patogênicos ou letais, que os há benéficos ao exercício da democracia. Nessa ecologia há lugar para micro legendas, como o PSTU e o PSOL, que encontram em tal cenário a rara oportunidade de serem notados. Comparecem também os grupos nanicos reivindicando direitos (moradores do bairro tal ou qual) ou só comemorando a própria existência, avessos a partidos, sindicatos ou corporações de ofício. São erupções intensas de vida política, mas de curta duração. Eficazes no curto prazo, sem influência em período mais extenso. Eleições são fenômenos de curto prazo, mas o fenômeno dos “micróbios” não é só eleitoralmente relevante. É uma criação da sociedade contemporânea e, portanto, compatível com a convocatória: “Vem prá rua você também”. Os democratas deviam adotá-la e voltar às ruas para conquistá-las.

Wanderley Guilherme dos Santos
Leia Mais ►

Antirracismo



Leia Mais ►

Nuevo documento: Kissinger dio luz verde al asesinato masivo en Argentina

El diario estadounidense Mother Jones pone en la mira el rol de EEUU ante la dictadura argentina. “Un embajador de EEUU reveló que su secretario de Estado Henry Kissinger (en la foto) había incitado a un régimen represivo a desatar una matanza”.
Foto: Mother Jones

Hace sólo unos meses, Henry Kissinger estaba bailando un poco raro con Stephen Colbert en el programa Comedy Central de este último. Pero durante años, el ex Secretario de Estado ha eludido el juicio por su complicidad en las horribles violaciones de los derechos humanos en el extranjero, y un nuevo documento proporciona una clara evidencia de que en 1976 Kissinger dio “luz verde” a la junta militar neo-fascista de Argentina para la guerra sucia que estaba llevando a cabo contra civiles y militantes de izquierda, hecho que dio lugar a la desaparición — es decir, la muerte — de unas 30.000 personas.

En abril de 1977, Patricia (Patt) Derian, una activista de los derechos civiles, a quien el presidente Jimmy Carter había nombrado secretaria de Estado adjunto para los derechos humanos, se reunió con el embajador de EE.UU en Buenos Aires, Robert Hill. Un memo con la grabación de esa conversación aparece ahora, desenterrado por el investigador Martin Edwin Andersen, quien en 1987 fue el primero en revelar que Kissinger había apoyado a los generales argentinos para que continuaran con su campaña de terror contra los izquierdistas (a quienes la Junta hace referencia habitualmente como “terroristas”).

El documento revela una reunión que Kissinger sostuvo con el ministro de Relaciones Exteriores argentino César Augusto Guzzetti, en junio del año anterior, y encuentro que fue ratificado por el Embajador Hill a Patt Derian. Lo que Kissinger y Guzzetti discutieron ya había sido revelado en 2004, cuando el Archivo de Seguridad Nacional obtuvo y publicó el memorando secreto de la conversación durante esa tertulia. Guzzetti, según ese documento, dijo a Kissinger: “nuestro principal problema en Argentina es el terrorismo”. Kissinger respondió: “Si hay cosas que tienen que hacer, deben hacerlo rápidamente. Pero usted debe volver rápidamente a los procedimientos normales.” En otras palabras, sega adelante con su cruzada de muerte contra de los izquierdistas .

El nuevo documento muestra que Kissinger fue aún más explícito en el apoyo a la junta militar argentina. La nota que acaba de aparecer describe la conversación Kissinger-Guzzetti de esta manera:
“Los argentinos estaban muy preocupados de que Kissinger diera una conferencia criticándolos en materia de derechos humanos. Guzzetti y Kissinger mantenían un muy largo desayuno, pero al secretario no le plantearon el tema. Finalmente Guzzetti lo hizo. Kissinger le preguntó cuánto tiempo le tomaría (a los argentinos) limpiar el problema. Guzzetti le respondió que se haría a finales de año. Kissinger aprobó”.
En otras palabras, el Embajador Hill dijo que Kissinger dio a los argentinos la luz verde.

Esa es una afirmación irrefutable: Un embajador de EEUU reveló que un secretario de Estado había incitado a un régimen represivo a desatar una matanza.

En agosto de 1976, de acuerdo con la nueva nota, Hill discutió el asunto personalmente con Kissinger, en el camino de regreso a Washington después de una reunión en el Bohemian Grove de San Francisco. “Kissinger, dijo Hill a Derian, confirmó la conversación con Guzzetti e informó a Hill que quería que Argentina “terminara su problema con los terroristas antes de fin de año”. Kissinger estaba preocupado por las nuevas leyes de derechos humanos aprobadas por el Congreso que exigen a la Casa Blanca certificar que un gobierno no estaba violando los derechos humanos antes de proporcionar ayuda de los EE.UU. Tenía la esperanza de que los generales argentinos pudieron concluir su erradicación asesina de la izquierda antes de que la ley entrara en vigor .

Hill indicó a Derian, de acuerdo con la nueva nota, que él creía que el mensaje de Kissinger a Guzzetti había llevado a la junta argentina a intensificar su guerra sucia. Cuando el embajador Hill regresó a Buenos Aires se dio cuenta de que los asesinatos habían ascendido tremendamente y le dijo a Patt Derian que “si lo citaba el Congreso (de EEUU) él iba a contar todo si se le pusiera bajo juramento”. “Yo no voy a mentir”, declaró el embajador.

Hill, quien murió en 1978, nunca pudo testificar que Kissinger había instado a los generales argentinos, y el gobierno de Carter revirtió la política e hizo de los derechos humanos una prioridad en sus relaciones con Argentina y otras naciones. En cuanto a Kissinger, se zafó, y él ha estado zafándose desde entonces, esquivando la responsabilidad por los actos sucios en Chile, Bangladesh, Timor Oriental, Camboya, y en otros lugares. Los expertos en estos temas han sabido por años que Kissinger, al menos implícitamente (aunque en privado) hace suya la guerra sucia argentina, pero esta nueva nota deja claro que él era un facilitador del esfuerzo que supuso la tortura, la desaparición y el asesinato de decenas de miles de personas. La próxima vez que usted lo vea bailando en la televisión, no se ría.

César Guzzetti y Henry Kissinger. Guzzetti fue un marino que, con el rango de vicealmirante, asumió el Ministerio de Relaciones Exteriores y Culto durante la dictadura encabezada por Jorge Rafael Videla. Sufrió un atentado en 1977. Quedó en estado de coma y, tras ser operado en EEUU, quedó mudo y cuadripléjico. Murió poco tiempo después.




No CubaDebate
Leia Mais ►

A crise no varejo segundo Mainardi e o Manhattan Connection

O Copo Vazio

Me enviam um vídeo no Facebook que me faz rever Diogo Mainardi. É um trecho de um Manhattan Connection com uma entrevista com Luiza Trajano, dos magazines Luiza.

E é também uma estupenda aula de antijornalismo. Nas escolas de jornalismo poderiam passar o vídeo e dizer:”Prestem atencáo. É assim que não se faz jornalismo.”

Apenas uma pessoa se salva: a própria Luiza. Simples, educada, simpática e firme, ela leva luz a um ambiente de ampla ignorância sobre o assunto em debate. Fora isso, ela nota a patologia da mídia econômica em sempre enxergar a parte vazia do copo. “Personifico o copo vazio”, brada, triunfalmente, Mainardi.

O tema discutido é o varejo brasileiro. Uma “crise” assola o varejo, segundo o programa. Diogo Mainardi tem dados apavorantes, que ele transmite com a euforia dos que torcem sempre pelo naufrágio. A inadimplência caiu pelo segundo ano consecutivo, segundo ele. O horror está aí. Ele quer saber quando Luiza vai vender sua rede para a Amazon.

Calmamente, ela corrige Mainardi. A inadimplência caiu no varejo. As vendas cresceram mais de 5% em 2013. São “estatísticas” que ela se prontifica a passar para Mainardi. Ele, claro, recusa. “Me poupe”, diz.

Este é o jornalismo de Mainardi. Desprezo pelos fatos, pelas estatísticas e um formidável blablablá catastrofista. O catastrofismo está grudado no jornalismo econômico brasileiro.

Má notícia é boa notícia, esta a lógica. As coisas se complicam quando você, como Mainardi, torce os fatos para chegar à má notícia. Num mundo jornalístico menos imperfeito, Mainardi seria severamente repreendido.

Mas alguém imagina isso acontecendo?

Pessoas como Mainardi têm passe livre para dizer as bobagens que quiserem, desde que batam no PT. Outro caso notável, aí, é o do ‘historiador’ Marco Antônio Villa. Apesar de sistematicamente cometer erros grosseiros de avaliação, Villa é um personagem ubíquo na mídia brasileira. Ele só será cobrado se um dia elogiar Lula ou Dilma.

No Manhattan Connection, os amigos ajudam Mainardi, como você pode perceber no vídeo. Ficamos sabendo pelo apresentador Lucas Mendes que quem decretara a crise no varejo brasileiro, uma semana antes, fora Caio Blinder, apoiado sabe-se lá em quê. Blinder aparece no vídeo e não está nem um pouco vexado por informar erroneamente seus espectadores. Não se desculpa, não se explica.
Está risonho como se tivesse dado o furo de que o homem pisou na lua.

O próprio Lucas Mendes, enquanto está fora do ar, faz uma pesquisa improvisada e diz sobre as visões opostas de Luiza e Mainardi: “Acho que a Luiza está certa.”

Ele acha. Isso sugere que ele considerava a possibilidade de que Mainardi, com seu conhecimento enciclopédico, é que estivesse certo.

Penso como é quando não existe alguém como Luiza para corrigir as barbaridades da turma do Manhattan Connection.

Pobres espectadores.

Paulo Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Corrupção na Fórmula 1

Ecclestone é responsável pela gestão dos direitos comerciais da Fórmula 1
Reuters/Olivia Harris
Bernie Ecclestone vai deixar o conselho de administração da empresa que gere a Fórmula 1 enquanto durar o julgamento de corrupção no qual é réu. O empresário britânico de 83 anos vai começar a ser julgado no final de abril num tribunal de Munique, enfrentando a acusação de ter subornado um banqueiro alemão, Gerhard Gribkowsky, no decorrer da venda dos direitos de exploração comercial da Fórmula 1 ao fundo de investimento britânico CVC. Mas esta saída será apenas formal, já que Ecclestone vai continuar, na prática, a gerir o negócio.

“Até que o caso esteja concluído, o sr. Ecclestone vai deixar de ser diretor, com efeitos imediatos, renunciando aos seus deveres neste conselho de administração até que o caso seja resolvido. Este conselho acredita, no entanto, que é no melhor interesse do negócio e do desporto que o sr. Ecclestone deve continuar a gerir o negócio diariamente, mas com maior escrutínio e controle por parte deste conselho”, pode ler-se num comunicado da Delta Topco, a “holding” que controla a Fórmula 1.

O ato de corrupção de que Ecclestone é acusado remonta a 2006. Gribkowsky foi encarregado pelo banco público Bayern LB, a cujo conselho de administração pertencia, de vender a participação que a instituição tinha na Fórmula 1, operação em que teve de trabalhar diretamente com Ecclestonne. Ecclestone recebeu do banco uma comissão de 66 milhões de euros pela venda da participação à CVC, mas entregou 35 milhões de euros a Gribkowski.

Gribkowski, que não declarou esta soma, foi condenado a oito anos e meio de prisão por corrupção e fraude fiscal. No decorrer do processo, Gribkowski disse que o montante tinha sido um suborno de Ecclestone, que negou sempre as acusações e assegura que não fez nada de ilegal.

O caso do tribunal de Munique gira em torno de conseguir provar que Ecclestone sabia que Gribkowsky era empregado de banco público e que, por isso mesmo, não poderia receber comissões. O fundo de investimento CVC comprou os direitos da F1 por 640,5 milhões de euros ao banco público bávaro Bayern LB, que os detinha após a falência do grupo de media Leo Kirch.

Leia Mais ►

Presunta nave espacial detectada en la Luna suscita polémica

Insinúan que se trataría de una nave espacial o una base extraterrestre.

Un usuario del servicio de mapas lunares de Google detectó en la superficie del satélite natural un objeto triangular que parece tener filas de luces. Los sitios web de ufología insinúan que se trataría de una nave espacial o una base extraterrestre.

El enigmático triángulo de doble cara, que parece tener unas filas de siete puntos de luz en sus costados, fue descubierto por un investigador de casos paranormales apodado ‘WowForReeel’, que lo publicó en un video de su canal de YouTube, informa el diario ‘Dailymail‘.

“¿Es simplemente un cráter de aspecto extraño o es algo más?”, pregunta el usuario. “Realmente está allí, no es un montaje y no tengo ni idea de lo que es”, concluyó.

Sin embargo, ante la aparición de este enigmático objeto triangular, localizado gracias al servicio de exploración lunar virtual de Google, muchos aficionados a la ufología indican que podría tratarse de una base alienígena situada bajo el polvo de la Luna, aunque algunos incluso afirman que sería una construcción humana.

Además, según un sitio web sobre ovnis el cuestionable descubrimiento no sería sino ”una inmensa nave espacial triangular”, que atestigua la existencia de una tecnología secreta de construcción de aviones furtivos, pero “su tamaño es considerablemente más grande que el de cualquier nave construida en la Tierra”.

Hasta la fecha ni los satélites ni los ‘rovers’ de exploración han descubierto en la Luna ni en ningún otro planeta observado ningún elemento parecido a este objeto, asevera el portal, cuyos autores también llegaron a suponer, debido a las impresionantes dimensiones del hallazgo, que se trata de “una especie de base lunar utilizada como instalación para el almacenamiento y el lanzamiento de naves espaciales extraterrestres”.


Los efectos de la luz en las fotografías espaciales varias veces han dado lugar a informes precipitados sobre la existencia de vida extraterrestre en nuestro sistema solar. Así, en noviembre, investigadores de lo paranormal descubrieron lo que creyeron que era una iguana fosilizada en la superficie de Marte. Sin embargo, el ‘hallazgo’ resultó ser otro caso del fenómeno llamado ‘pareidolia’.
Iguana marsRhinoceros Iguana

Lo que creyeron era una iguana fosilizada en la superficie de Marte. Sin embargo, el ‘hallazgo’ resultó ser otro caso del fenómeno llamado ‘pareidolia’.

No CubaDebate
Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 2025


Leia Mais ►

Documento mostra como Alstom distribuiu propina



Contrato de estatal de SP envolveu pasta de Energia e 3 diretorias de gestão tucana

Divisão do suborno é indicada em papel apreendido na França e decifrado por ex-vice presidente da empresa

Um documento apreendido na sede da Alstom, na França, indica que integrantes da Secretaria de Energia e três diretorias da EPTE (Empresa Paulista de Transmissão de Energia) foram subornados para que a companhia obtivesse em 1998 um contrato de US$ 45,7 milhões (R$ 52 milhões, em valores da época) com a estatal na gestão de Mário Covas (PSDB).

Até agora, a Polícia Federal só havia chegado até o intermediador da propina, o lobista Romeu Pinto Jr., que admitiu ter recebido recursos da Alstom para pagar suborno, mas alegou desconhecer os destinatários. Ele sustenta que entregou os valores a motoboys enviados por pessoas que não conhecia.

O documento traz detalhes da divisão e do caminho do dinheiro. Segundo o papel, a Secretaria de Energia, chamada de "SE", recebeu 3% do contrato (R$ 1,56 milhão). Já as diretorias financeira, administrativa e técnica da EPTE aparecem como destinatárias de 1,5% (R$ 780 mil), 1% (R$ 520 mil) e 0,13% (R$ 67,6 mil), respectivamente.

À época da assinatura do contrato, em abril de 1998, o secretário de Energia era Andrea Matarazzo, que ocupou o cargo por seis meses. Ele nega ter recebido propina.

O documento menciona os destinatários do suborno por meio de siglas. "SE" era a forma como a Alstom chamava a Secretaria de Energia em comunicações internas, segundo papéis do inquérito da PF. As diretorias são designadas pelas siglas DF, DT e DA.

A Folha consultou Jean-Pierre Courtadon, que foi vice-presidente da Alstom-Cegelec, e ele confirmou que DA, DT e DF costumavam designar diretorias administrativas, técnica e financeira.

Courtadon é investigado no Brasil sob suspeita de ter repassado propina, o que ele nega. Apuração na Suíça concluiu que ele não fez repasses a políticos e inocentou-o.

Entre 1998 e 1999, as diretorias administrativa, técnica e financeira da EPTE eram ocupadas por Carlos Eduardo Epaminondas França, Sidney Simonaggio e Vicente Okazaki, respectivamente. Como as negociações para o contrato se estenderam por anos, não dá para saber se o documento designa esses diretores ou outros.

Enigma

O mistério do documento é a sigla "F", apontada como recebedora de 2% do valor do contrato (R$ 1,04 milhão). Entre os executivos que assinaram o contrato, há um cujo sobrenome começa com "F": Henrique Fingerman.

Ele foi diretor financeiro da EPTE até maio de 1998 e assumiu a presidência da empresa em seguida. Fingerman, como Matarazzo, já foi indiciado pela PF sob suspeita de corrupção.

O valor do suborno no documento chega a R$ 6,4 milhões, ou 12,3% do contrato. O maior valor, segundo a PF, foi pago a Robson Marinho, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (R$ 2,07 milhões) e chefe da Casa Civil de Mário Covas entre 1995 e 1997.

A investigação brasileira sobre a Alstom começou em 2008 para apurar suspeita de que a companhia havia pago propina para reativar em 1998 aditivo de contrato que fora assinado em 1983 para construção de três subestações de energia. A lei limita a duração de contratos a cinco anos.

O documento obtido pela foi usado nos processos francês e suíço contra a Alstom. O da França foi arquivado porque até 2000 era permitido pagar comissões para obter negócios no exterior. O da Suíça resultou numa multa para a Alstom de US$ 42,7 milhões em 2011. A multa não contemplou a suspeita de suborno no Brasil porque a apuração aqui não foi encerrada.

O promotor Silvio Marques, que atua no caso, diz já ter visto o documento na Suíça. "Ele nunca foi usado porque ninguém sabia o significado das siglas".

O documento aponta que a empresa MCA, usada por Romeu Pinto Jr. para intermediar a propina, recebeu 7,5% do valor do contrato diretamente da Alstom francesa. Contas secretas que a Alstom tinha na Suíça remeteram mais US$ 516 mil para a MCA.

A Alstom do Brasil também participou do processo. A empresa Acqua Lux, que pertence a Sabino Indelicato, recebeu R$ 1,82 milhão (3,5% do contrato). Investigadores suspeitam que Indelicado seja laranja de Robson Marinho.
Leia Mais ►

Seis autores à procura de um personagem


Assumida como principal partido de oposição, a mídia brasileira faz lembrar a famosa peça de Pirandello, Seis personagens à procura de um autor.

O espetáculo criado pelos grandes meios de comunicação em torno da prisão de parte do condenados na Ação Penal 470, mal denominada “mensalão”, é apenas o prenúncio do que será 2014 no Brasil.

Assumida como principal partido de oposição, a mídia brasileira faz lembrar a peça de Pirandello “Seis personagens à procura de um autor”. Aqui são seis famílias a procura de um candidato à Presidência da República.

Enquanto não descobrem (ou não decidem) quem será o seu líder vão montando os quadros de apoio e os cenários para sustentá-lo.

Quando se esperava que as cenas do avião da Polícia Federal levando os condenados para Brasília fosse o epílogo de uma campanha iniciada em 2005 com a criação do “mensalão”, eis que a mídia consegue estender ainda mais a história.

Deixa tudo de lado (meia tonelada de cocaína num helicóptero de parlamentares mineiros, por exemplo) para acompanhar a vida dos presidiários, com o requinte — no caso da Globo — de enviar uma equipe de reportagem ao Panamá para descobrir um possível dono do hotel que havia oferecido emprego para José Dirceu.

A Folha de S.Paulo acompanhou as visitas aos presos como se essa fosse a principal preocupação do país. O desejo de esticar ao máximo o assunto é visível. Novas prisões (escrevo antes delas), como a do Deputado João Paulo Cunha do PT, vão reavivar o noticiário.

A recuperação da presidenta Dilma Rousseff nas pesquisas, depois da queda verificada no meio do ano passado, deixou a mídia ainda mais ouriçada. A Folha chegou a publicar carta de leitor lamentando que as manifestações de rua de junho de 2013, fator que teria abalado a liderança de Dilma, não tivessem sido retardadas para as proximidades do pleito presidencial.

Torcida e incentivo para que elas voltem não faltam. E se não voltarem sobrarão as imagens e os sons daqueles atos repetidos à exaustão. O que aliás já ocorreu com as indefectíveis resenhas jornalísticas de final de ano. A rádio Estadão foi mais longe e fez uma série de programas só para lembrar “as jornadas de junho”.

Para dar conta da campanha eleitoral de 2014 as empresas reforçam seus quadros com comentaristas vinculados à oposição. A TV Cultura de São Paulo traz para a apresentação do Roda Viva um jornalista que se especializou, na revista Veja, em assacar impropérios contra o presidente Lula.

Nessa linha, ele não perde a oportunidade durante o programa de forçar o entrevistado a fazer criticas a presidenta e ao seu antecessor. Fez isso, por exemplo, com o historiador Ronaldo Costa Couto que saiu da armadilha com elegância e com o cantor Lobão que fez o contrário.

Com cenário e personagens prontos, ainda que estes últimos tendam a crescer em 2014, resta conhecer o ator principal. O sonho dourado dessa mídia, escancarado pela revista Veja, é o presidente do STF Joaquim Barbosa. As inúmeras capas e matérias laudatórias tornam o desejo evidente, sem nenhuma preocupação com o perigo que uma candidatura desse tipo representa para o país. Seria a combinação, numa pessoa só, do desequilibro político-emocional de figuras como Jânio Quadros e Fernando Collor.

Se não der certo apostarão em Eduardo Campos e Aécio Neves, nessa ordem de preferência. Marina, com seus discursos tortuosos, é uma alternativa pouco confiável para a mídia que, em último caso, correrá para os braços de Serra e de sua obstinação pela presidência.

A situação não seria tão trágica se tivéssemos por aqui veículos impressos de alcance nacional capazes de dar conta das várias tendências políticas existentes no pais. Que cada um então defendesse a sua. Mas não é assim, há um pensamento uniforme alinhado aos interesses do grande capital financeiro internacional e avesso às políticas de transferência de renda e de maior inclusão social. Vigora na mídia o pensamento único.

No rádio, importante formador de opinião, e na TV a situação é ainda mais grave.

Usam o espaço público das concessões recebidas para defender privilégios privados. Fazem desses veículos instrumentos de propaganda política afrontando as leis e a ética.

2014 promete.

Laurindo Lalo Leal Filho
No Carta Maior
Leia Mais ►

Burrice direita

A coisa que mais odeio é burrice. Tanto que mesmo quando ela ajuda aquilo no que acredito, me irrita. É o caso da reação da direita brasileira aos rolezinhos. Em todo lugar onde há uma direita moderna, decente e democrática (para os padrões da direita, bem entendido), os jovens da periferia de São Paulo estariam sendo saudados com banda de música, tapete vermelho e salva de palmas ao entrarem nos shoppings. Aqui no Bananão, porém, levam é gás lacrimogêneo e cacetada da polícia.

Há uma lenda, espalhada pelos direitistas mais espertos pouquinha coisa, de que não existe mais direita e esquerda no mundo. Tremenda malandragem. Direita e esquerda são frutos da sociedade burguesa capitalista, que leva à luta de classes, e só sumiriam se (quando) esse tipo de sociedade for superada historicamente. O que há hoje é que tanto a direita moderna, quanto a esquerda idem parecem ter entendido isso e, nos países com maior experiência democrática, a diferença se tornou mais sutil. Os dois lados concordam que o ideal é harmonizar o individualismo com o coletivismo, que, em outras épocas, nos levou a sobreviver em tempos não tão amenos do planeta Terra.

A separação se faz pelas respostas que cada um dos lados dá ao inevitável e frequente confronto entre o coletivo e o individual. A direita acredita que, nesses choques, o individual deve prevalecer, pois, lá na frente, a intervenção de um ser “ex-machina” (Deus, mão invisível do mercado etc) se encarrega de restaurar a harmonia. A esquerda acredita que o coletivo deve ser privilegiado e que essa harmonização deve ser realizada pelo Estado, pois não acredita em Deus (ou acha que Ele tem mais coisas a fazer no Universo do que cuidar de nós) e já viu vezes demais que a tal “mão invisível” puxa a sardinha para um lado só.

Assim, em países em que a direita não tem como seus principais ideólogos rodrigos azevedos e constantinos, os jovens da periferia paulista seriam muito bem recebidos nos shoppings. Estes espaços são verdadeiras catedrais em honra ao deus consumo, cujas hóstias são retangulares, de plástico colorido e medem, em geral, 8,5cm x 5,5cm. A cada vez que um jovem desses saísse satisfeito de uma loja, mais um tijolo seria colocado na construção de sua consciência individualista, levando mais água para o moinho da direita.

Mas o que faz a direita do Bananão? Impede os garotos e garotas de entrar na “igreja do consumo satisfeito” e se eles tentarem vencer a barreira, a ordem é baixar o cassetete com vontade. A reação é óbvia: eles e elas se unem em movimentos coletivos como forma de fazer valer aquilo que consideram ser o melhor para eles, o que acham de seu direito (e é mesmo). Ou seja, procuram uma solução coletiva, típica da esquerda. No início, movimentos desse tipo não costumam apresentar a chamada “consciência social”, mas, como descobriram ao longo do tempo os direitistas dos países civilizados, é só deixar um grupo de pobres junto tempo suficiente, pensando e trocando ideias sobre a realidade em que vivem, para que comece a brotar a tal consciência social e, logo em cima, a de classe. Para evitar isso é que a ordem é fazê-los consumir mais e mais rápido, a fim de que o “eu-tenho-você-não-tem” impeça a aproximação natural de seres humanos que passam pelas mesmas vicissitudes.

Assim, a reação hidrófoba da direita brasileira tão bem expressa pelo senador tucano paulista Aloysio Nunes – em frase registrada pela Folha, chamou os jovens de abusados e cavalões – acaba sendo contraproducente para ela mesma. Também não vai funcionar, embora seja uma abordagem melhor, a variante de só olhar o lado consumista dos rolezinhos, sem levar em consideração o “apartheid” social de que são resultado, e nem aquela outra vertente, mais liberal ainda, de cobrar dos garotos a “consciência social” de pedir educação e saúde melhores do Estado – uma ideia boa, mas que expõe a contradição de exigir uma consciência de classe que os próprios liberais negam que os rolezeiros possuam.

Enfim, a direita brasileira está prestes a novamente bomba (no caso, metaforicamente) em mais um teste de civilidade que a História lhe propõe. Para o próximo, aconselha-se que estudem em livros-textos melhores do que a Veja, O Globo, o Estadão e outros que-tais.

Leia Mais ►

A velha imprensa e seus complexos, velhos e novos

A grande mídia brasileira entende que o País não deve ter projetos geopolíticos nem estratégia de projeção
“Esse é o Brasil fazendo um jogo estratégico de longo prazo no Caribe” Julia E. Sweig, dietora de estudos latino-americanos do Conselho de Relações Exteriores. The New York Times International Weekly.

“O Brasil não pode querer ser maior do que é” - Luiz Felipe Lampreia, ex-ministro das Relações Exteriores, governo FHC.
A liberdade de imprensa — ampla, geral e irrestrita — é um valor da democracia brasileira; conquistada pela dor dos que lutaram contra a ditadura, enquanto  empresários do ramo colaboravam com a repressão, publicando textos laudatórios da ditadura, maquiando o noticiário televisivo, denegrindo a resistência, fornecendo viaturas e abrindo seus arquivos fotográficos aos esbirros. Faz parte, hoje, a ampla liberdade de imprensa, do patrimônio moral de nosso povo.

Dito isso, permito-me algumas observações sobre a imprensa brasileira. Brasileira? Aí surge o primeiro problema, de método e de fundo. O que é uma empresa jornalística brasileira? Tentemos decifrar a esfinge deitando o olhar, como convém, para os EUA. Podemos afirmar que o  The New York Times é um típico  jornalão norte-americano, pois está  a serviço dos interesses  tanto do capitalismo internacional, o grande norte, quanto dos interesses geopolíticos dos EUA. A divergência, quando se dá, é restrita ao pontual, e não é maior do que a distância entre democratas e republicanos.

Relativamente às políticas do Pentágono ou da CIA, por exemplo, a discrepância estanca na forma ou na avaliação dos métodos, jamais na condenação dos objetivos. Pode haver, e há, conflitos diante da política deste e daquele governo, preservada a defesa dos interesses estratégicos (militares acima de tudo, econômicos e políticos) dos EUA no mundo. Em outras palavras, as políticas de Estado são respeitadas, sem quebra de independência, pois a dependência essencial diz respeito aos interesses do capitalismo, nos EUA e no mundo, no mundo liderado pelos EUA. Mesmo os jornalistas liberais partem do princípio de que aquele pais é singular e deve exercer sua liderança no mundo que ele mesmo moldou a partir da segunda Guerra.

Se essas premissas forem aceitas, podemos afirmar que a imprensa dos EUA é aquela que, mesmo em conflito com a política deste ou daquele governo, está comprometida com os interesses supremos do país, e entre eles sobrelevam os interesses estratégicos e geopolíticos.

Aí começa o imbróglio, pois a grande imprensa brasileira, liderada ideologicamente pela revistona paulista, entende que o Brasil não deve ter projetos geopolíticos nem estratégia de projeção de longo prazo de nossos interesses para além de nós mesmos. Nisso, lamentavelmente, ela não está só. Ao contrário, pode ostentar a companhia ilustre de um ex-presidente da República  (e ex-ministro das Relações Exteriores), para quem o grande erro de nossa política externa é exatamente a busca de independência, formulação e pleito que vem de Hélio Jaguaribe, Afonso Arinos e San Tiago Dantas, para ficarmos adstritos aos  pensadores mais destacados da segunda metade do século passado. A questão crucial não é a independência em si, mas, exatamente, uma independência em face dos EUA. Eis o que incomoda. Assim, a República repete o Império, quando essa questão se colocava diante da potência inglesa. A independência possível, mínima, não se podia colocar contra os interesses de Sua Majestade britânica. O colonizado permanece colonizado, indiferente às alterações do processo histórico. Trocam-se os senhores, mas a dependência ideológica da classe dominante é irremovível. Subdesenvolvimento não se improvisa.

Essa visão dependentista vai para além do ‘complexo de vira-lata’, firmada e cevada que é sobre interesses objetivos, materiais, concretos, redutíveis monetariamente.

Enquanto os EUA reativam sua IV Frota, com a óbvia missão de policiar o Atlântico Sul, onde estamos, dada sua importância econômica e geopolítica, e militar,  o ex-primeiro mandatário, diz que o Brasil deve  ‘abrir-se ao Pacífico’, onde não temos interesses nem geopolíticos, nem estratégicos. Interesses esses, porém, que estão no Atlântico Sul, que nos põe face a face com 23 países da África ocidental. Nesse continente são notórias nossas condições privilegiadas de atuação política e a relevância de nossos interesses econômicos, pois para seus países temos o que exportar, para além de suco de laranja e soja. Um só dado para as considerações do ex-presidente: o potencial energético (petróleo)  do Golfo da Guiné (100 bilhões de barris), da Nigéria, de Angola, do Congo, do Gabão, de São Tomé e Príncipe, além das grandes reservas de gás da Namíbia e de carvão na África do Sul. E esse espaço não ficará eternamente aberto. A China, menos hesitante, já está deslocando interesses brasileiros na África, inundando-a de capital (sem exigências de contrapartidas relativas à política interna dos países) e exportando seus serviços.

Recomenda o ex-presidente que estreitemos relações com os EUA. Certamente em retribuição ao fato de nos espionarem, sobretaxarem nossos produtos agrícolas, nos fazerem restrições na OMC, nos negarem assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, serem contra nossos programas espacial e nuclear, negarem acesso a tecnologias de ponta, serem contra o MERCOSUL e tentarem impor-nos a ALCA, a colonização econômica final... Para os EUA (esteja um democrata ou um republicano sentado no trono da White House) deveremos ser a grande reserva alimentar do mundo, eternos fornecedores de commodities (alimentos e minérios não processados) e importadores de produtos manufaturados. Além, claro, de ideologia. Evidentemente é judicioso manter boas relações diplomáticas com os EUA, mas em rigoroso nível de reciprocidade, e disputar o mercado internacional, sem prioridades ou ‘relações carnais’ como pedia um ex-colega de FHC, o grotesco Ménem, ou seja, nossa política deve ser vender e comprar segundo nossas necessidades e a quem oferecer as melhores condições. A propósito, o governo Dilma acaba de dar-nos um bom exemplo, ao optar, na compra dos caças da FAB, pela proposta sueca, a que oferecia menor preço e a única a garantir transferência de tecnologia. Como eles agem, aliás...

Para setores majoritários da grande imprensa brasileira, volto a tratar da influente revistona paulista, essa história de ter projeto geopolítico, estratégia de conquista de espaços e mercados, inserção internacional, estender seus interesses para além de suas fronteiras, é política reservada às grandes potencias, aos EUA e quejandos. Intentada pelo Brasil, soa como cretinice aos ouvidos deles.

Assim, dando a entender ao leitor que está descobrindo a pólvora, ou, no jargão jornalístico, dando um ‘furo’, a revistona ‘descobre’ que o Brasil (leia-se BNDES) está financiando, em Cuba, as obras de remodelação do ponto de Mariel, tocadas por uma empreiteira brasileira.

Misturemos, agora, os argumentos do ex-presidente e do pasquim, pois ambos convergem em vários pontos, mas principalmente na negação do dever (mais que um direito) que tem um país como o Brasil — sexta economia do mundo, quarto território do planeta (lembremos, 8.500 mil km2), 200 milhões de habitantes, um litoral de quase 8 mil km de extensão, uma fronteira terrestre com cerca de 17 mil km, limítrofe com dez países, 50% do território e da produção da América do Sul — de procurar ter política externa independente, consciência de seu papel de líder continental e preocupações com sua segurança, e, como consequência de tudo isso, projetar-se no mundo.

Que significa nossa presença em Cuba, de quem  já somos o terceiro parceiro comercial, logo após  Venezuela e China, senão uma ponte para o Caribe? Ou isso também nos é vedado? Ou não atende aos interesses brasileiros a abertura de mercados? A revistona percebeu o alcance político da ‘operação Cuba’, chamemo-la assim, e só por isso a combate, pois estamos ocupando espaços deixados pela estreiteza da política dos EUA com vistas à ilha, mesquinha política dirigida pelos ‘refugiados’ de Miami. Eis a questão, estamos nos aproveitando do isolamento imposto a Cuba, estamos nos aproveitando de sua política — irreversível — de abertura ao mercado, estamos nos instalando no Caribe, e ainda estamos ajudando um povo pobre a superar o subdesenvolvimento.

The New Yok Times, porém, entendeu o que pretende o Brasil com essa política de longo prazo. 

Sobre o mesmo porto Mariel e sobre a colaboração Brasil-Cuba (que inclui a ‘importação’ de médicos), e na mesma semana do artigo do ex-presidente e da ‘reportagem’ da revistona, o The New Yok Times, edição internacional circulando com a FSP (datada de 6 de janeiro), logo após registrar que o Brasil “contrata médicos cubanos para suprir as necessidades do SUS” (e não para mandar dinheiro para “a ditadura dos irmãos Castro” como diz a revistona), observa o que a miopia nacional não pode enxergar: “(...) o projeto sinaliza uma ambição maior do governo brasileiro que, na verdade, pretende exercer influência em Cuba – onde, lentamente, a abertura do governo vai expondo o país às forças do mercado”.

E vai mais longe: “Baseados nos programas assistenciais para aumentar as safras cubanas, os produtores brasileiros de soja e arroz também já se destacam como principais fornecedores de alimento da ilha — mas o grande projeto do Brasil é a modernização do Porto de Mariel, no valor de US$ 900 milhões, fechado pela construtora Odebrecth”.

Eis a questão: estamos nos preparando para um futuro que não podemos prever. Se o atual regime cubano fortalecer-se mediante o aprofundamento de sua atual política de ‘abertura’, estaremos, amanhã, também fortalecidos, teremos fortalecidos nossas relações e nossos interesses. Se o atual regime estiver em sua fase  ‘terminal’, como afirma a revistona, afirmação que apenas revela desejo,  lá estaremos quando chegarem os novos tempos. Mas ocorre que nossa presença, atendendo em qualquer hipótese aos nossos interesses, certamente dificultará a presença de quem sempre lutou contra os interesses do povo cubano. Eis a questão.

Roberto Amaral
No CartaCapital
Leia Mais ►