19 de jan de 2014

Os vazamentos de inquéritos do Ministério Público paulista

 

Hoje em dia, é mínimo grau de confiabilidade das notícias. Qualquer procurador que tenha dado entrevistas a jornais sabe desses problemas, o uso indevido das aspas, as conclusões incorretas do que falam, a seleção de declarações que melhor se amoldem aos objetivos da pauta.

Muitas vezes, trata-se apenas de incompetência da cobertura jornalística, nesses períodos de redução das redações, de contratação de estagiários e da pressa para competir no noticiário online.

Mas essa rapaziada sabe que ganhará espaço apenas a matéria que melhor atender aos desejos da casa. Desde que os jornais abriram mão até da encenação de isenção, o que a casa quer são matérias que blindem os aliados e escandalizem cada passo dos adversários.

A partir dessa constatação, os órgãos de investigação precisam discutir com urgência as formas de relacionamento com a mídia.

O caso Kassab

O inquérito da máfia dos fiscais está a cargo do promotor Roberto Bodini. Não existe nenhuma indicação que deponha contra ele e seu trabalho. Mas a falta de critério no vazamento das informações já o jogou — e ao MPE paulista — no olho do furacão das suspeitas de partidarização das investigações e de blindagem do ex-prefeito José Serra.

Na quarta-feira passada, o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab anunciou sua candidatura ao governo do Estado (http://tinyurl.com/k6y32xc). Foi interpretada como dificuldade adicional à reeleição do governador Geraldo Alckmin.

Um dia depois, a manchete do Estadão era: "Kassab recebeu ‘fortuna’ da Controlar, diz testemunha da máfia do ISS". A “denúncia” foi repercutida à noite no Jornal Nacional.

No dia seguinte, a manchete da Folha foi “Kassab obteve ‘fortuna’ da Controlar, diz testemunha”. Não é padrão que jornais deem como manchete principal notícia requentada de um furo já dado pelo jornal concorrente. Nesses tempos de partidarização, joguem-se no lixo manuais de redação.

A matéria do Estadão informa (http://glurl.co/dvf) que uma testemunha (não se sabe quem) foi ao Ministério Público Estadual informar que ouviu de outra pessoa (Ronilson Bezerra Rodrigues, chefe da máfia dos fiscais) que a Controlar pagou uma fortuna em dinheiro vivo ao prefeito Gilberto Kassab. O dinheiro teria ficado guardado no próprio apartamento do prefeito. E teria sido transportado para Mato Grosso em um aviãozinho providenciado por Marco Aurélio Garcia, irmão de Rodrigo Garcia, Secretário de Desenvolvimento de Geraldo Alckmin e ex-sócio do prefeito.

A testemunha não apresentou provas. Contou o que ouviu dizer.

Segundo a matéria, “Os fatos trazidos pela testemunha serão analisados pelo MPE”. Ou seja, o promotor Bodini recusou-se a assinar embaixo do depoimento. Se o depoimento não permite assinar embaixo, qual o motivo para ter vazado para a imprensa?

No dia seguinte, a mesma matéria tornou-se manchete principal da Folha.

Para mostrar isenção, o jornal publicou as “denúncias” da testemunha contra Mauro Ricardo — homem de confiança de José Serra, mantido por Kassab na Secretaria das Finanças.

A primeira, é que Mauro Ricardo teria dado isenção ao Mackenzie e à ESPM em troca de bolsas de estudo para seus filhos. Mauro rebateu simplesmente mostrando que ambas já gozavam de isenção há anos.

A segunda, é que teria reduzido o ISS da Bovespa, para impedir que ela se mudasse para Barueri. Mauro rebateu simplesmente comprovando a ameaça de mudança para Barueri.

Só faltou a denúncia de que Mauro isentou a Catedral da Sé do pagamento do IPTU em troca de indulgências plenárias.

Em episódios anteriores, o promotor Roberto Bodini já tinha sido acusado de trabalhar em estreito contato com o Jornal Nacional (http://tinyurl.com/jwas7t7), passando informações exclusivas e escondendo-as de outras equipes de televisão. Não dá.

A pauta e a matéria

O promotor Bodini tem bons indícios para apostar no relacionamento da máfia dos fiscais com Garcia — e, a partir dele, com Kassab. (http://tinyurl.com/q4jh4eo).

Os promotores apuraram que Garcia era locatário do escritório do centro de São Paulo onde a quadrilha se reunia. No local, o MP apreendeu R$ 88 mil em dinheiro. Além desse imóvel, Garcia vendeu dois outros flats a auditores suspeitos de integrarem o esquema. Extratos bancários de Ronilson e seu próprio depoimento confirmaram que adquiriu o apartamento de Garcia.

Se tem bons indícios, boas linhas de investigação, se está tendo liberdade para desenvolver seu trabalho, qual o motivo para dar divulgação a qualquer passo das investigações?

No MPF, há um movimento importante dos principais procuradores de reagir contra essas formas de vazamento. Comprometem não apenas a isenção do promotor/procurador, como da própria instituição.

Seria importante que o MPE paulista abrisse discussões internas sobre essa falta de disciplina corporativa. E o próprio Bodini entendesse o risco de imagem que essa cumplicidade traz para ele próprio e para sua instituição.

No Seminário do Jornal GGN com a OAB Nacional, em Brasília, no final do ano passado, não foram poucas as autoridades — procuradores e magistrados federais — escandalizados com essa usina de vazamentos do MPE paulista.

Luis Nassif
No GGN
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De rolézinhos e rolexzinhos

http://www.cartamaior.com.br/?/Coluna/De-rolezinhos-e-rolexzinhos/30042

Conquistará o futuro quem souber unir rolexzinhos e rolezinhos em um projeto de nação, e isso só ocorrerá com a redução da desigualdade e a melhora da educação.

O setor de shoppings centers se encontra acuado, nas grandes cidades brasileiras, pelo fenômeno do “rolézinho”. A situação chegou a tal ponto, que, contrariando o direito de livre expressão, já há centros comerciais pedindo ao Facebook que retire do ar páginas que envolvam esse tipo de encontro, que convoca, pela internet, centenas de jovens a comparecer, em data e horário específicos, a endereços-alvo previamente determinados.

A justiça tem concedido liminares que permitem aos shoppings barrar a entrada desses jovens e impedir que os encontros se realizem em suas dependências.
Movimentos sociais de diferentes tendências, alguns mais tradicionais, e outros surgidos, como os Black Blocks, nas manifestações de junho, tacham as medidas adotadas pelos shoppings de racismo e exclusão e ameaçam convocar “rolezões sociais”, já neste fim de semana, para reagir às medidas.

Em junho de 2013, estabeleceu-se, nas ruas e  redes sociais improvável aliança entre “rolexzinhos”, que gravavam suas mensagens contra o governo  e a Copa do Mundo usando como cenário a praça de alimentação de shoppings, e futuros “rolezinhos” da “periferia”.

A periferia pode frequentar shopping, desde que seja identificada tão logo entre, e fique permanente sob o olhar de vigias, e em conveniente minoria. E continue gastando como tem gasto a classe C nos últimos anos, responsável pela explosão do faturamento do comércio de móveis, informática e eletrônicos, por exemplo. 

O problema é que os “rolézinhos” não estão satisfeitos com isso. Eles querem “zoar”, termo que antes estava ligado a ridicularizar, brincar com o outro, e que hoje está sendo substituído, cada vez mais, pelo sentido de “incomodar”.

Os “rolézinhos” não querem apenas “dar um rolé”, expressão que deu origem ao termo, ou se encontrar, conversar, namorar. Eles querem assustar, pressionar, chocar, o pacato cidadão que frequenta shopping, em busca de sua quota cotidiana ou semanal de lazer, consumo, praça de alimentação e ar condicionado. Querem querem ocupar física e maciçamente todos os espaços, dizer aos frequentadores comuns, e aos rolexzinhos — “olha, nós somos mais fortes, mais numerosos  e queremos ter as mesmas coisas, e fazer as mesmas coisas, que vocês”.

Há que se ver como alguns auto-designados representantes da “classe média” — que às vezes nem toma conhecimento de sua existência — irão se manifestar, na internet, com relação ao assunto. A direita terá coragem de defender, abertamente,  a invasão dos shoppings centers pela periferia? Ou vai torcer, secretamente, para que esses encontros, e a polêmica em torno deles, dê origem a nova onda de protestos?

Já se identifica, entre os “rolézinhos”, a infiltração de indivíduos cujo interesse vai além da reivindicação social, coisa fácil de ocorrer, nesse tipo de reuniões, maciça e, às vezes, anonimamente convocadas por meio de redes sociais.    

A ABRASCE, que reúne os shoppings centers, precisa começar a entender os “rolézinhos”, a partir de outra perspectiva, que não seja a mera repressão, o apelo à polícia e ao judiciário. Se cada shopping tratasse todos os frequentadores da mesma forma, independente de sua cor ou vestimenta, e tivesse uma estrutura de lazer ou de cultura na periferia, para sinalizar às comunidades de menor renda que o setor reconhece sua existência e direito à dignidade, em um contexto social tradicionalmente desigual, talvez se pudesse estabelecer um patamar maior de respeito e de auto-estima para esses cidadãos.

É uma pena, no entanto, que o elemento que detonou todo esse processo tenha sido, primeiramente, o consumo. 

Se extrairmos da multidão um ou outro líder, e os “movimentos” sociais “organizados”, que, muitas vezes, são apenas grupos de ação, momentaneamente reunidos pela internet, veremos que há muito em comum entre os “rolézinhos” e “rolexzinhos”.

Não existe diferença entre a conversa estéril e esnobe dos “rolexzinhos”, em volta de seus copos de uísque, na happy hour na Avenida Paulista e as letras de funk ostentação que embalam os “rolézinhos” nos bares e bailes da periferia.

São dois lados da mesma moeda, dois extremos de uma sociedade na qual um par de tênis pode custar mais que dez ou quinze livros novos, marcas de carros são cantadas em prosa e verso, e a maior parte das pessoas desperdiça seu tempo correndo atrás do fugaz e do vulgar, sem conseguir deixar sua marca no mundo, ou ter tido, muitas vezes,  a menor consciência política ou espiritual do que representa estar aqui.   

Conquistará o futuro quem souber unir rolexzinhos e rolezinhos em um projeto comum de nação, e isso só ocorrerá com a redução da desigualdade e a melhora da educação. Quem sabe, quando contarmos, no Brasil, com um número equivalente de excelentes universidades e centros de pesquisa, ao que temos, agora, de grandes centros comerciais — cerca de 500 — com o mesmo volume de investimentos e a mesma eficiência e garra, na busca e transmissão do conhecimento, com que hoje se persegue o lucro nesses palácios de aço e cristal.

A sociedade brasileira, com seus “rolézinhos” e “rolexzinhos”, precisa entender que o Brasil necessita mais de Sapiens Centers, que de Shopping Centers, para poder avançar.
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Trensalão é tratado como se fosse apenas Ferrorama pelo PIG


O Procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou ontem que há “fortes indícios de existência do esquema de pagamento de propina pela Siemens a agentes públicos vinculados ao Metrô de São Paulo”.

Um pouco antes disso, no dia 20 de dezembro, o governador Geraldo Alckmin demitiu Benedito Dantas Chiaradia do alto escalão do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) do Estado de São Paulo. Chiaradia, em depoimento à Polícia Federal, em novembro, havia confirmado que havia um cartel para pagamento de propinas na CPTM.

Ao mesmo tempo, os secretários citados como participes do esquema Edson Aparecido, José Anibal, Rodrigo Garcia e Arnaldo Jardim continuam todos no governo.

O jornalismo que espreme petistas perguntou ao governador Alckmin se a demissão de Chiaradia tinha relação com o fato de ele ter denunciado o esquema. E Alckmin foi “firme”: “não tem nenhuma relação. Era um cargo de confiança do próprio DAEE e ele saiu. Nenhuma relação”.

E em nota oficial depois da afirmação de Janot de ontem, o governo do estado emiti uma nota oficial dizendo que “a Corregedoria-Geral da Administração apura com rigor os fatos citados pela Siemens no acordo de leniência com o Cade”. E ponto final.

Dito isso, tudo resolvido.

Os jornalões se contentam com a explicação de um esquema que pode ter sangrado em mais de 1 bilhão os cofres públicos. E partem para a investigação do aluguel da casa de Genoino, de 4 mil reais. Ou pior, vão investigar se José Dirceu usou o celular na Papuda.

A criminalização da política é algo extremamente perigoso para a democracia. E neste sentido o PT errou demais quando colocava a denúncia como seu principal instrumento de fazer política. Mas ao mesmo tempo a forma leniente como a mídia trata os esquemas corruptos do PSDB chega a dar engulhos.

O PSDB está no governo de São Paulo desde 1994. O mesmo grupo já havia participado do governo Montoro e ficou um tempo com Quércia no poder. Só rompeu em 1989, quando formaram um partido de quadros para disputar a eleição presidencial. Mas é bom lembrar que FHC e Covas se elegeram na chapa do falecido ex-governador. E neste período, São Paulo já viveu escândalos em quase todas as áreas. Desde a revitalização do Rio Tiete, passando pelo Metrô, Sabesp, CDHU etc. E basta uma resposta do tipo “nenhuma relação” e “estamos investigando com rigor” para que tudo fique por isso mesmo.

O trensalão virou um Ferrorama na versão midiática. E o esquema de propinas um Banco Imobiliário. A narrativa é tão infantil e de faz de conta que não se pode imaginar que jornalistas sérios não fiquem com vergonha de assinar certas matérias.

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“Imprensa aceitou a censura”, diz historiadora

Em livro, pesquisadora mostra que, em vez de resistência, houve colaboracionismo por parte dos grandes veículos durante a ditadura

Editorial pede saída de Jango
Muito longe de fazer frente ao regime militar, a grande imprensa brasileira acabou por se acomodar à censura imposta pela ditadura que vigorou de 1964 a 1985. A resistência, quando houve, deu-se na imprensa alternativa, enquanto os grandes veículos se adaptaram para conseguir coexistir com os censores exigidos pelos militares. A tese é defendida pela historiadora Beatriz Kushnir, que mergulhou em documentos do Arquivo Nacional para destrinchar a ação dos censores nas redações dos principais jornais do País. Kushnir, que era esperada para falar sobre a tese de doutorado que originou o livro Cães de Guarda - Jornalistas e Censores, do AI-5 à Constituição de 1988 (Editora Boitempo) na Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva” no ano passado, deve depor em audiência pública nos próximos meses.

“Eu reviso essa ideia de resistência e mostro que houve, no lugar disso, um grande colaboracionismo”, explica Kushnir. “Se houve resistência, esta está nos veículos alternativos e não na grande na imprensa”.

No livro, que é nada palatável para a imprensa brasileira e foi pouco divulgado, a doutora em história lembra que antes mesmo de os militares tomarem o poder, a própria imprensa pedia o golpe em colunas e editoriais, como o Fora!, no qual o Correio da Manhã pediu a saída de João Goulart em 1º de abril de 1964, data em que o golpe foi consolidado.

Quando o regime se instalou, as lendárias receitas de bolo ou poemas de Camões publicadas para indicar ao público que o veículo estava sob censura revelam mais uma postura de conivência do que de resistência, avalia Kushnir. Diferentemente de outras ditaduras, como na Espanha, não houve uma só capa dizendo claramente que o jornal estava sob censura ou mesmo espaços em branco que indicassem isso. “Suporte e fôlego para carimbar que o veículo estava sob censura ninguém teve. Que ideia, então, de resistência é essa? Resistir para manter o jornal aberto, para fazer o jogo do mercado? Ou resistência para comunicar à nação brasileira o que estava acontecendo?”

No eixo Rio-São Paulo, a grande imprensa na época da ditadura civil militar estava concentrada em cinco grupos — O Globo, Jornal do Brasil, Folha, Estadão e Abril — cada um na mão de uma família. A proximidade de cada clã com os militares é difícil de mensurar, mas o papel jornal, lembra a historiadora, era fornecido sob concessão do governo, o grande financiador de propaganda mantenedora dos veículos de comunicação.

Diante desse cenário, o único protesto de fato estava na imprensa alternativa, protagonizada por nomes como Pif Paf, Movimento e O Pasquim, cuja 300ª edição ficou marcada pelo editorial Sem Censura, assinado por Millôr Fernandes. A morte do militante Carlos Marighela, da ALN (Aliança Libertadora Nacional), por exemplo, foi um indicativo do contraste vivido pelos meios de comunicação na época. Enquanto o jornal Venceremos, que circulou de setembro a novembro de 1971, trazia na capa “Este jornal não é censurado pela ditadura. Viva Marighella”, a primeira página da Folha da Tarde estampava a manchete: “Metralhado Marighela, Chefe Geral do Terror”.

Censores

Durante a pesquisa, Kushnir fez uma descoberta inesperada: existia uma tradição de jornalistas trabalhando para a censura do regime. “Eram funcionários públicos e quando tinham de optar por uma função ou outra acabavam escolhendo ser censores, que ofereciam maior estabilidade”, explica.

Além de jornalistas, grande parte dos censores eram psicólogos de formação e professores de línguas estrangeiras. Nos anos da repressão chegou-se a um total de 220 censores. Um número pequeno para dar conta de todo o País, avalia a historiadora. Para se adaptar às exigências, lembra, começa então um processo de autocensura, no qual a própria redação se adequava às imposições da ditadura.

Algumas redações chegaram a ter policiais integrando sua equipe. No livro de Kushnir, o capítulo O jornal de maior tiragem: a trajetória da Folha da Tarde. Dos jornalistas aos policiais é dedicado exclusivamente ao tema. Ela analisa como os policiais dentro da redação ajudavam a moldar o conteúdo do jornal, que ficou conhecido como o “Diário Oficial da Oban”. Além de ser uma espécie de porta-voz dos órgãos de repressão, dirigentes da redação eram oriundos de órgãos militares e da polícia paulista.

“Uma coisa é resistir ou não, outra coisa é não colaborar. Não colaborar é não entregar um jornal na mão de uma equipe de policiais para esconder as mortes decorrentes de tortura”, contesta Kushnir sobre as versões publicadas dos assassinatos dos militantes. Uma dinâmica, ela ressalta, que de certa forma ainda ressoa nos grandes veículos. “Isso ficou muito claro durante os protestos de junho. As pessoas que queriam saber o que estava acontecendo liam muito mais os jornais online e blogs porque a grande imprensa tecia outras cores", afirma.

Marsílea Gombata
No Carta Capital
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A mulher que vingou Che Guevara


Jurgen Schreiber é um jornalista alemão, de reconhecido prestígio como repórter investigativo, que publicou recentemente a biografia de uma compatriota sua, Mónika Ertl. Quem vê o título do livro “A mulher que vingou Che Guevara” pode até pensar que é uma obra de ficção, mas o relato narra uma história da vida real, ainda que desconhecida.

 
Mônica é filha de um dos grandes propagandistas do nazismo, Hans Ertl, que por muito tempo foi conhecido como o “fotógrafo de Hitler”. Ela nasceu em Munique, em 1937, mas nos anos 50 foi viver na Bolívia, para onde seu pai havia fugido depois da queda do Terceiro Reich. Criou-se num círculo fechado de racismo e violência, no qual brilhavam o seu pai e outro sinistro personagem a quem ela chamava de “tio”, e que não era outro senão Klaus Barbie, “o carniceiro de Lyon”.

Essa jovem e bela alemã cresceu nesse ambiente, dedicando-se a mesma profissão do seu pai: era fotógrafa e camarógrafa. Mas, tudo mudou no final dos anos 60, quando tomou conhecimento da proposta de Che Guevara naquele país, e acompanhou todo o episódio de sua morte na selva boliviana. O assassinato do guerrilheiro argentino provocou um rompimento de Mônica com suas raízes e num giro de 360 graus ela acabou militando nas fileiras do Exército de Libertação Nacional, o grupo guerrilheiro formado pelo próprio Che. Depois de viver na Alemanha ela acabou voltando para La Paz onde conheceu e se apaixonou por Osvaldo Peredo, irmão do então líder do ELN, que também era militante.

Pois é ela que, em 1971, cruza o Atlântico, volta para a terra natal, Alemanha, e lá, na cidade de Hamburgo, executa pessoalmente, com três tiros de uma pistola Colt 38, o cônsul boliviano daquela cidade. E quem era esse cônsul? Nada menos do que o coronel Roberto Quintanilla, o homem responsável pelo ultraje final a Guevara: a amputação de suas mão. Ela havia percorrido mais de 20 mil quilômetros, desde a cordilheira dos andes até Hamburgo para justiçar o militar.

Assim narra Jurgen, aquele dia especial. “Hamburgo, Alemanha, eram nove e quarenta da manhã do dia primeiro de abril de 1971. Uma bela e elegante mulher, de profundos olhos cor de céu entra no escritório do cônsul da Bolívia e espera pacientemente ser atendida. Enquanto aguarda, olha indiferente os quadros que adornam as paredes. Roberto Quintanilla, cônsul boliviano, vestido elegantemente com um traje de lã escuro, aparece e a cumprimenta, bastante impactado pela beleza da mulher que diz ser australiana e que há poucos dias havia pedido uma entrevista. Por um instante fugaz, ambos se encontram frente a frente. A vingança então aparece encarnada no rosto feminino e atrativo. A mulher, de beleza exuberante, o olha fixamente nos olhos e sem dizer palavra extrai um revólver e dispara três vezes. Não houve resistência, nem luta. Os impactos deram na parede. Na fuga, ela deixou para trás a peruca, o Colt 38 e um pedaço de papel no qual se lia “Vitória ou morte. ELN”.

Depois de matar Quintanilla, Mônica foi alvo de uma feroz caçada pelas forças de segurança bolivianas, que atravessou países e mares, e só terminou quando a jovem finalmente caiu morta em uma emboscada montada justamente pelo seu “tio”, o sanguinário Barbie, no dia 12 de maio de 1973, em La Paz. Mônica tinha 32 anos e seu corpo nunca foi encontrado.

Essa história incrível e aventurosa é contada pelo jornalista Jürgen Schreiberm, e faz parte da história de nuestra América. Monica Ertl. Presente!

Veja o vídeo, com narrativa em espanhol sobre o dia em Mônica vingou El Che.


No Claudicando
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Solidariedade a Genoino derrota o PIG


Em mensagem divulgada na noite deste sábado (18), a família de José Genoino, ex-deputado e ex-presidente nacional do PT condenado pelo STF no midiático julgamento do chamado mensalão, informa “a todos que estão acompanhando a nossa luta coletiva para o pagamento da multa imposta injustamente: conseguimos o valor necessário! Essa é uma vitória não nossa, mas de todos aqueles que não querem se calar diante das injustiças, de todos os que sabem que a história de José Genoino sempre esteve relacionada apenas à luta por causas, sonhos e projetos coletivos... Em nome da luta de José Genoino, o nosso muito obrigado pela compreensão. Continuamos a luta pela justiça e verdade".

O expressivo êxito da campanha de solidariedade representa uma derrota da mídia direitista e do seu dispositivo partidário. Em apenas oito dias, ela conseguiu arrecadar os R$ 667 mil necessários para o pagamento da multa imposta pelo juiz da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, indicado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal para executar as penas dos réus do “mensalão”. O prazo determinado para pagar a multa expiraria nesta segunda-feira, 20 de janeiro, e a família de José Genoino corria o risco de ter seus bens confiscados. Ela chegou a cogitar a venda do único imóvel que possui, uma casa simples no bairro do Butantã, na zona oeste da capital paulista. Isto, porém, não será mais necessário.

Conforme aponta o texto de abertura no site de apoio a José Genoino, o ex-deputado foi “condenado sem provas por um tribunal que se dobrou a um linchamento midiático”. Após a injusta condenação, ele seguiu “sendo alvo agora de uma perseguição rancorosa e odiosa. Apesar de seus gravíssimos problemas de saúde, ele continua a sofrer ameaças e constrangimentos intoleráveis da parte de algumas autoridades”. Nos últimos dias, a mídia venal — que transformou em pó um helicóptero carregado de cocaína e que trata como “indício” o trensalão em São Paulo, entre outras omissões para blindar os tucanos — fez alarde até com a casa alugada por familiares para abrigar José Genoino em Brasília.

Mas todo este “linchamento midiático” não conseguiu inibir o espírito de solidariedade. José Genoino venceu esta batalha parcial num guerra que promete ser prolongada. Seus algozes foram derrotados!


* * *

Genoino: Barbosa, muito obrigado!

Companheiros,

Estou orgulhoso de nós.

Podemos escolher escrever a História ou sermos passivos. Melhor ainda participar ativamente da História defendendo nobres causas. Há ainda os que escolhem apenas atirar pedras. Até aí, nenhuma novidade. A história nos revela que nunca e nada foi fácil aos que batalham por liberdade, justiça, dignidade e honra. Também nos revela que nunca desistimos. E nunca desistiremos.

Prisões, perseguições, cassações de direitos e liberdades democráticas não são novidades a quem luta por liberdade e honra. Qual dos grandes não foi perseguido e preso lutando por liberdade e honra?

Hipócritas costumam enaltecer histórias passadas e atacam com desprezo a história que hoje se escreve.

Sim, são os mesmos que esquartejaram o ativista político Joaquim José da Silva Xavier.

Na manhã de sábado, 21 de abril de 1792, o obrigaram a percorrer em procissão as ruas do centro da cidade do Rio de Janeiro, no trajeto entre a cadeia pública até aonde fora armado o patíbulo. Trataram de transformar aquela aberração em uma demonstração de força, fazendo verdadeira encenação. A leitura da sentença estendeu-se por dezoito horas, após a qual houve discursos de aclamação ao rei, e cortejo munido de verdadeira fanfarra.

Todo esse espetáculo acabou por despertar a ira da população que presenciou o evento, quando a intenção era, ao contrário, intimidá-la para que não houvesse outras revoltas.

A nossa luta se repete e nos engrandece nos dando a certeza de estarmos do lado certo da história.

Expresso aqui meus sinceros agradecimentos, satisfação e orgulho, aos companheiros que me surpreenderam dizendo-se inspirados na postagem do meu comprovante de depósito e então decidiram participar. Não foi minha intenção, mas foi uma agradável surpresa.

Agradeço até ao outro Joaquim. O Barbosa. Por ter me proporcionado o prazer de ter participado dessa campanha pró José Genoino para saldar a exorbitante multa a ele injustamente imposta.

Este recibo será devidamente emplacado e mantido em minha casa como um troféu. Sem deixar de constar o lema que criei para cada causa que decido batalhar:

Que eu seja o mais reles dos soldados mas, quero ter meu nome gravado na lista dos que lutaram.

Somos fortes.

AVANTE!!!

Gerson Carneiro
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Como Roseana Sarney transformou o Maranhão num ‘Tigre do Nordeste’

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Cobertura da crise no Maranhão gera desconforto entre família Sarney e TV Globo

Roseana Sarney tem um terço das ações da empresa afiliada da emissora no Estado e, a aliados, afirma que está sofrendo perseguição

A governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), ficou extremamente desconfortável com as sucessivas reportagens sobre a crise prisional e sobre os indicadores sociais do Maranhão que têm sido veiculados pela Rede Globo. Roseana detém um terço das ações da TV Mirante, afiliada da Rede Globo no Estado. São sócios de Roseana na TV Mirante o empresário Fernando Sarney, seu irmão, e seu pai, o senador José Sarney (PMDB-AP).

A interlocutores, Roseana classifica-se como perseguida da grande mídia, inclusive pela Globo. Apesar disso, conforme o iG apurou, ela ficou surpresa com o fato da emissora ter destinado, por exemplo, cinco minutos da edição da última quarta-feira do Jornal Nacional apenas para falar sobre os problemas sociais do Maranhão. Aliados da governadora informaram que ela classificou como “exagero” a exposição que o Estado vem tendo nos últimos dias.

Na reportagem de Tiago Eltz, o Jornal Nacional mostrou que o Produto Interno Bruto (PIB) do Maranhão cresceu 15,3% entre 2010 e 2011. Percentual cinco vezes maior que a média nacional no período: 2,7%. Mas também revelou que esses crescimento ainda não se refletiu nos indicadores sociais. O Maranhão ainda tem a pior expectativa de vida do Brasil e que 90% dos moradores não possuem acesso à rede de esgoto.

Mas essa não foi a primeira vez que a governadora teve que enfrentar desconfortos por matérias veiculadas pela Rede Globo. No ano passado, a emissora citou problemas na saúde do Maranhão no programa “Profissão Repórter”, mostrando falhas do programa “Saúde é Vida”, que previa a construção de 62 hospitais e até agora não foi concluído.

Durante a crise no sistema prisional do Estado e das críticas pesadas contra o governo, alguns aliados de Roseana tentaram iniciar uma campanha de proteção ao Estado chamada “Eu Amo o Maranhão”. A ideia era tentar abafar as críticas por meio de um sentimento de orgulho ao Estado. Mas a campanha nas redes sociais não pegou e acabou sendo satirizada.

Da outra ponta, como estratégia de gerenciamento de crise, blogs ligados do governo do Estado também tem sido utilizados para tentar desviar o foco das críticas ao executivo e ao sistema carcerário maranhense. Desde o início da crise, esses blogs tem desclassificado as denúncias da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e reiterado o suposto caráter “político” da crise carcerária maranhense, apontando que algumas denúncias, como o vídeo de homens decapitados, vazaram por meio de pessoas ligadas ao presidente da Embratur, Flávio Dino, principal adversário da família nas eleições de 2014.

No iG
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O solitário do mensalão

Na CPI que se ocupou do chamado mensalão, foi o depoente mais inseguro, titubeante, no próprio rosto o ritus do medo, senão pânico mesmo. Até muito mais do que o outro sufocado pela insegurança, Marcos Valério. Foi o único, também, a citar companheiro de partido e de governo de modo a transferir responsabilidades que lhe cobravam.

Já consumadas as condenações, participei de uma mesa de conversa sobre o processo, no Sindicato dos Advogados do Rio. À chegada, Henrique Pizzolato me esperava na saída do elevador, com a mulher. Trazia uma pasta para me entregar, com documentos dados como comprovantes da realização de trabalhos, pela agência de Valério, negados na acusação do Ministério Público e pelo relator Joaquim Barbosa. A votação da maioria, no Supremo Tribunal Federal, acompanhou a negação.

A tibieza de Pizzolato me impressionou. Quem falou foi sua mulher, um ou dois minutos. Não consegui dizer mais do que os cumprimentos, fixado na imagem de Pizzolato. Mais tarde, registrei parte do indicado pelos documentos, em princípio mais convincentes do que a acusação aparentemente mais fundada no desejo de acusar e condenar do que em fatos e provas bem apurados.

A fuga do casal Pizzolato não significou admissão de culpa. É natural o desejo de evitar a prisão, facilitado, no caso, pela dupla nacionalidade do condenado. Mas um pormenor ficou, para mim, como indagação cuja resposta poderia ser valiosa, diante de tanta coisa mal explicada, ou inexplicada, no processo e nas intervenções do julgamento. Os petistas, tanto os envolvidos no processo como os outros dirigentes, puseram Pizzolato à parte. É dele esta queixa, registrada por um dos seus defensores fora do tribunal: "O PT me abandonou".

Por quê? Mais uma vez, Pizzolato foi o único. E não poderia faltar um motivo importante, a ponto de ser significativo para tantas pessoas que com ele conviveram em duradoura confiança, e o prestigiaram em indicações para cargos disputados. O que constatei ou deduzi a respeito não confirma nem conflita com a notícia, do "Estado de S. Paulo", de uma conta na Suíça com possível movimento pelo foragido Henrique Pizzolato. Mas permite a convicção de que no rastro desse fato há numerosas consequências enfileiradas, capazes de mudar muitos aspectos estabelecidos sobre o chamado mensalão.

Deveres em falta

A propósito de nota aqui publicada, o governo gaúcho acusa o juiz da 1ª Vara de Execuções Criminais de difundir dúvida, sem provas, sobre perícias que indicaram doenças como causa de mortes no Presídio Central, em Porto Alegre. O juiz, a rigor, não precisa apresentar provas para lançar a suspeita, bastam-lhe indícios. Além disso, a cobrança da Comissão Interamericana de Direitos Humanas ao Brasil não trata só de mortes, mas também das condições carcerárias calamitosas no Presídio Central. E o governador Tarso Genro continua devendo explicações ao país.

Em tema paralelo, o desembargador Rogério Medeiros Garcia de Lima, de Belo Horizonte, em mais uma mensagem ao Painel do Leitor diz-se "cético sobre discursos de defensores dos 'direitos humanos só para criminosos'". Não indica o autor da citação que faz. Mas, na seguimento, diz: "Não concordo com todas as posições de Janio de Freitas", conexão que sugere minha autoria da proposta "só para criminosos". Eu nem precisaria desmenti-la, mas o desembargador precisa, por dever ético, indicar a autoria de citações que faz. Jamais vi ou ouvi a frase por ele apresentada.

Já que, diz também, seu ceticismo vem do seu "desamparo na resolução de problemas relativos a presos e menores infratores", aí estaria fortíssima razão para defender os direitos humanos de presos, e não para sua posição oposta. Ainda mais porque não consta, na legislação brasileira, que a expressão direitos humanos leve o adendo "exceto para presos e infratores".

Janio de Freitas
No fAlha
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Quantos dias o Iguatemi aguentaria fechado?

Há 57 anos uma negra chamada Rosa Parks deu um rolezinho sobre as prerrogativas dos brancos no transporte coletivo de Montgomey, nos EUA.

O Museu Henry Ford, em Detroit, nos EUA, guarda inúmeras relíquias da história norte-americana sobre rodas.

O veículo no qual Kennedy foi baleado está lá.

Gigantescas locomotivas que desbravaram a expansão ferroviária do país no século XIX ilustram em toneladas de ferro e aço o sentido da expressão revolução metal-mecânica.

Perto delas os esqueléticos Fords-bigode que deram origem à indústria automobilística, de que Detroit foi a capital um dia, parecem moscas.

O museu abriga também um centenário ônibus da ‎ National City Lines, de número 2857, um GM com o número 1132, que fazia a linha da Cleveland Avenue na cidade de Montgomery, no Alabama, em 1 de dezembro de 1955.

A ocupação de um assento naquele ônibus mudaria a história dos direitos civis nos EUA promovendo um salto na luta pela igualdade entre negros e brancos no país.

O verdadeiro símbolo do episódio não é o velho GM, mas a costureira e ativista dos direitos dos negros, Rosa Park (1923-2005) que naquela noite se recusou a ceder o lugar a um branco.

Rosa tinha 40 quando desafiou a física do preconceito no Alabama dos anos 50, segundo a qual brancos e negros não poderiam usufruir coletivamente do mesmo espaço, ao mesmo tempo.

Rosa Parks viveria mais 50 anos para contar e recontar esse rolezinho sobre as prerrogativas dos brancos, que transformaria o velho GM em um centro de peregrinação política.

O último presidente a sentar-se no mesmo banco do qual ela só saiu presa foi Barak Obama.

Em 2012 depois de alguns segundo em silencio no mesmo lugar, ele disse: ‘É preciso um gesto de coragem das pessoas comuns para mudar a história’.

Rosa Parks era uma pessoa comum até dizer basta a uma regra sagrada da supremacia branca nos EUA.

Em pleno boom de crescimento do pós-guerra, quando negros se integravam ao mercado de trabalho e de consumo norte-americano, eles não dispunham de espaço equivalente nem no plano político, nem nos espaços públicos, como o interior de um veículo de passageiros.

No Alabama os bancos da frente dos ônibus eram exclusivos dos brancos; os do fundo destinavam-se aos negros.

Detalhes evitavam o contato entre as peles de cores distintas: os negros compravam seu bilhete ingressando pela porta da frente, mas deveriam descer e embarcar pela do fundo.

À medida em que os assentos da frente se esgotavam os negros deveriam ceder seu lugar a um novo passageiro branco que embarcasse no trajeto.

Rosa Parks estava fisicamente exausta aquela noite e há muitos anos cansada da desigualdade que humilhava sua gente.

Ela recusou a ordem do motorista e não cedeu o lugar mesmo ameaçada. Sua prisão gerou um boicote maciço dos negros de Montgomery.

Durante longos meses eles que se recusaram a utilizar o transporte coletivo da cidade provocando atrasos nos locais de trabalho e prejuízos às empresas de transporte.

Milhões de panfletos explicativos seriam distribuídos diariamente; de forma pacífica, grupos de ativistas vasculhavam os pontos de ônibus da cidade para convencer negros a aderi ao boicote.

Quase um ano depois a lei da segregação dentro dos ônibus foi extinta.

Neste sábado, um dos shoppings mais luxuosos de SP , o Iguatemi JK, cerrou as portas para impedir que movimentos sociais fizessem ali um protesto contra a discriminação em relação aos pobres.

O Iguatemi foi um dos pioneiros a obter liminar na Justiça de SP autorizando seguranças a selecionar o ingresso de clientes para barrar a juventude dos rolezinhos — marcadamente composta de jovens da periferia, pretos, mestiços e pobres.

A memória dos acontecimentos de 57 anos atrás em Montgomery anos convida a perguntar:

- A exemplo das transportadoras racistas do Alabama, quantos dias o Iguatemi de SP aguentaria de portas cerradas, cercado por manifestações pacíficas e desidratado pela fuga de seus clientes tradicionais?

Saul Leblon
No Carta Maior
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Colegas no SBT têm vergonha de Sheherazade

Opinião de Rachel Sheherazade causa vergonha em seus colegas

Os jornalistas do SBT comentam entre si que têm vergonha de trabalhar na mesma redação que Rachel Sheherazade.

O motivo é o tipo de pensamento que a apresentadora faz questão de exibir e que incomoda grande parte de seus colegas.

O jornalismo do SBT, que antes era considerado mais imparcial, está cada vez mais associado a um pensamento de direita, por conta da figura de Sheherazade.

Nesta semana, após a entrevista que ela deu a um jornal impresso na qual defendeu o deputado Feliciano e depois de seus comentários sobre a polêmica dos "rolezinhos", a situação azedou de vez.

O problema é que ninguém na redação pode sequer pensar em tirá-la do cargo, já que a moça é protegida do patrão, Silvio Santos.

O jeito, para manter o emprego, é aguentá-la.

Miguel Arcanjo Prado
No R7
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Outra carta da Dorinha

Recebo outra carta da ravissante Dora Avante. Dorinha, como se sabe, não revela sua idade para ninguém, só diz que não é verdade que já viu o Cometa Halley passar duas vezes.

À frente do seu grupo de pressão política e carteado, as Socialaites Socialistas, que lutam pela implantação no Brasil do comunismo soviético na sua ultima etapa, a da volta ao tzarismo, Dorinha se mantém ocupada o ano inteiro, o que não a impede de fazer a coisa que mais gosta, pelo menos entre as publicáveis: viajar.

Ela ainda se lembra do tempo em que mandava fazer vestido especialmente para andar de avião, e todos os seus maridos só viajavam de paletó e gravata, e em viagem você só encontrava contribuintes da mesma categoria tributária que você, ou pelo menos do mesmo grau de sonegação, enquanto hoje...

Mas deixemos que a própria Dorinha faça a sua queixa. Sua carta veio, como sempre, escrita com tinta turquesa em papel lilás, cheirando a “Mange moi”, um perfume recentemente denunciado pelo Papa Francisco para agradar à ala conservadora da Igreja.
Caríssimo! Roto-beijos! Bons tempos em que a gente viajava não para alargar nossos horizontes culturais, mas para, na volta, dar inveja nos que não podiam. Me lembro do tempo em que não se encontrava brasileiros nem em Miami. Encontrava-se muitos cubanos, é verdade. Se por alguma razão você exclamasse ‘Jesus!’ na rua, sempre tinha um por perto que respondia ‘Sí?’

Mas os cubanos eram simpáticos, e todos anticastristas, o que me enternecia a ponto de levar vários para a cama. Hoje Miami é um subúrbio do Brasil, e Orlando sua colônia de férias. Já tive a experiência de viajar para a Flórida num avião cheio de ruidosas crianças brasileiras a caminho da Disneyworld, o que só reforçou minha convicção de que Herodes foi um incompreendido.

Na Europa também era raro se encontrar alguém falando português, inclusive em Portugal. Lembro que um dos meus maridos brasileiros, cujo nome me escapa no momento, insistiu em visitar sua conta na Suíça (era um sentimental) e descobriu que o banco o identificava como ‘El mexicano’. Na época, nem corrupto nacional era reconhecido. Hoje você não pode andar na rua em Paris ou Londres sem ouvir português por todos os lados.

Você não pode, principalmente, falar mal do grupo na mesa ao seu lado porque é quase certo que sejam de Presidente Prudente e estejam entendendo tudo. Você sabe que eu sou uma democrata e até já dei jantar pro Lula — não com a louça boa, claro — mas é preciso haver um limite! Que graça tem chegar de viagem e contar o que eu vi para minha diarista e ela dizer que a catedral de Chartres é bonita, mas não se compara ao Taj Mahal? Assim, decididamente, não dá. Da tua lamurienta Dorinha.

Luis Fernando Veríssimo
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Gleisi dá xeque-mate e deve tirar Dias do Senado


A candidatura da ministra Gleisi Hoffmann ao governo do Paraná já causou um estrago na oposição; Gleisi conseguiu amarrar o apoio de Osmar Dias, do PDT, que será candidato ao Senado na sua chapa; resultado: o tucano Alvaro Dias (PSDB-PR), irmão de Osmar, deve encerrar a carreira; na família Dias, há um acordo: irmão não enfrenta irmão e esta é a vez de Osmar; tucanos perderiam uma das vozes mais estridentes

2014 deve ser o último ano de Alvaro Dias (PSDB-PR) no Senado. O motivo é a articulação bem-sucedida da ministra Gleisi Hoffmann, da Casa Civil, que será candidata ao governo paranaense e conseguiu amarrar o apoio de Osmar Dias, do PDT, que será candidato ao Senado na sua chapa. O resultado disso será o fim de carreira de Alvaro Dias, irmão de Osmar. Na família, há um acordo que se sobrepõe à disputa política: irmão não enfrenta irmão.

Para o PT, seria uma vitória importante, pois Alvaro Dias (PSDB-PR), que já foi o líder tucano no Senado, tem sido, nos últimos anos, uma das vozes mais ativas e estridentes da oposição.

Essa "aposentadoria" forçada do senador tucano foi também aborda na coluna Panorama Político, de Ilimar Franco. Leia abaixo:
Irmão desconhece irmão

O vice do Banco do Brasil, Osmar Dias (PTB), será candidato ao Senado na chapa da ministra Gleisi Hoffmann (PT). O irmão, o senador Álvaro Dias (PSDB), está inconsolável. E reclamando nos cantos que o irmão o fará encerrar a carreira.

No 247
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