15 de jan de 2014

Viés antissocial da Globo pode ser hereditário


Em 1962, o jornal que hoje condena a elevação do salário mínimo, já era contra o décimo terceiro-salário; viés contrário à distribuição de renda vem de longe e os irmãos Marinho, que têm um império de mídia sem paralelo no mundo, já possuem patrimônio de US$ 23,6 bilhões; antes, era Roberto Marinho quem dava a linha editorial do jornal; hoje, é João Roberto Marinho; aos dois, aplica-se a máxima: tal pai, tal filho

No fim de semana, o 247 chamou a atenção para um editorial do Globo, que condenava os aumentos reais do salário mínimo no Brasil — uma política responsável, segundo especialistas, por tirar milhões de brasileiros da linha da pobreza. E era até mesquinho que uma família com patrimônio de US$ 23,6 bilhões (leia aqui) se levantasse contra a distribuição de renda.

Ontem, uma capa do Globo, de 1962, foi resgatada na internet. Nela, a manchete alertava para o perigo representado pela concessão do décimo-terceiro salário. Naqueles idos, como se sabe, o jornal comandado por Roberto Marinho liderou o movimento que culminou no golpe de 1964. Hoje, o mesmo jornal, liderado por João Roberto Marinho, articula a chamada "guerra psicológica".


As duas posições do Globo, a de 1962 e a de 2014, ambas com o mesmo viés antissocial, foram destacadas pelo PT em sua página no Facebook da seguinte forma:

TRADIÇÃO

Em 1962, O Globo foi contra o 13º salário do trabalhador:

“Os meios financeiros consideram altamente inflacionária e de consequências desastrosas para a economia nacional, a implantação de um 13º mês de salário”.

Em 2014, O Globo é contra o aumento do salário mínimo:

“O tema é inadequado a ano eleitoral, mas o presidente de 2015 terá de propor desarmar o mecanismo (indexação ao PIB), para impedir que a inflação corroa os ganhos obtidos”.
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Quem ganha com Janot?


Ampliar papel do MP na campanha criminaliza debate político e ajuda oposição

Um exercício político que costuma dar bons frutos é colocar-se na posição de oprimido.

O Ministério Público fez assim na PEC 37, quando acusou o Congresso de trabalhar pela impunidade dos corruptos quando debatia a manutenção de uma indispensável divisão de poderes, típica de toda democracia digna deste nome, onde a parte que investiga (a polícia) não pode ser a mesma que acusa (o Ministério Público) sob o risco de se criar uma Justiça que trabalha para atingir resultados pré-definidos. Quando a PEC 37 foi rejeitada, no rescaldo dos protestos de junho, o Congresso parecia em clima de felicidade nacional.

Em sua nova investida, o Ministério Público quer ampliar seu papel na campanha de 2014. Como?

Pretende recuperar o direito de abrir inqueritos de crime eleitorais por sua conta e risco, sem precisar de autorização de um juiz competente.

Depois de ultrapassar os delegados, na PEC 37, o que se quer, agora, é ultrapassar os juízes do TSE, que tomou essa decisão pelo voto unanime do plenário, menos o de Marco Aurélio de Mello.

Deixando toda ingenuidade e toda hipocrisia de lado, sabemos muito bem quem vai ganhar com isso: os candidatos que, no plano federal e no estadual, podem contar com simpatia do Ministério Público.

Não acho que os procuradores são puro braço político das máquinas partidárias.

Mas casos recentes, de grande repercussão política, recomendam uma imensa cautela a esse respeito.

É difícil sustentar que o Ministério Público tem assumido uma postura política neutra.

Basta comparar a rapidez exibida ao apurar denúncias contra o governo Lula-Dilma e contra o PSDB.

Se para apurar a Ação Penal 470 o ministério público levasse o mesmo tempo gasto para apurar o propinoduto do metrô do PSDB paulista, os réus do PT só teriam sido levados ao tribunal em 2020.

Até pedido da justiça Suíça foi engavetado — com a explicação de que fora deixado na gaveta errada.

Não é o único caso a mostrar que o ministério público também atua políticamente.

Denúncias que podiam comprometer o DEM do Rio Grande Norte no desvio de verbas do Estado foram arquivadas. Idem para denúncias que atingiam o senador Demóstenes Torres, inimigo de todas as horas do governo Lula.

Crimes eleitorais devem ser apurados, sim, mas com cautela, para impedir que uma campanha se transforme num show de denuncismo, que empobrece o debate político. Para isso a moderação de um juiz é indispensável.

No mundo real das campanhas eleitorais, não é preciso provar nada. Basta acusar — e alimentar os meios de comunicação amigos com denúncias.

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A “guerrilha” da Rede Globo por audiência

O jornalista Daniel Castro observou nesta semana no seu antenado sítio Notícias da TV que “a Globo não é mais a mesma. No último domingo, a emissora permaneceu durante uma hora e 54 minutos sem intervalos comerciais, em pleno horário nobre. Ela lançou mão de uma estratégia de programação que sempre criticou na Record e SBT, por privilegiar a audiência. Depois de um bloco de quatro minutos de comerciais no Domingão do Faustão, a Globo ficou sem intervalos das 19h20 até as 21h14. Foram uma hora e 25 minutos de Domingão do Faustão e 29 minutos de Fantástico sem ir para o break... O que a Globo fez é chamado de estratégia de guerrilha”.

Ainda segundo o jornalista, “a emissora fez um intervalo comercial exatamente no momento em que a Record trocava O Melhor do Brasil pelo Domingo Espetacular, sua maior audiência atualmente, e só voltou a ter break quase uma hora e meia depois. Assim, fez tudo o que podia para manter seu telespectador longe do controle remoto. Funcionou. O Domingo Espetacular perdeu um ponto em sua média (deu 9 na Grande São Paulo). Fontes da Globo negam que tenha sido uma estratégia de programação para combater a Record. Dizem que o Domingão do Faustão já estava gravado desde dezembro com a ‘paginação’ levada ao ar. E que o longo tempo sem intervalo foi uma coincidência”.

A desculpa das “fontes” da emissora, porém, não convence. Várias estatísticas confirmam que a TV Globo está em franco declínio. O tradicional e envelhecido “Fantástico” já perdeu há muito tempo a sua condição de líder incontestável das tardes de domingo. Já o Jornal Nacional teve a pior audiência da sua história em 2013. Nos últimos dois anos, o principal programa jornalístico da emissora registrou perdas anuais de 10%. Na última década, o afastamento dos telespectadores do JN é ainda mais drástico. O telejornal perdeu quase 30% da sua audiência.

As novelas e outros entretenimentos também estão em baixa. Como registrou Keila Jimenez, da Folha, a emissora não terá saudades de 2013. “De 1º de janeiro a 26 de dezembro, a média diária (das 7h à meia-noite) da TV Globo na Grande São Paulo foi de 14,3 pontos. Em 2012, a rede marcou 14,7 pontos. Cada ponto equivale a 62 mil domicílios na Grande São Paulo”. É o pior índice já registrado pela poderosa rede durante um ano. O uso de “estratégias de guerrilha” visa exatamente estancar este sangramento, que pode afetar os seus bilionários recursos em publicidade!

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Maranhão e ‘rolezinho’ são faces da mesma moeda

 

As cenas de selvageria que vieram do presídio de Pedrinhas foram tantas e tão fortes que conseguiram o inusitado de comover, pelo menos por alguns dias, uma sociedade quase sempre submersa às noções de vingança, castigo e crueldade para condenados em geral.

Seria reconfortador, no entanto, que pudéssemos circunscrever o fato a um absurdo local, de uma capitania hereditária que troca segurança por lagostas e se esconde atrás de cinismos sepulcrais.

A omissão e o descaso cruzaram perigosos limites, sem dúvida.

Mas violências e violações não são inéditas nas prisões brasileiras. E nada indica que isso esteja mudando.

Grávidas que dão luz a seus filhos algemadas, presos acorrentados à parede, punidos nus sobre chão quente, mulheres sem acesso a absorventes — um pouco de tudo se vê no sistema carcerário cada vez mais tutelado por grupos criminosos organizados à sombra da omissão do Estado.

Inclusive e principalmente mortes.

Há uma enorme contradição entre o vigor penal com que réus são punidos e presos e a lassidão com que seus direitos são observados neste percurso.

Há muitos presos para essas duas medidas.

Em certos casos, direitos são desrespeitados numa proporção tão grande quanto às ofensas que os levaram para detrás das grades.

Há um exagero hiperbólico na ideia fixa de que a prisão é a única das penas possíveis. E todas as formas alternativas a ela acabam consideradas como impunidade — até mesmo um regime semiaberto.

Há uma crença despropositada de que o rigor penal traz tranquilidade social.

Mesmo depois de anos de experiência frustradas com leis rigorosas, como a dos Crimes Hediondos, que não reduziu a incidência penal e ainda deixou como legado uma extensa massa carcerária, o crescimento da prisão feminina e a organização das facções criminosas.

Não fosse isso o país não estaria discutindo a redução da maioridade (para superpovoar um barco que já afunda por excesso de peso) e o Senado não estaria se movendo para aprovar com presteza um novo Código Penal que aumentará ainda mais o contingente carcerário, inclusive ao postergar progressões de regime.

Mas a questão não é apenas legal.

O rigorismo judiciário reduziu fortemente o impacto de uma lei criada com o propósito de diminuir o alto índice de prisão provisória, que orbita perto da casa dos 50% -mais de 70% em alguns Estados.

As medidas alternativas à prisão, em interpretações rigorosas que vão se tornando dominantes, se transformam em alternativas à liberdade, como é o caso do revigoramento da fiança.

E a lei da detração, destinada justamente a compensar com progressão o tempo longevo das prisões provisórias, padece no esquecimento.

O descaso com as cadeias, e com a cadeia de acontecimentos que chegam à sua deterioração, ocorre, em grande medida, porque lá se encontra a parcela mais desprovida da sociedade.

Suas defesas dependem do próprio Estado, que as negligencia com Defensorias Públicas aquém da necessidade.

Sua capacidade de sensibilizar a mídia é quase desprezível, salvo quando as imagens permitem um sensacionalismo passageiro.

Sua influência eleitoral é irrisória, porque, como se sabe, nem mesmo os presos que têm na Constituição direito a voto, conseguem exercê-lo.

Mas só há mais pobres, negros e pardos nas prisões, porque na hora da fiscalização, da vigilância das ruas, dos controles nos estabelecimentos comerciais, aí sim, eles são o público preferencial.

Das batidas policiais às revistas humilhantes, das operações sufoco nas entradas das favelas ao controle de coletivos que se dirigem a bairros nobres, da repressão aos bailes funks ao "rolezinho" em shopping center.

Se há algum serviço público que tem o excluído como prioridade, este sem dúvida alguma é a segurança.

Ao impor mais e mais punições, construindo um sistema prisional incapaz de se administrar, e ao mesmo tempo reafirmando a seletividade do direito penal, o país vai passo a passo concretizando um apartheid com cor local.

Onde o interior do Maranhão e os shopping centers das grandes cidades estão menos distantes do que parecem.

Marcelo Semer
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São Paulo promete uso da força contra 'rolezinhos'


Secretário estadual de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella, afirma que a PM poderá ser acionada; “Se houver tumulto, ela vai aplicar a força policial”; no Rio de Janeiro, secretário José Mariano Beltrame não vê ação de jovens como crime e diz polícia não vai atuar de forma preventiva

Frente ao crescente movimento dos “rolezinhos” em shoppings da capital, o secretário estadual de Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, promete ação enérgica da PM em caso de tumulto.

"Não é função da polícia fazer a segurança nos shoppings. O papel dela é preservar a ordem. Mas se houver tumulto, ela vai aplicar a força policial", disse.

No último fim de semana, dois shoppings foram palcos dos "rolezinhos": o de Itaquera, onde houve forte repressão policial com balas de borracha e bombas de gás; e no JK Iguatemi, onde uma liminar proibiu a realização do "rolezinho", a entrada de jovens desacompanhados e uma multa de R$ 10 mil caso o evento fosse realizado.

A Corregedoria da PM apura a ocorrência de possíveis excessos por parte dos policiais durante evento no Shopping Itaquera, no último fim de semana.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) diz que será investigado o envolvimento de policiais em agressões a jovens que participam de um 'rolezinho' no Shopping Metrô Itaquera; "Tinha uma decisão judicial pedindo segurança e nós cumprimos", afirmou o tucano.

Pelo menos dez outros encontros de jovens estão programados pelas redes sociais até fevereiro deste ano.

No Rio de Janeiro, o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, alega que o "rolezinho não é crime" e que a polícia não vai atuar de forma preventiva no encontro marcado.

Ontem, a presidente Dilma Rousseff convocou uma reunião para tratar do assunto. O Planalto teme que o movimento ganhe adesão de adeptos do "black bloc".

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Baile do Pó Royal




Marchinha inscrita no Concurso Mestre Jonas 2014

Cifra G6 Am7
Deixaram o Pó Royal cair no chão D7 G6 D7
em pleno baile de carnaval G6 E7 Am7
achei que ia rolar a confusão D7 G6 D7
mas a turma achou legal. G6 E7 Am7
O pó chegou voando no salão D7 G6 D7
que farra sensacional G6 E7 Am7
deu até notícia na televisão D7 G6 D7
virou Baile do Pó Royal. G6 E7 Am7
O pó rela no pé
D7 G6 D7
o pé rela no pó G7 E7 Am7
O pó rela no pé D7 G6 B˚
o pé rela no pó C7M Cm7 Bm7 E7
Esse pó é de quem tô pesando? Am7 Bb˚ Bm7 E7
Ah é sim, ah é sim Am7 D7 Dm G7
Você sabe eu tambem sei cor C7M Cm7 Bm7 E7
Ah é sim, ah é sim Am7 D7 G6
Não espalha que vai ser melhor
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Falleció en México el reconocido intelectual argentino Juan Gelman

Juan Gelman

El periodista y escritor argentino Juan Gelman falleció a los 83 años esta tarde en la ciudad de México, donde residía desde hace más de 20 años.

“Murió tranquilo, en su casa, rodeado de su familia (…), de una enfermedad que se llama síndrome de mielodisplasia”, dijo una fuente de la familia que prefirió mantener en reserva su identidad.

El fallecimiento se produjo hacia las 16.30 hora local (22.30 GMT), agregó.

“En estos momentos estamos esperando asuntos de trámite y mañana será el velatorio”, añadió la misma fuente de la familia y dijo que “no va a haber ningún acto oficial”.

El escritor nació en Buenos Aires en 1930 y salió de Argentina en 1976 para exiliarse en México huyendo de la dictadura militar en su país.

Gelman fue hijo de inmigrantes rusos, se inició en la poesía desde muy pequeño, orientado por su hermano Boris quien fue un lector compulsivo. Abandonó su carrera de Química para dedicarse por completo al destino de las letras.

Una vida marcada por la dictadura

Durante la época de la dictadura argentina, Gelman sufrió el secuestro de su hija Nora Eva, y la desaparición de su hijo Marcelo Ariel y de su nuera María Claudia Iruretagoyena.

Luego de una intensa búsqueda por varios años, el 7 de enero de 1990 el Equipo Argentino de Antropología Forense identificó los restos de su hijo Marcelo, encontrados en un río de San Fernando dentro de un tambor de grasa lleno de cemento. Se determinó también que había sido asesinado de un tiro en la nuca.

Fue hasta 1998 Gelman descubrió que su hija fue llevada a Uruguay por medio del Plan Cóndor, que vinculaba a las dictaduras sudamericanas y Estados Unidos, y que había sido mantenida con vida al menos hasta dar a luz a una niña en el Hospital Militar de Montevideo.

En 2000 la nieta de Gelman, Andrea, fue encontrada y Gelman pudo reunirse con ella.

De su obra poética se destacan las publicaciones Violín y otras cuestiones en 1956, En el juego en que andamos, en 1959, Gotán, en 1962, Los poemas de Sidney West en 1969, Fábulas, en 1970.

En 1997 obtuvo el Premio Nacional de Poesía en Argentina, el premio Juan Rulfo en el año 2000, en 2004 el Premio Iberoamericano de Poesía Ramón López Velarde, en 2005 los premios Iberoamericano Pablo Neruda y Reina Sofía de Poesía, y en el año 2007 el Premio Cervantes

Juan-Gelman-ganador-Cervantes

Fidel
Del poemario “Gotán” (1962).

Dirán exactamente de Fidel
gran conductor el que incendió la historia etcétera
pero el pueblo lo llama el caballo y es cierto
Fidel montó sobre Fidel un día
se lanzó de cabeza contra el dolor contra la muerte
pero más todavía contra el polvo del alma
la Historia parlará de sus hechos gloriosos
prefiero recordarlo en el rincón del día
en que miró su tierra y dijo soy la tierra
en que miró su pueblo y dijo soy el pueblo
y abolió sus dolores sus sombras sus olvidos
y solo contra el mundo levantó en una estaca
su propio corazón el único que tuvo
lo desplegó en el aire como una gran bandera
como un fuego encendido contra la noche oscura
como un golpe de amor en la cara del miedo
como un hombre que entra temblando en el amor
alzó su corazón lo agitaba en el aire
lo daba de comer de beber de encender
Fidel es un país
yo lo vi con oleajes de rostros en su rostro
la Historia arreglará sus cuentas allá ella
pero lo vi cuando subía gente por sus hubiéramos
buenas noches Historia agranda tus portones
entramos con Fidel con el caballo

Juan Gelman

El juego en que andamos

Si me dieran a elegir, yo elegiría
esta salud de saber que estamos muy enfermos,
esta dicha de andar tan infelices.
Si me dieran a elegir, yo elegiría
esta inocencia de no ser un inocente,
esta pureza en que ando por impuro.
Si me dieran a elegir, yo elegiría
este amor con que odio,
esta esperanza que come panes desesperados.
Aquí pasa, señores,
que me juego la muerte.

Juan Gelman en León. © Fotografía de José Ramón Vega.
Juan Gelman en León. © Fotografía de José Ramón Vega.

Epitafio

Un pájaro vivía en mí.
Una flor viajaba en mi sangre.
Mi corazón era un violín.
Quise o no quise. Pero a veces
me quisieron. También a mí
me alegraban: la primavera,
las manos juntas, lo feliz.
¡Digo que el hombre debe serlo!
Aquí yace un pájaro.
Una flor.
Un violín.
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Charge online - Bessinha - # 2023


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A crise do Maranhão e a ação política do PIG

Quer dizer, então, que o baronato que controla a mídia no Brasil se converteu subitamente em paladino da defesa dos direitos dos presidiários brasileiros, que penam nas sucursais do inferno que são as nossas penitenciárias. É o que se deduz da obsessão como os jornalões, emissoras de rádio e TV e revistas ligados ao PIG vêm tratando a crise da segurança pública no Maranhão, alçada à condição de principal tema jornalístico neste tórrido verão dos trópicos. Não que a questão seja de menor gravidade. Não que o crime organizado não represente uma ameaça à sociedade maranhense. Não que as cenas de decapitações de presos e incêndios de ônibus com vítimas fatais não mereçam o mais forte repúdio das pessoas de bem e ações enérgicas integradas dos três poderes.Mas desde quando a vida desgraçada dos que cumprem pena de privação de liberdade no Brasil merece tanta atenção por parte do monopólio midiático brasileiro, a ponto de todos os veículos deslocarem para São Luís repórteres para cobrir exclusivamente a crise, com prioridade absoluta no tempo e no espaço das emissoras e jornais?

Qualquer ser pensante não tem dúvidas quanto à responsabilidade do clã dos Sarney para que o estado ostente um dos piores índices de desenvolvimento humano do país, embora tenha melhorado um pouco na última década. O que pretendo denunciar aqui é a seletividade política da imprensa também no quesito violência. Pergunto: é só no Maranhão que o crime organizado dá as cartas nos presídios? Por que nas tantas vezes em que o PCC aterrorizou São Paulo, por exemplo, os governos tucanos não foram duramente cobrados e responsabilizados como vem sendo Roseana Sarney?

Ora, até um tonto capaz de deixar extraviar uma tartaruga sob sua guarda sabe que os canhões midiáticos só disparam com tanta intensidade contra o Maranhão com um único objetivo: atingir o governo federal devido à sua aliança, em nome da governabilidade, com a família Sarney.

Longe de mim defender a obra dos Sarney no Maranhão. Eles fazem por merecer grande parte das acusações de corrupção, patrimonialismo, fisiologismo, compadrio e insensibilidade social na condução da coisa pública. No entanto, reparem sutilezas importantes nas coberturas do PIG sobre violência. Se for em São Paulo, no Rio (onde os governantes, embora aliados do governo federal, têm ótimas relações com a mídia) ou em Minas, o foco principal é a selvageria e o sadismo dos bandidos, o poder de fogo das facções, como elas se organizam dentro e fora dos presídios, etc.

Mas quando, como no caso do Maranhão, o PIG vislumbra a oportunidade de desgastar o governo federal, só se fala na incompetência da área de segurança pública do estado, no baixo investimento público, na corrupção do aparelho policial e na omissão do governo federal. São dois pesos e duas medidas na veia. Afinal, na terra do queridinho Alckmin, os PCCs da vida fazem infinitamente mais estragos no sistema carcerário do que em qualquer outro estado da federação.

Bepe Damasco
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Advogado que pediu impeachment de Roseana é ligado a Folha e Estado


O grupo que protocolou o pedido de impeachment da governadora Roseana Sarney é liderado por advogados residentes em São Paulo, e não no Maranhão; o principal deles, Rubens Glezer, é comentarista do jornal Estado de S. Paulo e também colaboradora eventual da Folha; reportagem do site Atual 7, do Maranhão, condena a ação de advogados paulistas no Estado

O pedido de impeachment da governadora Roseana Sarney, do Maranhão, é liderado por advogados residentes em São Paulo — e não no estado. Um deles, Rubens Glezer, é colaborador dos jornais Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo, segundo reportagem do site Atual 7. Leia abaixo:

Do Atual7

Comentarista do Estadão, advogado paulista lidera grupo que pede o impeachment da governadora do Maranhão. Foto: Reprodução / TV Estadão
OPORTUNISTA DO OPORTUNISMO DA OPOSIÇÃO
Comentarista do Estadão, advogado paulista lidera grupo que pede o
impeachment da governadora do Maranhão.
Foto: Reprodução / TV Estadão

Diferente do que alardeou a mídia sulista — e blogs maranhenses que deixaram de escrever para apenas reproduzir o conteúdo do que sai por lá, o famigerado Coletivo de Advogados em Direitos Humanos que pediu o impeachment de Roseana Sarney (PMDB), por suposto crime de responsabilidade, não passa de uma jogada eleitoreira montada pela oposição ao Governo do Estado em conjunto com o jornais O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo.

Contando com sete advogados de São Paulo e apenas um bacharel em Direito do Maranhão, o grupo é encabeçado pelo professor de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV/SP), Rubens Eduardo Glezer que, segundo o Atual7 apurou, é o comentarista jurídico – pra tudo – do jornal O Estado de S.Paulo, e responsável pelas análises do mesmo setor para a Folha de S.Paulo, também do Sul do País. Com maior espaço no Estadão que na Folha, Glezer chega a ter um ‘tópico’ – espécie de categoria para os principais assuntos do site – só para ele.

Embora não tenha estrategicamente assinado o pedido feito à Assembleia Legislativa nesta terça-feira (14), é ele quem responde em entrevistas aos grandes portais nacionais, como as feitas hoje à Agência Brasil e à Rádio Nacional.

Também professora de Direito da FGV/SP e quem dá entrevistas pelo grupo, a advogada Eloísa Machado de Almeida – uma das paulistas que assinam o pedido de impeachment de Roseana – também tem cadeira cativa no Estadão, onde responde por análises jurídicas a temas nacionais.

Ainda segundo levantamento feito pelo Atual7, Nonnato Masson Mendes dos Santos, o único advogado maranhense no coletivo, foi candidato a vice-governador do Maranhão pelo partido radical de oposição PSOL, em 2006. Curiosamente, seu trabalho pelos direitos humanos é contra o trabalho escravo, rede criminosa que o pré-candidato de oposição Flávio Dino (PCdoB) se envolveu ao receber – de uma das empresas do Infinity Bio-energy Brasil Participações S.A – quase a totalidade de doação de sua campanha em 2010.

Dados divulgados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) apontam que, somente entre os anos de 2009 e 2010, o grupo escravizou 120 maranhenses.

Eleições 2014

Até então somente suspeita e assunto de bastidores, a confirmação de que a oposição ligada a Flávio Dino está por trás das matérias negativas do Maranhão foi confirmada hoje pelos blogueiros Robert Lobato e Marco Aurélio Deça, que publicaram fotos do advogados paulistas saindo do gabinete do deputado estadual comunista Othelino Neto, ex-secretário de Meio Ambiente [administrações José Reinaldo Tavares e Jackson Lago] que colou no pré-candidato de oposição ao Governo do Estado para continuar no Legislativo e escapar de oito processos criminais que responde há alguns anos.

Antes critica ferrenha da possibilidade de eleição indireta para escolha de um governador-tampão, a oposição maranhense mudou e é quem hoje mais trabalha por isso.

No 247
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Um desabafo do DP — o maltratado Dinheiro Público

Um péssimo exemplo para os brasileiros
Caro DCM:

Eu sou o Dinheiro Público, mas pode me chamar de DP.

Mando esta mensagem não com a esperança de que alguma coisa mude efetivamente, mas como um desabafo.

Por que sou tão maltratado? Por que me usam sem a menor cerimônia, como se eu estivesse à disposição de todos os privilegiados brasileiros?

Não nasci para financiar o salmão do Renan, o caviar da Roseana e coisas do gênero.

Não nasci para proporcionar transplante de cabelo ou para pagar uma reforma de 90 000 reais nos banheiros do apartamento funcional do presidente do STF.

Não nasci para pagar uma fortuna por comerciais numa Globo cada vez mais cara e cada vez com menos audiência, e nem para comprar revistas Veja que não vão ser lidas pela criançada nas escolas.

Alguns ingênuos dizem que tudo isto é “trocado”.

Caro DCM: isto é uma falácia.

Uma cultura nacional em que eu, o DP, sou tão mal utilizado não pode funcionar.

Uma sociedade justa e equânime tem no respeito por mim um de seus principais fundamentos.

Gosto do Brasil, e detesto ser exportado em grandes quantidades para paraísos fiscais. Vocês publicaram aqui uma denúncia do Wikileaks — admiro-o, aliás — segundo a qual a governadora Roseana Sarney tem uma fortuna nas Caimãs.

Prova de quanto sou desprezado, ninguém na mídia investigou. Ninguém sequer repercutiu.

Agora mesmo, DCM, eu vou ser utilizado por Joaquim Barbosa. Em férias na Europa. O pretexto são palestras que ele fará, uma em Londres e outra em Paris.

Duvido que sejam palestras gratuitas, além do mais. Duvido que os responsáveis pelo convite não tenham oferecido acomodação e cachê.

Mas mesmo assim lá sou eu solicitado: 14 mil reais.

Ninguém me defende? Ao me defender, ninguém defende os brasileiros, sobretudo os desvalidos para os quais eu deveria ser primordialmente usado?

Na Inglaterra ou na França, um presidente do STF que me utilizasse assim cairia imediatamente em desgraça. A opinião pública não tolera.

Nos últimos anos, desenvolvi uma admiração plena por Mujica. Sobretudo pela simplicidade de sua vida — que é base do respeito por mim, DP, em qualquer país, em qualquer cidade, em qualquer lugar.

Como o papa, outro gigante inspirador, Mujica voa de classe econômica, por exemplo.

Retrucarão os ingênuos: é apenas simbólico.

Eu responderei, DCM: tudo se faz com simbologia. O resto é consequência.

Aceite um abraço esquálido, mas sincero.

DP.

Paulo Nogueira
No DCM
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Veja essa do Aloysio 300 mil


O jumento ainda vai pedir votos aos cavalões!
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Dantas ameaça editor de “Operação Banqueiro”


Daniel Dantas ameaça a Geração Editorial pelo livro “Operação Banqueiro” e quer impedir divulgação de dados de inquéritos e processos judiciais

Banqueiro ataca a referência a provas judiciais, policiais e administrativas inéditas obtidas e reveladas pelo jornalista Rubens Valente

O banqueiro Daniel Dantas fez a primeira ameaça oficial à Geração Editorial, que no último dia 10 lançou a obra “Operação Banqueiro”, do jornalista Rubens Valente, com revelações e provas inéditas sobre as atividades do banqueiro e do Banco Opportunity. A primeira edição da obra esgotou nas livrarias em poucos dias, e a Geração trabalha para colocar a segunda edição nas livrarias de todo o país.

Em notificação extra-judicial datada do último dia 9 de janeiro, subscrita pelos seus advogados, Daniel Dantas ataca a citação, na obra, de dados obtidos pelo jornalista em inúmeros processos judiciais e inquéritos policiais e administrativos de interesse público.

O banqueiro afirma que “pode-se concluir que a publicação extrapola — em muito — os limites do exercício da liberdade de expressão, sujeitando V. Sas. [Geração Editorial], na qualidade de editores e distribuidores, à responsabilização pela divulgação dos dados sigilosos e pelos danos causados ao notificante [Dantas] e ao Opportunity”.

O banqueiro alega que há dados sob sigilo e, por isso, “o conteúdo divulgado no livro intitulado ‘Operação Banqueiro’ é ilícito”.

A notificação extra-judicial é datada de 9 de janeiro, um dia antes da chegada da obra às livrarias do país. A peça assinada pelos advogados do banqueiro reconhece que houve portanto uma “leitura superficial”.

Segundo o banqueiro, “a leitura superficial da obra publicada permite constatar a divulgação indevida, ainda que não se reconheça o seu teor, de informações sigilosas constantes de processos judiciais e administrativos, como por exemplo o conteúdo de interceptações telefônicas, a transcrição de e-mails; a reprodução de documentos e relatórios da Polícia Federal”.

A Geração Editorial e o autor reafirmam que jamais utilizaram material “ilícito” e que a divulgação de dados do gênero é reconhecida em várias esferas judiciais e oficiais que defendem o direito à liberdade de informação e de expressão no Brasil. Caso prosperasse a tese desenvolvida pelo banqueiro e contida na peça ameaçadora de seus advogados, todos os jornais e revistas do país, todas as emissoras de televisão e todas as editoras estariam impedidas de divulgar quaisquer investigações desenvolvidas, por exemplo, pela Polícia Federal.

Os brasileiros já estão acostumados a abrir todos os dias os jornais e revistas ou ligar a televisão no noticiário para ter acesso a gravações telefônicas e e-mails interceptados por ordem judicial no decorrer de processos e inquéritos da Polícia Federal e das várias polícias nos Estados.

Estariam o “Jornal Nacional” e os jornais televisivos da Rede Record, da Rede Bandeirantes e do SBT, dentre tantas outras emissoras, fazendo uso de “conteúdo ilícito” em seu noticiário?

Estariam a revista “Veja”, “Época” , “IstoÉ” e “Carta Capital”, semanalmente, e os jornais “Folha de S. Paulo”, “O Estado de S. Paulo” e “O Globo”, diariamente, apenas para citar alguns mais conhecidos no país, usando material “ilícito” em suas páginas?

Estariam todos esses veículos “extrapolando — em muito — os limites do exercício da liberdade de expressão”?

A resposta a todas essas perguntas é obviamente não, pois editores e jornalistas apenas cumprem o seu papel e o seu dever de bem informar a população sobre temas de interesse público.

Caso a tese levantada pelo banqueiro fosse verdadeira e acolhida pelo Judiciário, seria instituído no país um verdadeiro sistema autoritário de censura e de controle da liberdade de expressão e de informação, no qual jornalistas e editores seriam perseguidos e punidos apenas porque levaram ao público determinadas informações, principalmente as que incomodam forças poderosas no país.

A Geração Editorial e o autor reafirmam o respeito à lei e à Justiça brasileiras e o compromisso com a transparência de seus atos e com o direito do leitor de ter acesso a informações de interesse da sociedade.

Luiz Fernando Emediato – Publisher da Geração Editorial
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Constrangimento capital

As declarações do Prefeito eleito de Nova York,  Bill Blasio, afirmando que vai  combater as desigualdades sociais da “big apple” cobrando impostos mais elevados dos muito ricos para custear os gastos decorrentes do seu programa de governo, tem causado muita angústia na crônica neoliberal do nosso país.  Afinal, que prefeito é esse que, substituindo uma administração republicana, dinâmica, “moderna” — e mais ainda, dirigida por um “big boss” do capital financeiro — aparece dizendo que os ricos devem pagar mais impostos? Nós, aqui no Brasil, já não demonstramos que falar em aumento de impostos gera perda de “competitividade”?

Talvez a resposta tenha sido oferecida, ainda que de forma involuntária, pelos dados publicados na imprensa tradicional, através de matéria na Folha de São Paulo. A outra face do capitalismo americano, que normalmente não é considerada importante para visitar nos momentos de crise, é bastante amarga: nela, 90% das famílias americanas detém 54% da renda e os outros 10% detém  o resto, ou seja 46%.  Nova York conta com 400 mil milionários, 3 mil multimilionários, mas 21,2% por cento da população está abaixo da linha da pobreza, com 52.000 pessoas sem domicílio fixo: um número proporcionalmente maior do que a população de rua de Porto Alegre, considerando o número de habitantes de cada uma das cidades.

Este “outro lado” é composto por um pessoal assalariado de baixa renda, precários, intermitentes, subempregados sem registro — principalmente negros e “chicanos” — que são os sofredores da crise do modelo industrial do capitalismo pós-guerra, com a destruição das garantias tradicionais da força de trabalho da “big society”. Ao mesmo tempo, esta massa de assalariados  empobrecida  ajuda a  compensar a “queda tendencial da taxa de lucro”, albergando a continuidade da acumulação, agora garantida pela produção de riqueza artificial, através das jogadas no mercado financeiro: os ricos e muito ricos não ficam  sem saída.

Na verdade, a angústia dos neoliberais nativos tem  fundamento. Atualmente há uma disputa ideológica e política permanente no país — às vezes encoberta, outras vezes mais transparente — sobre as funções públicas do Estado, sobre as relações do Estado com a iniciativa privada, sobre o controle público do Estado, sobre o papel da mídia tradicional na formação dos valores do senso comum, sobre a relação do desenvolvimento com a igualdade ou a desigualdade: sobre pobreza e contrastes sociais, geradores de violência e criminalidade. Há um debate de “fundo” sobre um modelo de desenvolvimento que retirou o país do atraso e da estagnação — cumpriu um enorme papel histórico humanizador da sociedade brasileira — e que por ter cumprido seu ciclo precisa esclarecer o seu futuro.

Altvater põe o dedo na moleira: “O mundo globalizado é unificado num campo de valorização, em termos políticos, econômicos e sociais, bem como culturais e lingüísticos, com a ajuda das diferentes estratégias de apropriação da produção excedente. Podemos assim inferir que o mundo não se torna apenas uma mercadoria capitalista, e a transformação do mundo em mercadoria só pode ser desfeita mediante o questionamento do caráter capitalista do mundo.” (Altvaer, “O fim do capitalismo como conhecemos”, Ed. Civ. Bras. Pg. 115).

Como os governos democráticos de esquerda podem interferir neste processo, de molde a “questionar” o capitalismo (a partir do desenho concreto do capitalismo global), ou seja, questionar a sua legitimação das desigualdades brutais, o fim da proteção social-democrata, o uso de políticas públicas para concentrar renda, “questionar” a naturalização do “apartheid” social, eis a questão estratégica “chave”, no terreno da democracia, para ser resolvida não por fora, mas por dentro da democracia.

A esquerda que não der esta resposta — e ela é obviamente o modelo de desenvolvimento a ser seguido em cada capitalismo concreto dentro de um território — ficará certamente refém do movimentismo que, em regra, é fracionário ou corporativo. Ou esta esquerda abdicará dos valores da modernidade republicana e embarcará na devoção do mercado, com a desconstituição ainda mais aguda das funções públicas do Estado.

Este impulso contemporâneo, como é sabido,  sequer é originário da Revolução Bolchevique,  vem da Revolução Francesa e foi normatizado processualmente pela social-democracia europeia a partir da Primeira Guerra. A esquerda governante, se for omissa sobre o futuro, ou ficará refém do socialismo utópico  com as suas bravatas de “derrubar o capitalismo” para repartir carências (como já ocorreu em outros sítios históricos) ou irá lentamente cultuar exclusivamente o mercado, como resultou da experiência do PSDB, cujo núcleo dirigente ou é uma extensão do velho DEM ou não sabe o que fazer.

O debate sobre as práticas de governabilidade em nosso país, deformadas pelo sistema político vigente, vem sendo feito à exaustão. Inclusive, a seu modo, com a magnânima colaboração da imprensa tradicional, que nunca perde a oportunidade de reiterar que “tudo isso” começou com Sarney e com o PT. Mas e o resto? Que modelo de desenvolvimento poderá melhorar a vida dos quarenta milhões que passaram à sociedade formal de consumo? E que modelo poderá acabar com a miséria extrema, que não é simplesmente de “bolsões” mas ainda atinge muitos milhões de irmãos nossos?

Ter uma visão clara para dar resposta a estas indagações é o início de uma novo momento da revolução democrática no Brasil. Momento para ser vertido sobre o presente, ou seja, para o período de lutas sociais que ocorrerão nos próximos anos, não nas próxima décadas. Se estas respostas não vierem, a criminalização da política – já em curso pelos grandes meios de comunicação – vai ser sucedida pela criminalização completa dos movimento sociais, com o sucedâneo de um certo “fascismo societal”, cujo apelo à ordem será hegemônico, entre os incluídos de todas as faixas de renda. Não esqueçamos, a ideia do socialismo cresce com a produção de riquezas e com o progresso cultural, a ideia do fascismo cresce com os ressentimentos provenientes dos contrastes, da desigualdade e da marginalização.

Mais além das movimentações sociais, mais amplas ou mais restritas, é hora de organizarmos um grande debate sobre formulações estratégicas para o futuro republicano do país, pois temos em nosso meio de esquerda pensadores altamente qualificados deste novo ciclo, como Marilena Chauí, Marco Aurélio Garcia, Luiz Gonzaga Belluzo, Flávio Aguiar, Juarez Guimarães, Emir Sader, Giuseppe Cocco, Vladimir Safatle, Amir Kahir, Ladislau Dowbor, Maria Rita Khell e tantos outros que continuaram de esquerda, humanistas e democratas. Mentes que não se renderam ao espetáculo do capital em “tal grau de acumulação, que se torna imagem” , como dizia já em 1967, Guy Debord, e que encantou outros tantos que preferiram surfar nas asas bem pagas do mercado das ideias ou nos contratos das consultorias tecnocráticas.

Tarso Genro, governador do Rio Grande do Sul
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