6 de jan de 2014

Rede Globo fascista: Agora, o Bolsa Família (sempre ele) é culpado pela de obesidade infantil (só dos pobres)

Organizações Globo: Sonegação a gente vê por aqui!



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Até quando vão torturar Genoino?

Que justiça é essa?

Para ver quanto é absurdo o que estão fazendo com Genoino, basta atentar para o seguinte.

A Globo deve cerca de 1 bilhão de reais – comprovadamente – por conta de uma trapaça fiscal na compra dos direitos da Copa de 2002.

E ninguém cobra – embora tudo esteja documentado.

Os três irmãos Marinhos, como mostra a revista americana de negócios Forbes, são donos, juntos, da maior fortuna do país, superior a 50 bilhões de reais.

Mesmo assim, com tanto dinheiro, a Globo não paga o que deve e ninguém cobra.

Genoino, em compensação, acaba de receber da Justiça dez dias para pagar uma dívida de 468 mil reais por ter feito alguma coisa que ninguém sabe o que é, tais e tantas as incoerências do processo do Mensalão.

A retirada mensal dos Marinhos é, certamente, bem superior aos 468 mil reais cobrados de Genoino.

Mas para Genoino é um dinheiro que ele simplesmente não tem.

Seu patrimônio, como sabe a Justiça, consiste de uma casa modesta num bairro classe média de São Paulo, o Butantã.

Contra a Globo, a Justiça é pusilânime.

Contra Genoino, é um leão.

Não bastasse tudo, Genoino convalesce de um problema cardíaco sério. Parece que a cada semana decidem atormentá-lo, como que para testar seu coração combalido.

No final do ano, Joaquim Barbosa, em seu melhor estilo natalino, negou a ele que pudesse ficar em sua casa em São Paulo para cumprir sua prisão domiciliar temporária.

Por quê? JB falou em “interesse público”, mas quem acredita nisso acredita em tudo, como disse Wellington.

Não bastasse, JB deu a entender que em fevereiro Genoino volta à cadeia. Isso significa que Genoino está enfrentando uma torturante contagem regressiva. Cada hora que passa é uma hora a menos para ele no convívio com os seus.

Insisto: tudo isso sem que haja culpa comprovada. Tudo isso enquanto ninguém dá satisfações sobre meia tonelada de cocaína encontrada num helicóptero de um amigo de Aécio.

Isto é o Brasil que a Globo ajudou tanto a construir: injusto, abjeto, sem nexo. Rigor contra quem está no chão, complacência com os verdadeiramente poderosos.

Querem minha opinião? Lula poderia fazer três ou quatro palestras — o necessário para juntar os 468 mil —   e doar o dinheiro para Genoino. Não porque Lula inventou JB, embora isso também conte, mas porque seria uma solução simples e eficaz para o problema.

Em sua histórica investida contra Catilina, um senador que conspirava para se tornar ditador de Roma, Cícero clamou: “Até quando você vai abusar da nossa paciência?”

Pois é.

Até quando este Brasil iníquo vai abusar da nossa paciência?

Paulo Nogueira
No DCM
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Aécio, nervosinho está o senhor. Não dê uma de “santinho do pau ôco”

Aécio Neves, hoje, em seu artigo na Folha, tenta fazer  (des)graça com a declaração do Ministro Guido Mantega sobre os “nervosinhos” do mercado, que diziam que o Governo não cumpriria – e cumpriu – a meta de superavit fiscal.

E aí desfia um rosário de “tudo está uma m…” que faz parte da sua cantilena tradicional de candidato-mala-sem-alça que resolveu assumir.

Então, como o senador anda à beira de um ataque de nervos, porque não consegue crescer nas pesquisas, vamos dar uma ajudinha a ele, que parece que não está sendo bem assessorado pelos economistas da era FHC.

Sabe, senador, quem mais derrubou o superávit primário no Brasil?

Pois é, foi ele, o chefe FHC…

defVeja ao lado esta tabela, compilada pelo economista Fabio Giambiagi, do BNDES e insuspeito colaborador do Instituto Millenium, covil da direita brasileira.

Uai, quer dizer que Fernando Henrique, mesmo vendendo a rodo estatais, derrubou o superávit médio de 2,93% do PIB para um déficit médio de 0,19% em seu primeiro mandato?

E que só fez superávit porque teve que botar o joelhinho no chão pro FMI depois que quebrou o país com a crise cambial pós eleições de 1998?

O senhor não sabia, Senador? Estava aonde, nesta época?

Depois, Aécio se mostra indignado com a queda na balança comercial – o que o nosso Miguel do Rosário já mostrou aqui que foi fruto de necessidades de petróleo já em equacionamento, com a entrada em operação das novas plataformas da Petrobras.

balançaTambém aí o Senador não olha o rabo que deixou o Governo FHC.

O gráfico ao lado mostra o déficit/superavit da balança comercial brasileira e foi elaborado pelo blog Achados Econômicos, do UOL.

E, de novo, o “tio” FHC ficou no vermelho, considerados os seus dois períodos, enquanto Dilma segue no azul.

Não tinham contado ao senhor, Senador?

Que gente má… deixando o senhor fazer papel de bobo.

Depois, o senhor, além de cometer o sacrilégio de citar os lutadores da campanha do “O Petróleo é Nosso”, fala que o governo derrubou o valor de mercado da Petrobras.

Senador, com todos os problemas reais, desafios e – vamos conversar claramente – a sabotagem que a Petrobras enfrenta, o valor de mercado da empresa, se comparado o final do governo do “gênio” FHC e o atual, vai deixar o senhor com cara de tacho.

Quando FH saiu, a Petrobras tinha um valor de mercado – simples referência, porque considera apenas o preço das ações – de US$ 15,4 bi.

Hoje, pouco mais, pouco menos, anda na casa de US$ 100 bi. E vai subir este ano, fortemente, e não há um no mercado que não saiba disso.

petroE é o dobro do valor pelo qual o seu líder, Senador, entregou 15% do controle acionário da empresa na Bolsa de Nova York: US$ 4,25 bi, menos que os US$ 6,5 bi que a União recebeu pelo campo de Libra!

Mas o senador não para de chorar as pitangas e fala que cresceu a carga tributária, que passou a 35,85% do PIB.

Senador, não pare a leitura na manchete, faça uma forcinha. Se o chegar ao quarto parágrafo da matéria lerá que a a carga tributária do Governo Federal até caiu um pouco, a que subiu foi a de Estados e Municípios:

“A carga tributária da União respondeu por 69,05% da arrecadação total, contra 70,05% em 2011. Os Estados responderam por 25,16% (ante 24,44%) e os municípios por 5,79% (5,52% em 2011). Em 2012 as desonerações corresponderam a 0,34% do PIB, ou R$ 14,782 bilhões.”

Nem vou falar muito de uma coisa, Aécio, que vai te deixar mal. É que encontrei um estudo da Secretaria de Fazenda do Rio de Janeiro que mostra que os tributos estaduais, em Minas, representavam 36% da carga tributária total, contra 21,6% de São Paulo e 17% do Rio de Janeiro, nos anos de 2005 e 2006.

O documento está aqui e o senhor pode conferir mas páginas 26, 27 e 29.

O senhor não sabia? Como, o senhor não era Governador do Estado?

Não fique “nervosinho”, Senador, porque a gente não está aqui ofendendo o senhor, apenas mostrando que, se a gente vai conversar, a conversa é com os dois lados falando, não apenas um: o do senhor, da direita e da mídia.

Agora, se o Senador quiser um conselho musical, ache o samba do Bahiano, um compositor conterrâneo do Caetano, de Santo Amaro da Purificação, que viveu, como o senhor, no Rio:

Quem tem telhado de vidro/Anda muito direitinho /No samba, o macaco /Deixa o rabo do vizinho

Fernando Brito
No Tijolaço
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As apostas da imprensa

A anedota que encerra o ano é contada por um colunista do jornal O Estado de S. Paulo na edição de terça-feira (31/12). A propósito de produzir uma “retrospectiva” do ano que se está a inaugurar, ele faz uma rápida passagem por indicadores, que, a rigor, podem apontar projeções para cima ou para baixo no desempenho da economia (ver aqui). No final, quase pede desculpas aos leitores por fazer uma análise otimista, “mas não irrealista”.

O texto é interessante não apenas porque exercita com sagacidade a difícil arte da ironia no jornalismo, mas também porque, de certa maneira, coloca em termos mais realistas a suposta capacidade dos especialistas de fazer previsões. O artigo se destaca justamente por fugir do determinismo habitual da mídia especializada, que insiste em fincar postes de concreto no pantanoso terreno das subjetividades. Sua principal qualidade é a de brincar com as “retrospectivas futuristas” que a imprensa costuma publicar nesta época do ano.

A leitura das muitas páginas de adivinhações publicadas nos últimos dias leva à constatação de que o jornalismo no Brasil se apegou tanto a certo olhar sombrio sobre as chances de desenvolvimento do país que já não consegue dissimular uma clara “torcida” para que alguma coisa dê errado. Assim, se o nível de desemprego se mantém entre os mais baixos do mundo, em economias comparáveis, e se a renda do trabalho segue em alta, sem que os lucros das empresas tenham sido afetados, resta cravar na manchete o péssimo desempenho do mercado de ações.

A Bolsa do Brasil teve o segundo pior desempenho entre as instituições do gênero em 2013, mas os analistas projetam uma recuperação de 30% no ano que se inaugura. Essa notícia já havia sido publicada ao longo da semana, mas ganha espaço nas primeiras páginas de terça-feira (31), porque é preciso ressaltar, sempre que possível, os aspectos negativos da complexidade econômica.

É quase um mantra no jornalismo brasileiro, uma espécie de manual de redação comum aos principais veículos de circulação nacional. Como se dizia no programa humorístico Rádio Camanducaia: “Quando não tem notícia, a Camanducaia inventa”.

O mapa astral

Interessante observar o subtexto das reportagens sobre o péssimo desempenho da Bolsa. Quem ler apenas os títulos sai comentando nas redes sociais que o mundo acabou, mas basta um olhar mais cuidadoso para perceber alguns sinais de manipulação na construção de manchetes.

Primeiro, os jornais omitem o fato de que o índice Bovespa reflete a variação média das ações de maior valor de mercado e mais negociadas nos pregões. Convém, então, relativizar os dados, como faz corretamente a Folha de S. Paulo.

O Estado de S. Paulo anuncia no título: “Bovespa cai 15,5% em 2013 e tem pior desempenho entre as principais bolsas”. Mas o texto da reportagem é otimista nas entrelinhas, com os analistas levando em conta a derrocada da OGX, empresa de Eike Batista, que sozinha carregou 40% das perdas do mercado, e projetando para 2014 o início de um período de recuperação do mercado acionário no Brasil.

No infográfico que acompanha a notícia, observa-se que a Bolsa da Argentina liderou os ganhos em todo o mundo, com um crescimento de 88% em 2013, mais de 30 pontos acima do desempenho da Bolsa de Tóquio. Sem explicações.

O Globo, com um título que beira o deboche, destaca: “Na lanterninha global”. Na reportagem interna, as razões para a queda no índice Bovespa incluem fatores variados, entre os quais o risco de o Supremo Tribunal Federal determinar o pagamento das perdas bilionárias provocadas por planos econômicos de duas décadas atrás, o que derrubou o valor de mercado dos grandes bancos. A Bolsa da Argentina simplesmente desaparece do gráfico, e o lucro daqueles que desconfiaram do mercado de ações aparece apenas no fim do texto.

Do material disponível nas principais publicações brasileiras, o grande destaque em termos de objetividade fica para a página dupla no pacote de “apostas” da revista Época desta semana: o mapa astral mostra que o céu é “favorável para os brasileiros na Copa do Mundo”, mas há nuvens negras na política e no clima, ou seja, há possibilidade de novas revelações de corrupção e mais inundações em áreas urbanas.

Conclusão: a informação mais confiável da imprensa está no horóscopo.

Luciano Martins Costa
No OI
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Psicologia em 2014

Esforço para transformar Copa em fracasso é lamentável e prejudica o país

Acabo de ler um desses panfletos eletrônicos campanha contra a Copa de 2014.

Procuram atemorizar o turista dizendo que somos um dos países com maiores índices de assassinato do mundo. Também temos uma polícia extremamente violenta. Também temos uma educação ruim, uma saúde pública péssima, um transporte urbano idem.

São problemas reais, é óbvio. Mas a atitude é de torcida organizada pelo fracasso. Não se procura fazer um debate racional para encontrar soluções e alternativas. O esforço é produzir um fiasco inesquecível, atitude que só prejudica o Brasil.

O nome disso é guerra psicológica. Não é um movimento pela razão mas que procura a política pela emoção.

Janio de Freitas escreveu um artigo de mestre a respeito, na Folha de ontem. Quero abordar alguns aspectos do mesmo tema.

Teremos muita guerra psicológica, em 2014, para que, justamente no país do futebol, a Copa do Mundo venha a se tornar um problema político.

Josep Blatter, o presidente da FIFA, será endeusado quando começar a falar mal do governo federal. Vai passar de demonio a santo em 24 horas. Será por isso que ele já começou a fazer críticas ao governo brasileiro? Justo quem.

Olhando a situação com frieza, o ambiente não deveria ser este.

Começando pelo futebol pois, salvo segundo aviso, é disso que se trata.

A verdade é que, ao contrário do que se anunciou durante todos estes anos, os estádios — novos e reformados — vão ficar prontos no prazo necessário para os jogos.

São estádios modernos, seguros, confortáveis. Depois que entrarem em uso regular, a ocorrência de tragédias como a de Joinville e outras cenas de violência que marcam os campeonatos tradicionais.

Só para dar um pouco de realidade ao debate. Compare as obras da Copa com o Metrô paulista, por exemplo.

Tudo aquilo que se diz contra os estádios se demonstra — até com ajuda da Justiça Suiça — no metrô paulista. Os atrasos duram anos. O superfaturamento bate recordes. E então? Cadê a indignação?

Quando o Brasil ganhou o direito de organizar a Copa, o país fez uma festa.

Quem não gostou da ideia ficou em silêncio.

Alguém disputou a eleição de 2010 falando mal da Copa? Não me lembro. Nem candidato a síndico de prédio se atrevia a tanto.

Salvo casos patológicos de desprezo pelas necessidades da maioria da população, quem não queria a Copa como proposta esportiva, dizendo que o país teria outras prioridades — esta era minha opinião na época — admitia a vantagem keynesiana. Era uma forma de apontar uma perspectiva de investimentos em larga escala, no país inteiro, nos anos seguintes.

Depois da crise mundial de 2008, quando o capitalismo entrou em depressão em escala mundial, a Copa de 2014 se tornou uma benção em vários lugares. Ajudou a manter o crescimento e o emprego de quem não teria outra chance de arrumar trabalho.

Na dúvida, dê uma volta no país e converse com pessoas da vida real.

O problema é a psicologia.

A maioria dos brasileiros concorda — racionalmente, com base em dados objetivos e também por experiência própria — que poucas vezes se trabalhou com tanto empenho para distribuir a renda e melhorar a vida dos mais pobres como aconteceu depois da chegada de Lula no Planalto.

Neste ponto, é um governo de valor histórico.

A terapia emocional de massas quer nos convencer do contrário. Embora tenha chegado ao Planalto em 2003, procura-se criminalizar o condomínio Lula-Dilma pela omissão de seus adversários ao longo da história.

É por isso que se fala muito do futebol.

E procura-se esconder o drama do metrô. Aliás: deu para notar que os atrasos do metrô geram menos protesto do que as críticas a demora relativa nas obras da Copa?

Qual é mesmo prioridade?

O esforço da terapia é esse: mudar prioridades sociais e transformar a Copa num drama político.

Adversário de tantas ditaduras do século XX, David Rousset deixou uma frase muito útil para se enfrentar grandes operações contra as democracias:

— As pessoas normais não sabem que tudo é possível.

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Jogos ocultos de Eduardo Campos


Entenda por que ele é o candidato do PSB, mesmo com menos intenções de voto do que Marina Silva.

Por mais paradoxal que pareça, a Eduardo Campos pode interessar até mais uma vitória de Dilma Rousseff, com a ajuda de sua mão em um eventual segundo turno, do que uma candidatura de Marina Silva voando pelo PSB - mesmo que Marina demonstre mais intenções de voto em pesquisas. A razão maior é muito simples. Ele quer ser um protagonista, e não um coadjuvante em 2014. Se não puder vencer, Campos não abre mão de, pelo menos, ser um dos grandes responsáveis por decidir a parada das próximas eleições presidenciais.

Campos avalia que pode haver segundo turno, e que o candidato preferencial das oposições pode ser ele. Esteja sua previsão certa ou errada, o mais importante é saber que é com ela que o candidato trabalha no momento. E mesmo que não seja Campos o escolhido para enfrentar Dilma em um eventual segundo turno, o terceiro lugar na disputa seria um grande trunfo para quem quer fortalecer-se politicamente.

Se terceirizasse a cabeça de chapa para Marina Silva, Campos abdicaria do controle sobre a estratégia do PSB na campanha e ficaria refém de Marina e de sua Rede. Abriria mão de ser o fiador maior do candidato vencedor, se houver segundo turno.

Como eleições são feitas não apenas para se eleger presidentes, mas também governadores e montar as coalizões dos governos (o federal e os estaduais), Campos teria seu papel e o de seu partido diminuído se não estivesse à frente da candidatura. Ele quer a Presidência, mas precisa, acima de tudo, sair com o PSB maior do que entrou em 2014.

Uma votação expressiva de Marina seria uma vitória claramente imputada a ela, pessoalmente, e não ao PSB. Terminada a disputa, o partido de Marina, a Rede, seria formado e roubaria a cena. A cena, deputados, senadores e talvez até alguns governadores.

Os planos do pré-candidato do PSB dependem da amarração de três fatores: a aliança tática com o PSDB nos palanques estaduais; convencer Marina a ser sua vice; e ter votos suficientes para ajudar a forçar um segundo turno. Se ficar em segundo, melhor para ele, mas ficar em terceiro também lhe interessa. Ver Marina em seu lugar, nem pensar. É o pior dos mundos para Eduardo Campos, só comparável a uma vitória de Dilma Rousseff em primeiro turno.

O interesse de forçar uma eleição em dois turnos explica o movimento recente de Campos de trazer o PSDB para seu governo em Pernambuco e para o governo do PSB no Piauí. O gesto foi feito para agradar os tucanos nacionalmente e diminuir o temor que têm de serem apenas um trampolim para Campos, que se projetaria em estados governados pelo PSDB.

Tais temores se ampliaram desde a filiação de Marina Silva ao PSB, em outubro de 2013. A jogada fez os tucanos sentirem que Campos estava pisando sobre suas cabeças. Para Aécio Neves, suas chances de ir para o segundo turno aumentam com Campos e diminuem muito com Marina. Mais uma vez, os fatores envolvidos favorecem a opção pelo nome do governador de Pernambuco e tornam a escolha por Marina contraproducente para o PSB.

De todo modo, Campos precisa colar em Marina. Pouco conhecido no país, precisa dela como vice. Quer o seu “recall” - o retrospecto da eleição passada que tornou Marina muito conhecida do eleitorado. No entanto, a vice, que era dada como certa, tornou-se depois uma séria dúvida.

Marina também sabe fazer cálculos e tem seus próprios interesses, que são um pouco maiores do que os de apenas servir de perfume à candidatura de Campos.
As alianças do governador, dentro e fora de Pernambuco, criaram uma saia justíssima para a Rede e deixaram no ar um sentimento do tipo: “façam o que Marina diz, mas não façam o que o Eduardo faz”. A dobradinha que melhora a imagem de Campos trouxe desgastes à de Marina, conforme várias pesquisas atestaram.

Marina cogitou voltar atrás na ideia de ser vice. A informação, antecipada por Carta Maior e que, depois, se tornou notícia corrente, criou um problema na candidatura do PSB. O preço pago por Campos para evitar o recuo foi negociar com a Rede a disputa por São Paulo. Campos rifou o chefe do PSB no estado, que já estava nos braços do governador Geraldo Alckmin e seria vice na chapa do PSDB.

Em troca, a Rede quer lançar ou Luíza Erundina (PSB-SP). Uma segunda opção aventada é a do vereador Ricardo Young (PPS-SP), também vinculado à Rede. Erundina ainda resiste a perder o mandato de deputada federal para cumprir o papel de D. Quixote. Young tem resistências internas do próprio PPS, principalmente do presidente nacional, Roberto Freire, aliado contumaz do PSDB paulista.

Eduardo Campos e Marina Silva podem estar juntos na mesma equipe, mas são tão parceiros quanto eram Fernando Alonso e Felipe Massa na Ferrari. São tão próximos quanto eram Michael Schumacher e Rubinho Barrichello. A função de Marina Silva é a de se conformar com a segunda posição.

A expressão “jogos ocultos” ou “jogos intrincados” (“nested games”) se tornou comum na Ciência Política para explicar razões que a própria razão comum desconhece. Em geral, algo que parece inexplicável, ou que só tem razões abjetas, como as dos sete pecados capitais da maldade humana (da soberba à inveja, passando pela cobiça), na verdade pode ser melhor elucidado se entendermos o grande tabuleiro no qual um ator está inserido, e a maneira como ele move suas peças.

Cada movimento é feito com o respaldo de um conjunto de outras peças e movimentos do próprio ator, mas também levando em conta os lances dos adversários. Um movimento óbvio e previsível é, muitas vezes, o menos recomendável. É por isso que Eduardo Campos, mesmo sendo uma escolha com menos intenções de voto, é candidato a presidente, e não se fala mais nisso. Marina Silva será, no máximo, sua vice.

Antonio Lassance, doutor em Ciência Política
No Carta Maior
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Polícia mineira sempre atenta combatendo o tráfico de drogas

Será que Joaquim Barbosa permitirá a quebra dos sigilos bancário e fiscal 
do “Pablo Escobar” mineiro?

O senador Zezé Perrella (PDT/MG), que teve o helicóptero de uma de suas empresas envolvido no tráfico de quase meia tonelada de pasta base de cocaína, terá seus sigilos fiscal e bancário quebrados, se o Supremo Tribunal Federal (STF) acatar o pedido da Procuradoria-Geral da República. Perrella responde a um inquérito na Suprema Corte junto com o irmão, Alvimar de Oliveira Costa, por suspeita de fraude financeira. A investigação, agora, seguirá também a trajetória da aeronave carregada com a droga.

Perrella e o irmão, ex-presidentes do time mineiro Cruzeiro, foram denunciados, formalmente, por suposta lavagem de dinheiro na venda do zagueiro Luisão ao Benfica, de Portugal. A negociação envolveu um clube uruguaio e é considerada suspeita pela Polícia Federal, que indiciou Perrella em 2010 pelo caso. O processo foi retomado há dez dias, logo após o flagrante que apreendeu 445 quilos de cocaína no helicóptero de uma das empresas da família Perrella.

Procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao ministro Ricardo Lewandowski que reconsiderasse a decisão de não autorizar a quebra de sigilo bancário do parlamentar, após os advogados do Cruzeiro, que também defendem o senador, alegarem haver erros na petição do Ministério Público. O ministro do STF desautorizou parte da quebra do sigilo bancário e fiscal dos suspeitos. Em 2003, Luisão foi vendido por US$2,5 milhões ao clube uruguaio Central Español e logo em seguida repassado por cerca de US$1 milhão a menos ao Benfica. Investigadores suspeitam que parte do valor declarado na negociação com o time uruguaio voltou irregularmente ao Brasil e teria sido pulverizado em contas de empresas ligadas à Perrella e ao irmão dele.

Perrella assumiu a presidência do Cruzeiro em 1995. O parlamentar foi deputado por três vezes e era suplente do senador Itamar Franco. Ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Perrella informou ser proprietário de R$490 mil em bens, mas adquiriu uma fazenda estimada em R$60 milhões. Sobre isso, o Ministério Público Eleitoral investiga a evolução patrimonial do parlamentar. Seu filho, o deputado estadual Gustavo Perrella, que declara uma fortuna maior do que o pai, subscreveu à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$1,9 milhão.

O helicóptero apreendido pela PF deverá ser confiscado. Tanto o governo do Espírito Santo quanto a PF manifestaram oficialmente, em juízo, interesse na utilização da aeronave da família do senador. Em despacho do juiz federal Marcus Vinícius Figueiredo de Oliveira Costa, antes do recesso de fim de ano do judiciário, o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), e o comando da Superintendência da PF daquele Estado declararam que pretendem ficar com o helicóptero modelo Robinson 66, avaliado em R$3 milhões. Pela legislação, qualquer meio de transporte utilizado para o tráfico de drogas pode ser confiscado para uso do Estado, caso comprovado o interesse público e responsabilidade de conservação do bem.

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A “heteroestima” de Marina Silva e o Prêmio Conversa Para Boi Dormir

Ela

O Prêmio Doublespeak foi inventado em 1974 pelo Conselho Nacional de Professores de Inglês dos Estados Unidos. Como a entidade define, trata-se de uma “homenagem irônica a oradores públicos que perpetuaram uma linguagem grosseiramente enganosa, evasiva, eufemística, confusa ou autocentrada”.

Nesses 40 anos, a lista de premiados incluiu Bushs pai e Bush filho, Bill Clinton, o Departamento de Estado americano, Ronald Reagan, a indústria do tabaco, a Exxon e a Associação Nacional do Rifle. A CIA foi agraciada com a honraria por anunciar que não iria mais usar o termo “matar” em seus relatórios. Em seu lugar, entraria a expressão “privação ilegal ou arbitrária da vida”. Em 2013, quem ganhou foi o prefeito de Chicago, Rahm Emanuel.

É preciso criar algo parecido aqui. O Prêmio CPBD, Conversa Para Boi Dormir. O primeiro vencedor é relativamente batata. Marina Silva. Pelo conjunto da obra e, especialmente, por seu último artigo na Folha. É um texto que cabe na definição de George Orwell num ensaio: feito para dar “aparência de solidez a vento puro”.

Vamos a alguns trechos da coluna que mereceu o Prêmio CPBD:
Em meio aos abraços amigos e desejos de feliz Ano-Novo, costumamos reconhecer a sinceridade dos desejos para além das palavras, pois estas são, muitas vezes, gastas e repetidas. As palavras necessitam de gestos que recuperem e sustentem seu sentido.

Releio Hannah Arendt, para melhor refletir sobre a possibilidade de restaurar a capacidade humana de lidar com as desconfianças e incertezas causadas pela ameaça do imprevisível, por meio do milagre da “promessa”. Na dimensão política da crise civilizatória que vivemos, a crise de confiança é o centro do problema. 

Ainda é possível refazer a confiança, dentro de um espaço de heteroestima política, social, cultural, como indivíduos e como povo? Temos motivo para descrer, num mundo fragmentado em que as relações se liquefazem e escorrem, sem estabilidade. Mesmo as novas formas de relacionamento e comunicação que inventamos, muitas vezes parecem ser uma desesperada tentativa de agarrarmo-nos uns aos outros, multiplicando conexões frágeis e superficiais na ausência de laços de confiança efetivos e afetivos.
É um clássico da “linguagem evasiva e autocentrada”. No meio do blablablá, surge uma palavra chave: heteroestima. Não está no dicionário. Consta que é o oposto de autoestima, segundo Fátima Bernardes e Ana Maria Braga.
Podemos, sim, superar a fragmentação do mundo em crise compondo novas sínteses baseadas em novas harmonias. Se já não confiamos naqueles que prometeram tudo, eis aí o sinal para que nossa nova promessa seja um acordo, simples e claro, naquilo que é essencial. A confiança vem do que é sustentável.
Esse último parágrafo foi colocado no Google Tradutor, mas o aplicativo não reconheceu o idioma. É possível que Marina fale a língua dos seus eleitores. Mas, ainda assim, é duvidoso que eles entendam tudo. Hannah Arendt, que ela afirma ter relido, disse o seguinte: “O problema de mentir e enganar é que sua eficiência depende inteiramente de uma noção clara da verdade que o mentiroso e enganador deseja esconder”.

Kiko Nogueira
No DCM
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“A minha métrica do sucesso não é a reeleição”

Ao fim do primeiro ano de mandato, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, defende suas medidas polêmicas e credita à luta de classes as derrotas sofridas na administração

O prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT).
Bosco Martín
São dez e meia da manhã do último dia de 2013 quando o prefeito petista Fernando Haddad, 50, recebe a reportagem do El PAÍS na sede da Prefeitura de São Paulo, no centro da cidade. O semblante de esgotamento e o par de tênis nos pés permitiriam confundi-lo, facilmente, com um maratonista da São Silvestre, corrida que naquele momento passava pela porta da administração municipal. Mas o aparente cansaço do administrador da maior cidade da América Latina tem outras causas. É o resultado de um ano intenso, permeado por derrotas políticas que devem trazer um impacto significativo nas finanças e nos investimentos de 2014.

Em junho, uma série de protestos contra o aumento de 20 centavos na tarifa de transporte público ganhou força depois de uma violenta repressão policial. Sob pressão popular, Haddad e o governador Geraldo Alckmin (que gerencia o sistema de trens e metrô) anunciaram a volta da tarifa para os 3 reais.

Mas os protestos continuaram e impactaram a imagem de Haddad: o número de pessoas que consideram seu governo bom ou ótimo caiu de 34%, no início de junho, para 18%, em novembro, segundo pesquisa Datafolha. E quando a situação parecia melhorar, veio um novo golpe: ao tentar reajustar o IPTU, imposto que incide sobre os imóveis, Haddad foi barrado pela Justiça após uma ação comandada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que tem como presidente Paulo Skaf, provável candidato pelo PMDB nas eleições para o Governo de São Paulo neste ano.

O resultado dos dois golpes foi um congelamento de ao menos 800 milhões de reais que seriam usados pela prefeitura para seus investimentos de 2014. Um impacto definido por um Haddad especialista na doutrina de Karl Marx como a vitória da Casa Grande perante a Senzala, uma referência ao livro do sociólogo Gilberto Freyre, que analisa a formação do Brasil. “Para aqueles que acreditam que o nosso problema de bem estar social é falta de investimento público, [a derrota do IPTU] trará consequências."

Como é ser prefeito da maior cidade da América Latina?

Uma experiência desafiadora. Mas há também a sensação de que você consegue dar resposta aos problemas, desde que você tenha alguma determinação para mudar a realidade da cidade. Em geral, os prefeitos que deixam uma marca na sua cidade foram os que tomaram as providências que todo mundo sabia que precisavam ser tomadas, mas eram postergadas em função de circunstâncias conjunturais. A questão da mobilidade é clássica no mundo inteiro. Todo mundo sabe que deve priorizar o transporte público, mas tomar a decisão de priorizá-lo é difícil porque incomoda aqueles que estão comodamente utilizando o transporte individual. Já tínhamos anunciado na campanha que faríamos, mas impulsionados pelas manifestações de junho, fizemos em seis meses o que faríamos em quatro anos [com o aumento das faixas exclusivas de ônibus], o que resultou em um incremento na velocidade do ônibus, superior a verificada em Nova York e Paris, que tomaram a mesma decisão.

Mas as pesquisas mostram que pessoas não deixaram o carro em casa, que o número dos que usam ônibus não aumentou muito.

Mas deixou de cair. Vinha caindo consideravelmente. Essa mudança não se faz em meses.

Há uma forma de estimular as pessoas a deixarem o carro?

É a perseverança. O trânsito em São Paulo piorou menos em 2013 do que em 2012, quando não se investiu um centavo em transporte público. O trânsito aumentou 11% de 2011 para 2012, sem uma faixa, sem um corredor. E de 2012 para 2013, 7%. Óbvio que é uma mudança de cultura, talvez geracional. No meu tempo, o presente de quem entrava na faculdade era um carro. Outro dia, meu filho me disse que pensava em se desfazer do carro, em função dos custos associados. Paga-se muito mais de seguro de carro em São Paulo do que de IPTU.

Esse é um valor percebido por um grupo mais crítico. A população, em geral, ainda não vê assim.

Mas os 70% que usam transporte público entendem.

E isso não deveria se refletir em apoio ao seu nome?

Vamos dissociar essas duas coisas. O apoio à medida [implementação das faixas] foi medido por dois institutos de pesquisa, e está na casa dos 90%. Uma coisa é aprovar a medida, outra coisa é aprovar o político. Estamos num ano muito atípico do ponto de vista de aprovação aos governantes, de maneira geral. A aprovação da nossa reforma educacional é na casa dos 90%. De mobilidade, 90%. Se perguntarem sobre as medidas para combate à corrupção, certamente vai ser de 100%. E isso tudo pode não se refletir em apoio político.

Isso é uma sina em São Paulo, onde poucos prefeitos reelegeram sucessores?

É um contexto geral de mau humor em relação à política, que é mais grave em São Paulo. Porque a cidade vive uma crise financeira há 20 anos. São Paulo está investindo menos da metade das capitais do Sudeste [Belo Horizonte, por exemplo, investe três vezes mais]. Não tem como. Tem uma hora que a política tem que fazer a concessão à matemática.

Ninguém que é pessimista pode entrar na política. A política já é tão difícil sendo o que ela é. O pessimista tem de fazer outra coisa… Tem que ser jornalista

O problema é a dívida de 56 bilhões de reais, que não dá margem para investimento?

Não é só isso. Tem os precatórios. O Supremo declarou inconstitucional o parcelamento dos precatórios, isso já está se refletindo nas contas municipais. Tem um problema novo, o do congelamento da tarifa de ônibus. E um mais novo ainda, que é a suspensão de uma prática comum a todos os governantes que me foi sonegada, que é a atualização da planta de valores do IPTU.

E por que o senhor acha que, agora, pela primeira vez, foi negada a atualização do IPTU?

Eu não sei.

É uma questão política?

Não sei. Eu acompanho finanças públicas desde criancinha, vamos dizer. Eu nunca vi uma decisão dessa, de negar uma prefeitura de atualizar a base de cálculo.

Está claro, há um problema...

Não há um problema. Havia um, agora são quatro (risos).

O seu cenário é muito pessimista pelo jeito. Quais são as soluções possíveis? Reajuste da tarifa de ônibus em junho?

Antes das manifestações de junho, eu já havia dado uma declaração de que eu era a favor da municipalização da CIDE [Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico], um tributo que incide sobre a gasolina, para baratear o preço da mobilidade em São Paulo. No mundo inteiro discute-se isso. Em Bogotá, por exemplo, tem uma espécie de CIDE municipal. O prefeito tributa a gasolina e subsidia o transporte público. Eu entendo que 2014 é um bom ano para discutir esse tema, em termos nacionais.

Mas em um ano eleitoral?

Justamente. É em ano eleitoral que se discute esse tipo de coisa. Se o Brasil quer o barateamento da tarifa, então temos que discutir a fonte desse barateamento. Por que você vai prejudicar outros setores do governo para baratear o transporte? Saúde, educação, moradia? Essa pergunta será feita aos candidatos. Ninguém que é pessimista pode entrar na política. A política já é tão difícil sendo o que ela é. O pessimista tem de fazer outra coisa… Tem que ser jornalista (risos).

Mas a prefeitura teve que congelar boa parte da verba por mais um ano. Como implementar os projetos?

A suspensão da tarifa e a falta de correção da tabela do IPTU implicam na redução do investimento na cidade. Mal ou bem, essas decisões foram tomadas. Foi o resultado do campo de forças que atuou sobre a cidade. Uma cidade que já investe metade do que as demais capitais do Sudeste investem vai ter mais restrições de investimentos. Esta cidade que pede mais creche, mais qualidade do transporte, mais leitos hospitalares, que se façam mais cirurgias eletivas, precisa encontrar um padrão de financiamento. Isso passa por muitas ações, pela repactuação da dívida do município com a União, que ao contrário do que se vem retratando, está bem encaminhada.

Mas existe um consenso no mundo econômico de que repactuar a dívida da prefeitura com a União pode gerar um endividamento e prejudicar o ajuste fiscal do país.

Discordo desse entendimento. Primeiro, porque não tem impacto fiscal no curto prazo. Segundo, nós estamos buscando um reequilíbrio do contrato. Não é farra fiscal. A União não pode enriquecer às custas dos entes cujas dívidas foram renegociadas. Não posso pagar uma dívida de 17% [de juros] para a União, enquanto ela rola as dívidas dela a 10%. Numa Federação, um ente não pode lucrar às custas de outro. Acho incrível um economista sério defender um contrato totalmente desequilibrado como este. O que estão dizendo é o seguinte: já que você assinou um contrato infeliz, paciência. Você vai colaborar com o esforço fiscal da nação porque você fez um mau negócio. Mas esse negócio foi feito entre o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-prefeito Celso Pitta (nos anos 2000). É uma excrescência do ponto de vista jurídico.

O senhor acredita, então, que isso pode mudar neste ano?

Eu confio na regra de bom senso. Não há como prevalecer o entendimento de que um contrato totalmente desequilibrado deva ser mantido porque um grupo de fundamentalistas entende que isso coloca em risco a estabilidade financeira do país. Estamos falando de um município!

Mas que é o maior município do país...

O que é pouquíssimo perto da União.

Mas a mudança do indexador afetaria outros municípios e Estados.

Mas é justo que a mudança do indexador ocorra. Não é razoável imaginar que Alagoas, por exemplo, um dos Estados com os piores indicadores sociais, talvez do mundo, subsidie a União. Esquece São Paulo. Para Alagoas é justo?

Mas, de qualquer forma, ainda estamos falando de uma expectativa de mudança. E, de concreto, ainda não tem verba.

Quando uma bola está na marca do pênalti, tenho uma boa expectativa de que vai sair o gol.

Tem o Roberto Baggio para mostrar que ela sempre pode ir para fora...

Óbvio que pode. Mas com uma bola na marca do pênalti, uma expectativa de gol não é otimismo exacerbado.

São Paulo não é uma cidade conservadora, é uma cidade onde atuam fortemente forças conservadoras. A cidade é melhor do que parece. Ela quer aflorar, mas não deixam. É o cabresto da Casa Grande

Mas o senhor conta com mais verbas da União? Ela já aumentou em 3.000% para os investimentos na saúde na sua gestão...

São Paulo se mantinha isolado. Nós estamos aderindo a todos os programas federais. Na área da saúde, educação, cultura, mobilidade, do Minha Casa, Minha Vida. Agora, óbvio que nós temos constrangimentos. Quando o programa federal exige contrapartida, o aumento da arrecadação própria do município é essencial para honrar essa contrapartida. Por isso a nossa preocupação com o IPTU é tão grande.

Como assim?

Porque ao contrário do que a Fiesp alardeou, nós não vamos perder só 800 milhões de reais. Aliás, 800 milhões só não é dinheiro para a Fiesp. Para São Paulo é muito dinheiro. Nós não vamos perder só os 800 milhões, vamos deixar também de fazer obras que exigem a contrapartida. Por exemplo: a União paga a construção de creche para os municípios. Só que, para isso, eu preciso de terreno. Mas como não tenho terreno público em São Paulo, eu preciso desapropriar. E se eu não tenho o dinheiro próprio para a desapropriação, o dinheiro federal não vem. O principal problema são os casos em que preciso desapropriar, como o Minha Casa, Minha Vida, e os corredores de ônibus.

Houve bairros com aumento de 29%, como no caso da Vila Mariana (classe média alta), e redução de 10% em bairros como Guaianases (de baixa renda). Não se poderia ter mantido esses bairros sem desconto, para que outros não tivessem tanto reajuste?

A planta genérica de valores não é uma peça política. É uma peça técnica, elaborada na secretaria de Finanças. Uma lei municipal exige que no primeiro ano de mandato todo prefeito atualize. Eu estava cumprindo a lei. Eu estava fazendo o que todos os prefeitos fizeram no seu primeiro ano. É justo atualizar a base de cálculo do tributo. Se uma jurisprudência como essa se firma, o que eu não acredito, vai ter repercussões em todos os municípios.

Não faltou diálogo, sabendo ainda que o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, pode se candidatar a governador em 2014?

Não faltou diálogo, sobrou oportunismo. É minha opinião sincera.

No mundo da política não existem bondades, o jogo não é fraternal...

Debate sobre tributo no Brasil sempre se ganha a posteriori, a priori é muito difícil ganhar. Quando prometeram que os preços das mercadorias iam cair com o final da CPMF (tributo criado para financiar a saúde, extinto posteriormente), lembra? Nós estamos esperando até agora. Os empresários embolsaram lucros maiores e a saúde pública foi prejudicada.

Já que estamos falando de lucro... O senhor deu uma declaração que gerou polêmica recentemente. Disse que a Casa Grande, representada pela Fiesp, venceu a Senzala, que é a população pobre de São Paulo. O senhor acha que há uma luta de classes?

Veja bem, nós estamos num dos países mais desiguais do mundo. Não sei por que lembrar isso ofende alguém. E combater as desigualdades é equilibrar a contribuição que cada um dá para a sociedade se emancipar das mazelas materiais que sofre. Não vejo ofensa nisso.

É difícil ter uma visão mais marxista numa sociedade tão conservadora quanto São Paulo?

Não estou falando de marxismo aqui. Estou falando de Estado de bem-estar social. Como é que São Paulo admite conviver com a miséria que ainda existe aqui, a cinco quilômetros do centro? Como se admite conviver com tanta miséria ainda?

Mas também existe um paulistano que rejeita a miséria, que quer uma cidade mais humana. Como o senhor percebe isso?

Sempre fui da opinião que São Paulo não é uma cidade conservadora, é uma cidade onde atuam fortemente forças conservadoras. A cidade é melhor do que parece. Agora, muitas vezes esse desejo, essa vontade de mudança, fica subordinada aos donos que impedem essas forças de se manifestarem mais livremente. Por isso que é uma cidade tensa. Ela quer aflorar, mas não deixam. É o cabresto da Casa Grande. (risos).

COMBATE À CORRUPÇÃO

Existe uma ação da prefeitura, com apoio consensual, que é a Controladoria Municipal. O senhor falou em trabalhar leis internacionais para punir as construtoras, envolvidas na máfia dos fiscais. Como esse assunto foi encaminhado? No Brasil, não se pune o corruptor.

Ainda há muitas distorções que estão sendo corrigidas. Entra em vigor em janeiro uma lei que permite a multa administrativa severa dos corruptores. É uma lei nacional, que pretendemos aplicá-la exemplarmente em São Paulo. Há um projeto de lei desde 2004 no Congresso Nacional, encaminhado pelo ex-presidente Lula, que criminaliza o enriquecimento ilícito. Hoje isso não é crime. Posso te garantir uma coisa: se no Brasil for feito o trabalho que a controladoria do município fez, de cruzamento de dados patrimoniais, com declaração de Imposto de Renda, uma parcela da Casa Grande seria encarcerada. Pode ter certeza.

O combate à corrupção resvalou no seu governo, com o nome do Antônio Donato (secretário de Governo que pediu afastamento ao ser apontado como receptor de propina no esquema de fiscais da prefeitura com construtoras). Como o senhor vê isso?

Só três pessoas podiam prejudicar essa investigação até a sua conclusão exitosa: eu, o controlador e o Donato. Éramos as únicas três pessoas da prefeitura que, por dever de ofício, tinham que acompanhar, desde março, o passo a passo das ações conduzidas. Teve uma determinada circunstância, num determinado dia, que foi crucial. O controlador chegou para mim e para o Donato e falou: ‘olha, tá mapeado o problema.’ Expôs todo o problema, que veio a ser conhecido seis meses depois. Disse: ‘nós temos duas condutas a tomar, ambas com amparo legal. Um processo administrativo disciplinar por enriquecimento ilícito em que esses servidores serão demitidos. E outro muito mais delicado: levar o problema para o Ministério Público, tentar uma ação judicial que abra uma investigação com autorização legal, com quebra de sigilo telefônico, bancário, fiscal e todas as consequências inerentes a essa decisão’. Qual foi a posição minha e a do Donato? Vamos pelo caminho mais difícil, mas que vai resultar na verdade, em saber como essas pessoas acumularam até aqui 80 milhões de reais em patrimônio pessoal.

E por que o senhor acha que o nome dele foi envolvido?

Ah, aí tem que perguntar para quem envolveu... Eu estou dando um testemunho de quem presenciou a cena. A decisão foi tomada ali. Naquele minuto. Ninguém ali piscou. Muita gente não faria isso.

Foi uma perseguição ao senhor?

Não, não lido com esse conceito. Eu só sou uma pessoa, até pela minha formação, que acredita que você explicando os dilemas que o administrador público vive, isso ajuda a empurrar para a direção correta a cidade. Possivelmente alguém consideraria melhor ir no caminho do menor risco para a administração. Nós optamos por um outro caminho. Por um jeito que é mais pedagógico, mais transparente e que envolve mais riscos.

Quer dizer, o grande mérito da Controladoria foi esse cruzamento de dados...

Em 90 dias desbaratamos uma quadrilha que atuava havia oito anos! Agora, veja que curioso, a mentalidade é tão distorcida no nosso país, que boa parte da imprensa local começou a me criticar por não ter feito os cálculos políticos da minha decisão. Como se a ética tivesse de ser subordinada ao cálculo político. E muitos prefeitos, que estavam interessados em criar as suas controladorias, recuaram diante da reação da imprensa à minha suposta ingenuidade. As distorções morais estão em todo lugar.

É verdade que o ex-presidente Lula chamou o senhor para conversar sobre o desgaste dessa ação na aliança com o PSD, do ex-prefeito Gilberto Kassab, que é importante para a reeleição da Dilma?

Nunca. Tem reuniões das quais eu participei que eu fico sabendo pela imprensa. (risos).

PROTESTOS

E na época dos protestos? Houve uma crítica de que a prefeitura demorou para atuar. Se disse que o ex-presidente Lula estava insatisfeito com a sua postura. É verdade?

Sobre esse assunto eu conversei com o presidente Lula. E ele sempre entendeu o problema como um problema que não era local. Ele foi um dos primeiros a fazer essa afirmação: ‘não é a tarifa’.

E hoje como o senhor avalia o que aconteceu em 2013 no país? Eu queria a resposta do cientista político, não do prefeito.

Eu acho que o estopim pode ter sido a tarifa. Deixa eu fazer algumas considerações, já que você está perguntando para um cientista político você tem que me dar tempo (risos). A minha campanha eleitoral se baseou numa tese que se provou vencedora. Mas que explica muito, na minha opinião, as manifestações de junho. Eu dizia que a vida do brasileiro tinha melhorado da porta de casa para dentro. Mas não tinha melhorado da porta de casa para fora. Quis dizer que a vida do trabalhador: renda, acesso à crédito, acesso ao consumo, à educação, à saúde... tudo tinha melhorado, da porta para dentro. Mas que os serviços públicos, da porta para fora, não tinham acompanhado esse ritmo de mudança. A tarefa nossa, portanto, seria essa. Tínhamos que melhorar para o usuário do SUS [Sistema Único de Saúde], para o usuário de escola pública. Acho que junho é um pouco o resultado disso. Com um ingrediente, na minha opinião, que explica muito a forma que a coisa assumiu: a violência policial.

Eu entendo que do ponto de vista da segurança pública existe ainda um componente mal resolvido de interface com a política, de se criminalizar protesto, por exemplo. Isso é uma coisa muito comum em uma ditadura (...) houve uma reação muito forte da sociedade em relação a esse resquício do período autoritário.

A violência foi o elemento catalizador?

Eu acho que ali houve uma resposta da juventude, que disse: ‘nós não vamos aceitar um retrocesso democrático no país e se formos para a rua para nos manifestar é um direito nosso’. Acho que aquela quinta-feira, 13 de junho, é um turning point. Existia um movimento [pela redução da tarifa] que não era novo, que não tinha grande expressão e, de repente, uma violência muito grande resultou numa situação inédita.

A Polícia Militar foi inábil?

Eu entendo que o Estado ainda não estava preparado do ponto de vista da sua organização, da formação democrática que as forças de segurança têm que ter. Nós saímos da ditadura militar, o Brasil está avançando enormemente na democracia, é uma das democracias mais vibrantes do mundo. Mas eu entendo que do ponto de vista da segurança pública existe ainda um componente mal resolvido de interface com a política, de se criminalizar protesto, por exemplo. Isso é uma coisa muito comum em uma ditadura, onde se criminaliza os opositores do regime. Numa democracia não se aceita. O que me pareceu é que houve uma reação muito forte da sociedade em relação a esse resquício do período autoritário.

O senhor acha que a polícia deve ser desmilitarizada?

Eu não estudei esse assunto. A tendência mundial é a da desmilitarização. Isso é uma tendência no mundo e quanto mais evoluído o país, mais essa é a regra.

Agora, olhando quase seis meses depois, teria alguma coisa que o senhor teria feito diferente em relação às manifestações? A prefeitura demorou para agir?

Demorou-se muito tempo? Acho que não. Na quinta-feira, 13 de junho, houve aquele evento, aquela enorme repressão e na quarta-feira foi feito o anúncio.

Mas as manifestações já tinham sido reprimidas com violência outras vezes antes, tudo vinha crescendo...

Antes daquela quinta-feira, as vítimas retratadas pela própria imprensa estavam mais do lado da polícia. A foto da quarta-feira, 12 de junho, em todos os jornais, é a de um policial sangrando e não a de um manifestante ferido. Não estava claro o que de fato estava acontecendo. Na quinta-feira muda tudo. O que eu vi depois de quinta é que o debate ali estava completamente interditado. Já não era possível debater o assunto. Ainda tentamos. Mas ali já não havia mais nenhum espaço para o debate.

Uma das soluções que vieram foi a Comissão Parlamentar de Inquérito do ônibus (quer seria feita na Câmara Municipal, pelos vereadores, para abrir as planilhas de gastos do transporte público). Isso andou muito pouco.

Eu não vejo condições de um aprofundamento desse tipo de debate numa CPI. CPI em geral é muito boa para apurar uma denúncia. Um fato concreto. Uma auditoria, na minha opinião, só uma auditoria internacional licitada como nós vamos fazer. Estamos no meio do processo de licitação. Como a sociedade está demandando mais transparência, resolvi que não vou licitar o sistema, sem antes auditar.

Vai constar no critério de preferências mais linhas oferecidas?

Primeiro lugar, na minha opinião, é o custo disso tudo. Quando as pessoas falam: ‘corta do empresário’, vamos ver. No primeiro ano da minha primeira administração reduzimos o desembolso em 500 milhões de reais em 2013. A mesma prefeitura está atuando na renegociação dos contratos com os fornecedores, renegociação da dívida com a União, negociação dos precatórios, planta genérica de valores... Fazemos um grande esforço de saneamento para recolocar São Paulo na liderança do investimento público per capita do país.

É possível ter tarifa zero no transporte público?

Vamos fazer uma pergunta diferente: é possível aumentar o subsídio à tarifa até o ponto de chegar a 100%? A minha opinião é que sim, se tiver uma fonte de financiamento.

Que seria...

A municipalização da CIDE. Se os prefeitos forem autorizados a tributar a gasolina para subsidiar a tarifa, você poderia avançar no subsídio e diminuir o preço da tarifa no bolso do trabalhador.

Vai ter aumento de ônibus em 2014?

Não está planejado.

Isso é não?

Isso é não.

POLÍTICA

Tem que ter muita paciência para suportar esse processo. Trabalhar calado, aguentando e acreditar que tem uma coisa que vai desabrochar.

Estamos falando de arrumar a casa e, talvez, colher os frutos dessa arrumação muito tempo depois de quatro anos. Todas essas questões demoram um tempo até que se tenha verba para fazer o que realmente aparece aos olhos públicos. Não é um risco político?

É um risco político que eu decidi assumir, conscientemente. Eu vou te dar um exemplo da minha passagem pelo Ministério da Educação: seguramente, nós fizemos a maior reforma educacional da história. Mas nós ficamos dois anos discutindo roubo de uma prova do Enem, um livro que supostamente ensinava o brasileiro a falar errado... Ou seja: do que nós estamos falando? Você promove uma das maiores reformas, inclusive reconhecida pela Unesco, pela Unicef. E nós ficamos presos a esses acontecimentos que a imprensa julgou como os mais relevantes a serem discutidos. É difícil a comunicação.

No longo prazo esses esforços podem ser percebidos? O PT tem tempo de esperar esse longo prazo em São Paulo?

Veja bem. São Paulo precisa ser bem sucedida pela métrica que me interessa. A métrica que me interessa não é a reeleição. Você pode ser mal sucedido e se reeleger. Conheço vários prefeitos ruins que foram reeleitos. A minha métrica do sucesso não é a reeleição. É um projeto para a cidade. A cidade tem um projeto hoje? Não tem. Se essa cidade em 2016 tiver um projeto... E quando eu digo projeto não é o prefeito ter um projeto. É a cidade ter um projeto. Para mim, essa é a vitória da gestão. Para mim, o que significa mudar São Paulo é uma combinação virtuosa entre o projeto e o tempo. É um risco muito grande? É um risco muito grande.

Mas adianta ter um projeto e em 2016 não conseguir a reeleição e entrar um outro prefeito que vai assumir outro projeto?

Foi o que aconteceu com a Marta [Suplicy]. Por que a Marta, à maneira dela, vinha desenvolvendo uma visão de cidade que estava se impondo e que é diferente da São Paulo que nós conhecemos hoje. Na minha opinião, a cidade seria outra. Até porque eu participei da gestão dela e vi que estava se constituindo uma coisa nova em São Paulo. E ela perdeu.

E o senhor não teme isso?

Temo. Mas qual a alternativa que eu tenho? Maquiar? Não sei!

A Marta foi muito bem aceita na periferia e rejeitada nos bairros mais ricos. Ela também teve um embate com a classe média, onde está grande parte do conservadorismo. Não existe uma estratégia para trabalhar a conquista da classe média?

É difícil você convencer alguém de alguma coisa no primeiro ano de governo. Porque as pessoas não conseguem enxergar. É muito difícil, inclusive, comunicar coisas que estão sendo gestadas ainda. Então, tem que ter muita paciência para suportar esse processo. Trabalhar calado, aguentando e acreditar que tem uma coisa que vai desabrochar. Exige um exercício incrível.

Não tem ninguém que se pareça mais com um tucano do que eu. Branco, filho de imigrante, bem sucedido academicamente, três diplomas. E o que quer dizer isso? Na hora em que os interesses estão em jogo, é de que lado você fica que importa
A gente vê que a aposta do Kassab para a reeleição foi bem simples. Ele investiu na Cidade Limpa, investiu na zeladoria...

A do [José] Serra foi mais simples ainda! Se desincompatibilizou depois de um ano e se candidatou a governador... (risos)

Não seria mais fácil essa aposta mais simples?

É mais fácil! Mas, mutatis mutandis, você está me fazendo o tipo de pergunta que me causava uma certa indignação três meses atrás quando me perguntavam: ‘mas porque você está combatendo a corrupção desse jeito. Você não está percebendo que isso está trazendo prejuízo para o teu governo?’. É o mesmo tipo de cálculo, entendeu. Mas é o jeito que eu sei fazer.

Mas o senhor foi uma aposta do PT para tentar se renovar, trazer quadros novos, já que há preconceito da classe mais conservadora paulista com a questão sindical, trabalhista, historicamente ligada ao partido. O senhor é um intelectual, professor da USP. O ministro da Saúde Alexandre Padilha, que deve ser o candidato ao Governo de São Paulo neste ano, vem com o mesmo perfil...

Não tem ninguém que se pareça mais com um tucano do que eu. Branco, filho de imigrante, bem sucedido academicamente, três diplomas. E o que quer dizer isso? Na hora em que os interesses estão em jogo, é de que lado você fica que importa. Quer mais do que a Marta? Loira, de olhos azuis, quatrocentona, poliglota, estudou na França, nos EUA. O currículo da Marta dá de dez no de qualquer tucano. E daí? Mas ela fez Bilhete Único, CEU na periferia, corredor de ônibus.

Foi um ano intenso. O senhor está cansado?

Sei lá. Oscila muito tua maneira de ver. Não sei. Já vivi anos difíceis na vida. 2005 foi um ano muito difícil na minha vida, quando assumi o Ministério da Educação. Tive anos na vida privada muito difíceis.

O senhor se arrepende?

Não. É um privilégio viver essa experiência.

Carla Jiménez / Talita Bedinelli
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Ex-secretária do governo Aécio tem bens bloqueados em R$ 6,4 milhões

Eleonora Santa Rosa foi secretária de Cultura do Governo de Minas
A Justiça determinou liminarmente o bloqueio dos bens da ex-secretária de Cultura do governo de Minas, Eleonora Santa Rosa, por enriquecimento ilícito e tráfico de influência. De 2005 a 2008, enquanto esteve na secretaria, a empresa de Eleonora, a Santa Rosa Bureau, teria aumentado seu patrimônio em R$ 6,4 milhões, segundo denúncia do Ministério Público (MP).

Na época em que ocupou a cadeira, sua empresa teve crescimento patrimonial de 776%, segundo investigação da promotoria. Em 2001, o total de rendimentos da ex-secretária na empresa era de R$ 36.800. Em 2006, saltou para R$ 1 milhão.

Depois que Eleonora assumiu a pasta, a Fundação Vale e a então Companhia Vale do Rio Doce (hoje Vale) passaram a ser clientes da empresa dela. “Em inegável situação de obtenção de vantagem, em 17 de março de 2005 a Companhia Vale do Rio Doce havia celebrado Protocolo de Intenções com o Governo do Estado e Secretaria de Estado da Cultura para ser parceira do projeto cultural relativo à Praça da Liberdade, denominado Corredor Cultural da Praça da Liberdade”, diz a denúncia.

Sua sócia, Alessandra Pinho, e a empresa Oliva Produções também figuram como rés no processo. Na terça-feira, o Tribunal de Justiça acatou parte do pedido liminar feito pelo MP referente à indisponibilidade de bens por improbidade administrativa.

Irregularidade

De acordo com a denúncia do MP, Eleonora não teria se desligado da Santa Rosa Bureau para assumir a secretaria de Cultura, o que é proibido por lei.

Segundo a denúncia, ela mantinha no site da empresa a sua biografia com a informação de que, além de proprietária, também exercia a função de secretária de Estado. Para a promotoria, essa pode ser uma forma de usar o cargo para obter vantagens no mercado.

Questionada em depoimento sobre o isso, ela informou que “o escritório se chama Santa Rosa Bureau Cultural, o que torna notória a presença da declarante, que, além disso, não é uma pessoa anônima ou desconhecida no meio cultural”, diz o texto do MP.

Eleonora garante que ação da promotoria é infundada e inócua

Procurada pelo Hoje em Dia, Eleonora Santa Rosa negou todas as acusações. De acordo com ela, a denúncia de improbidade administrativa feita pelo Ministério Público é infundada e “cheia de lacunas”.

“Essa ação é absolutamente desprovida de qualquer sentido real. É inócua e cheia de lacunas”, declarou.

Ela destacou o fato de a investigação correr há mais de seis anos e, só agora, em 2013, o MP ter oferecido denúncia. Isso, para a ré, mostra dificuldade da promotoria em provar as irregularidades.

“Houve uma confusão desse promotor que já dura sete anos. Durante todo esse tempo tentei arquivar a investigação, mas não conseguimos”, disse.

Questionada sobre o fato de não se licenciar de sua empresa e ser nomeada como secretária de Estado da Cultura, Eleonora negou a afirmação do MP.

Ela disse que teria deixado a administração e a direção da Santa Rosa Bureau quatro meses antes de ser nomeada no Executivo estadual.

“Está tudo registrado em contratos social. Levei todos os documentos, mas o promotor, simplesmente, parece não entender o que dizemos”.

A ex-secretária teria mantido seu nome na página da empresa, onde constava as duas funções.

Bloqueio dos bens

Eleonora disse estar ciente da decisão da Justiça em conceder liminar para o MP. Para ela, essa é a oportunidade da Justiça avaliar as provas. Ela disse que as apresentou à promotoria, mas não houve resposta.

“Agora, sim, eu vou ter a oportunidade de responder na Justiça, que acredito que vai me ouvir de maneira isenta. Ainda não tivemos oportunidade de falar e vamos provar agora detalhe por detalhe que a denúncia do Ministério Público é inócua. Vai saber a intenção desse promotor. Curiosamente outra coisa parece estar em jogo”, disparou.

Conforme ela, quem está na administração pública está sujeito a ser investigado pelo MP. Ela acentuou que a decisão foi em caráter liminar e informou que vai entrar com recurso e apresentar sua defesa.

De acordo com Eleonora, a investigação do MP começou com o circuito da Praça da Liberdade, que seria um projeto do governo de Minas e não dela. “Começou no projeto da Praça da Liberdade, que nem era projeto meu, mas do governo todo”.

Ela lembrou que na época em que as investigações começaram, a classe artística fez um movimento em seu apoio.

No Hoje em Dia
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Folha repete em 2014 o pessimismo de 2013

Folha: não dá mais pra ler!
Não tem jeito. Como apontou diversas vezes aqui o ex-ministro José Dirceu, a Folha de S.Paulo insiste em manchetes pessimistas e na torcida contra o governo e o país. Hoje, crava que “Alta de preços ameaça nível de emprego neste ano“.

O jornal diz que analistas preveem que mais pessoas procurem trabalho para aumentar a renda, já que a inflação corroeria a renda dos trabalhadores neste ano.

A Folha começa 2014 como começou 2013: fazendo alarmismo com a inflação. No ano passado, o jornal – e o restante da grande imprensa – alardeava o risco de disparada dos preços. Falavam até mesmo em risco de descontrole da inflação. E como 2013 terminou? Com uma inflação mais baixa que em 2012.

Mas a Folha insiste no mesmo discurso. Diz que “a expectativa” é que os preços subam mais do que subiram em 2013.

Diante do menor desemprego da história, a Folha não encontra outra saída a não ser fazer previsões pessimistas para criticar o governo.

No Blog do Zé
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A Jogada da Copa


Seis meses depois dos protestos que tomaram inúmeras cidades brasileiras, decantadas as insatisfações apresentadas pelos manifestantes e as múltiplas soluções aventadas por todos os atores políticos para a estranha crise que se formou, temos um quadro bem claro. A maioria da população quer mudanças no  país, mas prefere que elas sejam conduzidas por Dilma e não pela oposição. A presidenta lidera em todas as sondagens de intenção de voto.

Falta muito tempo até as eleições, certamente, e já assistimos a oscilações espetaculares de intenção de voto nos pleitos anteriores, inclusive candidaturas que “atropelaram” na reta final e venceram. Tudo pode acontecer, portanto, até que se proclamem os resultados. Mas, até segunda ordem, quem lidera é Dilma. A soma dos votos de seus adversários não supera os votos da candidata governista e tudo indica que a eleição será definida já no primeiro turno.

brasil-protestos-fortaleza-copa-confederacoesSim, mas há um outro roteiro possível para este ano. Nele, as massas sairiam novamente às ruas em junho, em plena Copa do Mundo, e causariam tal transtorno à competição que seria impossível ignorá-las. A mídia mundial distribuiria a todo o globo imagens de multidões pedindo reformas, de black blocs destruindo seus alvos habituais e das polícias reprimindo com a cortesia conhecida.

As cenas passariam a impressão de um país sem governo e de um governo sem legitimidade – impressões absolutamente falsas. Mas o que é mesmo a verdade, nessas coisas da mídia e da enunciação de seus conteúdos?

Um governo “ilegítimo”, pressionado externamente, ficaria acuado também pelos adversários internos. Estes amplificariam ao máximo possível os protestos e tentariam conduzir a sua pauta, exatamente como fizeram em 2013. Para criar um clima de megacrise, que nenhum ponto de contato tem com o real. Mas o que é exatamente o real, quando se tem o controle do que a mídia diz sobre ele?

Quem sabe se, em meio ao eventual fiasco da Copa – corre-corre e pancadaria nas imediações dos estádios, os inevitáveis problemas organizativos amplificados ao extremo, as queixas e angústias dos turistas constrangidos pelo clima de guerra política no Brasil e, prêmio final, uma boa derrota da seleção nacional -, os eleitores não embarquem na ideia de jogar toda a culpa em Dilma? Quem sabe não escolham na urna uma alternativa de oposição?

Acumulam-se as evidências de que setores conservadores, descrentes de sua capacidade de sedução do eleitorado pelas vias convencionais, cogitam se lançar na aventura catastrofista da Copa. Pretendem que o maior evento já realizado no país fracasse espetacularmente, para o máximo constrangimento e desgaste do governo atual. Acham que colherão os louros dessa ação de lesa-pátria.

527615É simplesmente doentia a ideia de que, para conquistar o poder de “consertar” o país, alguém considere aceitável que a nossa imagem internacional seja destruída. Que o Brasil seja penalizado por décadas, pela “incapacidade” de realizar grandes eventos internacionais. E que isso aconteça fundamentado em mentira e manipulação da opinião pública.

Mas, infelizmente, a possibilidade é bastante concreta. Daqui até junho, provavelmente veremos novas convocatórias para que as massas voltem às ruas e façam manifestações “espontâneas”. Assistiremos à incitação explícita de atos destinados à desestabilização do governo. “Não vai ter Copa!”, bradarão outra vez os carbonários – com todas as câmeras e microfones à sua disposição.

Dias atrás, na primeira vez em que externei essa preocupação, recebi o previsível fogo de barragem. Disseram que é paranóia minha, exagero. Que as convicções democráticas da oposição e de sua mídia são inquestionáveis. E que a eleição transcorrerá dentro das regras, sem tentativas de tapetão.

Será mesmo? O pré-golpe de 1964, em que muitos não acreditavam que a legalidade fosse demolida, talvez nos ensine melhor sobre os métodos do conservadorismo para tomar o poder. E sobre como ele é campeão em destruir a democracia, para “salvá-la” da ameaça dos governos populares.

Por que deveríamos confiar agora em quem não foi confiável no passado e segue não sendo?

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