4 de jan de 2014

Um pouco de história, por favor


É feio apostar na falta de informação do eleitor

A campanha contra a reeleição de Dilma Rousseff aguarda por críticos melhores e mais bem informados.

Um dos mais empenhados sugere hoje que, se Dilma for reeleita em 2014, aquilo que algumas pessoas chamam de “lulismo” irá completar 16 anos no governo. Para reforçar a ideia de exagero, de aparelhamento do Estado e outros chavões do gênero, diz-se que Franklin Roosevelt, o mais influente presidente dos Estados Unidos no século XX, ficou 12 anos no posto.

É de chorar. Roosevelt morreu no cargo em 1945, adoentado. Foi substituído pelo vice Harry Trumann.

Democrata desde a infância, como Roosevelt, Truman ficou na presidência até 1953. Só então os republicanos ganharam a presidência após um jejum de 20 anos.

Trouxeram Dwight Eisenhower, um general da II Guerra, que conseguiu fazer os eleitores esquecerem do trágico desempenho republicano na crise de 1929, quando ajudaram a afundar o país numa longa depressão. Eles diziam (olha a coincidência) que o mercado iria promover o crescimento e criar empregos através da "mão invisível."

Isso quer dizer o seguinte: se é para copiar critérios norte-americanos, como está sugerido, a oposição deveria ficar calminha até 2022.

Como democrata, aposto na soberania do eleitor e critico quem joga com a ignorância. Tanto Roosevelt, Truman, Lula e Dilma só chegaram ao poder através de eleiões. É disso que se trata, mais uma vez. Ganha quem tem mais votos. Esta é a regra.

Ou será que vamos sugerir que se proiba a reeleição de candidatos diferentes só porque são do mesmo partido?

Cada eleição é uma eleição e envolve seus temas e seus conflitos.

Só não vale apostar na baixa informação dos leitores, vamos combinar.

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Compra de terras e florestas envolve “capos” da multi que corrompeu fiscais do ISS paulistano


A agência Reuters anuncia que foi concluída a venda de 205 mil hectares de florestas da Fibria – fusão entre a Aracruz Celulose e a Votorantim – nos estados de São Paulo, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Bahia.

É mais de 20% das terras da empresa, uma gigante da celulose.

Diz a matéria que o Cade aprovou a venda, sem restrições. Em princípio, é o que deveria fazer, porque é a venda de um pedaço da maior empresa para outra.

Mas quem é a outra empresa?

A suspeita de que a Parkia seja uma empresa controlada por estrangeiros  - e que, portanto, teria limites legais à compra de terras no Brasil – era tão forte que a Fibria foi aos jornais dizer, numa insólita declaração,  que não é e que a compradora estava “aberta para passar os detalhes de sua formação ao mercado”.

Mas não passou coisa alguma.


“Funciona” em “parte” de uma sala do escritório de contabilidade Apex Auditores, no Edifício Downtown, na Barra da Tijuca – Av. das Américas, 500, Bloco 2, sala 301.

Não emprega um mateiro, um lenhador, um operador de serra.

parkiaVai é fazer a corretagem das terras ou, mais provavelmente, servir como “descarrego” contábil para a Fibria reduzir seu endividamento, com um contrato de recompra das terras na gaveta.

No mesmo endereço, funciona a Arapar Participações, integrada e dirigida pelos mesmos integrantes da Parkia.

Quem era o responsável pela Parkia até novembro do ano passado?

O senhor Luiz Idelfonso Simões Lopes, presidente brasileiro da Brookfield, braço imobiliário da notória Brascan no Brasil.

Ele passou a presidência para Charles Wanderley Maia, criador de gado em Goiás e de cavalos de raça.

Não se sabe muito dele, exceto que recebeu uma condenação por uso de guia falsa no recolhimento de impostos, aqui no Rio.

Os outros diretores, Renato Cassim e Paulo Cesar Carvalho Garcia são, como Simões Lopes, capas-pretas da Brookfield: vice-presidente e conselheiro geral da empresa.


Que matéria podia sair daí, se tivéssemos jornalismo investigativo, não é?

Bom, pelo menos podíamos ter Polícia Federal.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Charge online - Bessinha - # 2019

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Eduardo Campos fala sobre Dilma

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Na edição da mentira, Veja nega "guerra psicológica"


Folha, Estado, Globo, colunistas políticos... todos demonstraram irritação contra a expressão "guerra psicológica", usada pela presidente Dilma Rousseff contra setores da sociedade que instilam pessimismo injustificado na economia; só faltava Veja, a mesma que revista que apostou na inflação do tomate e no dólar a R$ 3; agora, não falta mais: revista nega jogar ou torcer contra País, na mesma edição em que afirma que alguém mentirá para você ainda hoje; verdade ou mentira?

O time está completo. Editorialistas da Folha de S. Paulo, do Globo, do Estado de S. Paulo e colunistas como Merval Pereira e Eliane Cantanhêde – ou seja, todos aqueles que fazem permanente "guerra psicológica" contra o governo – já haviam condenado o uso dessa mesma expressão pela presidente Dilma Rousseff no seu pronunciamento do último fim de semana.

Só faltava a revista Veja, a mesma publicação que apostou em teses como a inflação do tomate e o dólar a R$ 3, em algumas capas recentes.

Bem, não falta mais. Neste fim de semana, a edição de Veja, cuja capa é dedicada ao tema da mentira, nega que a revista faça qualquer tipo de "guerra psicológica" contra o País ou contra o governo.

Na reportagem interna, chamada "É um papo muito cabeça", Veja afirma que Dilma usou uma expressão típica da ditadura militar, que "a prendeu e torturou", e que isso seria um exemplo de "síndrome de Estocolmo", como se Dilma estivesse emulando os generais. A revista também sugere que ela pare com esse tipo de retórica, porque corre o risco de, em breve, estar repetindo slogans como "Brasil: ame-o ou deixe-o".

Assim como os demais veículos que negaram fazer "guerra psicológica", Veja se colocou na posição de quem faz críticas construtivas. E reconheceu até avanços do governo Dilma. "A presidente Dilma entra na campanha como favorita. Na área social, os programas governamentais de combate à pobreza têm mostrado resultados. Mesmo na economia, há alguns trunfos. O ritmo de contratações perdeu força, mas as empresas continuam abrindo vagas. A taxa de desemprego, de apenas 4,6% da população ativa, nunca foi tão baixa", diz Veja.

De fato, o desemprego na mínima da série histórica é um bom trunfo da presidente Dilma neste ano de 2014.

No 247
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