22 de jul de 2014

Marin, Del Nero, Gilmar e Dunga: pode dar certo?


O impagável José Maria Marin, provecto herdeiro da dinastia Havelange-Teixeira na CBF, resolveu que era hora de passar o bastão e chamou, antes da Copa, seu inseparável parceiro Marco Polo Del Nero, presidente da Federação Paulista de Futebol e advogado criminalista, para ser eleito em seu lugar.

Como Del Nero só assume o posto no próximo ano — nunca vi uma transição tão longa, por que será? — , os dois agora governam juntos o nosso futebol, feito aquelas velhas duplas sertanejas dos tempos da brilhantina. Consumado o desastre da seleção brasileira na Copa de 2014, antes que alguém os chamasse à responsabilidade, demitiram toda a comissão técnica e deram início a uma nova era de "completa reformulação" desta entidade privada, tratada como se fosse propriedade particular deles.

Primeiro surpreenderam todo mundo ao chamar para ser o coordenador técnico das novas seleções brasileiras um empresário de jogadores de futebol que operou como "agente Fifa" nos últimos 14 anos. O sorridente ex-goleiro Gilmar Rinaldi não viu nenhuma incompatibilidade nas funções e deu mãos à obra. De comum acordo, Marin, Del Nero e Gilmar chamaram de volta o velho amigo Dunga, que ficou três anos desempregado, depois de ser demitido da seleção brasileira em 2010, e fracassar no Internacional em 2013, único clube que treinou na vida.

No começo, achei que era só brincadeira para disfarçar, mas com esta turma do barulho tudo é possível, e o grande estrategista Dunga está de volta ao comando da seleção já nesta terça-feira. Não há nenhum perigo de dar certo. É a mesma coisa que sair Marin e entrar Del Nero. O que pode mudar?

Se era para chamar um bedel de cara feia capaz de acabar com a farra na Granja Comary, transformada por Felipão em cidade cenográfica de uma emissora de televisão sócia da CBF, com direito a fotos na revista "Caras", os dois presidentes poderiam reforçar a segurança e pensar em algum profissional nacional ou estrangeiro mais qualificado para montar uma equipe de futebol competitiva com o nome de seleção brasileira.

No dia da final entre Alemanha e Argentina, quando ainda se discutia se Felipão deveria ficar ou não, ao fazer um balanço da Copa escrevi aqui mesmo que tanto fazia, já que o buraco estava mais em cima.

Como é que estes cartolas faceiros se eternizam no poder? Tudo começa na estrutura dos clubes brasileiros, a maioria deles falidos, onde as eleições são indiretas e ninguém presta contas a ninguém. São eles que elegem os presidentes das federações. Estes, por sua vez, escolhem um deles para presidente da CBF. Os sócios e os torcedores dos clubes, que bancam a festa, não são ouvidos em nenhuma destas instâncias.

Surge agora nova esperança com uma bela iniciativa do grande Santos de Pelé: a ideia é eleger a próxima diretoria do clube pela internet, com o voto direto de todos os sócios, como acontece em qualquer entidade ou associação privada. Este pode ser um belo começo para uma verdadeira revolução no nosso futebol. Fora disso, é mais do mesmo, eternamente.

Que pensam disso os caros leitores do Balaio?

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