20 de jun. de 2014

Algumas considerações sobre a Copa e a “grande” mídia brasileira.


Em entrevista aos blogueiros, no dia 08 de abril, Lula afirmou que imaginou a Copa como um “encontro de civilizações” e que queria mostrar o Brasil ao mundo, como nós somos, com nossas qualidades e nossos problemas.

Eu prefiro falar em encontro de culturas, nesse mundo tão misturado do século XXI, mas não é mesmo isso o que está acontecendo?

Disse o Lula: “A Copa do Mundo aqui no Brasil é um encontro de civilizações causado pelo esporte. É mais do que dinheiro. São milhares e milhares de pessoas que vêm pra cá pra conhecer esse país, pra comer a comida desse país, pra ver a gente desse país do jeito que ela é. Ninguém vai esconder ninguém, mas vai permitir que ele tome um banho em Copacabana, que ele coma um frango preguento no Xapuri, lá em Minas Gerais; que ele possa ir na Dona Lucinha comer uma galinha com quiabo e saber o que nós comemos”.

Ele gosta mesmo da comidinha nossa de Minas, saborosa como ela só!!!”

Todos nós sabemos que os preparativos para a Copa foram muito complicados, com atrasos não só nos estádios mas em grande parte das obras, senão na maioria.

Isso é inegável e era obrigação da mídia tratar desses problemas. Sem esquecer as mortes e ferimentos em trabalhadores das obras, em razão de falhas na segurança.

Mas me parece também inegável concluir que, pelo menos por enquanto, com apenas 6 dias do início da Copa, os problemas de organização são pequenos diante do sucesso que o evento tem tido, com um fluxo de 3,7 milhões de visitantes para as 12 cidades sede, incluindo 600 mil turistas estrangeiros, segundo dados do Ministério do Turismo.

É claro que não estou ignorando os abusos das PMs, que ainda não aprenderam a tratar manifestantes com civilidade e os que depredam, apenas com a lei. E, também, não estou ignorando os desmandos e o autoritarismo da FIFA e da CBF.

De todo modo, fico com a clara sensação de que a “grande” mídia quis, por interesses políticos (ou seja, para desestabilizar o governo Dilma), exacerbar o clima anti-Copa e o mau-humor. Uma mídia que, para desgastar o governo liderado pelo PT e favorecer a oposição, parece sempre torcer contra o Brasil, seja contra o sucesso da Copa ou contra a Petrobras. Uma mídia que só destaca os problemas e quase nunca reconhece os avanços.

Creio que é inevitável ficar com essa sensação. Que, na verdade, não é uma simples sensação!!! Parece-me um fato.

Temos uma mídia que ficou numa espécie de “síndrome bipolar”: não queria falar bem da Copa para detonar o governo Dilma e fazer o jogo da oposição, mas, ao mesmo tempo, precisa da Copa desesperadamente, para manter a audiência, alavancar seus negócios e pagar suas contas.

É possível mesmo imaginar que, sem a campanha “do contra” dessa mídia que se diz “isenta”, mas é terrivelmente manipuladora, o número de turistas fosse ainda maior.

Conforme afirma o Fernando Brito, do Tijolaço, “imagina sem mídia” contra!

Espero, sinceramente, que tudo continue bem e que fique ainda melhor!!!

E, claro, que a seleção brasileira conquiste o Hexa!!!

Não sou ufanista, mas que o Hexa seria ótimo, isso seria!!!

Afinal, em nome de quê tirar do povo essa alegria? Ou alguém ainda acha que as pessoas se esquecem dos seus problemas porque o país pode ganhar, pela sexta vez, a Copa do Mundo de Futebol? E mais, seria a primeira vez em casa, no Maracanã, depois da frustração de 1950.

Kátia Gerab Baggio, professora associada de História da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
No Viomundo

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